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"A JOVEM"
RESERVA DE CA�A PRIVADO
OS INTRUSOS SER�O SANCIONADOS PELA LEI
Socorro!
Estupraram-me!
Socorro!
Ouviu isto?
Tentou estupr�-la,
foi esse negro!
Por essa rua!
-Por onde? -Por a�!
N�o deixe que cruze o rio.
Cuidado.
Esta entre as �rvores!
-Sil�ncio, viu algo? -N�o, n�o vi. Mas me disseram que � negro.
Vamos, ser� divertido!
O fog�o est� frio.
Essa menina � uma calamidade.
Os pratos sujos.
Maldita criatura!
Evvie!
Evvie!
Nem sequer lavaste os pratos do caf� da manh�!
O que andou fazendo o dia todo?
-O vov� morreu. -Sim.
Enfim se foi.
Pobre Pee-Wee.
A todo mundo chega sua hora. A sua, a minha.
N�o chore.
V� acender o fogo.
O fog�o est� frio como o nariz de um cachorro. Anda, vem.
Amanh� � segunda-feira, n�o?
Bem.
Vir� o Jackson com a lancha.
Te mandarei � cidade com ele.
Assim poder�...
Olhe o que fez.
Desajeitada!
Limpe tudo isso.
O que dizia? Ah, sim.
Ter� que explicar �s pessoas da igreja o que aconteceu.
Eles saber�o o que fazer.
O velho Pee-Wee.
Disse a ele muitas vezes o que achava sobre a forma de te educar.
Deveria ter te mandado escola na cidade...
para que aprendesse a ler e a escrever.
Mas ele sempre dizia: "A semana que vem".
Pois amanh� � a semana que vem.
Lave-as.
E lave as m�os, o rosto e os joelhos.
E escove teu cabelo.
N�o entendo porque fica assim t�o suja.
Anda.
Se tivesse vivido um pouco mais te veria uma mulher feita.
Sim, senhor.
Uma aut�ntica mulher.
Cresceste sem que me desse conta. Quantos anos tem?
N�o sei. Sabia quando mam�e vivia, antes do vov� me trazer aqui.
Se pode saber a idade dos cavalos olhando a dentadura?
Nas mulheres e nos porcos o que conta � a carne e o peso.
Levanta a perna.
-Tem boas carnes. -Tenho que lavar os pratos.
� muito bonita, tenho que admitir.
Tem que aprender a te arrumar assim todo dia.
Est� bem que aqui andas como uma rata de p�ntano,
mas na cidade os meninos ririam de ti.
E n�o podemos permitir isso.
O que faz?
Evvie!
O que ouve, te fiz c�cegas?
Sabe que pode confiar em mim.
Eu n�o te faria mal, assim n�o tenha medo de mim.
Pode ser que �s vezes grite contigo, mas gosto de voc�.
Deixa te levantar nos bra�os.
Pesa t�o pouco como uma menina pequena.
Te levarei para a cama, amanh� tem de ir a cidade e deve descansar.
Hap!
Hap!
Pee-Wee!
-Ol�. Onde est� o Sr. Miller? -Foi por ali.
Certo.
Ol�.
-Acabo de perguntar por voc�. -Novidades no continente?
O senhor Hargreaves me pediu para lev�-lo a cidade.
S�rio?
Foi feita uma reuni�o da junta e decidiu-se edificar o clube aqui.
Tem certeza disto?
No m�s que vem chegar�o os top�grafos e os arquitetos.
Finalmente v�o construir.
J� falavam nisso antes de me contratar.
Tamb�m sairei ganhando.
Butano e �gua quente, ser� como viver num hotel.
Est� ficando muito chique.
Venha aqui no ano que vem, ter� ca�a e um banho quente.
Vou te cobrar.
Contrataram-me para trazer a equipe e as provis�es.
Diabos. Um negro esteve a ponto de atrapalhar o neg�cio.
Dizia que sua lancha era mais r�pida que a minha.
Disse que eles economizariam dinheiro.
Tive que dizer ao Hargreaves que eu compraria um motor de 150 cavalos.
E que n�o se deve confiar nos negros.
Ao final aceitou.
-Enfim Pee-Wee morreu. -J� vi que n�o estava por aqui.
-O que houve? -Whisky barato e seus 70 anos.
Ter� que me ajudar a enterr�-lo.
Se Hargreaves me quiser na cidade, tenho que ir.
N�o dispomos de muito tempo.
N�o tem nem pai nem m�e. O que far� com a menina?
Depende do Hargreaves.
Nunca pensei que o �lcool pesasse tanto.
Olha.
A gente aqui � muito simp�tica.
Precisar� disto.
� uma B�blia.
N�o tem servi�o de defuntos, entendes?
Avisarei ao padre e ele mandar� um pregador...
para que fa�a as coisas direito.
Certo.
Toma.
-Para que a p�e ai? -Ele gostava.
Tire-a.
Tem que guardar respeito aos mortos.
Tamb�m desperdi�aria um mau whisky.
Evvie.
-Como se chamava ele de verdade? -Clinton Ignatius Stroud.
Clinton Ignatius.
O enterro terminou. V� para casa e troque de roupa.
Quero ir com o Sr. Jackson.
Na cidade n�o tem onde ficar.
-Ontem me disse que iria. -Pois hoje digo que n�o.
-Por que n�o? -Porque eu disse n�o, deixa de me encher.
Por que a trata desse jeito?
Quer uma explica��o por escrito de tudo o que fa�o?
S� mudei de id�ia.
N�o grite ou ararncarei seu cora��o e jogarei aos peixes.
N�o tenha medo, n�o sou um homem mau.
Perguntar� o que fa�o na ilha.
Estava pescando e fiquei sem gasolina.
Cheguei remando.
Olhe.
A �ltima vez que as tive assim era um menino.
-Seus pais vivem aqui? -Est�o mortos.
Quem mais vive aqui?
Quem vigia esta reserva de ca�a?
Esta reserva privada.
O vov� e Miller, mas o vov� morreu.
Onde est� Miller?
Foi � cidade volta amanh�.
-S� est� voc�? -Sim, s� eu.
Tenho tanta fome que comeria at� uma "mofeta".
-Me d� o mel. -N�o, � do Sr. Miller.
-O que � isto? -Nada, � meu!
Ladr�o!
Menina, n�o fique nervosa.
Toma, dez centavos.
N�o � mau pre�o por uma ma��.
A comida estava muito boa.
Se eu tivesse...
sim, um cigarro.
Foi um cervo.
Voc� n�o tem um cachorro?
Tinha um. Morreu faz dois meses de uma picada de serpente.
Me d� um f�sforo.
Estou nervoso. Esse Miller n�o gostar� que eu esteja...
aqui. Comendo sua comida e fumando seus cigarros.
Mas voc� � simp�tica.
-Por que n�o se assustou? -Voc� � como o velho Jeb.
Ajudava o vov� antes do Miller.
-Me fazia trancinhas. -Trancinhas?
Bom, eu n�o gosto dessas coisas.
Mas quero que saiba que tem um grande cora��o para algu�m t�o jovem.
Para o Traver � um anjo da caridade.
Captou?
O que quer dizer isso?
� como dizer "Entendes?".
N�o h� ningu�m mais.
Quando come�a a temporada os s�cios devem ca�ar.
D�o boas gorjetas.
Um advogado me deu cinco d�lares para comprar um vestido.
Cinco d�lares? Olha.
Fez seu recorde dois dias seguidos.
-Para o vov� deu dez. -Est� me enganando?
Dei meus 5 d�lares ao vov� para que me comprasse uma pistola,
mas voltou b�bado e sem ela, disse que n�o a encontrou.
Isso � gasolina para a lamparina.
-O que est� fazendo? -Algo para comer.
� do Sr. Miller. N�o tem direito de pegar.
N�o o sentir� falta dele.
-Deixe isso onde estava! -Desculpe mas tenho que me defender.
Se vierem me pegar preciso de algo para me livrar deles.
Faz tempo que n�o via uma destas.
Meu pai tinha uma.
D�-me isso!
As meninas n�o devem brincar com armas.
Ca�amos um coelho.
Isto � trabalhar em equipe.
-Um anjo da caridade... -E � verdade carinho. S�rio.
Se soubesse o que sofri nos ultimos dias saberia que falo s�rio.
O Sr. Miller se zangar� muito com voc�.
Sabe o que?
Esta espingarda � muito velha, mas te deixarei 20 d�lares.
Bastar� para a gasolina e o resto.
Tem um rev�lver?
-Me seria melhor. -N�o.
Traver, parece que est� perdendo o juizo amigo.
-Miller tem algum bote na ilha? -Acho que no p�ntano.
-Pode-se chegar ao mar? -N�o.
-Achei que j� tivesse ido. -Eu pretendia.
Menina me empreste algo para consertar a barco.
-Tem algo por aqui? -O que precisa?
Um martelo.
E breu.
E pregos.
E alcatr�o, ou algo parecido.
-Um martelo. -Bom.
Breu e pregos.
Iria bem esta serra.
Tem algo para levar tudo?
N�o pode andar vestida assim.
N�o te ensinaram nada?
Quero dizer que...
Ponha isto, ficar� com frio.
-N�o faz frio. -Mas pode esfriar logo.
Irei ao amanhecer.
Nos vemos depois pequena.
Falei de ti ao Sr. Hargreaves.
Hoje ir� falar com o pregador.
O condado n�o disp�e de nada para meninas maiores de doze anos.
Vire.
Passou um homem por aqui.
Era muito gentil.
Dei-lhe de comer.
-O que queria? -Gasolina.
-Levou a minha? -Sim e tamb�m uma espingarda.
Como pode ser t�o tonta!
-Quando se foi? -Disse que iria ontem � noite.
-Onde o viu? -Junto ao loda�al.
-� branco ou de cor? -Como o velho Jeb.
N�o est� mais aqui. Acho que j� se foi.
Se n�o, ir� muito em breve.
E para sempre.
-Est� preparada? -Sim.
Seu presente.
Vamos ver como fica.
-E o homem de cor? -Esquece-o.
Agora os sapatos t�m salto alto e ponta fina. Saber� andar com eles?
Me d� o p�.
Deve saber que nem todos os homens s�o como era seu av�.
Nem todos os homens de cor s�o como o velho Jeb.
Deve ter muito cuidado na cidade.
-Entendeu? -Sim.
-N�o sabe nem do que te falo, n�o? -N�o.
Vem.
N�o te mova.
Lavou o cabelo.
Seu cabelo cheira bem.
Mas n�o o escovou direito, como sempre.
Parece cheio de ervas.
Vamos ver como anda com os sapatos.
Ficam muito bem em voc�.
Muito bem.
Quero falar contigo.
Sente-se, e conversaremos.
� uma menina muito ing�nua.
Dizem que se sente, e voc� se senta.
Escuta Evvie.
N�o deve permitir que te abracem assim.
Refiro-me a adultos como eu.
Tem que ter cuidado, entende?
Te dir�o coisas, e isso tudo bem.
Mas te far�o coisas que pode acreditar que est�o bem...
-O que � isto? -S�o meus.
De onde tirou isso? Quem te deu?
Foi o negro que te deu?
Diz, por que?
-O que te pediu? -Pagou-me pela espingarda.
N�o minta!
Quero a verdade.
Vai para cama.
Para a cama, eu disse!
As m�os na cabe�a ou estouro seus miolos.
D� a volta.
Um negro matando um branco � o que te faltava.
Um branco quis me matar esta tarde.
-� um ladr�o. -N�o se mova ou disparo.
N�o sou um ladr�o.
Deixei 20 d�lares pela arma e pela gasolina.
Deixarei sua espingarda onde est� meu barco.
Onde roubou isto.
Vim em paz e quero ir sem matar ningu�m.
-Vai embora em seu barco? -Assim ser�.
Pois v�.
Como dormiu esta noite?
Est� bem?
Evvie. V�m aqui.
� importante que me conte a verdade.
E para esse rapaz negro tamb�m.
-Por que te deu o dinheiro? -Pela espingarda e a gasolina.
Certo, acredito em voc�.
Toma, s�o para voc�.
Por ter dito a verdade.
Sabe que pode confiar em mim?
Ol�, menina.
Achei que tinha te matado.
Quem me matar ter� que ser muito preparado...
e n�o um est�pido como ele.
O importante � que est� vivo, e me alegro.
-Mas se n�o me conhece. -Conhe�o o suficiente.
O que diz me faz pensar que tens esse algo.
E o que � esse algo?
Essa coisa grande, gorda e invis�vel...
que todos procuramos e desejamos durante nossa vida.
Isso que n�o sabemos como chamar nem como descrever bem ent�o chamamos "algo".
N�o se mova!
N�o se aproxime!
-E se eu gosto de ficar aqui? -Quieto!
Evvie, se n�o quer se meter em confus�es, v�m aqui.
Eu fui um beb� muito delicado.
Necessitava de alimentos especiais e buscaram-me um bab� negra.
S�rio?
A mim tamb�m.
Meu pai tinha uma pequena loja...
perto da defiadora de algod�o dos sub�rbios.
Vendia toucinho e tabaco aos negros que trabalhavam por ali.
-At� que faliu. -Uma aut�ntica familla sulina.
Vi muitos negros, e alguns foram meus amigos.
Mas nenhum era t�o impertinente como voc�.
Escute amigo. Voc� tentou me matar.
Roubou-me o motor e destro�ou meu barco.
E diz que eu sou impertinente?
Que tipo de homem � voc�?
N�o pode ser um homem. N�o � mais que um monte de lixo branco.
N�o me chame disso.
Por que n�o?
Por acaso n�o � certo?
N�o volte a diz�-lo.
-N�o me importa se tem uma arma. -Pois n�o me chame de negro.
� um impertinente sabe.
Mas d� no mesmo.
Se n�o passar do limite, poderei contar contigo.
Tem esp�rito.
Trabalhar� bem, como todos os negros impertinentes.
Tornou a diz�-lo.
N�o permiti que dissessem isso nem no ex�rcito.
Lixo branco.
Estou avisando amigo.
N�o me provoque.
-Onde o ex�rcito te mandou? -Na It�lia.
Eu estive no Quinto.
Terceira Divis�o, Sicilia, Salerno, N�poles...viajamos muito.
Eu tamb�m estive por l�.
Com o 45.
Intend�ncia.
-N�s lut�vamos. -E n�s n�o.
Lembra-se do clima?
Ficamos sem mulas e tivemos que carregar a muni��o sob fogo inimigo.
Os portadores.
Um dia que n�o t�nhamos comida e nem recebido provis�es, n�o pod�amos recuar...
apareceu de noite, na chuva, um tipo magricela...
com 40 quilogramas de provis�es.
Muni��o, morteiros...
Tinha uma bala no pulm�o.
Morreu aos meus p�s.
Era um pobre rapaz branco da Carolina do Sul.
N�o era um...
N�o era um homem de cor.
Evvie, vamos.
Uma coisa � certa, esse rapaz trabalha bem.
-Ol�! -Ol�, Evvie.
Sabia.
Nem que trabalhasse de sol a sol n�o conseguir� consertar esse barco hoje.
J� est� arrumado.
S� precisa secar e amanh� estar� firme como um carvalho.
-Voc� n�o gosta de estar sozinho? -Prefiro saber onde est� voc�.
Se voltar a tocar no barco, te encontrarei esteja voc� onde estiver.
N�o posso fazer mais buracos.
-Mas poderia tirar os emplastros. -N�o me d� id�ias.
Amigo, est� doente.
Espere um momento.
Em uma semana passar� o barco do continente.
Eles lhe levariam at� a cidade.
Entretando, eu fiquei sem ajudante, e h� muito trabalho a fazer.
Pago 25 por semana menos 5 pela comida e cama.
Meus amigos perguntar�o onde estou.
Devo ir logo.
Embora eu gostaria de comer algo.
Sem trabalho n�o h� comida, a menos que queira roub�-la.
Evvie, parece que teremos companhia.
Ser� melhor que hoje durma na minha cabana.
-Posso usar a toalha? -Sim.
Obrigado.
Por que n�o aceita o emprego?
Se espancar seu c�o ele deixar� de obedecer.
N�s m�sicos de Jazz fazemos o mesmo.
Por que n�o podem ser amigos?
-Pregunte a ele. -Ele disse para perguntar a voc�.
Evvie, eu tenho isto.
N�o quero us�-lo contra ele, e ele o sabe.
Mas se ele o tivesse, no primeiro passo em...
falso, eu n�o passaria de ontem e adeus Traver.
Para ele seria f�cil me matar.
A mim custaria muito, e por isso ele tem o poder.
Oferece-me a m�o para que a beije.
Prefiro ficar como estamos agora, assim igualados.
Evvie, v� pegar os len��is e mantas.
Espero que n�o se ofenda porque troquei de lugar a cama da menina.
N�o pense que te discrimino por n�o te deixar dormir ai?
Nem modo algum.
Fa�a o que quizer com as cabanas como se fossem suas.
-O que h� na caixa? -Cigarros.
-Me deixe ver, vi algo preto ai. -N�o h� nada que ver.
-� o que tocou ontem? -Eu n�o toquei.
Pois ouvi m�sica.
Devia ser uma bruxa ou espirito que queria te enfeiti�ar.
Vamos, toque.
Deve estar sonhando.
-Eu n�o sei tocar. -Sim sabe, toque.
Toca um instrumento? � m�sico?
Claro que n�o.
Eu m�sico?
Eu sou taxista.
Ou estivador, ou o que voc� queira.
S� toco um pouco para me divertir.
Toque.
Como se chama isso?
Os graciosos dizem que � uma barra de regaliz.
Mas � um clarinete.
Hei, menino!
Olhe isto!
Vem aqui, Evvie!
Eu disse para vir agora mesmo!
V� como podia ter feito mingau de voc� se eu quisesse?
Por que n�o me d� as armas e dorme tranq�ilamente?
Tenho mais duas lembran�as da guerra como essa a� dentro.
Finalmente te convenci!
Amanh� come�aremos cedo!
E da� falaremos da comida e do alojamento!
N�o tenha medo, Evvie.
N�o tenha medo.
Bom dia.
Evalyn!
Por que grita? Deixe-a em paz, n�o � assunto teu.
Quando acabar, queima o lixo que h� l� atr�s.
Farei se tiver tempo.
Se o barco estiver seco, irei.
Fa�a como queira...
quanto antes melhor.
Evvie.
Me olhe.
J� pode tirar essa velha jaqueta.
Quando eu for � cidade...
comprarei para voc� um casaco grosso e quente.
J� n�o � uma menina.
� uma mulher.
Comprarei tamb�m umas meias que parece que n�o tem nada.
E batom.
Ou prefere outras coisas?
Esse 22 cromado que te prometeu Pee-Wee, tamb�m te comprarei isso.
At� mais tarde.
N�o quer comer conosco?
-N�o a educou muito bem. -Ningu�m a educou.
-Obrigado, mas n�o. -Por que n�o pode?
Eu entendi a mensagem. � o estilo do norte.
N�o parece haver nenhum problema.
N�o h� lugares exclusivos para brancos.
Se quer tomar um caf�,
entra pela porta, e o dono j� nos olha com aquela cara.
E suprimem um de seus direitos.
E os clientes seguem comendo e falando muito educadamente...
e tu, n�o sentes nada.
Pelo menos aqui.
As vezes come com gente de cor?
Quando vou cobrar algo, e me convidam para comer com eles. Sim, algumas vezes.
E voc� alguma vez os convida?
Nunca.
Pois come igual a voc�.
Nunca ouvi o nome Traver. Quem lhe deu?
Minha m�e, por que meu pai nos abandonou.
Ele n�o gostava.
Desde ent�o todo mundo me chamam Traver.
Porque as mulheres italianas eram diferentes...
os de cor pensavam o mesmo?
A que se refere?
Um tipo me contou que causaram muitos problemas l�.
-Agress�es, viola��es... -E os brancos n�o fizeram nada parecido.
� curioso ver os bons que s�o todos voc�s.
S� n�s nos metemos em confus�es.
Disse-me que penduraram mais de cem dos seus.
Os brancos juravam que as garotas eram profissionais.
Diziam a elas que se contassem apanhariam com uma pistola.
-E que acabariam na pris�o. -� o que me contaram, nada mais.
-Traga a barra de regaliz. -Chama-se clarinete.
Escuta.
A "papa�to" n�o gostar�.
Embora lhe viria bem um pouco de cultura.
Que a m�sica chegue aos camponeses.
Possivelmente aprenderam algo.
Evvie.
Por aqui, reverendo.
Temos sorte de estar aqui.
Cinco horas de atraso. Tr�s horas para sair da desembocadura.
O mar estava muito revolto.
Que Deus me proteja da natureza quando est� de mau humor.
Iria bem um gole, tem algo.
Reverendo.
N�o obrigado, um pouco de caf� quente se tiver.
-Como chegaram aqui, desviaram-se da rota? -N�o, nosso destino era este.
O Sr. Hargreaves me chamou.
Afetou-me muito a morte do Sr. Stroud.
Sua esposa era membro de nossa congrega��o antes de morrer.
Suponho que esta � a neta do Sr. Stroud.
Sim.
Encantado em conhec�-la.
Sei que seremos bons amigos.
� certo o que o Sr. Jacson disse, que n�o te batizaram?
Pee-Wee nunca chegou a faz�-lo.
Procuramos um lugar onde poder� ficar at� tomar as decis�es oportunas.
-Amanh� a levarei a cidade. -N�o, n�o levar�.
Por que n�o?
Porque prometi a ela um dia de compras na cidade. Uma pomessa � uma promessa,
e eu n�o costumo romp�-las.
-Como vai tudo? -Bem.
Como disse aquele,
"hoje ocorreu algo que ontem ouvi pela r�dio".
Um aborrecimento do dem�nio. Desculpe.
H� uma novidade.
Anteontem, quando te trouxer...
N�o, no dia anterior.
Um negro estuprou uma mulher branca no Hammersville.
Ontem � noite avisaram ao xerife.
-Um dia antes de me levar a cidade? -Sim.
Um negro do norte que chegou com uma orquestra.
Maldito negro!
-Est� aqui. -O que?
Est� na outra cabana.
Enganou-me como um tonto e inclusive contratei-o.
Toma.
Tinha me prometido ir � ca�a.
N�o se movam.
Traver!
Deve ter visto voc�s chegando.
-Ter� ido para sua lancha. -N�o se preocupe, tenho a chave aqui.
-H� outra forma de sair? -Seu barco.
Aqui est�o o motor e os remos.
J� voltaram.
Sumiu.
N�o adianta procur�-lo de noite. Come�aremos a procurar amanh� cedo.
-Est� certo que � ele? -� m�sico de jazz.
Sabia que havia algo estranho nele.
E pensar que jantou aqui esta noite.
N�o poderei esquecer.
Me fez de imbecil.
Possivelmente seja uma sorte que possamos meditar sobre isso.
Sr. Miller, onde pensa em acomodar a seus inesperados convidados?
Evvie lhe preparar� uma cama.
Se dormiu o negro, cheirar� mau.
Pe�a a menina para por len��is limpos.
Amanh� temos que voltar na primeira hora.
Certamente, reverendo. � obvio.
Toma.
Se te perguntar algo sobre mim n�o diga nada, entendido.
Sobre voc�?
-O que podem perguntar? -Sobre o que aconteceu ontem � noite...
entre eu e voc�, nenhuma palavra.
Depois te explicarei...
Tudo preparado, reverendo.
Est� trocando os len��is.
-Se precisar de qualquer coisa � s� pedir. -Obrigado.
At� amanh�.
Depressa Evvie, n�o queremos que o reverendo espere.
Quantas noites dormiu aqui esse pobre homem?
-S� uma noite. -Viraremos o colch�o.
Sabes Evvie, acredito que tem uma id�ia equivocada do lugar aonde ir�.
Ser�s como da familia.
te vestir�o, ir�s � escola, te agasalhar�o de noite...
-Terei minha pr�pria cama? -Claro.
-E um quarto s� para mim? -N�o, haver� outras meninas.
-Todas compartilham o quarto e a casa. -Mas eu n�o sou uma menina.
-Claro que sim. -Pois o Sr. Miller me disse que n�o.
-Por que? -Pergunte a ele.
Disse que n�o dissesse nada a ningu�m.
Como o contou o xerife foi muito divertido.
Quando se deram conta que o estuprador tocava clarinete,
foram ao cabar� onde tinham tocado...
e ali havia uns tipos de cor tocando.
Os homens de Hammersville sabiam que procuravam o do clarinete.
Por que demorou tanto?
O que te disse?
Do internato onde tenho que ir e da escola.
-Isso � tudo? -Sim.
V� para a cama.
"Isto � um clarinete?", disse Charlie Johnson,
e agarrou uma velha tromba.
"N�o", disse um dos rapazes de cor.
"� um saxo."
"Pois me parece um clarinete."
E jogou aquilo na cabe�a do negro.
Evvie.
Disse algo a esse pregador sobre mim?
-Nada? -Nada.
Boa garota.
� uma boa garota.
-Aonde vamos? -Procurar o presente que te prometi.
-O que �? -Uma chave de ouro.
Um presente que n�o tem pre�o.
Guardar� como um tesouro.
N�o h� nada com tanto valor, nem neste mundo, nem no outro.
N�o tenha medo.
Eu te batizo Evvie...
em nome do Pai, do Filho e do Esp�rito Santo.
Am�m.
E agora me dar� minha chave de ouro?
Por a� n�o!
-O que? -N�o d� para ir mais longe.
-Por aqui. -Se vir o negro, o mato.
-N�o senhor, quero ele vivo. -Pois ent�o n�o dispararei.
Deixa eu te explicar isso.
O batismo abre as portas do c�u e suas maravilhas.
Por isso o chamo "a chave de ouro".
Voc� acha que outro presente ter� mais valor do que isso?
Sim. A pistola cromada que me prometeu o Sr. Miller.
Possivelmente agora pensa isso,
mas quando crescer um pouco ver� que n�o, estou certo disso.
H� algo que eu gostaria que me explicasse.
� sobre o que disse de que j� n�o � uma menina.
N�o me deixou dormir...
me pode contar isso enquanto caminhamos.
-E agora o que? -Nada.
N�s dois n�o o encontraremos sozinhos.
Pe�amos ao xerife que venha com c�es e mais homens.
V� voc�.
Eu ficarei na cabana.
J�.
Terei que fazer essa fria e comprida viajem sozinho.
Ontem � noite vi que voc� gosta de dormir acompanhado.
O que quer dizer com isso?
O que � isso?
H� algu�m?
Por favor, me tirem daqui.
Eu n�o fiz o que eles dizem.
-S�rio. -Eles garantem que sim.
Eles garantem o que convenha.
Levaram-me a uma armadilha.
Uma mulher branca e rica ia freq�entemente aonde toc�vamos.
Pediu-me que a acompanhasse a sua casa para falar de neg�cios comigo.
Reverendo, acredite, � verdade?
At� agora n�o h� nada que n�o possa acreditar.
Fique l� fora e me avise quando voltarem.
Queria que meu grupo e eu f�ssemos tocar em uma festa na sua casa.
A noite seguinte fui no endere�o que me deu.
Convidou-me a entrar.
Levou-me por um corredor e terminamos em seu quarto.
Disse-me: "Adiante" e se sentou na cama.
N�o sou nenhum santo.
Se ela fosse mais jovem...
Mas era bem experiente.
Disse-lhe: "Sra. Brownell" assim se chamava...
Voc� disse "Brownell"?
-A Sra. Brownell? -Sim.
Disse para ela ir de noite ao cabar� e que l� falar�amos de neg�cios.
Mas essa mulher n�o aceita um n�o por resposta.
Cheirava a tabaco e a wh�sky.
Afastei-a amavelmente e lhe disse:
"N�o senhora. Obrigado, mas n�o".
E depois o que houve?
Sentou-se na cama e me olhou como se eu tivesse duas cabe�as.
Senti l�stima por ela,
de repente saltou da cama e come�ou a gritar: "Estupraram-me! Socorro!"
Quando sa� fugindo, seus vizinhos me perseguiram.
Um deles me reconheceu enquanto corria.
Desde ent�o n�o parei que fugir.
Acredite, � verdade?
Eu juro que sou inocente.
Conhe�o bem � Sra. Brownell.
Sim, acredito que � voc� inocente.
Tentarei usar minhas influ�ncias na cidade, verei o que posso fazer por voc�.
Traver est� na cabana!
Est� ferido!
Nosso garoto est� aqui e n�s o procurando como loucos por ai.
Aqui est�.
-Deixem-o, acredito que � inocente. -Inocente? Para o lado Reverendo.
-Afirma que � inocente? -Sim.
Ela jura que a estuprou.
-Uma mulher branca pode mentir? -Sim.
J� viu um negro declarar-se culpado?
Levanta as m�os!
N�o se preocupe, serei sua testemunha no julgamento.
Reverendo, nessa cidade, n�o esperar�o ao julgamento.
Vamos!
Mexa-se!
Espera.
-Vamos amarr�-lo. -Adiante.
Aqui.
D� a volta.
-O que v�o fazer? -Levaremos a cidade pela manh�.
-Prendam ele em uma cabana. -Para que fuja enquanto dormimos?
N�o diga besteira.
Sr. Miller, protesto pela brutalidade com a que o est�o tratando.
Nem sequer pode sentar-se.
Tem raz�o reverendo.
� a posi��o favorita dos negros, sentados.
"'Se a pedisse n�o duvidaria em te dar a �gua da vida'.
E a mulher disse: 'Senhor, n�o tem como tir�-la do po�o, � profundo.
De onde vai tirar a �gua da vida?
Acaso � maior que nosso pai Jacob,
que bebeu deste po�o com seus filhos e seu gado?'
E Jesus respondeu: 'Quem bebe desta �gua voltar� a ter sede'."
Adiante, diga algo, algo impertinente.
� f�cil insultar a um homem quando est� amarrado como um c�o.
Insinua que sou um covarde porque te amarrei?
Pois te equivoca.
Pensa no que queira, n�o me importa.
Vi a morte de perto muitas vezes.
E at� agora nunca tive medo.
Quando tem um jacar� ter� que amar�-lo.
Muita gente acha que um negro � um homem.
Mas eu n�o acredito.
Deus se esqueceu de lhes dar algo, a alma, possivelmente.
Quando um negro tenta ser um homem se mete em confus�es.
Se n�o fosse assim n�o estariam bravos contigo.
Acredite. Me d� l�stima.
Essa � a verdade.
Tem sede?
Quer �gua?
Evvie!
Evvie!
Vem aqui!
Evvie, me faria um favor?
Me traga a faca.
Est� em sua cabana, debaixo da cama.
Me pegar�o.
Se me levarem � cidade, me matar�o.
-Quer um cigarro? -Obrigado, n�o fumo.
-Um caf�? -N�o.
N�o posso lhe oferecer nada?
Sim.
Uns minutos de seu tempo.
Eu gostaria de falar a s�s com voc�.
-O que faz aqui? -Vim buscar minhas botas.
Tenho um dever desagrad�vel a cumprir, e deve sab�-lo.
Do que se trata?
Suspeito que abusou da inoc�ncia da menina.
Foi voc� quem abusou dela fazendo tantas perguntas.
Seu comportamento confirma minhas suspeitas.
Seria culpado de um delito abomin�vel.
-A viola��o de uma inocente. -N�o � uma menina, � uma mulher.
-Aceita a acusa��o? -N�o a aceito! Porque deveria aceitar?
Voc� � um adulto e ela � uma menina.
A lei � explicita. Reservo-me o direito de tomar...
qualquer medida que mande minha conci�ncia.
Certo eu admito, e fazer o qu�?
Ela � quase uma selvagem.
N�o se pode manter um homem sozinho nesta maldita ilha.
-Era inevit�vel. -N�o serei c�mplice de seus delitos.
Escute, tenho me culpado tamb�m.
Se me denuncia perderei meu trabalho.
Os pregadores devem mostrar caridade, sua piedade.
Pelos desamparados.
Sempre h� desculpas e atenuantes senhor Miller.
J� estou farto delas.
"Est� doente, � pobre, de menino seus pais te batiam, n�o te batiam.."
S�o s� desculpas para os delitos mais escabrosos delitos.
J� n�o as aceito.
� uma cren�a fora de moda, mas acredito no pecado e na reden��o.
Deve haver culpados e reden��o ou o pecado voltar� a cometer-se.
Miller, Hap, venham aqui!
Reverendo... venham depressa!
Olhe.
Cortaram-na.
Foi esse maldito pregador, vamos v�-lo.
O que acontece?
Sabe muito bem, o negro fugiu, e voc� cortou as cordas.
-Eu n�o fui. -Ent�o quem?
Foi voc�.
Maldito seja, Jackson!
N�o lhe ponha as m�os em cima.
Por que fez isso?
Porque voc� me atacou.
Est� bem, j� entendo.
N�o ter� ido longe com a perna ferida.
-Atirarei assim que o ver. -H� leis contra isso!
Ouviu-me o que disse?
Esse homem de cor � inocente.
Como sabe?
Conhe�o bem a essa mulher branca que o acusou.
Uma vez me pediu ajuda, e n�o pude dar-lhe.
Bebe muito desde que morreu seu marido.
A um par de anos, acusou do mesmo a um branco.
Reverendo, o que o senhor acharia se eu me casasse com a Evalyn?
� algo que eu n�o poderia impedir.
Mesmo assim, denunciaria-me?
Preciso consultar a meus superiores de minha igreja.
Suponhamos que esse homem de cor fosse culpado. Mat�-lo seria horrendo.
Mas � inocente, e precisamente voc�, quer ca��-lo.
Jackson!
-Jackson! -Estou aqui!
Deixe-o.
-Mas o que diz? -Que o deixe.
-Me d� a espingarda. -Ficou louco? O calor te afetou?
Me d� a espingarda, vamos!
Volte para sua lancha!
Miller.
Voltarei acompanhado.
Ent�o veremos quem manda.
Maldito amante dos negros.
E n�o � s� isso.
Olhe!
Ontem � noite fiquei sem gasolina e n�o podia por o p� no ch�o.
-No abrigo se estava quente. -Deixe que lhe ajude.
Obrigado. Hoje a perna est� muito melhor.
-N�o � f�cil fugir sem poder andar. -Sente-se.
N�o tem problemas.
J� est� seco o barco?
Pode afund�-lo se quiser.
N�o me importa.
N�o entendo reverendo.
-Parece outro homem. -N�o sei o que era antes.
S� sei que aqui aconteceram muitas coisas.
Pegue.
-Tenta andar com eles. -Sim, claro.
N�o o entendo amigo.
-Poder� chegar ao barco? -Claro, irei dan�ando.
Ent�o v� depressa. Levarei o motor.
Estarei l�... em cinco minutos!
-Obrigado reverendo. -Boa sorte.
-Nos veremos logo? -� claro.
N�o o duvide.
Possivelmente te veja tocando clarinete na televis�o.
Claro e te enviarei um aut�grafo.
-Adeus. -Adeus.
Devem saber, voc� e quem estiver interessado,
que no s�bado levarei a Evvie na cidade para fazer compras.
Ao final quem dever� decidir � Evalyn.
Acredito que poderei convenc�-la.
Vamos.
Ei, negro!
Espere.
Acreditou que escaparia?
Acreditou que poderia ir?
Muito bem, rapaz.
Vou te matar.
Vou te matar.
Me ataca com o remo.
Adiante, me mate, acabe comigo.
Sujo negro.
N�o, n�o vou dar uma raz�o para que me linchem.
Lixo branco.
Voltarei com o xerife!
Bom finalmente chegou. Achei que tinha se perdido.
Suba a bordo, pregador.
Traver!
Tudo preparado para zarpar!
Deve ir, viajante!
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