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Original subtitles

FARO DE FAVÀRITX, MENORCA 1998

Casalinho!

O que fazem esses dois?

-Eva! Laura! -Olha, olha, olha!

-Onde vão? -Júlia, anda!

Minha nossa!

-Estamos nas Fallas ou quê? -Onde vão?

-Estamos nas Fallas! -Lola e Sebas, parem com as faíscas!

-Sebas, estamos nas Fallas ou quê? -Olha, Lola, olha!

Foda-se, Sebas.

Sebas!

Júlia!

Vê como canto.

Esquece esse filho da puta.

Vais encontrar alguém melhor.

E esses dois? Anna e Lluís, parem de se comer à frente de todos.

Anda lá, estamos em festa! Ivan!

Ei! Quem se atreve a jogar?

-Bora! -Ai, outra vez?

-Vá, vá! -Anda, seu cagalhão! Foda-se!

Ivan, és tão chato, a sério.

E tu, Lluís?

-Eu passo. -Que surpresa!

O único que nunca o fez. És um cobardolas do caraças.

Estás sempre a dizer que temos de arriscar, prova a este otário

que tens mais tomates do que ele.

Anda lá, é do caraças. Deu-me uma moca do caraças.

-Foi brutal. Vi luzes. -Sim, diz lá, quase tiveste um orgasmo.

Ficaste com os olhos em branco, como se...

-Como se estivesses a foder! -E tu como é que sabes?

Não é como vir-se a bater punhetas.

Uh!

-Vá, Lluís! -O quê, Lluís?

-Avançamos ou quê? -Lluís, Lluís!

-És um cagalhão? -Lluís, ignora-os. A sério.

Eh, eh, eh!

-És um cobarde. -Bora lá!

-Uh! -Eh!

Isto está a aquecer!

Malta, isto é perigoso pra caralho!

-Vá, cala-te, Anna! -Bora!

Lluís, a sério!

Hey, hey, hey!

Tranquilo, não vai acontecer nada.

Como disseste, usaram vários fornecedores.

Ligámo-los a três encomendas de desumidificadores.

Colocaram "chicharras" em Valência antes do navio zarpar.

Vão levar-nos ao armazém deles.

Os três rastreadores continuam ativos.

E voltámos a ter o Ivan Triay sob vigilância.

Sim, mas à distância. Devem achar que nos afastámos.

Ontem perdemos o sinal por falha no dispositivo.

Desde então, nada estranho no comportamento

nem sinais de contravigilância.

Parece que o Ivan e o círculo dele não desconfiam.

-Alguma notícia de Simão Tavares? -Não.

Mas se forem mesmo fazer a entrega,

é porque não estão preocupados. É bom sinal.

Cuevas.

Quando?

Percebido.

O que se passa?

Mataram uma testemunha que ia depor contra o Triay.

Porque é que ninguém nos informou?

Não sei. Mas neste momento vamos exigir explicações.

Foi aberta uma comissão de inquérito para apurar o que aconteceu.

É uma situação muito grave.

O agente Gomila confirmou as declarações dela.

Até que a comissão conclua a investigação,

tire uns dias de folga.

-Não, quero ajudar! Quero... -É uma ordem!

Fique apenas contactável, caso seja chamada.

Pode ir.

Não te parto toda agora porque não posso, mas tem cuidado.

Cumpri com a minha palavra.

O teu amiguinho pode estar tranquilo quanto às pastilhas dele.

O que é que o Ivan Triay te mandou fazer?

-Larga-me. -Responde!

Livrar-me da testemunha, mas anteciparam-se a mim.

E como é que sei que não fingiste o ferimento?

Não fiz nada, juro.

-Quem foi? -Não sei. Juro que não sei!

Estás maluca.

Quero saber o que o Triay anda a tramar.

Vais trabalhar para mim. Ou destruo-te a vida.

-Isso não foi o que combinámos. -Os acordos mudam.

Ainda mais se fores uma ratazana.

Se me lixas, eu lixo o teu amiguinho.

Dentro de dois dias, o Crespo já não terá vestígios de nada.

Ninguém poderá provar nada. Mas eu vou ter sempre isto.

Dá-me isso. Dá...

Isto chega para te expulsar da força e meter-te dentro.

Vais reformar-te dentro de uma cela.

Só te peço uma coisa. Que ele não saiba.

Prefiro a prisão do que ser lixada pelo Ivan Triay.

Isso vai depender de ti.

Comissária.

Filha da puta.

A nossa intenção era passar a informação o mais depressa possível.

Mas tudo se precipitou e fugiu ao nosso controlo.

É que nunca deveria ter estado sob o vosso controlo.

Queríamos ajudar, não prejudicar a investigação.

Já a entendemos, inspetora.

A partir de agora, não queremos qualquer colaboração.

-Mas os assassinatos... -Podem ser obra do Triay

por ordem do Tavares.

-Não devem aproximar-se deles. -Acho que estão enganados.

-Leram os relatórios? -Claro que sim.

Está tudo muito claro. Segue o mesmo padrão, não faz sentido.

Para que querem o Tavares e o Triay o sangue das vítimas?

Para isto mesmo.

Para vos entreter com teorias estranhas.

É uma manobra de distração.

Tavares é um louco. Obcecado com o controlo.

E conseguiu isso com vocês.

Que procurem outro perfil.

Não, estão enganados. Esta ilha provoca miragens.

-Estão no meio de uma. -Serra!

Cale-se.

Andamos há anos atrás do Tavares.

E agora estamos prestes a apanhá-lo.

Esta é uma operação de máxima prioridade.

-Não pode haver mais interferências. -Não se preocupe.

Comissária, por favor, fique. Queria comentar-lhe alguns detalhes.

Obrigada pelo seu tempo e compreensão, inspetora Serra.

Quando isto acabar, também faremos relatórios.

Pode aparecer como um ativo,

ou como um peso morto.

Não se engane, eu não sou um bujot .

Aqui, aos espantalhos, pegamos-lhes fogo.

Muito bem.

-O que aconteceu? -Estão-nos a expulsar.

-Explicaste o que acreditamos? -Sim, mas não querem ver.

O que fazemos?

Que se lixe, continuamos a nossa investigação.

-Podemos lixar-nos com isto. -Tenho um pressentimento.

-Sigo sempre os teus pressentimentos. -Vamos procurar a Anna Martel.

Vamos aos Serviços Sociais. Pode ter pedido alguma ajuda.

Pode ser que não queiram falar. Mas não há tempo

para tratar disso pela via formal.

Fazemos da maneira clássica.

Muito obrigado a todos.

Descansem, amanhã temos muito trabalho.

Muito obrigada.

Fecha a porta.

Então, Vereadora?

Contente com esta gente toda a bajular-lhe o ego?

Uf!

Habitue-se. Vão sair de debaixo das pedras.

Mas lembre-se que atrás de cada elogio há uma intenção.

Um preço.

Começamos em força.

Veja estas licenças.

Sim, é o projeto da Escola Internacional de Equitação.

Os que ficaram por assinar quando a Laura Vidal desapareceu.

Vá, deixa.

Não, não, não!

Espera, espera, espera.

Mas dás-me o teu número, não dás?

Sim, por favor.

Bora lá.

Está bem.

-50. -50.

36.

Um beijo.

Tchau.

A Anna Martel esteve em várias instituições psiquiátricas de Menorca.

Teve um surto psicótico e agrediu a Júlia Triay.

Oh!

Quando os pais morreram, a família pediu a sua transferência

para um centro em Valência.

Vou para lá.

Não, estás maluca?

Estás a pôr a tua carreira em risco. Estás sob investigação interna.

VALÊNCIA

Não consegues viver sem mim, "Iceberg"?

Deixa-te de parvoíces. Onde estás?

Acabei de chegar a Valência.

Vou buscar o carro à garagem e vou ao psiquiátrico.

-O quê? Estás louco? -Tranquila, não deixarei rasto.

-O que é que tu vais fazer? -Seguir o Triay.

Não me lixem. Serra!

E tu chamas-me louco. Da tragédia do farol

só restam vivos os irmãos Triay e a Anna Martel.

A chave está aí. Precisamos de um fio a puxar.

Está bem, mas controla-te, sim?

O que fazes aqui?

Não te assustes. Só quero falar.

Não há nada a dizer. Não te aproximes do Òscar.

Não tenciono fazê-lo.

Quero primeiro aproximar-me de mim mesmo.

Achas que é como sempre, não é?

Pedir desculpa e voltar a falhar.

Não sei se vou conseguir.

Mas vou tentar.

Por ele, mas sobretudo por mim.

Quero ficar bem, Cris.

A sério, quero mesmo ficar bem.

Não voltarás a ver-me até conseguir.

Só te peço uma coisa.

Diz-lhe que o amo.

Que o amo muito.

Só quando quiseres.

Quando fores forte.

O Triay entrou.

Já vi.

Bom dia. Ei, Adrià!

Ivan.

-Então? -Muito bem. E tu? A viagem correu bem?

Está a falar com o Simão. -O Luxemburgo é tranquilo.

-O que dizem? -Mas não tem mar.

-A tua casa também não tem. -Nada importante.

Por isso é que a estou a vender. Combinei ver outras esta tarde.

Se me tivesses dito, eu tinha tratado disso por ti.

Bem, tu não tens o que a dona da imobiliária me pode dar.

Esta tarde não quero saber de ninguém.

Dá-me o prato.

Caldeirada de lagosta, que maravilha.

E Coimbra?

A égua está bem. E o garanhão chega hoje do Dubai.

A cobrição está prevista para esta noite,

mas não sei se vais perdê-la.

O quê?

-O que se passa? -A Marta entrou!

-Que Marta? -A inspetora Serra!

O que é que ela está aqui a fazer?

Está bem. Vamos, vamos, vamos.

Vem por trás.

Não a vejo.

Onde é que ela está?

Está bem, abortamos. Abortamos, abortamos.

Ai, desculpa.

O que se passa? Por que estás tão sério?

Nova Vereadora do Urbanismo.

Grande notícia.

O dinheiro está pronto para começarmos hoje?

As escavadoras começam em poucos dias, mas a entrega...

A entrega, o quê?

A ilha anda agitada nestes dias.

Seria melhor adiar.

Impossível. A mercadoria entra hoje.

Que merda estás a dizer?

-Por que não me avisaste antes? -Estou a avisar-te agora.

Agora seria perigoso movê-la.

Podíamos perdê-la.

Ivan, o que perderes, pagas.

Simão, com licença,

vou um momento à casa de banho.

O Triay está a sair.

Esperamos.

-Onde está? -Pela porta da frente não o vejo.

Não sai.

Fran, prepara-te.

Está a chegar.

Sim, já sei, caralho!

Foda-se, estamos a arriscar, hein?

Anda! Leva todas as máquinas para o armazém.

Rápido.

Já provaste as ortigas?

O Triay está a sair.

O Triay vai na tua direção. O Triay vai na tua direção, Diana.

A Marta está aqui, está a sair.

Diana, os desumidificadores estão a mexer-se.

Rodrigo!

O que se passa?

Os desumidificadores estão em movimento.

-O que fazemos? -Vamos avançar.

O Simão já comprou a casa ou ainda está a negociar?

E a ti o que te importa?

Novidades do Tavares?

Negativo.

O Toni chegou antes de nós.

Não sabemos se o Tavares está lá dentro.

Na casa dele há um dispositivo, mas ele não apareceu por lá.

Se está na ilha, tem de estar com o Toni.

-Aí dentro. -Sim.

O que fazemos?

Vamos colocar um localizador no carro dele.

Picazo.

Mete uma "chicharra" no carro do alvo 1.

Recebido.

A humidade vai descer nos próximos dias.

Vai ajudar-nos.

As máquinas estão prontas.

Vou buscar as lonas que faltam.

-Quando podemos tirar o material? -Agora tens pressa.

Digo por causa da humidade.

Quanto mais tempo aqui ficar, pior. Porque aqui quem manda sou eu.

Há pelo menos três homens a vigiar a entrada.

Estão armados.

Avança.

Que caralho estás a dizer?

Alvo marcado.

Que merda estás a dizer?

Olá?

Apanharam-nos.

Fomos descobertos.

Foda-se. Que fazemos?

Quem está aí?

Alto, Polícia!

-Alto, Polícia! -Larga a arma!

Deita-te no chão!

A polícia, caralho!

Ivan! A polícia, caralho!

-Onde estão? -Ali em baixo!

Vamos por cima!

Continuo, continuo!

Foda-se!

Por ali.

Alto! Polícia!

Ouça!

O que está a fazer?

Finalmente.

Estava a ver se tinha mesa reservada.

-O que deseja? -A sério.

Se tiver mesa, gostava de jantar consigo.

Vá, deixe-se de brincadeiras. O que procura?

Perdi-me.

Procuro o quarto da Anna Martel.

-O que se passa, Belén? Algum problema? -Não, nada.

Este senhor, que procura a Anna Martel.

-E quem é o senhor? É familiar? -Não, sou amigo.

Como se fosse da família, não é? Mas amigo.

Não pode estar aqui se não for familiar da paciente.

-Ou tiver autorização da Direção. -Perfeito. Posso falar com o diretor?

Má sorte.

-Só volta depois de amanhã. -E...

Não me podia só dizer se ela está aqui?

Não queremos problemas. A Lei de Proteção de Dados proíbe isso.

E a Direção é muito rigorosa com isso.

Serei uma tumba.

Não contarei nada a ninguém.

Quem não vai dizer nada sou eu.

Peço-lhe que se vá embora ou chamo a polícia.

Não, calma. Calma, já vou.

A propósito...

Não quereria jantar comigo, pois não?

Como disse?

-O que fazias no restaurante? -O quê?

Vimo-te esta manhã durante uma operação.

Entraste no restaurante onde estavam o Triay e o Tavares.

-Passaste-lhes informação? -O que dizes? Estás maluco.

A mim não me fodas, ouviste?

Entraste tu e eles desapareceram logo a seguir.

Colabora ou vou atrás de ti, e nem imaginas como.

O que sabem sobre a nossa operação?

Nada.

Só seguia o Triay.

-Por que não nos avisaste? -Pensei que não queriam colaboração.

Não me desafies, ouviste?

Não me desafies, que será pior.

Rodrigo?

Vamos?

E o Toni?

-Nada novo. E dos outros? -Temos a coca da pedreira

e um telemóvel que encontrámos. Tentam desbloqueá-lo, mas...

Nem sinal do Tavares nem do Triay.

Merda.

Já temos um novo plano para os cercar.

O aeroporto não é problema.

Mas o porto é mais complicado. Menorca tem mais de 200 enseadas.

É o maior porto natural da Europa.

Faremos tudo para os apanhar.

Não lhe minto, Comissária.

Garanto que não quis incomodar.

Não me lixes, Serra. Só faltava essa.

Mataram quatro pessoas.

A linha de investigação está errada.

Errada está a sua atitude de agir por conta própria.

Mas o Ivan Triay...

Já chega!

O Triay era intocável.

Era uma isca para apanhar um peixe mais graúdo.

-O que tenho de fazer? -Desobedeceu às minhas ordens.

Frustrou uma operação internacional. Ainda quer fazer mais?

Informo que será aberto um processo disciplinar.

e fica suspensa das suas funções.

Vá para casa.

Finalmente, Júlia!

-Sou eu. -Ai, pensei que era a tua irmã.

-"Confit"... -Liguei-te 20 vezes...

"Confit"!

Não estamos sozinhos.

Ivan? Estás bem?

Sim, sim, estou bem.

O que se passa?

O Simão acha que o vendi à Polícia.

-Prepara os miúdos. -Eu não vou a lado nenhum sem ti.

Não digas disparates. O Fran vai levar-vos para um sítio seguro.

Diz à Júlia para ir convosco.

Não sei onde ela está.

-Não foi jantar? -Não. Estou à espera há uma hora.

Liguei-lhe e não atende.

Ligaste para o fixo?

Sim, e para o Conselho.

Pronto, tu trata dos miúdos.

E a Júlia?

Esquece a Júlia e concentra-te no que acabei de dizer.

Ivan.

Tem cuidado, por favor.

Sim, "confit". Vai correr tudo bem.

Gomila, sou eu.

Espera lá fora.

Cuevas.

Enfermeira!

Preciso de algo para dormir!

É impossível desbloquear o telemóvel.

Está encriptado.

Estou com dores.

Merda, merda!

-Inspectora, ainda não acabei. -Só quero confirmar uma coisa.

Mostre-me a corda com que enforcaram a Eva Guàrdia.

Ela foi asfixiada. O enforcamento foi só encenado com a corda.

É o mesmo nó.

Sim. E quem a matou, fez mal o nó.

De quem é este corpo?

Do Lluís Cardona. Apareceu enforcado em Favàritx há mais de 20 anos.

Acha que os crimes estão ligados?

A documentação está pronta.

Amanhã podemos assinar quando quiser.

Muito bem.

Obrigada.

Presidente.

Gostava de a convidar para jantar. Por tudo o que está a fazer por mim.

Muito obrigada, mas hoje não posso.

Uf!

Está tão tarde.

Tem a certeza que não lhe apetece um tailandês?

Hum, não me diga isso. Adoro.

Mas não posso, estão à minha espera em casa do meu irmão.

Onde está o meu telemóvel?

Podes ligar-me?

Sim.

Dá sinal, mas não toca aqui.

Devo tê-lo deixado no carro. Já nem sei onde tenho a cabeça.

Arruma e vai, sim?

Amanhã há mais.

E descansa, por favor. Estás a fazer um ótimo trabalho.

Obrigada, Presidenta.

És um amor.

Vejo que gostas de brincar com o fogo.

E tu, o que fazes aqui?

Tem cuidado.

Não te queimes.

O Ivan quer falar contigo.

-Tu com a sobremesa e eu aqui à espera. -Foda-se!

Desculpa, não queria assustar-te.

Não faz mal.

Que pitbull, não?

-A tua chefe de enfermaria. -A cara que ela fez

Com o jantar...

Consegues imaginar, eu e ela?

Continuei a pensar nisso.

Chegou a duvidar se eras um interno que entrou noutro turno.

Foi muito bom.

Sinto ter de fazer isto, mas preciso...

Metes-me em sarilhos, não posso ajudar-te.

Sou polícia, mas não quero levantar suspeitas. Pareces ser de confiança.

Ajuda-me.

-A Anna Martel não está no centro. -Onde está?

Foi-se embora com a filha há um ano.

Queria cuidar dela pessoalmente.

A filha?

Ficámos todos surpreendidos.

Desde que chegou, estava sempre a mencioná-la.

Dizia que a tinham obrigado a dá-la para adoção. Dava pena.

Às vezes chorava durante a noite.

Dizia que a via nos sonhos. Pensávamos que era mais uma paranoia.

Mas não. Afinal era verdade.

Obrigaram-na a dá-la para adoção.

Sabes onde estão?

-Estás sozinha? -Sim.

A pistola.

De costas para a parede.

De costas para a parede.

O que queres?

O rato do Gomila disse que tens algo para mim.

-Preciso que me ajudes. -Não ajudo criminosos.

A minha irmã está em perigo.

Colaborarei com o que for preciso.

-Vais confessar os assassinatos. -Nunca matei ninguém, juro.

-Acredita, só quero salvar a Júlia. -O que aconteceu no farol?

O quê?

O suicídio do Lluís Cardona.

-O que tem isso? -Responde.

Porque é que a Anna Martel acabou num psiquiátrico?

Eu sei lá!

Perdeu a cabeça.

-Mas isso... o que tem a ver com isto? -Quem fez o nó da corda?

Fizeste-o mal de propósito?

Conta-me tudo, senão não poderei ajudar-te.

Nem à Júlia.

Esquece esse filho da puta.

Hás de encontrar alguém melhor.

Eh! Quem se atreve a jogar?

Então, Lluís? Vamos ou quê?

És um coninhas?

Lluís, ignora-os. A sério.

És um cobarde.

-Uh! -Eh!

Malta, isto é perigoso, caralho!

Ei, ei, ei!

Calma, não vai acontecer nada.

-Puxa, puxa! -Força!

Força, força, puxa!

-Puxa, puxa, puxa! -Ivan, chega!

-Já chega! -Não vês que ficou excitado? Olha!

-Está a gostar! -Júlia, chega!

-Vá lá, só mais um pouco! -Não consegue respirar, caralho!

-Não consegue respirar! -Consegue, está a gostar!

-Júlia, chega, caralho! Não vês? -Vá lá!

Já chega!

Vamos!

-Sigam, sigam, puxem! -Já chega!

Vá!

-Já chega! -Olha, olha, olha, olha!

Não vês? Ele não consegue respirar, pá!

Não vês? Olha para as mãos dele, caralho!

Vamos, só mais um pouco!

Larga, larga, larga.

Foda-se.

Foda-se.

Foda-se.

-Lluís! -Lluís!

-Lluís! -Lluís!

-Não está a respirar, pois não? -O quê?

Como assim não está a respirar?

-Eva, Eva! Que fazemos? -Está bem, calma, calma!

-Lluís! -Ele está morto!

-Calma! -Ele está morto!

Não percebem? Se contarmos, vão julgar-nos.

-Ele está morto, caralho! -Está morto?

-Lluís! -Isto não aconteceu.

-Como assim não aconteceu? -Não aconteceu, caralho!

Foi... um acidente.

Está bem, está bem. Sim, é o melhor.

Mas o que dizem? Ele está morto.

Querem foder a vida para sempre?

Percebeste?

-Disse que percebeste? -Sim!

Éramos uns miúdos.

A Anna Martel também?

Sim.

Mas depois ficou obcecada com a Júlia e agrediu-a.

E teve um surto psicótico e...

Marta.

-Marta. -O que se passa?

Tem uma filha.

A Anna Martel tem uma filha.

O quê?

Max Soler.

A assistente da Júlia Triay.

O que se passa?

Júlia?

Se queres que te ajude, tens de dar-me algo mais.

Mamã.

Mamã, vá! Vá, vá.

Ei, ei. Tranquila, tranquila, vá.

Tranquila. Vai correr tudo bem, vai correr tudo bem.

Vá, tranquila.

Vá.

Shhhh!

Já, já...

É a Júlia, reconheceste-a?

Lembras-te?

Não!

O quê?

Como viste a tua amiga?

Como viste a tua amiga?

Não viste?

Ai, és um amor, Júlia!

És um amor.

Não, não.

Shhh!

A vida não tratou a tua mãe tão bem como te tratou a ti.

Shhhh!

Já está.

Já está.

Já está!

Já está!

Shhh!

Serra.

SE QUISERES VOLTAR A VER A JÚLIA, VEM A FAVÀRITX SOZINHO.

Dá-me a pistola.

Quieto.

Júlia!

Larga a pistola.

Larga-a!

Calma.

Podemos resolver isto.

-O que queres? -Os Triay resolvem tudo, não é?

Max. Max, eu posso...

Tu o quê?

Tu podes devolver-me o meu pai?

Podes curar a minha mãe? Não, pois não?

Por favor...

Leva-me a mim, deixa a Júlia ir.

Júlia.

Sempre tão inocente.

-Ela não teve culpa. -Ela não, o quê?

Não teve nada a ver? Não?

Anda, diz a verdade.

Diz a verdade!

Foi um erro.

Não sabíamos que a Anna estava grávida.

Tu, no nosso lugar, farias o mesmo.

Tu não sabes nada

da minha puta vida.

Não!

Larga a pistola.

Não devias ter ajudado esta escumalha.

2 SEMANAS DEPOIS

A mamã diz que podes ligar amanhã.

Ai, vou-me embora senão faço xixi nas calças!

Adoro-te. Muá!

Ei!

Ei! Como vai a reabilitação?

Bem.

Achei que subias.

Desculpa.

Hospitais dão-me vontade de beber.

Como estás a aguentar?

23 dias, 14 horas e 10 minutos limpo.

-Já encontraram o corpo do Triay? -Não. Mas apareceu outra coisa.

Não sabemos quem é nem quando foi enterrado.

Mas no crânio há um buraco de bala.

Estás a ver?

"Iceberg"?

Estás bem, "Iceberg"?

O que se passa?

Estás bem?

O meu irmão...

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