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Original subtitles

Estão aí, hein?

-Sim, sim. -Estou a ir.

-Corre, corre! -Bora!

Vai, vai. Força!

Dois!

Três!

-Eh, eh, eh! -Sim, sim, sim, sim!

Hey. Escrevemos os nossos nomes?

Deixa-te dessas merdas, pá.

Sim, eu quero, eu quero mesmo.

Vai, casalinho, hein?

Claro.

A primeira?

Obviamente. "Anna" é sempre a primeira.

Que mau ambiente, pá.

A Júlia não tira os olhos de nós.

Deixa-a. Vai-lhe passar.

A Júlia não tira os olhos de nós.

-Deixa-a. -A Júlia não tira os olhos de nós.

-Não tira os olhos de nós. -Deixa-a.

-A Júlia não tira os olhos de nós. -Vai-lhe passar.

-Não tira os olhos de nós. -Vai passar.

Desculpa.

Não queria acordar-te.

Não, já está na hora. Já é tempo.

Olha.

Sobre ontem à noite.

-Eu... -Não tens de me dar explicações.

Mas eu quero fazê-lo.

Olha.

Isto... Não sei por onde começar.

Isto vem de muito longe.

Podia dizer-te que tive uma infância lixada.

Ou que fujo dos problemas, que não sei enfrentá-los.

Mas não é isso. Ou não sei se é isso.

Não o vês a chegar, sabes?

No início...

Sentia-me o rei da pista.

Mas depois,

começas a calar-te.

Até que te vês

sentado ao balcão a aguentar as conversas dos outros bêbados.

Não sei quando me apanhou.

Mas sei quando comecei a escondê-lo.

Já sei que a ti não te enganava com as pastilhas.

O meu chefe em Valência era um bom amigo e protegeu-me até não poder mais.

Vim para aqui a pensar que longe de tudo

podia largar esta merda.

Mas é mais forte do que eu.

E agora...

E agora estraguei tudo, Serra. Estraguei tudo.

O meu filho...

O meu filho sabe que o pai é um bêbado de merda.

Sabes aquele cheiro? Quando abres um armário que está fechado há muito tempo.

Aquele hálito amargo

é o que sinto antes de beber.

A toda a hora tenho isso na cabeça.

Juro-te que tentei de mil maneiras.

Percebo-te.

Não é fácil.

O meu irmão também passou por isso.

Já não sei o que fazer.

Podes contar comigo.

Tens algo que te ajude?

Não quero ir ao médico.

Não quero deixar rasto no meu histórico.

Não te preocupes com isso.

Tenho um amigo psiquiatra, tem consulta privada.

Não sei...

Confia.

Todos precisamos de ajuda.

Eu sou a primeira.

O caso Otávio?

Temos as mesmas feridas,

mas de balas diferentes.

Então marca consulta com o teu amigo para os dois e que faça um preço.

Grande burro...

Vai, toma banho, quero que vejas isto.

O que é?

Chegou-me ontem, anonimamente.

A requalificação dos terrenos de um resort de luxo.

Alguém do Conselho quer lixar a Presidente.

Tenho alguém que pode ajudar-nos com isso.

Boletim informativo.

Esta manhã foi encontrado o corpo do arquiteto valenciano

Sebastià Balaguer nas imediações do cabo de Favàritx.

A Polícia de Menorca continua a investigar as mortes de Laura Vidal,

Vereadora do Urbanismo, e da famosa soprano Lola Roca.

Ainda não se sabe se podem estar relacionadas

com todas as mortes que estão a abalar a ilha.

Não, Sebas!

Parece morte por overdose.

Sim, mas ele não era consumidor habitual.

Não tem marcas.

Nos braços não.

Vamos ter de verificar o resto do corpo.

-Hora aproximada da morte? -Pelo rigor mortis diria

que por volta da meia-noite. Entre a 1 e as 3 da manhã.

Sinais de que lhe tiraram sangue, como à Lola Roca?

Vou verificar.

Avisa-nos quando tiveres os dados.

Que nojo!

Que cheiro é este?

É velella.

Isto não é suicídio, tenho a certeza.

Achas que foi o mesmo assassino?

Não sei se é um ou se são vários. Mas voltaram a simular.

Propriedade rural convertida em terreno urbanizável de um dia para o outro.

A Laura Vidal estava envolvida na requalificação.

E por trás do projeto está o Ivan Triay.

Segundo o Damià, fizeram um bom negócio.

É de confiança?

Se confiares em mim, sim.

Onde vamos, "Iceberg"?

Procurar a Eva Guàrdia.

E no caminho, vamos parar na clínica do meu amigo.

Claro que o Sebas não consumia heroína. Nem pensar.

De vez em quando fumava um charro,

mas nunca o vi tomar outras drogas.

Antes de sair do hotel, disse-lhe se ia encontrar-se com alguém?

-Ou se havia algo que o preocupasse? -Não.

Disse-me que ia dar uma volta para arejar a cabeça.

Porque tínhamos trabalhado muito para a apresentação do resort.

Tinha algum inimigo?

Não.

Que eu saiba.

Tê-lo-ia dito, porque éramos bons amigos.

Que relação tinha com a Laura Vidal?

O Sebas era sócio e o arquiteto da empresa.

A relação com a Laura Vidal era

meramente profissional.

O que sabe sobre os terrenos onde se construiu o hotel?

Desculpe, não percebo essa pergunta.

Não falava com o seu sócio sobre a requalificação?

Não sei do que me está a falar.

LADRÕES

Tem a certeza?

Sabia o que tinha acontecido à Lola Roca?

Estão a acusar-me de alguma coisa?

Se for o caso, quero falar com o meu advogado.

Muito bem, se não têm mais perguntas.

Ao seu amigo demos a oportunidade de colaborar e não teve tempo.

Espero que não demore tanto.

Com este tipo de gente os advogados não servem de nada.

Vamos apanhá-lo.

Com calma, Diana.

Intercetámos os telemóveis de Triay e da mulher,

mas praticamente estão inativos.

Com o Simão e o Toni ainda é mais lixado.

Estamos a rastrear todos os números que operam na zona da casa deles.

Mas não temos resultados.

Pode ser que estejam a usar telemóveis encriptados.

Vamos apanhá-lo a descarregar as três toneladas.

Sim. Sim, claro.

O melhor é fazer declarações e evitar especulações.

Sim. Muito bem, obrigado. Adeus.

-E o Crespo? -Foi um momento à farmácia.

-O que se passa com ele? -Dor de cabeça.

Não se habituou à tramontana.

O que nos queria dizer?

Os de cima estão cada vez mais nervosos.

Não queríamos alarmar a ilha e agora está na televisão nacional.

Fizeram-nos chegar isto.

Tínhamos razão.

Puderam tirar a Laura Vidal do caminho porque se tinha tornado um problema.

-Quem viu isto? -O Crespo, o senhor e eu.

O Crespo?

Crespo.

Estás bem?

Estou bem, estou bem.

É a puta da ansiedade.

Respira.

-O que se passa? -Temos o primeiro relatório da autópsia.

OK. Vamos.

"Confit".

Achas que estará pronto para sair em breve?

Vamos ter de esperar um par de dias para saber.

Falaste com a Eva?

O que se está a passar?

Não sei, ela diz que não pode falar ao telefone.

-Estás a esconder-me alguma coisa, Ivan? -Não.

A sério, não sei de nada.

Eva!

Lamento muito o que aconteceu ao Sebastià.

Sabe-se mais alguma coisa?

Desculpa, é que não consigo.

Podemos falar, Ivan?

Sim, sim, claro.

Se puder fazer alguma coisa. A sério.

Obrigado.

Vamos?

Olha-me nos olhos.

Diz-me que não tiveste nada a ver com isto.

Vim de falar com a Polícia.

O que estás a fazer?

Foda-se, estás maluco.

Fala-me com clareza, caralho.

Achaste que eu não iria procurar informações sobre o Tavares?

É um mafioso, porque é que o meteste no negócio?

Isto é uma loucura, eu saio fora. Vou falar com ele e...

Eva, com esse tipo de gente não se fala.

Ele manda. E tu obedeces.

Vou fazer-lhe uma boa proposta, cedo a minha percentagem...

-Não, Eva. -Serei muito discreta e ninguém...

Isso é impossível!

Ele quer-te dentro.

És a fachada dele e não vai aceitar mais nenhum problema.

Percebido?

Os níveis no sangue do relatório toxicológico

confirmam que morreu de overdose de heroína.

Não tinha aspeto de toxicodependente. Pode ser que a tivesse fumado?

Explicaria a ausência de marcas.

Tem pulmões de fumador, mas não de heroína.

Os brônquios não estão dilatados, nem há cicatrizes.

E o coração é o de um homem saudável.

Nenhuma bactéria. Descartado que fosse heroinómano.

-A quantidade de heroína é enorme, não é? -Sim. E segundo as análises

não estava muito adulterada com outras substâncias.

Se se injetou ele próprio, sabia o que fazia.

Ou foi injetado contra a vontade dele.

Tiraram-lhe sangue?

Sim. Além da picada que causou a morte, tem

outra marca, no outro braço.

Como a Lola Roca. É possível que a marca da Laura Vidal tenha desaparecido

pelos dias que passou no mar?

É bastante provável.

Combinámos encontrar-nos. Ele quer falar.

Adeus.

Há um problema. São das câmaras

que instalei para os cães.

Vários carros, em dias diferentes...

-Estão a vigiar a herdade. -Quero toda a gente alerta.

E troca todos os telefones.

O da Maria Inês também.

Aviso o Toni?

Por agora, não. Não vamos preocupar o Simão.

Primeiro temos de saber quem são e o que procuram.

Ouve.

Preciso que me confirmes uma coisa.

Já chegou.

Desculpem, não consegui escapar-me antes.

-Damià, inspetora Serra. -Sim, conhecemo-nos ontem.

O que querem de mim?

-Tudo o que dissermos aqui é confidencial. -Àlex, somos colegas.

Sim, mas se deixares escapar algo...

vais ter problemas.

-Percebeste? -Sim.

-Que movimentações há no Conselho? -Uf! Agora parecem todos enguias.

Ouvi dizer que o Delfí,

o Conselheiro do Urbanismo em funções, está furioso.

Porquê?

A Presidente quer nomear a secretária dela. Dizem que quer

controlá-la como fazia com a Laura...

-Vidal. -Vidal.

-Sem dar satisfações a ninguém. -Por causa do complexo hoteleiro?

Sim, estão a esconder esse projeto desde o início.

Conheço o agricultor que lhes vendeu os terrenos.

Pagaram-lhe uma ninharia por uma herdade rústica

e depois transformaram-na em urbanizável.

Sabes o quão difícil é isso aqui?

-Em Menorca? -Ninguém se queixou?

No Conselho há quem esteja contra as políticas de Urbanismo.

Há uma pressão enorme dos ambientalistas.

Mas neste tema, silêncio absoluto.

Têm medo. Nos últimos anos lixaram muitos.

Os Triay são inimigos difíceis.

Sim...

É preciso ter cuidado, eles têm ouvidos daqui

até Ciudadela.

-E como vês a Presidente? -A Presidente?

Parece que não tem sangue. Olhas para ela e pensas que o irmão a controla.

Mas eu, no fundo, acho que ela

puxa os próprios cordelinhos.

Não sei, não sei. Parece uma mulher complexa.

Há anos que espero esta oportunidade.

-Deixei a saúde pelo partido. -O partido agradece-te por isso.

-E quer contar contigo. -Não é o que parece.

O que parece pode ser melhor.

Há quanto tempo estás neste meio, Delfí?

Desde que acabei o curso.

Começaste antes de mim.

Há mais de 25 anos.

E em todo esse tempo, quantas coisas deixaste para trás, Delfí?

Separaste-te.

Os teus filhos foram-se embora de Menorca.

Onde vivem agora?

Um em Bruxelas e o mais velho em Roma.

Já me fez avô. Não sei se sabias.

Não.

E queres deixá-los para trás outra vez?

Lembras-te de quando o mais velho teve aqueles problemas?

Estava demasiado agarrado à coca.

Quanto dinheiro ficou a dever?

Isso faz parte do passado.

Agora está limpo.

O passado é sempre parte do presente.

E do futuro.

Proponho que sejas tu a gerir os tempos.

Com um bom ordenado, claro.

Escolhe a fundação que quiseres. Ou criamos-te um cargo à medida.

Não te peço que te afastes, mas que abrandes e...

descubras outra vida.

Entra, Max.

Gostava que fosses o primeiro a conhecer a tua substituta.

Quero uma transição tranquila, Delfí.

- Já viste aquele?

-Quem?

Ainda vamos aumentar a equipa.

Eu apostava que querem substituir-te.

Muito engraçado, Inspetor.

Não, a sério.

É alguém importante. Mas não é da Unidade de Drogas e Crimes de Maiorca.

Que dedução, Gomila. E se fores perguntar-lhe?

Assim ficamos a saber.

-Eu? -Claro.

Como?

Serra. Crespo.

Chegou uma equipa do GRECO.

-Do GRECO? -Sim.

Algum problema?

Surpreende-me que tenham enviado um grupo contra o crime organizado.

-Esses tipos só... -Esses tipos pediram toda a informação

sobre as três mortes.

Acham que não conseguimos resolver o caso?

-Ninguém disse que estão aqui para isso. -Ah não? Então porquê?

Então nada. É confidencial e de máxima prioridade.

Estejam disponíveis caso precisem de vocês.

O GRECO não se desloca por uns assassinatos numa ilha.

Isso não vos diz respeito. Cumpram as ordens e tudo correrá bem.

Não quero merdas.

Perceberam-me?

Foda-se, Miquel, que susto.

-São as reservas? -Sim.

-Obrigado. -A ti. Boa noite.

Boa noite.

Olha aqui. Nos processos de Urbanismo, Coimbra Investments.

Tenho a certeza de que já vi isto antes.

Onde?

Não sei, mas já vi.

Diz-me.

merda.

O que se passa?

Perdemos o rasto do Tavares.

Foda-se!

Obrigado.

Estou de rastos.

Adormeço em todo o lado.

A medicação é muito forte.

E é um complemento, tens de fazer terapia.

Sim, eu sei.

Vou começar a terapia o mais depressa possível.

Não quero pressionar-te, mas podes confiar no Miquel.

É dos melhores psiquiatras de Menorca.

Pensaste no que te disse?

Sim, mas... não sei.

É melhor não deixar que se enraíze.

Liga-lhe e pede-lhe desculpa.

Mas...

É que são tantas.

Quantas vezes for preciso.

É preciso levantar-se uma e mil vezes.

O teu filho vai perceber mais tarde, agora é altura de baixar a cabeça e aceitar.

Eh!

Sim.

E devagarinho.

Sem pressão.

Já está? O que se passou?

Ela está aqui.

-Quem? -A Eva Guàrdia.

Vamos.

Lembrou-se de algo que devamos saber?

Ontem menti-vos.

A morte do Sebas.

É que eu...

Calma.

O Ivan Triay propôs-nos um bom negócio.

-A quem? -Ao Sebas e a mim.

A Katlan não estava a passar por um bom momento e...

Facilitou-nos as coisas. Tinha os terrenos, investidores,

podia conseguir as licenças.

E vimos aí a oportunidade de salvar a empresa.

Com a inauguração do resort, cobrimos a primeira fase,

e agora entraríamos na segunda.

Mas a Laura...

O que aconteceu com a Laura Vidal?

Não sei, ela mudou. Começou a criar problemas, nada lhe parecia bem.

E decidiu não... não assinar.

E então livraram-se dela?

O Sebas e eu não queríamos fazer-lhe mal.

Mas o Ivan estava fora de si e perdeu o controlo.

Ele pressionou-a.

E o que fez?

Ameaçou-a com uma campanha para...

arruinar-lhe a vida.

Matou-a?

Não sei.

Em que consiste a segunda fase do projeto?

Através de uma permuta conseguiríamos um terreno num local privilegiado.

E o objetivo era vendê-los, quadruplicando o valor.

Com esse dinheiro, ampliaríamos o resort com uma escola internacional de hipismo.

Quem está por trás de todo esse negócio?

O principal investidor

é o Simão Tavares.

Reconhece-o?

Só o vi uma ou duas vezes.

Eu não sabia que ele estava metido nisto.

Além disso, o nome dele não aparece em nenhuma empresa.

E a Lola Roca, o que tem a ver com isto?

Ela e o Ivan estavam envolvidos.

Não sei, talvez ela tenha descoberto algo sobre ele, é que não sei.

A Lola e eu nunca fomos grandes amigas.

Mas o que lhe fizeram...

E ao pobre do Sebas...

Desculpa.

Achas que está a mentir?

Não sei, mas tem medo.

-Gomila. -Diga, Inspetora.

-De onde conhece a Eva Guàrdia? -Eva Guàrdia?

Sim, a mulher que acabou de cumprimentar.

Ah, sim! Desculpe, não sabia de quem falava.

Eh... Conheci-a há muito tempo.

Não teria mais de 20 anos.

Ainda tem o mesmo cabelo, a mesma carinha...

Sim, desculpe. Atendi-a quando a trouxeram para depor, por aquele caso do farol.

Que caso?

A tragédia do farol. Não se lembra?

Não.

Um jovem suicidou-se em Favàritx.

Aquilo abalou toda a Menorca.

E o que tem a ver com a Eva Guàrdia?

Ela e os amigos encontraram-no morto.

Quando a trouxeram tremia como um passarinho.

Quando foi isso tudo?

Bem, eu estava a começar a trabalhar aqui, por isso suponho que...

O ano 2000?

Bem. Obrigado.

Não sabemos quem filtrou o documento,

mas as palavras da Eva Guàrdia confirmam-no.

Está disposta a testemunhar perante o juiz e fará o que lhe pedirmos.

É uma questão de tempo até que o Ivan Triay...

Esqueçam.

Não mexam um dedo.

-Este caso não é da nossa competência. -O quê?

-Pensei que não vinham pelo nosso caso. -Inspetora.

É uma ordem. Não podemos interferir.

-E o que acontece com a Eva Guàrdia? -O juiz está num congresso em Madrid.

Volta amanhã de manhã. Vou falar com a secretária dele

para organizar a declaração. Entretanto, proteção domiciliária.

Gomila!

Gomila.

Diga.

Você e o Crespo ficam com o primeiro turno.

Serra, quero o relatório completo do interrogatório.

Descanse. Irá render o Gomila e o Crespo com outro agente.

Isto é inacreditável.

Calma.

-Mas não estás a ver? -Tens razão.

As vítimas não lhes importam nada.

Querem o Tavares e o resto que se lixe.

Mas não podemos fazer nada.

Agora temos de garantir a nossa parte, e que a Eva Guàrdia testemunhe amanhã.

Depois continuamos com a nossa investigação.

Não faz sentido.

Pois, mas o que queres?

Não, não é isso.

Compreendo que camuflem os assassinatos como suicídios.

É a máfia, "Iceberg".

Pois.

Mas para que querem o sangue dos mortos?

Isto não bate certo.

O Simão foi-se embora porque suspeita que estamos a vigiá-lo.

Da última vez que se escondeu,

demorámos seis meses a encontrá-lo.

Já temos as imagens de satélite.

Mapeámos toda a herdade dos Triay.

As cavalariças, as instalações equestres

e o único armazém que têm.

Foi aí que guardaram a cocaína que levaram para Toulon.

Mas nesse barracão não cabem três toneladas.

O problema não é o espaço.

É demasiado arriscado guardar tudo junto.

O Simão nunca faria isso, eu conheço-o.

Vamos procurar nas outras propriedades.

Também nas que estão em nome da Maria Inês. E todas as empresas dela.

Muito bem.

Eu disse-te.

Há espaço para todo o material.

Mas que...?

-Vão chegar a tempo.

-E quando começamos a segunda fase?

-Estamos perto, Toni.

A nova Vereadora toma posse dentro de dias.

E depois começamos com as licenças. No jantar explico tudo ao Simão.

-Porquê? Aconteceu-lhe alguma coisa?

-Porque está a tratar das merdas dele.

-Então vai tu jantar e relaxa um bocado.

-O Fran vai levar-te a um bom sítio. -Não gosto de festas. Não relaxo.

-Este parvo não sabe o que é bom. -Organiza-lhe uma boa farra.

-O que estás a dizer? -O que estás aí a murmurar?

-Nada, estava a dizer ao Fran para te levar a dar uma volta.

Para relaxares um pouco.

-Aceita o convite, por favor.

-Toni.

Àlex, não me voltes a ligar.

Fala com o advogado e ele explica-te.

-Que se passa, estás doente?

-A cabeça, dói-me.

-Tens a certeza que não queres comer? -As guardas tiram-me o apetite.

-Vives à base de pastilhas. -Não sei como te safas.

Experimenta.

-Ajuda a tirar a barriga. -Isto?

Com o trabalho que me custou!

Viste isto?

Estas pessoas são estúpidas.

Como consegues ver essas parvoíces?

Esse algoritmo vai acabar com todos nós.

É como um vampiro que te suga toda a energia e te torna estúpido.

Os estúpidos já existem.

O algoritmo foi feito para os atrair. Mas nem todos caímos.

Sim, senhor. Bem mandado.

Parece que não és um millennial qualquer.

A que horas a levamos a depor amanhã?

Não sei, devem avisar.

Deve ter dito algo pesado. Vai haver confusão no hotel.

Se quiseres, reservo-te um quarto e investigas.

Sim, está bem.

Não, porra.

É que não percebo porque raio estamos aqui.

E se fizermos turnos?

Dou uma soneca e tu continuas a lutar

para não seres apanhado por esse algoritmo.

Se acontecer algo, avisa-me.

Descansa.

Diz-me.

Sim, sim, essa era a ordem, vigiar a casa dela.

E o que contou?

Não sei, mas amanhã vai depor perante o juiz.

Fogo!

Não sei mais nada.

Vou tentar arrancar mais alguma coisa deste banana.

E os outros?

O que são? Da UDYCO de Maiorca?

Não. São mais importantes.

-Mas ninguém diz nada, Ivan. -Não me fodas, porra!

Tens de resolver isto.

Como?

Eu? Não...

Ivan.

Ivan, ouve, que seja o Fran.

Não, o Fran não está.

Tens de ser tu. Garante que ela não chega ao juiz.

Ficou claro?

Ficou claro ou não ficou?

Sim, sim. Sim.

Ficou claro, Ivan, ficou claro.

Fogo!

"Jovem suicida-se no farol de Favàritx".

"Filhos da família Triay envolvidos num trágico caso".

"Sete jovens encontram o corpo do seu amigo no farol de Favàritx".

Gomila. Gomila!

Crespo.

Serra. fodi tudo.

O que aconteceu?

Fodi tudo, Serra.

Sou um desgraçado, que se lixe a minha vida.

Podes dizer-me o que se passa?

A Eva Guàrdia está morta e o Gomila... -E o Gomila o quê?

O Gomila... foda-se, foda-se, foda-se!

Ele está morto?

Não, o Gomila está bem. Mas quase o mataram.

Foda-se. Bebeste?

Não, juro-te.

Foram os comprimidos, deixaram-me grogue.

Está bem, calma. Dá o alerta e não faças mais nada.

Já vou.

Gomila.

Gomila, tete .

O que aconteceu?

Porque é que não respondes, caralho?

Fizeste-o?

Gomila! Fizeste-o?

Gomila!

Gomila.

Gomila.

Obrigado.

Olá.

Sabes o que vais dizer?

Sim. Mas se me fizerem um teste ao sangue, estou lixada.

Malditas pastilhas.

Cala-te.

Ninguém vai fazer nada.

O Gomila é um rato, eu trato de o calar.

Lembra-te de que fazemos isto pelo teu filho.

Pensa nele. Em mais ninguém.

Comissária.

Obrigada. O que aconteceu?

O Gomila saiu para urinar, estava a demorar...

Mas pensei que estivesse a esticar as pernas.

As guardas são chatas.

Estava a demorar, fiquei desconfiado.

Fui procurá-lo e encontrei-o estendido no chão.

E então?

Verifiquei que estava vivo

e corri para procurar a Eva Guàrdia.

Encontrei-a assim. Já não havia nada a fazer.

-Não viu nem ouviu nada? -Não.

Está bem.

-Comissária. -Sim?

Não creio que haja dúvidas.

Segue o mesmo padrão.

Explique-se.

Tudo indica que a estrangulou e depois a enforcou.

Simulou um suicídio.

E tirou-lhe sangue.

Quem está por trás disto não é só um mafioso.

É um assassino em série.

Rodrigo?

Rodrigo!

Que se passa, estás a dormir?

O que foi, pá?

Esta humidade está a matar-me.

Eu sei.

A humidade.

Rodrigo.

É isso!

A humidade.

A humidade aqui é brutal.

Percebes?

Eles precisam de ambientes secos para armazenar a cocaína.

Fala com os fornecedores locais.

Devem ter comprado desumidificadores industriais.

Alguma notícia do Simão Tavares?

Não, nenhuma ainda.

Ok.

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