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Original subtitles

Podiam ter-me avisado para vir de sapatilhas.

Não percebo porque me mandaram vir toda arranjada.

As minhas pernas!

Raios.

Cha Mu-hee, vai entrar em direto.

Merda.

Segure a câmara na vertical.

Assim está bem?

Vou estragar os saltos.

O meu agente está aí?

Estou a ouvir.

- Os sapatos foram oferta ou empréstimo? - Empréstimo. Cuidado com eles.

Está bem.

Sigam a Cha Mu-hee assim, por favor.

Drone um, queremos um plano mais fechado dela.

- O auricular da tradução está pronto? - Está.

Sr. Joo.

- Olá. - Olá.

Sra. Cho?

Sr. Joo, está pronto?

Sim, também estou pronto.

Isto é tão alto!

Antigamente, tudo isto pertencia ao rei que vivia neste castelo.

Imaginem olhar daqui e saber que toda esta terra é nossa.

Quantos hectares serão?

Não se apoie aí. Afaste-se.

O quê?

Nem parece seu, falar assim, Sr. Joo.

Está preocupado? Receia que o vento me leve?

Está escrito no letreiro.

"Não se apoiem nem trepem o corrimão." Apenas traduzi.

E quem não fala italiano? Também devia estar em inglês.

Também está. Só não soube lê-lo.

Sei inglês. Sei o básico.

Está aqui.

Isso é alemão. O inglês está por baixo.

Só os confundi porque são muito parecidos.

Só cromos é que sabem ver a diferença.

É o último dia de filmagens.

Escrevi uma despedida para o Hiro em japonês. Não precisa de a traduzir.

Muito bem.

Agora, sigam o Hiro.

"Está um dia lindo.

Escolhi este local para o final. Felizmente, está bom tempo."

"Vamos para ali. A vista dali é ainda melhor."

Já tinha vindo aqui?

"Gravei aqui uma série, no início da carreira.

Cometi tantos erros que ainda me lembro das minhas falas.

Era um péssimo ator na altura."

A sério?

Quão mau, exatamente? Estou curiosa. Está no YouTube?

Por favor, não procure. Não me quero lembrar.

Como era mesmo?

"Constrangente"?

"Constringedor"?

"Constringedor"?

Constrangedor?

- É isso! Constrangedor? - Constrangedor!

É fantástico.

Parecem mais próximos do que no início.

É, não é?

Agora que a viagem está a acabar, são quase melhores amigos!

"Que beleza. Nem consigo desviar o olhar."

Concordo.

Vimos tantos sítios bonitos durante as filmagens.

Estou um pouco triste por ter acabado.

Concordo.

Gostava de…

… continuar a vê-la.

Acho que a razão de cada momento

da nossa viagem ter sido bonito…

… foi por a Mu-hee

fazer parte do cenário.

O que disse ele?

Pode traduzir?

Está a dizer adeus?

Devo despedir-me agora também?

Sr. Joo,

se está demasiado chocado para o traduzir,

pode apenas lhe transmitir

estas palavras?

Sr. Joo, o que disse ele?

Não consigo responder, se não traduzir.

Já não será necessário despedir-se.

Traduzirei o que disse.

Pediu-me para lhe dizer…

… "Gosto muito de si, Cha Mu-hee."

Ouviu isso?

Percebeu a mensagem?

PODE ESTE AMOR SER TRADUZIDO?

JAPÃO

Vamos à previsão para todo o país para segunda-feira, 8 de abril.

Parece que mais zonas terão sol hoje.

Prevê-se chuva no sul de Kanto, de manhã, mas as nuvens irão dissipar-se.

ABRIL DO ANO ANTERIOR

"Vamos ouvir Kim Young-hwan, que também é adorado no Japão."

É um prazer trazer o meu último romance aos meus leitores japoneses.

Espero que gostem.

Obrigado.

Vamos às perguntas da imprensa.

Apareceram muitos fãs.

Vês? Sou muito popular. Só tu me menosprezas.

Quando é que o menosprezei?

Seja como for, obrigado por aturares este velhote

e pelo serviço de tradução.

Toma.

O editor deu-mo.

Os japoneses são fantásticos nisto.

Porque mo está a dar?

Uma revista literária japonesa vem a Seul entrevistar-me, no próximo mês.

Quero-te lá a traduzir.

Lamento, mas não posso.

Não estarei em Seul.

Disseste que ias para Espanha, não foi?

Sim, provavelmente estarei fora alguns meses.

Isso não é bom.

És o único que percebe e sabe traduzir os meus disparates.

Porque não adias a viagem a Espanha?

Não foi suficiente arrastar-me até ao Japão para trabalhar? Que abuso!

Vamos beber um copo, antes de ir para o aeroporto?

Sr. Kim, por favor. Não beba tanto.

Baralhou as personagens no romance.

O primeiro marido da heroína é o Nam Yeon-su, não o Park In-cheol.

O primeiro marido é o Nam Yeon-su?

Escreveu o romance.

Já estava perdido, quando estava a traduzir.

Safaste-te muito bem. É por minha conta. Vamos.

Fica para a próxima. Tenho de ir a um lugar.

Onde?

Vais sozinho a um lugar bonito? Vais ter com alguém?

- Tens um encontro? - Boa viagem, Sr. Kim.

Então, é um encontro, não é?

Até um relógio parado acerta duas vezes por dia.

Se é um encontro, partilha as bolachas com ela! São docinhas!

Para apanhar a Linha Enoden, saia da Linha JR com o bilhete.

Depois, vire à direita para a praça central.

Passe a praça,

e, neste sinal, entre pelas máquinas da esquerda.

- Desculpe. - Desculpe.

- Desculpe. - Sim?

- Já não há panfletos em coreano. - Desculpe. Vou colocar.

Obrigado.

Paolo, para de brincar.

Desculpe.

Não faz mal. Foi sem querer.

Ena! Fala italiano!

Nunca conhecemos um japonês que fala italiano.

Não sou japonês, sou coreano.

- A sério? - Coreano?

- Já foi à Itália? - Já.

"Hashtag, Momo-chan Ramen."

"Hashtag, um novo começo." "Hashtag, grato por ti."

O seu italiano é muito bom.

"Hashtag, vai fazer-te feliz."

Com licença.

- A comida está quente. Cá está. - Obrigado.

Se precisar, é só chamar.

- As crianças podem comer isto? - Sim, mas podem achar picante.

Bem-vinda!

Sente-se onde quiser.

Senhora?

Por favor.

Com licença.

A nossa ementa.

És a Momo-chan, a dona do Momo-chan Ramen?

Sim.

Um Momo-chan Ramen a sair.

Com licença.

Recomendo que peçam… isto.

Está bem, obrigada.

Parecia mais velha nas fotos.

Estou aqui à procura de um homem coreano que deseja

um novo começo consigo, Momo-chan.

Parece que estou a apresentar as notícias.

Não há uma opção para mudar o tom e torná-lo mais duro?

China?

Pensei que era coreano.

Primeiro, vamos dar-te uma voz feminina.

Preciso que traduzas bem.

A aplicação pragueja?

Merda.

Merda.

KakaoTalk?

É coreano?

Percebeu tudo?

Percebeu, não foi?

Ouvi sem querer.

Fingiu ser chinês para ouvir.

Quando é que fingi ser chinês?

Estava a fingir ler o panfleto chinês.

Não estava a fingir, estava a lê-lo. E não leio só o chinês.

Leio o inglês, o francês e o italiano.

Ora, não seja ridículo. É a app de tradução Papago ou quê?

Ouça, eu…

Paolo!

Paolo!

Chamem uma ambulância. Não falamos japonês.

O que tem?

Tem alergias.

Algo que comeu antes deve ter provocado uma reação.

Uma ambulância. Diga que o menino está a ter uma reação alérgica.

Certo.

O que comeu ele?

Aqui.

Isto.

Leve isto consigo para o hospital.

Está bem.

Chamei uma ambulância.

Mas o beco aqui é estreito.

Pode demorar até chegarem.

Ela diz que o beco é muito estreito. A ambulância pode demorar.

Eu levo-o para a rua principal.

Eu levo-o.

- Obrigada. - Obrigado.

Diga-lhes que estamos na rua principal.

Está bem.

- Eu tomo conta das suas coisas. - Obrigado.

Ele é mesmo a app Papago.

Com licença!

Com licença!

Disse aos paramédicos o que se passa com o Paolo.

Liguem-me se precisarem de tradução no hospital.

Muito obrigada.

- Cuidem dele. - Sim.

Virar à esquerda. Cautela.

Obrigado.

Também pode ajudar-me?

Também tenho uma emergência.

Ia usar a app Papago, mas uma voz humana é melhor do que a IA

a transmitir os meus sentimentos.

Não quero traduzir uma discussão de namorados.

Eu sabia. Ouviu tudo.

- Merda. - M…?

Também ouviu isso?

Ouvi.

Então sabe que vim implorar a um homem que me aceite de volta.

Por favor, ajude-me.

Se ele me rejeitar via uma app,

vou sentir-me patética.

Está bem, ajudo-a.

Mas não traduzo palavrões.

Diz que o Sr. Kim Yu-jin está em Tóquio.

Não está cá?

Deve ter-me visto e escondeu-se.

Os dois estão a mentir-me.

E daí? Quer que lhe diga isso?

Esqueça.

Pergunte-lhe quando volta.

Ela diz que vai chamar a namorada dele.

Desculpe?

Eiko, chegas aqui um segundo?

É com ela que ele vai recomeçar?

Sim!

Até publicou uma foto dela no Instagram a dizer "um novo começo". É ela, não é?

Está enganada.

Não pode ser…

Pensei que era a mulher mais nova da foto.

Pode perguntar-lhe

de quanto tempo está?

Sete meses, diz ela.

Ele acabou comigo há três meses.

Sete meses…

Eu devia estar louca.

Que grande sacana!

Desculpe.

Ela é a Cha Mu-hee?

Provavelmente.

Quero dizer-lhe uma coisa.

Pode transmitir-lhe?

Espere!

Espere!

Pode escrever isto em japonês? "O chef coreano é um traste."

Hashtag traidor, hashtag mentiroso, hashtag…

Morre. Vou amaldiçoar-te! Espero que feches portas!

Também não traduzo maldições contra terceiros.

Prefiro não me envolver,

mas a mulher pediu-me para lhe dar uma mensagem.

O pai do meu filho é o meu ex-marido, não o Yu-jin.

Mesmo sabendo que era egoísta,

aproveitei-me da bondade dele.

Mas se a Cha Mu-hee conseguir mudar de ideias,

abro mão dele de bom grado.

Ela disse para eu ficar com ele? Não ouviu mal?

Transmiti o que ouvi.

Qual é a dela? Está a gozar comigo? "Leva-o se quiseres"?

O que lhe pareceu?

Só passei a mensagem.

Não, acha que é verdade?

É muito suspeito! Está numa situação difícil e é simpática!

Só traduzo o que as pessoas dizem, não julgo que tipo de pessoa são.

Certo. Vamos voltar para ver. Vamos, Sr. Papago.

Basta!

Cha… Mu-hee?

Se acabaram, não é traição. E o bebé não é dele, por isso, não mentiu.

- São só duas pessoas… - Apaixonadas, é o que está a dizer.

- Isso enfurece-me. - Exato.

Se for mais longe, torna-se a má da fita.

Não me importo de ser a má da fita ou uma louca.

- Só preciso que traduza. - Não.

Normalmente, o próprio ato de loucura

transmite o quão chateados estamos.

Não carece de tradução.

Ou use uma linguagem universal.

Boa sorte!

Não julga, mas sou a má da fita?

O amor deles é puro e doce,

mas o meu tem de terminar assim?

Ele disse-me que acabámos e desapareceu.

Ele já o tinha feito antes, por isso, esperei.

Três meses depois, publica uma foto com "um novo começo".

Vim à procura dele.

Pode parecer desesperado e patético, mas também é amor.

Não quero que acabe assim.

Ajude-me a terminar com um pingo de dignidade.

Traduza o meu amor também.

Imploro-lhe.

Yu-jin.

Sim, está tudo bem aqui.

Voltas esta noite?

Não, não tenhas pressa.

Volta amanhã, como planeado.

Sim.

Está bem, até amanhã.

Lamento, estamos fechados…

Agradeço a sua amabilidade.

Mas voltei

porque quero perguntar-lhe uma coisa.

Durante o nosso namoro,

ele desaparecia de vez em quando, entre uma semana a mais de dois meses.

Era consigo que ele estava?

Então, estava.

Então, ele traiu-me mesmo.

Ela diz que ele a reconfortou e ajudou.

Não tente suavizar o que ele fez.

Estava a ajudar os necessitados? Ela é pedinte?

Ela implorou pelo amor dele e ele ficou por pena.

Isso foi um desabafo zangado e não vou traduzi-lo.

Não queria manter a dignidade intacta?

Mas ele voltava sempre para mim.

Mas agora já não, sendo você uma futura mãe solteira.

Não que eu o aceitasse de volta.

Já que não traduz palavrões, vamos a algum encorajamento.

Pode ser um amor nascido do infortúnio,

mas desejo-lhe felicidade.

Ela quer se explicar.

Na verdade, o Yu-jin e eu namoramos desde que ele estudava no Japão.

Mas outra mulher roubou-lhe o coração.

Foi abandonada pela família

e não tinha a quem recorrer numa situação difícil.

Era como se fosse

a heroína trágica de um filme, a carregar um fardo de infelicidade.

Eu tentava sempre fazê-lo ficar,

mas ele dizia que não podia deixá-la sozinha.

Ela está a falar de quem?

Essa mulher é a Mu-hee.

O que disse ela?

O que disse?

Quem usou a sua infelicidade para ser amada

foi a Mu-hee.

Mesmo depois de perceber que foi traída, veio até aqui.

Só pode sentir-se muito sozinha para se humilhar assim.

- Ouça… - Não diga nada. Já percebi.

Não tenciono compreender as palavras desta mulher

e fazer a cara que ela quer ver. - Então, o que quer fazer?

Não sei.

Mas acho que vou chorar.

Se chorar à frente dela, vou morrer de humilhação.

Então, fique assim e eu resolvo as coisas

com a máxima dignidade possível.

Parece ter havido um mal-entendido.

Estamos os dois a viajar juntos. Só viemos dizer olá.

Desculpe? Estão a viajar juntos?

Trouxemos uma prenda.

Ela só estava a tentar ser educada e a senhora foi indelicada.

As suas palavras ficarão só comigo.

Não lhe direi nada que a possa magoar.

Se já está melhor, vamos.

Muito obrigada pela sua ajuda hoje.

- Não sei se não o sujei. - Não faz mal.

A prenda parecia cara. Quanto? Eu pago.

Também me foi dada.

A sério?

Mas sinto-me muito mal.

Pago-lhe uma refeição? Não almoçámos.

A sério que estou bem.

- Não se preocupe. - Está bem.

Fique bem.

Quanto a hoje…

Obrigada e desculpe.

Boa viagem.

Obrigada.

Ela veio até aqui.

Só pode sentir-se muito sozinha para se humilhar assim.

- Obrigado. - Obrigada.

Uma mulher a carregar um fardo de infelicidade?

Não me parece.

Aqui tem.

Obrigada.

Espere!

- Não lhe dei o telemóvel. - O que foi agora?

Uma estrangeira ligou-lhe.

Certo.

Estou?

Sim, olá.

O meu filho está bem, graças à sua ajuda. Muito obrigada.

Que bom.

Queremos dar-lhe algo para agradecer.

Não é necessário.

Tínhamos uma reserva para jantar,

mas não podemos ir, temos de ficar no hospital.

A reserva é para duas pessoas.

Se a rapariga que atendeu for uma amiga, pode ir com ela.

Certo, amiga…

A reserva foi difícil de conseguir, e já está pago.

Adorávamos que fosse.

Está bem. Eu vou.

Muito obrigado.

Sim. Obrigado.

Adeus.

Era italiano, não era?

Sim.

Deve ser aquele miúdo. Ele está bem?

Felizmente, está a recuperar.

Graças a Deus.

E ainda bem que não lhe levei o telemóvel.

Hoje é um dia de sorte.

Cha Mu-hee.

O que vai fazer agora? Tem planos?

Já fiz o que vim aqui fazer.

Como viu. Porquê?

Quer jantar comigo?

Disse que não queria.

Nunca disse isso. Apenas não achei necessário.

E o que mudou?

A família italiana ofereceu-me o jantar.

É para dois. Seria um desperdício ir sozinho.

Sim, um desperdício. É num sítio caro?

Provavelmente.

Então, vou como forma de agradecimento.

Eu é que lhe faço um favor. Porque age como se fosse ao contrário?

Ora.

Boa comida nunca sabe tão bem quando comemos sozinhos.

- Vamos. Apanhamos um táxi? - A reserva é às sete.

Então, encontramo-nos à porta, às sete?

Podemos ir juntos.

Se não se importar.

O que fazemos até lá?

Bem, isto é um local turístico.

Vamos explorá-lo.

Sei que é um pouco tarde,

mas como se chama?

Joo Ho-jin.

Muito prazer, Joo Ho-jin.

Chamo-me Cha Mu-hee.

Eu sei. Muito prazer, Cha Mu-hee.

A seguir, vamos para Enoshima. Vamos lá!

NA JIN-SUK

É atriz?

É uma celebridade?

Nem todas as celebridades são famosas.

Isso só se aplica

aos melhores 5 %, suponho.

Mas pode procurar-me online.

O quê? Certo.

Já entrou em imensas coisas.

Entrou no filme Os Bandidos? Vi esse.

Está a pensar em que cenas é que eu aparecia.

Só apareci uma fração de segundo.

Tive vergonha de o incluir na filmografia,

mas o meu agente insistiu para que o incluíssem.

Mais de dez milhões de pessoas viram um filme onde entrou.

Ninguém sabe que entrei.

Pode haver fogo de artifício e celebração, mas o festival nunca é para mim.

É só para as pessoas na ribalta.

Como aquela mulher disse,

sou uma atriz azarada que nunca teve sucesso.

Se ela tiver razão, terá sucesso agora.

Se um homem atraído pelo infortúnio a deixou,

só pode estar destinada à felicidade.

É bom a traduzir, mas ainda melhor a dar perspetiva às coisas.

Está bem classificado. Mais adiante.

UM NOVO COMEÇO, COM FOGO-DE-ARTIFÍCIO! COM PAPAGO. GRATA POR SI.

Não vai tirar fotos?

Não tem Instagram?

Sim, mas raramente publico.

Tenho 9989 seguidores.

É pena, não é?

O quê?

Mais uns quantos e seriam 10 mil.

Não consigo chegar lá.

Quer que a siga?

Vá lá, não é pedir muito.

Seguimo-nos um ao outro. Sigo poucas pessoas.

Vou pensar. Ser seguido por uma famosa deixa-me nervoso.

Não sou famosa o suficiente para ficar nervoso.

Sabe-se lá.

Pode tornar-se um fenómeno e chegar aos 10 milhões.

Depois, iriam bisbilhotar a minha conta.

Tem jeito para dizer não da forma mais lisonjeira possível.

É melhor voltarmos.

A vista do observatório é ótima, mas chegaríamos atrasados ao jantar.

Já tinha vindo aqui?

Já.

E voltou?

Sozinho?

Esta ilha tem uma lenda.

Reza que o deus dragão do mar se apaixonou por uma donzela dos céus

e criou a ilha como prenda para ela.

Não fez a coisa por menos.

A pessoa com quem vim também queria esta ilha como prenda de anos.

Por acaso, faz hoje anos, por isso, vim cá.

Uma ilha como prenda de anos?

Queria-o cá no aniversário dela? Isso é uma confissão. Era uma mulher?

Ora, assistiu de camarote à minha patética vida amorosa.

Tem de me contar.

Porque haveria de o contar a uma desconhecida?

Exatamente por isso!

Pode falar à vontade, nunca mais nos veremos.

É por isso que não tenho vergonha.

Foi há muito tempo.

Naquela altura,

fingi que não a percebi, tal como a Mu-hee fez há pouco.

Ela confessou de forma indireta e deve ter pensado que a rejeitou.

Convide-a para vir cá ter. Hoje é o aniversário dela.

Ela agora passa os aniversários com outra pessoa.

Vamos atrasar-nos.

Espere por mim.

Devemos estar quase lá.

Não podemos pedir indicações?

Até fala japonês.

Não.

Acho que já sei onde é.

Mais dois quarteirões por aqui.

Mas…

Andamos aos círculos.

- Acho que é por aqui. - Fique aí.

Acho que o restaurante é por aqui, não por aí.

- É por aqui. - Quer apostar?

Se eu ganhar, segue-me.

Ter 10 mil seguidores é assim tão importante?

Para mim, é. Aceita a aposta?

Desculpem.

Restaurante.

- Olá, Jin-suk. - Por ali?

Estou no Japão.

Hoje é o aniversário da Ji-sun, mas discutimos e não consigo contactá-la.

Vi no Instagram dela. Parece que está no Japão.

Podes ver se descobres exatamente onde?

- Por ali. - Ali?

Obrigada.

Ouça! O restaurante é por aqui.

Boa! Ganhei.

O que foi?

A pessoa que faz hoje anos

está naquela ilha.

Isso é fantástico!

Vá! Despache-se e vá ter com ela! Eu fico bem.

É uma oportunidade.

Se não a aproveitar, acabará novamente aqui, sozinho.

E nada de rodeios, desta vez.

Depois, tudo mudará.

Ele foi.

Que pena, nem tenho o número dele.

Será que ele me seguirá?

Isto é um comunicado para os visitantes do Observatório Enoshima.

NA JIN-SUK

Quem é?

Serviço de quartos.

Tenha uma boa noite.

Corta!

Já está!

Nada mau, certo?

As cenas são muito mais sangrentas do que dizia no guião.

Mas a música de fundo será muito… Como descrevê-la?

Muito animada e ritmada. Parece divertido, não?

Claro!

É o último dia de filmagens.

O filme será um êxito.

A personagem principal, Do Ra-mi!

- Força! - Força!

Tenho de ir. Essa caixa torácica é gira.

Mu-hee.

É o último dia

e ainda não percebo nada do filme.

É um filme de terror ou uma comédia?

O realizador é um génio. Não te atrevas a julgar a arte dele.

Preocupa-me porque é o teu primeiro papel principal.

Até o teu nome é estranho. "Do Ra-mi"? "Do Re-mi" faria mais sentido.

Se isto fosse um êxito óbvio, não teria conseguido este papel.

Vou dar o meu melhor até ao fim.

Pode não ser o último dia.

O realizador discutiu com os duplos. Pode ser cancelado.

Vamos despachar-nos para filmar tudo.

Não faz sentido! Nós tratamos disso.

Lá estão eles.

- Tem calma. - Calma?

Depressa e bem não há quem. Quero tempo para me preparar.

Não podemos fazer tudo hoje!

Eu, bem…

Obrigado por fazeres tu a proeza. É uma cena difícil.

Claro que faço. Esta é a cena mais importante.

E é o último dia.

Juro que só fazemos um take, como prometido.

Ótimo.

Tem cuidado.

Relaxa.

O festival começa às nove. Vamos tentar despachar isto antes!

Sim.

Prontos?

Vamos lá.

Ação!

HOTEL DIAMORTE

HOTEL DA MORTE

Corta!

Já está!

Acabámos!

Bom trabalho!

Puxem o cabo de segurança!

- Bom trabalho. - Obrigado por tudo.

Mu-hee!

Ao fechar os olhos no que pensei ser a última vez,

noutro lugar, estavam ocupados a desfrutar do seu próprio festival.

A minha vida nunca tivera fogo de artifício,

e, no entanto, ei-lo a rebentar no céu distante.

Que bonito.

Que raiva.

Menina Cha Mu-hee?

Menina Cha Mu-hee?

Finalmente acordou, Menina Cha Mu-hee.

Muito bem.

A Menina Cha Mu-hee acordou.

O mundo inteiro torceu pela Do Ra-mi e ela está de volta.

Para nosso alívio, reconheceu logo todos à volta dela

e consegue comunicar.

A atriz coreana Cha Mu-hee que provocou a febre Do Ra-mi pelo mundo

finalmente recuperou consciência.

Em julho, a atriz caiu de um telhado ao filmar A Mulher Silenciosa.

… tornou-se um fenómeno global no papel de Do Ra-mi…

… acordou de um coma passados seis meses.

A atriz sofreu um acidente grave

ao cair de um telhado ao filmar A Mulher Silenciosa.

Estão a ver isto? A próxima rodada é por conta da casa!

A atriz coreana Cha Mu-hee que provocou a febre Do Ra-mi pelo mundo,

finalmente recuperou consciência.

Fechei os olhos por um breve momento

e, quando os reabri,

pela primeira vez na vida,

estava a ser realizado um festival luxuoso só para mim.

Cha Mu-hee teve uma recuperação milagrosa. Não apresenta problemas cognitivos

e deverá poder retomar a carreira…

Finalmente acordou, Cha Mu-hee.

Fãs de todo o mundo esperam que ela recupere

e que regresse brevemente ao grande ecrã.

E o meu festival

acabou por virar a vida dele do avesso.

PODE ESTE AMOR SER TRADUZIDO?

Legendas: Susana Bénard

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