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Distribuído por NOS Audiovisuais
O que é que o espelho lhe mostra?
O que vê?
Uma história muitas vezes contada.
A da Branca de Neve.
De como ela derrotou a Rainha Má Ravenna
e ocupou o seu legítimo lugar no trono.
Mas existe outra história.
Uma que ainda não viu.
Uma história que se passa muito antes
do "viveram felizes para sempre".
O CAÇADOR E A RAINHA DO GELO
Um mero peão?
Um humilde peão pode derrubar reinos.
Para de me distrair.
Pobre peãozinho.
Velho rei mau...
Tão triste...
Mas a última palavra...
Bem...
a rainha...
a dirá.
Rainha toma...
rei.
E pensavas que isto era apenas um jogo...
Com o espelho às suas ordens,
Ravenna era invencível.
Tomou o seu reino, como já tinha tomado outros
e como voltaria a tomar outros mais,
com a sua irmã Freya a seu lado.
É amor?
Verdadeiro?
É amor verdadeiro. É a tua vez de jogar.
Para quê dar-me ao trabalho? Ganhas sempre.
Deixas-me ganhar sempre.
Suponho que sejas o meu ponto fraco.
Muito bem.
Rainha para torre cinco.
Xeque-mate dentro de três jogadas.
Aprende com a derrota, Freya, e o teu dia chegará.
Terás possibilidades infinitas, depois da magia despertar no teu coração.
Não despertará. Ambas o sabemos. Não sou como tu.
Todas as mulheres da nossa linhagem são dotadas, Freya.
E, a seu tempo,
encontrarás a fonte do teu poder, como eu encontrei a minha.
Veremos.
Que foi?
Estás grávida de um bebé dele.
Não sabias.
Ele está prometido a outra.
Não a ama.
O noivado deles está selado. Não pode ser desfeito.
Ele vai renegar-te.
E vai renegar a tua filha.
Não o fará.
Freya...
não estou a ser cruel.
Quero apenas proteger-te.
Talvez fiques surpreendida com o rumo das coisas.
Sabes muita coisa, Ravenna.
Mas não sabes tudo.
Infelizmente, sei.
Freya não acreditou na sua irmã,
pois o amor cega até os olhos mais límpidos.
E quando a sua filha tinha apenas algumas semanas,
o coração confiante de Freya foi por fim recompensado.
O seu amado enviou notícias.
Ele desafiaria a família
e casaria em segredo com Freya no Jardim Real.
Iriam buscar a sua filha
e fugiriam do reino para iniciar uma vida a dois.
Freya, não!
Não tinha alternativa.
Não tinha alternativa, Freya.
Consumida pelo desgosto e pela raiva, Freya deixou a irmã
para procurar um reino para si
nas terras do norte longínquo.
Aí, as pessoas viriam a temer
a simples menção do nome dela.
Incendeiem-na! Matem todos!
Pois, se não podia criar uma criança...
então, em vez disso,
criaria um exército.
Anda, rapaz!
Eric!
Corre!
Anda!
Freya transformou as outrora verdejantes
terras de cultivo do norte num deserto gelado.
Aí, ergueu a sua fortaleza
e reinou como Rainha do Gelo.
Carroças!
Têm muita sorte.
Agora, estão comigo.
E não voltarão a passar por este tipo de sofrimento.
Estás assustado?
Não.
É do teu pai que sentes saudades?
Da tua mãe?
- Sim. - Sim...
Diz-me o teu nome.
Tull.
Tull.
O amor é uma mentira.
É um truque praticado pelos cruéis
sobre os tolos e fracos.
Afastem-no do vosso espírito.
Nunca deixem que ele vos fragilize o espírito
ou a determinação.
Porque no meu reino só existe uma lei.
"Não ames."
É um pecado.
E não o perdoarei.
Não quero ouvir falar mais de família ou de amor.
Essas ilusões não são dignas de vós.
Eu libertei-vos delas.
Em troca dessa valiosa oferta,
só vos peço uma coisa:
a vossa lealdade.
Vão treinar.
Vão enrijecer.
Vão tornar-se a minha elite, os meus Caçadores.
E nada jamais vos destruirá.
Pega!
Atacar!
E, assim, as crianças cresceram como soldados,
tornando-se exímias com espadas e flechas.
Preparem os arcos!
Puxar!
Largar!
Guarda.
Quem são o rapaz e a rapariga? Como se chamam?
Quais?
Os melhores.
Eric e Sara, minha rainha.
Assustei-te?
Não sabes?
Eu nunca falho.
Carroças!
As crianças novas.
Já não era sem tempo.
Chegaram a casa, miúdos. Despachem-se, saiam. Isso.
Vamos.
Vá, rapaz.
Para fora!
Vamos. Mexam-se, mais depressa.
Que estás aí a fazer?
Eu sei quem vive aqui.
Ela assusta-me.
Pois...
Ela pode ser um pouco rezingona, de tempos a tempos.
Sabes o que eu faço? Nunca deixo que ela saiba o que penso.
Como é que se faz isso?
Sabes fazer cara de má?
Não está nada mal.
Então e assim?
Está melhor. É essa a tua cara de guerra.
Se a fizeres
sempre que a rainha estiver por perto, ela também nunca saberá o que pensas.
Faz isso e vai correr tudo bem.
Anda.
A rainha enviou o seu exército
para travar uma guerra contra os grandes reis do norte.
Batalha após batalha, voltaram vitoriosos.
Aqueles que sobreviveram.
Estiveram bem, meus filhos.
Muito bem.
Esqueceste-te de caminhar pelas sombras.
E tu esqueceste-te do teu equilíbrio.
Que estás a fazer?
Não percebes, rapazola tolo?
Vou casar-me contigo.
Era da minha mãe.
É o meu único tesouro.
Eu vivia para ela.
Agora...
vivo para ti.
Como é que podemos viver um para o outro neste sítio?
Basta que a Freya olhe para nós para perceber logo. E então?
Já é quase de dia.
Vai buscar as tuas coisas.
Vai ter comigo ao pátio.
Ela pode apanhar-nos
ou não.
Mas, seja como for,
seremos livres.
Amas-me realmente, não amas?
Sim, amo.
Entrego-te a minha vida e a minha morte.
De pé ou tombado, nunca te deixarei. Juro-to.
Sim, conheço esta história.
A rapariga vai em segredo
ter com o seu único e verdadeiro amor.
Como terminará, desta vez?
Dei tudo a ambos.
E, em troca,
vocês traem-me.
Por amor.
Travámos as vossas guerras. Já fizemos que chegue.
Por favor, minha rainha, deixai-nos ir.
Não me implores!
Mostra fraqueza.
Vocês são fracos.
Querem partir?
Muito bem. Aproximem-se...
se conseguirem.
E eu deixo-vos ir.
Não deve ser muito difícil.
O amor tudo conquista...
Segundo ouvi dizer.
Levem-no da minha vista.
Era uma vez
um homem e uma mulher que se apaixonaram.
Mas essas coisas não podem durar.
Pois o coração é traiçoeiro.
E o amor...
O amor não passa
de um conto de fadas.
Os dias passaram a anos.
O império de Freya continuava a crescer,
enquanto o da sua irmã Ravenna
caíra às mãos do Caçador e da Branca de Neve.
Mas há um tipo de mal
que nunca pode ser realmente derrotado.
Sete Anos Mais Tarde...
No Reino da Branca de Neve
Espalhem-se!
Flancos alinhados!
Até breve, amor.
Vossa Majestade.
Por favor, meu amigo...
Como me encontraste?
Não foi fácil.
Nion...
Juraste-me...
Pois, ele ameaçou-me meter-me num grande caldeirão.
Que disparate. Pagámos-lhe três moedas de ouro.
Três? Só?
Três a cada.
- Quem és tu? - Gryff.
Ao vosso dispor.
Cauções, recompensas, cobrança de dívidas.
- Sou irmão dele. - Meio-irmão.
Da mesma mãe.
Acompanha-me.
Tenho em mãos um assunto da maior importância.
Então, devias procurar alguém igualmente importante.
O espelho desapareceu.
Críamos que a sua magia sombria havia morrido com Ravenna.
Estávamos enganados.
O espelho contém um mal cujo poder cresceu.
E a Rainha Branca de Neve prometeu livrar o seu reino desse mal,
antes que a sua sinistra força seja imparável.
Há duas semanas, a rainha ordenou que um destacamento de soldados
levasse o espelho para o santuário. Eles nunca voltaram.
Espera. Não sou o teu homem.
És o melhor batedor que temos no reino.
Como dizes, o espelho é maléfico e não deve cair nas mãos da pessoa errada.
E a Branca de Neve acha que sou o indicado para encontrá-lo?
Ela ordena-te que o encontres.
e que o leves para o santuário,
onde a sua ruindade poderá para sempre ser contida.
Aceitas ou não?
Sim, sim!
Ele aceita.
Desde que haja uma recompensa.
Não quero recompensa nenhuma.
Eric...
a Branca de Neve não está bem.
O espelho...
Ela disse que não conseguia parar de olhar para ele.
Podia ouvir a voz dele a chamar por ela.
Foi por isso que o mandou para longe.
Que era essa coisa?
Desloca todas as tuas forças para a fronteira norte.
Porquê? O que sabes?
Freya, a Rainha do Norte.
Aquela coruja era um espião dela.
Agora, já sabe do espelho.
Se o encontrar, tudo aquilo que prezamos ficará coberto de gelo.
Desloca os teus homens para o norte.
- Que estão ainda aqui a fazer? - Somos teus parceiros.
Não, não são.
Também sou um homem leal à Branca de Neve.
Ou antes, anão. Se ela está em sarilhos, quero ajudar!
Minha rainha,
Vardhelm caiu.
Era o último baluarte.
As Terras Brancas são todas vossas.
Ganhastes.
Ganhei?
O jogo ainda não acabou.
É aqui que o mundo acaba ou há mais?
Minha rainha, o sul não pode ser conquistado.
As terras da Branca de Neve são demasiado vastas, os exércitos dela...
Sabias que o Eric estava vivo?
Sabias?
Como?
Juro-vos...
- Atirei o corpo dele ao... - Não faz mal.
Prefiro assim.
Há algo que ele procura.
E eu quero-o.
O espelho da minha irmã.
Encerra grande poder.
Com ele às minhas ordens, posso fazer coisas grandiosas.
Libertarei todas as crianças.
Vou salvá-las a todas.
Como te salvei a ti.
E o meu exército de Caçadores crescerá,
até que nada possa atravessar-se no seu caminho.
Portanto, como vês, o jogo ainda não acabou.
Prepara os Caçadores.
Eles passaram por aqui.
Obviamente. Este caminho vai dar à estrada para norte.
Conduz directamente ao santuário.
Não é preciso ser-se um Caçador para saber isso.
Nion, adivinha quem sou.
"Estou a falar com a terra.
"Ouço-a a falar comigo."
- Por acaso, ele é muito bom nisto. - Vai passear. É um palhaço.
- Vamos seguir para norte. - Por acaso, eles foram para oeste.
A estrada para norte atravessa uma planície. Não teriam onde se abrigar.
A estrada ocidental segue junto a uma floresta.
É aí que acampariam. É aí que vamos encontrá-los.
Obviamente...
A terra está outra vez a falar comigo.
O que diz?
Diz que o linguarudo é um idiota
que não duraria um dia sozinho e devia ir para casa.
Concordo.
Só volto para casa quando receber a minha recompensa.
Queres ouro, mas a única coisa que vais encontrar é a morte.
Um pouco dramático...
A menos que seja verdade.
Nesse caso, acho que devíamos considerá-lo um aviso acertado.
Sei que não tenho medo da Freya do Gelo.
Mais baixo. Não fales tão alto.
Então, ainda és mais estúpido do que eu pensava.
Raios partam.
Quem os teria atacado aqui, em campo aberto?
Fiquem de olhos abertos. Eles ainda podem andar por aí.
Procurem rastos, marcas de sangue, qualquer coisa.
Fora!
São as flechas deles,
as espadas deles.
Mataram-se uns aos outros.
Mas porquê?
Todos eles são soldados da rainha.
O espelho esteve aqui.
Esta certamente não é deles.
Eu cresci nas minas.
Isso vale uma fortuna.
Aquele a quem pertence tem o espelho.
Temos de o encontrar antes da Freya.
Que é isto?
Temos de sair da estrada.
Ando à procura de informação.
Isso não lhe conseguirá muita.
Houve um massacre na estrada, aqui perto.
Os soldados da rainha. Sabe algo sobre isso?
Sim, eles passaram por aqui há uns dias.
- Passaram? - Não pararam, não tinham sede.
Alguém os seguia?
Também quero uma cerveja.
Vou interpretar isso como um "não". Um bom dia.
Um pouco picuinhas, para o que tem para oferecer.
Talvez tivesses mais sorte com uma da tua espécie.
Alguma vez viste uma anã?
- Não, nunca. - Horríveis.
As melhores são horríveis. São umas coisas repugnantes.
Presumindo que essa opinião é generalizada,
como é que fazem bebés anões?
Geralmente, por acaso.
Muito pouca luz.
- Demasiado disto. - Pois.
Vá, acompanha-me.
Entra frio, com aquela porta aberta.
Passa-me a...
Sim, um pouco de...
Vocês os três parecem estar longe de casa.
Sim. Viemos só abrigar-nos e depois seguimos.
São os seus filhos?
- A sua patroa deve ser uma beleza... - Essa foi boa.
- Que é que ele disse? - Deixa estar.
Não. Não admito.
Devia ter tento na língua, antes que a perca.
A sério?
Se eu estivesse sozinho, não me preocuparia.
Se estivesse com ele, ficaria um pouco preocupado,
- porque ele não vale grande coisa. - Não é verdade.
Mas nada disso interessa,
porque estamos com ele.
E ele esventra-o com a um veado num piscar de olhos.
Porque este homem aqui
é o Caçador.
É verdade?
É o Caçador?
O próprio.
Bem, acontece que...
somos todos Caçadores.
- Desculpa. - Não faz mal.
Esperem!
Não podemos discutir isto?
Dizes-te um Caçador?
Esperava mais de um homem que teve a coragem
de trair a sua rainha.
E pelo quê?
Pelo amor de uma mulher sem carácter?
Talvez tenhas sido formidável em tempos, parceiro,
mas esses tempos já passaram há muito.
Estás em paz contigo próprio?
Em breve estarei.
Diz à Freya que morri como um homem livre.
Ela não quer saber da forma como morres.
Ninguém quer.
Já foste esquecido.
Retirar!
Retirar já!
Envelheceste.
Sara...?
Fui eu que te amarrei.
Ela é mulher dele ou assim?
Não pode ser. A mulher dele morreu.
Morreu?
Foi isso que contaste a toda a gente?
Seu pobre
viúvo destroçado.
Essa história deve ter humedecido os olhos de muitas jovenzinhas.
Talvez até mais do que os olhos.
Não, tu morreste.
Vi-te a morrer.
Isto não é real. Não está a acontecer.
És um fantasma.
Ou então, eu é que estou morto.
Não estou vivo?
Estás vivo.
Embora devesses estar morto. Levaste uns seis golpes na cabeça...
- Seis ou sete? - Sete.
Sete golpes. É muito.
- Então, isto é... - Real.
Muito.
Pensaste que eu ia esquecer?
Pensaste que eu ia perdoar?
De pé ou tombado, disseste.
Nunca me deixarias, disseste.
Juraste-o.
E depois fugiste!
Vi-te a lutar e vi-te a fugir.
Não, Sara. Não foi isso que aconteceu.
Vi o Tull a matar-te.
Vi-o a matar-te com os meus olhos. Eu nunca te deixaria.
Mas eu vi-te a deixares-me com os meus olhos.
E tu, melhor que ninguém, devias saber
que o Tull nunca conseguiria matar-me.
Sara...
- Para. - Juro-te.
Ela meteu-me na sua masmorra.
Durante sete anos.
E, quando finalmente fugi, jurei que te encontraria.
Levei muito tempo.
Mas aqui estamos nós.
Marido...
e mulher.
Acreditas sinceramente nisso?
Que eu te abandonaria?
Sim.
Ainda não aprendeste a equilibrar-te?
Ela tem outra faca...
Pois, provavelmente eu devia ter dito algo.
Ela tem mais duas pequeninas
na bota esquerda.
Já não importa.
Se a tua cara for a última coisa que estou destinado a ver,
sinto-me grato.
Devia ser a última coisa que vês.
Não gosto dela.
Nem um bocadinho.
Minha rainha.
Não quero fogo.
Não quero fogo!
Está tudo bem.
O que acontece se a Freya conseguir esse espelho?
Não achas que temos outras coisas de que falar? De nós, por exemplo?
Não.
O que acontece?
Ela seria imparável.
Onde está o meu cavalo?
Soltei-o.
Por que fizeste isso?
Sem cavalos não há rastos.
Mantemo-nos longe da estrada e da vista.
Vens comigo, então?
Não, tu é que vens comigo.
Certo, pensa aquilo que achares melhor para ti.
Pelo que vejo, o teu minúsculo bando não se aguentará sem mim.
- Não... - Seja qual for o poder
que esse espelho encerra, não deixarei que a Freya se aproprie dele.
Vamos encontrá-lo e levá-lo para o santuário.
Depois, tu e eu
vamos separar-nos para sempre.
Agora,
fala-me disto.
Chegaremos a Callan Crossing ao anoitecer.
Há lá um mercado. Podem ter vendido o espelho.
Se um inimigo usa diamantes nas flechas,
duvido que precise de vender o espelho por dinheiro.
Se não gostas do meu plano, podes pôr-te na alheta.
Que encantador!
Também podes pôr-te na alheta, como disseste tão eloquentemente.
Mas isso não te livrará de mim.
Ainda és minha mulher.
Fomos... enganados.
O muro de gelo que a Freya pôs entre nós...
Ela mostrou-nos o que queria que víssemos.
Espera.
E se eu tiver razão?
Não merecemos essa oportunidade?
Não importaria.
Voltarias a partir.
Cegamo-nos para a verdade porque somos fracos,
porque temos esperança.
Mas não há esperança para o amor.
O amor acaba em traição.
Agora e para sempre.
Bem, não acredito em ti.
Não se mexam.
Parece-me familiar...
Uma armadilha feita por anões. Exactamente onde eu a teria posto.
Será preciso mais do que isso para apanhar alguém como...
Não!
Grande idiota!
Que é?
Foi inesperado.
A armadilha de anões escondida foi inesperada?
- Não és o batedor que te julgas. - Tenho andado um pouco perturbado.
Doreena, apanhámos algo.
A pescaria do dia...
Credo, não.
Cuidado, querido.
Não quero estragar essa tua carinha linda.
Certo.
Raios me partam.
Então é assim?
Nem sequer nos conheces.
E o que preciso de saber, seus anõezitos de cabeça chata?
Só de vos ver fico enojada.
- Cala a boca, sua rameira imunda. - Cala-te tu, cretino asqueroso.
Podes beijar-me o rabo, seu estafermo nojento.
Beija tu o meu, seu merdolas frouxo.
Desculpa.
Sra. Anã, não temos nada contra si.
Procuramos um espelho.
Não tenho espelho nenhum.
Vê-se logo...
- Pronto, vais levar com uma flecha. - Não, chega.
Diga-nos lá o que quer.
Pessoalmente, queria que tirasses a camisa e desfilasses para mim.
Mas visto que és tão modesto, aceito todo o dinheiro que tiverem.
Então, é dinheiro que pretende.
As minhas desculpas.
Isto é tudo o que tenho.
Sabe o que isto é?
É um diamante enorme. Não sou cega.
- Onde o arranjaste? - Baixe-nos daqui e eu digo-lhe.
Doreena!
Vou já, Sra. Bromwyn!
Fica de olho nesta gente.
Dá um tiro nos anões, se falarem muito.
Ou simplesmente se te apetecer.
Não cortes assim a corda...
Tens sede?
- Posso ir buscar-te água, se quiseres. - Sim, obrigado. Gostaria muito.
Ou antes, não quero nada de gente como tu.
Muito bem, meus "peixinhos",
tenho uma proposta para vocês.
Tréguas?
Tréguas?
Quando puser as mãos nesse pescoço mordido de piolhos...
Pois, pois... Tréguas.
O teu diamante... Tiraste-o de uma lança dourada, certo?
Sim, tirei.
Duendes.
Duendes?
Duendes?
Essa velha lenda de peixeiras... Esperas que acreditemos nisso?
Espero que fiques aí
com esse ar estúpido e feio e que te cales.
Os duendes existem. São os melhores ladrões do mundo.
E têm uma ganância sem fim. Estávamos a tentar apanhar um.
Dizem que têm armaduras feitas de ouro.
- Onde podemos encontrá-los? - Perto daqui.
Há uma floresta escondida, subindo o Rio Dorian,
no lado noroeste do santuário.
Dizem que eles guardam todos os seus tesouros nessa floresta.
Ouro, prata, jóias, até onde a vista alcança.
Se o vosso espelho brilha, estará algures lá.
Podemos aceder ao santuário, de lá?
Não sei. Talvez.
Pode mostrar-nos o caminho?
É aí que entra a minha proposta.
É que nunca ninguém saiu com vida daqueles bosques.
Mas vocês dois, os grandes, parecem ser Caçadores.
E os Caçadores são bons com a espada, certo?
Vamos todos juntos.
Vocês trazem o vosso espelho
e eu e a Doreena enchemos os bolsos com tudo o que pudermos carregar.
Combinado?
Sim, combinado.
- Depois de eu matar estes dois. - O quê? Não.
- O quê? - Calma lá.
Porquê?
Não sei. Gosto deles, acho.
Gostas de anões, é?
Então, Sra. Bromwyn,
onde está o Sr. Bromwyn?
Morto, graças a Deus.
Como é que ele morreu?
Arrancou os próprios olhos?
Continua a dar à língua e vais descobrir.
Desculpa aquilo de há pouco. Eu teria bebido a tua água.
Parecias ter sede.
Sim, tinha.
Às vezes, fico com sede.
Quando tenho calor ou se corro.
Também eu!
Ou, às vezes, quando como algo muito salgado,
- tipo galinha assada. - Galinha assada.
Sei por que estás calada.
Sabes?
Sim. Reparaste na chama entre mim e a Sra. Bromwyn.
Não sei o que te diga. Ela faz o meu género.
Barulhenta e raivosa?
É a isso que estou habituado, não é?
De certeza que terão uma boa vida juntos.
Sim, é verdade.
Mas há um problema.
Outra mulher.
Um pouco mais alta. Mas menos bonita...
Parece demasiado inteligente para perder tempo contigo.
Lembro-me
que uma vez estivemos os dois presos numa rede.
Foi há muito, muito tempo.
Tens de ser o herói de todas as histórias que contas?
Só porque sou muito corajoso.
E é por isso que vou salvar-te de te afogares.
E como esperas...
Há águas imprevisíveis, por aqui.
Não sou eu.
És um bom palerma.
Também tu.
Chegámos.
Céus...
Vamos.
O que encontrou?
Pederneira e aço.
O sangue deles cheira a alcatrão.
Vês? É ouro.
Sim, pois é.
Os duendes não existem?
Vejam.
Tentem não se molhar.
Isto é de loucos.
Louvada seja a ponte que te faz atravessar.
Mata...
Morte.
Eles mataram-se uns aos outros.
Tal como o exército da rainha.
Morte.
E agora?
Agora, levamos aquilo que viemos buscar.
Mantenham-no coberto. Não olhem para ele.
Raios.
O espelho. Depressa!
- Isto é pesado. - Não vejo nada.
Estás a empurrar-me.
- Vamos! - Não vejo nada!
Não precisas de ver. Eu vejo, vou à frente.
- Cuidado com os pés! - Chega-te para lá!
- A ponte está a balouçar! - É óbvio que está. Podes calar-te?
Viste aquilo?
Nunca o tirei.
Está na hora de irmos, amor.
Vai!
Leva o espelho para o santuário.
Venham.
Não!
Preciso de fogo.
Vá lá.
Não falhe.
Eu nunca falho.
Ele salvou-nos.
Eric!
Estás a chorar?
Quanto mais depressa nos livrarmos daquela coisa, melhor.
O centro do santuário fica a apenas duas horas daqui.
Eu digo para avançarmos esta noite.
Sim, o luar estará brilhante. Haverá muita luz.
Não.
Quem sabe o que se esconde no escuro?
Concordo.
Vai-te lixar! Não há por aí nada que possa vencer-nos.
Exacto.
Eu venci-vos, na taverna.
E eu também consegui vencer-vos.
De manhã, então.
Boa noite.
E depois do santuário,
seguimos para a vila mineira dos anões.
Há mercadores de jóias e ouro ansiosos por comprar.
Eu e a Doreena vamos arrasar.
Onde é que ela está?
- Onde está a Doreena? - E o Nion?
Olhem só para aquilo.
Bruxa.
Esta chama-se paparraz.
É boa para as hemorróidas e dores de dentes.
E esta como se chama?
É apenas uma flor.
Acho-a linda.
Eu acho-te lindo.
- A mim? - Sim.
Não...
Se procuras gratidão, já a tens.
Nada mais.
O que devo fazer ao certo?
Pensas que só tem que ver contigo.
- Não. - O que tu deves escolher.
O que tu deves fazer.
Que estou apenas à espera que o homem passe num teste.
E passaste. Por isso, agora tenho de te amar.
Mas não amo.
Eu é que escolho por mim.
Não tu.
Por isso, deixa-me em paz.
Não posso. De pé ou tombado, nunca te deixarei.
Deixa-me em paz!
Sara, para.
Aquela que amavas morreu.
Já nem me lembro do que é ser ela.
Nós não pedimos os nossos pecados.
Não pedimos esta vida.
Eric, eu fiz
coisas horríveis.
Coisas imperdoáveis.
Eu sei.
Eu também fiz.
Talvez eu e tu não sejamos dignos de perdão.
Não é a nós que cabe julgar isso.
Mas somos dignos um do outro.
Eric...
Eric...
Mata...
Mais perto...
Mais perto...
Mais perto...
Mata...
Mata...
Mata...
Sim...
Mata por mim...
Que estás a fazer?
Tens sido sincera?
Eric...
O meu coração é teu, sempre o foi.
Mas se isto é um jogo...
acaba com ele agora.
Tens sido sincera?
Caçador, o que é isto?
Sê bravo, irmão.
Eric.
Meu Eric...
A tua rainha teve saudades tuas.
Não sois a minha rainha, Freya.
Serei para sempre a tua rainha.
Não é verdade, Sara?
Sabes,
tu abandonaste-a, Eric.
Mas eu não.
Eu tirei-a do desespero.
Fiz dela a ponta da minha lança, o meu aço temperado.
Ela devastou reinos
e fez ajoelhar homens como tu.
Ela é tudo o que tu não és.
Só tive
de a mandar até ti e conduziste-a directamente ao espelho.
É patético.
O que são estes aqui?
Anões.
São como crianças.
Estamos muito longe de ser crianças, Rainha Cabra.
Adorável...
- Tragam-me o espelho. - Terá de me matar primeiro!
Não,
não terei.
Doreena, não!
Tu sabias, não sabias?
Sabias que ela te trairia e ainda assim a poupaste.
Aprendeste, finalmente, a minha lição?
Endurecei o vosso coração, Rainha do Inverno.
Enterrai o mundo num túmulo de gelo.
Não importa.
O amor perdurará.
Sim, talvez tenhas razão.
Vamos descobrir?
Mata-o.
Está morto?
Acho que sim.
O que fazemos?
Tira-lhe a flecha.
Vá lá.
Um, dois...
Rápido!
Raios partam, isso doeu.
Não acredito! Ela falhou!
Ela nunca falha.
Perdeste o juízo?
Ela traiu-nos!
Eric, ela não é o Cupido.
Duvido que uma flecha no coração seja uma demonstração do seu amor.
Não.
Há um desígnio maior aqui em jogo, amigos.
E torna-se cada vez mais clamoroso.
Golpe na cabeça. O oitavo.
Ela nunca falha.
Ouve, estou muito mais zangada do que tu.
A Doreena era a única amiga que tinha neste mundo,
mas tens de encarar os factos.
A Sara não está do teu lado.
Não preciso que acredites no que eu acredito.
Estes são para quê?
Dou-te uma pista.
Não vamos carregá-los às costas.
Então, que vais fazer? Ir daqui até ao norte gelado?
Enfrentar uma feiticeira maléfica e o seu exército inteiro?
Sim.
Muito bem, alinho!
Tull, põe os anões na galeria
e leva o espelho até ao meu sacrário.
Bem-vinda a casa,
Sara.
Freya...
vem até mim.
Diz as palavras.
Profere as palavras.
"A idade pode ser cruel
"com aqueles que sozinhos caminham.
"Quando olho para o espelho,
"vejo-me a mim nos dias que se avizinham."
Sim.
Sim.
Espelho meu,
espelho meu,
há alguém mais bela do que eu?
Não te afastes de mim.
Fizeste uma pergunta.
O espelho respondeu.
Ravenna... como?
Não morreste?
Sim.
Não.
Estou algures no meio.
Tornaste-te muito literal, Freya.
Logo tu, que devias saber...
que este corpo é apenas um receptáculo.
Deixei o meu corpo.
Passei para o espelho.
E lá fiquei.
Tornei-me parte dele.
Presa.
Até tu me libertares.
Temos muito para fazer, maninha.
Contigo e o teu exército a meu lado,
voltarei a conquistar o meu reino.
A Branca de Neve
vai ajoelhar-se perante mim.
Vai implorar por misericórdia.
E depois, vou arrancar-lhe o coração.
É um pouco maior do que eu imaginava.
Qual é o plano?
Tens um plano?
Sim.
É bom?
Não.
Mas é simples.
A Freya estará no seu sacrário, por baixo do campanário.
Vou descer a partir do topo,
encontro-a e mato-a.
Então e o Nion e a Doreena?
Tenho gente lá dentro que vai ajudar-me a encontrá-los.
- Quem? - Vocês.
Deste novas ordens aos meus Caçadores.
Ordens melhores.
Vamos atacar amanhã em duas vagas.
Uma manobra de flanqueamento. Calculei que concordasses.
É uma táctica muito superior.
Este é o meu reino.
Disseste alguma coisa?
Este é o meu reino!
Claro que é.
E sempre o será.
Nunca questionaria a liderança da minha irmã.
Mas atrás destas paredes...
está o meu reino.
O meu domínio.
Não te esqueças do que me deves.
Fiz de ti aquilo que és.
Vamos. Mexam-se.
Mais depressa.
Sigam o vosso irmão.
Animem-se!
Tu também. Vá lá.
Caluda!
Para de choramingar. Pateta.
Não pares.
Continua a andar.
A culpa não é da minha irmã, meu senhor.
Ela foi atingida na cara com uma pedra, em bebé.
Venham os dois comigo.
- Tinhas de lhe bater com tanta força? - Cala-te.
É muito pesado.
Pronto.
Enfiamo-lo aqui
e cobrimos o nosso rasto.
Que trabalho tão trapalhão.
Este é o pior plano de sempre.
Meus filhos...
este é o momento para o qual...
para o qual vocês nasceram.
Vão enfrentar um exército de homens que nunca perderam uma guerra.
Homens que...
já esqueceram...
o que significa ter medo.
Levaremos o medo,
uma vez mais,
ao exército da Branca de Neve.
E as suas terras serão minhas. E os seus filhos...
Os seus filhos...
Porque eu sou rainha.
Eu sou rainha.
Foi para isto que vos treinei.
Foi para isto que vos criei.
Foi para isto que fiz de vós aquilo que são.
Olá, Eric.
Tive saudades tuas.
Guarda!
Porquê?
Porquê?
Eles estão apaixonados.
Tresandam a amor.
Este não é o teu reino?
É.
Não tens leis?
Tenho.
Então, qual...
é a tua sentença?
A morte.
Traidores!
Traidores a quem?
À tua antiga rainha? À tua nova rainha?
Violaram a lei.
A lei? Esqueceste aqueles que te amaram?
As vossas mães, os vossos pais.
Que lei é que eles violaram?
O amor não nos torna fracos.
É aquilo que sempre me deu força.
Tull, não lutámos lado a lado?
Éramos crianças!
Irmãos e irmãs. Não nos amávamos uns aos outros?
Lutem a meu lado.
Se morrerem, morrem por algo que é vosso.
Por que vos afastais, Freya?
Enganastes-nos e agora enganais-vos a vós própria.
- Silêncio! - Por que não nos matastes na altura?
Em vez disso, partistes-me o coração e virastes o dela contra mim.
Bonita...
Sabes, Caçador,
o amor não nos salva a vida.
Eu sei-o bem.
Já estive morta.
Lamento.
Lamento muito.
De pé ou tombados.
Juntos.
Estou convosco.
- Sim! - Sim!
Quieto.
Recuem!
Nada pode salvar-te, Caçador.
Tudo o que resta é dor!
Ravenna, para.
Para!
Basta!
Não podemos deixar o espelho.
Então, vamos escalar.
Pensava que tinha expulsado a fraqueza de dentro de ti.
Pensava que te tinha tornado forte.
Mas continuas tão patética como sempre foste.
Perdeste o juízo?
Como é que me tornastes forte?
Como é que expulsaste a fraqueza?
O que fizeste?
O que fizeste?
Não tenho de te dizer nada.
Sim, tens.
Tu própria o disseste.
És algo entre este mundo e o espelho.
Eu chamei-te cá para fora.
Agora, estás ligada a mim!
Diz-me a verdade.
Espelho meu,
espelho meu...
há alguém mais bela do que eu?
Ainda sois a mais bela, minha rainha,
mas por pouco tempo.
A vossa irmã
amamenta um bebé.
Uma filha.
Quando crescer, ela tornar-se-á mais bela até do que vós.
Não podes pedir-me semelhante coisa.
Não peço nada.
Não sou mais do que um reflexo.
E vós,
vós já decidistes.
Mata.
Mata.
Mata por mim.
Eu amava-a.
Amava-te a ti.
É por isso que sou mais forte do que tu.
Deixa os meus filhos em paz!
Desculpa...
Desculpa...
Eu matei a tua filha
e libertei o maior poder
dentro de ti.
Um poder que desperdiçaste apenas em sentimentos desprezíveis!
Achavas que eu não queria um filho?
Achavas que eu não queria amor?
Mas essas coisas
não me estavam destinadas.
Tenho um chamamento superior!
Ainda acreditas...
que o amor tudo conquista?
Talvez não tudo.
Apenas vós.
Estás pronto, Caçador?
Sim.
A sorte que vocês têm...
Vamos.
Livre...
Eu estou bem.
Estás bem?
- Sim? - Sim.
Boa! Vejam, o sol!
Era uma vez,
uma bela rainha
cujo coração estava despedaçado.
Mas mesmo enterrado sob gelo e neve...
o amor sobrevive.
- Nem penses. - Está bem.
Vais desistir assim tão facilmente?
Credo, és tão estúpido.
As terras do norte estavam livres
e o reino da Branca de Neve estava a salvo do mal.
E portanto, alguns contos de fadas realizam-se.
Mas nenhum termina realmente.
Ripadas por: n0Te
Tradução NOS Audiovisuais por Gonçalo Sousa
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