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A NOVENA
Vamos, entre!
N�o se mexa.
Abaixe-se.
Abaixe a�!
Voc� tamb�m!
Eu n�o poderia suportar o pensamento de que algum sofrimento seja desperd�cio.
Para algumas afli��es seria melhor morrer, ou ent�o nunca ter nascido.
N�o diga isso. Nunca se sabe.
� incompreens�vel.
- V� ver sua av�. - O que h� de errado com ela?
Ela lhe dir�.
Fran�ois,
eu vou morrer.
Eu j� sabia disso,
mas agora...
Eu n�o tenho muito tempo.
Voc� ficar� sozinho.
Olhe para mim, Fran�ois.
Eu serei feliz.
Se o Senhor assim o desejar, desfrutarei do gozo celestial.
Agora...
Ou�a-me.
� importante.
Voc� precisa manter a casa.
O dinheiro ser� depositado em sua conta todos os meses.
Com seu rendimento na loja, ser� capaz de faz�-lo.
Sr. Tremblay?
Sim, Fran�ois?
Eu n�o posso vir pela manh� at� a pr�xima quarta-feira.
Eu poderia trabalhar � tarde?
Sim... mas por qu�?
Preciso fazer algumas coisas para minha av�.
Tem algo a dizer?
Eu estou aqui. Estou ouvindo.
� uma longa hist�ria.
Eu tenho tempo.
Eu quis me matar.
Isso � terr�vel.
Mau...
para a salva��o... Voc� acha que isso existe?
Sim, existe.
Bom dia, madame.
Eu pedi a Sra. Richard para ficar, assim voc� n�o estaria sozinha.
- Que tal uma boa x�cara de ch�? - N�o, obrigada.
Se voc� n�o se importar com o quarto menor, ficarei l�.
Perdi uma crian�a tempos atr�s -
meu �nico filho -
para uma doen�a incur�vel. Cuidei dele durante 4 anos.
Tive que parar de trabalhar.
Eu sou m�dica.
Mas ele morreu.
Ele nunca deveria ter nascido.
Mas voc� o amou.
Sim.
Este amor n�o se perde.
Depois que ele morreu...
como posso dizer...
Eu afundei numa escurid�o.
Voltei ao trabalho, como uma louca.
O que mais poderia fazer?
- Ela est� comendo? - Menos do que deveria.
V�mitos, diarr�ia, manchas, assaduras?
Exposi��o a crian�as doentes? �timo.
Vou examin�-la.
Espere...
- Voc� est� bem? - Acho que sim.
- Com ela? - N�o.
- Como voc� administra isso? - Eu ca� da escada.
Vamos tirar um raio-X para avaliar as fraturas.
Eu vim por ela.
Voc� vai tirar um raio-X.
Chame a seguran�a.
Cai fora.
Voc� est� bem?
- O que h� de errado? - Ela acordou gritando.
- Voc� ficar� bem? - Sim.
- Quer alguma coisa? - Estou com sede.
Vou buscar �gua.
St. Anne, eu come�o esta novena em fervorosa ora��o.
Aben�oe-me e ou�a as inten��es que eu fielmente deposito em ti.
Atrav�s de ti, neste primeiro dia, pe�o ao Senhor que conceda
recupera��o � minha av� e uma longa vida.
Eu n�o estou em casa.
- Ol�, Th�r�se. Como est� Joana? - Ela saiu. Foi �s compras.
Ora, vamos, eu sei que ela est� aqui.
- Ela quer ficar sozinha. - Eu quero falar com ela.
- Bom dia, Jeanne. - Bom dia.
Como vai?
Ins�nia?
O que aconteceu n�o � sua culpa.
Melhor?
Sim.
- Seu ombro? - Muito bem.
Eles salvaram voc�.
- Voc� n�o viu o assistente social. - N�o � da sua conta.
Meu n�mero de celular.
Se precisar de alguma coisa.
Voc� est� bem?
Sim.
- Quebrou algo? - N�o.
- Pode andar? - Sim.
Venha...
O que � isso?
- Quem � essa? - Uma paciente.
O namorado batia nela.
- Mas por que trazer ela aqui? - Eu sei o que estou fazendo.
Isto � um crime.
Eu sei o que estou fazendo.
Responda-me!
Jeanne, n�o fa�a isso.
Voc� nos assustou. Poderia ter se ferido.
Vou ligar pra Savard para que ele venha v�-la.
Psiquiatras n�o.
Eu n�o quero lhe comprometer...
Apenas me deixe s�.
Voc� faria o mesmo com um paciente nessa condi��o.
Voc� sabe que isso n�o pode ficar assim.
Certo, mas hoje n�o.
Amanh�. Por enquanto, s� preciso dormir.
Th�r�se...
poderia pegar um comprimido pra mim? � um vermelho e azul.
Bom dia.
- Bom dia, padre. - O que posso fazer por voc�?
Poderia me aben�oar? Estou fazendo uma peregrina��o por minha av�.
- Ela est� doente? - Sim.
O que ela tem?
Seu cora��o � fraco.
- Aben�oarei a ambos. Seu nome? - Fran�ois.
- E sua av�? - Alice.
Que sejam Alice e Fran�ois aben�oados
em nome do Pai, do Filho e do Esp�rito Santo.
Am�m.
Bom dia.
Estarei em Toronto
por 2 dias.
N�o se esque�a do jantar
com os Gibersons, sexta-feira.
Bom dia, senhor. Tenha um bom dia.
- Bom dia. - Bom dia, Sra. Richard.
Oh, bom dia! Este lindo beb� � seu?
Lise ficar� aqui por alguns dias.
Se precisar de alguma coisa, fique � vontade para pedir a Th�r�se.
� o seu trabalho.
Eu n�o vou ficar.
Aonde voc� vai? Pra casa?
Se o fizer, ele pode te matar.
Veja bem, isso n�o � uma pris�o.
Ent�o v�, se deseja.
Mas eu n�o iria.
Certo.
Estarei no hospital, e na cl�nica, esta tarde.
Se precisar de mim,
meus n�meros est�o na geladeira.
Voc� ficou.
Sim.
Est� bem?
� seu filho?
Sim.
Alguma vez j� desejou morrer?
Voc� consegue compreender o suic�dio?
Sim,
mas n�o posso aceit�-lo.
� dif�cil, voc� sabe.
Mais dif�cil do que voc� pensa.
V� embora.
Deixe-me sozinha.
Venha comigo.
Venha.
Voc� tem um lugar pra ficar?
Sim.
Onde?
Um motel aqui perto.
Vou lev�-la.
Envolva-se nisto.
Eu j� venho.
Gostou?
� bom.
Coma bem para combater o frio.
N�o est� com fome?
Acho que j� vou.
Amanh� eu volto.
Boa noite.
Boa noite.
Como nos ensinou o Salvador, e de acordo com sua ordenan�a,
n�s oramos: Pai Nosso que est�s no C�u,
santificado seja o Teu nome.
Venha a n�s o Teu reino.
Seja feita Tua vontade, tanto na Terra como no c�u.
D�-nos hoje o p�o de cada dia. Perdoai as nossas ofensas,
assim como n�s perdoamos aqueles que nos tem ofendido.
E n�o nos deixeis cair em tenta��o mas livrai-nos do mal. Am�m.
Livrai-nos de todo mal, Senhor, e que a paz venha ao nosso tempo...
Bom dia.
Bom dia.
Obrigada pelo casaco.
Serviu?
Sim.
Eu trouxe sandu�ches.
Eu sou Jeanne.
Meu nome � Fran�ois Garon.
Voc� mora aqui?
Petite-Rivi�re-Saint-Fran�ois. J� esteve l�?
''Se voc� n�o viu Charlevoix ent�o ainda n�o viu nada.''
Sente-se melhor?
Sim.
Mas n�o muito.
N�o, n�o muito.
Sua alma est� angustiada.
Por que voc� est� aqui?
- Em St. Anne? - Sim.
Estou fazendo uma novena.
Uma novena...
Rezando nove dias
a St. Anne por uma b�n��o.
Eu sei o que � isto.
Que b�n��o voc� deseja?
A recupera��o de minha av�.
O m�dico diz que ela est� morrendo.
O que h� de errado com ela?
Seu cora��o.
E voc� acha que uma novena ir� ajudar.
Sim.
Voc� acredita em Deus?
Eu tenho que ir trabalhar.
Onde voc� trabalha?
Na loja do Sr. Tremblay.
Certo, ent�o...
Voltarei amanh�.
Eu tamb�m.
Tchau, Fran�ois.
Vov�, n�o crentes podem ser salvos?
- Por que pergunta isso? - Porque sim.
Eles podem?
Sim.
Acho que sim.
Se eles viverem uma boa vida, eles podem.
Deus n�o abandona aqueles que amam aos outros e fazem boas obras.
Mas � dif�cil fazer o bem quando n�o se acredita em Deus.
Por qu�?
Porque voc� perde a esperan�a.
Onde ela est�?
Quem?
Voc� sabe quem.
Diga-me onde.
- Eu n�o sei. - Onde ela est�?
Ele n�o sabe onde eu moro.
Eu lhe dei o cart�o da cl�nica. Meu endere�o n�o est� nele.
� f�cil encontrar um endere�o. Ele encontrou voc�, ele vai me encontrar.
Minha amiga precisa de um lugar. Ela est� em perigo.
Venha.
Primeiro dia do m�s. Sem camas. Voc� dorme na sala de estar, certo?
Sente-se.
Importa-se se eu fizer algumas perguntas?
- Nome? - Lise Pelletier.
- Antigo endere�o. - 10355 Lasalle.
Escolaridade.
Ensino M�dio.
- Filhos? - S� ela.
Nome?
Martine.
- Sobrenome? - O de seu pai. Dub�.
Ele � seu c�njuge?
Preciso de uma descri��o.
''St. Anne, estou pedindo por minha recupera��o. Eu sei que me ouvir�s...''
''Boa St. Anne, retorno a ti para que me concedas a gra�a...''
''Boa St. Anne, imploramos que lances um olhar de compaix�o sobre n�s...''
Devo-lhe a vida de meu filho St. Anne.
Somente as ora��es podem explicar isto.
Como um beb�, Nicolas, teve aquela crise asm�tica aguda. Ele foi hospitalizado
repetidamente por semanas. Uma tenda de oxig�nio, medicamentos
com efeitos colaterais severos.
Ele esteve perto de morrer algumas vezes.
Os m�dicos j� falavam em perda...
E falavam s�rio.
Minha av� reverenciava St. Anne.
Ela me trouxe aqui quando era pequena.
Ent�o...
Vim para orar.
- Voc� ama muito sua av�. - Sim.
- A v� com freq��ncia? - Todo dia.
- Mora perto dela? - Perto demais. Na casa dela.
Como assim?
Ela me criou. Meus pais morreram em um acidente quando era pequeno.
- Que tipo de acidente? - Acidente de carro.
J� esteve no Ciclo de Jerusal�m?
- Aquele pr�dio da igreja? - Sim.
N�o, n�o estive.
� o maior panorama do mundo.
Na hora sexta, a escurid�o cai sobre toda a regi�o.
Na hora nona, Jesus clamando, gritando...
Suas palavras finais que dizem: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Ent�o os c�us trovejaram, a terra tremeu e as rochas se fenderam.
Tudo que fora dito se cumpriu.
Ao fim da execu��o os soldados
voltaram as frontes para tr�s.
Quando a terra tremeu, um centuri�o declarou que Jesus era o verdadeiro filho de Deus.
Ele est� na cruz, seu bra�o levantado, ao lado dos soldados que cuidam da limpeza.
A administra��o estende
seu convite para que continuem
a saborear os detalhes deste quadro panor�mico.
Podemos ir?
Examinar de perto � crucial
para descobrir o perfeito realismo deste trabalho.
Voc� n�o gosta?
N�o � ruim.
- Vou voltar para o motel. - Quer ficar s�?
Sim.
V� ver os gansos em Cap Tourmente.
- Por qu�? - V�-los preencher� sua mente.
- Tchau, Fran�ois. - Te vejo amanh�.
Mercearia Tremblay.
Sim...
Sim, vou dizer-lhe. Adeus.
V� para casa. Sua av� est� fraca.
Olhai favoravelmente para a tua serva,
responda suas ora��es, e a absolva de todos os seus pecados.
Com esta un��o,
restaure nela sua infinita gra�a, Pai,
tudo aquilo que tenha sido danificado pela fraqueza humana
ou destru�do pela mal�cia do Diabo.
Tenha piedade de seus suspiros e l�grimas,
uma vez que ela confia somente em Sua miseric�rdia,
receba-a em santa reconcilia��o,
por nosso Senhor Jesus Cristo.
Querida irm�, confio-te a Deus, O Onipotente,
devolvo-te �s m�os d'Aquele que te criou,
de modo que possas voltar para Ele, que te formou do p�.
Sra. Richard?
Sim, sou eu.
N�o, estou bem.
Eu sei, n�o se preocupe.
N�o, eu n�o pude. Gostaria que o avisasse.
Fa�a isso por mim.
Eu estou bem. Preciso de mais alguns dias.
Talvez uma semana.
No interior.
Ficar aqui, sozinha no interior.
Certo.
Tudo bem.
N�o se preocupe.
N�o, � s�rio.
Boa noite.
Saiba, Fran�ois, a morte de uma pessoa n�o importa.
� apenas uma transi��o.
Ol�, Sra. Filion. Estarei de volta para o jantar.
Ajudem!
Eu sou m�dica.
Chame uma ambul�ncia.
O que aconteceu?
Um senhor de 70 anos teve um colapso na igreja, por volta de 1h, 1:3Oh.
Sem respira��o e sem pulso. Improvisei uma respira��o imediatamente.
Nenhum batimento?
Muito fraco. Sessenta.
Obrigado.
Voc� acredita em destino?
N�o, n�s somos livres.
Ent�o, somos respons�veis.
Sim.
Pelas conseq��ncias de nossas a��es?
Por todo o mau que fazemos tentando fazer o bem?
Eu n�o sei.
Eu s� sei...
que podemos ser perdoados.
Boa noite.
N�o se mexa.
Abaixe. Agora!
Voc� tamb�m!
N�o se mexa.
- O que est� fazendo aqui? - Esperando por voc�.
Por qu�?
Voc� o salvou?
- Aquele homem? - Sim.
Voc� o salvou?
Eu n�o sei.
Talvez.
Ele j� estava l� quando cheguei.
Venha comigo ent�o.
- Pra onde? - Petite-Rivi�re-St-Fran�ois.
Para ver minha av�.
Hoje n�o.
Por favor.
Trate os outros como gostaria que o fizessem com voc�.
Eu n�o posso fazer mais do que o seu m�dico.
Voc� n�o tem certeza disso.
''Se voc� n�o viu Charlevoix ainda n�o viu Petite-Rivi�re-Saint-Fran�ois!''
- Deixe-me ver suas pernas. - Sim.
Boas.
- Pode dormir? - Sim.
Devia dormir tamb�m.
Sua pulsa��o est� fraca, mas est�vel. Eu n�o posso fazer nada por esta noite.
Falarei com seu m�dico amanh�.
Eu preciso sair. O Dr. Dion falar� com voc�.
Telefone para o meu escrit�rio, se precisar de mim.
Tchau.
Ele acompanha sua av� h� muito tempo.
Ele sabe o que h� de errado com ela.
Quando ela foi para o hospital da cidade,
ele fez todos os testes. N�o h� raz�o para duvidar dele.
Ela vai morrer.
Seu cora��o est� muito fraco.
N�o h� nada que eu possa fazer, nem o Dr. Langlais.
Nem que voc� possa fazer.
Est� fora de nossas m�os.
Voc� tem que entender.
Ela est� melhor esta manh�.
N�o, ela n�o est�. Ela est� calma, isso � tudo.
N�s n�o podemos fazer nada?
Sim, n�s poder�amos...
lev�-la ao hospital,
coloc�-la numa vida de apoio, prolongar sua vida.
Mas ela seria sustentada por m�quinas.
Seria duro pra ela.
E mesmo assim ela morreria,
mas longe de casa,
com estranhos cuidando dela.
Se voc� quiser,
podemos perguntar-lhe enquanto continua l�cida.
Dever�amos pedir a ela?
Voc� est� certo.
Est� fazendo a coisa certa.
Isso � o que eu faria.
Ela ir� morrer em sua pr�pria cama,
sem dor,
em sua pr�pria casa, ao seu lado.
Uma boa maneira de morrer.
Ela teve uma vida longa.
Vou embora.
Voc� deve ficar.
Existe �nibus para fora da cidade?
�s 4:45h, em frente da loja.
N�o � longe. Eu te levo mais tarde.
Eu preciso fazer uma coisa.
St. Anne, eu rezei, estou rezando e continuarei rezando,
lembre-se de mim e daqueles que amo.
No �ltimo dia de minha novena, rezo por minha fam�lia, pelos vivos e mortos.
Aben�oada sejas, poderosa e boa,
por sua filha, Maria.
Para sempre aben�oada, por seu neto, Jesus, meu Senhor e salvador. Am�m.
L� est� ele.
Deve ter ido � St. Anne.
Eu sei.
Ele � um bom menino.
Sim.
Voc� perdeu o �nibus.
N�o importa.
- Como est�? - Muito bem.
O Dr. Dion tomou conta de mim.
Venha! Ela n�o consegue respirar!
Ela est� morrendo.
Acabou, Fran�ois.
Tem alguma coisa a dizer?
Eu estou aqui. Estou ouvindo.
- Eu sou agn�stica. - N�o importa.
Voc� pode orar por gente morta? Eu n�o posso.
Sim.
- Pode aben�oar algu�m que se foi? - Sim.
Algu�m que salvou minha vida.
Diga-me, como isso aconteceu?
� uma longa hist�ria.
Eu tenho tempo.
Legendas por Nandodijesus
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