All language subtitles for Fine Manners (1978) -- Jean-Claude Guiguet

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Original subtitles

- Senhor? - Café ao leite e algum pão.

- Amanteigado? - Não, puro.

Isso é Paris. Se não pedir croissants,

dão-lhe pão com manteiga.

Qual é a parada do metrô para este endereço?

Bem aqui. Espere...

Sim, você pega o metrô do outro lado da rua.

Nem precisa mudar de vagão.

Pegue em Porte d'Orléans e salte no Odéon.

É complicado. Vou escrever.

Aqui, escreverei em sua carta.

- É a sua primeira vez em Paris? - Sim.

- De onde você é? - Metz.

Trabalho na construção civil. Briguei com o capataz.

Então você faz trabalho de construção?

Não tenho profissão.

Eu faço de tudo, mas não tenho nenhuma especialidade.

Trabalhava em fábricas... guarda noturno, manipulador de estoque.

Quando me canso, vou para algum lugar novo.

Eu nunca estive em Paris. Vi um anúncio de emprego.

- Vou fazer isso por um tempo. - Então, o que vai fazer?

Eles queriam uma menina mas disseram que um rapaz faria.

Trabalho doméstico para uma pessoa que vive só.

Algo novo, uma mudança. Vamos ver.

5,20 francos. Pode me pagar agora, durante o meu turno.

Ah, encontrou... Entre.

- Seu nome é Camille, certo? - Sim, senhora.

Maillard Camille.

Eu queria uma menina mas realmente não tinha escolha.

Gostei de sua carta...

Como você disse que queria algo novo.

O que fazia em Metz?

Não, não me diga. Certamente está um pouco cansado.

Vou mostrar-lhe o seu quarto. São seus pertences?

São estes.

- Você não tem mais nada? - Não, isso é tudo.

Você está certo. Nós gostamos de coisas,

mas tudo de que precisamos cabe numa bolsa como a sua.

Camille, devo dizer-lhe...

que não tenho horário, nem etiqueta.

Não pensarei em você como um criado,

nem como um trabalhador braçal ou um companheiro.

Vamos dizer que você é um jovem primo

em visita ao país para me dar uma mão.

Algo amistoso.

A única coisa que realmente importa

é meu filho Pierre e seus hábitos.

É para ele que preciso de você.

Eu cozinho bem por conta própria. Alguém limpa tudo duas vezes por semana.

Como posso dizer, Camille...

Meu filho gosta de estar trancado em seu quarto sem ver ninguém.

Já tentei de tudo, sem sucesso.

Ele vive como um recluso.

Já se vão 2 anos desde que ele saiu.

- Mas o que ele faz? - Nada.

Bem, nada que os meninos de sua idade devem fazer.

Ele lê, ele sonha...

Às vezes, lamenta-se sobre a sua vida, como todos os meninos.

Ele não deixa ninguém ajudá-lo. Ele se tranca

sempre que tento falar com ele.

Então, não subo mais lá.

Isto é difícil para mim, às vezes... Venha.

Use o banheiro sempre que quiser.

A lavanderia é um caso à parte.

Penduramos aqui quando chove mas deixamos fora se está bom o tempo.

As escadas são aqui.

Venha, siga-me.

O quarto de Pierre é no final do corredor. Você vai ver.

Ele faz uma refeição por dia,

às seis da tarde.

Oh, isto... Há muito não usamos.

Eu deveria tê-lo descido. Faça isto se quiser.

É claro, está sujo. Não é utilizado há séculos.

Farei com que um pintor venha.

É bem vindo ao andar de baixo a qualquer hora.

Desça sempre que quiser.

Aqui estão as chaves. Vou fazer o almoço.

Desça em torno de uma hora. Descanse até lá.

Entre, Camille. Não tenha medo.

- Sente-se. - Não estou acostumado a isso.

- A sentar-se? - Não, a comer num lugar tão encantador.

Oh, os guardanapos!

Você percebeu isso? É uma velha história.

Minha avó era cleptomaníaca.

Ela roubava coisas dos trens.

Ela não se importava se era útil.

Adorava viajar para roubar...

Não podia demorar muito, precisava estar livre do perigo.

Então, ela agia com guardanapos, nos banheiros...

Toda a família tinha dezenas de guardanapos de todos os tamanhos.

Em sua memória, nós...

Continuamos... você não pode se livrar disso...

usar esses itens removidos da estrada de ferro do Norte...

o P.L.M. ou o P.O.,

o trem Porte d'Orléans.

Agora é só S.N.C.F.

As linhas foram todas renomeadas por causa da nacionalização.

Avós podem ser um pouco estranhos.

Sirva-se, Camille.

- Como era sua avó? - Não a conheci.

Seus pais não disseram?

Meus pais nunca falavam.

Éramos onze crianças.

Tudo o que diziam era: 'Ei, crianças, saiam. Vocês estão em nosso caminho.'

Desculpe, eu não sabia.

Está tudo bem. Foi há muito tempo. Esqueci-me de tudo.

- Começou a trabalhar muito jovem? - Tinha 14.

Aquecia almoços num canteiro de obras.

Então, eu não ouvia os gritos...

exceto à noite!

Você aquecia almoço?

Sim, é fácil.

Basta fazer uma fogueira, colocar areia em uma panela.

Chamavam-me 'Mousse' ou 'Titi' desde pequeno.

Os trabalhadores gritavam comigo: "Titi, as panelas ainda estão quentes?"

Muito bem. Coloque em cima da mesa.

Então, você nunca sai?

- Não saio mais. - Que ansiedade!

- Você não sabe como isso é verdade. - Bem, saia!

- Posso olhar? - Se quiser.

Então, o que a minha mãe lhe disse sobre mim?

Nada de especial.

Isso certamente seria a primeira vez.

Poderia ligar a vitrola?

- É você à esquerda? - Sim, no Sète.

Para o meu serviço militar.

- E esta é a sua mãe? - Sim.

- Ela é linda. - Eu a odeio.

Mas não posso viver sem ela.

Feche as cortinas.

Não entre mais aqui. Coloco a bandeja fora todas as manhãs.

Isto não é um hotel, rapaz.

Ela era uma ladra?

Ela? Ah, não. Era sua mãe quem roubava.

Que bonito. São margaridas?

Não, são crisântemos.

Uma vez, um amigo brincou e disse:

"Querida, você criou mais crisântemos do que Deus."

Eu nunca pintei mais nada.

Você não disse o que achou do meu filho.

É difícil. Mal o vi.

Ele é um pouco estranho, no entanto.

Ele disse que não pegasse a bandeja, que ele iria colocá-la para fora.

- Como em um hotel! - Você conhece os hotéis?

Trabalhei como guarda noturno, mas não por muito tempo.

Fui demitido porque o chefe chegou às 4:00h

e eu estava dormindo na mesa:

"Nós não te pagamos para dormir."

Saí com remorso, era melhor do que a fábrica.

- Onde? - Ao leste, perto de Nancy.

Trabalhei em Nantes e Tourcoing,

mas as fábricas do Leste são as piores.

Muitas vezes trabalhávamos à noite e meus dentes doíam tanto.

Muitas vezes, eu não aguentava. Pedia ao patrão por uma pausa

e ele recusava.

Ele me fez tomar 10 aspirinas com Fanta.

E ele dizia: "Isto não é nada, vai passar. Vai se sentir melhor."

Então eu trabalhava.

Era difícil.

Parecem três conspiradoras atrás da árvore...

As meninas da lavanderia dobrando lençóis...

Faziam fogo para cozinhar...

na ponte, num carrinho de mão com feno.

Eu gosto do céu. Um vulcão prestes a entrar em erupção.

O que você fez nessa fábrica,

esta em que os dentes doíam?

Faziam lã de vidro.

Eu limpava as câmaras de lã.

Raspávamos suas paredes com rodos

e pedaços de lã caíam sobre nossas cabeças.

Os nossos pescoços e pulsos coçavam.

E se você coça, coça ainda mais. O vidro irrita.

Mas estou certo de que a chateio.

Não, Camille. Não me incomoda em nada.

Permaneceu lá por muito tempo?

Um inverno e uma primavera.

Com o bom tempo, eu não podia ficar.

Estava quente, eu queria ver novos lugares,

como o Mediterrâneo.

O que fazia em Nancy, no inverno, se não conhecia ninguém?

- Onde você dormia? - Num hotel.

Eu não saía muito. Aos sábados ia dançar.

Quase não tinha amigos.

A maioria dos caras da fábrica eram casados.

Os que não eram saíam juntos.

Eu ia para o hotel.

Pegava algum pão e leite e ficava no meu quarto.

- É bom sair, Camille. - Sim.

A pior parte é não falar com ninguém.

- Quantos anos você tinha? - 20.

Sempre quis saber quem eu era.

- Não vai comer comigo? - Não, já comi.

Você é jovem, então dormiu bem, levantou cedo.

Não, estou assando um bolo, por isso tive que começar cedo.

Está tudo bem, Camille.

Eu não queria acordá-la.

Andei na chuva, esperando até às 10h.

Espero que não tenha esperado muito tempo ontem à noite.

Sinto muito.

Deve saber que um dia vou parar de esperar.

Eu sei o que você pensa, que eu exagero,

e devo evitar estas situações.

Não vai responder?

Nenhuma das acusações lhe parecem boas?

Nem mencionei as cartas.

Não comece com isso... Estou cansada.

Você nunca entende nada,

se eu disser uma centena de vezes ou mantiver a calma.

Seu egoísmo destruiu tudo, Georges.

Queria dizer isso há muito tempo,

mas estava com medo de sua sensibilidade, sua reação infantil.

Todos os presentes, os gestos atentos,

seu desarmar das coisas de menino

nunca substituíram a única coisa que você não poderia me dar.

Mesmo sua generosidade é parte de seu egoísmo.

Você me queria tanto tempo quanto pudesse para ser livre

e ter independência. Você teve isso.

Será que eu sempre repreendi sua infidelidade?

Eu mesmo escutava suas aventuras.

Sonhava em ter algo com você, Georges...

apenas uma hora,

sem cálculos,

onde você não pensasse em se poupar.

- Sinto muito. - Aqui vai você outra vez...

"Não posso vir esta noite", "Sinto muito", "Estou cansado, desculpe-me".

Você nunca poderia me dar o que os homens dão às mulheres.

É fácil seduzir, contanto que não engane.

Gastou seu tempo com fogos de artifício.

Nunca pensou em jogá-los fora?

- Chega, já tive o bastante. - Você já fez isso antes.

Vou sair e você mandará um telegrama em uma hora.

Não desta vez. Não quero mais vê-lo.

Sabe que preciso de você, de saber que você está lá.

Só você me entende. Em você posso confiar.

É culpa minha não satisfazê-la completamente?

- Não é só isso... - Sente-se, sente-se.

Não vai conseguir a minha piedade.

Eu nunca amei ou quis alguém tanto assim.

Esperava por você todas as noites

e era feliz se chegava às 6:00h.

Eu era tudo o que você queria.

Passei noites inteiras imaginando o dia

em que seria sua amante, apenas uma vez.

Amaldiçoei o dia em que o encontrei e vi em seu olho

algo que existia em minha imaginação.

Então comecei a esperar o dia em que poderia dizer calmamente,

"Georges, não quero vê-lo novamente".

Então, você não quer me ver? Acabou...

Então, você venceu?

Nenhuma vitória é melhor do que esta.

É estranho. O amor se foi e assim é preciso

para mostrar-lhe que não há mais amor.

Vá embora!

Você está mentindo! Não pode fazer isso.

Por que me deixou fazer tudo isso?

Para suportar a realidade, você acredita em ilusões.

Vamos, seja fiel à sua imagem. Você se esforçou para criá-la.

Agora acabou, forçar-me não vai funcionar.

Você acha que é um herói trágico, mas age como um desenho da Disney.

Camille!

Estou aqui.

Acompanhe o cavalheiro à saída.

Não insista. Camille vai lhe conseguir um táxi.

Lembre-se de que sua esposa espera por você também.

Isto é para você.

Você é tão gentil, Camille.

As coisas estão sem graça, aqui. Toque um pouco de música.

- Devo colocar aqui? - Não, no lounge.

Escolheu uma valsa. Boa ideia. Sabe dançar?

- Não. - Vou mostrar-lhe como.

Verá que é fácil.

Um, dois, três,...

Um, dois, três,... Não!

Você pode pegar todos os livros que quiser.

Pode levá-los para o seu quarto. Você gosta de ler?

Somente se houver imagens,

ou alguma fantasia, coisas misteriosas.

- Você estudou? - Na escola!

Não ia muito. Tinha dificuldade em aprender.

De família?

Minha irmã mais velha aprendia bem. Ela saiu primeiro.

Foi um acontecimento em casa. Meu pai não queria que ela fosse.

Ela fugiu uma noite... Eu gostava muito dela.

Ela está em Paris. Nós lhe escrevemos, mas não respondeu.

- Como ela é? - Acho que somos parecidos.

- Isto é incrível. O que é? - A cópia de uma pintura antiga.

- "Os Nervos de Jumièges." - Por que há uma jangada?

É uma história merovíngia. Aqui, leia a legenda.

"Clovis II, vitorioso sobre seus filhos rebeldes,

vingou-se deles queimando seus calcanhares

e colocando-os em um barco que flutuou ao longo do Sena,

levando-os para o mosteiro Jumièges onde os monges os recolheram."

Que horror!

Vou sair, Camille.

Lembre-se de trocar os lençóis.

Não se esqueça de Pierre. Limpe lá em cima.

Que belo dia! Seria muito ruim você não sair.

- Posso sentar-me? - Se quiser.

Não é bom ficar preso, você precisa de ar fresco.

Às vezes eu tento. Minha mãe não sabe disso.

- Mas eu não posso. Tenho medo. - Medo?

Sim, as pessoas olham para você na rua...

Você não percebe? Especialmente à noite.

Pessoas de nossa idade olham pra nós... Sinto-me ameaçado.

É algo que se acumula. Algo pronto para estourar.

Não sei o que está acontecendo.

Talvez você precise de alguma coisa para fazer, um trabalho.

Eu tento.

Sou como um trabalhador manual, mas não há trabalho.

- O que você fez antes? - Eu era um pedreiro.

Um pedreiro! E não se parece mais com um.

Tentei o serviço público.

Tudo envolvia postos e hierarquia.

Você tem que escalar como um macaco

e agir como se fosse importante.

Eu prefiro estar preso aqui.

Você tem que sair agora para que eu possa mudar os lençóis.

Aqui é como o campo.

Parece com uma igreja da vila.

Uma das mais antigas paróquias, em Paris.

Você tem que sair, Camille,

e visitar Paris. Ainda é bonito.

Tenho saído muito.

- O que você visitou? - Nada.

Eu vi crianças brincando em um parque.

Uma vez eu vi barcaças em um canal arborizado.

A vida é boa por lá. Não gosto deste bairro.

As pessoas são muito tristes.

Fala como Pierre.

- Você não é como ele, é? - Não consegui pegá-lo.

Você tem que dobrá-los!

- Por aqui chego em Montmartre? - Sim,

mas parando por aqui você estará no sétimo céu.

Disse-lhe para usar um lenço. Você vai ficar doente.

Chega, Mimine. Vejo-a na quarta-feira.

Vou subir.

- Eu só tinha outro enorme. - Da próxima vez aumente seus preços.

- Vou dá-lo a Domino, ela adora. - É meu masoquista aqui?

- Ele está esperando agora. - Estou sempre atrasada.

- Senhor, vai pisar no meu anel. - O seu anel?

- Sim, ele rolou por aí. - Não vejo nada.

- Não há nenhum anel. - Você está certo.

Não há nenhum anel.

Tem cinco minutos para mim?

Você poderia ser minha mãe.

- É verdade. - Perdeu seu anel de novo?

- Não importa, de qualquer maneira. - Domino!

Que surpresa.

- Por que você está aqui? - Uh... passeando... Está em Paris?

- Trabalho em Odéon. - Em quê?

- Ajudo uma senhora divorciada. - Fazendo o quê?

- Isso e aquilo. - Papai não está aqui, não é?

- Não, não se preocupe. - Venha.

- Você mora aqui? - Sim.

- E eu trabalho aqui. - O que você faz?

Não consegue adivinhar?

Não faça essa cara.

É verdade. Sua irmã é da vida.

Eu não queria apodrecer lá.

Estava cansada de ver a miséria e os gritos.

- Mas... - Sem mas. Assim são as coisas.

- Não poderia encontrar outro emprego? - É difícil, em Paris.

Tentei algo com cartões perfurados. O anúncio estava no metrô.

Eu, operadora de cartões perfurados! 1,000 francos por mês.

Não dava nem para ver um filme por mês. Só pra viver.

Se você trabalha tão duro, deve ser por alguma coisa.

Então conheci uma mulher que se tornou minha amiga.

Ela era casada, tinha dois filhos.

Vinha todos os dias a Paris para trabalhar.

O marido pensava que ela tinha um trabalho de escritório,

mas ela vinha aqui para trabalhar nas ruas.

Era muito procurada.

E ganhava nisso.

Toda noite, às 6h, ela parava

para ir para casa, nos subúrbios, com seus filhos e marido.

Ela me mostrou o caminho da rua.

- Você faz um bom dinheiro? - Depende do dia.

Obviamente,

não faço muito com esta cara.

Eu gostava do jeito que você era antes, era melhor.

Antes?

Não há muito 'antes' para se deixar!

Sabe, isso não é tão ruim.

É confortável, estou começando a gostar deste quarto.

Tornou-se mais do que um local de trabalho.

Não era uma vida boa lá. Lembra-se?

É engraçado.

A única coisa de que sinto falta, às vezes,

é de quando íamos ao bosque.

Era tão perfumado no Outono...

E o silêncio dos pássaros,

e os ruídos da floresta.

Agora não há quase mais nenhum pássaro.

Como assim?

- A última vez que fui, não havia. - Não pode ser!

Eu tenho um compromisso. Você precisa ir.

Se tiver um dia de folga, deixe-me saber.

Vamos sair juntos, ao museu Grévin.

Como estão? Devem ter se esquecido de mim.

Parti há 2 anos. Circulei muito por aí.

Esperamos por uma carta, mas perdemos a esperança.

Então só Philippe falava de você. Ele deve estar com 7 ou 8.

Ele pergunta: "Quando Domino vem?"

Não preciso saber disso. Vá em frente, vá!

- Fica aqui até tarde? - Depende do dia.

Está cheio, mas eles não se preocupam com notícias

exceto as corridas de cavalos.

Caso contrário, espero pelo último metrô, à 01:00h.

- Faz frio no inverno? - Em minha idade, faz frio no verão.

Então eu uso luvas e um aquecedor para minhas mãos.

Sabia que eu substituí uma avó de 92 anos de idade?

Ela não enxergava bem por isso bagunçava tudo.

Uma noite, encontraram-na morta às 02:00h.

Um vigia noturno a encontrou. Pensou que ela estava dormindo.

Ele gritou, "Ei, vovó, não vai sair da cama?"

- Mãos ao alto! - Não pegue o dinheiro dela.

- Cai fora! - Fuja, garoto. São criminosos.

Peguem-no! Peguem-no!

Legal da sua parte ouvir a minha música. Entre.

Sinto muito. Não queria incomodá-la tão tarde.

Está tudo bem! Esta é sua casa.

- Estava indo para o banheiro. - O banheiro?

- Ou o armário de remédios? - Não é nada.

- Apenas alguns arranhões. - Não minta, Camille.

Venha.

Conte-me tudo.

- Você está realmente machucado. - Fui atacado.

Eles me chutaram. Meu estômago dói.

Não se mexa. Vou fazer alguma coisa.

Vou lhe dar um banho. É a melhor coisa.

Não tenha medo, apenas relaxe.

Ajude-me.

Você não vai subir assim.

Há uma cama na lavanderia.

Aí. Fique por 20 minutos.

Agora, deve se sentir melhor.

Aqui, beba este chá.

Irá ajudá-lo a dormir.

Você gosta daqui?

É melhor branco sobre branco. Espere...

Esta é minha flor favorita, por causa da melancolia.

Como o vento sorrindo na chuva

ou ver o rosto da primavera quando as nuvens sopram...

ou ver malmequeres quando se está preocupado... melancolia.

Nada disso é sério.

Amanhã terá passado.

Exceto por essa cicatriz. Você a tinha quando chegou aqui.

As pessoas pensam que foi uma faca.

Tive um acidente de carro, indo para o leste.

Estávamos bêbados, não vimos o sinal de pare.

Meu rosto estava cortado.

O cirurgião que me tratou

ficou furioso ao ser acordado por um garoto bêbado.

Ele fez grandes pontos e puxou com força para me machucar.

Cerrei os dentes para esconder a minha dor.

Ele fez um trabalho ruim de propósito. A cicatriz não vai embora.

Se eu pudesse colocar minhas mãos nele!

Bem, você tem que dormir agora.

Eu não queria lhe dizer, antes.

Vou partir por 3 semanas. Sei que é repentino,

a culpa é do meu ex-marido.

Faça o melhor que puder. Para cozinhar,

tenho certeza de que irá descobrir tudo. O que é importante

são as refeições de Pierre. Ele provavelmente morreria de fome.

Estou contando com você. Meu trem sai em uma hora.

As coisas estão bem, Domino. Estou feliz em vê-la.

Realmente pensou que nós estávamos separados?

Você está certa. Pensei muito em você.

No outro dia eu fiquei chateada. Essas lembranças...

Isto aconteceu com você também, apesar de tudo.

Foi há muito tempo. Esqueci-me de tudo.

- Você com certeza levava uma surra. - Tem razão.

Claro que isso aconteceu em casa. Na escola, também.

Quando eu não entendia, ele não explicava. Ele me batia duro.

Então parei de ir. Os policiais estavam nisso também.

Uma vez fiquei tão doente com a professora que eu quis explodir seu carro.

Coloquei um pano em seu tanque de gás.

Ateei fogo, mas não funcionou.

Você não teria feito isso com a Sra. Lesage.

A primeira vez em que a vi, soube que as coisas seriam boas com ela.

Gostei dela instantaneamente.

Ela era rigorosa, mas justa.

Tudo o que aprendi na escola foi com ela.

Finalmente alguém foi bom para mim.

- Quantos anos você tinha? - Nove. Agora eu me lembro.

- Foi meu melhor tempo. - Você recitava poemas com ela.

E como!

Um corvo numa árvore, um pouco de queijo em seu bico.

Uma raposa sente o perfume e com ele fez falar:

Ora, olá, corvo. Que belo gingado.

Que bela figura você.

Cante uma melodia tão bonita quanto suas plumas. Seja nossa Phoenix...

- Você é incrível. - Como gritei no ano seguinte,

- quando ela não voltou. - Eu sei.

As coisas não deveriam ser assim. Prefiro que isto mude.

Posso perguntar uma coisa?

Você vem me ver?

Não colocou a bandeja para fora.

- Serei rápido. - Você está sempre apressado.

- Você tem tempo agora. - Não queria incomodá-lo.

Você não me incomoda.

Você é o único que anima minha vida.

Eu?

- Gostaria de saber quanto tempo vai trabalhar aqui. - Não sei.

Por enquanto, gostaria de me estabelecer e ter um pouco mais de dinheiro.

- Mas... - Mantenha-se como você é.

- Não imite outras pessoas. - Não o farei.

Você não tem que ser como todos.

Tem a chance de ser livre, não a desperdice!

Você acha que este trabalho é livre?

Temo por você.

Por que se esforçar pela riqueza? Por que ser como eles?

Você vai destruir sua beleza e singularidade.

Vejo você todos os dias.

O que tem é de valor inestimável,

seus movimentos, o jeito que tem,

a maneira simples de se vestir...

Isto não pode ser imitado.

Talvez você não possa entender.

Não consigo. É complicado.

E você já me disse isso antes.

Não se preocupe comigo.

Lembre-se, esta é sua casa.

Camille? É Hélène Courtray.

Estarei em casa hoje à noite.

Tudo está bem. Não espere. É um trem tardio.

Ficarei feliz em vê-lo amanhã.

- Sim, senhor? - Malmequeres, por favor.

Desculpe, não foram entregues.

Mas, temos belos cravos.

Cravos? Não, obrigado.

Tire suas roupas e me dê.

Depressa.

Certo.

Vá para cama. Conversamos amanhã.

Os policiais estão loucos.

Eles ficam na estação quando fazem buscas à noite.

Onde você estava? Levaram-no para os chuveiros?

Cale-se. Deve ser sério.

Espere.

O juiz não pode vê-la agora.

Ele pede que espere.

Deixe-o ir. Por favor...

Eu disse que não vou prestar queixa.

Isso é inaceitável.

Eu cumpro as leis.

Ele é um incendiário. Eu puno crimes. Você não pode fazer nada.

Isto não é de seu feitio. Ele é um garoto respeitável.

Então devo pensar que seu filho teve alguma má sorte

- enquanto brincava com fogo. - Sorte?

Sua má sorte foi nascer...

num mundo onde as pessoas aprovam leis que fazem os outros sofrer.

A injustiça social é pior

do que as ações 'antissociais' que você julga tão duramente.

O que acha que sabe sobre a injustiça social?

Não acho nada.

Não engane a si mesma. Estamos do mesmo lado.

Você quer que eu o perdoe, mas, e ele?

O que você quer dizer?

Ele estava agindo contra você.

Isso é impossível.

Eu nunca fiz nada.

Isto é o que você pensa...

- Não é possível. - Todos dizem isso.

Até que aconteça, o desastre é impensável.

Todos que vejo aqui são como ele.

Conheço-os melhor do que você.

São jovens e nenhum nasceu com 'sorte'.

Este não é o seu mundo.

Eles vêm para entender melhor o motivo de terem sido excluídos.

O meu trabalho é ver a lei sendo obedecida.

A lei foi feita por você, por mim, por nós.

Você não sabe o quanto isto me enoja.

Eu recebo por isso, ainda que não sinta nada além de nojo.

Você não vai acreditar em mim. Vejo que a lei foi obedecida,

mas eu sou por aqueles que a quebram.

Ainda temos o privilégio da lei, mas nós perdemos.

Você sabe quem enche as cadeias.

Isto não pode continuar assim.

Posso vê-lo?

Talvez eu nunca lhe recuse nada.

Você mudou, Hélène.

Está ainda mais bonita.

Você pode vê-lo.

Vou escrever uma nota ao oficial de justiça.

Coloquem os pacotes na cesta.

Silêncio e abotoem seus casacos!

Candotti. Charpentier.

Derochefort. Migouin.

Chestier.

Candotti. Charpentier.

Derochefort. Derochefort!

Migouin. Chestier.

Robinet. Finali.

Vasseur. Maillard.

Robinet. Finali.

Vasseur. Maillard.

Não se preocupe, Camille.

Eu não apresentei queixa. Foi um acidente. Eu sei que foi.

Vasseur, 2ª divisão. 17390.

Uma camisola, uma roupa de banho, uma toalha.

Tente esquecer tudo isso.

Eu sempre fui sua amiga.

Assine aqui.

Não é muito. Eu sei que gosta de chocolate.

O tempo de visita acabou!

Bem, uma visita no segundo dia.

Isso é legal, não?

É sempre assim. No início, eles vêm

depois ninguém, nem mesmo a família.

Não tenha medo. Não se assuste, garoto.

Eu não vou machucá-lo.

- O que aconteceu? - 17920 se enforcou.

Deixe o médico fazer o seu trabalho. Diga ao juiz...

e faça que parem!

Eu sou Hélène Courtray. Marquei com o diretor.

Minha senhora, por favor, siga-me.

O que estamos fazendo aqui não é permitido,

mas estou fazendo uma exceção para você.

Legendas por Nandodijesus

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