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seis coisas que um bebê não deixa uma mulher fazer.
Tentar.
Alô, a conversar.
Comer.
Fazer cocô.
Transar.
E dormir.
Quatro atividades típicas para quando bate a depressão.
Ir ao cabeleireiro e acontecer uma tragédia.
Comer que nem uma louca vai depois te sentir culpada.
Mandar mensagens enormes.
E se arrepender logo depois.
Ouvi um tom de tri.
Pra ficar ainda pior.
Eu desisto.
Acha que a sua indiferença vai acabar comigo?
Eu sobrevivo.
Teste da geladeira.
Refrigerante, ketchup, leite, batata frita, hambúrguer.
Infantil.
Tupperware com comida da mãe.
Independente.
Maionese, salsicha, água.
Ferrapado.
Vodka, cerveja, azeitona. Bebum.
Frutas, almôndegas, ovos.
Tocinho.
Casado!
Cuatro coisas que só acontecem um dia antes de você viajar.
Você descobre que encontrar um biquíni que lhe caia bem é mais difícil que se
apaixonar pela pessoa certa.
Quebre o zíper da mala.
Seu RG desaparece misteriosamente.
E o seu celular quebra.
Achei pequeno.
Como achei pequeno?
Achei pequeno.
Dudu, eu não te perguntei nada, tá?
Posso dar a minha opinião? Dá a sua opinião. O que achou do meu biquíni?
Achei pequeno.
Pequeno. Só acho que podia ser um pouquinho maior.
De velha, né? Porque eu tô velha pra usar um biquíni como esse. Sou gorda
também. Para, Roqueca. Para, vai. Ah, Dudu, como é que você fala mal do meu
biquíni? Eu não tô falando mal do seu biquíni. Ah, não.
Só achei pequeno.
Dudu, senta aqui, meu amor. Senta aqui.
Por que a gente deixou as crianças com a tua mãe e veio só nós dois pra esse
lugar paradisíaco? Eu sei não, mas pra reconquistar uma outra.
Sim, como é que você reconquista a sua mulher falando mal do biquíni dela?
Eu só fui honesto com ela. Não, seja esperto. Eu tenho que achar tudo lindo
agora. Tudo? Não precisa.
Agora, se você não reclamar de uma só coisa, já está maravilhoso. Eu estava
reclamando? Desde que a gente saiu de casa.
Entendi.
Entendi, tipo, eu tenho que achar...
tudo lindo, ficar muito feliz, porque a gente tá pagando uma fortuna nessa
pousada aqui e não tem nem TV no quarto. Que bom que não tem TV no quarto. A
cama eu amei, viu? A cama eu amei, com esse colchãozinho fininho e duro. Isso
aqui é uma eco -pontada. A ideia é essa, tudo vir da natureza. Por isso é tão
caro, porque tudo vem da natureza. Por favor, a gente combinou de não brigar
causa de dinheiro. A gente devia ter ido pra casa do meu tio em Peruíbe.
Aquela feia de morcego?
Não quer contato com a natureza? Eu não quero contato com a natureza, eu não
quero contato com morcego. Eu prefiro morcego do que esse povo raico dessa
pousada metida besta.
Você acha que vai dar certo mesmo essa viagem?
Que a gente vai consertar alguma coisa entre a gente? Vamos combinar, meu bem,
que a gente só tá aqui pra gastar mais dinheiro.
O que você tá fazendo?
A mala, a gente tá embora agora. Não, não, pera, para, pera, parei, parei,
Edu, você tem que se desistir. Parei. A gente não pode brigar, tá?
Deu aquela raiva, aquela vontade de implicar com o outro, engole, segura.
Eu sou um monge tibetano. Não, também não precisa ser um monge, não. Um monge
disso.
A gente precisa transar.
É?
Então tá.
Não pode reclamar, não pode brigar.
Tem que transar.
Você precisa relaxar também, né? É que esse negócio de ter que relaxar, você
precisa relaxar, não interessa a mim, entendeu?
É tipo uma obrigação, você tem que relaxar. Relaxa, solta.
Isso,
melhor, né? Solta.
Tá vendo como é bom só nós dois? Agora vamos procurar um lugar pra sentar.
Onde?
Nossa, tá cheio, né?
Lugar raipado é isso aí.
Não tem nem lugar pra sentar.
Dá licença, eu posso pegar essa cadeira? Está ocupada, meus filhos estão na
piscina. Sim, mas é que todos os outros estão ocupados. Ai, desculpa, querida.
Não, tudo bem, querida. Espera aí.
Você precisa de três cadeiras e a gente não tem nenhuma. Meu marido está vindo.
Deixa, tudo, deixa.
Ela não pode tentar ser um pouco mais educada, não?
Está me chamando de grossa? Algum problema, Adriana?
A gente tá querendo pegar nossa cadeira. Tá ocupada.
A gente não.
Chegou no calo, né?
Olha aqui, ó. Pra o chefe de Narcisa. Você não tá acostumada, querida. Eu
pra cá todo ano. É porque você tem essas duas bolas de Natal na orelha. E tem
esse sorrisinho meio nojento. Que você tem direito de sentar em todas as
cadeiras da piscina, tá?
Pagou parcelado?
Pagou? Eu paguei a vista.
É pobre. Pobre de espírito, Aninho. Pobre de alma. Aninho, ajuda aqui.
Me ajuda, Dudu.
Me ajuda, Dudu. Cadeira nossa.
Cadeira do ozão. Cadeira nossa.
O que está acontecendo?
Aqui a gente está sem cadeira. A cadeira é nossa.
Pessoal, a gente não curte esse tipo de energia.
Eu estou sentindo muita agressividade.
Por favor, vamos respirar. Entendeu?
Atrai boas vibrações.
Sente o vento.
A brisa marítima.
Melhorou? Melhorou? Agora vamos resolver a questão da cadeira. Do jeito...
Invitado, por favor, você poderia emprestar a cadeira?
Fica com a cadeira, tá? Não quero discutir com os cocos.
É, falou a rainha do Egito. Ai, tá bom, obrigada.
Para, epa, epa, se vou crer.
Bom.
Nem!
Não!
Embaixo do coqueiro, não. É perigoso.
Só que faltava, né? Caiu um coco na minha cabeça.
E aqui, tá melhor, chefe? Tá ótimo, amor. Obrigada. Mais alguma coisa?
Não, só isso. Obrigada. Precisa, Anderson, chamar.
O que tá fazendo, Dudu?
Você vai tentar?
Não, meu amor.
Eu deitei.
Eu faço o quê? Eu sento no chão?
Quer dividir?
Ai, Dudu, não podia ter uma forma pior de começar nossa viagem?
Ih!
Aquela ali não é sua chefe?
Caso, foi sorte.
Não, eu não tô entendendo, Irani.
Estoura um cano no banheiro e você quer quebrar a cozinha. Eu vou tentar
explicar pra senhora. Não, não é pra senhora, não. Eu não gosto de chamar de
senhora. Não, no caso, eu prefiro chamar de senhora.
Tá bom, chama como você quiser.
Faz conta que a senhora vai no médico pra cuidar aí de uma gastrite. Só que
chega lá, a senhora descobre que a gastrite não é uma gastrite. É um
Que isso, Irani? Vira essa boca pra lá.
O cano do banheiro é fácil trocar, é só botar um registro.
Mas esse aqui, ó.
Esse aqui tá tudo podre.
Se não mexer, vai alagar o apartamento inteiro. Aliás, não sei como é que não
estourou ainda.
Ai, meu Deus.
Um espresso, duplo.
Açúcar, adoçante.
Ei, carnão.
O que você falou aí, ô?
Babaca.
Cantando Mulher na Rua, é?
Que época você tá vivendo?
Você atualiza, ô mané.
Não é meu dia.
Bom dia, bom dia, bom dia. Bom dia, Marinati, eu preciso falar com você.
acredita que meu celular quebrou um dia antes de eu viajar? Estou justo agora
que ainda tenho que passar na farmácia, fazer mala, pagar um monte de conta.
Agora vou ter que contratar o celular.
Eu acabei de chegar.
E ainda tenho que também deixar as crianças na minha sogra, porque tem
minha sogra. Será que eu posso sair mais cedo? Você acha que você está com um
problema, né?
Sabe por que eu estou chegando a essa hora? Porque estourou um cano lá em
Está lá o encanador quebrando a parede, está bom para você?
Nossa, que zica, hein, Marinati? Não é zica, a vida é assim.
Ah, Marinati Ferreira, ele pediu para você falar. com ele assim que você
Mas, Vika... Você está
sabendo do caso da Ana Gomes?
Ana Gomes, a mulher do banqueiro?
Ex -mulher.
Eu vi alguma coisa que vazou na internet, um vídeo, é isso?
É, o Júlio Gomes está com um caso com uma famosa e vazou um vídeo dos dois.
A Ana Gomes chegou muito puta, separou e está acionando ele judicialmente pela
partilha. E quem está fazendo?
A gente.
A gente?
A gente quem?
A gente vai representar a Ana Gomes.
Ferreira, eles são sócios de um banco.
Nós estamos falando em milhões.
Como é que você conseguiu isso?
Ela é prima de uma prima da minha mulher.
Ferreira, isso é melhor do que ganhar na Mega Sena acumulada.
Você vai me matar nesse caso.
Ferreira, eu mereço. Você sabe, esse caso é meu.
Claro que é seu, Marinade.
Você é a melhor advogada do escritório.
A melhor.
Melhor advogada do escritório.
Ah, isso porque hoje não é o seu dia, né?
Queca.
Eu subi de patamar.
Agora eu sou advogada top.
É praticamente um convite para entrar de sócia.
A Bruna não esperou da minha viagem. Hã? Que viagem?
Eu posso sair mais cedo, Marinade? Pode cancelar. Oi?
Sim, cancela essa viagem, quero você aqui comigo agora.
Não, eu já tava indo, aliás, já fui. Não, você tá maluca? Você tá maluca?
não tava toda estressada por causa dessa viagem? Pronto, relaxa, cancela,
desestressa, vamos trabalhar. Não, não é uma questão de estressar ou
desestressar, é uma questão de enlouquecer mesmo.
Menos que essa mesmo. Marina, sua viagem amanhã, tá tudo certo. Eu já até
comprei uns biquínis, aliás, eu queria que você desse uma olhada nos biquínis.
Quê? Eu tô falando da chance da sua vida e você vem me falar de biquíni. Eu
avisei pra você com dois meses de antecedência, eu preciso viajar.
Você tá achando que essa viagem vai salvar o seu casamento, né?
Até parece.
Que a cara não tem nada pior pra uma relação do que viajar junto.
Você pode até amar a pessoa.
Aí você viaja junto e você nunca mais quer olhar pra cara dela.
Marina, o meu casamento tá na UTI, respirando por aparelho. Eu preciso
essa viagem.
Você vai me foder por causa daquele seu marido mala. Não, desculpa. Aquilo é
mala. Marina, a gente tem gêmeos. A gente não dorme há cinco anos.
Quero ver você dormir me deixando na mão desse jeito.
O que é mais importante, meu trabalho ou meu casamento? O seu trabalho, é claro.
Ficou louca?
Marina, olha, presta atenção.
Está tudo pago já. A partagem, a viagem amanhã. A gente pobre.
Eu não tenho... Quinta coisa que só acontece um dia antes de você viajar.
Entra um mega trabalho no seu escritório.
É o seguinte.
A reunião com a advogada do ex -marido é daqui a duas semanas.
Você interna aqui comigo e depois você viaja, eu prometo. Isso não está
acontecendo.
Que maior sinal do que um celular quebrado pra você não viajar é que nem o
do meu banheiro. Oi?
É, Keca.
A gente tem que se ligar no sinal que a vida dá pra gente.
Tudo bem, Marinati. Você tá certa. Eu fico. Uhul!
Sabia que podia contar com você.
Mas eu quero um aumento.
Oi, Dudu. Eu tenho duas notícias pra te dar. Uma notícia boa e uma notícia ruim.
A boa é que eu ganhei um aumento ótimo.
A ruim é que...
A gente não vai mais poder viajar.
Dudu?
Você não entendeu, Marinati.
Eu não quero só ganhar.
Eu quero esfolar ele vivo.
Eu quero ficar com tudo.
Ana Gomes, eu queria que todas as minhas clientes fossem como você.
Eu fui humilhada, Marinati, humilhada.
E agora você quer ele de joelho, lambendo o seu dedão do pé.
Isso eu queria quando eu era apaixonada por ele há um século atrás, quando eu
era louca. Tá.
Então agora você quer ir rastejando, pedindo água.
Numa tábua de pregos.
Queimando no fogo do inferno.
Gostei de você, Marina.
Deixa comigo, Nagomi.
Deixa comigo.
A gente vai entrar pra destruir.
Até essa reunião, ninguém mais tem vida. 24 horas de trabalho por dia. É que eu
tenho dentista marcado nas costas. Cancela.
Luiz!
Você não está mais no escritório de advocacia.
A partir de agora, estou aqui numa barca... Barca Viking!
Com chicote e tambor!
Barca... Barca Viking!
Açúcar? Querida, eu venho aqui quase todos os dias. Eu tomo com adoçante
Não precisa mais perguntar. Vamos combinar?
Adoçante.
Se eu tivesse uma dessa lá em casa... Ela já teria se matado.
Tédio.
Vamos almoçar, né? Acho que é na hora da gente parar. Tem um restaurante aqui
perto. Vamos almoçar? Aqui o cardápio do chinês.
É prisão domiciliar.
Frango xadrez pra todo mundo. Não pode ter um porco com molho agridoce? Tem que
ter frango xadrez?
Barca vikings!
Barca vikings!
Droga!
Açúcar?
Adotam!
Tá uma belezinha.
Acho que tá faltando alguma coisa.
Ah, sim. Ah, sim, Andra. Eu também quero.
E acho que também tá faltando umas coisas. Eu tô achando que a lista é
pequena.
Segura os pontos aí. Vai, Dudu. Eu te falei que essas duas semanas é um
Tá bom, então... Ai, como o homem é chato.
Nossa, não sei como você tem paciência. Se eu tivesse menos paciência, eu ia ser
muito mais feliz.
Era eu que ia aguentar um homem desse no meu pé.
É, mas estão falando por aí que você tá pegando um boy.
Hã? Eu?
É, eu tô chegando atrasada, cabelo molhado, óculos escuros. Só faltou o
na testa, né?
Nossa, como vocês são fofoqueiros. Eu falei, tá pegando boy.
Eu tenho cara de quem pega boy?
Tá louca? Pelo amor de Deus, eu trabalho 18 horas por dia, Keca. Não é à toa que
hoje eu sou top.
Ai, claro, você é tarada pelo código civil.
Não, senhora, eu gosto de sexo.
O que eu não gosto é de dormir junto, de acordar junto, essa coisa toda me
irrita, entende?
Ah, você é pegadora?
Não, eu não sou pegadora, eu só não me apego, é diferente.
E os homens não pegam no seu pé?
Ficam, mas eu não dou bola.
Ah, tá, você nunca se apaixona.
Pra quê? Ué, pra quê?
O Deus me livre.
Oi? Quer saber?
Eu me apaixonei uma vez na vida, pra nunca mais.
Sabe por quê? Porque destruiu comigo, acabou, foi tsunami.
Eu jurei que eu nunca mais ia me apaixonar, tô blindada.
Aliás... Vou te dar uma dica.
Quer saber o segredo do sucesso?
Não se apaixone nunca.
Mãe, cadê meu caderno?
Mãe,
cadê meu caderno?
Oi, fala, Leandra. Mãe, cadê meu caderno? Um minutinho, eu tô com a sua
telefone. Mãe, eu vou ter a ver uma prova. Cadê meu caderno? Peraí, peraí.
uma olhada no teu quarto, mamãe. Olha!
Oi.
Não, vou falar com você. Estou indo na sua casa. Três atitudes sem noção de
não tem filho.
Ligar às oito da manhã para bater papo.
Oi, família.
Olha o que eu trouxe para você, campeão. Dar brinquedo barulhento de presente.
E encher -lhe de balas um minuto antes de comer.
Pegou a mochila do Igor para mim?
Ai,
meu Deus.
Vamos nesse carro.
O que tem no teu cabelo?
Tá até ruim aqui.
Não, quer dizer, tá mal, tá?
Tá mal?
É. Tá mal quer dizer, não tá totalmente cagado, tipo, tá só um pouco cagado?
É isso?
Não tá mal?
Credo, Leandra, menos, né?
Desculpa, tô descontrolada.
Entrei o Vitor em ti ontem.
As seis primeiras sensações que o ex provoca em você.
Rancor.
Pena.
Ódio.
Alívio.
Impotência.
E arrependimento.
Oi, Victor.
Bateu uma crise brava. Sei lá o que me deu.
Ih, que eu sou assim, Sônia. Me apaixono pelo Che Guevara. Cara, como você é
style.
Depois eu quero que ele tire a barba. Você vai sair assim?
Não tem a ver com homem, não.
Tem a ver comigo.
Peraí, galera, só um minutinho, tá?
Manda subir.
Peraí, galera, só um minutinho.
Enchi minha casa de fumaça.
Tô descendo.
O problema sou eu, Sônia. Ok.
Não precisa pirar.
Gente, os sarangos são gostosos.
Sai, sai, infeliz.
Crise dos 30.
Bateu assim, ó.
Na cara.
Crise dos 30.
É, crise dos 30.
Ok.
Sei lá o que aconteceu comigo.
Eu comi a miojo, eu tava bem, tava feliz.
Agora tudo que eu gosto custa caro.
Não consigo mais me vestir, Sônia.
Ou me sinto uma adolescente retardada, ou uma velha.
Que inveja.
Oi? É, que inveja. Eu queria estar vivendo essa crise que você está
O que você está falando, Sônia?
O que eu estou falando?
Você tem noção do que é criar um filho e um bebê?
Quando a crise começa a aparecer, o bebê acorda, começa a chorar, a outra
criança tá correndo pra meio da rua. Não dá tempo de ter a crise, entendeu?
Eu tô achando essa sua crise um luxo. Luxo? Um puta luxo. Eu tô com inveja de
você. Até que tem de luxo numa mulher que chega aos 30 sem ter construído
Você sabe o que é nada?
Quero ter um bebê.
Eu quero ter um bebê.
Vai me tratar como uma adolescente porque é que eu não posso ser um bebê.
Leandra, olha isso aqui.
O anel. Não, não o anel. Olha isso aqui.
Tá vendo?
São dois meses de unha por fazer.
Eu não tenho tempo. E aí eu encontro as pessoas e eu começo a falar sobre coisas
que não interessam a ninguém.
Oi, se prestam, gente. Hoje fui trocar a fralda de Valencina.
Valencina fez um cocô verde.
Verde.
É isso que você quer?
Mas não é toda mãe que fica que nem você.
O que? O que você quer dizer com isso? Quero dizer que você exagera, Sônia.
Quero dizer que depois que você teve filho, você virou mãe, tipo, mãezona e
deixou todo o resto de lado.
Resto? Que resto, Leandra?
Eu sou mãe de duas crianças, não tem resto.
Onde é que você acha que eu tô quando você tá lá na balada, muito louca,
selfie com a galera? Eu tô em casa, tá? Eu tô trocando fralda. É, então só a
mulher que tá lá com a criança no colo é que sofre, Sônia. A mulher que tá na
balada também sofre.
E sofre ainda mais.
Leandra, minha irmã, meu amor, presta atenção. Olha só a vida que você tem,
entendeu? Você acorda às 10, você viaja muito, você trabalha com uma galera
descolada, você vive na balada.
Por que você tá em crise?
Porque vir um ex com uma asinha qualquer por aí, você é livre, Leandra.
Você sabe por que eu vou pra balada?
Não, por quê?
Porque eu não tenho escolha.
Você chega numa festa... Tem esquera?
30 % são os casados.
20 % são as solteiras.
Vamos almoçar?
Vamos? Vamos? Vamos.
Você também tem loucura por olhar o de cá?
E 50 % são gays.
No final, é 100 % de nada.
E você ainda tem que acordar depois de duas horas pra trabalhar.
Caralho. Eu também tô fudida.
Também tô fudida. Tá todo mundo fudido. Tá todo mundo fudido. Aí, ó, morre. Tá
parando. Ô, meu filho, desculpa sua mãe.
O que? Você está atrapalhado. Tá bom, desculpa.
Eu tinha uma ideia, hein? Vamos trocar.
Oi? Vamos trocar.
A gente se muda de casa, entendeu?
Você vai morar na minha casa, eu vou morar na sua. E eu vou pra balada, você
cuidar das crianças, não é isso que você quer?
Sério? É, ué.
Uma semaninha só.
Você quer?
Quero. Mesmo?
Uhum, a gente quer muito.
E o Gustavo?
Gustavo. Gustavo está sempre viajando.
Só chega amanhã, aliás.
Eu topava trocar, só não quero ter um marido. Não, eu também não quero trocar
essas bolas aí não, obrigada.
E daí, o que você tem?
A gente podia trocar, hein?
Por uma noite.
Por uma noite?
Hoje.
Hoje? Por que hoje?
Festa da Raquel. Eu não quero ir, você vai pra balada, eu fico na tua casa, tô
dentro das crianças.
Hoje tem festa da Raquel? E a gente faz um experimento. Deixa, mãe.
Tá, eu até...
Você quer, né? Então tá. Temos um fim?
Temos um fim.
Vamos ver a festa da Raquel.
É isso.
Troca de irmãs.
Você vai?
Claro que eu vou. Eu não perco por nada essa festa. Imagina, eu vou dançar até
morrer. Peça.
Eu ouvi a palavra festa.
Você vai também?
Isso só pode ser provocação, né? Nós estamos há três dias da reunião. Ninguém
vai a essa festa.
Marinati, por favor, Marinati. Está todo mundo exausto. A defesa está pronta. Só
falta revisar dois itens. Deixa, Marinati, por favor.
Tudo bem, mas eu quero todo mundo aqui amanhã às oito.
Oito? Oito.
Alô, vamos na festa da Raquel ou não?
Vamos, vai, anima.
Não, não sei se eu vou. Acho que eu não vou.
Vamos na balada, amiga.
Eu não saio faz mil anos, você sabe.
Vai, por mim.
Ai, meu Deus do céu, viu?
Tá bom.
Eu vou, mas só vou dar uma passadinha, tá? Mas é por você, hein, amiga? Só pra
você não sair há tanto tempo.
Ó que amiga que eu sou, hein? Tá bom.
A gente se vê lá.
Beijo. Tá bom, beijo. Tchau.
Um negrônico, pô.
É, ué.
Três coisas que você sente quando uma pessoa te atrai.
Cosgas bem ali.
Ele te olha e você se sente pelada.
O menor toque provoca um incêndio.
Tá calor aqui, né?
Tá bom, Dudu, tá bom. Vou beber.
Olha!
Olha quem vem na caixinha, Marinette!
Vim encontrar uma amiga.
É, tô vendo.
Esse aqui é o?
Christian. Prazer. Prazer.
Essa aqui é a Cami, assistente.
Você tá bem de assistente, hein?
E você, melhor ainda, de chefe.
Esse é o Dudu. Dudu, meu marido.
Ah, esse aqui é o famoso Dudu.
É, Dudu tá muito animado.
Eu tenho um pouco de claustrofobia.
Bom, então, vamos dançar?
Ah, não.
Eu não posso. Eu tenho que ir pra casa.
Vamos, essa música aí é a melhor. Se bobear, aquela sua amiga deve estar na
pista dançando. Tá,
mas só essa?
Não,
não, não. A gente vai tomar um negocinho antes.
E aí E aí
Bebida não tá me caindo bem?
Doutor, por favor, a gente já não viajou. Vamos tentar se divertir essa
Você não prefere ir pra casa?
Pra casa?
É. Pra casa fazer o quê?
Videogame, televisão, livrinhos de histórias, séries, mamadeiras de jantar
geladeira na hora de servir, é só colocar no micro -ondas. Deixa comigo,
certo, vai pra balada.
Qualquer coisa, me liga, relaxa. Ai, vou estar o tempo inteiro de olho no
celular. Cara, desce pro play, Sônia.
Tá bom. Tô bonita? Tá.
Roda. Então tá, vou correr ali que a Marina já tá lá.
Vai.
Obrigada.
É de bom, tá muito bom.
Me desculpa.
Oi. Oi. Oi, Sônia. Oi, tudo bem? Tudo bem?
Tudo bom?
Tudo bom.
Desculpa. Ela tá linda. Ela tá maravilhosa. Ela pegou.
A marionete é assim, ela pega, ela usa e ela joga fora. Você jura que isso é
verdade? Ela me falava isso, eu não acreditei. Não, como não? Você não
marionete. Não, na marionete eu sou minha chefe, né?
Você conhece o lado ruim da marionete.
Você vai conhecer o lado bom.
É maravilhoso. Eu vou pegar uma bebida. Tá bom. Já volto, desculpa. Imagina,
imagina.
Oi, tudo bem? Eu queria uma carpirosca de fritas vermelhas.
E pode ser bem docinha, bem fraquinha. Por favor.
Calma aí, Valentina.
Merda!
Como você é fraquinha, hein? Ai, cala a boca, Igor. Pega esse controle e bota a
gente só sai daqui na hora que eu ganhar uma. Ai, então a gente vai ficar até
amanhã?
Bota o play.
Tá perdida.
Tá tudo bem? Tudo bom.
E aí, tá preparada? Não sei, pra quê? Essa noite você é nossa.
Tequila!
Mais
uma!
Mais uma, tia.
Me engordou com o meu controle.
Ei, tá bugado!
Opa!
Bora jantar!
Vambora? Vamos!
E come bonitinho, tá?
Igor, larga esse treco aí pra comer.
Ah, mas você também, né, tia? Ah, mas você também, né, tia?
Eu tenho que ir para casa.
Ah,
vai dar uma cinderela agora?
É, eu vou voltar para o meu castelo.
Vamos tomar só mais um drink, então.
Só mais um, tá?
Só mais um. O último.
O último.
A gente não consegue mais se divertir, Dudu. Até minha chefe se diverte mais
eu. Que dominação, né?
Eu tava com a cabeça nas crianças.
Eu não consigo me divertir sabendo que as crianças estão aqui.
A gente não deveria ter desmarcado essa viagem. A gente precisa ficar sozinho,
só nós dois.
Foi você que desmarcou, meu bem.
Eu não tenho culpa, não.
A Matilda queria ser colorida.
Ela tinha muitas amigas vacas.
coloridas e ela queria muito ser rosa
O menino vai te enlouquecer.
O neném.
Que lindo.
Vou aproveitar para ligar para a Lelê para saber das crianças.
Sei lá se está tudo bem. Não, não vai fazer isso agora, não.
Por quê?
Agora? Para saber das crianças.
Que joia.
Pão, manteiga, cerveja. Canto!
Acordada, Priscila?
Uhum.
É que você vai, hein?
Eu tenho que ir.
Vem pra cá.
Vem.
Meu Deus.
Lê, só sei que depois dessa noite eu posso passar os próximos 10 anos só
esquentando uma madeira que tá tudo certo.
E eu vou daqui direto pra Berlim. Passar um ano na bala.
Gente, um ano.
Mas vem cá, foi tão ruim assim, ficar com as crianças.
Não, foi bom.
É que elas exigem muito.
Exigem. Cara, foi difícil pra caralho. Não sei como é que você aguenta, meu
amor. É que eu amo esses dois.
Cara, eu também amo esses dois.
Eles são fofos, mas é foda. É foda.
É muito foda.
Desistiu de ter filho, não?
Vamos ver que eu resolvi.
Jogar essa crise pra daqui uns dois, três, trinta anos.
Quer dizer que a crise passou, que ótimo.
Cara, você ainda me economizou uma grana de terapia. Não, você me economizou uma
grana de terapia.
Arrasou. Foi ótimo.
Só preciso de um pouquinho mais de prática.
É, pra mim foi ótimo também.
Foi muito bom.
O que que é a Juju?
O que é maravilhosa!
Então vamos combinar.
Toda vez que me bateu essa crise, eu venho e cuido das crianças.
Tá. E eu vou pra balada com o Gustavo.
Você vai pra balada. Não, eu vou pra balada com o Gustavo. Você vai com o
Gustavo. É.
Irmão, eu amo você.
Eu amo você muito.
Ah, para, Sônia. Obrigada.
De verdade, te amo.
Irmã, eu não sei o que seria de mim sem você.
Aleluia, um final de carinho.
Você seria a mais bagaceira. Uma careta do caralho.
Linda. Quer mais café?
Não. Não, tá bom.
Ai, que susto. Ai, Irani, que foi?
Achei que a senhora estava no quarto.
Você. Me chama de você.
Foi? Sai.
Achei que você estava no quarto. Ah, tá vendo como você consegue?
Tá tudo bem com a senhora, dona Marinati?
Marinati, tá?
Sou Marinati.
Tá tudo bem com a senhora, Marinati? Tá.
Tá tudo ótimo, Irani. Tudo maravilhoso.
Desculpa aí a sujeira e a bateção, mas uma hora acaba, tá?
Ai, Irani, você.
Com essa marreta. É que nem um coração pulsando nessa casa bate. Pode bater,
pode bater forte.
Essa é doida.
Um expresso duplo, por favor.
Açúcar. Açúcar.
A tanta açúcar.
Esse é o ovo que faltava na minha marmita, tio.
Tão bonitinho.
Nossa, ele tá muito maltratado.
E esse cabelo aqui tá seco.
Pode seguir.
Vai até a farmácia. Compram hidratantes.
Está tudo certo, Marinati.
A reunião é depois de amanhã. Como é que está a nossa defesa? Está tudo
maravilhoso, Ferreira. Tudo maravilhoso.
Oi?
Tranquilo. Está tudo tranquilo. A Ana Gomes já me ligou três vezes hoje.
Você tem falado com ela?
Quem? A Ana Gomes.
Com quem você está falando, Marinatti?
Eu?
Com a Ana Gomes.
Ela acabou de me mandar uma mensagem.
E o que ela está dizendo?
Está dizendo que está com saudade.
Quer dizer, está dizendo que está ansiosa.
Ela está ansiosa pela reunião.
O que você tem, Marinatti?
Tenho nada.
Nada. Está tudo sob controle.
fazendo aqui?
Ah, meu Deus.
Marinati, pelo amor de Deus, o que está acontecendo com você?
Queca, eu fui transportada para uma outra dimensão.
É isso que você não está entendendo. Menos, Marinati, muito menos. Eu estou
conversando com você, mas eu estou pensando nele.
Eu não paro de pensar nele. Eu não consigo parar de pensar nele. Foi muito
bonito, mas não agora.
Outra vez também foi assim. Eu viro outra pessoa.
Eu fico uma tonta.
Eu não consigo me concentrar no trabalho.
Queca, eu vou perder esse caso. De jeito nenhum, Marinati. Eu deixei de viajar
pra gente fazer esse direito. Volta pra cá.
Não dá.
Fodeu. Faltam dois dias pra reunião. Lembra de tudo que você me falou.
Nada mais tem importância.
Essa é a chance da sua vida, Marinati.
Vence, Queca.
Já, seu amor.
Para, Marinette. Para com isso. Ai, meu Deus.
Por que isso tinha que me acontecer? Porque a vida é assim, né, Marinette? A
vida é assim.
Mas eu não vou deixar você estragar isso. Não vou deixar.
Vem aqui, Marinette. Presta atenção.
Tira esse sorriso idiota da cara.
Esquece o bombadão.
Esquece. Pelo menos até a reunião.
Promete? Promete. Barca viking.
Barca viking.
maior desgraça que aconteceu na minha vida.
Isso porque a gente só tá começando. Ai, meu Deus.
Vamos pegar aquela champanhe francesa. Com champanhe é bom.
Christian, você me prometeu. Tá suça, princesa, tá suça. Eu prometi que a
só ia se falar depois da sua reunião.
Você jura?
Juro.
Ai, que susto.
Irani, o que está acontecendo com a minha vida?
Você está falando dos caras?
Não, eu estou falando de tudo.
Irani, a minha vida está que nem isso aqui, ó.
Eu perdi o controle.
Ah, assim que é bom, né?
Perdi o controle.
Quer saber?
Agora já foi. Melhor relaxar.
Então, tem uma coisa que eu também preciso te falar.
O quê?
Não, não é nada demais.
Não, fala.
Sabe aquela coisa que eu te falei quando a gente se conheceu? Não, o quê?
Aquela coisa não é bem assim.
Você é casado? Não, não.
Deus me livre.
Então, o que é?
Na verdade, eu ganho mesada da minha mãe, tenho quatro filhos com duas ex
-mulheres e estou devendo 20 paus no banco. Você pode me emprestar?
Ai, que susto.
Achei que você ia dizer que não me ama mais.
Dona Marinette? Eu tô tratada, Irani. Você vai pra lá no banheiro? Pode. Não,
não, não. Tem um amigo meu lá.
Amigo?
Tchau, Irani.
Olha
ela
aí.
Já começamos aqui, Marinette.
Por favor, continue.
A gente gostaria de tentar resolver de uma forma civilizada.
Tentar um acordo.
Sabe qual vai ser o único acordo que vai ser feito aqui?
Eu fico com tudo.
E você fica com aquela estatueta africana que a gente comprou na cidade
Sabe pra quê?
Pra você enfiar ela no cu.
Tá bom pra você uma estatueta africana enfiada no cu?
Você acha que vai ganhar alguma coisa minha?
Alguma coisa que eu conquistei só porque tá aí toda nervosinha, toda putinha.
Você acha que eu tenho medo de você?
Será que você pode não me dirigir mais a palavra?
Bernat, explica pra esse sujeito qual o tamanho da trolha que ele vai levar.
Nós todos estamos sentados aqui na mesa hoje pra falar, pra falar
de bens, de pensão, de dinheiro,
não é? Pra isso nós estamos aqui.
Mas na verdade, na verdade nós estamos aqui porque... Na verdade
nós estamos aqui falando de amor.
Estamos falando de amor.
De um amor que virou ódio.
Gente, isso é uma bobagem.
Isso é uma bobagem.
Pra que se odiar se a gente pode se amar?
É, vocês dois aí querendo se matar. Mas que coisa. Vocês tiveram uma história,
uma história tão bonita de amor.
Ele gostava de lamber o dedão do pé dela.
Vamos parar com isso, então. Vamos decidir isso agora.
Vamos largar a mão de se odiar. Vamos se amar.
Sim. Sim.
Vamos se amar.
Ironia, minha vida acabou.
Exagera. Não, era minha chance.
Ai, que vontade de me matar.
Ô, ô, ô. Você recupera.
O Ferreira não quer nem me ver na frente, Irani. Ele me deu férias
Disse que vai recuperar o cliente sozinho.
A minha assistente vai viajar.
E eu continuo gostando do Christian.
Você desculpa eu falar, mas aí eu acho burrice. É, burrice, né? Meu Deus,
sou burra. Ai, que vergonha.
Tem que lajar esse homem, ó.
Impossível. Então casa com ele.
A melhor maneira pra acabar uma paixão é casando.
Viajar junto é a pior coisa para uma relação.
Você pode até amar uma pessoa. É só viajar junto que você nunca mais quer
para a cara dela.
Irani, você me deu uma luz.
Ih,
aquela ali não é sua chefa?
Não acredito.
Oi.
Oi.
o Marinato, mas eu acho muito difícil pra esse negócio sair dar certo.
Tem que dar certo, Keca.
Eu preciso me livrar dessa coisa. Eu vim aqui pra salvar minha relação, você vem
aqui pra estragar a sua.
Antes que vire casamento.
Oi.
Que bom, tô com saudade.
Sol, mar, caipirinha.
Dizem que o ser humano se acostuma com tudo.
Sorriso lindo.
Ah, obrigado.
Nem se compara com o seu, princesa.
Como é que você quer que a gente fique numa boa?
Se você dá mole pro primeiro que aparece. Dudu, só tem que aguentar a
minha chefe. Agora você também vai me encher o saco? Até ela ficou
viu? Ai, Dudu, me chama de burra logo, vai.
Oi? É, toma mulher burra pra dar em cima do namorado da chefe.
Agora vai, vem cá. Toma um banho comigo. Tem mil anos que a gente não tá lá
banho.
Vem cá, Dudu.
Ai, tá fria.
Como é que esquenta isso aqui?
Aqui, Dudu, aqui.
Espera, Keca, espera, espera.
Como é que esquenta isso aqui, Keca? Não está quente já, né? Eu estou falando da
água. A água está 40 graus. Eu não tomo banho de água fria, Keca.
Aposto que essa porra é de energia solar também.
Está maravilhosa.
Sai daqui, Dudu.
Oi? Sai daqui.
Deixa eu tomar banho em paz, chato.
Quinze mensagens da minha mãe.
Ai, minhas crianças.
Ai, está tudo bem. Por que que não está?
Só que você disse que ia telefonar quando chegasse, né? A gente fica
Olha, e tem outra coisa.
Vocês precisam se dar a bota desses meninos. Não tem cinco anos e já ficam
falando palavrão?
Não tem habituada com isso, não. Calma, mãezinha. Calma. Calma.
A gente acabou de chegar aqui.
O sinal tá muito difícil.
As crianças?
É, é, só pega na praia.
As crianças?
As crianças estão bem? Tá tudo bem?
Aham.
Pô, mãe, vou te contar aí. Não gosta de ficar um dia com essas crianças?
Vamos almoçar, vamos.
Queca!
Vem, vem, a gente pediu uma mesa pra quatro pessoas.
Mãe?
Não.
Senhora, olha, você precisa se alimentar, tá muito magrinha.
Ah, masila, que isso.
Olha só, a gente vai fazer um passeio nas dunas amanhã, vamos. Ai, dunas, eu
amo. Não, não, não, não, a gente vai ficar aqui na pousada mesmo.
É, a gente vai curtir um pouco, só nós dois.
Nossa, que milagre, né, doutor?
Imagina, eu acho que esse negócio da marinata já é contagioso. Que bom, tá
vendo? Que negócio, que negócio.
O que foi, Dudu? Engasgou.
Oh, meu Deus.
Engasgou.
Calma, Dudu.
Dudu, calma. Dudu.
Você está bem?
Você já está bem?
Fala comigo, o que foi?
Trinta mensagens.
Eu tava pensando num café, né, Marina?
Ah, pelo amor de Deus, né? Quer café pra um bebê? Tá bom mesmo, viu? Primeira
vez que eu consigo relaxar nessa viagem.
Vocês são esquisitos, né?
Não, é muito mais que esquisito. A melhor parte da viagem foi encontrar a
sete. Uma tristeza.
Falei que esse negócio de viagem não rola. É, mas é ele que não quer que
sabe? Ele faz tudo pra eu não suportar mais ele.
Vocês estão transando, pelo menos, né?
Já tem um ano que a gente não transa. O quê?
Um ano? Aí é bom. Umba, terra arrasada.
Não é como uma viagenzinha pro Nordeste que você resolve uma coisa dessas? Mas é
desse tipo de motivação que eu tô precisando. Então vai lá, né? Já que
tanto. Eu quero mesmo.
Eu quero muito.
Aliás, eu vou logo, né? Antes que ele durma.
Dudu. Duduzinho.
Oi, Dudu.
Dudu, você vai dormir? Eu não acredito.
O quê?
Eu quero dormir.
Você quer fazer o quê?
Você acorda cedo, né? É.
Senão não pega lugar.
Ali, ó. Vamos pegar aquela cadeira ali.
Ali, amor. Vamos pegar aquela ali.
Vai, Toninho. Vai, Toninho.
Vai.
Vai.
Ah, mais coisa daqui. Vamos tomar café. Você tá louco, Keca?
Quando a gente voltar, eles vão ter tirado a nossa bolsa daqui e pegam o
lugar. A gente tá preso aqui, é isso?
Eu não vou perder o melhor lugar da praia. Sim, mas eu quero tomar café.
Então vai, meu amor.
Vai. Quando você voltar, eu vou.
O pesamento de tudo, Dudu. A gente não tinha combinado de ficar juntinho?
É.
Com a sua chefa e aquele playboy metido a beira. Então vamos aproveitar que eles
não estão aqui hoje, né? Que estão nas dunas juntos.
Vamos ficar juntinho assim, só nós dois.
Eu não saio daqui.
Fica, Dudu.
Fica.
Vai, vai, ó.
Cuidado com os coqueiros, viu?
Eu vi um coco cair logo ali.
Se isso cai na cabeça de uma pessoa, já era.
É um perigo.
Duval, é a sua vez de tomar café.
Vai logo antes que tire a mesa. Eu vou, eu vou.
Morre.
E sai daqui.
Você quer me amarrar no pé da cama?
Eu volto.
Quatro sinais de que seu amor está indo para o saco.
Fiques dele que você curtia viram insuportáveis.
Nada do que ele te diz te interessa mais. Eu não sei se eu te falei, mas o
sentimento foi ligado ao coração só para te deixar com o capuz.
Em vez de olhar para ele nos olhos, você procura caspa no ombro dele.
Você pensa em como será daqui a dez anos e quer morrer.
Ô, Keka!
Eu não falei pra você não sair.
Eu não pedi pra você não sair daqui.
Eu não acredito que você tá falando sério.
Quer perder o lugar?
Eu quero ir pra uma outra praia. Vamos pra uma outra praia?
Eu não vou sair daqui.
Eu quero uma tornozeleira eletrônica, já que eu tô prisioneira desse lugar.
Normal isso, 40 graus de febre? Ah, insulação.
Só o caseiro, um chá de manjericão com gengibre e com pressa.
Aqui a gente sempre prefere o tratamento natural.
Amanhã você já vai estar bom, bom, bom. E olha, nada de banho caite. Está ótimo,
Gillespie, obrigada.
Não sei nem como te agradecer.
Namastê.
O insuportável peso do homem doente.
Ele se sente um doente terminal.
Tira a temperatura de 15 em 15 minutos.
Raje mãe o tempo todo.
E te chama de 2 em 2 minutos.
Quarenta mensagens. Ai, meu Deus, as crianças.
Eu vou até lá.
Ai, ai.
Alô?
Ô, meu filho, fala com a mamãe. Mãe?
Não, só você com a gente no quarto.
Ela é uma bruxa.
Alô? Mãe?
Boa noite, né?
Eu nunca mais vou tomar sol na vida.
Vem tomar café, vem. Não, não quero café, não. Não quero sol, não quero
mar, não quero nada.
Eu não vou sair desse quarto o dia inteiro.
Você pode sair se quiser, viu? Não precisa ficar aqui comigo, não. Eu fico,
feliz. Não, vai lá.
Vai lá, na sua praia, no seu sol.
Pelo menos alguém tem que aproveitar isso aqui.
Mas não precisa falar muito, não, viu?
Vai.
Eu prefiro ficar sozinho.
Ah, então eu fui.
Ó!
Fica longe do playboy.
Cuidado com os coqueiros.
Ai!
Bonito biquíni, hein? Como é que foi lá nas dunas?
Altas dunas.
Coisa linda, coisa maravilhosa.
Só faltou você.
Onde é que tá a Marinati?
Ela tá na piscina.
Tá.
E aí, hein? Como é que foi?
Foi ótimo.
Esse aqui é o pior.
O passeio foi maravilhoso.
Ele me trata assim.
A gente não para de trepar.
Eu não sei mais o que eu faço.
Olha ele lá.
Ele não é um fofo. A Marina atinou, né? Não tá funcionando, Keca.
Eu tô cada vez mais louca por ele.
Se eu quero pra tá ruim, tá bom. Se eu quero pra tá ótimo, tá uma merda.
Não rolou?
Não, ainda.
Mas vai rolar.
Acho que você tá usando a tática errada, viu?
Chuta logo esse balde.
Não faz meu estilo chutar o balde. Eu acho.
Vamos dar uma andada na praia, vamos?
Ajuda. Ajuda.
Essa praia é linda. Essa praia é maravilhosa. Vamos?
Deus do céu, é uma energia.
Vai que eu tomo conta das coisas. Lá vou eu.
Tchau, que que é?
A viagem tá 10, não é, princesa? Que hora que tá?
A gente podia viver aqui pelo resto da vida.
O resto da vida?
Ai, meu Deus, me ajuda.
Marinette!
Marinette!
Marinette!
Como essa presença é gostosa, hein?
Confio em você, Marinat.
A melhor advogada do escritório.
A melhor.
Barca rica?
Hã?
Ai, ai!
Ui!
Marinati, olha só.
Presta atenção. Caiu um coco na sua cabeça. Eu achei que você tinha morrido.
Um coco?
Sim. Caiu lá de cima.
Onde é que eu estou?
Na Bahia, Marinati.
Na Bahia?
Não me assusta não, Marinati. Olha, sou eu, o Christian.
Tudo tá bem, meu amor?
Meu amor?
Ai, meu Deus do céu.
Barca Viking.
O que você tá falando, Marinade?
Christian.
Ai, que bom. Que bom que você lembrou.
Passou. Passou.
Passou o quê, Marinade? Você.
Você passou, Christian. Meu amor, olha só. Vamos fazer um curativo na cabeça?
Eu tô boa.
É? É, que bom. Que bom ouvir. Eu tô boa. Eu voltei ao normal.
Eu voltei a ser eu. Ah, ok. Tá.
Curativo? Vai fazer?
Barca Vick.
Barca Vick. Meu Deus!
A reunião!
Ai! Preciso voltar pra São Paulo.
Agora! Não, não. Peraí. Marina, volta aqui, Marina. Olha só.
Tem que fazer um raio -x. Caiu um coco na sua cabeça.
Esse coco restartou o meu cérebro. Isso sim, Cris. Peraí, Marina. Peraí.
Ah, isso mesmo.
Nada como uma porrada na cabeça, né, Marinatti?
O que é que você tá falando, Marinatti?
Olha aqui, olha aqui, meu Deus do céu, Ferreira. Ana Gomes, como é que eu vou
fazer aquilo, coitada da Ana Gomes?
Eu tenho que corrigir isso?
Pelo amor de Deus, eu tenho que... Como eu vou ser tão burra, burra, estúpida,
estúpida, cretina, idiota?
Espera aí, espera aí, a gente vai ter que voltar pra São Paulo? A gente quem?
Escuta aqui, vou te explicar uma coisa. Não tem agente.
Você é um cretino, um oportunista. Eu?
É, um aproveitador picareta.
Marinati, onde é que você está indo?
Eu estou indo para o aeroporto. Eu vou voltar para o escritório já.
Mas hoje é sábado. Foda -se.
Eu vou junto.
Não, você fica.
Como é que eu vou ficar? Eu não tenho grana para pagar esse hotel, Marinati.
Foda -se.
O que está acontecendo? Cadê a Marinazzi?
Eu não estou entendendo mais nada, entendeu?
Vocês brigaram?
A Marinazzi disse que não quer saber de mim, que vai para São Paulo.
Calma, tá? Calma, a gente vai resolver isso. Eu não estou entendendo mais nada.
E eu não tenho grana para pagar esse hotel.
Calma, senhor.
Calma, fica tranquilo. A gente vai resolver isso com calma, tá bom?
Eu sabia!
Eu sabia que você estaria aqui com ele.
Para, a gente tava só conversando. Eu não sou idiota! Calma, calma, só
conversando.
Melhorou da insolução?
Melhorou nada.
Então volta pro quarto, você não pode pegar sol. Não! É, vai pro quarto. Eu
eu vou.
O que que é? O que que é? Aí.
Cinquenta recados da minha mãe. Ó lá.
Não, não, não.
Não, não, não.
Me fudia.
Eu não posso ficar nem doente que você aproveita pra dar pra outro cara. Para
com isso. Vai, Dudu. Você tá exagerando. Eu não quero papo. Eu quero que você...
Você machucou?
Calma, vai, Dudu. Calma. Pelo menos só rompeu o ligamento.
Só? É porque não é você que vai ter que fazer três meses de fisioterapia. Você
tinha que correr naquelas pedras. A culpa é sua. A minha.
Essa porra dessa viagem.
Se eu tivesse ficado em casa, nada disso teria acontecido. Agora é eu que estou
com o pé engessado. O pé vai engessar a bunda também.
Oi? Por conta do pé na bunda que você vai levar.
Quê? Dudu vai tomar no cu.
Que que é isso? Ah, é isso mesmo.
É isso mesmo. Cansei de ser boazinha.
Cansei de segurar ondas. Eu não queria separar. Pois bem. Tá maluco? Agora quem
quer separar sou eu. Mas lá estava com a minha mãe. Ai, ai, ai. Que que é com
você? Aguentar você, a louca da sua mãe. Deve estar muito maluca mesmo.
Que que é isso? Você conseguiu, Dudu. Parabéns.
Era isso. Você queria que eu chutasse o balde. Pronto, eu chutei o balde. Você
conseguiu. Queridinha, como você está indo?
Eu vou para o aeroporto.
Dudu, vai tomar no cu.
O que é isso aqui? Não é? O que é isso? É maravilhoso. Compratei a banqueteira
mais foda da cidade.
Arrasou. Fez muito bem tudo pra agradar a clienta. Sei que é importante pra
você. É isso aí.
Sonia. Que mulher.
Eu achei que ela nunca mais ia olhar pra minha cara.
Mas não, ela entendeu tudo, compreendeu tudo. Você acredita?
Que bom, né? Precisava recuperar esse caso. Então você conseguiu um brinde.
Arrasando. Paraíso ou suicídio?
Suicídio não, né amiga? Menos. Menos não.
Recuperei a cliente.
Ganhei o caso.
E hoje a gente vai laçar ela de vez. Porque a ideia é cuidar de todo o
patrimônio de Ana Gomes.
Está explicado, então, essa chiqueza toda? Você pensa em tudo, Marinatti.
ela tem que ver que eu faço tudo direito.
Direito, perfeito.
Está maravilhoso.
Você caprichou demais. Está lindo.
Calma, calma.
Quieta.
Ela gosta.
Que bom que você chegou. Tô tão nervosa. Calma, Maria Nath. Vai dar tudo certo.
Vem cá, deixa eu te falar uma coisa.
Você tá tão linda. Tá diferente.
Oi. Você pare.
Ah, tá explicado. Você também. Você tá ótima. É, eu tô meio entretada.
Deixa esse criança lá na casa da minha irmã. Ah, que ótimo. Ela gosta de
criança? Deteta.
Vai tá aprendendo.
Abre o dedo.
Tá bom.
Amor.
Parabéns, Marinais. Tudo perfeito. Que bom. E cadê ela que não chega?
Já achou que tá vindo?
Não.
Tá no jeito, madame.
Tá.
Tchau.
. . . . .
. . . .
.
Achei!
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