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CASA COMPARTILHADA
Subpack e sincronia by DanDee
Nunca sei como conseguimos visit�-los.
Molho gorduroso, bolo nojento.
-Por que tanto molho? -Se v�o fazer, que fa�am muito.
Est� congelando.
Estamos com voc�s! Habita��o decente para todos!
O que � desta vez?
Eu gostaria de limpar essa bagun�a.
Veja quem �. Com a menina, ainda por cima.
Educada em manifesta��es!
Burgueses bo�mios, que compram produtos org�nicos!
Contribuintes orgulhosos!
Votam na Esquerda e vivem bem na Margem Esquerda!
Tiraram o bolor, derrubaram as paredes...
e derramam concreto encerado sobre parquete!
Os lofts estavam ocupados!
Deve haver alguma solu��o. Sem ter onde dormir, � injusto.
-O que podemos fazer? -Neste frio...
Sim, meus p�s est�o congelando.
Vamos.
Ol�.
-Parece um idiota. -Sempre diz isso.
Sempre me surpreende.
Droga!
Desta vez vou dar queixa.
Vou dar queixa!
Da pr�xima vez a pol�cia vai desligar!
Eles t�m coisas melhores para fazer.
Idiota!
Ela delataria judeus aos nazistas!
Ela � judia.
Ela gostaria de n�o ser!
Acredita nisso? Da pr�xima vez, vou dar queixa.
Da pr�xima vez, ele vai ver.
Sob a asa de Laval...
alguns franceses da zona livre auxiliam os alem�es.
A principal not�cia de hoje...
medidas sem precedentes para enfrentar o frio extremo...
com previs�es recordes. Manifesta��es massivas...
est�o ocorrendo em todo o pa�s, sobretudo em Paris...
onde milhares tomaram as ruas...
para protestar contra a falta de moradia.
Marie Piroisse.
N�o h� mais habita��o.
As pessoas congelam, o sistema est� saturado!
A Marcha da Requisi��o foi ao Minist�rio da Habita��o...
Marcha da Requisi��o!
Como centenas de seus colegas...
Myriam � parte dos atuais "trabalhadores pobres".
O que � "trabalhador pobre"?
Trabalhador que n�o pode pagar uma habita��o decente.
Mas t�m um trabalho!
H� dois anos, Myriam mora no carro.
E ela tem um carro!
Conjuntos habitacionais de baixa renda.
Outra hist�ria, mesmo problema: conhe�a Habiba.
Habiba...
Divorciada, embora empregada...
agora est� na rua com os dois filhos.
Uma reuni�o de emerg�ncia do Minist�rio...
Est� brava conosco?
N�o, creio que n�o. Por que estaria?
Bem...
-Voc� tamb�m vai dormir? -Sim, estou exausto.
Habiba!
Mobilizou 1.500 homens. A neve...
Um dispositivo extremo para liberar unidades adicionais...
� um fato comprovado...
fazer amor reduz efetivamente o risco de ataque card�aco...
por meio da atividade card�aca e arterial.
De fato, o sexo tem um efeito anti-hipertensivo natural...
estimulando o sistema cardiovascular...
e o sistema circulat�rio.
N�o � nada novo: fazer amor � intenso e fisicamente cansativo.
N�o por acaso existe o termo "esporte na cama".
Ser sexualmente ativo...
� provavelmente o melhor e mais agrad�vel...
de todos os esportes...
colocando todos os m�sculos do corpo em a��o.
Sabia que estaria acordado.
Acredita nisso? Um porta-voz dos Direitos de Habita��o...
exige que o Estado aplique a lei de requisi��o de espa�o vago.
Eles sempre falam, mas nunca o fazem.
-Desta vez � para valer. -Voc� disse isso no ano passado.
-Ano passado foi ano passado. -Voc� disse isso tamb�m.
Vi um programa interessante.
Dizem que fazer sexo regularmente � muito bom.
� um regulador natural da fun��o card�aca.
Pode me cobrir? Estou com frio.
N�o durma com a janela aberta.
Entreaberta! Eu gosto de estar quente num quarto frio.
Sim? Chamou, querida?
� certo existirem desabrigados...
e voc�s dormirem em quartos separados? Veja.
Congelou at� a morte em seu carro!
Pare! Na hora de dormir? Vou ter pesadelos.
Somos sortudos. Quando se casar, vai entender.
-N�o se preocupe. -N�o me preocupo, n�o ligo.
E casar-me? Para acabar como voc�?
Por qu�? Seu pai ronca e eu sou friorenta. S� isso.
O quarto azul � assustador. Vamos reform�-lo.
Por qu�?
Nenhuma raz�o.
� assustador.
N�o vai dizer boa-noite?
-Espere. Eu des�o com voc�s. -Tudo bem.
Encontrei um t�tulo. "Para�so Branco".
-Talvez, mas n�o diz nada. -Como n�o diz nada?
N�o � evocativo. Estou atrasada. Voc� � muito devagar. Beijo!
Trabalho assim. Acho um t�tulo e ele leva a uma hist�ria.
Gosto de "Para�so Branco". Branco...
Uma hora e meia para chegar! Nevou muito nos sub�rbios.
Bom protesto ontem?
Ano passado, havia 3.000 pedidos...
e 200 apartamentos. N�o lhe incomoda?
N�o, claro que n�o.
N�s da Direita n�o temos cora��o!
Pare!
Ela n�o pode dizer "ol�"? Idiotas...
Cretino!
-Audrey, voc�... -N�o!
-Est� frio hoje. -Sim, o pior inverno.
-Bom-dia, Sr. Bretzel. -Bom-dia.
Muito obrigado.
Obrigado, at� mais.
-Bom-dia. -Tchau.
Bom-dia!
Ent�o...
a habita��o numa economia...
liberal.
Qual � o papel do governo franc�s?
-Viu os jornais? -N�o, estava atrasada. Por qu�?
"Qualquer trabalhador cujo sal�rio...
seja inferior ou igual � metade do limite de seguran�a...
que n�o conseguir encontrar um alojamento decente...
tendo em conta os valores m�dios de aluguel...
podem se inscrever no Escrit�rio Central...
-de Aloca��o de Apartamentos. -Legal, n�o?
O Escrit�rio Central de Aloca��o...
foi autorizado a atribuir um quarto particular...
para cada candidato.
Casais receber�o um quarto para duas pessoas.
Bubba, Booba, Bobba...
N�o podem deixar sua tralha aqui. N�o � um hotel.
A �rea comum nos apartamentos que forem compartilhados...
deve ficar acess�vel...
Philomena? Pode limpar o forno tamb�m?
-Est� bem. -Obrigada.
Os apartamentos de 100m�...
O �ndice Abb� Pierre � de 50.
O casal deve, portanto, receber tr�s moradores.
Droga de tempo, droga de pa�s!
Perd�o pelo atraso. O que h� com esse tr�nsito?
Ent�o ainda n�o sabe?
N�o ouviu o r�dio?
Sim, m�sica cl�ssica. Por qu�?
Acabou, vamos deixar a Fran�a.
-Findou, terminou. -O qu�?
-Quanto tem seu apartamento? -Tem 200m�.
O meu tem 300. Por qu�?
A GRANDE REPARTI��O
Que palha�ada � essa?
O decreto da Grande Reparti��o foi aprovado!
...de espa�o insuficientemente habitado.
Utilizando-se o �ndice Abb� Pierre.
Deve-se medir a �rea total do apartamento...
e dividir pelo n�mero de moradores.
Se o �ndice for igual ou superior a 50...
o apartamento � qualificado...
Para ser compartilhado e aberto a moradores adicionais.
Sim!
Apartamentos de mais de cem metros quadrados...
Ningu�m � mais de Esquerda do que voc�!
Marchas pelos imigrantes! Ocupa��o da Igreja St. Bernard!
Tr�s noites com posseiros em Cachan. Pais e av�s comunistas!
J� distribuiu refei��es e barracas para desabrigados!
B�a, abra a porta. B�a!
N�o podemos ficar parados.
Disseram que tinha 250m�.
Medi e n�o chega a 200! Propriet�rios desonestos!
N�o ter� de compartilhar!
Nunca. Danem-se os pobres.
Eu tive uma m�e sem cora��o...
e n�o tenho filhos, ent�o...
-Voc� est� bem? -Adivinhe.
Um choque presidencial.
A aprova��o da Grande Reparti��o...
-Voc� parece perplexo. -Isso � um eufemismo.
Coloquei o sof� mais perto da TV.
-Quiseram a Esquerda! -N�o � a pol�tica. � a �poca!
Comprova��o de emprego. Andem, por favor.
N�s o compramos h� apenas dois anos.
N�s reformamos tudo. Havia uma parede aqui.
Aqui tamb�m. E aqui...
Ou�a, teve sorte de comprar um grande apartamento...
no centro de Paris.
N�o � sorte! Eu trabalho para caramba!
A quota de habita��o � uma medida de emerg�ncia.
E por "emerg�ncia", queremos dizer...
Emerg�ncia.
Isto a afeta?
S�o quantas pessoas na sua fam�lia?
Tr�s. Tempo integral.
Tr�s!
-Ela � uma gracinha. -N�o, ela chora dia e noite.
Um casal com um filho, dois no m�ximo, seria melhor.
Assim, compartilham o espa�o.
Tem um talento especial para decorar.
Meu parceiro trabalha, dia e noite, em casa.
� escritor, precisa de tranquilidade.
Resistente, com uma crian�a que chora.
Sim, bem que imaginei!
Gr�gory Bretzel!
"Para�so Azul". Eu adoro.
Quer conhec�-lo?
Consegui dar um jeito.
Venha! Ande!
Estou contente por garantir a serenidade necess�ria...
para sua criatividade.
Poil, como em...
N�o, Josiane Poil, como em...
Pronto. Uma pequena dedicat�ria.
PARA�SO AZUL
Boa sorte!
Boa sorte!
Que vergonha, B�a!
Quem sonega imposto aqui?
Isso � diferente!
D�-me meu rel�gio.
OS RICOS OS AGUARDAM Vamos, r�pido!
Temos de ir ao cart�rio dizer quantos quartos temos.
Eu li isso v�rias vezes.
Dev�amos ter tido mais dois filhos!
� o terceiro esta manh�.
Um s�bito desejo de reaproxima��o familiar.
N�o posso garantir que teremos quarto... em mar�o!
-Como vai, m�e? -� um prazer rev�-la, Fran�oise.
O que s�o poucos meses numa vida?
Pare com isso!
Acabei de varrer.
Est�o se mudando?
Sim, alugamos um pequeno est�dio.
-Eu teria apreciado a mudan�a! -Serge!
Que bom ser locador!
Eu que o diga. Controlo o aluguel!
Quarenta anos de servi�o e nunca recebi uma gorjeta.
Nem um centavo! N�o sentiremos saudade!
Venha, vamos.
-Coloque-a no seu quarto. -Sua m�e? Por que no meu quarto?
Mova seu carro!
Est� bloqueado! Bloqueado!
N�o pude esperar. Fui direto ao Escrit�rio da Habita��o.
Alguns dias a menos de frio para esses coitados.
-Jean-Claude. -Bem-vindo. Por aqui.
Espere.
-Pronto. -Obrigada.
-Odile. -Bem-vinda. V� entrando.
William.
Bem-vindo.
Bem-vindo, William.
Fiz bastante caf�.
Sou s� eu.
-Voc� est� bem? -Sim.
-Esta congelando, n�o? -Sim.
Viaja por 90min todas as manh�s?
Deve ser pior � noite. E seu marido?
Ainda sem trabalho?
Cem euros.
Oitenta.
Cem... por dia.
E pens�o completa.
Bem-vinda.
Sou eu!
-Boa-noite. -Boa-noite, Audrey.
Vov�!
Que alegria!
Faz tr�s anos!
Tr�s!
O que est� havendo?
Voc� se atrasou e come�amos a jantar. Fiz sopa.
-Veja como voc� fala. -Falo como quiser.
Elas podem ficar juntas.
Philomena � diferente. N�s a conhecemos.
E voc� vai estar mais perto da vov�. A fam�lia � importante.
� importante hoje em dia. A fam�lia.
Precisa de algo, Fran�oise?
Boa-noite.
O que � isso?
N�o, obrigado. N�o hoje. Ap�s um dia p�ssimo.
Agora sejamos discretos at� isso passar.
Ningu�m vai investigar.
Vai congelar suas n�degas.
Ol�, senhor!
Obrigado.
-Por favor, desculpe-o. A�ssa. -Gr�gory Bretzel, moro embaixo.
-Prazer. -Deixe-me ajudar.
Obrigada.
Obrigada.
-Estou t�o envergonhada. -Por qu�? N�o precisa.
Ele est� com a safada que requisitou nosso lugar.
Ela n�o o requisitou. Foi atribu�do a ela.
S� conserte a TV.
-Obrigada novamente. -Sem problemas.
Eu me recuso a ser um pequeno burgu�s!
Eu me recuso!
Voc�, dividindo espa�o com um estranho?
Detesta que eu lave sua roupa com a da nossa filha!
Mas somos esquerdistas!
Adorei sua classe.
Pare, vou corar.
N�o, � verdade. Numa fam�lia, quando um irm�o...
uma irm� ou prima est� em apuros, todos se ajudam.
-A sociedade deve ser igual. -Sim, tenha um bom dia. Tchau.
Tchau.
� uma oportunidade.
Eu sei, n�o � certo, eu ser t�o ego�sta.
-Voc� consegue. -Meus l�bios est�o doendo.
Voc� consegue.
D� trabalho ter ideais.
Odeio ter votado na Esquerda.
Sinceramente, se tivesse de fazer tudo de novo...
e nos dissessem, puxe esta alavanca ou aquela...
jure que ainda escolheria a Esquerda.
-Eu juro! -Mentiroso!
-Ol�, Sr. e Sra. Bretzel. -Ol�, Bernadette.
Ol�.
-Ol�, Sra. Dubreuil. -Ol�, Bernadette.
Ficar� mais � vontade, ter� mais privacidade.
Pronto.
Pensamos em reformar, mas com as crian�as e o trabalho...
� t�o inconveniente. Pronto.
Tem um teto sobre a cabe�a.
O banheiro � no corredor.
Vamos comprar-lhe papel.
Bem-vinda.
-N�o tem fome? -N�o, obrigado.
-Tem certeza? -Absoluta.
Muito bem.
Muito bem.
Quem somos n�s, B�a?
"Quem somos n�s?"
Pessoas �teis. Alguns alugam lugares bem menores.
-Aonde vai? -Fumar.
Compra um Lib�ration? N�o tive tempo hoje.
Na renascen�a do cl�, em que comparecem v�rias mulheres...
a supremacia branca novamente volta aos nossos princ�pios.
Enquanto realizam essa...
Nunca fico em paz.
Quieto, Jean-Marie.
Tem cigarro?
-A loja est� fechada. -Os orientais fecham mais cedo.
J� notou...
que s�o uma ra�a da qual nunca ouviu falar. Nunca.
Diferente de outros. Tem desabrigados?
Como todos.
Quando h� programas sociais, todos aparecem.
Mas quando � hora de pagar o aluguel, somem. Onde est�o?
Pobre Fran�a. Se todos tivessem votado como eu!
N�o, � quinze. Taxa noturna.
Obrigada.
A seu servi�o.
-Ele tem desabrigados. -Claro, vive s�. Est� entediado.
Um quarto ou meia?
Que tonta. Dois p�es! Tr�s! Tr�s p�es inteiros!
Vamos l�.
Vamos comprar macaroons. Encontramos voc�s no caf�...
para um chocolate quente.
-Comprem uma centena. -Do qu�?
De macaroons!
Ela est� t�o desagrad�vel.
Como comprar-lhe uma TV � dif�cil? Uma TV!
N�o foi o que eu disse.
Vamos.
-Ol�. -Vamos.
Com licen�a, obrigado.
-Fizeram compras? -Uma TV.
� pesada.
N�s compramos macaroons.
Que feio.
-J� chega, n�o? -N�o.
Minha m�e.
Senhora.
A governanta mora com voc�s?
Eu n�o disse nada. Ela viu minha bagagem.
N�o precisava trazer tudo isso.
S�o minhas coisas.
Roupa suficiente para uma vida.
Sabe quantas den�ncias recebem por dia?
-N�o sei. -Chute.
-Trezentas? -S�o 1.500 cartas por dia!
Meu chefe isso, meu vizinho aquilo.
Seu envelope est� na gaveta.
N�o confira, sei contar.
Pens�o completa � pens�o completa.
Pare de assaltar a geladeira � noite.
Ins�nia. � quieto demais aqui.
Pegue umas p�lulas da minha m�e. � mais barato.
Eu n�o quis ofend�-la. N�o fa�a assim.
Compras!
Seja discreta e n�o compre coisas caras.
Desculpe-me, Philomena. Pode baixar o volume da TV?
A vov� quer as fotos do vov� que est�o numa caixa...
na adega ou no quarto de empregada.
Na adega s� tem vinho.
Mas que coisa! Droga!
Mas que coisa! Droga!
-Ol�. Sou A�ssa, a nova... -J� posso imaginar.
Moradia gr�tis. A vida n�o � bela?
Que desagrad�vel.
Deveria trancar.
Tem muitos ladr�es agora.
Cretinos.
Malditos burgueses bo�mios. E me repreenderam.
N�o me fa�a rir.
Nojento.
Deveria ter visto. Tia Jemima!
-Pare de falar assim! -Por favor.
Pare com isso!
Cerca de 60% aceitam a medida de forma calma e digna.
Onde isso nos coloca?
O qu�?
Nada.
Preciso de ar. Assim vou sentir algo!
Eu a desapontei nesse ponto tamb�m?
Faz s�culos que n�o sei o que � "esse ponto".
Voc� fuma?
De vez em quando.
Quem diria? � uma revolu��o.
N�o conte ao seu pai.
Voc� sempre foi assim?
Assim como?
Voc� o deixa fazer tudo. Depois fica espantada.
Encontrei minha defini��o de burgu�s, ou burguesa.
� mesmo? E qual �?
Algu�m que tem medo.
O roto falando do remendado.
Um quartinho, ou melhor, um buraco...
com um banheiro equipado. Quanta hospitalidade.
Cretino, e voc� que trouxe sua m�e e sua empregada.
-N�o precisa ofender. -N�o se preocupe, sua vez vir�!
-N�o pega o elevador? -N�o, obrigada. Pode ficar.
Cretino.
-� uma trabalhadora pobre? -N�o exatamente.
Se busca uma exce��o ou isen��o, esque�a.
Exatamente o oposto.
Boa-noite.
Boa-noite. O que faz aqui?
Aquela vadia!
A pol�cia alem�!
Venha, vamos, p�e para fora. Delator! Nazista!
Venha, vamos resolver isso.
O que h� com voc�?
Est� t�o feliz agora! Veja como ele est� feliz.
Eu, delator? N�o tenho nada de delator.
Enfie isso na cabe�a! Delator...
Tem vergonha, mas me deixar agir. Fica parado, � mole.
Sobre meu protesto, solicitou uma isen��o.
Uma isen��o! Quando eu me rebelei...
Rebelou? De fraldas sujas?
Agora que fomos denunciados, todos v�o zombar de n�s.
Isso que o incomoda? Bela generosidade!
Voc� decide tudo.
Vou deix�-los. Fomos delatados tamb�m.
Temos isso em comum.
Que vergonha...
Basta!
-Voc� me assustou. -Por qu�? Consci�ncia pesada?
Voc� � realmente maluco.
-Pronto. -Sal?
Sal, sim. Um momento.
-Tem suas chaves, Jean-Luc? -Sim.
Pegue isso. Coloque-o.
Pronto. Muito bem.
William, tire os p�s do sof�.
William, tire os p�s do sof�!
J� falei desses sapatos!
Esse � William. Ele � um estudante...
Um estudante homossexual.
Rejeitado pela fam�lia. Sabe onde ele morava?
Porte de Clichy, num barraco numa oficina.
Com vizinhos traficantes. Foi espancado tr�s vezes.
Algu�m o aconselhou a ocupar um apartamento vazio...
mas ele n�o quis. Temia ter problemas com a pol�cia.
Agora, ele rouba minhas camisas. Aquele patife!
-Ora... -Ta�a de vinho ou de �gua?
As duas, Odile. Ela � professora de Franc�s.
E tamb�m lecionou Hist�ria, n�o?
Teve uma depress�o ano passado.
Os pequenos acidentes da vida.
Ent�o, agora ela faz como os africanos.
Encontra dinheiro onde pode.
Semana passada, ela pintou uma casa.
Hoje, levantou-se �s 4h...
para vender almofadas de aquecimento.
Que ironia, almofadas de aquecimento!
Em que mundo vivemos, meu amigo?
O que voc�...
Sim, sal!
Pronto.
Sempre nos cruzamos, mas mal nos conhecemos.
Meu nome � Michel.
Pierre.
J� sabe o caminho, Pierre. Vou ver meu gratinado.
Muito obrigada. Tenho sorte de estar aqui.
N�o me lembro seu nome. Como � mesmo?
-Madeleine. -E trabalha em qu�?
No momento, tenho um trabalho tempor�rio.
O banheiro fica ao lado. Por favor, bata.
H� apenas um e todos n�s o usamos.
Espero que fique confort�vel em nossa casa.
Bem-vinda, Madeleine.
Bem feito!
N�o h� negros ou idosos. J� temos dois.
Philomena quer ficar. Ela est� no seu escrit�rio agora.
Fez caso, como sempre. Voc� vai pagar-lhe extra.
Voc� me denunciou.
Denunciei a n�s.
Voc�, eu e os burgueses bo�mios de cima.
N�o quero fazer parte de seus esquemas repugnantes!
Vou lhe dizer algo, querido. E sua m�e e sua filha concordam.
Voc� � um verdadeiro cretino.
Sr. Dubreuil, posso lhe falar?
-Eu durmo no sof�? -E eu n�o tenho escrit�rio.
Gosto do quarto azul.
O quarto azul foi entregue a uma senhora que realmente precisa.
Ela trabalha em tempo parcial ou tempor�rio.
Est� desempregada. Logo todos estaremos!
Voc� ser� a pr�xima, se n�o parar de choramingar!
-N�o sou registrada mesmo. -N�o � mais.
Parei de registr�-la com seu acordo...
porque as contribui��es do empregador...
n�o s�o mais dedut�veis neste pa�s de droga!
N�o gosta do meu sof�? � livre para ir para casa.
Menos uma complica��o!
-� tarde demais. -Como assim?
-Fui substitu�da. -Como assim, quem a substituiu?
A amante do meu marido. Eu n�o estava l�.
-Abandonando o ninho conjugal? -A pocilga conjugal.
Voc� nem sempre foi um idiota.
Ent�o por que ficar comigo? Calor material?
-N�o dos seus bra�os. -Voc� queria quartos separados.
-Voc� aproveitou. -Sim, eu aproveitei. Claro.
Vai ceder primeiro, Madre Teresa.
Pierre...
Abb� Pierre.
Boa-noite!
Cretino.
Imbecil. Idiota.
Impotente!
Pau pequeno.
Tomamos a decis�o certa.
Claro, mas...
ainda assim...
poder�amos ter alugado um dep�sito.
Ou um quarto de hotel, j� que vai gastar.
Deixe-me algum espa�o.
Justamente. Era disso que eu falava.
-Meu lugar � ali. -Por favor, fique � vontade.
Pierre?
Ou�a...
eu estava pensando ontem � noite.
No inverno, tudo bem.
Mas e durante as ondas de calor?
Em seis meses, v�o estar na rua. Ent�o o que vamos fazer? S�rio.
Vou lhe dizer algo. H� algo de podre na Dinamarca.
Quem tem latas de lixo extras?
Ele os abriga e os alimenta.
H� loucos em toda parte.
Minha esposa nos denunciou. Voc�, eu, todos.
Quando eu olho para voc�, quase tenho vontade de rir.
Dif�cil andar de bicicleta assim.
Descongele seu Jaguar, idiota!
Sua primeira boa a��o � denunciar os outros.
Pense nisso, safada.
Que chique.
E a senhora com a crian�a no dep�sito? Exagerou. Faz frio.
-Claro! -H� dois anos nos aponta o dedo.
Como se f�ssemos bandidos, nazistas.
-Por favor! -Sinto-me julgada.
-Julgada? -Sim, julgada.
Como se me testasse.
Quem est� dando serm�o, medrosa?
J� tanta intimidade?
V� se ferrar. Caia fora! V� tingir essas ra�zes!
Medrosa!
Por que a capa? � a hero�na da Margem Esquerda?
-Quer saber? -O qu�?
-N�o me provoque. -Nem voc�.
Sua vadia!
Sua safada!
Meu bra�o!
-Quem se importa? -Meu bra�o!
Vou quebrar seu bra�o.
-Voc� vai ver s�. -J� chega!
-Burguesa de desenho animado! -Burguesa bo�mia!
Medrosa.
O mau tempo pode continuar.
Mande-os entrar.
-Bubbah! -Sim.
Pessoal, � isso a�. Acabou. Parem.
Por que est� a�?
Tome.
Pegue isto.
N�o esquio mais. Problemas nos ligamentos.
Por que est� aqui? Trabalha?
N�o diz nada, n�o pede nada. Eu me sinto culpado.
Droga! Por que me preocupar?
Droga...
N�o, n�o.
Que idiota eu sou! Que idiota!
Que idiota!
Droga!
Droga.
Decididamente, voc� gosta da escada.
O que foi? Tudo bem?
Estou bem. S� um pouco de dor no peito.
Que loucura sair assim com esse tempo!
Roubaram as chaves do meu carro. Vim a p�.
N�o encontrei um t�xi, mas roubaram minha carteira tamb�m.
Pedi uma passagem de metr�, mas riram na minha cara!
Pode pegar uma pneumonia.
-Voc� � m�dica? -Enfermeira.
Falei para coloc�-la no est�dio.
No est�dio?
Fala daqui? E voc� nunca pinta.
-Por isso mesmo. -Ela tem um beb�.
Isso � bom.
Ela foi despejada de um quarto. N�o podemos coloc�-la l� dentro.
Uma m�e solteira com um ex abusivo!
Ela � faxineira na Disney. Na Disney! Uma viagem de 4h.
Ela � al�rgica a produtos de limpeza.
Quatro horas por dia no trem!
Despejada no meio do inverno de um quarto de 4m�.
-Foi a cretina de baixo. -Eu sei, ela me explicou.
-Explicou? -Conversamos, tomamos um ch�.
E, quer saber, agradeci a ela! Sim, agradeci.
Voc� est� sempre observando, julgando, criticando.
Esse papo de Esquerda e Direita acabou, chega. � obsoleto!
O que ela disse?
Eu baixei um dicion�rio.
Venha, Nassifa.
Repita, Nassifa. Mas lentamente.
Fale.
Fizemos boas a��es, e meu cora��o bate forte.
Quer dizer que n�o desmamou seu beb� ainda.
N�s...
B�a...
ela se recusou a amamentar.
Portanto, para n�s, a mamadeira.
A mamadeira.
Assim, eu me levantava � noite.
Mas eu nunca durmo.
Nunca durmo.
Porque, � noite, eu trabalho.
Eu trabalho.
Eu escrevo.
Escrevo, v�?
A Sra. Dubreuil � realmente boa.
Devemos tomar cuidado com falsas impress�es.
Nunca durmo.
Venha c�. Que fofinha.
B�a, relaxe um pouco.
Relaxe.
Veja.
-Veja como � bonita. -Bonito. � um menino.
-E Penny? Onde est� Penny? -Droga! Esqueci-a na creche!
Minhas p�lulas... Onde est�o minhas p�lulas?
A� est�o.
Eu nunca fui t�o feliz quanto durante a Ocupa��o.
Meus pais esconderam judeus aqui. Seus av�s.
Bem aqui.
Meu pai era formid�vel. O seu tamb�m.
�s vezes me pergunto se...
N�o, nada.
Foi s� uma vez.
Um breve encontro, com um comunista.
Georges.
Que figura. Como ele me fazia rir!
Quando voc� come�a a falar...
Voc� era t�o gentil quando era pequeno.
Compartia seus brinquedos com seus amiguinhos.
Voc� compartia tudo.
Compartia tudo.
-Precisamos renegociar. -N�o, est� tudo decidido.
A porta!
-Voc� est� em casa! -Sim, estou.
-Teve um bom dia? -Sim, e voc�?
-Sim, tive um �timo dia. -Que bom.
Ol�.
Tem um aquecedor extra?
N�o, um extra n�o.
Deixe-me explicar.
L� fora, est� com frio, ent�o nos cobrimos, aguentamos.
Mas, aqui dentro, relaxamos.
Acha que os problemas acabaram.
Ent�o relaxamos, esquecemos de lutar.
� quando o frio atinge o pesco�o e os dedos.
Veja, tenho frieiras desde que fui alojada.
Parece totalmente deprimido.
Totalmente.
Essa � a coabita��o!
Cigarro?
Faz mal ao cora��o.
Faz mal ao cora��o...
Imortalidade. Leitura pesada.
Sou um hipocondr�aco. Fa�o exame a cada seis meses.
Mentira, Sr. Dubreuil!
Hipocondr�acos de verdade evitam m�dicos.
-Querem manter seus medos! -Ent�o, sou um falso.
E voc�?
-Eu, o qu�? -Qual � a sua linha?
Um trabalho em tempo integral. Pode me imaginar trabalhando?
Em dois meses? Dois anos? Ou cinco?
-Como chegou aqui? -Zigue-zague.
Falsifica��es. Sou boa nisso.
Decretos! Pare�o uma mulher de decretos?
Besteira! Besteira de decretos!
Como se precisasse de um emprego para n�o congelar at� a morte.
Estava muito frio.
Madeleine, 43 anos...
solteira, SDF.
Sem Declara��o Fiscal.
Pronto, j� sabe tudo.
Pierre.
Pierre, pequeno Pierre...
Pierre, Pierre...
N�o tenho emprego, mas tenho coisas para fazer.
-Vai sair? -Sim, vou at� meu antigo lar.
A maior pobreza � a falta de amizade.
Precisa de um convite em papel?
Jesus. Vive no mesmo lugar h� nove anos.
Mudou-se uns 4 ou 5m nesse tempo.
SDF, Sem Domic�lio Fixo.
Ficou na mesma cal�ada durante anos.
Madeleine, conte a hist�ria da sopa!
-N�o. -Sim, conte!
-Conte! -Dos tachos e panelas!
-Sim. -Para o cavalheiro!
Mexa a carne para cozinhar. Rabo de boi.
Vou preparar as cenouras, o alho-porro e o aipo.
Alho e cebola! Onde est� o alho e a cebola?
Ande, vamos!
Voc�, monte o prato quente.
Tudo vai para a mesa 12. N�o se esque�a da mostarda.
E os picles!
Um restaurante. Eu tinha um restaurante!
Verdade.
O que acha? Que nasci com meu saco de dormir?
-Aqui est�. -Est� bom.
Foi demais.
� hospitalidade!
� hospitalidade...
EU N�O SUPORTO A COABITA��O. PODE ME AJUDAR?
-N�o dormiu? -N�o, n�o.
Estou preparando a aula de amanh�. E a TV...
-B�a? -O qu�?
-Estou orgulhoso de voc�. -Eu tamb�m.
Voc� a viu? Os olhos dela?
O branco dos olhos dela. Quero escrever sobre temas sociais.
Cansei de hist�rias de amor com finais felizes.
Azul quando est�o numa praia ou lagoa.
Verde quando est�o numa floresta.
Branco, agora que � inverno.
N�o, eles s�o bons. Muito bons.
Diz isso, mas n�o pensa assim.
-N�o interessa. -N�o interessa, certo.
Uma pitada de interesse de cada, daria um monte de maravilhas.
Droga.
Isso � �timo. Seria um grande t�tulo.
Espere, vou anotar.
Uma pitada...
de interesse...
de cada um...
daria um monte...
de maravilhas.
Servi�o de quarto!
Tire essa touca.
Saia da�.
J� vou.
-Saia agora! -J� vou sair.
Voc� n�o deveria estar aqui.
N�o � uma oper�ria pobre. � uma desabrigada.
Christine...
O qu�? As leis s�o feitas para serem respeitadas.
O pai dela era militar.
Eu n�o tenho trabalho...
no momento.
-Mas eu sou pobre. -Sim.
Escute, fa�o declara��es falsas o dia todo. Nunca se incomodou.
Quando voc� os conhece, tudo muda.
S�o amigos.
S�o amigos...
Bom-dia!
-Bom-dia. -Christine Dubreuil.
-Mickey. -�timo. Seu c�o � bonzinho?
Muito bonzinho.
-N�o morde? -N�o.
-N�o? Eu vou comprar. -Obrigado.
Toque, toque. Bom-dia, senhor.
S�o dois! Christine Dubreuil, esta � minha casa. Bem-vindos.
-Prazer. -Christine.
-Bom-dia. Tamb�m s�o dois. -Bom-dia.
Minhas almofadas? Bem, vamos nos organizar...
e vai ficar tudo bem.
Mas, se quiserem ficar aqui, todos precisam tomar banho.
Porque isso...
� demais.
Ol�, Sra. Bretzel.
-N�o parece bem. -Problemas para dormir.
� mesmo? Que loirinha bonita!
Posso ter uma palavra com a senhora? Em particular.
Criei...
um site de trocas.
-Do qu�? -Pode estar interessada.
� um favor que fa�o para as pessoas daqui.
E de outros lugares.
H� muitos nos distritos 16 e no 8.
No 17, tem poucos.
O distrito 7... �...
Meus melhores clientes.
Ainda ontem, ajudei algumas pessoas da melhor esp�cie...
que receberam uma senhora boa...
mas barulhenta e insone.
Noites barulhentas, manh�s agitadas.
O casal quase foi � loucura.
No meu cat�logo, havia um cavalheiro modesto...
muito limpo, al�rgico ao gato da fam�lia de acolhimento.
Fizemos uma troca r�pida. Todos ficaram felizes.
-Marechal P�tain! -Com licen�a.
Al�? Sim. Uma mulher com um cachorro?
Cor? N�o o c�o, a mulher.
Eu tenho uma malinesa com uma crian�a.
N�o � nada, querida. N�o tenha medo.
Por mais estranho que pare�a, alguns preferem essa cor.
Fique longe de mim. Eu deveria dar queixa dela.
Nassifa!
Qual � o problema?
O que disse?
O que � isso?
S�o imprest�veis!
Poderiam t�-la avisado.
Quatro horas no trem, apenas para ser demitida!
-Claro, isso n�o � legal. -N�o � legal?
N�o � a primeira nem a �ltima a ser demitida.
� a crise. Organizei um debate sobre isso hoje.
Acha que as pessoas v�o ver Mickey nesses dias?
-� terr�vel. -Sim, terr�vel.
Ela tinha emprego e sem casa. Agora tem casa e sem emprego.
Ela tem uma casa?
N�o podemos jog�-la na rua.
J� vai acabar, a primavera est� a�.
Ainda vai ao Festival do Livro?
O Festival do Livro.
Eu n�o sei, estou perturbado.
N�o pode carregar os problemas do mundo. Deve ir, � importante.
� seu trabalho.
Est� adiantado. Bem adiantado.
-Guisado de carne de Madeleine. -� muito bom.
Isso n�o � nada. Espere at� provarem meu ragu!
-O ragu vai ser bom. -O que faz o dia todo?
Eu? Depende. Sou muito esportiva.
Ando, ando e ando.
Eu paro, saio, tomo um caf�...
procuro moedas.
� dif�cil encontrar agora.
-Dias vazios s�o longos. -Como os dias de trabalho.
Na casa de repouso, para matar o tempo...
jog�vamos paci�ncia. Posso dizer isso, n�o?
E voc�, Christine? Nunca quis trabalhar?
N�o, nunca.
Voc� n�o se cansa? Digo, o que faz de seus dias?
Depende.
�s vezes, mexo meus polegares. Alguns dias, descruzo as pernas.
Hoje fiz 2h de tiro com arco. Estou exausta.
Com ou sem trabalho, sem-teto ou oper�rio pobre...
legais ou ilegais, todos t�m direito a um teto.
A habita��o � uma necessidade b�sica.
N�o pode ser determinada apenas pelo mercado.
-Sim. -Claro, mas alugar...
ainda � alugar.
Voc� endente de aluguel? O que j� alugou?
Fora os DVDs, esquis ou casas de veraneio.
Colocaram cercas em toda parte para nos afastar.
Colocaram barras nos bancos para n�o deitarmos � noite.
Inventaram todo um arsenal contra os sem-teto...
para n�o desvalorizarmos seus edif�cios.
Desvalorizarmos!
Em todo caso, Sr. e Sra. Dubreuil...
meus amigos e eu agradecemos porque, sinceramente...
voc� s�o pessoas gentis, maravilhosamente agrad�veis.
-Sim, � verdade. -Sim.
-Obrigado. -Um brinde.
� solidariedade!
� solidariedade. Christine?
� solidariedade.
Essa mulher � deliciosa.
Ela me acordou de um longo sono.
Est� se ouvindo?
Comigo, voc� dormiu 20 anos?
Eu nunca me senti t�o vivo!
Pare, n�o aguento mais.
Nunca estamos de acordo.
Nunca.
Nunca no mesmo barco. Decididamente.
Boa-noite.
Que rid�culo.
Pode ser, lamento. As regras exigem.
Votei na Esquerda e me arrependo disso.
Viu? N�o foi t�o dif�cil! Quer um pouco mais de flan?
Seu site � �timo.
Ele est� no sub�rbio.
Mas trabalha em Paris, ent�o sai ganhando.
Mas j� aviso, ele n�o fala franc�s.
N�o � um problema.
Tome.
Dinheiro. Melhor para todos.
-Ela vai ser bem tratada? -Eu j� disse.
Seu flan � t�o bom.
Congelado.
Beijos. V� logo. Vai perder o trem! Beijo.
-B�a? -Sim.
Ontem, tive um sonho bom.
Eu tamb�m. V�.
-B�a? -O que foi?
-Eu a amo. -Eu tamb�m o amo.
V�. Beijo, beijo.
Tudo bem, Nassifa?
N�o vou trabalhar hoje.
Como voc�.
N�o! N�o chore, n�o chore!
-Perdi o trabalho. -Voc� chora o tempo todo...
Perdi o trabalho. Boas not�cias para voc�!
-Encontrou emprego? -N�o.
N�o encontrei trabalho. Encontrei novo lar.
Numa casa bonita. Bem grande, com quintal.
-Ol�, Fran�oise. -Meu nome � Christine.
Aguentar as frescuras da senhora, do seu marido...
da sua filha e da sua sogra, eu sempre odiei.
Mas a deles...
Por 3.000 euros por m�s, Philomena.
Eu nunca fui t�o feliz quanto durante a Ocupa��o.
Meus pais esconderam judeus aqui.
Nassifa, est� bem a� atr�s?
Voc� vai ver, vai gostar da sua nova casa.
-Eu poderia ter tomado o metr�. -� um prazer.
Foi bom? Muita gente?
Mesma besteira, mesmos rostos.
Estou cansado, com c�ibras no pulso.
Mas vejo o rosto dos meus leitores.
Nassifa nos deixou. A prefeitura a chamou...
encontrou um emprego e uma casa mais perto.
E Penny, onde est�?
Com Kristian, assistindo desenhos animados.
-Kristian? -Um pintor mold�vio de 30 anos.
Eu o coloquei no est�dio. Ele preferiu. Para trabalhar.
Eu mesma desci o colch�o. Era pesado.
-Boa-noite! -N�o diga nada.
-Tudo bem? -Boa-noite.
Olhe s�.
Obrigada por cuidar dela.
Tudo bem?
Sim, sim.
Vou faz�-la dormir.
Vou deixar voc�s... conversarem.
Ol�.
Meu nome �...
Gr�gory.
Mas...
pode me chamar de Greg.
Kristian.
Voc�...
O senhor...
� pintor?
Kristian.
Eu...
Eu...
Bem...
Bem-vindo, Kristian.
Kristian.
Pronto. Boa-noite, querida.
Isso.
Ela n�o deixou um bilhete?
N�o, ela parecia feliz.
Ela mal conseguia falar. O que poderia escrever?
Melhor outro bairro para ela.
Tudo � muito caro. O caf� custa 2,50! At� para n�s...
� besteira essa medida. Tudo bem, ajudamos...
mas os trazemos para bairros onde n�o podem pagar nada.
Lojas, lojas e mais lojas.
Tenta��o. Esfregam o nariz em sua pobreza.
A mistura pode ser boa.
Voc� acha?
Talvez voc� esteja certo e eu, enganada.
-� caro para Kristian tamb�m. -Sim, eu sei. Eu sei.
Um trabalho e uma casa perto. O governo est� indo muito bem.
� o socialismo.
Droga, voc� me assustou.
Um "gopo" de �gua.
Um copo de �gua.
Um copo de �gua! Na cozinha.
Eu escrevi 20 p�ginas maravilhosas.
Em uma esp�cie de...
uma onda de energia.
�timo.
�timo, �timo.
Eu me encontrei, B�a.
Eu me achei.
Por toda a cidade, h� gente sem lugar para dormir.
Com minha exist�ncia mais sedent�ria...
estou estupefato com seu modo de vida.
Bem, com certeza. Sempre nos adaptamos.
-Veja. Gaivotas. -Sim.
Sim, gaivotas.
Devemos ir para casa?
Sim, vamos para casa.
Foi boa a caminhada?
-Voc� me assustou. -Por qu�? Sou s� eu.
Onde eles est�o?
Sob uma ponte. � por isso que fazem pontes.
Ficou com pena?
De um bando de vagabundos, mas nunca lamentou por seu pai.
O que est� falando? O que meu pai tem a ver com isso?
Olhe para voc�.
Voc� � pat�tico. Quem est� segurando a coleira de quem?
Voc� � lament�vel.
N�o se importa de ser uma parasita?
N�o.
E voc�?
N�o diz uma palavra? Ela me insulta e n�o diz nada?
-Madeleine, para onde vai? -Para debaixo de uma ponte.
Sim, e est� bom para mim.
Para mim est� bom tamb�m. Saia! Aqui n�o � seu lugar.
-Maltrapilha! -Acalme-se.
Acha que sou suportar seu altru�smo de meia-idade?
N�o mesmo!
V� pedir esmola com sua vadia. Avise-me onde.
Terei prazer em atirar-lhe uma moeda!
-Eu n�o durmo com ela. -Pior ainda!
Tudo bem, eu fa�o isso. Como sempre tenho feito.
Que classe. Vai sem nada?
Pela primeira vez, fa�o algo v�lido.
V� encontr�-la!
Siga-a como um cachorrinho!
Corra para sua vadia!
Mas tenha cuidado. Pode pegar um resfriado.
O SAMU est� sobrecarregado!
O qu�? Quem chamou o SAMU
Cale a boca!
Escute aqui. Seja agrad�vel e educada.
Vou lhe dizer. Fiquei magoado, e muito...
quando voc� n�o me convidava para seus jantares.
Portanto, n�o piore as coisas! Por favor, n�o!
Minha dor � leg�tima.
Droga! Uma corrente de ar!
Madeleine!
Que estranho.
Algu�m pode fazer a gentileza de abrir a porta?
William?
Aqui de novo?
Voc� n�o parece muito melhor.
Como voc� faz isso? Eu n�o poderia.
O qu�?
Acolher algu�m em minha casa.
Mas acho que vou ter de acomod�-lo.
Tudo bem, Kristian? Dormiu bem, n�o precisa de nada?
Ele � t�o discreto que � intrusivo, n�o?
N�o!
Com Nassifa ao menos v�amos que a ajud�vamos.
Mam�e fez uma mamadeira para meu amorzinho.
E um bom caf� da manh� para o pobre Kristian.
Ele � do Leste Europeu, foi explorado.
Pobre demais para pagar o aluguel.
Droga...
Droga! B�a, aquele cretino! Ele se foi!
Meu Mac! A droga do meu Mac!
-Voc� fez backup? -Eu sabia!
Eu devia ter confiado no meu instinto!
Meu rel�gio! Estava olhando para ele!
Ainda bem que eu dormi com ele.
Eu n�o.
Droga.
E ent�o?
Droga.
-Aonde vai? -Denunci�-lo!
Denunciar o qu�? Ele ficou com Penny!
Podia t�-la raptado ou...
N�o, ele estava atr�s de nosso dinheiro.
-Porcaria de romeno! -Mold�vio.
Depressa! Voc� vem?
N�o sei.
-N�o acredito que fez isso. -Ela n�o est� na rua, tudo bem.
Onde eles est�o? Onde est� Nassifa?
Um casal nos sub�rbios, que n�o se importava.
Que n�o se importava?
Droga! Voc� os trocou!
Como troca de blusa. L� por caxemira, por um pre�o!
Diga-me uma pessoa que poderia suportar isso!
-Nada o incomoda! -Voc� est� descontrolada.
Aonde vai? Respirar. Fede a brancos aqui!
N�o foi por ela ser negra, foi por estar sempre ao redor...
sempre por perto!
O que aconteceu?
Uma idiotice.
Uma corrente de ar fechou a porta.
Tocar a campainha acordaria todos.
Bati um pouco na porta...
mas n�o conseguia acord�-los, coitados.
Eles j� sofrem tanto.
Ent�o eu fiquei aqui.
� isso.
Foi uma experi�ncia muito enriquecedora.
Eu aprendi...
aprendi muito.
Realmente me identifiquei.
Congelou seu c�rebro.
N�o faz ideia de como o ch�o � frio.
William!
Sr. Bretzel!
Lembra-se de mim? Do escrit�rio de reloca��o da prefeitura.
Sim, claro.
Voc� � alco�latra?
Isso n�o � nenhuma surpresa. Escritores...
Veja tenho seus dois livros.
Para�so Azul e Para�so Verde.
Algo me incomoda em Para�so Azul.
Eu tenho uma pergunta para voc�.
Tem um minuto?
Est� frio, mas j� � dia!
Christine, eu avisei h� 20 anos. N�o devia parar de trabalhar.
� verdade, nunca trabalhou.
Vamos l�, um pouco de distra��o. Monop�lio?
Mexe-mexe?
Saia.
Abre a porta, e o que ele v�?
Ele v�...
a esposa.
Entendi!
Ol�.
A287. �frica...
N�o conhecemos bem a �frica. Serengeti...
Um continente. Eu adoraria visitar.
-N�o conhe�o a �frica. -� mesmo?
-Sim. -Certo.
-Vai entrar? -N�o, estou descongelando.
Eu adoraria ficar e conversar, mas...
Tudo bem. Tchau.
�frica...
Eu o convidaria para meu quarto, se tivesse um.
Eu o convidaria para meu quarto, se tivesse um.
Eu o convidaria para meu quarto...
Ol�.
Eu perdi minhas chaves. Perdi.
-Precisa de um chaveiro? -Chaveiro...
Por que est� aqui?
Entre.
Rapidinho.
Espere, isso � imposs�vel.
Eu deixei minha filha aqui hoje.
Eu j� lhe disse e repito. N�o a trouxe hoje!
Droga!
Mam�e chegou!
Penny!
Minhas chaves...
Lamento perturb�-la, vejo que est� muito ocupada.
Mas sua amiga do andar de cima quer lhe falar.
Amiga do andar de cima?
Esqueci as chaves e minha filha est� l� dentro.
Minha filha e minhas chaves est�o dentro.
-Minha filha est� l� dentro. -N�o fique a� parada, idiota!
Fran�oise, eu n�o posso esperar a primavera!
Esta � minha casa. N�o se esque�a disso, garota!
Eu esqueci minhas chaves! Minha filha est� l� dentro.
Meu marido � hipocondr�aco. Temos muitos raios-x.
Pronto.
Mam�e chegou!
Solidariedade. A culpa � da solidariedade.
Eu nunca poderia viver assim.
Voc� exagerou um pouco.
N�o suporto gente na minha casa. � normal?
Perdi a no��o do normal.
Eu tamb�m fiz uma coisa monstruosa.
Sua pele. O que aconteceu? Sua pele est� toda vermelha.
Lavei com uma esponja, do lado que arranha.
Posso?
Venha c�.
Venha c�.
Eu adoro crian�as.
-Eu gostaria de ter tido tr�s. -Estou t�o envergonhada.
Eu sou t�o desprez�vel.
N�o se martirize. Todos fariam o mesmo.
Voc� acha?
N�o, talvez n�o todos.
Eu sou t�o desprez�vel!
De que adianta se lamentar assim?
Cuidou para que ficasse com quem se preocupa com ela.
N�o sei, n�o.
Nunca fico em paz.
Quieto, Jean-Marie.
J� vou! Um momento!
Onde eu a coloquei?
N�o entendo. N�o encontro o arquivo dela.
O que eu fiz?
Onde eu a coloquei?
Onde eu poderia t�-la colocado?
J� sei.
-Eu a deixei perto de Vitry. -Vitry?
Vitry-sur-Seine. Numa ocupa��o.
-Numa ocupa��o? -Ocupa��o?
Por favor, achava mesmo que havia casais atr�s dela?
Voc� acredita no que quiser.
Por causa de pessoas como voc�s h� pessoas como eu!
-Como eles vivem aqui? -Se eu fosse pobre, me mataria.
Vire � direita.
Est�o interessados em n�s ou no carro?
No carro, no carro.
N�o se preocupe, eu trouxe meu apito.
Em caso de problema, melhor apitar do que gritar.
� impressionante. Acham que � a pol�cia e fogem...
deixando suas presas, seu pr�mio, sua presa.
O carro! Podem pegar minha bolsa.
Cachan de novo!
-Cachan? -Os anos de Sarkozy.
A condi��o de imigrante ilegal � uma loucura.
Voc� chegou ao seu destino.
-Nassifa. -� Nassifa.
Significa... V� embora. Ou melhor... Caia fora.
Ela diz que queria fuzil�-la, mas n�o tem fuzil.
Que bom.
Ela disse que voc� fez uma m� a��o e � uma mulher m�.
Perd�o, perd�o.
-Perd�o. -Cale-se. Ela n�o a perdoa.
Voc� mente! Voc� me fez de boba!
Ela est� muito brava. N�o � nada positivo.
Voc� fala malin�s?
Sim. Bambara, � claro.
E um pouco de chin�s e finland�s.
Meu pai era militar. Rigoroso.
Exigente. Deixa marcas. Eu tinha de arrumar a cama antes de sair.
Nassifa, volte para minha casa.
Sua casa?
Isso... significa desprezo.
Desprezo.
Todos!
Todos, sen�o...
O que voc� disse?
Perguntei quantos.
Quantos? Sim, quantos?
S�o... Espere.
Um, dois, tr�s, quatro...
Oito? Dez?
Dezesseis...
L�.
Isso � muito.
Tudo bem.
-Tudo bem o qu�? -Tudo bem, vamos l�.
-Ir? -Vamos.
Vamos todos para a casa dela!
Ol�, como vai?
C�sar? C�sar, venha.
Temos de ir. Voc� se viram?
Batem a porta quando sa�rem?
O qu�? A porta?
-Sim. -Est� bem.
-Certo. Tenham um bom-dia. -Tchau.
Sim, tchau.
-O que est� acontecendo? -� uma ocupa��o.
Cansei de suas brigas, n�o me interessam!
Deveriam ter discutido antes, porque agora � bem menos chato.
Voc� � totalmente louca.
E ent�o? Onde voc� estava?
O telhado estava prestes a cair. E as janelas?
N�o havia nenhuma. Nesse frio, sem janelas!
N�o fazer nada era ser a favor da pena de morte!
Serge?
Sim, Brigitte.
Agora estou com medo.
� um ajuntamento.
Chamou-me de Brigitte?
Sim, como h� 50 anos.
Quer pickles?
N�o com meu p�o de gengibre.
-Venha fazer seu cabelo. -Nem em sonhos!
-Bernadette! -Voc�, eu o conhe�o?
-Este � o 23? -N�o, 19. Est� cheio.
Calma, crian�as. Calma.
Selvagens!
-Tem 30 euros? -H� tr�s semanas lhe dou 30!
-N�o, apenas 10. -Saia.
Bernadette, precisamos conversar.
Isso pode parecer um pouco rid�culo.
Ainda mais na minha idade. Mas eu...
acho que me apaixonei por William.
N�o sei o que tenho.
Fiquei vendo-o dormir. N�o sei o que acontece.
Isso tudo vai acabar amanh�. Eles v�o voltar para a rua.
E eu, na v�spera desse dia terr�vel...
vou dizer a ele a verdade.
-Que verdade? -A verdade!
Ou seja, ele pode ficar se quiser.
Ele me conquistou. Vou pedi-lo em casamento.
Sabe de uma coisa? Nada me surpreende agora.
Eu nunca fui t�o feliz quanto durante a Ocupa��o.
� verdade.
Meus pais esconderam judeus aqui. Seus av�s.
Correspond�ncia!
Eu contei, Sra. Dubreuil. Hoje somos 237.
Acho que alguns est�o se aproveitando.
Obrigada, Bernadette.
Bernadette?
Na verdade, eu adoro um grupo grande.
Sem ressentimento individual, entende? � a din�mica de grupo!
Quando eu era pequena, queria fazer trabalho humanit�rio.
Em quem vai votar quando for grande?
Ela tem tempo!
Com licen�a!
Correspond�ncia.
De nada.
Tem gente trabalhando!
Terminei...
o romance!
Meu carpete! Como ele vai ficar?
Aonde vai?
Tomar um pouco de ar, conversar.
Com quem? Eu estou bem aqui.
N�o, acho que vou comprar um jornal.
IM�VEL COMPARTILHADO
A onda de calor que deve durar pelo menos at� domingo.
-N�o a ouvi acordar. -Dormia como um beb�.
-Vai sair no fim de semana? -E voc�?
-Vai estar quente. -J� est� quente! Esta tarde...
Bem, eu j� vou.
Quebre a perna.
Ela vai conseguir.
Sempre diz isso. � a terceira tentativa.
-Esqueceu algo? -O cheiro no metr�...
quando est� quente... N�o vou passar com ferro a vapor hoje!
Sem vapor para mim!
-Ela chegou cedo. -Voc� est� saindo mais tarde.
Voltou para a cama?
Querido...
Eu prometo. Hoje.
Voc� sempre diz isso, mas n�o faz.
Desta vez, eu fa�o.
Voc� disse isso na semana passada...
e na semana anterior, e na outra.
Hoje, eu digo a ela.
Mam�e, preciso falar com voc� agora.
Querido, temos a vida inteira para falar!
Feche a porta.
Obrigada!
Nem acreditei no an�ncio!
-Voc� � bret�o? -Sim, de Paimpol.
Ol�! Ei, vamos almo�ar um dia desses.
Sim, claro. Vamos sair um dia.
-Ela continua insistindo! -Ela n�o quer.
-E por que insiste? -E por que voc� diz que sim?
Fran�oise...
� uma vizinha. Boa, mas um pouco...
Ociosa durante o dia, mas nunca tem tempo!
Como meu marido, eu acho. Mas ele � um homem.
-Bret�o? -Sim.
Isso � importante?
N�o, � s� que eu estudei em Rennes quando era nova.
� bom ajudar um jovem bret�o que acaba de chegar a Paris.
Isso me traz lembran�as.
Pronto.
Aqui est�.
Um ano. Depois, � por sua conta. Queremos compartilh�-lo.
Voc� paga a �gua e a eletricidade. O resto...
� gr�tis!
Pequeno demais para ser alugado, n�o?
Talvez, mas alguns propriet�rios alugam mesmo assim.
Ou�a, durante a onda de frio, recebi uma mulher e seu beb�...
que foram despejados de um apartamento de 4m�.
Bem...
Aqui est�.
Obrigado.
N�o tem ar-condicionado?
Ar-condicionado?
N�o pensei nisso.
Certo.
Ar-condicionado...
Por que n�o uma banheira?
-Voc� me ouviu entrar? -Pode levar a correspond�ncia?
-Como sempre. -O calor mata minhas pernas.
-Bernadette? -S� um minuto!
Sabe o que dizem dos africanos? � verdade!
S�o deste tamanho l� embaixo.
Bernadette? Terminei com as janelas.
-Tire o lixo, querido. -Sim, Bernadette.
Tudo bem?
Est� melhor?
Sente-se melhor?
Quando era para se aquecer...
ou atacar a geladeira...
havia muitas pessoas. Estavam todos l�.
Mem�ria curta! Nenhuma not�cia. Nada!
Nem... um torpedo r�pido.
Sei l�, um emoji.
Ou uma curtida no Facebook.
Odile e Jean-Claude, tudo bem. Na verdade, duvido que eles...
� mesmo?
Claro que, como casal, s�o mais fortes!
Cada um contribui e acabam encontrando um lugar.
�timo. Mas o pequeno William, realmente...
Eu disse que ele poderia ficar. Ele disse que sou arrogante.
A hist�ria da tia idosa que, de repente, surgiu do nada...
Podia ser verdade.
N�o h� fam�lia que, de repente, apare�a...
e se ofere�a a lev�-lo para fora da cidade.
N�o, n�o...
Eu vou estar melhor na pr�xima vez.
O que far� esta noite? Alguma coisa?
Tchau, Michel.
Perd�o.
A hist�ria de uma mulher sem-teto...
que passou seis anos na rua e agora tem uma vida normal.
Uma hist�ria comovente de Franck G�neausau e Raymond Chaplard.
Minha hist�ria � muito boa.
Dormia na rua, quando fui abordada...
por uma senhora que teve pena de mim.
Sem uma boa raz�o, embora ainda seja de arrepiar.
Ela me convidou e eu n�o pude recusar.
Come�amos a conversar.
Ela tinha dinheiro e eu, ideias.
Ent�o, naturalmente, formamos uma parceria.
Sr. Dubreuil?
E ent�o?
Um lugarzinho para o senhor?
Sr. Dubreuil!
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