All language subtitles for Mulheres no Poder 2016

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Original subtitles

Projeto de Lei nº 24 .4 sobre reforma para a machucada.

Diz o texto.

Quando houver em um grupo mais mulheres do que homens, a

concordância deverá ser feita no feminino.

Maria, Ivete e João são homens.

O que é que está aqui?

o dilema.

A lei está aprovada.

Trinta e quatro votos já lavou, dois votos contra e apenas

uma abstenção.

Obrigado. Senadora Maria Pilar?

Sim. Eu sou o deputado João Correia. Muito prazer. É um prazer.

Eu tenho um projeto de mentoria tramitando aqui na casa e estou tentando

um corpo a corpo para defender essa minha proposta.

O acordo é com todo mundo? É só uma maneira de dizer, senadora. Estou

bobinho. Qual é o seu projeto?

É um projeto de defesa do direito dos homens. Direitos humanos?

Não, senadora, dos homens mesmo.

Durante décadas, os homens têm sido massacrados pelo nosso sistema,

Ano após ano, cada vez menos homens conseguem completar o ensino médio e um

número menor ainda o ensino superior.

O que gera um círculo vicioso que reduz o nosso acesso aos postos de trabalho

qualificado. Você está propondo cota para homens, hein? Exatamente.

Querido, você não pode reverter um processo histórico, um processo social

decreto com uma canetada.

Seu projeto nunca vai passar.

Eu adorei a sua explicação. Não desiste que você tem futuro, tá? Só não

engorda.

Senadora, por que a senhora decidiu votar a favor do projeto, contrariando a

orientação da sua bancada?

Eu não tenho bancada, minha filha. Eu sou mulher, sou negra, sou evangélica.

Eu lido de acordo com a situação, com a minha consciência.

E sobre a crise, senadora, a senhora acha que a crise no Senado já passou?

Aquilo não era crise, minha filha.

Imagine todo mês um bando de mulheres juntas. Isso era TPM coletiva.

Lucinha querida! Ô, fila! Senta aí, senta aí, senta aqui.

Lucinha querida, essa aqui é a Anitta, minha sobrinha, que eu tinha comentado

com você, que estava interessada naquela oportunidade.

Lembro, lembro sim.

Bonita ela.

Obrigada. Terminou o colégio, não sabia o que queria fazer da faculdade. Falei,

nada disso.

Primeiro trabalha e depois estuda. Assim você já encaminha a sua vida na direção

que você quer, não é mesmo, Lucinha?

Com certeza.

Se você tem uma oportunidade, você não pode fazer que nem a gente, né, Lucinha?

Que atiramos para um lado, a vida levou para outro, totalmente diferente.

É mesmo?

Eu também tenho um sobrinho assim.

Mais ou menos como você.

Um pouquinho mais velho, tá com 29 anos.

Mas também tá assim, perdido.

Mas ela não tá perdida, não?

Ó, Pilar, isso é uma maneira de dizer, né?

Esse seu sobrinho é filho de quem mesmo?

Da Carmen Regina.

Carmen Regina, a deputada, sua irmã?

Meu Deus do céu, esse negócio de sobrenome tá sério mesmo, né? A Anitta

vantagem, ela não tem nenhum sobrenome igual ao meu. Ela é perfeita, sem

impressões digitais. Se quiserem fazer uma associação dela comigo, é

perseguição.

É, mas hoje em dia não é pela... Ela só não descobre o que elas não querem.

Você me dá um minutinho, Lucinha?

Miriam, querida.

Miriam, tô te ligando porque eu queria saber como é que tá o nosso staff aí na

base. Ele tá completo?

Aham.

E quem é que tá aí com você?

Ué.

Mas quem é ele?

Ele é filho de alguém?

De ninguém?

Sobrinho, afilhado?

Então ele é o quê, Miriam?

Um minutinho, Miriam.

Um economista super competente, formado em direito, graduado em administração

pública.

Miriam, querida, ele é gato?

Tô brincando.

Ele vem de onde, Miriam?

Paulista. Não foi isso que eu perguntei, mas tudo bem.

Vale.

Escuta o que eu vou te falar.

Eu tô achando que esse rapaz é muito graduado pro cargo que ele tá ocupando.

Isso não tá certo, Miriam. Não é assim que a gente trabalha.

Não, querida, ele não deve estar satisfeito e nós não estamos

potencial dele.

Não, me ouve.

Eu tenho rapaz graduado exatamente pra essa posição.

Filha da deputada Carmen Regina.

Miriam, presta atenção, querida.

Não existe mais essa coisa de oposição.

Miriam, a eleição tá longe.

Claro que não.

A deputada Carmen Regina é uma pessoa muito querida, que amanhã pode estar

bem no nosso partido.

Ela pode ser prefeita, governadora.

Querida, faz o seguinte.

Manda pra mim esse seu engenheiro, graduado em direito, formado em não sei

quê, que eu vou encaminhar a vida dele.

Pode deixar de comigo.

Eu sei o que estou fazendo, querida. Isso eu entendo.

Beijinho, Miriam.

Tem estado, gente.

Faz um viradinho da Paulice.

Bom dia, bom dia.

Senadora Pilar está começando a votação do projeto que aumenta o salário dos

professores. E qual é a orientação do governo?

É, para votar, cumpre.

Vocês vão voltar como, Lucinha?

Olha, Pilar, eu confesso que nesse eu tô totalmente por fora.

Mas você não vai lá, não?

Nessa hora?

Como é que tá de coro lá?

Parece que já tem o mínimo.

Eu acho que eu não vou, não. Eu não vou, não.

Já posso deixar a menina aqui?

Pode deixar, Pilar.

Já tá em casa.

Oportunidade de ouro, hein, Anitta?

Lucinha, querida, estou adorando essa troca de favores de composição. Mostra

como nós somos evoluídas politicamente.

Beijinho. Beijo. Tchau.

Não é esse, é o Rosa Jô.

Vem aqui, por favor.

Não era importante.

Senhor Jorge, eu compro três aparelhos diferentes, de cores diferentes, coloco

toques diferentes para o senhor não se confundir e o senhor nunca acerta.

Me dê os outros dois.

Me dê o seu aparelho, Jorge.

O seu aparelho.

Alô? Não é para atender. Eu só estou lhe treinando, Jorge.

Alô?

Mauro, querido.

Como está a Lu?

Ai, que amor.

Beijinho pra ela.

É que você manda.

Acontece, Mauro, que diante das últimas eu resolvi esperar a decisão do partido

pra tomar qualquer posicionamento.

Não porque a gente vai se informar com pessoas entendidas que nem você.

E aí vem a liderança e desautoriza tudo o que a gente acabou de dizer.

Aham.

Não é isso que está acontecendo, você me entende, né?

Por isso eu decidi adotar uma nova tática.

Não me pronuncio mais sobre nada.

Porque durante a eleição é assim.

Pilar tem uma personalidade forte.

Pilar é amada pelo...

Como?

Mas aqui você tem que ser vaquinha de presépio.

É, obedecer, baixar a cabeça.

Por isso que agora eu não tô podendo te apoiar, tá, Maurinho?

Mas, quem sabe na próxima, hein?

Tá bom.

Tá bom, Mauro.

A senadora Ana Paula.

Não manda entrar, Laura. Liga a televisão, Jó.

Você vai lá no almoço hoje?

Ah, eu acho que não, Pilar.

Aqui, ó. Tá aquele abaixo -assinado que eu te falei.

Que isso, gente? É um absurdo querer acabar com o nosso décimo quinto

Você já leu?

Eu li.

É porque eu não assino nada sem ler.

Tá aqui.

Gente, o que é isso?

Porque eu não posso mais ficar calada diante dessa operação orquestrada

para me desmoralizar.

Esquecem que eu sou uma mãe de família e me atacam.

Sem prova nenhuma.

Com suspeitas, mexericos, fofoquinhas.

É isso que virou o jornalismo.

Esse jornalismo feito por mal amadas, por invejosas que dizem estar falando

em nome da opinião pública.

Quem votou nelas? Nós temos votos. Quem votou nelas? Eu estou me lixando para a

opinião pública.

E para aqueles que pensam que eu vou chorar aqui na frente de todo mundo, eu

digo eu não vou chorar.

Eu não vou fazer esse papelzinho ridículo.

que tantos homens já fizeram nessa tribuna de chorar numa hora dessas.

Eu repito, querem que eu chore, mas eu não vou chorar.

Gente, o que que é isso? É só isso, minha vizinha.

Quer dizer, ela botou o garotão dela pra morar no apartamento funcional em cima

do meu. Ele passava o dia inteiro jogando videogame e fumando maconha.

E ela, quando aparecia e a coisa esquentava, minha filha, ela começava.

Bate, filho.

Bate, vai.

Um horror, Pilar.

Mas não é ela que batia no marido? É, bate no marido. É a panha do amante.

normal. Meu pai do céu.

Senadora, estão chamando a senhora no salão. Que salão? No salão de beleza.

Meu Deus do céu, isso que é compromisso sério.

Querida Ana Paula, vou ter que ir. Se encontro na Comissão de Constituição e

Justiça, combinado? Tá combinado.

É só uma penteadinha rápida.

Vou filar.

Ah, Ivone, você ainda me reconhece?

Tava pensando em entrar pra oposição.

Eles contagem uma audiência com você muito mais rápido do que a gente que é

mesmo partido.

Não exagera, pilada. Não exagera, é verdade.

Tive que dar um agrado pra moça pra conseguir. Pra filha, pra sentar do seu

lado.

Só assim eu consigo falar com você, né, Ivone? Você sabe que a hora que você

aparecer no meu gabinete, eu vou te atender.

Ah, mas eu sou super formal.

Quero reunião marcada na agenda.

Reunião marcada na agenda?

É mais caro.

Mas o que é que você manda, Pilar? Já está ótimo, querida.

Ivone, eu gostaria de acompanhar de perto o processo de escolha da empresa

vai executar o projeto Brasil Brasileira.

Eu estou muito interessada nesse projeto, Ivone.

Não existe processo, Pilar.

É licitação. O menor preço...

Não tem os critérios, não tem uma comissão que analisa as propostas?

Mas isso já foi amarrado no editar.

Agora é só abrir os envelopes. Quem oferecer o menor preço, leva.

Então isso é um absurdo. Por que não se leva em consideração a competência, a

tradição? Isso quem determina é a lei, Maria Pilar.

Não podemos esbanjar o dinheiro público.

Por isso tentamos amarrar todas as condições mínimas no editar.

Quem cobrar mais barato para oferecer a mesma coisa, leva.

Nunca ouviram falar que o barato sai caro?

É assim que se gasta o dinheiro público?

Luiz, você costuma comprar os produtos mais baratos para atender os seus

clientes aqui no salão?

Deus me livre, amor. Aqui eu só compro o que eu conheço. Estou nem aí para

preços.

Você tem algum interesse?

Particular nesse projeto, Pilar?

Particular, mas em nenhum interesse particular. Eu sempre levei a minha

levantando a bandeira da mulher.

A saúde da mulher, o bem -estar da mulher.

E as pessoas me procuram, sabem que nós somos amigas.

Eu sempre digo, tem o executivo, o legislativo e o judiciário. Um não se

com o outro, não.

Mas elas são pessoas sérias, de confiança.

Aí eu disse...

Deixa que eu falo com a ministra.

Pensando melhor, foi bom você ter vindo falar comigo.

Porque é importante para o projeto que as pessoas saibam que você está nos

acompanhando ali de perto.

Você é muito respeitada nesse meio, Pilar.

Obrigada, Ivone.

Faz o seguinte.

Procura a Madalena.

Diz pra ela que você já tratou desse assunto comigo.

Lá você conversa como é no que você quiser, Pilar.

Depois, Madalena conversa comigo.

Compreendeu?

Como você é competente, Ivone. Quando eu crescer, eu quero ser igual a você,

centralizadora. Anota essa, tá, Luiz?

Mas você já é super competente, Pilar.

Imagina, eu sou muito parlamentar, você não. Você é executiva.

Mas você já tem uma coisa muito importante que é o voto. E o Pilar só

aprender a se relacionar melhor dentro do partido.

Porque não adianta ter o voto ali do povo.

Se você não tem o voto das pessoas do partido.

Compreendeu, Pilar?

Muito obrigada, Ivone.

Foi muito bom conversar com você.

A gente precisa se encontrar mais. Fora do gabinete, querida. Claro.

Claro, meu bem. Vamos combinar. Mas agora vá, Pilar. Vá. Vá falar com

Vá.

Só se for agora.

Madalena, querida.

Quanto tempo.

Você está ótima, magrinha. Eu não estou magrinha, senadora.

Mas emagreci um pouquinho, sim.

Estava precisando.

Imagina. Não pode emagrecer muito, não. O homem não gosta de mulher mais verga,

mas é lenda.

Em que eu posso ajudá -la, senadora.

Estive conversando com Ivone sobre a empresa que vai gerenciar o Projeto

Brasileira. Ela me mandou aqui conversar com você.

Sobre isso não tem muito o que fazer, não.

Agora é só abrir os envelopes e ver quem ganhou. Qual é a sua empresa?

Minha empresa?

Minha empresa não tem empresa nenhuma, querida. Que empresa a senhora

representa? Eu represento o povo.

Estou aqui sob orientação da ministra Ivone Feitosa.

Eu sei, senadora. A ministra já falou comigo.

Qual é a empresa?

A Brasbaby?

Essa tá fora.

Como assim tá fora? É uma ótima empresa, mas apresentou um preço muito alto. Tá

fora. E como é que você sabe que ela tá fora se ainda não houve abertura dos

envelopes?

Não precisa abrir envelope pra saber isso, senadora.

Os envelopes são uma formalidade.

A gente não pode licitar um projeto tão importante sem conversar, sem saber quem

é quem, quem vai apresentar que preço.

Senão a gente não garante a qualidade do projeto.

Então o que eu estou fazendo aqui?

Acontece que se inscreveu no edital uma ONG que ninguém aqui dentro conhece.

Eles atuam mais na área ambiental, mas tinham as credenciais para entrar no

edital e entraram.

O problema é que a gente não faz ideia do preço que eles estão oferecendo.

Isso a gente só vai saber na abertura dos envelopes. Se for o menor, vão

A ministra fica furiosa só de pensar que isso pode acontecer.

Uma gente desconhecida levar o projeto mais importante da gestão dela.

A ministra disse que a senhora pode ter caído do céu.

Eu? Como assim eu? Se eu não sei dizer nada, não sei qual é a talão? Sua

assessora, Laila Rodrigues, conhece o advogado deles.

Como é que vocês sabem de tudo isso?

A gente investiga todo mundo.

Mas esse contato com a Layla só a senhora podia fazer.

Agora que a senhora tomou a iniciativa, fica mais fácil.

No executivo é assim, nem sempre a gente pode tomar a iniciativa. Mas quando a

pessoa nos procura, a gente tenta ajudar.

Acontece, Madalena, que a Brasbabe me garantiu que deu um preço justo.

E que qualquer outra empresa que der um preço menor está mentindo.

Nada que um aditivo de contrato não possa resolver depois, senadora. É muito

mais fácil.

Não sou eu que vou ensinar a Brasbebe a trabalhar, né?

Se eles procuraram a senhora a essa altura do campeonato, é porque eles

que dá tempo de mudar o jogo.

Eles são profissionais.

Então, como é que a gente fica?

Por enquanto, não fica.

Primeiro tem que ter informação, senadora.

Esse é o caminho.

Qual é o nome dessa loja?

Mãe Zenzil.

Mãe Zenzil.

Que curioso. De onde eles tiraram esse nome?

Do Hino Nacional.

Claro, não vou nem anotar que eu não vou esquecer.

Qual é o nome da pessoa que nós devemos procurar? O

advogado amigo da Laila, Stefan Marquezine.

E Stefan?

Marquezine.

Madalena, você diga para a Ministra Ivone ficar tranquila.

Laila é uma fera.

Laila, querida.

Você conhece uma ONG chamada Pátria Amada?

Não, não é Pátria Amada, é uma do hino nacional.

Como é que você não sabe do que eu estou falando, Laila?

Espera aí um pouquinho, tanto hino, Jorge.

Canta o hino, Jorge. Você é um assessor do Senado e não sabe cantar o hino?

Não, não é essa parte. Pula.

Não, pula, Jorge.

Pula.

Não, não é isso, Jorge. Vai pra frente, Jorge.

Canta esse hino.

Não é isso, Jorge.

Mãe gentil, é isso. Lá e lá.

Mãe gentil.

Você conhece?

Sabia que você conhecia.

Como é o nome do advogado deles?

Stefano.

Me aguarde lá.

Lá eu estou indo para aí.

Um minuto.

Depois eu te explico. Estava.

Vizinha querida.

Estou ligando para avisar que o nosso projeto está em andamento.

Não, tá caminhando muitíssimo bem.

Direto com a Madalena.

Claro, claro que a Vinicius tá sabendo. Mas é a Madalena mesmo que bota a mão na

massa.

Pode deixar, Vivi, que de política eu entendo. Eu sei como funciona.

Deixa comigo.

Presta atenção.

A coisa vai ser frenética.

Vamos ter que resolver tudo hoje.

Não, é hoje, Vivi. É hoje, Vivi.

Você vai ficar no escritório?

Tá. Depois eu te explico.

Beijinho.

O senhor anda vendo e ouvindo muita coisa, hein, seu Jorge?

Eu não presto muita atenção em nada, não.

Você não vê que esse é um voto de confiança que eu tenho em você, bobinho?

Eu sei, mas eu prefiro não saber de nada.

Uma boa estratégia.

Tem gente que já foi muito longe.

Você vem comigo, Jorge.

Mas aqui é proibido estacionar.

Você já viu alguém rebuscar o carro do Senado, Jorge? Por favor, vamos.

Como vai?

Ronaldo, querido.

Como vai, senadora? Desde as crianças...

Tudo bem, graças a Deus, senadora.

E aquele seu filho, continua com aquela história de querer ser músico? Tenta,

Jorge. Continua assim.

E o pior é que o danado é talentoso. Manda ele me procurar. Ele vai lá no meu

gabinete. É músico, mas tem que trabalhar.

O importante é conciliar as coisas.

Cidade é pouco, senadora. Não adianta pai e mãe ficar falando.

Só quando eles apanham da vida que eles aprendem. É verdade.

Mas o que eu posso fazer pela senadora?

Ronaldo, querido.

Eu vou abrir uma conta no nome desse moço aqui.

Você pode fazer isso pra mim rapidinho, né? Aham, claro.

Você trouxe a documentação?

O que ele não tiver, a gente traz depois, né, Ronaldo?

O importante é que eu preciso dessa conta hoje. Só isso.

É pra já, senadora.

Me vê se tem o RG e seu CPF, por favor.

É... endereço?

O endereço pode ser esse daqui mesmo que eu vou lhe dar?

Obrigada.

E o telefone também.

Prontinho.

Popularidade.

Superior.

Você que formou, Eduardo.

Formei.

Produção?

Bom, se você se formou, você tem uma profissão, não é, Jorge?

Advogado.

Vamos pular essa burocracia, Ronaldo. Depois você preenche isso. O importante

que eu preciso de um número de conta para hoje.

Olha isso.

Tudo bem, senadora. Um instante só.

Pronto. Pode digitar uma senha. Isso é comigo. Vira o rosto, Jorge.

O Ronaldo, você anota o número dessa conta para mim, porque são tantas

continhas, eu acabo embaralhando.

Muito obrigada, Ronaldo.

Depois você fala pro seu boy passar lá no gabinete pra pegar o que tiver

faltando. Pode deixar, senadora.

E avisa aí pro teu filho malandrinho pra ele ir lá no gabinete. Ele não vai se

arrepender. Deixa comigo.

Um beijinho, Ronaldo.

Tchau. Tchau, menina.

O que é que o senhor informa e não avisa o que deu na sua cabeça?

Tá esperando a senhora perguntar.

Me lembra de avisar a Muriel Maier que você vai ser incluído na folha de

pagamento do Senado. Não esquece. Mas é que... É que eu queria continuar sendo

seu motorista.

Claro que você vai continuar sendo meu motorista, tolinho.

Só que agora, Jorge, você vai ter um carro com um nome bem bonito.

Vai ter um salário bem gordo.

E ainda vai aliviar a minha folha de pagamento do meu gabinete.

Não pergunte.

Eu nunca vou esquecer o que você me fez.

O que é seu está guardado.

Agora vamos para o carro que Laila está esperando. Vamos, Jorge.

E aí, dona Madalena? O que a senhora tem aí para mim?

Só burocracia. Madalena, eu já disse que o poder está na burocracia.

Sabe quantos bilhões de reais pode valer uma assinatura dessas?

Sabe quantas milhões de pessoas podem ter suas vidas alteradas por uma simples

assinatura de uma ministra?

Isso não é uma caneta, Madalena. É uma varinha de condão.

Uma espada de Jedi.

Se um dia você quiser me substituir quando eu for candidata a governadora,

tem que ter essa consciência.

Viu, Madalena?

Você acha a sua assinatura bonita?

Mais ou menos.

Assim não dá, Madalena. Assim você não pode ser ministra. Assim você não pode

ser política. Porque o político tem que se amar.

Só é amado quem se ama.

Compreendeu?

E Pilar, que tal?

Não é do ramo, né?

Melhor para nós, é ou não é?

Mas ninguém vira senadora assim do nada não. Viu, Madalena?

Pilar tem voto. Voto.

Lá na terra dela, o povo só falta se ajoelhar quando ela passa.

Isso eu não ouvi.

Eu vi com meus próprios olhos.

E qual é a empresa dela?

Brás Baby.

A Brás Bomba?

Era tal que me faltava.

Espero que eles não se lembrem do que fizeram comigo em 84, quando eu ainda

secretária lá na prefeitura da minha cidade.

Bem que minha avó dizia, filha, quem bate, esquece.

Não esquece não, viu?

Olha.

Trata bem a Pilar.

Como se fosse uma amiga.

Deixa a Brash Baby pensar que vai ganhar essa. Porque eu quero sentir o

cheirinho daquele dinheiro sujo deles.

Assim que Pilar te disser o preço de aquela ondizinha de merda botou no

envelope, você me diz, Madalena.

Me diz que eu cuido do resto e me mantenho informada de tudo, Madalena. De

Madalena.

Olha, senta aqui na minha cadeirinha. Senta, viu, Madalena? É para você ir me

acostumando.

Acho melhor eu ir no banco de trás de hoje. Não vou pintar que a gente está

tendo um carro.

Abre a porta pra mim, Jorge.

Oi, amor.

Já ia te ligar.

Tô indo pro Rio de Janeiro, mas volto hoje mesmo.

Não, não tem problema.

Tô indo no jatinho de uma empresa.

Chique, né?

Claro que é negócio da senadora que pergunta.

É, é negócio particular dela sim.

As coisas se misturam mesmo, a vida política com a vida particular. Qual o

problema?

Você queria que eu dissesse o quê? Não, senadora, eu não sou paga pra isso.

Você é concursado, Fernando, só faz o que quer. Eu não, eu tenho que mostrar

serviço, é bem diferente.

Você fala, fala, mas em vez de ligar do teu telefone, tá ligando do telefone do

ministério.

Ah, confundiu os aparelhos.

Tá, eu não quero ficar discutindo isso com você, não.

Tá bom.

Tá bom.

Também te amo.

Beijo.

Ai, me dá uma raiva de gente que fala do que não conhece.

Funcionário público.

Vive no paraíso e quer ficar falando do ser humano dos normais.

Sabia que nesse país é mais fácil tirar um presidente da república do que

demitir um funcionário público, Jorge?

Sabia.

Alô?

Sou eu?

Como vai, Madalena?

Não, ainda não.

Eu e a senadora achamos que era melhor falar pessoalmente com ele.

Sabe o que é, Laila? É que a gente tem muito pouco tempo para executar a

operação. Então a ministra pediu para eu pedir a você, para assim que você tiver

a informação, que você passe diretamente para mim.

É para eu poder disparar logo o procedimento.

Não, não, não, não. Já está tudo acertado entre a ministra e a senadora.

Você vai estar nesse número mesmo?

Tudo bem, então.

Até já.

Ouviu isso, Jorge?

Estou prestando atenção no trânsito.

Alô?

Senadora?

Não, ainda não.

A senhora não vai acreditar em quem acabou de me ligar.

A tal da Madalena.

Ai, gorda safada.

Anota o número dela e não atende mais, Joia.

Eu sei com quem eu estou lidando. Deixa ela comigo.

Leva ao mandato.

Está louco.

Pilar, eu propus aqui uma discussão que está muito animada.

Eu estou afirmando que aqui, nesta mesa, está a próxima presidenta do Brasil.

Quem você acha que é?

A rua inventa cada uma.

É bom deixar claro o seguinte, que agora em diante é assim.

Se for mulher, é presidenta. Se for homem, é presidentor. E se não for

coisa nem outra, é presidente.

É que elas estão fazendo o maior jogo de empurra.

Ninguém indica ninguém.

Essa é a verdade.

Mas você, Pilar, costuma se posicionar.

Todas nessa mesa dariam grandes presidentas. Não começa, Pilar. Não vai

ao ponto.

A Márcia, por exemplo. Uma grande empresária com visão social que gera

de empregos. Conseguiu transformar uma pequena empresa num mega império.

Vão achar que eu sou uma Aica Batista, Pilar?

Você seria vice dela, Pilar?

Seria uma honra.

A Rita, por exemplo, uma candidatura da Rita seria fundamental, politicamente

falando, para que a gente valorizasse a importância dos produtores rurais na

economia brasileira. Que grande presidenta a Rita não seria.

Obrigada, Pilar, mas definitivamente isso não está nas minhas ambições. Eu

quero hipóteses. Quero a sua leitura política, quero a sua candidata.

Ah, não o ser.

Que seja você mesma.

E como disse a minha nobre colega, isso definitivamente não está nas minhas

ambições.

Porque presidência acontece na vida da pessoa.

Presidência é de cima.

E como você disse, eu sempre falo a verdade e falo com coração.

Por isso eu queria dizer que a minha candidata é Ivone.

Uma pessoa experiente, com uma sabedoria imensa.

que vem desempenhando um ótimo trabalho no Ministério. E quando for lançado o

Brasil Brasileira, sua candidatura é imbatível, Ivone.

Imbatível.

Agora sim.

Essa é a Pilar que eu conheço.

Posso colocar no meu blog?

Quem decide é a nossa candidata.

Pilar é uma grande companheira, uma grande parlamentar.

Está sendo muito importante para o Ministério, porque se interessou por

brasileira. Ela está, certamente, influenciada pela nossa maior

proximidade recente. Me sinto lesangeada.

Mas todo mundo sabe que meu sonho é governar o meu Estado.

Isso eu nunca escondi de ninguém.

Posso botar essa conversa no meu blog?

Só pra dar uma esquentada no clima pré -eleitoral. Olha, Rosário, então bote aí

no seu blog que eu considero o Pilar o maior fenômeno eleitoral dos últimos

tempos. E que, como ela ainda tem mais quatro anos de Senado, esse

é o momento ideal para testar o carisma dela numa campanha nacional.

Ivone, assim você me deixa encabulada. E diante do marasmo.

Atual da nossa política.

Se existe uma novidade de verdade, ela se chama

Maria Pilar.

Olha, essa tabelinha de vocês duas está me parecendo jogada e ensaiada.

Com essa oposição vai tremer. É, e a situação também.

Então brinde a nós.

Deixa eu ver se eu entendi.

O seu vizinho cortou a árvore fora e a senhora quer que a nossa ONG então vá aí

resolver o problema.

Sim.

E a senhora, a nossa ONG, ela cuida de problemas um pouco maiores, como o

desmatamento da Amazônia, aquecimento do clube.

Mas a senhora quer o quê?

A senhora quer a árvore de volta?

É impossível.

Olha só, eu estou almoçando.

Eu já parei para atendê -la, então agora vamos desligar, porque eu tenho mais o

que fazer, eu preciso comer, porque eu tenho muita coisa para resolver aqui.

Um abraço.

Olá, eu... Eu jurei pra mim mesma que

eu nunca mais ia ver você na minha vida.

Antes de ir pra Brasília umas duas vezes, eu atravessei a rua pra você não

ver. Eu ouvi. Eu vi que você viu.

Eu vi que você viu que eu ouvi.

Eu vi que você viu que eu vi que você viu.

É.

Então também não é importante agora o salto.

Eu já vi esse filme.

Esse filme você não viu ainda.

Eu vim numa missão oficial.

Missão oficial?

Uhum. Lá vem bomba.

Como é que vocês entram sem falar com ninguém na licitação de um projeto do

tamanho do Brasil brasileiro que nem é da área de vocês?

Não, é da nossa área e da senhora.

E nós temos as credenciais para entrar nesse edital.

Todo mundo sabe que vocês são do meio bem -vindo, Sérgio.

Vocês estão loucos?

Desculpa, Sérgio.

Quem é que te mandou aqui?

Vocês não vão levar.

Não vou levar por quê?

Não abriram os envelopes ainda.

E eu vou te dizer uma coisa.

Nós entramos pra ganhar. Eu duvido que alguém tenha colocado um preço melhor do

que o nosso.

Vocês pediram quanto?

Opa!

Foi pra isso que você veio aqui? Pra descobrir o nosso preço?

Agora não vai fazer diferença. Porque os envelopes já vão ser abertos mesmo.

Não faz diferença uma vírgula. Porque isso é informação confidencial.

Você não começa com... para a história não, porque eu conheço a gente de

Brasília. Elas nunca vão permitir que você leve esse projeto.

Elas quem?

Ah, mas se você não sabe nem de quem eu estou falando, meu bem, vocês não são

mais crianças.

Por que vocês não se concentram no que vocês sabem fazer, hein? Nós estamos na

merda, entendeu? Na merda.

Nós temos as qualificações para tocar esse projeto e não temos para ganhar.

É isso.

Vocês não vão levar.

Não, vamos levar porque... Por quê? Porque não é assim que as coisas

Elas vão embargar a licitação.

Qualquer vírgula que tiver no lugar errado no projeto de vocês vai ser

para anular tudo.

Daí os dois vão ficar sabendo o preço que vocês apresentaram e o jogo começa

zero outra vez.

Não tem nada de errado no nosso projeto.

Não é isso, Steph?

Elas já estão levantando a ficha de todo mundo aqui dentro.

Já estão dando uma geral nas contas da ONG.

Existem muitos caminhos.

Muitas regras.

Qualquer coisa pode ser motivo, entendeu?

Elas não querem que vocês vençam e vão tirar vocês da jogada. É simples assim.

O que você veio fazer aqui?

Eu vim ajudar você.

Ainda dá tempo de vocês saírem limpos dessa.

Limpos? A gente não tá sujo.

Tietê.

Deixa de ser ingênuo.

Se sair nos jornais que vocês estão sujos, vocês estão sujos.

Quando vocês quiserem limpar a barra de vocês, vai ser tarde demais.

Vocês estão fora do esquema, vê se entende.

Qual é a proposta?

Você só tem que me dizer o preço que vocês ofereceram. Só isso.

Daí vocês vão perder a licitação no preço e ninguém vai poder falar nada.

Essa conversa fica entre a gente e você. É melhor ver a sua vida financeira.

Foi isso que você virou?

Eu não virei nada, Stefan. Você acha o quê?

Que eu sou uma corrupta?

Eu só estou aqui por sua causa. Já falei.

Só que eu sou uma pessoa prática. Eu sou uma pessoa que tem noção da realidade.

A situação se apresentou e tem um jeito de a gente sair dessa numa boa.

Eu acho que você devia me ouvir.

Quanto?

Resolve a tua vida, já disse.

Quem tá pagando?

Quanto menos você souber, melhor.

Eu não sei quanto, eu não sei quem tá pagando, eu não sei nada. O que eu sei é

que é coisa séria. Só tem tubaroa nessa história.

A gente pega o novo, sai de cena e pronto.

Eu não vou entrar nessa.

Eu não devo nada pra ninguém.

Eu não tenho ar preso.

Eu também não vou conseguir dormir sabendo que eu traí meus amigos.

Como é que você tem tanta certeza assim de que vão ganhar?

Como é que você garante que o preço de vocês é o menor?

Vocês estão sabendo de alguma coisa?

Não. Então vocês podem perder.

Não podem?

Vamos esperar os envelopes serem abertos.

Se vocês quiserem, ou elas quiserem, entrar na justiça, a gente entra. Eu sou

avogado pra quê?

Se precisar, talvez, eu possa acertar os meus amigos na Polícia Federal.

O que é?

O que é isso?

Vai lá.

Deixa eu trabalhar.

Se a gente ganhar essa licitação, aqui dentro a polícia está tudo muito bem

organizado.

Pensa no que você está fazendo, tá?

Qualquer coisa, me liga.

Meu voo só sai no fim do dia.

Conseguiu?

Eu não quero saber se você vai dar seu jeito.

Olha aqui, se você não conseguir arrancar essa informação, não precisa

para Brasília, entendeu?

Você não me conhece. Te vira.

Algum problema, Pilar?

Coisas de família. A gente cuida do país e da casa tudo ao mesmo tempo.

Não seria algum problema com aquele seu primo lá do Rio?

Aquele que trabalha com numerologia?

Não.

Aliás, já ia esquecendo.

Ele mandou te dizer que o seu mapa numerológico está quase pronto.

É muito bom, porque já estava demorando um bocadinho.

Não é, Pilar?

Nossa ONG chama -se Mãe Gentil e eu não fui gentil com a senhora.

Sim, é verdade.

É verdade, senhora, me desculpa.

Sim, claro.

Sim, qual o problema dessa vez?

O vizinho cortou outra árvore.

Entendi, claro.

Bom,

a senhora faz o seguinte, eu vou passar aí amanhã.

Eu vou com um amigo meu que é jornalista. Vamos tirar umas fotos. Tá

Claro, claro, claro.

Me passa o endereço.

Sim, sim, estou anotando.

Claro.

Niterói.

Sei, sei.

Mas gire -me a senhora. Foi um prazer.

Prazer foi meu.

Até logo.

Tchau, tchau.

Flávia.

Hoje deve ser, sim, sabe, o dia das bruxas.

Faz três meses que você não paga a pensão dos seus filhos. Eu já falei que

pagar. Eu posso te mandar pra cadeia, sabia?

O que você quer agora, Flávia?

Você não sabe da minha situação?

Por que você me trata feito um canalha?

Aceita a proposta da Layla.

Como é que é o negócio?

Você ouviu.

Aceita a proposta da Layla ou eu te mando pra cadeia. A Layla?

Você e a Layla?

Eu não vou discutir com você, Stefan.

Você não vai mais prejudicar os meus filhos. Madra!

Você tá louca?

Você sabe que não.

Liga pra Layla agora e diz o que ela quer.

Liga, ela tá esperando.

Liga, Stefan.

Liga, senão eu saio daqui direto para a delegacia.

Laila, você nunca mais vai se olhar na minha cara.

Você me entendeu?

Eu não admito que você fez isso comigo.

Nós pedimos... Não fala. Pode estar grampeado. Deixa a Flávia anotar.

Pode pegar as crianças quando você quiser.

Não precisa respeitar o final de semana.

Pilar, se essa história de candidatura à presidência for pra valer mesmo...

Podem contar com uma contribuição bem substanciosa das minhas empresas para a

campanha de vocês.

Eu quero ser a primeira da fila.

Marcinha, você mora no meu coração.

Mas eu vou querer sua contribuição pessoal também. Você pode agregar muito

à nossa proposta de governo.

Tudo.

Cadê Ivone?

Acabou de sair, filha.

Eu tô atrasada, gente.

Beijinho. Beijo. Tchau.

Ivone!

Ivone, para o carro. Eu preciso falar com você. Eu consegui.

Eu consegui. Eu preciso falar com você.

O que? Tá louco? Está...

Que no meio da rua acelera, Francisco, acelera.

Velha burra, não tá entendendo nada do que eu tô falando. Acelera, Jó.

Para o carro, Ivone.

Para o carro.

Eu preciso falar com o Jó.

Ei, ei.

Que não deu certo de pago, Jó.

Sabia que ela nunca quis me dar o telefone dela, Jó?

Sabia?

Vou matar a lenda.

Liga para a Pilar agora e manda ela me ligar. Agora.

Laila, você vai avisar para a catarina.

E manda ela avisar a ministra Ivone que a senadora Maria Pilar está querendo

falar com ela.

Agora.

Eu vou me livrar dessa aloprada. Ô, Francisco.

Encosta aqui, encosta aqui, Francisco.

Encosta aqui que eu não vou me livrar dessa aloprada.

Vamos conversar aqui mesmo, porque em Brasília até as paredes tem um rio.

Deixa eu ver teu peito. O que é isso, Ivone? Me garante que você não está

gravando. Eu só mostro o meu se você mostrar o seu.

Por que não?

Um, dois e... Nossa, você botou quanto?

250?

Claro que não, Ivone.

São naturais.

É?

Ivone? Ivone, o que é isso? Ivone? Existem microfones modernos.

Conseguem gravar em qualquer lugar.

Mas, afinal, o que é que você queria tanto falar comigo?

Eu consegui o preço da onda.

Isso.

Você só vai saber quando abrirem os envelopes.

Oh, garota.

Acabou de entrar no ônibus.

Já quer sentar na janela.

Eu passei a minha vida na janela, meu bem.

Diferente de você, que sempre sentou no fundão e agora está querendo sentar na

frente.

Eu não vou deixar isso barato. Ah, eu sei que não. Você cobra muito caro.

Qual é o esquema?

Vocês aqui vão me dizer qual é o esquema?

Não é, espertinha?

Esqueceu que eu sou a passiva?

Não é pra relar, não.

Você tá muito dentro da sua idade, mano.

Esse é um celular que eu garanto não tem grão.

Me liguem dele e façam a proposta.

Foi um prazer.

Oi, Madalena.

A senadora não falou com você?

Será que ela não falou direto com a ministra?

Olha, Madalena, esse assunto é com a senadora.

É. A minha missão já foi cumprida, agora é com ela. Ela sabe o que faz.

Eu nem sei mais esse número, Madalena.

Eu nem anotei, só passei pra ela e já esqueci.

De nada.

Eu testo o Josperto. Quem era?

A secretária executiva da ministra querendo me fazer de boba.

Será que você não está sendo boba mesmo?

E ela, ao contrário, está pensando que você é esperta?

Será que boba não é quem pensa que é esperta e é esperta quem pensa que é

Ela é importante.

Claro. É ela quem opera tudo.

Mas a ministra é mão de ferro. É rédea curta.

Nijou fora do pinico com ela, ó. É degolar na certa.

Você acha que essa Madalena quer o quê?

Quero nem saber, Flavinha.

Eu respondo diretamente à senadora.

Olha, se eu fosse você, eu conversava com ela.

Boba ela não é, nem maluca.

De repente dá pra rolar um por fora sem a ministra saber.

Você não conhece a gente, Flávia.

Mesmo assim, se fosse eu, ligava pra ela só pra ser simpática. De repente, no

futuro, pode rolar outra oportunidade, sei lá.

Como eu sou eu...

Eu vou pedir a conta, vou voltar pra minha casa, porque a minha parte eu já

Graças a você, irmã.

Obrigada, Fabinho.

O que eu fiz, qualquer mãe faria.

Garçom, fecha pra mim, por favor.

Olá!

A Virgínia já vem vindo. Você é a... Maria Pilar. Maria Pilar, atriz? Não,

não. Mas tem uma atriz com esse nome, não tem?

Acho que sim, acho que sim. Eu sou senadora.

Senadora tão jovem, olha só.

Quando eu era senador, só tinha velho e viado naquela bosta. Você não quer um

escotezinho? Não, não. É legítimo. Obrigada, obrigada.

Não? Não.

Seus quadros são maravilhosos, Roberto.

E eu sei o nome de todos eles. Quer ver?

Juscelino.

Garrasta Azul.

Geisel.

Figueiredo.

Eu costumo dar aos quadros os nomes dos governos que me ajudaram a comprá -los,

entendeu? Então aqui tem quadro com tudo quanto é nome de governador, de

prefeito, da secretária, da... Prima, tem de tudo.

Aquele ali é um Sarney, olha ali. Tem mais Sarney. Do Collor não deu tempo,

sabe? Já fez a brincadeira dos quadros com ela também, papai. E lá...

Vivi, querida.

Vamos para o escritório? Vamos, com licença, Sr. Roberto.

Um dia ser atriz, um dia.

Então...

Mas diz, Pilar, quanto é que eles colocaram?

Loucos!

Amadores!

Filhos de umas putas. É assim que se destrói o mercado, sabia? Ninguém

fazer tão barato, não.

Mas esse é o preço, Vivi. Depois você coloca um centavo a menos. Vocês vão

ganhar essa parada. E depois de ganhar, você se acerta com essa.

O que elas lá disseram?

Que vocês vão fazer uma proposta.

Como assim?

Vocês sabem que vocês são profissionais? Que vocês sabem exatamente como essas

coisas funcionam? Não, mas eu acabei de assumir essa encrenca. Não.

Papai!

Papai!

Papai!

Sim?

Sabe aquela licitação que eu disse que estava complicada?

Descomplicou. Só que as vacas lá querem que a gente faça uma proposta.

Qual é a praxe?

Varia muito.

Eu diria que mais de 5 % sobre cada parcela começa a virar extorsão.

Às vezes, é melhor perder a oportunidade do que o respeito do mercado.

Quem é que está no comando?

A ministra Ivone Feitosa.

Esquece, minha filha. Essa mulher vai sacanear a gente.

Por quê, papai? Porque eu já sacaneei ela uma vez. Foi sem intenção, mas eu

sacaneei. E o Costa me disse naquela ocasião para eu esquecer o ministério

porque ela é vingativa e tem memória de elefante. Mal amada.

Ai, papai, como é que foi isso?

Isso faz muito tempo.

Ela trabalhava numa prefeiturinha lá no Cafundó do Judas e eu não repassei a

parte dela numa negociação.

Subestimei a moça.

Quando é que eu ia imaginar?

Que ela ia virar ministra e agora candidata a presidente.

Candidata a presidenta?

Tá no blog da Rosário, pode ver.

Tá, mas e aí, como é que fica então? A gente não faz proposta nenhuma?

Não, ela precisa da gente.

Sem a gente ela não consegue resolver o problema dela.

Olha que vocês estão aqui com o milho e ela já está lá na frente com o fubá

prontinho.

Senhor, me desculpa, seu Alberto, mas para fazer o fubá precisa do milho. O

milho, no caso, está comigo.

Tudo bem, tudo bem, tudo bem.

Vocês vão fazer o seguinte.

Digam para ela que nós oferecemos 5 % em cada parcela, mais os aditivos.

E que pra mostrar a nossa boa vontade, eu vou mandar pra ela, pra casa dela,

ainda hoje, um portinário 84.

Portinário 84.

Ela vai entender. E digam também que nós vamos colaborar na campanha dela pra

presidente fora do acordo.

Se ela não aceitar isso, que se dane.

Não merece ser política.

Estão oferecendo 5 % em cada parcela.

10%. 10%. Disseram pra senhora ouvir toda a proposta primeiro.

Pode dizer.

5 % em cada parcela, mais os aditivos.

Não entendi.

Estão dizendo que mandam ainda hoje pra casa da senhora um portinário 84.

Velho filho da puta!

Mas você não se lembra de tudo!

E ainda contribuem pra sua campanha por fora do acordo.

Quem é capaz de não aceitar uma proposta dessas?

Mas diz que o tratamento vai ser rigoroso. A doutora disse que o

ser rigoroso. Primeiro dá, depois recebe.

Primeiro vai ter que dar para depois receber.

E eu quero ver esse portinari na minha sala antes de eu chegar em casa.

E a entrega do presente tem que ser feita ainda hoje, antes da doutora

casa.

Fechado.

Acordo feito. Agora presta atenção.

Preparar o envelope, levar hoje à noite para a festa das cavalinhas aladas no

Rio de Janeiro.

A festa é maravilhosa. Tá, tá bem.

Tá, tá, estaremos lá então. Até mais tarde.

Vivi, cadê seu pai para a gente comemorar, amiga?

Não, a gente tem que preparar... Uma proposta nova inteira pra hoje a noite

esse preço maluco que esses hippies da ONG inventaram. Não sei se vai dar a

festa, não.

Ai, Vivi, não exagera. É só mudar o preço, imprimir, entregar.

Não é assim não, Pilar. A gente tem que fazer um orçamento coerente. Então vou

te deixar em paz. Trabalhando sozinha, Vivi, na festa a gente comemora. Ai,

amiga, eu tô tão feliz de conseguir te ajudar.

É tão boa essa sensação de missão cumprida.

Vamos acertar minha parte agora?

Aconteceu.

Morri de ciúmes do Ivone, que acabou levando um presente por fora.

Tantas pessoas me ajudaram.

Seria tão bom, né? Poder dar um agradinho pra elas.

Tá bom assim?

A nível de presente está ótimo.

Dona Vizinha, nós duas vamos formar uma dupla imbatível.

Dá um abraço no seu pai, super simpático ele, seu Roberto.

À noite a gente se fala para combinar como a gente vai para a festa, tá?

Te acompanho.

Ai, Vivi, não sei se eu vou no meu cavalo ou no meu Rousseff. E agora?

Vai ficar por isso mesmo?

Eles nos ataram, Madalena. O que é que você quer que eu faça?

Eu não posso sair por aí esganando as pessoas bem que eu queria, mas... Agora,

escolher um lugar na sala para pendurar o meu portinari.

Vai aprendendo, Madalena, porque estou pensando na senhorita para a casa civil.

Que tal?

E a festa, ministra? Quem vai à festa é você, não eu.

Imagina se eu vou dar a minha cara a tapa num negócio desses. Pode ir

a passagem. Ai, meu Deus. Eu não tenho nem roupa pra ir num evento desses.

Pega o cartão do ministério e vá para o shopping. Compre o que você quiser.

Eu odeio esse tipo de evento, Ivone.

A vida é feita de sacrifícios, menina.

É uma festa.

Vá, vá. Vá se divertir.

Eu vou dar um...

rolezinho por aí, como se diz. Um tempinho para eles fazerem a entrega.

Mas me mantenha informada, viu, Magalena?

Viu?

Laila.

Deve -se confessar uma coisa.

Fiquei com muito tesão nesse teu lado canalha, Lupera. Para com isso.

Lupera é uma garotinha, tão maiorzinha, tão gostosinha. E agora essa cachorra

filha da puta, muito mais interessante.

Quero descomer esse jardim de empresário.

Quero descomer em Brasília com o nosso dinheiro todo esparramado na nossa

câmara.

Alô? E aí, doutora, já escolheu o lugar para pendurar o seu Portinário 84?

Ainda não.

Primeiro estou admirando a beleza do quadro. Mas não pense que só paga o que

senhor me fez, não, viu? É só negócio.

Ora, não seja assim.

Veja as coisas pelo lado bom.

Depois daquele episódio, nós dois aprendemos a separar o amor da política.

Eu com certeza aprendi, agora já o senhor, pelo que eu ouvi dizer, continua

misturando, tudo bem misturadinho.

Posso ir para aí para te ajudar a escolher um lugar para pendurar o

Quem sabe a gente não espera eu virar presidenta primeiro, depois eu vou

gostar de ver você lambendo meus trabalhos.

Se for para ter o prazer de botar uma presidenta da república de quadro.

E meter nela com toda a força que nem eu fazia com você naquele tempo.

Eu lambo até a sola do seu papai.

Ai, que horror.

Uma vez canalha, sempre canalha. Uma vez cadela, sempre cadela.

Ladrão. Cretino. Paca corrupta.

Costosa.

Como é que é, porra?

Posso ir pra aí ou não posso?

Eu levo a champanhe.

Francesa. Mas eu mal cheguei em casa. Eu ainda não tomei nem meu banho, nem meu

uísque.

Depois da segunda dose.

Eu pergunto ao seu caso.

Tem uma pessoa aí fora. A senhora ainda está atendendo?

Madalena? Eu sou a Layla.

Prazer.

Não achei que fui muito seca com você no telefone.

Não precisava.

Queria desfazer a má impressão.

Foi a senadora que mandou? Não.

É uma iniciativa pessoal minha.

Como nós duas trabalhamos mais ou menos com a mesma coisa, eu achei que seria

bom a gente manter boas relações.

Ninguém sabe o que o futuro nos reserva, não é?

O que me interessa é o presente, Layla. Eu não tenho nem tempo de pensar no

futuro.

Inclusive, eu achei aquele papelzinho com aquela anotação que eu disse que

perdido. Você ainda precisa dele?

Depende.

Na verdade, já foi tudo acertado no andar lá de cima. Você não sabe?

Sim. Claro.

Mas fiquei pensando.

Tanta gente ia gostar de ter essa informação.

E ela aqui, guardadinha na minha mão.

Será que isso é democrático?

Daí eu pensei.

Eu não posso fazer nada.

Mas a Madalena pode.

Alô, Samir?

Samir, eu fiquei sabendo de um número.

Você vai adorar saber, Samir.

Exatamente.

Pois é, Samir, mas antes você vai ter que me deixar feliz, né?

Você sabe que eu sou difícil de agradar.

É ali que compra os ingressos.

Comprar ingresso? Você já me viu comprando ingresso para alguma coisa?

Mas, Vivi, você e essa mulher ficam entrando em fila.

Onde eu enfio esse envelope?

Entrega para o Jorge. Jorge, pega o envelope.

Senadora Pilar, quanta honra. Grace, querida, você faz muita falta em

Achei aquela confusão uma injustiça.

Acabou que ele deixou de ter ministro e eu vim pra cá, né? Mas aqui tá ótimo.

Muito bem.

Vocês podem entrar, seja bem -vinda.

Você conhece Virgínia? Lógico, Virgínia.

Tudo bem?

Olá.

Aline?

Grace, tudo bem?

Você sabe quem acabou de chegar aqui na minha festa?

Acabaram de entrar?

A senadora Maria Pilar e a Vivi, filha do Alberto Baby.

Você não quer mandar ninguém da revista aqui pra tirar umas fotos, não?

E a Magalena?

Ela parece... Queria resolver logo... Ah, Vivi, vamos dar uma volta.

Você é teu sócio, você é algum lugarzinho, cuida desse envelope, que

pouco você não tiver.

Quer apostar que daqui a pouco ela ter risa naquele bar?

Ou você acha que aquilo sabe dançar?

Eu não conheço a mulher, filha.

Ai,

eu vou atrás de outra bebidinha porque eu só pego no tronco. Pra você, pra

Uma caipirinha.

Por que você não viu? O quê?

A senadora tá aí. Eu não sei que ela viu, não sei.

Ela não falou pra você vir?

Parte pro ataque.

Não se mexa, não.

Você também tá na jogada e veio conferir, entendeu?

Bota moral nessa piranha.

Oi, Jorge.

Vai ficar aí parado que nem cachorro em porta de padrão, não? Estou trabalhando,

minha filha.

Cadê a senadora?

Vamos ver o que tu viu.

Eu vim por minha conta, para dar uma força.

Força? Desde quando o Pilar precisa de força?

Laila, querida.

Eu já ia procurar a senhora, senadora.

Desde quando eu vejo uma mulher conversando com o Jorge, eu fico quieta.

E o comandante de ônibus?

Quem te convidou?

A fada madrinha.

Eu vim conferir se vai dar tudo certo.

Não estou te entendendo.

Eu também sou filha de Deus.

Não nasci para ser gata borralheira, não.

Eu não estava.

Acabou o outro pra gente?

Diego, não se diz que qualquer hora dessa vai estacionar lá no balcão?

Ah, cadê?

A dúvida de vermelho. Ah,

vamos lá.

Vai dizer pra Madalena que daqui a pouco alguém vai tirar ela pra dançar.

Só isso, tá bom?

Mas eu nem conheço a Camila.

Finge que não me conhece. Que? Finge que não me conhece.

Prazer. Eu sou a Lion.

Você não me conhece.

Sim. Como vai?

Me mandaram dizer que daqui a pouco alguém vai tirar você pra dançar.

Que palhaça é essa?

Eu não danço.

Eu vou lá falar com ela. Calma, Madá.

Entra na brincadeira. Que brincadeira? Isso aqui não é brincadeira. Eu não sou

obrigada a fazer o que ela manda, não. Eu não trabalho pra ela. Mas eu

Daqui você não sai.

Pode apoiar o parouço?

E a gente vai dar tarde no filme.

Cadê o interloque?

Calma. Faz um tempo que eu não pego tanta carne. Eu adoro isso ali.

Você tá descida.

Tá todo mundo olhando pra gente.

Fala nada. Sem tirose.

Fala que não tá gostando.

Tá vendo?

Abre minha camisa.

O que?

Abre minha camisa.

Paz.

Mãe.

Não é isso que você queria?

Se eu estivesse sozinho comigo, eu mandava você pegar sua mão.

Eu gostaria.

Agora, como é que você vai fazer pra tirar isso daqui pra mim? Mas é melhor

ninguém ver.

O que

aconteceu?

Você entregou o negócio?

Você pegou pesado com ela, Jorge?

Não acho que eu peguei por mim mesmo.

Calma, calma, calma, calma.

Mas seu pai... O que que te

deu?

Todo mundo ficou olhando pra ele. Ninguém...

Olha na direção do barco. Tá olhando?

Tá vendo uma gorda de vermelho? Sou eu.

Me tira pra dançar.

Muito bonita, hein, seu Jorge?

Faz pra água a festa?

Ah, é isso, Maria Maria.

Desculpa, Jorge, me empolguei. Mas eu adorei. Faz a outra.

Eu sou uma pessoa pública. Minha imagem é o meu maior patrimônio. Cadê a Laila?

Eu sozinha, ela está sozinha. Vamos embora, de ordem.

Doutora Madalena?

E o Samir?

O doutor Samir não faz esse tipo de transação pessoalmente.

Prazer. Mira.

Está tudo aí?

Que espertinho!

E esse aí, quem é?

É o Samirzinho. A senhora não conhece?

Muito prazer, Samirzinho.

Você deve ter puxado a sua mãe, né?

Ele está com a outra parte da grana.

Não corre tudo do meu passo.

E como é que eu vou fazer para dançar? Os dois estão mesmo.

Ah, Madalena. Deixa que eu pego aqui o

Samirzinho.

Isso aqui é o que eu estou pensando?

Ai, tão fofinho.

Só tem muita distância.

Você discretamente não coloca aqui, no meio do meu decote.

Ai.

Ai.

Pensei que fosse a minha cozinha.

Se eu soubesse que era você, seria marcada num lugar mais grande.

Com certeza.

Ué, ainda dá pra mudar de plano.

Polícia Federal.

Pensei que fosse obrigatório um motorista profissional saber trocar um

Se o carro estivesse vazio, ia ser mais rápido.

Olha aqui, seu Jorge, eu lhe pago um salário top de assessor do Senado que é

isso, entendeu?

É pra isso!

Ih, Pilar, já tá bombando na internet aqui.

Olha só.

Senadora solta coice na festa das cavalinhas aladas.

Festa estranha com gente esquisita. Senadora Barraqueira da Vestama em festa

descolada. Tá bombando.

Que isso?

Ai, gente. É manifestação?

É ração?

Polícia Federal.

Jorge, você bebeu na festa?

Doutora Virgínia Maria da Silva, baby?

Sim. A senhora está decida.

Habeas corpus prevencido. Papai não me deixa sair de casa sem ele. Estava na

porta e ele gritou, Vivi, pegou o Habeas.

Ok. Mas a senhora não está livre de prestar esclarecimento. Pode se

doutora Virginia.

E a senhora, senadora, também está bastante enrolada.

Delegada querida, cuide do seu trabalho, porque eu sei exatamente qual é o meu

lugar. Pode deixar, senadora.

Sr. Jorge Michael da Silva Júnior?

Sim, senhora. O senhor está detido.

Ah, não.

Pilar? Não. Ele tem culto superior.

Ah, não, Pilar.

Ah, não é o gênero, não. Ele é tão bonzinho.

Pilar, não falta minha mãe, não, Pilar.

Calma, Jorge.

Eu vou resolver isso rapidinho.

Não sei dirigir, não.

E aquelas suas histórias dirigindo toda maconhada lá em Londres?

Ah, não, mas lá o volante era do lado direito.

Nunca me acostumei com esse negócio de volante do lado esquerdo.

Laila, o que você está fazendo aqui?

Fui eu que dei o serviço para a polícia, senadora.

Delação premiada.

Estou soltinha.

Nesse país, para ser do bem, tem que ser mau.

Ai, Stephanie, só você mesmo para filosofar numa hora dez.

Esse pessoal de ONG é foda.

Então, senadora, a senhora tem várias opções.

Pode colocar a mão para o alto e dar uma rodadinha.

Botar a mão no joelho e dar uma agachadinha. Ou dar a mão para os

E abrir a rodinha.

Como uma legítima representante do povo, em nome da amizade

e da inclusão social,

vamos abrir a rodinha.

Vamos falar agora com a nossa correspondente Maria do Rosário. E

parece que temos grandes novidades aí em Brasília?

Boa noite, seu William. Boa noite, dona Fátima. Isso mesmo, numa atitude

inédita, a senadora Maria Pilar montou uma operação com a Polícia Federal e

desbaratou o esquema de corrupção na licitação do programa Brasil Brasileira.

ministra Ivone não resistiu a mais um escândalo e já foi demitida. A

executiva... do Ministério, Madalena Scioli, está detida.

Você está aí com a senadora, não é isso, Rosário?

Isso mesmo, dona Fátima. A senadora Maria Pilar aceitou em dar uma

exclusiva para a senhora e para o senhor William.

Boa noite, senadora.

Boa noite, dona Fátima. Que bom que a senhora voltou outra vez.

Boa noite, seu William.

Eu assisto vocês desde pequenininha.

Conta um pouquinho pra gente como foi essa aventura, senadora.

Dona Fátima, a senhora sabe que pra se fazer uma boa faxina é necessária uma

grande ajuda.

Então eu falei pra minha assessora, vamos dar uma boa esfregada nesse

ministério. Aqui no Brasil, pra sujar, todo mundo ajuda.

Mas na hora de limpar, ninguém se apresenta.

Mas parece que a senhora também teve que participar do esquema.

É isso, senadora?

William, eu não sei se o senhor já fez uma vacina alguma vez na vida.

Porque para limpar, a gente tem que se sujar. Não tem jeito.

Depois é só tomar um banho, trocar de roupa, refazer a maquiagem. E estou eu

aqui, pronta para outra.

Obrigada, senadora.

É com o senhor, seu William.

Mas será que nós ainda vamos ter a sorte de ver esse país mudar, Fátima?

A esperança é a última que morre, William, né?

Eu? Como boa brasileira, não desisto nunca.

Boa noite.

Boa noite.

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