All language subtitles for The.Road.to.Calvary.S01E05.1080p.NF.WEB.DL.DD.2.0.H.264.8CLAW-1

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Original subtitles

IRMÃS, ANO DE 1918 UMA MANHÃ SOMBRIA

ALEXEI TOLSTOI THE ROAD TO CALVARY

THE ROAD TO CALVARY BASEADO NO LIVRO HOMÓNIMO

EPISÓDIO 5

Telegin, está a acontecer tanta coisa aqui!

Não temos engenheiros nem trabalhadores. O equipamento...

... é velho, como pode ver.

E o salário, sabe, é patético.

E o nosso limite máximo de defeitos na produção é 23 por cento.

É uma percentagem bem grande.

Ou seja, quase um em cada quatro cartuchos tem defeito.

Amigo, porque nos vamos preocupar? Quantos mais defeitos, menos mortes.

Um austríaco também é homem. Também tem mulher e filhos.

- Fetos no peitoril. - Strukov!

Por favor, caia em si. Estive na guerra. Fui ferido.

Quando estive preso, mandaram matar-me e você a dizer disparates sobre fetos.

Vê? Já quase me odeia.

Sabe qual é a nossa diferença? Esteve na guerra, eu não.

Lutou. Para si, os austríacos são inimigos,

para mim, são pessoas normais. Estamos ambos certos, à nossa maneira.

Apesar disso, há um fosso entre nós.

Nem todos são meus inimigos, mas os que lutaram e nos prenderam

são inimigos para sempre. Não há volta a dar.

Céus, uma discussão, de novo.

Façamos greve!

A gestão deve estar nas mãos dos trabalhadores!

Sim!

Os opressores deviam ser julgados!

O Rublev é o seu cabecilha.

Por quanto tempo beberão o sangue do proletariado?

Sanguessugas!

Vamos assumir o controlo!

Sim!

Vamos assumir o controlo!

Rublev!

Meu caro, o que vais fazer com a fábrica?

O que queres dizer com isso?

Vamos fabricar navios, como antes.

Mas sabes como?

Trabalho com tornos desde criança!

Acredito nisso,

mas tudo o resto requer formação, experiência especializada!

Mero fervor revolucionário e ódio não são suficientes. Não bastam!

Primeiro, vamos ganhar.

Depois, aprenderemos tudo!

- Sim! - Destruam os tornos, rapazes!

Fábricas para os trabalhadores!

Destruam tudo! Vamos!

Como pôde permitir isto?

- É oficial do Exército russo. - A fraternizar.

A fraternizar, Vadim Petrovich.

Numa escala maciça. Não podemos fazer nada quanto a isso.

Vão ter com os alemães, sentem-se em casa lá.

Depois, voltam bêbedos

e não vão querer lutar contra eles.

Roshchin, meu caro,

que farias, se fosses eu?

Mandava os desertores para o Inferno.

Podre de bêbedo, Vossa Graça.

Não posso matar o regimento todo.

Só posso não deixar os austríacos entrarem nas nossas trincheiras.

O que é isto?

Dá-ma!

Calma.

Ele é dos nossos, não dispare.

Sim, dos nossos.

Dos nossos.

Ele mudou de boina nas trincheiras alemãs.

Ele vai a tribunal marcial!

Então, é melhor dares-lhe um tiro, Vadim Petrovich.

Vai morrer de qualquer modo, seja de escorbuto ou de tifo.

Sabes o que dão de alimento aos nossos soldados aqui?

Sopa aguada com carne em decomposição.

E papas de aveia com arenque passado por 19 copeques por dia.

E então?

Tu queres fazer guerra, e eu, que acabe o mais rápido possível.

Meu caro Vadim Petrovich,

já não percebo...

... por que ideais lutamos aqui.

Vossa Graça!

Vossa Graça! Está vivo?

Vossa Graça!

Vadim Petrovich...

Salvaste-me a vida, sabes?

Obrigado.

Devo-te uma.

ABAIXO A GUERRA!

Marfusha...

Marfusha, o que aconteceu?

O czar abdicou do trono.

Os ministros do czar foram presos.

O poder foi transferido para o governo provisório.

Abaixo o czar!

Abaixo a guerra!

Telegin!

- Como acabaste aqui? - Vim da frente, recentemente.

O que se passa?

- A revolução, meu amigo. - Estás feliz, é?

- Claro, mudar é sempre pelo melhor. Não? - Não me parece que seja sempre.

Estou a ver. És filisteu. Eu sou jornalista.

Tudo o que acontece é material de primeira página.

O país a morrer e, para ti, é desculpa para um artigo.

É a natureza do trabalho.

Pronto, filisteu. Vou à rua Vyborgskaya.

Estão a destruir as esquadras. Vens comigo?

- Não. - Está bem.

Cuida-te.

Deixem o povo passar!

Deixem o povo passar!

Deixem o povo... passar.

TERRA E LIBERDADE

À revolução, homens!

Vou dizer-vos...

Senhores, à revolução!

À nossa vitória!

- Porque estão a quebrar a dieta? - Não tem poder sobre nós.

Menina, é uma revolução.

Somos donos de nós agora! Não tem poder sobre nós.

Estamos cansados das suas ordens!

Com a revolução, não precisarão de tratamento?

- Ficarão bons? - Estamos a ser tratados!

Se não querem ser tratados,

podem sair já do hospital.

- Mas se quiserem ficar saudáveis... - De que serve isso?

Para voltarmos para a frente?

- Não, obrigado! - Pronto!

- Pronto, senhores. - Não voltaremos lá.

Já lutámos que chegue.

Para não ir para a guerra, morre-se já.

Assim que tiverem alta daqui, podem fazer o que quiserem.

Mas enquanto estiverem aqui, por favor...

Sigam as regras. Dispersem, senhores.

Ouçam a enfermeira e dispersem.

Sabe o que a Marusya está a fazer?

- O quê? - Está a fazer camas.

Sozinha.

E, depois, vai lavar, passar a ferro e secar a roupa toda.

- Com as próprias mãos. - Porquê?

Porque as enfermeiras estão em greve.

A Marusya não me falou disso.

Claro que não.

Ela não o quer incomodar.

Ela está disposta a fazer tudo por si.

Mas você, Sergei Konstantinovich, já sabe isso.

Daria Dmitrievna!

Vou-lhe pedir que experimente...

... ter mais comedimento no futuro.

Ter mais comedimento?

Olá, menina.

Ivan Illich...

O que fazes aqui?

Não é difícil perceber. Espero por ti.

Eu... Daria Dmitrievna... pensei bastante...

... e eu...

A minha confissão apanhou-te de surpresa. Não estavas preparada

para aquela conversa... - E agora decidiste

retirar o teu pedido de casamento?

Não é isso. Não te quero atormentar.

Sente-te completamente livre.

Eu próprio lidarei com o meu amor.

A sério?

- O que disseste? - Tu ouviste-me.

- Não acredito. - Acredita.

- Tiveste pena de mim, admite. - Admito. E tive pena de mim.

- Mas comportaste-te como uma estranha... - Lembrei-me da Liza Rastorgueva.

- Esquece-a. - Já esqueci.

- A sério? - Não.

As pessoas irão sempre criticar-te e ter inveja de ti.

É horrível, beijar na rua?

Monstruoso.

Conseguiste alguma coisa?

Não.

Não como há dois dias.

Talvez umas batatas, pelo menos?

Comprá-las-ia se tivesse dinheiro.

Afinal, gastaste a pensão toda em vinho.

Posso ir aos vizinhos e trocá-lo por batatas.

Meu Deus...

É tão aborrecido...

Porque não me mataram lá?

Porque te detestas tanto?

Deve haver alguma razão.

Só não me fales de amor, sim?

Há muito que isso não me importa.

- Então, porque casaste comigo? - Para ter alguém com quem beber.

Despeja, então.

Vamos.

E porque raio casaste comigo?

- Desespero. - "Desespero!" Céus!

Que razão tão nobre!

E decente.

Vais dar-me de comer ou quê?

Daria, mas não tenho nada.

Não tens nada.

Bem, não há nada a fazer.

Pronto, então, vou assaltar alguém.

- Estás louco? - O Estado rouba-nos, não rouba?

Apenas usam palavras bonitas para o fazer.

Serei pior que ele?

Morremos na frente, para tirar a Galícia à Áustria.

À força, porque um tigre tira o que quer.

É a lei da selva.

A única verdadeira lei da sobrevivência.

Limpa isto.

Minha querida...

Fizeste as camas?

Sim.

Sozinha?

Sim.

Porque não me disseste nada?

Ficaste assustada?

És uma cobarde. És, sim.

TABERNA

Olá, meu bom homem.

O que queres?

Dinheiro.

Não dou esmolas a aleijados.

O que estás a fazer?

Conta.

- O que é isto? - Dinheiro. Conta.

- Quanto? - Cento e 37 rublos.

Vai ao mercado comprar comida. Despeja-me um pouco de água.

Estás assustada?

Não.

Sabia que tinha sorte com a minha mulher.

Marfusha, chegámos.

Não percebo. A Marfusha devia ter posto a mesa.

Estranho... Marfusha!

Marfusha!

Marfusha!

O que aconteceu desta vez?

Marfusha, estou a falar contigo!

- O czar foi preso? - Porque pensas isso?

Ouvi no mercado. Dizem

que o general Kornilov mandou prender toda a família do czar.

É verdade. Lamento, mas temos um casamento. Sabes isso.

Eu sei e comprei toda a comida que pude.

Mas não consegui preparar nada.

Bem, prepara agora.

Não. Vou a uma manifestação de apoio ao nosso pai, o czar.

- O meu coração sofre por ele. - O quê?

Pode despedir-me, se quiser.

- És completamente idiota? - Talvez seja.

Mas vou à manifestação na mesma.

Perdoe-me, senhora.

Ela é definitivamente idiota.

Champanhe! Como nos bons velhos tempos.

Trouxe-o de Paris. Planeava bebê-lo no dia mais feliz da minha vida.

Esse dia chegou.

De facto, do que precisa uma pessoa para ser feliz?

- De quê? - Liberdade.

Amor. Luz.

Quando estive preso, percebi o verdadeiro valor da liberdade,

e agora percebo que não é suficiente.

Não para mim.

Tenho de viver para alguém.

E encontrei essa pessoa.

A minha vida pertence-te toda por inteiro, Dasha.

Cuida dela, Ivan Illich.

É o meu bem mais precioso.

E o meu. Concordamos os dois nisso.

Saúde.

Queres tomar o pequeno-almoço?

Não tenho fome.

Eu também não.

Senhora.

Se me despediu, eu vou fazer as malas...

... e vou-me embora. - Para onde?

Para onde os meus pés me levarem.

És uma tola, Marfusha.

Lá isso sou, senhora.

Estavam muitas pessoas na manifestação,

todas a gritar algo, mas não percebi o quê.

Só conseguia ouvir: "Abaixo!"

Mas ninguém tinha pena pelo nosso pai, o czar.

Certo, vai para o teu quarto. Descansa um pouco.

Este crescimento foi o resultado,

antes de mais... - Trouxeram um novo. Vejam!

Vamos dar-lhe as boas-vindas.

... nas trincheiras austríacas...

Santo Deus, Roshchin!

- O próprio. - Olá, meu caro.

Como estão as coisas aqui?

Os soldados estão a criar confusão.

- A confraternizar com os austríacos. - Sacanas.

- O czar abdicou mesmo? - Abdicou.

Abdicou. Sim.

E foi preso, como os ministros.

Todo o poder foi transferido para o governo provisório.

Impensável.

Estamos a lutar pelo czar e pela pátria aqui.

Bem, agora apenas terão de lutar pela pátria.

Soldados!

Gostava de vos dizer o seguinte.

Quem é que vocês eram?

Isso mesmo, eram meros subordinados...

É melhor ele calar-se e ir para casa.

... um rebanho burro... - O quê?

... enviado para a morte pelas altas patentes do czar.

Foram punidos por crimes menores e fuzilados sem julgamento.

Verdade.

E agora, soldados, são cidadãos em pé de igualdade do Estado russo.

Sim.

Sou comissário do exército da frente ocidental.

Só um momento. Tenho de vos dizer isto.

Já não existe diferença entre soldados e comandantes do exército.

- A sério? - Tem bastante razão.

A necessidade de os soldados fazerem continência aos oficiais foi abolida.

Sim, podem apertar a mão a um general.

Olá. Podem apertar a mão a um general...

... se quiserem.

E, por fim, o mais importante é isto.

Antes, era o governo do czar que liderava a guerra.

A partir de agora, será conduzida por outras pessoas. Ou seja, por vocês.

Soldados, dou-vos os parabéns pela maior conquista da revolução!

Quando faremos as pazes com os austríacos?

Bem, meu amigo...

- Quanto sabão darão a cada um? - E a licença? Que instruções tem?

São meros pormenores, a que posso responder no geral...

Sr. Comissário Militar!

- Falou-nos honestamente... - Vá lá!

E ouvimo-lo da mesma forma, mas agora, responda à minha pergunta.

- Sim, por favor. - Recebi uma carta da minha aldeia.

A minha vaca morreu, não temos cavalos e a minha mulher e filhos pedem esmola.

- Certo. - Posso voltar para casa?

Vou dizer-lhe isto. Silêncio, por favor.

Se a vossa prosperidade pessoal

é-vos mais cara que a liberdade,

são livres de trair a Rússia como Judas!

Silêncio! Desertem!

Mas a Rússia irá atirar-vos isso à cara!

- Não são merecedores... - Não sou merecedor?

Para que veio cá? Diga-nos!

Quer vender-nos, seu filho da mãe!

Ele nunca os viu na vida.

Dispersem, senhores!

Não se atrevam!

À vontade!

Não!

Não se atrevam!

Dispersem!

Dispersem! Saiam daqui!

Afastem-se, já disse!

Está vivo.

Morreu.

Céus...

Nossa Senhora...

Céus...

Katya!

Minha Katya...

Katya...

Katya, isto é terrivelmente injusto.

- A culpa é toda minha. - Que culpa tens, minha querida?

Apaixonei-me pelo Roshchin

e pensava nele noite e dia, sem nunca pensar no Kolya.

E agora o Roshchin vai carregar o corpo dele no funeral.

Esqueci-me do meu marido, Dasha.

E ele morreu.

A minha vida acabou.

- Katya. - E já não posso mais ser feliz.

Katenka, não digas isso.

Não digas isso.

Calma.

Calma.

NIKOLAI IVANOVICH SMOKOVNIKOV

Ekaterina Dmitrievna, em nome da Rússia e da revolução,

deixe-me dar-lhe os meus enormes pêsames

pela morte inesperada de um glorioso defensor de princípios.

O que tem a revolução a ver com isso? Vocês eram amigos.

O Nikolai Ivanovich caiu a defender os interesses do povo.

E não esqueceremos a sua morte heroica.

Não te preocupes. Eu estou a aguentar-me.

Desculpe, senhora, afaste-se um pouco.

Camaradas! Hoje, dizemos adeus

a um glorioso filho da revolução,

Nikolai Ivanovich Smokovnikov.

Ele foi um albatroz que morreu no abismo do caos militar.

E, ao longo da sua vida,

ele carregou a tocha em chamas das ideias revolucionárias!

- Quem é? - O Nikolai Ivanovich apoiava

as transformações democráticas que o nosso partido

está a pôr em prática. - Pare de falar!

- Não é uma manifestação. - Espere.

A nossa política agrícola garantirá a prosperidade da nação!

O nosso partido lutará firmemente contra os oportunistas!

Somos a favor do fortalecimento do poder do povo!

Pelo futuro brilhante do nosso poder!

Pela revolução mundial e pela prosperidade da Humanidade!

Pronto, obrigado. Não preciso de ajuda.

Bem... vamos.

Adeus, Nikolai.

Ekaterina Dmitrievna, eu...

... vou partir para a frente em breve. Se precisares de mim, enquanto estiver...

Não, obrigada.

Percebo e respeito os teus sentimentos, mas, por favor...

... deixa-me ajudar-te.

Ninguém me pode ajudar.

Ninguém pode compensar a minha culpa em relação ao Nikolai.

Bebamos à sua memória, mais uma vez.

Ao reino dos céus...

Obrigada.

Acho que ficarei com medo aqui.

É um apartamento tão grande.

E estou cá sozinha.

Katya, vem viver connosco.

- Ivan, não te importas, certo? - Claro que não.

Não quero incomodar-vos.

Não digas isso!

- Sê razoável, Katya. - De facto, Ekaterina Dmitrievna,

temos dois quartos vagos. Haverá espaço para todos.

Vou pensar nisso. Perdoem-me, por amor de Deus.

Quero estar sozinha. Dashenka...

- Vamos. - Vamos.

Quem é o senhor?

Está vivo.

Consegue andar?

Se conseguisse, não estaria aqui sentado.

Vamos.

Agarre-se ao meu pescoço.

Tem de sobreviver.

Quem é você?

Sou a Hanna.

Vivo aqui, na quinta. O meu marido morreu, e o meu filho também.

Eu escapei à guerra, que parece ter acabado.

E voltei para a quinta.

E quem é o senhor? Um soldado?

Estou quase morto.

Vai ficar bem. Tenho várias ervas.

Vamos tratar das suas pernas até começar a correr.

E o senhor irá correr.

É tão bonita.

Marfusha!

Marfusha, agora não tenho dinheiro.

Pago-te à noite.

Não prepares o almoço.

Eu trago algo para o jantar e compro-te os teus biscoitos de gengibre.

Só quero voltar para a minha aldeia, Ekaterina Dmitrievna.

Só preciso de dinheiro para um bilhete. Aqui, tenho medo, senhora.

Há assaltos e janelas partidas por todo o lado.

Violam raparigas em becos escuros.

- É assustador e doentio. - Eu percebo.

Não tenho interesse nisso.

- Não duvide, são autênticas. - Sim, estou a ver. Esmeraldas dos Urais.

Estão em bom estado, mas não lhe darei muito por elas.

Quem precisa de esmeraldas agora? As pessoas precisam de comida.

Quarenta e cinco rublos.

Mas é muito pouco.

Acredite em mim, agora é um bom preço. Aceita o dinheiro?

Sim.

O que tem?

Veja, por favor.

Com licença.

Fui roubada!

Por quem?

Andava aqui um rapaz.

Ele correu lá para fora!

Senhora! Assustou-me tanto que quase deixei cair tudo!

Não faz mal, Marfusha.

Não é nada... e não te comprei os biscoitos de gengibre. É mau.

Esqueça os biscoitos!

Só preciso de dinheiro para um bilhete que me leve daqui.

Toma, aceita.

Vende e compra um bilhete.

Mas não é bom vender um anel de noivado.

Sobretudo de outra pessoa.

Talvez não, mas é desculpável quando não há outra opção.

Katyusha, por favor, não vendas o apartamento.

Vem viver connosco e pronto.

Dasha, não posso ir viver contigo sem dinheiro.

O Ivan aguenta.

Toma conta dele.

- Boa tarde. - Boa tarde.

E mais, já não estás sozinha.

Vanechka, o que aconteceu?

Está tudo bem.

Está tudo bem.

A fábrica fechou.

Estão a despedir todos. Eu também fui despedido.

Céus, o que vamos fazer agora?

Está tudo bem, estou são e salvo, e vou dar o meu melhor.

Não se preocupem com o dinheiro, o apartamento está quase a ser vendido.

Obrigada pela preocupação, mas não posso sustentar-nos?

Fica com o dinheiro, precisarás dele.

Não precisarei de dinheiro.

A minha vida acabou. Não terá nada.

- Katya! - Pronto, basta...

Que conversas são estas?

- Almoço. - Almoço?

- Sim, almoço. - Almoço.

Que conversas são estas?

Vamos almoçar.

Quem está aí, Vadim Petrovich?

Esperem.

Aonde vais? Volta!

- Vamos fugir? - Vamos.

Não se mexam, sacanas!

Voltem!

Voltem! Voltem, todos!

Voltem!

Voltem!

- Voltem! - Para onde?

- Então, desistimos. - Não, Vadim Petrovich.

Não desistimos.

Perdemos, mas não é a mesma coisa.

Vossa Graça, porque não fala mais tarde?

Antes de o ataque começar.

Esperem!

Irmãos! Estou aqui!

NIKOLAI IVANOVICH SMOKOVNIKOV

Olá, Ekaterina Dmitrievna.

Olá.

Ekaterina Dmitrievna!

Vadim Petrovich.

Vim ver como estavas.

Vou sair do apartamento. Quase nos desencontrávamos.

Encontrar-te-ia em qualquer sítio.

Desde o nosso último encontro

que só tenho pensado em ti.

És o único ponto brilhante e vivo nesta escuridão sem cor.

Vivi pela esperança de te ver, e agora estou aqui.

Aquilo que mais quero para nós...

... é que não nos separemos. - Também eu!

- Podemos ver-nos? - Vivo no apartamento do Telegin agora,

o marido da Dasha. Vens ver-nos? - Posso?

Sim. Ele é um bom homem. Vem.

Amanhã, se possível, às 19 horas.

Vou ficar à espera.

TERRA E LIBERDADE

SALVE A ASSEMBLEIA CONSTITUINTE

Acabaste de vir da frente, percebi bem?

- Sim. - Vais voltar em breve?

Nunca.

Entreguei a minha demissão.

- Saíste do Exército? - O Exército já não existe.

Os soldados baixaram as carabinas e é impossível fazê-los lutar.

A frente está a fugir.

A "Grande Rússia" deixou de existir.

Para mim, agora, deixar o Exército é o mesmo que dar um tiro na cabeça.

Mas é melhor que a impotência total

face à catástrofe iminente.

- Tínhamos álcool algures... - Desculpem-me.

Na gaveta de cima, à direita.

Ekaterina Dmitrievna...

Sê minha mulher.

Trouxe álcool, como se soubesse!

Por isso... vamos celebrar!

À vossa.

À nossa.

Legendas: Vânia Cristina

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