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IRMÃS, ANO DE 1918 UMA MANHÃ SOMBRIA
ALEXEI TOLSTOI THE ROAD TO CALVARY
BASEADO NO LIVRO HOMÓNIMO
EPISÓDIO 3
DEUS SALVE O CZAR!
Alemães! Filhos do Diabo!
Um, um, um, dois, três!
Desculpe-me, o que se passa?
Estão a atacar a embaixada alemã.
- Porquê a embaixada? - Há alemães lá! Têm de pagar!
Quatro para a esquerda! Quatro para a direita!
Saiam do veículo! Não se esqueçam das carabinas!
Um ataque conciso! Volver! Marchar em frente!
Para a direita! Mantenham o cordão!
Uma paisagem desolada de antigas ladeiras, prados, vales...
Ainda lembra manadas de vacas e planícies em chamas.
Bravo!
De novo, a noite espreita como brasas da fornalha.
Montem um perímetro!
Desculpe. Preciso de ir para o outro lado.
- Dê a volta, não pode atravessar. - Posso atravessar rápido?
Matá-la-ão, menina!
Vou para o hospital, é mesmo ali.
- Vá, mas rápido. - Obrigada.
Ataque conciso!
Volver! Marcha rápida! Carabinas para cima!
Para a linha! Acertem no alvo! Volver!
E apesar de os estribos estarem justos, cavalga para a frente descontroladamente.
Bravo!
- Boa tarde. - Dasha!
Não me reconheces? Sou a Elizaveta Rastorgueva.
Do apartamento do Ivan Illich Telegin. Visitaste-nos, lembras-te?
- Claro que me lembro. - Graças a Deus.
Ouve, tenho um pedido enorme.
Sei que o teu cunhado Nikolai Ivanovich trabalha no sindicato da cidade.
Podes pedir-lhe um favor por mim?
Pedir?
Sim.
Não há trabalho e não tenho dinheiro nenhum.
Agradecia qualquer emprego.
Apesar de preferir trabalhar nos comboios que transportam feridos.
Certo, falarei com o Nikolai hoje. Volta cá amanhã.
Obrigada.
Foram bons tempos.
E agora estão todos espalhados.
O Zhirov está no Cáucaso. O Sapozhkov está na frente de batalha.
E o Ivan Illich?
Pensei que eram próximos.
Ele está desaparecido.
Estava tão apaixonada por ele.
Tão apaixonada por ele.
- Os alemães alimentam-nos bem. - Cala-te, idiota.
Cala-te tu, sua antiga excelência.
- Como te atreves? - Atrevo-me, sim.
Estamos em igualdade. Estamos ambos presos.
- Está calado! - Porque o faria por um prisioneiro?
Olha para ele! A dar-me ordens!
Então, é assim que é agora? Os alemães mandam em ti agora?
Eles alimentam-nos e deixam-nos viver. Já me devia ter tornado amigo deles antes.
Devia ter cuspido na tua cara linda.
Quietos!
Eu disse para pararem!
Eles mataram-nos!
Bom dia.
Tome.
GOLOVIN
Enfermeira, perdi o meu pé. Para que preciso de um termómetro agora?
O que me importa se tenho febre ou não?
Há uma diferença.
Perceberia se estivéssemos a lutar no nosso território.
Mas estamos a morrer pelas ambições do nosso imperador.
Sinto vergonha por si, tenente.
"Ambições do nosso imperador"?
A Galícia era nossa durante o reinado de Vladimir I, o Grande.
Agora, estamos só a recuperar a nossa terra.
É a nossa Mãe Rússia. O povo russo vive lá.
Estão à espera de voltar à pátria.
Pessoalmente, não preciso da Galícia.
Preciso do meu pé.
Explique-me, capitão, porque o perdi?
- Pela nossa grande nação! - Isso são só palavras.
A verdade é que tenho uma noiva.
Tinha. Porque nem lhe consigo escrever agora.
De que lhe sirvo agora? Aleijado.
A sua noiva deve estar à espera de receber notícias suas, Sr. Golovin.
Devia escrever-lhe.
Não.
Não quero arruinar a vida da minha amada.
Agora, vejamos...
Tver, rua Kozlovsky, casa dos Golovin. Porque precisas disso?
Vou escrever uma carta aos familiares. Devem conhecer a noiva.
Ela devia vir apoiá-lo.
Sim. Isso é verdade.
Toma, querida. O portador deve dirigir-se à Cruz Vermelha.
Obrigada.
Porque me agradeces? É a tua amiga, como se chama...
A Liza Rastorgueva irá para a guerra. Mas não será em breve.
Ela precisa de esperar até se formar um escalão.
E a Katya continua sem escrever. Ninguém escreve.
É como se se tivessem ido. Ou nós.
Dasha, querida. Vem aí algo terrível.
Já nada resta na vida. Nem amor, nem calor, nem paz.
Apenas responsabilidade. Só resta a responsabilidade.
Não disparem. Estou parado.
- Aqui tens. - Obrigada.
Liza, porque precisas desse comboio para transportar feridos?
Podias trabalhar aqui, no hospital.
Não, és tu quem deve trabalhar no hospital, Daria Dmitrievna.
Tenho de ir para a frente.
Tens assim tanta coragem?
Não se trata de coragem. Trata-se do Ivan Illich.
Que tem a ver com ele?
Sofres porque ele está desaparecido, mas não fazes nada.
Estás à espera, a chorar, a tratar dos feridos.
Como num romance.
Mas eu atravesso o Inferno por ele.
Eu encontrá-lo-ei. Morrerei por ele, se tiver de ser.
É a diferença entre nós.
Daria Dmitrievna, ainda não mudaste de roupa?
O paciente já está na sala de operações.
- Sim, desculpe. Vou já. - Já agora, a sua irmã ligou.
- Irmã? - Sim, a sua irmã.
Katya!
Minha querida.
Bem...
Um brinde a estarmos juntos de novo.
Tens de concordar, querida,
onde quer que um russo viva, sente sempre o chamamento da pátria!
Enquanto estava lá, queria muito voltar à Rússia.
Mas agora, aqui, provavelmente sentirei falta de Paris.
Sente, se quiseres. Só não voltes a ir embora.
Não vou.
Estou tão feliz por teres voltado.
Nem imaginas como estou feliz.
Vou fumar no meu escritório.
Marfusha!
Leva o chá ao meu escritório!
Ela nasceu para andar devagar.
Santo Deus, obrigado.
Katya.
- Não estás feliz por teres voltado? - Porque não estaria? Estou.
Por te ver, por estar contigo, por te abraçar.
- E as coisas com o Nikolai? - Perdoámo-nos.
Não vale a pena discutir. A vida mudou tanto.
Trabalhas no hospital agora. O Nikolai disse que o Ivan Illich desapareceu.
Não quer dizer que morreu.
Lembras-te da Liza Rastorgueva?
- Vagamente. - Ela vai para a frente.
Quer encontrar o Ivan Illich.
Diz que o ama de uma forma que eu não consigo.
Ela preocupou-te, não foi?
Mas, se ele estiver vivo, talvez ela o encontre e fique com ele,
o que significa que ela é mais forte e mais merecedora que eu do seu amor.
Se apenas estar mais próximo te torna merecedor do amor de alguém,
então, não é amor de todo.
Marfusha! Vou esperar pelo meu chá até de manhã?
Brincas comigo, consigo ver o meu amor é engraçado para ti
Por vezes odeio-te
- Já é primavera. - Estamos na Galícia. É sempre...
Senhora.
- Bom dia. - Deixe-me ajudá-la.
- Onde está o doutor? - Na mesa. Por favor.
Sofro com todo o meu coração
Sei quão malicioso és
Mas amo-te honestamente
Elizaveta Rastorgueva, enfermeira. Fui enviada para a enfermaria móvel.
- É o doutor? - Sim. Por favor, mais tarde.
Estamos a festejar o prémio do tenente Zhadov!
- Viva o herói! - Ivan Illich?
Ivan Illich!
Não sou o Ivan Illich. Está enganada, menina.
Sente-se.
Não seja tímida.
Sirvam-me dois.
Mais uma vez, ao tenente Zhadov, vamos lá!
Silêncio.
Céus.
Sou o Zhadov. Viva o herói!
O tenente Zhadov foi reconhecido pela resiliência e coragem em combate.
Certo. Quando fico bêbedo, vou logo para as trincheiras do inimigo
e rogo-lhes pragas em quatro línguas. - Tretas! É um herói!
- Viva o herói! - Viva!
Não os ouça, enfermeira. Não há heróis na guerra.
Há tipos ambiciosos.
E tolos. Só isso.
Quando vamos para a guerra, isso não nos torna heróis?
Ninguém vai para a guerra. Somos forçados a ir para a guerra.
E os que vão são cobardes.
- É um cobarde? - Sou um cobarde.
Foi por isso que fui reconhecido. Beba.
Tenho de ir. Estou cansada. Acabei de sair do comboio.
Espere.
O que quer?
Sabe o que quero.
- Assim que veio, soube... - Tire-me as mãos de cima.
... que seria minha. - O que o faz pensar isso?
É o que quero.
Baixe-se!
Está bem? Proteja-se.
Dá-ma.
Com este ovinho, acabaremos com os alemães.
Mas os alemães dão um ovo por pessoa, duas vezes por mês.
O que acham?
Dizem que fazem nascer crianças sem pele, por amor de Deus.
O Bismarck disse àqueles tolos que deviam viver em paz com a Rússia.
Eles não ouviram. Ignoraram-no. Por isso, cá estamos, dois ovos por mês.
Nikolai, é horrível quando as crianças nascem sem pele.
Não importa quem os faz nascer, se os alemães ou nós.
Desculpa, Katya, mas estás a dizer disparates.
Quando há mortes todos os dias, é tão horrível. Não quero viver.
O que queres, querida?
Temos de aprender o que é o Estado do modo mais difícil.
O governo continua a olhar desconfiado para as organizações públicas
pela força do hábito, mas já ficou claro...
... que não se aguenta sem nós.
Não me parece!
Primeiro, apanhamos-lhe o dedo, depois a mão toda.
Estou muito otimista. Escrevam o que vos digo.
A guerra acabará com o nosso irmão, uma figura pública, a assumir o leme.
Tudo o que "Terra e Liberdade", os revolucionários e os marxistas
não conseguiram, a guerra conseguirá.
Sim. Bom dia.
Não consigo viver assim. Não consigo. Tenho de fazer algo, sabe Deus o quê.
Katya,
se quiseres, podemos trabalhar juntas no hospital.
Não, Dasha, tenho medo de sangue, de sofrimento. Não estou preparada.
- Talvez mais tarde, agora não. - Certo, como quiseres.
Não fiques chateada comigo, por favor.
Santo Deus, Katya.
Adoro-te e apoiarei todas as tuas decisões.
- Olá. - Olá, senhora.
Preciso do tenente Alexei Nilovich Golovin.
Golovin? Golovin...
- Segundo piso, ala dos oficiais. - Obrigada.
Alyosha.
Como pudeste?
Como pudeste pensar que não precisava de ti?
Estava a perder a cabeça. Não sabia como viver.
Não sairei daqui sem ti.
Compreendes?
Ele acordou, graças a Deus.
- Calma. - Onde estou?
- No Inferno. - Quem é você? O Diabo?
Não me pareço com ele. Não tenho um tacho e também sou pecador.
Sou só o tenente Voskoboinikov.
- Cadete Telegin. - Dou-lhe as boas-vindas, cadete,
a uma caserna com um nome magnífico, "Fosso Pútrido".
Que significa isso?
Aqui é onde prendem os sacanas com tendência para fugir.
És tu, eu e mais cinco.
Tens as cruzes, a vedação. E, por trás, há as turfeiras.
Não há forma de fugir. Só há a morte.
Há sempre uma forma.
- Escapei três vezes. - E eu, apenas uma.
E tentarei de novo.
Calma.
Um verdadeiro otimista.
Não sei, talvez esteja maluca, mas não consigo parar de imaginar
que ela o vai encontrar e lhe vai confessar o seu amor.
E ele abraçá-la-á.
- Porque te estás a torturar? - Porque estou aqui!
Estou aqui e a Liza está lá!
E, só por isso, se ele estiver vivo, o Ivan Illich ficar-lhe-á grato.
Se o amor nascesse apenas da gratidão,
estaria apaixonada pelo Nikolai Ivanovich!
Mas eu não o amo, apesar de estar eternamente grata.
É o que é.
És mesmo tola.
O que é? O quê? Água?
- Passará a noite aqui, de novo? - Sim.
Porquê?
Cuidar de pacientes é a minha tarefa.
- Fez mais uma operação. - Então, é por isso.
- E eu a pensar que se tinha apaixonado. - Não.
- Não gosta de aleijados? - Não é essa a razão.
Case comigo.
Não.
Alguma vez a pediram em casamento?
Não, nunca.
Certo. Porque é mesmo feia.
- Sabia? - Sim.
Se não tivesse ficado assim,
casar consigo nunca me teria passado pela cabeça.
Percebe?
- Sim. - Então, qual é a sua resposta?
Não.
Ainda espera encontrar o Ivan Illich.
Não, já não.
Ninguém o viu ou soube nada dele.
Havia um homem, mas já não há.
Então, qual é o problema?
Eu amo-o.
Calma.
- Venha cá. - O quê?
É uma tola.
Acabou-se, vá. Chame um padre. Vamos casar.
Venha cá.
Não quero casar consigo.
Silêncio!
MINHA QUERIDA E DOCE DARIA DMITRIEVNA...
Telegin.
O que estás a fazer, Telegin?
Não vale a pena.
As cartas que mandamos nunca são recebidas.
A minha será.
Boa tarde.
Vou-me embora. Também me apanharam.
Não para a guerra, mas para a Cruz Vermelha.
Sim, será com certeza menos perigoso. Apesar de não me importar...
... se me matam.
Dasha!
Alexei Alexeevich!
Perdoa-me.
Queria pedir-te desculpa, Daria Dmitrievna.
Está tudo esquecido.
Adeus.
Foi por isso que vieste ter comigo?
Sim. Tenho pena de ti.
Obrigado pela tua compaixão.
Ou és santa ou tola, Daria Dmitrievna.
O que preferires.
És um tormento de carne e osso que me enviaram.
É tão estranho, ter gostado do Bessonov.
Até me apaixonei por ele.
E acho outra coisa estranha.
O facto de ter conseguido amar alguém.
Agora, é impossível.
É como se a minha alma se tivesse fechado.
É da idade.
Então?
Já não estamos longe do arame farpado.
É difícil escavar, mas será fácil escapar.
Quero acabar o mais depressa possível. Já não aguento mais.
Já só restam dois ou três dias de trabalho.
Estou fraco.
Posso bater a bota com esta quantidade de comida.
Onde arranjaste isto?
Vamos correr durante um mês. Precisaremos de muita comida.
Que força de vontade tens, irmão.
Não é força de vontade, só quero viver. Quero ver a minha mulher.
Telegin, deita-te. Voskoboinikov, amanhecerá em breve.
Em breve, os guardas virão ver de nós.
Presumo que o Vadim Petrovich, um homem que voltou da guerra,
nos pode dizer como é que esta guerra pode acabar.
De qualquer modo, não me importo se perdermos.
- Subo. - Que queres dizer com "perdermos"?
- Desistir? - Porque não? Não podemos ganhar sempre.
Não, senhores. Acho que só uma revolução nos salvará.
Não, mandar o regime abaixo não consertará nada.
Se perdermos a guerra, os ladrões virão
e comerão viva a enfraquecida Rússia.
Meninas! Apresento-vos o nosso convidado. Apresento-vos o Vadim Petrovich Roshchin.
Acabou de vir da guerra.
A minha mulher, Ekaterina Dmitrievna. A minha cunhada, Daria Dmitrievna.
Estou muito cansada. Devia ir para o meu quarto.
Senhores, por favor, desculpem-me.
Terão de me desculpar, também.
- Continuemos, meus senhores. - Sim.
Bem, eu tenho apoiado...
Katya! O que se passa?
Não sei.
Vá lá, acordem. Levantem-se. Todos!
Levantem-se!
Não se aproximem tanto!
Saiam da minha frente.
Não quero ouvir um pio!
Não parece ser nada.
Está tudo bem.
É tarde.
O que foi isto?
Alerta!
Tentativa de fuga!
Alerta na cela quatro.
Venham cá.
Venham cá.
Tentativa de fuga!
- O que se passa? - Alerta!
Senhor, um telegrama para si.
Katya!
Katya! Finalmente, o meu trabalho foi reconhecido!
Levantem-se! Formem uma linha! Depressa!
Encontrámos um túnel. Digam quem o fez.
Este é o instigador.
Você é um instigador.
Sou um oficial russo.
Cale-se!
Não quer admitir.
A ideia foi minha.
Não é verdade. Fui eu que planeei.
Eu planeei.
- Não, fui eu. - Fui eu.
Muito bem!
Coloquem minas na cela e no túnel.
Tragam-me o carro. Já!
Decidiram colocar minas.
Acabou-se tudo.
Dois pares de calças bastar-me-ão.
Agora, o colete. Obrigado.
O que se passa aqui?
Dasha, vou partir para o exército permanente.
O Nikolai foi nomeado comissário da frente ocidental.
- Vais para o exército? - Claro, é o meu dever.
Katya, esquecemo-nos dos pijamas.
Nikolai, pijamas na guerra?
- O que vestirei para dormir? - Eu vou buscá-los.
Obrigado.
Tudo como vês.
Cobarde!
Não façam barulho!
Não quero ouvir nada.
Colocaremos minas aqui e assistiremos às explosões.
E outra.
Toma isto. Tem cuidado.
Tão tipicamente alemão.
Não tapam o buraco nem nos matam,
em vez disso, minam o nosso caminho para a liberdade.
- Tem de haver outra forma. - Que forma?
Ainda não sei, mas tem de haver.
É o que o destino e o tempo nos fazem.
Vou para a frente... A Dasha está a servir no hospital...
Bem, adeus!
Esqueceste-te de dizer que eu não faço nada.
- Não, querida. Nem pensei... - Todos se tornaram tão importantes.
A trabalhar pela vitória. Patriotas.
Mas digam-me.
Digam-me porque nos metemos na guerra.
- Porque morrem pessoas? - Katya.
Porque está desaparecido o teu noivo? Por que grande propósito?
Ninguém nos atacou.
Katya, são esses os interesses do Estado.
Exatamente! Do Estado.
Não os teus, ou os meus, ou os da Dasha.
Mata-me, se quiseres, mas não percebo.
És mulher, é-te difícil perceber.
Ótimo.
Os homens fazem guerras, mas as mulheres não devem pensar nelas.
O que queres de mim? Fui eu que comecei esta guerra?
Por amor de Deus, parem de brigar!
Não estamos a brigar, Dasha. Só estava a dizer que a guerra devia acabar.
- É mais fácil começar uma que acabá-la. - É fácil acabar uma!
Parem de brigar. Acabou-se! Deixem o campo de batalha!
Larguem as armas!
Quem deixa o campo de batalha torna-se traidor ou desertor.
Não percebo tantos sacrifícios.
Quem precisa deles?
Porque é que a tua paixão só aparece durante as discussões?
Seria muito mais apropriada na cama.
Cala-te!
Bem, tenho mesmo de ir.
A minha mala, Katya.
Bem, meninas, cuidem-se.
Adeus.
Katya.
O Roshchin vem buscar uns documentos esta noite.
Dá-lhos, querida. Deixei-os no escritório.
- Muito bem. - Bem, que Deus vos abençoe.
Vamos, companheiro.
Talvez a partida do Nikolai seja pelo melhor.
Talvez seja.
- Marfusha, quem quer falar comigo? - Katerina Dmitrievna!
Lamento incomodá-la tão tarde.
Vim ver o Nikolai Ivanovich, mas disseram-me que se foi embora.
Sim, uma viagem urgente. Foi para a frente.
Tome, aqui estão...
... os documentos que o Nikolai Ivanovich lhe deixou.
Muito obrigada, Katerina Dmitrievna.
- Quais são as notícias da frente? - Ficámos presos na Galícia.
- Que podemos fazer? - Lutar até à morte.
- Mas isso é horrível. - Sim, é horrível.
- Quer chá? - Não, obrigado.
- Tenho compromissos marcados. - Sim, claro. Compreendo.
Venha visitar-nos. Ficaríamos muito felizes.
Obrigado, de novo.
Céus, qual é o meu problema?
O cavalo está cansado.
Todos estão cansados. Esta estrada nunca mais acaba.
O que eras antes da guerra?
Sou poeta.
Se não queres dizer, não digas.
Vejo que não te adaptaste muito bem a esta vida.
- Vais passar dificuldades na guerra. - Era difícil, mesmo antes da guerra.
Será o mesmo, depois. Se eu sobreviver, claro está.
Dasha!
A carroça da Cruz Vermelha foi destruída. Não há sobreviventes.
Entre os que serviam na carroça...
... Alexei Bessonov.
Legendas: Vânia Cristina
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