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Original subtitles

AS TROIANAS

Dez anos.

Dez vezes foi lan�ada a semente, antes de Tr�ia cair,

de perecer pelas lan�as gregas.

Onde haviam cidades h� deserto e o sangue cai dos templos sagrados.

Enquanto isso, os barcos gregos tomam posse do tesouro troiano.

Ouro, muito ouro, armas, trajes...

arrancados dos mortos.

A riqueza de Tr�ia era lend�ria.

Durante anos,

os gregos olhavam para o leste e falavam da amea�a b�rbara.

Quando Helena, rainha de Esparta, fugiu com P�ris, abandonando Menelau

eles j� estavam preparados.

Oh! insensatos que recolhem os despojos da cidade,

tamb�m voc�s morrer�o por isto.

Os gritos misturam-se aos lamentos.

Muitas mulheres cativas choram.

Seus senhores as sortearam entre si.

Umas ir�o para a Arc�dia; outras, para a Tes�lia.

Outras, com os filhos de Teseu, senhores de Atenas.

Outra, exclu�das do sorteio, ser�o dos grandes capit�es.

Com elas, uma prisioneira excepcional:

a espartana Helena.

Quem nunca viu uma desgra�a, agora pode v�-la.

H�cuba jaz aqui, junto aos port�es.

Perdeu seu marido e seus filhos.

Todos mortos.

Levanta.

Levanta do ch�o.

Oh! Cabe�a cansada!

Oh! Pesco�o maltratado.

Isto n�o � mais Tr�ia, nem mais os seus senhores.

Vamos.

O caminho do destino � o caminho do vento.

Destino e vento, ambos sempre � deriva.

Sempre � nada.

Nada... sempre.

Mant�m o sil�ncio.

Fala... chora, ent�o.

Por qu�? Para qu�?

Oh! Este corpo doente...

Minhas costas...

Levanta! R�pido! Tenho que me mover.

Balan�o meu corpo de um lado para o outro.

Ao som do choro.

Ao som das l�grimas caindo.

Para todo o sempre.

Oh, gregos,

com vossos barcos ao largo dos portos do mar escuro

chegastes � nossa cidade sagrada

trazendo vossos ru�dos de guerra.

Por qu� vieram?

Por uma mulher.

Que baixeza, que vergonha!

Por ela morreu Pr�amo, o rei, pai de meus filhos.

E me arrastou ao meu crep�sculo de destrui��o.

Que sou eu?

Esperando, aqui, as palavras de um rei grego.

Uma velha grisalha mulher que j� n�o tem um lar,

uma escrava do clamor de um homem.

Oh, esposas

de todos os her�is que aqui jazem mortos

e donzelas,

crian�as,

aterrorizadas pela vergonha.

V�em?

Somente cinzas resta onde era Tr�ia.

Choremos.

- Por que choras, H�cuba? - Estamos muito assustadas.

Temos pena de ti.

Olhem... l�,

onde est�o os grandes navios gregos.

- Est�o se movendo! - Os marinheiros est�o na proa!

- O que v�o fazer? - Nos levar�o nos barcos?

Para longe de casa!

Achas que nos matar�o?

Me perguntam e nada sei, mas temo pelo pior.

- Morreremos. - Nos levar�o com eles.

- Serei escrava de quem? - De quem serei escrava?

E eu? Uma escrava!

De quem?

Onde, como?

Um pobre velha condenada pela vida.

Que j� n�o pode proteg�-las.

S� uma imgem do que j� fui, um fantasma.

Guardarei a porta de um senhor.

Criarei seus filhos.

Uma vez eu fui Rainha, em Tr�ia.

Vejam!

Algu�m est� vindo. Um arauto.

Est� vindo do porto!

- O que ir� dizer? - Oh, deuses...

� a hora.

Troianas, os gregos se preparam para partir.

Mas n�o Cassandra, ela n�o.

Est� louca. Enlouqueceu. Protejam-na.

Nada de vergonha perante os gregos.

Nem frente a ele.

Me conheces, H�cuba, eu trazia mensagens da Gr�cia para Tr�ia.

Talt�bio.

Trago novidades.

J� chegou, troianas,

o que tem�amos.

Os sorteios foram feitos, se � o que temiam.

- Sorteios? - Uma para cada um, somente uma.

Quem com quem?

De uma em uma!

Minha filha.

Quem a leva?

Diga-me.

Cassandra.

O rei Agamenon.

Para servir a sua mulher?

N�o, para sua cama.

Nunca.

Realizou os votos sagrados e os cumprir� por toda a vida.

Ela ser� dele, mas virgem... para sempre.

Ele a adorou. Mesmo com essa estranha pureza.

A cama real n�o � t�o ruim assim.

Minha outra filha. Voc�s a levaram a noite passada.

- Polixena? - Ela mesma.

Quem ficou com ela?

A deixaram para cuidar do t�mulo de Aquiles.

Cuida de um t�mulo?

Minha filha?

Que ritual estranho � esse, meu amigo?

Podes consider�-la uma afortunada e... fique agradecida.

Essas palavras...

Por que falas assim? Ela est� viva!

Poderia ser muito pior.

Assim ela est� livre de problemas.

E a mulher de Heitor? Meu Heitor.

Para onde ela ir�... Andr�maca?

O filho de Aquiles ficou com ela.

Onde ela est� est�?

Nas m�os dos gregos, presa quando fugia com seu filho.

E eu?

Velha cabe�a grisalha. De quem serei?

Escrava de rei de �taca, Ulisses.

Bate, bate em minha cabe�a.

Arranha minhas faces escravizadas!

Como se pode ser t�o vil?

Tortura selvagem e desapiedada, implac�vel.

Chorem por mim, mulheres de Tr�ia!

Traidora e impura � minha condena��o.

Tragam Cassandra aqui.

Encontrem-na!

Temos que lev�-la,

junto com todas as outras!

Chamas ardem ... l�!

N�o h� nada queimando.

� minha filha Cassandra.

Est� louca.

Tenho o fogo, tenho minha tocha.

Eu toco o fogo deste lugar sagrado!

Virtude.

Virtude.

Bendito o noivo, bendita eu, deitando no cama do rei,

em sua cama em Argos.

M�e,

chora por nossa p�tria perdida.

Serei sua esposa.

Levantemos esta chama de gl�ria, de esplendor, de regozijo!

Dancemos, dancemos sem cessar.

Oh, bendita sorte,

dan�a por meu pai morto,

meu pai morto.

Dancemos por ele.

Detenham-na!

Apolo,

tu.

L�, protegida pelo bosque, servi ao teu altar.

Em frente!

Deixem-na.

Dan�a, m�e.

Vem comigo e canta.

Canta.

Canta pelas gloriosas n�pcias, pela noiva, cheia de sorte.

Mulheres de Tr�ia, regozijai-vos.

Honrem meu matrim�nio.

E honrem tamb�m aquele

com quem o destino me levou a dividir o leito.

Crian�a, d�-me essa tocha.

N�o a ag�entas com firmeza e teu andar � err�tico.

Teu sofrimento, minha crian�a, nunca te trouxe lucidez.

Escuta.

Essa uni�o n�o merece c�nticos, somente l�grimas.

M�e, coroa meu triunfo com flores.

Alegra-te porque vou casar-me com um rei.

Envia-me a ele

e se me demoro, leva-me com viol�ncia.

Se ainda existem deuses,

meu casamento ser� mais sangrento que o de Helena.

Agamenon, o Grande, glorioso senhor da Gr�cia.

Eu o matarei, m�e, pagar� pela morte de meu pai e irm�os.

Mas n�o devo falar disso.

Nem do machado que cortar� meu pesco�o e o dos outros...

nem do assassinato de uma m�e perpetrado por seus filhos.

Vem.

Esta cidade � mais feliz que a dos gregos, m�e.

Sei que estou louca, mas me escuta.

Pelo menos agora, n�o deliro

Vieram em busca de uma mulher ... Helena,

e muitos foram mortos.

Por qu�?

Ningu�m atacou suas fronteiras nem sitiou suas cidades.

Por�m, os gregos abatidos em batalha, jamais ver�o seus filhos.

Suas mulheres n�o os envolver�o em sud�rios em seus t�mulos.

Jazem em terras estranhas.

E suas casas est�o cheias de dor.

Mulheres que morrer�o vi�vas,

velhos que esperar�o a filhos que nunca mais voltar�o.

Essa foi a gloriosa vit�ria que tiveram.

Mas n�s, demos nossa vida para salvar nosso povo.

Nenhuma gl�ria maior que esta.

Nossos mortos retornaram por m�os de amigos

e descansam em sua terra,

entre os seus, por toda a eternidade.

Diferente da distante dor dos gregos.

E a dor de Heitor, teu Heitor... M�e, escuta-me!

Morreu como um her�i, porque os gregos vieram.

Se n�o, nem o haver�amos conhecido.

� uma verdade certa que a sabedoria recha�a a guerra.

Mas, se acontece, a morte gloriosa ser� aquela pela p�tria.

Assim, m�e, n�o chores por Tr�ia ou por mim

ou por meu casamento.

Escuta.

Por tua loucura, n�o levarei em conta teus agravos contra a Gr�cia.

Que o vento os levem.

Vem para o navio, agora.

N�o voltarei a ver meus filhos.

Meu cora��o, aqui enterrado, n�o voltar� mais a bater.

O c�u est� escuro, o sol se foi.

A grama n�o voltar� a crescer.

Esta terra � nossa, nossa, sempre foi nossa.

Esta terra � nossa, nossa, sempre foi nossa.

Nunca a abandonaremos, porque nossas ra�zes est�o nela.

Nunca a abandonaremos, porque nossas ra�zes est�o nela.

N�o voltarei a ver meus filhos.

Meu cora��o, aqui enterrado, n�o voltar� mais a bater.

O c�u est� escuro, o sol se foi.

A grama n�o voltar� a crescer.

Esta terra � nossa, nossa, sempre foi nossa.

Esta terra � nossa, nossa, sempre foi nossa.

Nunca a abandonaremos, porque nossas ra�zes est�o nela.

Nunca a abandonaremos, porque nossas ra�zes est�o nela.

Velha, tu ficas aqui.

Deves esperar a hora de ir com Ulisses.

Seja uma s�bia mulher... como dizem.

Vamos, mulheres!

Deixem que me levem!

Logo vereis o noivo e a noiva na casa da morte.

N�o verei mais meus filhos.

Oh, rei grego, com teus sonhos de grandeza no futuro,

mesquinho �s e ser�s.

E em trevas, todos estar�o.

E eu, l� nas colinas,

lavada pelos ventos da tempestade que est�o perto.

L�... morta...

expulsada... desnuda...

servindo de comida para as bestas...

Sou eu, l�. Eu mesma.

A serva de Apolo.

Fora, n�o quero todos esses v�us sagrados.

Com meu corpo ainda puro, os devolvo.

- Vamos! - Icem as velas, o vento sopra!

Adeus, querida cidade.

M�e, minha m�e, n�o chores.

Irm�os, que a terra os guarde.

Pai, em breve estarei contigo.

Deixem-me!

A amabilidade n�o desejada � descortesia.

N�o me ag�ento em p�, sofro demais.

Deus meu, te chamei, mas n�o me ajudaste.

Quero recodar de dias melhores,

dias em que fui rainha ao casar-me com o rei, em que fui sua esposa

e que lhe dei muitos filhos,

bons e valentes todos eles, os melhores de Tr�ia.

N�o pode haver mulher mais orgulhosa de seus filhos do que eu.

Os vi cair embaixo das flechas gregas.

Cortei meu cabelos na frente de seus t�mulos.

E seu pai ... n�o foi pelos outros que soube que deveria chorar por ele.

Vi com esses olhos.

O vi morrer assassinado no altar quando a cidade foi tomada.

Minhas filhas...

Servas educadas para casarem com reis.

Levaram-nas.

Eduquei-as para os gregos.

� o fim,

velha mulher.

Vou para a Gr�cia,

abrirei e fecharei portas e abaixarei a cabe�a.

Pobre Heitor.

Oh, filha, tu conhecias a gra�a e o mist�rio de teu deus.

Quantos encantos perdidos com tua virgindade.

E tu,

Polixena?

Onde est�s?

Por qu� levantar-me? Que esperan�a me sust�m?

Nunca acrediteis que os opulentos s�o felizes

at� em sua morte.

Um carro de quatro rodas

trouxe o cavalo de madeira at� os port�es.

Douradas e brilhantes eram as r�deas.

Mortais as suas entranhas.

"Avante Tr�ia", gritava o povo.

"Paz por fim, acabou a guerra."

Tragam a escultura, � uma oferenda ao deus que nos d� a paz.

- Que jovem haveria se perdido? - Que velho n�o haveria acudido?

Cantos e regozijo ao abrir as portas para aquele cavalo de madeira

que encondia dentro de si a destrui��o de Tr�ia.

Com cordas de linho tran�ado,

um escuro casco de barco entrou na cidade.

O levamos ao templo de pedra,

por ruas que se encheriam de sangue.

E cant�vamos.

A tarde ca�a e seguiam soando

m�sicas troianas.

As luzes estavam acesas, ningu�m dormia.

- Um grito atravessou a cidade. - Deixou um rio de sangue.

- Um menino aterrorizado... - ...se agarra a sua m�e.

E a guerra saiu do esconderijo que os gregos idealizaram.

Nos massacraram nos altares.

Nas camas jazem homens sem cabe�a.

Jovens assassinados na flor da idade.

Esse foi o triunfo da Gr�cia.

Geramos filhos para que sofram

a dor e a vergonha de nossa p�tria.

� Andr�maca.

- Traz a amardura de Heitor. - E vem com Astianacte.

Heitor

Oh, dor.

Nossa dor.

Por que voc�s choram? A dor � minha.

- Oh, deuses. - S� minha.

Meu nobres filhos, perdidos...

- A dor ghegou. - Para mim.

Para a cidade. � uma nuvem de p�.

Espera!

N�o, meu marido!

Jaz na terra, meus filhos foram mortos.

- Meu marido! - Meu filho!

- D�-me a morte. - Morte.

- Que sofrimento. - Assim � o nosso.

Nossa cidade caiu.

Sob esses tormentos.

Por teu filho P�ris, que deixou Tr�ia para buscar um amor proibido.

Momens mortos, corpos, sangue... tudo terminou.

M�e daquele que matou com sua lan�a in�meros gregos,

olha a tua volta.

Tratados como gado, como as partes do rebanho.

meu filho e eu.

A impot�ncia assusta.

Seus homens acabam de levar Cassandra.

Arrebataram-na de mim.

Me compade�o de ti. Que mais aconteceu?

Enumera todas minhas desgra�as.

Cada uma ser� pior que a anterior.

Polixena est� morta sobre o t�mulo de Aquiles,

como oferenda ao cad�ver.

Minha dor.

Isso que Talt�bio queria dizer.

N�o entendi suas palavras.

- Era t�o sens�vel. - Cobri seu corpo com meu manto.

Minha filha!

Minha pobre filha, sem vergonha assassinada.

Morreu sem pena, mais ditosa que eu, viva.

A morte n�o � nada, na vida existe esperan�a.

N�o, m�e, n�o � verdade.

Morrer � s� deixar de ser.

Prefiro a morte a uma vida de amargura.

Tua filha est� morta. � como se nunca houvesse nascido.

N�o conhece o mal que a matou.

Mas eu...

Me empenheu e logrei chegar ao cume da felecidade.

E a perdi.

Alcancei tudo o que em uma mulher se considera virtude.

Na casa de Heitor cumpri com minhas obriga��es.

Fui obediente.

Com sil�ncio e tranquilidade servi sempre a meu marido.

Pois isso chegou aos gregos para minha desgra�a.

Servirei ao filho de Aquiles,

aos que mataram...

Heitor, meu amado!

Deveria...? Acreditas que deveria...

entregar-me a meu novo marido e trair ao morto?

Ou aborrec�-lo e fazer que me odeie?

Uma noite, dizem que basta uma noite no leito conjugal

para satisfazer uma mulher.

Oh, Heitor,

meu amado...

Sempre foste

nobre, s�bio,

valente e pr�spero.

Ningu�m havia me possu�do antes.

Me encontraste pura no pal�cio de meu pai e me possu�ste.

Est�s morto.

E eu devo ir para Gr�cia como escrava.

E tu choras por Polixena?

Por acaso sofre ela como eu?

Pra viver � necess�rio esperan�a. E eu n�o mais a tenho.

Aqueles navios.

Nunca estive em um, mas ouvi falar deles.

Quando uma tempestade os surpeende,

os marinheiros trabalham: um, nas velas; outro, no tim�o...

todos colaboram.

Mas se o mar os domina,

se ajoelham diante do perigo, se rendem � bravura das ondas.

Como eu rindo de mim mesma, diante de minhas desgra�as.

A grande onda divina me venceu.

Escuta-me.

Esque�as de Heitor e o que aconteceu.

Tuas l�grimas n�o o trar�o de volta.

V� e honra teu senhor.

Usa todos teus encantos para seduz�-lo.

Faz isso e trar�s esperan�a aos teus amigos.

Criar�s o filho de meu filho

e ser�s de grande ajuda para Tr�ia.

E se tens mais filhos,

poder�o reconstruir

Tr�ia, nossa amada cidade.

Uma id�ia me leva a outra.

Esposa de Heitor, o mais nobre dos homens de Tr�ia,

n�o me odeies.

Ainda que n�o queira, devo dizer-te algo.

- Os gregos decidiram... - O qu�?

Tuas palavras pressagiam males.

Que o menino...

N�o poder� vir comigo, com o mesmo senhor?

Este menino jamais ser� escravo de algum grego.

Mas...

Deixar�s, aqui, o �ltimo dos troianos?

Palavra alguma poder� adocicar o que vou te dizer.

�s gentil,,

mas n�o trazes boas novas.

Teu filho deve morrer, essas s�o as terr�veis novas!

Foi id�ia de Ulisses. Disse que o filho de um her�i n�o deve crescer.

Usar� o mesmo crit�rio com seus filhos?

Ser� atirado das muralhas de Tr�ia!

Vamos.

N�o resistas, ser� melhor.

Solta-o e enfrenta a dor com bravura.

N�o pe�as ajuda, ningu�m poder� te ajudar.

Pensa.

Tua cidade e teu marida ca�ram, est�s sozinha.

Uma mulher abandonada!

Como lutar�s, como o proteger�s?

Sil�ncio!

Nunca amaldi�oes os gregos.

Se disseres uma plavra, o ex�rcito se enfurecer�.

O menino n�o ter� nenhum valor.

N�o ter�o compaix�o.

Assim, aceita o destino da melhor forma que puderes.

Lhe dar�o um t�mulo digno.

E ser�o mais complacentes contigo.

Morre, filho de minhas entranhas.

Meu tesouro.

Te matam por causa da nobreza de teu pai.

Salvou a outros, mas n�o pode salvar a ti.

Por causa de sua nobreza.

Minha cama, minhas n�pcias... Tudo reduzido a desgra�a.

Quando criei meu filho na casa de Heitor

n�o foi para d�-lo aos gregos, mas para pudesse reinar.

Choras?

Sinto muito, filho.

Vamos, vamos...

Por acaso sabes o que te espera?

Por que te agarras com tanta for�a a mim?

Passarinho, voa alto abaixo de minhas asas.

E Heitor n�o vir�.

N�o vir�.

Abandonando seu t�mulo, te salvar� com suas m�os.

Como ser� isso?

Atirado l� de cima.

Terr�vel!

Agonizando, com o pesco�o quebrado

e ningu�m para te ajudar.

Tu, morto em meus bra�o, filho meu,

meu menino querido.

Teu cheiro � doce.

Oh! imensa dor!

Beija-me, vamos ... e me abra�a.

De novo, d�-me outro beijo.

Oh, gregos,

descobrem novas torturas que n�o s�o devidas.

Um menino, uma crian�a inocente.

E querem mat�-lo.

Hel�nicos, assassinos de seus pais.

Loucura, �dio, morte...

Todo o veneno que a terra d�.

Que os deuses os amaldi�oem. Esse olhos preciosos

levaram a ru�na e a vergonha aos campos de Tr�ia.

R�pido.

Peguem-no.

Matem-no e devorem-no

Os deuses me destru�ram e eu n�o posso...

N�o posso salvar meu filho da morte.

Escondam meu corpo aviltado e levem-me para seu navio.

Vamos, menino.

Deixe-a.

Leve-o.

Um soldado com tais ordens n�o deveria ter piedade.

Nem vergonha.

N�o como eu.

�gua.

Para tr�s, para tr�s!

�gua!

�gua.

�gua.

- Menelau, venha r�pido! - O que aconteceu?

Querem matar Helena.

-Gostaria de ver isso. - Sim, s� que me prenderiam.

- Mas disseram que a matariam. - Helena de voltar viva.

Deve estar no desfile triunfal dos gregos.

- � um trof�u ensanguentado. - S� que de puro ouro.

- Isso era o que queriam. - E ela lhes deu o motivo.

Matem-na, matem-na!

Tu, soberano do mundo,

cujo trono est� nas alturas,

e a quem nossa compreens�o n�o alcan�a.

Quem �s tu?

Deus, necessidade do que nos � devido, raz�o de nossa raz�o,

onde est�?... eu te imploro,

olha o caminho silencioso que a todos a justi�a leva.

Justi�a ser� feita.

Trouxe meu ex�rcito para Tr�ia,

n�o por ela, como voc�s dizem,

mas por aquele que foi meu h�spede e depois a roubou.

E, pelos deuese, ele pagou o pre�o.

Ele e toda sua p�tria.

Me entreguem para que a mate,

ou, se eu quiser, para lev�-la para Argos

Mate-a, Menelau,

se o fizeres, ser�s aben�oado.

Mas evita olh�-la, o desejo por ela te cegar�.

Ela se apodera da vontade dos homens com o olhar.

Frente a ela, homens e cidades sucumbem.

Dela sai fogo que queima casas, magia mortal.

Eu a conhe�o,

assim como tu e a todos que tem sofrido.

Peguem-na, tirem-na de l�!

- Matem-na, matem-na! - � preciso mat�-la!

Menelau, essas coisas podem amendontrar uma mulher.

Teus homens me arrancaram de meus aposentos.

Puseram suas m�os em cima de mim.

Tu n�o mudaste.

E claro que sei.

Quase sei.

Me odeias, mas mesmo assim te pergunto:

qual � a tua decis�o e a da Gr�cia?

Viverei ou n�o?

Nada mais claro, a decis�o � un�nime: morrer�s!

Posso defender-me?

Te demonstraria que a minha morte seria injusta e inocente.

- Vim para matar-te, n�o para ouvir-te. - Escute-a.

N�o deve morrer sem ser ouvida.

Assim, Menelau, deixa que eu responda a ela.

Tu ignoras o mal que causaste a Tr�ia, assim eu eu te explicarei.

Chega disso!

Se queres falar, fala, ent�o.

Admito por ti, n�o por ela, podes estar certa disso.

Pode n�o importar se acreditas que digo a verdade.

Nem me dir�s, pois me consideras teu inimigo.

Ainda assim,

tentarei responder ao que dirias se expressasses teus sentimentos.

Sou t�o culpado quanto tu.

Primeiro, quem come�ou isso tudo?

Ela.

Ao dar a luz a P�ris.

Quem mais � culpado?

O rei Pr�amo,

que sabia da condi��o de seu filho e deixou-o partir.

Para arruinar Tr�ia.

E a mim.

Sei o que pensas: porque fugi? Por que fugi em segredo?

Este homem, P�ris,

ou como queiras chamar-lhe, maldito seja.

Quando ele veio at� mim,

uma poderosa deusa o acompanhava.

Amor. Afrodite.

Me disse que ele seria meu.

E tu, pobre infeliz, o que fizeste?

Abriste as portas para teus h�spedes e mandaste teus navios para Creta.

Deixaste Esparta,

deixaste ele em tua casa.

N�o pergunto a ti, mas a mim mesma,

o que havia em meu cora��o para ir-me com ele.

Um estranho

por quem esqueci minha casa, minha p�tria.

N�o me castigues, mas a Afrodite,

a mais poderosa dos deuses, j� que escraviza o cora��o.

Ela �

minha absolvi��o.

Assim, me fui

e olha o que aconteceu.

Meu rapto trouxe grande sorte para toda a Gr�cia.

N�o os governam ditadores, nem estrangeiros com suas lan�as,

Bom para a Gr�cia, n�o para mim, condenada por minha beleza.

Acusada de inf�mia quando mere�o a coroa.

Deixe que ela termine.

Teria sido justo, dir�s,

que P�ris morrendo

tivesse eu voltado a Gr�cia.

Tentei fazer isso.

Muitas, muitas vezes.

Mentirosa!

Tenho testemunhas. Os guardas, os vigias, todos.

Muitas vezes

me viram sair da fortaleza, amarrada com cordas,

lutando pra escapar.

Os troianos j� n�o me queriam

e Deifobo, o homem que logo me prendeu, a for�a

jamais

me deixaria ir embora.

Marido,

devo morrer?

Est� em tuas m�os! Essa � a tua justi�a?

Me for�aram com viol�ncia.

Tenho vivido uma vida desgra�ada.

De dor.

Uma vida de amargura.

Gostaria

como um pintor

apagar a beleza de meu rosto

e ter um rosto vulgar.

Rainha, defende teus filhos e tua p�tria.

Essas palavras s�o intoler�veis

Os deuses me aplaudir�o quem expuser tuas fal�cias.

N�o uses os deuses para lavar a tua culpa.

Meu filho era um homem belo.

Quando o viste, o desejaste sem necessidade de nenhuma deusa.

Tu o viste em seu brilhante traje e ca�ste a seus p�s.

E pensaste, uma vez livre de Esparta, em Tr�ia

onde acreditavas que o ouro era abundante,

poderias gastar at� que nada mais sobrasse na cidade.

Todos teus luxos, teus insolentes excessos...

A casa de Menelau estava pequena demais para eles.

Dizes que te levou � for�a.

Que gritaste.

Ningu�m em Esparta ouviu nada.

Quando chegaste, trouxeste os gregos atr�s de ti.

E a guerra, a morte na batalha.

Imaginando a vit�ria grega de hoje.

terias feito que Menelau

se enfrentasee com meu filho, a quem temia como rival.

At� ent�o, Tr�ia era invenc�vel.

Menelau n�o significava nada para ti.

Queres estar do lado vitorioso, n�o � mesmo? Como sempre.

Dizes que te ataste em cordas para sair. Algu�m te viu?

N�o terias uma faca ou uma corda?

Isso usaria qualquer mulher decente na tua situa��o.

Te disse: V�, filha, eu te ajudarei, te enviarei nos barcos gregos.

Pelo fim deste guerra.

Mas n�o escutaste e em casa de P�ris te mostravas insolente.

Gostas de efeiti�ar os homens.

Olha como est�s vestida, � assim que se recebe um marido?

Os homens deveriam cuspir em ti.

Cabisbaixa, humilde, temerosa e tremendo.

Assim deverias estar, com vergonha em lugar de descaramento

por todo mal que causaste.

S� mais uma palavra, rei.

D� um coroa a Gr�cia, digna de ti.

Mate-a.

- Rei, lembra de tua linhagem. - Dizem que �s efeminado.

Faz o deves fazer.

- Seja forte - Seja nobre.

- Castiga-a! - Estou de acordo com o que dizeis.

Foste embora por vontade pr�pria, Afrodite n�o desculpar� por isso.

Vai, tua morte est� perto, n�o voltar�s a me desonrar.

N�o, n�o.

Me ponho de joelhos e te suplico.

Foram os deuses.

Por ela, muitos dos teus morreram.

E crian�as.

- N�o os traia - Basta, velha.

N�o �s nada para mim.

A morte em Tr�ia n�o � apropriada, a levarei

em meu navio mais r�pido

e na Gr�cia a entregarei aos parentes do mortos.

Levem-na para o navio e cuidem dela.

Tomara que um raio fulminante dos deuses caia sobre esse navio

e a reduza a cinzas!

Um navio j� partiu, H�cuba.

Nele viaja Andr�maca, m�e deste menino.

Ela quis que ele ficasse em tuas m�os

pra que o cubrisses, se ainda te resta algum traje

Me pediu que repousasse com este escudo de Heitor.

E que o cubrisses com flores.

Quando tudo tiveres feito, embarcaremos.

Que seja o mais r�pido poss�vel.

De um problema te livrei.

Pedi que o levassem ao lago para que a �gua

lavasse suas feridas.

Vou cavar sua sepultura.

Se o fizermos juntos,

partiremos r�pido para casa.

Deixa o escudo no ch�o.

Meu filho,

que morte horr�vel.

Se tivesses ca�do lutanto,

se tivesses sido

jovem, forte, amado

e com poder divino...

N�o conheceste a felicidade,

se � que ela existe.

No entanto...

Te atiraram das muralhas, meu anjo.

Coratram os cachos de cabelo que tua m�e acariciava

e onde te beijava.

Teus ossos, quebrados e amassados...

Queridas m�os,

iguais as de teu pai.

Queridos...

l�bios, fechados para sempre.

Sempre dizias coisas bonitas quando me vias.

Sempre me dizias:

"Av�, quando morreres, cortarei uma mecha de teu cabelo para mim

e farei que meus soldados

velem teu sepulcro!"

E, por fiml, sou eu,

uma vela sem lar e sem descend�ncia,

quem te enterra.

T�o jovem.

Uma...

morte injusta.

Um poeta poderia escrever em teu t�mulo:

"Aqui j� uma crian�a a quem os gregos temiam e assassinaram".

O mede aparece quando a raz�o desaparece.

Te dou tudo o que tenho, meu filho.

Ainda que n�o alcan�aste grandes fa�anhas

para admira��o de teus companheiros,

a m�e de teu pai deposita aqui essas oferendas

e sobre tudo que foi teu, coloca esta flor.

Este foi o grande pr�ncipe de nossa cidade.

Te haveria vestido em teu casamento,

e a mais bela das princesas do oriente, haveria sido tua noiva.

Com tecidos de linho

cubro tuas feridas.

Belas palavras, ainda que sejam in�teis entre os mortos.

Teu pau te cuidar�.

Vamos,

enterrem-no em seu t�mulo.

Pouco importa aos mortos seu enterro.

� pura vaidade nossa, os vivos.

Capit�es, vos foi encomendado que queimem esta cidade!

R�pido, que vossas tochas n�o fiquem im�veis!

Mulheres,

o soar ds trobetas � o sinal, v�o at� as embarca��es.

Senhora, minhas desculpas a ti.

Vamos.

Vamos, n�o os detenhais!

Queimam nossa cidade!

Nossa cidade.

R�pido. A est�o queimando.

Tenho que ter pressa

Devo despedir-me dela.

Peguem-na

e cuidem dela.

Oh! Pai, que nos deste a vida,

n�o v�s o nosso sofrimento?

Merecemos isso?

- As chamas iluminam a cidade. - O fogo devora tudo.

Tr�ia est� desaparecendo, reduzida a fogo e fuma�a!

Escuta, vossa m�e vos chama.

Mortos est�o aqueles a quem falas.

Ajoelhemo-nos com os membros doloridos sobre nossa terra.

- Os meus est�o neste lugar. - Esposo, oh, esposo meu.

Nos arrastam para fora de nossa terra.

Dor, imensa dor.

-O povo se abate sobre n�s. - N�o consigo ver minha casa.

Seu nome desaparece da terra, Tr�ia se extingue

Para sempre.

Ouviram?

Viram?

Tr�ia caiu!

Terremotos e inunda��es.

� o fim da cidade.

Levanta,

levanta do ch�o,

corpo maltratado.

Velhas pernas tr�mulas,

devem me levar

a um novo dia de escravid�o.

Tradu��o, adapta��o e sincroniza��o do espanhol para o portugu�s

Carlos Eduardo Valente

DEDICAMOS ESTE FILME

A TODOS AQUELES QUE SE OPUSERAM

A OPRESS�O DO HOMEM PELAS M�O DO HOMEM

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