All language subtitles for The Naked Maja [Ava Gardner] (1958) DVDRip Oldies

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Original subtitles

"A MAJA DESNUDA"

Malditos Loucos.

Será melhor sair daqui.

- Tudo em nome do Nosso Senhor. - Cuidado, pense bem.

A Inquisição é capaz de ler até pensamentos.

Para trás, abram caminho.

Para trás, abram caminho.

Vossa Alteza já viu o suficiente ou quer ficar para a fogueira?

Ele nunca aprovou fogueiras para queimar humanos. Já teve o suficiente.

Foi sua idéia vir ao julgamento.

Às vezes precisamos ver o mundo no qual vivemos.

Mas não vou apoiar esses bárbaros vendo a morte de uma garota.

Estão levando a mulher errada.

Lá está a bruxa.

Acredite, Paco, ela é maligna.

Não acho que o diabo seja tão belo.

Tenha muito cuidado.

Paco!

- Aceite isso. - Eu agradeço, Alteza

A sua presença nos honra em demasia.

- Você merece muito. - Obrigada.

Senhores.

- Obrigado por sua visita. - Todos em seus lugares.

É uma inspeção.

Não sabe que deve se levantar ante um oficial do rei?

Falo para você.

Por que está parado aí?

Quem é? Sua Alteza Dona Maria Teresa Cayetana.

Marquesa de Villafranca, Duquesa de Alba.

Perdoe-me Alteza, eu não sabia. Peço desculpas.

Cavalheiros.

Amanhã toda a corte saberá que estivemos aqui. Bem, não é a primeira vez.

- Obrigado, Alteza. - Alteza.

Adeus Costillares, nos vemos domingo na tourada. Obrigado, Alteza.

- Dedicarei a você meus melhores touros. - Obrigada, Romero.

Meus respeitos ao orgulho de Castilla. Alteza, suplico que me conceda essa dança.

- Vá embora, você está molestando. - Cuidado com o que diz.

Não aqui.

José, já é suficiente.

Se fosse nobre,

eu enterraria meu aço nas sua costelas. Não será necessário.

José, vá para casa, está bêbado.

Repita isso. Repita, se tiver coragem.

Vamos Jose, não seja infantil. Vá dormir, está bêbado.

Paco, deixe-o ir. Não se meta nisso.

Repita.

Paco.

Vamos andando antes que ocorra uma desgraça.

- Vá você, se está com medo. - Estou falando pelo seu bem, Cayetana.

Paco.

Use sua faca.

Vá para casa, José, já é suficiente.

Muito bem, Paco!

Senhor!

- Paco, não é nada. - Está bem, já verá.

- Deixe-me no chão. - Chame um médico.

- Deixe-me no chão. - Não sou nenhum...

touro morto.

Isso não é uma arena de touros, você vai me arruinar!

Podemos ir agora? Depois de tudo foi um dia completo.

Dr. Peral, vou precisar de sua ajuda.

Tragam ataduras, toalhas de mesa, qualquer coisa.

Uma atadura melhor da anágua da Pepa.

Como? Se não tenho mais que uma.

Aposto 5 dobrões que está nos enganando.

Você acredita, agora?

- 5 pela aposta e 5 pelo espetáculo. - Obrigada, Paco.

Talvez possamos ajudar? Este é o meu médico, dr. Peral.

Meu nome é Francisco Goya, Alteza.

Sim, eu sei.

Espero que seu ferimento não seja grave.

Não é nada.

Tire o casaco, tentarei não machucá-lo.

É melhor sentar-se.

Não é nada grave, Alteza. O corte é profundo, mas nenhum tendão foi atingido.

Ainda poderia matar um touro.

Ou pelo menos um carneiro.

É mais importante que segure um pincel.

- Conhece o meu trabalho? - Todos nós conhecemos sua pintura.

Você é o pintor da moda.

Posso ajudar?

Obrigado.

Mas, algumas vezes...

seus quadros me causam certo temor.

É como...

se visse a verdade das coisas, no interior profundo.

Pode explicar isso?

Às vezes, a verdade pode assustar.

Mas se olhar de frente não deve temer.

Unicamente escondendo a verdade erraremos o caminho,

nos confundindo.

Pronto.

Lá está o sr. Goya, pode voltar para sua pintura.

Creio que a partir de hoje, Alteza pintarei melhor que nunca.

Tem que esperar um tempo. Até o ferimento cicatrizar.

Darei um pequeno concerto, no meu palácio na próxima sexta.

Se não estiver fazendo nada, ficarei feliz com a sua presença.

- Será um prazer. - Boa noite.

- Boa noite. - Boa noite.

Um Goya original. Muito valioso.

Tem uma boa noção de leveza, sr. Goya.

Estava sonhando quando o fiz, Alteza.

Você tem sonho estranho.

Talvez não saiba como sou na realidade.

Gostaria de fazer meu retrato e ajudar a me conhecer?

Tenho medo que em mim se esconda a verdade que os assusta?

Claro que não, Alteza. Isso nunca.

Até sexta, às cinco.

Paco! Paco!

Posso saber o que vai fazer?

E a quem represento? Quisera saber a quem represento.

Você? Muito fácil,

representa uma uma bruxa velha.

Você não deve ir ver a duquesa.

Cale-se, Juanito.

Sinto muito, Paco, pode ficar bravo comigo...

- mas não vou deixá-lo ir. - Cale-se, quer? Deixe de falar bobagens.

Paco!

A rainha a odeia. Se for, nunca te tornarão pintor da corte.

Como vai o seu trabalho?

Bem, como o esperado.

Não quero idéias originais, Francisco. Quero que siga fielmente os esboços.

Não se preocupe, professor.

A cúpula vai ficar coberta de falsos anjos, falsos duques e falsas cortesãs.

- Quando não se é sincero, tudo sai falso. - Besteira.

A arte é uma ordem, disciplina e tradição.

Não foi por causa do minha sinceridade que me tornaram presidente da Academia,

mas sim por ser responsável.

Tanto na arte como na vida.

- Aprendemos com os nossos antecessores. - Aprendi de Velazquez a Rembrandt.

Para mim os demais estão mortos. Agora aprendo com a natureza.

Nós artistas devemos mostrar o mundo tal como ele é.

- sem camuflagem, sem dogmas... - Se quer jogar, respeite as regras.

Se você insiste em ser teimoso, vou pedir sua dispensa ao rei

e pedir que dê os afrescos a outro.

É sua decisão?

Francisco!

- Quem é a criança? - Sua filha.

Não, sua filha adotiva.

A duquesa estava solitária e queria uma criança.

Vossa Alteza, Sr. Goya me enviou.

- Não está bem? - Sim, muito bem.

Mas está trabalhando noite e dia para o rei.

- Para o rei? - Sim, nosso glorioso rei, Deus o proteja.

- Tudo bem, diga que está dispensado. - Obrigado.

Sr. Brugnac, o que achou da cantora?

Maravilhosa, parabéns.

A roubaria se ainda tivesse meu teatro em Paris.

Vai tê-lo de volta, Bonaparte não pode durar para sempre.

Mas ele é tão obstinado quanto eu.

Querida, estamos ansiosos para ver Goya.

- Ainda não chegou? - Ele sente muito por não poder vir.

- Que pena. - Ele deve estar salvando uma dama.

- Sua carruagem espera, Enrique. - Minha carruagem?

Mais música? Maria, venha aqui.

- Cante outra música. - Sim, Alteza.

Chega, chega, chega...

Tirem esses trapos.

Ouviram?

Tirem!

Vamos vê-los como realmente são.

Quando houver louvor nesta capela, seu povo estará sempre diante Dele.

Sempre.

Pedro, Maisle.

Juanito, tinta! Lona!

Deus me ajude.

Ajude-me, Deus.

Agora peçam ajuda de Deus.

Cantem, cantem, para que ele nos ouça...

Cantem alto!

Abram, em nome do rei.

- Ouviu, Paco? O Rei! - Abram.

- Longa vida ao rei. - Agora e sempre.

Sua Majestade está vindo.

Avancem, guardas. Fechem a porta.

Tirem essas pessoas daqui.

Tirem-nos!

Limpem o lugar, tirem-nos também.

Rápido.

Deixem-nos, são meus amigos!

Sinto muito, são ordens. Terão que esperar lá fora.

Saiam. Liberem os afrescos.

Empurrem para lá.

Aqui!

Sua Majestade, o rei.

Onde...?

Onde está o pintor?

Com sua permissão, tenho a honra de apresentar Francisco Goya.

Cuja obra Vossa Majestade irá aprovar.

Deveria saber, todos os artistas são iguais.

Se sujam de tinta. Meu bom homem...

- Vossa Majestade. - Sr. Goya...

tem trabalhado dia e noite e não esperava...

Sim, estávamos caçando com Manuel.

Onde está o primeiro-ministro?

Sr. Goya, Manuel.

Meu braço direito. Sabia que ele atira muito bem?

Surpreendente para um homem envolvido com o estado.

Vossa Majestade não tem concorrência.

De fato não sou ruim.

Carlos, as pinturas.

- Onde estão os afrescos? - Na cúpula.

Sim, claro.

Primeiro, qual o tema?

Senhores.

Estamos esperando sua opinião.

- Você, Novare. - Bem, Vossa Majestade...

- Não entendo muito de pintura. - O que acha?

- Em minha opinião, Vossa Majestade... - Por que não perguntar a Maria Caetana?

A julgar pelo sorriso crônico, está se divertindo.

Sim, majestade. Acho divertidos os afrescos.

Acha um tema religioso divertido?

Não o tema, mais como foi expresso.

Achei que encontraria

afrescos dignos de uma corte nobre.

Mas o artista encheu a igreja com as piores criaturas de Madri.

Mendigos, vagabundos, mulheres da rua.

Majos, majas e até a cena do anjo,

tem criaturas subindo no corrimão.

- Não é divertido? - Majestade.

Pinto o que vejo.

E o que sinto.

As pessoas que o reverenciam, eu...

simbolicamente as pintei para ficarem perto de você.

- Sei. - Os pintei olhando para baixo.

Não para se exibirem, mas para...

olhar para você.

Tentam vê-lo e falar com você.

- Você pode ajudá-los. - Excelente, Sr. Goya.

Ótima resposta, amamos nosso povo.

- Alguém nega? - Se ele pinta o que vê,

gostaria de saber onde viu os anjos voluptuosos.

Querida duquesa, está perguntando demais.

Qual de nós já viu um anjo?

Esses parecem ter sido vistos à noite, em carne e osso.

- Como as majas na rua. - Não a entendo.

Continua falando de mulheres da rua.

Elas a chocam? Estou surpresa,

pelo que sei, essas pessoas são seus companheiros favoritos.

Se julgarmos pelas companhias,

há nobres mais perigosos do que eu.

A troca de opiniões é muito interessante.

E não muito freqüente.

Vamos continuar. O que acha, Payer?

Majestade, Sr. Goya quebrou todas as regras da pintura.

Mas nunca vi nada tão poderoso na história da arte.

Foram bem feitos e com coragem.

- Bom e com coragem... - Concordo, ele será o pintor da corte.

- Não é, Carlos? - Sim, claro.

- Manuel, onde ele está? - Majestade...

Manuel, prepare a minha assinatura

indicando o Sr. Goya pintor da corte, com todos os direitos e privilégios.

Acho que já fizemos muito esta manhã.

Cristo! Está tarde.

Por isso o estômago chama.

Você gosta?

Tenho uma coleção, Ihe mostrarei.

Você é um artista e vai apreciá-los.

Parabéns, senhor. Quando nos encontrarmos, quero vê-lo

com roupas dignas de um pintor da corte.

Parabéns, professor.

Desejo expressar minha gratidão, Alteza.

- Bom dia, Excelência. - Bom dia.

- Venha aqui, por favor. - Acompanhe-o.

- Boas notícias, Manuel? - Nada novo, majestade.

Os franceses nunca estão contentes.

- Que pena, Luisa, não ouviu... - Carlos.

Falou com Goya sobre o retrato?

Claro, estão todos aqui?

Aqui está quase toda a família, Sr. Goya.

3 gerações, agradeço a Deus.

Tem idéia de como devemos ficar?

Acho que sim.

Acho que sim, majestade.

Vamos acabar logo, então. É um tédio ficar posando.

Esse é meu filho.

Vossa Alteza.

Alteza, poderia ficar na posição onde estava?

Ainda não acabou?

Obrigado.

Alteza.

Não é fácil agradar a todos, não é, Dom Francisco?

Sua Alteza não é muito amável.

E não é nem um pouco diplomático.

Ele fala mal de todos, não é?

Não.

Quer dizer que ele não revelou

nada sobre ninguém?

De forma alguma, excelência.

Posso fazer muito por você. Sua Majestade confia muito em mim.

Excelência, só estou interessado em pintar.

- Sim, mas... - Sr. Goya!

Sr. Goya, minha pipa não funciona.

Vamos ver.

Claro Alteza, está quebrada.

Não se preocupe, concertaremos.

- Vamos lá fora? - Sim, obrigada.

Deixe-me segurar.

- Deixe subir mais. - Deixe-me segurar!

- Aí está. - Quero levar!

É linda e vai mais alto, e mais alto.

Mais um pouco, pronto.

Espere, vai mais alto, aí está.

- Está mais alto, Sr. Goya. - Vamos, rápido, para trás.

Não, Sr. Goya. Deve adivinhar quem é.

- Devo adivinhar? - Sim.

Tudo bem.

Antes, Sr. Goya, só havia tempo para as pinturas da corte.

Mil perdões, Alteza...

Vejo pelas suas roupas elegantes,

que atingiu o objetivo da sua ambição.

Pode ser, mas sou o mesmo.

- Sua vez de ser vendada. - Não, obrigada.

Acabou o jogo.

Peço mais uma vez. Não vá hoje.

- Essas roupas. - É a moda do povo, querido Rander.

É o festival do povo e prometi ir.

Escute um velho amigo da família, seu pai não aprovaria.

Meu pai aprovaria. Ele acharia engraçado.

Devo insistir, Alteza, hoje vai ter problemas.

- A rainha avisou. - Exatamente.

Agora sabe porque vou.

Porque a rainha proibiu.

- Sanchez, que bom vê-lo. - Ainda bem que cheguei em tempo.

Tem algo estranho no ar.

Haverá um protesto contra Godoy, no carnaval.

Sua presença pode ser mal interpretada. Não deixe que seja.

Maria, por favor.

Pedro.

Godoy está pronto.

Godoy na fogueira!

- Tenho Napoleão. - Traga-o, queimemos os dois.

- Ponha o chapéu, Napoleão. - Vinho, Juanito.

Por que a rainha fez dele primeiro-ministro?

Por razões que ela e todos, menos o rei sabem.

Vamos, pessoal.

Alteza, estão levando os cavalos.

Miguel, deixe que se divirtam. Pegue-os mais tarde.

Majestade.

- Podemos ver? - Certamente.

Esse garoto é maravilhoso.

Terá que governar um dia. Meu filho tem muitas responsabilidades.

Os médicos nunca curaram minha irmã dessa marca.

Dizem que foi uma infecção maligna.

Talvez tenha sido melhor.

Nunca me deu trabalho com homens.

Majestade, Sua Excelência, Ministro da Justiça.

Majestade.

- Que foi, Delgado? - Majestade, peço sua indulgência.

Imploro perdão a Montijo e seus dois irmãos.

- Há 3 dias tento vê-lo. - Há 3 dias

foi dito que falasse com Manuel Godoy.

Mas Godoy quer sumir com Montijo e sua família.

Amanhã é a execução. Não temos provas.

- Não temos provas. - Entenda, Conde Delgado.

Não costumo intervir nas decisões do primeiro-ministro.

Se discorda dele, fale com ele.

Majestade, por favor.

Não leve tão a sério, não é o fim do mundo.

Não se preocupe mais.

Pegue, Delgado, é para você.

Um presente meu, não é lindo?

Majestade, se me permite,

sou apenas um pintor,

mas também sou súdito. As pessoas o admiram, acreditam em você.

Se virem Vossa Majestade aceitar injustiças de outros,

ele serão encorajados a esquecer a miséria e o medo.

Majestade, vidas estão em jogo.

É triste, mas que posso fazer?

Manuel tem seus motivos.

Há pessoas que usam seu nome para justificar os piores crimes.

Aqui, no palácio, em volta de você.

Pessoas que mentem e o enganam.

Tem ouvido muita fofoca.

Deixe-me sugerir, Sr. Goya.

Fique com a pintura, é um bom pintor.

Deixe os assuntos de estado para os competentes.

Fique com a pintura.

O que há, Manuel?

Uma revolta, estão queimando a minha imagem.

Chamam-me traidor porque negociei com Napoleão.

Fiz isso para que não terminassem como os italianos e alemães.

Pare, Manuel, está perdendo a cabeça.

Se tivesse o poder na política que tem sobre as mulheres,

a revolta teria acabado há muito tempo.

Por que não chama os guardas e ordena um ataque sem trégua?

Já dei a ordem, mas há uma complicação.

A duquesa está na multidão, ateando fogo.

É assim que obedece minhas ordens?

Vou mostrar quem é rainha da Espanha.

Vai ter a lição por desobedecer.

Paco! Lá está ele!

Paco!

- Pessoalmente. - Paco, sou eu.

Venha conosco.

- Onde está Juanito e os outros? - Devem estar queimando Godoy.

Precisa de uma bebida, Paco.

- Não. - O que houve?

Sr. Goya!

Sr. Goya.

O que foi, Alteza?

Não sou Alteza, meu nome é Maria.

Sei.

É a noite das ilusões, tudo está de cabeça para baixo.

Olhe para você.

Olhe para seu vestido.

Você se mistura com a multidão.

Mas embaixo do vestido há bordado e seda.

É seu pedigree.

Sai com pessoas comuns, mas não gosta da linguagem delas.

Sinto muito, mas não sou um nobre.

Pensei que fosse um dos cavalheiros do rei,

primeiro pintor da corte.

Você despreza meu trabalho, é como os outros na corte.

Vocês passam o tempo manipulando uns aos outros.

Só para distraí-los de suas vidas vazias.

Não serei um de seus brinquedos.

Você é louco, Sr. Goya. Tenho pena de você.

Deixe-me em paz.

- Assassinos. - Não deve.

- Boa noite, Alteza. - Boa noite, Rojas.

O que vai querer?

Traga um drinque da casa, qualquer coisa.

Bem, Sr. Goya,

seu ídolo caiu.

Não estou falando de mim.

Estou falando de seus ídolos reais.

Tentei avisá-lo, naquele dia na igreja.

Não estava debochando de você ou das pinturas.

Como pode pensar isso?

São lindas.

Lindas demais para a corrupção da corte.

Maria.

- Sanchez. - Procurei você por toda parte.

Tive medo que algo tivesse acontecido.

Conde Rodrigo Sanchez, Sr. Goya.

Sente-se, obrigada.

- Outro copo, por favor, Rojas. - Sim, Alteza.

Esta noite houve a pior revolta que já vi.

Depois da tempestade o ar não fica calmo?

Acalma outras coisas também.

Estava falando com o Sr. Goya...

Os ídolos caem com a tempestade.

- Até mesmo ídolos reais. - Devo honrar o uniforme que visto.

Deve estar ficando um pouco apertado.

Você também não é funcionário do rei, Sr. Goya?

Sou um artista e homem livre, graças a Deus.

Se é livre,

dança comigo?

- Quem era ele? - Um amigo.

- Por que importa? - Tudo importa.

Você o ama?

Não.

Mas você o amava.

E ele não é o único.

Ele ainda a ama.

Não vamos falar disso agora.

O que foi, Paco?

O que vê no meu rosto, hoje?

Tudo que importa para mim.

Tudo o que é verdadeiro para mim.

Verdade, fascinante e reveladora.

Quando começou a ver isso?

Mesmo quando a via através de ressentimento e desconfiança.

A pintei mil vezes, Maria.

De todos os retratos,

qual o mais verdadeiro?

O que vou fazer hoje à noite.

Hoje à noite?

Agora.

Agora.

- Maria, eu te amo. - Paco.

Não, não. Não, por favor.

Tem que pintar meu retrato.

Venha, sente-se.

Paco.

O que sabe realmente sobre mim?

Sei que teve amantes.

- Até mesmo sei seus nomes. - Talvez nem todos.

Ainda assim me ama?

Maria, não quero saber do seu passado.

- Não quero saber! - Sei que não perguntou.

Ninguém pergunta, ninguém quer saber porque.

Tenho orgulho de ter nascido assim, Paco.

Não posso amá-lo até que tudo esteja claro.

- Por favor, deixe-me ir. - Maria, já amou alguém?

Já?

Talvez não tenha conhecido ninguém que valesse a pena.

Até que conheci você, e o amei.

Nunca havia tido esses sentimentos.

Não há amargura, vergonha, ou medo.

- Maria. - Deixe-me ir.

Maria, o que foi? Olhe para mim.

Não vê? Eu respiro, vivo, trabalho.

Amo você, Maria. Preciso de você.

Preciso de você, preciso de você. Preciso de você!

Meu marido morreu e me deixou

sozinha, sem filhos.

Sozinha no meio de pessoas hostis.

Pessoas que julgam, espionam e fofocam.

Meu único prazer é escandalizá-las.

- Escandalizar os hipócritas. - Não está sozinha.

Também brinco de escandalizar.

Somos parecidos, Maria.

- Se realmente achasse que me ama. - Eu te amo.

Tanto quanto amo meu trabalho, minha arte.

Não posso deixar nosso amor se confundir com o passado.

Deixe-me ir e pensar.

- Voltarei para você. - Quando? Diga-me.

Logo, espero.

Dessa vez vai ser bom esperar, uma novidade.

Sempre esperarei por você, Maria.

Mas...

- O que está fazendo aqui? - Esperando por você, Alteza.

- Não foi convidado. - Parece que esqueceu o que aconteceu.

Às vezes é preciso esquecer a etiqueta.

Para ajudar a sua situação,

- me coloquei em risco. - Não estou interessada.

Como ousa invadir minha privacidade?

Espere lá fora.

Sabia que entre seus papéis há muito que interessa à Inquisição?

Voltaire, Rousseau, Montesquieu, revolucionários.

- Como criado fiel do rei, eu... - Você!

- Ousa falar de fidelidade? - Sou a segurança do reino.

Como homem, a entendo.

Até a admiro.

Poupe o trabalho.

Passei uma hora acalmando a rainha.

Ela deu ordens e você desobedeceu.

Se misturou a inimigos do estado, contra mim.

Consegui diminuir sua pena para um ano de exílio.

Uma formalidade. Vai para a vila de Solinar.

- E se eu recusar? - Está pedindo problemas.

Para você e para os seus.

Informarei minha decisão.

Já está decidido. Só saio depois de você.

Hoje à noite? - Imediatamente, Alteza.

- Mensagens? - Não, senhor.

Pedro, chama isso de faxina?

Limpe bem.

- O que são? - Flores, foi tudo o que consegui.

Só? Eu falei muitas flores.

Dê a seu amante e peça que ele as devolva, com minhas lembranças.

Arranje flores de verdade, roube se preciso. Tente no palácio real.

Levou os desenhos para ela?

- Você a viu? - Acredite, Paco. Ela não é para você.

Juanito, quantas vezes já falei para não se meter?

Ela não aceitou?

Ela foi embora. Você sabia, não?

Ela é assim, um dia aqui, outro ali. Enlouquece muitos homens.

Agora decidiu tirar férias prolongadas na vila de Solinar.

Paco, é melhor assim.

- Pode voltar para seu trabalho... - Juanito.

- Prepare minhas malas. - Não. Paco!

"Deve-se passar pela mesma tragédia,"

"para entender o desespero que sentiu. "

"Foram cruéis em não me deixar beijá-la. "

"Ou falar com ela. "

E depois?

"Durante muito tempo, não tive notícias. "

Sim.

Continue.

Bem, senhor.

Maria.

Onde está?

Onde está?

Paco.

Anita.

Como me encontrou?

Por que veio?

Paco, por favor.

Por favor, vá.

Não posso mais vê-lo.

Vá embora... Vá embora...

Não pode mais me ver?

Vá embora. Vá embora!

Paco, tive que sair de Madri. Fui exilada.

Exilada?

Por que foi exilada?

- Por favor, me deixe. - Maria, por que foi exilada?

Não posso, não direi.

Não o envolverei nisso.

Você não me conhece. Diga-me por que foi exilada.

Paco, te amo.

- Querida, está pronto. - Deixe-me ver.

Vá Anita, veja se a criança dorme.

Paco!

Pensei que fosse um segredo.

Quero gritar para o mundo.

Eu te amo.

Manobras.

Sempre fazem manobras.

- Alteza. - Sanchez, o que o traz aqui?

Vamos atravessar a fronteira aqui perto.

- Perdão pela invasão. - De forma alguma.

- Posso ajudar? - Obrigado, Maria.

Senhor.

- Se precisar de mim... - Obrigada, Sanchez. Estou muito feliz.

Maria, senhor.

Boa sorte.

Será que sabem o que fazem?

- Quero que se acabem. - É uma guerra, deve entender.

Por que tinham que vir por aqui?

Ainda tem ciúmes?

Quero tudo.

Até seus pensamentos.

Daria tudo para saber seus pensamentos. É tão difícil?

Oranda, Sr. Goya já retornou?

Ainda não. Santa Cruz é distante.

Dom Francisco deve estar evitando as tropas.

É perigoso, não deveria ter deixado.

Ele conhece a região melhor do que todos.

- Ele é aventureiro. - Demais.

Não se preocupe, ele sabe que tem papéis perigosos

com sua assinatura. Não vai se arriscar.

- Não se preocupe tanto. - Obrigada, Oranda.

Não devemos nos preocupar.

Por favor... Continue.

Consuela.

Veio ver se não fugi?

Por que fugiria?

Estava com as manobras por aqui.

O acampamento não é muito alegre. Só há homens e armas.

Não é o ideal para Dom Manuel.

Verdade, somos dois prisioneiros.

Você nessa linda vila, eu no meu lugar.

Às vezes os prisioneiros se entendem.

Posso?

E se eu pudesse mandá-la de volta a Madri?

Sentimos sua falta lá.

Você está ainda mais bonita.

Você fica bem no ar do campo.

Qual seria o acordo?

Sabemos que Napoleão está prestes a entrar na Espanha.

Você pode ajudar nessa situação delicada.

- O país está em perigo. - O que propõe?

- Que tenhamos um ideal comum. - Seu ideal.

Nosso ideal. Napoleão ficaria agradecido com quem o ajudasse.

Temporariamente, sem sacrificar seus soldados.

Você me faz essa proposta?

A resposta é não.

Se Napoleão tentar forçar, nós resistimos.

Mas o povo será massacrado, ele é muito mais forte.

Quando está em jogo a nossa honra,

não contamos os inimigos.

Quando fica com raiva é impressionante.

Muito impressionante.

Você me levou a sério.

Um diplomata e político deve explorar todas as possibilidades.

Sr. Goya, está bem?

Ouvi dizer que estava em Zaragoza, distante daqui.

Devo lembrá-la que está no exílio, não em lua-de-mel.

Sr. Goya tem 3 dias para voltar a Madri.

Estamos cansados de intelectuais cheios de vontades.

Está recebendo dinheiro.

- Você será reembolsado. - Não será necessário.

Ele vai voltar ao trabalho. Que pensa que somos?

Tolos e cegos? Foram encontradas várias provas que a Inquisição condenaria.

Você sabe que significa o fim de um homem, mesmo que sobreviva.

Faz qualquer coisa pelos seus objetivos,

mesmo que destrua uma pessoa.

Por que não quer ser minha amiga?

Mande o pintor arrogante de volta.

E se ele voltar a Madri?

Você me dá sua palavra que nada Ihe acontecerá?

Palavra de honra. Três dias.

Voltarei para ter certeza. Talvez seja menos hostil.

Ninguém esteve aqui, Sr. Goya não deve saber.

Diga aos outros.

Adeus.

- Maria. - Paco!

Como vai minha garotinha hoje?

Se divertiu? Vamos fazer a gangorra.

Desce. Um!

Dois!

Sr. Goya.

Olá, Anita.

São suas?

Anita, quem esteve aqui?

Não sei, ninguém.

Vá brincar lá fora.

Vá brincar lá fora sozinha. Para você.

Não coma de uma vez ou vai ficar doente.

Obrigada.

Paco!

Está atrasado, está tudo bem?

- Quem esteve aqui? - Por que?

Por que?

- Essas luvas estavam lá embaixo. - Oh, sim, é isto...

Sim, um amigo.

Um oficial, que trouxe notícias de Madri. Deve ter esquecido.

Paco, por que sempre desconfia?

Eu sei, acho que nunca vou mudar.

Mandaram essa carta para você.

A situação está mais grave.

E se o encontrassem aqui, comigo?

Você teria que voltar a Madri.

- Obrigariam você a voltar. - Me obrigariam?

Maria, quem me tiraria de você?

Tem que pensar no seu trabalho.

Não pode ficar tanto tempo longe da corte.

Não quero saber da corte.

Maria querida, minha vida começou com você.

Quero que termine com você.

Eu sei, mas...

Pensa isso agora.

Com as preocupações, ficarei velha e feia e você vai desejar ter ido.

Velha e feia? Tire isso da cabeça.

Olhe.

Vou fazer um Goya em você.

Você será o retrato mais vivo.

Preparamos a lona assim. Pronto.

Começamos com os lábios.

- Uma pincelada aqui. - Paco.

Leve a sério, por favor. Tem que ir a Madri.

- Tem que voltar. - Não vamos mais discutir.

Só a deixarei se parar de me amar e só por isso.

Meu amor.

Por nenhum outro motivo, querida.

- Quem levou a carta a Sanchez? - Miguel, Alteza.

- Ele disse que acamparia. - Antes do anoitecer, Alteza.

Amanhã é o último dia.

Goya é uma pessoa difícil de lidar.

De fato...

ele se tornou bem inconveniente.

- Detesto essas despedidas. - Sei bem disso.

Sim, Sanchez, não consigo ser fiel por muito tempo.

Detesto ouvi-la falar assim.

Preferia que amasse meu pior inimigo,

desde que realmente amasse.

Por que arruinar sua vida assim?

- Não está sendo compreensivo. - Quer me usar para livrar-se dele.

Como usou Enrique comigo,

e Goya com Enrique e todos os outros.

Sanchez, como pode falar assim?

Você sabe que era diferente.

Era, Maria?

Paco, temos visita.

- Vocês já se conheceram. - Sr. Goya.

Está incluído na sua manobra, senhor?

Sinto muito, Maria, tenho que ir.

Mas ficou tão pouco tempo.

Adoraria que ficasse para o jantar.

Só queria cumprimentá-la, só isso.

Sinto muito, Sanchez.

Entendo.

Espere, não entende.

Não entende, eu quero...

Quero muito que fique.

Antigamente você não se negaria.

Isso foi muito antigamente.

Talvez estivesse errada.

Pensei muito, o exílio é solitário.

Maria.

Talvez estivesse errada, Sanchez.

Sr. Goya.

Deixe comigo.

Paco.

Paco.

Acabou.

Está tudo acabado entre nós. Precisa ir.

Por favor, volte para Madri.

- Paco. - Madri.

Paco!

Não!

Paco, eu te amo!

Eu te amo. Volte para Madri.

Como invejo esse homem.

Paco.

Que há com você, Paco?

- Sr. Goya. - Paco!

Qual o problema?

Sr. Goya.

Chame Juanito e o médico.

Falso, tudo é falso.

Falso, falso.

Falso!

Por favor, deixe-me vê-lo.

Paco.

Paco, estou de volta.

Estou de volta a Madri.

Disseram-me que está doente.

Essa voz... Essa voz... Não suporto essa voz...

Tem que acreditar em mim.

Nunca houve nada entre mim e Sanchez.

Ele só estava ajudando.

É você que eu amo, só você.

Essa voz, não tolero, não!

Não aguento mais.

- Não mais. - Paco, não se altere.

Sinto muito, Alteza.

- Coma enquanto está quente. - Quero terminar.

Vejo que está de pé de novo.

Pensei que não se recuperaria.

- Reconhece a mulher? - Alguém a colocou no seu lugar.

lá acontecer mais cedo ou mais tarde.

Olhe! Duas cabeças!

Alteza, que honra.

Tenho ficção internacional muito boa para você.

Muito boa. Venha no meu escritório...

Alteza, venha no meu escritório.

Acabaram de chegar e são raridades.

- Quem é o proprietário? - Sou eu.

Ordem da santa Inquisição.

Você está preso e sua loja será fechada.

Por que?

Por tornar públicos desenhos,

sob o nome de Caprichos, que são ofensivos à moral e à religião.

As cópias serão confiscadas.

Mas, Senhor, o autor é Francisco Goya.

- O pintor da corte... - Esqueça.

Cuidaremos dele também.

- Paco. - Para trás.

Abram caminho.

Abram caminho.

Dê passagem.

Paco!

Você. Entre.

Venha comigo.

Os franceses com tanto o que fazer ainda inventam novas danças.

Sim, majestade.

Que surpresa, Maria Caetana.

Não a vemos há tempos.

Há quanto tempo voltou de Solinar?

Sim, querida, como está Solinar?

- Deve ser lindo. - Majestade, Goya está em perigo.

- Foi preso pela Inquisição. - O quê?

Não sei de nada. Aquele Paco.

- O que terá feito agora? - Desde quando se interessa por Goya?

Ele é o maior pintor da Espanha.

Sinto muito, querida, mas não podemos desobedecer a lei.

A Inquisição é soberana.

- Mas, majestade... - Sinto muito.

Temos assuntos urgentes.

Vamos ver o que podemos fazer, Maria.

Pode me esperar no meu escritório?

Vou encontrá-la. Coronel!

Acompanhe Sua Alteza.

O que pretendia desenhando os Caprichos?

Mostrar o pecado e a loucura.

Verdade? Vamos ver como o fez.

Esse é um dos desenhos.

Chamado Ouro.

Monges ouvem as palavras de um papagaio, que prega de um púlpito.

- Correto? - Sim.

Você acha que os pregadores falam como papagaios?

- Na bíblia diz... - Não cite a bíblia nesse tribunal.

- Sabemos o que diz a bíblia. - Embaixo do pano, Sr. Goya,

há uma pintura que foi considerada impura e maligna.

Ofensiva para Deus e para o homem.

Você admite ter pintado um nu?

Admite ou não?

Sim.

Não sabe que é pecado mortal pintar um nu?

A beleza da mulher é parte da beleza da criação.

Não pintei para os rudes ficarem olhando.

É o seu trabalho que o condena.

Não tem esse direito.

A visão deste corpo somente inspira pensamentos de beleza?

É um convite ao desejo carnal.

- Ao prazer dos sentidos e pecado. - Não!

A maldade está nos olhos de quem vê.

- Sr. Goya. - A primeira mulher nua foi obra de Deus.

Mas a vergonha foi obra da serpente.

- Essa pintura teve modelo? - Não! Não! Não!

Sou o único responsável.

- O único. - Sente-se, você está mentindo.

A não ser que admita,

que agiu sob influência da pessoa que posou...

Ninguém é responsável.

Ninguém posou. Sou o único responsável. Só eu!

Dá para ver como a reação diabólica aponta para a culpa.

Não há pessoa, instituição, nada que não tenha sido criticado nesse livro.

- Agora peço... - Sr. Goya.

O palácio real fez um pedido de clemência.

Atenderemos ao pedido.

Mas que essa experiência sirva de lição.

Você foi abençoado, mas ficaremos de olho, de agora em diante.

Francisco Goya, pode ir.

Gosta do relógio? Presente do rei.

Seu pintor está livre.

Aqui está a sentença da Inquisição.

Uma simples advertência.

Quase nada.

Vi os Caprichos. Muito interessantes.

O rei ordenou sua soltura?

Praticamente isso.

Mas não se preocupe, falarei com o rei amanhã.

Julguei-o erradamente, Dom Manuel.

Nunca esquecerei isso.

Está com pressa? Faz tanto tempo desde que nos falamos.

Sente-se, por favor.

Algo para beber? Tenho conhaque francês legítimo.

Não, obrigada.

- O que deseja me dizer? - Por que não nos acertamos?

Você pediu pelo Sr. Goya.

Eu o libertei e ele vai voltar a nos insultar com seus retratos.

O que posso fazer por você?

Nada, mas se ama a Espanha,

há pessoas para guiar seu destino.

O que quer dizer?

Desde de manhã, um exército francês está em nosso território.

- Então estamos em guerra. - Em Paz. Eles vêm pacificamente.

Quanto recebeu por essa traição?

Se fosse homem não sairia viva do palácio.

Mas seria pecado privar o mundo de sua beleza.

Espere.

Alteza, quanto custaria sua cooperação?

Uma quantia que não poderia pagar.

Certeza? Um reino ao meu lado, valeria a pena?

- Afinal está sozinha. - Está enganado, D. Manuel.

Tenho muitos amigos e foi você quem os multiplicou.

Peço para ser liberada da sua companhia.

Que preço, Manuel? Quero saber.

Que preço pagou para fazê-lo dar uma ordem que eu havia recusado?

Conheço você bem demais.

Você não dá ponto sem nó.

Cuidado, eu o fiz e posso destruí-lo.

Entre.

Queria me ver, excelência?

Nossa amiga ainda está na casa da duquesa de Alba?

Sim, excelência.

Diga-Ihe que está na hora de agir.

- Sim, excelência. - Sem escândalos.

Um veneno lento, uma doença incurável.

Sim, excelência.

Obrigada, Beata.

Oranda, quais são as notícias? O que aconteceu?

A família real foi para a França.

Dizem que foram ordens de Napoleão. Godoy retribuiu a confiança.

Nossos amigos? Como estão?

Uns se salvaram, outros foram presos, cercados em casa.

Espero que não tenham sido abandonados.

A prova é que guardas também a cercam.

Tem medo de que eu possa fugir?

Tome o remédio, Alteza.

Anita, não há mensagens?

- Ninguém me procurou? - Ninguém, Alteza.

Não!

Viva Bonaparte! Espanha!

Senhor, adeus. Não esqueça minha oferta.

O que foi? Qual o problema?

Chegou a esse ponto. Com os franceses.

Sou um pintor, pinto quando quero e não devo satisfações.

Em que mundo vive? Não vê o que se passa?

Estão nos roubando e em troca nos dão o irmão de Napoleão. O novo rei.

Você está do lado deles.

Será bem pago com dinheiro roubado do povo.

Juanito.

Tudo bem, Paco. Tudo bem.

Vou embora.

Você é um gênio.

Talvez tenha o direito de fazer o que quer.

- Vou fazer o que quero. - Vai lutar com o exército francês?

- Sozinho, Juanito? - Não estarei só.

Claro.

Há sempre os desiludidos que querem lutar por algo.

Já não foram enganados, traídos e abandonados?

Onde está o rei? Foi embora.

Cadê os heróis? Defensores da liberdade?

Onde está nossa querida duquesa?

Alba está muito doente, Paco.

Se não estivesse, estaria conosco, resistindo aos franceses.

Por esses e outros motivos suficientes,

Maria de Pilar Teresa Caetana,

13a duquesa de Alba, deixa seus bens conforme é o seu desejo

para seus leais e amados criados.

Cidadãos da Espanha! Os franceses são amigos.

Sou espanhol!

Deixe-me em paz, não sou traidor!

Deixe-me em paz!

Você mudou bastante.

Ela não está nada bem.

Vá até ela.

Sr. Goya.

Ela fez o que fez em Solinar para salvá-lo.

Não havia outra forma. Godoy o ameaçou, caso não voltasse.

Ela sabia que não iria e o forçou.

Acredite.

Alteza, Sr. Goya está aqui.

- Devo recebê-lo? - Não!

Peça para esperar. Ajudem-me, por favor.

Por favor, volte mais tarde.

Fomos interrompidos.

- Maria. Maria... - Eu te amo.

Sim, amor.

Diga-me agora.

O que vê em meu rosto?

O fim de uma noite longa.

Não queria que me visse assim. Queria estar de pé.

É muito fácil, querida.

Tente.

É isso.

Maravilhoso.

Está ótimo.

Está ótimo.

Está ótimo.

Maria.

Maria.

Maria, quero que melhore logo.

Tudo bem, calma.

Foi a espera, agora acabou.

Não. Não, não, não...

Foi o mal que te fiz. A culpa é minha.

Quando soube que estava doente, vim correndo.

Nada mais importa, querida.

Que tolice não ter ficado doente mais cedo.

Duquesinha, vai ficar melhor.

Você me falaria se corresse risco?

Sim, nesse caso,

prepararia um discurso de morte para você.

Diria, Paco...

Deixo para você as duas coisas que mais amo no mundo.

Você e a Espanha.

Você é linda. Faz tanto tempo que não olho nos seus olhos.

Eu diria, Paco,

me procure em cada rosto espanhol.

E diria,

viva muito e pinte coisas ainda maiores.

Pinte a ascensão da Espanha.

- Vai ocorrer. - Sim.

Eu diria,

a Espanha vive por Goya.

E eu diria que Goya vive por Alba.

Paco, teria sido um discurso tão belo.

Quase vale a pena morrer.

Não!

Maria.

Sempre os usou?

Tem um que gostaria de tirar.

Gostaria que ficasse com Alba.

Goya guarda para mim.

Maria.

Lembra daquela manhã em Solinar? Fiz o retrato com os anéis?

Estávamos juntos.

Te amei completamente ali.

Minha alma estava no retrato.

Minha vida ficou vazia quando terminei.

Minha vida também.

Até hoje.

Até hoje.

Paco, o retrato é lindo e eu não sou mais.

Maria, querida, não é verdade.

Você está ainda mais bonita.

Naquela época havia algo em você que eu não podia captar.

Agora acho que posso.

Paco.

Sim.

Gostaria de ver a pintura novamente.

Desejo-a perto de mim.

- Traga-a para mim. - Querida, quero ficar com você.

Traga a pintura, por favor.

- Agora? - Sim, agora.

Certo, querida.

Vou trazer rapidamente.

Paco!

Abrace-me mais uma vez.

Maria.

Querida.

Diga-me...

Você me ama agora?

- Como me amava? - Mais, muito mais.

Nunca pensei que fosse possível, querida.

Vá, rápido. Rápido.

Espere por mim.

Sim, esperarei.

Maria... Maria... Maria!

Oh, Deus... Deus... Deus!

FIM

legendas e autoração: Heraldo Medeiros - STUDIO MILLE

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