All language subtitles for La Cena 1998 Ettore Scola - Vittorio Gassman - Fanny Ardant,Stefania Sandrelli,Giancarlo Giannini,Daniela Pogg,Riccardo Garronei ItaSpa

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"O JANTAR"

- Boa tarde, madame. - Boa tarde.

- Boa tarde. - Boa tarde.

Ol�, como vai?

Pronto.

Ol�, Duilio. Eu trouxe os morangos, veja.

Deixe a�, depois dou uma olhada.

- Lindo. Voc� fez at� estrelinhas. - S�o os pingos dos "is".

- Os "is" de um artista. - Flora, querida...

n�o tem nada pra fazer no sal�o? Seja boazinha.

J� falei pra n�o entrar aqui com essa moto!

- Filho da... Sai daqui! - Vai chover, n�o posso deixar.

Vou partir em peda�os esse teu triciclo e jogar no lixo!

- Aqui � a cozinha, n�o a garagem! - A chefe me deu permiss�o.

A chefe diz que aqui dentro mando eu!

- Que prepot�ncia! - Aqui � a cozinha! Suma!

Amor, pela m�o vou te pegar

E sem palavras No meu cora��o vou te levar

- Gosta? - De qu�?

Dos sapatos.

- Vermelhos. - Sim... vermelhos.

Boa noite, professor.

Para ser feliz, n�o basta sonhar em ser rei.

� preciso encontrar alguma rainha.

Acha gentil fazer corar uma senhora da minha idade?

Se a senhora tivesse 30 anos a mais...

Venha se sentar. Sua mesa est� pronta.

- N�o, pode deixar. - Est� bem.

- Boa noite. - Battifondi.

- Sim, est� reservada. - � aquela mesa? Obrigado.

Permitam-me indicar os lugares.

Eu fico na cabeceira. As senhoras, ao meu lado.

Boa noite, Adriana.

Entrada: Carpaccio de robalo.

Boa noite, professor. O arroz branco de sempre?

Deixe-me ao menos o prazer de exercitar a fantasia.

Truta defumada, vol-au-vent, sem "t", muito bem...

enroladinho de bresaola aos quatro queijos...

- Arroz branco. - � pra j�.

Belo grupo. Parab�ns.

- Aqui est�. - Obrigada.

Gosta daqui? Pelo telefone, disse que queria falar comigo.

E ent�o, filhotinha?

Eu n�o via a hora de ver voc�.

- Tudo bem no internato? - Sim, tudo bem.

Decidiu que faculdade cursar? � uma escolha importante.

N�o gosta de Letras? Com outro idioma, voc� iria aonde quisesse.

- Esta garrafa tem antifurto! - Ano passado, na Esc�cia...

n�o entend�amos patavina. Quantas risadas.

Mas este ano, em Ibiza, me dei muito melhor com o espanhol.

E ent�o? Ainda n�o decidiu?

Droga...

Consegui.

� que... temo que n�o goste do que decidi.

Mas por qu�? Se voc� gosta...

- Aqui est�, senhorita. - Obrigada.

- Querem fazer o pedido? - Estamos lendo.

- Bife e salada. Sem molho. - Faz dieta desde que a conheci.

- Giovanni Leone era presidente. - Essa piadinha � nova.

- E a senhora? - Voc�s t�m pratos macrobi�ticos?

Milho, tartago, cartilagem, sabe?

Pode ser caldo de farro?

Foto? Porca mis�ria.

Mocinho.

Muito bem. Depois me mostre.

- Aqui est�. - Ketchup.

- Como? - Ketchup.

� pra j�. Senhora, o ketchup.

Eu me informei sobre as toalhas tunisianas.

A loja fica na Pra�a Vittorio. Quando quiser, posso ir junto.

- Certo. - Prometeu uma volta � minha moto.

- Ela se engana. N�o prometi nada. - O que est� fazendo?

- Ketchup para os japoneses. - Na pasta � carbonara? Nem pensar.

Diomede, o cliente tem sempre raz�o.

Sim. Para dois? Est� reservado.

- Aqui est� o arroz. - Alimento mais comido do mundo.

- N�o � o macarr�o? - Esses italianos. � o arroz!

- Querem pedir? - N�o.

Pode p�r quatro garrafas de champanhe na geladeira?

Boa noite, senhorita, quer fazer o pedido?

Obrigada, estou esperando algu�m.

N�o me surpreendo. Se precisar de mim, estou aqui.

Boa noite.

- N�o reservou, n�o �? - Tudo bem, posso voltar outra...

N�o, espere. Est� sozinho, ou espera algu�m?

- N�o. Isto �, sim, estou sozinho. - Venha, vamos dar um jeito.

Esta mesa est� reservada. Aquela tamb�m.

Espere aqui. Tire o sobretudo, j� vou cuidar disso.

Aqui est�. Com licen�a, professor.

Desculpe, � um tanto pequeno, mas o senhor vai ficar bem.

Ol�, Alessandra.

Perd�o. Posso ver a foto?

Porca mis�ria. Sa� bem. Parab�ns.

- Voc� est� bem. Cresceu. - Estou mais velha, sim.

E eu, mais gordo. Veja.

E sua esposa, est� bem?

Est�, obrigado.

- Professor, o grelhado de sempre? - N�o, uma omelete de verdura...

com um pouco de pur�. Meia por��o, mas caprichada.

- Se quiser dar uma olhada no... - O que �? Sim, o poema.

- Boa noite, professor. - Ol�, Arturo, como vai?

- Bem, bem. - "Bem, bem."

- Belo eufemismo. - O que disse?

N�o, eu estava falando sozinho.

Bem, Arturo esteve muito doente. Depois, se recuperou...

mas � um convalescente cr�nico, sempre perto do crep�sculo.

Mas se recuperou. N�o � um cliente, � dono do restaurante...

e marido da bela Sra. Flora.

Agora n�o me fa�a mais perguntas.

- Como vai? - Hoje estou melhor.

- E aqui, como v�o as coisas? - Como sempre.

- Boa noite, Arturo. - Boa noite.

Se voc� viesse mais aqui... Como dizem, o olho do dono...

- Flora d� conta do recado. - Vou trazer o seu linguado.

- �gua tamb�m! - �gua tamb�m.

Com licen�a.

- Com licen�a. - Fique � vontade.

- Lolla! - Rino!

Meu anjo.

Agora v�o fazer o pedido?

- Sim. - Que tal frios como entrada?

- Sou vegetariana. - At� isso?

Eu cuido da senhorita. E do senhor tamb�m.

Lolla!

Vinicio!

- Voc� est� uma flor. - Escute, tr�s n�o � demais?

- Eu esperava um encontro a dois. - Estamos aqui pra esclarecer algo.

- Vamos p�r tudo em pratos limpos. - E que sejam bem limpos.

Entre n�s dois sempre existe uma liga��o passional.

� in�til se esconder atr�s de um dedo.

Lolla, vejo que voc� n�o diz nada.

Desconfio que, quando fui visitar minha madrinha...

...voc� me traiu com ele. - N�o sei, n�o sei mais nada!

Meu comportamento reflete as minhas contradi��es.

- Mas com o cora��o nunca te tra�. - Em compensa��o, com o resto...

Sem vulgaridade, por favor.

- Desde quando usa �culos? - H� muito tempo.

Ano passado n�o usava.

Usava, sim, e voc� fez a mesma pergunta.

Vamos pedir, ou esperar Francesco?

- Como quiser. - Por favor.

- J� escolheu, senhora? - � minha filha.

� muito bonita. Parab�ns.

- Fettuccine com funghi pra mim. - E a senhora?

- Bresaola e r�cula... - Para temperar na mesa.

Voc�s nunca levaram borrachada da pol�cia!

Em 1960, jantavam na pra�a, em G�nova...

pra derrubar o governo? Jantavam? N�o? Todos quietos, certo?

A lula sai ou n�o sai?

Mandaram parab�ns ao cozinheiro pela deliciosa �gua mineral!

Eu te mostro a �gua mineral. Imbecil.

O vinho j� esquentou!

J� vou mandar o gar�om.

E quem vai cuidar dos quatro netinhos? As duas av�s.

Estes s�o Veronica, Pippo...

Lucia e Felicino. Como diz o ditado...

se eu soubesse como seriam os netos, teria pulado os filhos.

E o seu p�o celeste pode abastecer a mesa do pobre?

Responda. Estou ouvindo.

Responder? O que devo dizer?

� uma pausa vazia.

J� expliquei, o personagem diz "fale", mas o outro n�o fala.

� um texto extraordin�rio...

do mais not�vel dos escritores que j� adaptei para o teatro.

Uma acusa��o dura, impiedosa ao cristianismo. Uma bomba, Menghi!

- Como bebe, cacete! - O bacalhau est� salgado.

Quando m�e e filha n�o conversam, est� tudo acabado.

Preciso contar uma coisa. Um projeto.

Um projeto? Algum rapaz? Como ele �?

Bonito, simp�tico? � alto?

N�o me diga que querem se casar.

Como, casar? N�o existe rapaz nenhum, alto ou baixo. Nada.

- Nada mesmo? - Estou chegando!

- Consom� de galinha? - � meu.

Aqui est�. Muito bem.

- E dobradinha para a senhorita. - Obrigada.

- Que fome. - Melhor! Bom apetite. At� mais.

Dobradinha!

Estava sonhando com isso. Sabrina, como assim, "nada"?

O tempo passa. Um dia perceber� que virou uma bruaca velha.

Olhe-me nos olhos.

Nunca perguntei isso. Voc� � virgem?

- Pergunta desde que fiz 13 anos. - E com 19 ainda n�o fez amor?

Amor e sexo s�o um direito.

Ali�s, um dever para com n�s mesmas.

- Nunca falei isso? - Falou, sim.

Ent�o, o que est� esperando? Ter 80 anos e as coxas fl�cidas?

Mam�e, todos est�o ouvindo.

E o que eu disse de errado?

Precisa me explicar por que � de esquerda. Juro, ainda n�o entendi.

Direita e esquerda s�o pris�es mentais.

A� eu concordo. Cada um deve poder pensar livremente.

Eu tamb�m luto por uma mais justa distribui��o...

n�o digo de riquezas, essas est�o j� distribu�das, mas de direitos.

Concordo. O direito do cidad�o tem de ser garantido.

Tamb�m o direito de n�o registrar trabalhadores?

� pra rir? Isso foi uma piada?

Na sua loja, � tudo conforme o regulamento?

Quantas liquida��es de esta��o fez este ano? 12?

Pois saiba que as esta��es s�o quatro, entendeu?

Ora, n�o me fa�a rir.

Ol�, Giovanna. Sim, estamos jantando fora.

Fale. N�o, amanh� vou fazer medita��o.

Preciso ir ao banheiro, bebi muita �gua.

- Beba menos, ent�o. - N�o, preciso beber tr�s litros.

� uma cura para a celulite.

Sabrina, viu aqueles dois? S� ficam olhando pra n�s.

- Claro que ficam olhando. - Depois me conte!

Veremos na reuni�o quem ser� presidente.

Agora n�o. Sim, amanh�, �s 7 h. Cretino.

- Por qu�? - � disso que eu queria falar.

O advogado Flamini aceitou ser nossa testemunha, sabia?

- Gigio, n�o sei se vou me casar. - O qu�?

Antes preciso saber. Se for s� um atraso, nos casamos.

Se eu estiver gr�vida, n�o.

Deveria ser o contr�rio. N�o entendo.

Se n�o entende, ent�o pensa como seus pais e os meus.

N�o quero me casar para reparar um erro, dar um pai � crian�a.

S� nos casaremos por amor. Quanto a isso, n�o deve haver d�vidas.

Se vier um filho, nos casaremos em um ano, dois, por amor.

Uma vida. Agora ela diz que � a diretora...

e que meu papel de consultora volunt�ria � pleon�stico.

Falou assim mesmo, com aquela boca com um quilo de batom...

como a da mulher que saiu agora.

Ela se morde de ci�me pelo meu relacionamento com as crian�as...

algo que ainda n�o conseguiu.

- Boa noite. - Boa noite. Eu liguei. Di Fonzi.

Sim, eu o reconheci, professor. Acompanhem-me.

A mesa de voc�s est� pronta.

A carta de vinhos, por favor.

Giulio, como desejo voc�!

Quero voc�, um bilh�o de vezes!

Voc� � lindo! Gosto de tudo em voc�. Tudo.

Tudo.

Sabe do que, especialmente? Sabe?

- Deixa pra l�. - Voc� sabe, sim.

Das tuas ligas.

A primeira vez, na sua sala, voc� logo me agradou, de cueca e liga.

Vai, deixa ver.

Sim, deixa ver, sen�o eu grito!

Por favor.

Voc� n�o pode entender.

"Alimente antes a mim e � minha fam�lia.

Depois aceitarei o p�o celeste."

E o que voc� dir�? Por que se cala? Fale, estou ouvindo.

Fale de uma vez!

- Falo? - N�o!

Caraco, j� expliquei, voc� s� ouve e fica quieto!

Entendeu? Falei com voc�. Entendeu?

Muito bem. Eu digo "responda". Voc� responde?

"A verdade � que voc� s� ama aqueles que o veneram.

Seu amor n�o � infinito. Reserva esse privil�gio a quem ama voc�.

Negue, se puder. N�o � assim?"

Fale, por todos os elementos da cria��o!

- Responda! - Respondo?

- V� tomar no cu, v�. - N�o deve responder.

- Cuide da porra da sua vida! - Desculpe, � que conhe�o o texto.

Toda quarta-feira vou ao teatro, o restaurante fecha.

Assisti a "Os Irm�os Karam�zovi" de Ronconi.

Mas minha id�ia � anterior, de 1985. Faremos algo diferente.

- Esperamos salada e alcachofras. - Tudo bem.

- Simp�tico. - Muito. Olhe, pelo telefone...

voc� falou de dois pap�is de um di�logo, mas estou vendo que...

N�o conhece o Grande Inquisidor, de "Os Irm�os Karam�zovi"?

- N�o assisto a pe�as de Ronconi. - Quem falou nele?

- J� leu Dostoi�vski? - N�o a obra toda.

Ivan l� para o irm�o Aliocha...

um conto que escreveu sobre um juiz da Santa Inquisi��o.

"N�o basta o amor!

� necess�ria a raz�o.

O amor fez voc� voltar, depois de 1500 anos.

A raz�o me obriga a mand�-lo de novo para a morte.

Voc� sabe? Sim, sabe, porque sabe tudo.

Voltou sabendo que um segundo sacrif�cio o esperava.

N�o � verdade?" Fale, ent�o! Fale! Responda! Fale!

Olha que se voc� falar meto a m�o na tua cara.

- Quem s�o aqueles dois? - S�o atores.

Tem um leve odor de rolha. � de 1994, n�o?

- Sim, de 1994. - P�ssima safra.

- Quer que eu troque? - N�o.

- Obrigado pela dica. - E ent�o, professor, como est�?

Um lixo. Ainda n�o saiu das rimas.

"Espelhados nas �guas Sulcadas pelo vapor"

- Que vapor � esse? - � pra rimar com amor.

Nada de rimas.

"No suave vento Num sonho de amor"

Viu como � fl�cido, banal? Fl�cido, fl�cido!

"Tr�mulos, vemos adiante Um sonho fumegante"

Aqui, ent�o, j� chegamos �s obscenidades.

"Sob o c�u que acolhe Nossos semblantes" Eu sugeriria:

"Espelhados nas �guas De um sonho de amor

Tr�mulos, vemos adiante Nossos semblantes"

Ainda est� fl�cido, mas j� est� um pouco mais humano. Tome.

- Obrigado, professor. - De nada.

- Escrevi �s pressas no metr�. - Ent�o � melhor andar a p�.

- Obrigado. - Desenvolva a alma!

� um poeta sem futuro nenhum, mas � teimoso, insiste.

Est� pronta a omelete de verdura do professor?

Est� no card�pio? Ent�o fa�a voc�! Professor do cacete! Fui claro?

Com pouco sal, o professor tem press�o alta.

N�o aguento mais, gente. Pessoal, Duilio se demite!

Sem mais nem menos! Diomede, me demito, vou embora!

Eu tamb�m. Amanh� vamos procurar emprego juntos. O que voc� fez?

- O famoso risoto � Duilio! - N�o, eu s� estava tentando.

Posso recomendar a algum cliente mais refinado?

Isto aqui desanima qualquer um. Os clientes pedem "um bifinho"...

os ajudantes n�o sabem fazer nada, nem bater, picar...

defumar, fazer caldo de carne! N�o h� como preparar nada.

Por que n�o h� como preparar? Porque n�o h� paix�o, por isso!

Antes de ser gar�om, � preciso ser homem!

Sen�o voc� fica meio cozinheiro, meio homem, meio cidad�o!

Minha vida � uma bifurca��o.

Viver assim � como ver outra viver no meu lugar...

uma desconhecida.

Aldo!

- Lolla! - Aldo.

Noite movimentada.

N�o tive o prazer. Quem seria esse a�?

- Um idiota que estava atr�s dela. - Onde eu me sento?

Voc� n�o disse "bifurca��o"?

Pensei em esclarecer com ele tamb�m.

Tire esse colch�o da�! N�o v� que n�o cabemos?!

- E essa barca de sapato! - Vinicio, � o meu p�!

Conheci Lolla h� 3 meses, na Via del Corso...

...diante da Babylon City. - Estou me lixando.

� a primeira vez que concordo com o senhor.

Estava chorando diante da vitrine. Entrou pra comprar uma camiseta.

Aquela amarela e verde, lembra?

Se n�o fosse por voc�, passarinho, teria feito uma besteira.

- Teria comprado outra camiseta. - O que � isso?!

Ele me ofereceu um cigarro...

e me levou pra casa numa viatura militar.

E quando voltei para o quartel, fui punido pelo atraso.

Novamente, estou me lixando!

- No quartel, escrevi uma carta... - Muito comovente!

O seu colega a entregou, lembra?

Ele confessou o que houve entre voc�s.

Lemos juntos a tua carta, e eu chorei.

Ele era um jovem muito alegre e me consolou.

- Depois, n�o o vi mais. - Foi transferido para Bergamo.

Sen�o tamb�m estaria aqui.

- Ol�, tio. - Ol�.

Onde est� a tia?

Ol�, tia. Somos nove. Ciopper tamb�m vem.

- � algum desenho animado? - Ciopper � um tremendo gatinho.

- Nem imagina como � lindo. - Voc� n�o gostava de um Lorenzo?

Tia, Lorenzo foi h� um s�culo.

- Qual � Ciopper? - Ainda n�o chegou.

Quando chegar, fa�o um sinal.

Sentem-se na varanda, ficar�o mais � vontade.

Obrigada, tia, adoro voc�.

Como cheira a cigarro! N�o est� exagerando?

N�o se preocupe. Um cigarro d� pra todos.

Eles est�o chegando. Tchau!

Depois deste prato, nada mais ser� como antes.

Era preciso pegar albaneses, curdos, coptas, marroquinos...

e outros escurinhos e confin�-los.

E saibam que simpatizo com os imigrantes. Mirella, conte.

Nossos dois balconistas filipinos fazem faxina l� em casa.

Muito bem.

- O que � isto? � na �frica, n�o? - Na verdade, � o Coliseu.

Como ele est�?

Como quer que esteja? Bem.

Desde que deixou o centro de recupera��o, quase n�o o vi.

Voc� tamb�m eu vejo pouco.

Claro, n�o posso obrigar voc�s.

Quando nos obrigou a fazer alguma coisa?

Se vamos recome�ar com certos assuntos, � melhor irmos embora.

- Vamos deixar pra l�. - Ol�.

Interessa um quadro? Veja este. Pintei hoje.

N�o, n�o vamos deixar pra l�. Por que essa risadinha?

Se vivemos como estranhos, a culpa � minha? Eu decidi isso?

Fique tranquilo, ningu�m espera isso de voc�.

Quando �ramos crian�as, quem decidia por n�s?

Mam�e, enquanto era viva. Depois, a bab� Pina. Voc�, nunca!

Estava sempre me matando de trabalhar por voc�s.

Nunca deixei faltar nada.

N�o, pelo contr�rio, tudo o que quer�amos, voc� nos dava.

"Viajem, v�o � �ndia, fumem, trepem, s� n�o me encham o saco!"

- N�o entendo. - Ele n�o entende!

Disse que eu estava errada alguma vez? Disse "n�o"? Me deu um tapa?

E se eu der um agora, aqui?

Eu dou outro em voc�, aqui.

- Pe�a a conta, � melhor. - Voc�s terminaram?

- Para mim, uma fritada. - � italiana?

Sim. E voc�?

- Perca cozida no vapor, talvez? - Leu meu pensamento, obrigada.

Eles tamb�m conhecem os tormentos do amor!

Mas ele � mais velho do que voc�...

e n�o � t�o bonito.

Ontem contei tudo a Luca.

Como? Ent�o fiz mal em contar sobre n�s dois?

N�o, voc� fez muito bem. Muito bem.

Sabia que iria aprovar. Conhe�o voc� bem, amor.

- O que, exatamente, disse a ele? - A verdade.

Falei que entre mim e ele acabou. Falei que...

de um ano pra c�, eu e meu professor nos amamos...

e que a nossa n�o � uma hist�ria de amor qualquer...

mas uma hist�ria ideal e eterna...

como voc� a definiu naquela tarde, no seu escrit�rio.

Era o t�tulo da tua tese sobre Giambattista Vico.

- Professor? - Sim.

Falei com Luca. Voc� falou com sua esposa?

- Sobre o qu�? - Contou o que pretende fazer?

- Ou seja...? N�o, ainda n�o. - Que quer se separar dela?

Sabe, daqui a uns dias � o anivers�rio dela.

- N�o contou nada? Tem certeza? - N�o. Sinceramente, n�o.

�timo. N�o precisa contar nada.

- N�o preciso? - N�o, � melhor n�o.

- Eu � que tenho de contar. - N�o, n�o seria apropriado.

Escrevi uma carta ontem, ap�s ter rompido com o pobre Luca.

Est� aqui. Ainda n�o enviei.

Vou ler pra voc�.

Ser� que eu leio?

Sim, vou ler. Muito bem, l� vai.

"Senhora, conhe�o-a por meio do homem com quem viveu por 40 anos.

Agora pergunto: N�o acha leg�timo...

considerar esses 40 anos uma sorte excessiva?

N�o foi, talvez, um abuso de felicidade da sua parte...

� qual seria justo, moral e democr�tico dar um fim?

� s� um marido para a senhora.

Para mim, n�o � s� meu professor de filosofia.

Giulio, para mim, � aquele que primeiro me desmontou...

e depois me reconstruiu com uma pur�ssima mat�ria-prima:

O idealismo �tico.

Eu amo o seu marido, e renunciei a tudo por ele.

Todos t�m direito � felicidade, j� dizia a Constitui��o dos EUA."

Minha av� diz que o ci�me � um sentimento besta.

J� ouvi isso. Mas prefiro me valorizar, n�o esquento.

Que saco.

Quem cortou teu cabelo? O teu cachorro?

E voc�? Parece que faz quimioterapia.

Tenho um tio que faz, duas vezes por m�s, e n�o perdeu um s� fio.

O namorado da minha m�e tem pneu-sei-l�-o-que no pulm�o.

Por que, ele � o homenzinho da Michelin?

S�bado passado, meu pai tamb�m deixou mulher e quatro filhos...

...entre os quais eu. - Quem diria. � um come-quieto.

E a outra, como �? Um mulher�o, n�o?

Imagine, � uma trombada. Minha m�e � muito melhor.

- Como voc�, ent�o. - Cuidado, o piercing � novo!

- Flora, est� fumando? - N�o, n�o � nada.

Vou apagar.

N�o terei medo Se n�o for linda como voc� diz

- V�o pedir? - Eu quero pappardelle.

Primeiro as senhoritas, desculpe.

Obrigada. Uma sopa de verduras. Sem sals�o.

Vai ter sals�o. Em Roma, usam sals�o em tudo.

- O que sugere, ent�o? - Ir pra Toscana. L� n�o usam.

N�o quero o primeiro prato.

Vou encomendar uma fritada bem leve especialmente pra senhorita.

Flores, sobretudo flores. E uma borboleta.

- Aceito a fritada. - Certo.

Esse � meio babaca. Ser� que estou enganado?

Que tontos!

Voc�s j� cozinharam pra cinco mil pessoas, cinco mil...

no Festival de "L'Unit�"? Fizeram isso? N�o fizeram nada!

N�o t�m mem�ria hist�rica!

De 1953, 1978, 1984 e 1989...

s� lembram quem ganhou o Festival de San Remo.

- Anna Oxa e Fausto Leali! - Viu que isso voc� sabe?

- Sei, sim! - Ent�o tenho pena de voc�.

Peixe n�o � com voc�. Nunca soube limpar. Desperdi�a tudo.

Flora, esqueci as batatas de Arturo. Obrigado.

- Acho que voc� precisa agir. - Estou t�o mal? Abatido?

N�o, voc� est� bem. � aquele gar�om da Toscana.

- Uliano. Por qu�? O que ele fez? - Ele faz o que bem entende.

N�o ouve. O cozinheiro vai acabar pedindo demiss�o, de t�o nervoso.

- Imagine. - Viu? Nunca est� no seu lugar.

- Falta algo, al�m de dinheiro? - As pessoas o acham simp�tico.

Flora tamb�m, e ele se aproveita. Bom, eu avisei. Fa�a como quiser.

O que devo fazer? Vou demiti-lo porque trabalha com alegria?

Diga alguma coisa, fale com ele.

- Fale voc�. - Eu? Voc� � o patr�o.

- � o marido. - Eu sou um zero � esquerda.

"Boas oportunidades em vista. � noite, um encontro decisivo."

Novas L�nguas, programa de uma hora, apresentado e aprovado...

Talvez seja s� um atraso. Mas, se for uma gravidez...

Quero saber o que voc� quer, quero saber o que pensa.

Talvez eu j� saiba o que quero.

Se voc� pensa como eu, tudo bem.

- Se pensa diferente, decidi... - Desculpe, Olga, � s� �gua.

Tudo bem. N�o se preocupe.

"Idealismo, progresso humano, valores espirituais, bondade...

s�o os fundamentos de Giulio na sua conduta como acad�mico...

como docente, como homem. J� teve sua dose de felicidade, senhora.

� minha vez. N�o s� pelo direito que cabe a uma jovem como eu...

de receber as d�divas da vida que as outras j� receberam...

mas para que a distribui��o de felicidade e de dor seja justa."

Ainda est� aqui?

J� nos conhecemos. O vidente e mesmerista.

Magos!

- Fora! Eu avisei, est� lotado. - Um pouco de toler�ncia!

� meu trabalho!

- Tem o seu. Este � o meu. - Meu trabalho � enxotar voc�!

Ao menos deixe-me recolher os cart�es!

- Uliano! - Com licen�a.

- Professor? - � vontade.

Obrigado.

� sua total disposi��o.

"Mestre Adam. Mago �talo-franc�s em Roma.

Vidente, mesmerista, psicoflu�dico, grafologista.

Rev�s de fortuna? Neg�cios? Sa�de? Amor?

- S� paga se obtiver �xito." - A� est�!

Posso pedir que escreva no verso deste cart�o...

uma frase, uma palavra?

Qualquer coisa. A primeira que lhe vier � mente.

"Socorro!"

Verticaliza��o de consoantes, inclina��o do "t"...

ponto de exclama��o pequeno e incerto. Portanto...

personalidade insegura e desejo de ser socorrido por terceiros.

Diagn�stico agu�ado.

Posso oferecer algo? N�o fa�a cerim�nia.

- 21:48... Tudo bem, v� l�. - Gar�om.

- Alguma coisa para "grignoter". - Para mastigar.

- E ent�o? - O que voc�s t�m de bom?

- O card�pio est� ali. - Pedi sopa de arroz. Est� boa.

Certo, mas n�o para o meu pobre est�mago. Vou querer...

...linguine ao camar�o. Depois... - Depois o senhor pede.

- N�o, pe�o j�. - Ande logo, ent�o.

Depois n�o vamos querer ser interrompidos.

Pescada frita e vinho. Tinto. Peixe frito pede vinho tinto.

Bem, n�o � o princ�pio cient�fico, mas...

- Fez bem em pedir agora. - Venha, mal come�amos a comer.

Muito movimento? A prioridade � o trabalho, ent�o. Mas � uma pena.

N�o sabe o que est� perdendo. O decote da minha esposa.

- Modestamente. - Quer frango? Ou uma bisteca?

O certo � bisteco ou bisteca?

M�e, este ano vou ficar no internato.

Como assim? Antes s� ia fazer o primeiro grau.

Depois quis fazer o segundo grau. Agora quer passar o ver�o l�?

N�o, mam�e. Vou ficar l� de vez.

Senhora!

Desculpe o atrevimento, mas onde comprou esses sapatos lindos?

- Sinto muito. - Por qu�? Eu escrevo o endere�o.

Amanh� cedo estarei na loja. Muito obrigada.

Imagine.

- O que estava dizendo, amor? - Vou ficar l� 3 anos como novi�a.

N�o, j� tenho dois pares de sapatos vermelhos.

Como o qu�?

Ouvi mal?

N�o � verdade, certo?

� como quando voc� era crian�a.

Se escondia pra me apavorar.

- Mas diga ao menos por qu�. - Mam�e, n�o h� um porqu�.

Sim, h� v�rios!

Por que quer se enclausurar? Por que fechar-se entre muros?

Por que quer se tornar... Viu? Nem consigo dizer.

Afinal, ningu�m pode...

dizer de repente: "Mam�e, vou ser freira."

Eu disse novi�a. Antes, tenho de ser novi�a por 3 anos.

Nossa Senhora.

N�o se sabe, talvez seja s� um atraso de alguns dias.

Mas, mesmo que seja gravidez e que n�o nos casemos, n�o sei...

Para viver juntos, precisamos ficar com a casa.

Com o seu trabalho e o meu, j� vimos que temos condi��es.

Mas o mais importante, Gigio...

� que esta noite quero saber o que voc� pensa.

� uma decis�o importante, e temos de tom�-la juntos. O que me diz?

Vou ao banheiro. Volto j�.

Ao banheiro.

Estava olhando, n�o? O que estava olhando?

Gosta de olhar as senhoras no restaurante, n�o �? Muito bem!

- N�o, senhora, eu n�o... - E logo me seguiu.

Nem pensou na mulher que est� � mesa com voc�, n�o?

- S� vim ao banheiro. - Ao das mulheres! O que queria?

Queria isto? Ou ent�o isto? Ou talvez isto?

� porque voc�s t�m essa coisinha entre as pernas?

� por isso que se sentem t�o superiores?

Diz que � meu. Diz que � meu. Diz!

� da senhora!

Fique com ele! N�o me serve pra nada.

"Seu amor corrompe seu rebanho. Meu poder o salva."

Voc� percebe como � atual a mensagem do inquisidor?

Vamos mexer num vespeiro, Menghi.

� uma acusa��o dura e impiedosa a Cristo!

Aceite, 80 mil por noite. N�o posso pagar mais.

Voc� falou de uma pe�a a dois.

Cacete, voc� vai interpretar Jesus Cristo!

Falo por Ele tamb�m, por Jesus. Vai fazer um papel�o.

Ele tem a eloqu�ncia do sil�ncio. Responde calando-Se.

O que mais deveria dizer, al�m do que disse dois mil anos atr�s?

Foi chorar no banheiro por causa do que eu disse?

Voc� � sens�vel demais. Isso pra mim � suficiente.

- Pode deixar. - Vamos embora? J� paguei.

Vamos para casa. Meus pais n�o est�o. � toda nossa, esta noite.

Est� contente, amor?

Telefona, me passa bilhetinhos no supermercado...

quando vou ao parque, � muito embara�oso, imaginem.

E sou amiga da m�e dele.

Como dizer que o filho dela de 15 anos se apaixonou por uma velha?

E ele o condena de novo. N�o � crucifica��o, � fogueira.

"Amanh�, essa mesma multid�o que voc� ama...

ati�ar� a sua fogueira", ele diz.

- E ele fica quieto. - Sim! � a grande sacada teatral!

N�o me parece t�o grande.

P�r em cena um Cristo que n�o sabe dizer duas palavras?

Ouviu isso? O meu saco bateu no ch�o. Ent�o acha que...

- Problemas de trabalho? - N�o, isso n�o. Pelo contr�rio.

Tenho um emprego de contador na Administra��o Geral de Armaz�ns.

N�o valho tanto no mercado: Um milh�o e 700 por m�s.

N�o resta d�vida.

Sem d�vida, para gente com personalidade limitada em 50%...

nunca falta um empreguinho. Sabe por qu�?

Porque hoje aqueles que querem mandar...

s�o muito mais numerosos do que os dispostos a obedecer.

Extraordin�rio! Eis a explica��o!

- Narciso n�o quer ficar por baixo. - Lapidar!

Que Narciso, que nada. Eu n�o gosto de mim.

Vou confessar outra coisa.

Est� vendo este cabelo?

- � posti�o? - Como?

� peruca?

- D� pra perceber? - N�o. � que eu sou vidente.

- Mas acha que os outros notam? - Fique tranquilo.

� da sua natureza passar despercebido.

Toma.

Agora fale, eu s� vou escutar.

- Quanto tempo dura? - N�o cronometrei. 60, 70 minutos.

Hoje em dia, a tend�ncia s�o pe�as breves, se n�o me engano.

Engana-se! E eu fico 70 minutos sentado...

de peruca, barba posti�a e m�os sobre os joelhos?

E ganha 90 mil por noite. Terni, Sulmona e Ascoli.

E talvez o Veneto, estou tratando com Rovigo.

Em julho, Ostia Antica. Talvez.

Bem, � que...

eu tenho um nome!

O que o meu p�blico vai dizer de mim?

Menghi! Quanto mais calado, mais grato seu p�blico ficar�!

- Seu p�blico. - N�o � o que voc� pensa.

L� voc� estuda, trabalha, visita necessitados, ajuda o pr�ximo.

- Am�m. - No convento, como diz voc�...

h� pessoas de valor...

madres e irm�s que estimo e amo.

Sua m�e, que voc� n�o estima e n�o ama, agradece.

Mam�e, n�o � isso. Nem todos desejamos as mesmas coisas.

Ganhar dinheiro, sair sempre de f�rias...

fazer parte de um sharing em Sestri�re.

Nem todos se envergonham da idade que t�m...

esticam o rosto ou levantam as tetas.

O que voc� disse? Eu ouvi.

Eu?

Eu teria levantado as tetas?

- Sim, mam�e. - N�o. Agora ele vai me ouvir.

� ele. � coisa dele, � culpa dele.

Giuliano? Sou eu, Isabella.

Estou aqui com a mentirosa da sua filha.

Sabe o que ela me disse? Que quer virar...

Voc� sabia? E n�o me disse nada?

Foi voc� que a afastou de mim. Desde o dia em que nos separamos!

Vou pass�-la. Tente fazer alguma coisa, ouviu?

Impe�a-a, entendeu? � pai dela!

Tome, � seu pai.

Sim?

N�o, n�o preciso de nada.

Obrigada, papai.

"Obrigada, papai"? O que ele disse? Nada?

Eu o conhe�o bem. � t�o ego�sta.

Se voc� for freira ou dan�arina de boate, pra ele d� no mesmo.

Ol�, pai. Ol�, Alessandra. Peguei uma alcachofra � judia do ch�o.

- Traga outra, por favor. - Sente-se.

Ou era � romana? Qual das duas � frita?

- � judia, acho. - Sim, � romana se desmancha.

Aquela, n�o. Eu peguei do ch�o e os dois homens ficaram contentes.

- Por que me olha assim? - Quem � vivo sempre aparece.

- Como vai? - Bem, muito bem.

Voc� tamb�m. Se eu fosse mulher, me apaixonaria. � meu pai.

Viu como Alessandra est� bonita tamb�m? Est� �tima. � minha irm�.

De n�s tr�s, sempre fui o mais feio.

- � que estou desmotivado. - Por que desmotivado?

Por qu�? Porque dois mais dois n�o s�o tr�s.

Dom Pierino sempre dizia: "Quem est� desmotivado est� cagado".

Bem, talvez n�o dissesse "cagado". Fui visit�-lo. Alessandra contou?

Eu s� ia passar o dia l�, mas, naquele "fica, fica"...

acabei ficando 15 dias. Alessandra contou?

Est�o todos �timos, inclusive dom Pierino.

Bom, ele tem problema na perna. Usa bengala, est� meio zambeta.

- E o seu trabalho? Pediu licen�a? - Que trabalho?

Falei que voc� tamb�m trabalha no escrit�rio do De Simone.

Eu ajudo, n�o � l� essas coisas. Seria melhor pra algu�m jovem.

At� porque, tirando a mana, ningu�m � t�o simp�tico l�.

Perca no vapor para a senhorita. Tomei a liberdade de limp�-la.

Alcachofra, abobrinha e miolo frito para o senhor.

- E o senhor, o que vai querer? - Coma isto. J� comi fettuccine.

- N�o, obrigado. - Ele teve hepatite. Esqueceu?

Tive hepatites! A, B e C.

- Uma abobrinha frita e caio duro. - Esqueci, est� bem?

Ele est� esperando, e talvez n�o lhe interessem nossos assuntos.

N�o se preocupe. Muitos clientes continuam conversando, n�o pedem.

No fundo, � o nosso �nico momento de descanso.

Pra mim, espaguete sem molho. Vou temperar s� com azeite.

Perfeito.

E voc� come essas frituras. S�o um veneno para o f�gado!

No centro de recupera��o, comemos comida natural, feita por n�s.

Desculpe, tive um probleminha na pr�stata.

Os anos passam para todos. Volto j�.

- Est�o � sua espera. - Obrigado.

Vincenzo Petrosillo. Chefe de pol�cia da Delegacia de Costumes.

Veio por sua conta, ou algu�m o mandou?

Eu pedi que viesse.

Posso?

Nossos convidados est�o atrasados. Pode pegar.

Por favor.

N�o entendi, desculpe.

� preciso esclarecer tamb�m com Petrosino?

- Eu acho que sim. - Illo. Petrosillo.

- � uma confiss�o clara, Lolla. - Confiss�o? De qu�?

- De que trepa at� com a pol�cia. - A verdade sempre vem � tona.

- Como o azeite. - Se for virgem.

- Vinicio, n�o seja grosseiro. - Com que gente voc� se envolveu.

No fundo, eles n�o s�o maus, Vincenzo.

Chama o cara pelo nome!

Conheci o delegado Petrosillo quando fui � delegacia...

denunciar meu marido por agress�o.

E, como o marido botou a m�o nela...

o marechal a� achou que tamb�m podia. E em local impr�prio!

Sou delegado.

Al�m disso, suas acusa��es vulgares s�o s� inverdades.

Admito, no entanto, que me senti atra�do pela senhora...

embora a mesma estivesse muito tumefacta.

Conquistou-me com sua gentileza e seu humor.

Imaginem as risadas!

Olhem para dentro de si pr�prios. Ver�o a causa da minha solid�o.

- Caramba! Solid�o? - Ela se acha mal acompanhada.

Infelizmente, alguns n�o sabem enfrentar a solid�o sozinhos.

Voc� n�o disse que ele ficou tantos dias em Amelia.

Estava t�o feliz quando me ligou. Foi muito bem recebido.

Claro, ali se sente protegido.

Aquele padre faz lavagem cerebral o dia todo.

E aqui fora? Estava melhor quando vivia feito macaco?

- Ao menos era ele quem decidia. - O que ele decidia?

Que ia dormir debaixo da ponte?

Eu � que ia busc�-lo, voc� estava no exterior, a trabalho.

- Trabalho? Mulatinha adolescente. - Que merda � essa?

N�o permito isso, entendeu?!

Precisam brigar sempre que est�o juntos?

- Papai, Alessandra est� chorando. - Eu? Ficou bobo?

Parecia estar.

Aqui est�o o espaguete sem molho e o azeite especial.

Bom apetite.

O azeite � bonito, n�o?

"Cara senhora, como diz o nosso Shaftsbury...

que indagou sobre a origem do sentimento moral...

� o pensamento que d� corpo ao homem.

Se se pudesse separar o corpo da mente...

eu proporia que ficasse com o corpo dele, embora seja lindo..."

Sobretudo usando liga. "...e me deixasse o seu pensamento.

Mas Giulio diz que o sentido da vida est� em criar o pensamento.

Por isso ele ser� todo meu, de corpo e alma. Como j� �, ali�s.

Cordiais sauda��es, Cecilia Nobis."

O que achou? Um tanto longa?

- Eu vou reler. - Gar�om!

- Ficou biruta? - Eu pedi cozido. O que � isto?

Cozido.

Uma asinha de frango e um pouco de carne-seca?

E isto, o que seria, molho verde?

Est� amarelo! Feito com salsinha murcha!

E o bife � milanesa? A jovem est� pasma. Olhe para ela. Viu?

Isto n�o � um bife � milanesa, � o famigerado bife empanado!

Um bife � milanesa tem 1 cm de espessura e � feito na manteiga.

- N�o estamos em Mil�o, professor. - O qu�? O que ele disse?!

Sei muito bem onde estamos! N�o preciso da informa��o.

Se eu pedisse salm�o, diria que aqui n�o � a Noruega?

- Claro que n�o. - O bife � milanesa...

n�o faz parte da categoria de fritura!

Notem a substancial diferen�a entre refogar e fritar!

Voc�s t�m um cozinheiro ou um porteiro? Seria melhor um boteco!

- Quer escolher outra coisa? - N�o, pode levar. N�o quero nada.

- Quer que eu troque a toalha? - N�o! Deixe a�!

Coitado do gar�om.

- Eu gosto de bife empanado. - O qu�?

Desculpe, estou um pouco nervoso.

- Muito nervoso. - Muito nervoso!

- Est� hist�rico. - S� pode ser brincadeira.

- � por causa da carta? - Da carta?

N�o, embora...

Mas � s� um rascunho. Podemos corrigi-lo juntos, se quiser.

N�o acho oportuno voc� fazer uma coisa dessas.

Depois falamos disso.

� que, ultimamente, todas as minhas certezas...

parecem ter virado de cabe�a pra baixo.

- Ora, � uma enorme bobagem! - O qu�?

A filosofia, a filosofia!

� um c�u vazio no qual todos continuam pendurando...

suas pedrinhas brilhantes, fazendo-as passar por astros.

Gostosa, a rolha. Todos temos gosto de rolha. Somos rolhas.

Vedamos a raz�o, a verdade. Quando eu era crian�a...

com 5 ou 6 anos, brincava na sacada com um espelho.

Meu pai perguntou o que eu estava fazendo. Falei: "Cegando o sol."

Ele, s�rio, disse � minha m�e: "Nosso filho ser� um impostor".

Tinha raz�o. Tornei-me fil�sofo. O fil�sofo � um impostor...

ou, se preferir, o impostor � um fil�sofo.

- Como, impostor? N�o entendo. - At� agora, as filosofias...

embora divergentes, tiveram uma s� meta: Combater a opress�o...

o nazismo, o fascismo, o comunismo e tudo o mais.

Mas agora dizem que as falsidades ideol�gicas acabaram!

E ent�o? A especula��o filos�fica era um rem�dio.

Curada a doen�a, o rem�dio virou uma droga mal�fica.

Mas, francamente, n�o entendi a ess�ncia do seu enunciado.

Que bosta! N�o quero drogar mais ningu�m, entendeu?!

- Fale mais baixo, eu... - Voc� o qu�? O qu�?!

Penso como eu quiser, entendeu? Quem voc� acha que �?

Fica a� falando de filosofia, felicidade, pensamento!

N�o passa de uma meia Of�lia que morrer� afogada em suas ilus�es.

Nunca se perguntou por que nunca houve...

um grande fil�sofo do sexo feminino?

Uma S�crata, uma Platoa, uma Nietzscha?

Tudo bem que eram todos frescos. Sim, veados, veados!

Como? No tratado "O Esp�rito e os Direitos Universais", voc� diz...

N�o, � coisa velha, pra ser jogada na privada, na privada!

- Giulio, controle-se. - Eu? Eu?!

Me�a suas palavras voc�! Se me deixar puto, eu te meto a m�o!

Sim! Sim!

E sim! Vamos fumar!

Concordo completamente com voc�, mas sem discrimina��es.

No meu ramo, os homossexuais s�o uma fatia not�vel da clientela.

O vestu�rio precisa ser democr�tico.

Posso fazer uma constata��o amarga? Bom, vou faz�-la.

- Um ator precisa de sorte. - Al�, quem �?

Que besteira. Eu n�o tenho sorte, ent�o n�o sou um grande ator?

Giovanna. Voc� de novo? Fale.

Mirella, meu anjo, te amo. Mais do que isso, te adoro, te desejo!

Tua pele, tua boca, teus olhos de anjo!

Em meio a essas conversas! Teu marido � o pior de todos.

Perd�o. � uma leve cistite. Mas entre, por favor.

Melancolia demais, minha Mirella.

- Vamos embora, s� n�s dois! - Sabe que eu n�o posso, Giovanna.

- Como essa Giovanna enche o saco! - No exterior, onde quiser, amor.

Em Sri Lanka. L� mora meu amigo Fabio. Ele sempre me escreve.

Montou um curtume enorme.

M�o-de-obra local: 5 mil liras por dia. Crian�as... bem, metade.

- Podemos falar disso depois. - Pense a respeito.

Quarta, �s 13:00, no Hilton, voc� responde. Vai dizer que sim?

- O que acha, vai dizer que sim? - Sim.

Eu tamb�m.

Tchau.

Simplificaram o formul�rio 7-40.

Em N�poles, 7:40 sempre foi 20 para as 8.

Na verdade, somos campe�es ol�mpicos de impostos.

Concordo completamente. Cumpro minhas obriga��es fiscais...

desde que todos paguem os impostos.

Como nem todos pagam, voc� sonega.

Voc� n�o entendeu. Cansei de pagar impostos sob press�o.

Da pr�xima vez, vou fazer como Cutazzi, da Strongwatt. Lembra?

- O da conta no Jap�o? - Quem � esse tal de Cutazzi?

Um g�nio da sonega��o.

Ele deveria pagar uns 500 milh�es de liras por ano ao Fisco.

Quando recebe a ficha, n�o discute.

Faz um cheque no valor do que tem a pagar...

e deposita numa conta pessoal para impostos num banco de Kyoto.

Em 10 anos, acumulou uns 8 bilh�es de impostos devidos.

Com os juros, paga advogados para decretar fal�ncia anualmente...

e abrir outra firma. Agora, eu pergunto: Cutazzi est� errado...

ou o que faz � consequ�ncia do nosso sistema fiscal?

- Queria perguntar isso � esquerda. - Voc� e essa esquerda!

Eu acho que Cutazzi n�o est� errado.

Como v�, cada um pensa de um modo.

Ouviu? Isso acontece. E temos de condenar o tal Cutazzi?

Esse Cutazzi, minha cara, sabe que o homem...

n�o deve produzir pensamento, mas deve produzir produto.

Para isso nasceu o homem. N�o devemos ceg�-lo com espelhos...

nem bloquear a �nica possibilidade de salva��o da sociedade!

E qual seria a �nica salva��o?

O individualismo. O interesse particular. O lucro!

Numa palavra... Posso dizer?

O mercado!

Saiba, senhorita burguesa, que seu jantar n�o � garantido...

pelo esp�rito de solidariedade do seu a�ougueiro...

mas pelo sacrossanto afeto que ele sente pelo lucro!

S� a supremacia da posse, da venda, da compra...

marcar� o advento da nova humanidade mercantil.

J� ficou bem claro como ser� meu pr�ximo livro.

Evidente. A id�ia b�sica �...

a �tica como fraude.

O t�tulo ainda n�o sei ao certo.

Que tal "Condena��o � Morte de S�crates: Veredicto Justo"?

Comprido demais? Espere.

"S�crates Wanted", � americana. Aonde vai?

Ao banheiro.

Desculpe, estou com um pouco de tontura, estou confusa.

Sabe quando voc� sonha que morreu?

Talvez este restaurante seja o al�m, o para�so.

Nada mau como para�so.

Com licen�a.

Quer que eu pe�a uma sobremesa? Um sorvete de lim�o?

- Morangos silvestres. Voc� gosta. - Autopiedade � autodestrui��o...

...meu caro Ernesto. - Ernesto? Adivinhou meu nome!

N�o, Ernesto � o nome do meu tio materno. Incr�vel.

Mas eu tinha captado algo, sim.

Com licen�a. Posso lhe pedir uma moeda para telefonar?

Claro. Sim.

- Aqui est�. - Obrigada.

Posso pedir mais um favor?

Aos velhos s� se pedem favores sem import�ncia. Pode falar.

O senhor... me permite...?

Em 1984, com Enrico San Giovanni, pela indexa��o, quem estava l�?

Ningu�m! E nem em 1953 pela lei antifraude.

Eu nem tinha nascido, vov�.

Se eu fosse seu av�, j� teria quebrado seus ossos!

N�o � que ainda n�o tinha nascido. Nem depois nasceu!

- Quem n�o sabe, n�o existe! - O que est� fazendo aqui?

Vim pedir � senhora peixe para uma mesa.

Eu pe�o. Peixe para quantos?

Quatro.

Olho pra voc� e sinto pena, palavra de Duilio.

Nem sabe por que se chama Uliano.

Sabe quem era L�nin? Quem era, um cantor?

Um dos Beatles, aqueles de Liverpool?

Conhece John L�nin? Quem era ele?

- John L�nin, sim. - Da pr�xima vez, corto tua m�o.

Est� bom hoje. Muito calmo.

- Por que me olha assim? - Preciso dizer uma coisa...

que n�o gostaria de dizer.

- Ou seja? - N�o vou ser c�mplice de ningu�m.

- Muito menos seu e daquele cara! - O que est� dizendo? N�o entendi.

Entendeu, sim. O toscano fica te rodeando.

- E voc� d� corda. Diante de todos. - N�o liguem pra ele. Enlouqueceu.

Mais considera��o, Flora. Arturo, al�m de seu marido, � meu amigo.

- Encrenca. Encrenca, Flora. - Ficou bobo, Diomede?!

N�o fiquei bobo!

Voc� � que virou...

Quer que eu diga o que virou?

Quer que eu diga?

- Desculpe. - Desculpe o cacete!

- O que est� dizendo? Bebeu? - Voc� nega que o encoraja?

- Est� b�bado? - Sabia que a ex-chefe dele...

lhe deu uma moto de presente? E voc�, o que vai lhe dar?!

Ora essa! E se fosse verdade?

- Isso l� � da tua conta?! - Seu marido � um irm�o para mim!

� um irm�o para mim tamb�m.

E n�o � pelo meu marido que voc� se r�i quando algu�m me paquera.

� por voc�. Porque voc�... � melhor eu ficar quieta.

N�o, fale. Pode falar.

Ora, Diomede. Eu sempre fingi que n�o percebia.

- E sabe h� quanto tempo? - H� quanto tempo o qu�?

O que voc� finge n�o perceber? Diga, vamos!

Voc� sabe muito bem.

E voc� fingia que n�o percebia que eu tinha percebido...

e isso nos une. Est� bom assim, n�o?

Na verdade...

n�o h� nada nos unindo, Flora.

Vamos. N�o quero pegar pneumonia por causa de um velho maluco.

- Voc�s s�o surdos e cegos! - Duas coisas:

O babaca do Uliano n�o existe, e eu ia jogar o polvo na tua cara.

Bem, n�o t�m nada para ver ou ouvir!

Tentei pela �ltima vez com uma senhora de Viareggio que insistiu.

- Fiz um papel�o. - Ent�o ela era c�tica. Eu n�o sou.

- Acredito no senhor. Acertou tudo. - E da�? � minha especialidade...

mas � preciso conhecer os pr�prios limites.

Limite? O senhor � o rei da concentra��o!

"Honrado e reconhecido na It�lia e no exterior."

- Legi�o de Honra? - Veio no ovo de P�scoa.

Precisa ter mais autoconfian�a.

N�o tem uma personalidade insegura como a minha. Vamos l�!

- Quer experimentar j�? Agora? - Quando, ent�o? Amanh�?

Certo. Tagarelar n�o leva a nada. Vou escrever uma coisinha...

escondido.

N�o sei se vai dar certo.

- Olhou? - N�o.

Olhe aqui.

Parado. Nada de id�ias, nada de pensamentos, como sempre.

Quero, ordeno e juro.

Querem o infinito futuro.

Est� salgado!

C�us, n�o � poss�vel! O senhor tinha escrito "sal no vinho".

Abram espa�o.

N�o vamos dar import�ncia demais ao epis�dio.

- Mas � importante! N�o percebe? - Fique calmo.

Se tivesse mesmo esses poderes, eu iria satisfazer uns caprichos!

Sabe o que eu faria com aquele gar�om malcriado?

O que o senhor faria?

Eu o faria cair com todos os pratos!

Nossa Senhora!

Calma, ele n�o se machucou. � o seu jeito de servir.

N�o foi nada. Est� tudo bem.

Sim, sim.

Claro que pensei. O tempo todo.

N�o sei.

N�o, n�o falei que n�o.

Tamb�m n�o falei que sim.

Porque n�o sei mais nada.

N�o, s�o coincid�ncias.

N�o, o senhor tem uma carga de energia...

uma carga contagiosa, impressionante!

Veja o que vou fazer.

� uma coisa que jamais teria ousado fazer sem o senhor.

Adam, aconte�a o que acontecer...

Que estranho, ainda n�o apareceu ningu�m.

Quer parar? J� comeu dois quilos de grissini!

Estou com fome, vamos pedir!

Perd�o. Com licen�a. Sem querer, eu ouvi.

N�o, isso eu sempre digo. Desta vez, ouvi por querer.

- Ouviu o qu�? - O seu telefonema.

N�o, n�o ouvi o que disse. Mas h� algo que quero lhe dizer...

at� mesmo... para retribuir.

Sra. Flora...

faz mais de 15 anos que a senhora me cobra os mesmos pre�os.

� s� gra�as aos seus descontos que a infla��o...

afli��o suprema dos despossu�dos, para mim, n�o existe para nada.

Suas contas pararam em 1980.

Talvez a minha vida tamb�m tenha parado.

Est� falando demais.

Talvez devesse renunciar ao seu vinho.

Pois �. Talvez.

- E o que queria me dizer? - O qu�?

Sim, como n�o? Claro.

"A comida e as bebidas simbolizam...

a mesma condi��o humana"...

dizia um poeta amigo meu. N�o Maurizio.

Um verdadeiro poeta, de dois mil anos atr�s. Grego.

Consumir um repasto a uma mesa...

a uma mesa qualquer, de desconhecidos ou de amigos...

� algo que tem mais a ver com o cora��o do que com o est�mago.

Al�m disso, "conv�vio" quer dizer "viver com os outros".

E a senhora, minha bel�ssima "restauratrice"...

tem a melhor profiss�o do mundo.

Apesar disso, esta noite, est� um pouco melanc�lica.

Por qu�? Talvez o desejo novo de felicidade. Mas tome cuidado...

porque quando esse desejo parece ser uma possibilidade...

vem o sofrimento. Come�a a infelicidade.

Seria aproximadamente isso. N�o pretendo...

- Ou me perdi completamente? - Um pouco.

- Ol�, Arturo. - Professor.

Mas, sabe, sou eu que devo algo ao senhor.

Bem, fale, gosto de ser o credor.

Quando os homens falam com uma mulher...

t�m vergonha de mostrar uma qualidade que julgam feminina:

A gra�a. Alguns de voc�s n�o se envergonham. Mas s�o poucos.

- Obrigado, em nome desses poucos. - De nada, em nome das mulheres.

A conta.

A conta.

- O que acha? Ponho de volta? - D� no mesmo.

Mas talvez seja melhor p�r.

- Bom, eu vou embora. - Nem tocou na sobremesa.

Me liguem amanh�, mas n�o como domingo passado.

- Por que, o que aconteceu? - Algu�m me ligou �s 7:00.

- E desligou na tua cara, aposto. - Eu sabia que era voc�!

Engano seu.

No anivers�rio, eu podia escolher um ciclomotor ou um piercing.

- Escolhi o piercing. - Ele � t�o escravo da m�e.

- Seus tontos, Max foi � esta��o. - O que foi fazer? Rodar bolsinha?

- Ele ajuda os sem-teto. - Quem?

Os sem-teto, j� ouviu falar? Leva caf� com leite, cobertores.

Caf� com leite � meia-noite?

Esse a� precisa fazer trabalhos for�ados pra entender as coisas.

E por que ele n�o falou que ia ajudar os sem-teto?

Achou que iriam dizer: "Caf� com leite � meia-noite?" Mente suja.

- E ent�o? - Ent�o n�o.

Vai se arrepender de mais essa decis�o.

100 mil por noite. Mas nada de alho.

- O que tem o alho? - Evite o alho por causa do beijo.

- Que beijo? - O final!

Quando o inquisidor j� n�o exorta Jesus a falar para se defender...

Jesus se levanta do banco...

e lentamente, em sil�ncio, aproxima-se dele e o beija.

- Um beijo mesmo? - Na boca. O autor � russo.

Toda noite, um beijo? Em voc�?

Toda noite. Fora os ensaios. E, aos domingos, beijo duplo.

- Depois do beijo, cai o pano? - Sim!

Jesus responde com um s� beijo aos argumentos do inquisidor.

E derruba todos eles! Um desmoronamento!

Gostei! Bricco! N�o podia ter dito antes que acabava assim?

Assim que falou, senti um baque aqui, no est�mago!

O inquisidor fala, fala, fala, parece realmente ter raz�o.

Eu nunca respondo, nem sequer uma palavra.

Depois, no fim, me levanto, chego perto e dou um beijo em voc�!

E o inquisidor, como que por encanto, s� falou merda!

- Bem, n�o exatamente merda. - Como n�o? Merda!

Essa � a verdadeira sacada teatral!

Nem sequer uma palavra. Depois, com um simples beijo...

- Coisa de Mandrake! Bricco. - Sim, estou aqui.

Aceito entusiasmado. Estou em �xtase.

Em vez do beijo russo, vou te dar um beijo � francesa.

Est� bem, 100 mil por noite. Domingo podem ser duas sess�es.

Potente, extraordin�rio, excepcional! Vamos brindar!

Sa�de!

Al�m disso... � s� uma id�ia, j� foi usada no teatro.

Poder�amos nos revezar. Primeiro, sou o inquisidor, e voc� � Jesus.

Na noite seguinte, voc� � o inquisidor, e eu...

N�o, por qu�? Agora aceitei, voc� me convenceu.

Voc� � o diretor. Voc� fala e eu fico ouvindo.

- Eu interpreto Cristo, e voc�... - O babaca. Sim.

A Revolu��o de Outono virou a Revolu��o...

Outono-lnverno pret-�-porter de Bertinotti!

Quem est� vigiando este peixe, desgra�ados? Estava queimando!

O Outono Quente! At� parece! Saldos de outono!

Em San Giovanni, no lugar de Pietro e Enrico...

v�o Silvia e Gianfranco fazer concertos com o papa roqueiro!

Desfiles de alta costura!

Em vez de Luther King, agora temos Naomi Campbell!

N�o pouparam nada, nada!

Nem nosso companheiro Fidel, o l�der m�ximo!

De palet� azul e gravata!

"Hasta la victoria siempre!" E tome tango!

- Escuta aqui. - Falou comigo?

- Sim. Aonde voc� vai amanh�? - A lugar nenhum.

Muito bem. Esteja aqui �s 9:00 pra lustrar todos os talheres.

- Maurizio n�o pode fazer isso? - Ele tamb�m vem. S�o 1200 pe�as.

- Amanh� tenho compromisso. - Ent�o tinha, �?

- Poder�amos adiar... - Escuta, Fred Astaire...

se quiser continuar no emprego, esteja aqui �s 9:00 amanh�.

Adie o compromisso. Melhor, cancele.

Achou que ia ganhar uma moto maior aqui? Errou o endere�o.

- N�o entendi. - Eu acho que entendeu.

- E se n�o entendi? - Eu entendi.

- E voc� � o dono? - Ele tamb�m entendeu. 9:00.

- Agora v�, est� perdendo tempo. - Entendi.

Viu s�? E sem bater!

Professor, a sua p�ra. E n�o � de cera.

Lolla, chegou a hora de dizer aos seus ex o que combinamos.

Vamos anunciar o noivado e, ap�s o seu div�rcio, as n�pcias.

- Obrigada, querido. Tem certeza? - Sim.

Comigo n�o ser� feliz. Sou destrambelhada demais.

- Tenho uma id�ia por minuto. - Ser� a Sra. Petrosillo.

Com eles, voc� n�o teria futuro. Eles sabem.

Comigo ao seu lado, ter� paz, sossego...

Desculpe se me intrometo, senhora.

Dado o hor�rio, suponho que seus convidados...

...tenham sofrido um contratempo. - Talvez.

Ent�o, poderia fazer a gentileza de receber � sua mesa...

estes senhores, que est�o um tanto apertados?

- Pois n�o. � vontade. - Bem, ent�o...

- Podem vir. - Ela est� oferecendo a sua mesa.

Vamos l�. Vamos p�r a Sra. Lolla... Senta a�!

O cavalheiro, ali. O delegado, aqui.

Vamos, sem brincadeira. Sente-se aqui.

Assim poder� tamb�m divertir a senhora...

com seu gracioso humorismo aristocr�tico de cunho ingl�s.

N�o est� melhor assim? No fundo, � preciso t�o pouco para...

- Tudo bem. Bom prosseguimento. - Obrigado!

Vinicio, as fritadas.

T�nhamos convidado alguns amigos do meu filho...

para comemorar seu diploma no Chateaubriand.

Mas talvez um mal-entendido...

Permitam que me apresente. Meralda Pierr� Dall'Orto.

- Prazer. Lolla Traversi. - Rino Esposito.

- Vincenzo Petrosillo. - Vinicio Tittoni.

Meu filho Raniero. Cumprimente.

- Cumprimente. - Boa noite.

N�o sabia onde voc� estava. Fiquei preocupada.

- Falei pra voc� ontem de manh�. - E eu l� ia lembrar? O que falou?

Que comemoraria o meu anivers�rio com meus amigos. � minha m�e.

Justamente porque � seu anivers�rio, pensei que...

- Ol�, meninos. - Ol�.

- A titia n�o est� aqui com voc�s? - N�o.

Uma cozinha � o espelho do pa�s, da cultura.

Na cozinha ou em qualquer outro lugar, lutamos para tudo mudar.

Marina, estou aqui. Venha.

- Como vai? - P�ssima.

- Normal, ent�o. - O bolo, as velinhas...

Ontem deixei recado falando da festa de Simona. Voc� n�o estava.

Como ousa achar que eu esqueceria o anivers�rio da minha filha?

- Eu estava lembrando! - Quer fazer tudo sozinha?

Nem me passou pela cabe�a que voc� n�o ia lembrar.

N�o lembrei mesmo. Esqueci completamente.

E hoje de manh� n�o lhe dei os parab�ns, nem um presente, nada.

Sou realmente um monstro.

Flora...

estou em frangalhos. Interrompi a terapia. Foi uma zona.

Briguei com o analista. At� sa�mos no tapa.

Ou melhor, bati nele e ele reagiu, coitadinho.

Ali�s, coitadinho � a puta que o pariu! Devia perder a licen�a!

Meteram a m�o um no outro?

Nunca falei, mas tive uma transfer�ncia brava com ele.

E ele correspondeu. E, um m�s atr�s, o que descubro?

Ele ama outra!

- Est� apaixonad�ssimo por voc�. - Por mim? Mas nem o conhe�o!

Mas ele sim! Quem acha que foi o eixo de todas as minhas sess�es?

Como assim? Eu fui o eixo? O que voc� disse de mim?

N�o pode saber! Terapia � uma coisa �ntima, secreta!

N�o t�o secreta. Voc� sai por a� falando de mim. E ent�o?

O que eu disse? Que voc� � boa, esperta, alegre, forte, gostosa.

E o que mais?

Que desde pequena voc� tinha namorados �s pencas.

Em mim, ningu�m confiava.

E mesmo quando eu agarrava um, ele logo se apaixonava por voc�.

- Voc� � louca. - Querem 35 horas! Tudo bem.

Mas para fazer o que nas horas de folga?

Assistir � televis�o e jogar na loteria?

E, �s quartas, assistir aos jogos da Copa? Voc�s me d�o nojo!

E o que fez voc� entender que ele se apaixonou por mim?

Dizia que voc� era uma obsess�o pra mim e me fazia falar de voc�.

Detalhes, nuances, perguntas.

S� faltava me pedir o n�mero do seu suti�.

Sim, voc� � realmente louca. Chega a babar.

S� trancando e jogando a chave fora.

� f�cil falar, Sra. Perfeitinha.

Sempre chove na sua horta. Voc� � feliz.

- Como vai de galanteadores? - Como sempre. �s pencas.

Quer rir um pouco?

- Ex-fumante � um saco. - Sim, existe um galanteador.

- Conheci num concerto, h� um ano. - Voc� teve um caso?

Caso nenhum. Fomos a um bar, nos vimos algumas vezes.

� simp�tico. � gentil. At� me deu uns livros de presente.

Estava indo tudo bem, mas a� ele se apaixonou.

Imagine se n�o.

Quer rir mais um pouco?

Pediu at� que eu partisse com ele.

Partir? Pra onde?

- Bergen. - Onde fica?

Na Noruega. Ele trabalha no Instituto Italiano de Cultura.

Concederam-lhe um ano sab�tico. Agora precisa voltar.

Flora, o que voc� tem?

N�o te vejo chorar desde que eu tinha cinco anos.

- Ent�o voc� tamb�m est�...? - N�o, n�o � isso.

� que...

ele me liga, me procura todo dia.

Esta noite tamb�m ligou.

Aos 50 anos, vou largar tudo? O restaurante, Arturo?

Eu, Simona? Estou brincando.

- E quando ele vai partir? - Amanh�.

Eu poderia jurar que meus colegas n�o viriam.

S�o uns tontos, sempre fazem brincadeiras idiotas.

Roubam minhas coisas, p�em a��car no tanque da minha moto.

Outro dia, durante uma prova, me trancaram no banheiro feminino.

- S�o uns imbecis. - Ele � t�o sens�vel, uma cera.

- Tudo o magoa. - Posso?

N�o. Voc�s me permitem? Pode trazer aquele champanhe?

- J�? N�o estava esperando...? - N�o, traga. Com sete tulipas.

Champanhe! Viva!

Flora, voc� vai fechar a conta do professor?

Sim, j� vou. N�o, feche voc�. � o de sempre.

Sinto muito, nunca sei te dizer nada. N�o sei te ajudar.

Por que, eu ajudo voc�? N�o me parece.

Tome. Um presentinho. Era pra Simona.

- E da�? - D� voc� a ela.

- Como se fosse seu. - Flora...

eu te odeio.

Nada. Parou no terceiro andar. Nada de contrato.

O profissionalismo j� n�o conta. Chega uma com uma bela bunda...

e escreve a hist�ria da calcinha.

Tem um tipo que serve tamb�m como fax. � fabricado em Taiwan.

Entendo disso, consert�vamos tamb�m computadores.

- Seu pai est� chamando o senhor. - Francesco, ou�a...

Estou conversando, espere. O que estava dizendo?

- O senhor falava de computadores. - Quando estava no centro...

- Por que agora fala em dialeto? - Pra deixar a mo�a � vontade.

Tudo bem, quando eu era paciente do centro de recupera��o.

- N�o sei se conhece. - Sou do comit� de financiamento.

- � mesmo? - Sim.

Porca mis�ria! Desculpe.

� que no in�cio nem eram chamados assim. Estou falando de 1973.

Fui um dos primeiros. Tinha uns 17 anos.

Ainda chamavam os bagulhos de estupefacientes, lembra?

E meu pai...

Meu pai � engenheiro, mas na �poca tamb�m puxava fumo.

Usava cabelo comprido, poncho chileno...

...e tamancos holandeses. - N�o � verdade, n�o acredite.

T�nhamos um pouco de vergonha dele. Lembra, Alessandra?

Quando me flagrou, veio me dizer:

"Francesco, estou estupefato!" Falei: "E eu, mais do que voc�."

- Francesco, por favor! - Por favor, �?

- Alessandra, e o meu copo? - N�o � seu.

� meu. E o senhor n�o deveria beber.

Tem raz�o, linda senhora.

Irei com voc� Anor�xica Frederica

Descobriremos juntos Toda a "America"

Ficaremos unidos nos Estados Apaixonados

E n�o esfomeados

E eu?

Eu?

Ajudar o pr�ximo uma ova.

Mam�e, ficaremos mais unidas, voc� ver�.

Mam�e, agora preciso ir, sen�o vou perder o trem.

Te amo.

- Adamo... - Sim?

...disse que minha personalidade � 50% da m�dia, certo?

Sim, mas a minha tamb�m n�o � grande coisa.

19 mil.

Justa harmonia entre pre�o e qualidade.

- Qual o porcentual da sua? - Digamos 60, 65%.

Ent�o, juntos, temos 110, 115%.

- Acima da m�dia. - Certamente.

N�o se d� conta do nosso potencial somado?

Quer dizer que os dois juntos estamos prontos para...?

- N�o, n�o. - Para?

- Para o experimento de Bruckner! - N�o!

Pode ser. Mas nos compenetramos o bastante?

Aceita desafiar os limites que a natureza imp�s ao homem?

- Seria il�cito? - Com Bruckner, nunca se sabe.

Mestre, afinal, o que � o experimento de Bruckner?

Levita��o! At� o teto!

V� l�. Segure-se na cadeira.

Pronto? Olhe aqui. Parado!

Parab�ns pra voc�

Nesta data querida

Muitas felicidades

Muitos anos de vida

- Pra voc�. - Obrigada.

Que lindo, mam�e!

- Boa noite. - Ol�, Flora.

- Quem s�o? - � uma surpresinha pra voc�.

Para o senhor, professor. Ao menos isto vai comer.

Aqui est� o endere�o da loja.

Seu anel � lindo, sabia?

- Este? - N�o, este.

Obrigada.

Ganhei quando minha filha nasceu.

Eu tamb�m queria muito um filho. Ali�s, uma filha.

E n�o...?

Olhe, � melhor assim...

do que v�-los indo embora e perd�-los pra sempre.

A sua foi para muito longe?

Sim. N�o. Bagnoregio, n�o sei se...

Sim, claro. Perto da sa�da para Orvieto. Menos de 100 km.

Sim, mas entre uma m�e e uma filha n�o s�o os quil�metros.

� que os relacionamentos, quaisquer que sejam...

n�o crescem sozinhos.

T�m de ser cultivados. Regados, podados...

cuidados, como minhas beg�nias. Gosta de plantas?

Gosto. Elas � que n�o gostam de mim.

Tenho... como se diz? O dedo preto?

Claro, � preciso tempo, paci�ncia. N�o vai nem provar?

Nosso Duilio, mais que cozinheiro, � �timo confeiteiro.

Eu gostaria, mas...

preciso me cuidar.

- Veja. - E est� reclamando? E eu, ent�o?

Na cidade do meu marido, dizem que S�o Jos� me passou a plaina.

- Flora, voc� vem? - Estou indo, Marina!

� minha irm�. Com licen�a.

Boa noite.

Desculpe, professor, n�o sei...

...se devo lhe dizer ou n�o. - Como quiser.

N�o quero fazer fofoca, mas � por solidariedade entre homens.

A mocinha que estava com o senhor, quando levei o xale...

estava ao telefone com um tal de Luca.

"Sicut erat in votis".

J� era de se esperar.

Sim. Hor�cio. Agradecendo a Mecenas uma propriedade...

que ganhou de presente, em Frascati, acho.

Eu n�o sabia.

Mas n�o sei se fiz bem em contar ao senhor.

No entanto, me parece contente.

Contente? Na nossa idade, � poss�vel ficar contente?

Apaixonados, ent�o...

...ficamos rid�culos. - Com licen�a.

Muito obrigado, boneca. � sua sa�de.

Obrigada.

- E � sua. - � sua.

Diga sinceramente, professor...

ent�o, h� pouco, com aquela jovem, apenas fingiu ser...

Babaca?

Obrigado pela d�vida. Sim, eu fingi.

Mas n�o foi t�o dif�cil, porque...

...um pouco babaca eu sou. - E quem n�o � um pouco?

E depois, fuma at� cachimbo.

- Quanto a mim, sabe... - Acredito no senhor.

S� queria puxar conversa, como sempre.

Isso eu tinha entendido. Tinha entendido.

� uma rotisserie chinesa.

Agora damos risadas, mas na hora foi feio...

...embora eu tivesse 7 ou 8 anos. - Tamb�m lembro uma vez...

...quando estava com meu pai... - E n�o tem mem�ria? Lembra tudo.

A mem�ria distante � mais resistente.

Eu, meu pai, minha m�e e minha tia est�vamos num abrigo.

- Dormiu. - Pobrezinha.

- Precisa tomar tantas porcarias. - E inje��es uma vez por semana.

- Ela parecia estar melhor. - Como ser� que se sente?

Bem. Me sinto bem. Um pouco cansada, mas bem.

- Esta � a melhor hora. - Claro, s� os jovens trabalham.

Voc�s, que s�o cultos, permitem uma pergunta um tanto pesada?

Por que acho os jovens um p� no saco? Ser� que � a idade?

Pensa que os jovens n�o nos acham um p� no saco?

Mas o saco deles � mais resistente.

Pode ser a idade, mas acho todos um p� no saco, jovens e velhos.

Eu n�o. Eu me contento em ser um p� no saco dos outros.

Isso tamb�m � bom.

- Boa noite. - Boa noite, professor.

3 mil de gorjeta � o bastante? 4 mil.

Bons esclarecimentos!

Podem aparecer l� em casa no domingo, se quiserem.

- Basta um telefonema. - Podemos levar doces.

- Simp�ticos eles, n�o, Raniero? - � verdade.

Voc�s tamb�m s�o!

Meu marido!

Trocinho! Voc� estava aqui me esperando?

Eu acompanho voc�. Assim conversamos.

- Mas sem me bater, certo? - E quando foi que bati em voc�?

Segurem-me, sen�o quebro os ossos dele!

Se quiserem, ofere�o um caf� no bar do Tritone.

- Claro. Assim batemos um papo. - �, conversamos um pouco.

- Esclare�amos. - Sen�o o mundo fica em crise.

Concordo. Esclarecer!

Boa noite.

- Est� totalmente b�bado. - A maninha! A bunda da maninha!

- Viu no que d� faz�-lo beber? - Eu o fiz beber?

Sou sempre o bode expiat�rio.

Boa noite!

Tchau.

Professor, estamos indo.

Um momento, eu vou ver.

Sra. Flora, telefone!

- Quem �? - Um tal de Dr. Berard.

Diga que j� fui embora.

N�o, a patroa j� foi embora. Obrigado. Boa noite.

Tchau, Flora. Amanh� eu ligo e falaremos daquele assunto.

Sim, mas est� tudo certo. Falaremos daquele outro assunto.

- O senhor tem carro? - N�o, pego trem em San Silvestro.

- Onde o senhor mora? - Porta Furba.

Mas a esta hora n�o tem mais metr�.

Adamo, tenho um apartamento de dois quartos, com terra�o.

Moro sozinho com uma gata.

Pode dormir l� esta noite. O que me diz?

O que digo? Ernestino, eu... Sinceramente, estou comovido.

Garanto que sou uma pessoa discreta.

- Viajei at� em vag�o-leito. - Ent�o vamos! Eu ficaria feliz.

- Nesse caso... Vamos de t�xi? - Tudo bem.

Tentar n�o faz mal.

- Suba. - Fico aqui?

- Fique na frente, sabe o caminho. - Claro.

Tudo certo? Pronto? Olhe que vai ser do cacete.

- Vamos? Up! - N�o, eu falo "up".

Quando eu contar at� 3. 1, 2, 3.

Mogadiscio 5, em tr�s minutos.

No meu pa�s, esse prato se chama "pastiche de roux".

- E � um pastiche mesmo. Dos bons. - Que pastiche.

- Valorizemos o nosso Duilio. - Voc�s est�o acabados aqui!

Ou s�o demitidos em massa, ou eu demito voc�s!

- Devolve, canalha. - O que voc� quer?

O aut�grafo de Yevtuchenko. Voc� tirou da minha carteira. Ladr�o!

Pra que vou querer seu aut�grafo? Precisa de um neurocirurgi�o.

Maldito toscano! Ele me deu em 1981, no Festival dos Poetas!

- No Festival dos Veados. - Uliano, juro que mato voc�!

Quanta hist�ria por causa de uma brincadeira!

Pus seu rabisco no freezer, junto com o peixe!

- Aqui s�o todos estressados! - Patife.

Valorizemos nosso Maurizio.

"Ao amigo poeta Maurizio."

Yevtuchenko escreveu isto.

Sente-se.

Sempre brincando. Voc� brinca, brinca...

O que tem nessa cabe�a oca? O que tem? S� motos e mulheres.

S� duas coisas: Motos e mulheres.

Tenho mais 16 presta��es a pagar, e n�o sei como vou fazer.

Vai ver s�.

Vou vender, que se dane.

Afinal, estou sempre sozinho. As mulheres? Que mulheres?

Desde que vim para Roma, queria ter visto uma s� mulher, Silvano.

Uma s�! Uma!

Fa�o gra�a com as clientes, as mulheres do restaurante.

Mas sei que nenhuma me olha porque sou feio como um sapo.

- Voc� n�o � feio. � feio? - N�o, n�o � feio.

Voc�s n�o s�o feios! O problema de voc�s � que s�o ignorantes!

Como cabras, n�o sapos! S�o vazios por dentro!

Olho pra voc�s, mas s�o t�o vazios...

que, se me debru�o pra olhar, tenho vertigem!

- Oito a zero. - Morram todos.

Tchau, Arturo, Flora. Boa noite a todos.

- A gente se v� amanh�. - N�o conte muito com isso.

Vamos l�, um pouco de concentra��o.

Um pouco de aten��o.

- Nossa, que m�o! - Menghi! Puta merda!

Tenha paci�ncia! J� perdemos uma fortuna aqui!

Lembrem-se: O jogo � uma coisa s�ria...

que requer um regulamento, requer disciplina...

requer sil�ncio, � isso!

Quem est� jogando, e muito mais quem est� assistindo...

tem de fazer sil�ncio! Tem de ficar calado.

- Mande-o ficar calado! - J� mandei a noite inteira.

Escopa!

- Muito bem. - A culpa � minha?

Por que n�o fiquei com meus pastores?

Boa noite.

Desculpem, mas... escopa!

Perd�o, Sra. Flora...

mas a senhora tem um rabo como nunca vi.

Tamb�m, o senhor jogou o tr�s.

- E o que eu devia jogar?! - Uma carta alta.

Sil�ncio!

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