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Meu nome é Hiro e essa é a banda Molotov.
Peraí, peraí.
Agora uma pausa. Já tô de volta, pessoal.
Sandro Sanderlei.
Como é que é?
Relaxa, ele é só um moleque. Moleque é tu com esse cabelo escorrido, Mané. Ele
idêntico ao cara.
Ô, moleque.
Olha bem pra isso aqui.
Olha.
Ó.
Olha o meu cabelo. Tá vendo algum cortezinho da moda? Hein?
Você me viu cantar galopeira no palco, por acaso? Cantou? Por que você não pega
o seu amigo e vai fazer uma dupla sertaneja, hein?
Sertaneja é o caralho!
Já escolheu, filhinho?
Mamãezinha!
Mamãezinha! Hoje é aniversário do Júnior e ele queria uma guitarra nova.
Tá virando mocinho, então, Júnior?
Bom, a gente tem aquela ali, que é uma guitarra perfeita pra iniciante.
Eu quero aquela.
Uma Les Paul?
Ô, Juninho, é que você não tá pronto pra uma guitarra daquelas, né? Não te
pergunto nada. Por que você disse isso em relação à guitarra? É que essa é uma
guitarra profissional. Como se você desse um carro de Fórmula 1 pra alguém
acabou de tirar a carteira. É, mas às vezes é bom, né? Pra quem tá começando,
inspirar, né?
Às vezes a gente tá aqui diante de um futuro aço do rock.
Tem cara que gosta de tocar uma bateria, uma guitarra.
Toca um.
Opa, atende aqui a senhora, fecha o negócio aqui da Lesfô com ela, tá bom?
Tá aqui, ó. Cuida dela pra mim, por favor, Heródoto. Cuidadinho. Uma
por favor.
Heródoto. Passa a linha.
Passa a linha.
Você sabe que isso aqui é uma loja, né? Mas é um moleque, seu Castelo. Eu sei,
mas você sabe quanto tempo faz que a gente não vem de uma década?
Só não quer levar o polelê, não? Não. Até pra mostrar. Ele deveria levantar as
mãos pro céu. A mesma guitarra do Jim Page, do Elex.
Nenhum deles paga as minhas contas. Nem os seus salários.
Preciso desse emprego, seu membro. Eu acho que já deu. O teu tempo aqui já
E aí, mano?
E aí que eu não sei como é que eu vou pagar meu aluguel, eu penso. Ai, não
acredito.
Ô, é, tem um tio meu que... Tio?
É. Você nunca falou do seu tio? Ah, aquele segundo, o terceiro grau, não
direito. Mas a questão é a seguinte, ele tem uma banda que toca em baile de
formatura. A gente podia falar com ele. Não, não de formatura não, Pância. Por
quê? Aquele monte de gente bêbada.
Ainda corre o risco de alguém me confundir com você, sabe quem, e me
cantar a música daquele idiota, né?
Sem chance.
Então tá.
E como é que você vai fazer com o aluguel, hein?
De que é possível?
Como é que é?
É que tem que falar pra fora, que eu não consigo escutar. Vai falar onde é a
formatura. Ah, gostei. Assim, isso mesmo. Vou ver e te falo, tá?
Ô,
hã? Pança.
Você não vai, não?
Com você?
É. Me demitir?
Mano, a gente é muito brother, né?
Mas também tem meu lugar pra pagar.
Tá rindo o quê, ô caipira?
Sandro Sanderlei e Tânia Folia não estão mais juntos.
Acabaram de terminar.
E dessa vez, é pra valer. Porque foi ela quem terminou. E ó, as minhas fontes,
que não me deixam mentir, me falaram que ela já tá tendo um caso com um jogador
famoso. Fala mais, ô, boca de caçapa.
Barra tá pouco.
Fica aqui, minha filha. Fica aqui.
Patrão? Fala muito do papai, né? Tá bebendo uísque, ô.
Meu Deus do céu, era pra estar de jejum. Eu posso fazer isso aqui, Naldo? Olha
lá pra você ver, Naldo. Olha lá pra você ver, ó.
É, Sandro, será que quem é rei não pede a majestade mesmo?
Porque no seu caso, eu acho que daqui pra frente é só pra trás.
Meu filho, não dê ouvidos a esse Chantecler, não. Se é vexado, só fala
Lagou porque eu tô gordo, Naldo.
Que gordo? Você tá forte.
A gente tá forte, rapaz. Que isso?
Esquece isso.
Com o novo disco, a turnê, vai voltar tudo ao normal.
E com essa nova lipoaspiração, você vai ser o gato número um nas paradas. De
novo.
É, mas olha, tu descansa que amanhã, seis horas da manhã, eu tô te acordando.
Seis horas da manhã, não. É, porque você tem que estar às oito horas.
Oito horas lá na clínica. E de jejum, porra.
Vai pra lá, ô, filhote, com os pretos. Vamos se ligar que já passou dos trinta.
Por isso que eu gosto muito mais do Luan. É a longa estrada da vida.
Vou correndo e não posso parar.
Seu Aguinaldo?
Ô, doutora, escorreu tudo bem? Deu tudo certinho? Vai ficar. Quer dizer, se ele
acordar hoje.
Se ele acordar?
Como você não me avisa que ele tinha bebido?
Doutor, ele tomou meio gole, eu arranquei o copo da mão dele, mas o
mais do que os carros dele todos juntos.
E agora eu vou fazer o quê?
Ligar pra imprensa, cancelar a turnê? Não, não.
Essa história não pode sair daqui, tem que ser blindada.
Qual é o prognóstico? Não sei dizer. Ele pode acordar hoje ou daqui a um ano.
E agora já?
A gente vai esperar uma semana.
Se ele não melhorar, a gente avisa pra imprensa que ele entrou com uma crise de
apendicite e acabou ficando.
Vai ser uma comoção nacional.
Materem tudo quanto é veículo.
As vendas vão aumentar.
A gente pode até fazer um filme biográfico.
Não,
mas é claro que a gente quer que ele melhore.
É, claro.
Eu vou contar logo pra imprensa.
Oxi, tá doido, Guina?
Não vai fazer uma bestade dessa que eu não vou deixar?
De jeito nenhum. Vai que aquele cachaceiro acorda. Não, fale assim no
Ele tá passando por uma fase ruim. É, fase ruim tô eu.
Vindo aqui com você de novo nesse lugar, tomando essa pinga até vergonha que ela
serve aqui pra nós.
Pronto. Alô, tio?
Oxi, Carlinhos? Não, é o Nelson.
Quem? Filho da Sônia. Que Sônia?
Sua prima.
Ah, diga, Gelson.
É, Nelson.
Falei com você ontem. A gente já tá aqui, já. Tá, eu tô aqui no escritório
amigo, numa reunião importante.
Vai começando aí sem mim.
Alô? Alô? Tio?
Tio.
Ah, é.
Pera aí.
Tá bom, tio. Tem que desligar aqui.
Também te amo.
Falou.
Me adora. Meu, dá uma olhada nisso.
Tô parecendo um bolo de casamento, né, Panza? Ah, tá parecendo mais um
azul. Você que é o vocalista? Dizem que sim. É, satirista.
Rala, rala da paixão.
Dança da cobrinha. É sério. O quê?
Algum problema?
Não. Não.
Tá incrível o repertório. Parabéns, viu?
Opa, tá maluco, opa. O que tá fazendo?
Tô limpando minha mãozinha.
Limpando a mãozinha.
Limpando a mãozinha. Tu sabe o que é isso aí, opa? Não.
Essa cortina foi utilizada em 1989 na turnê inesquecível antológica do Vando,
Obsceno. Se sujar, vai pagar.
Bora, canário, vambora.
Muito boa noite, senhoras e senhores. Com vocês, a
banda Top Cat.
Uma luz azul me guia com a firmeza e os lampejos do farol. Anima!
Luz reciclada de cima e a visão dos perigos de fregar.
Oi, já te falaram que você parece muito o Sandro Sanderlei? O Sandro Sanderlei?
Aquele sertanejo caipira?
Sim! Me disseram infinitas vezes.
Você pode tirar uma selfie com a gente, então?
Hashtag na balada com o Sandro Sanderlei.
Já tá com um grupo, hein?
Cara,
dá aí uma mansa corno. Agora, Mestre? Duplo, por favor. Tá animado, Antônio?
É, porque agora a cobra vai fumar, entendeu?
Repique dobrado. E o seguinte, hein? No final, é pra tocar uma do Sandro
Sanderlei.
Ah, perfeito.
Ótimo, eu tava esperando pra cantar, só no Sanderley. Galera, vem, Tony.
Olha, que beleza.
Não, rapaz, que isso?
Isso não é suco, não.
Tá bem? Bateu, hein?
Mas, ele vai ficar bem?
Não, relaxa.
Isso aí é melhor que energética.
Dá dois minutinhos pra ele, vai ver só.
Dança da cobrinha, vai.
Vai mexendo a cinturinha, pra frente e pra trás.
Pega esse chucalho e vai.
Rebomando gostosinho, ela é puro verão.
O vapo, o vapo, eu tô solteiro. O meu carnaval é de janeiro a janeiro. Vai em
casa, o coro come.
Alô sentimental inestimável. Essa cortina participou da turnê do Wando.
89. Eu vou com o pau da cortina pra você. O tiozão do meu coração.
Lá vi você na serra, teu sobrinho desse tamanho.
Então, o palco tava molhado e eu acabei escorregando. Escorregou, caiu. Meu
padinho, padinho. Pegou fogo tudo.
Meu Deus do céu.
Fica quieto, fica aí. Peraí.
Tem um diagnóstico.
Guina!
Rapaz, Aguinaldo, venha pro clube agora.
Venha.
Meu Deus, o que você tá fazendo?
Tô emitindo aqueles freibas.
Everybody.
Velho, para de mexer com nós.
Tô nervoso, mano. Deixa eu mexer aqui.
Ô, imbecil. Tira, amor, o equipamento. Você não pinge a rotina lá.
Brincadeira, hein?
Rapaz, chegou o homem. Ah, Aguinaldo.
Aguinaldo, beleza, bom dia. Fecha os olhos.
Tá fechado, torna aqui. O menino, prenda esse cabelo aí e vem aqui, faz favor.
Ajuda ele aí, Gil. É Nelson.
Rapaz, eu tô com o menino lá no hospital todo entubado.
Não deu. Não deu?
Calma, calma, calma. Não tem mais bem que podia ser, né, velho? Meu nome é
Riro? Mas tirando essa cabeleira...
Esse alvo de figurinha aí no corpo.
E a cicatriz na testa.
É o samba. A ideia de qual samba, meu Deus?
É a salvação da lavoura!
Peraí, peraí, meu. De que lavoura vocês estão falando?
Meu filho, preste bem atenção na proposta que eu vou lhe fazer.
Que é uma em um milhão. Que tal você fazer uma turnê pelo Brasil todo?
Num lugar do samba também.
Eu vi isso.
Acho que eu não ouvi direito.
Você quer que eu canche em lugar do samba. Não vai cantar não, meu filho. É
mímica e playback.
Sertanejo, meu negócio é rock and roll.
Que negócio é esse? Dois homens grandes, babudos.
Isso aqui é o quê? Coisa feia?
Muito obrigado pela proposta irreculável.
Mas nós estamos vazando.
Temos um compromisso. Preciso levar minha avó para o judô.
O que é isso? O que é isso?
O que é isso? O que é isso? O que é isso? O que é isso?
Fala um negócio desse.
Esse prejuízo aí ficou em quanto? Quarenta no mínimo. Tá de brincadeira,
velho? Isso aí fica em dez conto, no máximo.
Dez conto. Então faz o pix aí, dez pirulitos. Vamos resolver.
Faz o pix aí, pança.
Não, não tenho dinheiro, não.
E aí? Tô sem bateria no celular.
Eu também não gosto de tecnologia. Ah, velho. Pra cima de mim com essa
Vocês dois são lisos, rapaz. Olha só, filho.
Açucarar a proposta.
Eu lhe prometo que eu mesmo vou produzir o seu disco solo depois
dessa turnê.
E aí, o que você me diz?
Velho, eu acho que não fui claro ainda.
Tchê -tchê -tchê, seu guarda, eu dormi na praça.
Meu, eu gosto de rock.
E rock pesado.
Ah, não, de novo. Para com isso aí. Fiste nisso. Vamos começar aqui. Peraí,
peraí.
Mano, você tá maluco?
É a nossa chance de gravar um disco.
Você quer ser a Rody do Genival pelos próximos 10 anos tocando embalido por
matura até pagar a dívida que você fez hoje?
Eu preciso pensar. Pensa no caralho, mano! Tá maluco? Bateu a cabeça no chão?
Tô parido! Você tá parido! Minha mãe é a sangue do meu sangue.
Tá.
Você venceu, Pâncio.
Mas, ó, a gente só vai se transformar esse sertanejo.
A gente tem uma conclusão aí.
Eu topo, mas com uma condição.
O Ansoola tem que estar na banda.
Tu toca alguma coisa, gordinho?
Batera, mano.
Pensa no sobrinho pra dar orgulho. Você nem lembrava o meu nome. É Nelson.
Ansoola, o meu é Rio.
Sandro, a partir de hoje, teu nome é Sandro. Quer ver?
Né, depois que a gente dá um tapinha no visual, cortar o cabelo. Ó, ninguém
tasca a mão no meu cabelo não, viu? Que isso, mano? Que infantilidade é essa,
mano? Cabelo cresce. Eu também, filho. Que?
Fale tu, metaleiro. E agora?
Tá da mal, né?
É, tá zoado.
Valeu, velho.
Tamo junto.
Já? Eu não preciso lhe dizer que tudo que você ouviu aqui é da mais alta
confidencialidade. Sim, senhor. Fica o caralho. Fica tranquilo, porque na minha
boca não entra mosca, senhor. Tá certo.
Bem -vindo ao seu novo lar.
Brega, hein?
Para com isso.
Me passa.
Dona Cida! Como vai?
Tudo bem, Dona Cida?
Tá tudo bem.
Peguei o homem lá numa festa de fantasia. Ele tá de andarilho de rua,
gente. Walking Dead, sabe?
Eu irtei, patrão.
Ah, muito obrigada. Eu não bebo. Mas se tiver um suquinho de laranja, alguma
coisa assim, pode me chamar de riro, tá?
Sandro, Sandro, meu nome é Sandro. Você me conhece, né?
Eu moro aqui, né? Você trabalha aqui, né? Há dez anos.
Dez anos aguentando o Sandro, não, sério, me dá um abraço. Meu Jesus,
ele está em beba.
Parabéns, você merece tudo de melhor. Ele vai tomar o corvo.
Desculpa aí, pelo amor de Deus, meu filho. Se comporta.
Mas, puder, tabaca de choro de uma vez, ó. Em primeiro lugar.
Sandro Sandelli jamais negaria um copo de uísque, muito menos abraçado ou
nascido. É que eu não tenho o que fazer, né? Eu não bebo.
Agora, fala a verdade.
O que aconteceu com o Sandro?
Ele viajou.
Viajou com um torneio marcado, Aguinaldo. Foi fazer um retiro
Sabe, essa separação de tânia folia mexeu com a cabeça dele.
Pô, tu não lê os noticiários?
Eu não tô ligado em fofoca de celebridade.
Essa aí é talofolia.
Aliás, vou ter que lhe ensinar a lhe dar quais for, meu Deus.
Por quê?
Porque elas vão te comer vivo.
Olha o patrão aí.
Ele é morador de rua?
Isso aqui é o estilo metal, mais respeito, por favor. Se for metal, ele
arrujado, meu filho.
E as tatuagens?
Te cobre com maquiagem.
Não sai na água, é estrangeiro.
Parabéns, Aguinaldo. É quase um milagre.
Prazer. Jax.
Jax Barreto?
Da Parthenon Records?
Ele mesmo, ao vivo e em cores.
Eu mandei um CD demo da minha banda, Molotov. Você chegou a ouvir, velho?
Senhor. Senhor é melhor. Você vai fazer muito sucesso como Sandro.
Só falta a gente saber uma coisa.
E um, e dois, e três.
Você é meu pai!
Ok.
A gente já viu que você sabe cantar, mas tem um problema.
Você tá tirando o sarro da música.
Eu?
Que isso, meu. Eu não faria uma coisa dessa de forma alguma.
Ninguém é idiota aqui, rapaz.
Você pode achar uma porcaria esse tipo de música, mas ninguém vende 50 milhões
de álbuns à toa.
É bom você começar a respeitar esse público.
Eu confio no teu talento. Mas eu preciso saber se você vai ser profissional.
Entendeu?
Vai ter que ensaiar todo dia com a banda até o show.
Sim, senhor.
Meu contrato. A questão da confidencialidade.
Tá tiradinho, Barton.
Ô.
E... E meu disco?
Eu prometi pra ele, Barton.
A produção saiu do seu bolso.
E só depois de terminar o nosso contrato de três meses?
Meu, ninguém falou em três meses comigo, velho. Vocês estão brincando, né?
Boa turnê.
Sim.
É desse jeito.
Mas se ele não tivesse gostado, não teria dado luz verde.
E, ó, não se preocupe com o teu disco, que eu sou um homem de palavra.
Eu sempre quis entrar num estúdio que nem aquele, tá ligado?
Mas agora que apareceu a oportunidade, sei lá, não é nada do que eu
imaginava, sabe?
Nunca é, filho.
Olha, eu vou contar uma história pra você.
Quando eu e o Val, o Genival,
Tinha tua idade.
A gente era produtor musical de uns grupos bregas, sabe?
Aquilo genérico de Vando, Reginaldo Rossi.
Até que um dia, a gente entra num bar local, a gente dá de cara com um menino,
franzinho, com a voz meio mole, sabe?
Faz uma música que grudou na minha cabeça, feito chiclete.
Eu ouvi aquela voz me dizendo, Aguinaldo...
Você não vai deixar passar essa chance de lapidar essa joia rara.
Resultado? Você até nem estourou. E aquele menino com a voz melosa, que você
tanto não gosta, virou esse capeta fenomenal aí.
O que quer dizer, filho?
É que oportunidade como essa não bate duas vezes na mesma porta, não.
Viu?
Ei, boniteza.
E aí, pronto pro seu dia de princesa?
Vai dar tudo certo.
Ô, Aguinaldo.
Eu gastei todo o estoque de lubrificante do Sandro pra entrar nesse carro. Vai
arrasar na turnê. Se embora.
Por que ele tem tanto lubrificante em casa, hein?
Filho, depois eu explico.
Ah, não.
Meu, o que fizeram com você, pancita?
Olha que roupinha, todo sertanejinho.
Nossa, que lindinho.
Tá me devendo um homem.
Meu, sério, eu acho que eu tô devendo duas, pançola.
Tá rindo o quê, ô?
Você viu seu cabelo?
É, eu tô parecendo o Lucas Luto.
Lufos. Lupo. Lucas.
Lucas Safadão.
Ah, é.
Bora que nós estamos atrasados.
Oi, vem cá.
Seu nome é Jarbas mesmo?
Na verdade é Cláudio, mas como o senhor fica me chamando de Jarbas por zoação,
aí pegou.
Bom, mas pelo menos o Jarbas tá empregado, né?
Seu Sandro.
Posso botar um Lucas Safadão pra dar uma relaxada? Bora.
Peraí, cowboy.
Esquecendo de um detalhe.
Olha que maravilha.
Nossa.
O homem usa isso aqui pra compor aquelas músicas maravilhosas. É só musicão, né?
Eu gostei, mano.
Só falta ter nome.
Lurdinha. Lulu, pros íntimos.
Lurdinha, meu. Que nome, vai.
Fofo. Minha tia chama Lurdinha.
Fofo.
Você é a Lurdinha. Ela vem de marmita no bexiga, meu.
Prepara, Magalhães. É agora?
Ainda vai ficar com essa cara, é? É a única que eu tenho, meu pai. Óbvio, você
prometeu. Mãe, você sabe que eu tô dando o meu melhor, não?
Mãe, não!
Mãe, como a gente vai sofrer, gente?
Você e a banda vão pro hotel.
Eu vou ficar de olho nesses dois lá na fase.
Ah, é? Você vai pro bem bom, né? Tá certo. E eu vou com a graxa toda pro
hotelzinho. E pega leve aí no frigobar.
Carrega pra mim, velho. Aqui.
Olha só, cowboy.
Não se esqueça, Prefeito Bento, Primeira Dama Matilde e a filha Lully.
Uma coisa que eu tenho que lhe falar sobre a Lully.
Sandrão, meu amigo!
Prefeito Bento!
Que isso, que formalidade é essa? Para você, é bem... Obrigado, viu?
Tá bom?
Sandrão! Como vai?
Continua um gato, hein?
Segura a beterraba, então.
Seu Beto!
Beleza, Betão? Como é que vocês estão? Ah, melhor agora que a chegada do meu
feio. Saudade de feio, né? Olha a surpresinha!
Em nome da cidade da nova esperança, seja bem -vindo. Que gracinha, Nuri.
Obrigado.
Sempre brincalhão!
Você é quem mesmo?
Pai, para que eu vou descendo. Não está vendo que ele está saracoteando com
você? Ah, para com isso. Para de bobageira. É só para quebrar o gelo.
É que ela voltou da gringa agora, né? Está toda em outro patamar.
Você fala, hi, hi, hi.
Não dá nem para reconhecer.
E você atrás aí?
Eu? Esse grandão é você mesmo. Essa famosura aqui é o novo baterista do
O Nelson.
O Panza.
Ah, você pode me chamar do que você quiser.
Ó, prazer. Meu nome é Matilde.
Nossa, prefeito, só tem filha bonita, hein?
Tá vendo, paizinha? Ó o respeito. Tá meio chavecando aqui.
Nossa, que lindo aqui, hein?
Verdão, parnasiano.
Ué, então pode vir aqui no Lembra? Ah, é, é.
É porque tem tempo, né, Matilde? Não é chaveca boa, não.
Droga. Tudo bem, hein?
Ah, estava sem sinal. Pode embarcar o carro aí.
Olha, seu prefeito, só pode deixar que eu vou tocar na reunião lá na câmara.
Depois eu falo com você. Isso, faz isso, faz isso, faz isso. Ó, chegando, irmão,
chegando. Sejam bem -vindos. Eu sei que não tem o luxo da casa de vocês, mas eu
quero que vocês se sintam à vontade em casa.
Obrigado, Betão.
Olha, vocês ficam à vontade, tá? Vocês vão se incomodando. Eu vou tirar o
almoço. Ah, ali, aí.
Eu mandei fazer, hein, Sandro? Um saravulho, você.
Olha, que tal que é saravulho? Você adora saravulho?
Eu amo saravulho.
Infelizmente, estava sonhando com aquela paçoca de carne seca, com caldo de
piranha, que a senhora faz tão bem.
Piranha aqui é o que não falta.
Olha só que bom, né?
Eu acho que não existe nada melhor pra saúde do que uma boa de uma piranha.
Você não acha, não, Sandrinha?
Aham, concordo.
Raizinha que sabe.
É, concordo, eu sei, concordo, né? O que interessa é comer, né? Meu Deus, hoje
vai render.
O que é essa rabula? Não faço ideia, não sei comer, mano.
Vamos?
Meu, meu.
Por que ela tá me tratando desse jeito?
Porque vocês, quando eram mais novos, tiveram um rolo.
E quase virou namorou. Sério?
É, mas ela te odia.
Sério? Sério. Por quê?
Eita! Ele é!
Vamos encher o bucho.
Vamos, bora.
Bora.
Mais uma aí, Guinaldo?
Quero não. Só de ver o pança bebendo, perdi a vontade.
Mas eu tô com vontade. Jofre, bota mais um pouquinho aqui.
Ei,
tem certeza, sendo que não quer mesmo?
Tá um melzinho, hein? Tô te estranhando. E deve tá boa, hein? Deixa eu cheirar,
peraí.
Hum, delícia. Mas sabe o que que é? Eu tô fazendo detox.
Deu o quê?
Toque de detox. É desintoxicação, amor.
Larga a mão disso, rapaz. É só uma pinguinha, não tem tóxico nenhum, não.
tô querendo dar uma desinchada, sabe? Pra mim, você tá perfeito.
Obrigado. Tá bem gostoso.
Mais gostosa mesmo é essa pinga aqui. Não faço questão, você vai sementar.
vai sementar.
Ah, vai.
Nossa, que delícia. Que aí,
Bertão? Como é que tá o preparativo pro show e pro clipe? Bebe você. Não, vou
brigar comigo.
A Lully tá cuidando da produção desde que voltou de Londres. Que chique, hein?
Você foi pra Londres?
Com a Lully encabeçando o show e o clipe, eu tenho certeza que vamos
a boca do balão.
A Isabela Falcão tá vindo na pazinha na manhã. Isabela Falcão?
Nossa, mulher, é um telo.
Tesouro. É um tesouro. Ela trabalha muito bem. É, ele é muito fã dela, né?
Nem me fala, eu também sou fã dela demais.
Também? Nossa, sou muito fã dessa mulher.
Nossa, ela é a maior modelo do Brasil, vocês sabem, né?
Maior modelo do Brasil na minha fazenda, gente, que é tudo.
Sua fazenda? É onde eu sei meu vô dessa fazenda pra minha mãe que passava pra
mim. Tá vendo, pai?
Ô, filha, é... Ô, ô, ô, ô, seu pança.
Quer, vai tomar adoçante também?
Pô, acho que é um poço sem fundo, hein? Já não tomou o suficiente.
Bem, o show tá marcado hoje pras nove, depois de jantar, e amanhã a gente sai
bem cedo pro Pantanosa.
Seis horas tá bom ou tá muito cedo pra se acordar?
Eu?
Tá bom demais.
Tem bebê, acordando cedo, agora só falta dizer que tá indo pra igreja, né,
Guilherme? Amém, senhor.
Mas depende, né?
Se você for, eu vou junto.
Olha.
Isso é cavalo bravo.
Olha, faço questão que você beba. Não, vai beber. Agora bebe. Vamos.
Vamos, bebe. Vai, retorna.
Vai, bebe.
Cheiro bom.
Bom? É de pequi que você adora. Lá vai.
Eita,
boa, né?
Vai beber outro então.
Parabéns.
Você monta muito bem.
E esse cavalo é lindo demais, hein?
Você não tem mais o que fazer aqui, não? Você fica linda nele. Ah!
Mais educado, hein?
Fez duas, hein?
Eu não entendi porque ela ficou tão brava.
Só elogia cavalo.
Você sabe que ela é uma excelazão.
Esperava o quê? Que ela agradecesse de novo?
O alazão, o cavalo, né?
Foi eu que dei, cabeça minha.
Foi eu que dei, né?
Ela me odeia, né?
Ah, Sandro.
Pra mim é difícil, viu?
Você sabe que eu gosto de você.
Mas eu sou pai dela, né?
Como homem, eu até te entendo.
Mulherada pegando no pé.
Agora, com as amigas dela, né?
Mas você mudou muito.
Parece até outra pessoa.
Seu Bento, você acha que ela topa conhecer essa outra pessoa?
Não, não, não, olha só. Nós vamos ter que baixar o tom, porque ele tá meio
rouco. Vai, baixa aí, deixa eu ver.
Vagabundo, bom.
Melhor, porque ele tá com rinite, entendeu?
Ah, rapaz, rinite, meu brother, velho. E aí, tá curtindo? Tá demais, mano. Sou
de primeira, mano. Quanta coisa, mano. Água saborida.
Genivaldo! Fala, meu querido. Olha o homem aí.
Você é hora, meu parceiro. Desculpe.
Minha nossa senhora.
Olha, nem lá no meu sertão eu vi uma beleza maior que a da senhora. Igual
até ter, maior não tem. Eu sou Genivaldo, diretor de palco aqui,
Tá bom, né? Prazer, Genivaldo.
Boa noite.
Jack, esperava a tua ilustre presença hoje.
Eu não iria perder esse show por nada.
Tem muita coisa em jogo.
Não é, Sandro?
É, certo. É, certinho. Vamos lá, gente. Dez minutos.
Só um minutinho. Eu gostaria de agradecer primeiro a todo mundo que está
reunido hoje. Porque sem vocês, não existe turnê.
Então, de coração mesmo, meu muito obrigado, viu? Muito obrigado.
Nunca viu Sandro agradecer a ninguém?
Tá numa fase bem, viu, Lully? Ah, esqueci um detalhe importante.
Eu quero apresentar a vocês a nossa linda e querida produtora.
Uma salva de palmas pra ela, por favor.
Viva, Lully!
Viva!
Não vem meter o louco, não vem vim chaveco pra cima dela, não. Não é com o
dos cês, não, viu?
Vem pro seu.
Bom, gente, qualquer coisa que vocês precisarem, é só falar comigo, tá bom?
Qualquer coisa mesmo.
Obrigado, Lúcia.
Mas vamos arrebentar nesse show, porque hoje é dia de rock and roll!
Meu filho!
É! Viva o sertanejo universitário!
Quero ver todo mundo bonito.
Sei que você tinha dito que a história da filha do prefeito tinha terminado. E
terminou, Barretão.
A Luli odeia o Sandro.
O problema é que ele não é o Sandro.
Ele tem um trabalho a fazer.
Eu não quero distração.
Vou pro meu camarote.
Vai com Deus.
Vai dar tudo certo, Barretão.
E aí,
cowboy?
Bora?
Bora.
Olha, eu só posso te garantir que o prefeito vai pessoalmente dar toda a
para o seu requerimento. Opa, com licença.
Olha, querida. Seu prefeito, olha quem acabou de chegar.
Oh, filha. Oh, meu pai.
Está linda a produção.
Moderna, psicodélica.
Parabéns. Tem razão.
E aí,
menino? Tudo pronto?
Acho que sim.
Relaxa. Elas são loucas pelo Sandro. Quer dizer, por você.
Meu maior público foi aquele dia na formatura.
Ih, vamos esquecer isso.
Até porque aqui a gente quer que o final seja diferente, não é?
Você conhece a oração do músico?
É assim, vou te ensinar. Me dá sua mão aqui.
Fecha o olho, tá?
Repete dentro da tua cabeça.
Permita, Deus, que os sons por nós emitidos sejam capazes
de acalmar os perturbados, curar os doentes.
E animar os deprimidos que sejam brilhantes como estrelas e
suaves como um veludo.
Que assim seja.
Com muitas palmas, o maior cantor deste país, André
Sanderleu.
O que está acontecendo?
Não sei.
Pobre de nova esperança.
Eu gostaria de dizer que esse é o maior show da minha vida.
Obrigado.
Essas mulheres lindas de Nova Esperança.
Em especial pra Lully, nossa querida produtora.
Quanto mais braba, mais bonita fico.
Tô pra casa.
Tchau, Guinaldo.
Boa noite, gente. Muito obrigado.
Que isso?
Sempre quis ter minha legião de fãs pra fazer isso, fãs. É, no caso... É, é,
mãe. Ó, ó.
Tira aqui, ó.
Oi.
Ah, é com ele?
Opa!
Deixa eu tirar uma foto com você, por favor.
É aqui, ó. Ele tá aqui. Não, não, é contigo. Quer tirar foto comigo?
É? Sério?
Opa!
Para ele, com vontade.
Obrigada.
Parabéns.
Excelente show.
Eu te falei, né, meu irmão? Eu queria dar conta de fazer essa parada, né?
Isabela dispensa apresentações, né? Prazer, viu?
Engraçadinho. Ah, a gente já... A gente já... Várias vezes.
Isabela, tudo bom?
Eu sou um grande apreciador do seu ensaio fotográfico. É, mas ela não quer
saber, né? Da sua intimidade, né?
Eu tô com o helicóptero. Nós estamos indo pro melhor after de São Paulo.
E você vai com a gente, né, Sandro?
Então, Jacques, é que amanhã eu acordo cedo, sabe? Então eu vou precisar ir
embora. Eu preciso ver umas coisas com a Lully.
Sobra o clipe, sabe?
Bom, então...
Vamos tirar pelo menos uma foto, né? Vai lá, rapaz. Por favor, vamos lá.
Close.
O meu pé ainda tá mais alto.
Você acha?
Isso.
Fecha, fecha, fecha.
Beijinho, beijinho.
Fecha mesmo, fecha.
Você não vai deixar uma gata dessa na mão, né? Não, não vale.
Desculpa. Desculpa mesmo, mas é que eu preciso ir, tá?
Não, não, não. A gente tem um contrato.
Desculpa, gata.
Tá bom, deixa eu ir.
Ô,
seu prefeito. Eita, quem foi o melhor show que você fez, rapaz?
Obrigado.
Você não tem base, não, né?
O seu show foi mara. Vocês viram a Lully?
A Lully?
O bichinho foi embora.
É,
o Magai me levou lá pra casa.
Eu preciso falar com ela antes de dormir.
E amanhã tem viagem. Meu filho, pelo amor de Deus, você não quer aceitar o
convite do jantar do prefeito, por favor?
Eu acho melhor eu meter marcha, né?
Com licença, seu prefeito Matilde, com licença.
Tá bom, bom.
Informação importante. Desculpa interromper novamente, seu prefeito.
O convite para a confraternização inclui toda a banda, a equipe, o meu pessoal
aí.
Quantos são?
Uma meia dúzia de uns 10 ou 15.
Votam aqui mesmo?
Aí eu não sei.
Ô banda, vai comer água na...
Posso? Vontade.
Obrigado.
Você não gosta muito de mim, né?
O que você quer com esse teatrinho aí?
Obrigado, não bebo.
Sou legal com todo mundo.
E aquilo no final do show.
Ridículo.
Espera. Ô, Lully.
Olha pra mim, por favor.
Eu sei que o santo... Eu sei que eu pisei na bola com você.
Só quero que você saiba que eu não sou mais assim.
Transar com a minha melhor amiga... É pisar na bola?
E realmente... Eu virei piada na minha própria cidade.
Eu não conseguia sair na rua.
Mas aí eu entendi o tipo de mulher que você gosta.
É folia, né?
Tânia folia.
Definitivamente não faço o seu tipo.
Aliás, nem você faz o meu.
Fala, cowboy.
Muito obrigado por ter me contado de tudo, viu, Aguinaldo?
Tentei lhe ajudar.
Não teve tempo.
Mas já sabe. E aí?
Animados, Pantanal?
Mais umas perguntas, hein, Pantos?
Liga não, Pantos. Esse aí, quando não consegue o que quer, fica assim.
Entra aí.
Bora que hoje a Lulha é motorista.
Bora que o prefeito já chegou no Pantanal.
Segura!
Gente, cadê o Tintin?
Gente, tá chegando, amor.
Estamos pra chegar.
Tô ficando...
Bora. Tá vendo o tanto que esse homem
mudou, gente? Abraça todo mundo, Júlio. Abraça todo mundo, Júlio. Eu fico muito
com a história do Chico, né, coitado?
Tá até mais humano, né?
O que que uns corno não faz, né, pai?
Bora, gente.
Vem lá, hein.
E aí vem agora lá em cima e desce no começo e no fim. No final a gente joga o
drone e voa pra trás. A gente termina assim. Vai ficar bonitão, hein? Fala meu
talento. E aí?
Beleza? Tá bom?
Vai, fechou!
E aí, Aguinaldo? Como é que estão os preparativos do vídeo?
Não tá, né? A gente não tem modelo?
Como assim?
A Isabela Falcão foi pra uma festa ontem em São Paulo.
E perdeu o voo. Nossa, gente, não tô acreditando.
O aeroporto de Campo Grande tá fechado.
Tempestade lá. Não pousa nem decola nada. Ixi!
Então acho melhor a gente fazer logo essa filmagem, porque daqui a pouco, ó,
esse toró tá aqui. Vamos, vamos, vamos. Gente,
peraí.
Olha, vocês não precisam pedir duas vezes. Qualquer coisa, se vocês
posso fazer.
A gente tá procurando outro perfil, Matilde.
Vale tentar, hein?
No clipe com ele? De jeito nenhum. Calma. Pra gente fazer um clipe bom, a
precisa de mulher bonita, que saiba montar cavalo e que tenha um charme que,
todo respeito, tu sabe que tu tem. É muito mais do que aquela tal de Isabela
Ô, Fia, faz o clipe.
Vai ser bom pro turismo da região.
O que foi? Você tá com medinha, Lully?
Medo? Medo de quê?
Então o que você tem a perder?
Arrisca.
Arriscar? É, Lully.
Falou o cara que canta as mesmas músicas há 20 anos, né?
Pode crer.
Então vamos fazer uma aposta.
Aposta? É.
Você escolhe qualquer música, qualquer música.
Se eu tocar direitinho, você participa do clipe comigo.
Qualquer uma?
Qualquer uma.
E se você perder?
Se eu perder, você coloca na internet pra eu virar meme.
É isso aí.
Acho melhor não, hein?
Fica com nós.
E essa aqui?
Nossa senhora. Ô, pança, vem cá. Você conhece essa banda aqui?
Deixa eu ver, mano.
Tepe do ovo.
Essa vai ser boa.
Ô, Guinaldo, passa a lurdinha aí.
Senhorita, coloca a letra, por favor.
Coloco.
Aqui, ó.
Peraí, peraí.
Prepara aí. Peraí que eu vou gravar.
Música
É, eu quero ver se vocês conhecem essa aqui, ó.
Meu, essa calça precisa ser tão apertada assim, velho. Meu filho, curto e
apertado é que vem no ingresso.
Vá por mim.
Vou ver se a Lúlia fala isso aqui.
Vai.
Meu, pega esse chapéu aí.
Toma aqui, ô Sandrola.
Faz o metal da rocha, faz.
Você me zoa, não pensa?
Por que isso agora?
É que foi, não tô entendendo.
Sabe o quanto eu sei com isso, não?
A gente tá aqui pra gravar o meu clipe.
Você devia estar feliz com isso. Ah, não, peraí. O seu clipe?
Meu, quando você estiver filmando o seu clipe, eu vou estar nas nuvens.
Mas isso daqui...
É o clipe do Sandro Sanderley.
Isso daqui é trabalho.
Você esqueceu?
Não. Não esqueci, né, Panza?
Até porque você não deixa eu esquecer disso nunca.
Sabe o que é isso?
Inveja. Ô, tá louco, mano? Inveja?
Não tem ninguém no mundo que torça mais por você do que eu.
Eu sempre estive do teu lado.
Quem te defendia nas tretas que você arranjava com os moleques mais velhos?
Hã?
Quem te acolheu quando você não tinha mais ninguém nesse mundo?
Quem, mano?
Você.
Agora eu tô aqui.
Mais uma vez.
Abandonando meu emprego.
Pedindo favor pra um tio que nem lembra que eu existo. Eu cortei a porra do meu
cabelo. Por você.
Você fica mandando eu pegar água pra você, pegar o teu chapéu. O que é isso,
mano?
Hein? Por que você tá fazendo isso?
Você não entendeu.
Eu não entendi?
Você tá me tratando como se eu fosse um empregado. Eu não sou seu empregado.
Eu sou teu melhor amigo, mano.
Eu sou teu irmão.
Olha pro espelho.
Cadê o Hero?
Cadê meu irmão?
Quando você me encontrar, você me avisa, tá?
Babaca.
Aguinaldo já disse que não vou.
Lully, força a voz da safiência.
Shortinho vem demais, não é, peixe? Que shortinho, que shortinho que é,
Aguinaldo? Esse é o máximo do ridículo que eu consigo. Aguinaldo, ali, ó. Vamos
gravar uma cena, Aguinaldo. Vem comigo, vem comigo. Aqui, aqui, aqui, aqui, ó.
Lully, você tá ali na visita. Aqui, aqui, aqui, ó.
Você tá... Ridícula, sei. Linda pra ca... Linda demais na conta.
Você não paga.
Ah, era?
Sai. Atenção, silêncio no set.
Ação. Lully, um pouquinho mais pra frente, Lully.
Isso, pega de ladinho, de ladinho.
De outro lado, de outro lado. Não, não. Não vamos pegar o close dela ainda não.
Pra cá, pra cá, pra cá.
Já vamos pegar aquele flare ali, ó. Isso, olho no olho, olho no olho. O
aí, hein?
O climinha rodando.
Olha no olho dele, olho dele.
Cortou? É, Alê, maquiagem na Lully, traz o cavalo.
Ô, Sandro, vem comigo aqui, ó.
A gente vai tentar de tudo. A gente vai tentar... Tem um beijo que a gente acha
que vai ter?
Pô, se eu falar um beijo, vai ser maneiro. Um beijo vai ser uma ideia boa,
não sei, a Lully tá meio... Sandro, vamos tentar o beijo.
Não que eu queira, né? É um clipe romântico. E eu acho que caia bem.
Ô, pessoal, esse refletor aí, ó, vai começar a chover, vai imprimir na
Sandro, a gente tem que subir logo no cavalo que vai começar a chover. Ah,
subir? Rapidão, bora.
Excelente! Vai, cavalo!
Vai, João!
Vai lá, vai lá.
Eita! Caiu, caiu aqui, ó.
Corta, diretor!
Ô,
Sandro! Vamos lá aprender a fazer baliza, hein?
É saber o que é perfeição.
Esqueceu tua letra, foi?
Não, é que é muito hit.
Eu acabo esquecendo. Vamos lá.
Foi câmera.
Quer saber o que é perfeição?
Perfeição é você do jeito que você é.
Corta. Ô Sandro, vamos do começo agora, sem olhar pra ela. Consegue?
Pessoal, vamos de novo, hein? Solta a música, playback aí.
Quando eu fui pra Londres, eu não falava nada de inglês. Eu só tinha que falar
hi e thank you. Hi.
Thank you.
Fabi, libera o set pra gente, por favor.
Obrigado, Fabi.
A chuva tá chegando. A gente vai ter que fazer isso valer agora.
Não vai ter que ter dois, não. Sandro, aquela cena que a gente combinou, hein?
Beleza? Vamos rodar?
Foi câmera, foi som.
Ação.
Isso aí, intimidade.
Aproxima.
Olhou dentro do olho.
Isso, Lully, conecta, Lully, conecta.
Se rolasse um beijinho agora ia ser maneiro, hein?
Ai,
já que tu vai me matar.
É cinema, rapaz. Olha só.
Fechou o clima.
Está tudo bem aí, Sandro?
Sandrão, Sandrão, velho.
Teu vídeo tocando rock and roll está bombando na internet.
Ainda bem que a gente garantiu no último tempo. Ainda bem, velho. Ainda bem.
Meu, São Pedro, me ajude.
Rodeio de Jaguariúna daqui a três dias.
E esse aqui tem que estar lá antes para dar as entrevistas.
Pode cancelar, velho.
Cancelar. Está tudo vendido. Mesmo que o tempo melhore.
Do jeito que a pista tá alagada, não dá pra decolar, não.
E uma ponte caiu, nem carro 4x4 passa.
Uai, e se a gente for a cavalo?
Daqui até a cidade, você vai conhecer os caminhos, senão vira comida de jacaré.
É, só se alguém que conhece o caminho for junto pra guiar, né?
Hoje vocês estão demais, hein?
É lulho pra clipe, lulho pra cavalgada.
Mas tudo bem.
Faço qualquer coisa pra ter internet melhor.
Preciso trabalhar.
Bora se arrumar.
Esperar essa chuva passar e a gente sai.
Eita.
Abençoa meu pai.
Deus te abençoe, tia.
Cuidado da noite, viu?
Sou Bento.
Dono Matilde.
Desculpa qualquer coisa.
E obrigado a vocês por tudo, viu?
Imagina, prazer demais da conta.
Pode vir a hora que quiser, viu? A casa é sua.
Quer ir com nós?
Não.
Tchau, meu filho.
Tchau,
tchau, tchau. Tchau.
Tem lugar no mundo mais bonito que esse.
O que é isso?
Cadê?
Tem jacaré aqui não, né?
Tem. Tem um monte.
Inclusive, eles amam carne de sertanejo.
Que clima estranho pra ele, aquele lá entre você e o Nelson, hein?
Eu vacilei com ele.
Ele não fica chateado com esse apelido?
Por quê?
Uai, pança?
Ah, não, mas nem por causa disso aqui, não. Por quê, então?
Foi no sexto ano, quando a gente leu Don Quixote.
O que mais me impressionou foi o Sancho Pantos.
Mesmo sabendo que o Dom Chote não batia bem na cabeça, ele tava lá do lado,
sabe?
E o Nelson é assim, leal.
Você também é leal a ele?
Bora apurar, vai? Pra chegar logo nesse abrigo.
Ô, você pode ir? Ah, claro.
Você
vai dormir
assim com a roupa da viagem?
É, eu não trouxe outra.
Hum, você não querendo ficar sem camisa na frente de uma mulher?
Não, aliás, eu trouxe sim, mas eu vou deixar pra trocar amanhã.
A gente bem que podia ter trazido um lanchinho, né?
Tô cheio de fome.
Obrigado.
Por que, Luli?
Por que que você quer saber?
Você nunca perguntou?
Você tá querendo me zoar, né?
Não.
Juro.
Sabe a Lucinha Lins? Aquela atriz?
Uhum.
Então, minha mãe era muito fã.
Quando eu nasci, meu pai falou que eu era muito parecida com ela.
Loirinha. Só que aí acabou ficando luli.
Você sente falta dela?
Da Lucinha ou da minha mãe?
Eu era muito criança quando ela morreu.
Sinto muita falta do tempo que a gente não tem, sabe?
A minha mãe era professora de piano.
E ela tinha um aluno surdo.
E um dia eu perguntei, como se ensina música pra alguém que não ouve nada?
Daí ela pegou minha mão, colocou no peito dela,
Perguntou o que crescente.
Eu disse seu coração.
Ela falou, é assim.
Sabe como é que se diz, te amo em libras?
Isso foi a última coisa que ela me disse.
Vamos dormir?
Prometo não morder.
Quem diria?
Dona Lucinha Lins.
Uma noite dessa no Pantanal, dando em cima de mim.
Bom dia.
Bom dia.
Não tocou não.
Tânia.
Tânia. Tânia.
É Renato.
Tânia. Pode ser Tânia, vamos de Tânia.
Olha aqui, olha. Olha a Tânia aqui. Ai que bonitinho.
Rosa, são dois vídeos, é fácil.
O primeiro é o Sandro tocando rock e o segundo é ele beijando a Isabela Falcão.
Eu quero isso na imprensa hoje, Rosa.
Isso. Vai, vai, vai.
Oi, Rossi.
Hospital?
O quê?
Não tinha um lugar com menos jacaré, não?
No Pantanal?
Meio difícil.
Por que eles ficam encarando a gente desse jeito?
Deve ser teu fã.
Ô, e essa cicatriz aí?
Tô pra te perguntar um tempo.
Ah, é...
Briguei na escola.
Não lembrava disso.
E você brigou por quê?
Sofria muito bullying.
Quem tem uma cicatriz dessa é aquele Harrison Ford.
Harrison Ford.
Acho sexy.
Você me acha sexy?
É assim, né? Não que eu esteja com medo. Não, não tá.
Eu já cansei de descansar. Ah, cansou de descansar.
Tchau, gente.
Foi legal.
Tarde. Tarde.
Com licença, qual sua graça?
É Inácio. Ô, seu Inácio, será que a gente pode pousar essa noite aqui?
Prometo que não vamos incomodar. Claro, vocês são bem -vindos aqui.
Ó, vocês fiquem à vontade, procuro um canto aí pra vocês, tá?
Tá bom. Obrigada.
Mas
tira
o pé da gente.
Essa viagem me fez pensar muita coisa.
Estar aqui faz todo sentido.
Andar a cavalo.
A música sertaneja fala muito disso, né?
Você tá muito diferente.
Quem chegar por último é a mulher do padre.
Não!
É preciso paz pra poder sorrir. É preciso a chuva para floreir.
Cada um de nós compõe a sua história e cada ser em si.
Carrega o dom de ser capaz e ser feliz.
É ele, sim.
Sou primo dele.
O primo do Sandro, qual é o seu nome, então?
Hiro. O que é? É japonês?
É o apelido para Heródoto. É um nome grego.
Bom, é Hiro, né?
Você tem algum hit, algum hit novo, alguma novidade para mostrar para nós?
Mostra aqui.
Hit eu não sei se vai ser, mas comecei a escrever uma música mais ou menos
assim.
Sempre que eu penso em você Lembro da primeira vez
Sentimento que me faz querer Coisas que a gente não
fez
Não sabe nada sobre beleza.
Vamos lá fazer mais uma moda? Vamos. Então, aquela lá, então.
Olha lá pra você ver, ó.
Olha lá, hein.
Boa noite pra vocês.
Muito obrigada aí pela hospedagem.
Tchau, gente.
Até mais um.
Tchau, caramba.
E bora! Ei, tapioca! Segura que eu vou lembrar!
Segura que eu vou lembrar!
Aquela hora que você falou aquele nome, não aguentei não.
Heródoto. Nome mais esquisito, né?
Friou, né?
Aqui, ó.
Vou pegar a minha pra você.
E você?
Tá bom assim, eu sou calorenta.
Obrigada.
Mas você é priorenta desse jeito...
Como é que você foi parar em Londres?
Ah, lá tudo é aquecido, sabe?
Restaurante, casa, hotel.
Você gostou de morar lá?
Muito.
Mas lá eu descobri que eu sou caipira mesmo, sabe?
Aí eu vim passar férias com meu pai e não quis voltar mais, não.
Graças a Deus, né?
Cadê o Sandro, hein?
Sabe o que eu não sei?
Não sei mesmo.
Então faz o seguinte.
Deixa ele lá.
Bem longe onde ele tá.
Tá bom.
E a namorada, hein?
Você arrumou alguma?
Teve um DJ francês.
Um arquiteto belga.
Um escritor português.
Também teve um fotógrafo ucraniano.
Eu não tenho a menor chance, né?
Só gente famosa.
Se eu tivesse interessado em fama, você até que seria a pessoa ideal, né?
Ué, quem sabe eu sou?
Não é possível.
O quê? Não posso estar me apaixonando de novo pelo Sandro, não.
Você está se apaixonando?
Não, claro que não.
O que foi?
Aconteceu alguma coisa?
Eu não sei como é que eu vou explicar isso.
As traições.
Tudo aquilo que você me disse.
As mentiras.
Não fui eu quem fez.
Se eu pudesse te contar, eu contaria, eu juro.
Não me escuta.
E aí, dona Lully?
Dia.
Como é que foi a travessia?
Foi bom.
Ô, MacGyver, leva o moço para o aeroporto que eu vou sozinha. Seu pai
levar vocês dois de carro.
Os peões vão voltar com o cavalo.
Vou não.
Tá tudo bem com a senhora, dona Lully? Tá nada.
Era isso, né?
Não acredito que eu caia nisso. Lully, ela me beijou à força.
Clássico.
Lully.
Lully, olha pra mim.
Olha pra mim.
Eu nunca faria isso com você.
Não olha mais pra mim.
Lully. Não fala mais comigo.
Nunca mais.
Olha, seu Sandro.
Só vai me desculpar ao me intrometer.
Mas é que eu conheço a dona Lully.
Desde criança.
Nunca havia uma menina mais corajosa.
Nunca fugiu de nada.
Enquanto a mãe dela adoeceu.
E Deus a tenha.
Eu só ouvi essa menina fugir para a Europa.
Por causa do vexame que ela passou.
Com todo respeito.
Se o senhor não gosta da moça.
Não desfaz dela não.
Eu gosto.
Muito.
Pra adoçar a viagem.
O prefeito mandou avisar que a água já baixou e que o Sr. Aguinaldo já
voar. Cita o quê?
Peraí, solta.
Tá pronto isso aqui?
Arruma logo.
Tá tudo pronto.
Tá tudo pronto aqui já.
É, o... O Hiro tá chegando em dois pinguim.
É o quê?
Ele acordou.
Prêmio aqui, negócio de comida japonesa. Que desejo. Peixe cru, rapaz.
Gosto. Olha o homem aí.
Como é que foi?
Meu bagulho foi louco. Eu tô a milhão. Ó, mas vamos fazer o seguinte, foca no
show. Tem mais de 70 mil cabeças pra ele ver. Hoje o cancão vai apiar, meu
velho. Fih, tem uma notícia pra lhe dar.
Tudo bem, mas antes eu tenho que resolver uma parada.
Vocês viram o pança.
A gente se vê mais tarde. Tá certo.
Você tava certo.
Do que?
Sobre tudo.
Eu olhei pro espelho e... Não gostei nada do que eu vi.
Mas parecia que você tava curtindo.
Você conseguiu o que você sempre quis, ser famoso.
Não é?
Você sabe que eu não faço isso por fama, Pança.
Eu só queria, sei lá,
que meu trabalho fosse reconhecido, admirado, tá ligado?
Mas eu sempre te admirei.
Independente do teu talento, eu sempre te admirei como pessoa.
Só não admiro quando você fica bancando um babaca deslumbrado.
Também te admiro muito, Pança.
Se compôs por ter sido um babaca.
Muito babaca.
E... De coração... Obrigadão pela sua cuida.
Irmão... É pra essas coisas, né?
Te amo, cara.
Também te amo.
E a Luri, hein? O Jacques serviu pra mim.
A Isabela Falcão, meu.
Tão, pô, talentosa, preta de serviço. Velho, eles tragaram tudo.
Me causam um problemão.
Fala nem problema.
Quer dizer que o cara tava em coma, sem saber que eu tava me passando por ele. O
que aconteceu com o Sandro é passado.
O que importa agora é que você é uma estrela maior e melhor do que ele. Não
Canta melhor, não é alcoólatra. E principalmente pode nos levar a um novo
momento da música brasileira. Seu vídeo na internet viralizou. Fez a transição
entre o sertanejo e o rock.
Você é o responsável pelo que pode ser um novo gênero musical no Brasil.
Estrago.
Esse contrato...
É maior do que o oferecido ao Michael Jackson.
Doze álbuns em oito anos.
Só que não vou deixar.
Eu vou lhe denunciar pra empresa, pra polícia.
Eu não lhe recomendaria isso, Aguinaldo.
Você tá nessa até o pescoço.
Já que tu vai lá bosta que pisa.
Você não vai querer passar os últimos anos que lhe restam na cadeia.
Vai.
Hiro, meu filho, não deixe esse homem acabar com a tua vida.
Perda da luz.
O que não vai faltar pra você agora é mulher.
Eu tô te oferecendo o sucesso que você sempre quis.
E o Sandro?
O Sandro vai ganhar uma bolada. Pra fazer mais plásticas que ele adora, vai
mudar de rosto, de nome e de país.
Você tem uma caneta?
Filho, tu não vai fazer isso.
Foi você que disse, Aguinaldo, que a oportunidade não bate na mesma porta
vezes. E a Lully?
A Lully não gosta de mim.
Você não sabe disso, filho.
Aguinaldo, pode sair, por favor.
Pode ir, eu sei o que estou fazendo.
Grande Heródoto.
Pai da história.
Só que é uma história que não é dele.
Senhores.
Eu vim.
Que isso? Esse mal -assombrado tem parte com o cão.
Mano, que papo era aquele?
Você assinou alguma coisa com aquele cara?
Assinei. O Sandro Sanderlei continua na ativa.
Mano, como assim? Aquele papo que a gente teve lá embaixo.
Que isso, mano?
Tá me decepcionando de novo. Vai chorar, vai.
Eu assinei, velho. Mas assinei como o Sandro, né?
E você não é ele.
Exatamente.
A assinatura não tem valor nenhum.
No máximo, eu arrumei um contratão pro Sandro.
Ah, rapaz, meu sobrinho, sangue do meu sangue, não ia ter um amigo abestado,
muito bem.
Ah, eu também, que você nem me decepcionava.
Ah, tá.
Chegou aqui quase chorando que eu vi.
Ah, mas vem cá, e os discos que ele te prometeu?
É, gravar com aquele otário, nem pensar.
Pode deixar que eu tenho meus contatos.
Agora, o que a gente vai fazer com o Sandro? Eu tenho uma ideia.
Mas eu preciso da ajuda de vocês.
Alô, seu Bento?
Você tá bom?
Vai, vai, vai.
Oi, amigo.
Bora, bora, bora. Nossa, que gatinhas. Bora, bora, bora. Vamos colocar um
aí. A gente já vai pro circo? Que circo?
É circo, é circo, é circo. Esse aqui é o trapezista, esse aqui é o engolidor de
espada. E você é o palhaço de trelinha, né?
Vamos, gente, vamos, gente.
Olá, tudo bem?
Pois não, posso te ajudar?
Um probleminha ali na máquina de café.
Mas eu nem estou tomando café. Vocês trabalham com lipoaspiração aqui?
Para o senhor? É.
Não precisa.
Não, moça. Você não faz ideia.
Eu tenho gorduras em locais que você nem imagina. Mas eu acho que você podia
fazer um procedimento estético.
Estético? Com certeza mesmo.
Moça, pelo amor de Deus, meu coração parou de bater.
Não parou, está batendo. Se está batendo, está batendo por você.
Está batendo por você.
É isso, né? Não, às vezes eu acho que eu morri.
Não, não morreu. Então por que eu tô vendo um anjo?
Ela não tá bem.
Ela fala com ela.
Não tem jeito pra isso, não.
Isso é prosa de menina e eu... Mas você vai.
Sabe que ela não vai me ouvir.
E além do mais, ela tá precisando do pai dela.
Vai lá, amorzinho.
Oi, filha.
Sabe que...
Que quando sua mãe casquetava com uma coisa, ela ficava assim que nem você.
Deitada, olhando pro céu.
Eu dizia pra ela que não adiantava procurar resposta nas luzes.
A resposta tá aqui, ó.
Sabe, quando eu era vaqueiro de rodeio, pobretão, seu avô fez de um tudo pra
separar a gente.
E como é que vocês ficaram juntos?
Ela peitou ele.
E o resto é história.
Você está cada dia mais parecido com ela, sabia?
Em quê?
Em tudo.
Em tudo.
A gente ficou casado.
Até que Deus...
Fia, pegue seu coração.
O que você decidir vai ter a minha benção.
Eu só não quero viver e sofrer assim.
Oh, meu pai, te amo muito, viu?
Eu também te amo, Fia.
Eu queria lhe dizer, só para lhe deixar tranquilo, é que esse festival que você
vai tocar é um dos maiores do Brasil, vai ser transmitido pela TV ao vivo.
Ao vivo?
É, e também pela internet, pelo stream, essa coisa toda, também para cerca de
milhões de pessoas.
Milhões? É, e só na sua frente, para lhe ver tocar, vai ter aí uns 70 mil, mais
ou menos.
70 mil? Mas fica tranquilo, eu estou te falando para te tranquilizar. Para quem
começou nas bandinhas de heavy metal, é baile de formatura. Você chegou longe,
hein, Nelson?
Parabéns. Você me chamou do quê?
Nelson, não é teu nome? Filho de Sônia, meu sobrinho Nelson.
Ah... Ô, tio... Juvenal.
Pode ter uma azadia, né?
Maravilha, tá tudo certo.
O Jarba tá trazendo ele.
Pessoal, agora só tem que ir com o combinado, viu?
Eu e o Pantola vamos na frente.
E a gente se vê no palco. Vai dar tudo certo, viu? Porque aqui o sistema é
bruto.
Bate mais uma, hoje a noite eu tô pro crime Sente o grave, joga no
meu time Vem pro céu, bate um bolão, né?
Tu mora o mundo inteiro só pra cair no meu pé Bate mais uma, hoje a noite eu tô
pro crime Sente o grave, joga no meu time Vem pro céu, bate um bolão, né?
Tu mora o mundo inteiro só pra...
Estamos numa grande prova de três tambores.
Aqui, a emoção toma conta.
Ninguém quer perder essa grande final da modalidade três tambores.
Quem diria a gente tocando pra essa multidão.
Ela nem me fala.
Tô muito feliz que você esteja aqui comigo, velho.
Na moral, você é foda.
Isso não deu certo.
Já deu certo.
Hoje eu quero que você toque na sua batera. Ah, mano, você esqueceu minha
na formatura?
Mas e se você tocar na sua nova batera? Fala aí, velho. Olha que coisa linda,
mano.
Mas você não tem essa grana?
Não.
Mas o Sandro Sanderlei tem, ué.
Aguinaldo!
Que lindo! Tavir Chanticle!
Olha, eu adorei esse convite maravilhoso de poder cobrir esse show com
exclusividade. Você sabe como tratar a imprensa, né? Claro que eu sei,
Chanticle, do meu coração.
Eu consegui com a produção coplar sua câmera com um telão pra quê?
Pra você dar uma entrevista ao vivo com o Sandro Sanderley pra todo o Brasil.
Olha ele ali, o sete pés.
Oh, Jaque!
Seu grandissíssimo! Como vai, meu velho?
Tu conhece, né?
Tá vivo, Chantecler?
Maior língua de bicho da televisão brasileira. Claro.
Conheço o Chantecler. Como vai?
Não, Tony, eu não comprei essa cortina do show de vando obsceno. Não, Tony, eu
não comprei, não achei, eu vou comprar.
Por favor, por favor, Tony. Eu tô com um problema sério aqui, o homem tá variado
aqui na minha frente.
Eu quero saber o que que leva naquela bebida, aquele negócio que você toma lá,
não sei o que lá, corno.
Não,
rapaz, peraí.
Beijo de bexame, rapaz, peraí.
Isso, a manta corno. O que que eu boto?
Tá, o que mais?
Isso tudo?
Aff, Maria, vai matar o homem, não vai levantar.
Velho, e o Sandra?
Estão trazendo.
E a Luli?
E agora, o rodeio de Jaguariúna.
Traz a mano. O maior cantor sertanejo deste país.
O inigualável, incomparável, único, o ato.
Cunhama, dá um super beijo.
O fofoqueiro mais top da TV, nosso querido Xantecresta, ele tá aí, meu
Tô cheio de perguntas pra te fazer, que eu tenho certeza que essa plateia tá
louca pra saber também, hein? Vamos deixar o miope final, né? Obrigado pela
presença, Xanxan.
Preciso saber, meu irmão, que ia chegar nesse palco e ver esse mar de gente.
Eu começo com uma música nova.
E essa música eu escrevi pra uma pessoa muito especial.
Por quem eu sou... Eu tô completamente apaixonado.
Essa é pra você, Lili.
Sempre que eu danço em você, lembro da primeira vez.
Um sentimento que me faz querer coisas que a gente não fez.
Só que agora é como se eu vivesse a vida de outra alguém e fosse
proibido de falar.
Você entendeu bem do que ele tá abrindo mão.
Pode achar que eu já entendi tudo.
Não consigo evitar nem tento. Te quero a todo instante. Me dê mais uma chance.
Esse amor já virou novela. Romance de cinema.
Um caso e um dilema.
Amo vocês.
Amo demais.
Não consigo evitar nem tento. Só vocês, vai.
Já virou novela Romance de cinema De casa e um dilema
Eu gostaria de ter uma conversa delicada com você.
Na verdade... De coração pra
coração.
E se eu dissesse pra vocês... Que o Sandro Sanderlei ficou doente.
Na verdade... O Sandro quase morreu.
Mas graças a Deus e pra nossa alegria, ele saiu dessa.
Eu gostaria de chamar nesse palco o maior cantor sertanejo desse país.
Desse país não.
Do mundo.
Com vocês, Leandro Sanderley!
Vai pra sentar quem?
Olha só, mas... Mas não é que você parece comigo mesmo?
É muito engraçado, né?
Toma.
Qual que é teu, velho?
Toma.
Eu sei que aí dentro bate o coração sertanejo.
É, aí você deu uma forçada, né, meu?
Mas obrigado.
Me deu muita sorte.
Obrigado por ter tirado isso lá, viu? Nada, meu.
Se não fosse por você, eu não tinha como cuidar muito.
Justo.
Eu quero uma sala de aplauso pra esse grande músico e roqueiro. E roqueiro.
Heródoto Batista. Iro.
Iro!
Quem é ele? Que história é essa? O que você tem a ver com...
Me leva até ele, me leva.
Não vou ser a culpada de tudo.
Vaquinha.
Olha como você fala com ela.
Cuidado com a vaca da coisa. Isso, filha. Muito bem. Mostra pra ele.
Tomou papudo.
Muito bem.
Qual é seu nome?
Meu nome é Maria José Ramalho Lourenço. Mas vocês podem me chamar de Matilde.
Só pra terminar o show comigo, né? Tô atrasado pra poder ver o almoço.
Boa, vai correndo então.
Vai lá.
Aô, meu povo!
Eu tô de volta.
Bora, o pau vai quebrar, que eu tô com saudade, viu?
E não é que o nome dele é Heródoto mesmo?
Então... O riro é roqueiro.
All the way, baby.
Um roqueiro que compõe sertanejo?
Isso é culpa de uma certa inspiração.
Florinha.
Sorriso lindo.
Teve jeito.
Eu acabei me apaixonando por esse jeitinho caipira.
Você foi muito corajosa.
Ou muito doida de ter contado pra todo mundo.
Se eu ficasse mais dois dias com essa galera, eu ia fazer todo mundo cantar em
ritmo de arrocha.
E eu também tinha certeza que aquele babaca não podia ter mudado tanto assim.
E aquela Isabela Falcão lá?
Mais uma armação do Jacques, meu.
Bom vacilão.
Caramba.
É muito cedo pra dizer que eu te amo.
Essa é a letra de música sertaneja.
Eu também.
Eu também amo você.
Vamos embora? Para onde?
Para a roça.
Vambora!
Meu, a gente tava lá improvisando, aí eu achei que era cena mesmo.
Daí o Lucas virou e falou assim... Vamos fazer uma tatuagem?
Eu falei, vamos, né? A gente tá improvisando. E onde é que ele tá?
Ele tá se tatuando, amigo.
E aí? Vai tatuar o quê?
Eu dei um... Yeah!
Ah, e você?
Só vou supor de rena, eu não...
Olha, ele pediu pra te chamar.
Vamos lá, vai sair ali por trás, eu vou sair ali. Qualquer coisa você fala pro
Lucas que eu fui... Ah, então, desculpa aí.
Meu,
tá frio.
Ficou irado.
O senhor parou de bater.
Está batendo, fica tranquila. Se está batendo, está batendo por você.
Não, desenrola aí que eu estou desenrolando.
Eu estava lembrando.
Se preto é amor, branco é carinho, o que eu sinto por você é xadrezinho. Ai,
para.
Meu Deus do céu.
Essa é a separação da Tânia Fulico.
Eu sou o ladrão que roubou seu coração.
Adoro palhaço.
Palhaço.
Pimpão.
Não se esqueça.
Prefeito Bento.
Primeira dama Matilde. E a filha Uli.
Certo? Não se esqueça.
Tem uma outra coisa que eu quero te falar.
Então vá lá.
Não sei se chega, mas acho que não me enquadrou, né? Acho que não.
Ok.
Sempre que eu penso em você Lembro da primeira vez Um
sentimento que me faz querer Coisas que a gente não fez Só que
agora é Como se eu vivesse a vida de outra alguém E fosse proibido
de falar
o que eu mais preciso é te convencer que temos outra história pra contar
não consigo evitar nem tento te quero a todo
instante me dê mais uma chance esse amor já virou novela
romance de cinema me cabe um dilema
Sempre que eu penso em você, lembro da primeira vez.
Um sentimento que me faz querer coisas que a gente não fez.
Só que agora é como se eu vivesse a vida de outro alguém e fosse
proibido de falar.
O que eu mais preciso é te convencer que temos outra história pra contar.
Não consigo evitar, nem tento. Te quero a todo instante. Me dê mais uma chance.
Esse amor já virou novela. Romance de cinema.
Me causa nenhum dilema.
Não consigo evitar, nem tento. Te quero a todo instante. Me dê mais uma
chance. Esse amor já virou novela. Romance de cinema.
Eu te levo
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