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Hoje, trago em meu corpo as marcas do meu tempo,
meu desespero, a vida num momento, a
força, a fome, a flor, o fim do mundo.
Hoje, trago no olhar imagens distorcidas.
As minhas mãos enfraquecidas e vazias
procuram nuas pelas luas, pelas ruas.
Na solidão das noites frias Por você
Pois então.
Eu trouxe uma música.
Eu acho que vocês vão gostar muito.
Qual é? Deixa eu botar, rapaz.
Vamos ver se o som desse carro é bom mesmo.
Mas eu vou botar alto.
Vou botar alto, viu?
Prepara aí. Marquinhos da Bela.
Isso aí não é bom.
O que é que tem?
É bonito.
Inteligente, engraçado, bonitão, mas o que é que eu quero mais?
O que é que eu quero mais?
Até fazer um casal bonito.
Mas tá, tá tudo massa.
Vambora.
Antônio, bora.
Continue. Fernando,
Fernando, Luiz Fernando e Júlia, bora?
A gente vai cantar parabéns, hein?
Se a Lúcia.
Não é todo dia que alguém tem 70 anos.
Eu sei se a senhora sente a idade. Ou se a senhora é como a gente acha que a
senhora é.
Uma menina de 70 anos.
Eu tenho 12.
E lembro da senhora levar a gente, os sobrinhos netos, ainda pequenos, para a
festinha, no Parque da Jaqueira, para tomar um sorvete na Sabor do Salesiano e
no São Luís.
A senhora foi e é a melhor tia que a gente poderia ter.
Tia Luz foi uma donada.
É uma donada.
Foi campeã de pingue -pongue e voleibol no clube português. Ela tocou violão,
piano e violino nas suas metodos, tendo participado de várias
apresentações no Teatro Santo Isabel.
Inicia sua vida universitária aos 18 anos, onde foi aprovada em segundo lugar
vestibular de Direito Federal de Pernambuco, no ano de 1961.
Dando início a uma carreira vitoriosa, que fez do seu nome sinônimo da decisão
na área, no nosso estado.
Numa época com poucas pessoas, poucas mulheres ingressando no ensino superior,
onde poucas trabalham no campo de direitos e das leis.
Depois de estudar e morar em São Paulo nos anos 40, Tia Lúcia voltou para
Pernambuco. Foi trabalhar no interior, nos anos 60.
Momento difícil para ela, para a família e para o país.
Sofreu perseguição, chegou a ser presa. Temos muito orgulho dessa sua
trajetória, Tia Lúcia.
A vida de Tia Lúcia daria um livro, um filme, uma música. E aqui, nós desejamos
saúde, felicidade e propomos um brinde à senhora, a nossa querida Tia Lúcia.
Parabéns, Tia Lúcia!
O terceiro pularam. A revolução sexual.
Estou brincando. Eu estou muito tocada.
Mesmo. De verdade.
Mas agora eu queria falar uma coisa que ficou faltando,
que vocês não falaram e que eu vou dizer.
Vocês mencionaram uma série de coisas que eu fiz.
E que fizeram parte da minha vida.
Mas vocês esqueceram de falar de Augusto.
Augusto foi meu companheiro.
Eu gostava muito dele.
Era amor mesmo.
Augusto faleceu, está fazendo seis anos já.
Ele foi meu companheiro por mais de 30 anos.
Era um homem muito bom.
A gente nunca se casou porque, acho que alguns de vocês sabem, ele já era
casado. Mas paciência, né? Ninguém é perfeito.
E aí hoje, que é meu aniversário, eu queria oferecer um brinde ao Augusto.
Muito obrigada.
Fica até difícil falar depois de Tia Lúcia, depois dessa fala sensacional.
Eu vou falar, é rapidinho, mas eu vou falar.
Eu não sou um homem religioso, mas mesmo assim eu quero fazer
um agradecimento.
Vocês sabem que 79 não foi um ano fácil aqui em casa.
A gente passou por momentos bem difíceis com a doença de Clara.
Essa mulher que eu amo tanto.
Posso dizer que foram os meses mais difíceis da minha vida.
Levar minha esposa em hospitais.
Vê -la enfrentar um tratamento que é tão duro.
Reunir Martim.
Aninha, Rodrigo, e contar a verdade, sem contar tudo.
Tentar seguir a vida, trabalhar, manter a casa em ordem, manter algum tipo de
paz.
E hoje, Clara está aqui com a gente.
Com esse cabelinho Elis Regina.
Que eu acho sexy.
Acho mesmo.
Recuperada, com saúde.
Clara tá bem.
E a gente continua juntos.
Retomando nossa vida.
Queria dizer que eu entendo a ausência de alguns nesse processo.
Que a vida não entrega um manual pra gente lidar com essas situações.
Dizer que me tocou profundamente.
A presença de quem acompanhou tudo isso.
Mas, acima de tudo, agradecer por ter o meu amor aqui comigo.
Viva, Clara.
Viva, Tia Lúcia.
Viva. Viva.
Viva.
Música
Lá de Jane?
Lá de Jane?
Oi! Oi!
O que é que tem pro almoço?
Eu tava fazendo... Essa porta achada.
Eu tava fazendo franguinho.
Ah, tá bem. E uma verdurinha tem?
Tem. Vou fazer isso.
Então vamos lá, pessoal.
O bichinho do ha -ha agora, soltando um pouquinho o ha.
Na mesma frequência.
Acelera.
Acelera um pouquinho, acelera.
Solta, Paulo.
Solta, Paulo.
Cargalha! Isso!
É pra gargalhar!
Acima, Paulo!
Corrida é coisa séria! Ô, Tiago, solta!
Fica à vontade, tem lugar para todo mundo.
Respeito. Todo mundo, continua.
Respeito, seriedade.
Bezerra em QAP.
Me escuta.
Traz o barco aqui para a localidade do Aquário.
Dona Clara vai dar a entradinha, hein?
Positivo.
Positivo, operador.
Toma o segredo para aí.
Positivo. Ô, Roderval.
Você não acha isso um exagero, não, hein?
O que é isso, dona Clara?
Olhe pro mar, olhe.
Tem ninguém tomando banho.
Vá lá, dê o seu mergulho rapidinho, depois sai tranquilinho, vá.
A gente já conversou sobre isso.
É que a senhora é importante. Quem manda ser importante?
Ô, dona Clara!
Tá segura?
41 anos.
Só que eu pensei... Bom, eu queria...
começar te perguntando.
A senhora, perdão, você está escrevendo um livro novo e eu percebi que na sua
casa tem muita mídia física, né?
Vinil, disco, fita.
Não é porque a mídia digital toma conta de tudo.
Você só escuta música no estilo antigo?
Não, eu escuto música no estilo antigo. Vamos fazer uma coisa?
Vamos encurtar um pouquinho essa história, pra não gastar o meu tempo, o
seu.
Eu vou te explicar mais ou menos tudo o que eu acho, de uma maneira geral. Eu
gosto de tudo, tá certo?
GMP3, streaming, tendo música pra mim, tá bom, tá importante, entendeu? E essa
nova tecnologia no geral.
Mas, posso te contar uma história?
Claro.
Esse disco eu comprei em Porto Alegre, em Sebo.
O meu eu emprestei pra alguém que eu não tinha.
Eu tô aqui num dia, assim, domingo, abri o disco pra ver.
Olha o que eu encontrei dentro.
Esse artigo do Los Angeles Times.
Esse artigo é de novembro de 1980, tá certo?
Esse disco, o Double Fantasy, foi lançado em dezembro de 1980. Ou
seja, o artigo foi publicado semanas antes do João Lennon ser
assassinado. No dia 8 de dezembro de 1980.
E eu nasci no dia 21 de dezembro de 1980.
Gente, que incrível.
Olha só, esse artigo aqui, que foi publicado semanas antes de John Lennon
assassinado e de você ter nascido, diz o seguinte.
Os planos de John Lennon para o futuro.
Esse disco, esse que eu estou segurando, passa a ser um objeto especial.
Tá entendendo? E você não conhecia o dono?
Eu não te disse que eu comprei lá em Porto Alegre. Não sei, não sei quem era
dono. Eu só sei que foi comprado em Los Angeles, foi parar em Porto Alegre. Quer
dizer, nem sei se foi comprado em Los Angeles, na verdade.
E veio parar aqui.
Legal. Então, mídia digital, tudo bem.
Isso aqui...
Eu fico uma mensagem na garrafa.
Obrigado.
Boa tarde. Boa tarde. Senhor Geraldo. Como vai? Tudo bem?
Boa tarde.
Boa tarde.
A senhora nos receberia?
Depende, senhor Geraldo. O senhor veio aqui para discutir a minha proposta
a compra do apartamento daqui de cima.
Eu lhe mandei essa proposta. O senhor não respondeu, mas imagino que o senhor
seja mesmo muito ocupado, está certo?
É sobre isso, senhor Geraldo? Nós viemos aqui conversar com a senhora.
Sim. Uma boa conversa olho no olho, que é a melhor coisa. Nós dois trouxemos
aqui para a senhora uma outra proposta. Que ótimo.
Do apartamento aqui de cima.
Não, aquela conversa que nós tivemos anteriormente é sobre a compra do seu
apartamento. Ah, é sobre a venda deste apartamento? Exato. Eu não vou vender,
seu Geraldo. O senhor já sabe disso.
Dona Carla, é uma proposta, dona Clara.
Dona Clara... Onde é que tu estava?
Estava lá embaixo, barrando.
Dona Clara, é uma proposta muito generosa.
Mesmo sendo fora do padrão de mercado para esse tipo de área construída. Mas
fizemos essa proposta para a senhora.
Vamos resolver logo isso.
Vamos resolver logo isso, Sr. Geraldo. Meu apartamento não está à venda. Eu não
vou vender.
Está certo?
Agradeço a visita, mas... Até logo.
Dona Clara, primeiro eu queria te dar parabéns. Eu consigo ver daqui de fora
você modernizou a planta do apartamento. Ficou muito bonito.
É, muito interessante.
De muito bom gosto.
Parabéns. Meu nome é Diego. Eu estou à frente desse projeto agora na empresa.
Que, aliás, é meu primeiro projeto e eu estou super orgulhoso. E me sinto à
vontade de dizer que temos ótimas notícias.
Sim? E eu vou te dizer o porquê.
A primeira delas é que o projeto agora se chama Aquários.
É seu.
Tiro, gênio... Não, não. É o meu neto, o Diego.
Tem feito um trabalho muito interessante na construtora. Obrigado, João.
Você disse aquário?
É o novo aquário.
A ideia é manter o nome do mesmo edifício que existia aqui nesse lote.
Existia? É uma forma de preservar a memória da edificação, né?
Não estava no projeto inicial, mas junto com a nova oferta, é mais uma boa
novidade dessa proposta.
É.
O prédio existe.
Tanto existe que você está encostado nele.
Foi uma maneira equivocada de me despertar.
Isso.
Agora, antes de eu entrar e fechar a porta, me diga uma coisa.
Qual era o nome do projeto antes de ser o novo aparte?
O projeto inicial era o Atlantic Plaza Residence.
Seria um bom nome, não é? Sua bem. A gente prefere a parte.
Bem, obrigada pela visita. Nós queremos deixar claro a ele que nós estamos
sempre abertos ao diálogo.
Tá, obrigada. Com licença.
De nada.
Caso queira ler com mais calma o projeto.
Obrigado, Cláudio.
Eu vou buscar uma água porque sei que você está nervosa, não?
Tudo bom?
Onde é que estão as minhas músicas?
Já estão aqui no pendrive.
Ah, no pendrive.
Mas depois você vai passar para o meu celular?
Passo. Mais tarde a gente pode ir. Tá bom. Cope tudo?
Cope aquela lista lá que você me passou.
E eu coloquei umas coisas novas aí que eu acho que você vai gostar também. Ah,
que ótimo.
Agora tá assim, né?
Sugerindo coisas.
Vou colocar aqui para você.
Eu sei que eu tenho um jeito Meio estúpido de ser
E de dizer Coisas que podem magoar e
te ofender Mas cada um tem o seu jeito
Tá vindo uma menina aí do Rio de Janeiro, quinta -feira.
Ah,
é? Tá vindo aí? Como assim?
Ah, a gente se conheceu no Facebook.
Ela é amiga de Marcelo, lembra de Marcelo? É, lembro de Marcelo. Pronto.
gente se conheceu através dele, conversou durante um tempo, se curtiu e
vindo aí.
Nossa! E ela vai ficar onde?
Ela vai ficar lá em casa.
E seus pais já sabem?
Já, já estão sabendo.
E tipo delivery assim, é?
Delivery, tia.
Não sei, né? Vamos ver.
Eu acho ela massa.
Adoro.
A verdade tem nome?
Tem nome.
É Júlia.
Júlia.
Lindo não é, Paulo?
Olha, faz uma coisa.
Toca Maria Verdana pra ela.
Mostra que tu é intenso.
Tá bom.
Mostra.
Palavras são palavras E a gente nem percebe O
que disse sem querer E o que deixou pra depois
Boa noite.
Tudo bem?
Certinho, linda, como sempre.
Saudades.
E qual a proposta dele?
Ah, não sei, eu rasguei.
Você rasgou?
Você não teve nem curiosidade de saber o que era?
Não.
Você é minha irmã, não é?
Você está pertíssima.
Será que não existe nenhuma medida judicial para fazer essas pessoas
mexer o saco, não?
Mas eles chegaram lá, bateram a porta, pediram para falar com você. Não tem
de ilegal.
E os outros apartamentos, estão vazios ou tem algum alugado?
Todos vazios.
Compraram tudo.
Aí fica no tempo deles, né? Se vende, se aluga, enfim.
É. Então, Clarinha...
Eu não queria falar, mas tem que dizer, né?
Eu penso uma coisa só, é sobre a qualidade de vida sua.
É a única coisa que me preocupa.
O resto é o resto.
É.
Bem, sabe o que eu quero fazer essa semana?
Eu quero dançar.
Ah, que ótimo.
Vem comigo, Fátima, vamos?
Antônio me libera. Eu ouvi isso. Antônio me
libera. Ele tem que deixar.
Eu pensei que fosse junto também.
Que isso.
O que não falta é bailarina lá.
Tudo fosse verdade.
É impressionante. Ah, minha filha, central pernambucana de fofoca, piscina
clube alemão.
Estão todas bronzeadas, né?
A Célia Moreninha.
Agora o Veneno.
Eu cheguei em Veneno 10 anos atrás.
Eu praticamente casei com a comunidade de Veneno.
Não, não, não.
Você deu pra toda pessoa.
Eu sou uma boa pessoa.
Eu fico com pena. Por isso mesmo.
Olha lá, vai. Dá uma olhada, ela não quer. Leandro.
Quem? O advogado aposentado de afeto.
Ele era casado com a Ana Lúcia.
Que morreu faz uns 10 anos. Uma coisa horrorosa.
Terra de útero.
Agora a inteligência dessa...
Essa tá caída, vocês me enganaram, vocês querem um monte de homem bonito aqui?
no caprichado ali, né? Quem?
Não, olha, gente.
Aí ele bateu pra caramba, que eu vi.
Ouvi dizer que é viúvo.
Tem o quê? Tem o quê?
Não vale o gênero. O cara tá inteiro. O que é isso?
Vocês se lembram... Por que a gente veio aqui hoje à noite?
Lembram -se do quê? Eu vim para beber.
Não,
aquele assunto que a gente veio para conversar. A gente está conversando com
você. A gente queria saber de coração se você está bem e como é que está
sendo essa sua ajuda profissional.
Eu tenho apreciado com moderação.
Eu sempre achei que quem ia ter coragem era você.
Eu? É, com essa carinha de santa, né?
Mas eu sou um homem, minha filha. Pra me ver com você, jovem, profissional,
competente.
Profissional é bom, eu gosto.
Um profissional gostoso.
Ah, então eu vou passar o telefone pra você. Não quero não, muito obrigada.
de fazer agora.
O que é isso? Comercial de garotão. Passa agora.
Passa agora.
Parece aquelas coisinhas que a gente cola no ar. Passa agora.
Saúde!
Você fala bem baixinho, né?
Você está aqui a passeio?
Eu vim passar uns meses aqui com a minha filha. Ela mora aqui.
E a sua esposa?
Eu sou filha. Eu sou filha.
Eu também sou filha.
A 17 anos.
Você já tinha vindo a algum lugar?
Aqui é bom, aqui é muito bom.
Muito calor, muita emoção
Estou exagerando?
Não.
Eu tive uma cirurgia.
De mama?
De mama.
Você é ótima.
Mas eu preciso te levar em casa.
Eu tomo táxi.
Não, não. Eu faço questão.
Te levo em casa.
Muito obrigada, moço.
Boa noite.
Bom dia.
Eu hoje acordei pensando Num
sonho que eu tive à noite
Sentei -me na cama para pensar no
sonho que eu tive.
No sonho que eu tive.
No sonho que eu tive.
Fiquei tanto tempo pensando em tudo o que estive
sonhando.
Que por um momento pensei ser verdade.
O sonho que eu tive.
Que eu tive.
Alguém que entrei no quintal do vivinho e plantei uma flor.
No dia seguinte ele...
Eu tô aqui todo dia, eu sei o que eu tô falando.
Você tá querendo me botar mesmo.
É bom ter um pouquinho de medo mesmo.
Quer dizer, eu estou falando isso, mas eu não gosto também desse negócio de
medo. Acho que já tem medo demais de muita coisa.
É porque na profissão da gente, a gente tem que lidar com isso mesmo.
Quantas vezes eu e os colegas, a gente salva quem não teve medo, ou quem
esqueceu de ter medo.
Dona Clara, olhe discretamente aqui para o meu lado direito.
Está chegando um menino na bicicleta.
Está certo.
Dá uma dica, editor de roupa. Camisa cinza, calção preto.
É praficante.
Vende erva?
Dizem que é da boa, né?
Mas é só pros filhinhos de papai mesmo.
Bicicleta cara, todo branquinho, né?
Segunda e quarta tá aqui de manhã.
Sexta -feira vem de tarde.
E assim vai.
E vocês colaboram com a polícia também?
Nada. A gente aqui fica muito exposto.
Nessa praia aqui tem de tudo.
O expediente dele é atrás dessa barraca.
Dona Clara.
Bom dia. Daniel.
Filho de Jorge, seu antigo vizinho.
Daniel, como é que você está?
Tudo bem contigo? E seu Jorge, como é que está?
Papai faleceu, né? Está fazendo dois anos. Ô, Dona Clara, você não sabia, não
sabia da minha despesa, não viu?
Obrigado.
Estava passando aqui, vi a senhora e resolvi vir e pedir diretamente para
resolver a questão lá do apartamento, né?
Tem tanta gente sendo prejudicada, Dona Clara.
Papai mesmo negociou a área construída há seis anos, morreu e até agora nada.
Não estou entendendo. A senhora está entendendo. A senhora é doida? Não.
Pode deixar pra gente, tudo bem.
Todo mundo sai de lá, menos a senhora.
Se a senhora pensar direitinho, a senhora tá sendo egoísta.
Daniel, eu te conheci criança, você brincando aqui na praia de surto com os
filhos.
A senhora não me conheceu criança.
Mais adulto, a senhora não me conhece.
Passar bem, não.
Os portões são pra quê?
Eu não sei.
Vem aqui, vem.
Quero te mostrar uma coisa.
Parabéns, viu?
Que pode contar comigo pra tudo, não sabe?
Bom dia, Clara.
Tudo bem?
Como é mesmo o seu nome?
Josimar. Josimar, boa tarde.
E o seu nome, como é mesmo? Rivanildo.
Rivanildo. Boa tarde, Rivanildo.
E o seu nome, Diogo, certo? Diego.
Diego. Diego, vocês trouxeram aqui uns colchões pro prédio.
Será que eu poderia saber pra quê, por quê?
Clara. Os apartamentos, eles estão vazios, mas eles são propriedade da
construtora. A gente pode trazer o que for necessário para o trabalho.
Tá certo.
Faz sentido.
Pode você tirar esse carro, por favor?
Agora?
Agora. Boa tarde.
Boa tarde. Boa tarde, claro.
Eu escrevi umas coisas, sabe?
Pra você... É... Mais
fácil.
Esse é para Maria João e Bruninho. Mantenham o cor, mantenham a forma,
mantenham o cheiro, peso nenhum.
Quando sou forte, me chamam vento.
Quando sou cheiro, me chamam tudo.
Olha aqui, tava acordado.
Eu não acordei nunca e já tava acordado.
Tão bom ter vocês aqui.
Eu tava com saudade, sabia?
A gente podia marcar uma vez lá em casa, né?
Todo mundo se volta quando, né, Rodrigo?
E Marcos?
É Brasília.
Márcio, é aquele que eu ainda não fui nem apresentado?
Nenhum. Está correria, né mãe? Não deu tempo ainda.
E não tem nenhuma fotografia? Você não traz um retrato na carteira? Uma coisa
assim, para me mostrar?
Tem aqui.
Mãe, é que é dar a benção.
Tem que pedir a benção, Rodrigo.
Me diz uma coisa, enquanto o seu irmão procura ali uma foto que ele possa me
mostrar, como é que é esse tal desse Márcio, hein?
Márcio é um cara bacana, assim, tranquilão, mineiro, tá dando certo, né?
Tá.
Deixa eu ver.
Deixa eu ver.
Peraí, me deixa eu achar a foto. Ih, viu uma agora ali, assim, querida. Qual é a
foto? Ah, esse é o Márcio.
Não, é de BH.
Que cara simpática, olha.
Você também não quer entrar, não? Eu já tinha visto foto. Ah, tá. Eu nem foto.
Já viu? Já tá apresentado? Tá, obrigado.
Meu filho, por favor, eu mais, vem aqui, me visite mais, viu?
E não manda mensagem, não.
Telefone, pai, quero ouvir sua voz.
Tá bom?
Eu lhe trago o Márcio, eu quero conhecer o Márcio.
Tô viva, sabe?
Como é que a senhora tá lidando com essa situação?
É, tô puta, né?
E a senhora não acha que tá se estressando com tudo isso?
Não, eu disse que tô puta. Quem tá se estressando são vocês.
Não é, cara.
Tá. Contando para a gente o que está acontecendo. A gente só está preocupado.
esses adesivos nas portas?
Adesivo? Que adesivo? Nas portas.
Portas?
Adesivo da construtora.
Nos apartamentos.
O logo da construtora em todas as portas, mamãe.
Menos a da senhora.
A gente achou que só tinha visto.
Não.
Tem mesmo os adesivos, mas não tinha visto não.
Mas aqui é todo dia uma novidade. Um dia é uma coisa, outro dia é adesivo.
Não tinha visto não.
Deve ter colocado hoje.
Vocês entraram por aqui ou por lá? Por lá frente.
Lá também tem adesivo? Tem.
Sim, eu vou falar uma coisa que ninguém quer falar pra senhora. Mas eu acho que
a senhora deveria vender esse apartamento. A senhora vai se livrar de
problema. Que problema?
É, mãe, só que... Nós três ficamos preocupados com a senhora sozinha num
apartamento, num prédio fantasma.
Prédio o quê, Ana Paula?
Prédio fantasma?
Você não tem limite, né? O seu, assim...
Sua sensibilidade.
Sua visão da vida.
Mãe, eu tô falando que eu tô preocupada com a senhora.
A senhora tá vivendo num prédio que não tem conforto, que ficou velho, que não
tem segurança, que não tem estrutura nenhuma. Ele tá vazio.
Quando você gosta, é vintage. Quando você não gosta, é velho. Tá certo?
Vamos fazer uma coisa? Vamos lá pra sala e eu quero antes sair falar uma coisa
pra vocês.
Antes de vocês irem embora, vão lavar a louça, tá? Porque hoje não tem aula de
Jane, não.
Vamos.
Vamos.
Só acho que mudar de ambiente não vai resolver o problema.
Quem cozinhou, não lava.
Bom, já que eu já... Estou fazendo papel de bruxa mesmo. Deixa eu perguntar só
uma coisa para a senhora. A senhora pelo menos já pensou na oferta da
construtora? Porque o que eles estão oferecendo não é o padrão do mercado.
O padrão do mercado é você oferecer área construída no prédio novo.
Eles estão oferecendo em dinheiro.
É tipo irrecusável.
E como é que você sabe disso?
Eles procuraram vocês?
A mim não. Sim, sim.
Eu falei para os meninos, inclusive, que me procuraram.
Eles te procuraram?
Ou você foi procurar por eles?
Mãe, sim, eu fui. Eu tenho todo o direito de tentar entender o que está
acontecendo. Eu fui tentar... Inclusive o rapaz me pareceu uma pessoa
extremamente educada.
A minha.
E a oferta deles qual é?
Eles estão oferecendo quase dois milhões de reais.
Por esse apartamento.
Ana Paula.
Eu acho que...
A questão não é o dinheiro, né, Marta?
O que você quer dizer com esse, uma pausa, apartamento?
Ai, mamãe, eu quis dizer que é essa grana por esse apartamento. Foi só isso
eu quis dizer.
Esse apartamento, o apartamento onde vocês cresceram, esse apartamento
é na Praia de Boa Viagem.
Você não percebe, não, que...
Ainda falar com eles, você passa por cima de mim, você me desrespeita.
Você me coloca no lugar de doida do Aquarius.
É que isso que vai acontecendo, você vai falando com essa gente, me coloca como
uma louca, sabe?
É que vocês não sabem o que é se sentir louco, sem ser louco, parece que tá em
doidão. Você sabe que é isso, meu filho.
Você sabe que é passar por isso e saber que não está endoidando e que a loucura
está lá fora, não sabe?
Vocês lembram disso.
Outra coisa que é muito louca aqui é a gente estar falando de dinheiro.
Eu posso ajudar vocês a hora que vocês quiserem.
Mas escuta, talvez a Ana precise.
Eu já disse, é você que está precisando de dinheiro, Ana Paula.
Olha, mamãe, a senhora deve ser a pessoa aqui nessa sala que melhor sabe como
tem sido difícil para mim depois da minha separação.
Agora, o que eu estou dizendo para a senhora é que não se trata só de
Eu posso ajudar qualquer um de vocês a qualquer momento. Eu tenho a minha
aposentadoria, tenho cinco apartamentos e tenho todo um...
Um patrimônio que foi criado por mim e pelo pai de vocês, que é de vocês.
Ah, mãe, por favor, né? Esse patrimônio não foi construído pela sua carreira
como jornalista ou como escritora. Fala uma coisa dessa, pelo amor de Deus.
O que é que papai tem a ver com essa história, Ana Paula?
Papai não tá mais aqui.
Por que que papai entrou nessa história, hein?
Paulinho da Viola.
Há pessoas com nervos de aço, sem sangue na veia.
Isso é em coração.
Mas às vezes, passando o que passa... Lopsinho.
A senhora tá cantando pra mim?
Ah.
Minha filha.
A viúva de seu pai aqui sou eu, mas você não viu.
Difícil, né?
Mas é a vida.
Você vai ter que se acostumar.
Agora, isso que você disse sobre o meu trabalho, é uma coisa que você vai ter
que lidar com.
Isso é com você.
Não tem nada a ver comigo.
Eu sou quem eu sou.
E foi assim que eu criei vocês.
Eu e seu pai, juntos.
Agora...
Tudo isso que você fala e da maneira como você fala, sabe, é...
Você... Parece uma idiota.
É, irmã.
Precisa disso, né?
É.
Imbecil, louca, porque agora ninguém se lembra, né? De quando a senhora passou
dois anos fora e meu pai criou a gente sozinha. Para de falar besteira, Ana
Paula. Já mandava cartão postal, né? Para, Linha, tá bom. Pensando que tava
bem.
Tá falando demais.
Tá bom, ela me chamou de imbecil. Agora você não falou nada, né?
É que às vezes você fica meio boboca mesmo.
Desculpa.
Desculpa, amor.
Eu acabei.
A Sarah é muito teimosa. Às vezes a Sarah parece uma mistura de velhinha com
criança.
É que eu sou uma velhinha com criança.
Tudo junto.
Não quero a maga, pronto. Quero a maga, maga.
Obrigado.
Já figurou, né?
Você não me conhece, quem tá falando é Clara, sua amiga da Letícia, ela que me
deu seu número.
Sim, tudo bom, Clara?
Ela me falou de você.
Você tá disponível, Paulo?
Pra agora?
É, pra agora.
A festa está boa em cima, né?
É.
Casa bonita.
Obrigada.
Coleção de lipeio.
Quer beber alguma coisa? Eu estou tentando matar aquela garrafa de vinho.
Não, não. Obrigado. Eu estou de moto.
Senta, fica à vontade.
Letícia me falou de você.
Você é realmente muito bonita.
Eu quero que você vá embora.
Como é que é?
Quer que eu vá embora?
Eu quero que você me coma.
Será roupa?
Não precisa.
Sai, sai, sai.
Aqui, ó.
Tá saindo.
O Daval, eu queria te perguntar uma coisa. Eu não sei nem se você pode,
Se você tem um telefone que eu possa te ligar. Tá gemerjento, assim.
Tem.
É, mas a senhora tá precisando de alguma ajuda?
Algum problema, não?
É só precaução mesmo.
Tá.
Mas... É tipo o quê? Um guarda -costas, salva -vidas?
Não, Roberto. Não é nada disso, não.
Roberto, não presta atenção em nada que eu estou falando hoje.
Sabe o que acontece?
Eu estou com uma ressaca.
Daquelas. Que dá uma dorzinha bem aqui, assim, sabe?
É porque teve uma festa lá no meu prédio ontem.
É, ressaca é tal mesmo. É.
Festa? É.
E tava boa a festa?
Tava boa.
Dona Clara, a senhora não me leve a mão, não, mas... A senhora tá dando em cima
de mim, é?
Roberto, eu acho que você é um homem lindo.
Mas você sabe que tem muita coisa assim rolando na minha cabeça por semanas.
Mas, não, não.
Eu não estou dando isso a você.
Ah, tranquilo, dona Clara.
E é, sei lá, é sempre bom perguntar, não?
E você mora onde, lá no Rio de Janeiro?
Eu moro no Largo dos Leões, no Maitá, sabe?
Ah, conheço muito ali o Largo dos Leões.
Conheço muito. Eu adoro o Largo dos Leões.
Sabe que eu tenho uma amiga?
Eu tinha, ela já faleceu.
Mas ela morava ali, sabe? Eu adoro aquela área do Rio de Janeiro, sabe?
Eu gosto também. Eu moro ali na Mário Pederneiras.
Ah, eu conheço. Eu acho que nem os cariocas destruíram o meu amor pelo Rio
Janeiro. Porque você não gosta de carioca, não?
Ela tá brincando, Julia.
Entendi, entendi.
Mas sabe o que é, Julia?
É que eu gosto muito desse menino, sabe?
É precioso pra mim.
Acho que ele também gosta muito de você. É? Porque ele me falou muito de você.
Às vezes eu penso que eu engravidei do Tomás, mas não lembro.
Aí, tem aquelas fotos da mãe dele na maternidade, com aquele bebezinho no
Acaba com o meu sonho.
Boa, tia. Faz o brinquedo pra turista, vai. Por favor.
Tá bom, tá bom. Explica pra ela aí, pra onde a gente tá indo.
Tu já mostrou a Maria Bethânia pra ela?
Não. Maria Bethânia? Por que você não tocou a Maria Bethânia pra mim? Como eu
tocar a Maria Bethânia pra ela? Não, você tocava.
Ah,
agora eu quero escutar.
Vê só, tia.
Explica pra ela pra onde a gente tá indo.
Muito bem.
Aqui é a divisão, entendeu? Ali é o Pina.
E aqui é meio a divisão, sabe? No Rio tem o Leme e Copacabana, certo?
É mais ou menos isso aqui.
E onde que é a divisão?
É bem aqui.
Está vendo? Este cano de esgoto, o emissário.
Esse cano é a divisão. Para cá, do cano, dizem que é a parte rica.
Para lá do cano, a parte pobre. Ou seja, para cá é Pina. Para lá,
Brasília Teimosa.
Entendi. Entendeu?
E Brasília Teimosa é para onde a gente está indo agora.
Nós vamos cumprimentar lá de Jane.
Trabalha comigo tem 19 anos.
O ano passado, você sabe que o filho dela foi atropelado, ele estava vindo do
trabalho na moto.
Foi atropelado por um bêbado.
E isso aí não deu em nada, nunca deu em nada.
Diga aí, o cara bêbado atropela ele e não acontece nada.
Pode.
Não sei se vou aturar.
Esses seus abusos, não sei se vou suportar.
Carioca é bonita.
Carioca bota uma lascada.
Lala é irmã de Laduzane. A Lala trabalha para a Letícia, que é minha amiga, e
Laduzane para mim.
Falou sobre ontem? Não, sobre ontem?
Não.
Você ligou pra ele?
Ele foi lá em casa.
Engraçado. Eu queria tanto que esse homem ficasse contigo.
Sabia que eu tô com ciúme.
Agora é tarde, né? Agora já foi.
Foi bom?
Foi bom sim, mas... Eu ainda estou processando.
Foi bom demais.
Não. Foi bom ou não foi bom, Clara?
Pai, diz logo. Foi bom pra mim?
Foi. Foi bom.
Tirando a festa, sua noite foi boa.
Foi.
Estava linda você.
Ah, minha filha, com aquele vento da laje.
Tiveram que fazer um capacete de laque em mim.
Não saiu um fio do lugar.
Mas estava linda.
Bom dia, dona Clara.
Estamos começando lá na frente.
Está certo.
Comprei toda aquela tinta que tu me pediu. Está tudo lá no carro, viu?
Caro, hein?
Tinta boa.
Tinta boa, mas caro.
Vai ficar bom.
Volta aí para um cafezinho depois.
Dona Clara,
os nomes da construtora estão aqui.
Eles estão lavando a escada social.
Bom dia, Josina. Bom dia, meu amigo. Bom dia, dona Clara.
Se há muita merda no fundo, solitário?
Já. Dão -lhe paz a toda aquela merda no fundo.
Já, dona Clara. Pode ficar tranquila.
Tomás e Júlia ainda estão dormindo, viu?
Deixa eles dormirem.
Saudade do meu filho.
Felipe,
olha aqui. Acho que tem muita foto de quando ele era pequeno, viu?
Carta de aniversário, essa coisa.
Pelado. Quando era bebezinho.
Peladinho, né?
Isso?
Ele fica sem jeito.
Saudade que dá, né?
Quem?
Linda,
grávida. Que massa.
Linda, olha o barrigão dela.
Tá sendo tão linda.
Tá parecendo um pelas costas do porta -retrato. Ah, bonita.
Antônio. Ai,
que linda essa mulher, lembra?
O nome delas faz uma comida maravilhosa, todo mundo adorava ela, lembra?
E acabou que era uma filha da puta, roubou nossas joias, roubou as joias da
mamãe, lembra? Da vó.
Essa aqui, caça Deus lá pro Ceará, nunca mais ninguém viu.
É, mas é inevitável, né?
A gente explora elas, elas roubam a gente de vez em quando.
E assim vai, né?
Você está certa.
Tony, como é o nome dessa criatura?
D 'Argna, não.
D 'Arlene.
D 'Arlene? D 'Arlene?
D 'Arlene Gloria.
Antônio, ela é D 'Arlene? Não é nós, não.
E esse feridão aí? Opa!
E aí?
Tudo bem?
Então,
o...
E aí? Os discos que estão ali que vocês não tiveram tempo de ver ontem, não é
isso? Ali, pode ver.
A gente podia ver agora, não é? Vamos lá ver.
A minha futura herança.
Como? A minha futura herança. Vai entrar sentado.
A minha futura herança. Clara. Oi?
A gente está mandando.
Oi,
menina.
Eu gosto muito dessas fotos, viu? De Adalberto.
Gosto de todas, acho maravilhosa. Mas essas aqui, dessa sequência de Maria
Farinha... Pô, pai, que onda é essa do povo tirar sempre foto com o
carro? Eu vejo tanta gente aqui tirando foto com o carro.
O carro perdeu o encanto.
Agora é só um carro. Não, eu já fiz foto de carro no Facebook.
Mas assim, dessa maneira, as pessoas pousando como se o carro fosse um ente
família.
Eu acho que não.
Juvenita.
Era Juvenita o nome da tua empregada.
Era Juvenita, Juvenita.
Ainda bem que se lembrou, né? Ainda bem, quase tanto que não conhece, Antônio.
Então,
se eu não lembrasse agora, eu ia ficar o dia todo com esse filme na cabeça.
Obrigado, obrigada.
Eu acho que a gente já tem fotos que a gente tinha pedido o casamento. Mas só
esse pouquinho?
É porque também tem as minhas fotos que estão na casa da minha mãe. Ah, tá
certo.
É Arnaldo, o prêmio de Adalberto? É Arnaldo. O personagem mais engraçado que
conheci na minha vida.
Deixa eu ver.
Eu conheci o Arnaldo. É esse aí.
Aquele tá tão sério.
É, mas...
Também aqui era o dia de formatura de direitos, não é? Fizesse um pouco, não
não? Essa foi para o meu filho, Felipe.
Por que a piada com o André?
Vai aprendendo a conviver aqui, porque a gente perde o
sobrinho, mas não perde a piada. Eu também te amo.
Eu também te amo.
Olha, que lúcia.
Essa quebraram a frente. Quer mais vinho?
Quer mais vinho?
Quer mais vinho?
Tá bom? Quero mostrar pra senhora também a foto do meu filho, que eu carrego na
carteira.
Ô, tia, a gente queria colocar uma música aqui que a Júlia escolheu.
Pode ser?
Pô, Clara, você tem muita coisa aqui. Dá pra escutar tudo.
Mas, enfim, esse disco aqui, eu me amarro muito nele. E essa música nem é
mais famosas dele, mas eu acho ela bem bonita.
Acho que vocês devem conhecer.
Então coloca, vamos ver. Vem aí, Tomás.
Eu aprendo a
beijar outros
homens.
Como o beijo do meu pai.
Eu passei muito tempo.
E a mulher que eu amei, que amo, que amarei, será
sempre a mulher.
Como é minha mãe?
Como é minha mãe? Como vão seus temores?
Meu pai, como vai?
Diga a ele que não se aborreça comigo quando me
vir beijar outro homem qualquer.
Diga a ele que eu, quando beijo um amigo, estou
certo de ser...
Eu mando.
O que é isso? Mãe, aconteceu um negócio fechado. Tive que mandar a Cidinha
embora.
E você mandou a Cidinha embora?
Ah, mãe, ela é ótima, mas ela vivia... A Cidinha é babá. Mãe, ela vivia de tudo.
A Cidinha é babá, adora o Pedro. Se você manda ela embora, vai ficar sem babá.
Não, eu já tô de olho em outra pessoa. Aliás, eu já tava. Vai ser melhor pra
todo mundo. Mãe, eu tô super... Eu tô realmente com pressa. Você conversou com
Armando, poderia? Mãe, o Armando não faz parte do dia a dia de Pedro. Ele não
conhece... Aliás, eu acho que se bobear, ele não vai nem perceber que a babá
mudou, sabe?
Mãe, ó, aqui tem...
fralda, tem livrinho, tem a papinha dele, tem tudo.
Espero a entrega sua. Jane, obrigada, tá?
Quebra essa pra mim, tá? Mais tarde eu tô aqui.
Qualquer coisa você me liga, tá? É, claro que eu ligo, mãe.
Obrigada.
Eu sou o lobo mau, lobo mau, lobo mau.
Três porquinhos.
Não, né? Três porquinhos. Não.
Olha aqui, o chapeuzinho vermelho.
Chapeuzinho vermelho.
Pedro, chapéuzinho vermelho, o lobo com a minha vovó.
Edelene foi no mercado. Quando ela voltar, eu peço para aplicar.
Sabe que eu não sei fazer essas coisas, não. Sim.
Mas quando ela voltar, eu peço para aplicar.
Certo. Agora você.
Desculpa, senhora.
Moço, como é que o senhor faz um negócio desse comigo?
Bom dia.
Deus é lindo.
Ele é maravilhoso em nossas vidas. Deus é maravilhoso, soberano.
Não sei nem o que falar.
A senhora viu como é que tá lá na garagem?
Me abençoe.
Pode ser que foi besteira, mas eu acho que não é.
Ontem, depois que a senhora saiu passear com o Pedro.
Ontem?
Se aconteceu alguma coisa ontem, o que é que você está me perguntando agora?
Ô minha gente, o que é isso aí? O que é que vocês estão fazendo aí?
Vocês estão ficando doidos. Como é que se faz um negócio desse? No meio de boa
viagem vocês estão fazendo isso.
E aí, Clara.
Tudo bem?
Bem, Diego.
Precisando melhorar. O que foi?
Ô, Diego, você... Mandou queimar os colchões aqui no pátio?
No meio de boa viagem?
Não. Não mandaram. O que é aquilo ali?
Queimou, sim. Não tô sabendo, não.
Essa ali?
Olha, eu vou procurar saber quem fez isso e vou repreender. Vocês estão
de razão. Isso aqui não tá certo.
É que teve uma festa aqui no prédio, sabe?
E os colchões realmente devem ter ficado muito sujos.
Ah, não da festa eu tô sabendo, mas colchão sujo não chegou até a minha
informação. Ah, não. Teve colchão sujo sim.
Teve merda rolando pela escada.
Aí de que? Você não mandou lavar?
Não, não sabia. De merda na escada eu não sabia.
Confesso. Não, mas tudo bem. Eu não tô julgando nada, sabe?
Por isso que eu tô aqui pra falar com você, que é o seguinte.
Você tem tantos apartamentos nesse prédio, tá certo? Você podia ter dado
festa em qualquer um dos seus apartamentos.
Mas não.
Você foi dar uma festa no apartamento 8, que é justamente em cima do meu, e nem
me comunicou. É, não, perdão. Isso foi um erro meu.
Muita coisa na cabeça, acabei esquecendo.
Eu... Te prometo que a partir de agora, toda festa que eu for dar ou que eu
autorizar aqui no prédio, eu te aviso com toda antecedência. Perdão. Agora,
Clara, eu vi que você tá pintando a fachada do prédio sem que isso fosse
discutido com a construtora, né?
A gente também faz parte do condomínio.
Será que a gente não melhora essa comunicação entre a gente?
Diego, você faz daquele tipo passivo -agressivo.
Passivo -agressivo.
Não, Clara, eu faço tipo focado.
Tipo determinado. Aqui você não me conhece. Eu acabei de chegar dos Estados
Unidos. Eu me formei lá, eu estudei três anos business.
E agora eu estou de volta com sangue nos olhos.
Isso aqui está sob minha responsabilidade. É meu primeiro projeto
atacar.
Aquela visita que a gente fez lá na sua casa foi uma coisa muito social, né?
Uma coisa, vamos chegar junto da Clara, vamos estabelecer um contato.
Que não aconteceu.
Você não deixou a gente entrar, a gente ficou da porta.
Ninguém ofereceu um cafezinho, uma água, um chá.
Eu queria ter te dado uma opinião mais realista sobre isso aqui.
Esse prédio tá vazio, né, Clara?
Não.
O prédio não tá vazio, eu tô aqui, eu moro aqui. O prédio tá vazio.
O prédio tá vazio e eu, a construtora, todo mundo, a gente tá preocupado com
pessoa...
Toda a licença, perdão, da sua idade aqui, eu não deixaria minha avó, minha
morando num lugar desse, sozinha.
No Brasil, de hoje em dia. Porque onde é que elas moram, sua mãe, sua avó? Elas
moram exatamente no lugar que a senhora deveria morar. No edifício com
estrutura, no edifício com segurança. Eu não vou nem dizer o que eu tô pensando,
entendeu? Porque isso me leva a pensar onde é que a sua mãe mora. Você vai me
desculpar. Sou uma pessoa educada, mas você realmente me tira do sério. Tá
certo, tá certo. Eu acho que aqui não tem mais condições.
Eu só acho que uma pessoa preparada como você tem que estar num edifício seguro.
Com câmeras 24 horas, com qualidade, com segurança.
Aqui não dá mais não, cara.
Eu confesso que eu entro nesse lugar e nem vejo mais esse prédio.
Eu só consigo pensar na quantidade de pedreiro, de operário, familiares que me
ligam todo dia desesperados para saber se a tal dona Clara finalmente tomou a
decisão correta para que todos eles tenham no final do mês uma condição um
melhor. Agora, já passou pela sua cabeça que...
Sei que esse seu projeto, o novo aquário, só vai sair mesmo do papel
tiver uns 50 ou 60 anos de idade.
Pode ser.
Talvez.
Agora, tem gente que não pensa assim.
Os seus filhos... Não fala do meu filho!
De nenhum deles!
Cala a sua boca!
Não fala dos meus filhos!
Eu vou te dizer uma coisa, sabe?
Tô aqui, parada, perdendo meu tempo falando com você, mas tô pensando numa
coisa, sabe?
É impressionante o que se diz de que falta educação, né? E sempre se refere a
gente pobre.
Mas falta de educação não tá em gente pobre, não. Tá em gente rica e abastada
como você, sabe?
Gente de elite, que se fala de elite, que se acha privilegiada, que não entra
fila, sabe?
Gente como você, que fez curso de business, mas não tem formação humana,
não criou caráter, sabe? Não criou caráter. Quer dizer, tem o seu caráter,
dinheiro.
Portanto, meu amor, você não tem caráter. Só tem essa carinha de merda, é
que você tem.
Eu vou te falar uma coisa.
Eu já te disse, eu vou repetir.
Eu não estou brincando.
Eu só saio daqui morta.
Você não me conhece, Clara.
Mas tá certo, eu prefiro lhe ouvir e lhe respeitar.
Até porque olhando daqui, dá pra ver que você com certeza veio de uma família
que batalhou muito mesmo pra chegar onde chegou.
Né, Clara?
Uma família de pele mais morena, né?
Que deu muito suor pra ter o que tem.
Te respeito.
O senhor vai me desculpar, mas o senhor não pode tratar ela desse jeito não,
viu?
Mas era um cinemote, hein?
Olha, não sei se você já chegou a ver, né?
Mas, finalmente, publicaram, minha amiga. Olha aqui.
Eu gosto de MP3.
Você deve ter falado isso.
Título ruim, foto horrível.
Fica mais linda.
Tu sabe alguma coisa sobre essa gente?
Eu sei mesmo.
Claro.
É da conta de publicidade deles no jornal.
E publicidade, meu amor, só perde pra governo do estado.
Prefeitura. E a concorrente deles, a Pinto Engenharia. É gente fofa.
É, mas isso a gente sabe, né?
Diego Neto.
O que é que tu sabe dele?
Esse aí, esse aí eu sei mais, porque é vaidoso, gosta de
aparecer, gosta de economia social, tem acesso à imprensa.
Ele tá sempre aparecendo aí, você não tem lido jornal, não?
Não, não leio mais jornal, não. Cadê?
Tu não lê nem o nosso jornal mais? Não, não, não lido jornal.
Então, pra ter conhecimento, assim...
Igreja? Agora, é... É
afilhado do meu irmão Ricardo, que é arquiteto, você sabe.
Coriga da família.
Ricardo. Ricardo.
Fez muitos projetos para a construtora. Ele é arquiteto, isso é natural, Clara.
Mas é natural e é lógico. É, a extensão dos vínculos familiares aos círculos de
amizade. Não é, Ronaldo? Uma coisa bem pernambucana, bem brasileira.
Não é, Ronaldo Cavalcante?
Quem não é Cavalcante é Cavalcante.
Queria te perguntar uma coisa.
Essa menina que foi me entrevistar é da família?
Ana Paula.
A minha sobrinha. Está comigo lá no jornal.
Não vamos falar de família.
Até porque... Tem um irmãozinho caçula.
Está metido em umas broncas pesadas aí na política, né?
Está vendo?
É, Ronaldo. Se conseguirem provar todas as acusações, ele está com muito
problema, sim.
Como é que tu aguenta, hein?
Eu acho que ainda estou na imprensa, esse santo todo, porque muita gente sabe
que eu sei de muita coisa.
Eu vi muita coisa.
Eu filtrei muita coisa.
Eu estou achando que tu vai me ajudar.
Muito discretamente.
Tem uns papéis aí que se fossem divulgados,
não no meu jornal, obviamente, mas que se fossem divulgados,
ia ser péssimo para eles.
Agora tu, agora tu gostaste.
Bom dia, doutora Cleide. Sou eu, doutora Cleide, essa é minha cliente Clara.
Prazer, Benedito. Obrigada por receber a gente, seu Benedito. A informação que
me passaram é que fica no lote 307D.
Eu posso parecer perdido, mas é exatamente isso, eu estou perdido mesmo.
É um esgoto de papéis.
É aí, mas eu estava louco.
Eu estava cansaço demais.
A senhora está samburando.
Olá. Olha quem tá aqui.
Pedro.
Aqui, Pedro. Cadê você, Pedrinho?
Cadê a bola? Dá a bola do Pedro pra mim. Eu vou dar a bola do Pedro.
E essa sua mamãe, como é que tá? Tá bem?
Tá bem.
Tudo bem. Tá melhorando com a sua ajuda.
Eu recebi esse envelope.
Lá embaixo eu tive que assinar.
O que diz?
Notificação.
Terminantemente proibido a pintura da fachada do edifício.
A senhora pintou a fachada do edifício?
Ela não percebeu que eu pintei a fachada do edifício.
Ah, mas sai do carro, Pedro, mochila, correria, eu não... Dá uma
olhada agora quando eu sair.
Mãe, Cleide mesmo foi advogada?
É, ela é a minha advogada. Dê uma ligada pra ela.
Eu acredito que isso não vai dar em nada, não, mas dê uma ligada pra ela.
Eu vou ter que ir.
Só mais uma semana e tudo volta ao normal, tá? É, não tem problema.
Obrigada. Não tem nada não.
Dona Clara,
você lembra da gente?
Eu lembro, você é o Josimar da construtora.
Meu nome é Josimar, mas da construtora não. A gente não trabalha mais lá na
construtora não.
Eu achei que devia vir aqui falar com a senhora.
Certo, pode falar.
Eu queria dizer isso para a senhora.
Eu admiro muito a senhora.
Acho a senhora uma pessoa muito correta.
E muito bonita.
Deixa eu ver uma... Tá bêbado.
Eu bebi um pouquinho.
Bebi um pouquinho.
Eu não bebi não. E o que a gente tá falando aqui é um negócio que a gente
falar pra ajudar a senhora, entendeu?
A senhora tava com medo, mas a gente veio falar pro seu bem.
Há uns 3, 4 meses atrás, a senhora tava viajando.
A senhora tava viajando.
E mandaram a gente fazer um serviço aqui no seu prédio. Não foi nem para a
gente, foi todo mundo da construtora.
Todos os trabalhadores que estavam trabalhando no prédio aí, estavam no
lugar. Mandaram a gente trazer um material e a gente estava nessa equipe.
material é esse?
A senhora precisa abrir os apartamentos de cima.
Lá do bloco B, aquela área lá que está sem luz.
Mas é o apartamento 10?
E o dono.
Mas o que foi que aconteceu?
O que a gente podia dizer, a gente já disse. A senhora vai no apartamento,
Abre o apartamento. A senhora vai ver. Abre o apartamento. Vê lá o que tem e
pronto. A gente vai embora.
Não, não, não, não.
Mandaram fazer o quê?
Trouxeram o quê pra onde? E vocês vão ver agora.
Ladjane.
Chuta!
Dona Clara.
Obrigada mesmo por ter vindo.
Estou aqui para ajudar.
Veja bem, acho melhor começar por aqui.
Agora está sem lixo.
Mas, dona Clara, a senhora tem algum mandado?
Algum documento? Eu sou advogada de Clara mesmo.
Então vamos lá.
Não vou não. Não vou nada.
É isso aqui?
É isso aqui, dona Clara?
É, é isso aí.
Acho bom que você se apaixe um pouco, por favor.
Dona Clara, acho melhor a senhora não entrar, não.
Eu vou entrar.
Ô Evol, essa é a culpa em demolição.
Trouxeram pra cá.
Peraí.
Desgraçado.
Esse tem mais, né?
Tem mais, pô.
Na clareza está ainda pior.
Eles trouxeram a colônia completa de copinha.
Você quer que eu fale ou você prefere falar?
Eu falo.
Fique à vontade, eles já estão vindo, viu?
Bom dia, bom dia.
Bom dia.
Bom dia.
Tudo bem? Tudo bem?
Bom dia, doutor.
Bom dia.
Bem claro.
Vai viajar?
Esse é o meu irmão Antônio. Meu sobrinho Tomás. Essa é
Cleide. Ela é minha amiga e minha advogada.
Vai ser muito rápido.
É sobre esses documentos que Cleide e eu encontramos.
E deve ser do interesse de vocês.
Posso ver de onde a senhora quer isso, dona Clara?
A senhora, a senhora, eu vou dizer uma coisa.
Eu só queria dizer... Não,
um momento, a senhora quer me dizer, olha, a senhora quer me dizer o que
significa isso, sabe por quê?
Porque eu sou uma pessoa educada, mas se eu não fosse, eu botava a senhora para
fora daqui agora.
Mas por causa disso? Exatamente.
Pode ver.
Eu tenho os originais.
Com certeza.
Dona Clara, acho que não era nem nascido quando aconteceu isso aqui.
Isso aqui não vai dar em nada.
Tem coisa que não dá em nada mesmo, é isso?
Se der uma dor de cabeça para vocês quando eu publicar esses documentos, eu
fico feliz.
Dona Guara, eu não sei se é do seu interesse e do interesse da sua advogada
meter com o nosso departamento jurídico.
Bom, pelo tamanho da mesa, o seu departamento jurídico deve ser enorme.
É. Sou muito filho da puta.
O que é isso, rapaz? Está perdendo a razão?
Está brincando?
Está pensando o quê? Será que é o quê? É sua casa?
Respeite. Se não respeitar, eu vou acabar com o respeito com vocês. Calma,
Geraldo. Calma nada.
Estão me faltando com o respeito dentro da minha casa.
Diga.
A segunda coisa é que eu sobrevivi a um câncer. Tem mais de 30 anos,
sabe? E hoje em dia, eu resolvi uma coisa.
Eu prefiro dar um câncer em vez de ter um.
Tony, ajuda aqui.
O que é isso, Clara?
Desliga essa câmera.
Baixa essa câmera.
Amigo, por favor, desliga essa câmera.
Vai,
abre aí. O que é isso?
Trago em meu corpo as marcas do meu tempo Meu
desespero, a vida num momento A porta assume
a flor, o fim do mundo
Hoje, trago
no olhar imagens distorcidas, cores...
Viagens, mãos desconhecidas, trazem a lua,
ruas, minhas mãos. Mas
hoje, as minhas mãos
enfraquecidas e vazias, procuram nuas pelas luas,
pelas ruas.
Na solidão das noites frias, sou você.
Hoje, homens têm medo, aportam no futuro.
Eu tenho medo, acordo e te procuro.
Meu quarto escuro é inerte, como a morte.
Homens de aço esperam da ciência. Eu
desespero e abraço a tua ausência.
Que é o que me resta vivo em minha sorte.
A sorte.
Eu não queria juventude assim perdida.
Eu não queria...
Andar morrendo pela vida Eu não queria amar assim
Como eu te amei A sorte
Eu não queria juventude assim Perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
de saia o verão chegou em Zé Araújo
você tem vez compre no precinho o que ele adorou
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