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Tenho um plano para que me tires daqui.
E quem tenho que sequestrar?
A algu�m que importa muito a Sandoval.
Sua ex.
Bloqueia as portas e nem penses gritar.
N�o vou perder o contrato da nova pris�o
porque uma mexicana se riu na nossa cara.
Enquanto Altagracia n�o voltar � pris�o,
Cruz del Norte vai ser pior que Guant�namo.
Apresento-lhes a F�tima, vossa nova companheira.
A filha de Zulema Zahir.
Quando vir sofrer a sua filha, vai ter que dizer-nos
onde caralho est� metida a Altagracia.
Felicito-te, cigana.
S� tu sabias que tinha uma filha.
Sabes quando vamos falar tu e eu?
No dia que enterremos as nossas filhas, � vez.
Tu, porque apanhaste a droga do ch�o?
D�-me os pap�is.
Queres ser minha s�cia? Trato?
-S�cia. -Escuta bem o que te vou dizer.
Tens que escolher a presa mais temida, apanh�-la desprevenida.
E massacr�-la.
E o mais importante: que todas te vejam.
Sem d�vidas, se cheira o teu medo,
est�s fodida.
N�o, respira.
Zulema em troca de tua ex mulher.
Esse � o trato.
N�o quero microfones, n�o quero armas
e n�o quero nenhum tipo de pol�cia atr�s do cu de Zulema.
-Zulema. -Estou livre.
Saia do ve�culo! As m�os onde possa v�-las!
N�o cumpriste, Sandoval.
Lamento.
N�o!
N�o!
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N�o creio em Deus.
N�o creio que Sandra
esteja num lugar melhor...
porque para ela n�o havia melhor lugar
que ao lado de suas filhas.
N�o creio no olho por olho.
N�o creio na viol�ncia sem sentido.
N�o creio no perd�o.
Nem creio em segundas oportunidades.
Nem sequer creio
que esta farsa sirva para nos fazermos sentir melhor a nenhum de n�s.
Pelo contr�rio,
isto s� servir� para calar-nos,
sofrer...
s�s.
Em sil�ncio.
Lamento.
Senhora Cruz.
Hierro,
esta situa��o escapou-nos das m�os.
H� muita gente que est� a sofrer
e tu e eu vamos fazer que isto acabe.
Traz-me a Zulema Zahir.
S04 E05 "TRAI��O"
Calem a boca, eh?
Um, dois, tr�s. Um, dois, tr�s.
Com o vito vito vito,
com o vito vito vai.
Gostei do coro.
Com o vito vito vito...
Isso est� bem. Porque estamos todas juntas
fazem-nos cantar can��es que s�o muito velhas
e eu n�o conhe�o. -N�o me olhes para a cara
que me ponho "corada".
Tinha como que a sensa��o de que me distra�a e, de facto,
estive momentos pensando: "Ai, que bem,
�s 05:00 temos coro".
Que eu nunca estou esperando que chegue alguma hora.
...vito, com o vito vito vai.
Com o vito vito vito,
com o vito vito vai.
Uma Cordovesa foi
a Sevilha ver os toiros.
E a meio do caminho
a cativaram os mouros.
Com o vito vito vito...
Raparigas, venham aqui um momento, por favor?
Que �, Palacios?
Tenho duas not�cias: uma boa e uma m�.
A boa � que as Institui��es Penitenci�rias
nos concederam a permis�o para ir cantar
ao Lar de Idosos "Los Almendros".
-Ol�! -Viva, Palacios!
Ai, Palacios!
Mas h� uma parte m� e � que nem todas poder�o ir.
Ent�o. Porqu�?
As que falharam a condicional
ou acumulem mais de 10 anos de pena, n�o v�o.
Se falhaste a condicional j� n�o podes cantar...
N�o posso acreditar.
Mas Palacios, Sole � uma santa, eh?
J� o sei. Eu n�o fa�o as normas, Tere.
Mas, porque me castigas, Palacios?
Foi s� um dia, h� muitissimo tempo.
Luna, ali est� a lista das que podem sair.
Lamento.
Vai ver se se enganaram ou algo, p�...
-Qual qu� v�o-se enganar estes... -Procura o meu nome.
Sai ou n�o sai?
Eh, tu, vem comigo.
Pergunta de exame:
qual � o �nico lugar no mundo onde podes encontrar
morfina, code�na, barbit�ricos e anfetaminas
numa mesma habita��o?
Sei l�. � que eu n�o fui muito � escola.
Num asilo.
H� mais drogas a� que no parking de uma discoteca, crian�a.
Boa. Boa.
Sim, sim...
Apanhaste ou n�o, Goya?
Sempre quiz ser m�e...
e quando engravidei de Luca,
fic�mos muito felizes...
Mas morreu ao nascer.
Tetralogia de Fallot, disseram-nos.
N�o lhe circulava suficiente sangue nos pulm�es.
Foram 15 horas de parto,
n�o dilatava, a epidural n�o me fazia efeito,
e, no final, 17 pontos de episiotomia.
Mas valeu a pena...
por ver-lhe a carita uns segundos.
Os dois temos bons trabalhos fixos.
Eu pedi uma licen�a para estar com o beb�.
N�o lhe vai faltar nada.
Temos pensado em mudar-nos para perto do hospital.
E assim podemos seguir o tratamento de Estrella.
J� temos o seu quartinho preparado.
� todo verde, � lindo.
N�o vai dizer nada?
Cago na puta da minha vida,
cago para o mundo.
E cago na m�e que os pariu.
Que bonitos que sois!
Que limpos!
Que sorte!
Foda-se, pareceis de um puto an�ncio de �gua de col�nia.
Se est� de acordo em dar-nos a sua filha de adop��o,
resta apenas que assine a autoriza��o.
Anti-inflamat�rio.
P�e-o tu. Necessitas mais que eu.
Tinhas raz�o.
Est�s a cagar-te em fazeres de m�e.
De m�e, de noiva, de amiga,
companheira de cela...
As rela��es n�o s�o o meu forte.
S� sou boa como inimiga.
A melhor,
mas isso n�o d� pontos.
383, fora.
Hierro,
vieste p�r-me creme?
Fizeste asneira, Zulema.
Uma mulher morreu por tua obsess�o de escapar.
Foste demasiado longe.
P�e isto.
P�e.
Agora estamos em Guant�namo.
Esperava que fosses um dos funcion�rios que me deram a surra.
Enganas-te. N�o � o meu estilo.
Em Cruz del Sur n�o diriam o mesmo.
Mataste uma presa.
Ah, n�o, ca�u pelas escadas.
-Cala a puta da boca. -Quem encobriu?
-Cala-te! -Sandoval?
Isso explicaria porque te adoptou.
Necessito que ponhas isto.
Por favor.
Hierro, est�s mais fodido que eu.
Olhem que c�modas!
As que receita o m�dico para o colesterol!
Aproveitem, que vou embora!
Vamos!
Vamos, meninas, os fatos de banho!
Vamos, vamos! Que tenho de tudo!
Tenho tudo, menina!
-Vamos l�! -Tens de tudo, eh?
Tens informa��o sobre o paradeiro de uma filha de puta?
Inspector Castillo.
Que falaste com Zulema na visita?
Est� enganado inspector Castillo,
que eu s� fui � visita ver as minhas meninas.
�s minhas ratas abandonadas, as minhas amigas da alma.
Sim, e eu fa�o dieta no ano que vem,
n�o me fodas...
Antonia, n�o me toques nos colh�es, que j� s�o muitos anos.
Temos provas de que est�s a fazer de correio
para Altagracia e Zulema,
assim tens duas op��es:
ou voltar � pris�o com atenuantes por colabora��o com a justi�a
ou voltar como acusada de cumplice de sequestro e assassinato.
Eu juro-lhe, inspector Castillo, que eu n�o sabia nada.
Voc� sabe que eu n�o sou uma assassina.
Que eu sou uma cigana boa...
Antonia,
ficas detida como cumplice de sequestro...
Juro que n�o sabia que iam sequestrar a mulher de Sandoval,
juro-lhe por todos os meus mortos. Por meus filhos lhe juro
que eu n�o sabia nada.
Estavas fora, Antonia, cago na tua puta estampa.
Eras livre, porra!
Pol�cia!
Pol�cia, foda-se!
Vargas!
Uma coisa muito importante:
minha filha...
Minha filha � cigana!
E isso, isso tem que sab�-lo.
E tem que lev�-lo com orgulho.
Estamos?
E outra coisita mais, que vos vou pedir:
� minha menina n�o a v�o meter num col�gio privado, desses com...
o emblema e a fardita,
nem um col�gio de freiras, nem de padres.
A minha menina vai para um col�gio p�blico.
Com chineses, com mouros, com ciganos, com romenos...
Que a� sim � que se aprende de verdade.
E a m�sica...
Ponham-lhe a Camar�n, por favor.
E a Ni�a de los Peines, lembrem-se.
E a Enrique Morente.
E depois, se quizer, pois que escute trap
de merda ou o que quizer.
Cago na minha puta de vida!
Sim?
Alta, sou a Antonia.
Minha filha, temos que ver-nos.
Castillo veio ver-me ao mercado.
E para qu�?
Para que porra ter� sido?
Perguntou-me por ti,
porque te procuram por assassinato,
mas fica tranquila, que eu n�o lhe disse nada, eh?
Olha, querida,
vemo-nos hoje �s 20:00
onde tu sabes.
Consegui um cami�o que vai para Marrocos.
De confian�a.
Ontem n�o tinhas nem uma arrecada��o para me esconder e hoje tens um cami�o?
Olha, Antonia,
passa-me a Castillo.
A ver se ele, sim, me pode explicar.
Altagracia,
� igual onde te escondas, vamos-te apanhar.
Pois n�o vai ser com esta chamada.
O sinal est� devolvido, assim n�o te incomodes em rastre�-la.
Ai, velhito...
Ainda acreditas que me vais pegar?
Se j� nem ajudantes te restam.
Sabes o que se passa?
Que o sinal do teu telem�vel � muito d�bil.
Isso quer dizer
que estar�s escondida como uma rata numa garagem,
zona sul,
perto de uma estrada nacional.
Apostaria por Getafe.
Dormindo no carro, comendo comida fria
e agachando-te ao menor ruido. Est�s s�, comadre.
Mataste uma mulher inocente.
Deixaste duas mi�das sem m�e.
Escuta bem o que te vou dizer:
pelos meus colh�es que te vou apanhar.
Vamos a ver se � certo.
Pois a mim a "reinser��o" essa, "pos"...
-E isso que �, filho? -"Pos" uma palavra muito complicada
para dizer que te tiram da puta da rua.
N�o sei porque se reincide.
N�o me fodas! Espero n�o reincidir mais, n�o?
A ser, pois seria pelo mesmo, n�o?
Por drogas, porque se me agarrassem com algo...
Eu estou muito melhor aqui dentro que fora, na verdade.
As ciganas, se estivemos na pris�o ou n�o estivemos,
quando vamos a procurar trabalho,
n�o h� maneira de arranjarmos trabalho.
Ent�o, que vamos fazer? Pois a maioria delinquir, n�o?
-� como se chama, n�o? -Isso n�o sai, n�o?
Isto � entre tu e eu? Creio que Rizos.
Creio que ela � uma drogada da pris�o.
Quando uma presa � liberta,
encontra-se com a mesma vida de merda que tinha quando entrou.
N�o te espera nada melhor.
J� estamos?
Ci, ci... Cipote.
Cipote.
Ai, eu comia-te negro.
Ao negro. Ro... "Romenawer".
Erec��o.
O... Onomatopeia.
Ai, onomatopeia...
Eh, Duas Esponjas, vem aqui.
Vem aqui, porra!
Goya. J�.
Deixa-a. Que est� comigo.
Hoje nem lhe vais tocar, nem a vais atirar da varanda, nem nada,
vale?
Vale, s�cia?
Vale.
Agora suponho que estou em d�vida contigo, n�o?
N�o est�s em d�vida comigo.
-N�o? -N�o.
O que se passa contigo...
� que est�s assustada e comigo sentes-te segura.
E tu como sabes o que sinto?
Isto o que �?
Uma putazita?
Por favor, um pouco de educa��o, eh?
S�o meus convidados, tirem-lhes essas horr�veis algemas.
Perdoem a forma como os trouxemos para a casa,
mas era necess�rio.
Voc�s n�o me conhecem.
Chamo-me Magdalena Cruz.
A dona das pris�es Cruz.
Meu pai dirigiu a sua primeira pris�o em 1950
com um or�amento de 5000 pesetas.
Agora gerencio 800 milh�es de euros por ano.
Sete mil e quinhentos internos, mais de 200 funcion�rios
e um contrato milion�rio com a administra��o.
Porque estamos aqui?
Porque sou uma mulher de neg�cios, Zulema.
E meus neg�cios dependem de umas pris�es em calma.
E essa calma depende dos l�deres entre os internos:
voc�s.
Isso vai-lhe sair bem caro, velhinha.
Que tal...
por-nos na rua?
N�o liberto presos, n�o reduzo penas,
n�o sou juiza, mas posso fazer
que vossas vidas sejam mais f�ceis.
Que querem?
Eu quero uma cela s� para mim, para co�ar os tomates como gosto,
com uma televis�o bem grande...
e que deixem entrar as minhas putas
aos encontros �ntimos, as vezes que quizer,
porque se n�o descarrego ponho-me nervoso.
Que simp�tico.
E quero ester�ides...
e comida decente nessa puta de pris�o.
Tudo o que possas p�r por escrito, Caim�n.
Imagina que � uma carta aos Reis Magos.
E tu, Zulema, que queres?
Sinceramente, n�o entendo porque levaram a Tere e a mim n�o.
Quando eu canto infinitamente melhor.
Se ela n�o afina, n�o tem tom, nem nada.
Vamos!
Bom, filha, se n�o podemos ir com o coro, n�o podemos.
Que vamos fazer.
Eu, na verdade, passo muito bem ensaiando com as minhas meninas.
Sim, mas com a voz fin�ssima que me est� a acontecer com as hormonas,
porque n�o me levaram? Porqu�?
Voz fina? Com a voz de pato que tu tens,
o melhor � que tenhas ficado aqui comigo.
Voz de pato, dizes. Que m� �s, Sole.
Que m�.
Minha m�e, se sempre tive uma voz maravilhosa, ou seja
minha m�e guarda cassetes de quando eu era adolescente
onde imito a Isabel Gemio em "H� uma carta para ti".
Uma maravilha, vamos.
Pois a mim a que me encantava imitar era a Lupe.
-A quem? -A Lupe.
-N�o sabes quem � a Lupe? -N�o.
Uma cantora cubana que enlouqueceu, mi�da.
Era t�o apaixonada...
Batia nos pianistas, nos m�sicos, e fazia...
Uma personagem, mas maravilhosa.
Que fazes, Sole?
Tiro a roupa.
Para qu�?
Para nos deitarmos.
Mas se � meio dia e meia, carinho.
-S�o 12:30? -Sim.
Minha m�e, mas que tonta estou.
Mas... que horas vi eu?
N�o te preocupes, aconteceu-nos a todas alguma vez.
-Sim. -Sim, claro.
Antonia, linda!
Esta cigana!
Outra vez na cho�a?
Que se passa?
Linda!
J� estou aqui outra vez.
E com o que eu rezei para n�o te ver a cara nunca mais por aqui.
Parece-me que as rezas dos pobres
n�o se escutam bem no c�u.
Caguei nos meus mortos!
Sim.
Sim.
Est�s em casa, sim.
Vamos, Antonia.
Mi�das, preparem-se, que chegamos em cinco minutos.
Chega-te para l�.
Certo.
Temos tudo claro?
Sim? Repasso.
Quando na praia a bela Lola...
Entramos pela porta principal.
Escoltam-nos pelo corredor at� ao refeit�rio.
Antes da troca, no coro, Goya coloca-se na primeira fila.
-Eu cubro-te. -Tu atiras-me para tr�s.
- Ai, que prazer! -Ai, que prazer!
Tere, foge por detr�s do cen�rio.
A farm�cia do asilo est� no mesmo piso.
N�o sabemos que porta �, mas se vires num mapa,
vais encontr�-la.
Tens cinco minutos at� que acabe a can��o.
-Tens que correr, eh? -Tempo de sobra.
Obrigado.
N�o comes nada, Zulema?
Do seu prato.
Que � o que desejas, Zulema? Qual � o teu pre�o?
N�o tem nada que me possa interessar.
Todos queremos algo.
Tem raz�o.
N�o estaria mal parar o tempo e atir�-lo um pouco para tr�s.
Isso n�o est� na minha m�o, mas o que posso
� transferir a tua filha, F�tima, para a sua antiga pris�o.
H� um problema. N�o fa�o tratos.
At� ao "boas noites"...
Cada palavra que pronunciamos � um trato.
Eu n�o negocio.
A mim n�o me pode comprar.
Gosto de ti Zulema, de verdade.
Tu e eu parecemo-nos.
Mas ainda tens muito por aprender sobre ti mesma.
Eu assim n�o posso.
� que eu assim n�o posso. Um momentito, eh?
Mill�n,
tenho que tocar-lhes. -Est� proibido.
Sim, sim. J� sei que est� proibido.
Mas � que lhes vou dar a minha filha 13 anos.
Como vou fazer isso sem ter-lhes tocado uma puta vez?
� uma quest�o de pele.
Vargas, sabes que n�o � poss�vel.
N�o � poss�vel porque aqui h� muitas normas
e tu �s muito quadrada.
Mas � que essa mulher vai dar banho � minha filha,
vai contar-lhe hist�rias, vai dar-lhe beijinhos,
e esse homem vai abra��-la quando tenha medo.
Como fa�o eu isso se n�o lhes toquei?
Como sei que s�o boas pessoas se n�o lhes toquei?
Um pouquinho de humanidade,
por favor.
Porta de visitas.
-Mas depois... -Mas depois...
-...se chegou a mim... -...se chegou a mim...
Deu-me um abra�o
e naquele la�o, acreditei morrer.
Os comprimidos dos nervos e os para dormir
s�o os vermelhos e os amarelos.
N�o vai chamar os guardas, verdade?
Os adesivos de morfina est�o ali, na vitrina.
Voc� � um sol.
Que queres?
Porque deste a menina para adop��o?
Para que n�o ganhem os maus.
Para tir�-la daqui, para afast�-la de ti.
Para que n�o a use ningu�m para fazer-me mal.
Porque a quero mais que � minha vida.
Escolhe a que quizeres.
Tomaste a decis�o mais dolorosa de toda a tua vida.
E tamb�m a melhor.
Que queres, fazer-me terap�a?
Fizeste o que tinhas que fazer. Fizeste bem.
N�o tinhas outra opc�o.
Olha o que somos, Saray.
T�xicos.
Somos como um v�rus, tudo o que tocamos, infectamos.
Deixa de repartir merda, Sandoval,
porque aqui, nesta pris�o,
o �nico filho de puta de verdade que conhe�o, �s tu.
Tenho uma prenda para ti.
Para que te despe�as de tua filha como deve ser.
V�o lev�-la ao meu escrit�rio.
Tens 15 minutos antes que a levem.
Vai.
Vamos a ver, se a Soraya me seduziu, que queres que fa�a?
Ou seja, a Soraya tamb�m? Elena, Sonia, e Soraya tamb�m?
� o mesmo. Esteja com quem esteja, eu s� penso em ti.
-Vem aqui. -N�o me toques!
� que n�o sabes o que queres, Nacho!
�s um imbecil e um imaturo.
Volta a por-lhe a m�o em cima e arranco-te a cabe�a.
Maldo, acabou a visita para este filho de puta.
Andando.
Este atrasado � teu noivo?
Sim, mais ou menos.
E nisto se baseia a nossa rela��o.
Ele bate-me e eu maquilho-me.
Porta.
Olha, eu n�o sou teu pai, mas procura algo melhor, n�o?
Mas se ele me ama, Hierro, ama-me mal, mas ama-me.
Ouve,
tu nunca te enamoraste de algu�m
que sabes que n�o te conv�m, que te faz mal, que te baixa a autoestima
e apesar de tudo, continuas a�?
Vem.
Sim, eu sei que nossa rela��o vai acabar mal.
Que tonta, n�o?
Que sim, "pes�".
N�o sabias a letra. Cantas ao acaso, tu.
A letra mal, mas a voz...
A voz de puta, tens que fazer algo com isso.
-Cantei bem ou n�o? -Sim, sim.
Tens que fazer algo.
Palacios, vamos montar um musical!
Eu de protagonista.
Chi�a...
Que � este alvoro�o?
Vai rolar, franguinha. Vai rolar.
-N�o, n�o.
Luis, j� podes descer.
Vamos a ver, mi�das, escutem-me um momento,
vamos fazer um controlo rotin�rio de drogas;
assim v�o descendo uma a uma segundo as chame.
De acordo?
Salazar, comigo.
Heredia.
Rizos, que fazemos? Atiramo-las para o ch�o, n�o?
N�o, no ch�o n�o, porque se as v�m a� metem-nos a todas no buraco.
N�o. N�o. Eu vou para o isolamento.
Salinas.
-Precio. -Enfia no cu.
Que fazes, Goya?
Duas Esponjas, abre as cueas, vem porra.
Sim, sim.
Se te chibas, mato-te.
Jeremias.
Que fa�o?
Rizos, que fa�o?
Sorescu.
F�tima,
foste lixada, mas �s a nova e vais ser apanhada,
porque aqui as cosas funcionam assim.
Kabila.
Lamento muitissimo.
Rizos.
Merino.
Goya.
F�tima.
Passa-se alguma coisa.
F�tima.
F�tima.
F�tima.
Subo eu ao cami�o, Palacios.
Que se passa, mi�da?
Cuidado com a cabe�a.
-N�o. -Sim. Pega-a.
� que sou uma m�e de merda.
Todas o somos.
Mas tentamos.
Hoje estou a d�-la para adop��o.
Estou a enganar-me?
Estou a enganar-me.
Est�s a fazer bem, cigana.
Embora doa.
Parece-se contigo.
Menos mal.
Disseste que n�o nos voltariamos a falar
at� que enterrassemos as nossas filhas,
recordas-te?
A vida sorriu-nos.
Encontr�mo-nos.
Amo-te, cigana,
e n�o te vou voltar a deixar.
Nem eu a ti.
Chora, chora.
Chora tudo. Isso vai-te fazer sentir melhor.
Tira toda essa culpa, eh?
De onde vir�?
Relaxa-te, tranquiliza-te...
N�o te vou fazer nada.
Est� tudo mais que �bvio.
�s a nova
e obrigaram a que a guardes, n�o � asim?
Que filhas de puta que s�o...
Que filhas de puta...
S�m, amor, eu sei-o, cora��o. Sei-o.
Tanto como sei que n�o devias estar c�.
Este n�o � o teu mundo.
Eue vou-te ajudar. E mais, digo-te algo:
a partir de agora eu j� n�o sou nem o director,
nem o doutor,
nem Sandoval.
Para ti, sou Carlos.
O tio Carlos.
Sim?
O tio Carlos vai-te ajudar.
Sim? Vais confiar em mim?
Assim gosto.
Assim gosto.
Assim gosto, minha ra�nha.
Tranquila.
Tranquilita.
Tranquila.
Olha-as bem.
Tuas companheiras.
O que pensavas, que eram tuas amigas?
Lei da sobreviv�ncia, disse-me algu�m por a�.
Qual de todas estas foi a que te deu os comprimidos?
Eh?
N�o � preciso que digas nomes.
Somente toca-lhe no ombro.
Eh? Vai.
Valente.
Fern�ndez, leva a Kabila ao isolamento.
Raparigas, saiam uma a uma.
Que decep��o, Kabila.
Tranquila, fizeste o que tinhas que fazer.
De verdade.
Posso assegurar-te que acabas de encontrar o Pai Natal.
Tu e eu vamos ser grandes amigos...
N�o, n�o! P�ra, p�ra!
Essa n�o vai voltar a molestar-te nunca mais.
Piti.
Mas entendam uma coisa:
Sole est� doente.
A vida sempre pode piorar.
Que vais fazer a F�tima?
Falta a estocada final para dobr�-la.
Gorda.
Idiota.
Nunca se chama "idiota" a uma filha.
Lamento, n�o � nada pessoal.
Adapta��o para PT-PT (sem AO): EduardoLuzOliveira
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