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Original subtitles

Se me nomearam director é porque não me treme a mão

na hora de mostrar justiça.

Mercedes Carrillo,

tira toda a droga que tens escondida

e põe-a no corredor da galeria.

Recordem o que sucede com as traficantes

que quebram as normas em Cruz del Norte.

Que frágil que é a amizade. Não te parece?

Vem aqui.

Morre.

Pára!

A morte paga-se com a morte.

Vais pagar-mas.

Bem-vinda a Cruz del Norte.

Querem matar-te as presas, querem matar-te os funcionários.

És a puta raínha do mambo.

Hoje fujo.

Leva mais de uma hora olhando aquela merda.

Vai pegá-la.

A droga da galeria que tinha desaparecido.

Não quero que o meu apelido volte a abrir um telejornal.

Nem fugas,

nem mortes, nem escândalos, não?

E se suceder, que não saia aqui de dentro.

Quero solicitar um encontro íntimo.

Se te agrada, diz-me.

De certeza, Altagracia, minha amiga,

vai fugir.

Tua amiga Zulema atraiçoou-te.

Não fui a única a quem Zulema enganou.

Zulema!

O que tu tens que fazer é distraí-los

enquanto eu vou pelos tubos de ventilação

até à zona de caldeiras que está detrás das barras.

Era Altagracia quem necessitava sair.

Cruz del Norte é uma prisão de máxima segurança!

As presas não podem entrar e sair

como se fossem à piscina municipal!

Eu falhei com Zulema e com a fuga.

Apresento a minha demissão.

Não, Hierro. Não vás por aí!

Fica sentado onde estás e escuta-me bem:

não é o momento nem de susceptibilidades

nem de orgulhos feridos.

Vamos a ver se fica claro a todos e a cada um de vocês.

A situação é que Altagracia escapou

diante dos nossos próprios narizes.

E para ser-lhes sincero, realmente,

é que não tenho a menor idéia onde começar a procurar.

Foda-se.

Dá pena deixar cinco milhões de euros a apodrecer debaixo de terra.

Agora dá pena, mas algum dia pode ser que te salve a vida.

Não temos a Altagracia, mas temos a Zulema.

Ela sabe onde está e quais são os seus planos.

Não fazes idéia de quem é Zulema, Hierro.

Estamos a falar de uma psicopata.

Todos temos um preço,

todos temos um limiar de dor.

Á Zulema podes amputar-lhe as duas pernas, que não vai colaborar.

Não me referia a dano físico.

Há muitas formas de fazer dano...

Que filha de puta...

Tu és a Zulema?

S04 E03 "O LIMIAR DA DOR"

Prisão para homens de Cruz del Este.

Em seis meses começarão as obras.

Ali irá ser o parque desportivo,

e um pouco mais além começam as galerias.

A enfermaria e os serviços administrativos, no segundo piso.

Nossa nova prisão.

Paguei quase cem milhões de euros por estes terrenos

e não vou perder o contrato da nova prisão

porque uma mexicana se riu na nossa cara.

Entendo-a perfeitamente, senhora Cruz.

Só lhe posso assegurar

que até que Altagracia volte à prisão,

Cruz del Norte vai ser pior que Guantánamo.

Isso lho garanto.

Antonia, salgado!

Ai minhas chulas! Filhas duma grande puta!

Mas é a Antonia!

Proibido tocarem-se!

Venham, ordem.

Cada uma em seu sitio ou cancelo o encontro.

Ai, Palacios da minha vida, não sejas assim.

Que eu agora mesmo abaixo as cuecas,

e me ponho em pelota para que tu vejas que...

Antonia! Acaba.

Senta-te.

-Antonia! -Que bonita estás, foda-se.

Estás negra.

Estás mais preta.

Isso é do sol da rua, que é muito bom.

Sim, o sol da rua e que estarás bem fodida, não?

Já terás tirado as teias da "caverna".

Sim, mas tiveram que usar um perfurador.

E a vida por aí fora, como é? Que tal? Como vai?

Pois que quereis que vos diga...

-Igual que aqui. -Então, pá...

Levanto-me às sete da manhã

porque já tenho o chip da contagem aqui metido.

-Como é, eh? -Ás duas como,

faço a sesta, cago. Igualzinho como aqui.

É que aqui acabamos sendo todas umas robots.

Ai, mas cabronas, sinto tanto a vossa falta.

Sinto a falta das piadas más da Rizos,

que esta, a Sole, esteja todo o dia a rezar pela noite,

todas as noites ali...

Ai, o riso da minha Saray...

Mas eu creio que isto não o ía dizer nunca, eh?

O que eu mais sinto falta, de coração,

são os peidos asquerosos da Tere.

Imagina que agora o tenho aqui em cima, a minha...

Deram-me a liberdade, sim,

mas tiraram-me as minhas amigas.

Que "filhadeputa",eh? Vais fazer-nos chorar a todas.

Chefe, perdão, mas tenho que as abraçar a todas.

Não está permitido tocar.

-Palacios, por favor. -Está proibido tocar-se.

-Palacios, por favor. -Palacios,

de verdade, que eu não tenho nada.

Vá, dá-lhos depressa.

Tronco, quanto me alegro de ver-te.

Esta cigana...

Antonia...

Antonia,

estás mais gorda.

Bom, meninas,

já tereis que ir-vos porque...

eu tenho que falar umas coisitas com Zulema.

Quero-te muito, eh?

Não vos podeis tocar, Sole.

Cuida-te, sim?

Kabila...

Adeus.

Um abracito.

Antonia...

Obrigado por teres vindo tão depressa.

Tinha uma conversa pendente contigo.

Levei a tua pasta,

mas quero que saibas uma coisa: não ta roubei.

Vou devolver-ta.

O detalhito do saquito do riso...

Encanta-me o teu humorzito, eh? Campeã.

Repara. O que são as coisas.

Isso é o que nunca teve a loura. Sentido de humor.

Nunca esteve à altura. Tu e eu, ao contrário,

entendemo-nos.

Assim, como fazemos agora?

Eu estou aqui dentro, tu estás aí fora...

Tu tens os milhões, eu não.

Pois chegou a hora em que gastemos toda essa pasta

numa praia escolhida.

Continua...

Soa-me bem.

Primero há que solucionar duas questões.

A primeira:

estou farta de tropeçar sempre com o mesmo polícia;

Castillo.

Há que eliminá-lo.

Essa é a primeira das questões.

Cago na puta da minha vida.

De dor física, do corpo.

Homem, a mim isso é um pouco igual, eh?

Desde miúda já era muito brutinha.

Prenderam-me, caí 20 vezes...

E agora maior, pois, sabes?

Com todas as cicatrizes que tenho no corpo...

Se não o aguentara, estava eu arranjada.

O físico, porque o outro não o aguento tão bem.

Esse sim é fodido de verdade.

Por exemplo, quando estive com esta,

que me traía pela rua da amargura,

para mim era como se me tivessem amputado com um machado

os dois braços. É a única pessoa de quem me enamorei,

assim por isso me doía tanto.

A verdade é que quando tens um filho, isso parece-me já...

como uma dor pequenita não? Ao lado de...

Tenho uma filha.

Estrellita.

Mas disso não me faças falar, sim?

E bom, pois...

-Corta-me aí. -Foda-se!

Estamos a falar do que me faz sofrer.

Sabes que penso eu?

Que um dia sofrido é um dia perdido.

Soa bem isto, não? Ouviram?

Conselhito do dia:

um día sofrido é um dia perdido.

É verdade.

Pois eu não perdi dias...

Ai, linda amiga, se não volto a ver-te...

Corpo garboso que me leva à morte.

Não há amor sem pena.

Pena sem dor.

Nem dor tão aguda

como a do amor.

Nem dor tão aguda

como a do amor.

E como passaste esta semana, Sole?

Mais ou menos igual.

Chegaram esta manhã.

Aqui estão os resultados dos exames.

Bom, estamos falando de...

De um tipo de demência, Sole.

Alzhéimer.

Alzhéimer...

Que me vai acontecer?

Há que ver como se vai desenvolvendo a doença, mas...

Olha, basicamente, podem acontecer duas coisas:

pode acontecer que de um dia para o outro

recordes até o mais ínfimo detalhe da tua infância,

por exemplo,

ou pode acontecer que assim, de repente,

não recordes nem sequer quem és.

Há algo que me ajude a atrazar este processo?

Bom, sim, há coisas que ajudam, já que o perguntas.

Exercitar o cérebro.

As funções cerebrais.

Ter em actividade a cabeça, sabes?

Palavras cruzadas, sudokus,

escrever um diário...

ou memórias... O que quizeres.

Bom,

vou-me esquecer também

de que chamusquei o meu primeiro marido e a sua amante.

Assim que...

algo positivo tem este...

alemãozito, míster Alzhéimer, não?

"Alzhaimer" esse.

Sinto muito, Sole.

O que, sim, posso oferecer-te, porque está ao meu alcance, é...

é a possibilidade de iniciar um trâmito de tranferência...

para um centro mais completo que Cruz del Norte,

se assim o quereis. -Não. Não, não.

Eu prefiro ficar aqui,

com minhas amigas,

com minhas rotinas...

Com minha vida.

Sim, rolha. Eh!

Saray! Saray! Vamos atirar uns cestos.

Vem, vá.

Mas, que queres, morrer ou quê?

Ai, Tere, Tere,

como te gosta a ti os tiritos, eh?

-Como te gosta... -Palerma...

-Eh? Como te gosta... -Atira.

Esta Magic Jordan

tira-a a Saray.

Magic Jordan prepara-se para atirar.

Cesto!

E cesto.

Dois a zero.

Vá.

Merda.

A romaria das zombis.

Que "filhaputa". Pois a mim não me quer vender.

Tem amigas para isso.

Ah.

É uma bacorada.

Não, falamos noutro momento, Sandra, não há problema.

Já volto.

Saray, não lhe digas que fui eu.

Água.

Tu estás mal da cabeça, não? Não te funciona algo?

Atira isso agora mesmo.

És palerma ou quê, que queres?

Que Sandoval te mate?

Não te recordas do que ele fez à conselheira?

Não te metas na minha vida.

Uma puta merda, Rizos!

Ou atiras isso agora mesmo,

ou vou ser eu que o diga a Hierro.

Olha, vou-te dizer uma coisa,

tu a mim não me dizes o que tenho que fazer, sim?

Aqui não há ninguém, meninas.

Vamos a ver, não nos vão dar de comer ou que porra se passa aqui?

Putas vadias cozinheiras que me têm que dar...

Não, de verdade, ou seja, dão-nos uma merda de comer,

e em cima vão-nos dar tarde? -Não há direito, pá.

-Queremos comer! -Queremos comer!

Queremos comer!

Queremos comer!

Queremos comer!

Queremos comer!

Venham, feras...

Bom, bom...

Foda-se...

Ouve, Palacios, que é isto?

Onde merda está Altagracia?

Não faço ideia.

A feijãozita é uma caixa de surpresas.

Em vista dos últimos acontecimentos,

vejo-me obrigado a tomar medidas excepcionais de segurança.

Norma número um:

far-se-ão duas revistas diárias.

À saída dos duches e antes de irem para a cama.

Revista.

Que ninguém saia.

Façam uma fila.

Víra-te.

Norma número dois:

cada noite, duas de vós, ao acaso,

entrarão em isolamento até novo aviso.

Perdoa? O seja, isso não se pode fazer.

-Sem motivo algum? -Que filho de puta...

Tu vais ser a primeira e tu a segunda.

Eu? Mas se não disse nada, juro que não disse nada.

Norma número três:

realizar-se-ão revistas surpresa

a cada momento.

Durante o dia e á noite. Sobretudo durante a noite.

Não, não. Vamos a ver, é que não nos podeis tirar o dormir.

Necessitamos descansar.

Norma número quatro:

proíbem-se as chamadas telefónicas ou encontros.

Isso não podem fazer!

Ouve, Hierro, isso não o podes fazer

porque isto não é um campo de concentração nazi.

Todas estas medidas injustas podem mudar

se Zulema decidir colaborar.

E, Zulema,

está na tua mão.

Vais colaborar, sim ou não?

Tenho todo o tempo do mundo, tanto me faz.

Perde quem piscar os olhos.

Vou encontrar a forma de falares.

Mas tu que merda és?

O cão do Sandoval?

Está a domesticar-te?

Eh?

Que lhe deves?

-Que lhe deves? -Cala-te.

Passou-se algo em Cruz del Sur? Que se passou?

Que se passou?

Que se passou?

Ho!...

Tua maldita mãe.

E se não o faço, que vais fazer? Prender-me?

Zulema sabe onde está escondida Altagracia.

Na sua mão...

está que Cruz del Norte não se converta num pesadelo.

Brilhante, Hierro.

Atirar-me todas as presas para cima. Como no colégio,

que castigavam a toda a classe por culpa do bicho.

Decide:

Altagracia ou tuas amigas?

Eu não tenho amigas.

Por mim, é como se as sacasses do pátio e as fuzilasses a todas.

-Importa-me uma merda. -Muito bem.

Vamos a ver a quem lhe importa menos.

Hierro,

Também nos vais deixar sem comer?

Aponta: norma número cinco:

mete no cu a cinco.

Vão comer.

Tranquilas, que vão comer.

De verdade que isto é demasiado. De verdade.

Ai...

Bom. A mim estes discursos dão-me muita fome.

Está boa.

Estás doente, mami?

Eu não tenho medo de morrer.

Estou preparada.

Tão pouco tenho medo à dor.

A única coisa que não suportaría seria...

esquecer-me da gente que amo.

Não quero perder as minhas recordações, não quero...

converter-me numa alface.

Tenho alzhéimer.

Quê?

Sandoval fez-me uns exames e...

Uma das coisas que me ajuda a sobreviver aqui,

nesta prisão,

é a memória.

As recordações.

Recordo...

a minha mamã cantando boleros,

o dia em que nasceu a minha menina,

seu primeiro dentezito,

vocês...

E se tudo isto me vai tirar o alzhéimer,

promete-me que no dia que eu não te reconheça,

vais preparar-me um café com leite,

com quatro colheres de açúcar, que eu gosto muito doce,

e lhe vais pôr estas pastilhitas.

Vamos a ver... Vamos a ver, mami,

eh...

-Dá-me um segundito, tia. -Tere, Tere.

Tere, eu não posso viver em duas prisões.

A prisão, esta, a real, esta, a física

e, ainda, viver numa prisão mental.

Não posso, Tere.

Eu somente podia pedir isto a duas pessoas aqui:

uma era a Maca...

e a outra eras tu.

Vocês são as minhas menininhas.

Tere, por favor.

Por favor.

Sim, sim.

Não te preocupes.

E perdoa-me.

Sole,

temos que voltar à cela.

Que acontecerá hoje segundo as novas normativas?

Revista surpresa, tareia... A saber.

Cuida-te, minha filha.

Que desta vez passaste das marcas.

O meu limiar da dor é uma porcaria.

Ou seja, eu quando vou ao médico digo-lhe que me dê analgésicos,

que me anestesiem, que me sedam ou o que seja

porque não quero sentir nada. Porque tudo me dói.

Mas tu és viciada.

-Que morro... -Sim, tu... Tu medo?

Encantam-te as agulhas, viciada.

Eh, bom, pois sim, que as tolero bem,

mas era uma menina e se tinham que vacinar e tal,

tinham que me agarrar entre três ou quatro pessoas

porque não o podia suportar. Uns gritos...

O limiar da dor pode-se controlar desde aqui.

É que eu também creio que está tudo na cabeça,

porque eu uma vez vi um... Um... Como se chama?

Um faquir a comer uma lâmpada...

Ui, que necessidade...

...e depois meter uma espada pela boca.

Minha mãe.

Ui, eu também vi muitas a meter espadas pela boca.

Que puta...

E tu comeste alguma vez alguma lâmpada?

Mas, tu és parva? Uma lâmpada?

O "caco" dirige tudo.

Não controlas o medo? Tens medo.

Não controlas a dor? Tens dor.

Há que ter muito cu.

-Cu? -Isto é cu, isto é cu, eh?

-Isto é a cabeça. -Este cu pensa.

Olha, isto é o cu.

E agora vou cagar.

-Pois o que sairá por aí, vaca. -Que asco de gaja, de verdade.

Ou seja, é que de verdade...

Sabem que vão construir uma sanita especial?

-Ouvi falar noutro dia. -Para ela?

Olha que baratas! Que boas são!

De algodão, do que não faz carapetos!

Algodão do bom. Do bom!

As tangas também são de algodão?

Claro.

Olha, e as de pontinhos...

Um abracito.

...e as de cetim e de renda também.

Olha, toque-as, toque-as, que boas.

Venham, meninas!

E qual é a segunda questão?

Porque disseste que havia duas questões que solucionar.

Tenho um plano para que me tires daqui.

Um sequestro expresso.

E a quem há que sequestrar?

A alguém que importa muito a Sandoval.

Mas esse alguém importa-lhe mais que a sua verga?

Sua ex.

Esteve casado.

Sandra Pitche.

Vinte anos de feliz matrimónio.

Tem duas filhas.

Pobrezitas.

São três por cinco euros, nem a oito, nem a dez!

-Não as vai levar? -Sim, sim.

-Olha... -Põe-as.

São as Calvin Klein ciganas.

Vamos, pura imitação.

De primeira.

Obrigado.

Adeus, filha, e que a desfrute.

Olé! Venham, meninas!

Levem as cuecas, que as levam "mu" baratas!

Ai, Deus.

Bom, vai-se dizer algo já ou quê? Eh?

Venha, cavalheiro, venha.

Só há um tema:

Zulema.

Esta gaja...

diverte-se fodendo-nos a vida a todas.

Por sua culpa esta prisão virou um inferno.

Isto não há pessoa humana que o aguente.

Nem aos prisioneros de guerra os tratam tão mal.

Um momentinho. Espera, espera.

Estão a pensar matar a Zulema?

A Zulema?

Miúdas, calma, calma.

Que a Zulema é um bicho mau.

Muito mau.

Mas, vamos a ver, porque não falamos com Zulema,

a fazemos entrar na razão e que conte a Hierro o que sabe?

Assim não te vamos dar as drogas, viciada de merda.

Zulema nunca vai colaborar com Hierro...

-Sim. ...mas se nós a apagarmos,

acabou-se o problema pela raíz.

Morto o cão, acabou-se a raiva.

É isso. Há que dar um passo em frente.

Há gente que se dedica a foder a vida aos demais.

Por exemplo, Anabel. Alguém a acha de menos?

Não. E Zulema tem que acabar igual a Anabel:

no cemitério.

Quem está de acordo comigo?

Pá, sim, sim. Se todas estais de acordo, sim, claro.

Mami?

Sabes que é o justo.

Não é agradável meter um espeto numa pessoa,

mas há vezes que não ficam mais opçóes.

Ai, Rizos...

Meteste tu um espeto a alguém alguma vez?

Fizeste?

Tu não sabes o que é isso.

Se algo eu aprendi na prisão,

é que enterrar um espeto nas costas de alguém,

realmente não soluciona nada.

Agora vem a parte mais difícil.

Quem o vai fazer?

Alguma voluntária?

Pois sorteamos.

-Não digas palermices, Luna. -Goya, pois fá-lo tu.

Eu?

Não, não. Eu passo.

Ai...

Que importante, não, Saray?

Digo cá dentro. Ter...

Ter alguém que te queira,

alguém que te faça sentir querida, não?

Alguém em quem confiar, por exemplo.

Aí vai.

Olha:

tens bom gosto, ciganita, eh?

Minha mãe, que boa está a negrita Kabila, eh?

Uma bomboca.

Pena que não escolheu um bom caminho, não?

Eh?

Temos uma nova traficante em Cruz del Norte.

-Que porra queres? -Deixei-o bem claro:

que ninguém levante um só papelinho do solo.

Deixei-o claro ou não?

Agora é complicado porque não posso deixar passar por alto.

Imagina que faço isso, quem me vai respeitar cá dentro, Saray?

Nem Deus.

É realmente uma pena, não?

Que os cães tenham que assumir semelhante corpo...

Que reles cobarde.

Vocês podeis evitar

que isso tão espantoso suceda, sabes?

Como?

Só necessito que me digas

qual é o ponto débil de uma antiga amiga tua:

Zulema.

Não gostarias de desfrutar...

de fazer-lhe dano?

Quero ver a minha filha duas vezes ao dia.

Pela manhã...

e pela tarde.

Nenhum problema.

O ponto débil de Zulema...

é uma pessoa.

Cumpre pena...

por roubos menores.

Sim.

E chama-se Fátima Ahmid.

Espera.

E porque é tão importante

essa tal Fátima para Zulema?

Mas, vamos a ver, por favor, que eu nunca matei ninguém...

Pois vais-te estrear pelo topo.

Mandaram-te matar-me?

A ti?

Sim, foi um sorteio.

Foda-se, Tere...

Desgraçada ao jogo,

desgraçada aos amores...

Gafe total.

Espeta.

Aqui.

Aqui.

Aqui. Na veia cava.

Sangro em dois minutos.

Espeta.

Espeta!

Espeta.

Espeta!

Espeta.

Não podes? Não podes?

Ah, olha, ali vêm as tuas amigas.

Não confiavam muito em ti. Vai.

Quê?

Organizaste tu tudo isto?

Sim.

Vamos jogar.

Que é isso?

-Vai queimar-nos vivas! -Filha de puta!

Alguma mais?

Vão vir comigo ao inferno, putas!

Corre, corre, corre!

Gostas...

o que vês?

Gostas?

Gostas?

Pois pega-me.

Pega-me!

Que não reclame, não quer dizer que goste.

Tu és a Zulema?

Sim, eu sou a Zulema. Quem és tu?

Sou a tua filha.

Filha de puta. Vou-te matar.

Bloqueia as portas e nem te ocorra gritar.

Apresento-lhes a Fátima.

Fodeste-a.

Que pares!

Chegou uma encomenda ao seu escritório.

Tira, eh.

Adaptação para PT-PT (sem AO): EduardoLuzOliveira

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