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Que porra � essa?
Esse cara ia me matar, � isso?
Quem � esse filha da puta?
Calma, chefe, a gente n�o sabe quem � ele.
Leva esse cara daqui.
- Para onde? - Para a Itanhang�.
Leva ele pro Chucky.
Pode ficar tranquila, pode ficar tranquila
que esse vagabundo s� queria assaltar a gente.
Meus seguran�as v�o resolver isso com a pol�cia.
Voc�s n�o precisam se preocupar que eu vou
dobrar o valor de voc�s pelo inconveniente.
Mas isso morre aqui.
Ningu�m fala nada. Estamos entendidos?
Loucura! Eu nunca passei por isso na minha vida, vamos embora.
Esse aqui que � o caveira?
� esse mesmo, Chucky.
Olha para mim, acorda.
Acorda.
Olha para mim.
Tu sabe por que tu t� vivo ainda, n�o sabe?
Vai me falar quem � o xis.
Quem deu a porra do caminh�o?
Oi?
N�o escutei.
Teu cu.
Vai se foder, seu merda.
Essa porra dessa marreta aqui.
Fala, quem deu a porra do caminh�o?
Quem � que t� se fodendo aqui, seu arrombado?
Quem � que t� se fodendo aqui?
Fala, quem � o cuz�o agora?
Fala.
Como � que voc� sabe tanta coisa do Savassi?
Fala para mim.
Tu n�o tem bola de cristal.
Quem te falou da opera��o do Savassi.
Vai tomar no seu cu.
N�o vai falar, n�o?
Vou fritar esse filha da puta.
Vou te dar mais uma oportunidade.
Olha pra mim, vou te dar mais uma oportunidade.
Quem deu a porra do caminh�o?
Tu n�o vai falar n�o, n�?
T� aqui perdendo meu tempo, n�o t�?
Tu cometeu um erro prim�rio.
Tu quis dar uma de her�i com a pessoa errada.
Vai se foder.
Quer saber?
Tu nunca mais vai transar nessa porra.
Bora chefe, os funcion�rios est�o chegando a�.
Eu vou, mas eu volto.
Deixa esse arrombado a�.
Daqui a pouco, a gente volta. Bora.
Mikhael.
Acorda, filho.
Filho.
Equipe Arcanjo, porra. Bora, caralho!
De novo essa porra, Chucky?
Chefe, ele ia dar geral, mas chegou
uns cara l� pesad�o e passou todo mundo.
- Pol�cia? - S� pode.
E o galp�o? Galp�o t� intacto, s� queriam tirar ele de l�.
Os caminh�es?
Ningu�m tocou em nada.
Menos mal. Puta que pariu, hein, Chucky!
Faz teu trabalho direito.
Chefe, o senhor melhor do que ningu�m sabe que se dependesse de mim
esse filho da puta j� estava morto h� muito tempo.
Mas o senhor queria que eu tirasse a informa��o dele.
Eu t� pouco me fodendo para essa informa��o.
Eu quero esse cara morto.
- Voc� me entendeu? - Sim, senhor.
Vai.
- E a�? - Tudo bom?
Tudo certo. Vamos tomar alguma coisa?
Aconteceu alguma coisa?
Estava aparando umas pontas, tudo certo.
Vai ficar para jantar?
N�o, j� comi.
E a papelada da Savassi Transportes
de valores j� est� sendo tudo resolvido.
A gente t� mandando muito bem.
Eu acho que deviam estudar a gente, sabia?
Tu n�o quer descansar um pouco, ir pra Angra? J�, j�, o senhor t� l�.
N�o sei.
Vai ser bom.
A Paolla queria mesmo.
Pega o helic�ptero e vai para l�.
O oficial? Sim.
O meu t� em manuten��o.
T� tudo certo, mesmo?
T�, sim.
Cara, voc� t� cheio de hematomas, voc� deveria estar no hospital,
fazer um exame, enfim. Pode ter uma hemorragia interna, cara.
Hospital n�o, doutor.
Ok, voc� que sabe.
Foi o melhor que deu pra fazer.
Vamos.
Eu levo o senhor at� a porta.
Ok.
Obrigado, doutor. De nada.
Pelo transtorno.
Que porra � essa, Galv�o? Quem s�o esses caras a�?
Que porra � essa o qu�, Mikhael?
A rapaziada � da minha confian�a, porra.
Foi o que eu pude fazer.
Quer falar isso pra mim?
Me mandaram l� pra casa do caralho, foram atr�s
de mim, me foderam de tudo quanto � jeito,
mesmo assim n�o me meti com mil�cia, porra.
Parab�ns, Sargento.
Quer mais uma medalhinha no seu peito?
Ou um tapinha nas costas da mam�ezinha do playboy?
T� maluco de falar assim comigo, porra?
Esqueceu quem eu sou, caralho? Acabou.
Rafael morreu.
A Arcanjo foi explodida.
Entende essa porra, tu t� todo fodido, porra!
Tu virou uma assombra��o para o estado.
N�o justifica o que tu t� fazendo, caralho.
Aqui n�o entra traficante, n�o, porra.
Mas tu conhece como funciona, sabe que essa porra d� dinheiro.
Quanto tempo tu acha que vai levar para esses
caras a� que voc� t�, ficar vendendo coca�na
e bagulho para os outros a�?
Esse pessoal que t� l� fora, que voc� t� falando que � bandido,
foi que salvou voc�, porra.
Eu n�o fui sozinho, n�o. Eu n�o fa�o nada sozinho, n�o.
Quem me salvou foi voc�, que � meu irm�o.
S� por isso que eu t� vivo.
T� todo mundo contra a gente.
Fa�o o que contigo agora?
Te levo pra onde? Tem algum lugar seguro?
Tenho.
Tu � forte, cara. Dif�cil te derrubar.
Olha aqui, �.
Eu trouxe uns Rem�dios pra voc�.
Esse aqui � antibi�tico.
Esse aqui � um analg�sico forte.
J� passei todos os hor�rios pro Ronaldo.
Daqui a duas horas, voc� toma de novo.
- Valeu. - Vou nessa.
Se cuida a�, Mikhael.
Deixa eu te falar, t� ali no computador tamb�m, t�...
Qualquer coisa, grita.
J� vai.
Oi, Ronaldo. Eu sou a Sarah, irm� do Mikhael.
Tudo bom?
- Tudo bem? - Entra a�. Fica � vontade. Obrigada.
Vou te levar at� ele.
Pode vir.
Mikhael.
Visita.
- Fica � vontade a�, t�. - Obrigada.
Qualquer coisa, � s� chamar.
Vim ver como � que voc� est�.
Como � que voc� acha que eu t�?
Voc� tem que ir ao m�dico.
N�o t� falando de mim, n�o, Sarah. T� falando de voc�.
Mas pelo visto, parece que t� normal, n�?
Parece que nada aconteceu, vida que segue.
N�o � assim, Mikhael. N�o � assim?
N�o � assim o qu�?
Que voc� � puta agora?
N�o era isso o que voc� estava fazendo?
Ou mudou de nome a porra da profiss�o?
Voc� n�o sabe o que eu t� passando.
"N�o sabe o que eu t� passando"?
Voc� acha isso justo? Voc� pensou em mim?
Voc� pensou no meu pai, na minha m�e, no seu filho?
Voc� pensou no Rafael? Voc� n�o pensou em ningu�m!
Eu tenho filho! E tenho um filho pra criar!
Aquele dia, naquela igreja, no batizado, eu
jurei que nada nunca ia faltar pro meu filho.
E nada nunca vai faltar!
Principalmente nele que voc� tinha que ter
pensado quando estava dando para aquele
velho filho da puta.
Eu quase morri por causa de voc�, Sarah.
Por causa da piranhagem que voc� estava fazendo l�.
Voc� acha que eu tenho que aceitar essa merda?
Eu n�o tenho que aceitar porra nenhuma, n�o! �, �...
O que t� acontecendo aqui, gente?
N�o se mete, n�o, Ronaldo. N�o � da sua conta, n�o.
Eu me meto, sim, porque tu t� na minha casa e ningu�m vai gritar
- e nem levantar a m�o. - Voc� vai me ouvir.
N�o encosta a m�o em mim.
Parou, rapaz! T� maluco?
Tu tenha mais respeito, rapaz.
N�o seja moleque que tu t� na minha casa.
Ronaldo, eu t� na tua casa, mas � minha fam�lia, ela � minha irm�,
eu falo do jeito que eu quiser. Ningu�m vai gritar com mulher
nem levantar a m�o para mulher dentro de minha casa.
Ela � minha irm�, eu falo do jeito que eu quiser.
- Foda-se! - Ela t� errada!
Ela veio aqui pra saber como � que eu estava, e eu t� assim.
Tenha respeito. Tenha respeito � o caralho!
Eu estou te hospedando.
Mikhael, tu acha que quem salvou tua vida l�, hein?
Ela que chamou o Galv�o. Foi ela!
Ela que estava l�, morrendo de medo...
Para ver se te tirava da l�!
E se descobrissem que � tua irm�?
Tu acha que n�o iam dar porrada nela, matar ela?
Hein?
Tu n�o sabe quem � minha irm�, tu n�o sabe quem � minha fam�lia,
tu n�o tem direito de falar porra nenhuma.
Enquanto tu fica tirando onda de Batman, seu merda, tua irm� t� tentando
arrumar um jeito de sobreviver.
Sou obrigado a aceitar isso? Sou n�o.
Eu n�o vivo do mundinho cor de rosa de voc�s, n�o.
Mundo cor de rosa � o meu caralho!
Eu ralo muito pra fazer isso que eu fa�o.
Ronaldo, cuida da sua vida que eu cuido da minha, irm�o.
S� tem mais a Sarah, n�o �? Todo mundo foi embora da tua vida.
� op��o isso. Meu Deus. Pelo amor de Deus...
O que foi, Jurema? N�o fala uma coisa dessas, meu filho n�o!
N�o, mo�o, n�o fala isso, pelo amor de Deus!
O que foi, ju? O que foi, ju? Calma.
O Marcos entrou no hospital. O Marcos t� no hospital.
- Balearam o Marcos. - Calma, calma, ju.
Calma, calma, devagar, fala devagar.
O que houve?
N�o, mo�o...
N�o, pelo amor de Deus! Deixa que eu falo.
Deixa a gente entender primeiro.
Onde voc�s est�o? Est�o onde, seu Ronaldo?
Eu sei onde �. Eu sei onde �. Eu estou indo para a�.
T� indo pra onde? Onde � que ele t�?
Eu t� indo para l�. Tu n�o pode ir que tu t� sendo procurado.
Eu vou tamb�m, ent�o. Me d� esse telefone!
Me d� meu telefone! Cad� a minha bolsa? Fica!
- T� sendo procurado. - N�o...
Pelo amor de Deus, n�o, eu preciso ir com ele. Senta. Calma.
Jurema, deixa falar uma coisa pra senhora.
Primeiro ele vai entender o que aconteceu.
Ele falou que ele era bandido. Ele n�o � bandido.
Tem que ver como ele �, ele ajuda todo mundo.
Ele quer salva-vidas, meu filho.
A�, tiraram a vida do meu filho.
Tiraram a vida do meu filho.
Calma, Dona Jurema. Se acalma.
O Ronaldo vai ligar pra gente e vai dar not�cia boa.
Nos �ltimos meses os �ndices de homic�dio reduziram consideravelmente
em toda a regi�o metropolitana do Rio de Janeiro.
Espera um pouco l� fora? Conduz ele, por favor.
O que est� acontecendo?
Manuela?
Vou te fazer uma pergunta, uma s�,
e eu quero que voc� seja honesto e sincero comigo. Voc� entendeu?
O que est� acontecendo?
Voc� entendeu?
O que � que aconteceu com o Gerard no morro do ca�?
Voc� sabe, o BOPE sumiu o morro, fez a opera��o e desceu com seu filho.
T�, mas o que ele estava fazendo l�?
Porque ele me disse que foi l� pra pegar um baseado, foi isso?
Vem c�, voc� n�o quer primeiro me explicar o que realmente...
Eu quero saber exatamente o que � que o meu filho foi fazer l�.
Quer mesmo saber?
Meu Deus do c�u.
Meu filho t� metido com isso?
Tr�fico de armas, quando que isso aconteceu?
Onde que eu estava, meu Deus do c�u?
Quem te contou isso?
O que importa isso agora?
Porque quando eu descobri o que era, eu fiz quest�o que n�o vazasse.
Eu sei que dos meus homens n�o foi.
Voc� quer saber quem foi?
Quer mesmo saber quem foi? O Cust�dio.
Ele quem disse que meu filho estava metido com merda.
Como � que esse filho da puta ficou sabendo?
Voc� tinha obriga��o de me contar.
Eu te preservei. Preservou o caralho!
Eu nunca pedi pra me preservar de porra nenhuma!
Voc� queria o qu�, Manuela?
Quando o BOPE chegou com o seu filho, eu mostrasse as armas e falasse:
"Seu filho n�o estava sequestrado,
ele estava no morro vendendo essas armas".
Isso, exatamente isso que voc� tinha que fazer.
Voc� era o Comandante da pol�cia.
Voc� t� me sugerindo que eu deveria
expor que o filho da Presidente de ALERJ
t� envolvido com tr�fico de armas, porra?
T� na m�o dele.
Acabou.
Eu n�o tenho mais como medir for�a com ele.
O procurador-geral do estado foi indica��o do Eust�quio, n�o foi?
Sim, por qu�? Chama ele aqui.
O que voc� vai fazer? N�o vou mais jogar, Barata.
O que eu quero agora � acabar com ele.
Eu vou tirar o Cust�dio do pal�cio.
Presidente, esse processo pode rachar a nossa base aqui dentro.
N�o se a gente tiver prova suficiente das merdas dele.
Manuela, voc� t� muito nervosa.
Voc� nem pense em pedir para eu me acalmar numa situa��o dessa.
Presidente, na sua base tem gente envolvida com os esquemas do Cust�dio.
Eu vou arriscar.
Uma coisa � ele tentar me foder politicamente,
outra coisa � ele amea�ar a minha fam�lia.
Manda chamar o procurador.
�, s�o brechas, sem d�vida alguma.
Mas eu ainda n�o entendi o que voc�s querem com isso aqui.
Ant�nio, voc� � o procurador-geral do estado.
Voc� mais do que qualquer um aqui
sabe exatamente o que pode virar den�ncia.
O que tem a� � suficiente?
Depende. Pra qu�?
A Deputada sabe melhor do que ningu�m que
abre-se CPI nessa casa com qualquer coisa.
- Basta voc�s quererem. - A� que t�.
N�s n�o queremos abrir com qualquer coisa.
E querem ir at� aonde com isso? At� o fim.
Eu acho que senhor procurador j� entendeu
o que a Deputada quer dizer, n�o �?
Impeachment.
Voc� mesmo disse que o Cust�dio deixou brechas.
Uma hora ia dar merda.
�, mas o impeachment n�o � uma coisa simples assim.
Voc�s precisam de uma m�nima sustenta��o.
T�, mas o que a gente tem a� n�o � o suficiente?
N�o, n�o s�o provas concretas. Ainda n�o.
Mas como eu disse, a Deputada sabe,
dependendo do apoio que tiver na assembleia
e dos acordos que a senhora fizer...
Espera a�, desculpa.
Eu acho que o senhor n�o t� entendendo direito.
Eu n�o tenho nenhum tipo de acordo com o Cust�dio.
Exatamente por isso que eu t� querendo provas.
A quest�o, senhora Presidente, � que essa
conversa me p�e numa posi��o delicada.
Eu fui nomeado pelo Governador.
N�o, senhor. O senhor est� a� por causa do Eust�quio.
Foi ele que te botou nessa cadeira.
E hoje, quem � respons�vel pelo legado pol�tico deixado por ele sou eu.
Ent�o, se o senhor deve alguma lealdade pol�tica a algu�m, o senhor deve a mim.
Bom, senhores, o meu dia est� cheio.
Foi um prazer. Agora voc�s me d�o licen�a.
Licen�a.
Ant�nio. Ant�nio.
Olha, a Deputada est� sendo muito pressionada,
sabe como s�o as coisas aqui dentro.
Mas olha, ela deixou claro que n�o era nada contra o senhor.
Inclusive, eu queria agradecer a sua
disponibilidade porque �s vezes a gente fica aqui
falando s� entre a gente, e � muito bom quando tem algu�m assim
do seu gabarito para eles ouvirem.
�, mas eles n�o precisam ouvir ningu�m, Barata.
Precisam sim, porque a Deputada, ela � diferente.
Seria at� mais f�cil se n�o fosse, n�?
Mas a prova disso � o senhor estar aqui, e ela querer as verdades concretas.
Eu s� disse que o que tem ali s�o brechas, ainda n�o h� provas,
mas a pressa com que ela parece estar tendo, n�o vai ajudar.
T� certo, t� certo, eu concordo.
Concordo plenamente, plenamente com o senhor.
Vamos poder contar com o senhor?
Eu fui nomeado pelo Governador, Barata, assim como voc�.
E a gente sabe como isso aqui funciona.
Mas a gente tamb�m sabe que nem tudo foi falado l�,
nem todo o assunto foi discutido l� dentro.
S� articula��o pol�tica, a gente n�o chega l�.
O que voc� sugere?
Mais cedo ou mais tarde, a Manuela vai ser Governadora,
e n�s estivemos observando o seu trabalho como
procurador-geral, e, ali�s, muito bom, parab�ns.
Obrigado.
E com a Manuela l� no pal�cio, eu vou ter acesso ao que interessa.
Mas voc� j� n�o tem acesso ao que te interessa?
Sim.
Ent�o voc� j� sabe que n�o d� espa�o.
Barata.
Voc� disse que a Deputada � diferente.
Sim.
Mas se cerca de gente bem parecida com a maioria.
Voc� t� me olhando?
Meu anivers�rio � s� amanh�, d� azar comemorar antes.
Com quem ser�, com quem ser�, com quem ser� que a Capit�...
Ronaldo.
A pol�cia matou ele.
O Marquinhos tinha ido num anivers�rio, no Tabajaras,
mas a pol�cia subiu atirando como sempre e acertaram ele.
J� ouviu a vers�o da pol�cia o que eles falaram?
J� ouvi a vers�o da pol�cia.
E a�, o que houve?
O Comandante da opera��o, Capit�o ribeiro, me falou
que o Marquinhos foi encontrado com um
r�dio transmissor e uma arma na cintura.
O cara teve coragem de falar isso na minha cara, Mikhael.
Ele estava perto do movimento, tinha algum amigo envolvido
com alguma coisa desse tipo? Que pergunta � essa, cara?
N�o sei, de repente estava no lugar errado, na hora errada.
Mesmo que ele estivesse no lugar errado,
n�o tem que matar ningu�m por causa disso.
Mas n�o, ele n�o era do movimento, n�o tinha amigo nenhum do movimento.
Ele s� era sabe o qu�? Preto.
E preto � tratado assim, n�?
Tem que matar e matar logo, n�?
Foi isso que aconteceu com ele.
Porque se fosse comigo, tu sabe que eles iam
revistar, iam esculachar, mas n�o iam matar.
Mas como era um preto, pobre...
� esse termo que voc�s inventaram na pol�cia, n�?
"Figura mat�vel".
T� querendo me ensinar a ser negro agora?
Porque preto nesse pa�s, ou � trabalhador
fodido, tratado igual escravo,
ou ent�o � pol�cia que vai matar, n�?
Voc� nem sabe o que � ser negro. Me d� uma aula nessa porra!
Porque n�o � voc� que tinha uma m�e que ficava brigando com o pai
porque tinha que estar bem vestido.
O pai que ia passear na zona sul, e a
minha m�e ficava azucrinando na cabe�a dele
porque tinha que estar eu e minha irm�
vestido impec�vel para n�o ser confundido com
menino de rua, com trombadinha.
S� que isso eu n�o aprendi numa palestra de faculdade, n�o, � caralho;
isso eu aprendi com a vida. Isso eu aprendi na pele, porra!
Ent�o, n�o vem me ensinar a como ser negro nessa porra, n�o.
Calma. Ouve, Mikhael, a gente t� falando da mesma coisa, cara.
S� que quando a crian�a n�o pode botar uma
roupa mais arrumada, acham que � crian�a de rua;
e depois, fica mais velha, acham que �
traficante. E a� matam mesmo, meu irm�o.
Voc� sabe como �, cara. � figura mat�vel, sim!
S� que o Marquinhos n�o morreu por causa de racismo, n�o, porra.
Morreu por qu�, ent�o?
Foi despreparo, caralho! O policial fica seis meses,
um ano, tr�s anos na prepara��o. Voc� acha o qu�?
Que quando ele vai pra rua,
voc� acha que ele se sente bem? Se sente confort�vel?
Porra nenhuma, meu irm�o!
� a vida da gente que t� em risco naquela merda!
Eu sei, eu subo o morro tamb�m, caralho! - E da�, porra!
A gente sobe para tomar tiro, caralho!
A gente � gente, � ser humano, porra.
O Rafael n�o era bicho, n�o, caralho, e morreu nessa porra tamb�m!
Para de achar que � o direito de um contra o direito de outro, cara.
Porque esses caras a� que est�o torcendo para voc�s subirem o morro
s�o os que est�o dizendo que bandido bom � bandido morto.
Que n�o tem que ser julgado.
S� que esses mesmos caras n�o est�o nem a� se vai cair um, dois, dez inocentes,
eles querem mais que se foda, meu irm�o.
Sabe por qu�?
No final do dia, eles v�o bater palmas pra voc�s e v�o dormir em paz.
Quantos de voc�s v�o ter que morrer pra tu entender, caralho?
Eu acredito na pol�cia. Agora, quem fez essa merda, n�o me representa.
A pol�cia, nesse pa�s, n�o vai mudar nunca.
A sociedade tamb�m n�o, meu irm�o.
T� achando o qu�? A pol�cia � reflexo da sociedade.
A gente � reflexo dessa merda que a gente vive.
Fazendo um rango a�, se quiser...
T� sem fome. Tu vai sair?
Preciso resolver uma coisa.
Tu � procurado, Mikhael.
T� louco?
Ronaldo, obrigado a� pela sua ajuda.
De verdade.
Sei que a gente tem nossas diferen�as, mas...
Faz parte, as pessoas s�o diferentes mesmo.
Sarah.
Sarah, eu sei que voc� t� a�.
Sarah!
Sarah, eu n�o vou embora enquanto voc� n�o abrir.
Quando eu lembro do pai, eu penso num her�i, sabia?
Eu sei que eu reinventei ele na minha cabe�a.
� imposs�vel ele ser como eu criei.
N�o d� pra ser her�i pra sempre, Sarah.
E voc�,
voc� ainda pensa nele?
Gilmar.
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