All language subtitles for 02h03Os.Enforcados.2025.1080p.WEB-DL.NACIONAL.5.1

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Original subtitles

E meu bem ainda me quer, e ele então me respondeu que

não.

Chorei, mas depois eu me lembrei que a flor também

é uma mulher que nunca teve coração.

A flor mulher iludiu o meu coração.

Não sai de jeito nenhum.

Eu vou soltar sua boca.

Se você gritar, corta seu pescoço.

Entendeu?

Entendeu?

Não tem muita coisa aqui.

Tem grana aqui dentro. Não.

Eu vou te mostrar o cofre.

Simples. Acabou.

Acabou.

Para, para, para.

Eu vou te curir.

Eu botei um pra ver.

Ele te mata?

O marido é fraco.

Amor, olha essa marca.

Você não gosta, não?

De faca eu gosto, de marca não.

Esse aí é o mais barato.

Esse é o mais barato? É, o adoçante.

Agora olha esse aqui.

É bem melhor.

É melhor e mais caro.

Eu sempre soube que ia ser, né, meu amor? Mas olha isso aqui.

Imagina tomar café da manhã nessa cozinha.

É, bonita é.

O que foi?

Eu tô quebrado.

Você tá falido?

Quase isso.

De uma hora pra outra, assim?

Tem uns meses que entra menos dinheiro, bem menos dinheiro.

Você não me falou nada.

Eu não te falei que eu não queria te preocupar, Regina.

Mas esse mês a coisa ficou feia.

Meu amor, me escuta.

O que eu faço agora?

Eu vou lá fora para a obra.

Eu paro.

Eu paro. Acabou. Acabou. Eu dou um tapinha assim nas costas de pedreiros.

Acabou. Vai todo mundo pra casa e a gente passa a viver nesse canteiro de

abandonado. Foi isso que você me prometeu quando eu voltei de Miami. Não

isso, não. Mas não precisa tanto.

Eu só quero que a gente controle os gastos. Só isso. Eu não tô entendendo

que você pode estar aqui. Como é que tá entrando menos se o Brasil tem crise?

O teu negócio vive de crise, Valério.

Onde é que essa Nicole mora?

Mora em bar. Por quê? Porque a pessoa que tá desesperada, ela reza, ela bebe e

ela joga. Eu tenho um plano.

Você tem um plano? Tenho um plano.

Como é que você vai me contar? Eu tô contando agora.

Eu quero que a gente reduza os gastos até eu conseguir vender a minha parte

meu tio.

Você vai vender pro teu tio?

Valério, eu vivo te dizendo que o senhor não presta, que ele é um bandido. Ele

tá te tentando passar a perna.

Ele fica te tratando como se você fosse empregado dele. Só que você é sócio.

Você é dono de metade. Agora você vai vender pro teu tio?

Eu posso explicar.

Que o pai, Valério... Eu não tenho provas disso. Você tem convicção. Que o

Que eu mate ele?

Você que tá falando.

Fala bobagem.

Você nunca pensou nisso?

Preciso falar com meu tio.

É urgente.

Robocop, 200 mil.

Comissário Gordon, 100 mil.

Vigilante rodoviário, 340 mil.

Capitão América, 1 milhão. 1 milhão?

Como assim, aumentou?

A gente quer continuar com o controle de Nova Iguaçu ou não quer? Vocês estão

gastando muito com esses caras.

Vocês? Se é pra cortar, corta logo pra todo mundo.

Ruim com eles, meu amigo.

Pior sem eles.

Conversa. Se fosse o Linduat... Mas você não é.

Com licença.

Presentinho do comissário Guardi.

Era o Simão mesmo que estava alterando a programação das caçaniques.

Estava entrando mais a posta do que a máquina registrava.

E esse... É o Simão.

Entreguei para o Marcinho que ele vai ter melhor proveito.

Obrigado. Já almocei.

Oi, Juliana.

Hoje à noite?

Mas ele não pode mais cedo?

Tá, então confirma.

Vou lá encontrar com ele.

O enforcado.

Pelo pé?

O quê?

Enforcado pelo pé?

É o nome da carta.

É que pra ser enforcado, a corda tem que estar no pescoço, né? Não no pé. Oh,

meu Deus.

Cadê a sua capacidade de abstração?

É que isso aí não morre enforcado. Morre de fome ou de burrice.

Você quer saber ou não?

Quero. Vai.

Estagnação.

E dívidas, hein?

Regina, você vai precisar saber negociar pra poder sair dessa situação.

Agora, a boa notícia é que a lua...

A lua traz abundância, expansão material.

Bom,

interessante. Uma grande oportunidade vai se abrir diante dos... Você vai

ter uma revelação.

Algo que vai mudar a sua vida e a do seu marido para sempre.

O que?

Como é que eu vou saber que revelação é essa?

Atenção, foco, abstração.

Isso é muito genérico. Isso pode ser qualquer coisa. Eu preciso de uma

concreta. Qual o seu maior desejo nesse momento?

Ser livre.

Independente. Ah, você quer se separar?

Não. Eu tô falando de autonomia financeira.

Eu queria que meu marido assumisse o controle sobre a vida dele. Sobre o que

dele de direito.

Que ele conquistasse essa autonomia.

Mas a autonomia que você quer é sua ou do seu marido?

A minha autonomia é a autonomia do meu marido.

Porque nós dois somos um só. Isso é casamento, né?

Se o seu marido não está conseguindo enxergar o caminho certo, cabe a você

os olhos dele para essa grande oportunidade.

E?

E o quê?

Acabou? As cartas já disseram tudo.

Dizem que jogar tarô com a mãe dá azar. E por isso você quer um desconto?

Vender sua parte?

Isso.

Correto. O que é o problema? É dinheiro?

Está bem, mas não é só isso.

Mas se for dinheiro, não é problema.

Fala de quanto é que você precisa.

Ei, eu faço o adiantamento para você, a gente consegue o empréstimo.

Hein? O que mais?

Eu estou cansado desse tipo de serviço.

Esse tipo de serviço? Valera, esse tipo de serviço só pode ser feito por gente

de confiança.

E não tá fácil, não. É difícil.

Não tá nascendo gente confiante em árvore, não. Eu sei, mas arrancar

Merda.

Ao invés de eu comprar a sua parte, você assume tudo.

Assumir?

Eu tô sendo ameaçado de morte.

De morte?

Por quem? Ah, coisa lá da Câmara dos Deputados. Aquilo é uma ratoeira. Eu fui

grampeado num telefonema falando com outro deputado. Ah, negócio de desvio de

verba dele. É uma coisa corriqueira.

Mas eu dei com a língua nos dentes. Acabei caguetando um grande empresário.

Esquentou. Impediu minha cabeça. Eu tenho que dar o fora de qualquer

E o que você quer de mim?

Galera, você é a sangue do meu sangue.

Você é a única pessoa que pode ficar no meu lugar. Por quanto tempo?

Ah, dois, três meses.

Dois, três meses?

É, coisa rápida. Você fala dois, três meses como se fosse... Olha aqui.

Eu vou sair daqui a dez minutos.

Quinze minutos depois, eu vou passar um torpedo para você dizendo onde está a

minha localização e você vai me encontrar.

Ô, Jobs, não tem certeza que é aqui? É onde o GPS tá marcando.

Você confirmou o lugar?

Confirmou aqui, ó.

O carro dele?

É.

É a placa dele?

É, Regina.

É sim.

Deixa eu ligar a break.

Saiu alguém. Deve ser o Jair. Não é ele. Pode sair. Calma.

Vamos embora daqui. Calma.

Não pode ir embora. Calma.

Jonathan, atropela. Calma, Jim.

Pode passar.

Está com a arma aí, irmão. Estou com a arma aqui.

Calma, ele quer quebra a porta.

Abre ou não abre? Não.

Não abre.

Abre ou não abre? Calma, calma.

Abre.

Cuida disso pra mim.

Aí, vambora pra tua casa.

Se livra disso, irmão.

Mas e o corpo?

Ah, deixa aí.

Vamos.

O que é isso?

Deixa aqui.

Eu não estou entendendo.

Eu te boto sentado no trono.

Parece que você está triste.

E estou.

Meu pai não ia gostar de me ver sentado nesse trono.

Teu pai errou muito, cara.

Sempre fui contra esse negócio de criar você longe daqui, sem saber das coisas.

Pra mim tinha que encarar de frente, ter orgulho da família, do que a gente

construiu. Mas não.

Vida limpa, vida limpa, vida limpa.

Vida limpa não existe, rapaz.

Vida limpa é uma ilusão.

E foi essa ilusão que matou seu pai.

Essa história...

Eu nunca engoli esse suicídio.

Também não.

O homem daquele meteu uma bala na própria cabeça? Não, não, não.

Eu estou falando que nunca acreditei que ele tenha se matado.

Ah, isso é bobagem. Na época eu também pensei que ele tivesse sido assassinado.

Alguma ratazana da cúpula tivesse mandado matar, mas... Depois, quando

eu vi o resultado dos exames de balística...

Minhas dúvidas acabaram.

Foi ele mesmo que puxou aquele gatilho.

Você é meio herdeiro.

A gente lutou tanto pra quê?

Pra entregar agora tudo na mão desses milicianos, filho da puta?

Pra outra família vir reinar?

Não.

A família tem que permanecer unida, meu filho.

Se você não tivesse ido para tão longe, talvez seu pai estivesse com a gente

aqui hoje.

Talvez.

Sei que não dá voltar atrás.

Mas a gente pode consertar o rumo das coisas agora.

Vai dormir aqui.

Vai passar a noite aqui. Amanhã vai pra... Como assim?

Falou que tá sendo perseguido, ameaçado.

Quer que eu fique no lugar dele por um tempo.

Quanto?

Três meses.

Ou mais.

Não.

Esse puto tá armando pra cima de você. Também acho.

Olha a facilidade que ele matou aquele cara.

Esse homem matou um irmão.

Meu pai, meu amor.

Por que ele ia ter consideração por você que é sobrinho?

Meu amor, aconteceu uma coisa estranha.

O quê?

Fala.

Você sabe que eu não sou místico, não sou esotérico, não acredito nessas

Eu vi meu pai.

Viu?

Morto.

Ele apareceu aqui?

Tem uns dias que ele aparece pra mim, mas...

Hoje ele falou comigo.

Através do meu tio.

Eu sei, eles são iguais, mas eu juro, eu vi meu pai.

Através do olhar do meu tio, eu vi.

O que ele disse?

Ele disse que se eu estivesse aqui em Miami, talvez ele estivesse vivo.

E que ainda dá tempo de corrigir o rumo das coisas.

Não. Você não ia ver.

É isso.

Só eu e você. Essa é a oportunidade.

Juntos. É isso. Ou a gente vai acabar num terreno baldinho contido nas costas.

Não tem volta.

Você tem que agir.

Você tem que agir.

O que você está querendo chegar?

Esse homem que está dormindo aí em cima é a única coisa que te separa do que é

teu bom direito.

Meu amor, esse homem vai embora amanhã de manhã.

Ou não.

Como assim?

Muito difícil.

A gente pega o corpo dele, joga de volta lá no carro.

Amanhã alguém acha, mas você sabe?

Quem pode ser?

Quem vai ser?

A polícia? A milícia? O bicheiro? O senador? O senador, sei lá quem é esse

senador. Pronto.

Não tem como saber quem foi. Todo mundo quer a morte desse cara.

Você não.

Você não vai ter esse respeito de você é o sobrinho de uma espécie de irmã, mas

ninguém está falando sobre isso.

É?

Dê -me uma gota de sangue.

Você quer que eu mate ele para você?

Quer?

Quer?

Mas eu não sou.

Que porra é essa?

O que aconteceu?

Do canivete de estimação.

Ele te matou?

Claro que não.

O sangue dele é meu também.

Mas é mais dele do que meu.

Vem. Vem cuidar disso.

Vem cuidar disso.

A gente tem que tirar ele daqui agora.

Não. Não dá pra sair com esse corpo daqui agora.

Tá cheio de câmeras na rua. Elas viram a hora que a gente chegou.

Vai ser estranho sair de novo na noite da morte dele.

O que você sugere?

É só até a gente descobrir a melhor maneira de tirar ele daqui.

Se ele sai como entulho de obra, lixo, ninguém vai suspeitar.

Quando?

Quando a gente precisar que ele apareça.

Sem corpo, não é herança.

O que você está fazendo, Valério?

O que você está fazendo?

Fala, irmão.

Precisamos de uma mão tua.

Fica quieto, Valério.

Com licença.

Você sabe que você é irmão pra mim, né?

Sim, mas o que aconteceu aqui?

O que a gente vai fazer hoje aqui... Fica só entre nós três.

Fechado, irmão?

Claro.

Vê se eu solto a máquina.

Para!

Vai!

Lady, não! Não, Lady!

Vai!

Lady!

Lady!

Sai, Neto! Sai!

Cara, sabe do que eu sempre falo?

Daquele arroz com feijão.

E o ovo frito por cima, assim.

Com a gema bem molinha que tua mãe fazia.

Aquilo era bom pra caralho.

O que estamos falando disso agora?

Não sei.

A gente quando morre deixa a gente mutir.

O corpo foi identificado como centro de segurança pessoal de Linduarte Mendes, o

ex -policial militar Jailson Carlos Aguerra. E seu sobrinho Valério Mendes

esteve na delegacia.

Pelo que está nos jornais, tem um 50 % morto e um em corpo.

O Linduarte deve estar vivo, meu filho, em algum lugar.

Sabe por que eu não acredito nisso?

Porque ele estava sendo ameaçado. Ameaçado por quem?

Senador. Não, um deputado. E qual o nome dele?

Ele não falou.

O Linduarte foi grampeado numa ligação com outro deputado.

Na verdade, o deputado era o da ligação.

O cara que estava fazendo a ameaça não era deputado, era empresário. Meu Deus,

mas que história é essa?

Não lembro dos detalhes, mas ele vinha sendo ameaçado. Meu filho, o que foi

no seu rosto? Você andou se batendo em briga?

Reforma lá em casa.

Bagunça, cheio de entulhos.

Aí caiu de cara, né, Valério?

É, mais ou menos isso. Mas ele me falou que estava sendo ameaçado. Eu tenho

certeza que ele está morto. Foi você que o matou?

Não. Não?

Não. E tem certeza como?

Ó, carinho.

Ah, o picadinho. Servido, Valério.

Obrigado. Você tem certeza? Você não tá entendendo.

Esse picadinho é melhor que o da minha mãe, que da tua mãe, que da mãe de

qualquer filho da puta. É bom pra caralho, rapaz.

Meu filho, eu vou ser muito claro e objetivo.

Seu tio some e você me aparece com essa cara e com a história dessa pra ficar

insinuando que eu matei meu tio. É isso? Seria de se sonhar.

Foi ele que matou seu pai?

Ninguém aqui está te condenando. Muito pelo contrário.

Só que no teu lugar eu teria feito isso há um ano atrás, né? Quando o corpo

ainda estava fresco.

Seu tio não presta. Caiu o próprio irmão. E faz tempo que vem se metendo

parceiros nossos. Se metendo com o tráfico.

Pode abrir seu coração, meu filho.

Nós crescemos juntos com teu pai.

Aqui vocês só têm aliados.

Eu não quero fazer mais parte disso.

Eu vim aqui para fazer uma proposta.

Eu quero vender.

A minha parte do bicho. Vender?

O bicho, das máquinas, tudo.

E assim vocês tomam o controle total do jogo.

E eu não estou falando só da minha parte, não. Com meu tio morto, eu herdo

parte dele.

Meu filho, teu tio devia para Deus e o mundo.

Agora, se somar o que ele devia para Deus e o resto do mundo, não chega a

do que ele devia aqui para a gente.

Pai, olha o que ele não está entendendo.

Meu tio não está morto. Ele morreu.

Morreu ou não sabe?

Então vamos supor que ele morreu.

Você não tem que assumir o controle do negócio dele? Foi isso que eu vim falar.

E assume as dívidas.

Dívidas? Vai me dizer que você não sabia. Eu sabia.

Sabia que tava entrando menos dinheiro, mas daí pra dívida... Você não

trabalhava com ele, garoto?

Vender pra gente.

É um comediante, meu.

É um brincalhão.

Você não tá entendendo.

Eu não posso comprar o que já é meu por direito. Eu por direito, cara. E você

quer pagar essa dívida. Algum jeito de começar.

Começar. É me passar o controle do seu território.

Depois a gente conversa, né, pra acertar o resto.

Quem deve pra vocês é meu tio.

Certo?

E ele tá assumido.

Mas ainda pode aparecer.

Você está maluco, rapaz? Você acabou de dizer que tem convicção que ele está

morto. Convicção não é prova.

Até ele aparecer, vivo ou morto,

não sei.

A gente não pode afirmar nada.

Sem corpo, não há herança.

Dívida é dívida. É difícil.

Você que limpa o dinheiro do jogo. É o cara da negociação, porra.

Costumado a lidar com essas manobras.

Lavar dinheiro é uma coisa, negociar dívida é outra.

E eu faço o que com essa merda que caiu na minha cabeça?

Isso aí só se seu tio tiver morto.

Quem é que vai ter certeza disso?

Você? Meu Deus do céu, não me envolve nisso. A minha área é direito

Tributário!

Batista.

Batista.

Eles querem me ferrar, cara.

E eu te pago bem, muito bem, que é pra você me dar solução, entendeu? O que eu

sempre falo pra você?

Antes de tomar qualquer...

Decisão drástica. Você consulta o seu advogado.

Mas não.

Você foi ouvir quem?

Como você não sabia? Não sabia.

Meu tio me escondeu essa situação.

Você não falou que estava entrando menos dinheiro do que o normal? Mas eu não

sabia o porquê, Regina.

Quem tomava conta das maracaias era ele. Eu só faço reposicionamento financeiro,

entendeu? Reposicionamento financeiro?

Tá bom, Regina. Lavagem de dinheiro.

Agora vai lá fora e fala bem alto.

O que a gente faz agora?

Agora? Até a gente resolver essa situação toda lá com eles?

Esse corpo não sai daqui.

Como é que ele vai vender? Vender? Não vai vender.

Tá lacrado.

Meu amor, vê se entende.

Sem corpo não há morto. Sem morto não há herança. Sem herança não há dívidas.

Entende?

A única coisa que a gente ganhou com tudo isso foi um copo na barriga.

Você tem uma ideia melhor?

Se eles não fizeram comprar, tudo bem.

Vamos em depor da pessoa.

Quem vai comprar dívidas, Regina?

Outra coisa, vou parar a obra.

Não. Vou parar. Não, Valério. Vou. Agora não dá pra continuar com ela.

Infelizmente, não vai poder fazer reconhecimento do corpo, nem dos

Ele ficou completamente carbonizado.

Deve ter tentado desaparecer com as provas, mas não tiveram sucesso, não.

Como você tem certeza que é ele?

DNA. Isso é incontestável.

Encontraram a um quilômetro do local onde o segurança foi assassinado.

Mas não faz sentido.

Se queimaram esse corpo, por que não queimaram o corpo da segurança também?

Por risco, é saber.

Será que eu posso ficar sozinho?

Tira o corpo lá de casa.

E quem sentou?

O lindo átio que não é.

Mas que exame de DNA?

Diz que é ele.

Algo eu que não tenho julgado nenhum com as palavras.

Boa noite.

Eu queria começar homenageando o nosso

saudoso lindo arte, pedindo um minuto de

silêncio.

Não, não, vamos... Melhor não.

Nem ele queria isso.

Por ele, ele queria zoada, muita zoada.

Quando minha família chegou aqui no Rio de Janeiro, ela foi abraçada por essa

cidade. Meu pai, junto com meu tio, construíram esse império, que é para não

deixar nunca os tambores pararem de tocar.

Porque essa é a nossa força.

Deus nos deu essa força e não podemos desperdiçar.

Deus nos deu essa arma, porque é uma arma. Se a gente não dispara, o inimigo

atinge. Então eu quero pedir a vocês que, por favor,

façam agora muito barulho.

Porque a partir de agora, unidos nessa funda, nós

vamos cavar em cima das cabeças dos nossos inimigos.

Giroteio e morte na Zona Norte. Os contraventores Capitão Rodrigues,

Jordão e seus filhos estão desaparecidos desde que o Boteco do Bicho sofreu um

violento ataque na tarde desta sexta -feira.

Ele cedeu?

Isso?

Não é tão simples assim.

A folha de pagamento deles é extensa pra caralho.

Eles podem vir atrás da gente?

Podem.

De mim.

a folha de pagamento deles.

Assim você vai ficar mandando em todo mundo.

Grana, Regina.

Para isso tem que ter grana.

Muita grana.

E você não pegou o dinheiro desses caras?

Você matou eles para quem, então? Quem disse que eu matei eles?

Você não matou?

Calma.

Eu tenho um plano.

Ele não ia me contar.

Estou contando agora.

Da última vez que você teve um plano, teu tio te passou a perna.

Existe uma reserva de dinheiro para cobrir o prejuízo, caso alguém ganhe uma

grande bolada no jogo.

Os bicheiros chamam isso de banco central.

Sabe quem controla isso?

O Rodrigues.

E?

E o ser humano, quando está com fome, faz o quê?

Aí você vai matar eles.

E acabou.

Talvez nem precise.

Porra, só isso?

Bom vocês se hidratarem. Cadê a comida?

É só pedir um delivery que ela chega rapidinho aí, doutor.

Quase. Filho da puta!

Bom dia pros senhores.

pra ele esperar lá fora, mas ele insistiu em entrar.

Valerio Mendes? Eu mesmo.

Torch, Polícia Federal.

Prazer. Será que a gente podia falar um minutinho?

Claro. Pode ser lá fora? Com certeza.

Por favor.

Machucou o rosto?

Reforma lá em casa. Acabei batendo de cara.

Mas vem cá, esse sotaque.

Você não é daqui.

Sou filho de diplomata. Cresci por aí.

Você tem ideia de quem invadiu o teu escritório?

Não, cara, não faço ideia.

Tem ideia do que estavam procurando?

Normalmente que todo mundo quer dinheiro.

Não é?

Nem sempre.

Você falou que é federal, mas esse caso aqui não seria prático civil?

Pois é. Quando me chamaram para investigar esse caso, sabe o que eu

meu superior?

Eu quero ser despromovido.

Despromovido? É, a polícia de trânsito. Salva vidas em piscina de clube.

Alguma coisa que não me dê a frustração de... de prender bandido e três dias

depois ver ele tomando um drink na televisão.

Mas aí sabe o que ele falou pra mim?

Não te preocupa, não.

Dessa vez, eu te garanto que não vai acabar em pizza.

E o que te traz aqui?

Aí, eu tô investigando o caso do teu tio, deputado federal.

E se essa invasão não terá alguma coisa a ver com a morte dele?

Não vejo como.

E o capitão Rodrigues?

Não entendi.

Não conhece, não?

Já cruzei com ele algumas vezes.

E o Abelardo?

Mesma coisa.

Sabia que eu estava pensando assim, de repente, como bom observador.

Eu diria que primeiro mataram o Limarte.

Logo depois revidaram o Abelardo e o Capitão Rodrigues.

E agora, no que parece ser uma resposta ao que fizeram esses dois, invadiram o

teu escritório.

Que drama.

Eu não vejo conexão entre essas histórias, não.

Não vê qualquer conexão entre os crimes, não? Só a ineficiência da polícia em

conter a violência nessa cidade.

Você é, então, a favor de um combate mais rigoroso ao crime?

Sou. Como todo cidadão de bem que paga seus impostos, sou.

Você e sua mulher foram das últimas pessoas a estarem com o Linduarte,

Eu já falei essa história para o delegado Marinho.

Ah, eu...

Eu sei, imagino. Desculpa, mas eu vou te pedir pra repetir de novo pra mim, pode

ser?

Claro.

Bom, então o que vocês fizeram depois que saíram da quadra da escola?

Fomos pra casa.

Quem foi com você no carro?

Minha mulher, meu motorista.

Tua mulher tem alguma coisa a ver com os teus negócios?

Minha mulher?

Não, claro que não.

Então o que ela tá fazendo aqui?

Ela não costuma vir aqui, mas como hoje é um dia excepcional, ela deve estar

preocupada. É, com certeza.

Cara, eu não tenho nada a ver com isso, nada.

Você está procurando no lugar errado.

Estou só explorando todas as possibilidades.

Ela é pessoal, não.

Então eu desejo sucesso na investigação.

Estou te ligando, amor.

Está em tudo que é lugar no título da invasão. Estou bem, tudo certo.

Está bem?

O que você está fazendo aqui, Regina?

Diz para você ficar em casa. Diz. Isso é melhor para mim.

Levaram alguma coisa, é isso?

Mas, seu otário, deixar uma coisa importante assim para ser levada.

Quem é esse cara aí?

Delegado Torres.

Está investigando o caso de Lynn Duarte.

Ele falou que tinha acertado tudo com a polícia. Polícia civil, Regina.

Isso aí é federal.

Federal é FBI.

Lá, Regina.

Aqui não.

É isso que eu disse, aqui.

Entendeu que eu queria que você ficasse em casa?

Entendeu? Quando ele te viu, fez uma porrada de pergunta a teu respeito.

Desculpa.

Se ele vier atrás de você, se te intimar, você não comparece.

Eu ponho advogado a porra toda, mas não quero que você fale com ele, entendeu?

Não quero.

Assim eu vou parecer suspeita.

Só promete.

Tá tudo certo aí, dona Regina?

Vem com ela.

Essa mancha na parede é infiltração, né?

O serviço aí que tá meio ruim, né?

Chegou essa carta aqui pra senhora.

Pode ir.

E por que exatamente estão te chamando na polícia?

Estão investigando o Valério. Os negócios dele.

Mas o quê?

Sonegação? Tipo caixa dois?

É, uma coisa assim.

É.

Mas você diz que ele sempre te deixa fora, não te envolve nos negócios.

Por que que te chamariam na polícia? Eu não sei, mãe. Não sei.

Regina, você tá me escondendo alguma coisa que eu te conheço muito bem, minha

filha. Fala.

Você promete guardar segredo?

Não precisava nem pedir, né?

E promete que não vai fazer cara de chocada com o que eu vou dizer.

Ué, mas se eu não souber do que se trata, fica difícil.

A gente matou

o Lindo Arte.

Como é que é?

A gente... Você participou?

Mas é porque eu vi.

E você disse, você disse que era... Você disse que eu ia ver a oportunidade,

você disse isso. Mas você achou que essa era a oportunidade?

Era. Foi a minha abstração que falou.

Ah, mas que idiotice, Regina!

Era pra você comprar o meu apartamento, era isso que eu estava dizendo.

Você ou as cartas?

Quanto vocês levaram nisso?

Oi? Para.

Não, pra matar um homem daqueles, tem que ter alguma bolada em jogo.

Não. Ou foi um tipo de vingança? Ah, não me fala que foi uma vingança.

Tem dinheiro envolvido? Tem dinheiro, tem dinheiro, sim, tem muito dinheiro

envolvido, mas tem também o imbróglio, que a gente não conseguiu botar a mão

ainda. Ah, mas é claro.

O teu marido te põe no crime, mas na hora da divisão de lucros, ele te deixa

fora, claro.

Você não ficou chocada?

Fiquei. Muito chocada.

Matar um homem e não ganhar nada com isso?

Você não ficou chocada com o assassinato?

Ah, minha filha, já vi tanta coisa nessa vida.

Para com isso, porra. Para com isso.

Deixa meu filho em paz. Pelo amor de Deus, deixa meu filho em paz.

Teu filho é um bom garoto. Não abriu a boca.

Ele não vai falar isso do possível.

Deixa ele ir mais perto do bote. Para com isso.

E o meu filho?

E o meu filho?

Bate em mim, porra. Bate em mim.

A ordem é não encostar o dedo em você.

Eu falo, porra!

Eu falo, caralho!

Aí sim, porra.

Eu recebi uma intimação e eu vim aqui pra prestar o esclarecimento necessário.

Eu não sei o motivo, confesso, mas... Aí tá a tua água.

Obrigada. Obrigado, Jones, querido. Isso.

Regina, deixa eu perguntar uma coisa pra você.

Essa é a primeira vez que você vem numa delegacia, não é não?

Não. Fui uma vez tirar um namorado. Eu tinha uns vinte e poucos anos. Foi uma

coisa assim, de jovem, irresponsável. Ele foi pego com um baseado.

Ah, pois é. Uma bobagem, né? Nenhuma infração séria, né? Não, nunca.

Não ser um baseado ou outro. Quem nunca?

Olha só, eu pedi pra você vir aqui na delegacia porque eu tenho umas

Claro.

Você e seu marido foram das últimas pessoas...

Que estiveram com o Lindbart, certo?

É, eu... Acredito que sim, não sei.

E nessa noite... Quem mais foi pra casa com vocês?

Ninguém. Só eu e meu marido.

Certeza? Absoluta.

É que eu soube que tinha mais alguém.

O Jobson. É porque o Jobson é o nosso motorista. Não, pra além do Jobson.

Se eu te disser...

Que o último sinal emitido pelo celular do Lindo Arte veio da tua casa.

Que estranho, não?

Olha, eu não sei como, mas... O Valério e o Lindo Arte, eles ficaram bastante

tempo conversando na quadra da escola.

Eu não sei se por alguma razão de trabalho o Lindo Arte deu o celular pro

Valério, pode ser.

É que eu não me meto nos negócios dele.

Você sabe o que é isso?

Hipopótamo. Ah, não, tá um rinoceronte.

Desculpa, eu tava escrita.

Rinoceronte tem um chifre, é isso.

Seu retrato falado, de 1515.

Do rinoceronte?

O retratado saiu da Índia como presente diplomático pro rei de Portugal.

Uma negociata.

O rei, em outra negociata.

O enviou de presente pro Papa.

Mas o pobre do bicho nunca chegou no Vaticano. Sabe por quê?

Não. Por quê?

Porque o navio onde ele ia naufragou com ele acorrentado no convés.

E esse é o ponto que me fascina.

Qual? Essa imagem disparatada de um rinoceronte se afundando no meio do

Sabe que o rinoceronte é um animal feroz?

E sabe nadar.

Mas não pode nadar contra o oceano, não é mesmo?

É uma imagem bem mais eloquente que a de um peixe fora d 'água. Você não acha?

Acho sim.

Desculpa, é que eu não sei aonde a gente tá indo com essa história.

Regina, se você tiver mais alguma coisa pra contar pra mim...

O momento é agora.

Quem colabora com a justiça vê sua pena reduzida.

Às vezes até extinta.

Mas eu estou colaborando ao máximo.

O fato é que eu não tenho nenhuma informação além dessas que eu já falei.

Eu até entendo levantarem o Valério como suspeito.

Mas eu sei que meu marido é inocente.

Lady? Lady?

Leite!

É mamãe, amor!

Valério!

Valério!

Valério, não tô a fim de brincadeira!

Fica de costas.

Fica de costas.

Para. Fica.

Larga essa faca, por favor.

Não. Fica de costas.

Para. Não, não, não.

O quadro que você gosta.

Seu marido chega aqui e pega a gente, hein?

O que ele faz?

Mata nada, é um fraco.

Um frouxo.

Ele não suspeita o que você está fazendo.

Ele sabe que eu estou de com medo, sabe?

Ele suspeita que eu sou policial.

Eita, que você está fodendo com o delegado Torres!

Eu ia te falar, mas você não deu tempo!

Você devia ter me contado quando recebeu a intimação. Você não ia deixar eu ir.

É óbvio, claro que não. Aí eu ia ficar parecendo culpada. Eu falei que ia te

proteger. Eu ia colocar advogado na história e você prometeu, Regina.

Você prometeu!

Ele te fez alguma proposta?

Que proposta?

Liberar tua base se você me entregar?

Fez. Fez?

E? Eu não aceitei.

Mas é uma boa pra você.

Pra você safar dessa história toda.

Eu nunca ia aceitar uma proposta pra me dar bem e ferrar você.

Nunca.

Deixa eu ver.

Não.

Pra gente, Regina.

Pra mim.

Promete uma coisa.

Não sai mais de casa.

Aqui ninguém vai te atingir, promete?

Só você.

Meu amor, tô falando sério.

Eu reforcei a segurança. Se você tiver que sair de casa, você vai me avisar e

não vai sair sozinha.

Só isso.

Eu detesto segurança, você sabe disso?

Tem mais jeito.

Meu amor, não tem.

Bora.

Promete. Promete. Eu não vou ficar nessa casa o dia inteiro.

Isso aqui tá um horror. Eu não vou ficar dentro de um mausoléu.

Retoma as obras.

Retoma.

Amanhã, se você quiser.

Quer?

É isso?

A tua ignorância é a tua salvação.

A gente ainda é

parceiro?

A polícia sabe que teu tio esteve aqui na noite do crime.

Como sabe?

Quem contou isso? Quem contou?

Você descobre sozinho.

Não é assim?

Está cheio de informante?

Descobre.

A minha ignorância, a minha salvação. Gina.

Meus caros!

Onde estão nossos filhos?

O cheiro tá ótimo.

Eu te fiz uma pergunta.

Ué? Eles não tão aqui?

Não?

Eu resolvi oferecer esse banquete pra agradecer a contribuição de vocês.

Não sou muito de violência, mas vocês me obrigaram a isso.

Filho da puta.

Isso aqui é pra matar.

Mete logo uma bala na cabeça.

Bala?

Bala na cabeça?

Quando meu tio matou meu pai, eu sofri muito por ter de enterrar ele.

Muito.

Aí um ano depois, vocês tiraram ele da cova,

queimaram.

Jogaram lá no meio do nada.

E eu fui obrigado a enterrar meu pai pela segunda vez. Não se enterra o pai

segunda vez.

Bala na cabeça.

Renata, você matou meu filho.

Ele está morto. Fala.

Eles estão vivos aqui com vocês.

Que papo de merda é esse?

O sangue deles agora.

Se misturou com o de vocês.

O que é que esse psicopata tá falando?

Esse picadinho é um bom pra caralho.

Mentira, porra. Meninos, mostrem a foto aí do matador com os bois.

Não.

Não.

Não tem tempo, sabe? Isso aqui era um projeto. Você não pode alterar o projeto

sem falar comigo.

Se dá pra fazer, instalar por fora, mas aí vai ficar a parede. Vai ficar

horrível, né? Que ideia.

Ah, mas são só algumas paredes, não é? Vai, faz. Já começou, faz.

Atrasar a obra, ter que refazer todo o gesto de cima. É um trampolho reto no

meio do negócio.

Para! Que isso? Parou!

Seu Valério falou comigo.

Não tem problema nenhum furar essa parede aí.

Vocês pintaram de novo essa parede? Sim, senhora.

Tem uma mancha ali, tá vendo?

Não, não, senhora.

Vou pintar de novo, tem sim.

Não sou de me meter muito na tua vida e na tua mulher, não.

Mas tem uma coisa que eu tenho que te falar.

O que foi?

Pode não ser nada. Coisa da minha cabeça. Cara, deixa pra lá. Não é nada.

Fala.

Quando eu fui pegar a pasta, a dona Regina tava lá no teu escritório.

Fazendo?

Sentada na tua mesa.

Mexendo em alguma coisa?

É, mexendo. Eu não vi ela mexer em nada. Ela disse que tava procurando papel.

Pra desenhar.

Sabia que tua mãe desenhava.

Foi você que desenhou?

Não.

Imprimi. Que pena.

O Jobson deve ter falado que me viu no teu escritório, né?

Não.

E achei que ele te contasse tudo.

Nem tudo.

Só o que é importante.

Eu tava procurando um papel pra imprimir.

Você confia nele?

Em quem?

No Jobson.

Regina, a mãe dele trabalhou mais de 20 anos lá em casa.

A gente foi criados juntos.

Ele me conhece mais tempo do que você.

Mas ele não é da sua família.

E ele tem a família dele, tem dois filhos.

Você não acha que se a polícia der um aperto nele é capaz dele te entregar?

A gente não tem filho.

É só eu e você.

Agora com ele é diferente.

A lealdade dele é com a família dele.

Não é com você.

Jovem, sou o Doutor Zé Santos.

Sou eu sim, a gente se conhece?

Não conhece não.

A minha carta chegou no seu endereço, mas parece que você mudou pra um lugar

ninguém sabe onde é.

Eu mudei tem pouco tempo, não deu pra avisar todo mundo. É, tem problema não.

A montanha vem a mão aberta.

Vamos dar uma voltinha?

Dona Regina?

Hum?

Tem certeza?

Vai!

Que cheiro é esse?

O ar, quando a gente liga, ele solta esse cheiro durante os primeiros

mas depois passa.

É porque é novo.

O Torres.

O delegado?

Ele mesmo.

Por que você não me avisou logo?

Porque ele me pegou de surpresa aqui antes de eu entrar na casa.

Me levou pra dar uma volta.

Uma volta bem demorada.

E você falou o que pra ele?

Falei nada.

Como nada?

Ficou de boca fechada esse tempo todo?

Tem alguém saindo de casa.

Como assim?

Parece o carro da dona Regina.

É o carro da dona Regina.

Corre atrás dela.

Vai!

Ficar todo Como se fosse uma

lua A brincar no seu rosto Cuida bem de

mim

Dona Cristina, corta isso aí.

Dona Cristina.

Dona Cristina, joga isso.

Dona Cristina.

Vem, vem.

Dona Cristina, vem, Dona Cristina.

Dona Cristina, está tudo bem. Eles já foram embora, vem.

O valeiro que mandou a gente, vem lá.

Querido, cuida bem de mim.

Esse eu mesmo preparei para você. Está quente e forte.

Pode tomar.

Você tem ideia de quem eram esses agressores?

Assassinos. Alguma ideia?

Seu marido tem muitos inimigos, né?

Você não foi ele mesmo que mandou fazer isso?

Ué, por que ele faria isso?

Não.

Queria matrimonial.

Ele já chegou para buscar.

Não, chegou não.

Só está aí o Jobson, o motorista.

Esperando para te levar para casa.

Regina.

essa guerra quanto de uma punição maior da justiça.

Eu acho que eu tenho duas coisas que podem interessar.

Eu tenho um livro cheio de prova.

E eu tenho um corpo.

Amor. Amor.

Até quando você vai me tratar assim?

Até eu entender por que meu marido não foi me salvar depois de tentarem me

matar. Eu te falei que você era uma isca.

Se eu fosse atrás de você, eles me pegavam no meio do caminho.

Eles quem, Valério?

Você não tinha acabado com aqueles bandidos?

Pra cada bicheiro que morre, nascem dois milicianos, Regina.

E aqueles filhos da puta tocaram fogo no barracão, deu a unidos.

Quando?

De madrugada.

Acabaram de me ligar.

Queimou tudo.

Eu preciso saber.

O quê?

O que foi que você falou pro delegado Torres?

Você tem razão.

Rabou o carnaval.

Tem alguém te delatando. Quem?

Não sei, não consegui averiguar.

Mas esse Torres aí tá armando pra cima de você.

Assim que amanhecer a polícia vai bater aqui pra te prender. Então tu pega tua

mulher, tu pega tuas coisas e tu se manda antes das seis.

O que eles querem aqui na minha casa?

Você tem alguma coisa de valor?

Não precisa ser financeiro.

Alguma coisa que te incrimine, uma prova.

Calma. Pode muito bem ser esse preto aí.

Você não disse que o delegado deu uma prensa nele? Esse preto é como se fosse

irmão pra mim.

Teu tio também é irmão do teu pai.

De sangue.

Ele chegou atrasado no dia do atentado contra a Regina.

E falou que foi por causa do Torres.

Você sabe que o meu informante da delegacia não confirma isso.

Para que ele ia mentir que falou com o Torres?

O comportamento dele não tem nada de suspeito. Nada.

Uma vez ele insinuou que a Regina estava fuçando nas minhas coisas. Está aí,

está aí. Está chamando a sua atenção para cima dela. É isso que ele está

fazendo. Não sei, Batista.

Os mortos pararam de aparecer para mim. Os vivos me assustam muito mais.

Quê?

Quê?

Tô só pensando alto.

Eu não quero mais.

Eu não quero mais saber disso. Eu não quero mais saber de dinheiro sujo, capô.

Regina, você lembra quando você era pequena?

O que a mamãe falava toda vez que você pegava no dinheiro? O que era pra fazer

depois? Pra lavar a mão.

Lavar a mão.

Todo o dinheiro era sujo, minha filha.

E hoje em dia, nessa cidade, só tem dinheiro quem está no crime.

Eu... Eu vou fazer um acordo

de delação.

Tá maluca?

Você vai pra Bangu? Não.

O delegado Torre está do meu lado.

Com tanto policial corrupto nesta cidade, você foi se aliar justo a um

Você vai ter que fazer acordos, molhar a mão de policial, de juiz, de

procurador. Pelo amor de Deus, não. Eu tenho que sair disso enquanto ainda dá

tempo. E você tem alguma coisa para oferecer para esse delegado?

Eu tenho.

E você não vai falar?

Não.

Não confia na sua própria mãe?

Não.

Eu não posso correr risco.

E você quer pegar isso e entregar pra polícia?

Quero. Não é o dinheiro que o seu marido roubou dos outros bandidos, ou é?

Que dinheiro?

Regina, você não vai entregar esse dinheiro pra polícia.

Onde está esse dinheiro?

O Valério não me conta mais nada. Se o que você quer entregar não é dinheiro,

mesmo assim é importante para a polícia, deve ter mais gente

interessada. Gente graúda, gente grande com quem nós podemos nos aliar.

Ou fazer chantagem.

Nós? Todas as vezes que você precisou.

Eu te ajudei. Agora que eu estou precisando, você me vira as costas?

Eu? É que quase morri baleada. O carro era blindado.

Vamos viajar, tá?

Passar uns dias lá na fazenda.

Que fazenda?

Lá no Mato Grosso.

Nunca soube que você tinha uma fazenda, muito menos no Mato Grosso.

Era do meu tio.

Por pouco tempo.

Vai ser bom pra gente.

Pra gente se reencontrar.

Vou pensar.

Não tem tempo pra pensar.

Vamos sair de madrugada?

Melhor você fazer as malas.

O que foi?

Eu achei que você estava me fazendo uma proposta.

Mas é uma proposta.

Eu vou se minha mãe for.

Se é isso que você quer.

Ir pra onde?

Uma fazenda, não é tão grosso.

Isso pode ser um plano pra me matar, você vai pra sumir comigo lá.

Minha filha, você acha que eu vou poder te defender?

Não, mas você vai ajudar a inibir, né?

Ou morrer junto com você, não é?

Fala, irmão.

Vamos sair bem cedo.

A quatro ou cinco horas da manhã no máximo.

Eu preciso que você chegue aqui uma hora antes para a gente acertar umas coisas.

Combinado.

O que você está fazendo?

Ai, menina, que susto.

Fazendo nada. É que está na hora do remédio da pressão.

Calma. É para o seu bem. Que bem?

Isso aqui era minha salvação. Você está querendo me levar embora?

Ninguém jamais vai desconfiar que está comigo.

Quanto eles vão nos pagar para você não me entregar isso? Para não!

Sou ingrata.

Você ia me deixar aqui sozinha para o Valério me matar.

Eu ia morrer junto.

Você quer matar a sua mãe?

Não. Isso é meu.

Isso é meu.

Larga!

Calma, dona Regina.

Calma.

Mãe.

Mãe.

Tchau.

Faca no peito da velha, Valério! Pelo amor de Deus, não fui eu!

O que você tá me falando?

Valério, não fui eu, Valério! Ela vai matar a própria mãe, você quer que eu

acredite? Ela matou a mãe!

Valério, não fui eu, pelo amor de Deus!

Eu sinto muito pela sua mãe.

Eu... Eu te confiei tanto de você, tanto.

Eu sei que você me matou. Eu sei que você me matou.

Eu sei que você me matou.

sair daqui

agora

eu vou conseguir limpar esse sangue

Preciso pensar.

Era o Jotze.

Da que pariu? Era o Jotze. Era meu irmão!

Meu irmão!

Ah, me perdoa.

Tchau.

Vamos lá.

Pode quebrar.

Música Música

É só meu de mais ninguém

Sendo assim, vou acabar ficando louco,

pois tudo que ganho é pouco, não dá pra

você gastar. É complicado, viu? Sendo assim,

eu...

Você chora, se algum dia eu lhe deixar.

Sendo assim, vou procurar e esquecer.

Sei que também vai sofrer, mas vale a pena

tentar.

Essa é linda demais, viu?

Muito louco Deixa essa noite saber

Que um dia foi pouco Cuida bem de

mim Então misture tudo

dentro de nós Porque ninguém

vai dormir nossos sonhos

minha cara pra que

tantos planos e quero te amar e

te amar e te amar muitos anos

tantas vezes eu quis

ficar todo

Como se fosse uma lua a brincar no seu pulo.

Cuida bem de mim.

Então misture tudo dentro de nós.

Por quê?

Tantas vezes eu quis ficar solto

Como se fosse uma lua A brincar no

seu rosto Cuida bem de mim

Então misture tudo

dentro de nós

Querido, cuida bem de mim.

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