All language subtitles for Coman (2023)

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Original subtitles

- Art Subs - 15 anos fazendo Arte para voc�!

Legenda - JuLima -

"NO MAR ESTAMOS TODOS � MESMA DIST�NCIA DE DEUS,

A DIST�NCIA DE UM BRA�O. AQUELE QUE TE SALVA."

N�UFRAGO RUSSO SALVO POR UM COMANDANTE UCRANIANO

(PAC�FICO SUL, MAR�O DE 2023)

VOA, LORENZO

Est� doendo?

O fascismo � dor, Todaro. Alegre-se.

Tome um frasco disto, quando a dor estiver intensa.

- Obrigado. - �s suas ordens.

"Alegre-se."

Bichona, pervertido, sifil�tico.

A �nica dor que ele conhece

� a que sua esposa o faz sentir.

Quando d� palmadas nele � noite.

Salvatore.

Sua defici�ncia � uma b�n��o.

At� voc� falando essa palavra odiosa?

Eu gosto de voc� inv�lido.

O que posso fazer?

Aposentado.

Mais morto do que vivo.

Ainda assim, vivo...

Isso � lindo.

Prisioneiro meu e dos meus cuidados.

Vou lev�-lo para Montenero.

No meio da costa onde se v� o mar.

Cultivaremos a terra, criaremos animais.

Inclusive abelhas para termos mel.

Nosso filho � fr�gil.

Ele poder� crescer com ar puro,

longe da guerra, e ningu�m o machucar�.

E sempre teremos o que comer.

Porque n�s mesmos cultivaremos os alimentos.

Durante o inverno farei uma sopa quente para voc�.

E todas as noites dormiremos cedo

porque estaremos cansados.

Podemos viver bem, Salvatore.

Sossegados.

Felizes.

Rina quer que eu aceite a remunera��o m�nima.

A aposentadoria por invalidez.

O que voc� v�?

Minha pequena Rina, eu n�o ambiciono � felicidade.

� algo que deve ser cumprido.

Uma sensa��o completa.

Um estado im�vel.

LA SPEZIA, ARSENAL DA MARINHA REAL,

29 DE SETEMBRO DE 1940

Esse vento, eu sei para onde ele soprar� todos esses rapazes.

Ele os soprar� para a morte.

H� no meu cora��o Quando voc� me olha

Um desejo que nunca me deixa

Minha vida estremece Perto de voc�

Eu esque�o o mundo E voc� sabe por qu�

Te queria por uma hora a mais

Eu que n�o sei Te esquecer nunca

Para te dizer Ainda com os meus beijos

O que voc� � para mim

Te queria por uma hora a mais

Para te dizer O que voc� n�o sabe

E nesta hora eu daria

A minha vida por voc�

Agrupar!

Nunca se sabe.

Nunca se sabe.

Nunca se sabe.

Alguns covardes, irrespons�veis e metidos

acham que os submarinistas n�o combatem de fato.

Besteira!

Grande besteira! Besteira extrema!

- Comandante. - Qual o seu nome?

Efisio Careddu, o eletricista, Comandante.

�s suas ordens.

Voc� ficar� em terra.

Como podem ver, somos os �ltimos a partir.

Os alem�es atacam em bandos, n�s n�o.

N�s somos italianos.

E estamos sozinhos.

O rei, com toda a sua majestade, n�o est� aqui.

O Duce n�o est� aqui para liderar voc�s.

Eu estou.

Nem a m�ezinha de voc�s est� aqui.

o Marcon est�.

E quem come�ar a chorar, eu jogarei no mar.

Meu Gigino � cozinheiro. E vai morrer como uma m�e.

Vai morrer para alimentar seus companheiros.

Ainda tenho a seiva dele em mim e n�o � indecente.

Agora, eu realmente n�o pensei em lav�-lo.

Este barco � excelente.

Olhem para ele.

Toquem-no, ou�am-no.

Nos momentos de desespero, ele lhes dir� o que fazer.

Nossa trincheira � invis�vel.

E o inimigo est� longe,

protegido por camadas de �gua

e de a�o, por milhares de mil�metros de artilharia,

por uma tecnologia letal

que nossos poetas s� podem imaginar

atr�s de suas mesas embutidas.

Mas ele est� l�...

em algum lugar, com o cora��o batendo,

exaltado pela coragem de sua filosofia brit�nica

e cheio de medo.

Assim como n�s.

N�o finjam que n�o est�o com medo.

N�o odeiem o medo.

Amem-no.

- Fodam-no! - Sim, senhor!

Prontos para zarpar.

Eu corri atr�s dele, mesmo de longe.

Nunzia e Angelina tamb�m estavam l�,

mas n�o nos cumprimentamos.

Est�vamos presas em nossos pensamentos,

que eram iguais, com certeza, mas eram s� nossos.

E ficamos em sil�ncio, pensando,

com o vento soprando nossos cabelos.

Nunca se sabe.

Nossos pensamentos acariciaram esses rapazes pela �ltima vez.

Esses rapazes que v�o para a guerra,

muito nervosos e com o sangue fervendo.

Eu sei que esses rapazes,

com a pele lisa e o sorriso inconsciente,

deveriam mergulhar s� para pescar p�rolas.

Mas ao inv�s disso, eles embarcam para a guerra.

Eu sei que eles n�o voltar�o.

Eles t�m m�es, irm�s, namoradas.

Elas deveriam estar aqui, vendo um ap�s o outro

desaparecer dentro da barriga deste peixe de ferro.

Elas deveriam v�-los rindo e brincando pela �ltima vez.

Mas elas n�o est�o aqui.

S� n�s estamos aqui.

H� tamb�m as pessoas virtuosas e as intoc�veis,

mas essas j� est�o dormindo a esta hora.

E ent�o sobra para n�s acompanh�-los e chorar.

Por qu�?

N�o precisamos ser videntes para saber que eles n�o voltar�o.

E se voltarem dessa miss�o, n�o voltar�o da pr�xima.

Ou se voltarem da pr�xima, n�o voltar�o da seguinte.

N�o precisamos ser videntes para saber que no final da guerra

quando os c�lculos forem feitos,

descobriremos que quase todos marinheiros de submarino morreram.

Ent�o cobriremos nossa boca com a m�o.

Quanto desperd�cio de vida naquele caix�o de ferro.

Emboscada?

E voc� achou que eles nos deram

um submarino para dar um passeio na lagoa?

Ao chegarmos no local, tudo que navegar,

n�o importa se estiver armado de canh�o ou zarabatana,

n�s afundaremos.

Oceano Atl�ntico,

prepare-se, cague-se todo!

Voc� tinha que chamar justo eu para essa miss�o?

Sim, voc� e eu em guerra contra todos.

Entendi:

eu e voc� em guerra.

Mas para chegar ao Atl�ntico, voc� precisa passar por Gibraltar.

Gibraltar � um monstro assustador.

Este barco j� esteve em Gibraltar.

Em junho, assim que entramos na guerra.

Com o Capit�o Cristiano Masi.

Por que ele n�o chegou em BETASOM?

Por que voltou para tr�s?

Porque ele foi repelido.

- Exatamente. - Sim, mas foi a nossa sorte.

Ele foi repelido pela frota inglesa,

refugiou-se em Ceuta.

Fingiu que o leme estava quebrado.

Os espanh�is o hospedaram por nove dias no porto

e ele estudou as movimenta��es dos ingleses.

Pode ser.

Mas eu te digo que o Estreito de Gibraltar

j� � um problema por causa das correntes,

ser� pior com os ingleses atirando em n�s.

Aqui, veja isso.

� apertado...

mas tem espa�o.

� como um cu de galinha.

Ent�o, vamos arrombar a galinha ou somos ot�rios?

Responda, somos ot�rios?

Com o barco mais furioso da frota

com o marinheiro mais obstinado

e mais letal da Marinha Real Italiana,

n�s somos ot�rios?

- E a�? - N�o.

Eu e voc� j� morremos uma vez, Marcon.

Somos ot�rios de morrer duas vezes?

- N�o. - Somos ot�rios?

- N�o somos. - N�o ouvi, somos ot�rios?

- N�s n�o somos� - N�o ouvi! Somos ot�rios?

- N�o somos ot�rios! - Marinheiros�

H� uma quest�o a ser resolvida aqui.

Est�vamos nos perguntando: "Somos ot�rios

ou n�o somos ot�rios?"

N�o, n�o somos ot�rios!

- N�o somos ot�rios! - N�o somos ot�rios!

Isso mesmo.

O of�cio do marinheiro � morrer no mar

O of�cio do marinheiro � morrer no mar

Hoje ser� lebre-do-mar alho e �leo?

Idiota!

- O que est� ouvindo? - O qu�?

- O que voc� est� ouvindo? - Aqui, ou�a.

Vejam s�. R�dio Andorra.

Se o Duce pudesse nos ouvir.

Ele finge que n�o, mas adora a R�dio Andorra.

E j� que o of�cio do marinheiro � morrer no mar,

c� estamos, no submarino chamado Cappellini,

com 73 metros de comprimento e sete metros de largura.

Armado com dois canh�es de 100mm

e duas metralhadoras g�meas de 13mm,

quatro tubos de torpedo de 533mm na proa e quatro na popa

e um implemento

de 12 torpedos de 533mm, 300 proj�teis por canh�o

e 3 mil proj�teis de metralhadora.

Sei que me consideram o capit�o mais louco e desvairado

da Marinha Real Italiana.

Um asceta, um faquir.

Talvez at� um vidente.

Eu sei que ca� com o hidroavi�o

e agora tenho uma armadura de ferro e cordame.

O esp�rito grego falou comigo atrav�s de Betti, o alfaiate.

Ele protege e governa o meu destino.

Minha vit�ria � a batalha.

Caralho, filho de uma puta.

Anda logo! Aonde pensa que vai?

- Imbecil, estou na frente. - Quem disse?

� por ordem alfab�tica!

Meu nome � Bicienzo, com "B".

- Estou logo atr�s do Alfredo. - Volte j� para o fim!

- Vai se foder, filho da puta! - Querem se acalmar? Porra!

Rapazes! O chuveiro quebrou.

N�o!

Est� olhando pro meu pau?

- Bono, eu sou filho de Deus! - V� tomar um banho.

Pare antes de enlouquecer meu cachorro.

- Est� fazendo macarr�o e batata? - Sim. N�o est� vendo?

O que � esse neg�cio laranja?

Calado, � o ingrediente secreto,

assim fica mais adocicado.

Voc� nunca faz polvo � Luciana? � que eu adoro.

Se voc� mergulhar e trouxer o polvo, eu fa�o.

Eu n�o mergulho mais.

N�o mergulho mais.

- N�o mergulha mais? - N�o.

Mas e aqui dentro?

Voc� est� mergulhado aqui, n�o d� no mesmo?

Essa pergunta � muito dif�cil, Gigi.

- Raimondi? Passe o sal. - Sim.

Gigino, voc� conhece todos os pratos da sua terra?

N�o, senhor.

Eu conhe�o todas as receitas de todos os pratos

de todos os cantos da It�lia.

�timo.

Chegar� um momento em que n�o poder� cozinhar

tantas coisas gostosas.

Ent�o, quando eu ordenar, voc� vai narrar os pratos,

sempre, continuamente, como uma ora��o.

Sim, senhor.

- Prossiga. - Ao seu comando.

A altera��o do uso do hor�rio de ver�o

continuar� ap�s 12 de outubro.

Pode falar, Piras. C�mbio.

Tenho um recado para o Comandante Todaro.

Comandante, o senhor est� a�? C�mbio.

Uma mensagem para o senhor, Comandante.

Estou aqui. C�mbio.

� uma mensagem pessoal, Comandante,

do meu primo, Efisio Careddu, que o senhor deixou em terra.

Tr�s dias ap�s a partida, ele foi internado

e operado de urg�ncia por uma peritonite.

Se ele tivesse partido, teria morrido.

Careddu gostaria de expressar sua gratid�o

por ter percebido que ele n�o estava bem,

salvando, assim, a sua vida.

N�o s� a dele, mas de toda a sua fam�lia,

incluindo, se me permite, a minha.

- Obrigado. - Comandante.

Comandante.

Os marinheiros me chamam de mago de Baku.

Eles at� o desenharam na torre.

N�o fico bravo, pelo contr�rio, me divirto.

Mas eu realmente vejo coisas.

ESTREITO DE GIBRALTAR 5 DE OUTUBRO DE 1940

Eu vejo o inimigo quando ele est� vindo

e o recebo com o canh�o apontado.

Outra coisa que vejo � que vou morrer na guerra.

Mas enquanto durmo,

eles nunca me pegar�o quando eu estiver acordado.

V�rias bombas de profundidade de destroieres ingleses.

Temos uma passagem de 20 metros com profundidade de 70 metros.

Abaixe o perisc�pio e des�a at� 80 metros.

Cinco graus abaixo.

� como um cu de galinha!

Temos que explodi-los em nossas cabe�as.

- Eles nos atingiram? - N�o, foi a onda de choque.

Explodiu sobre n�s.

Est� nos empurrando para o fundo, estabilize imediatamente.

Se descermos mais, ficaremos l�.

O sistema el�trico foi destru�do.

O di�xido de carbono est� aumentando.

- Leme � boreste! - Leme � boreste!

- Leme para cima. - Leme para cima!

- Leme preso na descida. - Motores � meio vapor.

Oxig�nio aumentando.

Oxig�nio expelido est� quase acabando.

Estamos abaixo dos 100 metros e descendo.

- �cido sulf�rico das baterias! - M�scaras.

Selem! Selem logo!

Um travesseiro. Isole o vazamento.

Mais de 120 metros de profundidade.

Temos que subir antes de implodirmos.

Minha querida Rina,

para aqueles que reclamam da manteiga vencida,

te autorizo a dar-lhes um olho roxo, porque merecem uma vida horr�vel.

Esses garotos aqui t�m mais pavor no corpo do que sangue,

e ainda assim n�o reclamam.

Eles transformam sua fraqueza em uma for�a devastadora.

Cheios de tens�o como est�o e � espera de algo,

eles poderiam perfurar o casco de um destroier com as unhas.

Eles est�o prontos.

E indefesos.

Fus�veis substitu�dos.

Solte nos tanques o oxig�nio que sobrou.

- Leme para cima. - Leme para cima.

Est� se movendo. Cento e dez.

Minniti, o que temos em cima?

Parece livre.

Cem.

Cabos de ancoragem para minas.

Estamos presos.

- Nem pense nisso. - Prepare a escotilha de escape.

Nem pense nisso.

� tarefa minha.

Com o cilindro de mergulho a 20 metros,

a vida � um flash.

� tomar no cu bem r�pido.

Com licen�a, Comandante.

Imediato, o que est� fazendo?

Aonde est� indo?

Quer acabar como os ratos?

No m�ximo voc� j� mergulhou em uma lagoa.

Viu um caranguejo-aranha e confundiu com uma vulva.

Vicenzo Stumpo, pescador de corais de Torre del Greco

mergulhar� a 20 metros de profundidade.

Me passe o alicate.

A lanterna tamb�m.

Estou pronto.

Inunde a escotilha.

Inunde a escotilha.

Com o cilindro de mergulho a 20 metros,

tenho uns 6 minutos antes de morrer.

O que voc� me diz, pai?

Eu vou conseguir?

Quantos bichinhos pequenos. Como s�o fofos.

O pl�ncton � o esperma do mar.

Tenho que admitir que � bonito aqui embaixo.

Muito bonito.

Talvez eu devesse aproveitar isso.

Estou sozinho, poderia fazer alguma coisa.

Tenho 20 anos e gostaria de me casar,

eu poderia me apaixonar por uma linda sereia.

Eu viria encontr�-la todas as noites,

mas o que faria se ela engravidasse?

Nossa Senhora, virgem e m�e, �, estrela do mar,

afie essa l�mina que n�o corta.

Santo Vincenzo Romano, padroeiro dos pescadores de corais

voc� me deu seu nome, agora me d� sua for�a.

Jesus, n�o chore mais, pois n�o h� motivo para chorar.

Eu s� preciso cortar isso.

- O que foi? Ele n�o consegue? - Ele vai conseguir.

Pai Eterno, sangue do Pai Eterno!

Seja com as m�os, com as unhas, com os dentes, com a raiva,

com qualquer coisa, preciso cortar essa corda.

Pai, o que voc� est� fazendo aqui?

Estou morrendo...

Foda-se, a morte deve esperar!

Espere um pouco.

Se eu morrer agora, para que vivi?

- Profundidade? - Vinte e cinco metros.

Mova os motores lentamente.

Honra e mem�ria eterna

ao marinheiro de m�quinas Vincenzo Stumpo.

O barco est� livre agora.

Ele retorna lentamente � superf�cie.

Eu vou ficar aqui mais um pouco...

Talvez uma sereia apare�a agora.

V�o voc�s, podem ir.

Eu estou morto mesmo.

Que diferen�a faz para mim?

Comandante, o canh�o de popa est� avariado.

- Prossiga com o reparo! - �s suas ordens!

Mulargia, voc� n�o gosta de ar fresco?

O ar fresco fede.

Como se chama essa t�cnica de fumar?

A fogu aintru.

A fogu aintru?

"Com o fogo dentro". Assim o inimigo n�o v� voc�.

Coloque um pouco de m�sica.

Diga ao cozinheiro para fazer nhoque!

Sim, senhor!

Nhoque.

Com semolina ou com �gua e farinha?

Como preferir.

Ondas negras Rompem a escurid�o densa

Das orgulhosas torres Todos os olhos observam

Silenciosamente e invis�veis Os submarinos navegam

Cora��es e motores dos invasores Contra a vastid�o

As baterias foram reparadas, n�o h� mais vazamentos.

Mas alguns parafusos se soltaram e os geradores n�o est�o carregando.

- Quanto tempo? - Uma hora.

N�o temos uma hora, Stiepovich.

Acerte e enterre Todos os inimigos em seu caminho

� assim que vive Um marinheiro

Nas profundezas Do cora��o do mar barulhento

- Posto de combate! - Vamos, vamos! Mexam-se!

- Mulargia, derrube-o! - Muni��o, r�pido!

- Preparar! Fogo! - Chupa essa!

Toma essa! Imbecil do caralho!

Voc� gosta disso?

Vai, Mulargia!

Posso n�o ter autoridade para conceder uma medalha

ao bravo artilheiro Mullargia, mas...

Pretendo condecor�-lo de alguma forma.

De agora em diante

pode se dirigir a mim sem formalidade.

Voc� pode falar comigo

me tratando por "voc�".

"Comandante."

- Oh, vejam s�? �timo. - Nhoque!

- Vamos l�! - Onde est�o os pratos?

- Grande Gigino! - Vamos.

- Aqui. - Obrigado.

- Tem parmes�o? - N�o muito.

- Vamos almo�ar! - Passe os pratos.

- Aqui. - Me d� o prato.

- Pratos, pessoal. - Pegue, vamos.

Passe para tr�s. Obrigado.

Passe o prato. Quem falta... todos pegaram.

- Primeiro prato. - Todos pegaram.

Vai.

Voc� fez bastante, Gigino.

E ent�o� bom apetite!

Bom apetite!

Tem c�o que ca�a trufas e esse ca�a nhoque.

Minha querida Rina, talvez o grego quisesse dizer

que n�o basta esconder-se para n�o ser visto.

Est� tudo quieto h� uma semana.

De dia navegamos debaixo d'�gua, � noite subimos � superf�cie,

muito longe do objetivo da nossa miss�o

que � chamada de "emboscada".

A �gua pot�vel � escassa.

Panquecas.

Nhoque agora � um sonho distante.

P�o de l�.

Biscoito Amaretti.

Marzip�.

Biscoito l�ngua de gato.

Torta mantovana. Torta ricciolina.

Torta dos sete potinhos.

O bolo de nozes, de arroz e de ricota.

Torta de ab�bora.

P�o casatiello e p�o de lingui�a.

Torta caprese.

Torta milanesa.

Torta de am�ndoas com chocolate.

Bola de Berlim, strudel, roccoc� napolitano.

Biscoitos de todo tipo,

pastiera di Grano, cassata siciliana,

cassatina de Pozzuoli, pinolata, merengue.

Esta � a It�lia unida, Rina.

Aqui, um toscano e um siciliano s�o mais do que estrangeiros.

S�o habitantes de dois planetas diferentes

e distantes em l�ngua, cultura e temperamento.

E ainda assim neste caldeir�o de todos os dialetos

pequenos artefatos e grandes obras intelectuais,

cren�as pag�s obtusas,

a revolu��o igualit�ria crist�

e as rel�quias antigas foram todas fundidas.

� o nosso tesouro.

- Ei, Poma? - Sim.

O que est� fazendo, rezando?

- Voc� � muito religioso? - Sou.

Eu tamb�m sou.

Quero te mostrar uma coisa, venha ver.

Veja o crucifixo que fiz para mim.

Voc� pode beij�-lo.

Que porra � essa?

- Voc� � idiota? - Voc� � um canalha, Leandri.

Voc� � um bosta.

N�o blasfeme contra o Senhor, n�o ouse!

Pare!

Nada mais se sustenta neste submarino!

Eu estava brincando.

- N�o foi nada de mais! - Ele tem raz�o.

Como eu ia saber que ele � um fan�tico religioso?

E fale italiano comigo, n�o dialeto.

Era s� dizer: "Sou um fan�tico religioso"

e eu n�o te mostraria nada.

- Acalmem-se! - Jogue isso fora, entendeu?

N�o vou jogar nada. � de prata. Acalmem-se a todos.

Vamos, tire isso. Tire logo.

Posso tirar, mas n�o vou jogar fora!

Meu Deus! Deus, voc� precisa nos perdoar!

Que besteira estamos fazendo!

Voc� tem que nos perdoar.

Ai, quebrei minha m�o.

Este bordel, lindo e podre�

� a It�lia.

Rina querida, tenha orgulho da nossa luta

e passe esse orgulho para o nosso filho.

E seja paciente quando eu n�o puder enviar uma mensagem para voc�.

N�s s� ligamos o r�dio em casos extremos.

Minhas costas doem,

mas n�o toco na morfina, embora quisesse.

Como eu gostaria disso.

Pratico yoga quando estou triste

porque sinto falta de Sottomarina e penso em Don Voltolina

que n�o come para dar de comer a quem tem mais fome que ele.

E assim curo a dor da dist�ncia com uma dor mais forte.

Chamo o Marcon e pe�o que fale comigo em dialeto.

O mel da l�ngua materna me acalma.

N�o sinto mais a dist�ncia, mas sinto que realmente estou l�.

Fique aqui...

e me acorde em uma hora.

Uma hora � pouco, Salvatore.

Eu disse uma hora...

� uma ordem.

OCEANO ATL�NTICO 15 DE OUTUBRO DE 1940

Onze horas, Comandante. Est� vendo?

Um cargueiro de umas dez mil toneladas.

Muito bem, Morandi.

Est� com as luzes apagadas.

Tem um canh�o na proa.

- Ou�am. - N�o d� para ver.

- N�o d� para ver qual � a bandeira. - N�o, Comandante.

� um barco que tem um canh�o.

Navegando com luzes apagadas numa zona de guerra. Afunde-o.

- Vamos imergir? - N�o. Posto de combate.

- Posto de combate! - Leme dez graus para a esquerda!

- Pot�ncia m�xima dos motores. - Pot�ncia m�xima dos motores!

- I�ar metralhadora! - Segure o arco!

I�ar metralhadora!

- Abre! - Desbloqueada!

- Pronto? - Est� engatilhado!

Tore, por que n�o descemos e afundamos com os torpedos?

Esses suposit�rios nunca acham o cu.

Ficaremos aqui em cima.

Poma est� com a m�o quebrada, n�o consegue atirar.

- Abaixe a mira, mil metros! - R�pido!

- Fogo! - Fogo!

Mais perto!

Poma!

Poma!

Afaste-se!

- R�pido! - Vamos!

Dois graus para a esquerda!

Vamos, dois graus para a esquerda!

Um grau para cima!

Fogo!

Mil metros! Espere, calma, segure o tiro!

- Fechado! - Est� engatilhado!

- Vai! Vai! Vai! - Fogo!

Comandante!

- Comandante! - Deixa comigo, pode deixar!

Canh�o inimigo fora de combate!

Chame tr�s rapazes e o levem para dentro.

N�o!

Eu vi a perna, Comandante. Deixe-me ficar aqui.

Quero ver o inimigo afundar.

Lesen, pare no curso 0-9-0 e lance torpedo de 533mm.

Parar no curso 0-9-0 e lan�ar torpedo de 533mm.

Voc� estava certo, Comandante.

Este barco � excelente.

� uma bela m�quina!

E esta � uma guerra feita de m�quinas.

E a paz, ser� uma paz feita de m�quinas.

Um dia as m�quinas tamb�m pensar�o.

Elas raciocinar�o.

E ser�o melhores que os homens.

Um, dois, tr�s, quatro,

cinco, seis, sete.

Erramos o alvo. Tiro no escuro.

- Repetir aumentando 30 graus? - N�o. Esque�a.

- Mulargia? - Sim, senhor!

- Continue a manobra de giro. - Manobra de giro.

- Afunde-o. - Sim, senhor!

Eles s�o belgas, Comandante.

Sim, e deveriam ser neutros.

Vou falar isso quando encontr�-los.

Alerta m�ximo para quaisquer amea�as a�reas.

Dois homens ao mar!

Est�o se aproximando pela esquerda, Comandante!

Mais tr�s na dire��o da proa!

O que faremos, Comandante?

Tore, os nazistas os deixam no mar.

O que n�s faremos?

N�s os rebocaremos.

Mancini, jogue a corda!

- Nucifero, a escada! - Sim, senhor.

Voc� fala franc�s?

Eu falo italiano.

Identifique-se.

Terceiro oficial Jacques Reclercq.

E como se chamava o navio mercante?

Kabalo, sob a bandeira belga. Neutro na guerra.

E por que atiraram em n�s?

Voc� tamb�m fala italiano?

Neerland�s.

Quantos barcos colocaram no mar?

Dois.

Voc� sabe que n�o posso lev�-los a bordo?

D�-lhes itens b�sicos.

Tragam �gua, comida e cobertores. Mexam-se!

Voc�s t�m b�ssola e quadrante?

- Sim. - Deixarei �gua e comida para voc�s.

Estamos a 31�80' Norte e 31�30' Oeste.

Para onde querem ir?

Ilha da Madeira.

Mantenha o curso.

Coloquem no bote salva-vidas.

Vamos! R�pido!

Ajudem-no.

Jacques!

Des�am-no.

Soltar!

Todos os suprimentos ficar�o aqui com o Marcel.

Submarinistas n�o ganham uma l�pide,

nem cruzes feitas � m�o.

Ao submarinista Danilo Stiepovich

Tenente naval, italiano, que morreu como her�i,

n�s oferecemos nossas l�grimas silenciosas�

e uma cruz de coral.

O mesmo coral que outro her�i gostava de pescar,

o marinheiro de m�quinas Vincenzo Stumpo,

pescador de corais de Torre del Greco,

de quem tamb�m nos despedimos com emo��o.

Sentido!

Quando eu era crian�a em Charleroi,

Havia um leiteiro que tinha uma filha

com dois peit�es enormes!

Meu primo me disse que era dela que saia o leite que o pai vendia.

E eu acreditei nele!

Reclercq,

pare de contar hist�rias.

Em breve estaremos mortos.

Esta � nossa �nica certeza.

Acabou, Jacques.

Acabou.

Bata sua �ltima punheta pensando na filha do leiteiro

e depois descanse em paz.

Tenente Reclercq, por favor, traduza para seus compatriotas.

Os n�ufragos do segundo barco foram salvos

por um navio a vapor de bandeira panamenha.

N�o h� outros navios na �rea!

Prenda bem o bote salva-vidas nas cordas.

Iremos reboc�-los at� Santa Maria, nos A�ores.

Aguentem firme e tudo ficar� bem!

Obrigado.

Os ingleses desapareceram.

No porto, antes de zarparmos, ouvi dizer

que iremos para a guerra ao lado deles.

Espero que sim, caso contr�rio,

por que transport�vamos seus armamentos?

Todavia, rapidinho decidiram que n�o valemos nada para eles.

N�o foram os ingleses que nos ferraram

foram os fascistas.

Os porcos fascistas!

Eles s�o todos iguais.

Ou�am com aten��o.

Eu sei, muitos de voc�s n�o est�o preparados para isso.

N�o h� problema em atirar na superf�cie,

arriscar sua vida contra o inimigo.

Nos alistamos com essa ideia de sacrif�cio.

Mas nos expormos a um ataque a�reo

para salvar estranhos�

que sob o pretexto da neutralidade

talvez transportassem armas para os ingleses?

Por qu�?

N�o se trata apenas de salv�-los,

mas tamb�m de nos sacrificarmos

e nos impelirmos ao limite da resist�ncia humana

para lev�-los de volta � terra.

Tenente Reclercq, traduza.

Todos devem estar conscientes.

Estamos a 300 milhas de dist�ncia de Santa Maria, nos A�ores

que � o porto seguro mais pr�ximo para desembarcar os n�ufragos.

Por causa do excesso de peso

n�o podemos manter a velocidade acima de seis ou sete n�s.

Ent�o teremos que conviver

nessa situa��o por cerca de 48 horas.

Serei muito claro com voc�s.

Ao embarcar os n�ufragos do Kabalo,

estou quebrando as regras que me foram dadas.

Estou ciente disso e assumo total responsabilidade.

Se ao retornarmos,

minhas decis�es n�o forem aprovadas ou reconhecidas,

eles que me tirem do comando.

Mas aqui, agora, minha decis�o est� tomada e � irrevog�vel.

N�s afundamos o barco do inimigo, sem piedade e sem medo.

Mas salvamos as pessoas.

Se conseguir se mover por todos esses corpos, Gigino,

distribua um pouco de conhaque para quem precisa.

Leve para o negro, aquele com a cara queimada.

Pode ir.

Os tr�s feridos permanecer�o nos alojamentos dos oficiais,

onde j� se encontram.

Tr�s de n�s iremos ajud�-los.

Compartilharei minha cabine com o Comandante Vogels.

O Capit�o Fraternale far� o mesmo com o Tenente Reclercq.

Alguns poder�o ficar espremidos

na sala de controle.

Tr�s, ainda mais apertados, no banheiro.

Cinco na cozinha, de p�, claro.

Mas todos os outros�

ter�o que ficar na torre,

porque n�o h� outro lugar.

Esse lugar � horr�vel, enche de �gua,

mesmo navegando na superf�cie, mas n�o h� outro jeito.

Com a ajuda do Comandante Vogels,

faremos rod�zio de tr�s horas em tr�s horas

para equilibrar esse sacrif�cio.

Deixo claro a todos que no caso de um ataque inimigo

o barco ter� que submergir para proteger a tripula��o.

Caso ocorra tal situa��o,

n�o haver� chance de salva��o para os que est�o na torre.

As palavras com as quais�

desejo encerrar este comunicado n�o s�o minhas,

mas do imperador japon�s Mutsuhito.

Ele disse isso no in�cio da Guerra Russo-Japonesa de 1904.

"Que a vida continue normalmente.

E que cada um fa�a o que tem que fazer."

Isso � tudo.

Os japoneses venceram essa guerra.

Voc�s ouviram o Comandante? Temos o que fazer!

Seu p� est� podre.

Selvagem, v� se lavar!

Espero que voc� n�o se ofenda.

E principalmente, que sirvam.

Eu notei, quando voc� subiu, que estava descal�o.

- Obrigado, mas n�o s�o seus? - Eu tenho mais.

- Muito obrigado, Comandante. - Por nada.

Voc� fala outras l�nguas al�m do italiano?

Portugu�s�

ingl�s, franc�s,

latim e grego antigo.

- Cigarro? - N�o, obrigado. Eu n�o fumo.

Seus pais devem estar orgulhosos de voc�.

Bastante.

- Eles n�o gostam do que fa�o. - E voc� gosta?

- Agora, sim. - � isso que importa.

Sim, Comandante.

O senhor fala outras l�nguas?

Franc�s�

e alem�o por necessidade.

Malditos porcos fascistas.

Idiotas degenerados!

O que faremos?

Venha.

Estou indo, Marcel.

Ali.

Que porra est�o fazendo? Desgra�ados!

Seus imbecis, o que est�o fazendo?

O que houve, Comandante?

Canh�es n�o me assustam.

Mas quando falta energia, eu fico com medo.

Comandante! �s armas!

Eles fizeram algo s�rio?

Arrebentaram todos os fios.

Corto a garganta dele ou atiro ao mar, Comandante?

Fascista.

O que voc� disse? "Fascista?"

Eu sou um homem do mar!

Cada um de voc�s, italiano ou belga,

dar� um tapa nessas vergonhas de homens

que colocaram nossas vidas em risco.

N�o vamos mat�-los, nem jog�-los ao mar.

N�s vamos esbofete�-los.

Voc� come�a.

Duas vezes eles vieram em nosso socorro.

Duas vezes!

Duas vezes!

Duas vezes!

Rina, meu amor...

Eu aliviei para eles e demonstrei pena.

Depois de Stumpo e Stiepovich,

eu n�o tinha vontade de deixar mais corpos no mar.

Impus sobre eles o castigo dos pais.

Tantos tapas que, se sobreviverem,

achar�o doce a lembran�a do naufr�gio.

Voc� n�o escreveu tudo.

Fa�a o certo e esque�a.

Acorde, Tore.

Temos que mergulhar.

Se mergulharmos, os que est�o na torre

se afogar�o como ratos.

E se n�o mergulharmos, os ingleses...

v�o nos afundar.

Eu n�o te reconhe�o.

Estamos em guerra.

Mas ainda somos humanos.

Ali.

S�o ingleses.

Temos que mergulhar.

Reduza para tr�s n�s.

Pelo amor de Deus, vamos mergulhar!

N�o, vamos esperar. Mantenha o curso.

O que estamos esperando?

Entrar na linha de tiro deles?

Que os ingleses coloquem uma bomba na nossa barriga?

Vamos nos livrar dessas pessoas, Tore.

Eles tentaram sabotar o navio.

N�s os salvamos e eles queriam nos matar.

N�o. Eles v�o nos deixar passar.

Eles j� est�o atirando em n�s!

Atiram porque n�o sabem quem somos.

- Agora eles v�o saber. - Voc� est� louco!

Em cinco minutos seremos atingidos! Em cinco minutos nos afundar�o!

Eles v�o nos deixar passar.

Mas o que est� dizendo?

Est�o usando canh�es contra n�s, n�o est� ouvindo?

- Estamos em guerra, Tore! - Estamos no mar.

Me d� isto.

Comandante Salvatore Todaro do submarino Cappellini.

Marinha Real Italiana.

O que est� fazendo, falando com eles em italiano?

Deixe-o falar, pelo menos ele fala ingl�s.

Eles entendem muito bem.

Nunca se sabe.

N�s estamos transportando os 26 sobreviventes do navio Kabalo

que afundamos h� tr�s dias

na posi��o 31�80' Norte e 31�36' Oeste.

Solicitamos passagem livre para desembarc�-los em porto seguro.

Ele diz que n�o pode mergulhar

porque h� n�ufragos na torre.

Ele pede um cessar-fogo imediato

e doze horas para desembarcar os resgatados

no porto neutro da Ilha de Santa Maria,

para depois voltar para o mar.

Eu cuidarei disso, Comandante.

- O que est� fazendo, Mulargia? - Eu entendo, s� quero ajudar!

Vou esfaque�-los e n�o sofrer�o, pelo menos n�s sobreviveremos.

O senhor, que tem fam�lia, sobreviver�.

Mulargia!

Eu condecorei voc�. N�o me chame de "senhor".

Cessar fogo.

Minha querida Rina, hoje � um dia aben�oado,

pois h� um hero�smo selvagem

e h� mais um, perante o qual a alma chora.

O marinheiro que vence nunca � t�o grandioso

como quando ele se curva diante do marinheiro derrotado.

Hoje, n�s e nossos inimigos, juntos

nos salvamos.

- Nunca comeu isso, n�? - N�o.

� muito simples, coloque um pouco de �leo na frigideira.

Alho. Depois coloca alcaparras, azeitonas�

Gigino?

- N�o sobrou quase nada? - N�o muito, Comandante.

Reclercq, que del�cias voc�s comem l� na B�lgica?

Batatas fritas.

Eu quis dizer, coisas boas, o que comem?

Qual � o prato nacional?

Nosso prato nacional s�o as batatas fritas.

Mas fritas como?

Fritas.

Fritas. Na panela.

- Voc� ouviu isso? - Sim, senhor.

- Voc� j� conhecia? - N�o, nunca ouvi falar.

Tem certeza?

Conhe�o batata assada, recheada, ensopada,

assada na grelha, � lionesa, com casca, mas frita...

Juro pela minha m�e que nunca ouvi falar.

S�o gostosas?

Gostosas? S�o fant�sticas.

- E onde aprenderam isso? - N�s fizemos. N�s inventamos.

- Voc� acha que � poss�vel? - Me parece estranho.

- O qu�? - � estranho que n�s, napolitanos,

que fritamos tudo, n�o pensamos nisso.

Sobrou um pouco de banha para fritar?

- Sim, senhor. - Mostre para eles.

- � s� banha! - Mostre para eles.

Raimondi�

- Aqui est�. - Temos isso aqui. Serve?

Certo. Isso � banha de porco e n�s fritamos em banha de boi.

Sinto muito.

- Mas pode ser. - Pode ser?

Bem, voc� vai ensinar nosso cozinheiro

como fazer batatas fritas � moda belga.

Certo, � f�cil. Vou mostrar. Me d� uma faca e uma batata.

Raimondi, batata e faca para o cavalheiro.

- Entre. - Obrigado.

Mas isto n�o corta.

Posso us�-la?

- Sim, pode cortar. - Obrigado.

Ele est� cortando.

Est� cortando.

Comandante, mas at� agora...

Ele sabe fazer melhor.

- Est� mostrando como cortar. - Sim.

- Batatas fritas. - Batatas fritas.

L� vamos n�s�

- � gostoso. - Batatas fritas.

- Voc� se superou. - S�o gostosas.

- Uma del�cia. - � mesmo.

- Muito bom. - Bom mesmo.

- Muito bem, Gigino. - Por essa, eu n�o esperava.

Parab�ns, Gigino.

- Muito bom. - Muito bom. Parab�ns!

Raimondi.

Leve para aqueles coitados na torre. Vai.

Gigino, pode tocar uma m�sica para n�s?

- Uma m�sica! - Comandante.

- O senhor permite? - � vontade.

Vai, Gigi.

Tenha certeza deste amor

Como eu tenho certeza de voc�

Oh vida

Oh vida minha

Oh cora��o deste cora��o

Voc� foi o primeiro amor

O primeiro e o �ltimo Ser� para mim

Oh vida, oh vida minha

Oh cora��o deste cora��o

Voc� foi o primeiro amor

O primeiro e o �ltimo Ser� para mim

Muito bem, Gigino!

Gigino, Gigino, Gigino!

Bravo!

Muito bem, Gigino!

- Tore. - Vou repousar um pouco.

- Acorde-me em meia hora. - Preciso te contar algo...

- Daqui a uma hora, v�... - Chegou mensagem da sua esposa.

Ser� uma menina, Vittorio.

Vou cham�-la de Marina.

Eu n�o vou conhec�-la.

E voc� cuidar� dela.

- Voc� tem filhos, Reclercq? - N�o, n�o tenho filhos.

Tenha ent�o. Tenha muitos.

N�o sei como agradec�-lo.

- H� uma maneira. - Diga-me.

O que est� escrito aqui?

- Sabe de qual texto vem? - N�o.

Poderia ser da 'Il�ada'.

O que diz?

� uma genealogia, h� muitas na 'Il�ada'.

Voc� poderia traduzir para mim?

Diz: "Foi l� que viveu S�sifo, que foi o mais ardiloso dos homens

S�sifo, filho de �olo. Foi ele que gerou um filho, Glauco;

e Glauco gerou o irrepreens�vel Belerofonte."

S� isso?

S� isso.

VILA DO PORTO, SANTA MARIA, A�ORES,

19 DE OUTUBRO DE 1940

Est�vamos transportando avi�es ingleses.

Claro.

Continue.

Sabia que no seu lugar eu teria deixado voc�s no mar?

Assim � a guerra.

Por que voc�s nos salvaram?

Porque somos italianos.

Eu tenho quatro filhos. Me diga seu nome

para que meus filhos orem por aquele que salvou seu pai.

Diga-lhes para rezarem pelo tio Salvatore.

Salvatore. Obrigado.

Estamos prontos para zarpar, minha querida Rina.

Estou novamente pronto

para acertar e afundar todos os inimigos

que cruzarem o meu caminho e novamente me tornar

invenc�vel,

invulner�vel,

quando eu salvar suas vidas.

Am�m.

Sempre foi assim no mar.

E assim sempre ser�.

E aqueles que n�o fizerem assim

ser�o amaldi�oados.

SETE DIAS AP�S O NAUFR�GIO DO KABALO,

A B�LGICA ABANDONOU A NEUTRALIDADE

E ENTROU NA GUERRA AO LADO DA INGLATERRA.

SALVATORE TODARO MORREU DOIS ANOS DEPOIS,

EM 14 DE DEZEMBRO DE 1942

ATINGIDO POR TIROS DE METRALHADORA DE UM AVI�O DE CA�A BRIT�NICO

NA COSTA DAS ILHAS GALITE, NA TUN�SIA.

MORREU DORMINDO, COMO ELE HAVIA PREVISTO.

TODA A TRIPULA��O DO KABALO

CONSEGUIU SOBREVIVER � GUERRA.

EM TEMPOS DE PAZ, VOGEL, RECLERCQ E SEUS COMPANHEIROS

VIAJARAM PARA LIVORNO

PARA CONHECER RINA E SUA FILHA GRAZIELLA MARINA

QUE O COMANDANTE N�O TEVE A FELICIDADE DE CONHECER.

DA FROTA DE 112 SUBMARINOS DA MARINHA REAL ITALIANA,

APENAS 19 SOBREVIVERAM � GUERRA.

TODOS OS OUTROS REPOUSAM NO FUNDO DO MAR,

COBERTOS POR CRUZES DE CORAL.

COMANDANTE

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