All language subtitles for Cacando.Assassinos.O.Homem.Sem.Rosto.2023.1080p.DUAL.2.0-CC

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Original subtitles

BASEADO EM FATOS REAIS.

CERTOS NOMES PODEM SER MUDADOS,

E ALGUMAS CENAS, O DIAÁLOGO

E OS PERSONAGENS TÊM SIDO FICCIONADO

PARA FINS DRAMAÁTICOS.

ACONSELHA-SE A DISCRIÇÃO DO ESPECTADOR.

♪ Música suave ♪

[repórter 1] Em geral,

a polícia diz que Colorado Springs

é um lugar seguro para se morar.

[repórter 2] James Leonard Jackson, de 14 anos,

levou um tiro na cabeça

quando ele e outros cinco amigos no carro

deixavam a escola naquele dia.

[repórter 3] Faz quase uma semana

que um soldado de Fort Carson foi espancado até a morte

neste cruzamento no centro de Colorado Springs.

[repórter 4] Archibeque era fichado por pequenos delitos,

nada que justificasse o homicídio

de cinco pessoas a sangue frio.

[repórter 5] Dois foram para um hospital,

onde morreram ao chegar.

Dois outros morreram no prédio.

[repórter 6] Na manhã de sexta-feira,

o corpo nu de uma mulher com cerca de trinta anos

foi achado em Frank Waters Park.

[repórter 6] A jovem morreu devido ao ferimento na cabeça

e se tornou a décima-sexta vítima de homicídio

na cidade este ano.

[Joe] Pelo menos uma das pessoas estava armada

e tiros foram disparados durante a discussão.

Em 1988, eu era sargento da polícia,

supervisor do departamento de Homicídios.

Eu aparecia muito na TV.

Quem investiga mortes quase sempre aparece.

O indivíduo que morava aqui

foi atingido no peito e no tornozelo por disparos.

Eu era bom no que fazia, sem dúvida alguma. Eu era.

Eu obtinha resultados, esse é o segredo.

Mas esse caso foi muito diferente,

foi inédito para mim em toda a minha carreira.

Tratava-se de um criminoso único,

alguém que nasceu para ser o que era...

um indivíduo notavelmente perigoso.

♪ Música tensa ♪

[narrador] Caçando Assassinos O Homem Sem Rosto.

5 DE JUNHO DE 1988

[Joe] Em 1988, eu ainda morava em Colorado Springs.

Os vizinhos sabiam o que eu fazia,

eles me viam no noticiário o tempo todo.

E naquela manhã,

quando ia entrar no meu carro diante de casa,

um vizinho saiu correndo da casa dele de roupão

e começou a me contar essa história horrível

de um determinado crime.

Eu só queria entrar na viatura e fechar a porta,

mas fui educado e o ouvi tagarelar por um minuto.

[vozes no rádio da polícia]

[Joe] E aí, ouvi pelo rádio do carro "Um-Raio-X Sete",

que era o meu indicativo na época. E eu atendi.

Havia uma vítima de homicídio no beco do lado oeste.

E aí, eu olhei para o vizinho e disse:

"Tenho que ir. Até mais".

[Brian] Ver o Joe Kenda sem um cigarro

era uma coisa muito incomum.

Ao ver aquele braço pendurado para fora com o cigarro,

você sabia quem era.

[repórter] Sargento Joe você fuma?

[Joe] Assim que eu saí do carro, uma repórter jovem,

me disse, em tom de censura: "Ah, você fuma".

E eu olhei para ela e disse:

"Querida... se você fizesse o que eu faço para viver,

estaria fumando e inalando charutos.

Agora, saia do caminho".

[repórter] Nossa você viu isso?

[vozes no rádio da polícia]

[Joe] O beco ficava atrás de uma propriedade comercial

e geralmente tinha lixeiras lá.

E também era usado como caminho, como passagem,

e é o que os moradores faziam,

usavam esse beco como passagem de pedestres.

[Dan] Todo homicídio afeta você de algum jeito e...

esse, preciso admitir,

ao andar pela cena

e ver como aquele monstro a deixou...

Aquilo teve um impacto enorme em mim.

[Joe] O crime violento é uma coisa singular.

Quem já viu um, nunca vai esquecer.

Não tem nada a ver que se vê na cinema

ou na televisão.

É mais do que feio.

E essa moça tinha um trauma contundente no rosto, cortes,

arranhões, escoriações... e estava esparramada no chão.

A saia dela estava levantada,

a calcinha abaixada e obviamente,

tinha sido estuprada.

[Dan] Quem deixa um corpo assim,

em uma pose de estupro?

O criminoso parecia querer comunicar a todos

exatamente o que tinha ocorrido.

[Stephanie] As roupas dela

estavam encharcadas de sangue.

Ela tinha muitos ferimentos defensivos.

Não havia um só centímetro do corpo dela sem alguma...

marca.

Nunca tinha visto um corpo assim.

[Joe] Em minha avaliação,

ela estava na casa dos 20 anos,

tinha cabelos castanhos longos,

era muito bonita e relativamente pequena.

Olhei pra ela e me perguntei:

"Como você veio parar aqui esta manhã, minha cara?

Alguém fez isso com você. Nós vamos achar".

[Joe] Estas são fotos originais tiradas na época

com os marcadores ao lado das provas.

[Dan] Ao chegar na cena,

mal se vê os mocassins que estão no chão.

O brinco dela está ao lado do marcador quatro.

[Stephanie] Havia marcas de luta na terra

e marcas de arrasto até onde o corpo dela foi colocado.

[Joe] Nos fundos do beco,

há uma inclinação bem íngreme.

[Dan] Seguindo uns 25 metros naquela trilha,

havia uma pedra com sangue escorrendo nela.

E o sangue fez um desenho em forma de meia-lua

bem na frente da pedra.

[Joe] Obviamente,

a cabeça dela ou alguma parte dela bateu naquela pedra.

Algumas de suas bijuterias foram encontradas.

Elas caíram durante a luta.

Também havia chumaços de cabelo,

provavelmente do suspeito.

[Stephanie] Eram dezenas de fios

que ela tinha arrancado enquanto lutava contra ele.

Análises determinaram que eram masculinos

e quimicamente tratados, acho que descoloridos.

[Joe] Então, tínhamos cabelos quimicamente tratados

pertencentes ao agressor.

Isso era importante,

porque poucos homens pintam o cabelo.

Já dava para descartar muita gente.

A única coisa que temos nessas cenas de crime

são provas físicas.

Temos que preservá-las adequadamente.

[Larry] Eles sabiam que cada prova lá

poderia solucionar o caso.

[Joe] Em 1988, a identificação por DNA

ainda estava em sua fase inicial.

"Isso é baboseira científica. Mas dizem que funciona.

Tá, vamos tentar".

[Brian] Algumas vezes em que chegamos à cena do crime,

está tudo lá.

Esse não era um desses casos,

não tínhamos nenhuma informação.

[Joe] Não sabíamos quem ela era,

não sabíamos onde ela morava.

Nenhum desses fatos eram conhecidos.

Além disso, quem fez isso era um fantasma.

Ele não estava ali. Só a vítima.

O que ele estava fazendo? Ele estava rindo de nós?

Ou ele estava aliviado?

Mas até então, não sabíamos quem ele era.

Não sabíamos.

Só sabíamos do que era capaz.

♪ Música tensa ♪

[Bob] Não acredito! Me larga!

[Dan] Àquela altura, o Joe estava ali

e viu alguém tentando passar por baixo da fita.

[Bob] Vi a fita de isolamento da polícia.

Passei por baixo dela, me aproximei do local

e perguntei ao primeiro policial que vi

se era homem ou mulher.

[Joe] Vi que os policiais estavam tentando

conter alguém.

Eu fui lá e perguntei: "Quem é você?"

"Sou Bob Vialpando e aquela é a minha esposa".

E ele apontou para o corpo.

"E como você sabe, Bob?"

[Bob] Eu vi o pé da Mary Lynne, sabe?

Reconheci as meias e soube na hora que era ela.

2

[Bob] Fiquei apavorado,

não conseguia acreditar que era a minha esposa ali.

São muitas emoções embrulhadas em uma bola

que você não quer rolar.

Eu estava em pânico e... em choque e com...

raiva e revolta e... descrença.

[Joe] É estranho quando um membro da família

aparece na cena do crime. Não costuma acontecer.

[Brian] A cena do crime era meio remota.

"Como ele sabia aonde ir? O que ele faz aqui?

Ele está envolvido?"

[vozes no rádio da polícia]

[Larry] Eram muitos sinais de alerta.

Precisávamos descobrir por que ele estava lá

e o que houve para ele estar lá.

[Joe] E nós o pusemos numa viatura

e o levamos à delegacia para conversar com ele.

[Bob] Estava pensando em juntar forças com a polícia.

Tínhamos que descobrir quem fez aquilo.

E então, eu me dei conta...

que provavelmente eu era o primeiro suspeito.

Pensei: "Isso não é real, não pode ser.

Isso só acontece em filmes.

[sirene de polícia]

Como isso pode estar acontecendo?" [suspira]

[Joe] Esta é uma foto de Robert Vialpando em 1988.

Ele estava agoniado,

era o pior momento da vida dele.

[Bob] Não é à toa que eles achavam que era eu, não é?

[ri] Não... eu estava com um aspecto horrível.

O que passava na minha mente era uma coisa absurda.

[Joe] Na maioria dos casos, em casos como este,

alguém ligado à vítima é o responsável.

Casamento é baseado em emoção.

Seríamos tolos se não o considerássemos um suspeito.

♪ Música tensa ♪

Quando conversamos com o Robert,

ele explicou o seguinte: que era a esposa dele,

o nome dela era Mary Lynne Vialpando,

ela tinha 24 anos...

Eles tinham uma filha chamada Coral que,

na época, tinha 4 anos.

Moravam a algumas quadras da cena do crime.

Eram moradores típicos da Zona Oeste.

[Bob] Moramos na Zona Oeste toda a nossa vida.

Eu conhecia a Mary desde o jardim de infância,

na escola primária.

E ela era basicamente a minha razão de viver.

Ela era o meu amor.

Eu precisava contar a minha história para alguém,

para que vissem que não era eu.

[Joe] Bob disse,

que na noite anterior dela ser descoberta no beco,

eles foram a um casamento em Pueblo.

[Bob] Deixamos a Coral com a minha sogra

e fomos a Pueblo para nos divertir

no casamento de uma prima e,

de fato, nos divertimos muito.

Voltamos à cidade no meu El Camino

com meu irmão e minha cunhada.

Eles estavam bem embriagados.

Então, em vez de ir pra casa deles,

fui direto para minha casa, onde eles podiam dormir.

E eles passaram a noite no quarto da minha filha.

[Joe] Quando chegaram em casa,

ele notou que Mary Lynne não saiu do carro,

e eu perguntei a ele por que ela fez isso.

[Bob] Ela pode ter ficado chateada

porque eu levei companhia pra casa.

Fui pra dentro mostrar onde eles iam dormir.

E quando voltei lá pra fora, ouvi passos...

acelerados indo pela calçada.

[Joe] Ele disse que tentou ir atrás dela,

mas tinha uma lesão no joelho e não alcançou.

[Brian] Isso era bizarro, era estranho para nós.

Ele podia ter inventado uma mentira melhor.

[Bob] Ela era muito independente,

era cabeça-dura.

Não era incomum ela clarear a mente

dando uma volta na quadra.

Nós morávamos perto dos pais dela.

Imaginei que ela ia ver a Coral

e voltaria pra casa com ela ou me ligaria de lá.

A Mary Lynne conhecia a Zona Oeste

como a palma da mão.

Eu não estava nem um pouco preocupado,

eu não tinha...

eu não tinha motivos pra me preocupar.

2

[buzina de trem]

[Bob] Então, eu acordei de manhã...

o sol nasceu...

e ela não tinha voltado para casa.

A primeira coisa que fiz

foi entrar no carro e ir procurar.

Fui até a casa da mãe dela,

entrei e percebi na hora que ela não estava lá.

Eu dei umas voltas e ouvi sirenes

e ouvi uma comoção.

E cheguei na Rua 27,

onde pude estacionar o carro e caminhei até o local.

♪ Música tensa ♪

[Joe] Ele contou uma história.

Mas eu não estava convencido,

e até eu me convencer, ele podia ser o assassino.

Eu ia fazer perguntas de que ninguém gosta.

Eu disse:

"Bob, havia um histórico de violência entre vocês?"

[Bob] Nunca houve um incidente

de violência doméstica.

[Joe] Você já bateu nela?

[Bob] Não, cara. Não, de jeito nenhum.

[Joe] Já quis bater?

[Bob] Nunca.

[Joe] O Bob deu todas as respostas certas.

O problema era: acreditamos nele?

[Larry] Queríamos ir mais fundo com esse cara.

Fizemos o teste do polígrafo! Queríamos ver como se saía.

[Bob] Fiz o teste do polígrafo

no primeiro dia.

Eu não estava fugindo de nenhuma pergunta

que me faziam.

Eu respondi a tudo com sinceridade

e não via como eles... não acreditariam.

[Joe] O examinador disse que ele foi totalmente sincero,

e ele passou no polígrafo com louvor.

Além disso,

o cabelo do Bob Vialpando era preto escuro.

Ele não tingia o cabelo.

[Brian] A prova física não o ligava à cena.

[Joe] Bob Vialpando não era mais suspeito neste caso.

MARIDO DA VÍTIMA DE SPRINGS NÃO É SUSPEITO

[Bob] Eu não senti o peso ser tirado das minhas costas.

Só me lembro... de dizer a eles:

"Precisamos encontrar o maldito cara que fez isso.

Estão perdendo tempo comigo".

[Brian] Conversando com o Bob,

soubemos mais sobre como ela estava vestida,

e o que levava no momento.

Ele disse que estavam faltando algumas coisas

que não vimos no local.

[Bob] Mary Lynne tinha uma jaqueta jeans

e as alianças dela, de casamento e de noivado.

A polícia me pediu para descrever as joias

e desenhar, fazer um desenho delas.

Eu lembrei bem dos anéis.

Um deles era espinha de peixe,

de ouro 18 quilates, com três diamantes nele.

[Joe] Roubo e agressão sexual raramente andam juntos.

E aí, eu me perguntei se foi uma lembrança

levada pelo criminoso como forma de reviver o momento.

Seria isso?

[passos]

[Brian] Neste caso,

tínhamos uma vítima e uma cena de crime...

e não sabíamos bem o que tinha acontecido.

[Leon] O que temos aqui é um diagrama

do patologista forense que realizou a autópsia.

O que vemos aqui são as escoriações

e hematomas na parte de trás dos braços e antebraços,

consistentes com lesões defensivas.

É uma vítima lutando para viver,

fazendo de tudo para se proteger.

[Joe] Ela levou três facadas no peito, todas juntas,

sob o seio esquerdo. Uma, duas, três.

Devem ter sido infligidas

com uma faca de lâmina muito curta,

como um canivete...

o suficiente para fazê-la sangrar,

mas não para matá-la.

[Leon] A causa da morte

foi traumatismo craniano contundente,

inchaço do cérebro.

Podiam ter sido golpes com o punho, podiam ser chutes,

a cabeça batida contra uma pedra.

Um exame mais aprofundado do corpo

revelou hemorragias internas, hematomas...

confirmando o fato de que ocorreu uma agressão sexual

o que resultou na presença do DNA dele.

[Stephanie] A agressão sexual foi incrivelmente violenta.

O tipo de pessoa que faz isso é alguém muito perturbado,

que odeia as mulheres profundamente.

É uma pessoa... má e antissocial.

[Joe] Ninguém deveria ter que passar por isso,

mas ela passou, e perdeu a vida com isso...

nas mãos de um animal..

Que não deve ter permissão para estar entre nós.

[Dan] É quando você começa a dizer: "Não é um suspeito,

é um monstro".

2

♪ Música tensa ♪

[Joe] Sou eu que costumo notificar as famílias

dos homicídios.

Nunca gostei de passar essa tarefa para outros,

porque é pesado.

Então, eu fui falar com os pais da Mary Lynne.

[Cynthia] A polícia veio falar conosco.

Ficamos todos em choque e entorpecidos.

Parecia que eu tinha sido...

varrida da face da terra ou coisa assim.

Você nunca pensa que isso vai acontecer na sua família,

foi muito... irreal.

[Dan] Já trabalhei em vários homicídios...

mas foi a primeira vez que estava presente

quando avisaram membros da família.

E... [suspira]

é difícil...

estar lá e dizer que seu ente querido foi morto.

[chora] Desculpe.

[Cynthia] A Mary Lynne era muito independente,

era voluntariosa,

mas ela não era nada materialista,

ela era um espírito livre, ela gostava da vida,

ela curtia o Pink Floyd, sabe?

Não dá para ser muito melhor do que isso.

Ela era muito ativa.

Fez parte da equipe de atletismo no colégio

e se saiu muito bem.

[Bob] Esta é a foto da formatura dela.

Começamos a namorar depois do ensino médio.

A Mary Lynne era uma garota muito linda,

ela era atlética e tinha pele cor de caramelo,

super simpática, de fácil convivência.

A gente se apaixonou.

[Cynthia] Depois de um tempo casada,

ela decidiu fazer faculdade.

Ela queria muito estudar medicina esportiva.

[Dan] A faculdade era um pouco distante

e ela ia de bicicleta todo dia,

com neve, com chuva...

Mas ela estava determinada a obter aquele diploma

para ter uma vida melhor.

[Bob] A Mary e eu tivemos uma filha.

A Mary Lynne levava a Coral aonde quer que fosse, sabe?

Quando ela andava de bicicleta,

a Coral ficava no assento da bicicleta, atrás dela.

Eu estava muito feliz por uma filha pequena

e uma esposa jovem.

O nosso futuro parecia brilhante.

Havia muitas coisas promissoras na nossa vida.

7 DE JUNHO DE 1988

[Larry] Em um caso como este,

temos que descobrir se alguém viu ou ouviu alguma coisa.

E como se faz isso? Estudando a vizinhança.

[Joe] Eu olhei no entorno da cena do crime

e fazia um desenho de cada janela

que pudesse ver aquele crime.

Eu disse aos meus investigadores:

"Poderia haver um rosto

por trás de qualquer uma dessas janelas

vendo isso acontecer".

E encontramos uma jovem, Cindy Hyatt,

que na época tinha 12 anos.

[Cindy] Em 5 de junho de 1988,

eu estava com a minha irmã e o namorado dela

no apartamento deles.

Ele ficava numa colina, com vista para Colorado City.

E tinha um beco lá embaixo.

Naquela noite, eu não estava dormindo muito bem

e as janelas deviam estar abertas,

porque era o início do verão.

Lá pelas três da manhã,

ouvi um som curto...

[grito]

[Cindy] ...parecia um grito de surpresa.

Não houve som algum depois. Eu não ouvi mais nada.

Então, achei que não era nada e continuei tentando dormir.

Eu não fazia ideia de que alguma coisa tinha acontecido

até a manhã seguinte.

[Joe] Ela ouviu um grito seguido de nada mais?

É provável que tenha sido Mary Lynne quem gritou.

[Larry] Houve uma agressão, uma mulher estuprada e morta.

A primeira coisa que pensamos é:

"O agressor ainda está por aqui?"

e "Temos que nos preocupar com ataques

a outras mulheres?"

[Joe] Esperávamos que o responsável por esse crime

já tivesse feito isso antes.

Então, começamos a procurar homens na vizinhança

fichados por algo parecido.

"Vamos reunir os suspeitos de sempre e ver o que acontece".

[Skip] A investigação identificou alguém,

um homem branco chamado Trent Hayes.

[Joe] Vinte e quatro horas após a descoberta

do corpo de Mary Lynne,

ele foi preso por embriaguez

na altura do 2.700 da Avenida Colorado.

E então, Senhor Hayes? Quem é o senhor?

[Skip] A picape dele foi apreendida

e ele foi acusado de embriaguez ao volante.

[Joe] Não tínhamos argumentos

para obter um mandado de busca para a picape,

mas nada nos proíbe de olhar pela janela.

Mandei dois policiais para pátio de apreensão.

Eles viram uma faca com bainha

em cima de uma jaqueta jeans desbotada.

E estávamos procurando uma jaqueta jeans desbotada.

A vítima tinha três facadas. Era só fazer as contas.

Queríamos ver como ele podia explicar aquilo.

[Joe] Estávamos investigando um homem de 28 anos

chamado Trent Hayes,

que foi preso por embriaguez ao volante

24 horas após a descoberta do corpo de Mary Lynne,

no local onde ela tinha sido morta.

Ele está revisitando o motivo por que bebeu?

Agora era hora do Trent explicar tudo isso.

[Joe] Quando entrei na sala de interrogatório,

lá estava o Trent Hayes.

Ele tinha cabelos loiros descoloridos. Uau.

[Brian] Ele tinha uma jaqueta jeans e uma faca.

Ele estava na área.

Havia algumas coisas únicas que se encaixavam.

[Skip] Ele estava vestindo uma camisa de botão

e alguns dos botões estava abertos

e eles então viram um arranhão na barriga dele.

[Joe] "Bem, Trent,

o homem que procuro tem cabelo loiro descolorido

e provavelmente algumas marcas.

E você, garotão, tem ambos".

[Larry] Eles também notaram

que a mão dele estava machucada e inchada.

[Skip] Ele explicou que foi um ferimento ocorrido

na hora da prisão dele por embriaguez ao volante.

[Larry] Os dois ferimentos podiam ter ocorrido

em um ataque contra Mary Vialpando.

[Joe] Ele tinha um álibi muito ruim.

Segundo ele, no momento do crime,

entre duas e três da manhã,

ele estava dormindo em sua picape,

mas não ninguém podia confirmar.

Então, onde ele estava?

Ele estava em um beco, matando Mary Lynne Vialpando?

Ou estava dormindo em sua picape?

[Larry] Não podemos acreditar em tudo

que uma pessoa relata.

Temos que investigar as coisas mais a fundo.

[Joe] Tínhamos muitos indícios circunstanciais,

mas nada que se sustentasse em um tribunal.

O único método infalível disponível para nós

era a análise de DNA.

[Missy] Em 1988,

o DNA estava só começando a ser uma ferramenta forense

usada para solucionar crimes.

Ainda era uma ciência comparativa,

muito antes de os bancos de dados de DNA serem criados.

[Dan] Na época, a única coisa que você podia fazer era:

"Eu tenho esse suspeito".

"Bem, vamos pegar o DNA dele e comparar com o DNA conhecido

de quem estuprou essa mulher".

[Joe] Em 1988, havia apenas uma opção para testes de DNA,

a Cellmark Diagnostics,

que ficava em Chambersburg, em Maryland.

Era o único laboratório nos Estados Unidos

que fazia exames de DNA na época.

Este é o relatório do Investigador Hilty,

de 28 de junho de 1988.

"Trenton Hayes foi escoltado para o quarto número 118N

pelo Investigador Hilty".

"Um técnico colocou um filtro de papel

na boca do Sr. Hayes

para coletar uma amostra de saliva".

[Missy] Os testes de DNA em 1988

exigiam uma grande quantidade de DNA.

[Joe] Sangue foi colhido do braço.

Ainda foram colhidos fios de cabelo da cabeça

e pelos da região púbica.

Ele era a fonte do cabelo descolorido?

Era a fonte das amostras de fluido corporal?

Essa seria a primeira vez que alguém ia oferecer algo

além de uma opinião.

O teste nos diria "sim" ou "não".

Não era ele.

Apesar de todas as provas circunstanciais,

ele não era o cara. Ponto final.

Fumar para mim era um hábito

que aumentava quando eu estava estressado.

E dava pra saber o meu nível de estresse

pela quantidade de bitucas no meu cinzeiro.

Um dos meus homens me disse uma vez:

"Precisa de um cinzeiro maior

ou precisa parar de fumar". Ele tinha razão.

Apesar de eu fumar e apesar do teste de DNA,

ele ainda estava por aí.

Ele ainda estava solto pondo o público em risco.

E não podíamos fazer nada,

porque não tínhamos a menor ideia de quem ele era.

É era por isso que eu não dormia à noite.

[Brian] Parte da investigação

era vasculhar toda a vizinhança,

em busca de possíveis testemunhas.

E no entorno só havia comércio,

e a maioria das lojas estava fechada.

Então, para onde ela teria ido?

[Skip] Em 1988, em Old Colorado City,

havia um punhado de bares antigos na área.

Havia o Fred's Bar... o Medal Muffins...

e o Thunder Buttons.

[Joe] O Roger's Bar se destacou

porque servia comida

depois que a venda de álcool se encerrava,

às duas da manhã. Ela podia ter estado lá?

[Larry] E foi o que fizeram, eles foram ao Roger's Bar

e conversaram com a bartender de lá.

Ela disse que se lembrava de uma mulher

que entrou naquela noite,

ela não tinha certeza se era Mary ou não,

ela não sabia dizer.

Mas ela havia entrado e saído pela porta dos fundos,

que dava para o beco.

[Joe] E esses bares têm uma clientela frequente,

é claro. Perguntamos a um deles:

"Você viu alguém que não conhecia naquela noite?"

"Bem, teve um cara que entrou, ele estava bêbado,

nunca vi ele antes.

Não sei quem era".

[Larry] Ele estava embriagado

e foi muito agressivo com todos.

E... chegou uma hora em que ele se levantou

e saiu pela porta dos fundos, não pagou nada, só saiu.

Ela disse que se lembrava dele muito bem,

porque ele tinha uma cicatriz bem grande no rosto.

[Joe] Se a Mary Lynne estava lá naquela noite,

esse cara pode ter saído porque a viu sair?

E se ele a seguiu? E se ele for o cara?

[Larry] Precisávamos descobrir quem era o sujeito

com a cicatriz no rosto e falar com ele.

[Joe] Decidimos que era do nosso interesse

que a bartender do Roger's

conversasse com um retratista da polícia...

para termos um retrato-falado...

do sujeito com a cicatriz.

A bartender afirmou de que a imagem produzida

pelo retratista era precisa.

Olhamos para aquele retrato e pensamos:

"Esse pode ser o monstro que procuramos?" Sim, podia.

Com certeza, podia.

2

[Joe] Quando me designaram

como investigador na Homicídios,

pensei em jeitos de melhorar a organização

para produzir melhores resultados.

♪ Música tensa ♪

Eu convoco uma reunião, sentamos todo mundo.

"O que você sabe?" E agora, o que você sabe?

Conte a todos na sala". Ninguém fica perdido,

todos sabem em que pé o caso está.

O processo funciona muito bem porque é organizado.

Qualquer um poderia pegar o caso

e saber o que estava acontecendo.

Não é um só, somos todos nós. É uma equipe.

Todos nós decidimos,

e a única coisa que tínhamos era o retrato-falado.

Distribuímos o retrato-falado.

Nós o mostramos a todos que a conheciam

e a muitos que não conheciam.

"Você reconhece essa pessoa?"

Ninguém sabia nada sobre aquele homem.

Paradeiro desconhecido, nome desconhecido.

[Brian] Era um caso que não ia a lugar nenhum,

não tínhamos suspeitos, não tínhamos informações,

não tínhamos boas pistas concretas.

O que estávamos procurando? Que tipo de pessoa faz isso?

[Joe] Quando se tem uma vítima realmente inocente,

como a Mary Lynne Vialpando, isso dói muito.

É alguém que foi morta sem motivo algum...

Por um lobo... um predador.

Se ele a matou, é capaz de matar qualquer um.

[Stephanie] O que houve com ela foi muito perturbador

e assustador.

Acho que ninguém pode imaginar

esse tipo de mal acontecendo no seu quintal.

[Cynthia] Psicopata, monstro, pervertido sexual.

[Bob] De onde vinha essa pessoa?

Quem era esse animal? Quem era esse monstro?

[Bob suspira]

28 DE FEVEREIRO DE 1989

[telefone toca]

[Skip] Cerca de oito meses depois,

no início de 1989,

a Polícia de Colorado Springs recebeu um telefonema

da Polícia de Hutchinson, no Kansas.

[Joe] Eles tinham prendido quatro indivíduos

em um roubo ocorrido naquela jurisdição.

[Skip] Uma das pessoas presas,

uma mulher chamada Rachel Kipp,

tinha informações que considerava

pertinentes ao caso.

[Joe] Rachel disse à polícia

que ela morava em Colorado Springs,

assim como Mike Lauderman

que também estava preso no Kansas por esse roubo.

Rachel Kipp afirmou que,

em algum momento durante o verão de 1988,

ela viu Micheal Lauderman correndo pelo beco

em direção à casa dela.

"Quando chegou na casa,

estava sem fôlego e repleto de dor.

Totalmente fora de si, totalmente angustiado,

com arranhões e marcas".

Ela disse que perguntou a ele o que estava errado

e ele fez a seguinte declaração.

"Eu fiz uma coisa muito ruim.

Eu nem acredito no que eu fiz".

O que foi isso, Mike Lauderman?

[Brian] Quanto mais ela pensava nisso,

mais ela achava que ele podia ter cometido

o assassinato.

[Joe] E eu disse a esse sargento

da polícia de Hutchinson:

"Tenho dois investigadores entrando num carro agora,

eles chegarão em sete horas".

Quando os investigadores entram

na sala de interrogatório,

eles olharam para Mike Lauderman.

E o que ele tinha no lado esquerdo do rosto?

Ele tinha uma cicatriz branca.

[Skip] Eles se lembraram da declaração

feita por uma bartender do Roger's Bar

de que a pessoa que se comportava estranhamente

também tinha uma cicatriz proeminente.

[Joe] Ora, ora, ora... onde você ganhou isso, Mikey?

Hm? Onde conseguiu isso?

2

1 DE MARÇO DE 1989 HUTCHINSON, KS

[Joe] Tinham se passado oito meses

desde o assassinato de Mary Lynne Vialpando,

mas tivemos uma grande pista para o caso,

um jovem de 25 anos chamado Michael Lauderman.

[Larry] Eles perguntaram:

"Que cicatriz diferente a sua.

Como você a conseguiu?"

E ele disse: "Há três semanas,

eu estava furtando no K-Mart, fugi do segurança

e brigamos e foi assim que consegui essa...

essa cicatriz no meu rosto".

Precisávamos investigar isso mais a fundo.

[Skip] Ele reconheceu que, de fato,

estava em Colorado Springs no horário do assassinato

e que estava hospedado em um hotel

praticamente a uma quadra da cena do crime.

[Joe] Ele se colocou na área do crime.

Mas foi só o que ele fez.

Ele negou qualquer envolvimento no assassinato.

[Dan] Não é coincidência demais

ele estar a menos de uma quadra

de onde esse crime aconteceu e dizer:

"Fiz uma coisa horrível" e ele estava sangrando?

Tinha que ser o cara.

[Larry] A essa altura, era suspeito demais.

"Vamos coletar algumas amostras de DNA,

mandar para o laboratório

e ver se combina com o DNA encontrado na cena do crime".

[Joe] Ele cooperou e forneceu as amostras.

Nós os enviamos para a Cellmark Diagnostics

em Maryland e aguardamos seus resultados.

[Dan] Quando envolve DNA, foi você ou não foi.

É preto e branco.

Mandamos o DNA para a Cellmark, e a resposta?

Não era o Lauderman.

RESULTADO NEGATIVO

Não era o DNA dele.

[Joe] Lauderman pode ter feito algo horrível,

mas não foi matar Mary Lynne Vialpando.

Ele não fez isso.

Mike Lauderman foi excluído. Trent Hayes foi excluído.

[Dan] Àquela altura, fiquei surpreendido.

Foi um choque saber que um deles não era o culpado,

mas eles não era.

[Joe] Você não vai a lugar algum

quando tem um caso que consome você.

Você questiona seus próprios métodos.

"O que deixamos passar? O que não vimos?"

[sirene de polícia]

Não estávamos mais perto da solução

do que na manhã em que encontramos o corpo.

Estávamos num beco sem saída,

não havia mais nenhuma pista para seguir.

[Brian] O fato é que o caso esfriou.

E odeio dizer isso, mas ele ficou inativo.

NADA MAIS, NESTE MOMENTO.

NENHUMA OUTRA INVESTIGAÇÃO.

[Brian] Alguma coisa tinha que vir até nós,

porque não tínhamos mais nada para fazer.

[Joe] Quando todas as pistas estão esgotadas,

todas as provas foram examinadas

até o limite da nossa capacidade,

o caso vai pra uma prateleira,

porque parou ali. Não há esperança.

Não há para onde ir.

[Dan] Com o passar de dias,

semanas, meses e anos sem solução para o caso,

a família nunca tem um desfecho

e tem que conviver com isso todos os dias.

[Cynthia] Com o passar dos anos,

senti que havia uma nuvem escura sobre minha cabeça.

Me... senti muito frustrada

pelo caso não estar sendo solucionado.

Tentei manter a história viva

para que as pessoas não se esquecessem de minha irmã,

a Mary Lynne, e da morte horrível que ela sofreu.

♪ Música suave ♪

[Bob] Não dá pra viver em paz depois de uma coisa assim.

Eu não conseguia...

ver como este mundo ainda estava girando,

não conseguia entender por que ainda estava girando.

E, isso me tornou uma pessoa diferente.

Levou um pedaço do meu coração embora.

E é difícil viver sem o coração inteiro, sabe?

Se eu não tivesse uma família tão grande

e entes queridos ao meu redor,

não estaríamos tendo esta entrevista.

[Joe] Eu simpatizo com Bob Vialpando, até hoje.

Considerei isso culpa minha,

não pude encerrar o caso para ele...

e me senti péssimo com isso.

E me senti péssimo por fazê-lo sofrer

durante o processo de determinar

se ele era ou não suspeito.

[Bob] Com o passar do tempo,

ainda sussurravam pelos cantos,

muitos achando que eu podia ser o culpado. Sei lá...

[Dan] O Bob, por todos esses anos,

viveu sob a suspeita de ter matado a Mary.

E existiam pessoas na comunidade

convencidas de que Bob tinha cometido o assassinato.

E isso arruinou a vida do Bob.

[Bob] Eu tive que entregar ao tribunal superior

e pôr nas mãos do Senhor,

torcendo para a justiça prevalecer lá,

por nunca imaginar que prevaleceria aqui.

[Joe] Muitas vezes,

as vítimas são participantes de sua própria morte,

têm um estilo de vida de alto risco.

Não era o caso da Mary Lynne Vialpando.

Ela é uma vítima inocente.

Esse caso foi importante para mim.

Foi muito frustrante para mim não conseguir solucionar.

E por conta disso eu jamais esqueci.

Mas não desistimos. É um assassinato.

E quando nos aposentamos,

um novo grupo vai procurar você.

Não perdoamos, não esquecemos...

e não paramos.

[rádio da polícia]

[Dan] É muito estranho voltar ao local

mais de 30 anos depois.

Esta parte do beco não mudou nada.

A fita de isolamento foi colocada aqui

para manter as pessoas fora, e acho que é onde, de início,

eu fiquei até começarem a analisar a cena.

Olhei pro beco e a primeira coisa que vi

lá no fundo foi o cobertor.

E o corpo dela estava bem aqui.

E dá para ver esse vertedouro de cimento,

e dá para ver aqui também.

O corpo dela estava na base de onde começa a inclinação.

E aí, a uns 20 metros naquela direção,

subindo pela trilha,

é onde estava a pedra com sangue.

E algumas joias dela.

Este é um dos crimes que mais ficou gravado

na minha memória.

Me assombrou do começo até o fim.

Tenho outros casos abertos, mas de alguma forma,

este se destacou mais.

♪ Música suave ♪

[Joe] Dentre as investigações pelas quais fui responsável,

trinta e uma estavam sem solução

em primeiro de setembro de 1996,

o dia em que me aposentei.

Nunca parei de pensar neles na época

e não paro de pensar neles agora.

[produtor] O quanto se sente em dívida

com as vítimas de casos abertos, como a Mary Lynne?

[Joe] Senti remorso, senti culpa por não descobrir

quem foi o responsável pela morte prematura dela.

Era uma mulher jovem e vibrante,

com a vida pela frente, levada por um animal...

sem nenhum propósito. O pior da...

da história dos homicídios.

Queria poder dizer que apontei uma arma para alguém

e informei que ele estava preso

pela morte de Mary Lynne Vialpando.

E eu nunca pude fazer isso.

[Skip] Com o passar do tempo, a Polícia de Colorado Springs

formou uma unidade de casos não solucionados e,

com esse caso aberto por cerca de 30 anos,

foi para a unidade de casos não-solucionados.

♪ Música tensa ♪

[det. James] Meu nome é James Isham,

sou conhecido por Jim

e por volta de 2016 assumi um cargo

na unidade de casos não solucionados.

Eu fui atraído para essa posição

porque considero o homicídio é o maior crime

e os investigadores de homicídios

são os maiores investigadores.

[Joseph] Para trabalhar em homicídios não-solucionados,

é preciso ser inovador.

Você quase precisa ser um visionário.

[det. James] O Investigador Somosky

é um investigador inteligente muito competente.

Nossas personalidades eram um pouco diferentes,

mas pareciam se encaixar.

[Joseph] O Jim era a voz calma da razão

e eu era um desastre caótico e ansioso,

que vivia querendo fazer alguma coisa.

[det. James] Acho que nos equilibramos muito bem.

Em relação ao Caso Vialpando, o que me chamou a atenção

foi quando peguei as fotos da cena do crime

no arquivo de provas.

Foi um homicídio brutal e para mim,

mostrava que um assassino psicopata

estava no beco naquela noite.

[Joseph] O criminoso era perspicaz?

Vivia em movimento, procurando uma vítima?

Quem era essa pessoa

que aquelas lendas não conseguiram identificar,

que eles não encontraram, que ninguém pôde acusar?

O que manteve este caso vivo foi que, em 1988,

todos os envolvidos desde o Tenente Kenda

e o até então promotor distrital Dan May

sabiam que o DNA estava chegando.

[James] A presença de DNA masculino na vítima,

a Mary Lynne, nos deu esperança.

E foi a chave de todo o caso.

[James] De 1988 até o momento

em que começamos a analisar as provas,

o DNA avançou muito.

Quem era acusado de um crime

e levado para uma cadeia local,

tinha o DNA foi coletado. E era inserido no CODIS.

[Joseph] Todas as noites, à meia-noite,

o sistema CODIS levanta todos os perfis desconhecidos

e compara com todos os perfis que já estão no CODIS.

[Joe] Nenhuma descoberta foi feita

a partir da inclusão no CODIS do DNA

do Caso Vialpando. O que isso significava?

[det. James] Como investigador,

você começa a se perguntar:

"Esse cara é tão bom assim, porque nunca foi preso?"

[Joe] As outras possibilidades são... ele está morto!

Ou ele pode estar fora do país.

Ele podia ter se mudado para a França, até onde sabíamos.

Nós não sabíamos.

[Joseph] Não dá para esperar para sempre

e acredito que é preciso inovar

para achar um jeito de levar as coisas adiante.

6 DE JUNHO DE 2017

[Joseph] Em 2017, usávamos uma nova tecnologia

na época chamada fenotipagem,

um retrato genético fornecido pelo laboratório Parabon.

[Missy] Havia laboratórios estudando partes do DNA

que poderiam dar uma indicação

dos atributos físicos dos indivíduos:

a cor dos olhos, a cor do cabelo e às vezes,

até se têm ou não sardas.

[James] Nem precisei pensar. "Vamos mandar alguma coisa

e ver se conseguimos um resultado.

Vai levar a algum lugar?

Não sei, mas temos que tentar.

[Joseph] Em duas semanas, os resultados chegaram.

RESULTADOS DOS TESTES DE DNA.

[Joe] Nos perguntamos por 30 anos

como era o sujeito

e estávamos prestes a descobrir.

♪ Música tensa ♪

[Joe] Tinham se passado 30 anos

desde o assassinato de Mary Lynne Vialpando.

24 DE OUTUBRO DE 2017

[Joe] Mas a unidade de casos arquivados da polícia

podia finalmente ter uma ferramenta

que identificaria o criminoso.

[James] E esta foi a imagem que recebemos da Parabon.

Mostra um homem branco com cabelos castanhos claros

ou loiros, de olhos azuis.

Eu não podia acreditar que, depois de tantos anos,

finalmente tínhamos um rosto.

Mandamos para as redes de notícias locais.

[Joe] Foi exibido em todo lugar.

Eles colocaram no Facebook.

[Joseph] Mas depois que o retrato do fenótipo

foi divulgado pela polícia, não recebemos nenhuma pista.

Nem uma única ligação. Nada.

[Joe] Foi como todos os outros momentos

neste caso de 30 anos: outra tentativa e erro.

[det. James] Mas isso faz as pessoas falarem sobre o caso.

Faz o caso da Mary Lynne voltar a aparecer na mídia.

[repórter] Em 5 de junho de 1988,

a polícia encontrou esta esposa e mãe de 24 anos

estuprada e espancada até a morte

em um beco perto da Rua 26 em Old Colorado City.

E o que torna esse caso tão singular

é que foi o primeiro caso no Colorado

em que provas de DNA foram coletadas.

[Cynthia] Eu penso nela todos os dias

e é frustrante que ainda não tenham pego o assassino.

Eu nunca desisti, nunca.

Houve momentos em que eu achava

que não ia mais aguentar,

mas nunca perdi completamente a esperança

de que esse caso seria solucionado.

30 DE NOVEMBRO DE 2017

[James] Recebi a mensagem de um coordenador do CODIS

dizendo que havia uma correspondência no caso.

A amostra foi inserida por volta da meia-noite

e às quatro da manhã,

havia uma correspondência no caso.

Quando eu desliguei o telefone, estava extasiado.

[Joseph] Finalmente tínhamos um suspeito identificado

com uma pista real em que podíamos trabalhar.

[Dan] Eles me ligaram e disseram:

"Dan, pegamos o nosso homem".

Naquela hora eu sõ falei: "Pegamos? E quem é?"

[Joe] O DNA pertencia a um homem branco de 45 anos

chamado James Edward Papol.

[Dan] Quando disseram: "James Papol",

eu nunca tinha ouvido falar do cara.

Não me lembrava ninguém. Quem era o esse homem?

[det. James] Examinei esse caso de cabo a rabo...

e nunca vi o nome dele aparecer em nenhum lugar.

[Joe] Quem diabos era James Edward Papol?

[det. James] Quando vi a data de nascimento,

sabendo que o crime tinha ocorrido em 1988,

calculei que ele teria 15 anos

na época do homicídio.

E eu tive que olhar duas vezes.

[Joseph] A violência e a natureza desse crime

não se encaixam com o que pensa

de um garoto de 15 anos.

[Joe] É uma coisa que nunca vi

em todos os meus anos de serviço.

Um jovem de 15 anos cometendo agressão sexual,

cometendo agressão física.

Isso é inédito. Eu nunca ouvi.

[James] Mas àquela altura,

alguém postou na nossa página de casos não-solucionados

que possivelmente sabia quem era o assassino.

Obviamente, decidi falar com ela.

Amanda Anderson dizia ter visto o retrato

feito pela Parabon na postagem do Facebook.

[Amanda] Eu realmente acreditava que esse retrato

era do garoto que eu tinha começado a namorar,

acredito que em 1988. O nome dele era James Papol.

[Joe] Era por isso que esperávamos...

um ser humano que o conhecia

e sabia que ele estava em Colorado Springs em 1988.

[Amanda] Quando conheci o James,

eu estava prestes a fazer 17 anos

e ele tinha acabado de fazer 16 anos.

E eu conheci ele na Dale House,

um abrigo para adolescentes.

Só me lembro que ele vivia zangado o tempo todo,

tinha ciúme de tudo

e parecia ser hiperfocado nas mulheres.

Houve muitos incidentes em que ele me deu tapas,

deu socos...

Um dia, ele pegou uma mochila enorme do exército,

cheia de roupas.

Ele ergueu sobre a cabeça dele

e ele acertou a minha cabeça com aquela mochila,

e parecia que o meu pescoço tinha afundado no meu tronco.

E ele gritou a esta distância do meu rosto,

gritou com o olhar mais maligno nos olhos.

Eu tinha muito medo do James.

Eu sabia que, alguma hora,

eu acabaria morta se não saísse da relação.

[James] Ela disse que ele era muito capaz de matar alguém.

[Amanda] Seria a única coisa

que talvez aplacasse a raiva dele, matar alguém.

[Joseph] O Investigador Isham e eu

começamos a investigar esse cara.

[Dan] Descobrimos que ele morava na comunidade

há muito tempo,

tinha filhos e tinha tido relacionamentos

com várias mulheres.

Ele era um abusador de mulheres.

[Joseph] Mulheres que tiveram relacionamentos com James

nos disseram que ele tinha a capacidade

de ser violento com elas.

[James] Durante uma discussão que James teve com uma delas,

ela chegou a dizer:

"Matei mulheres melhores do que você".

[Joe] Isham e Somosky não tinham dúvidas

de que tinham achado o culpado.

[Joseph] A única pergunta que restava era onde ele estava?

Ainda estava aqui?

E, por acaso, ele ainda estava aqui,

ainda estava no Colorado. E tinha deixado uma pegada.

Ele estava sob a custódia

do Hospital Psiquiátrico de Pueblo.

[James] Isso foi um sinal de alerta,

meio que me fez pensar: "Isso agora faz sentido?"

Não fui ao hospital naquele dia,

queria pesquisar primeiro.

[Dan] E, de fato,

havia vários casos contra ele.

Entre 2002 e 2003,

ele cometeu seis crimes praticamente ao mesmo tempo.

Mas foi inocentado de alguns alegando insanidade,

e como parte do acordo,

foi para o Hospital Psiquiátrico de Pueblo,

onde estava sendo tratado

por seus problemas de saúde mental.

[Joseph] Eu li os diagnósticos mentais dele.

Tinha esquizofrenia paranoide, TEPT na infância,

transtorno de personalidade antissocial... várias coisas.

[Stephanie] Se os diagnósticos dele

são precisos, não sei dizer,

não sou especialista,

mas ele era muito bom em burlar o sistema

e manipular as pessoas.

James Papol era paciente nocmHIP,

o Hospital Psiquiátrico do Colorado,

e morava com uma enfermeira que trabalhava lá,

só para você ver a capacidade de manipulação dele.

[det. James] A essa altura, eu queria ver nesse cara,

queria me sentar na frente dele,

ver se ele estava disposto a conversar.

Então fomos ao hospital psiquiátrico.

Assim que o James chegou, ele veio direto a mim,

perguntando do que se tratava.

Dava para ver que ele estava muito nervoso.

Os policiais disseram pra ele: "Relaxe,

vamos responder as suas perguntas,

mas não aqui no corredor".

Dentro da sala de entrevistas,

o James se sentou.

E eu disse a ele que era um investigador de homicídios

de Colorado Springs.

E o comportamento dele mudou na hora.

[Joseph] Foi como uma pessoa vendo o fantasma de alguém.

Nesse caso, talvez de Mary Lynne Vialpando.

Lá no fundo, ele sabia que esse dia podia chegar.

[James] -Estou com medo. [det. James] -Eu entendo.

[Joe] James Papol tinha todos os motivos do mundo

para estar com medo,

porque finalmente parte de seu passado

tinha voltado pra assombrá-lo,

e dois homens sentados na frente dele

pareciam estar cientes disso.

[Joe] O caso de assassinato de Mary Lynne Vialpando

finalmente tinha avançado.

Os investigadores tinham um suspeito, James Edward Papol.

[det. James] Agora eu vou ler os seus direitos.

Já leram para você antes?

[James] Há muito tempo.

Mas não me encrenco faz uns quinze anos.

[det. James] Primeiro,

você tem o direito de permanecer calado.

Segundo, qualquer coisa que disser

pode e será usada contra você em um tribunal.

Minha principal preocupação

era ler os direitos do suspeito,

e ver se ele queria conversar.

Entende cada um dos direitos que expliquei?

[James] Sim, senhor.

[det. James] E, tendo esses direitos em mente,

quer falar comigo agora?

[James] Não, senhor.

[det. James] Certo, tudo bem.

Agora eu vou escrever as suas respostas

ao lado dessas duas perguntas

e pedir para você rubricá-las.

[Joseph] O Papol não quis falar,

agiu exatamente como agiria alguém culpado daquele crime.

[det. James] E a outra coisa que eu quero

é coletar seu DNA.

Tenho uma ordem judicial para uma esfregação bucal.

[Joseph] Precisávamos de uma amostra do DNA dele

para confirmar

o que a correspondência do CODIS indicou.

[det. James] Eu coloquei as luvas, colhi a amostra,

lacrei a amostra e, esse tempo todo,

o James me fazia perguntas.

Já que solicitou um advogado,

não posso responder a muitas perguntas.

Eu entendo, deve ter muitas perguntas,

mas já que assinou a sua escolha,

acho que terminamos aqui.

[James] Eu não quero ser um babaca,

não é que eu não queira cooperar, só estou...

[det. James] -Tudo bem. [James] -Só estou com medo.

[det. James] Eu entendo.

Eu coletei o DNA, dei meu cartão,

disse que estava indo embora, e ele me disse...

[James] Vou ter notícias suas de novo?

[det. James] E eu disse: "Pode ter certeza,

entraremos em contato de novo".

Depois que enviei a amostra de DNA para comparação,

ia levar duas semanas para ter os resultados.

Portanto, a prioridade seguinte

era encontrar qualquer amigo ou parente de James Papol.

[Joe] Começaram a procurar alguém

a quem ele tivesse confessado.

[det. James] Encontramos a mãe de James Papol,

ela ainda morava em Colorado Springs.

[Joseph] Fomos ver a mãe do James.

Tivemos uma longa conversa com ela na varanda,

na presença dos inúmeros gatos

que frequentavam o bairro.

[Joe] E, claro, nessa conversa,

a coisa mais importante para o Isham e o Somosky

foi ela admitir que tinha tido um contato recente

com o James.

Ele ligou para ela e contou sobre o exame de DNA

envolvendo o caso de assassinato.

[James] E James Papol disse à mãe

que se tinha o DNA dele no corpo dela

foi porque ele tinha roubado algumas joias dela.

Mas já estava morta quando ele a encontrou no beco.

[Joseph] Ele disse: "Eu peguei as joias dela,

mas eu não a agredi sexualmente, não a matei.

Devem ter achado por isso".

Mas não foi lá que encontramos o DNA.

[Stephanie] Eram pelos e o esperma dele,

coisas que não vão estar lá

por alguma explicação inocente.

[Joe] O James acha que está dando uma desculpa

para a mãe, mas na verdade,

está ajudando a cavar a própria cova.

A natureza das pessoas não muda.

As pessoas não mudam assim. O Papol era o que era.

"Você a matou. Você a estuprou.

Você fez todas aquelas coisas com ela

porque você é quem você é".

[James] Depois de duas semanas

esperando pela confirmação do DNA,

recebemos outro telefonema

dizendo que tínhamos uma correspondência.

Sabíamos que tínhamos apanhado o nosso cara.

[Missy] Vários fios foram reenviados

e eu avaliei o potencial de DNA.

No primeiro conjunto de deles,

a razão de verossimilhança era de pelo menos

70 octilhões ou seja, dez com 27 zeros atrás dele

essa era a probabilidade de terem sido deixados

por James Papol.

[Joe] Ele era o culpado,

isso exclui todos os outros homens do planeta.

Esse era o monstro.

James Edward Papol, e mais ninguém.

[James] A prisão foi dentro do Hospital Psiquiátrico

de Pueblo por homicídio doloso.

Ele foi levado para o Centro de Justiça Criminal

do Condado de El Paso em seguida.

[Joseph] Esta é uma foto de James Edward Papol,

logo após termos feito a prisão.

E é visível uma tatuagem no lado direito do pescoço

com a palavra 'sortudo' em um trevo.

[Joe] Bem, ele teve sorte até então,

mas precisava mudar a palavra na tatuagem para 'azarado'.

[Cynthia] Quando eu soube que o James Papol

tinha sido identificado

como o homem que matou minha irmã, eu pensei:

"Finalmente! Finalmente!"

Por todos aqueles anos, eu contei com o DNA

e finalmente se tornou realidade.

Eu pensei: "Sério?"

[produtor] Quando soube que ele tinha 15 anos na época,

isso fez algum sentido pra você?

[Bob] Nada fazia sentido para mim.

Eu não... eu não acreditei.

Eu estava pasmo.

Ele escapou tantas vezes

que é difícil acreditar que ele estava lá,

vivendo a vida,

sabendo que tinha tirado outra vida e quando fez isso,

ele tinha 15 anos, então... Puxa vida...

[suspira]

ACUSADO DE ASSASSINO A SER JULGADO COMO ADULTO

[Stephanie] Papol foi acusado de homicídio doloso.

A Justiça determinou que ele devia ser julgado

e sentenciado como adulto.

Ele se declarou inocente por motivo de insanidade.

[Dan] Sei que ele não era insano

quando matou Mary Lynne Vialpando.

Acho que ele era um monstro violento.

[Joe] Uma coisa que sabíamos

é que a alegação de insanidade

tinha funcionado para ele no passado.

Funcionou uma vez, poderia funcionar de novo.

[Stephanie] Ele era muito inteligente.

Sabia manipular o sistema.

[Dan] Em parte eu fiquei muito feliz

por poder responsabilizar esse homem

e levá-lo à justiça.

"Eu vou pegar esse desgraçado".

[Stephanie] Começamos a escolher um júri

e então houve uma exposição à covid

e o juiz cancelou o julgamento.

E aí, o réu decidiu se declarar culpado.

[Joseph] Acho que James Papol aceitou um acordo porque,

quando foi confrontado com os fatos do caso,

quando pôde ver a quantidade impressionante de provas,

soube que ia ser difícil contestar.

[Stephanie] Quando ele prestou depoimento,

ele disse: "Eu esfaqueei e roubei ela".

E foi só... pouquíssima informação,

praticamente uma frase, sem demonstrar emoção alguma.

[Cynthia] Eu me sentei lá

e ouvi James Papol se declarar culpado

e o chamei de covarde e mentiroso.

Eu realmente odeio, detesto, tenho nojo dele.

[Bob] Eu não aguentei ficar muito tempo no tribunal.

Acho que ele...

não estava nem um pouco arrependido de nada.

Não posso dizer com certeza por que não pulei

e tentei torcer o pescoço dele e matá-lo ali mesmo,

mas... era o que eu queria fazer,

era o que minha mente estava fazendo,

eu o matei muitas vezes em minha mente

antes mesmo de ter uma foto, um rosto e uma pessoa.

Puxa vida... [suspira]

[Joe] Nas primeiras horas da manhã

de cinco de junho de 1988,

Mary Lynne Vialpando saiu do carro e correu pela rua.

Era comum para ela sair correndo

quando estava com raiva, se acalmar e voltar.

[Joseph] Eu acredito que James Edward Papol

ouviu Mary Lynne Vialpando, caminhando de forma nervosa

em um beco muito escuro em Old Colorado City.

[Joe] Tudo começou quando ele viu a chance

de cometer um crime.

Ela era bonita, pequena,

ela era alguém que ele podia controlar.

[gritos]

[Joe] Ele a atacou. Ela reagiu e houve uma luta.

[gritos]

[Joe] Durante a luta,

ela bateu com a cabeça na pedra.

Ele deu facadas no peito dela,

arrancou suas roupas e a violentou sexualmente.

[Dan] É muito claro

que ele então a colocou na posição em que a encontramos.

Totalmente exposta. Ele não passa de um monstro.

[Joe] Ele tem um ódio profundo contra as mulheres.

Isso vinha do abandono da mãe? Quem sabe?

A questão é: ele é o que ele é.

O que fazemos com ele agora?

Continuamos com uma discussão acadêmica

sobre como ele ficou assim?

Ou o enrolamos em arame farpado

e o colocamos numa masmorra?

Eu prefiro o arame farpado e a masmorra.

[repórter] Mary Lynne foi assassinada

no final dos anos 80

e sua família tem alguma justiça hoje,

depois de todos esses anos.

[Cynthia] Já se passaram 32 anos e 11 meses.

Já faz muito tempo

e estou muito feliz que esse dia chegou.

[repórter] Ao sentenciar James Papol,

a juíza disse que este era diferente

de qualquer outro caso que ela presidiu.

Ela olhou para ele e disse que teria dado

a mesma sentença àquele garoto de 15 anos.

ASSASSINO DE PUEBLO CONDENADO A 60 ANOS

POR ASSASSINATO DE MULHER SPRINGS

[Bob] Não me faz sentir melhor.

Eu jurei que ele ia pro inferno

no dia em que ele fez isso,

e os guardiões que o protegeram na época

continuam ali, atrás dele. Eles são igualmente culpados.

[Joseph] Eu simpatizo totalmente

com Robert Vialpando.

Você fica totalmente impotente

quando um predador tira tudo do seu ente querido.

[Bob] Ele tirou um anjo desse mundo,

tirou a minha vida, a vida da minha filha.

A Coral foi muito amada,

mas não se compara ao que ela poderia ter tido.

Não o amor de uma mãe.

Não sei, é de partir o coração.

Eu não posso dizer que ela...

é a pessoa que ela deveria ser. [suspira]

[Cynthia] Muitos me perguntam

se eu tive um desfecho

e a resposta é não, realmente não há desfecho.

A minha irmã ainda está morta.

Não tem como esquecer isso.

Devo dizer, contudo,

que desde que James Papol foi condenado

e mandado para a prisão, eu sinto muito alívio.

Aquela nuvem negra não está mais sobre a minha cabeça.

[Joe] Quando você sai de um caso

de assassinato não resolvido,

o responsável por aquele crime,

para todos os efeitos, escapou impune.

Ele matou e não foi punido.

E, para esse criminoso,

eu desejo uma morte sofrida e cruel.

Ele com certeza merece.

[narrador] Versão Brasileira: DPN Santos

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