All language subtitles for The Limehouse Golem (2016) [1080p] [YTS.MX]-Portuguese

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Original subtitles

Vamos come�ar, meus amigos...

pelo fim.

John?

John!

Ele n�o deixou nada?

Nenhum... bilhete?

Se ele quisesse envenenar-se,

porque � que n�o deixaria, pelo menos, um bilhete?

Receio que o acto de queimar os seus pap�is

� demonstra��o suficiente do seu estado de esp�rito.

Sra. Cree? Perdoe-me...

Sei que n�o � a hora nem o local,

mas... posso dizer que sou um ardente admirador do seu trabalho?

Verifiquei a cozinha, senhor.

Isto foi tudo que encontrei.

Receio que seja isto.

Havia res�duos num copo na mesinha de cabeceira.

N�o pode estar l�, senhor.

A sua bebida nocturna foi sempre preparada pela Sra. Cree.

Aveline...?

Voc� n�o lhe preparou a bebida?

Certamente, n�o me est� mesmo a perguntar

se envenenei o meu marido?

Senhor, acredite em mim, ela n�o pode ter feito isto!

Os dois estiveram envolvidos numa enorme discuss�o ontem!

Porque � que ela prepararia uma bebida ao Sr. Cree,

quando nem sequer se falavam?

Aveline, o que � que lhe deu?

Senhor, por favor, permita-me que explique.

Sinto muito, Sra. Cree.

Precisar� de fazer isso na Scotland Yard.

Uma mulher acusada de envenenar

o seu marido.

Mas... n�o � uma mulher qualquer.

Pequena Lizzie,

a querida dos teatros musicais.

Mas, a cidade estava dominada...

pelo tem�vel "Golem" de Limehouse.

Quem era ele?

Quem seria a sua pr�xima v�tima?

O Golem tinha atacado pela �ltima vez

no dia anterior � deten��o dela.

E seu era o nome...

nos l�bios de todos os londrinos.

Quantas est�o mortas?

Cinco.

O lojista Sr. Gerrard, a sua esposa Mary,

a criada deles... e os dois filhos dos Gerrard.

N�o �... n�mero 29.

- 19, Ratcliffe Highway? - O que � que tem?

Os homic�dios em Ratcliffe Highway? John Williams?

� um pouco antes do meu tempo.

E do meu! Foi h� 70 anos!

Inspector Roberts!

Pode confirmar que este � um trabalho do Golem?

O que � que se passa com esta casa?

Acha que pode estar amaldi�oada, senhor?

Senhores, senhores, por favor!

Pedia-vos que dirigissem...

os vossos pedidos ao meu colega,

Detective-Inspector Kildare. Ele vai assumir o caso.

Kildare? Como � que se soletra isso?

A assumir?

Estou, apenas, a afastar-me, n�o a demitir-me.

O p�blico procura tranquilidade, Kildare.

Que melhor forma de lha proporcionar que dando-lhes sangue novo?

Est� com medo de substituir o grande Sr. Roberts?

Pode confirmar que este � um trabalho do Golem?

Quantas mais pessoas precisam de morrer antes do Golem ser apanhado?

Cocheiro!

Detective Roberts!

Inspector Kildare, � verdade...

que este � o seu primeiro caso de homic�dio?

Inspector Kildare!

Kildare!

Afaste-se. Para tr�s.

Sabe se eles ir�o...

mostrar os corpos hoje, senhor?

Afaste-se, senhor.

A criada foi encontrada ali.

Havia pegadas quando chegou? Pegadas do "Golem"?

Metade de Limehouse j� estava aqui.

Quais v�timas foram encontradas ali?

Nenhuma. O pr�prio Golem mexeu nesta.

- O Sr. ou a Sra. Gerrard. - Mais provavelmente ele.

Se a criada foi morta primeiro,

ele investigaria o dist�rbio.

- Onde � que est� o corpo dela agora? - Levamo-lo para cima, senhor.

Pelo menos l�, podemos manter a plebe longe.

- Aqui em baixo � uma causa perdida. - N�o podem ser todos jornalistas.

N�o. Os habitantes locais andam � procura de divers�o.

� mais barato que um bilhete para uma pe�a de teatro.

�s vezes, suspeito que se fosse enviado para o Inferno,

mal notaria a mudan�a, excepto a temperatura.

Este � o Inspector Kildare.

- Vai assumir o lugar do Roberts. - Senhor.

Pode dizer a este idiota para me deixar subir?

Sou do "Evening Post"!

Esta � a criada?

Sinto muito.

Nunca vi nada deste tipo.

Nem eu.

"Aquele que observa n�o derrama menos sangue

que aquele que inflige o golpe".

Lactantius.

Impressionante, senhor.

A verdade tem o h�bito de permanecer na mente.

A verdade?

Aqueles que falham na preven��o da injusti�a

s�o t�o culpados como o criminoso.

� um recado...

para n�s.

Provas... o caso do John Cree.

O envenenamento.

Que semana a sua!

Primeiro, o Golem de Limehouse, agora isto.

Ouvi dizer que o Inspector Kildare andava a perguntar por si.

Sim.

N�o sei aquilo que ele que queria. Estou-me sempre a desencontrar dele.

Bem, foi correcto dar-lhe o caso Golem, acho eu.

Ele j� teria ultrapassado muito o Roberts neste momento,

se aqueles boatos n�o o tivessem prejudicado.

Sabe...

Que ele n�o era do tipo de se casar.

Homens.

� antes do seu tempo, suponho.

Entre.

Recebi o seu recado, senhor.

V�o-me atribuir um agente.

Pensei em algu�m cujo conhecimento de Limehouse

pudesse ser uma vantagem.

Quando n�o me disseram nada,

pensei que talvez a oferta n�o fosse apelativa.

Vim c� duas vezes, senhor. Voc� estava fora.

Estava em Limehouse. � procura de testemunhas.

Sem sucesso.

- O que � que anda � procura? - Apenas procuro.

- Estou a tentar compreender. - O Golem � um louco.

O que mais h� para ser compreendido?

At� a loucura tem a sua pr�pria l�gica.

Aqui n�o h� nenhuma.

Em Ratcliffe Highway, ele massacrou toda uma casa.

Na semana anterior, uma prostituta. Alice Stanton.

Antes disso, Solomon Weil.

Era um homem velho... um erudito.

Meu Deus.

- Isto � o... - Sim.

Em cima das p�ginas abertas de um livro de folclore judeu,

como um marcador.

"A Lenda do Golem".

Foi assim que a imprensa soube do nome?

O assassino obviamente aprovou.

E quem foram os dois primeiros?

Ambas mulheres das ruas.

Lembro de ter lido sobre aquela.

- "Old Salty". - O nome dela era Jane Quig.

O quest�o � que n�o h� hist�ria para nenhum deles.

Homens, mulheres, jovens, velhos.

Judeus e Crist�os. Ricos e pobres.

- Talvez ele apenas goste de matar. - N�o.

Aposto que h� uma hist�ria a ser contada.

Se pudermos chegar ao seu n�vel

de maldi��o para compreend�-lo.

Se me permitir, senhor,

parece que foi desperdi�ado nos Roubos e Fraudes.

Estarei de regresso l� em breve,

se o Golem atacar outra vez. Esse parece ser o plano.

- Como assim? - A Pol�cia est�-se a preparar para

me transformar num bode expiat�rio.

Eles n�o arriscar�o Roberts, pois n�o? Eu sou dispens�vel.

Preservam a reputa��o do "menino dourado" deles,

e o p�blico...

consegue sangue.

Bem, como disse em Limehouse...

parece que eles nunca se ir�o cansar disto.

"Ele que assiste". "Ele" n�o significa "n�s".

Significa o p�blico.

O p�blico quer sangue. O Golem fornece-o.

Sim!

Estou certo de que deve ser isso, senhor.

Est�?

Eu n�o.

Quer ir dar uma volta at� � biblioteca?

Essa cita��o. Sobre o anel gladiatorial?

A culpa do p�blico que procura sangue?

Bem, talvez tenha lido noutro lugar.

� citado numa velha pe�a pelo ensa�sta Thomas De Quincey.

Uma que imagino possa ser do interesse de um homem

- com o seu tipo de trabalho. - Qual � a pe�a?

"Homic�dio considerado como uma das Belas Artes".

Uma s�tira aos homic�dios em Ratcliffe Highway, em 1811.

Devemos falar com esse De Quincey?

Ele morreu h� 20 anos, Flood,

ent�o, isso pode ser um pouco...

O que �?

Deixado a apodrecer. Para matar uma prostituta.

Quem � que pediu este livro emprestado a �ltima vez?

Esta � uma sala de leitura, Inspector,

- n�o uma biblioteca local. - Ent�o, nada sai do edif�cio?

Mant�m um registo de presen�as?

Claro, mas, n�o h� forma de saber

o que � que algu�m leu ou quando o leu!

Quem esteve aqui no dia 24 de Setembro?

Havia quatro homens na sala de leitura naquele dia. Porqu�?

� a entrada final num di�rio que algu�m manteve

nas p�ginas deste livro.

- Voc� estava aqui? - Estou aqui todos os dias.

Ent�o, devo pedir-lhe uma amostra da sua caligrafia.

Precisarei do mesmo de todo o pessoal.

E esses quatro nomes, por favor?

Dan Leno?

E o Karl Marx e o George Gissing.

Se for um seguidor de filosofia e literatura.

O que � que sabe sobre o John Cree?

Senhor?

Se for o mesmo John Cree que estou a pensar,

acredito que est� morto.

Ponha o di�rio nos meus arquivos. Mantenha-o em seguran�a.

Descubra tudo aquilo que puder sobre o George Gissing,

Karl Marx e Dan Leno.

- Onde � que vai? - Investigar um morto.

Se ele era o Golem, os problemas de Londres acabaram.

E descreve o seu marido

como estando num estado de desespero...

nas semanas anteriores � sua morte, sim?

O meu marido passou v�rios anos

a escrever uma pe�a, Merit�ssimo,

chamada "Misery Junction".

N�o foi... um sucesso.

Acredito que nunca se recuperou disso.

E, apesar disso, ele continuava a passar cada dia na sala de leitura

no Museu Brit�nico, a ler e a escrever.

Uma mudan�a de humor e uma mudan�a de h�bitos

- s�o duas coisas diferentes. - No dia da sua morte,

o bibliotec�rio descreveu o seu marido

como estando de bom humor.

O meu marido era ex�mio em apresentar

uma cara falsa ao mundo, senhor.

E isso � algo que voc� entenderia,

n�o �, Sra. Cree?

A desempenhar...

um papel?

Eu costumava ser artista em teatros musicais,

- se � isso que quer dizer. - E o papel que...

desempenha aqui hoje, perante este tribunal?

O de uma respeit�vel e educada senhora.

� filha ileg�tima, n�o �?

Sim, senhor.

Quando crian�a, voc� remendou velas

e passou muito tempo com homens.

Posso garantir-lhe que era uma crian�a temente a Deus.

Uma inocente.

Fui encarregue pela minha m�e

de entregar as nossas velas nas docas.

Encontrar homens n�o era algo que pudesse evitar.

- Aqui est�, como nova. - Carregaste isto at� aqui?

Olhe para as tuas pobres m�os, Lizzie.

A minha m�e diz que sou feita para o teatro com essas m�os.

N�o te atrevas a fugir e a juntar-te ao teatro.

Estas velas n�o se ir�o consertar sozinhas.

Gosto de com�dia.

O Charlie vai-me levar a ver o Dan Leno um dia.

N�o vais, Charlie, quando eu for mais velha?

O Dan Leno nunca foi assim t�o simp�tico.

O Charlie ensinou-te isso?

N�o deixes que a tua m�e ou�a isso. Ela ir� matar-te.

O que � que isso significa?

Se quiseres, posso-te mostrar.

A minha m�e vai-me querer em casa,

se me der o nosso pagamento.

O dinheiro est� na minha cabana.

Porque � que demoraste tanto?

Um homem colocou-te as m�os em cima?

Sua mentirosa.

Eu cai.

Anda c�.

- O que � que eu fiz de errado? - M�e, n�o, por favor.

- N�o te ensinei o suficiente? - N�o, imploro-te!

Anda c�.

Queres que eu v� para o C�u, n�o queres?

Aquele lugar ir� manter-te longe do C�u, Lizzie.

Basta, Sra. Cree!

O Tribunal ir� interromper os trabalhos para almo�o!

Algu�m veio do jornal "Era"?

Estou � espera de uma encomenda.

Nenhuma encomenda.

Apenas isto.

John Cree.

N�o tivemos sorte na obten��o de uma amostra da caligrafia do Cree

dos antigos patr�es dele, receio, senhor.

N�o guardam os artigos dos jornalistas.

Mas... havia um retrato mais recente.

E pedi aos Arquivos todos os arquivos sobre o Gissing e o Marx.

Muito bem. Veja se t�m algo sobre o Leno.

05 de Setembro de 1880.

Era uma bela noite brilhante...

e eu conseguia sentir um homic�dio a chegar.

Como era para ser o meu primeiro espect�culo,

decidi, por inspira��o, fazer uma visita ao local

dos homic�dios imortais de Ratcliffe Highway.

H� mais de meio s�culo, neste local sagrado,

uma fam�lia inteira foi enviada para a eternidade

por um homem chamado John Williams.

Um homem que Thomas De Quincey descreveu

como um artista de habilidade requintada.

E, ainda assim, o local do seu maior trabalho foi profanado

por um vendedor de roupa em segunda m�o.

Receio que estejamos fechados, senhor.

Desculpe.

A porta estava aberta.

N�o importa.

Sem d�vida que regressarei.

Mas, eu era um principiante, um substituto.

Ainda n�o estava pronto para o grande palco.

Um artista deve aperfei�oar o seu of�cio,

e esta noite, eu come�aria com um pequeno ensaio privado.

- Gin? - N�o acha que j� bebeu o suficiente?

Quero-a acordada.

Ou, ent�o, perder� toda a divers�o.

Senti que ela suspeitava do meu jogo desde o in�cio

e se ofereceu de bom grado,

entusiasmada por saber que o mundo

em breve seria for�ado a enfrentar a desgra�a do seu tipo.

Retirei-lhe os olhos caso

a minha imagem estivesse impressa neles,

e lavei o sangue das minhas m�os com gin

no penico dela.

O meu primeiro desempenho estava conclu�do.

Sra. Cree? Sou o Inspector Kildare, da Scotland Yard.

Creio que est� aqui para me repreender

- pela minha sinceridade em Tribunal. - Pelo contr�rio,

aplaudo-a por isso.

� demasiado f�cil imaginar que aqueles

que aproveitaram o sucesso

nunca conheceram o sofrimento.

Bem, para citar o grande Dan Leno, "aqui estamos outra vez".

Receio n�o ser frequentador dos teatros musicais.

Ele retrata o sofrimento das mulheres.

O meu g�nero habitua-se � injusti�a.

Esperamo-la.

At� que possamos saud�-lo apenas com um encolher de ombros.

Entendi que ele era um c�mico.

A linha entre a com�dia e a trag�dia � muito t�nue.

N�o me disse porque est� aqui.

Desejo dizer-lhe que sei porque � que poder� ter tido

uma boa raz�o para envenenar o seu marido.

Por favor, senhor, estou rouca de repetir.

N�o haver� qualquer confiss�o. A minha alega��o est� feita.

Sra. Cree, n�o estou designado para o seu caso.

Estou aqui porque o seu marido � suspeito...

noutra quest�o.

Qual quest�o?

Foi encontrado um di�rio.

Gostaria de comparar a caligrafia com a dele.

Poder� ter alguma coisa a ver com aquilo que ele escreveu?

- Os seus pap�is... - Ele queimou-os, sim.

Sra. Cree, se o seu marido for considerado culpado de cometer um homic�dio,

a sua alega��o de suic�dio ganha peso.

- Compreende? Poder� ficar livre. - Homic�dio?

Estou a investigar um conjunto de mortes.

Os chamados "Homic�dios do Limehouse Golem".

N�o pode honestamente pensar que o meu marido seria capaz de tais coisas?

N�o me cabe a mim dar uma opini�o.

Apenas... sigo os factos.

O jornal disse que foi o seu primeiro caso de homic�dio.

� uma fraca oportunidade que recebe.

Perd�o?

Eu queria ser uma actriz s�ria, sabe.

Tamb�m tive a minha oportunidade uma vez.

Eles n�o lhe dar�o outra.

Por isso � que gostaria de ajud�-la.

N�o precisa de fingir qualquer interesse em mim.

N�o h� nada fingido nisto.

Foi criada na crueldade e, no entanto, tornou-se altiva e orgulhosa.

Isso �...

pouco frequente.

A minha m�e fez-me o enorme favor de morrer jovem.

Fui criada nos teatros musicais.

Quer comprar doces, Miss?

Ent�o! Sai daqui!

- Que pe�a. - Foi.

Est� quase a acabar, amor. Volta amanh�.

Muito bem, entre.

Ainda consegues apanhar o Leno se fores r�pida.

Deus nos aben�oe.

Muito bem, vamos l�!

Que bons modos.

T�o bons modos!

Sinto-me como se estivesse num ch� da tarde.

Por favor, o rabo de boi gelatinizado esta noite custa tr�s "pence".

Sem mais demora,

posso apresentar o homem do momento,

Sr. Dan Leno!

Aqui estamos outra vez!

Mam�!

Mais!

Tartes, tartes, tartes, tartes.

Todos est�o a precisar muito de tartes. Vou-te dizer, querida.

Vendo que est�s aqui outra vez, s� uma boa menina.

D� uma ajuda ao Tio.

Cuidado com isto. Demasiado bom para deixar cair.

Como a mulher gr�vida disse � parteira!

Aqui tens, Vic.

- Um pouco daquilo que gostas. - Tarte!

John John.

Aveline, querida, quente e bom, tal como tu gostas.

Mas... n�o t�o grande.

Obrigada, Tio.

- A �ltima � para si, Sr. Leno. - Sr. Leno, n�o �?

Encontrou-a na mercearia, Tio?

Ela �, certamente, verde.

Ent�o, ent�o, meninas.

- Como � que te chamas? - Lizzie, senhor.

Lambeth Marsh Lizzie.

Bem me parecia que estava a sentir o cheiro a metano.

N�o deixes que elas te fa�am de idiota. �, apenas, a forma delas ser.

E chama-me Dan.

Este � o Tommy Farr,

gerente do teatro e zelador do dinheiro.

Por falar nisso, devemos-te algo pelo teu trabalho.

O que � que, pelo amor de Deus, eles te puseram a fazer

naqueles p�ntanos?

Cavar sepulturas.

Passaram-se cinco anos antes de eu descobrir

que era suposto utilizarmos uma p�.

Gosto desta.

- Sabes ler? - Como uma nativa.

Toma.

"O que � a fama?"

"Uma vida de fantasia na boca de outro".

"Uma coisa para al�m de n�s, mesmo at� antes da nossa morte".

"Tudo aquilo que sentimos come�a e acaba no pequeno c�rculo...

dos nossos inimigos e amigos".

Esta � a minha frase favorita.

Alexander Pope.

- Andas � procura de trabalho, Lizzie? - Sim.

O nosso ponto fugiu como um "lion comique".

E n�o ser� tudo facilidades.

Haver� trabalho bra�al, mas, o pagamento � decente

e ter�s um lugar nos aposentos com as dan�arinas.

O que � que me dizes?

Como � que descreveria a sua

rela��o com o Dan Leno?

�ramos amigos, senhor.

E ele era... o meu mentor.

Protegeu-me.

"N�o, Sra. Killian"...

Onde � que aprendeste a ler e escrever...

se n�o foste � escola?

Com a B�blia da minha m�e, suponho.

E por falar em livros...

Olha...

- Obrigada. - O qu�?

J� terminaste?

� o segundo esta semana!

Acho que os livros podem ser o meu primeiro amor.

E sempre ouvi dizer que que o primeiro amor � insaci�vel.

Que se lixe a escrita de novas piadas,

eles podem ter a leiteira esta noite outra vez e gostar.

Quero-te mostrar uma coisa.

- Onde � que vamos? - J� vais ver.

Uma sala inteira?

Cheia de livros?

Cada cent�metro.

As pessoas v�m aqui apenas para ler?

Para ler. Aprender. Criar.

� como... uma grande fornalha.

Quer dizer, o futuro est� a ser forjado aqui.

Escritores, fil�sofos, homens de ci�ncia.

At� aos humildes palha�os como eu.

A mesa das senhoras est� no andar de cima.

Muito obrigada, bom senhor.

Nunca foram mais do que amigos?

N�o, senhor.

Acredito que ele se sentiu o meu protector.

A Acusa��o deseja recordar o Tribunal

que o Sr. Leno foi recentemente interrogado

em associa��o com os homic�dios do "Limehouse Golem".

Protesto, Merit�ssimo!

Ordem! Ordem!

Inspector Kildare!

Kildare!

Porque � que eu n�o fui informado

que o Dan Leno tinha sido, previamente, um suspeito?

Diga-me, Kildare.

Veio em todos os jornais.

Mas, n�o nas informa��es que voc� me deu.

Bem, ele foi eliminado da investiga��o.

O relat�rio est� na minha secret�ria algures.

N�o pensou em coloc�-lo nos seus arquivos?

As ruas de Londres est�o vermelhas de sangue,

e voc� preocupa-se com papelada?

Teria sido um bom pol�tico, Kildare,

n�o fosse voc� o tema de tanta...

especula��o.

Eu n�o lia isso.

Tudo mentiras vergonhosas.

A pobre mulher falava de infort�nio e crueldade

e voltaram isto contra ela.

Faz-me ferver o sangue.

Parece que o seu amado Leno n�o era, na verdade, um suspeito.

O meu amado?

Que homem n�o gosta do Dan Leno?

Um que n�o se importa com os teatros musicais?

Bem, arrisco dizer que n�o viu os espect�culos certos, senhor.

Se um dia quiser uma recomenda��o...

Ele foi interrogado em rela��o � vestimenta da Alice Stanton.

Uma etiqueta costurada identificou-a como sendo dele.

- Uma vestimenta para o palco. - Ent�o, ele conhecia-a?

"O Leno declarou que o vestido fazia parte

de uma remessa de vestimentas para o palco

que tinha vendido um ano antes

a um fornecedor de roupas em segunda m�o".

E, aparentemente, ele apresentou um recibo que o comprovou.

Bem, ent�o, foi apenas uma coincid�ncia.

Talvez.

Como � talvez o facto

do fornecedor de roupas em segunda m�o

ser o falecido Sr. Gerrard,

assassinado em Ratcliffe Highway.

Dev�amos obter uma amostra da caligrafia dele.

Pois. E podemos descobrir o que � que aconteceu �quele vestido?

N�o estava com as restantes provas.

Vou averiguar isso, senhor.

Porque � que n�o me disse que interrogou o Dan Leno?

N�o o fiz. Embora devesse.

No Tribunal, disseram que o interrogou.

Eu n�o. Antes de me juntar ao caso.

Ent�o, ele � um suspeito ou n�o?

Acha que deveria ser?

Por favor, n�o brinque comigo.

N�o pretendo!

O "Golem" ainda est� em liberdade.

Desperdi�ar o meu tempo pode custar vidas.

Salvo se tiver raz�o acerca do meu marido.

Se o "Golem" j� n�o existir, ent�o, ningu�m est� em risco.

Al�m do seu...

N�o precisa de ser enforcada, Sra. Cree.

Por favor, chame-me Lizzie.

Apenas... ajude-me a ajud�-la.

N�o lhe posso dizer aquilo que n�o sei.

Apenas pe�o que me diga aquilo que faz.

Por onde devo come�ar?

Talvez pela forma como conheceu o John Cree.

O Jim � muito parcial comigo!

Embora nunca tenha dito uma palavra.

Neste momento, est� hospedando com a Sra. Kelly.

Conhece a Sra. Kelly?

N�o conhece a Sra. Kelly?

Valha-nos Deus, n�o fa�a essa cara t�o simples.

Todos conhecem a Sra. Kelly.

Estou a ir r�pido demais para ti, querida?

Voc� imita, eu escrevo.

Ela � muito cruel... a Sra. Kelly.

Comprar� meia d�zia de ostras

e com�-las-� � frente do espelho para que pare�am uma d�zia.

E...

"Vi-a tirar uma moeda da bolsa no outro dia,

e juro

que vi a Rainha Victoria a piscar os olhos

perante a luz do Sol?"

Essas combina��es j� est�o passadas a ferro?

�ptimo.

Ent�o, podes vir aqui e ajudar-me a vestir.

- Vai-te lixar, Victor. - Ent�o, querida.

Sabes que n�o consigo ver da fila de tr�s,

- e adoro um acto duplo. - Victor, fora, fora!

- Vamos. - �, apenas, uma piada, Dan.

Atende, est� bem, Lizzie.

Deve ser o jornalista para a minha entrevista.

Voc� � nova.

Lizzie. J� a vi antes, n�o � verdade?

Trabalha para o "Era".

Sou um dramaturgo, mas, sim, na verdade,

o "Era" coloca-me comida na mesa.

Por enquanto.

John Cree.

Vamos?

- O habitual para todos? - Sim, por favor, querida.

- E tu, querida? - Uma batata assada.

N�o queres um pouco de carne esta noite, Lizzie?

O que foi, Dan? Ela deve ter mais de 16 anos.

N�o, n�o devo.

Ent�o, Lizzie, qual � o seu acto?

Por favor, diga.

Chama-se "Pequena Lizzie, a Faz-Tudo".

Sim, fa�o todo o tipo de piadas com um ferro

e uma pilha de roupas �ntimas.

- Parece-me extraordin�rio. - E �.

Ela est� a gozar contigo, John.

Ela quer dizer que � o ponto.

Hoje mais cedo estava a comentar que pode ser uma boa comediante.

Ela tem jeito para isto, n�o tem, Tio?

Diga isso outra vez.

Ela tem jeito para isto, n�o tem, Tio?

Obrigado.

N�o sei onde � que colocaste isso tudo, Victor.

Deves ter pernas ocas.

Aguento tanto como o pr�ximo homem, muito obrigado.

Derrama um pouco numa caneca, far�s uma enorme porcaria.

Disparates. Sou perfeitamente saud�vel.

Uma pessoa de car�cter vencer� sempre, como dizem,

mas, sei onde pode utilizar uma boa pessoa.

O que � que, em nome de Deus, se passa aqui?

Nada.

A Lizzie pisou-me o p� sem querer.

N�o foi nada.

Vou levar a Lizzie a casa.

Este n�o � um local para uma jovem rapariga inocente.

Ent�o, cavalheiros. N�o foi nada.

Como o carrasco disse ao enforcado.

Vou... lev�-la.

N�o precisa. Posso caminhar sozinha.

- N�o, n�o quero saber. - Por favor, a sua comida vai arrefecer.

Ficarei perfeitamente bem. Os aposentos s�o mesmo ao virar da esquina.

Ent�o, regressarei rapidamente.

Tem cuidado, Victor.

- O John Cree tem um feitio pr�prio. - N�o tenho medo dele.

Lizzie...

Receio que tenha...

p�ssimas not�cias.

O Victor foi encontrado ao fundo das escadas a noite passada.

Lizzie...

Est�-me a tentar dizer que suspeitou do John Cree?

Eu n�o disse isso. Apenas disse que ele era protector.

Disse o mesmo acerca do Dan Leno.

Voc� parece inflamar o impulso nos homens.

Ele era um sacaninha terr�vel.

Mas, ele era o nosso terr�vel sacaninha.

� isso...

anime-se.

Sugeri que transform�ssemos

o espect�culo desta noite num tributo especial.

Vamos dar-lhe uma grande despedida,

n�o vamos?

- J� falou disto ao John? - N�o.

Nunca falei disto a ningu�m.

Preferi atribuir as culpas ao destino.

Preferiria dever a sua felicidade � simples sorte

ou a um acto de viol�ncia indescrit�vel?

A morte do pequeno Victor trouxe-lhe felicidade?

A morte do pequeno Victor deu-me vida.

As pessoas atravessam as portas e riem-se.

Dan, esperava que limpasse o traseiro com os jornais.

- Voc� n�o os l�. - Dan?

Acha que tamb�m posso apresentar as minhas condol�ncias ao pequeno Victor tamb�m?

Valha-nos Deus.

Que coisa engra�ada.

Que coisa engra�ada.

Apenas uma pequena can��o.

Uma triste talvez, o Victor gostaria disso.

Um acto do marinheiro de �gua salgada, como se eu fosse um homem.

- Pode ser um grito. - For�a, ent�o, Lizzie.

Experimenta.

Essa vestimenta n�o � um bocado pequena para ti, querida?

Essa � a quest�o.

Desculpem-me...

Fa�a-o outra vez!

Lizzie, repete!

Eles querem mais!

N�o tenho mais nada.

Tens o p�blico na m�o!

Olhem para estas malditas luvas de algod�o?

Aquela �gua salgada consegue encolher qualquer coisa.

Pelo menos � isso que as senhoras nas docas me dizem.

N�o sei, apenas olhei para as luvas e elas pareciam

t�o absurdas que a fala apareceu-me assim do nada.

"Aquelas malditas luvas de algod�o!" Pode ser o teu chav�o.

N�o � preciso mergulhares assim tanto na tristeza.

Eles adoraram. Adoraram tudo.

Eles adoram-te. E quem � que n�o adoraria.

- Tio! - Cuidado, Tio.

Com a Lizzie naqueles trajes,

qualquer um que estivesse a olhar poderia pensar que est� de olho nos mi�dos.

Bem, deixa-os pensar aquilo que quiserem.

Mais bebidas, por favor!

O pequeno Victor n�o iria querer que nenhum de n�s

permanecesse de p� ao fim da noite.

Estou cansada, receio.

Leve-me a casa, pode ser, John?

Voltarei.

Porque � que ainda tem a sua vestimenta de palco vestida?

Esperava que mantivesse os homens afastados.

Prefere as raparigas, Lizzie?

N�o h� nada de errado se preferir.

Ent�o, n�o precisa de fazer alguma coisa do nada.

- Veste-se como uma rapariga. - Sim, no palco.

Bem, se realmente se importa,

talvez tenha gostado da forma como me senti em palco.

Importo-me.

Preocupo-me em v�-la feliz.

Esta noite...

Esta noite, pareceu-me feliz.

Ainda precisamos das amostras de caligrafia

do Marx, do Gissing e do Leno.

Falou outra vez com a criada?

Com a Aveline Ortega? Sim, senhor.

N�o quer ouvir uma palavra dita contra ele.

Mostrou-lhe as entradas do di�rio?

Jurou que a caligrafia n�o era a dele.

Se o Cree fosse nosso "Golem", certamente faria sentido

que ele destru�sse os seus pap�is.

E Deus sabe que, como dramaturgo falhado,

o Cree deve ter ficado doente ao ver a sua famosa esposa

ganhar a aten��o de Londres.

- Quer outra? - Est� a tentar embebedar-me?

Uma caneca de cerveja, por favor.

Foi uma piada. N�o quis dizer nada.

N�o foi minha inten��o ofender.

Estou...

do seu lado.

N�o � o "Golem" que o assombra, pois n�o?

� ela.

Ela ser� enforcada, Flood.

Temos que eliminar os outros suspeitos.

Bem, posso ter encontrado uma testemunha ocular

em Limehouse, senhor.

"Largue-me! Largue-me!"

N�o est�s em apuros.

Vou levar-te a algu�m que consiga traduzir.

Percebeste?

Est� �... a Irm� Mary.

"A minha m�e j� me vendeu".

"H� um indiv�duo que ficar� comigo no meu anivers�rio".

A crian�a diz que n�o est� � venda.

A m�e arranjou um indiv�duo para ficar com ela

no seu pr�ximo anivers�rio.

N�o, n�o, por favor.

Diga-lhe que o meu colega lhe mostrou umas fotografias,

suspeitos num crime.

Ela pareceu reconhecer um deles.

Precisamos de saber onde e quando � que ela o viu.

Senhor, aqui era onde o Solomon Weil morava!

O erudito, a terceira v�tima.

- Em que n�mero � que ele... - N�mero 4.

Este homem?

Fam�lias morrem de fome nas ruas.

As mulheres s�o usadas e descartadas e voc�...

Anda a perseguir um indiv�duo que luta pelo povo.

N�o est� apto para limpar as botas de um homem como o Karl Marx.

Ent�o...

Londres declara que o judeu foi assassinado

por um monstro judeu?

E, ent�o, absolve-se de toda e qualquer responsabilidade.

N�o se enganem, cavalheiros, n�o foi o Solomon Weil

que foi mutilado e assassinado aqui.

Foi o judeu.

Nenhuma das outras v�timas do "Golem" era hebreu, senhor.

Mas, ser� que n�o v�?

Este assassino atinge os pr�prios s�mbolos da cidade...

O judeu, a prostituta.

S�o tributos ao sacrif�cio...

neste labirinto que � Londres.

E, ent�o, claro, devem ser massacrados ritualmente.

O que � que deseja que escreva?

O "Morning Herald"...

recusou-se a criticar minha a estreia.

Tanto trabalho para nada.

Decidi que, desta vez, daria um espect�culo

em que toda a gente repararia.

Um bom acto de abertura

que agrade a todos.

E acabei por criar um espect�culo

que nenhum espectador jamais esqueceria.

"Foi demasiado f�cil matar uma prostituta".

"Esta noite, regressaria para matar o judeu".

Isto � absurdo.

N�o foi voc� que fez isto.

Claro que n�o.

Concordaria com a r�...

que, nas semanas anteriores � sua morte,

o Sr. Cree parecia "m�rbido"?

N�o, senhor.

Ele estava de bom humor.

E como � que descreveria as rela��es

entre o Sr. Cree e a esposa?

N�o eram especialmente boas, senhor.

Eles viam-se muito pouco.

E, mesmo assim, a Sra. Cree insistiu

em preparar-lhe uma bebida nocturna?

Isso mesmo, senhor.

E ouviu o Sr. Cree expressar suspeitas

que ela poderia ter baptizado esta bebida com algo?

Nem por isso.

Embora mesmo antes da sua morte,

os tenha ouvido a discutir.

Ouvi o Sr. Cree dizer...

"Sua desgra�ada. "Foste tu que fizeste isto".

Ela bem poderia ter colocado o n� no meu pesco�o pessoalmente.

Dever� deixar perfeitamente claro ao o j�ri que havia inimizade

entre ambos.

Ci�mes rom�nticos.

Nunca me coloquei entre eles.

Tenho a certeza que os meus sentimentos relativos � intimidade

s�o perfeitamente claros para si neste momento.

O John era livre para cortejar a Aveline se assim o desejasse.

Mas, o cora��o estava fixo em si.

N�o fiz nada para o incentivar.

A minha carreira como actriz tinha arrancado. Raramente o via.

E depois...

sem qualquer aviso, ele convidou-me para jantar.

O seu novo espect�culo � tremendo.

Sentimo-nos pessimamente por importunar. Simplesmente, adoramo-la.

Obrigado.

Obrigado. Vou adorar isto.

Muito obrigado.

- N�o posso acreditar. - Que surpresa!

Como estava a dizer, cheguei o fim do primeiro acto

de "Misery Junction".

Mas, n�o consigo decidir o que fazer

com a minha hero�na depois,

e... pensei que me poderia aconselhar.

Sinto-me lisonjeada.

O nome da hero�na � Katherine Dove.

Quando comecei, tinha-a internada num asilo,

mas, agora, coloquei-a a remendar velas nas docas.

A minha m�e morreu quando eu era jovem.

Problemas nos rins.

Foi t�o r�pido.

�rf� e sozinha aos 14 anos.

A Katherine Dove � �rf�?

Pode ser.

Mas, ainda n�o me disse o que fazer com ela

- no final do primeiro acto. - Qual � o seu dilema?

De momento...

ela est� muito perto da salva��o e da ru�na,

e pergunto-me se a deverei salvar.

Sim.

Fa�a com que ela se torne bem-sucedida.

Amada pelo seu p�blico.

Mas... ela est� muito sozinha.

A viver em aposentos teatrais, numa situa��o prec�ria.

� uma vida de degrada��o.

Vamos.

As pessoas adoram ver a degrada��o no palco.

� para isso que pagam.

Pois, mas, esperam ver um final feliz.

E a Katherine merece um protector.

Merece.

O gerente dela talvez.

Algu�m gentil, como o Tio.

N�o, um personagem idoso, o p�blico saberia

que ele n�o viveria para a acompanhar na velhice.

Um amigo, ent�o.

Um comediante, talvez.

Gostaria de lhe dar um pretendente.

Algu�m que se preocupe muito com o bem-estar dela.

Um salvador.

O que � que lhe parece?

Acho que a Katherine Dove saber� cuidar de si pr�pria.

Na tigela. Sim, aqui vamos n�s.

Para fora. Isso mesmo.

Gin.

Aqui.

Meu Deus.

Acho que lesionei as minhas costas

a carreg�-la escadas acima.

Vejo que decidiu vestir-se como uma mulher esta noite.

N�o posso usar uma vestimenta de palco para jantar, posso?

N�o seria a primeira vez.

Cuidado com esse, Lizzie.

N�o o engane...

salvo se estiver preparada para ser arrastada para dentro.

Ele ofereceu-me o papel principal em "Misery Junction".

Esperar� algo em troca.

N�o precisa dele, Lizzie.

Conseguiu tudo sozinha.

Posso fazer mais.

Posso ser uma actriz verdadeira.

Mostrar ao mundo aquilo que pessoas

como n�s podem fazer.

Apenas... preciso de uma oportunidade.

Aqui estamos... as duas caras mais famosas em palco,

e voc� sugere que o mundo conspira para nos oprimir.

Lembra-se do livro que me emprestou?

O Pope? No templo da fama...

os nomes de algumas pessoas s�o esculpidos

em pedra e outros em gelo.

N�s somos palha�os, Dan.

Seremos esquecidos.

Se acha que um homem como o John Cree vai mudar isso,

n�o tenho f�lego para argumentar.

E sabe que ela tem um fraquinho por ele.

E quaisquer que sejam os seus defeitos, ela � fam�lia.

E cuidamos uns dos outros, n�o � verdade?

O grande final � o enforcamento.

Temos uma forca de tamanho real.

Utilizarei este arn�s, escondido,

e, depois, cairei directamente no al�ap�o ali.

Tal como num enforcamento verdadeiro.

Lizzie, tem a certeza que � seguro, esta geringon�a?

N�o vai utilizar um n� verdadeiro, pois n�o?

O n� � verdadeiro,

mas, a queda � amortecida pelo arn�s.

Onde � que est� a Lizzie?

L� em cima, a dar ao John Cree uma entrevista para o "Era".

� isso que lhe chamam?

Vou l� em cima dizer-lhe para se despachar.

A pe�a � uma porcaria, mas, uma porcaria c�mica,

de uma forma que, apenas, a nossa maravilhosa companhia consegue fazer.

O Dan escreveu-a. � baseada nos

homic�dios de Ratcliffe Highway, em 1811.

- John Williams. - Perd�o?

O nome do assassino era John Williams.

Certo. Mas, muito dela � fic��o.

� tudo muito divertido e terrivelmente sangrento.

Deve dizer isso aos seus leitores.

O Dan diz que todos adoram sangue nos dias de hoje.

Vamos terminar, John.

Ela nem sequer est� pronta e estar� no palco daqui a 10 minutos.

N�o podemos permitir que a estrela se atrase na sua primeira actua��o.

O Dan ainda � a estrela. Sempre ser�.

Pareceu-me sentir as orelhas a arder.

- Algu�m verificou a seguran�a? - Claro.

N�o deixaria nada acontecer � nossa Lizzie, pois n�o?

- Como � que est� o p�blico? - Excelente.

Um grande n�mero de judeus.

Acredito que � um dos feriados deles.

Devia falar com eles em i�diche.

Eles v�o adorar.

Desejar-lhes...

"Meesa meschina".

Bem-vindos, cora��es corajosos, a uma noite de horror.

A nossa pe�a est� prestes a come�ar,

mas, primeiro, senhoras e senhores,

e aqueles que n�o est�o associados a

uma certa hist�rica ra�a escolhida,

posso desejar a todos do fundo do meu cora��o

meesa meschina.

Isso � mashugana!

Porque � que disse isso?!

O que � que aconteceu?

A Lizzie desejou aos judeus uma morte s�bita!

Aqui estamos outra vez!

Foi, apenas, uma brincadeira, Lizzie.

Voltei imediatamente para ver se estava bem.

E, depois disso, come�ou a namorar?

Ao fim de algum tempo.

Nunca poderia amar o John o suficiente para lhe dar

aquilo que ele realmente queria.

Mas, acabou por am�-lo?

Eu queria participar na pe�a dele.

Ele queria a gratifica��o de tirar uma pobre rapariga carente

da mis�ria e salv�-la.

N�s utilizamo-nos mutuamente.

Talvez seja o melhor que pode ser dito sobre qualquer casal.

� uma vis�o pouco inteligente.

Se � isso que procura, certifique-se que o pede a um comediante.

O vestido da Alice Stanton finalmente apareceu.

Guardado no s�tio errado, como tudo o resto aqui.

Esteve na pris�o outra vez?

Mais alguma coisa sobre o Cree?

Apenas que era um idiota manipulador

que gostava de se imaginar como um salvador.

Referia-me ao nosso caso.

O "Golem". Lembra-se dele?

O Cree sabia do assassino John Williams.

Todavia, aparentemente, tamb�m o Dan Leno.

Na verdade, o Leno escreveu toda uma pe�a sobre o sujeito.

O suspeito "Golem" que est� vivo. Isso seriam m�s not�cias.

- Para a pr�xima v�tima dele, claro. - E para si.

Ou j� n�o se importa com aquilo que acontece � sua carreira?

Tenho um trabalho a fazer e estou a faz�-lo.

- E que trabalho seria esse? - Cuidado com a forma como fala, Flood.

Preciso de lhe relembrar a sua posi��o?

Isso pode ser �til.

Porque h� alturas em que me sinto confuso

se estamos aqui para encontrar o "Golem"

ou para salvar a Elizabeth.

Talvez fa�amos ambos!

Quem sabe...

Meu Deus, de quantos bolsos � que o Leno precisava?

Ele atira coisas para a multid�o.

Doces. Flores. Roupas �ntimas.

Parece hilariante.

O Roberts n�o esvaziou o conte�do?

Foi o Gabinete do M�dico-Legista que o fez.

Porqu�? Esqueceram-se de alguma coisa?

Gower Place, n� 8?

Porque � que sei disso?

Talvez porque a devamos visitar.

� a morada do George Gissing.

A esposa dele deu-lhe um �libi para a noite

dos homic�dios em Ratcliffe Highway,

mas, ela parecia apreciar uma bebida.

Temos que falar com o Sr. Gissing, Madame.

O George n�o est� aqui. Acabou de sair.

Sabe para onde � que ele vai?

Limehouse, talvez?

Ainda n�o.

Estou interessado em ver para onde � que ele vai.

Que neg�cios � que um erudito poder� ter nas ruas de Limehouse.

Senhora, somos da Scotland Yard.

Somos, apenas, uma farm�cia.

V�-se embora! Verifique o meu cadastro!

Os nossos assuntos s�o com o Sr. Gissing,

o homem que acabou de entrar, n�o consigo.

Bom cliente.

Guarda o seu trabalho aqui.

Sempre a trabalhar. A escrever.

Sr. Gissing, sou o Detective-Inspector Kildare

da Scotland Yard.

Talvez possa explicar como � que isto veio a estar

na posse de uma mulher assassinada.

Receio que encontre a minha morada nos bolsos

de in�meras mulheres nesta zona, senhor.

A minha esposa, Nell, tem o h�bito de... desaparecer.

Dou a minha morada para que

possam entrar em contacto comigo se a virem.

Digamos, apenas, que a minha esposa costumava fazer parte do mesmo neg�cio.

N�o parece nada surpreendido.

Porqu�?

Que um cavalheiro como eu, um erudito,

se tenha casado com uma mulher perdida.

Porque � que algu�m ficaria surpreendido?

O mundo est� cheio de homens como voc�, Sr. Gissing.

Perd�o?

Homens que fingem generosidade quando aquilo que realmente procuram

s�o felicita��es.

Homens que fingem ser Deus salvando vidas.

Ser� mesmo assim t�o diferente, imagino,

fingir ser Deus, levando-os?

N�o sou nenhum assassino, senhor.

Ent�o, talvez escreva as palavras que lhe irei ditar?

Vamos fazer isto.

10 de Setembro de 1880.

A minha estreia p�blica...

teve cr�ticas favor�veis.

Mal podia esperar para come�ar a trabalhar

na minha pr�xima cria��o,

mas, havia tempo para passar antes da escurid�o,

ent�o, visitei a loja em Ratcliffe Highway.

Comprei alguns bot�es de punho � esposa do dono.

Podia dizer que, quando a hora chegasse,

ela seria uma boa actriz na minha obra-prima.

Voc� n�o � o judeu da biblioteca.

Bem.

N�o importa.

Quem � voc�? O que � que pretende?

Vim falar consigo.

Sobre a morte e a vida eterna.

Aqui...

jaz o segredo.

Foi aqui que li sobre o m�tico "Golem",

um hom�nculo de barro a quem o Homem deu vida.

Como � que um londrino poderia deixar de se deliciar

neste teatro?

At� me poderia ver a aparecer perante

o pr�ximo infeliz com um ma�o de madeira na m�o

a exclamar, "aqui estamos novamente".

Posso ir agora?

O qu�?

Sim, desculpe.

Porque � que ainda estaria a pensar em mim?

A minha caligrafia n�o corresponde. Sabe que sou inocente.

Eu sei. Estava a ler aquilo que escreveu.

Pensava em si. Sinto muito.

Algo que deixei passar.

Entendo. O que �?

Uma frase do di�rio.

"Comprei alguns bot�es de punho � esposa do dono".

Em 10 de Setembro,

o "Golem" efectuou uma compra na loja em Radcliffe Highway.

Uma nova produ��o do "Barba Azul"

estreia este fim de semana,

e toda a Londres anseia

ver o grande Dan Leno a actuar nela.

Mas, sei que eles anseiam por emo��es mais poderosas.

Esta � uma pantomima...

na sua forma mais pura.

Posso me consigo ver a aparecer

perante o pr�ximo infeliz,

com um ma�o de madeira na m�o, a exclamar,

Aqui estamos outra vez!

Que estranha coincid�ncia e prazer descobrir,

nas ruas de Limehouse,

uma prostituta a vestir uma roupa

da qual me recordo bem.

Ela era uma actriz � espera de um papel.

Claro, eu ajudei-a.

O p�blico ansiou pelo pr�ximo cap�tulo.

E nunca se deve deixar uma audi�ncia � espera.

Temos que esquecer o Cree e concentrarmo-nos no Leno.

O Golem at� se imaginou a dizer: "aqui estamos outra vez".

Eu sei, mas, aparentemente todos conhecem o chav�o do Leno.

Temos o vestido da Alice Stanton

e o facto que ele conhecia o Sr. Gerrard.

Fazemos todos parte da "tape�aria" de Londres.

�s vezes, as linhas cruzam-se.

Valha-nos Deus!

Dev�amos comprar bilhetes.

Ficaria intrigado para ver como termina.

Posso recomendar espect�culos muito melhores.

Estava a dizer uma piada, Flood.

Como eu. Obviamente.

Quem gostaria de ver algo de t�o mau gosto?

Parece que o apetite de Londres pelo horror n�o conhece limites.

O nosso "Golem" estava, sem d�vida, correcto acerca isso.

Bluey, por favor!

Tem piedade!

N�o como h� v�rios dias!

�s um homem gentil, Bluey!

Nunca deveria ter dito que n�o �s bom para mim.

Pensei que morreria � fome.

O que � que est�s aqui a fazer, querido?!

Estou a fazer o meu tratamento m�dico.

O teu tratamento?!

O m�dico disse-me para fazer uma caminhada todos os dias

de est�mago vazio.

Trouxe o recibo, como me pediu no seu telegrama.

Como ver�, n�o comprei bot�es de punho.

Um chap�u de senhora.

Muitas vezes compro roupas para actuar na pequena loja do Gerrard.

Que Deus o tenha.

Conhecia-o bem.

Agora, mencionou que precisava de uma amostra da minha caligrafia.

Bem, trouxe um monte dos meus antigos pap�is.

Por favor, fique com quantos precisar.

Receio necessitar que produza uma amostra

na minha presen�a, Sr. Leno.

Ent�o, permitir-me-� que lhe fa�a uma visita

� Scotland Yard, amanh� � tarde?

Tenho um compromisso para jantar.

E ainda preciso de me livrar disto tudo.

Se voc�... Perd�o?

Talvez possamos continuar

a falar enquanto est�...

Tenho algumas perguntas que lhe queria fazer

sobre o John Cree.

Ent�o, tentarei respond�-las.

Embora nunca se deva falar mal dos mortos.

N�o se importava com o homem?

Fui amistoso com a esposa dele. Ele fazia-a infeliz.

Pode extrapolar o resto.

Quando � que o viu pela �ltima vez?

Na primeira noite da sua pe�a, "Misery Junction",

que, por acaso, tamb�m foi a noite de encerramento.

Eu sei. Viu-o depois?

Claro.

Este � o meu teatro.

Assumi a gest�o no ano passado quando...

O Tio se juntou � grande pantomima no c�u.

A actua��o foi aqui?

Por causa da Lizzie.

Independentemente daquilo que se tenha passado com a nossa amizade,

sempre seremos fam�lia.

- O John Cree � suspeito? - N�o posso dizer.

Um suspeito p�stumo.

O que � que far�? Ir� desenterr�-lo para o julgamento?

Sabe porque � que a Lizzie poder� estar

relutante em levantar alguma suspeita?

Acha que ela o est� a proteger?

Esse � um novo ponto de vista.

A maioria acredita que ela o envenenou.

E voc�?

De qualquer forma, esse homem foi o autor da sua pr�pria morte.

Ele, praticamente, destruiu-a.

Insistindo que ela desistisse do palco...

Quer dizer, ele tamb�m pode ter acabado com a vida dela.

Acha que ele era capaz de acabar com uma vida?

Literalmente, digo.

Quem sabe o que qualquer homem � capaz?

Todos n�s usamos m�scaras de pantomima,

n�o � verdade?

Desculpe, preciso mesmo de me vestir agora.

Primeiro, fale-me do pequeno Victor.

Se as injusti�as do passado lhe interessam,

seria melhor que investigasse a morte do Tommy Farr.

Tio?

Tio.

Disseram que o j�ri espera

chegar a um veredicto esta tarde.

Eu sei. Lizzie...

Parece que a imprensa j� chegou ao dela.

Lizzie, falei com o Dan.

Ele insistiu que eu investigasse a morte do Tio.

Se queria saber algo sobre o Tio,

devia, simplesmente, ter perguntado.

Venha para a sala de estar.

Como a aranha disse � mosca...

N�o � assim?

A rima?

Pode ser, Lizzie.

Pode ser.

- Sandu�che de pepino? - N�o, obrigada.

Esqueci-me.

N�o gosta muito de pepino, pois n�o?

Do que � que isto se trata, Tio?

Porque � que me convidaste?

Quero mostrar-te algo.

Bem, fecha os olhos.

Boa menina.

�, apenas, a minha divers�o, Lizzie.

Gosto de uma boa sova de vez em quando.

N�o gostamos todos?

Eu conhe�o-a.

Essa � a rapariga que ajudava o Grande Bolini.

Costumava ser serrada a meio.

� ela, linda.

Que magn�fica artista.

Mas... � uma pena que tenha precisado de sair da Companhia.

Porque � que me mostraste isto?

N�o te armes em inocente comigo.

N�o estou a faz�-lo. Sou mesmo.

Bem, ficaria grato se me pudesses fazer a vontade, Lizzie,

com uma pose, um quadro.

Talvez uma pequena sova?

Prefiro ser destru�da primeiro.

Estou preparada para esquecer esta visita.

Bem, como disse, � uma pena que ela tenha precisado de sair.

Fartou-se de actuar.

Nunca se livraria de mim.

O Dan nunca o permitiria.

Bem, acho, como zelador do dinheiro,

que posso fazer aquilo que quiser.

Agora, guarde o meu segredo

e guardarei o seu.

N�o tenho segredos.

Ter� dentro de momentos.

Ele disse que deverei regressar no pr�ximo domingo

e todos os domingos depois.

Para fazer o mesmo outra vez?

H� fotografias.

John, tinha que falar sobre isto a algu�m.

Isto � monstruoso, Lizzie!

N�o podes dizer a ningu�m.

Irei acabar com isto.

Mas, primeiro...

desejo fazer isto.

Ele roubou-lhe a honra.

Deixe-me restaur�-la.

O Tio morreu tr�s dias depois do John o confrontar.

O Tio n�o era jovem.

Tinha um cora��o fraco e um certo gosto pela bebida.

N�o � isso que o Dan Leno pensa.

Acha que o John chantageou o Tio para mudar o testamento

e, depois, matou-o.

500 libras e a m�quina fotogr�fica.

Parece que dei uma excelente sova.

Voc� n�o quer ser salva, pois n�o?

N�o por mim.

N�o por nenhum homem.

N�o mere�o ser salva.

- John, n�o posso. - O qu�? Como assim?

Somos marido e mulher agora, Lizzie.

- Eu sei. - Tr�s anos eu esperei.

Tr�s anos de namoro e um maldito noivado sem fim.

N�o � por minha culpa que a temporada

foi prolongada at� � P�scoa.

Preferia que passasse a nossa noite de n�pcias a fazer de Aladino?

Parece que agora essa op��o

dificilmente seria diferente.

Por favor, John, apenas tente entender.

N�o, entenda voc�!

John, por favor, n�o gosto disso.

N�o pe�o gratid�o por tudo aquilo que fiz por si.

Apenas pe�o que cumpra os seus deveres de esposa.

O que � que est� aqui a fazer?

Ol�.

- Ol�. - Ol�.

Terei um novo contrato elaborado amanh�, John John.

- Mas, n�o se preocupe. - Lizzie!

Lizzie.

Ora, ora.

Se n�o � a Sra. John Cree.

Tr�s meses de vida conjugal e j� sente falta

- do clamor do teatro. - Disparates.

Estive demasiado ocupada para sentir falta de algo.

Que disparate!

A Pequena Lizzie sem p�blico.

N�o deve deixar que este homem mande em si.

O John est� perfeitamente feliz com o facto de eu ir actuar.

Ainda terei o papel principal em "Misery Junction".

Ora, Lizzie.

Aquele homem tem tanto medo do fracasso

que nunca ir� termin�-la.

Est� a escrever todos os dias na biblioteca.

Est� quase completa.

Estou a diz�-lo como amigo, Lizzie.

Esque�a "Misery Junction". Esque�a o John.

Se quiser o seu nome gravado em pedra,

ter� que pegar no cinzel voc� mesma.

Ent�o, a que devemos o prazer?

Na verdade, estou aqui para ver a Aveline.

Tenho uma proposta para si, querida.

Preciso de uma criada.

Eu?

Deve estar a brincar.

Posso oferecer-lhe o dobro do sal�rio semanal que ganha aqui.

Aquilo que necessito � de algu�m que me ajude a carregar o peso...

dos meus deveres conjugais.

Meu Deus, Lizzie.

Sabe como � que est� a correr a pe�a do John?

Muito bem, diz-me ele.

Sabe, n�o precisa...

de lhe preparar a bebida da noite, Lizzie.

- Eu posso faz�-lo. - Preparo uma para mim.

N�o d� mais trabalho preparar duas.

Ficaria feliz em fazer ambas.

Posso levar a sua aos seus aposentos

antes de levar a do John.

- Que diabo faz aqui? - Devo perguntar o mesmo,

porque sei aquilo que � n�o est� a fazer,

e isso � escrever.

Porque � que me disse que "Misery Junction" n�o est� acabada,

quando mal a come�ou?

Est� quase completa. Apenas parei por enquanto.

Parou?

Apoio-a financeiramente.

Permito que satisfa�a todas as suas necessidades!

N�o me castigue sobre a minha maldita pe�a,

se aquilo que verdadeiramente a irrita � a Aveline.

Porque � que isso me irritaria?

V� para casa, Lizzie.

Deixe-me acabar a minha pesquisa.

A sua pesquisa?

Sobre qu�?

A minha pe�a.

A minha nova pe�a.

Mas... e a "Misery Junction"?

Fartei-me da Katherine Dove.

H� um papel nela para mim?

N�o, Lizzie. N�o h�.

Voc� � uma senhora agora,

e o palco n�o � lugar para uma senhora.

Actuou sem a minha permiss�o e isso foi mal recebido.

"Misery Junction" deixa a plateia na mis�ria, na verdade.

Engra�ado como as cr�ticas selvagens s�o aquelas

das quais se lembra palavra por palavra?

Mais! Mais!

Tio, por favor.

Voc� roubou-me a honra! Sou inocente!

Deseja ser um homem?

Apenas finja que sou uma mulher!

� a Lizzie que eles est�o a gozar, John.

N�o � a sua pe�a.

Voc� mente! Isto n�o era para mim!

Foi para si!

Quer provar o seu valor como actriz,

sua prostituta ego�sta, e at� nisso falhou!

Voc� � o fracasso.

- C�us! - Viu?

Onde est� � que est� o salvador agora, John?

Voc� � como todos os homens.

Mais uma palavra da sua boca

e irei torcer o seu pesco�o miser�vel!

John, v� para casa.

A minha pe�a estava inacabada e voc� destruiu-a!

Destruiu-me e a minha reputa��o!

Voc� n�o tem reputa��o! Quem � que acha que �?

N�o � ningu�m, John, ningu�m, e nunca ser�!

Saia daqui, John.

Fora!

Olhem para voc�s. S�o palha�os.

Palha�os sem valor.

Voc�s ser�o esquecidos, n�o eu.

N�o eu.

- John? - Continue.

- John. - Despache-se!

John.

John!

Aquela noite de estreia, em 05 de Setembro,

levou-o at� ao limite, mas... n�o ao suic�dio.

Levou-o a provar ao mundo que era um artista.

Naquela noite, o "Golem" fez a sua primeira matan�a,

e acha que a culpa � sua.

Est� a colocar palavras na minha boca.

Porqu� esta dan�a, Lizzie?

Porque � que n�o admite que ficou a saber,

ou, pelo menos, a suspeitar, daquilo que ele se tornou?

Se isto � uma dan�a, � voc� quem a est� a conduzir.

Deixe-me ler-lhe a �ltima entrada.

Ratcliffe Highway foi uma demonstra��o de for�a.

E como um actor pode levar para casa

um programa como recorda��o,

ent�o, regressei com um xaile encharcado de sangue

pertencente � esposa do vendedor de roupas.

Na noite seguinte, com medo de ser descoberto,

arrisquei destru�-lo,

e esse foi o meu erro.

John, est� em casa. N�o o ouvi entrar.

N�o foram feitas perguntas, nem quaisquer recrimina��es.

Creio que um castigo caseiro me possa estar planeado.

J� n�o me sinto seguro sob o meu pr�prio tecto.

N�o posso continuar assim.

Envenenou-o, n�o foi?

Lizzie, ou�a-me. Temos alguns minutos.

Ainda pode mudar a sua alega��o. Confesse.

F�-lo porque sabia aquilo que ele era.

F�-lo porque temia pela sua vida.

Juro-lhe que ter� a simpatia do j�ri.

N�o quero a simpatia deles.

Porque � que n�o merece reden��o?

Porque o matou ou porque acredita

que criou um monstro?

Aquilo que mere�o � viver livremente,

e na morte ser recordada pelos meus feitos,

n�o como a esposa que envenenou o marido,

com o meu nome ligado ao dele para sempre.

Sra. Cree.

Enquanto essa hip�tese existir, n�o tenho outra escolha

a n�o ser... agarrar-me a ela.

O j�ri j� chegou a um veredicto?

Sim, Merit�ssimo.

Como � que o juiz declara a r�?

Culpada.

Ordem! Ordem!

Elizabeth Cree, ir� regressar � pris�o

e levada de l� para um local de execu��o,

onde, �s 10:00 de amanh� cedo,

ser� enforcada pelo pesco�o at� que esteja morta.

Que o Senhor tenha piedade da sua alma.

Inspector Kildare, Scotland Yard.

Preciso de um momento com ela, por favor.

Voc� n�o merece isto.

Serei enforcada amanh� �s 10:00.

N�o. N�o o deixarei acontecer.

O John Cree era um assassino.

Pretendo prov�-lo e apelar ao seu perd�o.

O mundo precisa de saber a verdade.

Gostaria que desmascarasse o "Golem".

Este � o seu momento, a sua oportunidade.

Gostaria que ficasse com isso.

Desculpe, senhor. Temos que sair.

N�o temos muito tempo.

O manuscrito da "Misery Junction" est� escrito � m�o.

O Dan ainda o pode ter.

Vou impedir isto. Prometo.

Sua maldita...

Aqui estamos outra vez!

A Lizzie pagou o aluguer do teatro.

Aconselhei-a a n�o o fazer, mas, ela foi inflex�vel.

E n�o foi um sucesso.

Isso � a vers�o ligeira da coisa.

Ent�o... seja como for.

Quase nenhum bilhete foi vendido,

mas, a Lizzie insistiu numa casa cheia,

ent�o, foi para �s ruas e distribuiu-os pelos pobres.

Aqui est�.

"Misery Junction".

Foi impressa.

N�o tenho o manuscrito original, receio.

� pr�tica habitual mant�-lo arquivado,

salvo se o autor o pedir de volta, algo que n�o fez.

Arquivado... onde?

O bibliotec�rio concordou em abrir cedo, senhor.

Deve estar aqui a qualquer momento.

Espero que sim.

Ela ser� enforcada �s 10:00.

Lizzie!

Lizzie!

- Lizzie. - Estou pronta.

Mas, isto � muito estranho. Devia estar aqui.

Algu�m o pode ter retirado?

N�o, salvo se o fizeram agora mesmo.

- R�pido, a porta. - Senhor!

Largue-me! N�o fiz nada de errado.

Ent�o... talvez nos possa dizer porqu� tanta pressa para pegar nisto?

Pretendo reescrev�-la, senhor.

Exigir uma produ��o.

Uma hist�ria actual e interessante sobre a Lizzie Cree.

Agora que ela ser� enforcada, ser� um sucesso.

A s�rio? Ent�o, � uma escritora agora,

- n�o � verdade, Miss Ortega? - N�o, senhor.

Mas... n�o exigir� muito trabalho.

Foi a hist�ria da vida dela, afinal de contas.

A minha ideia � come�ar a pe�a na forca,

e, depois, retroceder todos os passos que a levaram at� l�.

N�o posso deixar de pensar que a introdu��o de um marido assassino

possa ser popular.

Disse tudo aquilo que sei, senhor.

O John � inocente.

C�us!

Voc�s � que ser�o esquecidos!

Eu n�o.

Est� na hora?

N�o h� ningu�m aqui.

Quase nunca admitem o o p�blico estes dias, Sra. Cree.

S� para os mais odiados.

Por favor, n�o. Tem que me ajudar.

Por favor. Diga-lhes para esperar.

- O Inspector Kildare vem a�. - Sinto muito.

N�o pode ir mais r�pido?

A pris�o est� perto.

Eu sei!

N�o, devemos esperar por ele, por favor.

Isto est� errado! Ele provar�!

Imploro-lhe, um pouco mais!

Sinto muito.

Vamos!

A passar.

Calma, senhor.

- Para quem est� aqui? - Elizabeth Cree.

Diga-me que n�o cheguei demasiado tarde.

Est�o a lev�-la l� para baixo. O mais r�pido que puder.

Chame o juiz!

Pare! Pare!

N�o me agrade�a ainda.

Tudo aquilo que me deram foi uma hora

para falar com o juiz.

Ainda preciso de convenc�-lo a reduzir-lhe a senten�a.

N�o fique taciturno. Voc� tem o "Golem".

O mundo saber� a hist�ria verdadeira e � voc�...

que saber� todos os cap�tulos, quem ir� cont�-la.

Tem a minha gratid�o. Sempre.

E voc� a minha.

Lizzie, Lizzie, n�o.

Consegue acreditar que o John Cree foi capaz de tais ac��es?

Garanto-lhe. N�o tenha d�vidas.

Ent�o... vamos acabar com isto.

Eis aquilo que ir� escrever.

Sou a Elizabeth Cree e, em Setembro deste ano,

fiquei a saber que o meu marido era o "Golem" de Limehouse.

Tudo aquilo que precisa de fazer � dizer a verdade.

Nunca lhe disse nada al�m da verdade, Kildare.

Ter� o seu momento... e eu o meu.

No templo da fama, os nossos nomes ser�o escritos lado a lado,

em pedra, para sempre.

Quem esteve aqui no dia 24 de Setembro?

Havia quatro homens na sala de leitura naquele dia,

mas, n�o h� forma de saber

aquilo que algu�m leu ou quando � que o leu.

John. Est� em casa. N�o o ouvi entrar.

N�o foram feitas perguntas, sem quaisquer recrimina��es.

Creio que um castigo caseiro me possa estar planeado.

J� n�o me sinto seguro sob o meu pr�prio tecto.

N�o posso continuar assim.

Ainda assim, t�nhamos um acordo para guardar os segredos de ambos.

E voc� n�o guardou o meu, pois n�o?

Pergunto-me o que devo fazer com o seu.

Acho que deve lev�-lo para o t�mulo.

Sr. Gerrard, senhor?

Annie?

Eu sei, eu sei.

Poucos pensariam que uma mulher seria capaz de tal arte.

Aqui estamos outra vez!

Chegou demasiado tarde?

Isto...

Isto �, provavelmente, a �ltima coisa que pretende,

mas... esperam por si no andar de baixo.

Est� prestes a ser o her�i de Londres, John.

Sei o quanto se preocupou com ela.

Apenas...

saiba qu�o grato ela estaria que o mundo

soubesse qu�o miser�vel o seu marido realmente era.

N�o s� como assassino,

mas, como homem que tentou negar-lhe

tudo aquilo que ela queria ser.

Foi voc� quem lhe salvou a honra.

A mem�ria dela.

Ela gostaria que ficasse com isto.

N�o! Devemos esperar por ele. Por favor!

Isto � errado, ele ir� prov�-lo!

Imploro-lhe, s� mais um pouco!

Eu...

N�o acredito que o Inspector Kildare volte.

- N�o sou uma envenenadora. - Acredito em si.

Sou muito mais.

Devemos emitir o nosso relat�rio completo

sobre o John Cree dentro de uma hora, senhores.

Bem... parece que o espect�culo tem que continuar.

Os londrinos podem dormir sossegados...

nas suas camas outra vez.

O "Golem" j� era.

Inspector! Inspector.

Algum coment�rio sobre a sua promo��o, senhor?

- �ltimas palavras? - Aqui estamos outra vez!

Vamos come�ar, meus amigos,

pelo fim.

N�o o verde, querida, o vermelho.

A m�e n�o fica doente at� � cena 4.

Algu�m verificou a seguran�a?

Pegue nela em peso. Pegue...

O que � que se passa?

Ela est� a respirar?

Temos que voltar l�.

Voc� � a m�e da Lizzie agora.

Eu serei a Lizzie.

Lizzie!

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