Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Croatian
Czech
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Vamos come�ar, meus amigos...
pelo fim.
John?
John!
Ele n�o deixou nada?
Nenhum... bilhete?
Se ele quisesse envenenar-se,
porque � que n�o deixaria, pelo menos, um bilhete?
Receio que o acto de queimar os seus pap�is
� demonstra��o suficiente do seu estado de esp�rito.
Sra. Cree? Perdoe-me...
Sei que n�o � a hora nem o local,
mas... posso dizer que sou um ardente admirador do seu trabalho?
Verifiquei a cozinha, senhor.
Isto foi tudo que encontrei.
Receio que seja isto.
Havia res�duos num copo na mesinha de cabeceira.
N�o pode estar l�, senhor.
A sua bebida nocturna foi sempre preparada pela Sra. Cree.
Aveline...?
Voc� n�o lhe preparou a bebida?
Certamente, n�o me est� mesmo a perguntar
se envenenei o meu marido?
Senhor, acredite em mim, ela n�o pode ter feito isto!
Os dois estiveram envolvidos numa enorme discuss�o ontem!
Porque � que ela prepararia uma bebida ao Sr. Cree,
quando nem sequer se falavam?
Aveline, o que � que lhe deu?
Senhor, por favor, permita-me que explique.
Sinto muito, Sra. Cree.
Precisar� de fazer isso na Scotland Yard.
Uma mulher acusada de envenenar
o seu marido.
Mas... n�o � uma mulher qualquer.
Pequena Lizzie,
a querida dos teatros musicais.
Mas, a cidade estava dominada...
pelo tem�vel "Golem" de Limehouse.
Quem era ele?
Quem seria a sua pr�xima v�tima?
O Golem tinha atacado pela �ltima vez
no dia anterior � deten��o dela.
E seu era o nome...
nos l�bios de todos os londrinos.
Quantas est�o mortas?
Cinco.
O lojista Sr. Gerrard, a sua esposa Mary,
a criada deles... e os dois filhos dos Gerrard.
N�o �... n�mero 29.
- 19, Ratcliffe Highway? - O que � que tem?
Os homic�dios em Ratcliffe Highway? John Williams?
� um pouco antes do meu tempo.
E do meu! Foi h� 70 anos!
Inspector Roberts!
Pode confirmar que este � um trabalho do Golem?
O que � que se passa com esta casa?
Acha que pode estar amaldi�oada, senhor?
Senhores, senhores, por favor!
Pedia-vos que dirigissem...
os vossos pedidos ao meu colega,
Detective-Inspector Kildare. Ele vai assumir o caso.
Kildare? Como � que se soletra isso?
A assumir?
Estou, apenas, a afastar-me, n�o a demitir-me.
O p�blico procura tranquilidade, Kildare.
Que melhor forma de lha proporcionar que dando-lhes sangue novo?
Est� com medo de substituir o grande Sr. Roberts?
Pode confirmar que este � um trabalho do Golem?
Quantas mais pessoas precisam de morrer antes do Golem ser apanhado?
Cocheiro!
Detective Roberts!
Inspector Kildare, � verdade...
que este � o seu primeiro caso de homic�dio?
Inspector Kildare!
Kildare!
Afaste-se. Para tr�s.
Sabe se eles ir�o...
mostrar os corpos hoje, senhor?
Afaste-se, senhor.
A criada foi encontrada ali.
Havia pegadas quando chegou? Pegadas do "Golem"?
Metade de Limehouse j� estava aqui.
Quais v�timas foram encontradas ali?
Nenhuma. O pr�prio Golem mexeu nesta.
- O Sr. ou a Sra. Gerrard. - Mais provavelmente ele.
Se a criada foi morta primeiro,
ele investigaria o dist�rbio.
- Onde � que est� o corpo dela agora? - Levamo-lo para cima, senhor.
Pelo menos l�, podemos manter a plebe longe.
- Aqui em baixo � uma causa perdida. - N�o podem ser todos jornalistas.
N�o. Os habitantes locais andam � procura de divers�o.
� mais barato que um bilhete para uma pe�a de teatro.
�s vezes, suspeito que se fosse enviado para o Inferno,
mal notaria a mudan�a, excepto a temperatura.
Este � o Inspector Kildare.
- Vai assumir o lugar do Roberts. - Senhor.
Pode dizer a este idiota para me deixar subir?
Sou do "Evening Post"!
Esta � a criada?
Sinto muito.
Nunca vi nada deste tipo.
Nem eu.
"Aquele que observa n�o derrama menos sangue
que aquele que inflige o golpe".
Lactantius.
Impressionante, senhor.
A verdade tem o h�bito de permanecer na mente.
A verdade?
Aqueles que falham na preven��o da injusti�a
s�o t�o culpados como o criminoso.
� um recado...
para n�s.
Provas... o caso do John Cree.
O envenenamento.
Que semana a sua!
Primeiro, o Golem de Limehouse, agora isto.
Ouvi dizer que o Inspector Kildare andava a perguntar por si.
Sim.
N�o sei aquilo que ele que queria. Estou-me sempre a desencontrar dele.
Bem, foi correcto dar-lhe o caso Golem, acho eu.
Ele j� teria ultrapassado muito o Roberts neste momento,
se aqueles boatos n�o o tivessem prejudicado.
Sabe...
Que ele n�o era do tipo de se casar.
Homens.
� antes do seu tempo, suponho.
Entre.
Recebi o seu recado, senhor.
V�o-me atribuir um agente.
Pensei em algu�m cujo conhecimento de Limehouse
pudesse ser uma vantagem.
Quando n�o me disseram nada,
pensei que talvez a oferta n�o fosse apelativa.
Vim c� duas vezes, senhor. Voc� estava fora.
Estava em Limehouse. � procura de testemunhas.
Sem sucesso.
- O que � que anda � procura? - Apenas procuro.
- Estou a tentar compreender. - O Golem � um louco.
O que mais h� para ser compreendido?
At� a loucura tem a sua pr�pria l�gica.
Aqui n�o h� nenhuma.
Em Ratcliffe Highway, ele massacrou toda uma casa.
Na semana anterior, uma prostituta. Alice Stanton.
Antes disso, Solomon Weil.
Era um homem velho... um erudito.
Meu Deus.
- Isto � o... - Sim.
Em cima das p�ginas abertas de um livro de folclore judeu,
como um marcador.
"A Lenda do Golem".
Foi assim que a imprensa soube do nome?
O assassino obviamente aprovou.
E quem foram os dois primeiros?
Ambas mulheres das ruas.
Lembro de ter lido sobre aquela.
- "Old Salty". - O nome dela era Jane Quig.
O quest�o � que n�o h� hist�ria para nenhum deles.
Homens, mulheres, jovens, velhos.
Judeus e Crist�os. Ricos e pobres.
- Talvez ele apenas goste de matar. - N�o.
Aposto que h� uma hist�ria a ser contada.
Se pudermos chegar ao seu n�vel
de maldi��o para compreend�-lo.
Se me permitir, senhor,
parece que foi desperdi�ado nos Roubos e Fraudes.
Estarei de regresso l� em breve,
se o Golem atacar outra vez. Esse parece ser o plano.
- Como assim? - A Pol�cia est�-se a preparar para
me transformar num bode expiat�rio.
Eles n�o arriscar�o Roberts, pois n�o? Eu sou dispens�vel.
Preservam a reputa��o do "menino dourado" deles,
e o p�blico...
consegue sangue.
Bem, como disse em Limehouse...
parece que eles nunca se ir�o cansar disto.
"Ele que assiste". "Ele" n�o significa "n�s".
Significa o p�blico.
O p�blico quer sangue. O Golem fornece-o.
Sim!
Estou certo de que deve ser isso, senhor.
Est�?
Eu n�o.
Quer ir dar uma volta at� � biblioteca?
Essa cita��o. Sobre o anel gladiatorial?
A culpa do p�blico que procura sangue?
Bem, talvez tenha lido noutro lugar.
� citado numa velha pe�a pelo ensa�sta Thomas De Quincey.
Uma que imagino possa ser do interesse de um homem
- com o seu tipo de trabalho. - Qual � a pe�a?
"Homic�dio considerado como uma das Belas Artes".
Uma s�tira aos homic�dios em Ratcliffe Highway, em 1811.
Devemos falar com esse De Quincey?
Ele morreu h� 20 anos, Flood,
ent�o, isso pode ser um pouco...
O que �?
Deixado a apodrecer. Para matar uma prostituta.
Quem � que pediu este livro emprestado a �ltima vez?
Esta � uma sala de leitura, Inspector,
- n�o uma biblioteca local. - Ent�o, nada sai do edif�cio?
Mant�m um registo de presen�as?
Claro, mas, n�o h� forma de saber
o que � que algu�m leu ou quando o leu!
Quem esteve aqui no dia 24 de Setembro?
Havia quatro homens na sala de leitura naquele dia. Porqu�?
� a entrada final num di�rio que algu�m manteve
nas p�ginas deste livro.
- Voc� estava aqui? - Estou aqui todos os dias.
Ent�o, devo pedir-lhe uma amostra da sua caligrafia.
Precisarei do mesmo de todo o pessoal.
E esses quatro nomes, por favor?
Dan Leno?
E o Karl Marx e o George Gissing.
Se for um seguidor de filosofia e literatura.
O que � que sabe sobre o John Cree?
Senhor?
Se for o mesmo John Cree que estou a pensar,
acredito que est� morto.
Ponha o di�rio nos meus arquivos. Mantenha-o em seguran�a.
Descubra tudo aquilo que puder sobre o George Gissing,
Karl Marx e Dan Leno.
- Onde � que vai? - Investigar um morto.
Se ele era o Golem, os problemas de Londres acabaram.
E descreve o seu marido
como estando num estado de desespero...
nas semanas anteriores � sua morte, sim?
O meu marido passou v�rios anos
a escrever uma pe�a, Merit�ssimo,
chamada "Misery Junction".
N�o foi... um sucesso.
Acredito que nunca se recuperou disso.
E, apesar disso, ele continuava a passar cada dia na sala de leitura
no Museu Brit�nico, a ler e a escrever.
Uma mudan�a de humor e uma mudan�a de h�bitos
- s�o duas coisas diferentes. - No dia da sua morte,
o bibliotec�rio descreveu o seu marido
como estando de bom humor.
O meu marido era ex�mio em apresentar
uma cara falsa ao mundo, senhor.
E isso � algo que voc� entenderia,
n�o �, Sra. Cree?
A desempenhar...
um papel?
Eu costumava ser artista em teatros musicais,
- se � isso que quer dizer. - E o papel que...
desempenha aqui hoje, perante este tribunal?
O de uma respeit�vel e educada senhora.
� filha ileg�tima, n�o �?
Sim, senhor.
Quando crian�a, voc� remendou velas
e passou muito tempo com homens.
Posso garantir-lhe que era uma crian�a temente a Deus.
Uma inocente.
Fui encarregue pela minha m�e
de entregar as nossas velas nas docas.
Encontrar homens n�o era algo que pudesse evitar.
- Aqui est�, como nova. - Carregaste isto at� aqui?
Olhe para as tuas pobres m�os, Lizzie.
A minha m�e diz que sou feita para o teatro com essas m�os.
N�o te atrevas a fugir e a juntar-te ao teatro.
Estas velas n�o se ir�o consertar sozinhas.
Gosto de com�dia.
O Charlie vai-me levar a ver o Dan Leno um dia.
N�o vais, Charlie, quando eu for mais velha?
O Dan Leno nunca foi assim t�o simp�tico.
O Charlie ensinou-te isso?
N�o deixes que a tua m�e ou�a isso. Ela ir� matar-te.
O que � que isso significa?
Se quiseres, posso-te mostrar.
A minha m�e vai-me querer em casa,
se me der o nosso pagamento.
O dinheiro est� na minha cabana.
Porque � que demoraste tanto?
Um homem colocou-te as m�os em cima?
Sua mentirosa.
Eu cai.
Anda c�.
- O que � que eu fiz de errado? - M�e, n�o, por favor.
- N�o te ensinei o suficiente? - N�o, imploro-te!
Anda c�.
Queres que eu v� para o C�u, n�o queres?
Aquele lugar ir� manter-te longe do C�u, Lizzie.
Basta, Sra. Cree!
O Tribunal ir� interromper os trabalhos para almo�o!
Algu�m veio do jornal "Era"?
Estou � espera de uma encomenda.
Nenhuma encomenda.
Apenas isto.
John Cree.
N�o tivemos sorte na obten��o de uma amostra da caligrafia do Cree
dos antigos patr�es dele, receio, senhor.
N�o guardam os artigos dos jornalistas.
Mas... havia um retrato mais recente.
E pedi aos Arquivos todos os arquivos sobre o Gissing e o Marx.
Muito bem. Veja se t�m algo sobre o Leno.
05 de Setembro de 1880.
Era uma bela noite brilhante...
e eu conseguia sentir um homic�dio a chegar.
Como era para ser o meu primeiro espect�culo,
decidi, por inspira��o, fazer uma visita ao local
dos homic�dios imortais de Ratcliffe Highway.
H� mais de meio s�culo, neste local sagrado,
uma fam�lia inteira foi enviada para a eternidade
por um homem chamado John Williams.
Um homem que Thomas De Quincey descreveu
como um artista de habilidade requintada.
E, ainda assim, o local do seu maior trabalho foi profanado
por um vendedor de roupa em segunda m�o.
Receio que estejamos fechados, senhor.
Desculpe.
A porta estava aberta.
N�o importa.
Sem d�vida que regressarei.
Mas, eu era um principiante, um substituto.
Ainda n�o estava pronto para o grande palco.
Um artista deve aperfei�oar o seu of�cio,
e esta noite, eu come�aria com um pequeno ensaio privado.
- Gin? - N�o acha que j� bebeu o suficiente?
Quero-a acordada.
Ou, ent�o, perder� toda a divers�o.
Senti que ela suspeitava do meu jogo desde o in�cio
e se ofereceu de bom grado,
entusiasmada por saber que o mundo
em breve seria for�ado a enfrentar a desgra�a do seu tipo.
Retirei-lhe os olhos caso
a minha imagem estivesse impressa neles,
e lavei o sangue das minhas m�os com gin
no penico dela.
O meu primeiro desempenho estava conclu�do.
Sra. Cree? Sou o Inspector Kildare, da Scotland Yard.
Creio que est� aqui para me repreender
- pela minha sinceridade em Tribunal. - Pelo contr�rio,
aplaudo-a por isso.
� demasiado f�cil imaginar que aqueles
que aproveitaram o sucesso
nunca conheceram o sofrimento.
Bem, para citar o grande Dan Leno, "aqui estamos outra vez".
Receio n�o ser frequentador dos teatros musicais.
Ele retrata o sofrimento das mulheres.
O meu g�nero habitua-se � injusti�a.
Esperamo-la.
At� que possamos saud�-lo apenas com um encolher de ombros.
Entendi que ele era um c�mico.
A linha entre a com�dia e a trag�dia � muito t�nue.
N�o me disse porque est� aqui.
Desejo dizer-lhe que sei porque � que poder� ter tido
uma boa raz�o para envenenar o seu marido.
Por favor, senhor, estou rouca de repetir.
N�o haver� qualquer confiss�o. A minha alega��o est� feita.
Sra. Cree, n�o estou designado para o seu caso.
Estou aqui porque o seu marido � suspeito...
noutra quest�o.
Qual quest�o?
Foi encontrado um di�rio.
Gostaria de comparar a caligrafia com a dele.
Poder� ter alguma coisa a ver com aquilo que ele escreveu?
- Os seus pap�is... - Ele queimou-os, sim.
Sra. Cree, se o seu marido for considerado culpado de cometer um homic�dio,
a sua alega��o de suic�dio ganha peso.
- Compreende? Poder� ficar livre. - Homic�dio?
Estou a investigar um conjunto de mortes.
Os chamados "Homic�dios do Limehouse Golem".
N�o pode honestamente pensar que o meu marido seria capaz de tais coisas?
N�o me cabe a mim dar uma opini�o.
Apenas... sigo os factos.
O jornal disse que foi o seu primeiro caso de homic�dio.
� uma fraca oportunidade que recebe.
Perd�o?
Eu queria ser uma actriz s�ria, sabe.
Tamb�m tive a minha oportunidade uma vez.
Eles n�o lhe dar�o outra.
Por isso � que gostaria de ajud�-la.
N�o precisa de fingir qualquer interesse em mim.
N�o h� nada fingido nisto.
Foi criada na crueldade e, no entanto, tornou-se altiva e orgulhosa.
Isso �...
pouco frequente.
A minha m�e fez-me o enorme favor de morrer jovem.
Fui criada nos teatros musicais.
Quer comprar doces, Miss?
Ent�o! Sai daqui!
- Que pe�a. - Foi.
Est� quase a acabar, amor. Volta amanh�.
Muito bem, entre.
Ainda consegues apanhar o Leno se fores r�pida.
Deus nos aben�oe.
Muito bem, vamos l�!
Que bons modos.
T�o bons modos!
Sinto-me como se estivesse num ch� da tarde.
Por favor, o rabo de boi gelatinizado esta noite custa tr�s "pence".
Sem mais demora,
posso apresentar o homem do momento,
Sr. Dan Leno!
Aqui estamos outra vez!
Mam�!
Mais!
Tartes, tartes, tartes, tartes.
Todos est�o a precisar muito de tartes. Vou-te dizer, querida.
Vendo que est�s aqui outra vez, s� uma boa menina.
D� uma ajuda ao Tio.
Cuidado com isto. Demasiado bom para deixar cair.
Como a mulher gr�vida disse � parteira!
Aqui tens, Vic.
- Um pouco daquilo que gostas. - Tarte!
John John.
Aveline, querida, quente e bom, tal como tu gostas.
Mas... n�o t�o grande.
Obrigada, Tio.
- A �ltima � para si, Sr. Leno. - Sr. Leno, n�o �?
Encontrou-a na mercearia, Tio?
Ela �, certamente, verde.
Ent�o, ent�o, meninas.
- Como � que te chamas? - Lizzie, senhor.
Lambeth Marsh Lizzie.
Bem me parecia que estava a sentir o cheiro a metano.
N�o deixes que elas te fa�am de idiota. �, apenas, a forma delas ser.
E chama-me Dan.
Este � o Tommy Farr,
gerente do teatro e zelador do dinheiro.
Por falar nisso, devemos-te algo pelo teu trabalho.
O que � que, pelo amor de Deus, eles te puseram a fazer
naqueles p�ntanos?
Cavar sepulturas.
Passaram-se cinco anos antes de eu descobrir
que era suposto utilizarmos uma p�.
Gosto desta.
- Sabes ler? - Como uma nativa.
Toma.
"O que � a fama?"
"Uma vida de fantasia na boca de outro".
"Uma coisa para al�m de n�s, mesmo at� antes da nossa morte".
"Tudo aquilo que sentimos come�a e acaba no pequeno c�rculo...
dos nossos inimigos e amigos".
Esta � a minha frase favorita.
Alexander Pope.
- Andas � procura de trabalho, Lizzie? - Sim.
O nosso ponto fugiu como um "lion comique".
E n�o ser� tudo facilidades.
Haver� trabalho bra�al, mas, o pagamento � decente
e ter�s um lugar nos aposentos com as dan�arinas.
O que � que me dizes?
Como � que descreveria a sua
rela��o com o Dan Leno?
�ramos amigos, senhor.
E ele era... o meu mentor.
Protegeu-me.
"N�o, Sra. Killian"...
Onde � que aprendeste a ler e escrever...
se n�o foste � escola?
Com a B�blia da minha m�e, suponho.
E por falar em livros...
Olha...
- Obrigada. - O qu�?
J� terminaste?
� o segundo esta semana!
Acho que os livros podem ser o meu primeiro amor.
E sempre ouvi dizer que que o primeiro amor � insaci�vel.
Que se lixe a escrita de novas piadas,
eles podem ter a leiteira esta noite outra vez e gostar.
Quero-te mostrar uma coisa.
- Onde � que vamos? - J� vais ver.
Uma sala inteira?
Cheia de livros?
Cada cent�metro.
As pessoas v�m aqui apenas para ler?
Para ler. Aprender. Criar.
� como... uma grande fornalha.
Quer dizer, o futuro est� a ser forjado aqui.
Escritores, fil�sofos, homens de ci�ncia.
At� aos humildes palha�os como eu.
A mesa das senhoras est� no andar de cima.
Muito obrigada, bom senhor.
Nunca foram mais do que amigos?
N�o, senhor.
Acredito que ele se sentiu o meu protector.
A Acusa��o deseja recordar o Tribunal
que o Sr. Leno foi recentemente interrogado
em associa��o com os homic�dios do "Limehouse Golem".
Protesto, Merit�ssimo!
Ordem! Ordem!
Inspector Kildare!
Kildare!
Porque � que eu n�o fui informado
que o Dan Leno tinha sido, previamente, um suspeito?
Diga-me, Kildare.
Veio em todos os jornais.
Mas, n�o nas informa��es que voc� me deu.
Bem, ele foi eliminado da investiga��o.
O relat�rio est� na minha secret�ria algures.
N�o pensou em coloc�-lo nos seus arquivos?
As ruas de Londres est�o vermelhas de sangue,
e voc� preocupa-se com papelada?
Teria sido um bom pol�tico, Kildare,
n�o fosse voc� o tema de tanta...
especula��o.
Eu n�o lia isso.
Tudo mentiras vergonhosas.
A pobre mulher falava de infort�nio e crueldade
e voltaram isto contra ela.
Faz-me ferver o sangue.
Parece que o seu amado Leno n�o era, na verdade, um suspeito.
O meu amado?
Que homem n�o gosta do Dan Leno?
Um que n�o se importa com os teatros musicais?
Bem, arrisco dizer que n�o viu os espect�culos certos, senhor.
Se um dia quiser uma recomenda��o...
Ele foi interrogado em rela��o � vestimenta da Alice Stanton.
Uma etiqueta costurada identificou-a como sendo dele.
- Uma vestimenta para o palco. - Ent�o, ele conhecia-a?
"O Leno declarou que o vestido fazia parte
de uma remessa de vestimentas para o palco
que tinha vendido um ano antes
a um fornecedor de roupas em segunda m�o".
E, aparentemente, ele apresentou um recibo que o comprovou.
Bem, ent�o, foi apenas uma coincid�ncia.
Talvez.
Como � talvez o facto
do fornecedor de roupas em segunda m�o
ser o falecido Sr. Gerrard,
assassinado em Ratcliffe Highway.
Dev�amos obter uma amostra da caligrafia dele.
Pois. E podemos descobrir o que � que aconteceu �quele vestido?
N�o estava com as restantes provas.
Vou averiguar isso, senhor.
Porque � que n�o me disse que interrogou o Dan Leno?
N�o o fiz. Embora devesse.
No Tribunal, disseram que o interrogou.
Eu n�o. Antes de me juntar ao caso.
Ent�o, ele � um suspeito ou n�o?
Acha que deveria ser?
Por favor, n�o brinque comigo.
N�o pretendo!
O "Golem" ainda est� em liberdade.
Desperdi�ar o meu tempo pode custar vidas.
Salvo se tiver raz�o acerca do meu marido.
Se o "Golem" j� n�o existir, ent�o, ningu�m est� em risco.
Al�m do seu...
N�o precisa de ser enforcada, Sra. Cree.
Por favor, chame-me Lizzie.
Apenas... ajude-me a ajud�-la.
N�o lhe posso dizer aquilo que n�o sei.
Apenas pe�o que me diga aquilo que faz.
Por onde devo come�ar?
Talvez pela forma como conheceu o John Cree.
O Jim � muito parcial comigo!
Embora nunca tenha dito uma palavra.
Neste momento, est� hospedando com a Sra. Kelly.
Conhece a Sra. Kelly?
N�o conhece a Sra. Kelly?
Valha-nos Deus, n�o fa�a essa cara t�o simples.
Todos conhecem a Sra. Kelly.
Estou a ir r�pido demais para ti, querida?
Voc� imita, eu escrevo.
Ela � muito cruel... a Sra. Kelly.
Comprar� meia d�zia de ostras
e com�-las-� � frente do espelho para que pare�am uma d�zia.
E...
"Vi-a tirar uma moeda da bolsa no outro dia,
e juro
que vi a Rainha Victoria a piscar os olhos
perante a luz do Sol?"
Essas combina��es j� est�o passadas a ferro?
�ptimo.
Ent�o, podes vir aqui e ajudar-me a vestir.
- Vai-te lixar, Victor. - Ent�o, querida.
Sabes que n�o consigo ver da fila de tr�s,
- e adoro um acto duplo. - Victor, fora, fora!
- Vamos. - �, apenas, uma piada, Dan.
Atende, est� bem, Lizzie.
Deve ser o jornalista para a minha entrevista.
Voc� � nova.
Lizzie. J� a vi antes, n�o � verdade?
Trabalha para o "Era".
Sou um dramaturgo, mas, sim, na verdade,
o "Era" coloca-me comida na mesa.
Por enquanto.
John Cree.
Vamos?
- O habitual para todos? - Sim, por favor, querida.
- E tu, querida? - Uma batata assada.
N�o queres um pouco de carne esta noite, Lizzie?
O que foi, Dan? Ela deve ter mais de 16 anos.
N�o, n�o devo.
Ent�o, Lizzie, qual � o seu acto?
Por favor, diga.
Chama-se "Pequena Lizzie, a Faz-Tudo".
Sim, fa�o todo o tipo de piadas com um ferro
e uma pilha de roupas �ntimas.
- Parece-me extraordin�rio. - E �.
Ela est� a gozar contigo, John.
Ela quer dizer que � o ponto.
Hoje mais cedo estava a comentar que pode ser uma boa comediante.
Ela tem jeito para isto, n�o tem, Tio?
Diga isso outra vez.
Ela tem jeito para isto, n�o tem, Tio?
Obrigado.
N�o sei onde � que colocaste isso tudo, Victor.
Deves ter pernas ocas.
Aguento tanto como o pr�ximo homem, muito obrigado.
Derrama um pouco numa caneca, far�s uma enorme porcaria.
Disparates. Sou perfeitamente saud�vel.
Uma pessoa de car�cter vencer� sempre, como dizem,
mas, sei onde pode utilizar uma boa pessoa.
O que � que, em nome de Deus, se passa aqui?
Nada.
A Lizzie pisou-me o p� sem querer.
N�o foi nada.
Vou levar a Lizzie a casa.
Este n�o � um local para uma jovem rapariga inocente.
Ent�o, cavalheiros. N�o foi nada.
Como o carrasco disse ao enforcado.
Vou... lev�-la.
N�o precisa. Posso caminhar sozinha.
- N�o, n�o quero saber. - Por favor, a sua comida vai arrefecer.
Ficarei perfeitamente bem. Os aposentos s�o mesmo ao virar da esquina.
Ent�o, regressarei rapidamente.
Tem cuidado, Victor.
- O John Cree tem um feitio pr�prio. - N�o tenho medo dele.
Lizzie...
Receio que tenha...
p�ssimas not�cias.
O Victor foi encontrado ao fundo das escadas a noite passada.
Lizzie...
Est�-me a tentar dizer que suspeitou do John Cree?
Eu n�o disse isso. Apenas disse que ele era protector.
Disse o mesmo acerca do Dan Leno.
Voc� parece inflamar o impulso nos homens.
Ele era um sacaninha terr�vel.
Mas, ele era o nosso terr�vel sacaninha.
� isso...
anime-se.
Sugeri que transform�ssemos
o espect�culo desta noite num tributo especial.
Vamos dar-lhe uma grande despedida,
n�o vamos?
- J� falou disto ao John? - N�o.
Nunca falei disto a ningu�m.
Preferi atribuir as culpas ao destino.
Preferiria dever a sua felicidade � simples sorte
ou a um acto de viol�ncia indescrit�vel?
A morte do pequeno Victor trouxe-lhe felicidade?
A morte do pequeno Victor deu-me vida.
As pessoas atravessam as portas e riem-se.
Dan, esperava que limpasse o traseiro com os jornais.
- Voc� n�o os l�. - Dan?
Acha que tamb�m posso apresentar as minhas condol�ncias ao pequeno Victor tamb�m?
Valha-nos Deus.
Que coisa engra�ada.
Que coisa engra�ada.
Apenas uma pequena can��o.
Uma triste talvez, o Victor gostaria disso.
Um acto do marinheiro de �gua salgada, como se eu fosse um homem.
- Pode ser um grito. - For�a, ent�o, Lizzie.
Experimenta.
Essa vestimenta n�o � um bocado pequena para ti, querida?
Essa � a quest�o.
Desculpem-me...
Fa�a-o outra vez!
Lizzie, repete!
Eles querem mais!
N�o tenho mais nada.
Tens o p�blico na m�o!
Olhem para estas malditas luvas de algod�o?
Aquela �gua salgada consegue encolher qualquer coisa.
Pelo menos � isso que as senhoras nas docas me dizem.
N�o sei, apenas olhei para as luvas e elas pareciam
t�o absurdas que a fala apareceu-me assim do nada.
"Aquelas malditas luvas de algod�o!" Pode ser o teu chav�o.
N�o � preciso mergulhares assim tanto na tristeza.
Eles adoraram. Adoraram tudo.
Eles adoram-te. E quem � que n�o adoraria.
- Tio! - Cuidado, Tio.
Com a Lizzie naqueles trajes,
qualquer um que estivesse a olhar poderia pensar que est� de olho nos mi�dos.
Bem, deixa-os pensar aquilo que quiserem.
Mais bebidas, por favor!
O pequeno Victor n�o iria querer que nenhum de n�s
permanecesse de p� ao fim da noite.
Estou cansada, receio.
Leve-me a casa, pode ser, John?
Voltarei.
Porque � que ainda tem a sua vestimenta de palco vestida?
Esperava que mantivesse os homens afastados.
Prefere as raparigas, Lizzie?
N�o h� nada de errado se preferir.
Ent�o, n�o precisa de fazer alguma coisa do nada.
- Veste-se como uma rapariga. - Sim, no palco.
Bem, se realmente se importa,
talvez tenha gostado da forma como me senti em palco.
Importo-me.
Preocupo-me em v�-la feliz.
Esta noite...
Esta noite, pareceu-me feliz.
Ainda precisamos das amostras de caligrafia
do Marx, do Gissing e do Leno.
Falou outra vez com a criada?
Com a Aveline Ortega? Sim, senhor.
N�o quer ouvir uma palavra dita contra ele.
Mostrou-lhe as entradas do di�rio?
Jurou que a caligrafia n�o era a dele.
Se o Cree fosse nosso "Golem", certamente faria sentido
que ele destru�sse os seus pap�is.
E Deus sabe que, como dramaturgo falhado,
o Cree deve ter ficado doente ao ver a sua famosa esposa
ganhar a aten��o de Londres.
- Quer outra? - Est� a tentar embebedar-me?
Uma caneca de cerveja, por favor.
Foi uma piada. N�o quis dizer nada.
N�o foi minha inten��o ofender.
Estou...
do seu lado.
N�o � o "Golem" que o assombra, pois n�o?
� ela.
Ela ser� enforcada, Flood.
Temos que eliminar os outros suspeitos.
Bem, posso ter encontrado uma testemunha ocular
em Limehouse, senhor.
"Largue-me! Largue-me!"
N�o est�s em apuros.
Vou levar-te a algu�m que consiga traduzir.
Percebeste?
Est� �... a Irm� Mary.
"A minha m�e j� me vendeu".
"H� um indiv�duo que ficar� comigo no meu anivers�rio".
A crian�a diz que n�o est� � venda.
A m�e arranjou um indiv�duo para ficar com ela
no seu pr�ximo anivers�rio.
N�o, n�o, por favor.
Diga-lhe que o meu colega lhe mostrou umas fotografias,
suspeitos num crime.
Ela pareceu reconhecer um deles.
Precisamos de saber onde e quando � que ela o viu.
Senhor, aqui era onde o Solomon Weil morava!
O erudito, a terceira v�tima.
- Em que n�mero � que ele... - N�mero 4.
Este homem?
Fam�lias morrem de fome nas ruas.
As mulheres s�o usadas e descartadas e voc�...
Anda a perseguir um indiv�duo que luta pelo povo.
N�o est� apto para limpar as botas de um homem como o Karl Marx.
Ent�o...
Londres declara que o judeu foi assassinado
por um monstro judeu?
E, ent�o, absolve-se de toda e qualquer responsabilidade.
N�o se enganem, cavalheiros, n�o foi o Solomon Weil
que foi mutilado e assassinado aqui.
Foi o judeu.
Nenhuma das outras v�timas do "Golem" era hebreu, senhor.
Mas, ser� que n�o v�?
Este assassino atinge os pr�prios s�mbolos da cidade...
O judeu, a prostituta.
S�o tributos ao sacrif�cio...
neste labirinto que � Londres.
E, ent�o, claro, devem ser massacrados ritualmente.
O que � que deseja que escreva?
O "Morning Herald"...
recusou-se a criticar minha a estreia.
Tanto trabalho para nada.
Decidi que, desta vez, daria um espect�culo
em que toda a gente repararia.
Um bom acto de abertura
que agrade a todos.
E acabei por criar um espect�culo
que nenhum espectador jamais esqueceria.
"Foi demasiado f�cil matar uma prostituta".
"Esta noite, regressaria para matar o judeu".
Isto � absurdo.
N�o foi voc� que fez isto.
Claro que n�o.
Concordaria com a r�...
que, nas semanas anteriores � sua morte,
o Sr. Cree parecia "m�rbido"?
N�o, senhor.
Ele estava de bom humor.
E como � que descreveria as rela��es
entre o Sr. Cree e a esposa?
N�o eram especialmente boas, senhor.
Eles viam-se muito pouco.
E, mesmo assim, a Sra. Cree insistiu
em preparar-lhe uma bebida nocturna?
Isso mesmo, senhor.
E ouviu o Sr. Cree expressar suspeitas
que ela poderia ter baptizado esta bebida com algo?
Nem por isso.
Embora mesmo antes da sua morte,
os tenha ouvido a discutir.
Ouvi o Sr. Cree dizer...
"Sua desgra�ada. "Foste tu que fizeste isto".
Ela bem poderia ter colocado o n� no meu pesco�o pessoalmente.
Dever� deixar perfeitamente claro ao o j�ri que havia inimizade
entre ambos.
Ci�mes rom�nticos.
Nunca me coloquei entre eles.
Tenho a certeza que os meus sentimentos relativos � intimidade
s�o perfeitamente claros para si neste momento.
O John era livre para cortejar a Aveline se assim o desejasse.
Mas, o cora��o estava fixo em si.
N�o fiz nada para o incentivar.
A minha carreira como actriz tinha arrancado. Raramente o via.
E depois...
sem qualquer aviso, ele convidou-me para jantar.
O seu novo espect�culo � tremendo.
Sentimo-nos pessimamente por importunar. Simplesmente, adoramo-la.
Obrigado.
Obrigado. Vou adorar isto.
Muito obrigado.
- N�o posso acreditar. - Que surpresa!
Como estava a dizer, cheguei o fim do primeiro acto
de "Misery Junction".
Mas, n�o consigo decidir o que fazer
com a minha hero�na depois,
e... pensei que me poderia aconselhar.
Sinto-me lisonjeada.
O nome da hero�na � Katherine Dove.
Quando comecei, tinha-a internada num asilo,
mas, agora, coloquei-a a remendar velas nas docas.
A minha m�e morreu quando eu era jovem.
Problemas nos rins.
Foi t�o r�pido.
�rf� e sozinha aos 14 anos.
A Katherine Dove � �rf�?
Pode ser.
Mas, ainda n�o me disse o que fazer com ela
- no final do primeiro acto. - Qual � o seu dilema?
De momento...
ela est� muito perto da salva��o e da ru�na,
e pergunto-me se a deverei salvar.
Sim.
Fa�a com que ela se torne bem-sucedida.
Amada pelo seu p�blico.
Mas... ela est� muito sozinha.
A viver em aposentos teatrais, numa situa��o prec�ria.
� uma vida de degrada��o.
Vamos.
As pessoas adoram ver a degrada��o no palco.
� para isso que pagam.
Pois, mas, esperam ver um final feliz.
E a Katherine merece um protector.
Merece.
O gerente dela talvez.
Algu�m gentil, como o Tio.
N�o, um personagem idoso, o p�blico saberia
que ele n�o viveria para a acompanhar na velhice.
Um amigo, ent�o.
Um comediante, talvez.
Gostaria de lhe dar um pretendente.
Algu�m que se preocupe muito com o bem-estar dela.
Um salvador.
O que � que lhe parece?
Acho que a Katherine Dove saber� cuidar de si pr�pria.
Na tigela. Sim, aqui vamos n�s.
Para fora. Isso mesmo.
Gin.
Aqui.
Meu Deus.
Acho que lesionei as minhas costas
a carreg�-la escadas acima.
Vejo que decidiu vestir-se como uma mulher esta noite.
N�o posso usar uma vestimenta de palco para jantar, posso?
N�o seria a primeira vez.
Cuidado com esse, Lizzie.
N�o o engane...
salvo se estiver preparada para ser arrastada para dentro.
Ele ofereceu-me o papel principal em "Misery Junction".
Esperar� algo em troca.
N�o precisa dele, Lizzie.
Conseguiu tudo sozinha.
Posso fazer mais.
Posso ser uma actriz verdadeira.
Mostrar ao mundo aquilo que pessoas
como n�s podem fazer.
Apenas... preciso de uma oportunidade.
Aqui estamos... as duas caras mais famosas em palco,
e voc� sugere que o mundo conspira para nos oprimir.
Lembra-se do livro que me emprestou?
O Pope? No templo da fama...
os nomes de algumas pessoas s�o esculpidos
em pedra e outros em gelo.
N�s somos palha�os, Dan.
Seremos esquecidos.
Se acha que um homem como o John Cree vai mudar isso,
n�o tenho f�lego para argumentar.
E sabe que ela tem um fraquinho por ele.
E quaisquer que sejam os seus defeitos, ela � fam�lia.
E cuidamos uns dos outros, n�o � verdade?
O grande final � o enforcamento.
Temos uma forca de tamanho real.
Utilizarei este arn�s, escondido,
e, depois, cairei directamente no al�ap�o ali.
Tal como num enforcamento verdadeiro.
Lizzie, tem a certeza que � seguro, esta geringon�a?
N�o vai utilizar um n� verdadeiro, pois n�o?
O n� � verdadeiro,
mas, a queda � amortecida pelo arn�s.
Onde � que est� a Lizzie?
L� em cima, a dar ao John Cree uma entrevista para o "Era".
� isso que lhe chamam?
Vou l� em cima dizer-lhe para se despachar.
A pe�a � uma porcaria, mas, uma porcaria c�mica,
de uma forma que, apenas, a nossa maravilhosa companhia consegue fazer.
O Dan escreveu-a. � baseada nos
homic�dios de Ratcliffe Highway, em 1811.
- John Williams. - Perd�o?
O nome do assassino era John Williams.
Certo. Mas, muito dela � fic��o.
� tudo muito divertido e terrivelmente sangrento.
Deve dizer isso aos seus leitores.
O Dan diz que todos adoram sangue nos dias de hoje.
Vamos terminar, John.
Ela nem sequer est� pronta e estar� no palco daqui a 10 minutos.
N�o podemos permitir que a estrela se atrase na sua primeira actua��o.
O Dan ainda � a estrela. Sempre ser�.
Pareceu-me sentir as orelhas a arder.
- Algu�m verificou a seguran�a? - Claro.
N�o deixaria nada acontecer � nossa Lizzie, pois n�o?
- Como � que est� o p�blico? - Excelente.
Um grande n�mero de judeus.
Acredito que � um dos feriados deles.
Devia falar com eles em i�diche.
Eles v�o adorar.
Desejar-lhes...
"Meesa meschina".
Bem-vindos, cora��es corajosos, a uma noite de horror.
A nossa pe�a est� prestes a come�ar,
mas, primeiro, senhoras e senhores,
e aqueles que n�o est�o associados a
uma certa hist�rica ra�a escolhida,
posso desejar a todos do fundo do meu cora��o
meesa meschina.
Isso � mashugana!
Porque � que disse isso?!
O que � que aconteceu?
A Lizzie desejou aos judeus uma morte s�bita!
Aqui estamos outra vez!
Foi, apenas, uma brincadeira, Lizzie.
Voltei imediatamente para ver se estava bem.
E, depois disso, come�ou a namorar?
Ao fim de algum tempo.
Nunca poderia amar o John o suficiente para lhe dar
aquilo que ele realmente queria.
Mas, acabou por am�-lo?
Eu queria participar na pe�a dele.
Ele queria a gratifica��o de tirar uma pobre rapariga carente
da mis�ria e salv�-la.
N�s utilizamo-nos mutuamente.
Talvez seja o melhor que pode ser dito sobre qualquer casal.
� uma vis�o pouco inteligente.
Se � isso que procura, certifique-se que o pede a um comediante.
O vestido da Alice Stanton finalmente apareceu.
Guardado no s�tio errado, como tudo o resto aqui.
Esteve na pris�o outra vez?
Mais alguma coisa sobre o Cree?
Apenas que era um idiota manipulador
que gostava de se imaginar como um salvador.
Referia-me ao nosso caso.
O "Golem". Lembra-se dele?
O Cree sabia do assassino John Williams.
Todavia, aparentemente, tamb�m o Dan Leno.
Na verdade, o Leno escreveu toda uma pe�a sobre o sujeito.
O suspeito "Golem" que est� vivo. Isso seriam m�s not�cias.
- Para a pr�xima v�tima dele, claro. - E para si.
Ou j� n�o se importa com aquilo que acontece � sua carreira?
Tenho um trabalho a fazer e estou a faz�-lo.
- E que trabalho seria esse? - Cuidado com a forma como fala, Flood.
Preciso de lhe relembrar a sua posi��o?
Isso pode ser �til.
Porque h� alturas em que me sinto confuso
se estamos aqui para encontrar o "Golem"
ou para salvar a Elizabeth.
Talvez fa�amos ambos!
Quem sabe...
Meu Deus, de quantos bolsos � que o Leno precisava?
Ele atira coisas para a multid�o.
Doces. Flores. Roupas �ntimas.
Parece hilariante.
O Roberts n�o esvaziou o conte�do?
Foi o Gabinete do M�dico-Legista que o fez.
Porqu�? Esqueceram-se de alguma coisa?
Gower Place, n� 8?
Porque � que sei disso?
Talvez porque a devamos visitar.
� a morada do George Gissing.
A esposa dele deu-lhe um �libi para a noite
dos homic�dios em Ratcliffe Highway,
mas, ela parecia apreciar uma bebida.
Temos que falar com o Sr. Gissing, Madame.
O George n�o est� aqui. Acabou de sair.
Sabe para onde � que ele vai?
Limehouse, talvez?
Ainda n�o.
Estou interessado em ver para onde � que ele vai.
Que neg�cios � que um erudito poder� ter nas ruas de Limehouse.
Senhora, somos da Scotland Yard.
Somos, apenas, uma farm�cia.
V�-se embora! Verifique o meu cadastro!
Os nossos assuntos s�o com o Sr. Gissing,
o homem que acabou de entrar, n�o consigo.
Bom cliente.
Guarda o seu trabalho aqui.
Sempre a trabalhar. A escrever.
Sr. Gissing, sou o Detective-Inspector Kildare
da Scotland Yard.
Talvez possa explicar como � que isto veio a estar
na posse de uma mulher assassinada.
Receio que encontre a minha morada nos bolsos
de in�meras mulheres nesta zona, senhor.
A minha esposa, Nell, tem o h�bito de... desaparecer.
Dou a minha morada para que
possam entrar em contacto comigo se a virem.
Digamos, apenas, que a minha esposa costumava fazer parte do mesmo neg�cio.
N�o parece nada surpreendido.
Porqu�?
Que um cavalheiro como eu, um erudito,
se tenha casado com uma mulher perdida.
Porque � que algu�m ficaria surpreendido?
O mundo est� cheio de homens como voc�, Sr. Gissing.
Perd�o?
Homens que fingem generosidade quando aquilo que realmente procuram
s�o felicita��es.
Homens que fingem ser Deus salvando vidas.
Ser� mesmo assim t�o diferente, imagino,
fingir ser Deus, levando-os?
N�o sou nenhum assassino, senhor.
Ent�o, talvez escreva as palavras que lhe irei ditar?
Vamos fazer isto.
10 de Setembro de 1880.
A minha estreia p�blica...
teve cr�ticas favor�veis.
Mal podia esperar para come�ar a trabalhar
na minha pr�xima cria��o,
mas, havia tempo para passar antes da escurid�o,
ent�o, visitei a loja em Ratcliffe Highway.
Comprei alguns bot�es de punho � esposa do dono.
Podia dizer que, quando a hora chegasse,
ela seria uma boa actriz na minha obra-prima.
Voc� n�o � o judeu da biblioteca.
Bem.
N�o importa.
Quem � voc�? O que � que pretende?
Vim falar consigo.
Sobre a morte e a vida eterna.
Aqui...
jaz o segredo.
Foi aqui que li sobre o m�tico "Golem",
um hom�nculo de barro a quem o Homem deu vida.
Como � que um londrino poderia deixar de se deliciar
neste teatro?
At� me poderia ver a aparecer perante
o pr�ximo infeliz com um ma�o de madeira na m�o
a exclamar, "aqui estamos novamente".
Posso ir agora?
O qu�?
Sim, desculpe.
Porque � que ainda estaria a pensar em mim?
A minha caligrafia n�o corresponde. Sabe que sou inocente.
Eu sei. Estava a ler aquilo que escreveu.
Pensava em si. Sinto muito.
Algo que deixei passar.
Entendo. O que �?
Uma frase do di�rio.
"Comprei alguns bot�es de punho � esposa do dono".
Em 10 de Setembro,
o "Golem" efectuou uma compra na loja em Radcliffe Highway.
Uma nova produ��o do "Barba Azul"
estreia este fim de semana,
e toda a Londres anseia
ver o grande Dan Leno a actuar nela.
Mas, sei que eles anseiam por emo��es mais poderosas.
Esta � uma pantomima...
na sua forma mais pura.
Posso me consigo ver a aparecer
perante o pr�ximo infeliz,
com um ma�o de madeira na m�o, a exclamar,
Aqui estamos outra vez!
Que estranha coincid�ncia e prazer descobrir,
nas ruas de Limehouse,
uma prostituta a vestir uma roupa
da qual me recordo bem.
Ela era uma actriz � espera de um papel.
Claro, eu ajudei-a.
O p�blico ansiou pelo pr�ximo cap�tulo.
E nunca se deve deixar uma audi�ncia � espera.
Temos que esquecer o Cree e concentrarmo-nos no Leno.
O Golem at� se imaginou a dizer: "aqui estamos outra vez".
Eu sei, mas, aparentemente todos conhecem o chav�o do Leno.
Temos o vestido da Alice Stanton
e o facto que ele conhecia o Sr. Gerrard.
Fazemos todos parte da "tape�aria" de Londres.
�s vezes, as linhas cruzam-se.
Valha-nos Deus!
Dev�amos comprar bilhetes.
Ficaria intrigado para ver como termina.
Posso recomendar espect�culos muito melhores.
Estava a dizer uma piada, Flood.
Como eu. Obviamente.
Quem gostaria de ver algo de t�o mau gosto?
Parece que o apetite de Londres pelo horror n�o conhece limites.
O nosso "Golem" estava, sem d�vida, correcto acerca isso.
Bluey, por favor!
Tem piedade!
N�o como h� v�rios dias!
�s um homem gentil, Bluey!
Nunca deveria ter dito que n�o �s bom para mim.
Pensei que morreria � fome.
O que � que est�s aqui a fazer, querido?!
Estou a fazer o meu tratamento m�dico.
O teu tratamento?!
O m�dico disse-me para fazer uma caminhada todos os dias
de est�mago vazio.
Trouxe o recibo, como me pediu no seu telegrama.
Como ver�, n�o comprei bot�es de punho.
Um chap�u de senhora.
Muitas vezes compro roupas para actuar na pequena loja do Gerrard.
Que Deus o tenha.
Conhecia-o bem.
Agora, mencionou que precisava de uma amostra da minha caligrafia.
Bem, trouxe um monte dos meus antigos pap�is.
Por favor, fique com quantos precisar.
Receio necessitar que produza uma amostra
na minha presen�a, Sr. Leno.
Ent�o, permitir-me-� que lhe fa�a uma visita
� Scotland Yard, amanh� � tarde?
Tenho um compromisso para jantar.
E ainda preciso de me livrar disto tudo.
Se voc�... Perd�o?
Talvez possamos continuar
a falar enquanto est�...
Tenho algumas perguntas que lhe queria fazer
sobre o John Cree.
Ent�o, tentarei respond�-las.
Embora nunca se deva falar mal dos mortos.
N�o se importava com o homem?
Fui amistoso com a esposa dele. Ele fazia-a infeliz.
Pode extrapolar o resto.
Quando � que o viu pela �ltima vez?
Na primeira noite da sua pe�a, "Misery Junction",
que, por acaso, tamb�m foi a noite de encerramento.
Eu sei. Viu-o depois?
Claro.
Este � o meu teatro.
Assumi a gest�o no ano passado quando...
O Tio se juntou � grande pantomima no c�u.
A actua��o foi aqui?
Por causa da Lizzie.
Independentemente daquilo que se tenha passado com a nossa amizade,
sempre seremos fam�lia.
- O John Cree � suspeito? - N�o posso dizer.
Um suspeito p�stumo.
O que � que far�? Ir� desenterr�-lo para o julgamento?
Sabe porque � que a Lizzie poder� estar
relutante em levantar alguma suspeita?
Acha que ela o est� a proteger?
Esse � um novo ponto de vista.
A maioria acredita que ela o envenenou.
E voc�?
De qualquer forma, esse homem foi o autor da sua pr�pria morte.
Ele, praticamente, destruiu-a.
Insistindo que ela desistisse do palco...
Quer dizer, ele tamb�m pode ter acabado com a vida dela.
Acha que ele era capaz de acabar com uma vida?
Literalmente, digo.
Quem sabe o que qualquer homem � capaz?
Todos n�s usamos m�scaras de pantomima,
n�o � verdade?
Desculpe, preciso mesmo de me vestir agora.
Primeiro, fale-me do pequeno Victor.
Se as injusti�as do passado lhe interessam,
seria melhor que investigasse a morte do Tommy Farr.
Tio?
Tio.
Disseram que o j�ri espera
chegar a um veredicto esta tarde.
Eu sei. Lizzie...
Parece que a imprensa j� chegou ao dela.
Lizzie, falei com o Dan.
Ele insistiu que eu investigasse a morte do Tio.
Se queria saber algo sobre o Tio,
devia, simplesmente, ter perguntado.
Venha para a sala de estar.
Como a aranha disse � mosca...
N�o � assim?
A rima?
Pode ser, Lizzie.
Pode ser.
- Sandu�che de pepino? - N�o, obrigada.
Esqueci-me.
N�o gosta muito de pepino, pois n�o?
Do que � que isto se trata, Tio?
Porque � que me convidaste?
Quero mostrar-te algo.
Bem, fecha os olhos.
Boa menina.
�, apenas, a minha divers�o, Lizzie.
Gosto de uma boa sova de vez em quando.
N�o gostamos todos?
Eu conhe�o-a.
Essa � a rapariga que ajudava o Grande Bolini.
Costumava ser serrada a meio.
� ela, linda.
Que magn�fica artista.
Mas... � uma pena que tenha precisado de sair da Companhia.
Porque � que me mostraste isto?
N�o te armes em inocente comigo.
N�o estou a faz�-lo. Sou mesmo.
Bem, ficaria grato se me pudesses fazer a vontade, Lizzie,
com uma pose, um quadro.
Talvez uma pequena sova?
Prefiro ser destru�da primeiro.
Estou preparada para esquecer esta visita.
Bem, como disse, � uma pena que ela tenha precisado de sair.
Fartou-se de actuar.
Nunca se livraria de mim.
O Dan nunca o permitiria.
Bem, acho, como zelador do dinheiro,
que posso fazer aquilo que quiser.
Agora, guarde o meu segredo
e guardarei o seu.
N�o tenho segredos.
Ter� dentro de momentos.
Ele disse que deverei regressar no pr�ximo domingo
e todos os domingos depois.
Para fazer o mesmo outra vez?
H� fotografias.
John, tinha que falar sobre isto a algu�m.
Isto � monstruoso, Lizzie!
N�o podes dizer a ningu�m.
Irei acabar com isto.
Mas, primeiro...
desejo fazer isto.
Ele roubou-lhe a honra.
Deixe-me restaur�-la.
O Tio morreu tr�s dias depois do John o confrontar.
O Tio n�o era jovem.
Tinha um cora��o fraco e um certo gosto pela bebida.
N�o � isso que o Dan Leno pensa.
Acha que o John chantageou o Tio para mudar o testamento
e, depois, matou-o.
500 libras e a m�quina fotogr�fica.
Parece que dei uma excelente sova.
Voc� n�o quer ser salva, pois n�o?
N�o por mim.
N�o por nenhum homem.
N�o mere�o ser salva.
- John, n�o posso. - O qu�? Como assim?
Somos marido e mulher agora, Lizzie.
- Eu sei. - Tr�s anos eu esperei.
Tr�s anos de namoro e um maldito noivado sem fim.
N�o � por minha culpa que a temporada
foi prolongada at� � P�scoa.
Preferia que passasse a nossa noite de n�pcias a fazer de Aladino?
Parece que agora essa op��o
dificilmente seria diferente.
Por favor, John, apenas tente entender.
N�o, entenda voc�!
John, por favor, n�o gosto disso.
N�o pe�o gratid�o por tudo aquilo que fiz por si.
Apenas pe�o que cumpra os seus deveres de esposa.
O que � que est� aqui a fazer?
Ol�.
- Ol�. - Ol�.
Terei um novo contrato elaborado amanh�, John John.
- Mas, n�o se preocupe. - Lizzie!
Lizzie.
Ora, ora.
Se n�o � a Sra. John Cree.
Tr�s meses de vida conjugal e j� sente falta
- do clamor do teatro. - Disparates.
Estive demasiado ocupada para sentir falta de algo.
Que disparate!
A Pequena Lizzie sem p�blico.
N�o deve deixar que este homem mande em si.
O John est� perfeitamente feliz com o facto de eu ir actuar.
Ainda terei o papel principal em "Misery Junction".
Ora, Lizzie.
Aquele homem tem tanto medo do fracasso
que nunca ir� termin�-la.
Est� a escrever todos os dias na biblioteca.
Est� quase completa.
Estou a diz�-lo como amigo, Lizzie.
Esque�a "Misery Junction". Esque�a o John.
Se quiser o seu nome gravado em pedra,
ter� que pegar no cinzel voc� mesma.
Ent�o, a que devemos o prazer?
Na verdade, estou aqui para ver a Aveline.
Tenho uma proposta para si, querida.
Preciso de uma criada.
Eu?
Deve estar a brincar.
Posso oferecer-lhe o dobro do sal�rio semanal que ganha aqui.
Aquilo que necessito � de algu�m que me ajude a carregar o peso...
dos meus deveres conjugais.
Meu Deus, Lizzie.
Sabe como � que est� a correr a pe�a do John?
Muito bem, diz-me ele.
Sabe, n�o precisa...
de lhe preparar a bebida da noite, Lizzie.
- Eu posso faz�-lo. - Preparo uma para mim.
N�o d� mais trabalho preparar duas.
Ficaria feliz em fazer ambas.
Posso levar a sua aos seus aposentos
antes de levar a do John.
- Que diabo faz aqui? - Devo perguntar o mesmo,
porque sei aquilo que � n�o est� a fazer,
e isso � escrever.
Porque � que me disse que "Misery Junction" n�o est� acabada,
quando mal a come�ou?
Est� quase completa. Apenas parei por enquanto.
Parou?
Apoio-a financeiramente.
Permito que satisfa�a todas as suas necessidades!
N�o me castigue sobre a minha maldita pe�a,
se aquilo que verdadeiramente a irrita � a Aveline.
Porque � que isso me irritaria?
V� para casa, Lizzie.
Deixe-me acabar a minha pesquisa.
A sua pesquisa?
Sobre qu�?
A minha pe�a.
A minha nova pe�a.
Mas... e a "Misery Junction"?
Fartei-me da Katherine Dove.
H� um papel nela para mim?
N�o, Lizzie. N�o h�.
Voc� � uma senhora agora,
e o palco n�o � lugar para uma senhora.
Actuou sem a minha permiss�o e isso foi mal recebido.
"Misery Junction" deixa a plateia na mis�ria, na verdade.
Engra�ado como as cr�ticas selvagens s�o aquelas
das quais se lembra palavra por palavra?
Mais! Mais!
Tio, por favor.
Voc� roubou-me a honra! Sou inocente!
Deseja ser um homem?
Apenas finja que sou uma mulher!
� a Lizzie que eles est�o a gozar, John.
N�o � a sua pe�a.
Voc� mente! Isto n�o era para mim!
Foi para si!
Quer provar o seu valor como actriz,
sua prostituta ego�sta, e at� nisso falhou!
Voc� � o fracasso.
- C�us! - Viu?
Onde est� � que est� o salvador agora, John?
Voc� � como todos os homens.
Mais uma palavra da sua boca
e irei torcer o seu pesco�o miser�vel!
John, v� para casa.
A minha pe�a estava inacabada e voc� destruiu-a!
Destruiu-me e a minha reputa��o!
Voc� n�o tem reputa��o! Quem � que acha que �?
N�o � ningu�m, John, ningu�m, e nunca ser�!
Saia daqui, John.
Fora!
Olhem para voc�s. S�o palha�os.
Palha�os sem valor.
Voc�s ser�o esquecidos, n�o eu.
N�o eu.
- John? - Continue.
- John. - Despache-se!
John.
John!
Aquela noite de estreia, em 05 de Setembro,
levou-o at� ao limite, mas... n�o ao suic�dio.
Levou-o a provar ao mundo que era um artista.
Naquela noite, o "Golem" fez a sua primeira matan�a,
e acha que a culpa � sua.
Est� a colocar palavras na minha boca.
Porqu� esta dan�a, Lizzie?
Porque � que n�o admite que ficou a saber,
ou, pelo menos, a suspeitar, daquilo que ele se tornou?
Se isto � uma dan�a, � voc� quem a est� a conduzir.
Deixe-me ler-lhe a �ltima entrada.
Ratcliffe Highway foi uma demonstra��o de for�a.
E como um actor pode levar para casa
um programa como recorda��o,
ent�o, regressei com um xaile encharcado de sangue
pertencente � esposa do vendedor de roupas.
Na noite seguinte, com medo de ser descoberto,
arrisquei destru�-lo,
e esse foi o meu erro.
John, est� em casa. N�o o ouvi entrar.
N�o foram feitas perguntas, nem quaisquer recrimina��es.
Creio que um castigo caseiro me possa estar planeado.
J� n�o me sinto seguro sob o meu pr�prio tecto.
N�o posso continuar assim.
Envenenou-o, n�o foi?
Lizzie, ou�a-me. Temos alguns minutos.
Ainda pode mudar a sua alega��o. Confesse.
F�-lo porque sabia aquilo que ele era.
F�-lo porque temia pela sua vida.
Juro-lhe que ter� a simpatia do j�ri.
N�o quero a simpatia deles.
Porque � que n�o merece reden��o?
Porque o matou ou porque acredita
que criou um monstro?
Aquilo que mere�o � viver livremente,
e na morte ser recordada pelos meus feitos,
n�o como a esposa que envenenou o marido,
com o meu nome ligado ao dele para sempre.
Sra. Cree.
Enquanto essa hip�tese existir, n�o tenho outra escolha
a n�o ser... agarrar-me a ela.
O j�ri j� chegou a um veredicto?
Sim, Merit�ssimo.
Como � que o juiz declara a r�?
Culpada.
Ordem! Ordem!
Elizabeth Cree, ir� regressar � pris�o
e levada de l� para um local de execu��o,
onde, �s 10:00 de amanh� cedo,
ser� enforcada pelo pesco�o at� que esteja morta.
Que o Senhor tenha piedade da sua alma.
Inspector Kildare, Scotland Yard.
Preciso de um momento com ela, por favor.
Voc� n�o merece isto.
Serei enforcada amanh� �s 10:00.
N�o. N�o o deixarei acontecer.
O John Cree era um assassino.
Pretendo prov�-lo e apelar ao seu perd�o.
O mundo precisa de saber a verdade.
Gostaria que desmascarasse o "Golem".
Este � o seu momento, a sua oportunidade.
Gostaria que ficasse com isso.
Desculpe, senhor. Temos que sair.
N�o temos muito tempo.
O manuscrito da "Misery Junction" est� escrito � m�o.
O Dan ainda o pode ter.
Vou impedir isto. Prometo.
Sua maldita...
Aqui estamos outra vez!
A Lizzie pagou o aluguer do teatro.
Aconselhei-a a n�o o fazer, mas, ela foi inflex�vel.
E n�o foi um sucesso.
Isso � a vers�o ligeira da coisa.
Ent�o... seja como for.
Quase nenhum bilhete foi vendido,
mas, a Lizzie insistiu numa casa cheia,
ent�o, foi para �s ruas e distribuiu-os pelos pobres.
Aqui est�.
"Misery Junction".
Foi impressa.
N�o tenho o manuscrito original, receio.
� pr�tica habitual mant�-lo arquivado,
salvo se o autor o pedir de volta, algo que n�o fez.
Arquivado... onde?
O bibliotec�rio concordou em abrir cedo, senhor.
Deve estar aqui a qualquer momento.
Espero que sim.
Ela ser� enforcada �s 10:00.
Lizzie!
Lizzie!
- Lizzie. - Estou pronta.
Mas, isto � muito estranho. Devia estar aqui.
Algu�m o pode ter retirado?
N�o, salvo se o fizeram agora mesmo.
- R�pido, a porta. - Senhor!
Largue-me! N�o fiz nada de errado.
Ent�o... talvez nos possa dizer porqu� tanta pressa para pegar nisto?
Pretendo reescrev�-la, senhor.
Exigir uma produ��o.
Uma hist�ria actual e interessante sobre a Lizzie Cree.
Agora que ela ser� enforcada, ser� um sucesso.
A s�rio? Ent�o, � uma escritora agora,
- n�o � verdade, Miss Ortega? - N�o, senhor.
Mas... n�o exigir� muito trabalho.
Foi a hist�ria da vida dela, afinal de contas.
A minha ideia � come�ar a pe�a na forca,
e, depois, retroceder todos os passos que a levaram at� l�.
N�o posso deixar de pensar que a introdu��o de um marido assassino
possa ser popular.
Disse tudo aquilo que sei, senhor.
O John � inocente.
C�us!
Voc�s � que ser�o esquecidos!
Eu n�o.
Est� na hora?
N�o h� ningu�m aqui.
Quase nunca admitem o o p�blico estes dias, Sra. Cree.
S� para os mais odiados.
Por favor, n�o. Tem que me ajudar.
Por favor. Diga-lhes para esperar.
- O Inspector Kildare vem a�. - Sinto muito.
N�o pode ir mais r�pido?
A pris�o est� perto.
Eu sei!
N�o, devemos esperar por ele, por favor.
Isto est� errado! Ele provar�!
Imploro-lhe, um pouco mais!
Sinto muito.
Vamos!
A passar.
Calma, senhor.
- Para quem est� aqui? - Elizabeth Cree.
Diga-me que n�o cheguei demasiado tarde.
Est�o a lev�-la l� para baixo. O mais r�pido que puder.
Chame o juiz!
Pare! Pare!
N�o me agrade�a ainda.
Tudo aquilo que me deram foi uma hora
para falar com o juiz.
Ainda preciso de convenc�-lo a reduzir-lhe a senten�a.
N�o fique taciturno. Voc� tem o "Golem".
O mundo saber� a hist�ria verdadeira e � voc�...
que saber� todos os cap�tulos, quem ir� cont�-la.
Tem a minha gratid�o. Sempre.
E voc� a minha.
Lizzie, Lizzie, n�o.
Consegue acreditar que o John Cree foi capaz de tais ac��es?
Garanto-lhe. N�o tenha d�vidas.
Ent�o... vamos acabar com isto.
Eis aquilo que ir� escrever.
Sou a Elizabeth Cree e, em Setembro deste ano,
fiquei a saber que o meu marido era o "Golem" de Limehouse.
Tudo aquilo que precisa de fazer � dizer a verdade.
Nunca lhe disse nada al�m da verdade, Kildare.
Ter� o seu momento... e eu o meu.
No templo da fama, os nossos nomes ser�o escritos lado a lado,
em pedra, para sempre.
Quem esteve aqui no dia 24 de Setembro?
Havia quatro homens na sala de leitura naquele dia,
mas, n�o h� forma de saber
aquilo que algu�m leu ou quando � que o leu.
John. Est� em casa. N�o o ouvi entrar.
N�o foram feitas perguntas, sem quaisquer recrimina��es.
Creio que um castigo caseiro me possa estar planeado.
J� n�o me sinto seguro sob o meu pr�prio tecto.
N�o posso continuar assim.
Ainda assim, t�nhamos um acordo para guardar os segredos de ambos.
E voc� n�o guardou o meu, pois n�o?
Pergunto-me o que devo fazer com o seu.
Acho que deve lev�-lo para o t�mulo.
Sr. Gerrard, senhor?
Annie?
Eu sei, eu sei.
Poucos pensariam que uma mulher seria capaz de tal arte.
Aqui estamos outra vez!
Chegou demasiado tarde?
Isto...
Isto �, provavelmente, a �ltima coisa que pretende,
mas... esperam por si no andar de baixo.
Est� prestes a ser o her�i de Londres, John.
Sei o quanto se preocupou com ela.
Apenas...
saiba qu�o grato ela estaria que o mundo
soubesse qu�o miser�vel o seu marido realmente era.
N�o s� como assassino,
mas, como homem que tentou negar-lhe
tudo aquilo que ela queria ser.
Foi voc� quem lhe salvou a honra.
A mem�ria dela.
Ela gostaria que ficasse com isto.
N�o! Devemos esperar por ele. Por favor!
Isto � errado, ele ir� prov�-lo!
Imploro-lhe, s� mais um pouco!
Eu...
N�o acredito que o Inspector Kildare volte.
- N�o sou uma envenenadora. - Acredito em si.
Sou muito mais.
Devemos emitir o nosso relat�rio completo
sobre o John Cree dentro de uma hora, senhores.
Bem... parece que o espect�culo tem que continuar.
Os londrinos podem dormir sossegados...
nas suas camas outra vez.
O "Golem" j� era.
Inspector! Inspector.
Algum coment�rio sobre a sua promo��o, senhor?
- �ltimas palavras? - Aqui estamos outra vez!
Vamos come�ar, meus amigos,
pelo fim.
N�o o verde, querida, o vermelho.
A m�e n�o fica doente at� � cena 4.
Algu�m verificou a seguran�a?
Pegue nela em peso. Pegue...
O que � que se passa?
Ela est� a respirar?
Temos que voltar l�.
Voc� � a m�e da Lizzie agora.
Eu serei a Lizzie.
Lizzie!
VIDEOS, TUTORIAIS, EBOOKS, SOFTWARE... 100% gr�tis! https://gratis.smarkter.net
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.