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Na manhã seguinte ao grande excesso dos cogumelos,
o James partiu à procura do Almirante von Schneider.
Uma vez que o almirante não estava no quarto, o James foi à pocilga,
já que fora o último sítio onde o vira.
Em vão.
Na vedação exterior, o James finalmente encontrou uma espécie de pista.
Reparou em alguma coisa hoje?
Não.
Tirando o uniforme, o resto do almirante desaparecera.
Obrigado.
Aparentemente nu e desaparecido, ele ficaria perdido algum tempo.
Jean-Louis!
Onde estás, querido?
Jean-Louis!
Jean-Louis!
- Bom dia, Sr. Pommeroy. - Mordomo...
- Viu o Jean-Louis? - Não.
Jean-Louis!
Raios partam! Porquê tantos berros?
Jean-Louis!
Vem cá, meu...
Falhou.
Que horas são, afinal?
- São 8h15. - Tive um sonho mesmo absurdo.
- Estou a ver. - Primeiro, estávamos aqui juntos.
E digo-te já: fizemos sexo.
- Sexo? - Depois saíste, mas voltaste,
discutimos e desconfiaste que eu assassinei o Winterbottom.
Não desconfiei de ti. Eu só queria saber...
- Como sabes do meu sonho? - Não foi um sonho.
Quer dizer que estivemos aqui a fazer sexo?
Não!
Pergunto outra vez.
Esta faca de caça é tua, Sophie?
- És louco. - Disseste isso ontem.
- Detesto a caça. Ela não é minha. - Também disseste isso.
E não sou a única pessoa com as iniciais "S.T."
Sherlock James,
podes continuar a tua investigação fora deste quarto?
Quero dormir mais.
Ótimo.
Quem dorme não peca.
Disseste isso ontem.
A menina voltou para a cama.
O Pommeroy e o Sir Toby também.
Sir Toby.
S.T.
- É o champanhe do Pommeroy? - Não temos dinheiro para mais.
S.T.
S.T.
James?
S.T.
Estás acordada?
Não.
É pena. Acho que tenho de te pedir desculpa.
Schneider, Tankred.
O nome próprio do almirante é Tankred?
Sim.
Porque me pedes desculpa por isso? Não deviam ser os pais dele a pedir-lhe?
As iniciais são "S.T."
As mesmas de "Sir Toby".
Ou da tua mãe, Sarah Tewdale.
Ou do meu pai, Sebastian.
E se não bastasse, a marca de champanhe do Pommeroy tem as iniciais...
S e T.
Desculpa.
Mas a faca de caça é minha.
Deram-ma quando fiz 16 anos. Desde então, está no armário da caça.
Foi arrombado.
Roubada.
Porque não me disseste logo?
Eu não estava bem ontem, nem hoje de manhã.
Então, querias mesmo dizer que nós...
Foi um sonho estranho.
Um sonho de sexo. Comigo?
Chega, Sherlock. Basta de ser detetive por hoje.
Mais uma pergunta.
O sonho de sexo foi bom?
O Sir Toby e o Sr. Pommeroy aguardam na sala de jantar.
O almirante?
Ele pensa que é um porco.
Sim. E parece que deixou a casa de vez.
Melhor ainda.
Isso deixa-me a mim e aquela garrafa de champanhe.
Porquê aquela gritaria toda esta manhã?
Tive um sonho.
Um sonho maravilhoso.
Era tão realista.
Eu também.
Eu não conseguia acreditar que era só um sonho.
Senti exatamente o mesmo.
Sonhei que...
... o Jean-Louis tinha voltado.
Eu conseguia cheirá-lo e...
... ouvi-lo.
Conseguia sentir o pelo dele entre os dedos.
Não consigo aceitar que foi só um sonho.
Eu compreendo.
- A sério? - Sem dúvida.
Sente tanto a falta do Jean-Louis como eu?
Desculpe?
Posso falar brevemente do meu sonho?
Sonhei com uma decisão sendo feita entre o pesadelo dos caracóis
e o homem mais rico e bonito da América.
Mio.
A decisão deve ser muito fácil, certo?
Nem pensar.
O Sr. Pommeroy vai organizar o próximo dream date.
Sim.
Obrigado, Mna. Sophie.
Perto de onde eu cresci,
há uma pequena aldeia.
Chama-se "A Aldeia da Verdade".
Nesta aldeia há... Como se diz? Há um médium.
Médium? Ou um médio-ala?
Um médium que ajuda viajantes de todo o mundo
a encontrar respostas para as suas perguntas mais existenciais.
Quer que eu pergunte a um médium qual dos dois é o homem certo para mim?
Oui, porque não?
- Tem a certeza de que é o senhor? - Absolument.
Garanto que serei um excelente marido para si, Menina Sophie.
Muito bem.
Vamos lá.
- Chá antes de partir? - Não, obrigada, Prudence.
Está bem, Menina Sophie?
Sinto que estraguei quaisquer hipóteses de felicidade ontem.
Devem ter sido os cogumelos.
Tenho de lhe contar uma coisa.
Há algum tempo que debato se lhe devo contar,
mas hoje interrompi a menina e o James...
Bem...
Na noite em que o James desapareceu,
ouvi uma conversa.
Entre o seu pai e o Mortimer.
A conversa deu a entender que o seu pai era infértil.
O Mortimer...
... ajudou a sua mãe a engravidar.
Foi assim que a conceberam.
O James é meu irmão?
Vai viajar?
Posso perguntar aonde vai?
Para o melhor país do mundo.
Middlesex?
Quem é este ignorante desagradável?
- Leve as malas para fora, Sr. Pommeroy. - Bien sûr.
Não resisti a...
Não permitirei que viaje até pagar a próxima prestação.
Mas vamos nesta viagem para poder pagar.
E não só a próxima...
Perdemos todos.
A menina quer viajar para poder pagar depois.
No entanto, tem de pagar antes de poder viajar.
É como a piada do buldogue e do palhaço.
Há um buldogue inglês e, um dia, ele conhece um palhaço...
Ao menos a morte dele serviu para algo.
Não a conhece? Todos conhecem.
Dez mil libras.
Ele paga de novo?
Como assim, "de novo"?
Tal como a primeira prestação.
Para a próxima, vou ter consigo diretamente.
Muito obrigado.
Tem um ótimo mordomo, Menina Sophie.
Até agora, o meu criado nunca pagou as minhas contas.
Pagaste a primeira prestação também?
E agora esta?
Estava nas coisas do Winterbottom.
Mas como arranjaste as primeiras 10 000 libras?
O rei deu-me o dinheiro.
Por causa da situação com o irmão dele.
Dez mil libras?
Ao longo dos anos, poupei dinheiro para emergências.
Dez mil libras.
E vendi a minha moto.
Estou sempre a receber novas informações e não sei o que pensar.
"Pensar"? O teu mordomo leal pagou a dívida.
Não és só o meu mordomo. Também és...
Sabes quem és sequer?
Acho que a viagem até França far-nos-á bem.
Sim.
Obrigada.
A curta viagem até França foi uma bênção para a Menina Sophie.
Haveria algo mais apropriado do que visitar uma aldeia da verdade?
Ela precisava de tantas respostas.
Quem matou o Winterbottom?
Com qual dos homens se deveria casar?
O que foi isso do sonho de sexo?
O James é mesmo irmão dela?
Bem-vinda à Aldeia da Verdade, Menina Sophie.
Também quero dar-vos as boas-vindas.
Sou a Geneviève.
Ela é a líder espiritual da aldeia.
- Mna. Sophie. - Enchantée.
E este é o Amar.
Vão ter com ele se tiverem quaisquer perguntas.
E o médium?
O médium mostra-nos o caminho.
Mas o que é o médium?
Irá ficar surpreendido.
Sim. No Oklahoma, temos uma vaca vidente.
Quando tem comichão nas tetas, vai nevar.
Qual é a razão para ter vindo cá?
Acho que a Menina Sophie quer
que o médium confirme que sou o marido certo.
Ou que talvez não seja.
É mesmo essa a sua pergunta, Sophie?
Bem, tenho muitas perguntas.
Isso é bom. No entanto, só pode fazer uma pergunta ao MacGuffin.
- Quem é o MacGuffin? - O médium.
"O médium."
Lar, doce lar.
Só há esta divisão.
É uma cabana, não uma casa.
Sim, claro.
Vou pedir outro quarto.
Receias que te apunhale enquanto dormes?
Devem pensar que somos um casal.
Que estranho alguém poder pensar isso.
Talvez pensem que somos irmãos.
- Achas que somos parecidos? - Sim.
Talvez um pouco. Os olhos.
Tenho olhos de que cor?
Azul-esverdeado.
Os teus são castanhos.
Referia-me à forma dos olhos.
E temos mãos bastante semelhantes.
Há algo que me queiras dizer?
Como o quê?
Vou pedir outra cabana à Geneviève.
Poupe-se ao trabalho de se arranjar.
Nunca será um homem bonito.
O que diria se um neandertal criticasse a sua gravata?
O que é um neandertal?
Neandertais, descobertos em 1856.
Homo sapiens neanderthalensis.
Uma mistura de humano e macaco.
Está-me a comparar com um...
Não. Não me atreveria.
Seria um insulto para todos os outros macacos.
Em termos de moda, é mais...
... como uma ameba.
O que é uma ameba?
Amebas,
descobertas pelo entomólogo alemão August Johann Rösel von Rosenhof em 1757.
No entanto, o nome "ameba" foi dado pelo naturalista francês
Jean Baptiste Bory de Saint-Vincent.
O que tem isso que ver comigo?
Bem, mesmo para um organismo unicelular, a ameba
é muito... Como dizer? ... simples.
Podemos dizer que os americanos são as amebas dos organismos unicelulares.
E o Sir Toby seria o idiota entre as amebas.
Cretino.
Ou isso.
Pode virar-se? Quero mudar de roupa.
O tanas que viro.
Este país é livre, não é?
Não quero que me veja sem calças.
Então, não as tire.
E como é que me preparo para o jantar?
É muito púdico para um francês.
Vire-se.
Boa. Essa foi boa. Foi boa.
Sir Toby.
- Menina? - Sim?
Tem uma cara interessante.
Obrigada.
Gostaria de pintar o seu retrato.
É pintor?
Sim. Mas não sei se devo continuar a pintar.
Porquê a dúvida?
Não sei se chegarei a ser um dos melhores.
E agora veio cá para consultar o médium local?
A sua opinião também conta para mim.
Por favor, entre.
E?
O que acha?
É...
... moderno.
Mestre...
- Pablo. - Pablo.
- Menina... - Sophie.
- É um prazer, Pablo. - Enchanté.
Esta noite, perguntarei ao médium se devo continuar.
Cá entre nós, presumo fortemente que o médium confirmará o meu talento.
E amanhã poderei pintá-la.
Veremos, Pablo. Veremos.
Já encontrou companhia, Sophie?
Cara Geneviève, posso mudar-me para outra cabana?
Há espaço na minha.
Neste momento, estou numa cabana com o meu mordomo
e quero mudar para outra.
- Não. - Não?
Aqui, ele não é o seu mordomo, é um ser humano.
Sim, claro. Mas também é um homem.
Um ser humano.
Ele pode ser meu irmão.
O seu mordomo pode ser seu irmão?
Se pode ser seu irmão, tem ainda menos razões para mudar.
- Eu gosto dele. - Que encantador.
Eu desejo-o.
O que quer dizer com "pode ser meu irmão"?
Não tem a certeza?
A minha criada, a Prudence, ouviu uma conversa e...
Não tem a certeza.
- Mas precisa de ter a certeza. - Sim.
Então, consulte o médium. Já, esta noite.
Um galo. O MacGuffin é um galo gaulês.
- Isso é um problema? - Sim, claro.
O galo gaulês vai escolher o galo gaulês.
Sim, de certeza que estaria mais calmo se o médium fosse uma ameba.
Quem quer fazer uma pergunta ao médium?
Acho que hoje é a minha vez, Geneviève.
Pablo, por favor.
Pergunta concisamente e com clareza.
Se o galo cantar, então é "sim".
- Se o galo não cantar, então é "não". - Sim.
Caro MacGuffin, tenho pintado desde que era criança.
A minha professora, que tinha um carisma erótico inapropriado para uma professora,
já na altura falava da minha técnica quase divina.
Pablo, faz a pergunta, por favor.
Alguma vez serei um pintor famoso?
Se o maluco neerlandês que cortou a orelha conseguiu,
o Pablo também consegue.
Obrigada, Sir Toby.
Mas deixamos as respostas às perguntas para o médium.
Exatamente.
MacGuffin, se tenho o talento para ser um pintor famoso,
então canta agora.
Nada. Absolutamente nada.
Por favor, canta agora.
Pode não ser a resposta que querias, Pablo,
mas pelo menos é uma resposta.
Et voilà.
Vá lá, não pode ser verdade.
Merda do caralho!
Senta-te já.
Filisteu!
Não.
A criatura morreu.
O galo morreu, o galo...
Parece morto, não?
O galo morreu...
Morreu.
O galo não morreu...
- Tiveste sorte. - Sim, tive sorte.
E deixem-me ser clara.
Se querem saber a verdade, têm de a conseguir aguentar.
- É verdade. - Quem quer ir a seguir?
Talvez os novos membros da nossa comunidade.
Talvez a Sophie?
Cada um pode fazer uma pergunta.
Mas só mesmo uma.
Mas ele está bem?
Espero que sim.
Caro MacGuffin,
estás pronto para outra pergunta?
Obrigada, Tobias. Essa foi a sua pergunta.
Sente-se.
Esqueça tudo o que eu disse sobre organismos unicelulares.
O Sir Toby não é um organismo unicelular, é meio celular.
Podíamos dizer "Sir To". Porquê? Meia célula, meio nome.
Chame-me "Sir To" de novo e trato dos seus dentes de graça.
Parem com isso, já.
Está bem.
É finalmente a minha vez.
- Acho que é a vez de uma mulher. - Sim.
Mademoiselle.
Caro MacGuffin,
a minha pergunta é se...
... o Sr. Pommeroy será o marido certo para mim.
Não.
Quero saber se...
... o Sir To será o marido errado para mim.
- Não. - Eu avisei-o. Diga-o outra vez.
Sir To.
Senhores, estão a profanar este lugar.
O galo morreu
- Bem... - Tem de sair da aldeia antes do meio-dia.
- Não resultou muito bem. - Não resultou?
Peço desculpa.
Isso não ressuscitará o galo.
O Pommeroy morreu?
- Não, o MacGuffin. - Esse, sim.
O Sr. Pommeroy quase não sobrevivia também.
Eu e o James passámos a noite junto à cama dele.
Saia da aldeia agora.
Esperarei por si na sua casa. Eu sou a escolha certa.
O Pommeroy tem um segredo sinistro.
Saia já, imediatamente.
Eu amo-a. O Pommeroy não. Ele nem é capaz de a amar.
Pergunte-lhe qual é o segredo.
Podemos falar?
Não sei se o galo era profético ou não.
Talvez fosse, talvez não.
Mas uma coisa sei de certeza: a aldeia consegue responder a perguntas.
A quietude cria um despertar em nós.
A comunidade apura o nosso olhar.
Todos encontraremos as nossas respostas se o permitirmos.
Estou a convidá-la a viver connosco nesta aldeia.
E prometo-lhe que irá encontrar a sua resposta.
Se o James é meu irmão ou não?
Talvez.
Mas sem dúvida a resposta sobre o que a faz feliz.
Desde que deixe a aldeia entrar no seu coração
e aceite qualquer resposta.
E quero dizer qualquer resposta mesmo.
- Olá, Amar. - James.
Como está ele?
Mais ou menos bem.
O bico do galo acertou-lhe na laringe.
- Mas... - Ele vai melhorar.
Para já, a temperatura tem de baixar.
Como se sente?
Desculpe, mas posso fazer-lhe uma pergunta?
Isso quer dizer "está bem" ou "só uma pergunta"?
Quer dizer "uma pergunta", e acabou de a fazer.
Esconde um segredo da Menina Sophie?
Eu... Bem...
Tem de sair agora.
Está a incomodá-lo demais.
Ele está demasiado fraco para isto.
Sim.
Sempre vamos partilhar uma cabana? Porquê?
O que poderia acontecer?
Um homem e uma mulher numa cabana.
Estás a pensar nisso?
Não, claro que não.
E porque não?
Porque não penso nisso quando se trata de nós?
Bem, porque...
Não faço ideia.
A Geneviève convidou-nos a ficar na aldeia mais umas semanas.
Talvez encontremos respostas.
Uma resposta posso dar-te já.
Tu... não podes usar as prateleiras todas.
São para os dois.
Devias respeitar mais as necessidades de uma mulher.
Não. Somos todos iguais no que toca a prateleiras.
Está bem. Vou arrumar isto.
- Vais ver. - Não.
- Vais-te arrepender. - Pronto, chega.
- Este... Para já. - Não.
Não faças isto. Não...
Para!
- Olá, Menina Sophie. - Olá.
- Hoje é um ótimo dia para a pintar. - Não vai desistir?
Nem pensar.
O galo não fazia ideia. Profeta o tanas!
Porque tem tanta certeza?
Se tivesse mesmo o dom de prever o futuro,
não teria morrido em cima do seu amigo.
Então, o que diz?
Posso pintá-la?
Se eu tiver tempo para outras coisas também.
Claro.
Será a minha musa, modelo e médium.
Vamo-nos divertir imenso.
Azeda.
Vá lá...
- Não... - Sophie.
James...
Encontrou as suas respostas, Sophie?
Sim, encontrei.
Muito obrigada.
Bom dia. Somos da polícia.
Ainda bem.
Como assim?
Se não fosse polícia, estaria a usar o uniforme errado.
Esteve a beber?
Sem dúvida.
É verdade que a Menina Sophie está em França?
Sim. Estou a gerir a casa na sua ausência.
Do que se trata?
Nada. Desculpe tê-lo incomodado.
Trata-se do Sr. Percy Winterbottom.
A família está preocupada. Não têm notícias dele há semanas.
Sim. É sempre a mesma história, sabe como é.
Não o incomodamos mais.
Aparentemente, ele estava alojado aqui, na Casa Bournsmouth.
Sabe algo sobre isso?
Sim. Bem, não.
Quero dizer, é mesmo "não".
Bem, então não há nada a fazer.
Quando volta a Mna. Sophie?
Se calhar quando o Pommeroy recuperar.
Pommeroy?
Sim, ele foi espancado com um galo gaulês.
Voltaremos quando a Menina Sophie regressar.
De novo, desculpe o incómodo.
Bom dia.
Nadaste no rio?
Do Sir Toby.
Dois polícias estiveram na casa. A Scotland Yard procura o Winterbottom.
- Isso é mau. - Porquê?
Eles que interroguem o Sir Toby para já.
Achas que foi ele?
Ele é sem dúvida violento.
A Scotland Yard vem a calhar.
Não se descobrirem quem se livrou do corpo. Esqueceste-te disso?
Não, James. Como é que poderia esquecer isso?
Nunca te disse o que eu ia perguntar ao galo.
Eu queria perguntar se és meu irmão.
A Prudence ouviu uma conversa na noite em que saíste da casa.
Entre o meu pai e o Mortimer.
A conversa era sobre...
... o Mortimer ser o meu pai biológico.
Não consegui acreditar.
Daí ter pedido conselhos à Geneviève.
Ela disse que eu devia perguntar ao galo.
Não és minha irmã.
Não sou teu irmão. O teu pai inventou essa história para me afastar de ti.
O meu pai mentiu-te? Saíste da casa por isso?
O meu pai confessou-me no leito de morte que era mentira.
Quando o galo morreu, pedi conselhos à Geneviève outra vez.
Ela disse que eu devia abrir o coração à Aldeia da Verdade,
à comunidade aqui e a ti.
E depois reparei rapidamente que não podes ser meu irmão.
Uma vez que...
Uma vez que?
Uma vez que os meus sentimentos por ti não são os que uma irmã teria.
E os teus sentimentos por mim não são os que um irmão teria.
Dois corações não podem estar errados.
É realmente uma aldeia da verdade.
Senti a falta disto.
O teu cantarolar contente.
Fiquemos aqui.
Na aldeia?
E a Prudence, a Darleen e a casa?
Não quero parecer egoísta, mas eu...
Eu gostaria de ser feliz para variar.
Também quero que sejas feliz,
que nós sejamos felizes. Quero mesmo isso.
- Mas eu... - A aldeia é a nossa oportunidade.
É a nossa aldeia da verdade.
Agora é uma questão de "sim" ou "não".
James, por favor.
Confia em mim, encontrarei uma solução para os dois.
- E para a minha casa... - Sim ou não?
Que estranho.
Eu nunca tinha estado tão feliz. E agora...
Sente-se melhor?
Menina Sophie, nunca me senti tão bem.
- Posso? - Bien sûr.
Amar, pode chamar o James? Tenho de lhe dizer uma coisa.
Claro.
Até já, chéri.
É esse o seu segredo?
Oui, Menina Sophie. É esse o meu segredo.
Eu gosto de homens.
Então, porque me pediu em casamento?
Sabe, há algum tempo,
espalharam-se rumores em França sobre a minha homossexualidade,
e para afastar esses rumores...
Compreendo.
Com alguém como a menina, a minha reputação seria restaurada.
E a Menina Sophie?
Quer contar-me o seu segredo?
A qual dos meus segredos se refere?
O mordomo.
Sim.
Parece que o James é o amor da minha vida.
E esse amor deve ser tão tabu como o meu.
Acredito que o destino tem planos para nós.
O destino ou a Mna. Sophie?
James.
A Sophie mandou-me cá.
Não.
Quero ficar aqui em cima hoje.
Ela quer dizer-lhe uma coisa.
Um casamento de conveniência.
Podíamos viver os quatro juntos na Casa Bournsmouth.
Oficialmente, nós seríamos um casal.
Manteríamos as aparências e viveríamos os amores em segredo.
- Isso é genial! - Sim, é.
Mas...
Isso significa que ganhei a competição pela sua mão?
Sim.
Então, vamo-nos casar.
Sim.
Então, quero aproveitar este belo momento neste lugar maravilhoso
para lhe perguntar se aceita ser a minha mulher.
Sr. Pommeroy, nem sabe como me deixa feliz.
É apenas metade da felicidade que me dá.
O James vai preparar tudo para o casamento.
- Já se vai embora, Menina Sophie? - Sim.
- Dê-me um breve momento. - Só se for mesmo breve.
A menina tem de ser forte agora. O seu tempo comigo acabou.
Sim, vou-me embora amanhã.
E eu vou para Paris.
Uma bailarina de 19 anos aguarda ser retratada por mim para a eternidade.
- Não se preocupe, vai superar isto. - Superar o quê?
- Não ser mais a minha musa. - Não se preocupe, estou bem.
Ótimo. A negação é a primeira etapa na superação da dor.
Que dor?
A ira é a segunda etapa. O seu progresso é mais rápido do que eu esperava.
- Fiquemos por aqui. Concorda? - Terceira etapa, negociação.
A quarta, depressão.
- Tanto faz. - E aceitação.
Deve ser um novo recorde.
- Tenha uma boa vida, Pablo. - Não se preocupe, terei.
James. Eu tenho...
James?
Cara Sophie, é verdade.
Se queres saber a verdade, tens de a conseguir aguentar.
O que aconteceu hoje abriu-me os olhos.
Mesmo que não o queiramos admitir, nunca poderemos ser felizes juntos.
A verdade é que
és o infortúnio da minha vida.
Espero que nunca mais nos vejamos. James.
No próximo fim de semana, haverá um casamento,
ou pode dizer adeus à sua casa.
Ele matou o Winterbottom, não o senhor?
Não!
Legendas: Eduardo Silva
Supervisão Criativa Mariana Vieira
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