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Original subtitles

N�o h� nada oculto que n�o venha a ser revelado,

e nada escondido que n�o venha a ser conhecido

e trazido � luz.

Bem, amigo...

Disseste-me que querias uma coisa pequena e fi�vel.

Est� contigo?

- Tenho aqui na mochila. - Pode ver-se?

D� uma vista de olhos e diz-me o que achas.

� verdadeira?

Claro que �, s� trabalho com produtos de boa qualidade.

� uma 9mm semiautom�tica. Est� oleada e funciona na perfei��o.

� maior do que eu pensava.

Disseste-me que ainda n�o tinha sido usada, pois n�o?

N�o. � limpa porque tem o n�mero de s�rie.

V�s a�?

Uma suja tem o n�mero de s�rie apagado.

Se te apanham com uma n�o sabem o que ela j� fez.

Pode ser um roubo ou um assassinato. Vais logo preso.

Limpa, � como est�o as armas legais. Ou seja, sem problemas.

E esta veio de onde? Onde a arranjaste?

A que prop�sito vem essa pergunta?

�s um chibo? O que foi?

Queres lixar-me?

Est�s interessado na arma ou n�o? Sen�o vou-me embora.

Claro que estou interessado.

- Ent�o d�-me o dinheiro que falta. - E as balas?

N�o te preocupes. Eu ofere�o-tas.

Est� tudo inclu�do no pre�o.

Aqui tens o dinheiro. Toma, conta-o.

Perfeito.

Isto � para ti.

O neg�cio est� fechado.

Agora o que fizeres com ela � problema teu.

N�o me voltes a contactar e esquece-te da minha cara.

Est� bem.

O ENIGMA DA ROSA

Vamos! Levanta-te j�!

N�o sei para que queres o despertador se n�o fazes caso quando toca.

Ia levantar-me agora.

Sim, estou mesmo a ver.

Filha, o que fazes com as meias?

N�o tens duas iguais, Sara.

Deixa, eu depois procuro-as.

Cal�a estas.

M�e, deixa-me escolher a roupa.

N�o querida, n�o temos uma hora para estares a escolher roupa.

J� estamos atrasadas.

Hoje, levo-te eu � escola.

Amanh�, quando o despertador tocar, levantas-te

e vestes o que quiseres, est� bem?

Isto n�o � teu.

N�o. � da Lucia. Deixou-a c� quando ficou c� a dormir.

Bem, ent�o...

Levas para a escola e d�s-lhe.

Vou p�-la na tua mochila.

N�o. N�o � preciso. Eu ponho.

Quando te deram as notas?

Sara, fiz-te uma pergunta.

Na sexta-feira.

H� uma semana que tens as notas aqui metidas?

Est�s, de castigo. Ficas sem telem�vel e sem sair at� te dizer.

- Mas � um suficiente, m�e! - � um suficiente!

Achas pouco?

Que achas que vais ser no futuro se come�as a baixar as notas, Sara?

Que queres ser?

Caixa de supermercado? Empregada de mesa?

- N�o. - N�o?

S�o os trabalhos que as meninas que n�o estudam t�m.

Como achas que a m�e chegou a chefe do escrit�rio?

Com suficientes?

N�o, estudando muito.

E esfor�ando-se todos os dias para ser a melhor do escrit�rio.

Se queres ser algu�m na vida

� melhor come�ares a aplicar-te.

Percebeste, n�o percebeste?

N�o � justo!

Azar!

Veste-te e desce para o pequeno-almo�o.

Daqui a 15 minutos estou a sair com o carro.

Por isso, � melhor que te despaches.

Ol�!

N�o aguento, a s�rio!

Que aconteceu?

Estes sapatos, � o que aconteceu.

Se pudesse ia todos os dias de chinelos de quarto.

Que supl�cio!

Para isso t�m de te promover mais umas duas vezes,

no m�nimo.

Ou isso, ou ser dono da Playboy e passar o dia todo em casa

de roup�o e rodeado de mulheres.

Prefiro a primeira op��o, obrigada.

Eu prefiro a segunda, sem d�vida.

Ainda ficas sem jantar!

A Sara mostrou-te as notas?

N�o. Quando lhas deram?

Encontrei-as esta manh�. Tinha-as escondidas na mochila

desde sexta-feira.

E por que n�o nos disse nada?

Porque tirou um suficiente a matem�tica.

Um suficiente?

Sim, j� conversei com ela e j� a castiguei.

Est� sem telem�vel e n�o pode sair.

Julia, n�o � um pouco exagerado?

- Um suficiente n�o � um chumbo. - Mas est� muito perto.

Mais vale prevenir agora, antes que seja tarde.

Est� no quarto?

N�o. Ainda n�o chegou.

Como � que ainda n�o chegou?

Tu tinhas de a ir buscar, Oliver.

Esta semana � a greve do transporte escolar, eu disse-te!

- Desculpa, esqueci-me. - Fant�stico!

Vou j� busc�-la. Desculpa, n�o sei onde tenho a cabe�a.

Que est�s a fazer?

- A ligar para a escola, o que achas? - Sim.

Ol�, sou a m�e da Sara Castro Franc�s do 3�B.

Estou a ligar porque nos esquecemos da greve do transporte

e n�o fomos buscar a menina.

Deve estar � espera.

- Pode dizer-lhe que vamos j� busc�-la? - Sim.

Sim, eu espero.

Est� tudo bem.

Sim.

Deve estar com a professora.

Podia fazer-me o favor de...

Como � que j� n�o est� ningu�m? Nalgum s�tio tem de estar.

N�o se pode ter ido embora sozinha.

N�o foi com ningu�m porque ningu�m a foi buscar.

Percebe?

Ou�a, j� sei o que me disse,

estou a pedir-lhe por favor

que veja se a minha filha est� a� em algum lado!

O que foi?

Ela ainda estava a dormir

e tivemos uma discuss�o.

Por isso, sa�mos de casa muito tarde.

Eu tinha uma audi�ncia muito importante � primeira hora

para um julgamento e estava cheia de pressa.

Quando est�vamos a chegar � escola

apanh�mos um engarrafamento e fic�mos paradas no carro.

Como s� est�vamos a duas ruas da escola, pedi � Sara

para sair e ir a p�.

Assim, eu podia voltar para tr�s e chegar a tempo.

Depois da Sara sair a senhora foi-se embora.

Sim.

Mas ela n�o...

A professora dela disse que ela n�o tinha chegado a entrar na sala.

Ou seja, pudemos supor que nem entrou na escola.

Percebo.

Julia, disse-me que tinha tido uma discuss�o com a Sara esta manh�.

Podia dizer-me, exactamente, o que aconteceu?

Foi por causa das notas.

Ela tinha-as escondido porque tinha tirado um suficiente.

E eu encontrei-as.

E aborreci-me e castiguei-a.

Um suficiente.

Sim, eu sei que pode parecer um pouco excessivo

mas ela sempre tirou notas muito boas.

Acha que por causa disso podia n�o querer voltar para casa e fugiu?

N�o, n�o me parece.

N�o. Para aonde ia?

� uma boa menina, sempre foi obediente.

Nunca nos deu nenhum problema.

Os filhos s�o obedientes at� deixarem de ser.

Um castigo que lhe possa ter parecido injusto ou desproporcionado

podia ser a raz�o para ela pensar

em se revoltar

e n�o voltar para casa.

Bem, tem raz�o.

Tamb�m pode ser para chamar a aten��o.

Tem andado mais rebelde.

Alex, n�o digas disparates. A tua irm� est� como sempre esteve.

Aqui, o �nico que saiu rebelde foste tu.

De qualquer forma, algu�m tinha de a ter visto.

� imposs�vel que tenha desaparecido assim.

Se a sua filha fugiu, o mais prov�vel � que esteja em casa

daqui a umas horas.

Ou porque voltou para casa ou porque a encontraram.

H� umas patrulhas � procura nos arredores.

Acredito que rapidamente a vamos encontrar.

� mais comum do que parece.

Muito bem...

E se n�o fugiu?

E se algu�m a levou?

Aconselho-os a n�o pensarem nisso, por enquanto.

Que mantenham a calma, est� bem?

� muito cedo para tirar conclus�es.

H� mais alguma coisa que eu deva saber?

Alguma coisa que n�o me tenham contado?

Est� a insinuar que temos alguma coisa a ver com isto?

- N�o estou a insinuar nada. - Somos suspeitos?

Pai, n�o est� a dizer nada disso.

Senhor Castro, acalme-se. Por favor.

S� queria saber se havia mais alguma coisa

que me pudesse ajudar a localizar a sua filha.

Mais nada.

A Sara tem telem�vel?

Tem, mas hoje n�o o levou.

De certeza?

Tirei-lho, foi o castigo.

Bem...

Acho que por agora � tudo.

Deixo o meu cart�o com o meu n�mero, se acontecer alguma coisa

ou se se lembrarem de alguma coisa n�o hesitem em ligar-me.

Farei tudo o que estiver ao meu alcance para encontrar a Sara.

M�e?

M�e, est�s bem?

Estou filho, volta para a cama.

N�o, n�o consigo dormir.

Queres alguma coisa? Um ch�?

A tua irm� desapareceu por minha culpa.

N�o digas isso.

� verdade!

� verdade!

Sempre fui muito exigente, muito dura convosco.

Passei muito mais tempo a ralhar e a exigir

do que a dizer que vos amo muito.

E para qu�?

N�o � preciso estares sempre a dizer que gostas de n�s.

Est� bem? Eu sei e a Sara sabe.

Quando nasceram prometi a mim mesma

que nunca me comportaria convosco

como a minha m�e se comportou comigo.

E acabei a ser exactamente igual a ela.

N�o.

N�o vejas as coisas assim, est� bem?

Est� tudo bem.

Gosto muito de ti, Alex.

Gosto muito dos dois.

S�o o que de mais bonito tenho na vida.

N�o vos quero perder.

Est� tudo bem, m�e.

N�o, voc� disse-nos que de certeza estaria de volta ao fim de umas horas,

que era uma coisa normal.

N�o me parece normal que j� tenham passado mais de

24 horas e que n�o tenhamos nenhuma not�cia sua.

Por isso, fa�a o favor de n�o me voltar a dizer que a minha filha

fugiu, est� bem?

N�o senhor, isso n�o est� bem. Eu, eu, eu...

N�o sei como lhe hei-de dizer.

Ou�a bem!

Algu�m a levou, ouviu?

Algu�m a levou!

Perceba de uma vez por todas e comece a procur�-la a s�rio.

Ou�a...

N�s os tr�s prest�mos declara��es, cont�mos-lhes a mesma hist�ria,

uma e outra vez, demos-lhes as fotos,

demos-lhes os contactos dos outros pais.

Que quer que fa�amos mais?

N�o, n�o lhe quero ensinar a fazer o seu trabalho.

S� estou a dizer que acho que n�o est�o a fazer

o que � preciso.

Por favor, a minha filha est� por a�, presa nalgum s�tio contra a sua vontade.

S� lhes pe�o...

S� lhes pe�o que a tragam para casa

e que prendam quem a levou, mais nada!

"Tenho a Sara.

"Quero ir a vossa casa esta noite falar com os tr�s.

"Se estiverem de acordo

"deixem acesa a luz do alpendre e eu estarei a� � meia-noite.

"Se tiver alguma suspeita que chamaram a pol�cia

"n�o voltam a ver a menina com vida."

Que � isto, meu Deus? O que � isto?

� uma brincadeira, n�o �? S� pode ser.

Sei l�, talvez algu�m tenha visto os cartazes e esteja a brincar.

Por favor, Alex. Por favor, Alex. A s�rio.

N�o te enerves, temos de estar calmos. Temos de

pensar no que podemos fazer. A quem podemos ligar.

- Liga � pol�cia. - N�o. A pol�cia, n�o.

Ele diz que n�o, escreve aqui.

M�e, se isto � a s�rio temos de ligar � pol�cia.

N�o podemos chamar a pol�cia, Alex!

- Est�o malucos? - Calma, querida.

Alex,

olha como est� a tua m�e, olha como estamos n�s.

Vamos pensar no que podemos fazer.

E j� pararam para pensar se este tipo n�o � um louco?

N�o sabemos. N�o temos ideia de quem �.

Por isso mesmo, pode ser um maluco.

- Mas tem a tua irm�. - Deixa-nos...

Vamos l� ver Quando vier...

N�o, n�o, n�o. Como quando vier, pai?

Quero saber quem �, quero conhec�-lo, ver-lhe a cara.

Vais trazer o tipo c� para casa?

N�o o vou trazer para casa, vou receb�-lo � porta.

N�o sei O que vou fazer.

E se � um louco, pai?

S� pode ser louco, para fazer isto s� pode ser louco.

- Mas tu... - Ent�o, quero v�-lo.

E se traz a tua irm�?

E se a traz? E se vem com ela?

- E se n�o a tem? - N�o sabemos que fazer!

- E se n�o a tem? - Ent�o, onde est�?

Onde est�? Desapareceu h� dois dias.

Ela n�o foi sozinha algu�m a levou.

Sen�o, com quem estaria?

Algu�m teve de a levar! Algu�m a levou!

- Tem calma, querida. - Vamos l� ver...

Vamos esperar.

N�o, n�o vamos esperar.

- Temos de chamar a pol�cia. - Ouve o teu pai.

Agora somos mais espertos do que a pol�cia?

Alex, n�o fales comigo assim.

N�o vamos chamar a pol�cia. Eu decido o que vamos fazer.

Tem calma, por favor!

N�o voltes a levantar-me a voz!

Ent�o, n�o contem comigo. V�o � merda!

Alex. Alex!

Est� a demorar muito tempo.

Que horas s�o?

� quase meia-noite e meia.

- Isto � alucinante. - N�o, isto � uma brincadeira.

Eu disse-lhes que isto era uma brincadeira.

Somos uns parvos, deixamos a luz do alpendre acesa e agora achamos...

Alex, por favor!

Por favor, cala-te.

A s�rio, filho. Ajuda-me. Ajuda-nos.

J� disse que dev�amos chamar a pol�cia.

Dev�amos ter chamado a pol�cia e se fosse uma brincadeira

tinham feito alguma coisa a esse tipo.

Vamos esperar. Vamos esperar.

N�o faz sentido.

Estou?

Boa noite. Oliver?

Sim, sou eu. Boa noite.

- Diga. - Fui eu quem enviou a carta.

J� vi que aceitaram a minha proposta, quero agradecer-lhes.

Deix�mos a luz acesa. Ou�a, por favor...

Tem a minha filha, por favor?

A Sarinha est� muito bem, tenham calma.

A minha menina!

Traga-a!

Diga-me, o que...

Antes de ir a tua casa queria ter a certeza...

Ou�am bem...

- Sim. - A certeza que

tudo vai estar calmo e sereno.

Que ningu�m se vai enervar que vamos poder ter uma conversa

como pessoas civilizadas.

- Sim, n�o se preocupe. - N�o quero que ningu�m fa�a

nenhum disparate.

Porque sen�o vou-me embora e est� tudo acabado.

N�o se preocupe, vamos estar calmos. A s�rio!

Estamos dispon�veis para falar consigo do que quiser.

Estamos � sua espera desde a meia-noite.

Estamos aqui � sua espera.

Quero saber se a minha filha est� bem, por favor.

Preciso que prometas que vai estar tudo calmo.

- Quero que a tua fam�lia prometa... - Juro.

Dou-lhe a minha palavra que tudo vai estar tranquilo.

Estamos serenos, tranquilos e queremos falar consigo.

A menina? Traz a menina?

Traga-me a menina, por favor.

Se todos colaborarem isto vai ser muito r�pido.

E tudo voltar� � normalidade.

- � isso que queremos. - Acredito que n�o chamem

a pol�cia, porque se me detiverem

n�o voltar�o a Vera menina com vida, e nada poder�o fazer para o evitar.

Estamos de acordo?

- Isso n�o vai acontecer. - De acordo, n�o chamamos a pol�cia.

Dou-lhe a minha palavra que n�o chamaremos a pol�cia.

Por isso, pode vir tranquilamente. Estamos � sua espera.

Traga a menina.

- Ouviu-me? - Ou�a!

Desligou?

A minha menina!

A minha menina!

Espera, espera, espera!

Calma, calma.

Calma, calma. Julia!

M�e, por favor. M�e, por favor!

M�e, m�e. J� chega, est� bem?

Espera! Espera! Espera! Espera!

N�o, n�o! Por favor...

Vou abrir. Temos de fazer o que nos disse.

Temos de fazer o que nos disse.

- Tem calma! - Tem cuidado, por favor!

Est� bem! M�e, estou aqui!

Fica com a tua m�e.

Boa noite.

Posso entrar?

Julia.

Alex.

Oliver.

Muito obrigado por me receberem esta noite.

Quero que saibam desde j� que compreendo muito bem a situa��o

que est�o a viver.

E lamento!

Mas tenho a certeza que se me ouvirem com aten��o

e estiverem dispostos a colaborar

tudo correr� bem.

Onde est� a Sara?

Como sabemos que tens a Sara?

Filho da puta! Que fizeste com a minha filha?

Cabr�o!

Quero que tu te lixes!

Onde est� a minha filha? Onde est� a minha filha?

- Por favor. - Desgra�ado!

Que lhe fizeste?

Por favor, Julia. Tem calma, querida!

Calma!

Senta-te.

Senta-te, senta-te. Amor, senta-te.

Calma.

Muito bem, queres falar de qu�?

Que merdas queres falar connosco?

- Que queres? - Alex!

Alex, deixa-me falar. Tem calma.

Que quer de n�s?

Um dos tr�s tem um grande segredo escondido.

Uma coisa muito...

Muito m� que prejudicou algu�m.

Uma coisa que nunca contou a ningu�m

e que por isso acha que mais ningu�m sabe.

Mas eu sei.

S� quero

que essa pessoa confesse o que fez � frente de toda a fam�lia.

Mais nada.

Quando isto acontecer

a Sara ficar� livre e poder� voltar para casa.

� f�cil.

O qu�?

N�o vale a pena inventar uma hist�ria nem mentir.

S� iriam perder tempo.

E o tempo � fundamental.

Porque �s 6h00 da manh�,

a pessoa que est� a tomar conta da Sara

vai ligar-me.

E se ainda n�o tiver ouvido a confiss�o

que quero ouvir

podem despedir-se da menina.

N�o sei qual � o segredo. Que segredo?

Conhecem a express�o "Sub Rosa"?

N�o.

� uma express�o latina que significa: Por baixo da rosa.

A rosa era o emblema de Horus, o deus do sil�ncio do antigo Egipto.

E desde ent�o,

foi considerada um s�mbolo de confidencialidade por muitas culturas.

Por isso, os romanos costumavam pintar uma grande rosa de 5 p�talas

no tecto da sala do conselho,

para lembrar todos os presentes

que tudo o que se dissesse

por baixo da rosa

deveria ficar em segredo.

Era um pacto t�cito.

Comprometo-me que tudo o que for dito esta noite

n�o sair� das paredes desta casa.

Algu�m tem alguma coisa a dizer?

Pai?

Oliver...

Que fizeste?

Responde!

Vou...

Vou contar o que

voc� quer que eu conte.

Se vais faz�-lo, pe�o-te que o fa�as ali.

� frente do televisor.

� frente de todos.

- De que est�s a falar? - Pai, sabes o que �?

Vamos acabar com isto de uma vez.

Bem...

O que...

Antes de come�ares gostava de te conhecer um pouco mais.

Saber algumas coisas do teu passado, por exemplo.

Onde cresceste?

Cresci numa aldeia,

numa fam�lia humilde.

Por que queres saber isto?

Como era a vida familiar?

Era uma fam�lia normal, humilde, trabalhadora.

Os meus pais

lutaram muito para eu ser algu�m, para estudar.

Enfim...

Custou-te muito ser algu�m?

Sim.

Custou-me, sim.

O que fazes?

Sou dentista.

Tenho uma cl�nica dent�ria.

Tens irm�os?

Tenho dois irm�os.

E como te d�s com eles?

Com a minha irm� Elena,

h� muito tempo

que a rela��o...

Enfim, deteriorou-se.

Porqu�?

N�o sei, problemas de comunica��o.

Problemas entre irm�os.

Coisas que aconteceram e que foram crescendo.

Coisas que n�o foram discutidas.

N�o sei.

Muito bem, podes continuar com o teu segredo.

No ano passado um amigo disse-me que queria mudar de casa

porque a mulher ia dar � luz e queriam mudar para uma casa maior

e melhor. O normal.

Como se chama o teu amigo?

Roberto.

Por acaso, comentei com um amigo que tem

uma imobili�ria e que me disse

que tinha acabado de entrar uma pechincha.

Um andar que tinha sido embargado e que,

por ser para mim Podia consegui-lo

por metade do pre�o.

Se...

Se lhe desse um sinal.

Na verdade queria o sinal para ele, era o dinheiro que

ele iria receber por fazer o favor.

Contei ao meu amigo, ele viu o andar, gostou muito

e concordou...

Bem, concordou em pagar esse sinal.

Quanto era o sinal?

3.000 euros.

Disse-lhe para me dar o dinheiro a mim porque...

Enfim, era um assunto delicado por causa do...

Com a imobili�ria e por causa do embargo.

Bom, no dia seguinte, encontrei-me com o meu amigo e ele deu-me o dinheiro.

Naquela altura estava a passar por um mau momento na cl�nica,

estava com problemas. Tinha-se estragado um aparelho

importante de que eu precisava.

E n�o tinha dinheiro para...

N�o tinha dinheiro para comprar um novo porque tinha gastado

muito dinheiro num carro novo.

E fiquei com o dinheiro do meu amigo.

Fiquei com o dinheiro

e fingi que tinha sido assaltado na rua.

Est�s arrependido do que fizeste?

Estou.

E achas que tens de pagar pelo que fizeste?

Claro.

Posso devolver os 3.000 euros.

N�o sei, se precisar de mais dinheiro posso dar mais dinheiro.

De certeza que conheces a lei de Tali�o.

Basicamente � pagar um erro com a mesma moeda.

Um castigo do tamanho

do delito que se cometeu.

Olho por olho.

Dente por dente, m�o por m�o, p� por p�.

�xodo 21:24.

Mas eu devolvo-lhe o dinheiro, a s�rio!

� ir�nico, n�o �?

Roubaste 3.000 euros ao teu amigo para continuares a tirar dentes.

Quanto cobras na tua cl�nica?

Para fazer um...

Como se chama? Um implante dent�rio.

N�o sei, 900 euros por implante.

O implante...

Depois, 600 por uma coroa.

Ou seja, uns...

Uns 1.500 euros.

Ou seja,

dois implantes dent�rios s�o uns 3.000 euros?

Est� a dizer para eu tirar um dente?

N�o, dois.

3.000 euros.

Acho que � um pagamento justo.

N�o acham?

O que � que quer? 3.000 euros, 6.000 euros, 12.000 euros?

Damos-lhe j�!

- Julia. - � o que quer?

Julia.

Deixa-o.

N�o, pai!

Pai!

- Por que vais tirar os dentes? - N�o temos outra sa�da, filho.

Tem de haver outra maneira.

Queria um segredo? Aqui o tens.

Oliver.

Meu amor.

Muito bem.

Mas esse n�o era o segredo que eu queria ouvir.

O qu�?

Voc� � um s�dico. O que � isto?

Ent�o por que o deixou fazer aquilo?

Eu n�o o deixei fazer nada.

Ele decidiu pagar e pagou. E voc�s estiveram de acordo.

N�o, disseste dois dentes. Aqui tens dois dentes.

Vim ouvir um segredo e n�o � esse.

Disse que assim que o ouvisse

a Sara ficaria livre e poderia voltar para casa.

S�o voc�s que andam �s voltas e n�o o contam.

Que segredo? Que merda de segredo queres?

Alex, Alex.

- A minha paci�ncia esgotou-se. - N�o, por favor.

N�o se v� embora! Por favor.

N�o tem provas que cheguem?

Por favor.

Todo o castigo tem um pr�mio.

Vou dar-lhes um dado que pode ajud�-los a refrescar a mem�ria.

Foi de noite.

Que est� a dizer?

Isto n�o faz sentido nenhum.

J� sei do que est� a falar.

Alex, tens de fazer um favor. Vai para o teu quarto.

N�o.

- Por favor. - N�o.

- Por favor. - N�o vou.

- Alex, obedece-me. - N�o vou.

- Obedece-me, por favor. - N�o vou!

Alex! Alex.

Faz o que a tua m�e est� a dizer.

Alex.

Ficas a� sentado.

O que vais dizer,

dizes para a fam�lia toda.

Muito bem.

Ali, tamb�m?

Perfeito.

Gostava de te conhecer um pouco melhor, Julia.

Em que tipo de fam�lia cresceste?

Numa fam�lia

abastada. � isso que quer dizer?

Sim, numa fam�lia abastada.

Como foi a tua inf�ncia?

O meu pai morreu quando eu tinha seis anos. Ou seja...

Houve um antes e um depois.

Daquilo...

Como conheceste o Oliver?

Numa festa.

Conhecemo-nos numa festa em casa de um amigo comum.

Eu vivia sozinha

estava a trabalhar como assessora num escrit�rio.

Tinha acabado de terminar os estudos

e tinha-me tornado independente.

E depois o que aconteceu?

Pouco tempo depois cas�mos

e a seguir veio o Alex.

E uns anos depois a Sara.

E como achas que est� o teu casamento?

Bem.

Est� bem.

Podes dizer

que continuas apaixonada por ele?

Sim.

Continuo apaixonada por ele.

Muito bem.

Agrade�o a tua sinceridade, Julia.

Que tens para nos contar?

H� uns sete anos

que trabalho num escrit�rio de advogados internacional.

Muito importante.

H� uns dois meses

foi reestruturado,

o meu departamento.

Porque o meu chefe directo ia ser promovido

a director da sucursal.

Assim, o seu lugar ficava livre,

e seria provavelmente ocupado por um dos meus colegas

ou por mim.

Eu...

Era a advogada que tinha resolvido mais casos

desde que entrei no departamento

e tudo indicava que

o lugar seria meu.

Mas umas semanas antes,

apareceu uma colega nova

no escrit�rio.

Que, por acaso, era a mulher do meu chefe.

Logo a seguir, espalhou-se o rumor que seria ela

quem subiria.

Por raz�es �bvias.

E a mim isso pareceu-me muito injusto

porque eu tinha trabalho muito.

Muito.

E queria ser promovida.

�s sextas-feiras, depois do trabalho, o meu chefe e uns s�cios costumavam

ir, a um s�tio que estava na moda, tomar uns copos.

Eu sabia que a mulher

n�o o costumava acompanhar, que ia para casa.

Assim,

contratei uma

cliente que tinha representado.

Uma acompanhante de alto n�vel.

Contactei-a e paguei-lhe

para seduzir o meu chefe.

Assim,

uma destas sextas-feiras,

ela

estava l�.

E

n�o demorou muito tempo

para fazer o seu trabalho.

Era uma mulher impressionante.

E

pouco depois sa�ram dali.

Ele levou-a

para a garagem onde costumava deixar o seu BMW.

E...

Bem, quando entraram

come�aram a beijar-se

e ela acabou por fazer sexo oral.

Na v�spera,

a mulher do meu chefe,

recebeu uma mensagem an�nima.

Por isso, naquele dia, n�o foi para casa.

Estava no parque de estacionamento e viu tudo.

Na segunda-feira...

Na segunda-feira a seguir, n�o apareceu no escrit�rio.

E nunca mais apareceu.

E umas duas semanas depois,

promoveram-me e eu consegui subir.

Arrependeste-te do que fizeste?

Sim.

E achas que tens de pagar pelo que fizeste?

Sim.

Chega, por favor. Deixa-a em paz.

Fa�a o que quiser comigo mas deixe-a.

- Repete, Julia. Repete. - Deixe-a em paz!

- Sim. - J� chega, n�o?

Queres ir para ali? Tens algo importante para nos dizeres?

Vamos fazer uma coisa.

O que achas se mudarmos a din�mica?

Por que n�o escolhes tu o teu castigo exemplar?

Desde ent�o n�o consigo dormir, se lhe serve de consolo.

Metade do mundo n�o consegue dormir.

Vamos, Julia. Pensa.

Fiquei surpreendido, tens uma criatividade incr�vel.

Queria que contasse � frente deles

e j� contei.

E acabou?

N�o me vem nada � cabe�a.

Que decep��o?

Que decep��o.

Por favor! Vamos, Julia.

O tempo est� a passar.

A Sara quer vir para casa.

N�o me vem nada � cabe�a.

Tanto esfor�o e tanta criatividade para conseguir um posto de trabalho

e �s incapaz de usar essa criatividade para teres a tua filha de volta.

Que pena! Pobre Sara! O tempo est� a passar.

N�o me vem nada � cabe�a.

Bem...

Que decep��o.

Talvez eu te possa ajudar.

Ol� mam�, estou bem. Tenho saudades tuas, um beijo.

- Ol�, mam�, estou bem... - Por favor!

Por favor, traga-a para casa.

Ol� mam�, estou bem. Tenho saudades...

Fa�o o que quiser.

Por favor!

Queres despachar-te a mijar!

Meu Deus.

Ol�, d�s-me um cigarro, por favor.

Sim.

Que c�o t�o engra�ado.

� uma cadela.

- Como se chama? - Thor.

D�s-me lume?

Muito obrigada.

Vives por aqui?

Ali acima, com a minha m�e.

Como te chamas?

Bruno.

E tu?

Chamo-me Julia.

E em que trabalhas, Bruno?

Sou inform�tico.

Que interessante.

Ouve, Bruno.

Estou a pensar...

Queres vir a minha casa?

Gostavas?

- Vamos. - Agora?

Sim.

Est� muito frio, n�o est�?

- Anda. - Est� bem.

Anda. Moro ali ao lado.

N�o te assustes, n�o h� problema. N�o te v�o fazer nada, prometo.

N�o te v�o fazer nada, s� vais estar comigo.

S� vais estar comigo.

Est� bem?

Juro.

Tem calma.

D�-me o teu casaco.

N�o te assustes, a s�rio.

N�o olhes para eles.

N�o olhes para eles.

Est�s muito longe, Julia.

De frente para o Oliver.

Tem calma, tem calma.

Eu sei que isto est� a ser muito dif�cil para ti, Alex.

Mas est� tudo a correr bem.

Tem calma.

H� momentos na vida

que nos marcam para sempre.

Todos. Uns mais, outros menos,

j� pass�mos por situa��es

lixadas, traum�ticas.

Mas s�o precisamente essas

que formam o teu car�cter e a tua personalidade.

As que te fazem ser quem �s.

Quando tinha a tua idade, talvez um pouco menos.

Ao lado da minha casa

havia uma f�brica de a��car. Um s�tio onde

chegavam todos os dias

cami�es carregados de a��car a granel.

L� dentro, empacotavam-no e vendiam-no.

Ao lado da f�brica havia uma casa, uma vivenda

onde viviam tr�s irm�ozinhos

com os av�s que era quem cuidava deles.

Lembro-me de estar sentado

no passeio a fazer n�o sei o qu�, talvez � espera do autocarro.

Era meio-dia.

O av� sa�a todos os dias a essa hora porque era quando

os irm�os mais velhos vinham da escola com a av�.

E ele sa�a com o mais pequenino que tinha uns cinco ou seis anos.

Loiro... Bonito.

Ia esperar os irm�ozinhos.

E nesse dia, n�o sei porqu�,

o av� p�s-se a conversar com um vizinho, acho eu.

E quando chegaram os irm�os

do outro lado da avenida,

com a inoc�ncia das crian�as,

sem ter no��o do perigo,

come�ou a correr.

Quando ia a atravessar a estrada

n�o viu

que vinha um cami�o cheio de a��car

para a f�brica.

E de repente,

o universo parou.

O espa�o e o tempo ficaram suspensos.

E ouvi o som mais assustador, mais sangrento, mais indescrit�vel...

Que at� ao dia de hoje me continua a tirar o sono.

O cr�nio de uma crian�a

esmagado por um pneu.

No asfalto.

Posso pedir-te um favor?

Fazes-me uma sandes?

Estou com fome.

Se puder ser de queijo e marmelada.

E tira a c�dea que n�o gosto, est� bem?

Obrigado.

Bem...

Agora, traga-me a minha filha, por favor?

O segredo n�o era esse.

Por favor! O que quer mais?

Por favor, suplico-lhe. Traga-me a minha filha.

Traga a minha filha. J� lhe disse que fa�o o que quiser.

- Por favor. - Est� a brincar connosco.

N�o aguento mais.

Vou dar-lhes mais uma pista.

Vamos ver se vos ajuda.

Foi uma dor f�sica.

Nunca toquei num cabelo de ningu�m em toda a minha vida.

N�o fizemos mal a ningu�m, nunca! Que mal?

Por favor, acabe j� com isto!

N�o te mexas!

- Alex! Alex! - Alex! Alex, a menina!

Alex, a menina. N�o lhe fa�as mal, a menina.

- Vamos at�-lo! - A menina!

Alex, Alex!

- Vamos at�-lo. - A menina! A menina!

- A menina! A menina! - Cala-te!

Alex!

Obedece-me e solta-o!

- Ouve a tua m�e, Alex. - Solta-o j�.

- Solta-o! - Vai buscar l� acima.

- Vai buscar l� acima. - J� te disse para o soltares.

Tenham calma!

N�o lhe fa�as mal.

N�o encontras?

- Procura nos arquivos. - Estou � procura, pai.

- Nos arquivos de som. - Estou � procura.

Deve t�-lo apagado.

Como te atreves! Como te atreves!

Que fizeste?

Que fizeste? Que fizeste?

Tens no��o do que fizeste? Tens no��o do que fizeste?

Como te atreves a brincar assim com a vida da tua irm�

depois de tudo o que eu e o teu pai fizemos?

O que te passou pela cabe�a, Alex?

O que te passou pela cabe�a, por amor de Deus?

� a vida da Sara que est� em jogo, porra.

N�s sabemos.

Temos de mudar de estrat�gia, fazer alguma coisa.

N�o pode continuar a humilhar-nos assim.

- Temos de chamar a pol�cia. - Esquece a pol�cia, por favor.

Este tipo n�o se incomoda nem com a pol�cia nem com nada.

Est� a rir-se de n�s.

Apontaste-lhe uma faca e riu-se, porra!

Querem dizer-me o que vamos fazer quando ligar

a pessoa que tem a Sara?

Podemos obrig�-lo a falar.

Podemos fazer uma coisa que vi num document�rio sobre Guant�namo.

- Tu n�o o viste? - E funciona, p�em-lhes uma toalha

na cara e deitam muita �gua. Funciona. Todos falam, m�e.

E se te descontrolas? E se o afogas?

Por favor, n�o nos pode ouvir.

E se te descontrolas?

Quem vai atender o telefone quando ligarem?

Diz-me!

Mas ainda n�o perceberam? Isto � uma loucura. Uma loucura.

P�em-lhes uma toalha na cara e deitam muita �gua.

Funciona porque todos falam, m�e. Todos falam.

Est� a ouvir-nos, porra! Est� a ouvir-nos.

N�o sei que fazer com ele.

Pedir-lhe desculpa, solt�-lo e fazer o que pedir.

Julia, j� fizeste muito, querida. J� fizeste muito.

Podemos fazer isto, � uma hip�tese.

Nem pensar nisso, nem pensar nisso.

Oliver, n�o pode ser, n�o olhes assim para mim.

E que fazemos?

- N�o contem comigo para isso. - Claro que n�o.

Claro que n�o.

Vamos tentar.

- Querida, temos de tentar. Pela Sara. - N�o quero ter nada a ver com isso.

N�o te preocupes.

N�o te preocupes.

Onde est� a minha filha?

Onde est� a minha filha?

Se n�o me diz onde est� a minha filha vamos ter de mago�-lo, ouviu?

Est� bem?

Vou perguntar-lhe pela �ltima vez: Onde est� a minha filha?

Traz a �gua.

Traz a �gua! Vamos l�!

Vamos, deita, deita.

Deita, deita. Deita toda.

Onde est� a minha filha?

Diga-me onde est� a minha filha.

Vou ter de continuar. Diga-me onde est� a minha filha!

Est� com quem?

Enche a garrafa.

Vamos l�!

Onde est� a minha filha?

Deita.

Toda! Toda!

Onde est� a minha filha?

Quem tem a minha filha?

Por favor!

Por favor!

Por favor!

Por favor, diga-me.

Isto n�o resulta.

Pai, temos de fazer outra coisa.

- O qu�? - Uma coisa pior.

Uma coisa pior como o qu�?

Que est�s a dizer?

Tapa-lhe a cara.

- Para qu�? - Tapa-lhe a cara.

- Vamos l�! - Alex, tem cuidado.

Que est�s a fazer?

Filho, por favor!

N�o o podemos matar.

N�o, Alex. N�o, n�o. Alex.

Larga isso. Larga isso.

N�o o podemos matar. Pensa na tua irm�, porra.

Alex!

P�ra j�! P�ra j�!

Ainda o matas!

Meu Deus!

Como te lembraste?

- �s 6h00 a menina estar� morta. - V�s o que fizeste?

Que queres, que a tua irm� morra para n�o falares?

Era isso que estavas a fazer, n�o era?

Era isso que querias fazer n�o era?

Esconder tudo com toda esta encena��o.

Acabou-se, ouviste? Acabou-se!

Se tens alguma coisa para dizer, diz j�!

Julia, tem calma. Por favor.

V�o matar a Sara.

Nenhum dos dois est� a perceber?

Aonde vais?

Alex.

Lamento imenso.

Lamento.

Eu n�o queria que isto acontecesse.

Se o solto...

Podemos regressar ao nosso acordo?

Onde est� o meu telefone?

Tr�-lo!

Quero saber um pouco mais de ti.

Estudas?

Sim.

Que estudas?

Belas-Artes.

Belas-Artes?

Tens namorada?

N�o.

Tens pouco sucesso com as mulheres?

Sim.

S�o mais de usar e deitar fora?

Que tens para nos contar?

Foi numa noite que fui para os copos com uns amigos.

Bebemos muito e quando fechou o s�tio

onde est�vamos fomos

para a paragem apanhar o autocarro para casa.

Est�vamos num s�tio afastado, onde s� h�

terrenos e uma estrada.

Fomos a p� at� � paragem do autocarro e estava l� um rapaz sozinho � espera.

Era...

Era um rapaz da universidade.

Um tipo gay que anda sempre com as mi�das da turma.

T�nhamos bebido muito e eu pensei

que seria divertido metermo-nos com ele.

Ent�o,

aproximei-me e comecei

a insult�-lo.

Chamei-lhe maricas e brochista.

E...

os meus amigos

riam-se e incentivavam-me a continuar.

Como n�o olhava para mim,

nem falava comigo,

perguntei-lhe se era surdo.

Fez-me um manguito e os meus amigos come�aram a rir-se de mim.

Ent�o,

agarrei nele e dei-lhe um murro que o atirou ao ch�o.

Dei-lhe...

Dei-lhe pontap�s e cuspi-lhe

at� que lhe disse que lhe ia dar uma li��o.

Ent�o, disse-lhe para se despir.

Como n�o se despiu continuei a bater-lhe

e a cuspir-lhe.

Quando por fim se despiu obriguei-o

a p�r-se de gatas.

Nu, na estrada.

Enquanto os carros passavam e apitavam

n�s tir�vamos fotos e r�amo-nos dele.

Disse-lhe que se contasse isto a algu�m

mostrava as fotos a todos na universidade.

Ent�o, agarrou nas suas coisas,

vestiu-se e desapareceu a correr.

Est�s arrependido do que fizeste?

Sim.

E achas que tens de pagar pelo que fizeste?

Vamos at� � cozinha.

Senta-te a�!

- Para a cozinha. - Por favor, n�o lhe fa�a mal.

Por favor, � uma crian�a! Por amor de Deus!

Por favor!

D�-me o teu telem�vel.

Abre o frigor�fico e v� que legumes h�.

Tomates. Pimentos.

- Cebolas. - As cebolas n�o v�o para o frigor�fico.

- Mais o qu�? - Cenouras.

Podem ser as cenouras.

H� manteiga ou margarina?

H�?

Muito bem, tira-as.

Muito bem.

Despe-te.

As cuecas tamb�m.

Agarra na cenoura e unta-a com margarina.

N�o, com a m�o.

Com a m�o.

Isso, bem untada. Muito bem.

E agora...

Que vamos fazer?

Que achas que podemos fazer com isto?

Que gostavas de fazer com essa cenoura?

Ent�o!

Vamos l�!

Faz o que quiseres. Tiro uma fotografia

e partilhamos com os teus amigos e com as tuas amigas.

Vamos l�! Diz-me!

Que achas que podias fazer com isso?

Quando vais sair do arm�rio, mi�do?

Sim, sim!

P�e isso a�!

Toma.

Veste-te e desaparece da minha vista.

Alex... Alex! Alex!

Que lhe fez?

- Que aconteceu? Que lhe fez? - Responda-me.

Que lhe fez?

O segredo que revelou n�o era o que eu estava � espera.

Vejam que horas s�o.

Faltam uns minutos para as 6h00. Vou dar-lhes a �ltima pista.

Aconteceu nesta casa.

Nesta casa mesmo.

Portanto, pensem

porque n�o h� muito tempo.

N�o sei.

O Alex costuma trazer mi�das para casa.

� isso?

N�o sei.

Alex.

Alex, abre a porta.

Alex, por favor. Abre a porta.

N�o � do meu filho que est� � espera de uma confiss�o, pois n�o?

Nem da minha mulher.

N�o � deles.

Alex, tens de falar. Por amor de Deus! Conta-me, seja o que for!

Abre!

Abre, Alex. Por favor.

Alex, n�o temos mais tempo. Por favor.

Eu sei o que quer ouvir.

E vou contar-lhe.

O que aconteceu aqui,

naquela noite.

Este � o meu segredo.

� a minha confiss�o.

Mas tem de me prometer uma coisa.

N�o diga � minha fam�lia nada do que lhe vou contar.

Vamos combinar assim. Por favor!

As regras n�o s�o essas.

N�o foi o que acord�mos.

Eu sei que n�o foi o que acord�mos,

mas fa�a-me s� este favor.

N�o lhes conte nada.

Ent�o, o pagamento ter� de ser mais alto, n�o achas?

Pagarei o que for preciso.

Pagarei o que for preciso, mas n�o conte nada � minha fam�lia.

Falta pouco tempo.

Prometa, por favor.

Tem a minha palavra.

H� duas semanas,

a minha filha Sara pediu-nos autoriza��o

para a sua amiga Lucia ficar a dormir c� em casa no s�bado.

Lig�mos � m�e dela, estava de acordo

e trouxemo-la para casa.

Almo��mos no jardim,

e depois as meninas estiveram no quarto a brincar toda a tarde.

Quando anoiteceu,

o Alex

saiu com os amigos, como de costume aos fins-de-semana.

A Julia foi

tratar da m�e porque sofre do cora��o e naquele dia

tinha tido uma crise e precisava que a filha estivesse com ela.

Por isso, fiquei sozinho a tratar das meninas.

Fiz-lhes o jantar e depois estivemos a ver um filmo na televis�o at� que

adormeceram.

Deitei a minha filha no quarto,

e levei a Lucia para o quarto de h�spedes.

E fui para a cama.

Ao fim de uma hora levantei-me

e...

Tenho em casa um anest�sico muito forte que uso nas consultas.

Levei-o para o quarto da menina, fechei a porta � chave

e dei-lhe uma dose desse anest�sico, uma dose muito forte.

E depois abusei dela.

Abusei da menina.

Na manh� seguinte tom�mos o pequeno-almo�o todos juntos

como se n�o se tivesse passado nada.

Veio c� a m�e da Lucia

e levou-a.

Foi isto que aconteceu.

Est�s arrependido do que fizeste?

Sim. Claro que estou arrependido.

E achas que tens de pagar pelo que fizeste?

Sim.

Corta-a.

O qu�?

Corta-a.

N�o.

N�o posso fazer isso.

Olha que horas s�o.

N�o posso fazer isso.

N�o valho nada.

N�o consigo.

Preciso de uma resposta.

Que lhe digo?

Que lhe digo?

Diga-lhe que sim.

Diga-lhe que sim.

D�-me mais dez minutos.

Na segunda-feira de manh� acordou com dores de barriga.

E encontr�mos sangue na roupa interior.

Decidimos lev�-la ao hospital.

E depois de o m�dico a ter visto

concluiu que tinha sido penetrada.

Por sorte, n�o se lembra de nada.

De absolutamente nada.

E na verdade,

as an�lises

indicavam vest�gios

de sevoflurano,

um anest�sico odontol�gico.

Vou buscar a tua filha.

Oliver.

Que aconteceu?

Oliver! Oliver!

Oliver, o que te fez ele?

O que aconteceu?

Vou chamar uma ambul�ncia.

- N�o. - P�e a m�o aqui.

- N�o chames ningu�m. - P�e a m�o aqui.

Ele vai trazer a Sara.

Ol�.

- Querido, que te aconteceu? - Nada.

Nada.

Est� tudo feito.

Como est� a menina?

Bem, esteve sempre a dormir.

Est� calma.

Coitadinha.

Vou lev�-la.

Est� bem.

Adeus.

Aguenta, meu amor. Aguenta, Oliver.

Aguenta um pouco, querido.

Mam�?

Sara?

Sara!

Sara!

Sara.

Est�s bem?

- Est�s bem? - Estou.

Saia da minha casa.

A tua filha tem uma coisa para te contar.

Como pudeste fazer uma coisa daquelas?

� tua pr�pria filha.

Perdoa-me.

Desculpa.

Perdoa-me.

Perdoa-me!

Perdoa-me.

Perdoa-me.

Desculpa.

Desculpa.

Desculpa.

Perdoa-me.

Perdoa-me.

Querida, perdoa-me!

Desculpa.

Desculpa.

Desculpa.

Argumento e Realiza��o

Tradu��o e Legendas: Cinemundo, Lda por Lu�s Zanguineto

FIM

Transcritas e sincronizadas por: RicardoB/2022

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