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"OS GOLDEN GLOBES"
Se ganhares, agradeces-me?
Não, sabes, eu não fui nomeado, portanto, não subo ao palco.
Os executivos não podem ser nomeados.
Só um filme que eu tenha aprovado.
Espera, não vais fazer um discurso?
- Não ganhas um troféu? - Não.
Matty, já disse a uma sala cheia de gente que ias ganhar um Golden Globe.
Os Leventhal vieram de Syosset para ver os prémios comigo.
Diz aos Leventhal que o filme que a Zoë Kravitz realizou
vai ganhar o Melhor Musical ou Comédia, como deve,
e ela vai agradecer-me no discurso, perante milhões de pessoas.
Todos a ouvirão dizer o meu nome.
Matthew, se o filme é da Zoë,
porque me disseste que o teu filme estava nomeado?
A verdade é que eu fiz o filme, no fundo. Faço parte da equipa.
Não aconteceria, sem mim. O que se passa é que só saberão que fiz parte disso,
quando a Zoë Kravitz me agradecer ao receber o prémio.
É bom que ela te agradeça, depois de tudo o que sacrificaste por esse trabalho.
- Não tens mulher nem filhos. - Por opção, mãe.
Dá um saltinho ao palco, com os outros.
Faz um aceno à tua mãe, sim?
- Bem, tenho de desligar. Adoro-te. Adeus! - Adeus, querido.
Olá, Matt.
- Olá. - Olá, Matt.
Olá, tudo bem?
Charli, olha para aqui.
Charli, estás linda.
Charli D'Amelio, aqui. Olha para aqui.
- Desculpa, estou a filmar. - Merda.
Olá! Estamos nos Golden Globes. Espreitem atrás de mim. É a Zoë Kravitz.
- Ela está linda. Estou obcecada... - Tenho a Zoë Kravitz.
- Zoë, é tão emocionante! - Olá. Tudo bem?
Como é estares nomeada para Melhor Comédia ou Musical?
Estou muito feliz por os Globes terem reconhecido o nosso filme, Open.
E, ao mesmo tempo, é um bocadinho estranho
estar a competir com outros artistas, entendes?
Como se só pudesse haver um vencedor. Porque sinto que sempre que alguém,
nesta indústria, consegue fazer algo que adora,
isso já é uma verdadeira vitória. Portanto...
Claro, é uma vitória.
É incrível ver-te. E aqui nos Globes, quem estás ansiosa por ver?
- Matty! - Patty! Olá!
- Matty, está a acontecer. - Não é emocionante?
- Tão fixe. - Não, está mesmo a acontecer.
- Sim, é emocionante. - Sempre adorei os Globes, mas...
Especialmente, quando bebia muito. Mas estar aqui como nomeada...
- Sim. - ... é outro nível.
- Se ganhares, ganhamos todos. - Sim.
Bem, sim, só que, como produtora, eu posso mesmo ganhar.
- Sim. - Sim, posso subir ao palco,
levar uma estátua para casa e ser imortal em Hollywood.
E o meu legado será para sempre preservado.
Sim. Será fixe.
Quem é esta gente toda? Não reconheço ninguém.
São influencers. A maioria nem sequer entra.
Fazem vídeos de TikTok na passadeira vermelha e vão-se embora.
Céus!
O que se passa nesta cidade?
Lembro-me de quando a passadeira vermelha dos Golden Globes tinha significado.
Sim, mas se estes fetos viciados em telemóveis
não se concentrarem mais de 15 segundos em algo,
teremos de lidar com a diversidade, igualdade e inclusão.
- Isso seria uma pena. - Olá!
Estamos a Globelizar!
Estamos nos Globelizar!
Tudo bem? É bom ver-te.
- Estás linda. - Olha para ti!
- Estou na mesa 172. E vocês? - Na quatro.
- Na quatro? - Sim.
Porque estou a 168 mesas de distância? Céus! Estou com os da TV?
- Credo. Lamento. - Coitadinho.
- Olá, Patty! - É o Stallone. Olá!
Tenho de falar com ele. Não quero, mas ele ainda tem o meu cavalo.
- Sly, o meu Buttercup? - Caramba! Repara nisto.
Adam filho da mãe Scott!
Sal? Raios! Como estás?
- Já lá vai tanto tempo! - Eu sei.
- Tudo bem, Matt? - Como vais, meu?
Ouve, há uns 20 anos, quando cheguei à cidade,
dormi uns seis meses no sofá do Sal.
- Não sabia. - Sim!
As meias dele cheiravam a um WC do Coachella.
- Verdade. - Agora, é a pila.
Muito verdade.
- Em que mesa estás? - Na três.
- Na três? Três? - Sim.
- Matt Remick. - Mitch! É bom ver-te.
- A Zoë adorou trabalhar na Continental. - E nós adorámos recebê-la.
- Ela divertiu-se muito. - Sim. Isso é bom.
- Porque não... - Podemos lá fazer o Blackwing?
Sim. Diz-lhe que assine o contrato.
- Não nos lixes no adiantamento. - Não vos estou a lixar.
Isto vai render-lhe mais do que qualquer outro filme da carreira dela.
A Zoë como assassina de vampiros
num fato preto com uma Glock vermelha molhada em água benta é lucro garantido.
Tens de te armar em judeu comigo?
Sei que somos ambos judeus. Não adoro piadas de judeus.
- Adoras. - Não...
Agora a sério, vamos fechar este contrato.
Ela está indecisa. Só tens de lhe dar alguma coisa.
Sentem-se, por favor. A gala vai começar.
É a última oferta. É pegar ou largar.
- Sei que é bluff. - Está bem.
- É bluff, certo? - Conta-me como corre.
Olha para ti!
Muito obrigado. Não vou recusar.
Obrigada. Esta é uma honra extraordinária.
Não é um Óscar, mas é fixe na mesma.
Quando andávamos a promover a série Deafening Silence,
os nossos agentes disseram-nos que ninguém andava a comprar minisséries.
Agora, temos Golden Globes, e eles foram despedidos.
Quero agradecer muito ao incrível elenco e à maravilhosa equipa.
E, claro, quero agradecer à pessoa sem a qual
eu não poderia ter feito nada disto.
A minha rocha, o meu mais-que-tudo, o meu parceiro,
o amor da minha vida... Ted Sarandos.
Obrigada. Adoro-te.
Ted, és o melhor presidente de estúdio de sempre.
Sim, somos casados, mas temos uma relação aberta.
Mas só com o Ted.
Digamos que ele não ficou com o lucro todo.
Mas, pondo de lado as brincadeiras porcas sobre o meu patrão,
quero agradecer-te muito, Ted, e a toda a gente na Netflix,
por nos deixarem fazer esta série muito importante. Obrigado!
Palmas para eles. É uma série muito importante.
Toda a gente aqui faz um trabalho muito importante.
Adoro e é por isso que fico nervoso. Entendem? É um momento muito tenso.
Espero que possamos continuar a fazê-lo. E, não sei quanto a vocês,
mas começo a sentir que tenho de ir ao cinema.
Do tipo, se eu não comprar um bilhete, tudo se vai desmoronar.
Todos os trailers parecem um Kickstarter.
Especialmente os filmes caros, como o Avatar.
É como uma GoFundMe para Hollywood inteira.
Se o Avatar não tem sucesso, nenhum de nós volta a ter trabalho.
Não me interessa se não gostam. Custou 300 milhões. Precisam de nós.
E não comprem um bilhete porque gostaram do Avatar 3,
comprem um bilhete porque gostam de cinema!
Nós já voltamos.
Foi fantástico. Ele tem muita piada.
É uma honra estar na mesa convosco. E, Zoë, isto...
É muito merecido, sabes?
- Sim. - Sim, é divertido.
Mas é estranho avaliar arte.
Não acham? Isto é disparatado.
- Sim, é verdade. Sim. - Que ideia!
Eu tento apenas divertir-me nestas coisas, sabes?
Apreciar o momento.
Mas tenho um bom pressentimento para esta noite.
Têm salada? Não nos dão comida, lá atrás. É uma loucura.
- Sal! Meu! Conseguimos, Joe! - Conseguimos, Joe! Céus!
- Vou roubar um crouton. - Tiramos uma foto todos?
Sim! Vem cá.
Patty, vem cá, sua lenda.
- Sim. Vem cá, chefe. - Eu vou, ZoZo.
- É a patroa. - Muito bem.
- Por acaso, Matt... - Sim. Onde fico?
Talvez aí, para não ficares muito perto.
- Porque... Sim. Obrigada. - Sim, tiro a foto. Claro.
Obviamente. Claro.
- Certo. Aproximem-se. - Obrigada.
- Um, dois, três... Equipa Open! - Equipa Open!
Sim.
Tiramos uma com o Matt a segurar na câmara na vertical,
- para as redes sociais. - Sim, claro.
- Adoro-vos! - Equipa Open!
- Adoro-vos! - Pronto.
- Vamos ver. - Estão ótimas.
Obrigada.
Vá lá.
Olá, mãe.
A JLaw está aí? Se estiver, podes...
A Jennifer Lawrence está cá, e não lhe vou dizer
que corte o cabelo pelos ombros. Sim?
Falamos depois. Adoro-te. Adeus.
- Matt. Estás bem? - Sim, estou ótimo.
De certeza?
É impressão minha ou a Zoë Kravitz não gosta muito de mim?
Eu sabia. Cresce, Matty.
O Mitch Weitz disse que ela gostava de ti o suficiente para te dar o Blackwing.
Sim. Quero dizer, talvez seja só da minha cabeça.
Só que parece que ela não me considera parte da equipa do filme.
Preocupa-me que, se ela ganhar, não me agradeça no discurso,
- mas talvez isso nem importe, certo? - Não, importa, e muito.
- Muito? - É...
Essa é a pior coisa de se ser um executivo.
- Não tens o nome no filme, certo? - Exato! Sim!
Sem um agradecimento, é como se nem existisses.
- Exato! Sim! - Céus!
Céus, quando não me agradeciam, ia a chorar na limusina até casa.
Mas, agora, sou uma nomeada.
Deve ser uma das vantagens de ser despedida.
Ouve, se vocês ganharem, hoje, podes agradecer-me no teu discurso?
Matty, claro que eu faria isso. Mas concordámos todos
que seria a Zoë a falar.
Podes pedir à Zoë para me agradecer no discurso?
Pois, vou mesmo... Não estás a brincar.
Não, não estou... Deixa, eu mesmo lhe peço que me agradeça.
- Não vais fazer isso! - Porquê?
Nós nunca... Não podes pedir aos atores que te agradeçam. Isso é tão ridículo.
Não é mais ridículo querer uma coisa e ter medo de a pedir?
Não neste caso. Não a menos que queiras que ela saiba que és carente.
Não sou carente. Só preciso que me agradeçam, esta noite.
E se for a minha única hipótese
de receber um agradecimento num discurso dos Golden Globes?
Matty, eu adoro-te, mas tenho de ir vomitar.
O quê? Estás bem?
Sim, estou ótima. Ótima. Mas isto é...
Sempre que estou perto de realizar um sonho,
vomito sem parar.
Da série The Boys, palmas para Erin Moriarty
e Antony Starr.
- Como vai tudo? - Ótimo.
É uma noite divertida a ver gente lamber as botas ao Ted Sarandos, certo?
Pois. Pelo menos, não estás na mesa com incels dos Países Baixos
de um filme de terror que nunca ouvi falar.
Estou ao lado de um tipo chamado Joop que não fala comigo.
Idiota de merda.
Por muito má que esteja a ser a tua noite, a minha está pior.
Espera. Porque olhas para mim?
Meu, vais mesmo fazer isto agora?
Isto o quê?
Quero dizer... tens uma capa.
Bem, sim. Sim. Pois.
Claro. É um evento formal. É uma capa formal.
Certo. A sério, Sr. Homelander? Bem...
A sério. Toda a vida fui um homem de capa.
Não vou parar agora. De onde eu venho, é muito comum.
Céus! Vens da Nova Zelândia, não da Transilvânia.
Está bem, relaxa.
E o vencedor de Melhor Ator Secundário numa Minissérie ou Filme de Televisão é...
Céus...
- Um super-herói da profissão. Adam Scott! - Adam Scott!
És tu.
O quê?
- Céus. - Vai lá!
Ele dormia no meu sofá, há uns 20 anos.
Ele dormia no meu sofá, para aí em 2000.
Céus! Isto é... Isto é inesperado.
Literalmente, eu não tenho um discurso preparado,
portanto, vou agradecer ao Ethan e ao Giancarlo, os meus coprotagonistas.
Ao Steven Soderbergh, claro, o nosso realizador.
Aos meus agentes. À minha mulher e aos meus filhos.
A todos na Netflix. A toda a gente... Ao Ted Sarandos.
Ted, adoro-te.
Sabem que mais? Quando vinha para cá, encontrei um velho amigo meu.
O homem em cujo sofá eu dormi, quando cheguei à cidade.
Portanto, se estou a agradecer, tenho de agradecer ao Sal Saperstein.
Vá lá, meu!
- Olha o que aconteceu. - Obrigado.
- O que estás a fazer? - Não sei.
- Sal Saperstein! - Obrigado.
O que foi aquilo?
Parabéns.
E acho que falo pela maioria da América, quando digo:
"Quem diabo é o Sal Saperstein?"
Sim, sou eu mesmo!
Muito bem.
Deve ser o anónimo mais entusiasmado da história dos Globes.
Palmas para ele. Muito bem, já voltamos.
Obrigado.
Sal! Aquilo foi hilariante!
- Foi de loucos, não foi? - O que aconteceu?
Estou a ficar louco. O meu telemóvel está a explodir.
- Olha. Sou um meme, Matt. - Céus! És tão famoso.
- Parabéns. Incrível. - Sou um meme!
Sinto-me pedrado com cocaína, portanto, vou snifar cocaína
e ver o que acontece. É a melhor noite da minha vida.
- Adoro-vos aos dois. - Adoro-te muito!
- Foi de loucos. - Tão engraçado.
Que loucura!
- Então, Zoë, por onde começas... - Sim.
... quando escreves estes discursos?
Como é que decides a quem agradecer?
Sabes, ainda não pensei nisso.
Acho que não vamos ganhar, logo...
Não, acho que tens boas hipóteses de ganhar.
Acho que não, mas é uma honra ser nomeada, sabes?
Sim. Mas fazes alguma piada, tens alguma rábula?
Ou fazes um discurso sentido a reconhecer todos os que ajudaram a fazer o filme?
Não pensei mesmo nisso porque não vamos ganhar.
Mas se ganhasse, o que não vai acontecer,
agradeceria à Associação de Imprensa Estrangeira,
aos outros nomeados e, claro, à Equipa Open.
- Sim. À Equipa Open. - É inteligente, Zoë. Sim, tranquila.
- Não te armes em Benigni. - Não é?
Sim, mas houve muita gente que trabalhou bastante no filme,
- e queres falar de todos. - Não conheces o Sly Stallone,
- pois não? - Não!
- Tens de ter uma selfie com ele. Vem. - Tens-me falado nele.
Uma lenda a apresentar-me a outra lenda.
E o Globe vai para...
Obrigado. Sim, obrigado.
... Quinta Brunson por Intended Consequences!
- Olá. - Olá, meu.
- Parabéns. - Obrigado.
Foi muito engraçada a forma como agradeceste ao Sal.
Sim. Sim, foi tipo,
uma coisa espontânea, sabes?
Teve piada. Há pessoas que esperam toda a carreira
por um agradecimento nos Globes. Como se sentirão?
Sim. Sinceramente, acho que ninguém dá grande atenção a esta merda, sabes?
- Pois. O que interessa? - Sim.
Céus! Certo. Muito obrigada por isto.
Agradeço à Associação de Imprensa Estrangeira.
Foi uma honra ter como realizador o incrível Alexander Payne,
e também devo agradecer à Donna Langley da Universal, e a todos na Universal.
Aos nossos incríveis produtores, elenco e equipa.
E sabem que mais? Nunca o conheci, mas ele parece ser muito divertido,
e se o Adam Scott gosta dele, não pode ser muito mau, certo?
Sal Saperstein, eu também te quero agradecer!
Ali está ele. Obrigada, Sal!
Sim! Sou eu! Sim! Sim, estou aqui.
Céus! O Sal Saperstein?
O quê?
E agora, para os fãs do mal alheio,
este é o momento da noite pelo qual esperavam.
Vamos ver quem perdemos, este ano.
Aplaudam até ao fim. É o que eles quereriam.
EM MEMÓRIA
- Duas vezes. Não é divertido? - Sim.
- Obrigado. Olá. - Olá, Gabby.
- Tudo bem? - Sim, tudo.
É a noite mais louca para um agente...
- Sim. - ... mas estou bem.
- Acho que a nossa miúda pode ganhar. - Mesmo.
- Há uma boa energia. Sim. - Eu sei. Vamos fazer figas.
Ouve. A Zoë mostrou-te o discurso de aceitação dela?
- Claro. Sim. - Sim.
Enviou-mo esta manhã e está no teleponto, caso ela ganhe.
Sim. Por acaso, lembras-te
- a quem ela vai agradecer? - Acho que sim.
Bem, vou perguntar de uma vez.
Eu sou uma das pessoas a quem ela vai agradecer, se ganhar?
Não me lembro. É um longo discurso.
O meu nome está lá? Diz-me. Estou no discurso?
Não no rascunho que pusemos no teleponto.
Vê a gala e diverte-te.
Obrigada ao Ted Sarandos, da Netflix. Muito obrigada.
Sim, claro. O Ted Sarandos. Cabrão.
Muito obrigada.
E acho que agradecer ao Sal Saperstein
é como esfregar a barriga de um Buda, para dar sorte.
Só que, como já ganhámos, não faz sentido.
Mas nada nesta indústria faz sentido, certo?
Portanto, obrigada, Sal Saperstein!
O que se passa?
Obrigado, Jean Smart.
Sou eu! Eu. Estou aqui.
Pronto.
- Olá, meu. Como vai isso? - Tudo bem.
A Zoë Kravitz teme ter-se esquecido de um nome, no discurso dela.
Só quero ver se está aí, caso ela ganhe.
Os discursos já foram editados e carregados,
portanto, já não os posso alterar.
Podes. Tens um teclado. Basta escreveres.
Tenho um teclado, mas preciso de autorização da Zoë
- ou da agente dela. É o protocolo. - Pois. Estão ambas ocupadas, agora,
mas pediram-me para vir cá tratar disso, portanto...
Pois, está bem. E quem és tu?
- Eu trabalho nos... - Senta-te.
... Estúdios Continental. Eles fizeram o filme da Zoë.
Mas o nome é Matt Remick.
É presidente dos Estúdios Continental, e a Zoë...
Teme ter-se esquecido de pôr o nome dele. Ficaria destroçada se não lhe agradecesse...
- Olá. - Olá.
O que fazes aqui?
Eu... O que fazes tu aqui?
Vi-te agora na mesa.
Também vou entregar um prémio. Só queria confirmar as minhas falas.
Mna. Kravitz, pediu a este homem para alterar o seu discurso?
Desculpa, Matt... O quê?
Tu és o Matt?
Ele pediu-me para pôr o nome dele no seu discurso.
- Eu... - O que se passa?
Estava a brincar.
Não, não estava.
Podes cal...
Eu explico-te tudo num instante, sim?
Sim, por favor.
É muito simples. Eu...
Não queria que te esquecesses de me agradecer no discurso.
E achaste que eu ia só ler o teleponto,
como se fosse o Ron Burgundy?
Era o que eu esperava.
Eu estou muito orgulhoso deste filme,
e não o escrevi nem realizei, e as pessoas só vão saber
que eu contribui para ele, se me agradeceres no discurso.
Sinceramente, achei que não te importavas.
Não te pareces importar com esta treta dos prémios.
Vamos esclarecer uma coisa. Eu importo-me. Importo-me muito.
Mas disseste que era ridículo.
Estou a fingir! Eu já sou rica. Eu já sou famosa.
Ganhar prémios é a única coisa que resta.
Boa! Então, entendes como é importante.
Vês porque quero que me agradeças...
Vejo, mas não fazes parte do meu plano.
Tenho tudo planeado e não vou deixar que me cortem.
Isso é uma vergonha.
Pensei que nem achavas que fosses ganhar.
Eu vou ganhar.
Fui a todos os lanches e brunches daqueles merdas da Imprensa Estrangeira.
Esforcei-me para isto e vou ganhar esta merda.
São três palavras. "Obrigada, Matt Remick."
É só isso que eu te peço.
Não entendes. Ensaiei ao espelho um milhão de vezes.
Não o posso mudar. Está perfeito.
Começo genuinamente chocada, depois fico muito humilde,
assoberbada de gratidão e começo a chorar.
Depois, recomponho-me, agradeço muito à Equipa Open, e acabou.
Este filme não existiria sem mim. Fui eu que o aprovei.
Eu e tu é que somos a Equipa Open, sabes?
- Não acreditas mesmo nisso. - Acredito!
Céus! Isso é tão triste.
Meu, fecha a matraca.
Tento mostrar ao Christopher Nolan que sou um ator versátil,
mas só ouço os teus lamentos.
Desculpa, Ramy. Estás a arrasar, esta noite.
Zoë, não era contigo. Era com quem quer que seja esse idiota.
Adoro-te e adoro o teu filme.
É muito bom. E não só pela diversidade.
- Vais ganhar. - Céus! Adoro-te.
Não vamos ganhar, mas adoro-te.
Zoë, estou a suplicar-te. A minha mãe está a ver.
Tenho de ir ensaiar a minha parte.
Não.
Céus! Não. Merda!
Não.
Matt!
Sim, estou a vê-lo. Vou dizer-lhe já.
O que se passa?
Era a Zoë. Não vai assinar o contrato do Blackwing.
A sér... Ela disse-te isso agora? A sério?
Ela ligou-me e disse que tentaste pôr o teu nome
- no discurso dela? - Merda.
Estás louco?
Ela está furiosa, entendes?
Esquece o agradecimento. És o judeu com quem ela nunca mais vai trabalhar.
Para com as piadas dos judeus, está bem?
Não é uma piada. Vês-me a rir?
Temos de fazer o Blackwing. É uma prioridade.
- Eu entendo. - Tens de amenizar as coisas!
Eu? O que posso...
Sim! Uma participação. Damos-lhe uma parte dos lucros.
- A sério? - Sim.
Agora, estás a falar como um judeu racional.
Quando os jovens argumentistas me pedem conselhos
sobre como ter sucesso na indústria do entretenimento,
digo-lhes três coisas. A primeira: mais curto é melhor.
A segunda: mais rápido é melhor. A terceira: não aceitem conselhos.
PRÉMIO CARREIRA
Quando penso na minha carreira, tenho demasiada gente a quem agradecer
num só discurso, portanto, vou resumir.
Obrigado, Sal Saperstein.
Sim, vá lá.
- Sim! É ele. - O Sap é o maior.
Este homem aqui.
- Sou eu. - Céus.
Sim!
- Adoro-te, Aaron Sorkin. - Sim!
- O Sap é o maior. - Sim!
Sal Saperstein!
- Olá, Ted. - Olá, Matt.
Diz-me. Como consegues que as estrelas todas te agradeçam nos discursos?
Vais às filmagens todos os dias e levas cestos de fruta para oferecer?
Não, está no contrato.
Obrigo-os. Todos têm de me agradecer, literalmente.
- A sério? - Sim.
Não vou deixar algo tão importante ao acaso.
Pois, não. Isso é genial.
Tenho de passar a fazer isso.
Pois. Não é?
Senão, porque raio nos iriam agradecer?
Nós contamos feijões e eles são artistas.
Sim, quero dizer... bem...
- Sou um artista, logo... - Isso é hilariante.
Não, sou mesmo. Nós os dois somos artistas, Ted.
Eu não sou um artista.
Bem, eu sou um artista.
Mesmo que sejas louco ao ponto de acreditares nisso,
não o digas à frente dos artistas verdadeiros.
A tua categoria é a próxima.
Merda.
Que idiota.
A pior parte da época dos prémios
é a busca constante por atenção.
Não é, Basha? Não odiamos a busca por atenção?
Pois, a ama do cão faltou, e o Basha odeia estar sozinho.
Mas juro que o cocó na sala de espera não é dele.
Era da Dame Judi Dench, mas, Judi, apanhei-o por ti.
Adoro-te.
Para entregar o prémio de Melhor Filme Musical ou Comédia,
temos um homem que nunca fez nenhum dos dois. O Zack Snyder.
Obrigado.
Para aqueles que acharam que esta cerimónia passou depressa
ou que não foi suficientemente longa, não se preocupem. Vou lançar uma versão
de seis horas, a preto e branco, em 4:3, editada ao estilo Snyder,
para download e em Blu-ray, a 29,99 dólares. Fiquem atentos.
Vai valer a pena.
Vamos avançar, sim?
Os nomeados para Melhor Filme Musical ou Comédia são:
Dogs Are People Too...
... Intended Consequences,
Whip-Smart, Open...
Sim.
... e, finalmente, Day Lilies.
E o Golden Globe vai para...
Sal Saperstein. Não! Open!
- Open! Sim! - Céus!
Sim! Conseguimos. Sim.
- Patty! Parabéns! Ganhaste. - Céus.
Sou a vencedora. Ganhámos.
Consegui. Está a acontecer.
- Incrível. - Obrigada.
Céus.
Eu não estava à espera disto. Eu... Sei que todos dizem isto,
mas eu não estava mesmo.
Eu nem acredito que faço parte do mesmo grupo
de visionários como o Alexander Payne
e o seu enredo magistral em Day Lilies,
ou o Jonathan Levine e o hilariante e comovente Dogs Are People Too.
É tão pateta a forma como nos colocam assim uns contra os outros...
Sim.
... portanto, aceito este prémio em nome de todos nós.
E... Desculpem.
Estou... estou tão agradecida por poder fazer isto como profissão.
Fazer arte e contar histórias que nos tocam é um privilégio,
e não o encaro com ligeireza.
Obrigada à Imprensa Estrangeira. Obrigada aos incríveis elenco e equipa.
E, sim, obrigada, Sal Saperstein, que trabalhou mesmo no meu filme!
E a minha produtora, um rochedo, uma mentora e uma amiga, Patty Leigh.
Zo...
Adoro-te. Eu...
E há mais uma pessoa a quem eu gostaria de agradecer.
- Não me cortem o som. - Céus!
Ele acreditou no filme desde o primeiro dia.
Sem ele, o filme não teria sido feito,
portanto, aproveito esta oportunidade
para agradecer muito...
... ao Matt Remick.
Boa. Sim, a Zoë chegou.
Então, como foi o discurso?
Não estava mesmo à espera de ganhar, portanto, fiquei ali só a dizer coisas.
- Nem sei o que disse. - Encantaste as pessoas.
- A sério? - Sim. Foi muito autêntico,
cativante e magnetizante.
- Obrigada. Adoro-te. - Olá.
- Ela não disse o teu nome. - Eu sei.
Pusemos legendas para o Alan Freedland, que é surdo como uma porta.
Nada! O que aconteceu?
Não sei o que te dizer, mãe. Desculpa. É uma situação complicada.
Eu depois conto-te, sim? Tenho de desligar.
- Sim, mas depois liga-me. - Adoro-te. Adeus.
- Então, cabrão? - Ganhámos!
- Conseguimos! - Conseguimos!
E sabem o que diz o cabeçalho da The Ankler?
"A estrela da noite foi o vice-presidente da Continental, Sal Saperstein."
Grande porra.
Tudo isto só porque deixaste o Adam Scott dormir no teu sofá nojento.
- Conquistaste Hollywood. - Adoro-te.
- Sap! Meu, olha o que fizemos! - Não! Meu! Vá lá.
- Sim! - Conseguimos!
Ouve, o Jimmy Kimmel arrendou o bar The Penthouse.
Vai ser a melhor after-party de sempre. Queres vir?
- Adoro o Jimmy Kimmel! Conta comigo! - Sim!
- Amanhã, não vou trabalhar! - Certo.
- Sal Saperstein! - Sim!
Olá.
Olá.
- Bom trabalho. - Obrigada. Muito obrigada.
Espera, Matt! Aonde vais?
É o meu carro. Vou para casa. Foi uma longa noite.
- Disseste-lhe? - Ia dizer agora.
- O quê? - Ela vai assinar o contrato.
Temos um filme. Equipa Blackwing!
- A porra da Equipa Blackwing! - A sério?
- Sim! - Céus! Equipa Blackwing! Sim!
Obrigado!
- Bom Shabbas. - Sim. Igualmente.
- Obrigado. A sério. - Sim.
Vais fazer outro grande filme. Vamos voltar daqui a uns anos.
- E vais receber outro desses. - Duvido, mas...
- Falamos depois. - Matt, espera! Cortaram-me,
mas ouviste que eu te agradeci?
Ouvi. Vi. Li nos teus lábios.
- Disseste o meu nome. Obrigado. - Sim.
Desculpa eu ter agido como um louco...
- Sim. - Não. Não tem mal.
Mas fui sincera. Obrigada. Obrigada por teres aprovado o Open.
Bem, acreditei em ti desde o primeiro dia.
E, no final de contas, tu és a artista e eu só conto feijões.
- Tem uma boa noite. - Sim. Falamos depois.
- Olá! - Zoë! Olá, querida!
Matt. Um dia, vais receber um destes.
Só tens de ser despedido primeiro.
Talvez aconteça mais cedo do que pensas.
Parabéns, Patty. Mereces esse prémio, sim?
- Obrigada. - Fico feliz por ti. Obrigado.
- Obrigada, Matt Remick! - Obrigado, Patty Leigh!
- Equipa Open! Sim! Equipa Open! - Equipa Open!
Sim!
Porra!
- O seu filme perdeu? - Não, ganhou.
Para casa, por favor.
Claro.
Legendas: Cláudia Nobre
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