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Foi o roubo que chocou o mundo.
Foi brilhante. Absolutamente brilhante.
� um completo absurdo.
Esses caras realizaram o roubo do s�culo.
As joias da coroa francesa.
Ouro. Diamantes.
Avaliadas em US$ 102 milh�es de d�lares.
Eles levaram as joias brilhantes...
Roubadas em plena luz do dia.
Ficamos com medo. Ficamos apavorados.
Do museu mais famoso do mundo.
Seu chefe precisa ser bem importante.
Principalmente para entrar no Louvre.
Esta � a hist�ria detalhada, minuto a minuto,
de como os criminosos agiram.
Ningu�m estava armado.
Foi uma bofetada na cara.
...e talvez tenham sa�do impunes.
Os policiais franceses s�o c�es farejadores.
� a pergunta de US$ 102 milh�es de d�lares:
Onde est�o as joias?
O GRANDE ROUBO DO LOUVRE: O CRIME MINUTO A MINUTO
O Louvre � o maior museu do mundo,
com mais de 70 mil metros quadrados.
O antigo pal�cio real
abriga obras de arte avaliadas em bilh�es de d�lares.
1.300 c�meras de seguran�a monitoram 403 galerias.
Cerca de 9 milh�es de visitantes
passam pelas catracas do museu anualmente.
Meu nome � Elaine Sciolino. Sou jornalista.
Sempre digo a quem v�m a Paris:
nunca v� ao Louvre de est�mago vazio e com a bexiga cheia,
porque n�o vai encontrar nada de bom para comer
e vai andar quil�metros at� encontrar um banheiro.
S�o 400 salas.
Se voc� percorrer todas elas, s�o 14 km.
Portanto, � preciso ir preparado para a batalha.
09:00:0019 DE OUTUBRO DE 2025
�s 09hs, o Louvre abriu suas portas ao p�blico.
Meu nome � Frederic Serrier, sou agente de seguran�a do Louvre.
�s 09hs, eu estava recebendo os visitantes
e checando os ingressos.
Adoro trabalhar aos domingos, tudo � tranquilo.
Claro que n�o estava t�o feliz em trabalhar,
mas estava tudo bem, tranquilo.
Meu nome � Jake Barker.
Meu nome � Holly Barker e sou de Indian�polis, em Indiana.
Era um dia perfeito para visitar um museu.
Era um dia nublado e chuvoso.
Eu queria ser uma das primeiras pessoas da fila.
�ramos os terceiros na fila, junto com umas 100 outras pessoas.
Come�amos pela Mona Lisa.
A terceira coisa na nossa lista era a Galeria de Apolo.
Uma exposi��o pouco negligenciada.
� uma Galeria dos Espelhos em miniatura,
meio que imitando Versalhes.
Foi constru�da por Lu�s XIV.
Ele queria construir
uma magn�fica galeria de ouro para Apolo.
� a caixa de joias mais linda do mundo.
H� mais de um s�culo,
a Galeria de Apolo abriga as joias da coroa francesa.
Meu nome � Carol Wilton. Sou especialista em joias.
As joias s�o uma liga��o com a identidade,
a cultura, a hist�ria e a monarquia de uma na��o.
Portanto, s�o artefatos incrivelmente importantes.
Qual � o valor delas?
Para mim, valem os diamantes que cont�m.
Para a Fran�a, valem muito mais.
Meu nome � David Desclos. Sou um ex ladr�o.
Eu sou Larry Lawton.
O maior ladr�o de joias dos Estados Unidos.
Roubei mais de 18 milh�es de d�lares em diamantes.
�s 09h32, eu tirei uma foto da Galeria de Apolo.
� um sal�o magn�fico.
Tem cores fortes, vermelho, azul...
pinturas, e tem umas vitrines
deslumbrantes no meio da sala,
repletas de artefatos reais magn�ficos.
Do lado de fora da galeria, um caminh�o parou.
Quatro homens disfar�ados de oper�rios da constru��o civil
colocaram cones na cal�ada.
O Louvre sempre tem funcion�rios dentro e fora do museu.
Acho que eles tentaram se misturar
� obra que estava acontecendo no Louvre na �poca.
Obviamente, eles usavam coletes de constru��o.
Mesmo sendo domingo, ningu�m estranhou.
Eles pareciam trabalhadores comuns.
Ningu�m prestou aten��o, ningu�m reparou.
Quatro homens descem de um caminh�o,
ningu�m achou nada estranho,
eles n�o chamaram a aten��o.
O caminh�o tinha uma escada mec�nica,
que foi estendida at� a sacada do segundo andar.
Ningu�m do lado de dentro do museu p�de ver.
A �nica c�mera de seguran�a dispon�vel no local
estava apontada para outra dire��o,
n�o para a sacada.
O roubo come�ou em plena luz do dia.
Assim que come�ou, n�o tinha mais volta.
N�o dava para parar.
� ir em frente!
Mesmo com toda a adrenalina e o medo,
a coragem e a aud�cia tomam conta.
Nesse momento eles s� pensam: "Estou fazendo o trabalho".
� uma descarga de adrenalina.
Todos pensamentos n�o s�o sobre ser pego,
nem sobre o dinheiro em si.
Os pensamentos est�o nos parceiros,
como v�o se sair.
Tem quer ser um grupo de confian�a.
� uma gangue de criminosos em que um tem que poder contar
com o apoio do outro.
Ser� que todos que fazem parte da equipe
v�o ter um bom desempenho sob press�o?
Enquanto dois homens sobem at� a sacada,
os outros dois ficam embaixo, posicionados em scooters de fuga.
N�o � nada incomum
ver pessoas escalando a parte externa do Louvre.
Os dois homens nas scooters abaixo tem o trabalho mais importante,
eles precisam esperar sem entrar em p�nico
porque n�o conseguem ver o que est� acontecendo l� em cima.
E l� em cima, eles dependem dos homens embaixo.
Os homens na sacada se preparam para arrombar a janela.
Esse � o golpe que vai deixar eles ricos.
Todos est�o cheios de esperan�a de que vai dar certo.
Ningu�m na galeria imagina o que vai acontecer.
Lembro muito bem de ter olhado para aquele colar de esmeraldas
que foi da segunda esposa de Napole�o,
e achei ele absolutamente deslumbrante.
Ent�o, �s 09h32, quando entramos,
dois minutos depois eu j� estava na metade,
talvez um pouco mais, daquele longo corredor.
E o Jake estava na primeira vitrine, ainda no meio.
Eu tirei uma foto do bule de ch� com a sereia unic�rnio.
Tirei essa foto �s 09h33.
Ouvimos v�rios estrondos altos
vindos da janela mais distante da entrada.
Todo mundo parou e olhou para a janela da sacada.
Tinha algu�m tentando entrar.
Dava para sentir as paredes vibrando.
Nunca estive em uma situa��o de invas�o de uma casa,
mas imagino que seja parecido.
O que deixou todo mundo assustado
foi aquele som inconfund�vel de uma l�mina met�lica circular
cortando o vidro.
A �nica preocupa��o deles nesse momento era cortar o vidro.
E eles estavam ansiosos porque sabiam que tinham um tempo limite.
Quando se rouba alguma coisa,
temos na cabe�a quanto tempo tem para entrar e sair.
No instante em que a l�mina tocou o vidro,
um alarme foi acionado.
Quando os primeiros alarmes s�o acionados,
eles sabem que a pol�cia vai ser acionada,
e a partir desse momento, a rapidez � crucial.
Recebemos um alerta no r�dio
vindo da Galeria de Apolo.
Disseram que era muito urgente.
Havia intrusos. Ent�o eu corri para l� com tudo.
Corri como nunca.
Muitas gente me viu correndo assim e pensou:
"Nossa, deve ser urgente".
Dentro da Galeria de Apolo,
os visitantes entram em p�nico.
Sou professora, e treinamos para casos de atiradores.
O monitor gritou para todos correrem, para sair dali.
Eu achei que tinha um atirador ali e fiquei me perguntando:
"Onde est�o os tiros?".
Era s� isso que passava pela minha cabe�a.
Eu fiquei com medo. Estava com muito medo.
Achei que pod�amos morrer.
Puxei ela pelo bra�o e corri na dire��o da entrada.
N�o sab�amos o que entraria pela janela,
mas ningu�m quis ficar para descobrir.
Imagens dram�ticas capturadas por um celular
mostram turistas aterrorizados
fugindo do local do arrombamento no segundo andar.
Nos mandaram correr, e n�s corremos.
Um puxou a m�o do outro e sa�mos daquele sal�o.
Na Galeria de Apolo,
os invasores usaram suas ferramentas el�tricas
como armas para amea�ar os seguran�as.
Os seguran�as do Louvre n�o est�o armados
e n�o � fun��o deles enfrentar criminosos.
Eles n�o foram treinados para impedir um crime.
N�o podemos lutar contra ningu�m.
Porque n�o somos policiais.
N�o � nosso trabalho confrontar criminosos.
N�o havia guardas armados.
Fico at� impressionado que ningu�m tivesse nenhum tipo de arma.
Vi um dos funcion�rios do Louvre
fechar o que pareciam ser port�es de ferro
na entrada da Galeria de Apolo.
Minha impress�o � de que ele estava em p�nico.
Urgente, urgente, urgente!
Invasores no local. Precisamos de aux�lio imediato.
Pelo r�dio, um alerta � transmitido
a todos os guardas de seguran�a do Louvre.
Ouvi uma voz nervosa.
Dizia algo do tipo: "Temos invasores".
Tinha homens entrando no museu pela janela.
Muitos acharam que era um ataque terrorista.
Foi assustador ouvir aquele alerta.
Dentro da Galeria de Apolo,
cada movimento dos ladr�es foi gravado pelas c�meras de seguran�a.
Poucas pessoas, al�m de policiais,
tiveram acesso a essas imagens,
entre elas o jornalista Jean-Michel Decugis.
N�o posso dizer onde ou como,
mas eu estava com algumas pessoas
quando foi mostrado um v�deo do roubo.
D� para ver um ladr�o correndo
direto para uma vitrine,
e o segundo ladr�o, com capacete cinza,
vai na dire��o da outra vitrine.
Os ladr�es usaram as duas esmerilhadeiras nas vitrines.
Dentro delas estavam as Joias da Coroa Francesa,
incluindo dois colares de diamantes,
uma tiara de p�rolas
e uma coroa de 170 anos
cravejada com mais de mil diamantes.
O valor total?
Mais de US$ 100 milh�es de d�lares.
Eles tinham tudo muito bem planejado.
Sabiam quais vitrines iam roubar.
Os ladr�es cortaram vidros refor�ados,
especialmente projetados para resistir a tiros de armas de fogo.
O vidro acr�lico que reveste essas caixas
pode suportar centenas de golpes de martelo e � � prova de balas.
No entanto, este vidro foi projetado
com uma fragilidade proposital.
No Louvre, existe um manual
que afirma que a �nica maneira de abrir essas vitrines
em caso de emerg�ncia � usando uma esmerilhadeira.
Isso levanta uma forte suspeita
de que pode ter havido alguma participa��o interna nesse caso.
Como sabiam que o vidro podia ser cortado com esmerilhadeiras?
Essa � uma pergunta importante.
A esmerilhadeira foi uma boa ideia.
Eles sabiam que, naquela hora, tinham que ser r�pidos.
Mas algo inesperado aconteceu.
Eles tiveram dificuldades para quebrar as vitrines.
Eles usaram os cotovelos e os ombros
para bater no vidro com for�a.
E isso foi impressionante.
Os criminosos estavam atacando as vitrines h� cerca de um minuto
quando a central de opera��es
chamou o Departamento de Pol�cia de Paris.
A quadrilha agora corre contra o tempo
para quebrar os vidros, pegar as joias e fugir.
Sem poder para intervir,
os seguran�as registram as provas gravando a a��o.
Ele continua cortando a vitrine,
mesmo com os guardas bem atr�s dele.
Eles n�o fazem nada para intervir.
J� se passaram quase dois minutos
desde que os ladr�es invadiram a galeria,
mas eles ainda n�o conseguiram quebrar
o vidro que protege as joias.
Nesse momento, eles podem ter pensado
que j� estavam l� dentro h� muito tempo
e, passaram a ter mais pressa,
o que pode ter gerado um certo p�nico entre eles.
� f�cil entrar em p�nico,
porque para voc�, 3 ou 4 minutos podem parecer horas.
Entrar em p�nico e perder o foco
� a pior coisa que pode acontecer em um roubo.
N�o � uma coisa f�cil de fazer.
Com a delegacia de pol�cia mais pr�xima
a apenas 800 metros de dist�ncia,
os policiais se aproximam rapidamente,
e os ladr�es ficam cada vez mais desesperados.
O de colete amarelo
come�a a dar cotoveladas
para tentar quebrar o vidro da vitrine.
Depois de usar a esmerilhadeira,
ele continua batendo com o cotovelo.
Ap�s mais de dois minutos,
a for�a bruta finalmente d� resultado.
Ele consegue fazer um buraco e estica o bra�o
para pegar as joias.
E ele tem uma esp�cie de pochete
na cintura onde coloca as joias.
Mas o trabalho ainda n�o acabou.
O outro ladr�o, na segunda vitrine,
est� tendo muito mais problemas.
Ele n�o consegue quebrar o vidro.
Ent�o o homem de amarelo vai ajudar.
Eles conseguem fazer um pequeno corte na parte de baixo da vitrine,
colocam a m�o e pegam algumas joias
que tamb�m colocam na pochete.
� claro que uma coisa que nunca se deve fazer
� amontoar as joias,
porque diamantes podem cortar outros diamantes.
E eles simplesmente jogaram tudo para dentro.
Foram tr�s minutos fren�ticos
para arrombar as vitrines e roubar as joias.
Mas, com a pol�cia a poucos segundos de dist�ncia,
os ladr�es enfrentam a parte mais arriscada de toda a opera��o:
a fuga.
Algu�m planejou o roubo muito bem,
mas se cometeram um erro, foi na fuga.
Eles est�o fugindo com as joias
e deixam algumas ca�rem no ch�o.
Um deles pega do ch�o,
e eles fogem, saindo do mesmo jeito
que entraram, pela janela.
Por que esses homens entraram em p�nico,
ou se afobaram depois de pegarem as joias?
Porque estavam t�o ansiosos
que nem devem ter imaginado que chegariam t�o longe.
A fuga dram�tica deles foi gravada pelo celular de uma testemunha.
Eles estavam nervosos.
Olhavam para todos os lados,
tentando decidir por onde deviam fugir.
Na rua, seis metros abaixo,
dois c�mplices est�o prontos para fugir em scooters de alta pot�ncia.
A pol�cia.
Finalmente, os ladr�es saem em disparada,
em meio ao tr�nsito matinal.
O que aconteceu? O que aconteceu? Como � poss�vel?
Perdemos as joias da coroa.
Em oito minutos,
quatro criminosos invadiram o museu e roubaram
os tesouros mais valiosos do pa�s.
Um roubo que vai entrar para a hist�ria.
Pelo que sabemos, a Holly foi a �ltima pessoa que viu as joias.
Nunca imaginei que podiam fugir
com tantas joias.
� uma verdadeira l�stima.
E agora?
Sabe. E agora? � isso. E agora?
Os criminosos fogem em alta velocidade.
Eles precisavam fugir o mais r�pido poss�vel do local do crime.
Scooters s�o bem r�pidas.
� bom porque costuram no tr�nsito.
Sem obst�culos. S�o r�pidas. R�pidas e eficientes.
Em meio ao caos crescente,
os seguran�as correram para o local da fuga.
A primeira coisa que vi
foi o caminh�o e a gasolina no asfalto.
O cheiro da gasolina era insuport�vel.
� prov�vel que tenham planejado queimar as provas,
porque tudo estava l�:
as motosserras, um capacete,
um tapete com gasolina.
Eles n�o imaginavam que �amos chegar t�o r�pido,
e n�o tiveram tempo de queimar as provas.
Mas em meio � confus�o, um vislumbre de esperan�a.
Logo abaixo da sacada, encontrei algo brilhante.
A coroa foi feita para a Imperatriz Eug�nia.
Tem mais de mil diamantes
e cerca de cinquenta esmeraldas.
Ela � �nica, e � parte da hist�ria da Fran�a.
Encontrar a coroa de Eug�nia foi emocionante.
A fuga foi apressada,
ent�o, � claro, que houve um certo p�nico.
Eu roubei 25 joalherias
e nunca deixei cair um brinco ou um anel,
muito menos uma coroa que coubesse na minha cabe�a.
Mas mesmo sem a coroa,
os ladr�es ainda conseguiram levar oito pe�as
de valor inestim�vel em apenas oito minutos.
Eles basicamente esvaziaram
as duas vitrines que conseguiram arrombar.
Eles conseguiram roubar as joias da coroa do governo franc�s.
Logo em seguida, a pol�cia chegou no local.
A pol�cia foi informada sobre o roubo por um ciclista.
Em poucos minutos,
vimos policiais da Pol�cia Nacional subindo as escadas do Louvre.
Foi ent�o que eu realmente me dei conta
de que a coisa era muito s�ria.
Mas a Coroa n�o � a �nica coisa
que os ladr�es deixaram para tr�s.
O DNA diz tudo.
Quando o DNA � coletado, podemos fazer compara��es.
Se tem uma coisa que os franceses fazem bem, � o DNA.
Investigadores franceses encontraram
150 amostras relacionadas a esse crime.
Todo esse DNA?
E eles achavam que iam se safar?
� por isso que n�o s�o profissionais.
Teria sido muito f�cil queimar aquele caminh�o.
Eu j� fiz isso.
N�o se faz um trabalho assim sem um extintor
para eliminar DNA e digitais.
Depois de roubar, extintor, extintor.
Eles n�o conseguiram atear fogo, deixaram DNA e � isso.
Isso mostra a falta de sofistica��o e falta de preparo.
Poucos instantes depois que o alarme disparou,
uma equipe de especialistas foi mobilizada
para encontrar os autores do crime.
N�o h� como recuperar as joias
sem antes prender os criminosos.
A pol�cia francesa levou isso muito a s�rio.
Mais de 100 policiais trabalharam na investiga��o.
Eles entraram em contato com a Interpol.
A investiga��o em Paris foi liderada pelo BRB,
um grupo de investigadores de elite.
Eles s�o como c�es farejadores.
Saiam �s ruas, vasculham os locais
e conseguem farejar todos os criminosos.
Assim que conseguiram o DNA,
era s� uma quest�o de tempo at� prenderem os suspeitos.
Sinceramente, eu acredito
que a pol�cia descobriu quem eram aquelas pessoas
em 48 horas.
Quando os suspeitos s�o identificados, temos duas op��es:
ou prendemos de imediato, ou monitoramos.
E essa foi a op��o que escolhemos. Monitorando os suspeitos,
pod�amos ver as rela��es entre eles
e tentar identificar toda a rede.
04 DIAS AP�S O ROUBO
� medida que as horas se transformam em dias,
os investigadores trabalham dia e noite
monitorando e identificando todos os suspeitos.
Eles s�o seguidos, monitorados,
e a pol�cia vai saber mais sobre suas vidas do que podem imaginar.
E cada minuto que passa significa um risco maior.
Existe o medo, o risco,
das joias serem enviadas para o exterior rapidamente.
O suspeito n�o pode sair do pa�s,
porque a pol�cia n�o quer que ele saia da �rea que est� sob controle.
Se fosse eu, minha equipe
e todas as joias teriam sa�do do pa�s em 12 horas,
ou menos que isso.
06 DIAS AP�S O ROUBO
Seis dias ap�s o in�cio da investiga��o,
a vigil�ncia levou a pol�cia diretamente ao aeroporto.
AEROPORTO CHARLES DE GAULLE
Monitorando as fam�lias os c�rculos sociais,
eles sabiam um suspeito argelino estava indo para a Arg�lia.
Ele foi interceptado no aeroporto
e estava prestes a embarcar
em uma viagem s� de ida.
Passar por toda a seguran�a de um aeroporto
� um erro de amador.
Seis dias depois o homem tenta embarcar num avi�o?
N�o tem outro nome. � um grande idiota.
Que pena.
Eu queria que eles me conhecessem.
Puxa, se eu tivesse aquelas joias...
40 minutos depois,
a pol�cia det�m um suspeito
em um sub�rbio de Paris.
Aubervilliers � um local pobre,
e � um local muito famoso
por ter muitos criminosos morando l�.
Eles n�o moravam em um bairro chique, sabe?
Eram caras da comunidade, como eu.
Esses locais s�o considerados sub�rbios problem�ticos de Paris,
e os suspeitos que foram detidos
s�o considerados pequenos marginais,
ladr�es ou criminosos comuns.
N�o s�o profissionais. S�o ladr�es
e t�m muita coragem, s�o ousados.
Mas n�o s�o profissionais.
O que torna essa hist�ria ainda mais misteriosa
e incr�vel � que esse roubo extraordin�rio e espetacular
foi cometido por ladr�es comuns.
Eles foram um tanto amadores,
mas conseguiram levar as joias, que era o objetivo final,
e at� ent�o tinham sido bem-sucedidos.
Com o tempo passando,
os dois suspeitos s�o submetidos a um interrogat�rio.
Eles foram interrogados
e confessaram parcialmente.
Eles n�o tiveram escolha a n�o ser admitir:
"Sim, eu estava l�", porque o DNA estava l�.
Os dois confessaram a participa��o no roubo.
Mas eles disseram que s� seguiram ordens.
Com o ac�mulo de provas,
a pol�cia se aproxima dos pr�ximos suspeitos.
10 DIAS AP�S O ROUBO
Quatro dias ap�s as primeiras pris�es,
a pol�cia realiza uma s�rie de batidas
e prende mais quatro suspeitos em um jogo de futebol.
O fato de os suspeitos terem sido presos em um jogo de futebol
mostra que achavam que sairiam impunes desse crime.
Mas isso tamb�m demonstra que os suspeitos
n�o tinham qualquer medo da pol�cia francesa.
Dos cinco suspeitos que foram presos
na segunda rodada de pris�es,
dois foram acusadas de conspira��o criminosa e furto.
E, de fato, eles tinham alguma liga��o entre si.
Era um grupo de indiv�duos que se conheciam.
"Eu tenho um amigo que disse que conhece dois dos suspeitos,
e ele me disse que os dois que ele conhece
entraram nessa porque estavam desesperados,
precisavam de dinheiro."
� simples assim. Pedras valem dinheiro.
Ladr�es roubam qualquer coisa de valor,
sem levar em conta o significado cultural
ou a import�ncia daquilo para o povo franc�s ou para o mundo.
Ningu�m entra nessa para dizer: "N�o vamos roubar isso,
porque � a coroa que pertenceu � esposa do Napole�o".
O homem n�o d� a m�nima para a esposa do Napole�o.
Ele est� l� pelo diamante!
Tr�s dos quatro principais suspeitos
j� est�o sob cust�dia,
e uma mulher suspeita de cumplicidade no crime
foi liberada sob supervis�o judicial.
Mas, se os suspeitos estiverem dizendo a verdade,
que foram apenas contratados, uma quest�o crucial permanece.
A pergunta de US$ 102 milh�es de d�lares:
onde est� o mentor?
O mentor da opera��o ainda pode estar foragido.
O mentor est�...
n�o sabemos onde.
Por enquanto ele ainda n�o foi preso.
Neste momento, ele ou ela est� bastante confiante
de que saiu impune desse crime.
Enquanto a pol�cia busca incansavelmente os culpados,
um suspeito sob cust�dia � desmascarado
e revelado ao mundo por Jean-Michel Decugis.
O apelido dele � Doudou Cross Bitume,
ou "A Lenda do Cross".
Ele largou a escola no oitavo ano,
e virou um delinquente.
Ele fez v�rios v�deos que ficaram muito famosos.
Quando se trata de algu�m que gosta
de se exibir e ostentar nas redes sociais,
n�o me surpreende que essa pessoa tenha a coragem de roubar o Louvre.
Seja por ego ou bravata,
isso pode levar o sujeito a uma bela pris�o no fim.
As pe�as do quebra-cabe�a est�o se encaixando,
mas a pol�cia ainda lida com a quest�o fundamental.
O �nico criminoso que ainda n�o foi preso
pode ser aquele que est� de posse das joias.
Al�? Al�?
Onde est�o as joias?
A pol�cia precisa convencer os suspeitos
do roubo a delatarem seu chefe.
Quem falar primeiro leva a vantagem.
� por isso que a pol�cia deve estar colocando um contra o outro
para ver quem vai ser o primeiro a colaborar.
Ningu�m conseguiria pegar o meu chefe, de jeito nenhum.
Podem me processar, que vou cumprir minha pena.
N�o diga nada, essa � a regra.
Voc� tem que dizer o m�nimo poss�vel.
Porque voc� tem essa mentalidade de n�o falar,
e voc� foi escolhido por isso.
O c�digo da criminalidade � lei.
A pol�cia francesa s� pode manter os suspeitos
sob cust�dia por 96 horas,
e o tempo est� se esgotando.
Os investigadores est�o trabalhando com duas hip�teses:
o crime organizado
e a rede de tr�fico de joias antigas.
Eu acredito que as autoridades parisienses
v�o prender os respons�veis por esse crime.
Mas ser� que v�o conseguir a tempo de recuperar as joias?
Acho que n�o.
As autoridades francesas sabem que este roubo
envolve mais do que apenas o valor das joias.
Isso foi um ataque � alma da na��o.
S�o parte da hist�ria. S�o muito simb�licas.
S�o elementos culturais da Fran�a.
Duzentos anos ap�s o fim da monarquia francesa,
as �ltimas pe�as restantes de sua mem�ria
foram roubadas.
Em 1887, os franceses venderam 77.000 joias da coroa.
Charles Tiffany comprou um ter�o delas
e vendeu a maior parte para mulheres americanas ricas.
E o Louvre vem tentando recomprar as joias da coroa desde ent�o.
As joias da coroa s�o bens valiosos
e n�o podem ser vendidas no mercado negro.
Acredito que eles visaram as joias mais valiosas
que poderiam vender.
A verdadeira arte num roubo de arte n�o est� no roubo em si,
mas na venda,
e no que vai fazer com aquilo quando estiver em suas m�os.
A maioria dos ladr�es repassa as joias para um receptador,
que sabe que elas s�o roubadas,
compra por um pre�o muito baixo e depois revende.
Eles pegaram as joias mais brilhantes,
que s�o mais f�ceis de pegar e roubar.
E tamb�m de vender, porque muitos dos diamantes eram pequenos.
Cada um desses criminosos precisa pensar muito bem.
Como se livrar delas?
Onde v�o vender?
N�o d�.
Ningu�m com boa reputa��o vai mexer com elas.
Qualquer um daria o alarme.
D� para enterrar elas em qualquer lugar por 25, 30 anos.
E depois desenterrar.
E voltar a elas quando a press�o diminuir,
alguns meses ou anos depois.
N�o d� para fazer isso com dinheiro.
O dinheiro vai apodrecer.
Os investigadores correm contra o tempo
para evitar o pior cen�rio poss�vel.
No caso de joias, desmontar as pe�as
faz duas coisas para um criminoso:
oculta as provas do crime
e permite que ele transforme aquilo em dinheiro o mais r�pido poss�vel.
Eles v�o retirar os diamantes dos engastes
e vender separadamente.
Os metais preciosos v�o derretidos e vendidos pelo peso.
Mas o desmonte dessas pe�as �nicas
exige uma grande per�cia do submundo do crime.
As mais impec�veis safiras azuis do Ceil�o.
E h� quase 3 mil diamantes no total.
Depois de tirar essas joias da Fran�a,
n�o � t�o dif�cil lev�-las a lugares como Tel Aviv,
Antu�rpia ou at� mesmo a �ndia,
onde existem especialistas em joias
e pessoas que lapidam as pedras novamente.
Uma pessoa habilidosa e que saiba lidar com joias
consegue remover as pedras dos engastes
com muita facilidade e rapidez.
Infelizmente, sempre vai haver um joalheiro
desonesto por a� que n�o vai fazer perguntas.
Existe outra teoria.
Eles v�o guardar, v�o esconder,
e v�o usar como moeda de troca.
Se eles roubarem essas coisas e n�o tiverem onde vender,
eles v�o guardar.
E se tiverem problemas,
podem usar como moeda de troca
para tentar se livrar das acusa��es.
Essas joias seriam uma boa moeda de troca.
Mas n�o � o objetivo, eles n�o querem ser pegos com as joias.
Eles querem fugir com elas e querem vender.
O roubo no Louvre surpreendeu o mundo,
e os investigadores se perguntam
como esse plano audacioso foi executado.
Eles bolaram um bom plano.
Como tiveram essa ideia? Como executaram?
O que eles pretendiam com isso?
Cinco dias ap�s o roubo,
sob escolta da pol�cia secreta,
o Louvre transportou as joias restantes
para um cofre subterr�neo.
O Banco Central da Fran�a � como o Fort Knox.
� o lugar mais seguro de todo o governo franc�s.
Os ladr�es escolheram o Museu do Louvre
como alvo porque conseguiam entrar.
Este foi um grande crime de oportunidade.
Uma fraqueza foi encontrada e explorada.
E quando surge uma oportunidade,
existem seis itens em uma lista
para realizar um roubo com sucesso.
N�mero um: Localiza��o.
Dentro do grande complexo do Louvre,
a Galeria de Apolo fica em um dos cantos,
de frente para uma rua movimentada.
Fiquei muito surpreso
que um caminh�o como aquele pudesse chegar t�o perto da janela
sem ter que passar por uma cerca ou algo do tipo.
N�o estou falando do Homem-Aranha escalando um pr�dio.
Um elevador foi erguido at� aquele andar.
Eles pularam para dentro da sacada entraram pela janela.
Isso � muito vulner�vel.
Tem uma grande falha no sistema de seguran�a.
A c�mera do lado de fora do pr�dio
n�o cobre a janela que foi usada.
N�mero dois: Acesso.
As joias da coroa estavam expostas perto de uma janela.
O ex-ladr�o David Desclos
descobriu essa vulnerabilidade h� cinco anos,
quando foi convidado para a Galeria de Apolo
para gravar um podcast.
Eu falei: "Voc�s t�o brincando? J� viram essas janelas?
Ela parecem manteiga!"
Me disseram que sim,
mas que seria preciso ser muito ousado para entrar pela janela.
E eu falei: "Para ser ladr�o, para ser criminoso,
� preciso ser ousado, audacioso.
Isso � muito irrespons�vel, voc�s n�o t�m ideia!"
N�mero tr�s: Ter informa��es privilegiadas ajuda bastante.
Minha teoria sobre como isso pode ter acontecido � a seguinte:
um rapaz tem uma namorada que trabalha l�,
eles conversam sobre o Louvre, ela fala como � f�cil entrar.
N�o tem seguran�a nenhuma.
Tem uma janela com uma sacada.
A� ele conversa com os amigos, e eles bolam um plano:
"Vamos l� roubar".
Fala s�rio. Eles s�o criminosos.
Eles topam qualquer coisa.
Tudo indica que um dos membros da quadrilha
tinha informa��es privilegiadas
por trabalhar em um museu pr�ximo.
Quem trabalha em um museu sabe como as coisas funcionam.
� b�sico, sabe?
� conhecimento b�sico.
Os homens que cometeram esse roubo
tamb�m conheciam os protocolos de seguran�a.
N�mero quatro: A equipe.
Assim que o plano � confirmado,
� montada uma equipe que inclua todas as habilidades necess�rias.
Existe um recrutamento.
Os pilotos das scooters precisam ser muito bons.
Os que v�o usar as esmerilhadeiras precisam ser fortes.
Cada um tem seu trabalho.
Eles repassam v�rias vezes com a equipe:
seu trabalho, seu trabalho, seu trabalho.
E todos precisam repetir.
Eles t�m que repetir at� falar:
"Eu sei, eu sei, entendi". N�o, n�o entendeu.
N�mero cinco: O plano.
Com a equipe montada,
eles estudam o local para definir o plano.
N�s procuramos as joias mais caras, que v�o valer mais.
Para os criminosos, o patrim�nio cultural n�o significa nada.
O que importa s�o apenas joias,
ouro, diamantes e dinheiro.
Eles tiveram que ir ao Louvre v�rias vezes,
para conhecer bem o lugar.
Sabe o que � interessante?
Eles n�o pegaram a coroa de Lu�s 15.
Os ladr�es deviam saber
que as joias daquela coroa s�o falsas.
N�mero seis: O equipamento.
N�o existe roubo sem o equipamento certo.
Na verdade, a esmerilhadeira foi uma boa escolha.
D� para comprar em qualquer loja, at� na esquina,
n�o � uma coisa grande.
E claro que � preciso praticar antes,
n�s pratic�vamos, por exemplo, em cofres,
tinham lugares com cofres abandonados
e n�s trein�vamos para sermos r�pidos.
Agora, tudo o que falta � encontrar um jeito de subir at� a sacada.
Uma pessoa anunciou
o aluguel de um elevador de cargas.
Eles responderam ao an�ncio no site de classificados,
e dois motociclistas chegaram,
vestindo balaclavas,
amea�aram o dono do elevador, e roubaram.
Eles pensaram em vender para ganhar algum dinheiro.
E, de repente, tiveram uma ideia brilhante.
Eles podiam usar aquilo para chegar at� a sacada
e ter acesso �s joias da coroa.
E de repente surgiu o grande plano, e foram em frente.
Com a localiza��o, informa��es privilegiadas,
acesso, uma equipe, equipamentos e um plano,
o maior roubo dos tempos modernos � posto em pr�tica.
Foi fant�stico. Absolutamente incr�vel.
Quer dizer, n�o foi obra de um g�nio, mas um grande plano.
O planejamento foi bom. A execu��o foi p�ssima.
Foi tudo muito desleixado.
Esses caras tinham um bom plano para entrar.
Sair foi um pouco diferente.
Uma coisa n�o pode ser bem organizada no come�o
e ser uma porcaria no final.
O roubo n�o correu exatamente como planejado.
Os suspeitos foram presos.
Mas as joias ainda est�o desaparecidas.
Se um criminoso assistir a este document�rio,
tenho um recado para ele: Devolva.
A entrada dos criminosos no Louvre
foi um grande alerta.
Deve servir de exemplo para museus em todo o mundo.
Se conseguiram entrar no Louvre,
tamb�m conseguem entrar no seu museu.
Pelo que sabemos, a Holly foi a �ltima pessoa que viu as joias.
Acho muito triste
que uma coisa t�o hist�rica tenha sido roubada.
� propriedade nossa.
N�o minha, mas da na��o.
Isso � muito, muito mais precioso
do que US$ 102 milh�es de d�lares.
Onde est� o mentor?
Ele sumiu. Ele levou as joias.
Eu respeito muito esse cara.
Vou me mudar para a Europa.
OS SUSPEITOS DO FILME EST�O SOB INVESTIGA��O,
MAS S�O CONSIDERADOS INOCENTES AT� O JULGAMENTO FINAL.
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