All language subtitles for Joia Rara.012.720p

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Original subtitles

Meu filho! Toni!

-Vai se chamar Giuseppe! -É lindo!

Como nosso herói de dois mundos.

-Você gosta do nome? -Lindo!

Vai lutar por um mundo muito melhor.

Vai ser muito valente esse nosso filho.

Vai ser um homem maravilhoso.

Bem-vindo, meu amor.

-Ele é lindo,Toni. Lindo! -Giuseppe.

Eu vou avisar o Mundo.

Nasceu?

Um menino.

É um menino lindo, Mundo!

Um menino, logo vi!

Pelo pulmão, o cabra era macho mesmo.

Onde é que tá o Fabrício? Quero avisar pra ele.

Fabrício saiu sei lá pra onde. Eu quero ver o menino.

Abram a porta! É a polícia!

A casa está cercada!

Não adianta tentar escapar. Vocês estão presos.

Vamos lá. Pega e leva pro camburão.

-Bora, bora! -Cuidado com ela, hein!

-Tem mais alguém na casa? -Pelo amor de Deus!

-Não, não, não. -Não entra aí!

Uma mulher acabou de dar à luz.

Pelo menos dá tempo de ela terminar de se arrumar.

Tudo bem, mocinha.

Entra lá e ajuda a moça trazer a criança pra fora.

E que seja rápida, senão a gente invadiu, ouviu?

Vai.

Fica aí! Segura!

Segura!

Invadiram a casa. A polícia descobriu a gente.

Vamos fugir. Vem, eu levo o Giuseppe. Ajudo você.

Eu não vou ficar esperando eles prenderem a gente.

A casa tá cercada, Toni.

Eles só me deram um tempo

pra terminar de ajudar a Gaia a se arrumar.

-A gente vai pra cadeia. -Mas e o meu filho?

O meu filho também?

Eles não podem ser tão desumanos assim!

Não, não, não. Ninguém vai encostar no meu filho.

Eles vão ter que me matar primeiro.

Eles vão ter que me matar.

Se a gente reagir, é isso mesmo que vai acontecer, Toni.

Tem um verdadeiro exército aí fora.

A gente tá preso.

Positivo, seu Manfred.

Além do operário Raimundo, prendemos a irmã dele,

Amélia Fonseca, um médico e um casal de comunistas.

Disponha.

As coisas estão aqui, doutor.

Eu não vou precisar mais deles. O aparelho já foi localizado.

Raimundo e outros comunistas estão presos. Pode liberar.

Sim, senhor.

[burburinho]

Raimundo!

-Padrinho! -Raimundo é meu afilhado!

-O senhor viu a Gaia? -Padrinho!

-Mundo! -Bando de fascista desgraçado!

Solta a Gaia! Ela acabou de dar à luz!

Pelo amor de Deus, isso é uma injustiça!

-Gaia! Meu filho! -Toni!

-Gaia! -Amelinha!

Solta ela! Amelinha!

Padrinho, o senhor me ouviu? Avisa o Franz! Avisa ele!

Amelinha! Minha afilhada não! Pelo amor de Deus!

Amélia!

Ela não tem nada a ver com isso, meu Deus do céu!

Calma, Franz! Calma! Tá todo mundo nervoso!

Ela não podia ter se arriscado dessa maneira!

Eu falei tanto pra ela não se meter nisso, tanto.

Mas ela foi levar o médico pra fazer o parto da Gaia.

É. Elas são amigas desde menina.

Dona Mama, acontece que a Gaia, o Toni e o Mundo

estão sendo procurados pela polícia.

Eu sei.

E ela não voltou desde ontem à noite.

Ela saiu ontem e não voltou! Deixou ela sozinha.

Sozinha não! Deixou comigo, sob meus cuidados!

Desculpa. Eu sei, eu sei.

Ah, seu Apolônio, graças a Deus o senhor chegou!

Até agora, não tivemos nenhuma notícia do Mundo.

Que cara é essa, seu Apolônio?

Prenderam todos.

-Mundo, Toni, Gaia. -Dio mio!

Me levaram Amelinha, também.

A Amelinha foi presa?

-Amor. -Vocês têm 5 minutos.

Por quê, Amélia? Por que você fez isso?

Fala. Por quê? Por quê?

Você me prometeu que não ia se meter com comunismo.

Você me traiu.

Não. Eu não te traí.

Traiu, Amélia. Claro que traiu.

Você me prometeu que não ia se meter com o comunismo.

Foi só eu piscar o olho e você se enfiou

nesse maldito desse aparelho.

Você queria que eu deixasse a Gaia e o filho

morrerem no parto por falta de assistência?

Chamasse um médico, só isso.

Você envolveu a sua segurança, a segurança

da nossa filha. Você tem noção disso?

O Mundo, o Toni e a Gaia estavam sendo perseguidos pela polícia.

Eu não podia chamar qualquer médico.

Tinha que ser o dr. Rubens.

Eu não podia colocar em risco a liberdade deles.

E depois, eu queria ver a Gaia. Fiquei preocupada com ela.

Que acabou presa.

Você tem ideia que você acabou fichada como subversiva?

Eu fiz o que o meu coração mandou, Franz.

O que eu achei que era certo.

Eu salvei uma vida.

Uma não, duas. A da Gaia e a do filho.

Perdão.

Perdão. Você agiu bem.

Amélia, você agiu bem. Você foi defender a sua amiga,

mas você precisa entender que você é a minha esposa.

Eu te amo.

Você é mãe da minha filha.

Eu já te disse uma vez, mas eu vou repetir.

Eu consigo viver sem luxo, sem conforto,

mas eu não consigo viver sem vocês duas.

-Eu não consigo. Eu te amo! -Eu te amo. Eu te amo muito!

Eu vou fazer o que tiver no meu alcance.

E o que não tiver no meu alcance, eu vou fazer também,

mas eu vou tirar você daqui.

Eu vou tirar você daqui.

Mas você precisa falar a verdade para mim. Olha para mim.

Você nunca teve envolvida com o partido?

[música]

Nunca, Franz. Nunca!

Eu acredito. Eu acredito em você.

Sendo assim, vai ser muito mais fácil

contratar um bom advogado e te tirar daqui.

Que advogado? Com que dinheiro você vai arrumar...

Eu vou arrumar um advogado e vou tirar você daqui!

Confie em mim, por favor.

Eu confio.

E os outros? O que vai ser deles?

Do Mundo, do Toni e da Gaia?

Dr. Rubens com certeza vai ser liberado.

Ele só fez o parto da criança.

Quanto aos outros, vai ser mais difícil.

Eles têm um envolvimento muito grande com o partido.

E o bebê? Eles vão levar a criança da Gaia?

Vão.

Ela vai ser presa durante muito tempo, Amélia.

Meu Deus do céu, Franz, não pode ser!

Pelo amor de Deus, não tem coisa pior

para uma mãe do que se separar do filho.

Eu quero a Pérola aqui. Preciso amamentar a minha filha!

Calma! Calma! Eu vou trazer ela aqui, calma.

Promete?

Prometo. Eu vou pedir para a Iolanda trazer ela aqui, tá?

Calma. Calma.

-Traz a minha filha, Franz. -Eu vou trazer.

Acabou o tempo!

Vai.

Me diz uma coisa, seu Apolônio. Maltrataram muito o senhor lá?

Ah, sei lá se maltrataram.

Mas eu quase morri, Lindinha. Quase morri.

Quando vi meus afilhados chegarem presos,

algemados, ainda me levaram Amelinha.

Amelinha? Mas eu não sabia que Amelinha era metida com partido.

Não é, Margarida! Não é!

Ela estava levando o médico pro parto da Gaia!

-Ah, então, nasceu o bebê? -Nasceu, nasceu.

Um menino, mas um touro!

Mas, seu Apolônio, me diz uma coisa.

Mas, mesmo assim, levaram a Gaia presa?

Ah, é muita ruindade prender uma mulher

assim que ela acaba de parir, né, gente?

E o bebê, gente? O que vai ser feito dele?

Eu não sei, Rosa. Como é que eu vou saber?

Aliás, eu não sei que o vai ser feito de nenhum deles!

O café está pronto, pai.

Aquelas desclassificadas

quase me mataram.

E o pior, a Volpina no meio!

Eu tô aqui porque é minha obrigação, viu, pai?

O senhor mereceu cada tapa que levou.

O que é isso, Iolanda?

Você teve coragem de dar um testemunho

falso sobre o homem que eu amo?

O meu testemunho não é falso.

Eu disse e repito.

O Mundo atirou no dr. Ernest.

É mentira! O Mundo nunca andou armado.

Você que não sabe.

O Mundo é um arruaceiro.

Você merecia um partido melhor, isso sim.

É por isso que o senhor mentiu?

Porque eu merecia um partido melhor?

Ou será que era para bajular o dr. Ernest?

Você me respeita, minha filha.

Você me respeita. Eu sou o teu pai.

Eu sempre te respeitei, pai.

Agora, será que o senhor se respeita?

Vou sair!

Onde é que você vai, filha?

Vou atrás do meu marido.

Que marido, coisa nenhuma.

Ele nunca te pediu em casamento.

Chega, pai!

O senhor ainda vai pagar um preço muito alto

por ficar servindo de capacho para aquele aproveitador.

Iolanda!

Franz!

Você sabe da Amelinha? Eu preciso saber do Mundo.

A Amélia foi presa, junto com o Mundo.

Meu Deus!

Meu Deus, não pode ser. E agora?

E agora, que eu vou ter que contratar

um bom advogado para ela, o melhor.

E pelo Mundo?

Você não vai ajudar o Mundo?

Franz, você não está acreditando que ele atirou no seu pai, né?

O Mundo jamais seria capaz de fazer isso!

Iolanda,

até o seu pai está acusando o Mundo.

Meu pai faz tudo o que o dr. Ernest quer.

Eu sei.

Acontece que o Mundo é líder do partido.

A polícia quer os comunistas presos.

A situação dele é bem complicada, Iolanda.

A gente precisa ser forte. Por eles e por nós

Vou tentar.

Você falou com a Amelinha?

Falei. Falei.

Ela precisa amamentar a filha.

Por favor, Iolanda,

será que você pode levar a Pérola até lá?

Eu preciso resolver essa história do advogado.

Lama Sonan, Tenpa.

Água do rio sagrado para a cerimônia.

E a lista das crianças nascidas no vilarejo de Zangzang?

Você trouxe a lista?

Olha, Tenpa. Olha, quanta criança!

Olha, só nesse vilarejo,

são quase 30 crianças todas nascidas no mesmo ano

da morte de Ananda Rinpoche.

E os pertences de Rinpoche para as crianças identificarem?

Aqui. Está tudo aqui. A gente precisa ir logo.

A partir de agora a gente precisa ficar atento

para qualquer sinal da reencarnação.

Isso, Tenpa! Mas como Ananda Rinpoche dizia:

"Alerta, alerta, porém relaxe."

[rindo]

[batendo à porta]

[fala em idioma exótico]

[fala em idioma exótico]

[fala em idioma exótico]

[fala em idioma exótico]

[fala em idioma exótico]

[fala em idioma exótico]

Ele não escolheu nenhum dos objetos

que pertenceram a Ananda Rinpoche.

É, e a mãe também não mencionou

nenhum sonho significativo durante a gravidez.

-Estamos sem sinais. -Não é possível.

Deve existir um outro bebê que não tenha entrado na lista.

Não, Tenpa!

Talvez esse não seja o lugar

que Ananda Rinpoche escolheu pra renascer.

Mas a gente fez tudo tão certinho, seguimos os sinais.

Talvez, o problema não sejam os sinais, Jampa.

Mas a forma afoita como nós interpretamos esses sinais.

Mas deve existir outros vilarejos

que tem os mesmos arcos.

Claro, claro.

Onde será que está essa criança?

Nós temos que encontrar a reencarnação do Rinpoche.

[música]

Olha quem veio te visitar, meu amor.

-É a titia. -Ela está tão linda!

Olha, eu trouxe sabonete, escova de dente, o bolo que a Mama fez.

Como é que a minha sogra ficou

quando soube da nossa prisão, Iolanda?

Nervosa, é natural.

Ela queria vir, mas daí a pressão subiu

e eu achei melhor ela ficar lá.

Cuida dela pra mim.

Diz que o neto dela

é o menino mais bonito do mundo!

E que ela ainda vai ter muito orgulho dele!

Não é, meu amorzinho?

-Força, Gaia. -Giuseppe.

Logo, logo, vocês vão sair daqui.

Eu posso ficar em qualquer lugar do mundo, Iolanda.

Desde que seja junto do meu filho.

E do Toni.

Gaia...

Será que não é melhor você entregar o seu filho pra Iolanda

pra Mama olhar pra você?

De jeito nenhum, Amelinha.

A Pérola já está grandinha,

mas meu filho acabou de nascer, tem que ficar do meu lado.

-Mas... -"E se" nada, Iolanda!

Não vai acontecer nada.

Ninguém vai separar um bebê recém-nascido da mãe.

Isso não é possível! Não é possível!

Não consigo acreditar que meu filho mal nasceu e já tá preso!

-Não consigo acreditar nisso! -Calma, Gigante, calma!

Como calma? Como calma, Raimundo?

A Gaia não é brasileira, você sabe disso.

-Ela é lituana! -E o que tem?

Já imaginou o que pode acontecer se ela for deportada?

Mas eles não têm prova nenhuma contra a gente!

-Eles inventam! -Eu não fiz nada!

Eles inventam provas!

Você sabe o que acontece!

Eles inventam provas quando eles não têm provas!

Eu só quero que a Gaia e o Giuseppe saiam daqui!

A prisão não pode ser o primeiro lugar

que o meu filho vai conhecer, Raimundo! Não pode!

Por isso que eu não quis casar, ter filho.

Esse foi o meu jeito de proteger a Iolanda!

O que será que vai acontecer com o meu filho?

O que será que vai acontecer com o Giuseppe?

Ainda bem que o senhor está melhor, papai.

-Bem melhor. -Que susto, hein, pai.

Doutor Ernest.

Boa tarde, Viktor. Boa tarde Hilda.

Manfred, que bom que você chegou.

Já estávamos de saída, e estava preocupada

em deixar doutor Ernest sozinho.

Eu volto amanhã pra visitá-lo. Fique bem.

Deus te abençoe. Deus te abençoe, meu filho.

-Você também. -Deus te abençoe.

-Até amanhã, doutor. -Até amanhã, Gertrude.

Tenho grandes novidades pro senhor.

Desembucha! Quais são?

O Raimundo, Toni e Gaia foram presos.

Aqueles comunistas foram pra cadeia?

Doutor Rubens e Amelinha também.

A operariazinha também foi presa?

Ela tinha ido ao esconderijo dos comunistas.

Tinha ido levar o médico pra fazer o parto de Gaia.

Estava no lugar errado, na hora errada.

Ainda bem! Levei um tiro, mas essa encenação...

Puxa vida, saiu melhor do que a encomenda.

Nunca imaginei que fôssemos nos livrar de Mundo

e da operariazinha ao mesmo tempo.

Matamos dois coelhos com uma só tacada, Manfred.

Mas e o Franz?

E a menina, ela vai ficar sem a mãe?

Ah, Franz? Franz vai cair em si.

Vai ver que foi uma besteira se envolver com aquela família.

Quanto a menina, eu cuido dela. Já está bem grandinha.

Mas por que essa preocupação com a operária?

Que interesse você tem nela, Manfred?

Não, nenhum, eu só me preocupo

com o Franz e com a filha deles. Só isso.

Até onde a gente sabe

a Amelinha, ela não é comunista, não é?

Como é que você sabe que ela não é comunista?

Inocência sua.

O irmão é, a melhor amiga e o marido são.

Ela deve ser comunista também.

Ah, Manfred, Manfred, eu tenho amigos

importantes e eu vou agir, sim.

Mas pra manter esse bando de comunistas na cadeia.

Ligue pro Valter, peça que ele venha aqui e rápido.

Amélia nunca se envolveu com o partido.

Nunca participou das arruaças do irmão.

Difícil vai se provar o contrário,

ainda mais com o dr. Ernest querendo

colocá-la na cadeia de qualquer jeito.

Por ele, ela morre atrás das grades.

Queria fazer alguma coisa pra ajudar, mas não sei o quê.

Manfred, você está preocupado demais com essa operária.

Não vai me dizer que você está gostando dela?

Por que você está me perguntando isso?

O que você tem a ver com a minha vida?

Tudo! Esse seu interesse por essa Amélia

pode atrapalhar todo o nosso plano.

Para e pensa!

Essa ideia do velho de botar a operária na cadeia é perfeita!

Porque assim o Franz vai ficar livre, triste.

Eu posso ser seu ombro amigo,

sua noiva, sua esposa, o que for.

É exatamente o que a gente precisa

pra tirar tudo dos Hauser!

Pode ficar tranquila, porque eu não sinto nada por ela! Só pena.

Pena é um sentimento.

-Franz. -Oi, Manfred.

Franz, desculpa, a gente sabe o que aconteceu.

Se você puder contar comigo, pode ficar tranquilo.

Eu quero contar, sim. Eu quero sua ajuda.

Me deixando a sós com o Manfred.

Ah, claro, eu já estava de saída, claro.

Eu preciso da sua ajuda, Manfred.

Fala, o que eu posso fazer pra te ajudar?

Dinheiro.

Desculpa te pedir isso, mas eu preciso de dinheiro.

Eu vou contratar um bom advogado e vou tirar

a Amélia da cadeia, mas eu preciso de sua ajuda!

Faça isso. Faça isso, eu garanto.

Eu te empresto, te dou o que for preciso.

Obrigado! Eu sabia que podia contar com você, muito obrigado!

E, por favor, não comenta nada com meu pai. Por favor.

Não vou comentar nenhuma palavra.

Isso tudo não sai daqui. Pode confiar em mim como sempre.

Confia.

Quer dizer então que você vai pra casa amanhã?

O médico vai me dar alta, disse que eu estou ótimo.

É preciso mais que um comunista pra me derrubar, Valter.

Mas eu pedi pra você vir aqui porque eu preciso

lhe pedir um favor, daqueles muito especiais.

Estou sempre pronto a servir o meu amigo. Do que se trata?

Eu quero que esse bando de comunistas apodreça na cadeia.

Eles já estão presos.

E comunista, hoje, quando vai pra cadeia,

-dificilmente consegue sair. -Eu sei. Sei.

Em relação ao Mundo, essa tal de Gaia, o tal Toni,

esses são fichados, não vão escapar da cadeia.

Mas eu me refiro a Amélia. Ela não é fichada.

Sempre declarou que não é comunista.

Mas é simpatizante, também está bem complicada!

Mas eu quero que ela apodreça na cadeia.

Nós temos que conseguir provas

de que ela é comunista como o irmão!

Temos que forjar documentos que mostrem

a ativa participação dela no partido comunista.

Eu quero separar essa mulher do meu filho definitivamente!

Ernest, eu posso até conseguir os documentos,

mas ela vai ficar complicada com a justiça pra sempre.

Dificilmente, ela vai conseguir sair da cadeia.

Ela tem uma criança pequena,

que é sua neta, Ernest. Filha do Franz.

Eu sei. Ninguém melhor do que eu pra cuidar dessa criança.

O Franz vai se dar conta de que se meteu numa enrascada.

Eu tenho que manter essa mulher na cadeia,

e você vai me ajudar.

Ernest, pensa bem. Você está me pedindo...

Um favor, e você me deve muitos e grandes.

Eu sei. Eu sei.

Eu vou fazer o que você está me pedindo.

Isso.

Você é um grande amigo, Valter.

Eu só lhe peço discrição.

Ninguém pode saber disso, nem o Manfred.

Ele anda muito interessado nessa operariazinha.

Lola, por gentileza, não fica na minha frente, hoje, hein!

Ali, já tá na minha frente até no ensaio, ó.

[falando ao mesmo tempo]

Estão falando demais!

Isso aqui não é um alongamento de língua! Vamos lá!

A gente só fez um pedido!

Nossa, seu Arlindo! Que cara é essa? O que aconteceu?

Seu Arlindo, o senhor não vai falar nada?

Quanto mistério! Todo esse suspense por um número novo?

Ah, quer saber qual é o número, Lola? Judas Iscariotes!

Porque eu gostaria de saber quem

é que deu com a língua nos dentes!

Que o Mundo, o Toni e a Gaia estavam aqui, no cabaré.

E eu quero saber quem é que falou isso pra polícia!

Que horror! Mas por que alguém ia fazer uma coisa dessas?

Mas essa pergunta é a que eu me faço.

Por que alguém iria fazer uma coisa dessas?

Nós somos gente de teatro. Nós deveríamos

estar lutando pela liberdade de expressão!

E não delatando os nossos amigos!

[falando ao mesmo tempo]

A polícia deve ter investigado e descoberto, não?

O trabalho deles é esse, afinal.

É verdade. Eles poderiam até ter também contratado uma vidente

porque eles chegaram muito rápido aqui!

Ou, então, pode ter sido alguém do cortiço

que viu os três entrando aqui.

O cortiço é tão perto.

Mas a menina Lola tá muito preocupada com o assunto.

Estás com o rabinho preso, por acaso?

-Todos foram presos! -O quê?

Presos!

Mundo, Toni, Gaia, o bebê recém-nascido,

o médico que fez o parto

e até a Amélia, que não tinha nada a ver com o pato.

O quê? Amelinha foi presa? Eu preciso fazer alguma coisa!

Calma, filho. Calma. As coisas vão se acertar.

-Meu Deus do Céu! -Isso é um absurdo!

[falando ao mesmo tempo]

Meu Deus, eu não sabia!

Eu não fazia ideia de nada disso!

Por que eu não fiquei de bico calado, meu Deus?

Amelinha sempre tão minha amiga,

sempre tão boa comigo! Eu gosto dela!

Foi você!

Você mandou prender todo mundo!

Chega de faniquito! Também não queria que a Amélia fosse presa.

Eu vou fazer de tudo pra tirá-la da cadeia.

Já indiquei o melhor advogado do Rio de Janeiro pro Franz.

Ele já devem estar conversando. Agora, chega de faniquito!

-O senhor tem que falar tudo. -Eu vou falar.

Doutor, seja breve!

Esse é o dr. Silveira,

o advogado que contratei pra tirar vocês daqui.

Como vai, dona Amélia? Vamos nos sentar?

Bom, pelo que eu conversei com o seu marido,

a defesa da senhora e do dr. Rubens

vai ser bem mais simples do que a dos demais porque...

Meu irmão é inocente, doutor. Ele não atirou no dr. Ernest.

Eu não estou totalmente a par das acusações.

Mas o seu marido me disse que a senhora e o dr. Rubens

não estavam naquele aparelho por motivos políticos.

Já falei pro senhor que não.

Dr. Rubens foi fazer o parto da Gaia e eu fui levar ele até lá.

Ótimo. Já o seu irmão e o outro casal,

pelo que eu sei, eles são militantes do partido comunista.

Isso complica muito a situação deles.

Meu irmão é inocente, doutor!

-Amélia, por favor. -Fala pra ele! Explica pra ele!

Dona Amélia, por favor. Por favor.

Dona Amélia, a senhora tem que tentar manter a calma.

Eu sei que não é fácil, é o seu irmão.

Eu vou fazer de tudo que eu puder pra ajudar.

-E aos seus amigos, também. -Faça isso, por favor.

Vamos nos concentrar agora na sua defesa?

Dona Amélia, o mais importante é que a senhora me conte tudo.

É importante que eu saiba cada detalhe

do que aconteceu naquele aparelho.

Se houver, realmente, como a senhora disse...

[inaudível a partir daqui]

Cinco minutos.

-Dr. Silveira. -Ah, Franz.

Bom, perdão se não pude ir até a sua casa,

mas eu achei melhor que nós conversássemos

sem a presença do senhor Apolônio.

Por favor. Aconteceu alguma coisa? Diga.

Eu preciso mostrar alguns documentos pra você.

Carteira do partido comunista da Amélia?

Proposta de filiação? O que é isso?

E uma ata de reunião assinada por ela.

Parece a letra dela, sim. Quem deu isso pro senhor?

Isso, eu consegui na delegacia.

São cópias de documentos anexados aos autos

do processo de acusação contra a sua esposa.

E essa lista aqui? O que é isso?

Bom, essa é uma lista da polícia

com nomes e fotos de lideranças de partido comunista importante.

Franz, já faz algum tempo que a polícia

está no encalço da Amélia.

Ela participa do partido comunista...

Não. Isso não é verdade.

Ela me garantiu que não tem envolvimento nenhum

com o partido. Isso é mentira.

Esses documentos foram encontrados no aparelho

que foi invadido no momento da prisão.

Além dessas evidências todas,

ainda há o depoimento de alguns militantes presos

que identificaram a Amélia como sendo

uma liderança expressiva dentro do partido

-ao lado do irmão. -Por favor, um momento.

O senhor está querendo me dizer

que a minha mulher, a Amélia, mãe da minha filha

ela mentiu pra mim?

É o que as provas dizem.

Infelizmente, agora, a situação da sua esposa

ficou muito complicada.

Eu sinto muito, Franz.

Amélia é comunista?

Não pode ser!

Julieta, eu preciso falar com o dr. Ernest.

"Bom dia, Julieta! O seu patrão está?

Pode chamá-lo, por obséquio?"

É assim que se fala, Iolanda.

Francamente, que falta de verniz!

Tanto estudo pra nada!

Julieta, por favor, chama o dr. Ernest.

Dr. Ernest está descansando e não gosta de ser incomodado.

Se quiser deixar algum recado...

Pode deixar, Gertrude. Eu vou receber Iolanda.

Deixe-nos a sós. Você também, menina!

Com licença.

Sente-se, por favor.

-Gostaria de beber alguma coisa? -Não, obrigada.

Que surpresa agradável!

Há quanto tempo que eu não te vejo!

Você está cada vez mais bonita, como isso é possível?

Estou disposta a qualquer coisa pra tirar o Mundo da cadeia,

e o senhor pode fazer isso.

Que lástima!

Uma mulher do seu nível

se rebaixando tanto por causa de um vagabundo!

Você não precisa fazer nada, não.

Qualquer sacrifício seu seria inútil.

Eu não vou mudar de ideia.

Por mim, aquele vagabundo apodrece na cadeia!

Não foi o Mundo que atirou no senhor.

Sinto muito, eu não posso lhe ajudar. Tenha um bom dia.

Dr. Ernest por favor, dr. Ernest!

Sem-vergonha! Bem-feito!

Saiu com o rabinho entre as pernas!

O que você está fazendo atrás de mim, Julieta?

Parece uma assombração! Sai daqui, vai! Chispa!

Sim, senhora. Sim, senhora.

Franz!

Que saudade!

Que saudade de você!

Tem alguma notícia do advogado?

O que houve?

Chega de mentira, Amélia.

Do que você está falando?

O que é isso?

Isso é a prova que você sempre mentiu pra mim.

Pelo amor de Deus, Franz, eu não sei do que você está falando!

Isso é um dossiê da polícia

provando que você sempre foi comunista.

Tem tudo aí. Tem foto sua, tem lista com o seu nome. Tem tudo!

Tem até depoimento de gente presa

falando da sua militância no partido!

-Você mentiu pra mim, Amélia! -Não!

Você me enganou esse tempo todo!

Não, Franz! Isso aqui tudo é falso!

Você que mentiu pra mim, Amélia!

Você!

Você me enganou esse tempo todo.

-Não. -Você mentiu.

Eu nunca menti pra você, Franz.

-Isso aqui é falso. -É falso?

Quem foi que inventou isso? Quem criou? Foi o meu pai?

Foi o meu pai. Deve ter sido o meu pai, né?

Eu não falei do teu pai. Quem falou do teu pai foi você.

E se você falou isso,

é porque em algum momento passou pela sua cabeça

-que isso aqui pode ser falso. -E é!

Franz, me ouve! Olha pra mim!

Isso aqui é tão falso quanto aquela carta

que ele escreveu usando o teu nome!

Acontece que quem entregou isso pro advogado foi a polícia!

O meu pai nem sabe que contratei um advogado pra te defender.

Ele não sabe do meu envolvimento com advogado. Não sabe de nada.

-Dessa vez, não foi ele, Amélia. -Você precisa acreditar em mim.

Eu nunca menti pra você.

Eu nunca te traí.

Você tem que acreditar em mim, meu amor.

Pelo nosso amor, Franz.

Pelo amor de Deus, pelo nosso amor, acredita em mim.

Eu não consigo.

Eu já tentei, mas eu não consigo.

Você me prometeu que não ia se envolver com o partido,

mas estava lá.

Foi presa dentro daquele aparelho.

Sabe, Amélia,

eu fico me perguntando...

Não sai da minha cabeça isso.

Será que em algum momento,

algum minuto que seja, você me amou de verdade?

Como é que você pode duvidar do nosso amor, Franz?

Essa sua prisão

vai marcar a vida da minha filha para sempre.

E eu não vou conseguir te perdoar por isso.

Com essas provas aqui,

realmente, não tenho o que fazer pra te tirar da cadeia.

Eu não posso fazer mais nada.

A minha filha vai ser criada longe da mãe dela.

Não!

Não!

Não tenho mais o que fazer.

Não posso fazer mais nada.

Minha filha não, Franz!

Minha filha não, pelo amor de Deus!

Não tira a minha filha de mim!

Pelo amor de Deus, a minha filha não!

A Pérola, não!

[música]

Viktor tem se esforçado muito, dr. Ernest.

Vai terminar o colégio militar esse ano, sem falta.

Eu não sei, não. Esse menino me preocupa muito.

E Hilda também me dá muita preocupação.

Hilda logo começa a dar aula. Vai dar tudo certo.

-E no que depender de mim... -E Franz?

Bom, eu não tenho visto muito o Franz, dr. Ernest.

-Franz? -Franz?

Ô, meu filho! O que houve?

Acabou, pai.

Eu estou voltando pra casa.

Ô, meu filho!

Meu filho, bem-vindo de volta ao seu lar!

Eu acreditava tanto nela, pai.

Eu acreditava tanto, mas ela mentiu pra mim.

E a Pérola? E a minha filha?

O que será que vai acontecer com ela?

O que esse homem está fazendo aqui?

O meu pai veio me acompanhando, Amélia.

Pra quê?

Eu vim buscar a minha filha.

Eu preciso levar a Pérola pra casa.

O quê?

[música]

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