All language subtitles for Joia Rara.011.720p

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Original subtitles

Vocês só têm a perder indo atrás desse arruaceiro.

Olha como você fala comigo!

[burburinho]

Vocês acham mesmo que ele está aqui em nome da causa operária?

[burburinho]

Que causa operária que nada!

Ele está aqui porque ele tem ciúmes de mim.

Ciúmes?

Você invadiu minha casa

porque sabe que você não é homem para a Iolanda.

Por isso você invadiu a minha casa

e me agrediu, não é verdade?

Porque você não tem nada para dar para ela, você é um nada!

Dobre a língua para falar comigo, seu bode velho!

[burburinho]

Parem! Ou eu vou chamar a polícia!

Você tem raiva de mim, sua peste,

porque a Iolanda não te quis.

Porque ela quer a mim.

É a mim que ela ama! E ela está se lixando para o seu dinheiro.

Pelo menos, eu tenho alguma coisa a oferecer a ela.

Já você não tem nada, é um interesseiro.

Você e sua irmã,

aquela vagabunda que aplicou o golpe da barriga.

Eu vou acabar com a tua raça!

[falas inaudíveis]

Mas o que foi isso?

Foi ele! Foi ele, eu vi!

[burburinho de pessoas discordando]

Foi ele que atirou!

Foi ele! Foi o Mundo que atirou!

Eu?

Foi! Você tentou matar o dr. Ernest!

Não, não, seu Venceslau, não foi eu que fiz isso.

Você sim! Eu vou chamar a polícia! Sai da frente!

É melhor você fugir. Vamos sair daqui!

Fugir, por quê? Não fui eu que fiz isso!

Eles não vão acreditar!

[burburinho]

Chama um médico.

Como é que ele está?

Ele está vivo.

Acabei de chamar a polícia.

Mas o Raimundo fugiu com os outros operários.

Eu vou atrás deles.

Não, não, deixe que a polícia dos operários.

Me ajude a colocá-lo no sofá, por favor.

Vem, Venceslau, me ajuda!

A gente tem que sair.

Mas não foi eu!

A gente vai ser preso, vamos, vamos, corre!

Vai, Gaia, vai, rápido.

Se apoia em mim, se apoia em mim.

Ai, minha barriga.

Você tem que ser forte.

E Etelvino, os outros, será que conseguiram escapar?

Eles já devem ter ido, Mundo, já devem...

-A polícia! -Vambora, vambora!

-Corre! Corre! -Corre!

Manfred, o que deu errado?

Por que aquele imbecil atirou em mim?

Era para ser um tiro em encenação, uma encenação!

Calma, o senhor está perdendo muito sangue.

Depois ele vai ser ver comigo.

A ambulância já chegou!

-Ai, doutor. -Ele está muito ferido.

A polícia está aqui.

Ah, dr. Ernest, eu fico muito feliz

que o senhor tenha acordado.

Sim, ele acordou, mas ele está muito ferido.

Ele precisa ser levado imediatamente para o hospital.

Eu preciso fazer umas perguntas antes. Dr. Ernest Hauser?

Sim, sou eu.

O senhor não vê que ele não está

em condições de responder interrogatório?

Estou, doutor. Eu posso, eu posso responder.

Deixa eu sentar.

O senhor foi vítima de um atentado, é isso?

É isso, é isso!

Raimundo Fonseca tentou me matar.

Raimundo Fonseca é o nome dele, um operário.

O senhor sabe quais foram os motivos que levaram...

Por favor, ele precisa

ser levado imediatamente para o hospital.

Ele perdeu muito sangue. Está fraco.

Suas perguntas podem esperar, cuidado!

Quem vai acompanhá-lo até o hospital?

Eu levo, pode ficar tranquilo. O senhor encontra a gente depois.

Levantem ele com cuidado. Vamos, rápido, rápido, vamos!

Vocês testemunharam o atentado?

Sim, nós estávamos presentes.

Muito bem. Então, eu vou precisar

que me acompanhem até a delegacia, por favor.

A Pérola não quer saber de dormir, padrinho.

Vou tentar dar a chupeta.

Dá a chupeta, dá a chupeta e depois não pega no peito.

Vai, entra, vai!

-Calma! -Senta ali.

O quê que está havendo?

A polícia, seu Apolônio, a polícia!

[todos falando ao mesmo tempo]

Um pouco de água, por favor.

[falas ininteligíveis]

Vamos comigo.

Por onde a gente sai?

Por aqui.

Eu não vou aguentar.

Vai, sim! Vai, sim!

Vão, vão, rápido.

Toma, pega a Gaia.

Pelo amor de Deus!

Que barulheira é essa, seu Apolônio?

E eu lá sei que barulheira é essa?

Eu estou aqui consertando um banquinho.

Cadê a Amélia?

E eu vou saber, a mim que você pergunta?

Deixa que eu abro.

Deve ser mamãe.

Onde ele está?

Onde está Raimundo Fonseca?

Sim, meu afilhado.

Estamos procurando Raimundo Fonseca.

Sim, é meu afilhado.

Ele está sendo acusado de tentar matar o senhor Ernest Hauser.

O quê? Como é que é?

[música]

Como é que ele está?

Não sei informar!

Como, não sabe informar?

Não sei. Está sendo levado

para o Hospital Franco de Melo em Copacabana.

Calma, calma.

Onde está?

Não tem ninguém aqui, senhor.

Onde está? Olhou embaixo da cama?

-Onde é esse hospital? -Copacabana.

Você não sabe como ele está? Nada?

Eu não tenho informações, meu senhor.

Cuida da minha filha, por favor. Eu estou indo para o hospital.

Avisa a Amélia também.

Cuidado, que tem criança dormindo aí, por favor.

Foi o Mundo, sim! Eu vi quando ele atirou no dr. Ernest.

Mas por que ele fez isso? O senhor tem ideia?

O sujeito é perigoso, delegado. Ele atiça os operários.

O Mundo odeia o dr. Ernest porque ele é o patrão

e porque o velho também tem

uma queda pela namorada dele, Iolanda.

O Mundo já não agrediu o dr. Ernest por causa disso?

Foi até preso e tudo, não foi?

Este Raimundo está envolvido com os comunistas, não está?

Se está? Ele é uma liderança do partido!

Não gosto de entregar ninguém, seu delegado.

Eu só estou falando isso, porque eu acho o comunismo uma praga.

Nossa juventude não pode ser contaminada por essas ideias.

E eles são violentos.

O próprio Raimundo andava armado para cima e para baixo.

E hoje não foi a primeira vez.

Eu estou lhe dizendo, o Mundo atirou no patrão e fugiu.

Muito obrigado, seu Benito. Está dispensado.

Chame as outras testemunhas.

Com licença.

Por favor, sentem-se.

Senhorita Sílvia Lemos,

senhor Manfred Ducke e senhor Venceslau Lopes.

Por favor, contem exatamente o que viram.

Bom, na verdade eu não vi nada direito.

Nem eu! Foi tudo muito rápido e confuso.

Eu vi!

Viu?

Tudo!

Raimundo foi com outros operários

fazer exigências ao patrão.

De repente, o assunto descambou para o lado da minha filha.

Aí, o Raimundo começou a discutir com o dr. Ernest

e atirou nele.

Então o senhor viu o Raimundo atirar contra o dr. Ernest?

Ver, eu não vi. Mas só pode ter sido ele, né?

Sujeitinho agressivo como aquele...

Eu o conheço faz tempo.

Conheço há muito tempo e para a minha desgraça

ele é o meu vizinho e noivo da minha filha.

Aquele traste, noivo da minha filha.

Está enrolando a minha filha faz anos.

O senhor precisava ver como ele ficou exaltado, não foi?

Sim. Muito exaltado!

[cantando em espanhol]

Pensando que é uma gralha.

"Yo estoy perdendo el tiempo."

É sensualidade, meu amor. Sensualidade na voz.

Você nunca deixa eu fazer nada que eu quero.

-Você... Volte aqui! -Pra mim, chega!

[burburinho]

Se esconder? De quem?

Da polícia, seu Arlindo. A polícia está atrás do Mundo.

Estão me acusando de tentar matar o dr. Ernest.

Que história é essa?

É muito complicado.

A gente precisa se esconder, seu Arlindo.

-Agora, agora. -Rápido, rápido!

Quem precisa se esconder?

Todos nós! A gente tava com o Mundo, seu Arlindo.

E agora a polícia quer pegar todos os integrantes do partido.

Para de conversar, vem para dentro.

Amelinha, avisa o Fabrício para arrumar outro esconderijo.

A gente não pode ficar aqui por muito tempo.

Vem, rápido. Continuem o ensaio e bico calado.

-Lola! Lola. -Lola! Lola!

O que é? O que está acontecendo?

Nada! Nada de mais. Vamos ensaiar?

Vamos lá! "Estoy perdiendo..."

Hã, cadê o diretor? Sem diretor, eu não ensaio.

Eu não disse que não tinha ninguém?

O velho está falando a verdade.

Esse tal de Raimundo e os outros dois

não estão aqui, não, senhor.

Muito bem! Nós vamos procurar em outras casas.

Mas se vocês estiverem escondendo esses comunistas,

nós vamos levar todos os homens do cortiço para o xilindró.

Vambora, homens!

Pra que isso?

[ininteligível]

O senhor não pode levar os nossos homens presos.

Por favor, minha senhora, sai da frente.

Sai da minha frente, minha senhora.

A senhora está obstruindo o trabalho da polícia.

Isso é desacato à autoridade.

Não é desacato!

Para onde é que vocês vão levar eles?

Estamos procurando três vizinhos, três amigos de vocês.

Toni, Gaia e esse tal de Mundo.

Estão todos aqui se recusando a dar informações.

Inclusive o seu pai.

O senhor está enganado. Aqui, todo mundo é trabalhador.

Você não pode levar o meu pai. Ninguém sabe onde eles estão.

Mas o quê que esses três fizeram, moço?

Isso não é da sua conta.

Não atrapalhe o trabalho da polícia, por favor.

Vamos ver se na delegacia ele não abre o bico.

Não é, meu senhor?

Vamos embora!

Eu não posso deixar a criança sozinha em casa.

É um bebê, senhor. É um bebê.

A criança é um bebê.

[burburinho]

Por que vocês estão levando ele?

Pérola está sozinha com a mamma Francesca em casa. Cuida dela.

Sai. Sai senhorita, sai.

Iolanda, a polícia veio caçar o seu noivo.

Tão acusando o Mundo de tentar matar o patrão e fugir.

O Toni e a Gaia estão também estavam com ele.

Tão levando os nossos homens

para depor na delegacia, Iolanda.

Iolanda, cadê o Mundo? O que ele fez?

Não sei! Não sei!

Foi bom o Viktor e Hilda não estarem em casa.

É melhor eles ficarem sabendo o que aconteceu

quando o senhor já estiver melhor.

O pior já passou, não é?

Eu perdi muito sangue.

Ô, meu filho, que bom que você veio me ver.

Manfred esteve aqui até agora, mas teve que ir para a fábrica.

O que foi que aconteceu, meu pai?

O seu pai levou um tiro.

É. Aquele operário comunista.

O tal Mundo

deu um tiro no seu pai.

É verdade, meu filho. Foi ele! Foi ele que atirou em mim.

Por favor, deixe-nos a sós.

Eu preciso conversar com o meu filho.

Claro. Claro! Dá licença.

Claro!

Obrigada!

O que você está fazendo aqui, Lola?

Eu vim falar com você!

Eu espero que seja importante. Eu estava no hospital até agora.

Meu pai acabou de ser baleado, se você veio aqui para...

Eu sei onde o Mundo está escondido, Freduco.

Agora a coisa foi longe demais, meu filho!

O seu cunhado tentou me matar!

Pai, isso não faz o menor sentido.

O Mundo é esquentado, sim,

mas ele seria incapaz de atirar em alguém! Nem arma ele tem.

Ele escondeu a arma de vocês. Está sendo ingênuo.

Meu filho, ele é um líder comunista.

Ele é fanático, rancoroso.

Esse tipo de gente faz tudo pra atingir seus objetivos,

até matar alguém.

Pai, o Mundo não é assassino.

Meu filho, mas ele invadiu nossa casa, você viu. Ele me agrediu.

Ele instigou os funcionários contra mim.

Invadiram a minha sala aos berros!

Exigindo coisas! Eu fui reagir, ele me deu um tiro!

Sem sequer pensar que eu sou seu pai.

Eu conheço o Mundo, pai.

Meu filho, eu não morri porque eu sou um homem de sorte!

Eu conheço o Mundo, ele não é assassino!

Não conhece o Mundo,

você não conhece a alma de um comunista, meu filho.

Você não conhece direito nem a sua mulher.

Vocês estão juntos há pouco tempo.

Amélia não tem nada a ver com isso, pai. Ela não é comunista!

O irmão é.

A melhor amiga dela e o marido, são.

Você está muito apaixonado, meu filho. A paixão cega.

Ela teve uma filha que diz ser sua, mas você não sabe se é.

Pai, por favor.

Por favor, eu te peço, não recomeça.

Eu confio na Amélia.

Meu filho, eu vejo tudo com mais clareza.

Você caiu numa armadilha, Franz.

Eles te envolveram,

aproveitando o sincero amor que você sente por Amélia.

Esse tiro foi uma prova disso.

Franz, eu podia ter morrido, meu filho. Eu podia estar morto!

Eu sei que no futuro vai me dar razão, meu filho.

Mas eu tenho medo de ser tarde demais.

Você tem que se proteger, meu filho.

Acorda, Franz. Acorda, filho.

Pai, bebe uma água.

Toma.

Meu pai sofre do coração, ele não vai aguentar!

Ele é muito velho!

Olha lá, foi ele, foi seu Venceslau

Foi ele que acusou o Mundo e os outros de ter atirado no patrão!

Foi ele, sim!

Foi ele, sim!

Velho desgraçado!

Que você tá falando aí, sua solteirona fofoqueira?

A polícia teve aqui.

Levou nossos pais, nossos amigos, nossos filhos.

E a culpa é sua, seu bêbado!

Tem mais é que prender mesmo!

Os homens de vocês são todos uns arruaceiros!

[burburinho]

[confusão continua]

Mamma, pelo amor de Deus, explica de novo.

Questo que estou te dizendo!

Mas não é possível, o Mundo não é um assassino!

Ele jamais seria capaz de atirar em alguém, nem no doutor Ernest!

Calma, fica calma, Iolanda, vou te fazer um chá!

E a Gaia?

Ai, dio mio!

Deve ser a Amelinha.

O que será de minha nora grávida?

Iolanda, corre, as mulheres pegaram teu pai.

Meu pai?

Mas por quê? O que ele fez?

Tá apanhando mais que Judas em Sábado de Aleluia, gente!

Mamma, vai lá, cuida da Pérola, eu vou pra lá.

Ai, Pérola, dio mio.

Sai, daqui! Sai, sai!

Para! Senta, senta!

Meu Deus, o senhor está todo machucado!

-Dedo duro! -Para, para...

Do que elas estão falando, pai?

Elas estão loucas! Vocês são loucas!

A gente não é louca, não, foi ele que acusou o Mundo

de ter atirado no patrão, Iolanda!

O senhor fez isso, pai? Pai, o senhor fez isso?

Vamos trabalhar.

Bêbado.

Cadê meu chapéu?

Me leva pra lá.

O Mundo, o Toni e a Gaia estão escondidos no cabaré,

mas eles precisam sair de lá, Fabrício, é muito arriscado.

Você tem razão! Eles vão acabar sendo presos como cúmplices!

Eu vou lá, eu vou resolver isso.

Eu não vou poder ir com você

porque eu deixei a Pérola em casa.

Mas me manda notícias assim que você puder, por favor.

Não, fica tranquila.

Quando eles estiverem em segurança, eu te aviso.

Calma, meu filho.

Gaia, tá tudo bem?

Fabricio tá demorando demais.

Será que Amelinha conseguiu falar com ele?

Gente, o Fabrício está lá fora num carro esperando.

Ele vai levar vocês pra um lugar seguro. Vão logo!

Ótimo, vamos embora.

Ai, me ajuda, meu amor.

Ai, Toni!

Que foi, Gaia?

Ai, não aguento agora.

Respira, respira.

Calma, calma.

[música]

[cantando em espanhol]

[música continua]

Arlindinho, que tá acontecendo?

Volta lá e agradece. Só agradece. Normal, vai.

Arlindinho!

Pois não, senhores?

Estamos procurando um fugitivo.

Um fugitivo?

É, um comunista acusado de tentativa de assassinato.

Jesus! Jesus!

E quem é esse monstro?

-Raimundo Fonseca. -Raimundo Fonseca?

E disseram que ele estava escondido por aqui

acompanhado de seus cúmplices.

Um casalzinho de comunistas também.

Um casalzinho de comunistas?

Imagine se um casalzinho de comunistas entra no cabaré!

No cabaré não entram comunistas, senhor.

E muito menos assassinos!

Muito bem, então o senhor não há de se importar

que eu e os meus homens,

a gente dê uma vasculhada na área, não é?

Uma vasculhada na área? Claro. Pode vasculhar.

Vasculhe, vasculhai, vasculhai-vos por favor.

Isso, respira fundo. Respira fundo.

Eu tô melhor.

Tá melhor? Tem certeza?

-Tô. -Mesmo?

Então vamos, vem.

Isso, continua respirando fundo, vai, vai.

Mãe!

Que foi, filho?

A policia está lá fora.

Ai, meu menino Jesus de Praga!

E agora? E agora?

E agora vamos embora, rápido! Rápido, vamos embora daqui!

Não vai dar tempo!

Eles já devem ter cercado o prédio inteiro,

não dá mais pra fugir!

E agora, meu amor?

Não sei, vamos pensar.

Eu tive uma ideia!

Respeitável público, senhoras e senhores,

é com satisfação que apresentamos eles,

que atravessaram as estepes geladas da Rússia.

Com vocês, os palhaços palhaços!

O senhor não está vendo que não tem nada aqui?

O senhor já procurou tudo!

Senhorita, eu preciso continuar revistando a sala. Com licença.

Não tem nada aqui, apenas o cartaz do meu espetáculo.

O senhor já assistiu? Posso lhe dar o convite.

É casado? Dois!

O quê?

Não, não, cuidado!

Esse livro é importante. Isso, não! Contas! São minhas contas!

A não ser que o senhor queira pagar.

Pai, faz alguma coisa!

Eles estão fazendo uma bagunça! Acabei de arrumar tudo!

Belmira, minha filha,

deixe os nobres policiais fazerem o serviço deles!

O trabalho deles é revirar a casa dos outros?

O senhor mesmo diz que eles abusam!

Abuso de quê, mocinha?

Não, eu sempre digo que eles abusam, obviamente.

Abusam abusam do direito de ser bons policiais!

Exatamente. Bons policiais!

Minha sogra, por exemplo, diz sempre que, em Portugal

os policiais deveriam aprender com os policiais brasileiros,

não é verdade, Belmira?

É é, sim. Ela diz isso.

E ela também diz que...

Ela fala muito. Ela diz que, inclusive

Os policiais brasileiros são muito bem apessoados.

Ela é portuguesa. Apessoados, são muito simpáticos!

Não é, Belmira? Hein?

-Quer um café? -"Zinho"?

[os palhaços choram]

Mundo, eles estão indo embora!

O senhor pode deixar.

Se eu souber alguma coisa desses arruaceiros,

eu o aviso imediatamente. Por favor, por aqui. Pode sair.

Muito obrigado, muito obrigado. Muito obrigado!

[música circense]

Tudo bem, Gaia? Como é que você tá?

Funcionou!

Agora, aproveitem pra fugir!

A gente precisa sair, o Fabrício deve estar esperando a gente.

Tchau!

Vão com Deus!

-Ai, graças a Deus! -Deu certo!

Shiu!

Olha ele ali! Vem, Gaia! Rápido!

Bora! Bora!

Bora, português! Bora! Entra no carro, Gaia!

Não entra aí, não! Parou!

Eu estou à espera de uns amigos!

Que amigos que tá esperando?

Já chegaram, não tá vendo, não? Vambora!

Entra logo no carro, português!

Vocês, brasileiros sempre me surpreendem, gente!

Vamos, vamos! Tá tudo bem, Gaia?

Vamos, vamos!

Vai, português, vai!

Vamos! Vamos!

-Tô indo! Tô indo! -Já foi!

Bebe um pouco, vai. Respira.

Eu não atirei no dr. Ernest, mas alguém atirou! Mas quem? Quem?

Que pessoa que ia fazer isso?

Quer dizer, razão pra matar aquele bode velho...

Talvez o Venceslau, né?

O Venceslau deve dinheiro pro Ernest.

-Venceslau? -Sim!

Ele talvez tenha feito isso a mando do próprio Ernest.

Ele foi o primeiro a te acusar,

e a gente sabe que você não tinha arma nenhuma.

Bode velho desgraçado!

É claro! Ele fez isso pra me prejudicar!

Agora, se foi isso mesmo,

vai ser difícil provar sua inocência.

O Ernest conhece muita gente graúda.

Fascista! Fascista!

Tá na cara, Mundo!

Tá na cara que eles fizeram isso só pra te prender!

E agora, a polícia deve saber que vocês três são do partido.

E justo agora, que a Gaia

Tá tudo bem mesmo, meu amor? Tem certeza?

Tudo bem, Toni.

O nosso filho nem nasceu e já tá na luta!

Então, agora, vou ter que arrumar um jeito

de tirar vocês três daqui, do país.

Com documentação falsa.

Até lá, ninguém, ninguém pode sair do país.

Que sair do país, português! Tá ficando louco?

Fabrício, eu não posso sair do Brasil.

Gaia, escuta só.

A polícia de Filinto Müller

está lançando a mão de todo o expediente

Pra prender qualquer suspeito de ser comunista.

Eu não posso sair do Brasil!

Fabrício, a Gaia não poder ser presa.

-Eu não posso ser preso! -Eu sou português!

Se essa criança nasce no presídio,

eles vão desaparecer com nosso filho, Fabrício!

Toni, leva ela pro quarto, ela precisa descansar.

Vem, ele tem razão. Vem! Vem comigo.

-Toni! -O que foi isso?

Eu tô toda molhada!

-A bolsa que estourou! -Me ajuda aqui, Mundo!

Traz ela pro quarto!

[todos nervosos] Calma, calma!

-Ele vai nascer. -Calma! Respira!

Tira! Pra cama!

Cuidado, cuidado!

Faz alguma coisa!

Chama um médico! Alguém chama um médico!

Vamos chamar um médico! Eu vou fazer o parto!

Que você vai fazer o parto? Tá ficando maluco?

Eu já fiz um parto!

-Eu vou pegar uma bacia! -Chama alguém, Fabrício!

Calma, Gaia! Respira! Vai, respira!

Tira o sapato dela.

Mundo, faz o seguinte: Pega uma toalha lá.

-Toalha? Onde tem toalha? -Tá lá na cozinha!

Calma! Calma, eu tô aqui!

Eu tô aqui, respira! Vai! Vai dar tudo certo!

Aqui, português! Aqui! E agora?

A gente faz o quê?

-Toni! -Eu tô aqui!

Dá uma vela. Aquela vela ali, acenda aí.

Calma, calma! Calma, Gaia! Calma!

Respira! Respira! Respira!

O que é isso, Fabrício?

Vamos desinfetar.

Precisa levantar a perna. Me dá a mão!

[falas ininteligíveis, todos nervosos]

Toma cuidado, hein?

Eu tô aqui. Olha pra mim.

Tu sabe bem o que tá fazendo?

-Ai! -Calma!

Cuidado, Fabrício!

Mundo, vai lá pra fora, vai. Fecha a porta.

Vai!

Vai, Mundo! Fecha a porta!

Gaia, calma! Olha pra mim.

Calma, respira!

Toni, dá a mão pra ela.

Vamos lá, Gaia. Tenta levantar aqui, a perna.

Calma, calma!

Vamos, Gaia! Força!

Respira!

Agora! Agora, força!

Respira, meu amor! Respira!

Vamos lá, de novo!

[falas ininteligíveis, Gaia chora ao fundo]

Respira, eu tô aqui com você! Respira!

Português! Fala comigo! O que tá acontecendo aí dentro?

Tá demorando por demais, eu não tô gostando disso!

Calma! Eu não tô conseguindo!

-Como não tá conseguindo? -Não tô conseguindo!

Como não tá conseguindo? O que é isso que você tá me falando?

Eu não tô conseguindo, a criança tá atravessada!

Não tô conseguindo! A gente precisa de um médico!

Elas estão correndo risco de vida!

Eu vou buscar!

A gente precisa de um médico de confiança.

Todos que eu conheço estão presos.

Eu acho que eu sei quem pode ajudar a gente.

Agora, volta lá! Não sai do lado dela!

Não sai do lado dela! Vai!

Já volto, gigante!

Filha, cadê o seu tio?

Amelinha!

Mamma, tô aqui no quarto!

O moleque de recados mandou um bilhete pra você.

Bilhete?

É, bilhete. Disse que era do Pirulito.

Pirulito?

Segura a Pérola pra mim, Mamma.

Pirulito era o apelido do Mundo.

Ah, então, graças a Deus! Vamos ter notícia deles!

É um recado dele, Mamma.

A Gaia entrou em trabalho de parto!

O Mundo tá pedindo que eu consiga

um médico de confiança

pra fazer o parto onde eles estão escondidos.

O bebê tá atravessado.

Eu preciso do contato do dr. Rubens!

Dio mio!

Preciso achar o endereço dele!

Gaia correndo perigo! E o bebê também!

Aqui, achei! Não se preocupa, Mamma!

Não se preocupa, que eu vou resolver isso agora.

Não, não, é perigoso! Você não pode ir!

Você não pode! Você pode ser seguida! Eu vou!

Mamma, a senhora indo vai demorar muito mais.

Minha filha...

A mamãe te ama muito, meu amor.

A mamãe precisa ir, mas já volta, tá?

Te amo!

Olha ela pra mim, Mamma. Por favor!

Eu cuido bem! Cuido bem!

Perolita!

Franz!

Você dormiu aqui comigo, meu filho?

Oi, pai.

Eu acabei pegando no sono.

O senhor está melhor?

Muito melhor tendo você aqui, ao meu lado.

Eu tenho que voltar pra casa, com licença.

Aquele cortiço não é sua casa, Franz.

A sua casa é a nossa casa, onde você nasceu.

Onde você cresceu. A nossa casa.

Não é. É a sua casa.

Eu tenho a minha casa, agora.

Eu tenho uma filha, tenho uma mulher.

Eu quero esclarecer essa história com o Mundo.

Saber exatamente o que aconteceu.

Mas não se esqueça da nossa conversa de ontem.

Eu vou chamar a enfermeira. Com licença.

Deus te acompanhe, Franz!

Ah!

Em breve, eu vou ter meu filho de volta.

Eu tenho certeza disso.

Oi, Mamma!

A senhora aqui, tão cedo?

Ô, meu amor!

Que saudade que o papai estava!

Cadê a Mamma de questa bambina?

Amelinha precisou sair.

Precisou sair?

Aconteceu alguma coisa, Mamma?

Pra onde que ela foi? Cadê a Amélia, Mamma?

Força, Gaia!

Força, que teu filho tá quase nascendo!

Respira fundo! Respira fundo e faz força! Vai!

Isso! Respira! Respira e faz a última força!

Tá chegando.

A última força, Gaia!

Força, Gaia! Tá quase! Vai! Mais um pouco, meu amor!

Mais um pouco! Coragem, Gaia! Vai!

Vem! Força, vai! Vai, Gaia! Vai!

-Vem, força, vai! -Mais um pouco.

Respira e faz a última força!

Tá vindo! Tá vindo, vai!

[choro de bebê, Gaia gritando]

Nasceu, Gaia!

Nasceu! Nasceu!

É um menino lindo!

É um menino, Gaia!

-Pega o teu filho! -O nosso filho!

Pega o teu bebê!

Meu filho! Toni!

Vai se chamar Giuseppe!

Lindo!

Como nosso herói de dois mundos!

-Você gosta do nome? -É lindo, Toni!

Ele vai lutar por um mundo muito melhor.

Vai ser muito valente, esse nosso filho.

Vai ser um homem maravilhoso!

Seja bem-vindo, meu amor! Seja bem-vindo!

Ele é lindo, Toni! Ele é lindo!

Eu vou avisar o Mundo!

-Nasceu? -É um menino!

É um menino lindo, Mundo!

Um menino!

Logo vi, pelo pulmão, que o cabra era macho, mesmo!

Onde é que tá o Fabrício? Eu quero avisar pra ele.

Fabrício saiu, sei lá foi pra onde! Eu quero ver o menino!

[batidas fortes na porta]

Abra a porta! É a polícia!

A casa está cercada!

Não adianta tentar escapar. Vocês estão presos.

[música]

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