All language subtitles for The.Rules.of.the.Game.1939.720p.BluRay.x264-CiNEFiLE

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Original subtitles

Jean Gaborit e Jacques Durand reconstituíram esta versão...

com a aprovação e conselhos de Jean Renoir...

que a dedica à memória de André Bazin.

"A REGRA DO JOGO"

Este filme, cuja ação se desenrola...

na véspera da guerra de 1939...

não tem a pretensão de ser um estudo de costumes.

Os personagens são fictícios.

"Corações sensíveis, fiéis

Que condenam o amor leviano

Cessem suas queixas cruéis

É crime variar?

Se o amor tem asas

Não é para voltear?"

Aqui é a Rádio Cidade. São exatamente 22h00.

Acabamos de chegar ao aeródromo de Bourget...

onde tentamos passar pela multidão que veio receber...

o grande aviador André Jurieu.

Ele acaba de realizar uma façanha incrível.

Atravessou o Atlântico em 23 horas.

Façanha que só se compara... Olhem o fio!

Que só se compara à realizada há 12 anos por Charles Lindbergh.

A multidão está se aproximando.

André Jurieu chegou. Realizou uma excelente aterrissagem.

A multidão invade a pista e quer passar pelos guardas.

Vou tentar fazer o mesmo.

O ministro não pôde vir e me encarregou de lhe transmitir...

sua admiração e calorosas felicitações!

Todo o mérito é do avião!

De jeito nenhum! Foi uma bela façanha!

Octave!

- Meu caro Octave! - André!

Estou muito contente! Não pelo seu voo, mas por vê-lo aqui.

- Ela está aí? - Não.

- Ela não veio? - Não.

- Ela não veio?! - Não pôde.

Foi por causa dela que fiz este voo!

- Sei disso. - Sr. André Jurieu...

- diga algo em nosso microfone. - Não sei o que dizer.

Acaba de sobrevoar o Atlântico, sozinho.

Deve ter algo a nos dizer.

Diga qualquer coisa. Que está feliz!

Estou muito triste. Nunca sofri tamanha decepção.

Tentei essa façanha por uma mulher.

Ela nem se deu ao trabalho de vir me esperar.

Declaro publicamente que ela foi desleal!

Foi uma incrível façanha do grande aviador.

Não devemos esquecer que tal esforço o deixou exausto.

A minha bolsa, Lisette.

Não está em condições de falar ao microfone.

Mas está aqui conosco o engenheiro...

Bem, o avião de André Jurieu é um Caudron de série...

com um motor de Renault de 200 cavalos.

No lugar do segundo piloto foi posto um tanque de reserva.

Muito obrigada.

Você é um herói, mas se porta como uma criança.

Se Christine não quiser mais vê-lo, bem feito!

- Nunca mais vou procurá-la. - Venha deitar-se.

Lisette, há quanto tempo está casada?

- Há quase 2 anos. - É mesmo... como o tempo passa!

- Está feliz? - A senhora sabe...

meu marido trabalha no Coliniére, e eu, aqui em Paris.

Com a senhora, estou feliz!

- Você tem namorados? - Imagine, senhora...

Tem sim! Você tem! Octave, por exemplo.

Dê-me o batom da noite.

- Não sei onde está. - Sabe muito bem!

Não gosto dele, é roxo.

Não fica natural.

O que é natural hoje em dia?

- Seus namorados... O que dizem? - Pouca coisa.

- Eles beijam você? - Se eu quiser.

- Pegam suas mãos? - Depende.

- E depois? - Depois?

É sempre a mesma coisa. Quanto mais se dá, mais querem.

Dê-me isso!

Os homens são assim mesmo!

E a amizade, como fica?

Amizade com homem?!

É que nem lua ao meio-dia!

- Bem, boa noite. - Boa noite, Lisette.

- Mitzi. - Sim, senhora.

- Você levou os cães para fora? - Sim, senhora.

- Onde está o patrão? - No escritório.

O aeródromo de Bourget retoma o aspecto normal.

As luzes se apagam. A multidão se dispersa.

Fim da bela recepção. Vivemos minutos que ficarão na historia...

- Estamos atrasados, minha cara. - Como sempre!

- Isso é novo? - De hoje.

Uma negrinha romântica. O mecanismo está perfeito.

- Prefiro isso ao rádio. - Sabe a história de André Jurieu?

Imagino como aconteceu. Ele ia arriscar a vida no voo.

Como você poderia recusar... recusar-lhe esta prova...

de amizade amorosa que ele mendigava de forma comovente?

Ele pensou que fosse amor... Os homens são ingênuos.

Eu estou tão feliz... Obrigada.

A mentira é uma coisa pesada para se carregar.

A mentira... Está exagerando.

Você me julga um mentiroso?

Não, confio plenamente em você.

- É mesmo? - É.

Com licença. Volto num instante.

A Sra. Marrast, por favor?

É você, Geneviéve? Preciso vê-la.

Pois venha! Ah, não pode? Vai sair com Christine.

Então, amanhã de manhã.

Não, às 10h00 não! Sim, às 11h00 é bem melhor!

Nosso concerto de musica popular continua...

Esse La Chesnaye deve estar furioso!

- A culpa é só dele! - É o progresso.

Progresso? Isso é exibicionismo!

Pobre Christine, tenho pena dela porque é estrangeira.

E porque gosta dela!

Não! Deve ser duro deixar a Áustria e o meio artístico...

onde seu pai é um grande regente de orquestra...

e ser obrigada a viver em Paris, entre estranhos.

Não tinha de se casar! Eu me casei?

Você?!

Em que está pensando, Geneviéve?

Numa frase de Chamfort, que considero quase um preceito.

- O que diz ele? - "O amor na sociedade...

é a troca de duas fantasias e o contato de duas epidermes."

Se entendi bem, você quer me deixar.

De repente, ontem à noite, decidi merecer minha esposa.

Ah! Já sei! A vida de família, tricô, cozido e muitos filhos.

Exato. Acho que eu já me diverti o bastante.

Tudo isso por causa do rádio e de André Jurieu!

Que perspicácia!

Em que nossa separação mudaria sua relação com Christine?

- Em tudo, minha cara... tudo! - Em nada! Ela não se adaptou.

Uma parisiense entenderia... Ela, não!

Se souber da verdade, terá raiva de você, não por nossa relação...

mas por você ter mentido para ela desde o começo.

- Jamais o perdoará por isso. - Sei disso.

Acredite ou não, Robert, você significa muito para mim.

Não sei se é amor ou hábito...

mas, se me deixar, serei muito infeliz, e não quero ser.

Minha cara, perdoe-me.

Não queria magoá-la, mas ponha-se no meu lugar.

Felizmente, você é um homem fraco.

Sim. Puxei ao meu pai.

O coitado teve uma vida tão complicada!

- Vamos almoçar? - Oh! Com prazer!

Não sei se foi nossa discussão sentimental, mas estou faminta!

Octave!

Não, prossiga se quiser, mas eu vou a pé!

Octave!

Não me deixe sozinho.

Estou cheio das suas histórias. Desde que voltou dos EUA...

são só discussões, explicações. Você virou um chorão.

Agora quer me tornar parte da paisagem!

- Já me enchi, vou embora. - Machucou-se?

Não sei como eu não morri, fui atirado ao teto, meu caro!

Se quer se matar por causa de Christine, mate-se, mas sem mim!

- Entenda... - Entendo que é louco.

- Estou louco! - Então, trate-se!

Queria que eu sumisse porque a ama. Tem ciúmes de mim!

Eu a amo, mas à minha maneira.

Por isso não pode tratá-la com indiferença.

Essa moça é como uma irmã para mim.

Passei a juventude com ela. Seu pai, o velho Stiller...

era o melhor homem e melhor regente de orquestra do mundo.

Quando eu quis aprender música e fui a Salzburgo...

recebeu-me como um filho, e não pude provar minha gratidão.

Agora posso, porque ele morreu...

e não está aqui para cuidar da filha, e eu vou cuidar.

Essa moça precisa porque ela é estrangeira.

Está entre pessoas que não falam sua língua!

Se quer a felicidade de Christine...

deixe-a vir comigo, pois eu a amo.

La Chesnaye não a merece.

Com seus pássaros mecânicos, seu castelo, é um esnobe que a trai.

Pode ser esnobe, mas tem os pés no chão.

Você vive nas nuvens. Fora do avião, só comete gafes no rádio.

- No rádio? - Quando voltou dos EUA.

Você chega dos EUA após ter batido vários recordes.

É recebido por ministros e uma multidão. Fazem discursos.

E, em vez de fazer modestamente seu papel de herói nacional...

e fazer declarações sensatas ao microfone...

você se põe a falar da Christine, em público!

E não sabe por que ela não o quer!

Atravessei o Atlântico por causa dela, entende?

Ela me incentivou e depois nem foi me esperar!

Esquece que o mundo dela tem regras muito rigorosas?

Não me venha com suas lições! Preciso ver a Christine!

Você entende, Octave? Eu a amo.

Se eu não a vejo, eu morro!

- Você a verá! - Você acha?

Sim, você a verá... Vou cuidar disso.

Então, senhor Octave.

Não diz bom dia?

Bom dia, Lisette.

- Fresca como uma rosa! - Que ar sinistro! O que há?

Aposto que é devido ao aviador. Vai enchendo. A patroa não dorme.

Você confia em mim? Vou tentar dar um jeito nisso.

- É mesmo? - Aí está você! Andou sumido.

Estive muito atarefado.

- Problemas? - Sim. Depois eu conto.

Veio falar com minha esposa? Deixe-me cumprimentá-la.

- O que é isso aí, um rouxinol? - É uma toutinegra.

Um tanto comida pelos cupins!

Mas canta a cada 20 segundos.

- Dizem! - Você é cético mesmo!

Octave! Onde estava? Não o reconheço mais.

- Bom dia, Christine. - Não estava em Paris?

Permite-me? Bom dia, minha cara.

- Bom dia. - Dormiu bem?

Lisette!

- Sim? - Recebi uma carta de "Xumaxer".

- Schumacher! - Seu marido.

Diz que sem ela os bosques não têm poesia.

E seu trabalho de guarda-caça não tem graça.

Ele quer que você vá ao encontro dele.

Deixar de trabalhar para a patroa? Prefiro me divorciar!

- Não dramatize, Lisette! - Ainda não acabaram as conversas?

Ah, tem um grande segredo para minha esposa.

- Exato. - Então, vou embora.

- Você irá ao Coliniére? - Talvez.

Viu? 20 segundos.

Quer um chá?

Um café com pão, manteiga e geleia?

- Estou sem fome. - Aconteceu algo.

Primeira vez que vejo o Sr. Octave sem apetite.

Não quer se sentar?

- Diga-me seu segredo. - Quero lhe falar do André.

- Isso, não! - Quis se matar!

- Quem quer, faz. - Mas eu estava lá.

- Como? - Ora, como!

Jogou-se com o carro contra uma árvore!

- É culpa minha? - Sim, sua.

- Não entendo. - Não entende?

Você se atira nos braços dos outros como se fosse uma menina.

Comigo, não faz mal.

Para mim, você continua sendo a menina de Salzburgo.

Mas com os outros, a coisa muda de figura.

Em Paris, não se pode ser amável com um homem sem?

- Não. - Então tenho todas as culpas?

Todas, não. Digamos... Algumas.

- Devo me desculpar com seu amigo. - Aí já é exagero.

- Poderia convidá-lo ao Coliniére. - Você é inconveniente!

Bem, já vou indo. Até logo... Ou melhor, adeus!

- Aonde você vai? - Ficar com ele.

Vai me deixar? Não vai ao Coliniére?

Não posso me dividir em dois.

Que tolo!

Você é um tolo, meu caro!

- Vai convidá-lo? - Sim.

Não quero ser a mulher que deixou no desespero...

o herói do dia... o ídolo das multidões.

Se ele se estourar no avião, dirão que tenho culpa.

Vão me tratar como inimiga pública, obstáculo ao progresso.

Falarão da mão da estrangeira.

E tenho pavor de martírio.

E quanto ao seu marido, como fica?

Isso é com você.

Fiz a minha parte. Agora, lavo minhas mãos.

- Christine... você é um anjo. - Um anjo?

Um anjo perigoso. Mesmo assim, um anjo!

Lisette...

- Sim, senhor? - Prepare-me dois ovos mexidos...

com presunto e vinho branco. Estou faminto!

- Mas vai engordar! - Paciência, Lisette!

Está bem, espero você no Coliniére.

Irá com seu carro. Tudo bem... Até amanhã.

- Estou numa situação terrível. - Geneviéve!

- Você sabe? - Todos sabem.

- Quer romper com ela? - Não.

- É simples, eu cuido disso. - Se me livrasse dessa!

Morre de vontade de se casar. Vamos arrumar marido para ela!

Mas quem? Você?

Eu? Sabe que casamento não é meu forte.

Mas, se for preciso, eu me sacrifico. Pela Christine.

- Eu sei! - Em troca, você me faz um favor.

- Precisa de dinheiro? - Não.

Você sabe que no fundo é um bom sujeito?

Puxei à minha mãe.

Quero que convide André Jurieu.

- Para ir ao Coliniére? - É.

- É muito grave o que me pede. - Grave?

Sei o que aconteceu entre Christine e seu amigo.

- Não sou idiota. - Não aconteceu nada.

Felizmente!

- Então, convide-o! - É muito arriscado.

Eu a amo. Se a perdesse, não me conformaria!

Tenho vontade de sumir...

- de desaparecer num buraco. - De que adiantaria?

Eu não precisaria me preocupar com o que é certo ou errado.

O mais terrível neste mundo é que todos têm suas razões!

Claro que todos têm suas razões.

Deveriam ser expostas livremente. Sou contra barreiras e muros.

- Por isso vou convidar o André. - Acha certo?

Confio na Christine.

Se ama Jurieu, não é separando-os que impedirei isso.

Então, eles que se vejam... que se expliquem.

Que tal voltarmos a atenção de Geneviéve para André?

Seria muito cômodo mesmo! Vou me vestir.

- Almoça aqui? - Almoço.

- E quanto ao Coliniére? - Pergunte ao meu secretário.

- Os cães vão? - Pergunte à patroa.

Perdi meu parafuso! Afaste esse móvel. Pode estar embaixo.

É o parafuso da minha toutinegra, entende?

Sim, senhor, claro!

Ponha isso na mesa. Sabe da novidade?

Vou convidar o aviador para ir ao Coliniére.

O senhor inventa cada uma...

Invento, invento... chama isso de invenção?!

Você não é um idiota. É um poeta, um poeta perigoso!

Sr. Marquês!

- Olá, Sra. Marquesa! - Bom dia.

Desculpe falar disso em serviço, mas é sobre a minha mulher...

Eu sei, você me escreveu.

Ela, o tempo todo em Paris. Eu, aqui. Isso não é vida!

É como se eu fosse viúvo! O que o senhor decidiu?

Eu, nada! Se sua mulher quer ficar com você...

e largar o emprego, isso é com ela!

Sim, Sr. Marquês.

- Que bom estar aqui! - Também acho.

Bom dia, senhores. Liguei a calefação...

- e acendi as lareiras. - Fale com Corneille.

- Como vai a Gertrude? - Muito bem, obrigado.

Entregaram o carvão? Providenciou lenha?

- Sim, Sr. Corneille. - Ótimo!

- Bom dia, Lisette. - Bom dia, Edouard.

- Tudo bem? - Tudo.

- Finalmente chegou! - Sim, finalmente.

- O que é isso? - Na casa do Sr. Réaux...

- fazem matança de coelhos. - O que espera para fazer o mesmo?

Fizemos uma cerca em Epinereaux e uma em Tixier.

Com o que os guardas pegaram durante a semana, dá uns 250.

- Só? - Com lua cheia, dá menos.

Convém proteger a plantação com uma cerca. Roem tudo.

- Não quero cerca. - Certo, Sr. Marquês.

Não quero cerca e nem coelhos. Vire-se!

Está bem, Sr. Marquês. Posso continuar?

Claro, Schumacher.

Vamos seguir por Foucherolle.

Musette, aqui!

O que o patrão disse?

Não quer cerca e não quer coelhos... Como vamos fazer?

Ah, o famoso gato do moinho Meneau!

Fez muitos estragos!

- Agora vai nos deixar em paz! - É preciso fazer com Marceau!

- Marceau nem dá bola. - Talvez, mas isso vai acabar.

Vá buscar... Musette!

- O que você encontrou? - Um coelho. Numa armadilha.

Foi o sujo do Marceau que pôs um monte. Deixe como está.

- Ele não vem agora. - Amanhã cedo.

A menos que passe a noite na farra. Aí, não levanta cedo.

- O safado vive bem! Que faremos? - Vamos esperá-lo.

Finalmente, um!

Marceau!

Bom dia, Marceau.

Bom dia, Schumacher. Tudo bem?

Quer o meu coelho?

Dê-me isso! Vá na frente!

- Vamos, ande! - O que há? O que foi?

- É o Marceau, Sr. Marquês. - Mas que Marceau?

- O caçador clandestino. - Venha aqui.

- Nós o pegamos em flagrante! - Fazendo o quê?

- Encheu o bosque de armadilhas. - Matança de coelhos?

- Ele é ótimo! Solte-o já. - Está brincando?

O Sr. Marquês entende, é inteligente. Você é burro!

- Aprenda a ser educado! - Só peguei um coelho.

Devia ser permitido atirar em crápulas assim!

- Chama-se Marceau? - Sim, Sr. Marquês.

- É caçador clandestino? - Sou empalhador.

Mas, com a crise, eu me ocupo como posso, o senhor entende.

Isso é se ocupar? Na guerra, eu atirava por menos que isso!

- Chega! Marceau, fui com sua cara. - Bondade sua.

- É um crápula! - Cale-se!

Não gostaria de matar coelhos por minha conta?

O senhor quer me contratar? Não vou recusar.

Só caço as escondidas para dar de comer à minha velha mãe!

Não tem uma velha mãe!

Não tenho uma velha mãe?! Eu não tenho?!

- Siga a inspeção. Deixe-me em paz. - Sim, Sr. Marquês.

Diga, Marceau...

Deve ter posto armadilhas aqui. Mostre-me uma.

Com prazer. Estou a seu serviço, não posso recusar.

Por aqui.

Veja, Sr. Marquês.

- É uma armadilha mal colocada. - Por quê?

Não é um local adequado. Eu devia saber disso.

- Todos se enganam. - Se Schumacher visse isso...

- ia zombar de mim. - Conte com minha discrição.

Eu lhe agradeço.

Gosta de trabalhar comigo?

Sim, mas preferiria trabalhar no castelo.

Não gosta de bosque, da natureza?

Com Schumacher, não tanto. Aqui é mais domínio dele.

No castelo, ele teria de me deixar em paz.

- E eu sempre quis ser criado. - Que ideia! Por quê?

Por causa do uniforme. Meu sonho é ter uma casaca!

Que dia feio! Está chovendo há tempo?

Há meia hora. Ao meio-dia, estava lindo!

- Vai durar muito? - Não sei. Da última vez...

- durou 15 dias. - Que divertido!

- Bom dia, general! - Pegue as malas.

Que tempo! Toda vez que venho aqui, chove.

- É ótimo. Refresca as ideias. - Bom dia, La Bruyére!

Permita-me, minha cara.

Você está ensopada. A sua echarpe.

- Onde está sua esposa? - Na cozinha, com Christine.

- Falam da vida doméstica. - Que interessante!

- Vem de Tourcoing? Chove lá? - Como em toda parte. Levamos 8h.

- As estradas estão escorregadias. - É um recorde.

Bom dia, Jacqueline! Como cresceu! Estuda chinês, não?

- Não, arte pré-colombiana. - Deve ser apaixonante!

- Bom dia, Charlotte! - Bom dia! Você emagreceu, hein!

- Cuide-se! - Fique tranquila.

E isso... como se explica?

- Charlotte, vai jogar ou não? - Vou.

- Geneviéve, joga conosco? - Acho o bridge enfadonho.

Não é bridge, vamos jogar bisca!

Geneviéve, dê-me o endereço do seu cabeleireiro.

- Tudo bem? - Sim, obrigado.

- É verdade que convidou Jurieu? - Sim. Isso a incomoda?

Pelo contrário!

- Georges não está? - Não, em Orléans, buscar o peixe.

Diga-lhe que a Sra. La Bruyére come de tudo...

- mas sem sal. - Não, muito sal. Mas sal marinho.

E depois de cozido. É simples. Depois de cozinhar.

- Tem sal marinho? - Não, mas vamos providenciar.

- Para a Sra. La Plante... - Já ia esquecendo. Café, não chá.

E para o general, água quente com limão.

- Sim, senhora. - Ah, sei, a artrite!

- Paul! - Espere um pouco!

E para André Jurieu?

O que acha da vacina antidiftérica?

Eu? Não sei.

- Obtivemos resultados muito bons. - É mesmo?

O que você procura? A sua mala?

Meu filho mais velho teve angina. Morri de preocupação.

- Quem é este senhor? - André Jurieu.

- O aviador? - Sim.

Que sorte! Vou pedir autógrafo para o meu filho.

- Bom dia, Christine. - Bom dia, Octave.

- Bom dia, André. - Bom dia, Christine.

- Foi gentil você ter vindo. - Você é amável.

Ah, meu caro André! É uma alegria e...

uma honra tê-lo conosco. Conhece todos.

Caro Jurieu! Minha esposa quer um autógrafo para nosso filho.

Espero vê-lo um dia desses em Tourcoing.

É verdade, nunca mais o vi. É fantástico!

É bom vê-lo e um orgulho dar-lhe a mão.

Muito orgulho! É um homem de verdade. Uma raça em extinção!

Não se matou no avião! Fico muito contente de vê-lo aqui!

Também posso beijá-lo, André?

- E eu? - E eu? Acho que tenho direito.

- Será que ele joga bisca? - Claro!

Vamos convidá-lo?

Se continuar assim, logo o aperitivo será por nossa conta.

- Fica tudo em família. - O que quer dizer?

- Jurieu e Christine? - O que tem com isso?

Viemos aqui para caçar, não para escrever nossas memórias.

- Afinal, eles são ou não? - São.

Pena, um rapaz tão distinto!

Caros amigos...

Preciso confessar algo sobre minha relação com Jurieu.

Tive uma pequena participação em seu êxito. Vou dizer como.

Durante os preparativos, ele vinha me ver com frequência.

Passávamos longas horas juntos.

Horas muito agradáveis.

Horas de uma amizade realmente rara.

Ele contava seus projetos, e eu ouvia. É importante saber ouvir.

Nesse caso não foi inútil. Estou orgulhosa disso!

E agora, senti necessidade de contar!

- Ótimo, Christine. - Estou tão feliz, titia!

Proponho dar uma grande festa em homenagem a Jurieu!

Vamos representar. Vamos nos fantasiar.

Vamos nos divertir o mais livremente possível.

Quando será, general?

Daqui a uma semana, após as batidas?

Perfeito! Em uma semana!

Vamos acomodá-lo, Christine.

Mas como são gentis!

- Vamos ao bilhar, Saint-Aubin! - Às ordens, general!

Quem joga pingue-pongue comigo?

- Eu! Você vem, Geneviéve? - Não, obrigada!

- Uma festa? Para quê? - Como, "para quê"?

Para levantar fundos para o ambulatório.

- Seu casaco, senhora? - Não, obrigada...

eu tiro ao subir para o quarto. Que charmoso esse Sr. Jurieu!

- Deve estar bem de vida! - Certamente!

Seria um bom partido para você!

Esse André nem percebe que eu existo!

Podíamos fazer uma reunião em minha casa, em Tourcoing!

Bonito esse Jurieu. Pena que a patroa...

Ela o pôs à sua direita.

- À sua direita, onde? - Na mesa.

Ela faz mal.

A gente deve fazer o que gosta, mas com um certo decoro!

A patroa não precisa dos seus conselhos!

- Aspargos? - Conservas, nunca!

- Há vitaminas na comida fresca. - Passe-me a mostarda.

- Tenha a bondade. - Obrigado.

Providenciou sal marinho para a Sra. La Bruyére?

Ela vai comer como todo mundo.

Aceito regimes, mas não caprichos!

Mas a patroa exagera com seu aviador!

Onde há tédio não há prazer!

- O que acha, Sr. Corneille? - Eu não sei nada.

- Nada afável, o ajudante. - A mostarda, por favor.

- Tome. - Obrigada.

Corneille, você que trabalhou por 10 anos para o conde Vaudois...

12, e ainda estaria lá se ele não tivesse perdido a fortuna.

- E a condessa? - Ela não tinha amante.

Claro! Ela tinha 85 anos e andava de cadeira de rodas!

Não pode compará-la à patroa!

- Conde Vaudois não era um meteco. - O que quer dizer isso?

O pai da Sra. La Chesnaye era de Frankfurt, chamava-se Rosenthal!

Tenho certeza que o seu marido deve pensar como eu!

- Não é, Schumacher? - Não sei do que está falando.

- Não posso saber! - A propósito de judeus...

eu trabalhei para o barão d'Epinay. Garanto que lá não há.

Mas comiam como porcos. Aliás, foi por isso que eu saí de lá.

- Vai demorar, Lisette? - Não sei se precisam de mim.

Outro dia, La Chesnaye me deu bronca por uma salada de batata.

Não sei se sabem, para que se possa comer essa salada...

deve-se pôr vinho branco nelas quando ainda estão fervendo.

Célestin não havia feito isso para não queimar os dedos.

O patrão percebeu na hora.

Digam o que quiserem, mas é um homem do mundo!

- O que você faz aqui? - Quem é ele?

- Por favor, o Sr. Corneille. - O que deseja?

Sou o novo criado. Na certa, o Sr. Marquês falou de mim.

- O que sabe fazer, amigo? - Eu? Não sei...

- um pouco de tudo. - Sabe engraxar botas, amigo?

Nesse aspecto, Sr. Corneille, eu sou um especialista!

Amanhã, pegue as botas nas portas dos quartos e engraxe.

Sim, Sr. Corneille.

- É aqui que se janta? - Sim, amigo.

- Preciso trabalhar. - Sente-se aqui!

Germaine, um prato!

- Como se chama? - Marceau. E a senhorita?

Senhora. Lisette. Sou a Sra. Schumacher.

- Mesmo assim, pode sentar-se! - Ele entende do trabalho?

- Bastante. - Espero que as presas sejam boas.

No ano passado, no primeiro dia, só sessenta faisões. Lamentável!

Basta que não me façam comer coelhos!

Faço tudo, menos comer coelhos selvagens.

- Aqui, só coelho em terrina. - É mesmo.

Está satisfeito com sua Delahaye?

Mês passado, Cannes-Paris, 10 h e 35 min. Parando para comer!

Então, depois das batidas, organizaremos uma festa.

- Que festa? - Nossa festa!

- Podemos nos fantasiar? - Claro!

Agora, pra cama, pois amanhã...

Vou acompanhá-lo e ver se tem tudo o que precisa.

Na sua casa sempre se tem o que precisa!

É uma boa casa, o que é uma raridade.

Cara Christine, é uma anfitriã perfeita.

Por aqui, general.

Antes de irmos dormir, gostaria de perguntar...

o que é arte pré-colombiana? O que você está estudando?

É o estudo da civilização americana antes de Colombo.

- Ah, histórias de negros! - Não, ainda não havia negros...

- na América. - O que havia?

- Índios. - Claro, que burrice! Búfalo Bill!

- Boa noite! - Boa noite!

Minha mala!

- Esqueci onde fica o meu quarto. - Eu lhe mostro.

Temos uma vista linda. Pena que seja noite!

Uma trombeta de caça! Caçava com galgos?

Sim, na época do meu pai. Octave, não faça barulho.

Na festa, farei uma demonstração de espada.

- Vou jogar baralho. - Seja lá o que fizer, será bom.

- É um grande músico. - Divirta-se!

William, não preciso mais de você. Pode ir.

- Boa noite. - Durma bem.

Boa noite. Durma bem.

- Contente, hein? - Muito.

Eu adoro você, Charlotte.

Cara Christine, estou muito agradecido.

- Por quê? - Por não me expor ao ridículo.

Estavam todos nos observando. Jurieu também foi correto.

Vocês se saíram insuportável e admiravelmente bem. Parabéns.

- Boa noite. - Boa noite.

Lisette, pode ir. Não preciso mais de você.

- Está bem. Boa noite, senhora. - Boa noite.

- Lisette. - Sim, senhora.

- Não gostaria de ter filhos? - Sim, mas é preciso ter tempo...

senão, não vale a pena ter.

Isso é que é bonito. Será a sua única preocupação.

Sabe que há um novo criado? É muito gentil.

- Chama-se Marceau. - Cuidado com seu marido.

Chama-se Schumacher!

O amigo do Sr. Octave chama-se André Jurieu. Boa noite!

Não é tão terrível meu aviador! Que cheiro bom, pôs perfume!

- Deixe-me! - Tem algum mistério aqui.

- Então é isso. - Isso o quê?

Há jeito para tudo! Contente?

Sim. Finalmente, podemos começar a mostrar as cartas.

Sim, mas o seu interesse é não mostrar muito o seu jogo!

- Olá. - Olá, Octave.

- Olá, meu general. - Olá, meu amigo.

Eu não sabia dessa história do rádio.

Isso prova que Christine tem classe. Hoje em dia, é raro!

- Durma bem, general. - Obrigado. Boa noite.

- O que lhe dizem? - De quê?

- De tudo. Tudo bem? - Tenho vontade de ir embora!

Tive trabalho para trazê-lo aqui, e agora vai ficar.

Você gosta de travesseiro? Eu detesto!

Pare de gesticular assim!

Desculpe, Saint-Aubin, não devia ter atirado nesse faisão.

Achei que vinha na minha direção, mas era seu.

- De jeito nenhum! Era seu. - Não. Estava para lá do pinheiro.

- Garanto que não. Ele era seu. - É muito amável!

Eu lhe reservei o número 7, general.

É um pouco longe, mas o faisão voa bem lá.

- Saint-Aubin, junto ao general. - Obrigado! E os batedores?

- Por lá, general. - Por lá? A caça deve vir assim...

Pelo menos o vento nos é favorável.

Senhores, Schumacher vai designar seus lugares.

- Srta. Marrat? - Sim, eu sei.

Obrigado... Sr. Jurieu, pode subir por este lado.

Ande um pouco à frente da linha dos batedores e não muito baixo.

Muitas das presas tentam fugir pela estrada.

Senhores, queiram me acompanhar.

Você vem comigo?

- Não, vão nos tomar por coelhos! - Não seja idiota!

O último ponto de caça, senhor. Muito bem.

Sr. Berthelin, é bom estar de volta?

Muito! É bom estar longe da tagarelice!

- Viu Christine e La Chesnaye? - O que lhe fizeram?

Acho repulsivo! Estão abusando!

É um direito deles, são casados!

Eu a odeio!

- André. - Que é?

Está atravessando um momento difícil, mas isso passa.

Ouça a voz da experiência. Com o tempo, passa.

Um dia, acorda e vê que a filha da porteira tem lindos olhos.

E está curado!

Para acordar, precisaria dormir, e eu não durmo!

Eu sei, meu caro, como pode ser enfadonha a noite!

Todos prontos aí à esquerda? Pointard, vamos lá.

Senhores, vamos lá!

Avançar à esquerda!

Um pouco à frente!

Fiquem perto, vamos fazer eles saírem.

Pointard, faça a esquerda avançar.

- Jackie, gosta de caça? - Sim, tia. E você?

Vamos lá!

Como vai, meu general?

- Feliz? - Sim.

- Estraguei tudo. Atirei mal hoje. - Conversou muito com a Jackie.

Sim, e acho que não gosto mais de caça.

Praticaremos esportes invernais. Não vamos caçar mais.

Fazemos a exposição agora?

Não, Schumacher, será feita no castelo!

Certo, Sr. Marquês!

Meu caro, aquele faisão à esquerda...

Desta vez é meu, não há dúvida.

Desta vez, é meu. Da última vez, tirou de mim e não falei nada!

Ponha-se no meu lugar. Eu miro um faisão e vou atirar.

E bang! Ele atira primeiro e pega o faisão na minha frente.

Isso não é gentil.

No país da minha esposa, há um pássaro lindo, o galo do bosque.

- À noite? - Ao amanhecer.

- Tenho algo a lhe dizer. - Fale.

É um segredo! Posso levá-lo, general?

- Depois você devolve? - Fique tranquilo!

Ora, vamos, Saint-Aubin!

Certas pessoas são imprudentes com fuzis. São inconscientes!

Não sabe o que aconteceu com Georges no ano passado?

Ele pegou o fuzil de uma tal forma que...

a arma descarregou na sua coxa.

Ele morreu em 20 minutos!

Muito boa, hein, Christine?

Billeux disse há 100 anos...

"Volte de sacola cheia e fuzil vazio."

- Jackie, aquele é seu! - Não vejo nada!

- Onde? - Lá!

Em mim, não, no coelho!

Ele está longe!

É a mulher mais deliciosamente desajeitada que eu conheço!

- Você acha? - Tenho certeza!

Queria ser ainda mais desajeitada!

- Por quê? - Para ganhar mais beijos seus!

Fácil!

Sabe, Jackie... eu não amo você.

Eu sei. Mais sei também que está perdendo tempo com a minha tia.

- Você percebe tudo. - Não ria. Está triste, eu também.

O que lidera a caça não sabe nada.

O Sr. André atirou mal.

O Sr. Marquês atira muito melhor que ele.

Ainda não acabaram com isso?

Na terceira não tive chance. Contudo, estava bem posicionado.

Acontece, meu caro!

- Não sente frio? - Andando, não.

Quando o sol desaparece, a temperatura cai rápido!

Um esquilo, lá!

- Pena, entreguei o fuzil. - Por quê? Adoro esquilo!

É uma graça, mas faz estragos.

Tome, olhe!

É maravilhoso! Vejo como se pudesse tocá-lo!

Óculos de alcance é essencial. Sempre carrego este comigo.

A visão é ótima, e é feito de tal forma que você pode...

examinar o esquilo, viver sua vida íntima sem intimidá-lo.

Certo, vai contar tudo a Christine. De que servirá?

- Para lhe fazer mal! - Que doçura!

Não gosto de sofrer sozinha. Em grupo, deve ser menos chato!

Quero ver sua cara depois que Christine o deixar!

- Porque ela vai deixá-lo! - Isso não me preocupa.

Você a ama realmente? E a mim, não ama mais?

Vamos mudar de assunto. Tudo isso é grotesco!

Por favor, responda.

Não, não a amo mais.

Tenho muita simpatia por você, mas...

- Mas você me acha enfadonha! - Não. Não use esse termo!

É o termo exato!

Desisto! Luta-se contra o ódio, mas contra o tédio, impossível!

Obrigada. Eu também começo a achar isso tudo maçante.

Quando banca o derretido com a vienense, dá vontade de bocejar.

- Vou embora. - Acho melhor, Geneviéve.

Vou embora, mas quero que me diga adeus amavelmente.

Adeus, não. Até logo, Geneviéve!

Não, adeus! Mas um belo adeus.

Por alguns segundos, queria voltar 3 anos no tempo.

Para a época em que Christine não existia.

Quero que me tome nos braços, como fazia então.

Vou fechar os olhos e acreditar por um instante no que quiser.

- Ora, Geneviéve! - Não diga nada!

- Beije-me. - Minha pequena!

Fantástico! A galinha-d'água. Dá para contar as penas!

- Sumiu. Está vendo-a? - Não, e tenho bons olhos.

Tome. A dois dedos da árvore. Três dos seus, que são pequenos.

Dê-me isso, eu também quero ver!

- Que gracinha! - Dê-me! Juro que é minha vez!

É interessante o que você está vendo?

Muito interessante!

Bom dia, senhora marquesa. Bom dia, senhora.

Bom dia.

- Vai embora, Geneviéve? - Vou.

- Não fica para a festa? - Não, esperam-me em Paris.

- Telefone. - Não, é melhor eu ir embora.

Melhor para quem? Para você?

- Não! - Então, para mim?

Vamos falar com franqueza, minha cara Geneviéve?

Eu sou uma esposa importuna?

Não sei em que poderia me importunar.

Já tentei atrapalhar suas relações com meu marido?

- Você sabe? - Como todo mundo!

Robert é tão amável, tão sensível...

mas é uma criança, incapaz de ocultar o que for.

- Isso é verdade! - Se quer mentir...

enrubesce sem nem abrir a boca! O nariz mexe.

- Dá vontade de dizer a ele! - É tão delicado.

De censurável ele só tem a mania de fumar na cama.

Isso é irritante! É cinza em toda parte!

- Os lençóis. É local para fumar? - Queimados. Eu que o diga.

- E então, vai ficar? - Já não sei mais.

Nós, mulheres, devemos nos ajudar de vez em quando.

Com você aqui, meu marido cuida de você e me esquece um pouco.

- E, no momento, isso me convém. - André Jurieu?

André é amável, bom, mas sincero demais!

Pessoas sinceras são enfadonhas.

Bem, depende da ocasião. Do que vai se fantasiar?

- De tirolesa. E você? - Não sei. Eu não preparei nada!

Venha comigo, vamos encontrar um pouco de tecido.

Sabe dançar a tirolesa?

Espere... Deve ser assim...

Não, assim!

Incrível, todos os sapatos desapareceram!

- Procuro minhas botas! - Eu também!

Eu, os sapatos da minha esposa!

- Corneille, cuide disso! - Sim, senhora, vou cuidar.

De que vai se vestir na festa?

Pensei a noite toda... e acho que eu vou me vestir de urso!

Com licença, esqueci a etiqueta.

Bela pelerine, hein? É quente e impermeável.

Nem por isso terá benefícios!

Meus semelhantes Não se dão a conhecer

E, por suas tentativas Querem obras de arte

O olho estava no túmulo E fitava Caim

- Bom dia, Sra. Schumacher! - Bom dia, Sr. Marceau!

Habituou-se ao novo trabalho?

Ela me ama, um pouco, muito, apaixonadamente, loucamente.

Ela me ama, um pouco, muito, apaixonadamente, loucamente.

Loucamente.

- Machuquei você? - Pelo contrário, estou feliz.

- Por quê? - Porque está perto de mim.

Tolinho!

Edouard, deixe-nos em paz, ou chamo a patroa e ela o enxota!

- O que está fazendo aqui? - Meu serviço!

Fazemos nosso serviço!

As botas, meu amigo!

Todos querem suas botas! Está uma revolução no castelo!

A culpa não é minha. É deste bruto!

- O que faz aqui, amigo? - Vim ver minha mulher!

Não é hora para isso, com a festa desta noite! Vá, ande!

Ande!

Da próxima vez que falar com ela, leva chumbo!

Por favor, não atrapalhe nosso serviço! O dia já está cheio!

Viu? Você atrapalha o serviço!

Somos um sucesso!

- Então, mais uma vez! - Mais uma vez!

Eu não aguento isso, vamos!

Christine, venha aqui! Christine!

- O autor! O autor! - Bravo!

Felizes, com orgulho vamos Vamos para a pista sem medo

O nosso passo era vigoroso Não podíamos arriscar

Perder a parada militar

E agora todos em coro!

Felizes, com orgulho vamos Vamos para a pista sem medo

O nosso passo era vigoroso Não podíamos arriscar

Perder a parada militar

- Onde ela foi? - Venha, preciso falar com você.

Onde está Christine?

- Não sei de nada. - Vou procurá-la.

- Bertelim, ajude-me a tirar isso. - Agora não posso.

- Como bebi! Nem sei o que faço. - Melhor assim!

- Não vamos representar mais? - Estou cheia desse teatro!

Não devia me fazer pôr essa pele de urso. Ajude-me a tirar.

- Não temos tempo! - Não têm tempo!

- Ajude-me a tirar isto! - Estou ocupado.

- Não viu minha mulher? - Eu a estou procurando.

- Venha por aqui, Robert! - Robert, ajude-me!

Quem vai me ajudar a tirar esta pele de urso?!

- Estou louca por uma bisca. - A dois?

Chame o general. Ele vai gostar!

Schumacher, viu a patroa?

Saint-Aubin, não quero aborrecê-lo, mas não consigo!

Você é muito amável, mas...

- Mas não consigo tirar sozinho! - Não é hora para isso!

- O que fez com Christine? - Logo mais veremos isso!

Se eu conseguir tirar essa pele de urso, eles vão ver!

Venha aqui, Octave. Vou tirar sua pele de urso.

Já era tempo!

Ela não o ama mais. Senão, não se envolveria...

com Saint-Aubin! Parta comigo!

Para onde? É minha casa. Não vou abandonar tudo!

Irritante senso de propriedade! Que importância tem uma casa?!

- Preciso falar com a Christine! - Puxe... Puxe!

Diga que não me viu... Schumacher está atrás de mim.

- O que faz a ele? - A ele, nada. À sua mulher!

- Lisette? - Tivemos uns encontros.

Ele nos viu e não gostou.

Sr. Marquês, as mulheres são amáveis... Eu as amo.

Amo demais. Mas isso me causa problemas.

- A quem o diz! - As coisas não vão bem?

Não muito. Diga, em certos momentos não queria ser árabe?

- Não. Para quê? - Por causa do harém!

Só os muçulmanos mostraram certa lógica...

na famosa questão da relação entre homens e mulheres.

No fundo, são como nós. Há sempre uma que eles preferem.

Mas não se sentem obrigados a dispensar e magoar as outras.

Eu não queria magoar ninguém. Especialmente uma mulher.

Obrigado. É o drama da minha vida!

Mas para isso é preciso ter os meios!

Mesmo assim acabo fazendo todo mundo infeliz!

Esposa, amante e a mim mesmo!

As mulheres, seja para tê-las, deixá-las ou conservá-las...

procuro antes fazê-las rir.

Quando uma mulher ri, fica desarmada. Você faz o que quer.

Por que não procura fazer o mesmo, Sr. Marquês?

Porque é preciso ter o dom, Marceau!

Claro! Pode me fazer um favor?

- Com prazer. Qual? - Olhe no fim do corredor.

Se Shumacher não estivesse aqui, eu iria pela cozinha.

- Passe pelo terraço! - Não há luz demais!

- Fique aí. Vou ver. - Obrigado, Sr. Marquês.

- Schumacher... - Sim, senhor?

- O que faz aí? - Nada, Sr. Marquês!

Então, para os corredores! Esta noite autorizei os corredores!

Aliás, instale-se no meu banheiro.

- Precisamos de você. - É o grande momento?

- Está se preparando! - Onde está o Sr. Saint-Aubin?

Não sei, Sr. Jurieu. Garanto...

Desculpe.

Onde está André?

Percebe, Sr. Saint-Aubin, que eu o procuro há meia hora?

Mas com que direito?!

Sim, com que direito? André, está sendo indiscreto!

Talvez esteja, mas desta vez quero uma explicação!

- Eu me recuso a lhe dar! - Não pode dar ordens a ela!

Então, dê-me uma explicação! Vou puxar suas orelhas!

- Experimente! - Por favor, pare!

Desculpe, Christine. Este senhor receberá os meus padrinhos.

De manhã, eu durmo! E vou bater a porta na cara deles!

- Recusa-se a duelar? - Com o senhor, me recuso!

- Vou mandar dispensá-lo! - Faz-me rir!

Se quer saber, tenho a impressão de que é o pior dos covardes!

Deixe-me, por favor! Você me põe num estado de inferioridade!

- Eu o proíbo de duelar! - Sinto, mas preciso quebrar...

- a cara desse palhaço! - Palhaço?!

Fique fora disso.

Então eu sou um covarde?

Covarde!

Paul? O Sr. Saint-Aubin aí em cima!

Por que não veio ao meu encontro no Bourget?

Porque... eu amo você, André!

Eu jamais quis admitir!

Mas agora tenho direito de lhe dizer... Amo você, André!

É maravilhoso!

Já nem acreditava nisso!

- Que vamos fazer? - Vamos embora, André!

- Aonde vamos? - Qualquer lugar!

- Quando? - Imediatamente!

Amo você, Christine. Creio que saberei fazê-la feliz!

Há meses penso no que eu faria se pudesse ficar com você.

Portanto, essa felicidade não me pegou desprevenido!

Não tem medo, Christine?

Preciso avisar La Chesnaye.

- Para quê? - É assim que se faz.

Christine, ouça-me!

Não posso levar a mulher de um homem que me recebe em casa...

que me chama de amigo, a quem dou a mão, sem uma explicação.

Mas já que nos amamos, que diferença faz isso?

Christine, há regras!

Nós saímos e corremos muito

Sem tambor ou flauta Procurávamos emoções

Nós saímos e corremos muito

Embora tenhamos esposas Saímos e corremos muito

Caros amigos, tenho o prazer de mostrar minha última aquisição.

Ela coroa minha carreira de colecionador de instrumentos...

musicais e mecânicos. Acho que vão gostar. Julguem vocês.

Um!

Dois!

Música!

Se incomodar você, avise-me, que eu o ponho no lugar dele!

- O que faz aí? - Estou com fome, vim pegar maçã.

- Que fez com Marceau? - Não me pediu pra guardá-lo!

- Aonde vai? - Lá em cima, com os outros.

Estou com sede, dê-me um copo.

Amanhã vou deixar o castelo, e você vem comigo.

- Se você quer, Edouard! - Vamos à Alsácia.

Nós sabemos cuidar de crápulas como Marceau lá!

Um tiro de fuzil, à noite, na floresta, e assunto encerrado!

Sim, claro!

Dane-se o dinheiro deles!

Tolice trabalhar para os outros se pode ser dono do seu nariz.

E depois, a Alsácia deve ser linda...

com os grandes abetos, com a neve, com as cegonhas.

Canalha! Eu pego você!

Ordeno que pare! Schumacher, pare! Está me ouvindo?!

Deixe-me, Lisette!

É a última vez que eu falo, Schumacher. Está me ouvindo?

Eu não vou repetir!

Não, André, ou parto já com você, ou nunca mais!

Devemos sair de cabeça erguida. Mais tarde, vai me agradecer!

Desculpe, senhora.

Eu mato você, abutre!

Diga-me, Sr. Jurieu...

Parece que conseguiu o que queria. Vai roubar minha mulher.

La Chesnaye, conceda-me 5 minutos.

- Eis o que lhe concedo! - Canalha!

- Quer mais, hein?! - Ladrão!

- O que foi? - Octave, vamos embora.

Espere!

- Ladrão! - Você está completamente louco!

- Não aguento mais! - O que houve?

Disse ao seu amigo André que o amo.

Não é um infortúnio! Você o ama mesmo?

- Não sei mais! - O que ele fez?

Ele me falou... em decoro!

Propôs-me passar um mês no campo com a mãe dele...

para ele resolver a situação com a La Chesnaye.

- O que você esperava? - Que me tomasse nos braços...

- me beijasse e me levasse! - Pobre Christine...

você está esquecendo algo: É um herói!

- Vou matá-lo! - Você ficou louco?

- Agora chega! - Vou quebrar a sua cara!

- Uma bala? - É uma bala!

- Bala de revólver? - Bala de revólver!

Isso o surpreende?

- Mas Christine desapareceu. - Christine desapareceu.

Desapareceu, simplesmente desapareceu.

Como são imbecis! Não viram que ela se foi com Octave?

Aliás, eu a entendo muito bem. Vocês dois são mesmo imbecis!

Não se preocupe. Um dia você vai encontrá-la!

Geneviéve, por favor!

Agora, meu querido, vamos falar de nós.

Quando vamos partir? Quando vamos partir?!

Não é o momento! Tenho outras preocupações!

Seu pai passou na nossa frente sem sequer nos olhar.

E nós nos escondemos atrás da porta.

Os músicos já estavam todos de pé, não?

Na sala, aplaudiam, faziam um estardalhaço.

- A atmosfera dos grandes dias. - Pois é.

O bizarro cenário representava uma sala verde e ouro.

Um tom de verde como só os ingleses conhecem.

Então, seu pai... Que andar, hein!

Atravessou a cena... sem ver nada.

A sala vinha abaixo!

O rei lá, aplaudindo até não poder mais!

Como sempre, pegou a batuta das mãos do primeiro violinista.

E, como num sonho...

Deixe-me.

Seu grande idiota! Solte-me!

Mais uma atração... Estão exagerando!

- Já chega! - Eu odeio armas.

Já chega, Schumacher!

- Largue-me! - O quê?

André, por favor, ajude-me a acalmá-la.

- Corneille, acabe com a comédia! - Qual, Sr. Marquês?

- A de Schumacher e companhia! - Sim, senhor!

Deixe-me ir. Vou matá-lo!

- Você estava aí?! - Sim, senhora, e lhe agradeço...

- Eu lhe agradeço. - Não há de quê. Não há de quê!

- Qual é a dose? - Duas.

Dê-me quatro.

Soníferos para mim?! Eu detesto soníferos!

Seja razoável.

- Geneviéve, aonde vai? - Vou dançar!

Vai dançar na cama!

Sim, meu amor, vou me deitar. Sim, querido, vou me deitar.

Está precisando, acredite!

Geneviéve, volte aqui. Por favor, Geneviéve, venha!

Acalme-se, meu caro. Nós nos veremos amanhã.

Boa noite!

O general!

- Quer um cigarro? - Sim, obrigado.

- Já vai se deitar, general? - Sim, eu vou me deitar.

Gostaria de me despedir da Christine. Onde está ela?

Uma leve dor de cabeça.

Vai se deitar por causa do que houve há pouco?

- Eu não! - Um pequeno contratempo.

- Onde está a Christine? - Christine foi dormir. Exausta.

É mesmo? E o que fez com a Geneviéve?

Ela estava um pouco cansada, só isso.

- Ela é tão delicada! - Meu pessoal estava agitado hoje.

Essa gente também tem de se divertir!

Pensávamos que fosse uma atração!

Se soubesse que não estava no programa, teria interferido!

Não se preocupe, durma bem!

- Recomendações à sua esposa! - Dê boa noite a Christine!

Já vão? Mas não é tão tarde!

Se Christine está com gripe, faça-a fazer um pedilúvio.

- Podemos dar um beijo nela? - Não, está descansando!

Parabéns! Em Tourcoing não pensaríamos numa atração dessa!

Organizamos uma dança provençal. Foi bonito, mas é meio antigo.

- É mesmo! Boa noite! - Boa noite!

Um instante, meu caro!

Corneille, houve muitos estragos? Algum ferido?

Não, acabo de verificar. Nenhum convidado se machucou.

Os pássaros sofreram um pouco, e achei uma bala na porta.

Sem falar dos vidros, claro.

Sabe, Schumacher, sou obrigado a mandá-lo embora. Lamento...

mas meus convidados não podem ficar sob ameaça de suas armas.

Podem estar errados, mas não querem morrer. Vá!

- Quando, Sr. Marquês? - Já, meu amigo, imediatamente!

Corneille lhe dará uma indenização. Não apareça mais!

Sim, Sr. Marquês. Você vem comigo?

- Vou procurar a patroa. - Para dizer adeus a ela?

Não! Se ainda me quiser, vou continuar trabalhando para ela!

- Não é muito, Sr. Marquês? - Não, faça o que digo!

Sim, Sr. Marquês. Venham todos!

Meu bom Marceau, tenho de pedir que você também se vá.

Não posso demitir Schumacher e deixar você aqui com sua mulher.

É imoral, você entende?

Eu entendo, e não lhe quero mal.

Antes de ir, quero lhe dizer que sou muito grato.

Quis me reabilitar fazendo de mim um criado. Não esquecerei!

Saia sem me comover. Já tive aborrecimentos suficientes!

Que noite!

- Onde estávamos? - Pedi 5 minutos do seu tempo.

- Eu lhe concedo! - É muito amável!

- Sua direita é ótima! - Ora, que é isso?

- Aonde vamos? - Vamos à sala de jantar.

Está bem, mas antes de mais nada, aceite minhas desculpas.

- Não é necessário. - Eu fui muito grosseiro com você.

- Eu também fui. - Sabe o que me lembrou a briga?

De vez em quando, leio no jornal que nos subúrbios...

um operário italiano quis tirar a mulher da mira de um polonês.

E que isso terminou em facadas.

Não pensei que essas coisas fossem possíveis, mas são!

Mas eu tenho uma desculpa. Amo Christine!

E eu, não? Eu a amo tanto que quero que ela se vá com você.

Pois parece que sua felicidade depende disso.

Fico feliz que ela tenha encontrado alguém do nosso meio.

- Nisso tudo, algo me preocupa. - O quê?

- Sua profissão. - O que tem ela?

Christine está habituada a um certo padrão.

Você é jovem e famoso. Pode sofrer um acidente!

- Palavras alegres! Obrigado! - Deve-se prever tudo.

Qual sua situação financeira?

Que sossego depois de tanto barulho! Foram todos embora?

- Creio que sim. - Antes assim!

Tenho de lhe falar de novo sobre o André.

Precisa entendê-lo. É o drama de todos os heróis modernos.

Quando estão no ar, essas pessoas são fantásticas.

Quando voltam à terra, são fracas...

desarmadas, desajeitadas como crianças.

São capazes de atravessar o Atlântico e são incapazes...

de atravessar Champs-Elysées fora das nuvens! Que fazer? É assim!

Olhe a lua com seu halo... Amanhã vai chover!

- Eu estava preocupada! - Por que, Lisette?

- Não me quer mal? - Imagine!

Não temos culpa se os homens são loucos!

- Não estou despedida? - Claro que não.

Estou tão feliz! Precisamos entrar.

Não se fica fora à noite em novembro!

Você sabia que a Srta. Marrast era amante do patrão?

Sim, mas começou antes do seu casamento, no verão, na praia.

Viu? Todo mundo sabia!

E vocês nunca me contaram!

- Não queríamos que sofresse! - É claro!

Por 3 anos, minha existência se baseou na mentira.

Só penso nisso desde que os vi juntos durante a caçada...

e, subitamente, compreendi.

Ouça, Christine, vivemos numa época em que todos mentem.

Os farmacêuticos, os políticos, o rádio, o cinema, os jornais.

Então por que nós, simples cidadãos, não iríamos mentir?

Vamos andar um pouco.

- Vou buscar seu mantô. - Não, estou com calor.

É porque não está bem. Ponha meu capuz.

Vamos. Obrigada.

Não é tão elegante, mas pelo menos não vai adoecer!

- Está aborrecido, não? - Estou.

Eu também!

- Voltou a vê-la? - Não!

Nem eu... Mandou dizer que estava com a patroa.

Com a patroa! Não foi com você que ela se casou! Com a patroa!

O que você vai fazer?

Vou voltar à minha cabana e continuar com meu trabalho.

Caça ilegal?

Que lhe importa isso, agora que o mandaram embora?

Aliás, você devia levar uns faisões... e uns coelhos.

Tenho uma ideia.

Vou arrumar uma patente de comerciante de caça.

Se um guarda me para: "O que tem aí?" "No meu cesto?"

"Dez coelhos selvagens, sou patenteado.

Vou vendê-los... Até logo." Quer um cigarro?

E você, o que vai fazer?

Vou ficar nas redondezas.

Por causa da minha mulher. Quero pegá-la de volta.

- Que está fazendo? - Cuspindo na água.

- É só o que sei fazer na vida! - O que você tem, afinal?

Simplesmente, não é agradável...

perceber uma vez mais que sou um inútil, um parasita!

Ora, parasita!

Se não tivesse uns amigos que me sustentam, morreria de fome!

No entanto, você sabe, quando eu era jovem...

eu também achei que ficasse famoso.

O contato com o público, era isso o que eu queria.

Deve ser... deve ser estupendo.

Quando penso que cheguei perto, sinto uma coisa...

Então, eu tento... entender o que foi que aconteceu.

Mas, para isso, preciso tomar um trago.

Há pouco, no patamar, pensei estar vivendo esse momento.

Só que, depois disso, a gente cai e fica um pouco chateado.

Que bela noite, hein? Veja a lua.

- Está com frio? - Não, não estou.

- E você, está? - Não.

Ponha o capuz!

- É a Lisette! - Com Octave... Ah, safado...

- Tem certeza de que é ela? - Tenho. É o capuz que eu lhe dei.

- Estou com frio. - Vamos voltar.

Não, no castelo não! Nunca mais no castelo!

Então... aqui, na estufa.

- Que estão dizendo? - Não sei. Não ouço nada.

- Está com o revólver! Dê um tiro! - Não tem mais balas.

- Eu o esvaziei em você! - Pobre amigo!

Meu pobre pai não era assim.

E ele também era um herói, no seu gênero.

Mas, quando pensa em seu pai, é injusto com os outros homens!

Você, por exemplo, é um bom sujeito.

- Sou um fracassado. - Não, você não é um fracassado.

Só precisa que cuidem de você... Eu vou cuidar de você.

Tarde demais, não sou mais jovem.

Imbecil! Sabe...

é você que eu amo.

E você... também me ama?

Sim, Christine... amo você.

Então... beije-me!

Não, na boca, como um namorado!

- Vou acabar com os dois! - Não, ela não!

Sim! Os dois!

Vou buscar meu fuzil.

Não a mate.

Venha comigo.

É melhor eu ficar aqui para vigiá-los.

Não! Vamos ficar juntos.

Há um trem às 3h para Lamotte-Beuvron. Vamos pegá-lo.

Volto já com seu mantô.

Onde está a Christine? Estou preocupado.

Não tem nada a temer. Está com o Octave. Pode confiar nele.

- Afinal, você a deve a ele! - Você tem razão.

Ele é um bom sujeito... um ótimo sujeito!

Sim. Não acredito mais em muita coisa, sabe...

mas vou começar a acreditar na amizade!

Sim, Octave é... realmente excepcional!

Lisette!

- E a patroa? - Vá buscar o mantô dela!

Vá buscar o mantô.

Sim, Sr. Octave.

Lá se foi o meu chapéu. Grande coisa!

- Está agindo mal, Sr. Octave. - Por quê?

Quando é só por diversão, não tem importância.

Mas, para viver juntos, os dois...

jovens devem ficar com jovens e velhos com velhos.

Bem, você viu meu chapéu?

E não tem dinheiro. Minha patroa precisa de muitas coisas.

E, sem dinheiro, como vai fazer?

Olhe só, pisaram nele. Ficou especial!

Eu lhe digo o que penso. Isso é uma besteira!

Não vai fazer a patroa feliz.

Vocês me levam junto?

Claro, Lisette... Você vai nos encontrar depois.

Onde está a Christine?

Esperando você.

- Esperando-me? - Sim, esperando você.

Está esperando na estufa... Do outro lado da ponte.

Leve isto para ela. Ande! Na estufa. Do outro lado da ponte!

- Não deve tomar friagem! - Eu lhe agradeço!

Tenho de lhe dar um beijo!

Você também a ama?

Ora, por favor! Eu estou chorando?

Estou sofrendo, e tenho raiva disso!

Ela está sozinha.

- Vou falar com ela! - Isso, vamos!

Você não... Eu!

Ouça!

É ele!

Christine...

Senhora...

Não ouviram um tiro no parque?

- No parque? - É, no parque!

Eu estava no meu quarto e...

- É o André, não? - Sim, Srta. Jackie!

- E a Sra. Marquesa? - Ela não sofreu nada!

Obrigado, amigo!

- Ele está morto, não? - Sim.

Posso jurar que ele não sofreu.

Ele levou o tiro assim como...

Ele caiu como caem os animais que caçamos.

Só chamou a patroa e aí... acabou!

- Foi você que atirou? - Não.

Foi Schumacher, mas eu estava de acordo com ele!

Corneille, mexa-se!

Lisette, por que não me deixou ir lá?

O que eu vou me tornar agora?

Deixe-me, a patroa precisa de mim.

Ouça, dê-lhe um beijo, viu?

Dê-lhe um beijo e diga que fui embora. Ela vai entender.

Digo adeus a você também. Lisette... Até logo, Lisette!

Até logo. Eu gostava do senhor!

- Adeus, Lisette. - Eu gostava de você também!

Vamos, Corneille, precisam de nós.

- Vamos. É perto da estufa, não? - É.

- Aonde você vai? - Para o bosque!

Vou caçar... um pouco aqui, um pouco ali.

- E o senhor? - A Paris. Vou... tentar me virar.

Então, talvez nos vejamos um dia.

Ficaria surpreso... Mas nunca se sabe. Nada é impossível.

Bem, então... boa sorte!

Boa sorte!

Schumacher... Permita-me?

Ninguém deve se aproximar da estufa.

Pointard está de guarda.

Fale com Corneille quanto às formalidades, os telefonemas.

- Sim, Sr. Marquês! - Eu não aguento...

Coragem! Uma moça instruída deve ter coragem, Srta. Jackie.

Jackie, estão olhando!

- Ande! - Eu vou cuidar desta menina!

Tente dormir um pouco. Você deve estar cansada.

Partiremos amanhã.

- Boa noite. - Boa noite, Christine.

Boa noite, senhores.

Senhores, trata-se só de um lamentável acidente.

Schumacher pensou ter visto um caçador clandestino e atirou.

Quis a fatalidade que André Jurieu fosse vítima desse erro.

Amanhã deixaremos o castelo chorando esse amigo fabuloso.

Esse companheiro que soube nos fazer esquecer que era célebre.

Agora, caros amigos, está frio. Correm o risco de adoecer.

Aconselho-os a entrar.

Amanhã, daremos o último adeus ao nosso amigo Jurieu.

Nova definição da palavra "acidente"!

Não! A La Chesnaye não falta classe.

Isso está se tornando uma raridade, meu caro Saint-Aubin.

Acredite-me, está se tornando uma raridade.

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