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Original subtitles

N�o te mexas.

Meu.

Meu.

Est� tudo bem.

Olha para mim. V�!

Quem te mandou?

Os chineses? Foram os chineses, filho da m�e?

Os chineses? Foram os chineses, filho da m�e?

Est�s armado em mau?

N�o falas?

Filho da puta!

Este tem pulsa��o?

Um, dois, tr�s.

Um, dois, tr�s.

Quil�metro 52, acidente de tr�nsito.

Encontr�mos um homem e uma mulher, ambos mortos.

O �nico sobrevivente foi para o Hospital 25 de Maio para tratamento.

Pai nosso que estais no c�u, santificado seja o Vosso nome.

Venha a n�s o Vosso reino,

seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no c�u.

O p�o nosso de cada dia nos dai hoje e perdoai-nos as nossas ofensas

como n�s perdoamos a quem nos ofende.

E n�o nos...

Porqu�?

Pai.

Ela disse-te, n�o disse?

Dami�n, para.

Dami�n, cuidado! Ainda nos matas!

Ol�. O que tem ele?

- � familiar? - Sim. Sou tia.

Boa noite. Sou o Dr. Aristiz�bal.

O paciente teve um esgotamento nervoso.

Est� est�vel, mas tivemos de sed�-lo.

Posso v�-lo?

Sim, mas lembre-se que ainda tem amn�sia dissociativa,

est� confuso, n�o se lembrar� de muito.

Mas vai ficar bem, n�o vai?

Sim, vai, com o tempo.

- N�o se preocupe. - Est� bem.

- At� logo. - At� logo.

Como te sentes?

AMBUL�NCIA

Dami�n!

- Quando te d�o o diploma a s�rio? - Daqui a um ano.

Mariano, podes jogar sem som?

Bonito lugar. Espa�oso.

O pai tem de ir para a f�brica daqui a uma hora.

Podia vir, pelo menos para a entrega do diploma.

Por ele, tinha vindo.

Dami�n.

J� volto. Toma conta do teu irm�o.

Meu Deus.

Meu Deus, n�o. Meninos!

O que aconteceu?

Dami�n, onde est�s? Mariano!

Meninos?

Dorme bem.

At� amanh�, filhote.

ARITM�TICA E �LGEBRA

Filho, n�o vais comer?

Dami�n?

Est� servida.

- A comida est� servida, anda. - J� vou.

Finta os dois defesas centrais do Boca,

chuta com o p� esquerdo e marca.

Olha para aquilo.

Tanto sofrimento.

Chegaste a acabar o projeto?

N�o, ainda falta muito.

Mas amanh� acabo-o com os rapazes.

Est�o sempre � procura de engenheiros na f�brica do pai.

N�o �, Miguel?

Amanh� encontro-me com o pessoal do sindicato.

Vou pedir ao Romero para te nomear Secret�rio do Delegado.

Depois de entrares, o resto � f�cil.

Fant�stico. �timo.

Est�o a passar o jogo outra vez. Meu Deus. Querem fazer-me sofrer.

Dami�n, cuidado! Ainda nos matas!

Dami�n!

Porque me trata assim?

- O qu�? - O pai. Porque me trata assim?

Ele odeia-me, m�e.

Isso n�o � verdade.

Porque me trata o pai t�o mal?

Sabes como o pai �. N�o tem a ver contigo.

V� por onde vais! Para!

- Dami�n, para. - Para o carro, por favor.

O que se passa contigo? Ainda nos matas a todos!

Dami�n, basta.

Basta o qu�? Diz-me porque me trata assim.

Diz-me a verdade. Porque me trata assim?

Por favor, para o carro, Dami�n.

- N�o me vais dizer? - Para, por favor.

N�o, n�o paro. Diz-me porqu�.

- Para j�, por favor! - Porque me trata assim?

Porque raio me trata assim?

O qu�?

O Miguel n�o � teu pai.

O teu verdadeiro pai chama-se...

� conhecido por Galo.

Matou uma pessoa numa luta, fugiu e deixou-me.

Depois, descobri que estava gr�vida.

Era t�o jovem.

Estava sozinha.

N�o sabia o que fazer.

Ent�o, apareceu o pai.

Aproximou-se de mim.

Disse que n�o se importava que fosses filho do Galo.

Que te dava o apelido dele.

Que te criava como um filho. E foi isso que fez.

Disse que, quando fosses maior, te diz�amos a verdade.

Quando a percebesses.

Mas depois...

... depois do acidente com a arma...

... o pai mudou de opini�o.

Disse que nunca �amos dizer-te a verdade. Nunca.

Disse-me...

�Ele tem o sangue do Galo.

E, se souber que � filho dele...

... torna-se num assassino como ele.�

Dami�n. A comida est� pronta.

Dami�n.

Dami�n.

Sentes-te bem?

Ouviste-me?

Estava a adormecer.

Perguntei se querias vir comer.

N�o. D�i-me a barriga.

NINGU�M ESCREVE AO CORONEL

Mans�o Ruiz Setembro de 1985

Algum a sair para Vila Ruiz?

- O pr�ximo � �s 11h30. - Est� bem.

Ida e volta?

N�o, s� ida.

BILHETEIRA

Gostas de galos?

Podia contar-te muitas coisas sobre galos.

Especialmente sobre o meu.

� bonito e mortal como nenhum outro.

V�s este rel�gio?

Ganhei-o com ele.

Os galos s�o lindos, mas claro, � tudo uma quest�o de ideologia, n�o �?

Mans�o Ruiz

Entra, mi�do. Entra. V�.

Anda.

Entra. J� te mando as meninas, mi�do. V�.

O que fazes aqui, mi�do?

O que se passa?

- O que � isto? - A minha m�e.

A tua m�e? Deixa-me ver.

Senta-te. Est�s t�o grande.

Senta-te l�. Eu n�o mordo, mi�do.

Toma. E n�o te preocupes, a tua m�e n�o era puta.

Olha, vou contar-te.

Um dia, a Lorena estava � espera do autocarro nos correios.

A dona deste s�tio viu-a.

Ofereceu-lhe trabalho e trouxe-a, entendes?

Mas ela fazia limpeza. Nunca se misturou connosco.

Conhece o Galo?

Claro. Como n�o conheceria o Galo?

O Galo tamb�m era de c�. Queres?

Bom.

A m�e do Galo era uma grande amiga da Isabel.

Mas ela morreu quando o puto era muito pequeno,

e, ent�o, a Isabel criou-o como se fosse dela.

Sabe onde posso encontr�-lo?

N�o, o Galo... Deixa-me pensar.

H� mais ou menos 25 anos, foi-se embora.

N�o sei.

Ai, mi�do! Ouve uma coisa.

Olha, o Galo...

... era um bom rapaz.

Caladito. Tinha um bocado de mau feitio.

Mas acho que foi por causa das m�s companhias.

A Isa n�o gostava nada que ele se desse com eles.

Mas...

... come�ou a sair com a Lorena.

E a�... ficou bastante mais calmo.

Pensei mesmo que ia durar, mas n�o.

Na verdade, n�o. Bebe!

Eram namorados?

Eram loucos um pelo outro.

Mas... em segredo.

Estiveram juntos muito tempo?

N�o.

Uma noite, no Yacar�, houve uma grande bronca.

Parece que andavam dois ou tr�s atr�s da Lorena.

Como o Galo tinha deixado de l� ir desde que namoravam...

... quando o Guti�rrez o viu entrar, implicou com ele.

E, conversa puxa conversa, come�ou a beber muito.

E, de repente, um deles diz-lhe:

�A Lorena � uma puta e eu vou ao bordel pagar para fod�-la.�

Sem dizer palavra, o Galo...

... apunhalou-o.

Dizem que o Galo come�ou, mas n�o acredito.

Ele era bom rapaz, sabes? N�o se acobardava.

Mas era bom rapaz.

A Lorena ficou devastada, coitada. Tive uma pena.

E sabes que mais? Percebi logo que a rapariga estava gr�vida.

Desapareceu um m�s depois.

Pensei que tinha fugido com o Galo, mas n�o.

Foi para Rosario com o primo do tipo que o Galo apunhalou.

- O Miguel? - Sim, o Miguel. Sim.

Mais ou menos um ano depois, o Galo voltou.

Veio procur�-la. Estava t�o obcecado pela rapariga.

Quando soube que ela tinha ido com o outro, nunca mais apareceu.

Nunca mais o vimos.

N�o sabe onde poderia encontr�-lo? Algum s�tio?

N�o, mi�do. N�o fa�o ideia.

Mas acho que te posso ajudar.

Olha, h� dois ou tr�s anos, passou por c� um puto.

Chamava-se Facundo.

Tinha a mota do Galo.

Quando a vi, reconheci-a logo, porque era linda.

Tinha um galo todo pimp�o.

Uma beleza.

Disse-lhe: �Puto, essa mota n�o � tua.�

E ele disse-me que a comprara ao Galo, que trabalhava para ele.

A fazer o qu�? S� Deus sabe.

Sabe onde posso encontrar o Facundo?

N�o, mas deixa-me pensar.

Ele disse que era do oeste.

Devias procurar essa mota no oeste.

Mas ouve bem o que digo, rapaz.

Se fores � procura dele, tem muito cuidado.

Tenho um mau pressentimento.

NOME

Ouviste?

Nome completo e telefone.

Quantas noites?

S� uma.

Oitenta mocas.

Quarto 212.

A escada � � direita, ao fundo.

- Sim. - Desculpe.

Espera a�.

Sabe onde � que as pessoas v�o � noite?

Depende.

Depende de qu�?

Do que procuras.

Ent�o, amigo? Tudo bem?

Andas a passear? Precisas de ajuda?

Andas � procura de alguma coisa?

N�o, nada. N�o ando � procuro de nada.

Estou s� a tentar ajudar, meu. Vejo que andas � procura de algu�m.

- Procuro um puto chamado Facundo. - Quem?

Um puto chamado Facundo, que tem uma mota com um galo no dep�sito de combust�vel.

- Sim. - Conhece-lo?

Sim. J� to encontro.

S� que tenho que subornar uns chulos, uns b�fias, e a�...

Espera l�.

O que foi?

Meu.

Diz.

Tudo bem. Estou a ouvir.

J� te disse. Estou � procura do Facundo.

E ele tem uma mota com um galo no dep�sito.

Eu conhe�o-o, meu.

D�-me meia hora que eu trago-to.

- Boa. - Tenho que puxar uns cordelinhos.

Vou puxar uns cordelinhos e j� to trago.

S� preciso de uns trocos, meu. Tens uns trocos?

- N�o tenho muito. - Para qu� esse olhar? N�o te vou roubar.

- Olha, eu... - Quanto queres?

N�o tenho trocos. D�-me umas moedas, n�o sei.

- N�o sei. - N�o sei. D�-me isto assim, meu.

- O qu�? N�o. - Dinheiro. Calma.

- Confia em mim. - D�-me a carteira!

Confia em mim, meu! Acalma-te, caralho!

Est� bem?

Amigo.

Onde te meteste, meu?

Disse para confiares em mim.

Idiota.

Ao virar da esquina est� a mota com o galo.

- O Facundo est� no bar. - Como o reconhe�o?

- O que queres? - Uma cerveja.

Est� bem.

S� que...

... tens de ser inteligente.

Tens de pensar. Porque, se deixas o gajo com os p�s no ch�o,

ele sangra e nunca mais morre.

Demora alguns dias, entendes?

Est�vamos com o Tito...

... � espera do Tumba.

O Tumba n�o vinha, fic�mos preocupados.

�Onde est� o Tumba?�

Depois o Tumba aparece e pede uma dose.

Eu digo-lhe: �Tumba...

... n�o te seguiram, pois n�o?�

�N�o, a mim, nunca me seguem.� �Ai nunca te seguem?�

Cheirava-me a esturro. Sabes como � que percebi?

Ele � preto. E � preto aqui.

Esse tipo de preto, quando mente, sabe-se que est� a mentir.

�Ai n�o? Por onde vieste?�

Eu disse: �Vamos dormir. Acabou-se!

Estou farto. Vamos todos dormir!�

�Tumba, dormes na minha cama.� �N�o.�

�Vais dormir na minha cama!�

Como eu nunca durmo, fiquei calmo e deitei-me na cama de baixo, a ver.

Entretanto, entram tr�s chineses assim bem grandes.

Um vai � minha cama e: pum, pum! Um tiro na perna do Tumba.

E come�o eu: pum, pum!

Acertei-lhe no peito. �Apanhem os chineses!�

Um caiu nas escadas e morreu.

Apanhei o �ltimo e disse: �Anda c�, chin�s de merda.�

�N�o entendo�, dizia ele.

�Bilhete!�

�N�o entendo. Bilhete!�

�Ai n�o entendes? Anda c�.�

�N�o me mate!�

�Ai agora entendeste?

Entendeste?�

S�o terr�veis. Fazem-se de parvos.

Ent�o, eu disse-lhe: �N�o te vou matar. Tem calma.�

Foi o que eu lhe disse.

No terceiro dia, j� me implorava: �Por favor, mata-me.�

Chin�s de merda.

S�o todos iguais.

- Uma cerveja, por favor. - � para j�.

Para onde est�s a olhar?

- Para onde est�s a olhar? - Facundo, para.

O que se passa contigo? Est� bem.

J� entendi. Est� tudo bem.

D� cerveja ao meu amigo.

Ia dizer-te. Para, por favor, Dami�n.

Para, Dami�n.

Dami�n, para o carro para falarmos.

N�o! Dami�n, n�o!

Como te chamas?

Sabes quem �s?

Est� a� algu�m?

PAI A LIGAR

UMA MENSAGEM NOVA

Tenho de ir � sanita.

Tenho de ir � sanita. Est� a� algu�m?

Eu n�o fiz nada! Porque me prenderam aqui?

Quero ir � sanita. Eu n�o fujo. Estou ferido.

Est� a� algu�m?

Por favor.

Eu n�o vou fugir.

Se fazes ou dizes alguma coisa que n�o deves...

... dou-te um tiro na cabe�a.

Est� bem?

V�.

Vamos.

Tira a roupa.

Quando acabares, p�e a venda.

Estou, Facundo?

Estava quase morto.

H� quanto tempo est� aqui?

N�o. Quase n�o pode falar.

O que fa�o? Mato-o?

Tens a certeza que estava a seguir-te?

N�o parece o tipo de puto que...

Sim, despacha-te. N�o dura muito mais.

Sim.

Achas que est� com os chineses?

Est� bem. Ele aguenta at� chegares.

Mas, se isto se complicar, mato-o.

PAI

Abre a boca.

Come.

Fui ao bar porque o meu pai disse...

Cala-te e come.

V�.

Que matei a minha m�e e o meu irm�o.

Que sou um assassino.

E n�o me lembro de nada.

Tenho imagens...

... soltas, mas n�o me lembro dessa noite.

De in�cio, achei melhor n�o saber.

Depois, a d�vida deixou-me louco. Come�ou mesmo a afetar-me.

E depois...

N�o sei onde fui buscar a ideia de que tinha de encontrar o Galo.

Ele era amigo da minha m�e...

... quando ela era nova, em Ruiz.

Como se chamava a tua m�e?

Lorena.

Lorena Arredondo.

Meninos.

Mariano.

Dami�n.

Lavem as m�os. Vamos.

Onde estar�o?

Aqui est�o.

Com licen�a.

Posso ver?

Quantas s�o?

S�o montes delas.

� verdade que agora o av� est� ali?

Sim. � verdade.

E como �?

� um lugar bonito.

Cheio de luz.

Dizem que � um lugar onde todos os desejos se realizam.

Tens de vir buscar o mi�do. Tenho de ir.

Quil�metro 57.

Despacha-te.

De nada.

N�o te v�s embora!

�s o Galo?

Responde, por favor. �s o Galo?

Vou-me embora.

Por favor. Tens de me ajudar.

- Mostra-me a cara. - N�o.

Vou-me embora.

Tira-me a venda. N�o v�s.

Se ma vires, tenho de te matar.

N�o te pe�o para me libertares.

Tenho de me lembrar do que aconteceu. Tenho de ver a tua cara.

Depois, se quiseres, mata-me, mas preciso de ver a tua cara.

Confia em mim.

E?

Como est� a mi�da?

N�o se queixa.

E como est�s tu?

Melhor que quem fez isto.

Foram os chineses?

Sim.

Foram os chineses.

O puto est� a�?

E o que fazemos com este?

O que fa�o contigo, fedelho?

J� n�o interessa saber quem �s.

Vou ter de te matar.

Ele n�o sabe nada, n�o?

Mas � tarde, j� sabe quem sou.

N�o vais dizer nada, n�o?

N�o. Porque se dizes algo...

... eu trato de ti...

... e vou atr�s da tua fam�lia e mato-os um a um.

Um a um.

E tu?

Sais sem celebrar por voltar s�o e salvo?

- N�o. - N�o.

- Est� bem amarrado, n�o? - Sim.

Ent�o, n�o h� problema.

N�o.

Bom, vamos comer. Levantem-se. Vamos.

Deixa ver.

J� est�.

O que se passa?

Foi-se embora?

Sim, foi-se embora.

Mas, quando voltar...

... vou fazer-lhe a mesma coisa.

Achas que sou idiota?

Achas que sou idiota, eu?

Achas que n�o percebia? Claro que sim. Sabes quem sou?

Anda c�!

Mi�do!

Onde est�s?

Vou encontrar-te.

C� est�s tu.

Anda c�, filho da m�e.

O que me ias fazer?

Ias matar-me?

Responde, cabr�o!

De onde conheces o Galo?

Responde!

Ias matar-me?

Filho da m�e!

V�, dispara.

V�, maricon�o.

Dispara.

Tens de ter colh�es para matar.

�s um assassino ou n�o �s um assassino?

Dami�n.

Vai correr tudo bem.

V�. Atira.

Sabes matar?

N�o.

Conduz tu.

Atira!

V�, maricon�o.

Atira.

Atira!

Atira!

Filho.

Filho.

J� passou.

Vais ficar bem, sabes?

J� passou, meu filho. J� passou.

J� passou. N�o adorme�as.

Vou levar-te para o hospital.

Vai correr tudo bem.

N�o adorme�as, por favor.

N�o adorme�as.

N�o. N�o adorme�as. N�o.

Legendas: Raquel Santos

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