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Legendas em Português Brasil: Walter Santos
E quando a vovó descobrir que você está vendendo as coisas da casa...
- O que você disse? - Se a vovó descobrir...
A vovó não vai descobrir.
Quando você já tiver vendido tudo...
Quando já não tiver mais nada, vai vender o quê?
Vendo você!
Não se esqueçam que amanhã vão jantar com o pai de vocês.
Eu não vou!
Não vai por quê?
Não tenho vontade.
Mas devia ir,
É o momento de abrir parênteses
e descrever os sentimentos das personagens.
Odile questiona se os dois rapazes notam o seus seios
que se mexem debaixo da blusa.
Franz pensa em tudo e em nada,
não sabe se o mundo se tornou um sonho
ou o sonho se tornou real.
Lembra do que você prometeu?
Já se esqueceu?
Não. Mas isso foi quando éramos crianças.
Já se esqueceu.
Não acredito que você ainda é virgem.
Por quê?
Eu não te prometi?
Não consegue dormir?
Não.
É melhor ir dormir.
A mamãe pode acordar.
Já não estava mais te esperando.
Achei que não quisesse mais vir.
Está ótimo!
Está ganhando?
Por enquanto estou ganhando, mas recém começamos.
Espero não ter trazido má sorte.
No poker não é preciso ter sorte, Guilherme!
No poker é preciso ter conhecimento, intuição.
O poker não tem nada a ver com sorte. Nada!
Não se esqueça das bonecas de porcelana.
Eu vou fazer o quê? Acho que vou apostar...
não, não aposto.
E além de não apostar, desisto.
Isso é que é ruim.
Eu aposto...
- Desistir é muito ruim. - Pois é, mas teve que ser assim.
- Aposto. - Não sei como.
Tem muita sorte. Com um jogo tão ruim...
Não tenho, não.
Olha eu, por acaso tenho um nada mau.
Não consigo fazer nada.
Não, péssimo jogo.
Olha, eu passo.
Ah, passa?
Passo.
Com este meu jogo, é você que tem toda a sorte.
Beatriz, o que você vai fazer?
Acho que vou apostar, vou apostar, eu vou cobrir.
Sim, não.
Está lindíssimo.
Bem, eu vou cobrir e vou apostar.
- Sorte. - Sorte.
- É mesmo. É mesmo sorte. - Está bem, está bem.
Papai?
Papai?
Papai?
Papai?
Oi, Guilherme.
Incomodo?
Não, não incomoda nada, venha.
Venha aqui. Entre.
Venha.
Estou contente de ver você.
Estou mesmo contente.
Está tudo bem?
E a família?
- E a sua irmã, está bem? - Sim.
O livro que você me emprestou...
Gostou?
É um livro para crianças, sim...
Achou muito adulto, né?
Vá até o vizinho de cima.
Em frente à porta tem um tabuleiro.
Pegue o que tiver embaixo e desça... ok?
O que eu digo?
Não diga nada, a porta está fechada.
Papai?
Vai achar a minha pergunta um pouco estúpida.
Prometa que não vai rir.
Prometo.
Como se faz para seduzir uma garota?
Está apaixonado?
O que se diz? O que se faz?
Você não é de falar muito, é mais do gênero calado.
Não diga nada.
Não digo nada?
Nada.
Não digo nada...
E como eu posso mostrar que gosto dela?
Olhe para ela... nos olhos.
Foi assim que você fez?
Mas a mamãe era muito nova. Você fez a mesma coisa?
Me fale do seu amor? É bonita?
Sim, é bonita.
Me fale dela...
Não gosto de falar dela.
- Vem me buscar neste fim-de-semana? - Sim, claro.
Ok. Adeus.
Está escrevendo?
Sobre um vizinho.
Quem é esse vizinho?
Um pobre rapaz que não sai à rua.
Isso me diz alguma coisa.
Gostava de ler.
Não tenho mais desculpas, nem dinheiro...
Tudo ao mesmo tempo.
Guilherme.
Obrigado.
Não.
Bom...
este é para você,
e este para você.
Vai ler?
Você sabe que eu não gosto muito de ler.
Eu sei, mas não é um dos meus. Não fui eu que o escrevi,
foi uma senhora que escreveu.
É de Virgínia Woolf.
Pode fazer um esforço...
E você?
Nunca fez um esforço para falar português.
Está sendo má comigo.
Muito má!
Obrigado, papai.
Vamos embora?
Está bem? Tem dor de cabeça?
Você deve cuidar da sua irmã, porque ela não me dá ouvidos.
Tem de cuidar dela.
Ela é como a sua mãe.
Faz as coisas e pensa depois.
Você é mais inteligente do que ela.
Entende o que estou dizendo?
Vamos?
Decorei esta sala para você.
Vou te mostrar.
Vovó? Vovó?
Tenho de parar de fumar.
Queria te pedir pra dormir aqui.
Claro, você tem o seu quarto.
Queria viver aqui contigo.
Temos de entrar,
senão vamos parecer um casal que não consegue se decidir.
Pronto, vamos.
Sim, sim.
Sim.
Guilherme, é a sua mãe, quer falar com ela?
Quer falar com ela?
- Não quer falar? - Ele não quer.
Mas não se preocupe, ele está bem.
Estou dizendo que ele está aqui, não se preocupe.
Você está sempre preocupada, não é?
Pronto, beijo, tchau.
Está tudo bem? Não quer um copo?
Não.
É para o vizinho de cima.
Está doente?
Não, leve isso e deixe em frente à porta, ok?
Deixe isso no chão em frente à porta.
Deixou no tabuleiro?
Sim.
Abriu a porta?
Não.
Que estúpido! Ele nunca abre a porta.
Me fale sobre a garota.
Qual garota?
É bonita, tem uma pele macia?
Não gosto mais dela...
não gosto mais.
É inteligente?
Sim.
É o livro que você está escrevendo?
Não, não.
É uma coisa que eu escrevi já faz muito tempo.
Parece que alguém quer editá-lo.
Muito bem...
É o quê?
São contos, contos eróticos.
Pode ler?
Escrevi isto há muito tempo em Paris.
Antes de conhecer a sua mãe,
bem antes de você e a sua irmã nascerem.
E o que você fazia lá?
Um pouco de tudo.
Ía ao restaurante, ao teatro.
Pode ler um pouquinho?
Já é tarde.
Por favor.
Em Paris chove todas as manhãs.
Lâminas, como se agitassem cinco radiografias coladas umas às outras.
Ela treme.
A música jazz não chega aqui, porque subimos muitas escadas.
"Em que andar estamos?"
E há portas.
Uma série de portas de madeira,
madeira e madeira.
Um estudo sobre som.
Madeira, madeira, escadas, madeira e madeira.
"Vai morrer antes do seu pai", disse-lhe.
E ela cuspiu em mim.
"É justo" - eu disse.
Amanhã ela esperará, outra vez.
Não é erótico.
Não, se adormecer já no início.
Mesmo quando eu estava acordado, nunca houve uma única cena de sexo.
Guilherme?
Estes sapatos estavam apertados.
Mesmo quando morremos eles devem ser confortáveis.
Guilherme?
Vamos fazer o Jogo da Velha? Ajuda a distrair.
Vamos.
E pronto, você faz círculos perfeitos, mas perde sempre.
Sim, sim... Pensei sobre o artigo.
Está bem melhor. Muito melhor.
Está pronto?
Me Falaram de um hospício...
me falaram de... Está ouvindo?
Me falaram de um hospício onde se dá comida aos loucos
assim como se dá ao gado. (ponto)
Me falaram de um rapaz que ficou 30 anos fechado dentro de casa. (ponto)
Todos os dias, (vírgula) ele sai à rua
e fica esperando o ônibus em frente ao prédio onde mora. (ponto)
Fica ali esperando que a mãe venha buscá-lo... (reticências).
Mas a mãe não vem. (ponto)
O primeiro ônibus do dia aparece, (vírgula)
deixando-o ansioso. (ponto)
Outras pessoas descem, mas nunca a sua mãe. (ponto)
Com o segundo é a mesma coisa
e com o terceiro
e com o quarto... (reticências)
O louco fica ali, (vírgula)
todo o dia na parada de ônibus. (ponto)
Ele fica na ponta dos pés quando sente que chegará um ônibus, (vírgula)
na esperança que seja esse, (vírgula) de onde virá a sua mãe.
Ele conhece o horário das refeições, (vírgula)
abre a porta para comer.
Oferecem-lhe arroz, (vírgula) carne e às vezes
dizem-lhe qualquer coisa.
"Como se sente, (vírgula) sente-se bem?"
Atravessa a rua, e pousa quieto como um pássaro.
É o pássaro da parada.
Fica quieto como um pássaro,
ao lado do poste onde está marcado o número do ônibus, (vírgula)
o 60. (ponto)
E fica à espera com cara de tédio,
menos quando o ônibus aparece e desaparece, (vírgula)
o seu rosto é assustador...
o seu rosto é assustador,
lemos a angústia descontrolada e a ansiedade,
lemos a esperança descontrolada e a ansiedade. (ponto)
Já imaginou uma criança que perde os pais num lugar desconhecido?
Isso é o que sabemos sobre esse louco.
A mãe o abandonou ali, há 30 anos, dizendo "amanhã venho te buscar".
Mas nunca voltou.
Mas nunca voltou.
Ok? Está melhor, não?
Está tudo bem?
Sim, e com você?
Sim.
Papai! Papai!
Sim?
Venha ver!
O que foi?
Espere aí, Guilherme. Não entre!
O que está acontecendo, papai?
Nada. Ele morreu, só isso.
Você não pode ficar comigo.
Precisa voltar e ficar junto da sua mãe.
Vai sair?
Quer que eu fique aqui esta noite?
Amanhã não vou trabalhar e nós dois vamos passear.
E você vai me contar o que está acontecendo.
Está bem?
E o que você quer fazer?
Nunca fomos passear.
Então vamos viajar nós dois.
Guilherme,
acho que a sua irmã vai gostar de saber que já está em casa.
Legendas em Português Brasil: Walter Santos
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