All language subtitles for So ends our night. 1941. J. Cromwell. DVDRip Dual by Theycame2001

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Original subtitles

ASSIM ACABA A NOSSA NOITE (N�UFRAGOS)

Quando os governantes atuais da Alemanha tomaram o poder,

milhares de pessoas, for�adas a buscar ref�gio em pa�ses vizinhos,

se viram diante do dilema mais fant�stico do nosso tempo.

N�o tendo passaporte, nem todos esses pap�is todo-poderosos

que permitem a uma pessoa entrar e permanecer num pa�s

que n�o o seu. Sem passaportes, estes refugiados n�o tinham

o direito de viver em nenhum lugar. Eram obrigados a seguir

sua marcha. . . uma marcha intermin�vel, interrompida s�mente

pela deten��o e pris�o por entrada ilegal, depois a deporta��o

para outro pa�s, onde os esperava a mesma sorte.

Esta � a hist�ria de pessoas sem passaportes. Come�a em Viena, em 1937,

antes da ocupa��o alem� na �ustria.

- O que �? - N�o sei, algo que ouvi, acordei.

Algo? O que quer dizer com algo?

� embaixo. H� algo embaixo!

- Houve alguma batida ultimamente? - N�o.

Ah, � a �gua da torneira. Voc� morre de medo!

N�o me surpreende, voc� ainda � muito jovem!

- O que �? - O que �?

N�o � nada! Acabamos de chegar da �pera.

Ei, ou�a!

Algu�m est� vindo.

- Tem tr�s andares. - Devemos sair daqui. Pelo telhado!

- Sabe o caminho? - Sim, pelo corredor ap�s o lavabo.

Alto! M�os ao alto!

Fiquem ao lado da janela!

- Certo. Ei, voc�, venha! - Ei, voc�? A quem se refere?

Um cavalheiro! Vossa Excel�ncia, o vagabundo. General de merda!

M�os ao alto! Me refiro a voc�, porco!

- Onde est� o seu passaporte? - N�o tenho passaporte.

N�o tenho passaporte.

Cuidaremos de voc�, lixo.

- Quem s�o esses, Kobel? - Um par de fugitivos.

� permitido a um policial de Viena bater quando faz uma deten��o?

� permitido muito mais do que voc� pensa.

Vistam-se e algeme-os, Kobel.

Sim, senhor.

Kobel, . . . Kobel.

Recordarei o seu nome.

O seguinte.

Dados pessoais.

- Nome? - Ludwig Kern.

- Data de nascimento? - 30 de novembro de 1917, Dresden.

- Alem�o? - N�o. Sem nacionalidade

- privado de cidadania. - Aos 20 anos, que crime cometeu?

- Nenhum que. . . - Siga.

Nossa fam�lia foi privada da cidadania. Fomos obrigados a

sair da Alemanha.

Se tinham que nos prender, prefer�amos que fosse em outro lugar,

- n�o na Alemanha. - Posso entender. Onde foram?

- Para a Tchecoslov�quia. - Por que n�o ficou aqui?

Me pegaram um dia e me expulsaram.

N�o tinha passaporte. Fui para a Hungria, mas tamb�m me expulsaram.

- H� quanto tempo est� na �ustria? - Tr�s meses.

- Est� sozinho aqui? - Sim.

- Como tem vivido? - Tinha dinheiro.

- Quanto? - Agora tenho 12 xelins.

Tem sido vendedor ambulante sem permiss�o, n�? Certo,

depois entrada ilegal na �ustria.

Conhece a senten�a? Quatorze dias de deten��o.

Quando cumprir este tempo ser� deportado.

Se voltar ficar� exposto a uma puni��o. Assine aqui

como prova que entendeu.

Sim, entendi. Que voc� pode jantar, beber um copo de vinho

e depois ir para casa dormir. . . dormir. . . em casa. Mas um despojo

chamado Ludwig Kern, deve dormir na pris�o ou embicar

pela floresta no escuro desejando companhia, mas com medo

de todos. Por qu�? Por qu�? Nosso sangue tem a mesma temperatura,

nossos olhos s�o id�nticos, nossos nervos reagem iguais,

e estamos separados. H� um abismo entre n�s, algo

chamado passaporte. Um peda�o de papel, com um nome e alguns dados

sem sentido.

Na direita, nome e sobrenome.

Para que fronteira quer ser levado quando cumprir a pena?

- Para a Tchecoslov�quia. - Cuidaremos disso. Levem-no.

O seguinte.

Kobel, Kobel.

- Dados pessoais? - Nome?

Steiner, Joseph Steiner. Nacido em agosto de 1897 em Munique.

- � fugitivo pol�tico da Alemanha? - Sim.

Escapou do campo de concentra��o de Dehawer em 11 de maio de 1935?

Sim.

Este cavalheiro de Munique, vai falar com voc�.

Os agentes secretos alem�es podem operar em Viena?

- Ordens especiais. - Acho que sabe que posso escolher

ser deportado para a fronteira que eu quiser.

- N�o pode me mandar para a Alemanha. - Respeitar�o seus direitos. Entre a�.

Herr Brenner.

Muito obrigado.

O seguinte.

Bem, capit�o.

- Nos encontramos novamente. - Eu estava querendo.

Mas em outras circunst�ncias.

Naturalmente, gostaria de saldar d�vidas antigas. N�o te culpo.

Mas aqui, entre n�s, posso felicit�-lo por sua fuga?

Foi mais ousado que todos os seus amigos na frente.

Conseguir passar por essas armas atrav�s da cerca de alta tens�o.

Teria jurado que n�o podia fazer.

Sem a ajuda de amigos de fora.

O que quer, Brenner?

- Os nomes dos seus amigos. - N�o tenho nenhum.

Vamos. Gostar�amos de saber os nomes dos membros do grupo quatro.

E, claro, pagar�amos por essa informa��o.

Um passaporte.

E pode voltar para a Alemanha quando voc� quiser.

- Creio n�o duvidar da nossa boa f�. - N�o, n�o, n�o!

Nesse caso pode sair quando quiser. Para a Fran�a, Am�rica, qualquer lugar.

N�o seja bobo, capit�o. Afinal de contas, ningu�m saber� de onde veio a informa��o.

A necessidade do Estado � superior ao c�digo do indiv�duo.

N�o do meu.

Sugiro que voc� mude. Compare nossas situa��es. A sua

� desesperadora. � um homem sem pa�s, ou direito legal para viver, um fantasma

vivente. A minha posi��o, no entanto, � segura e confort�vel.

E tudo o que est� entre n�s, � isso.

H� mais que um passaporte entre n�s, Brenner.

Vamos deixar de lado os sentimentos pessoais? Seria louco se

- recusasse essa chance de se salvar - N�o.

N�o dar� os nomes?

N�o.

Steiner, . . . olha. . . n�o h� ningu�m na Alemanha que gostaria de voltar a ver?

Algu�m que aprecia. Algu�m que ama?

N�o.

Certo. Veremos.

No momento n�o posso prend�-lo aqui na �ustria.

Mas n�o esteja t�o certo.

As situa��es podem mudar qualquer dia, e quando acontecer,

ter� muito prazer de nos dar essa informa��o.

E nas nossas condi��es, caro capit�o.

Me arriscarei.

Fa�a do seu jeito.

Auf Wiedersehen!

N�mero 5!

A primeira vez na cadeia?

Se acostumar�. Pelo menos tem paz enquanto estiver aqui.

Um homem sem passaporte, � um cad�ver em liberdade condicional.

Tudo que � esperado que fa�a, � suicidar-se.

Tem alguma coisa para comer aqui?

- N�o tem que chamar o ma�tre. - Tinha um frango assado na minha mala,

meu primeiro frango em dois anos. Com o que tinha poupado. Ia com�-lo hoje.

Bem, n�o se lamente at� a noite. Se pode fazer id�ia do que

voc� j� comeu, ser� mais f�cil.

Sim, sim, o qu�? Que besteira! Que besteira!

Por acaso � o mesmo? � um caso semelhante?

- N�o gosto de frango. - Voc�, voc� n�o tinha um frango assado

- na mala. - Ainda que tivesse,

eu n�o teria comido. N�o gosto de frango. Fico cansado depois.

- N�o, n�o para mim, o frango. - Nunca ouvi tanta bobagem.

- N�o sei como te aguento. - Ainda que o frango estivesse aqui,

- n�o o comeria. - N�o comeria, Meu Deus!

E os ovos, P�lo? Os ovos de galinha?

Ovos pequenos? Sim, eu gosto de ovos pequenos,

- adoro ovos pequenos. - Ele adora ovos pequenos.

Adoro, adoro os ovos pequenos. 4, 6, 8, 12 ovos.

Seis duros/fervidos/cozidos, seis fritos, com batatas, batatas e bacon.

Cale a boca! Cale a boca!

Espere, espere. Felizmente, consegui passar uma garrafa de conhaque.

- Prova. - Conhaque.

Vamos, anda. Faz parte deste neg�cio. Tem que aprender.

Uma bebida � uma bebida para um homem sem um pa�s.

- Voc� quer tamb�m? - N�o obrigado. N�o perten�o

a sua quadrilha.

O que disse? Acho que n�o est� na pris�o por motivos de sa�de.

Estou na pris�o por minha profiss�o. N�o sou nenhum fugitivo noturno

sem pap�is. Sou um batedor consumado, um jogador profissional

com pleno direito de cidadania.

Se rebaixaria a exercer o seu direito de jogar? A nossas custas?

- Tem dinheiro? - Posso conseguir alguma coisa.

Neg�cio � neg�cio.

Est� escuro aqui para iniciantes. Por que n�o usamos mais luz?

Uma vela! Um f�sforo! Ei, voc�, n�o poderia pegar um cigarro

da sua cartola, n�o? Um cigarro!

Voc� vai jogar tamb�m?

N�o, agora n�o. Estou um pouco cansado.

Corte o baralho.

Um �s de copas.

Um �s de espadas.

Mais algum truque como esse?

- N�o muitos. - Ao major posso ensinar alguns.

O que voc� comprou para a mam�e para o seu anivers�rio?

Bem, est� rindo de n�s.

Esteve rindo de n�s o tempo todo.

Nostalgia, pequeno? Vamos, diga, onde est�o?

Onde est� a sua m�e?

- Morta. - No ex�lio, heim?

- Sim. - E o seu pai?

- Est� em Praga. - Tem o endere�o dele?

- Sim, mas n�o sei se. . . - Assim que sairmos,

te colocarei na fronteira de Praga.

Enquanto isso, deveria aprender a se cuidar, sim?

Ganhe com as cartas. Com seus punhos. Mexa-se.

Vamos, venha jogar, homem!

Desculpe.

EST�NCIA ADUANEIRA �USTRIA

- Adeus! - Adeus!

- Por que n�o cruzamos? - N�o seja impaciente.

T�m que nos mostrar o caminho pelo bosque. N�o se esque�a

que os tchecos estar�o esperando para nos fazer voltar.

- Vamos agora? - Sim, venha.

- Certo. - Quando v�o voltar para a �ustria?

- Nunca. - Isso significa esta noite. Voc�s s�o

refugiados. N�o � como manejar um criminoso de primeira classe.

Est�o manchando a dignidade da minha profiss�o.

A� est� a Checoslov�quia. Cruzem no final da colina.

- Certo. - Conv�m beber algo.

Obrigado.

Apressem-se at� o final da colina. Depois respirem tranquilos.

N�s vamos.

Conseguimos.

- Cigarro? - Obrigado.

Tudo isso parece um sonho.

Porque te perseguem? Voc� � cem por cento ariano.

- E voc�? - Cinquenta por cento.

- Me perguntava porque voc�. . . - Sou um ex-soldado que odeia a

quadrilha que governa a Alemanha.

Claro que tamb�m n�o gostam de mim.

- Por que volta para Viena? - Porque � para l� que mandam

- not�cias da minha esposa. - Sua esposa?

Ainda est� na Alemanha.

N�o sei o que est� acontecendo.

Olhe a lua. Estava assim no dia que escapei do campo

de concentra��o.

Me escondi por uma semana na casa de um amigo.

Me instalei num s�t�o. N�o me atrev� acender a luz ou

fumar.

Passei o dia todo escrevendo uma carta para minha esposa.

� noite meu amigo me trouxe um jarro d'�gua e comida.

Ele ia tentar enviar a carta e ver se eu poderia

ver a minha mulher antes de deixar a Alemanha.

Esperei por 4 dias enquanto meu amigo tentava enviar a carta.

No final me disse que n�o se atreveu a dar-lhe, uma vez que

estava muito vigiada. Eu disse para n�o tentar mais.

Tinha medo que acontecesse algo. E tambem sabia que o meu amigo

estava em perigo enquanto eu estivesse na sua casa.

Decidi n�o esperar mais.

Meu amigo me trouxe dinheiro e roupas, ent�o sa� na manh�

seguinte. Vestia uma jaqueta de oper�rio e uma caixa de ferramentas.

Pretendia deixar a cidade imediatamente, mas n�o consegui.

N�o via a minha esposa h� dois anos. Tinha que v�-la novamente.

Fui ao mercado, onde o meu amigo disse que fazia compra.

N�o olhe para tr�s.

Continue andando.

Te fizeram alguma coisa?

Est�o te vigiando?

Agora?

Tentarei atravessar a fronteira.

N�o poderei te escrever.

Deve se divorciar de mim.

Deve se divorciar! Tem que ir amanh� e dizer

que quer o div�rcio devido minhas id�ias pol�ticas.

Diga que n�o havia percebido antes.

� para a sua seguran�a. Ficaria louco se te fizessem algo.

Deve se divorciar. E te deixar�o em paz.

Eu te amo, Marie. Eu te amo mais que tudo no mundo!

N�o irei at� me prometer. Vou me entregar se n�o prometer.

Promete?

Eu. . . vou dar uma volta entre os postos. V� em frente,

e d� a volta para me encontrar. S� quero te ver mais uma vez.

Ent�o eu irei. Se n�o ouvir nada, significa que cruzei em seguran�a.

E ent�o. . . vi o seu rosto!

Tr�s dias depois, cruzei a fronteira.

Queria que houvesse algo que pudesse fazer.

- Que idade tem? - 20, logo terei 21.

Bem, bem. Quase 21! N�o � brincadeira, certo?

Tire o maior partido, mas n�o espere favores. Indiv�duos

ou na��es s�o as mesmas. Enquanto est�o seguros e confort�veis,

n�o importa o que acontece com os outros.

� a� que reside a mis�ria do mundo.

Por isso o progresso � t�o lento e as coisas retrocedem t�o r�pido.

Voc� acha?

N�o.

Certo! Certo. Poderia ser pior. Eu tenho

uma esposa e voc� tem um pai. E ainda se importam com o que nos acontece.

Enquanto temos uma pessoa que se importa, apenas uma,

teremos esperan�as. Mas lembra que te disse ser dif�cil, n�o?

N�o busque favores.

- Quanto dinheiro tem? - 12 xelins.

- Isto dar� para chegar em Praga. - N�o.

Vamos, pega! Ainda tenho o bastante para mim.

Obrigado.

O que vai fazer com a pol�cia de Viena?

N�o estou preocupado. Esse. . . jogador me ensinou alguns truques na pris�o.

E vou tentar juntar o dinheiro suficiente com as cartas para

comprar um passaporte falso. E h� um policial que vou visitar.

Sim. Se chama Kobel.

Boa sorte!

- A prop�sito, como se chama? - Kern, Kern Ludwig, te escreverei.

- N�o, me lembrarei. Chamo Steinter. - Eu sei.

Te escreverei umas linhas. Posta do correio de Praga. Cuidado!

- Certo. Obrigado. - At� mais.

At� mais, Steiner!

- Quantas? - Duas.

Quero tr�s.

Eu uma.

50.

Dobro.

- Posso dar uma olhada? - N�o.

Dobro para cem.

Vejo.

Quatro reis.

Quatro ases.

- Vamos jogar outra m�o. - Desculpe.

- Vamos jogar outra m�o. - Outro dia.

Obrigado, senhor.

Os garotos deram o fora.

- Nada de briga, senhores. - � a �ltima coisa que quero.

- S� vou sair. - Vamos com voc�.

Pare! Pare!

- Boa noite. - Boa noite.

- � alem�o, n�o? - Era.

Neste caso recomendamos um alem�o morto, claro.

Sem ac�rdo. Quero trabalhar aqui em Viena, e n�o poderia faz�-lo

- com um passaporte alem�o. - Sim, nesse caso,

s� h� um austr�aco com o qual pode trabalhar.

E se algu�m perguntar no escrit�rio onde consegui?

Quem o far�? A n�o ser que se meta em confus�o.

- 300 xelins. - Ah! Temos um pre�o fixo, 500.

Se o passaporte fosse alem�o, faria um desconto,

mas passaportes austr�acos s�o dif�ceis. 500 � um achado.

- 350. � minha �ltima palavra. - Isso � o que paguei para a pobre fam�lia.

Essas coisas s�o caras, meu amigo. Pilhar algo assim,

fresco do t�mulo. Nos ofereceram mais de 500. E n�o aceitamos.

Pode ficar por 450. Perdemos dinheiro, mas gostamos de voc�.

Ah, eu tamb�m gosto. 400.

- Tem uma fotografia? - Sim.

Feito!

� v�lido por um ano.

John Huber. Oper�rio.

Uma troca justa. Se John Huber n�o nos ajudou em vida, o far� morto.

Boa noite.

Boa noite, Sr. Huber.

N�o posso continuar assim. Me deixe esquec�-la, Deus.

Eu tento, tento e todo momento sei que est� viva.

Marie, Marie

Tenho que te esquecer. . . Te arrancar da minha mente,

dos meus olhos e do meu sangue. Esquecer. Esquecer!

Esquecer.

Esquecer.

Sente-se.

Est� quente, n�o?

- Sim. Estamos no ver�o. - Sim, ver�o.

Ajude-me.

- Marie. - Veja como est� b�bado, c�us.

Meu nome � Elvira.

Kobel, . . . Kobel. . .

Al�, � voc�, Kobel? Aqui a delegacia de pol�cia.

Algu�m est� criando confus�o na Avenida Elizabeth,

perto da rua Anna. � melhor vir logo.

Para Praga, 7km.

Praga.

- O que deseja? - Quero falar com algu�m que mora aqui.

- Quem �? - Bem, n�o queria gritar

por toda a casa.

- Gostaria de falar com Herr Kern. - Kern?

- Herr Sigmund Kern, sou Ludwig Kern. - Um parente?

- Sim, sou. . . - N�o mora aqui.

Bem, n�o te culpo por suspeitar, mas quando v�-lo

diga que o esperarei no Hotel Bristol, quanto tempo puder.

Ainda talvez n�o seja muito.

N�o, n�o!

O que �?

O que faz aqui?

Desculpe.

Devo ter errado o quarto.

- Ah. - Pensei que estavam fazendo uma

busca e entrei no quarto errado.

Pe�o desculpas, mas se importa se eu fumar?

Em absoluto, eu tamb�m fumo.

- Quer um? - S�o dos mesmos que eu fumo.

S�o os mais baratos que eu consegui.

Talvez concordamos em mais coisas que no tabaco.

No momento estamos no mesmo local.

- Esteve muito tempo fora? - Mais de dois meses.

N�o � muito.

Para mim, sim.

Aprender esquecer � o mais dif�cil.

- Esquecer o que? - O passado, tudo.

- Acha que devemos? - Sim.

Quer esquecer?

S�rio?

Obrigado pelo cigarro.

Aprender esquecer � o mais dif�cil.

Esquecer o que?

O passado.

- Herbert. - Terminamos.

- Herbert! - Para sempre, voc� entende?

Esperei dizer isso por muito tempo, mas como fui idiota!

N�o fiz para n�o te ferir.

Herbert, sinto que teve problemas por me conhecer.

Aqui, nos jornais, Herbert Lindbig, marcado como um

profanador da sua ra�a, comprometido para casar com uma judia!

- Eu tamb�m estou no jornal. - Bem, e o que, o que importa?

Que diferen�a faz? O que voc� perde?

Isso muda tudo, significa que devo deixar o col�gio.

Tr�s anos de trabalho �rduo por nada. Tinha matr�cula de honra

em qu�mica e tinham me concedido uma bolsa de estudos.

Uma bolsa de estudos! E voc� a compara com toda a minha carreira!

Voc� me trouxe a ru�na!

� este o garoto com quem cresci? Com quem joguei, dancei, recitei

e cantei durante as noites de ver�o?

� este o homem com quem me sentei sob o luar

e que me disse que eu era a sua vida?

N�o � um homem, absolutamente. � s� algo estranho e amea�ador.

Certo. Adeus, Herbert.

- Agora te entendo. - Voc� n�o entende nada!

N�s fomos uma mentira. � ego�sta. S� pensa em voc�.

� uma pena que n�o est� morta, como seu pai e sua m�e.

Escrevi neste jornal o que penso de voc�.

Agora voc� j� sabe!

Sim, agora eu sei.

Acho que disse algo que te entristeceu.

- N�o foi culpa sua. - Desculpe.

- Por favor. - Ou�a. . .

Queria saber se voc� gostaria de ir ao cinema esta noite comigo.

- Ao cinema? - Hoje tive sorte, ganhei 10 coroas.

- N�o, na realidade. . . - N�o pode ficar a� trancada.

- � assim que passo todas as noites. - N�o pode, porque adoecer�

com essas bruxas velhas. Come�a em dez minutos.

Vamos, n�o � divertido ir ao cinema sozinho.

Pega o seu casaco.

Est� melhor? Continuaremos o tratamento.

Foi uma semana maravilhosa, mas tenho que ir para Viena.

N�o pode adiar at� terminar a sua licen�a?

Me ofereceram um emprego num laborat�rio qu�mico

com um antigo professor meu. � uma grande oportunidade.

- Eu entendo. - N�o posso perder.

N�o, acho que n�o. Tenho um amigo em Viena. . .

Acabo de receber isso pelo correio. Leia. Anda.

Pequeno: sou muito trapaceiro com as cartas, sou o orgulhoso

propriet�rio de um passaporte austr�aco em nome de J. Hubert e tenho um emprego

no parque de divers�es Prater, trabalho como adivinho, mec�nico,

pregoeiro e lava pratos. Se vier a Viena, passa por aqui e me deixa

ler seus pensamentos. Abra�os e � sua disposi��o para lavar pratos, J. Steiner.

Um adivinho!

Talvez quando encontrar o meu pai retornarei a Viena.

Poder�amos nos encontrar l�.

- Quando voc� vai? - Depois de amanh�.

Ent�o jantaremos amanh� � noite, hein?

Vamos ver se tenho dinheiro. . . Ah, sim! Para esta noite.

Queria uma noite feliz e esse cara est� pondo a perder.

- Por que est� nos olhando? - Acho que � um agente da Gestapo.

N�o me importa quem seja, vamos pedir a sobremesa.

- O que voc� gostaria? - Torta de ma��.

- Pois bem. - Pode comprar?

Pode me dar dois peda�os de torta de ma�� em troca

- disso? - Torta de ma��?

- Sim. E duas x�caras de caf�. - Voc� � cliente ou vendedor?

Pensa que pode comer aqui sem pagar, certo?

- Eu posso pagar. - Bem, amigo, s� h� uma solu��o

- para voc�, a pol�cia! - Um momento.

Posso fazer uma pergunta?

- S�o exilados alem�es, n�o? - Que lhe importa?

- Me vender� o perfume? - N�o.

- Porque n�o? - N�o tenho nada para vender.

Ent�o vamos fazer um acordo. Ficarei com o perfume

- e te darei a torta e o caf�. - N�o entendo o que quer.

Sei que suspeita, deixa eu explicar.

Moro em Berlim e tenho que voltar. Mas odeio o que acontece na Alemanha

e me envergonha. O que est�o fazendo �s pessoas indefesas.

- Queria ajudar se permitem. - Desculpe.

Pensei algo diferente.

Posso imaginar, meu jovem.

Agora, volta com a senhorita est� assustada.

- Tudo de bom. Aos dois. - Obrigado. Muito obrigado.

- O que aconteceu? - Bem! . . .

- Mas, o que � isso? - �. . . torta de ma��.

Pensava se poderia pegar esta outra coisa em vez de

- torta de ma��. - Claro, ele pediu

- tudo isso para voc�s. - Tudo?

Est� tudo pago.

Est� tudo. . . !

Champanhe! Est� frio, senhor, heim? � da loja de vinhos

- do lado. - Champanhe?

- Ruth! Champanhe! - Que festa!

As primaveras floresceram.

N�o fique triste.

�s vezes n�o faz sentido.

Vamos imaginar que foi o champanhe.

H� um momento estava t�o feliz.

Gostaria de estar feliz.

S�rio, Kern.

N�o chore.

Queria que voc� n�o fosse.

Eu tamb�m.

De qualquer modo, estaremos juntos amanh� � noite.

Sim. Temos s� amanh�.

Kern!

- Sabe onde encontrar um m�dico? - N�o.

- Bem, por Deus! - O que �?

Sobe ao quarto 18 e fique com aquela mulher at�

eu conseguir um m�dico.

Nasceu. . . mais um menino no mundo.

Vamos brindar!

Pelo grande mist�rio do mundo! O prazer.

Sabe porque � um mist�rio? Porque depois de voc� morrer.

- Pros! - Pros!

Querem se calar?

- N�o posso dormir! - N�o durma, vov�!

- N�o sou av�! - Muito melhor para seus netos!

Toma. Te far� bem.

- Esteve espl�ndida. - Como v�o as coisas, doutor?

O beb� vai ficar bem. Cuidaremos dele.

- Pode dizer isso para a m�e. - Ser� que ela n�o vai melhorar?

Doutor!

J� vou.

Brindemos pela beleza do mundo. Isso � indestrut�vel.

N�o temos o direito a isso. Os refugiados n�o t�m direito

a nada.

N�o podemos nos apaixonar, nem casar, nem ter filhos, nem nada.

N�o �?

O que voc� acha?

Ruth. . .

Entre.

- A Srta. Holland? - Ela se foi.

Se foi?

- Para Viena. - Viena?

- Mas, se n�o ia at� amanh�. - Foi hoje. Faz uma hora.

N�o deixou nenhum recado? Uma nota ou algo?

- Nada. - Obrigado.

Ruth. Ah, Ruth. . . Tinha medo de n�o chegar a tempo.

Tem algo errado? Disse que iria manh�.

- Recebi uma mensagem para ir. - Uma mensagem?

Do professor Meller.

Isso � para voc�.

Posso lhe escrever?

E o endere�o?

N�o tenho certeza. Pelo correio?

Ao trem!

Tchau.

Tchau.

COMIT� DE REFUGIADOS

Senhor, disseram que voc�s podem me dar informa��es aqui

- do paradeiro do meu pai. - Nome, por favor?

Kern, Sigmund Kern.

Causa da morte: Suic�dio.

E agora, senhoras e senhores, Os convido a passar por essas

portas, e compartilhar conosco os segredos da sua mente!

O grande dom da clarivid�ncia dada ao homem!

� tremendo, � grandioso! Leremos como num livro aberto

seus pensamentos mais �ntimos. N�o se privem da oportunidade

de voc�s verem um milagre, um mist�rio que nega as leis da

natureza. Um poder que nega os sentidos. Uma for�a que une

um �tomo com a estrela mais distante.

Jovem, . . . N�o acredita em mim? � um incr�dulo?

Voc� zomba? Aproxime-se. Aproxime-se.

Sua mente n�o � um mist�rio para mim, eu garanto.

Ah, sim. Sens�vel, t�mido, pouco comunicativo, mas detecto um crescimento positivo,

o in�cio de uma auto-confian�a. Um estranho juizo para escolher amigos.

E uma cabe�a muito aturdida que s� pode ser curada com um bom chute.

Vamos amigos, vamos! Comprem seu ingresso e entrem,

a um pre�o t�o baixo, que fico vermelho ao falar.

- Como est�, pequeno? - Steiner!

Me chano MacGiver! Agora, nenhuma palavra. Nem perguntas, nem respostas

at� encher esse vazio debaixo do seu cinto. Vai al�, me junto

contigo quando terminar o espet�culo.

Escrevi para os correios e perguntei como entrar em contato com ela.

N�o ter� mandado uma carta para mim, certo?

N�o, mas n�o se preocupe, a encontrar�. Potzloch!

O que �?

- Precisamos de outro assistente. - Um dos seus amigos, suponho.

- Sim. - Certo. Quanto quer?

- 30 xelins e alojamento. - 30 xelins? Acha que �

uma estrela de cinema? Quer me arruinar, Hubert? Voc� tem

que pagar para viver aqui e sem perguntas?

Trabalharei de gra�a.

Isso � diferente! Esse � o modo de se tornar milion�rio.

S� os humildes chegam ao topo. Leopold Potzloch, o �ltimo

filantropo. Receber� 15 xelins por m�s.

- Concordo. - Parece bom.

Ent�o, tudo bem. Vou mostrar o seu trabalho.

Aqui est� o nosso carrossel. Seu trabalho � varrer.

Mas cuidar� principalmente do posto de tiro.

Ter� que ajudar a Lilo carregar os fuzis. Este �

- Ludwig Kern. - Senhorita.

As pessoas gostam de ganhar alguma coisa, voc� sabe, nosso lema �:

- "Dar e tomar". - Mas nunca dar mais que tomar.

V� esse pr�mio? � a nossa atra��o. Tirado da minha casa.

Uma pontua��o de 60 o ganha. � uma heran�a.

Uma rel�quia no momento. Sabe o que � uma rel�quia?

N�o, mas lembra disso: antes morrer que deixar algu�m chegar

a 60 pontos. Quando penso nisso me d� arrepios.

- Minha esposa me mata se perd�-lo. - Mas como evitar se algu�m

- � um bom atirador? - Ah, Lilo vai te ensinar.

Se algu�m parecer muito bom, p�e na arma uma das balas m�gicas

do diretor Potzloch. A ponta da bala est� torta,

- voc� sabe? - Estou vendo.

- Mas que n�o percebam. - Lilo te ajudar� se n�o der

- certo. Vou mostrar onde dormir. - Se n�o se importa, queria ir

- aos correios. Tenho que. . . - Claro, . . . se fosse voc�, n�o perderia

um minuto.

Amor.

Tem alguma coisa da Srta. Ruth Holanda? Eu escrevi, e queria saber

se recebeu minhas cartas.

Deve ter recebido. Aqui n�o est�o.

Obrigado.

Srta. Holland.

- Srta. Holland. - Ah, professor Meyer.

Tem algum amigo fora da �ustria a quem pudesse recorrer em caso

de necessidade?

Tenho uma amiga em Zurique. Poderia recorrer a ela.

Sinto muito. Sinto muito, mas n�o posso evitar.

Eu tenho que ir porque n�o tenho passaporte?

� uma vergonha. Est� fazendo um excelente trabalho, estou encantado.

- Devo ir agora? Hoje, amanh�. . .? - N�o, talvez em alguns dias.

Uma semana. Caso contr�rio, n�o estar�amos seguros.

Senhoras e senhores, entrem! E vejam a melhor cole��o de

animais treinados conhecida pelo homem!

Vejam Alexander, a pulga escarlate na sua estr�ia solo. . .

Pode me dizer onde posso encontrar o Ludwig Kern?

� selvagem, � temperamental, e se balan�a num trap�zio!

N�o sei quem �. Procure o Sr. Potzloch.

- Dispara uma arma e nada se move! - Onde posso encontr�-lo?

O vi faz um minuto, v� ao carrossel. Alexander!

Estava aqui h� um minuto, tente no posto de tiro.

Obrigado.

- Ruth! Fico feliz em te ver! - Eu tamb�m.

- Eu escrevi e escrevi e. . . - Sim. . . eu. . . escrevi tamb�m.

- Nunca recebi nada. - N�o, eu sei. Veja, eu n�o. . .

Ei, ei! Bem, o que acontece? Por que n�o participa do neg�cio?

Quero apresentar uma amiga minha, a Srta. Holanda.

Ol�.

Ei, . . . N�o necessitamos nada, n�o precisamos de assistentes.

N�o, n�o � isso. N�o nos vemos h� muito tempo.

Ah, isso � tudo? Bem. Acho que. . . tire a noite de folga.

Mostre-lhe isso. Mostre todas as atra��es.

Com o uniforme te deixam entrar sem pagar nada. V� em frente

aproveite, heim? Vamos, vamos, divirtam-se!

- Homem! - Muito bem!

Logo conseguirei 60 e ganharei o grande pr�mio.

Bem, 24!

N�o falha uma.

Muito bom!

- 56. - Homem, n�o!

- Tente novamente. - Vamos!

- Ganhou uma cesta de lanche. - Espera um pouco!

Algo est� errado aqui. Desta vez dei um tiro perfeito.

Bem, talvez tremeu. � a mesma arma.

Um sargento da pol�cia n�o treme. Sei como atiro.

H� algo de sujo nisso, fez algo com a bala.

- Deixe-o repetir. - Suponha que fazemos um acordo.

- H�? - Sim, suponha come�ar de novo e

- tem mais 5 tiros. - Por que?

- N�o, n�o fa�a! - Um homem t�o am�vel como voc�,

pode atirar t�o bem na segunda vez.

Porque ele � o melhor atirador que tivemos nos �ltimos anos.

Sua esposa nunca ter� medo.

- N�o tenho esposa. - � porque n�o quer uma.

Eu te conhe�o de algum lugar.

- H� quanto tempo est� aqui? - Isso n�o � da sua conta.

- Tem seus pap�is? - Claro.

- Vamos ver. - Est�o no vag�o.

- Vamos dar uma olhada. - Que direito tem para me pedir?

Ludwig! Tem direito de olhar seus pap�is, se � um policial.

Deixe-me pegar seu passaporte.

- Se me acompanhar, senhor. - N�o!

Se acha muito esperta, n�o? Fique na sua, rameira de merda.

Ultrajante!

Apelo a voc�! Isso � justi�a? Duas semanas na pris�o,

e tenho um frango assado na minha mala.

Vai estragar at� quando for sair daqui.

Eu nunca como frango.

- Mas eu gosto. - Os ovos pequenos.

Enquanto viver e respirar ser�o ovos. Ol�, come frangos!

- Lembra de mim? - Lembrar de voc�?

� o Kern! Bem, bem, amigo! Ei, onde est� o louco do Steiner?

Est� bem.

Vejo que voc� n�o est� t�o bem.

- Quem bateu em voc� hoje? - A pol�cia.

Ah, pequeno, pequeno, j� � hora de aprender

- a se cuidar. - Oxal� pudesse.

Olha.

- � um lutador? - �s vezes n�o sou ru�m.

- Me ensina, come frangos? - Talvez tente mais tarde,

- quando se sentir melhor. - N�o, agora!

Ambicioso!

N�o se preocupe com as m�os. Comece com os p�s. Alivia

os p�s, assim, veja.

Sim.

N�o, n�o, n�o, n�o. Assim, n�o. Olhe, olhe, . . . n�o pode bater

com o corpo, tenta se mover e veja o qu�o mal esquiva.

Come frangos!

Teve sorte, heim?

Calem-se! Isso n�o � um clube noturno. Quem de voc�s � Kern?

Uma mulher quer te ver.

- Pensou que era a Ruth. - Sim.

- Deportaram a Ruth. - Deportada?

- Sabe para onde? - Deixou isso para voc�.

Obrigado.

- Est� na Su��a. Em Zurique. - O que �?

Assim como escreve. � como uma estranha. Como se dissesse

- se quiser, este � meu endere�o. - Isso n�o � o suficiente?

N�o. Soa. . . como se dissesse que n�o quer mais me ver.

Talvez pensou que seria melhor que se cuidasse.

As mulheres s�o complicadas.

Acho que quando sair daqui vou direto para Zurique.

Eu concordo. E Steiner e Potzloch tamb�m.

Steiner quer que voc� escreva.

Diga-lhe adeus, por favor, da minha parte.

Diga que j�. . . estou me tornando. . . duro.

Eu vou dizer.

Adeus, Lilo.

Adeus.

Ludwig!

Entra.

Ludwig, entra!

Parece meio morto.

N�o tem ningu�m. A fam�lia se foi no fim de semana.

- A fam�lia? - Silvia e seus pais. Silvia � uma

colega de colegio.

Entendo.

- Deixa eu te ver. - Estou bem. � voc� que me preocupa.

- Eu? Por qu�? - Por qu�?

Por que n�o escreveu?

- Tinha medo. - Por que ia ter medo de mim?

N�o sei explicar.

Bem. . . Pessoas como n�s, os refugiados,

Sei que parece bobo! Mas sempre que decido que �

uma bobagem, algo acontece. Sim, ent�o

pensei que devia seguir sozinha! Sozinha com meus livros

e meus estudos. Como se estivesse num laborat�rio t�o remoto

e impessoal como a ci�ncia. Sem me preocupar com outros seres humanos.

� isso o que pensei, Ludwig.

Entendo que quisesse fazer isso.

Mas n�o pode.

Acho que quanto pior estivermos, quanto menos temos,

muito mais importante ser� encontrar companhia.

Se h� algu�m que se importa, apenas um,

e para quem se importa, n�o estar� t�o ruim.

Ruth, Ruth, n�o devia continuar lutando tanto contra a felicidade.

N�o sei porque choro. Por favor, n�o me olhe.

Bem, querida, . . .

Bem! Esse n�o pode ser eu! Pare�o um vagabundo.

- Que horror! - Vou te preparar um banho.

Um banho?

- Com sabonete, ducha e tudo? - Depois, jantar, caf� e conhaque.

� �timo! Tudo que precisamos � de um pijama, heim?

Poderia colocar o roup�o do senhor Newman, s� que chegar� at�

os p�s. Vou usar um vestido de noite da Silvia, o que acha?

Ponha! N�o via uma casa como esta faz anos.

O verme sai, o verme entra. . .

O verme sai, da ma��. . .

- Est� linda. - Ah, n�o � verdade. � o vestido

- da Silvia. - N�o, voc� tamb�m � linda!

Voc� � como. . . � como uma avel�.

O qu�?

N�o tenho certeza do que quero dizer, mas tem a ver com

as avel�s e tem a ver com voc�, Ruth.

Como combina com voc� esse vestido com os olhos e com os cabelos!

- Tudo brilha em voc�. - Um torr�o ou dois?

Um, por favor.

Para qualquer um pode ser uma noite comum, mas

para mim � como. . .

Ruth, . . . Acha que algum dia poderemos ter tudo isso?

Uma casa com dois ou tr�s quartos e direito de trabalhar e

- ficarmos no mesmo lugar? - N�o sei. N�o posso imaginar.

Ent�o, aguarde. Em alguns anos estar� em vestidos assim

todas as noites. Serei um famoso cirurgi�o vestido de fraque.

Com diplomas de cidad�o honor�rio em cada bolso.

� sua sa�de, Ruth.

� sua sa�de, Ludwig.

- Pode colocar m�sica? - Claro.

Que esta��o � essa?

Paris.

- Vou tentar ir a Paris. - Por qu�?

N�o posso ficar, tenho que continuar a jornada.

Se lembra de Lee Marrik, em Praga?

- Sim. - Est� em Paris.

Disse que � f�cil conseguir uma autoriza��o de trabalho e viver l�.

- Ludwig. - Sim?

Vou com voc�.

- N�o. - Podemos sair amanh�.

N�o sabe o que � viver na estrada.

N�o me importo!

Minha estada aqui est� come�ando estorvar os Newman's.

O porteiro amea�ou falar de mim para a pol�cia.

- Por qu�? - N�o faz id�ia como

alguns homens se comportam diante de mulher indefesa.

- Ent�o, o porteiro. . . - Bobo.

- � horr�vel! - N�o. S� chato, isso � tudo.

Certo.

Ent�o iremos juntos.

De agora em diante, cuidarei de voc�.

Sim.

NAZISTAS INVADEM A �USTRIA

- N�o vai levar suas coisas? - N�o. Chamaria a aten��o.

Vou sem chamar a aten��o. N�o muito r�pido, mas o suficiente.

Certo. Te direi o que farei. Vou comprar suas coisas.

- Obrigado. - N�o agrade�a, vou tirar

proveito.

Bem. Sabe? Eu

- odeio esse tipo de despedida. - E eu tambem.

� apenas quest�o de rotina, mas entre eu e voc�, � a coisa

mais horr�vel do mundo. Apenas uma quest�o de rotina.

Conhe�o um homem que teve quatro mulheres mortas

nos �ltimos 10 anos. Agora se casou com a quinta, e j� est� ru�m.

N�o preciso dizer que j� est� a ca�a da sexta.

� apenas quest�o de rotina.

O que acontecer� se for pego?

Estaria melhor morto.

Adeus, Lilo.

Fiquem onde est�o!

Se arrepender� disso.

ATEN��O TODOS OS POSTOS DE FRONTEIRA!

DETENHAM ESTE HOMEM RECOMPENSA POR SUA CAPTURA: 5.000 XELINS

Bom dia. Ficar�amos agradecidos se nos deixasse descansar

- o resto do dia. - Onde est�o indo?

Estamos tentando alcan�ar a fronteira francesa. . . n�s. . .

- Est� resfriada. - Pegou frio � noite na chuva.

- Podem ficar se desejarem. - Obrigado, muito obrigado.

- Mas n�o acendam o fogo. - N�o acenderemos.

� melhor tirar essa roupa molhada e vestir

qualquer coisa que esteja seca. Vamos dormir bem quentinhos.

Depois vou � cidade tentar vender alguma coisa.

- Tomar� cuidado? - O suficiente para comprar

um pouco de comida. N�o se preocupe.

Fique quentinha e descanse.

Ludwig.

Sr. Ammers. A mo�a me disse que voc� � um exilado alem�o.

- Sim, senhor. - N�o tem passaporte?

N�o, senhor.

Bem, minha esposa pode dar uma olhada nas suas coisas.

Sim, senhor.

- Desculpe. - O que voc� vende?

- Quanto? - 30 centavos, Sra. Ammers.

- Quanto? - 60 centavos.

- Quanto? - Bem, j� dei o pre�o disso,

Sra. Ammers, s�o 30 centavos.

Vou ver o que minha irm� diz.

- Quanto? - Dei o pre�o � Sra. Ammers.

Talvez queiram pensar at� amanh�.

Gostaria de uma x�cara de caf�?

Sim, sim eu gosto, se tiver preparado.

Sim, certamente. Ser� s� um minuto.

Uma x�cara de caf� me far� bem, n�o tomo caf�

h� muito tempo.

O caf� est� muito quente. N�o tenha pressa.

Beba com calma.

A� est�, oficial. O homem sem passaporte fugitivo do "Reich" alem�o.

Prenda-o.

- Venha comigo. - Gostaria de v�-lo novamente,

apenas 10 minutos, 5 minutos, 1 minuto.

- Ouviu isso? - Ainda n�o te p�s em perigo.

Apenas manifestou de v�-lo novamente.

Siga-me.

N�o sabe quem ele �, rapaz? � o espi�o local do partido nazista.

- Como sou idiota. - Sim, com letras mai�sculas.

Ou�a, oficial, tem algu�m me esperando.

Isso n�o � problema meu. E deixa eu te avisar.

Se tentar escapar, terei que pegar minha arma.

E isso vai levar tempo, ent�o talvez, talvez ser� melhor

colocar as algemas. Onde as coloquei?

Obrigado.

Congest�o do pulm�o direito. Tem que ir ao hospital.

N�o, n�o posso ir a um hospital. N�o podemos pagar um hospital.

Esque�a o dinheiro. Est� gravemente doente.

� o melhor. Vista-se. Tenho cobertores no meu carro.

N�o h� escolha, querida.

Onde vai ficar enquanto estiver fora?

Vou ficar aqui.

Como nos veremos? N�o pode vir ao hospital,

ser� preso.

Todas as noites estarei em frente o hospital, olhando

a sua janela. Ser� como se te visitasse.

- Quando? - �s nove.

- Como saber� qual janela �? - O doutor me dir�.

Estar� escuro �s nove. N�o poderei te ver.

S� posso ir quando estiver escuro.

N�o, n�o, n�o deve vir em absoluto.

Irei. . . e agora vista-se.

N�o se preocupe.

Vamos, precisa ser corajosa.

Tenho medo. N�o quero te deixar. Temo que algo te aconte�a.

Ficarei bem.

Est� pronta?

Tchau.

Sorria, depressa.

N�o me esque�a. Me ame.

Certo. E agora andando.

N�o pode me ver.

O que voc� pretende?

Ah, nada. � apenas uma piada inocente, nada mais.

Um momento. Voc� conhece Herr Ammers?

- Bem, n�o. - Talvez ele conhe�a voc�.

Tem uma ordem de busca policial que se encaixa perfeitamente com a sua descri��o.

Vamos, para cima, Ammers. Com a esquerda n�o ganhar�.

Tudo isso me faz mais forte. Assim. E assim, Vamos, Ammers, de p�.

Vou te ensinar a mexer com os pobres refugiados.

O que acha disso, velho Steiner?

Bom trabalho.

Eu n�o ouvi.

Voc� estava pegando bem.

- Como vai? - Bem. Tudo normal. Trouxe algo.

Vamos, vai, leia.

N�o, vou ler mais tarde.

N�o quer ler antes d'eu ir?

N�o, n�o agora, n�o t�o r�pido. N�o tenho nada a fazer

- o dia todo. - Bem, vou ao hospital agora.

- Tem algo para eu levar? - Aqui n�o. Mas dar� uma mensagem por mim?

Diga que esperarei todos os dias �s nove na esta��o dos correios

em Genebra, na janela de entrega.

- Voc� entendeu? - Sim.

- Ah, e diga que. . . - Isso ela j� sabe. Mas eu direi.

Obrigado.

Recupere-se r�pido, querida, porque estarei l� te esperando.

Harold, Milton, nada para Kern.

Ruth, � voc�, � voc�! Desde quando est� aqui?

- Desde esta manh�. - Estive esperando e esperando,

daqui para l�, da Fran�a aqui e daqui na Fran�a.

Agora podemos tentar entrar na Fran�a os dois esta noite.

Os dois quartos custam 20 francos, com as refei��es.

Podemos viver assim uns 10 dias. Mas conseguirei trabalho logo.

Paris! � a cidade do amor.

Pode ver a Torre Eiffel, se se ficar na posi��o adequada.

- Professor Meyer! - Estamos olhando a Torre Eiffel.

- Bem! - Marrill disse que tinha chegado.

Estamos todos fugindo, heim? Tive que fugir da Alemanha, depois

da �ustria. Mas nunca me pegar�o em Paris.

- Marrill. - Professor Mayer, o herr Kern.

- O que est� fazendo, Professor? - Corrijo provas. Em segredo, claro.

Para um amigo meu que ensina qu�mica na Universidade.

- Gostaria de ir �s suas aulas? - Ficaria feliz!

- Se conseguisse algum trabalho. - N�o encontrar� trabalho, isso � certo.

Agora, n�o.

- O que quer dizer? - N�o pode trabalhar sem licen�a.

Me disse que era f�cil obter uma na Fran�a.

Isso foi antes da invas�o da �ustria. Desde ent�o, a Fran�a

est� cheia de refugiados, e agora tudo � mais dif�cil.

N�o h� nada que vale a pena vender.

- Peguem suas coisas. - J� as temos prontas!

Steiner!

Chame os seus amigos. Vamos comemorar.

Ah, frango!

Voc� gosta, heim?

Eu adoro frango!

Ei, ovos! E ainda menores!

Desculpe!

Vai parar agora, depois do quarto frango?

J� n�o est� com fome?

N�o posso!

Retire, e sirva a sobremesa.

N�o vai poder.

- � muito bonita, heim? - Sim.

E uma �tima estudante. Devia se matricular na faculdade.

Nestes tempos est� dif�cil, n�o?

Mas, quanto tempo poder� continuar sem pap�is?

Um dia v�o pegar os dois e. . .

- O que podemos fazer? - Casar.

- Mas n�o temos documentos. - Com voc�, n�o. Casar com

- um franc�s. - Sim, isso seria o ideal, mas

- � imposs�vel. - Est� enganado. � poss�vel.

Durant se casaria com ela. Ele mesmo disse.

- Quem? - Durant. Sim, voc� n�o conhece.

� um professor universit�rio. Bom homem, de excelente fam�lia.

Acho que o seu tio � senador. Est� loucamente apaixonado por Ruth.

- Talvez n�o devesse te dizer. - Sim,. . . sim. Somos sensatos.

- Qual � o seu nome completo? - Fran�ois Durant. Espero que n�o. . .

Ah, n�o. N�o. Quero dizer que, se as coisas v�o assim,

- muito bem. Tudo ficar� bem. - Se eu tivesse imaginado.

Mas, se voc� concordar, seria maravilhoso para ela.

Talvez a sua salva��o!

- Conhece o Francoise Durant? - Sim.

- Por qu�? - Voc� gosta dele?

- O que quer dizer? - O que estou dizendo.

- Voc� gosta? - Meyer.

A primeira vez que fica b�bado na vida e que bobagens disse.

N�o estava t�o b�bado como voc� acha.

- Vem aqui, bobo! - Sem brincadeira, falo s�rio!

Ent�o eu irei.

- Vamos, o que �? - Case com ele.

- O qu�? O que disse, Kern? - Case com ele!

Pobre rapaz, que coisa mais louca tem na sua cabe�a.

Voc� deve! Um casamento n�o � uma quest�o de vida ou de morte

mas ter um passaporte ou n�o ter �.

- N�o perca esta oportunidade. - Acho que n�o voltar�

- a me apresentar. - N�o me leva a s�rio.

N�o devia quando fica assim!

- Continua! - Ouve um velhote b�bado

e decide ser um her�i e se livrar de mim sem parar para pensar

o que eu sinto. N�o quero ouvir mais bobagens.

- Por qu�? - Porque eu te amo, idiota!

Eu s� quero voc�.

Agora voc� acredita?

Desculpe. Sei onde conseguir�amos trabalho.

- Trabalho? - Trabalhar em constru��o e

n�o fazem perguntas.

Toca isso, Steiner.

Nada mau.

� uma preciosidade. Comprei em Holt. O melhor de Paris.

Diga-me, conhece algu�m chamado Steiner?

Conhece o Steiner?

O que importa?

N�o h� raz�es para procurar o Steiner.

- � o Steiner? - N�o.

- Por qu�? - Tenho uma carta para voc�.

� da Alemanha.

- Obrigado. - Nada. Feliz em te encontrar.

Tenho outras cartas que n�o encontram destinat�rios.

� sobre a minha esposa.

- Ent�o, . . . - N�o. Fique.

Est� no hospital.

Ainda estava viva h� 10 dias.

Que hospital?

Te dizem na carta?

- Sim. - Certo, ent�o vamos ligar

para o hospital.

Com um nome falso.

- O que �? - Ela foi operada.

E n�o h� solu��o.

O m�dico diz que tem tr�s ou quatro dias.

- Eu irei hoje. - � muito perigoso.

- Tenho um passaporte austr�aco. - Estar� perdido, se cruzar

- essa fronteira. - Estarei perdido

- se a Marie morrer. - Sei que parece desesperado, mas

acho que deve escrever, telegrafar, qualquer coisa.

Mas fique. N�o poder� ajudar mesmo indo at� l�.

Posso v�-la.

Se for se assustar�.

Se me perguntasse, faria tudo para evitar.

Preciso v�-la.

Marie.

Minha esposa. Est� viva.

Seus olhos e seus pensamentos est�o vivos, e eu ainda estou

dentro desses olhos.

E se est� morrendo. N�o ficar� nada dela,

jazer� l�. E n�o ser� nada.

Mas agora. . .

Viver� mais alguns dias. Os �ltimos.

E n�o poderei estar com ela.

N�o h� outra solu��o.

O mundo est� acabando. Se n�o v�-la estarei liquidado.

E morrerei com ela.

N�o h� nada que eu posso dizer, que posso fazer para

te fazer desistir?

Sei como est� a situa��o. Mas se estivesse mil vezes pior

pegaria esse trem, . . . e nada iria me impedir.

Pode entender isso?

Sim.

Se n�o retornar em 10 dias, d� isso para as crian�as.

Vou deixar os tr�s sozinhos.

- Boa sorte. - Obrigado.

Bem, crian�as. . .

Sempre soube que isso aconteceria.

Tchau, Ruth.

At� logo, Kern.

�s vezes as coisas s�o lentas.

E �s vezes, muito r�pidas.

Volte logo!

N�o. . . n�o podemos fazer muito por voc�, mas

tudo o que somos � por voc�.

- Sempre. - Ao trem!

Cuidado.

Ludwig Voc� viu? Est� sempre aqui �s 6h,

n�o sei o que pode ter acontecido!

Venho para dizer.

Foi pego quando sa�a do trabalho.

E enviado para a pris�o de Movese na fronteira.

Onde deportam os fugitivos.

O que esperava? Encontraram ele trabalhando

e n�o h� empregos para o seu pr�prio povo.

Toma.

Escreveu-lhe uma carta.

Diz

para n�o esperar que volte � Fran�a.

- Quer que eu. . . - Que se case com o Durant!

Sim, ele disse. Significa tudo para ele saber que est� segura

- e cuidada. - Cuidada!

Sim, cuidada!

Isso � tudo para gente como n�s!

Voc� pode ser infeliz por um tempo, isso � tudo.

N�o o deixarei!

N�o � uma solu��o, � um fato!

Quando for tarde, descobrir� que os fatos s�o quest�es

- de cabe�a, n�o de cora��o. - Cabe�a e cora��o!

Deixa eu te dizer uma coisa! Me sentia velha e cheia de

suspeitas. E ele me fez jovem e sorrir. Estava desesperada,

n�o acreditava na bondade e na humanidade. Ele me animou

e me encheu de vida.

Sim, fez apenas com seus instintos sinceros. Com seu amor,

se voc� quer saber! N�o aceita nem mesmo o seu cinismo, Leo?

Ler esta carta na qual renuncia a mim?

Isso n�o significa mil vezes mais que todo isso sobre sentimentos,

honra, �xtase e todas essas porcarias?

Sei que tem boas inten��es, Leo e sei que ele mandou

falar comigo, e o amo por isso, mas me pertence e eu

- perten�o a ele. - Desculpe! Mas o que vai fazer?

Vou tir�-lo de l�!

Mas seu sobrinho me garantiu que tinha influ�ncias.

Meu sobrinho est� errado. Eu entendo o seu problema

mas n�o posso fazer nada pelo Sr. Kern.

Se me permite. . . tenho um compromisso.

Se recusar me ajudar, se arrepender�.

Como?

O que vai fazer, senhorita?

Se n�o me ajudar a tirar o Ludwig Kern da pris�o,

- vou casar com o seu sobrinho. - Nem fala! Meu sobrinho est�

- comprometido h� anos. - Se convenceria se o chamasse

- e falasse por ele mesmo? - Por favor!

Percebe que isso � chantagem?

Usar o meu sobrinho!

Bem.

Parece que terei que ajud�-la, se quiser

ou n�o. Te conseguir uma licen�a, senhorita, seria f�cil,

mas seu amigo foi preso. E fazer algo por ele ser� muito

mais dif�cil.

- Seu passaporte, por favor. - Sim.

- Nome? - John Hubert.

- Idade? - 43.

- Data de nascimento? - 29 de janeiro de 1.894.

- Onde? - Green Sant Verd.

- Por que viaja para a Alemanha? - Vou visitar a fam�lia.

- Vive em Paris? - N�o, em Grass.

Fui � Paris visitar um parente.

Quanto tempo pensa ficar?

- Duas semanas. - Tem dinheiro?

- Sim. 500 francos. - Anotarei isso no seu passaporte.

Traz algum jornal ou algum livro?

N�o, nada.

Obrigado.

Ponha-me com o Quartel General da Gestapo em Munique, r�pido.

Com que prop�sito voltou para a Alemanha?

Queria ver a minha mulher antes de morrer.

Que pol�ticos veio ver?

Nenhum.

� melhor me dizer antes que esteja perdido.

Eu j� disse, nenhum.

Com que instru��es voltou aqui?

N�o tenho instru��es.

A que organiza��o pol�tica estava filiado no estrangeiro?

- A nenhuma. - Ent�o como vivia?

Com o dinheiro que ganhava. Como v�, tenho um passaporte

austr�aco.

Voc� ser� levado esta tarde.

Gostaria de pedir algo.

N�o � muito, mas � importante para mim.

Minha esposa ainda vive. O doutor disse que viver� 2 ou 3

dias no m�ximo.

N�o espero. . . simpatia nem favor de nenhuma natureza para mim,

mas gostaria que minha esposa morresse em paz.

Por favor. . . deixe-me ficar um ou dois dias.

- E permitam-me visit�-la. - Nem fala!

N�o posso te dar uma oportunidade assim para escapar.

N�o escaparei! Se algu�m guardar a porta n�o poderei.

N�o pe�o isso por mim, senhor, . . . mas para uma mulher agonizante.

Imposs�vel! N�o tenho autoridade para isso.

Tem essa autoridade! Poderia dar a desculpa que eu posso

dizer algo para minha esposa que lhe interessa.

Pode achar uma enfermeira de confian�a para

- saber o que digo. - Bobagem!

Sua mulher n�o dir� nada. Nem voc� a ela.

Claro que n�o! Ela n�o sabe nada.

Mas morreria em paz.

Coronel. J� interrogou esse homem sobre o caso do grupo 4.

Mas recusou me dar os nomes dos membros.

Acho que n�o h� nenhum jeito de faz�-lo falar,

exceto um. Me d� permiss�o?

V� em frente!

Se te facilito visitar sua esposa por dois dias,

me dar�. . . os nomes dos outros membros do grupo 4?

Sim.

Ent�o me diga.

Me dar� dois nomes hoje. . . e o resto depois de amanh�?

Direi todos os nomes. . . depois de amanh�.

Vou ver o que posso fazer.

Sou eu, Marie.

Josef, amor!

Me abra�a, Josef!

Quero sentir que est� aqui.

Eu. . . sabia que n�o viria. . . mas te esperei durante

- quase. . . - E agora vou ficar com voc�.

N�o deve ficar!

- Deve ir agora, Josef! - N�o tem perigo.

� perigoso!

N�o sabe como tem sido.

N�o vou durar muito mais.

Mas eu

agora posso encarar melhor as coisas.

V� embora, por favor.

Eu arrumei tudo. . . para ficar aqui, Marie.

Haver� uma anistia, e eu estarei nela.

� verdade, eu juro, Marie.

Ningu�m vai saber que estou aqui. Mas, mesmo assim,

n�o aconteceria nada.

Ainda n�o se divorciou?

Como poderia?

Era para a sua seguran�a.

Para que ficasse tudo mais f�cil.

N�o foi ruim.

O povo t�m me ajudado.

� assim que tenho este quarto.

�. . . � mais agrad�vel estar sozinha.

Ficava mais com voc�.

Deve ir.

Virei outra vez amanh�.

Queria me levantar.

E ir com voc�.

Logo quando podia ficar com voc�

tenho que ir.

Por favor, n�o se zangue, minha vida.

Na realidade se aproveitou da minha bondade, Steiner.

Me fez esperar aqui mais de tr�s horas.

Mas afinal de contas, valer� a pena.

Agora terei muito tempo para voc�.

O resto da sua vida, amigo. Em instantes

me dir� esses valiosos nomes como prometido.

Vou dizer agora.

A �nica que pude ajudar, fui eu mesma.

O que significa para mim esta autoriza��o se n�o posso

conseguir uma para o Ludwig?

Estou t�o preocupada que o deportem qualquer dia e

que desapare�a.

- Talvez nunca o encontre. - O que diz o advogado de Durant?

Diz que pode fazer algo para ajudar o Ludwig, mas que

custa dinheiro. Mais do que temos.

Acho que tem. . . o suficiente.

Est� muito enganado, Leo.

Infelizmente. . . n�o estou.

N�o depois de hoje.

Espero chegar antes que o deportem.

H� muito tempo. Todo o dia. . . nunca os fazem cruzar a fronteira

antes do anoitecer.

- Boa sorte! - Obrigado. E adeus!

Ser� levado � fronteira Su��a. Espero que n�o volte.

Assine aqui.

E para o seu bem, n�o volte.

N�o se preocupe, n�o voltarei.

- Revisor, que diabos � isso? - Um deslizamento.

- Quanto ficaremos aqui? - Talvez uma hora.

Kern. . . Kern. . .

Ah, o est�o levando para a fronteira.

- Agora? - Agora!

Onde est�? Onde est�, por favor?

- Onde est� quem? - O prisioneiro Ludwig Kern.

Olha! Me ajudar�o a faz�-lo voltar? Ele ir� e n�o voltarei

- a v�-lo. Eu. . . o perderei. . . - Entendo. Coisas do cora��o.

N�o se preocupe, senhorita. V� atr�s dele e traga-lo, corra!

R�pido, r�pido!

� uma surpresa, heim?

- Est� realmente em ordem? - Absolutamente! Parab�ns.

- O que �? - Olha, por este peda�o de papel

serei uma pessoa respeit�vel, um homem livre que pode fazer

- o que quiser. - Absolutamente.

- N�o � estranho? - O que � estranho?

Ontem era o mesmo homem de hoje, mas ontem tudo estava

- proibido, era ilegal! - Ontem n�o, anteontem.

A data da sua licen�a � de ontem.

Bem, anteontem! Anteontem a minha exist�ncia era um crime

e hoje posso respirar, dormir e viver em paz. Est� tudo bem!

- N�o � estranho? - Nem um pouco. Parece

a regra. Tem direito escrito, carimbado e assinado para viver.

Bem. Est� tudo claro.

Vamos, vamos, sua garota est� esperando.

O dinheiro do Steiner.

Ele disse ao Marril. . . que queria ajudar ficarmos juntos.

- Tem um cigarro? - Sim.

Toma.

N�o teve medo.

N�o teve medo de odiar o mal.

Nunca perdeu a sua dignidade.

E morreu por isso.

Ser� mais f�cil agora. Temos passaportes e podemos

ir onde quisermos. Ir para o exterior,

Am�rica do Sul, talvez. . . Mesmo aos Estados Unidos.

Os Estados Unidos.

A primeira coisa que faremos, ser� casar. Entendeu? Casar!

Talvez n�o tenhamos uma casa por um tempo, mas estaremos juntos.

Essa � uma casa, querido.

FIM.

LEGENDAS : Laercio Tradu��o da legenda em Espanhol

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