All language subtitles for Les.Grands.Esprits.2017.FRENCH.1080p_ptBR

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian Download
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan Download
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional) Download
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish Download
en English Download
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French Download
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German Download
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian Download
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian Download
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil) Download
pt Portuguese (Portugal) Download
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian Download
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian Download
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian
so Somali
es Spanish Download
es-419 Spanish (Latin American)
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

Subpack by DanDee

Vivorum, menimerimus!

Ille habet quod sibi deberatur: honeste vixit, honeste obiit

habet quod queratur?

Ab asse crevit, et paratus fuit quadrantem

de stercore mordicus tollere

Itaque crevit, quidquid crevit, tamquam favus.

Puto mehercule illum reliquisse solida centum,

et omnia in nummis habuit.

De re tamen ego verum dicam, qui linguam caninam comedi:

durae buccae fuit, linguosus, discordia, non homo...

Tamen verum quod fruitus est, quam diu vixit:

datum est qui datum est, non cui destinatum...

Quero que traduzam isso para amanh�,

e tratem de fazer justi�a ao grande poeta que Petr�nio foi.

Vou entregar as disserta��es.

Com elas, descemos �s profundezas da intelig�ncia humana

e ca�mos brutalmente numa terra sombria e rude,

como � a intelig�ncia da pobre No�mie, que mesmo com 4/20

conseguiu progredir, por assim dizer.

Antoine, cinco. Comece a pensar em mudar de col�gio.

Anna. Texto sem nexo, est�pido, pretencioso

e sem conte�do.

Aqui est�: cinco. Por�m o da sua irm�, Louise, � inteligente,

e ao mesmo tempo tem humildade. 15.

Impressionante ter 10 pontos de diferen�a entre voc�s.

Os mist�rios da gen�tica s�o impenetr�veis.

P�n�lope L�ger. Ficou muito superficial.

Ler o seu texto foi um t�dio.

Chausson.

Elvire Chausson. Onde ela est�?

Voc� est� com medo? N�o precisa ter medo. Voc� tirou 16.

Para voc� eu n�o tenho nada a dizer. Moli�re disse isso ao Lagrange.

Ele fazia coment�rios para todos os alunos,

e terminava com o Legrange falando isso.

Era um belo elogio.

Isabelle Jolie. A sua ignor�ncia � comovente.

N�o vou falar a sua nota em voz alta.

Justine Lefranc.

Como sempre, abaixo da m�dia. Seu texto � med�ocre!

Acabei de receber. Pegue. � o seu exemplar.

Obrigado.

"UM PA�S DISTANTE" - PIERRE FOUCAULT

-Esse azul ficou bom. -� moderno. E a foto ficou...

-Ficou boa. -Ficou.

PARA FRAN�OIS, PIERRE FOUCAULT

Muito bom.

Obrigado. Obrigado, pai.

-Marcel Proust? -Eu n�o tenho garfo.

-Quem pegou o meu garfo? -Marcel Proust.

O que Marcel Proust escreveu?

N�o fa�o ideia.

-Pare com isso um pouco... -Estamos jogando.

Como vai indo o seu projeto da casa em Pequim?

� uma resid�ncia, m�e. E fica em T�quio.

Desculpe.

-E vai indo tudo bem na escola? -Perfeito! Cada vez pior.

Organizaram uma confer�ncia. "Estimular o Gosto de Aprender".

E da�?

N�o � para ensinar � para estimular o gosto.

-E da�? -E da� que eu n�o fui.

Para alguns a escola � um inferno.

Voc� aprende coisas desinteressantes e que n�o servem pra nada.

-� verdade. -Eu adorava a escola.

-Mas voc� n�o � normal. -� claro.

Ele n�o � normal, mas cursou o normal.

Hoje em dia, os alunos t�m todos os direitos.

Os alunos e os pais.

Sabem que Pit�goras exigia 5 anos de sil�ncio dos disc�pulos.

Hoje, quando se pede um minuto, precisam ver o que acontece.

LIVRARIA

-O seu nome? -Florence.

Mas � para o meu filho, Charles.

Obrigada.

Alice, esse � o meu filho Fran�ois. Ele � professor de Literatura.

-No Henri IV. -Sei... Tentei entrar l� como todos.

A sele��o era bem dif�cil na �poca, mas n�o � mais assim.

Ainda � um dos melhores col�gios da Fran�a.

� o melhor! Isso prova a queda do n�vel do ensino.

Em Paris ainda existem certos limites, mas na periferia.

O problema da periferia � que mandam professores totalmente inexperientes

que n�o conseguem controlar os alunos.

Eles deviam nomear professores experientes.

� verdade.

� o Jean.

Achei bem interessante o que o senhor falou.

-O que eu falei? -Sobre os professores experientes.

Isso n�o tem solu��o.

Nunca v�o achar um professor disposto

a sair daqui para lecionar na periferia.

Acha mesmo?

Infelizmente, � preciso ter coragem.

Ir para o front � inimagin�vel para a maioria dos professores.

Isso deveria mudar.

-Obrigada. -� desesperador, mas � assim.

-E voc�? Trabalha na editora? -N�o. Eu sou funcion�ria p�blica.

Minist�rio da Educa��o.

-Ent�o, est� no cerne da quest�o. -Esse assunto sempre vem � tona,

mas � complicado.

O que falta � um projeto pol�tico.

Pode ser.

Desculpe, mas preciso ir embora.

Eu adoraria continuar essa conversa um outro dia.

-Se tiver tempo. -Sim, vai ser um prazer.

-Vou deixar o meu cart�o. -Obrigado.

N�o tenho cart�o, mas eu me chamo Fran�ois Foucault.

Eu sei.

At� logo.

Ol�, Sr. Foucault. Eu sou o pai do Tom Rubin.

-T�nhamos hora marcada? -Desculpe, n�o quero incomodar.

Vim falar sobre o zero que deu para o meu filho porque ele colou na prova.

-E duas horas de castigo tamb�m. -Sei, eu entendo.

� que um zero vai diminuir a m�dia dele e...

-Ele devia ter pensado antes. -Mas ele estudou muito.

-E por que ele colou? -Tem raz�o.

� que se o senhor concordar...

Desculpe.

OL�, FRAN�OIS. EST� LIVRE PARA ALMO�AR NA SEXTA QUE VEM?

-Sim? -O senhor podia fazer outro ditado.

Ele pode vir � noite, domingo... Quando o senhor quiser.

Ele adora o senhor. Se desse outra chance, seria...

Se o senhor concordar, claro.

Bom dia, senhor.

Ol�.

Fran�ois Foucault, eu marquei com a Sra. Agathe Kauffman.

� no pr�dio da frente, no primeiro andar.

Tudo bem, Alain. Estamos indo.

-Tem uma bela vista aqui. -� mesmo. Vamos indo?

-Gosta de comida tailandesa? -Gosto. Por qu�?

Tem um restaurante aqui perto bem simp�tico.

Mas n�s vamos almo�ar aqui.

Com o Sr. Ferrault, diretor do gabinete da ministra.

-Ah, �? -�...

-Certo. -Pode me acompanhar.

Eu comentei com ele sobre o seu projeto.

-Projeto? -Ele � um homem encantador.

A Agathe disse que o senhor tem vontade de dar aula na periferia.

E como o senhor, a nossa ministra acredita

que as escolas p�blicas poderiam ser bem melhores,

principalmente as que recebem jovens desfavorecidos.

Essas crian�as sofrem priva��es socioculturais,

mas isso n�o explica o fracasso desses alunos.

N�o podemos dizer que � por falta de capacidade. � inadmiss�vel, n�o �?

A sua ideia � a mesma da nossa ministra:

convencer professores experientes a lecionar na periferia.

N�o sei se estou entendo.

Sr. Foucault,

n�s precisamos de um homem como o senhor.

Um professor em�rito com o aval de um grande col�gio parisiense

porque � uma reforma delicada.

O senhor conhece o sindicado.

Se mudarmos a cor do giz, tem uma revolu��o.

Eu entendo, mas sinceramente

acho que sou muito mais �til no Henry IV do que na periferia.

Bem...

Seria uma miss�o de um ano.

Alain?

Com licen�a.

-Preciso de voc� no meu escrit�rio. -Certo.

Sra. Ministra, quero apresentar Fran�ois Foucault,

filho do Pierre Foucault.

Eu sou uma grande admiradora do seu pai. Li todos os livros dele.

-V�rias vezes. -Agrade�o por ele.

Bem, vou me retirar. Obrigada pela sua colabora��o.

Estou esperando.

Concretamente...

Como...

-Como posso ajudar voc�s? -� muito simples.

Fazendo um relat�rio falando da sua experi�ncia,

para justificar a import�ncia dessa reforma.

E para conseguir o apoio da opini�o p�blica.

-E do sindicato. -Exato.

ESCOLA BARBARA LIBERDADE - IGUALDADE - FRATERNIDADE

Viu os hor�rios? Per�odo de tr�s horas.

Tudo bem.

Ol�. Eu sou o Fran�ois Foucault. Sou o professor de Literatura

e estou feliz de me juntar � equipe de voc�s.

Queria que soubessem.

-Gaspard. Matem�tica. -Prazer.

Seb. Educa��o F�sica.

R�mi. Hist�ria e Geografia. Seja bem-vindo.

Chlo�. Hist�ria e Geografia.

Eu me chamo Camille.

M�sica.

Voc� que veio do Henri IV.

Certo.

-� uma grande mudan�a. -Certamente.

Se precisar de alguma coisa, � s� avisar.

Faz cinco anos que estou aqui.

S� vou dar um conselho: imponha respeito aos alunos logo de cara.

Sen�o eles v�o devorar voc�.

Eles s�o carn�voros.

Vamos fazer sil�ncio?

Sil�ncio!

Sil�ncio, por favor.

Bom dia a todos. Entrem na sala.

-Bom dia, senhor. -Bom dia para voc�.

Sil�ncio.

Sil�ncio!

Eu me chamo...

-Fran�ois Foucault. -Fala, Jean-Pierre Foucault!

Que piada...

Sil�ncio. Sil�ncio!

Eu sou o professor de Franc�s de voc�s

e tamb�m o professor supervisor.

Eu nunca lecionei nesse tipo de escola.

Eu dava aula num col�gio...

num col�gio parisiense. Hoje � o meu primeiro dia aqui...

Ele fala pra caramba...

Estou muito feliz de estar aqui.

Vamos fazer a chamada.

Fanta Sibi. Sibi Fanta.

Obrigada.

Aval ou Aual Sissoko.

� Awal sonso!

Desculpe. Awal... Deve estar errado aqui.

-� Sonso o seu sobrenome? -N�o, � Sissoko.

Certo. Desculpe...

A pr�xima � Donia Ionesco. Ionesco...

-Esse n�o d� para esquecer. -Por qu�?

� um grande escritor.

Ionesco. Eug�ne.

-Ionesco? -N�o conhe�o.

Vou dar um pequeno ditado para poder fazer uma avalia��o.

-Eu n�o vou escrever nada! -Sil�ncio.

Sil�ncio!

"Quando era pequeno, eu sempre tinha...

-um ou dois lagartos..." -Que hist�ria � essa?

"Lagartos... na minha mesa.

Era um menino esquisito, o meu irm�o Jacques,

que vinha beber na colher do Goujon".

Ponto final.

N�o vamos come�ar o ano assim! O pr�ximo que falar, vai pra fora!

N�o � nada. � o Sr. Goupil.

-Me desculpem... -Foi nojento.

-O que est� procurando? -O meu celular.

O meu celular.

-Quem mandou voc�s levantarem? -Tocou o sinal.

Eu sei, mas ningu�m sai enquanto eu n�o achar o meu celular.

Que celular?

Andem logo. N�o vamos come�ar o ano assim.

Sentem-se!

-Vamos, sentem-se! -Temos aula agora.

N�o interessa!

Sentados.

Em sil�ncio. Estou esperando.

A gente tem outra aula.

Fala s�rio!

Esperem...

Tudo bem. Podem sair!

-Acha que a gente � ladr�o? -N�o...

N�o chamei ningu�m de ladr�o.

Calma, por favor.

Senhor? Vai ficar aqui quanto tempo?

Saia.

Pronto, minha leoa.

-Piranha, venha. -Piranha?

N�o fa�a besteira. O titio n�o est� contente.

Venha ver como a casa do titio Fran�oise � legal.

Minha fofura... Quer segurar um pouquinho?

Voc� vem busc�-la quando?

-Quando eu voltar do Jap�o. -Volta quando?

-Daqui... a dois meses. -O qu�?

Por que n�o deixou a gata com o seu ex?

Viu como ele � malvado?

Arranhe bastante o sof� dele.

-Obrigada, Fran�ois. -De nada...

Aur�lie-Patience Diallo. N�o valeu, eu olhei.

Akouri Mahmoud Khan.

Dieumerci Zingi Vuale Kina.

Dieumerci Zingi Vuale Kina, voc� vai mudar de lugar com

a Aur�lie-Patience Diallo,

que vai sentar no lugar da Seydou Ndombele Wampasi.

Entendeu o que eu falei, Dieumerci Zingi Vuale Kina?

Ou vai precisar de...

Aten��o, Mahmoud...

Mahmoud... N�o acredito nisso!

ESCOLA BABARA

Ela constatou que o n�vel dos alunos � p�ssimo.

-Grande novidade. -Ela, quem?

A minha inspetora.

Ela pede que esse n�vel seja o mesmo exigido no pa�s todo.

Ela est� fora da realidade.

-Bom apetite! -Obrigado.

Tudo bem?

Convoquei meu primeiro CD. Inaugurei a temporada.

-Para quem? -Moussafia, 3� ano 2.

Ela � uma peste mesmo.

-Quer sentar? -Vou sentar com a Audrey.

-O que � CD? -� um CD.

-Conselho Disciplinar. -Ah, sei... Convocam muito aqui?

N�o sei. �s vezes tr�s por dia, �s vezes nenhum por 15 dias.

Mas isso � raro.

-Depende da �poca. -Mais vezes durante o inverno.

-Entendi... -Ningu�m aguenta.

-N�o tinha isso no Henri IV, n�? -N�o, n�o que eu saiba.

Parem com isso! Chega!

-Foi essa vaca que come�ou. -Cala boca! N�o fiz nada.

-Chega! Obrigado, Sr. Goupil. -De nada.

Escutem, senhoritas...

usando a viol�ncia, quem recebe o golpe mais violento s�o voc�s.

Um golpe contra a moral que vai deixar marcas.

Isso � falta de respeito m�tua e contra voc�s mesmas.

Entenderam?

-Por que eles vivem fazendo... -� o "chupa".

Depois eu explico. Venha.

-Pare com isso. -Eu s� dei risada.

-O que est� fazendo nesse lugar? -� o meu lugar.

N�o � n�o. N�o coloquei voc� do lado da Maya Diallo.

-Ele est� a fim dela. -Estou nada!

-Como? -Ele acha que ela � mulher dele.

-N�o sou mulher de ningu�m. -Agora chega!

Seydou Ndombele Wampasi, v� para um lugar que eu indiquei para voc�.

-Voc� est� no lugar da... -Da Cindy.

-Isso, da Cindy. -Ela n�o veio.

Isso n�o � motivo. V� sentar no seu lugar!

N�o me obrigue a gritar. Eu detesto isso.

-Eu tamb�m detesto. -Sem coment�rios. Ande!

-Me d� a sua caderneta. -N�o tenho.

Precisa trazer sempre. Ela � a sua carteira de identidade aqui.

Eu n�o tenho carteira de identidade.

Eu vim pra c� de barco.

-Onde est� a sua caderneta? -Na minha mochila.

Entregue para mim, por favor.

N�o sou seu cachorrinho. Se quiser, vem procurar.

-N�o mexo nas mochilas. -Isso n�o � problema meu.

Se n�o me der a caderneta, isso vai acabar muito mal.

Vou contar at� tr�s. Entendeu?

Um...

dois...

Tr�s. Vai fazer o qu�? Me bater?

Isso n�o vai ficar assim.

Sabe quem � a Rim Hadjab?

� claro.

Ela fez a m�e acreditar que ela tinha tirado zero porque n�o errou nada.

Agora ela n�o quer cantar. N�o sei o que fazer.

Deixa pra l�. Ela vai sair este ano.

Tudo bem?

-E com voc�, tudo bem? -Tudo. Muito bem.

Voc� deve saber...

controlar os alunos.

� apenas uma quest�o de experi�ncia.

� o que me falta.

Os alunos s� respeitam voc�

se sentem que voc� � inflex�vel,

que n�o vai deixar passar nada.

Isso n�o � novidade.

-O que foi? Algo errado? -N�o... S� estou cansada.

-Se quiser, posso dar uma carona. -Claro... Quer dizer, n�o.

-N�o � inc�modo nenhum. -N�o? � muita gentileza.

Tudo bem. Gaspard?

O Fran�ois ofereceu carona. J� terminou?

Muito gentil.

Estou indo. Obrigado.

Obrigado. Legal voc� dar carona.

N�o � muito longe, mas o metr� � lotado.

No ano que vem, acabar�o os nossos problemas.

-Voc� pediu transfer�ncia? -N�o...

N�s vamos morar no Canad�.

Cansei da Fran�a.

Chega de me matar de trabalhar com idiotas que nem sabem somar.

Por favor, Gaspar.

Vai ser legal.

Vamos dar uma festa l� em casa no fim de semana.

-Se estiver a fim, � bem-vindo. -Muito obrigado.

-Mas vou estar ocupado. -Que pena... Vai ser bem legal.

Oi... Boa noite.

Que bom que voc� veio!

� legal misturar gera��es. N�o se ofenda. � um elogio.

Eu entendi.

Temos todos a mesma idade.

Mas n�o na mesma �poca.

-Legal voc� ter vindo. Pegue. -N�o, obrigado.

-O que � isso? Voc� ia me explicar. -� o "chupa"!

Se o aluno faz isso, � um insulto grave. Mas se voc� fizer isso,

ganha o respeito deles o resto ano. S�o c�digos deles.

Oi.

Obrigado.

-Est� a fim? -N�o, obrigado.

Vamos dan�ar.

-Tudo certo a�? -Tudo.

O que � um ep�teto?

Rim!

-Tire o seu casaco, por favor. -Estou com frio.

J� cansei de falar que precisam ficar � vontade para estudar.

-Mas eu estou � vontade. -Rim!

Vamos l�, ande logo. Tire esse casaco.

FODA-SE A POL�CIA

-Vista o casaco de novo, por favor. -Por qu�?

Voc� entendeu. Vista o casaco de novo.

Bom, n�s j� vimos que o ep�teto est� associado a um substantivo

geralmente sem uma preposi��o.

� um adjetivo qualificativo que n�o est� ligado ao substantivo

por um verbo.

Seydou?

-Tudo bem? Estou incomodando? -N�o, tudo bem.

Est� de brincadeira?

-N�o estou fazendo nada. -Por isso chamei voc�.

-Voc� est� dormindo. Entendeu? -N�o estou atrapalhando ningu�m.

-Sente direito imediatamente. -N�o enche o saco!

O que � isso? N�o fale assim comigo!

Seydou Ndombele Wampasi.

Para fora! Saia imediatamente!

Saia!

Ele n�o pode sair sozinho. Posso acompanhar?

Fique sentado.

Moussa!

Acompanhe o Seydou at� a diretoria.

-Moussa! -Eu sou o Arnaud, senhor.

RELAT�RIO DISCIPLINAR

Ele foi mal-educado?

-De quem est�o falando? -Seydou Ndombele.

-Ele disse "n�o enche o saco". -Esse merece ir para o Conselho.

-Existem outras solu��es. -Eu pensei em chamar os pais dele.

Bom, Seydou...

sabe que j� aprontou muito nesta escola.

Nem sei por que continuamos com voc� aqui.

Sabia que � muita sorte ter aula com o Professor Foucault?

Ele veio do melhor col�gio da Fran�a.

Por que acha que ele est� aqui?

Para ajudar voc�.

E voc� dorme na aula dele.

E o pior � que ainda foi mal-educado com ele

com um insulto: "n�o enche o saco".

Quem voc� pensa que o Sr. Foucault �? Seu amigo?

Voc� merecia ir para o Conselho Disciplinar.

Seydou, obrigado. Pode sair.

O que sugere como puni��o?

O Conselho Disciplinar.

Concordo. N�o podemos aceitar esse tipo de comportamento.

Desculpe, mas eu n�o sei se isso seria apropriado.

Ele est� com problemas. A m�e dele est� muito doente.

N�o � desculpa para o que ele fez.

Sr. Foucault?

N�o tenho a sua experi�ncia em casos assim,

mas precisamos punir essa atitude intoler�vel.

Eu concordo.

Talvez uma suspens�o seria suficiente. Um dia, por exemplo.

Suspens�o? Se o Sr. Foucault concordar,

eu poderia evitar o Conselho desta vez, mas um dia � pouco.

� verdade.

Uma semana?

Sim, uma semana.

Conhece as diretrizes da escola?

Mesmo que o aluno responda errado, d� um ponto para incentivar.

-Isso � uma cretinice! -Eu sei.

-Voc� n�o est� aqui pra pensar. -Tem 5 erros por linha.

Pode dar nota 1. Pela tinta.

O Mamadou foi expulso? Ele nem passou pelo Conselho.

O pai mandou ele de volta pra �frica como castigo.

Mas que coisa absurda!

Agora os pais expulsam os filhos.

Sma�n...

Um.

Jade, um.

-Marvin, um. -Obrigado, senhor.

-Bom, eu fui generoso. -Eu sei, senhor.

Devido ao n�vel preocupante, de voc�s, para n�o dizer mais,

eu decidi que voc�s v�o ter que estudar nas f�rias de Natal.

Na primeira semana de janeiro

voc�s v�o fazer os exerc�cios de sequ�ncia l�gica 1 e 2,

que est�o no livro, da p�gina 8 at� a p�gina 31.

O qu�? Como assim? N�o, n�o... Eu n�o concordo!

-Voc� quer o qu�? -� muita coisa!

Nas f�rias ningu�m trabalha.

Tem raz�o, mas n�o � trabalho. � para subir o n�vel de voc�s.

A gente est� bem assim.

Fale, Marvin.

No �ltimo dia a gente pode fazer uma festinha?

Essa foi a melhor.

-Por que est� rindo? -Est� brincando, n�o �?

-S� um festinha. -Ent�o, n�o � brincadeira.

Acha que est� onde? No jardim da inf�ncia?

Voc�s n�o t�m nenhum senso de realidade. Nenhum.

Chlo�?

O que est� acontecendo?

Todo come�o de ano eu falo que vou fazer maravilhas,

mas nunca consigo.

O problema � o 3� s�rie.

Se sou boazinha, eles abusam e se sou en�rgica, eles se revoltam.

-Tenho a impress�o que voc�... -Eu?

Se voc� soubesse...

Amanh�, f�rias!

Tudo bem com voc�?

Senhora?

-Amanh� pode ter m�sica na festa? -Pode.

Mas n�o muito alto. Porque da �ltima vez...

Tudo bem. Obrigado.

Vai fazer festa pra eles?

Eles gostam. Fica um clima legal e eu me acalmo.

J� me recuperei de situa��es bem s�rias assim.

Fran�ois, o que acha da festa?

Festa para o 3� ano? N�o tinha pensado nisso.

-L�gico! N�o � jardim da inf�ncia. -Cada um tem seus m�todos.

Posso provar seu bolo?

-Posso pegar? -Pode, vai.

Esse bolo � aquele com haxixe.

E a�, Marvin? Conseguiu a sua festinha.

-Obrigado, senhor. -De nada.

A gente pode colocar uma m�sica, por favor?

-Pode, mas n�o muito alto. -Senhor!

Quer bolo?

Quero. Obrigado, Seydou.

-Est� muito bom.. -� bom, n�?

-Foi voc� que fez? -Eu adoro fazer bolos.

-Voc� pode ser doceiro. -Eu n�o quero ser doceiro.

Engra�ado...

Voc� est� ferrado.

Est� bem gostoso.

Fiquem sentados.

Com licen�a, Sr. Foucault.

Vim informar que o Oscar Fournil, da 5� s�rie foi expulso definitivamente

porque ele disparou o alarme de inc�ndio.

Acham engra�ado? Foi a quarta vez este m�s.

� perigoso, n�s perdemos tempo e n�o perdoamos isso. Entenderam?

-Sim, senhor. -�timo.

Estamos fazendo uma festinha para comemorar...

Quer bolo?

Pegue um pedacinho.

-Foi o nosso amigo Seydou que fez. -N�o! N�o fui eu que fiz.

Aproveitem as f�rias para voltarem descansados.

E calmos.

Sr. Foucault.

Calmos...

Ele falou: "N�o vou esquecer, mas fique esperto".

-� mentira. -Juro pela minha m�e.

"Est� no Alcor�o", ele disse.

Ele falou mesmo. "Eu n�o quero ir!"

Neve! Est� nevando!

Est� nevando!

Boas f�rias.

Bom, n�o � nada grave. Foi uma queda de press�o,

com uma pequena dose de THC.

Tetraidrocanabinol.

-Como �? -Tudo bem. Eu conhe�o os professores.

Eu n�o tenho nada contra a maconha, mas n�o pode abusar.

N�o se preocupe. Eu sou m�dica, n�o sou policial.

Quer dizer que me drogaram?

Isso mesmo. Vamos dizer isso.

Pode sair hoje � tarde.

-Chegamos. -Como vai a minha Piranhinha?

Espere...

-Foi tudo bem? -Muito bem, � claro.

Ele foi muito malvado com voc�?

Viu? Ela rosna quando n�o est� contente.

Obrigada. Muito obrigada.

-Tudo bem? -N�o.

N�o aguento os alunos daquela escola. N�o consigo ensinar nada.

Na minha classe ningu�m quer aprender nada. Nada!

Eles n�o querem aprender ou voc� n�o desperta interesse neles?

Na verdade, sou tolerante demais com eles.

Parece o papai.

-Bom... At� mais. -Desculpe. Fran�ois!

Me desculpe. Fran�ois!

Fran�ois, espere...

Sil�ncio, por favor.

Fiquem em fila.

Em fila!

Entrem em fila e com calma.

-Ol�, senhor. -Ol�.

Feliz Ano Novo, senhor.

Desculpe.

Peguem as suas coisas.

Sil�ncio!

Coloquem os cadernos na carteira.

Em sil�ncio!

Seydou Ndombele Wampasi, uma hora de castigo.

-D� a sua caderneta. -O que foi que eu fiz?

-Duas horas de castigo. -Mas eu n�o fiz nada!

Quatro horas!

Marvin Tour�, uma hora de castigo. D� a sua caderneta.

Pensa que eu n�o vi?

Uma hora de castigo.

De agora em diante, n�o vou deixar passar mais nada.

Quem se comportar mal, vai para o Conselho Disciplinar.

E vou pedir a expuls�o definitiva.

Est� claro?

Fa�am a li��o.

Esperem o meu sinal.

Podem ir.

Me esperem! At� logo, senhor.

Fique aqui.

-O que tinha no seu bolo? -Que bolo?

Eu n�o fiz nada.

Voc� n�o entende nada.

Absolutamente nada. Olhe para mim.

Voc� � um idiota.

Um imbecil. Voc� vai acabar sendo expulso da escola.

E vai parar na rua.

Voc� vai vender drogas, roubar, assaltar e vai acabar na cadeia.

Esse � o seu futuro.

Voc� s� tem capacidade para isso!

Pobre idiota...

Saia daqui! Ande.

Seydou? Seydou?

N�s "poderemo".

Falta um "S".

-Levante a m�o quando quiser falar. -Mas est� faltando o "S".

A quest�o n�o � essa.

V�s podereis e eles poder�o.

Obrigado, Marvin. Pode voltar ao seu lugar.

-Fale, Seydou. -Posso ir mijar?

Perd�o?

Juro pela cabe�a da minha m�e. Preciso mijar.

N�o sei se voc� entendeu o que acabou de dizer.

Estou com vontade de mijar.

Mais precisamente...

Vamos fazer um exerc�cio de gram�tica.

Voc� me disse: "Pela cabe�a da minha m�e, eu preciso mijar".

Qual � a fun��o da frase "pela cabe�a da minha m�e"?

� um complemento circunstancial de lugar.

-Que saco essa gram�tica! -J� deviam ter aprendido isso.

E a que verbo ele est� associado, Seydou?

Eu sei l�!

Ao verbo "mijar".

Tudo bem. Posso ir agora?

Para ficar mais claro, vamos mudar a ordem das senten�as,

e voc�s v�o ver que isso n�o modifica o sentido da frase,

porque � um grupo m�vel. Ent�o, vamos ter:

"Eu preciso mijar"... Onde?

"Pela cabe�a da minha m�e".

-Eu n�o sei se a sua m�e gostaria. -O que o senhor falou?

Eu n�o falei nada, voc� falou.

Calma, calma! Voltando ao futuro, eu quero...

Saiam em ordem.

Saiam em ordem, por favor.

Saia, Seydou. � obrigat�rio.

Seydou?

Saia j�.

Est� querendo o qu�?

Saia!

E se n�o foi um aluno que disparou o alarme?

Se for um inc�ndio mesmo?

Est� querendo o qu�? O Conselho Disciplinar?

Saia!

-Por que voc� nunca me obedece? -Por que falou mal da minha m�e?

Eu n�o falei mal da sua m�e. Foi um exerc�cio de gram�tica.

Um pouco ir�nico.

Para mostrar que nem sempre falamos o que pensamos.

A gram�tica nos faz entender o que falamos. � importante.

Eu n�o estava ofendendo a sua m�e.

Com voc� nunca � f�cil, Seydou.

Poderia ser bem simples, sabia?

Se prestar aten��o e fizer todos os deveres,

vai ficar tudo bem. Voc� vai ver.

Voc� vai tirar notas boas.

Isso n�o � poss�vel.

-�, sim. Eu garanto que �. -O senhor sabe que n�o � poss�vel.

Ah, �? E por que n�o?

Porque eu sou idiota, n�o �?

Voc� nem imagina...

Voc� teve uma vida tranquila, mas pra outros a vida � dura.

Os alunos acumulam notas baixas, humilha��es e se sentem idiotas.

Isso est� enraizado bem fundo neles.

Voc� conhece o conceito de "resigna��o adquirida"?

� inacredit�vel.

Voc� enche um aqu�rio de �gua e separa no meio por um vidro.

De um lado voc� coloca um peixe-pike jovem faminto.

Do outro, um punhado de peixinhos.

O pike vai tentar devorar os peixinhos na hora.

A cada tentativa, ele bate no vidro.

Depois de um tempo, ele v� que n�o adianta e para.

Ent�o, voc� tira o vidro,

e os peixinhos v�o poder nadar em seguran�a em volta dele.

Ele vai desistir.

Por causa do fracasso, ele vai se resignar.

Voc� est� falando de peixes.

Fizeram essa experi�ncia com v�rios outros animais e com humanos.

Conhece a experi�ncia dos anagramas?

-Anagramas? -Charisse Nixon, conhece?

Professora de faculdade.

Voc�s sabem o que � um anagrama?

Anagrama � um jogo que consiste em encontrar uma palavra

dentro de outra modificando a ordem das letras.

Vou dar um exemplo. Eu pego a palavra "balas",

e nessa palavra eu encontro a palavra "balsa".

Pronto!

Ficou claro para voc�s o que � um anagrama?

Agora, virem a folha que est� na carteira,

olhem a primeira palavra, procurem o anagrama

e, quando acharem, levantem a m�o.

E os outros? Procurem, procurem!

Estamos procurando.

ARTE - TEAR MAI�SCULA - CACHORRO

Abaixem a m�o.

Concentrem-se na segunda palavra.

Assim que encontrarem, levantem a m�o.

Eles devem estar colando.

Esque�am as duas primeiras.

Olhem a terceira palavra.

Quando encontrarem, levantem a m�o.

CACHORRO - ARROCHO

Isso � imposs�vel.

Chega. Vamos parar.

Tem uma explica��o para isso.

Na verdade, eu dei duas listas diferentes.

A primeira metade da classe, esta aqui,

recebeu palavras bem f�ceis.

Para voc�s aqui, eu dei palavras imposs�veis.

As duas primeiras n�o t�m anagramas.

Com "champignon" e "mai�scula", n�o d�.

� por isso que n�o encontraram o da terceira.

Mas era a mesma palavra para os dois grupos.

O que aconteceu?

O que pensaram ao ler a terceira se era a mesma palavra?

Eu fiquei com raiva.

Eu fiquei com �dio.

Deu vontade de ir embora.

Isso � normal.

Diante do fracasso, n�s nos conformamos.

Resumindo, o rato � inteligente porque

o aluno acha que ele � inteligente.

Com os alunos � a mesma coisa.

Eles v�o aprender mais se os professores acreditarem neles.

Querem saber de uma coisa? N�o existe aluno ruim.

Jean, esqueceu o casaco.

Eu detesto o 4� ano 5.

Sinceramente, metade dos alunos s�o in�teis.

Tenho aula agora.

Estou com fome.

Tudo bem?

Eu tenho uma grande ambi��o para voc�s.

Eu gostaria que voc�s conseguissem ler um livro.

O qu�?

Um livro inteiro.

Desde que o homem existe ele conta hist�rias.

Essas hist�rias ele registra nos livros.

� assim que ele constr�i a sua vis�o do mundo.

Cada um de voc�s tem sua vis�o do mundo transmitida por seus pais,

mas originalmente ela foi baseada nos livros.

Todas as grandes religi�es foram baseadas numa hist�ria,

metade inventada, metade real.

Seja a B�blia, o Alcor�o, ou o Bhagavad Gita.

-O qu�? -O Bhagavad Gita. N�o conhece?

Dos indianos.

Ela � mais engra�ada que as outras religi�es?

Todas as religi�es s�o iguais.

Para entender qualquer coisa sobre a hist�ria da humanidade,

� preciso ler livros.

O primeiro romance, por exemplo, "Il�ada" e "Odisseia", de Homero.

Os gregos. Sabem alguma coisa dos gregos?

Eles fazem kebab!

N�o falou besteira.

O kebab e o livro t�m uma coisa em comum:

os dois nos alimentam. "O esp�rito que n�o l� emagrece

como um corpo que n�o come". Sabem quem escreveu isso?

Hugo. Victor Hugo.

-Sabem alguma coisa de Victor Hugo? -Eu sei...

Pode levantar a m�o, mas n�o me fale de boulevard nem ponto de �nibus.

-Victor Hugo � um escritor. -Isso mesmo. Muito bem.

O que Victor Hugo escreveu?

Digam um livro.

"Os Miser�veis".

N�o conhecem "Os Miser�veis"?

-Cosette, Jean Valjean... -Que nomes doidos s�o esses?

Nomes doidos? Sr. Fauchelevent, Gavroche...

Gavroche � nome de cachorro.

Bom, n�o vou insistir.

Fui inocente ao achar que iam se interessar por uma bela hist�ria,

mas me enganei. Continuem nas sombras.

Nas sombras da ignor�ncia e da indiferen�a.

N�o faz mal. N�o vamos fazer nada.

N�o leiam nenhum livro. Pior para voc�s.

Por que jogou os livros no ch�o? Tamb�m vamos jogar os nossos.

Estamos quites. O senhor jogou os livros, n�s jogamos os cadernos.

Agora que est� tudo no ch�o, o que vamos fazer?

O que interessa voc�s na vida?

-Notici�rio policial? -Como assim?

Hist�rias violentas, hist�rias da vida que contam na TV.

Por exemplo: a hist�ria de um homem que ficou 19 anos

-porque roubou um peda�o de p�o. -O qu�?

Ou a de uma menina escravizada por um casal de comerciantes canalhas.

Ou de uma jovem t�o pobre que foi obrigada a vender os dentes.

Ou de um menino morto por duas balas enquanto estava cantando.

Por isso voc�s se interessam?

Todos esses personagens,

esse homem que ficou 19 anos preso � o Jean Valjean,

essa menina escravizada � a Cosette,

e esse menino morto por duas balas � o Garroche,

que tem nome de cachorro, com voc� disse.

-Todos eles s�o de "Os Miser�veis". -Tem um filme, n�o �?

-Tem v�rios filmes. -Se tem filme, pra que ler o livro?

Uma coisa n�o impede a outra. Podemos ler o livro e ver o filme.

E comparar.

Muito bem. N�s vamos conhecer todos os personagens

e todas as intrigas.

Voc�s v�o ver. Eles v�o virar fam�lia para voc�s.

Voc�s n�o v�o parar de falar deles. Voc�s v�o cansar os amigos.

O seu kebab.

Quem n�o tem?

Devagar!

Livro n�o � um objeto sagrado. O que est� dentro que � espiritual.

Pegue. Voc� estava com fome.

Maya, isso vai alimentar voc�. � um belo p�o.

Todos os meus ditados v�o ser trechos de "Os Miser�veis".

Eu vou dar os nomes dos cap�tulos e os n�meros para voc�s lerem.

Com isso, suas notas v�o melhorar.

Certo? Vai ser divertido, n�o?

Muito bem.

� fascinante em todos os n�veis. Linguagem, estilo e hist�ria.

Como eles v�o ler "Os Miser�veis", podemos usar m�todos cruzados...

Quer uma liga��o entre as mat�rias?

� uma boa ideia. Eu posso fazer...

um cronograma da vida de Jean Valjean.

-Sim... Por que n�o? -Tive uma ideia.

Que tal organizar uma excurs�o com os �ltimos anos?

Excurs�o com os alunos?

Sim.

Mas n�o vai ser f�cil.

N�o tem ningu�m. Vai, vai...

-Essa porta rangendo. -Para de fazer barulho.

-Merda! -Que idiota!

-S�o os textos do ditado. -Fotografe todos.

Quieto!

-R�pido! V�o pegar a gente. -Pra que tantos ditados? Que saco!

-� um saco, mas fotografe todos. -Como a mala estava? Como?

-Deixa assim mesmo. -Ficou doido?

-Vem logo, anda! -Que se dane!

-Voc� fotograva bem. -Legal!

Tem que fazer uns erros.

Fazer erros � f�cil. A gente nunca tira nota boa.

Meus dois trapaceiros!

Seydou Ndombele Wampasi e Marvin Tour�.

Belo trabalho! Personagens vivos e sens�veis. Gostei muito.

Podem voltar aos seus lugares.

Obrigado. Eu corrigi os ditados e tamb�m fiquei bem contente.

Youssef, muito bem. Continue assim. 11.

Muito obrigado, senhor.

Awal, precisa se esfor�ar mais. Est� melhor. 8.

Lucas, est� bem melhor. Ainda n�o est� bom, mas melhorou. 9.

Seydou Ndombele Wampasi...

18. Nota mais alta. Excelente. Viu? Quando voc� quer...

Como conseguiu isso? � sensacional.

Bom, eu li o cap�tulo do livro como o senhor pediu.

E a�? Voc� gostou?

Voc� gostou?

Gostei sim...

-� cansativo. -� cansativo, mas vale a pena.

Maya Diallo. N�o foi bem. Eu esperava mais.

Voc� errou todos os plurais. 6.

E o Marvin, ele tamb�m chegou ao topo com 18.

Obrigado, senhor. N�o foi nada f�cil.

-Eu sei. Por isso merece elogios. -Obrigado, senhor.

Hanan, voc� melhorou. Tirou 11, n�o foi mal.

Seydou!

Ele corre atr�s dela faz tempo. Com tanta perseveran�a,

ela vai se apaixonar por ele.

Para com isso!

Pessoal da 5� ano 2, venham!

Pessoal da 4� ano 5, venham! Rim, v� na frente.

Seydou! Venha aqui.

Ela quebrou o meu bast�o.

Deixe esse galho rid�culo a�. E agora acalme-se.

Eu estou muito contente com voc�. Suas notas nos ditados foram �timas.

-Continue assim. -Pode deixar, senhor.

Eu quero que escolha um livro para apresentar na classe.

N�o...

-N�o vale a pena. -� claro que vale!

N�o gosto de falar pra classe.

Mas vai ter que falar. N�o quero que leia um livro de 300 p�ginas.

Pode ser uma hist�ria pequena. Por que n�o?

Para com isso!

Seydou, por favor... Quer um conselho?

Se quiser "pegar uma mina", como voc�s falam,

bater nela, chutar e correr atr�s n�o � um bom m�todo.

-At� parece que entende disso. -Eu sei de uma coisa.

Se quiser que a Maya se interesse por voc�, precisa deix�-la espantada.

Fa�a alguma coisa que a surpreenda. Uma coisa bem marcante.

-Marcante. Entendeu? -Sei... Mas marcante como?

N�o tem nenhuma ideia?

-Escreva um poema, por exemplo. -Um poema?

-Isso seria bem marcante. -� mesmo. Vai ver o resultado.

Vamos l�. Ao trabalho!

Preciso achar um... Este � legal! E tem dois volumes.

Engra�adinho...

Vem c�!

Espera.

Como tirou nota alta nos ditados?

Como tirou nota alta nos ditados?

-Fiz o que o professor mandou. -Deixa de ser mentiroso!

Tem sacanagem a�. Voc� � muito burro.

Juro que n�o fiz nada.

Eu tamb�m queria tirar notas boas.

Se voc� me contar como voc� conseguiu...

eu mostro meus peitos.

Pare de pensar. � um bom trato, n�o �?

Vai logo!

O que ela queria?

O que ela queria?

Ela quer sair comigo.

Que safado! E a�?

Eu falei que ia pensar, que tinha outras a fim.

Vamos come�ar as apresenta��es!

Que livro voc� escolheu?

O livro de um escritor americano.

Ernest Hemingway.

O t�tulo � "For Sale: Baby Shoes, Never Worn".

Quer dizer, "Vende-se: Sapatos de Beb�, Sem Uso". � isso.

-E a�? -Esse � o livro.

Como assim?

O livro tem seis palavras. � o menor do mundo.

-Que besteira... -� um microconto.

� isso mesmo. Microconto.

-E o que mais? -S� isso. Eu li o livro.

O que pode dizer? Por que Hemingway reduziu o seu texto a seis palavras?

Ele estava com pregui�a.

-E o que mais? -Ele apostou US$10 com os amigos

que conseguia escrever um conto com seis palavras.

Ele pegou um papel e escreveu "Vende-se: Sapatos de Beb�, Sem Uso".

Ele pegou o dinheiro e deu o fora.

Qualquer um consegue fazer isso. At� eu.

Fale, Rim. Estamos ouvindo.

"Vende-se: dois chinelos novos, da Arg�lia".

-Ficou bom. -Me d� 10 euros a�.

"Vende-se: caneta de quatro cores".

-Agora me d� meus 10 euros. -N�o, Marvin.

Tem s� cinco palavras.

Seydou, o que pode nos dizer sobre essa obra?

Hemingway dizia que essa era a hist�ria mais bonita dele.

-Por que ele dizia isso? -Porque a frase abria a imagina��o

e pod�amos inventar v�rias hist�rias.

� o que vamos fazer.

Leiam de novo a frase. Qual � a hist�ria que n�o est� escrita,

e que podem imaginar com ela? O que ela quer dizer?

-Youssef. -Que ele n�o tinha filho.

-Isso. E por qu�? Hanan. -A mulher dele pode ter abortado.

Pode ser. Est�o vendo?

V�rias hist�rias nascem a partir dessas palavras.

Essa � a for�a desse conto.

Volte para o seu lugar, Seydou. Obrigado.

Qual foi a minha nota?

16.

O Seydou nos fez descobrir um g�nero novo: o microconto.

Ele pesquisou, voc�s refletiram todos juntos. Foi muito bom.

-N�o foi nada f�cil! -Eu sei. E da pr�xima vez,

quero que escreva 50 microcontos de seis palavras.

Eu fui bem.

-Eu avisei pra fazer uns erros. -O qu�?

A gente vai se ferrar. O professor n�o � burro.

Est� com raiva porque tirei 20.

Voc� n�o entendeu...

-O que voc� quer aqui? -Eu vim por causa do ditado.

-Algum problema eu tirar 20? -N�o, tudo bem. Parab�ns.

O que voc� quer ent�o?

A gente fez um trato.

N�o entendi.

Voc� tinha que me mostrar uma coisa.

Ah, sei... Quer ver agora? Aqui?

-Quero. -Certo.

Maya!

-O qu�? -Pegue.

-O que � isso? -�... um poema.

"�, minhas cartas de amor, de virtude, de juventude!"

� pr�ximo ditado?

-N�o. -O que � ent�o?

� um poema.

Voc� me escreveu um poema?

"O livro que o leitor tem diante dos olhos �, do princ�pio ao fim,

no seu conjunto e nos seus detalhes,

quaisquer que sejam as intermit�ncias,

as exce��es ou as falhas,

o caminho do mal para o bem, do injusto para o justo,

do falso para o verdadeiro, da noite para o dia,

do apetite para a consci�ncia, da podrid�o para a vida,

da bestialidade para o dever,

do inferno para o c�u, do nada para Deus.

Enquanto houver sobre a Terra ignor�ncia e mis�ria,

livros da mesma natureza deste jamais ser�o in�teis".

Seu celular, por favor.

� um guardanapo por pessoa.

Est� gostoso?

As tr�s principais religi�es s�o: o juda�smo, o cristianismo e o isl�.

Est� maluco? N�o passe a m�o na minha bunda!

P�gina 142, Teorema de Pit�goras. Sil�ncio! Peguem os cadernos...

Pra fora, Nakad!

-Eu n�o fiz nada. -Saia! J� pra diretoria.

N�o tem gra�a, Awal.

O objetivo � fazer todos terem contato com todos.

Cada um deve conseguir ver a classe inteira.

N�o � Maupassant. � Victor Hugo.

Espere. O que acontece com o Gavroche no final do livro?

-Ele morre. -Ele cai de uma barricada.

N�o! Ele morre baleado.

Ele vai buscar muni��o para os colegas e atiram nele.

-E com os irm�os dele? -Sei l�!

-Precisa responder. -N�o sabemos o que aconteceu.

-� verdade. -Escrevo que n�o sabemos?

-O que o Gavroche fazia na barricada? -Ele cantava.

-Deixe a gente responder. -Voc� leu o livro!

Li nada.

Mentiroso! Est� fingindo que n�o leu.

-Voc� leu sim. -Eu juro que n�o li!

Calma, calma... O que est� acontecendo?

Nada.

-Estamos fazendo a li��o. -Posso ver?

Est� bom.

Podem continuar, mas quietos.

-Tudo bem. Pode falar. Voc� leu? -N�o.

-Por que est� mentindo? -E se eu li, qual � o problema?

-O problema � voc� n�o assumir. -Voc� leu e se faz de bobo.

R�mi?

-N�o preencheu os boletins? -Estou terminando.

Eu n�o copio e colo as avalia��es.

-Vai viajar com os seus alunos? -N�o, estou vendo as op��es.

Mas vou fazer uma excurs�o com a Chlo�.

Que legal!

Nossa, Fran�ois...

As notas dos seus alunos est�o excelentes.

Que loucura! Seydou: 16, 19 e 17? Maya: 20?

Eles rackearam a sua conta. Acontece...

Nada disso.

Fran�ois transforma analfabetos em vencedores do Nobel de Literatura.

Respeito.

Devo ser incompetente.

Voc� � meu her�i, Fran�ois!

Precisa me explicar como faz isso.

� o m�todo do Henri IV. Voc� n�o vai entender.

-Ou eles colam. -N�o, acho que n�o.

� claro que n�o.

E a excurs�o? Teve alguma ideia?

Versalhes. � legal.

Versalhes...

Eles querem a Euro Disney, o Parque do Asterix.

Versalhes � bom. � muito bom mesmo.

� uma boa ideia. E na primavera, eles v�o adorar.

Podemos fazer piquenique no parque.

Quero dizer que fiquei muito feliz com a classe.

Voc�s se esfor�aram bastante.

Como recompensa, eu decidi que vamos fazer uma excurs�o.

-Durante as aulas? -Sim.

-Legal! E vamos aonde? -Vou deixar voc�s adivinhar.

Parque do Asterix.

-N�o... -L� � bem legal.

N�s vamos at�... Versalhes.

O que � esse Versalhes?

� Versalhes, o pal�cio.

-Tudo bem, senhor? -Tudo bem, obrigado.

O que foi, Seydou?

-Cuidado. O Sr. Goupil � bravo. -Ele � muito ciumento.

Que hist�ria � essa?

V�o brincar com os seu colegas e aproveitem o parque.

Mesmo sem o Asterix.

Senhora, tome cuidado. O truque dele s�o os poemas.

Podem ir.

Eles s�o terr�veis.

Seu truque s�o os poemas?

Fiquem todos juntos.

-Esperem! -O que � isso a�?

-Flores pra minha m�e. -Eles v�o matar voc�!

Vamos sair daqui.

-Por que eles est�o pelados? -� mesmo. Todos pelados.

Este aqui � o Sal�o da Abund�ncia.

-Essa � a Marie Leczinska que foi... -Leczinska?

-Esquisito o cabelo dela. -� uma peruca.

Olha os sapatinhos de gay.

Voc� � idiota? S�o Louboutin.

Cretino!

Este � o primeiro quarto do rei.

-A mulher dele n�o dormia com ele? -N�o.

N�o era bem a mulher dele. Era a rainha, mas ele n�o...

Enfim... Est�o vendo uma porta secreta ali?

N�o. Onde?

N�o conseguem ver porque ela � secreta.

� l�gico.

� por aquela porta que o rei ia visitar a sua favorita.

-O que � favorita? -A mulher que ele preferia.

Isso mesmo. Assim fica mais claro.

Essa porta tamb�m leva a outros lugares.

Podemos tirar fotos?

Olhe s�... Todos tirando selfie.

Meninos!

Voc� sabiam que foi aqui que Lu�s XVI e Maria Antonieta

fizeram a sua famosa selfie?

-� mesmo? -Em cima daquela cama ali.

O famoso selfie real que desencadeou a Revolu��o Francesa.

Por qu�?

Imaginam uma selfie na cama do rei?

Isso n�o se fazia na �poca.

-Por qu�? Isso � normal. -Podemos ver a selfie?

Voc� � burra? N�o existia celular na �poca.

� isso a�!

Foi uma piada.

Foi engra�ada.

-Foi bem engra�ada. -Foi engra�ada.

Finjam que est�o rindo.

-Isto � um presente legal, n�? -� pra mulher dele.

-E da�? -Eu n�o sei.

N�o, n�o �.

� muito kitsch. Ela vai rir de voc�.

Escutem...

-� "Il Pleut, Berg�re". -� lindo, n�?

Com certeza.

� pra lembrar que "n�s veio" at� Versalhes.

-E que foi legal. -Foi bem legal.

Mas que "n�s viemos" fica bem melhor.

Ol�, senhora.

Chlo�!

Voc� contou quantos?

-39. -Eu tamb�m. Faltam dois.

Eu n�o vi o Seydou. Seydou?

-O Seydou est� a�? -N�o.

-A Maya est� a�? -N�o.

-Eles n�o est�o aqui. -J� entendi.

-Entre. -Obrigado.

S�o alunos bonzinhos.

Eles n�o v�o estragar nada, tenho certeza.

-Mas precisamos encontr�-los. -Se estiverem aqui, n�s achamos.

Eles adoram Hist�ria. Pode ser isso.

-Tem c�meras no jardim? -Tem em todo lugar.

Mas n�o d� para saber se eles est�o aqui.

Ali!

-Est�o no quarto do rei! -D� um zoom.

Que idiotas!

-Chamando Norbert. -Na escuta.

-Tem duas crian�as no quarto do rei. -Estou indo.

-N�o � poss�vel! -Leve o Jassem tamb�m.

N�o... n�o!

Eles n�o est�o pisando na cama.

-Deixa que eu tiro. Deixa... -Espera!

Eu ouvi um barulho.

Chegou gente! Chegou gente!

Venha! Venha!

-Parem a�! -Corre!

Parem a�!

Parem a�!

-Eu n�o fiz nada! -Fiquem parados.

-N�o se mexam! -Agora chega!

Boa tarde, senhor. Obrigado.

Me desculpe, senhor.

"Eu gostaria de pedir desculpas".

Eu gostaria de pedir desculpas.

-Isso foi bem marcante, n�? -Pare, Seydou. N�o tem gra�a.

Eles s�o loucos. Completamente loucos.

At� entendo porque eu faria o mesmo na idade deles.

Eu jamais faria isso.

� claro que n�o.

Voc� era o primeiro da classe.

O pequeno Fran�ois, de �culos, com camisa xadrez...

e na primeira fila. J� tive alunos assim.

N�o � uma quest�o de camisa xadrez e �culos,

-� uma quest�o de disciplina. -Eu j� era um pouco bagunceira.

Voc�?

Voc� n�o acredita?

Est� vendo? Seus piores alunos podem virar professores.

-Obrigada por ter me acompanhado. -� natural.

-Voc� vai viajar nas f�rias? -N�o, vou ficar em Paris.

E voc�? Vai para onde?

Vou para Epinal ver os pais do Gaspard.

-Legal. Epinal � legal. -Epinal �...

-� Epinal. -Deve ser bem...

Vai ser divertido. Vamos ficar em fam�lia.

� muito bom.

Levantem, por favor.

Bom dia, Sr. Foucault. Como foi de f�rias?

-Muito bem, obrigado. -Bom retorno!

Obrigado.

Bom dia.

Seydou e Maya v�o passar pelo Conselho Disciplinar? � brincadeira?

Deve ser por causa de Versalhes.

Os pais reclamaram do atraso do �nibus.

Eu vi que Seydou e Maya v�o passar pelo Conselho Disciplinar.

Enfim... Eles n�o podem ser expulsos por isso.

Calma. N�o quero a cabe�a deles, mas precisamos ser firmes.

Eu ia castigar os dois.

Eles n�o v�o ser expulsos, v�o ser suspensos, no m�ximo.

No m�ximo...

Esse CD serve para qu�?

J� entendi.

Bom dia.

Seydou! Seydou!

-Sai fora! -Como foi?

Sai fora, caramba!

-E a�? -Foram duros, mas me dei bem.

Em vez de expuls�o, suspens�o.

-O que quer dizer? -N�o fui expulsa.

Como combinamos, tente falar corretamente, n�o se irrite

e diga que est� arrependido. Est� claro?

Est� claro?

Podem entrar. Voc� senta ali e voc�, ao lado dele.

Bem, j� podemos come�ar.

Convocamos o Conselho para tratar

do caso de Seydou Ndombele Wampasi.

Tirando essa grande besteira, o Seydou se acalmou.

Nem sempre ele chega na hora,

mas n�o recebi mais reclama��es, s� de Matem�tica.

Ele melhorou muito em Ingl�s. Est� mais calmo, mais comportado.

Ele participa da aula e fica quieto quando pe�o.

Seydou?

Por que voc� acabou ficando trancado em Versalhes.

Achou legal tirar fotos na cama do rei?

Entende que foi falta de respeito?

Que envergonhou a sua classe e a escola inteira?

Todos v�o dizer: "Os garotos da periferia s�o assim".

Por causa disso n�o fazemos mais excurs�es.

Voc� prejudica todo mundo!

Eu n�o sabia.

Fale mais alto.

-Por que voc� fez isso? -Fale mais alto.

Eu queria fazer uma coisa marcante.

N�o estamos ouvindo. Fale mais alto.

-Ah, n�o... N�o vai chorar. -N�o estou chorando.

� uma alus�o a uma conversa que tivemos.

Ele levou ao p� da letra uma brincadeira

sobre uma selfie na cama do rei...

que provocou a Revolu��o.

Foi uma brincadeira sem gra�a. Tentei usar o humor.

Mas nessa idade, eles levam tudo ao p� da letra. Ent�o...

Isso n�o � motivo.

Se pedirmos para ele pular pela janela, ele n�o vai pular.

Seydou, se pedirem para voc� pular pela janela, voc� pula?

Senhora, quer falar alguma coisa?

Eu sou a tia do Seydou.

Em casa ele � muito bom.

Ele me respeita muito.

Ele � bom.

DIRETOR

Ele � bom?

Muito obrigado.

Podem se retirar. O Conselho vai deliberar.

Precisa corrigir um erro de ortografia aqui.

"Ficaram trancado", falta o "S",

"propositalmente no Pal�cio de Versalhes".

-Certo, Sr. Foucault. -Est�o vendo?

Vou anotar.

Eu ia deixar passar, mas � gritante.

Eu n�o voto. Vim como professor principal.

Vai ficar tudo bem. N�o se preocupe.

Certo...

O Seydou n�o vai ser expulso.

Seydou...

Trate de agradecer ao Conselho por lhe darem uma chance.

E depois disso, vai andar na linha. Certo?

At� o final do ano.

Em todas as mat�rias.

At� em Matem�tica.

Certo.

Venham.

Ap�s a delibera��o do Conselho Disciplinar,

a maioria votou por expuls�o definitiva sem suspens�o.

A decis�o tem efeito imediato. Voc� vai receber uma notifica��o,

e ter� oito dias para recorrer.

Seydou, precisa devolver os seus livros amanh� cedo.

Obrigado. O reuni�o est� encerrada.

Senhora!

A senhora pode recorrer.

N�o, obrigada.

� importante. Eles n�o t�m o direito!

Obrigada, senhor.

Mesmo recorrendo, ele n�o volta. Ele s� vai ficar com a ficha limpa.

A resposta s� vem depois de um m�s.

Que absurdo! N�o temos o que fazer?

N�o acredito nisso.

Vejam isso. � um massacre!

-E ningu�m fala nada. -� complicado. N�s n�o...

Chlo�, voc� vem? Vamos indo.

At� logo.

At� logo, Fran�ois.

Pois n�o, Sr. Foucault.

Pensei muito no Seydou.

Eu me responsabilizo pela volta dele.

Sei que os outros professores v�o concordar.

Isso � imposs�vel. O Conselho respeita as regras de procedimento.

Podemos explicar � reitoria que isso � um erro.

-N�o, acho que n�o. -Como assim?

N�o somos pagos para expulsar os alunos.

� l�gico.

-E a�? O que podemos fazer? -O Seydou pode recorrer.

Temos que seguir o procedimento e as regras.

-Sabe que recorrer n�o adianta nada. -Essa � a lei.

E n�o posso fazer nada.

Com licen�a? Eu quero falar com voc�s.

N�o quero dar nenhuma li��o.

Estou chocado com o n�mero de CDs convocados desde que cheguei aqui.

Alguns alunos s�o dif�ceis, mas expuls�o � a solu��o?

N�o expulsamos ningu�m por prazer.

� claro, mas talvez para facilitar.

De jeito nenhum.

Para uma minoria a expuls�o pode ser ben�fica,

mas a maioria acaba a abandonando os estudos.

Os alunos precisam de profiss�o, n�o de puni��o.

Est� querendo dizer o qu�?

N�s somos os bandidos e voc� � o her�i?

Eu n�o falei isso!

Temos o mesmo objetivo. Queremos o melhor pra eles.

Quando expulsamos um, � para salvar os outros. Entende?

-Existem outras alternativas. -Espere! Vou ser franco com voc�.

Assim que chegou aqui, vimos que ia quebrar a cara.

Agora vem dar li��o de moral e dar ordens? N�o aceitamos isso!

E as notas altas que voc� d�? � pra nos prejudicar?

Vamos falar dos seus m�todos. Vai colocar no relat�rio?

N�o sei se o Ministro vai gostar.

Com seu curr�culo incr�vel

e seu Col�gio Henri IV quer mudar o mundo?

Passou s� um ano aqui.

Voc� n�o sabe nada.

"Como estipula a conven��o prevista..."

� sempre o mesmo artigo.

"Tempor�rio..."

O que � "servi�o auxiliar"?

Bom dia, Sr. Diretor.

Sr. Foucault.

Eu pensei bem...

O Seydou deve voltar � escola.

J� discutimos isso.

Em que dia foi a reuni�o do Conselho?

-Por qu�? -Foi numa quinta-feira.

E da�?

Em que dia devia ter enviado a carta

� tia dele como prev� o Artigo R511-13

do C�digo da Educa��o. Estava previsto para sexta-feira.

Adiantou um dia para acomodar a sua agenda.

-N�o foi um problema para ela. -Mas para mim foi.

O senhor n�o respeitou o procedimento,

nem o prazo de oito dias.

-E a�? -Isso se chama "v�cio formal".

� a lei.

E o �nico aluno convocado passava por um processo disciplinar.

Eu notei pelo menos quatro viola��es de procedimento graves.

Isso n�o � nada profissional.

Resolva isso com a reitoria,

mas quero o Seydou aqui na segunda-feira.

Sen�o vou tomar provid�ncias e isso pode fazer barulho

e pode prejudicar a sua remo��o.

Eu conto com o senhor.

Segunda-feira, na classe.

Bom dia! Guardem os fones, por favor.

Fiquem quietos.

Por favor.

Pode ficar aqui cinco minutos? Obrigado.

SALA DO DIRETOR

Entre!

Onde o Seydou est�?

Eu j� volto.

Eu liguei para a tia dele e disse que a decis�o tinha sido anulada

e que o Seydou podia voltar.

Nem imagina o que passei com o reitor para conseguir isso.

Onde ele est�?

Eu n�o sei.

Ol�, senhora.

� o Fran�ois Foucault, professor principal do Seydou.

-A senhora � tia dele? -Sim, sou a tia do Seydou.

-Ele est� a�? Posso falar com ele? -Ele est� na escola.

Ligaram avisando que ele podia voltar.

Sim, � claro.

� claro...

-Desculpe incomodar. At� logo. -Obrigada. At� logo.

Marvin...

-Sabe onde o Seydou est�? -N�o, n�o sei.

Ele precisa voltar para a escola. Precisa falar para ele.

-Eu falei. -E a�?

Sei l�...

Seydou!

Espere.

-Seydou... -O que foi?

Se n�o voltar, vai perder tudo.

-Seydou, vamos. -Me solta!

Espere, Seydou!

Expulsou o cara e agora quer de volta?

Eu tamb�m fui expulso daquela merda.

N�o venha dar li��o aqui, entendeu?

Cai fora ou arrebento voc�!

Vai, cai fora! Some!

Seydou!

No dia 5 de julho de 1845,

um policial e um marido furioso batem � porta de uma casa.

L� dentro, est�o Victor Hugo e sua amante, L�onie.

Berjith, mude a imagem.

Eles estavam...

Voc�s sabem. Eles estavam na cama fazendo...

Sexo! Fazendo sexo!

-Fazendo amor! Vamos, fale! -N�o! Fazendo sexo!

Isso se chamava "flagrante de adulto".

-De adult�rio. -Foi o que eu disse.

O que � isso?

� quando voc� faz, mas n�o com a sua mulher.

Naquela �poca era um crime. N�o se brincava com isso.

Espere! A L�onie foi presa, mas o Victor Hugo n�o.

Morrendo de vergonha, ele se trancou em casa

e come�ou a escrever um livro.

-E o t�tulo era... -"Jean Tr�jan",

que depois virou "As Mis�rias" e mais tarde...

-"Os Miser�veis". -Exatamente.

Quer dizer que um dos maiores romances da literatura francesa

foi escrito por causa de um adult�rio.

Entre!

Desculpe interromper. Chegou um aluno novo.

Seydou...

Obrigado, a apresenta��o foi �tima. Podem ir sentar.

Ficou muito bom.

Sabem...

Victor Hugo

come�ou a escrever "Os Miser�veis" sem planejar nada.

Ele n�o sabia o que ia contar, o que ia acontecer.

Encontraram 3 ou 4 anota��es nos pap�is dele.

Ele escreveu...

"Hist�ria de um santo.

Hist�ria de um homem.

Hist�ria de uma mulher.

Hist�ria de uma boneca".

S� isso.

Algu�m viu a minha pasta do coral?

Uma pasta azul com partituras.

Merda!

Sorriam.

Vamos, vamos!

Ol�.

Estamos muito felizes de apresentar o trabalho do coral deste ano.

Pode come�ar.

Todos os meus amigos partiram

O meu cora��o est� despeda�ado

Sempre passo as f�rias em Paris

Meus projetos s�o continuar

Meus amores s�o inventar

Se, mam�e, se...

Mam�e, se voc� visse a minha vida

Eu choro como rio Se, mam�e, se...

Mas meu futuro continua cinzento

E o meu cora��o tamb�m

O meu cora��o est� confort�vel e bem quente

E eu deixo passar o vento

Meus desejos desaparecem Deixo todos para tr�s

E pego no sono calmamente

Sem caos e sentimentos

Se, mam�e, se...

Mam�e, se voc� visse a minha vida

Eu choro como rio Se, mam�e, se...

Mas meu futuro continua cinzento

E o meu cora��o tamb�m

-E a Maya? -N�o sei. Acho que ela foi embora.

Acho que ela est� l� atr�s.

O que foi?

E a�?

Chlo�, est� pronta? Vamos?

Espera um pouco.

-Est� legal aqui. -O meu pai est� esperando.

Pode ir. Eu j� vou.

-Como? -Vai indo!

-Boas f�rias, Gaspard. -At� mais, Fran�ois.

Pegue.

� pra mim?

Obrigada.

N�o! � para abrir no Canad�. Agora, n�o.

Certo?

Obrigado.

� melhor voc� ir embora.

Bom...

Pronto, acabou. Ela foi embora com outro.

Pois �.

-Voc� sabia que ela tinha outro? -Sabia.

Por que n�o me contou?

O qu�?

Isso n�o foi legal. Eu gosto da Maya faz tempo.

N�o tem gra�a.

-N�o tem gra�a mesmo. -Eu sei.

Desculpe.

Promete que vai estudar muito no ano que vem?

Todas as mat�rias?

� para o seu futuro.

O futuro � importante. O seu futuro.

O qu�? Voc� vai embora da escola?

-Vai voltar para o Fran�ois I? -Henri IV.

D� na mesma.

-Como se entra l�? -Precisa estudar muito.

-Muito quanto? -Muito, muito, muito!

-Sei, bastante. -�, bastante.

Mas voc� pode conseguir.

Posso falar uma coisa que eu n�o queria falar?

Pode.

O senhor vai fazer falta.

Me desculpe, senhor.

"Eu gostaria de pedir desculpas".

N�o! Eu que pe�o desculpas.

V� jogar.

Subpack e sincronia by DanDee

O MELHOR PROFESSOR DA MINHA VIDA

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.