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PACTO DE SANGUE
Ol�, Mr. Neff.
- Trabalhando tarde, n�o �, Mr. Neff? - Bastante tarde. Vamos depressa.
- Est� parecendo cansado. - Estou bem.
- Como est� o neg�cio de seguros, Mr. Neff? - Ok.
Eles nunca me venderiam um.
Disseram que tenho algo de errado no cora��o.
- Eu digo que � reumatismo. - �?
Doze.
Memorando interno.
Walter Neff para Barton Keyes, Gerente de sinistros.
Los Angeles,16 de Julho de 1938.
Prezado Keyes...
acho que quando ouvir isto voc� vai considerar uma confiss�o.
Eu n�o gosto da palavra confiss�o.
Quero apenas coloc�-lo a par de algo que voc� n�o podia ver...
porque estava debaixo do seu nariz.
Voc� se acha o tal como Gerente de sinistros...
como um lobo para farejar pedidos falsos de indeniza��o.
Talvez voc� seja, mas vamos dar uma olhada naquele caso Dietrichson.
Acidente e indeniza��o em dobro.
A princ�pio voc� se saiu muito bem, Keyes.
Voc� disse que n�o era um acidente. Correto.
Que n�o era suic�dio. Correto.
Voc� disse que era assassinato. Correto.
Voc� achou que tinha tudo sob controle, n�o foi?
Tudo embrulhado em papel de seda e amarrado com fitas cor de rosa.
Era perfeito.
Exceto por um engano que voc� cometeu...
apenas um pequeno engano.
Na hora de pegar o assassino, voc� pegou o cara errado.
Quer saber quem matou Dietrichson?
Segure firme aquele seu charuto barato, Keyes.
Eu matei Dietrichson.
Eu, Walter Neff, vendedor de seguros.
35 anos de idade, solteiro, sem defeitos vis�veis...
at� recentemente, � claro.
Sim, eu o matei.
Eu o matei por dinheiro...
e por uma mulher.
E n�o fiquei com o dinheiro nem fiquei com a mulher.
Bonito, n�o?
Tudo come�ou em Maio passado.
Era l� pelo fim de Maio.
Eu tinha ido a Glendale para entregar a ap�lice de alguns caminh�es.
Na volta, me lembrei da renova��o de algumas
ap�lices pr�ximo ao Boulevard Los Feliz.
E a� me dirigi para l�.
Era uma daquelas casas de estilo espanhol...
que todo mundo estava atr�s h� 10 ou 15 anos atr�s.
Deve ter custado por volta de $30.000.
Isto �, se ele algum dia acabou de pag�-la.
Mr. Dietrichson est�?
- Quem deseja v�-lo? - Meu nome � Neff. Walter Neff.
- Se est� vendendo alguma coisa... - � com Mr. Dietrichson que quero falar...
e n�o se trata de assinatura de revistas.
- Mr. Dietrichson n�o est� em casa. - Quando ele deve voltar?
Ele vai voltar quando estiver aqui, se esta informa��o lhe for �til.
Do que se trata, Nettie? Quem est� a�?
� para Mr. Dietrichson.
Eu sou Mrs. Dietrichson. O que voc� quer?
Como vai, Mrs. Dietrichson?
Eu sou Walter Neff, da Pacific All Risk.
- Pacific All, o qu�? - Companhia de Seguros Pacific All Risk.
Trata-se da renova��o dos seguros dos autom�veis.
Estive tentando entrar em contato com seu marido nas duas �ltimas semanas...
- mas ele nunca est� no escrit�rio. - Existe alguma coisa que eu possa fazer?
O seguro venceu no dia 15.
N�o gostaria de imaginar que tivesse um p�ra-lama amassado...
ou outra ocorr�ncia, enquanto n�o...
estivesse inteiramente coberta.
Acho que compreendo o que voc� quer dizer, Mr. Neff.
- Acabei de tomar um banho de Sol. - Espero que sem pombos por perto.
A respeito das ap�lices, Mrs. Dietrichson, lamento tomar o seu tempo, mas...
Oh, tudo bem.
Se voc� aguardar at� que eu vista alguma coisa, eu j� des�o.
Nettie, leve Mr. Neff at� � sala de estar.
Onde fica a sala de estar?
Ali, mas eles mant�m as bebidas trancadas.
Tudo bem. Eu tenho minhas pr�prias chaves.
A sala de estar ainda estava abafada...
pelo fumo dos charutos da noite anterior.
As janelas estavam fechadas...
e a luz que penetrava pelas venezianas...
iluminava a poeira no ar.
Sobre o piano, havia fotos emolduradas, de Mr. Dietrichson e Lola...
sua filha com a primeira esposa.
Havia um aqu�rio redondo com peixinhos vermelhos e dourados...
sobre a mesa atr�s do grande sof�.
Mas, para lhe dizer a verdade, Keyes...
eu n�o estava nem um pouco interessado em peixinhos dourados.
Ou em renova��o de seguros, ou em Mr. Dietrichson e sua filha Lola.
Estava pensando na mulher do andar de cima, e no jeito que ela olhou para mim...
e desejava v�-la de novo, de perto...
sem aquela escada idiota entre n�s.
- Eu demorei? - De forma alguma, Mrs. Dietrichson.
Espero que esteja tudo certo com meu rosto.
Para mim, est� perfeito.
- Neff � o nome, n�o �? - Sim.
Com dois "efes", como em Filad�lfia, se conhecer a hist�ria.
- Que hist�ria? - A Hist�ria de Filad�lfia
Vamos sentar e conversar sobre os seguros.
Meu marido nunca me diz nada.
Bem, � sobre os seus dois carros, o LaSalle e o Plymouth.
Viemos fazendo o seguro para Mr. Dietrichson h� tr�s anos...
e n�o queremos que as ap�lices caduquem.
Linda argola a que est� usando no tornozelo, Mrs. Dietrichson.
Como estava dizendo, n�o gostar�amos que as ap�lices caducassem.
� claro que daremos a elas mais 30 dias. Isto � tudo que nos � permitido dar.
Ele tem estado muito ocupado em Long Beach nos campos de petr�leo.
Ser� que eu n�o poderia encontr�-lo em casa,
uma noite dessas, por alguns minutos?
Acho que sim. Mas ele nunca chega em casa muito antes das 8:00.
Est� bom para mim.
Voc� tem liga��o com o Automobile Club, n�o?
N�o, com a All Risk, Mrs. Dietrichson. Por qu�?
Algu�m do Automobile Club tem tentado fazer contato com ele.
- Ser� que eles t�m uma taxa melhor? - Se o seu marido for membro.
N�o, n�o �.
Ent�o ele dever� se associar ao clube e, para come�ar, pagar a taxa de manuten��o.
Eu nunca deprecio a mercadoria dos outros, Mrs. Dietrichson.
O Automobile Club � bom. Mas eu posso oferecer o mesmo que eles.
Eu tenho uma ap�lice muito atrativa aqui.
Eu n�o gastaria nem dois minutos para apresent�-la a seu marido.
Por exemplo, estamos oferecendo um tipo novo de ap�lice com 50% de reten��o...
na cobertura de colis�o.
Voc� � um corretor de seguros talentoso, n�o �, Mr. Neff?
- Estou no neg�cio h� 11 anos. - Est� indo bem?
D� para viver.
Voc� s� lida com seguro de autom�veis ou com todos os tipos?
Todos tipos. Inc�ndio, terremoto, furto, responsabilidade civil, seguro de grupo...
seguro industrial e assim por diante, at� o fim da linha.
Seguro de acidentes?
Seguro de acidentes? Claro, Mrs. Dietrichson.
Gostaria de saber o que est� gravado nesta argola do tornozelo.
- S� o meu nome. - Que, por acaso, �?
- Phyllis. - Phyllis, hein?
- Acho que gosto dele. - Mas n�o tem certeza?
Teria que me acostumar com ele.
Mr. Neff, por que n�o vem amanh� � noite por volta das 8:30?
- Ele estar� em casa. - Quem?
Meu marido. Voc� estava ansioso para falar com ele, n�o estava?
Sim, eu estava, mas estou mudando de id�ia...
se voc� entende o que quero dizer.
Existe um limite de velocidade neste Estado, Mr. Neff, 70 Km/hora.
- E qual era a minha velocidade, policial? - Eu diria que por volta de 140 km/h.
Suponha que voc� des�a da sua motocicleta e me d� uma multa.
Suponha que eu o libere apenas com uma advert�ncia desta vez.
Suponha que isto n�o ocorra.
Suponha que eu tenha que golpe�-lo com um soco.
Suponha que eu comece a chorar e ponha minha cabe�a no seu ombro.
Suponha que voc� tente coloc�-la nos ombros do meu marido.
Isto estraga tudo.
- Ent�o, at� amanh� �s 8:30. - Foi o que eu sugeri.
- Voc� tamb�m estar� aqui? - Aposto que sim, normalmente estou.
Mesma cadeira, mesmo perfume, mesma argola no tornozelo?
N�o sei se estou entendendo o que voc� quer dizer.
N�o sei se voc� realmente n�o sabe.
Era uma tarde quente, e ainda posso me lembrar...
do perfume das madressilvas ao longo daquela rua.
Como eu poderia saber que assassinato pode ter perfume de madressilva?
Talvez voc� tivesse percebido, Keyes...
no instante em que ela mencionou seguro de acidentes, mas eu n�o.
Eu me sentia muito bem.
Voltei ao escrit�rio para ver se eu tinha alguma correspond�ncia.
Foi no dia em que voc� colocou aquele caminhoneiro de Inglewood na lona.
Lembra, Keyes?
Mr. Neff, Mr. Keyes quer v�-lo.
Ele passou a tarde inteira procurando voc� aos berros.
Ele est� furioso, ou s� espumando um pouco pela boca?
Guarde isto para mim, querida?
- Al�, Walter. - Ol�, George.
Vamos. Vamos, Garlopis.
Voc� n�o engana ningu�m com estas mentiras.
- Voc� est� enrolado e sabe disto. - Isto � o que voc� diz.
- Eu s� quero meu dinheiro. - � o que voc� diz.
O que voc� vai receber � a pol�cia. Al�, Walter.
- Este � Sam Garlopis de Inglewood. - Claro, eu conhe�o Mr. Garlopis.
Eu vendi uma ap�lice para o seu caminh�o. Como est�, Mr. Garlopis?
- N�o muito bem. Meu caminh�o pegou fogo. - Sim. Agora veja, Garlopis.
Todo m�s, centenas de reclama��es chegam a esta mesa.
Algumas delas s�o falsas e eu sei quais s�o.
Como eu sei? Porque meu homenzinho conta para mim.
- Que homenzinho? - O homenzinho daqui.
Toda vez que uma destas reclama��es chega, ele come�a a dar n�s no meu est�mago.
Eu n�o consigo comer.
A sua � uma delas, Garlopis. Foi assim que soube sua reclama��o era uma fraude.
Ent�o, o que foi que eu fiz?
Nesta tarde, eu mandei um carro guincho at� � sua garagem...
e eles levantaram o seu caminh�o queimado.
E o que eles encontraram?
Eles encontraram o que sobrou de um monte de serragem.
Que serragem?
A que voc� embebeu de querosene e jogou um f�sforo em cima.
Veja, senhor, eu sou apenas um cara pobre. Talvez eu tenha cometido um engano.
Esta � uma maneira de colocar as coisas.
Eu n�o estou me sentindo muito bem, Mr. Keyes.
S� um instante. Assine isto que voc� vai se sentir bem.
- Assinar o qu�? - Uma desist�ncia da reclama��o. Bem aqui.
- Aqui? - A�.
Agora voc� voltou a ser um homem honesto. At� mais, Garlopis.
Mas agora n�o tenho mais caminh�o.
$2.600 � muito dinheiro aonde eu moro.
Qual o problema, Garlopis, n�o sabe como abrir a porta?
Basta colocar sua m�o na ma�aneta, e gir�-la para a esquerda.
Agora puxe-a para voc�.
- � isto a�, rapaz. - Obrigado, Mr. Keyes.
Que tipo de empresa � esta?
Somos uma Companhia de Seguros, ou apenas um bando de amadores est�pidos...
para vender uma ap�lice para um ot�rio como aquele?
Espere a�, Keyes. As coisas n�o s�o bem assim.
Eu grampeei uma observa��o no pedido de Garlopis...
para que fosse investigado...
- antes de aceitarmos o risco. - Eu sei disto, Walter.
N�o estou reclamando de voc�. � da Companhia.
Do jeito que eles fazem as coisas.
Da maneira que eles n�o fazem as coisas!
Do jeito que vendem qualquer coisa s� para constar da planilha de vendas.
E eu sou o cara que tem que sentar aqui com reclama��es fraudadas at� o pesco�o...
e impedir que joguem mais dinheiro pela janela do que o que entra por aquela porta.
Ok, vamos virar o disco, e ouvir o outro lado.
Estou farto de corrigir os erros de um bando de vendedores...
est�pidos o bastante para vender seguro de vida a um cara...
que dorme na mesma cama com quatro cascav�is.
Walter, estou h� 26 anos neste neg�cio e deixe-me dizer-lhe uma coisa, estou...
Sim, e adorou cada minuto, Keyes.
Voc� adora isto, s� que se preocupa demais, voc� e seu homenzinho.
Voc� � t�o preocupado que vai acabar ficando maluco.
Voc� � incapaz de dizer que hoje � Ter�a-Feira sem antes olhar o calend�rio.
A� voc� vai verificar se o calend�rio � deste ano ou do ano passado.
A� vai procurar saber quem imprimiu o calend�rio...
e verificar se seu calend�rio confere com o calend�rio do World Almanac.
J� � o bastante vindo de voc�, Walter.
Agora, d� o fora daqui antes que eu jogue a mesa em voc�.
Eu gosto muito de voc�.
Eu realmente gostava, seu velho caranguejo...
sempre berrando e sempre irritado com todo mundo.
Mas voc� nunca me enganou com a sua cantilena. Nem por um segundo.
Eu sempre soube que por tr�s das cinzas de charuto no seu colete...
voc� tinha um cora��o enorme.
De volta ao escrit�rio encontrei dois recados telef�nicos de Mrs. Dietrichson...
sobre as renova��es.
Ela n�o queria que eu fosse na noite seguinte.
Em vez disto, queria que eu fosse Quinta-Feira �s 3:30 da tarde.
Eu tinha um bocado de compromissos naquela Quinta-Feira � tarde...
incluindo uma viagem a Santa Monica...
para visitar alguns poss�veis clientes de um seguro em grupo.
Mas fiquei pensando em Phyllis Dietrichson...
e do jeito que aquela argola do tornozelo se compunha na sua perna.
Ol�, Mr. Neff. N�o vai entrar?
Estou pensando.
Espero que n�o tenha se importado com a minha mudan�a de datas.
- A noite passada n�o era muito conveniente. - Tudo bem.
Aproveitei para me dedicar � minha cole��o de selos.
Estava acabando de preparar mate gelado. Quer um copo?
Sim, a menos que tenha uma garrafa de cerveja sobrando.
Talvez eu tenha. Nunca sei o que tem na geladeira.
Nettie.
Oh, sobre aquelas renova��es, Mr. Neff. Conversei com meu marido a respeito.
- Conversou? - Sim. Ele me disse que vai renovar com voc�.
Na realidade, achei que ele estaria aqui nesta tarde.
- Mas ele n�o est�? - N�o.
Isto � terr�vel.
Nettie!
Oh, esqueci que hoje � dia de folga da empregada.
Esque�a da cerveja. Mate gelado est� bem.
- Lim�o? A��car? - Prepare do seu jeito.
Uma vez que � a folga da empregada, talvez eu possa te ajudar em alguma coisa.
- Poderia passar o aspirador. - Insolente.
J� vendi aspiradores de p�.
N�o dava dinheiro, mas se aprendia muito sobre a vida.
Eu n�o podia imaginar que o que voc� sabe tenha aprendido por correspond�ncia.
Onde adquiriu o h�bito de beber ch�?
- Voc� n�o � Inglesa, n�o? - N�o. Californiana.
Nascida aqui mesmo em Los Angeles.
Dizem que todos os Californianos v�em de Iowa.
- Mr. Neff, eu... - Me chama de Walter, hein?
- Walter. - � isto a�.
Diga-me, Walter. Neste seguro quanto voc� ganha de comiss�o?
Vinte por cento. Por qu�?
Talvez possa lhe arranjar um pouco mais de trabalho.
- Sempre ajuda. - Estava pensando no meu marido.
Eu me preocupo muito com ele enfiado naqueles campos de petr�leo.
- � muito perigoso. - N�o para um executivo, n�o �?
Ele n�o fica exatamente sentado atr�s de uma mesa.
Ele fica junto com as equipes de perfura��o.
Isto me deixa muito preocupada.
Voc� quer dizer, que numa noite escura uma polia pode cair em cima dele?
- Por favor, n�o fale assim. - Mas � disso que se trata.
Outro dia um tubo de perfura��o se rompeu e atingiu o contramestre.
- Est� no hospital com a espinha quebrada. - Isto � s�rio.
Fico nervosa s� de pensar.
Imagine se uma coisa dessas acontece a meu marido.
- Pode acontecer. - Bem...
voc� n�o acha que ele deveria ter um seguro contra acidentes?
Que tipo de seguro ele devia ter?
O suficiente para cobrir despesas de m�dicos e hospitais.
Digamos, $125 por semana de benef�cio.
E um seguro de aproximadamente $50.000 em caso de sinistro.
- Sinistro? O que � isto? - Para o caso dele vir a morrer.
Talvez n�o devesse ter dito isto.
Acho que voc� tem que pensar em tudo no seu neg�cio.
Bem, o seu marido iria compreender.
Estou certo que poderia convenc�-lo a ter um seguro contra acidentes.
Por que n�o conversar com ele a respeito disto?
Voc� pode tentar, mas ele � dif�cil de levar.
A princ�pio todos s�o duros.
Ele tem muita coisa na cabe�a.
Ele parece que n�o quer ouvir ningu�m...
exceto, talvez um jogo de baseball no r�dio.
�s vezes nos sentamos aqui a noite inteira e n�o dizemos uma palavra.
- Parece ser ma�ante. - A�, eu me sento e fico bordando.
Foi para isto que casou com ele?
Talvez eu goste do jeito que os polegares dele seguram o fio de l�.
Quando os polegares dele ficarem cansados...
S�, que comigo por perto, voc� n�o teria tempo de bordar.
- N�o? - Pode apostar que n�o.
Talvez um pouco de rum melhore isto.
Quero lhe perguntar uma coisa, Walter.
Eu poderia comprar uma ap�lice de seguro para ele sem aborrec�-lo?
Como � que �, quer repetir?
Seria mais f�cil para voc�, tamb�m. Voc� nem precisaria falar com ele.
Tenho um pouco de dinheiro.
Eu poderia pagar e ele nem precisaria saber de nada.
Por que ele n�o deveria saber?
Porque ele n�o quer seguro contra acidentes.
- Ele � supersticioso a respeito disto. - Muita gente �. � engra�ado, n�o �?
Se houver um jeito de fazer assim, todas as preocupa��es desapareceriam.
- Me entendeu, Walter? - Claro. Sou bom observador.
Voc� quer que ele tenha uma ap�lice de seguro sem saber disto.
E isto quer dizer, sem que a Companhia de Seguros saiba que ele n�o sabe.
- Este � o esquema, n�o? - Existe algo de errado com ele?
N�o, me parece fascinante.
A�, se numa noite escura e �mida, aquela polia cair em cima dele...
Que polia?
S� que, �s vezes, n�o se consegue fazer cair sozinha, e precisa de uma pequena ajuda.
Eu n�o sei do que voc� est� falando?
Claro, ele n�o precisa ter uma polia.
Pode ser atropelado por um carro, ou poderia cair da janela do andar de cima.
Qualquer coisinha destas, desde que passe a ser um problema do necrot�rio.
- Voc� est� maluco? - N�o t�o maluco.
- At� mais, Mrs. Dietrichson. - Qual o problema?
Olha, garota, voc� n�o pode se livrar dele.
Voc� quer liquid�-lo, n�o?
Que coisa horr�vel para se dizer.
O que voc� pensou que eu era, hein?
Um cara que entra na sala de estar de uma mulher bonita e diz:
"Boa tarde, eu vendo seguro contra acidentes de maridos.
"Voc� tem um que est� com voc� h� muito tempo?
"Um que gostaria de transformar em um pouco de dinheiro?
"Basta me dar um sorriso que eu vou ajud�-la a faturar."
- Cara, que porcaria voc� acha que sou. - Acho que voc� � podre.
Acho que voc� � arrogante, uma vez que n�o sou seu marido.
- Saia daqui. - Acertou, vou dar o fora, baby.
Vou dar o fora daqui, e depressa.
Ent�o, deixei claro com ela.
Ela n�o me enganou nem por um instante, pelo menos daquela vez.
Eu sabia que estava segurando um ferro quente...
e que a hora de larg�-lo era antes de queimar a minha m�o.
Parei num drive-in para uma garrafa de cerveja, que eu queria o tempo todo...
s� que agora eu a queria mais, para me livrar do gosto amargo do ch� gelado dela...
e de tudo que viesse com ele.
Eu n�o queria voltar para o escrit�rio, por isto parei numa pista de boliche...
na esquina da Terceira com Oeste e joguei algumas partidas...
para pensar em outra coisa por algum tempo.
Quando sa� n�o estava com vontade de jantar nem de ir ao cinema.
Ent�o, voltei para casa. Estacionei o carro e subi para meu apartamento.
Havia come�ado a chover e comecei a observ�-la caindo...
e nem mesmo acendi a luz.
Aquilo tamb�m n�o me ajudou.
Eu estava agitado...
e continuava segurando aquele ferro em brasa.
Foi ent�o que me dei conta que n�o havia me libertado de nada.
Que o anzol era muito forte...
Que aquilo n�o era o fim entre ela e eu.
Era apenas o come�o.
Ent�o, �s 8:00 a campainha tocou e eu sabia quem era sem nem pensar.
Como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Ol�. Voc� esqueceu seu chap�u esta tarde.
- Foi? - N�o vai me deixar entrar?
Claro.
Ponha o casaco na cadeira.
- Como soube onde eu morava? - Est� no cat�logo telef�nico.
- Est� chovendo. - �.
Tire o casaco e sente-se.
Seu marido est� fora?
Sim. Long Beach. Est�o furando um novo po�o.
Ele telefonou que chegaria tarde. L� pelas 9:30.
Est� na hora de dizer que se alegra em me ver.
Eu sabia que voc� n�o ia deixar daquele jeito.
- De que jeito? - Como ficou esta tarde.
Eu devo ter dito alguma coisa que o deixou com uma impress�o terrivelmente errada.
Voc� nunca deve pensar nada assim sobre mim, Walter.
- Ok. - N�o, n�o est� Ok.
- N�o se n�o acreditar em mim. - O que quer que eu fa�a?
Quero que seja legal comigo.
Como da primeira vez que foi � minha casa.
N�o d� para ser como da primeira vez.
- Algo aconteceu. - Eu sei disto.
Aconteceu a n�s dois.
Eu sinto como se ele estivesse me espiando. N�o que ele se preocupe. N�o mais.
Ele me mant�m numa correia t�o apertada que n�o posso respirar.
Ele est� em Long Beach, n�o est�? Relaxe.
Talvez n�o devesse ter vindo.
- Talvez n�o devesse ter vindo. - Quer que eu v�?
- Se quiser. - Agora mesmo?
Claro, agora mesmo.
- Estou louco por voc�, baby. - Estou louca por voc�, Walter.
Este perfume no seu cabelo. Qual o nome dele?
N�o sei. Comprei em Ensenada.
Voc� devia ter trazido aquele vinho ros�.
Do tipo que borbulha. Eu s� tenho bourbon.
Bourbon est� bem, Walter.
Pegue os copos.
- Soda. - �gua pura, por favor.
Faz uns seis meses um homem escorregou no sab�o no banheiro...
bateu com a cabe�a e se afogou.
S� que ele tinha seguro contra acidentes.
Ent�o fizeram a aut�psia e ela n�o levou o seguro.
- Quem n�o levou? - A esposa dele.
Houve o caso do cara que morreu com um tiro.
Sua mulher disse que o rev�lver disparou quando ele o estava limpando.
O que ela arrecadou foram 30 anos de pris�o em Tehachapi.
Talvez ela merecesse.
Veja se consegue levar isto at� � sala de estar.
Bonito isto aqui, Walter. Quem cuida disto para voc�?
Uma negra que vem duas vezes por semana.
- Prepara seu pr�prio caf� da manh�? - Espremo uma laranja de vez em quando.
- Pego o resto na farm�cia da esquina. - Parece maravilhoso.
S� estranhos ao seu lado.
Voc� n�o os conhece e voc� n�o os odeia.
Voc� n�o tem que se sentar � mesa...
e sorrir para ele e aquela filha dele todas as manh�s da vida.
Que filha? Est� se referindo � garotinha no piano?
Lola. Ela vive conosco.
Ele pensa muito mais nela do que em mim.
- J� pensou num div�rcio? - Ele nunca me daria o div�rcio.
Suponho que iria custar muito dinheiro para ele.
Ele n�o conseguiu dinheiro algum.
N�o desde que entrou no neg�cio de petr�leo.
Mas ele tinha quando voc� casou com ele?
Sim, ele tinha. E eu queria uma casa. Por que n�o?
Mas esta n�o foi a �nica raz�o. Eu era enfermeira da esposa dele.
Ela ficou doente por muito tempo. Quando morreu ele ficou desnorteado.
- Fiquei com pena dele. - E agora o odeia.
Sim, Walter. Ele � muito mesquinho comigo.
Toda vez que compro um vestido ou um par de sapatos, ele perde a cabe�a.
Nunca me deixa ir a lugar algum. Ele me mant�m calada.
Ele sempre foi mesquinho comigo.
At� o seu seguro de vida vai para a filha dele.
- Aquela Lola. - E para voc� nada?
N�o. E nada � exatamente o que valho para ele.
A�, deitada no escuro e ouvindo ele roncar, come�a a ter id�ias.
Walter, eu n�o quero mat�-lo. Eu nunca quis.
Nem mesmo quando chega b�bado e estapeia meu rosto.
- Mas �s vezes gostaria que estivesse morto. - Acho que sim.
Ent�o gostaria que fosse um acidente e voc� tendo aquela ap�lice de $50.000.
- � isto? - Talvez isto, tamb�m.
Outra noite voltamos de uma festa. Ele estava b�bado de novo.
Quando entramos na garagem, ele ficou l� sentado com a cabe�a apoiada no volante...
e o motor ainda ligado.
Eu pensei no que aconteceria se eu n�o desligasse a chave...
e apenas fechasse as portas da garagem e o deixasse l�.
Vou lhe dizer o que poderia ter acontecido.
Se tivesse aquela ap�lice e tentasse empurrar a hip�tese de mon�xido...
Tem um cara no nosso escrit�rio chamado Keyes.
Para ele uma hist�ria como esta seria um bombom.
Ele rejeitaria a id�ia de um acidente.
Em 10 minutos estaria te interrogando.
Meia hora depois, voc� confessaria.
Mas, Walter, eu n�o fiz nem vou fazer isto.
N�o, se existir uma Companhia de Seguros envolvida, baby.
Eles sabem mais truques do que um bando de macacos.
E se houver uma morte misturada voc� n�o tem chance.
Sua condena��o ser� t�o certa quanto 100 cents valem um d�lar.
E eu n�o a quero condenada, baby.
Pare de pensar nisto, sim?
A� ficamos sentados l�.
Come�ou a chorar suavemente, como a chuva na janela e ficamos em sil�ncio.
Talvez ela tenha parado de pensar no assunto, mas eu n�o.
Eu n�o podia.
Porque havia estado pensando nisto h� v�rios anos.
Muito antes de conhecer Phyllis Dietrichson.
Porque voc� sabe como �, Keyes.
Neste neg�cio se perde o sono...
imaginando o truque que v�o aplicar em voc�.
Voc� � o croupier por tr�s da roleta...
vigiando os clientes para estar certo que n�o tapeiem a casa.
E a�, uma noite, voc� mesmo come�a a pensar como poderia tapear a casa.
E fazer bem feito.
Porque voc� � aquele que faz a roleta girar.
Voc� conhece tudo de cor.
E voc� sabe que tudo de que precisa � um plano.
Um c�mplice que fa�a a aposta.
E, de repente, a campainha toca...
e se d� conta que tudo est� ali na sala com voc�.
Olha, Keyes, eu n�o estou procurando me justificar.
Lutei para evit�-lo, mas acho que n�o o bastante.
O pr�mio era de $50.000, mas havia a vida de um homem, tamb�m.
Um homem que nunca me fez mal algum, exceto...
que era casado com uma mulher pela qual ele n�o ligava.
E eu fiz.
Voc� me telefona? Walter?
Eu odeio ele. Detesto ter que voltar para ele.
- Voc� acredita em mim, n�o �, Walter? - Claro que acredito em voc�.
J� n�o consigo ag�ent�-lo. E se me enforcarem?
N�o v�o te enforcar, baby.
� melhor do que continuar deste jeito.
Eles n�o ir�o enforc�-la, porque...
voc� vai faz�-lo e eu vou lhe ajudar.
- Sabe o que est� falando? - Claro que sei.
N�s vamos faz�-lo, e vamos faz�-lo direito.
- E sou o cara que sabe como. - Walter, voc� est� me assustando.
N�o vai haver nenhum deslize. Nada mal feito. Nenhum ponto fraco.
Tem que ser perfeito.
Me telefone amanh�. Mas n�o de casa. De uma cabine.
E vigie seus passos a cada minuto.
Isso tem que ser perfeito, voc� entendeu? At� o fim.
At� o fim.
Era isto, Keyes.
A m�quina havia sido posta em marcha e nada poderia par�-la.
A primeira coisa a fazer era lig�-lo com a ap�lice.
Eu sabia que ele n�o compraria, mas o que eu queria era a assinatura dele.
Ent�o tinha que faz�-lo assinar sem saber o que estava assinando.
E queria outra testemunha al�m de Phyllis que ouvisse minha conversa com ele.
Eu tentava pensar com seu c�rebro, Keyes...
porque eu queria todas as respostas prontas...
para as perguntas que voc� faria t�o logo Dietrichson estivesse morto.
Algumas noites depois eu fui at� � casa deles.
Tudo parecia bem, exceto que n�o gostei da testemunha que Phyllis arranjou.
Era a filha de Dietrichson, Lola.
E isso me fez sentir um pouco estranho na barriga ...
ao v�-la ali sentada na sala jogando damas chin�s...
como se nada fosse acontecer.
Acredito que voc� entenda, Mr. Dietrichson...
que, n�o sendo um empregado...
n�o est� coberto pelo Seguro de Indeniza��o do Estado.
A �nica maneira com que pode se proteger � tendo um ap�lice pessoal sua.
�, eu conhe�o tudo a este respeito.
A pr�xima coisa que vai me dizer que preciso...
� de seguro para terremotos, contra raios e seguro contra granizo.
Se compr�ssemos todos esse seguros que eles imaginam...
estar�amos quebrados, pagando por eles, n�o �, querido?
O que nos deixa quebrados � voc� sair e comprar 5 chap�us de uma vez.
Quem precisa de chap�u na Calif�rnia.
D�lar por d�lar, Mr. Dietrichson...
o seguro de acidentes � a cobertura mais barata que pode comprar.
Bem, talvez noutra ocasi�o, Mr. Neff. Eu tive um dia dif�cil.
Como voc� diz.
Que tal se, hoje � noite, ficarmos apenas naquele seguro de autom�vel.
Claro.
Tudo o que � preciso � assinar um pedido de renova��o.
Phyllis, voc� se importa se n�o acabarmos este jogo?
- Ele me chateia. - Tem algo melhor para fazer?
Sim, eu tenho.
Pai, est� bem se eu sair agora?
- Ir aonde? Com quem? - Com Anne. Vamos patinar.
- Anne de qu�? - Anne Mathews.
N�o � aquele Nino Zachetti de novo, �?
� melhor que n�o seja aquele Zachetti.
Se eu peg�-la com ele...
� Anne Mathews, eu falei.
E tamb�m lhe disse que vamos patinar.
Vou encontrar com ela na esquina de Vermont com Franklin, na esquina noroeste...
caso esteja interessado, e j� estou atrasada.
Espero que tudo esteja bem claro. Boa noite, Pai.
- Boa noite, Phyllis. - Boa noite, Miss Dietrichson.
Desculpe. Boa noite, Mr. Neff.
Boa noite, Mr. Neff.
Uma grande combatente para seu peso.
Agora, basta assinar isto, Mr. Dietrichson.
- Assinar o qu�? - Os pedidos de renova��o dos autom�veis.
E estar� coberto at� que as novas ap�lices sejam emitidas.
- Quando vai acontecer? - Cerca de uma semana.
Ent�o estarei coberto quando dirigir para o Norte.
- San Francisco? - Palo Alto.
Ele � formado em Stanford, Mr. Neff.
E ainda vai � reuni�o da sua turma todo ano.
O que h� de errado nisto?
Ser� que n�o posso me divertir, ao menos uma vez por ano?
Stanford � famosa pelo football.
- Jogou football, Mr. Dietrichson? - Back esquerdo.
Quase joguei no time da Universidade. Onde eu assino?
Na �ltima linha.
- Ambas as c�pias, por favor. - Assinar duas vezes, hein?
Sim. Uma � a c�pia do agente.
- Preciso para meus arquivos. - Arquivos. Duplicatas. Triplicatas.
Obrigado, Mr. Dietrichson.
N�o se preocupe com o cheque. Posso peg�-lo no seu escrit�rio depois.
- Quanto est� me tomando? - $147,50.
Acho que � seguro bastante para uma noite, Mr. Neff.
Demais.
- Traga a soda quando subir, Phyllis. - Boa noite, Mr. Neff.
Boa noite, Mr. Dietrichson.
Acho que deixou seu chap�u na entrada, Mr. Neff.
Boa noite, Mr. Neff.
- Tudo bem, Walter? - �timo.
- Ele assinou, n�o foi? - Claro que assinou. Voc� viu.
Agora ou�a. Aquela viagem a Palo Alto. Quando ele vai?
Final do m�s.
- Ele dirige, hein? - Ele sempre dirige.
N�o desta vez. Voc� vai faz�-lo pegar um trem.
- Por qu�? - Porque est� tudo preparado para um trem.
Ou�a, baby. Existe uma cl�usula em toda ap�lice de acidentes...
uma coisinha chamada indeniza��o em dobro.
As companhias de seguro as colocam como um est�mulo aos usu�rios.
Significa que elas pagam o dobro em certos acidentes.
O tipo da coisa que quase nunca acontece.
Como por exemplo, se um cara for morto num trem...
eles pagam $100.000 em lugar de $50.000.
- Entendo. - Estamos indo para o m�ximo, baby.
Esta a raz�o por que precisa ser o trem.
Ser� o trem, Walter. Do jeito que voc� quer.
At� o fim.
Ol�, Mr. Neff.
Sou eu.
- Alguma coisa errada? - Eu estava esperando por voc�.
Por mim? Por qu�?
Pensei em pegar uma carona com voc�, se estiver indo no mesmo caminho.
- Aonde voc� vai ? - Descer a colina. Vermont Street.
Claro. Vermont com Franklin. Esquina noroeste, n�o �?
Com prazer, Miss Dietrichson.
Vai patinar, hein?
- Gosta de patinar? - � pegar ou largar.
- S� que hoje voc� vai largar? - Sim, vou.
Estou passando um per�odo bem ruim em casa.
Meu pai n�o me compreende e Phyllis me detesta.
- Parece dif�cil, mesmo. - Por isto, �s vezes, tenho que mentir.
Quer dizer que n�o vai para Vermont com Franklin?
� Vermont com Franklin, sim,
s� que n�o � com Anne Matthews. � com Zino Zachetti.
Voc� n�o vai me entregar, n�o �?
- Vou pensar. - Nino n�o � o que meu pai diz.
Ele deu azar. Ele estudava medicina na Universidade...
e trabalhava de noite em um teatro no centro da cidade.
Atrasou-se nos estudos e ficou reprovado.
Em seguida perdeu o trabalho por insol�ncia. Ele � t�o cabe�a quente!
Fica dif�cil, n�o �?
Meu pai acha que ningu�m � bom o suficiente para sua filha...
exceto, talvez, o cara que � dono da Standard Oil.
Eu queria que ele entendesse meu lado. Eu n�o posso terminar com Nino.
Tudo vai se arranjar, Miss Dietrichson.
Espero que algum dia. Esta � a esquina, Mr. Neff.
Nino? Por aqui, Nino.
- Este � Mr. Neff, Nino. - Ol�, Nino.
O nome � Zachetti.
Nino, por favor. Mr. Neff me deu uma carona desde casa.
Conversei com ele a nosso respeito.
Por que ele tem que saber a nosso respeito?
N�o precisamos nos preocupar com Mr. Neff, Nino.
Eu n�o estou preocupado.
S� n�o precisava falar tanto.
O que h� com voc�, Nino?
- Ele � um amigo. - Eu n�o tenho amigos.
Se os tivesse gostaria de escolh�-los. Vamos.
Olha, garoto, ela precisava de uma carona, ent�o eu a trouxe.
Isto � raz�o para se aborrecer?
Tudo bem, Lola, decida. Voc� vem ou n�o vem?
Claro que vou.
N�o se preocupe com ele, Mr. Neff. E muito obrigado pela carona.
Foi muita gentileza. Nino?
Ela era uma boa garota.
Talvez at� melhor do que parecia.
Mas me sentia mal pensando a respeito deles...
com a pasta bem atr�s da minha cabe�a com a assinatura do seu pai...
e o que aquela assinatura representava.
Significava que era um pombo morto.
Era s� uma quest�o de tempo, e n�o muito tempo.
Voc� conhece aquele supermercado em Los Feliz, Keyes?
Aquele foi o lugar que Phyllis e eu escolhemos para nossos encontros.
Eu j� tinha a maior parte do plano na minha cabe�a...
mas ainda havia v�rios detalhes a serem preparados.
E ela tinha que conhec�-los todos de cor quando a hora chegasse.
Precis�vamos ser muito cautelosos.
N�o pod�amos deixar que ningu�m nos visse juntos.
N�o pod�amos nem conversar um com o outro pelo telefone.
Pelo menos, n�o da casa dela ou do meu escrit�rio.
Ent�o ela tinha que estar no supermercado todas as manh�s �s 11:00, fazendo compras.
A� eu poderia encontr�-la l� no dia que quisesse.
Uma esp�cie de acidentalidade de prop�sito.
- Walter, eu queria... - N�o t�o alto.
Estava querendo falar com voc�, desde ontem.
Deixe-me falar primeiro. Est� tudo pronto.
A ap�lice de acidentes ficou pronta. Ela est� no meu bolso.
Peguei o cheque dele, tamb�m. Eu o encontrei no campo de petr�leo.
Ele pensou estar pagando pelo seguro do autom�vel.
O cheque foi endere�ado � empresa, ent�o pode ser usado para qualquer coisa.
Mas voc� precisa mandar um cheque para o seguro do autom�vel, entende?
Vai ficar tudo certo, porque um dos carros est� no seu nome.
Abra sua sacola. R�pido.
Voc� pode abrir o cofre?
- Sim. N�s dois temos a chave. - �timo.
Mas n�o ponha a ap�lice l�, ainda. Eu lhe direi quando.
Lembre-se, voc� nunca a viu, sequer tocou nela, entendeu?
- Eu n�o sou tola. - Ok. Quando ele viaja?
- � exatamente isto. Ele n�o vai. - O qu�?
Isto � o que estava tentando lhe dizer. A viagem foi cancelada.
O que aconteceu?
Mr., pode pegar para mim aquele pacote de comida de crian�a?
Aquele l� em cima?
N�o sei por que sempre colocam o que eu quero na prateleira de cima.
V� em frente, estou ouvindo.
Ele sofreu uma queda no po�o. Quebrou sua perna. Est� engessado.
- Quebrou a perna? - O que vamos fazer agora, Walter?
- Nada. Vamos apenas esperar. - Esperar o qu�?
At� que possa pegar o trem.
Eu lhe disse que ele tem que pegar o trem.
Mas n�o podemos esperar. N�o posso continuar assim.
Olha, n�s n�o vamos pegar um martelo e faz�-lo r�pido, s� para acabar com isso.
- Existem outros meios. - N�o vamos faz�-lo de outra maneira.
Mas n�o podemos deixar as coisas assim.
O que acha que aconteceria se ele encontrasse a ap�lice de acidentes?
Muitas coisas. Mas nada t�o ruim quanto morrer na pris�o.
- Nunca mais fale deste jeito. - N�o vamos perder nossas cabe�as.
N�o s�o nossas cabe�as. S�o nossos nervos que estamos perdendo.
Com licen�a.
Vamos fazer direito. Foi o que eu disse.
� a espera que est� me acabando.
Est� me acabando tamb�m, baby.
- Mas temos que esperar. - Est� bem que temos, Walter, s�...
que � t�o dif�cil sem voc�. � como se existisse uma parede entre n�s.
� melhor que eu me v�, baby. Estou pensando em voc� a cada instante.
Depois daquilo, passou-se uma semana e eu n�o a vi uma �nica vez.
Procurei manter minha mente desligada dela e de toda a id�ia.
Eu fiquei me dizendo que talvez os anjos que dizem olhar por n�s...
tivessem quebrado a perna dele para me dar uma sa�da.
A� chegou 15 de Julho. Pode ser que se lembre da data, Keyes.
Voc� veio ao meu escrit�rio por volta das 3:00 da tarde.
Ol�, Keyes.
Estou vindo do escrit�rio de Norton.
Sa�ram os registros das vendas semi-anuais.
Voc� est� bem em cima, Walter. Pela segunda vez seguida. Parab�ns.
Obrigado. Como vai querer o seu drink barato?
Como vai se sentir com um corte de $50 no sal�rio?
- Rio agora ou espero ficar engra�ado? - N�o, estou falando s�rio.
Acabei de falar com Norton. Tenho muita coisa empilhada na minha mesa.
� muita press�o sobre meus nervos.
Eu passo metade da noite acordado.
Eu preciso de um assistente e pensei em voc�.
Eu? Por que eu?
Porque tive a id�ia maluca de que pode se sair bem no servi�o.
Isto � maluquice, mesmo. Sou um vendedor.
�. Um mascate, com apertos de m�o e tapinhas nas costas.
Voc� � muito bom para ser um vendedor.
- Ningu�m � bom demais para ser vendedor. - Bobagem.
Tudo que fazem � apertar campainhas e come�ar a usar a l�bia.
O que est� lhe preocupando, s�o aqueles $50, n�o �?
- Bem, aquilo perturba qualquer um. - Agora veja, Walter.
O trabalho de que estou falando exige intelig�ncia e integridade.
Ele exige mais coragem do que se encontra em 50 vendedores.
� o melhor trabalho deste neg�cio.
�, mas continua sendo um trabalho de escrit�rio.
- Eu n�o quero ficar preso a uma mesa. - Trabalho de escrit�rio?
� s� o que consegue ver nele?
S� uma cadeira dura para se sentar das 9:00 �s 17:00, hein?
S� uma pilha de pap�is para misturar, cinco l�pis apontados...
e um bloco de rascunho para rabiscar n�meros, e talvez alguns desenhos.
Este n�o � o jeito que vejo a coisa, Walter.
Tratar das reclama��es � como ser um cirurgi�o, aquela � uma mesa de opera��o,
e aqueles l�pis s�o escalpos e cinz�is de ossos.
E aqueles papeis n�o s�o apenas formul�rios,
estat�sticas e pedidos de indeniza��o.
Eles s�o vivos. Eles s�o envolvidos com drama...
com esperan�as desfeitas e sonhos de escroques.
Um assessor de reclama��es, Walter, � um m�dico e um c�o farejador e um..
Quem? Ok, aguarde um minuto.
Um assessor de reclama��es � um m�dico,
um farejador, um policial, um juiz e um j�ri.
E um padre confessor, tudo em um.
E voc� quer me dizer que n�o est� interessado?
N�o quer trabalhar com seu c�rebro?
Tudo com que deseja trabalhar � com seu dedo na campainha...
por alguns d�lares a mais por semana. Tem uma senhora no seu telefone.
- Walter Neff falando. - Eu tive que telefonar para voc�, Walter.
� muito urgente. Voc� est� com algu�m?
- Sim, estou. - Posso lhe retornar depois, Margie?
N�o, n�o pode. S� tenho um minuto. N�o se pode esperar.
Ou�a. Ele vai hoje � noite. No trem. Voc� est� ouvindo?
- Walter? - Sim. Estou ouvindo, Margie.
- S� pe�o que seja breve, sim? - Ele est� de muletas.
O m�dico lhe disse que pode ir com cuidado. A mudan�a far� bem a ele.
� maravilhoso, Walter. Exatamente como queria, de trem.
S� que com as muletas � muito melhor, n�o �?
� sim, 100% melhor.
Aguarde um instante, por favor?
- Keyes, posso encontr�-lo no seu escrit�rio? - Tudo bem, eu te aguardo.
S� diga a ela para n�o gastar o dia todo.
Prossiga.
� �s 10:15 a partir de Glendale. Eu vou lev�-lo.
Continua sendo na mesma rua escura, n�o �?
E o sinal s�o tr�s buzinadas. Ok? Algo mais?
N�o.
Oh, hmm...
Que cor voc� escolheu?
Azul. Azul marinho. E o gesso est� na perna esquerda dele.
�, me parece que est� tudo bem.
Chegou a hora, Walter. Estou tremendo como uma folha.
Mas faremos isto os dois, do principio ao fim.
Te amo, Walter. At� mais.
- Lamento, Keyes. - Qual o problema?
Mulheres te perseguindo de novo? Ou ainda? Ou n�o � da minha conta?
E se eu lhe disser que � uma cliente...
Margie. Aposto que bebe direto na garrafa.
Por que n�o sossega e se casa, Walter?
- Por que n�o voc�, por exemplo? - Eu quase me casei. H� muito tempo.
Agora veja, Keyes, preciso atender um cliente.
Eu e a garota j� hav�amos at� escolhido a Igreja.
Ela tinha um vestido de seda branco com babados sobre ele.
Eu estava no meu caminho para o joalheria para comprar o anel.
E, de repente, aquele homenzinho aqui dentro come�ou a minhocar em mim.
Ent�o voc� voltou atr�s e fez uma investiga��o sobre ela?
�. E o que apareceu...
Vinha pintando o cabelo desde os 16 anos.
Havia um man�aco depressivo na fam�lia, pelo lado da m�e.
Ela j� tinha um marido.
Ele era um profissional de bilhar em Baltimore.
- E quanto ao irm�o dela... - J� peguei a id�ia geral.
- Era uma vigarista de longa estirpe. - �. Tudo bem, tudo bem
E o que digo para Norton? Sobre este servi�o que quero para voc�?
Acho que n�o vou aceitar, Keyes.
- Mesmo assim, obrigado. - Tudo bem.
Mas saiba o seguinte, eu o escolhi para o servi�o...
n�o porque eu ache voc� t�o inteligente...
mas porque � menos burro do que o resto.
Acho que estava errado. Voc� n�o � mais inteligente, Walter.
Voc� � s� um pouco mais alto.
Sim, Keyes.
Aqueles anjos de que falei, haviam s� me retardado.
Agora a chave estava ligada. As engrenagens estavam em movimento.
O tempo para pensar havia acabado.
Queria que todos soubessem onde estive at� o �ltimo momento.
A�, quando sa� deixei meu livro de tarifas sobre a mesa como se o tivesse esquecido.
Era parte do meu �libi.
Daqui em diante, era uma quest�o de seguir a programa��o...
passo a passo.
Cheguei em casa por volta das 7:00 e fui direto para a garagem.
Era outro item para preparar meu �libi.
- Ol�, Mr. Neff. - Ol�, Charlie.
Pode me lavar o carro?
Para quando vai precisar?
Tenho mais dois antes do seu.
Quando puder, Charlie.
- N�o vou sair esta noite. - Ok.
Do meu apartamento telefonei para Lou Schwartz...
um dos vendedores que dividiam meu escrit�rio.
Ele morava em Westwood, ent�o era um interurbano e ficaria registrado.
Disse que havia esquecido o livro de tarifas e precisava...
delas para calcular um certificado de responsabilidade civil.
Coloquei um terno azul marinho como o que Dietrichson iria usar.
Lou Schwartz me chamou de volta e me passou as tarifas.
Pus uma toalha de rosto e um rolo de adesivo nos meus bolsos...
de modo a poder simular algo que parecesse gesso numa perna quebrada.
Em seguida, coloquei um cart�o dentro da caixa de telefone...
que cairia se a campainha tocasse.
Assim poderia saber se algu�m havia me chamado enquanto estava fora.
Em seguida fiz o mesmo na campainha da porta para o caso de algu�m vir visitar-me.
Sai do apartamento pela escada de servi�o. Ningu�m me viu.
Caminhei todo o trecho entre meu apartamento e a casa de Dietrichson.
Eu n�o queria pegar o �nibus...
porque sempre havia a chance de algu�m se lembrar de ter me visto.
Eu estava tendo todo o cuidado.
Eu podia sentir de novo aquele cheiro de madressilva.
S� que agora que era noite ainda era mais forte.
Abri o port�o da garagem t�o silenciosamente quanto pude.
Ela havia estacionado o sedan exatamente da maneira que eu havia pedido.
Achei que era mais seguro desta maneira...
caso ele entrasse no carro antes que ela o retirasse.
Entrei na traseira do carro.
Me deitei no piso e esperei.
Fiquei o tempo todo pensando naquela rua escura no caminho da esta��o...
onde eu devia faz�-lo...
e as tr�s buzinadas que seriam o sinal.
Aproximadamente, 10 minutos depois eles desceram.
- Tudo bem, querido? - Sim, estou bem.
Vou tirar o carro num segundo.
- Calma, querido. Temos tempo demais. - Sim.
Lembre do que o m�dico disse. Se n�o tomar cuidado...
pode acabar com uma pena mais curta.
E dai? Posso quebrar a outra e fazer as duas iguais de novo.
Voc� se sente muito bem por estar se livrando de mim, n�o �?
S�o s� quatro dias. Estarei de volta Segunda-Feira no m�ximo.
Esta n�o � a rua certa. Por que virou aqui?
Para que est� fazendo isto?
Por que est� buzinando?
Encarregue-se do porteiro e do chefe do trem.
- N�o se preocupe. - Afaste-se de mim tanto quanto puder.
- Diga a eles que n�o quero ser ajudado. - J� disse, n�o se preocupe, Walter.
Voc� come�a t�o logo o trem parta.
Quando chegar � refinaria, saia da auto-estrada e entre na estrada de terra.
A partir de l� s�o exatamente 1,3 Km...
at� o despejo ao lado dos trilhos. Lembre-se.
- Eu me lembro de tudo. - N�o corra.
Voc� n�o quer que nenhum policial te pare com ele atr�s.
Walter, j� recapitulamos tudo isto tantas vezes.
Quando sair da auto-estrada, apague todas suas luzes.
Eu estarei atr�s na plataforma de observa��o.
Saltarei t�o perto do ponto quanto puder.
Deixe o trem passar, ent�o pisque os far�is 2 vezes.
- Trem para San Francisco, senhora? - Carro, cabine 11. S� meu marido.
Carro 9, cabine 11? Por aqui, por favor.
Obrigado. Meu marido n�o gosta de ser ajudado.
Carro 8. Por ali.
Carro 9, cabine 11. Obrigado.
Aqui est�o os t�quetes. Cuide-se com esta perna.
Calma, dirigindo para casa.
Sentirei sua falta, querido. Cabine 11, sir.
- Todos a bordo! - Obrigado.
- At� mais, querido. - Todos a bordo.
Boa sorte, querido.
Porteiro, pode preparar minha cabine agora?
Sim, sir.
Vou l� para tr�s, para o carro de observa��o, fumar.
Por aqui, sir.
Quer uma cadeira?
N�o, obrigado. Vou ficar em p�.
- Vai para longe? - Palo Alto.
Meu nome � Jackson.
Estou indo at� Medford. Medford, Oregon.
Uma vez quebrei um bra�o.
O danado do gesso co�a para valer, n�o �?
Pensei que fosse ficar maluco com o meu.
Palo Alto � uma bela cidadezinha. Voc� se formou em Stanford?
- Sim. - Aposto que esqueceu de alguma coisa.
Sempre acontece.
Minha caixa de charutos. Deixei no sobretudo na cabine.
Quer um cigarro, Mr. ...
Dietrichson.
N�o obrigado, eu prefiro um charuto.
- Talvez o porteiro pudesse... - Eu posso pegar seus charutos.
- Com prazer, Mr. Dietrichson. - Se n�o for muito inc�modo.
- Carro 9, cabine 11. - Carro 9, cabine 11. Com prazer.
Ok. Isto precisa ser r�pido.
Pegue o chap�u dele. Pegue as muletas de volta l� entre os trilhos.
Ok, baby. � isto a�.
Tudo bem. Vamos.
No caminho de volta, recapitulamos uma vez mais...
o que ela tinha que fazer no inqu�rito...
se houvesse um, e com o seguro, quando ele chegasse.
Receava que ela se descontrolasse um pouco, agora que estava feito.
Mas ela foi perfeita. Sem nervosismo. Nem uma l�grima, nem mesmo um piscar de olhos.
Ela me deixou a uma quadra do meu apartamento.
Walter, qual o problema? N�o vai me beijar?
Vamos at� o fim, n�o �?
- Eu te amo, Walter. - Eu te amo, baby.
Passavam 2 minutos das 11:00, quando subi a escada de servi�o de novo.
Ningu�m me viu tamb�m desta vez. No apartamento chequei as campainhas.
Os cart�es n�o haviam se mexido. Nenhuma chamada. Nenhuma visita.
A� troquei minhas roupas de novo. Havia uma �ltima coisa a fazer.
Tinha que descer � garagem. Queria que Charlie me visse de novo.
Vai precisar do carro? Ainda n�o acabei.
Est� bem, Charlie.
Vou at� � drogaria ver se arranjo algo para comer.
Estive trabalhando a noite toda. Meu est�mago est� reclamando.
Sim, Mr. Neff.
Era tudo que tinha que ser feito.
Nada havia falhado, nada foi esquecido.
N�o havia nada que nos pudesse incriminar.
Apesar disto, Keyes, enquanto caminhava para a drogaria...
de repente, tive a impress�o que tudo iria dar errado.
Parece maluquice, Keyes, mas � verdade, ent�o me ajude.
Eu n�o conseguia ouvir meus pr�prios passos.
Era o caminhar de um homem morto.
Aquela foi a mais longa noite que j� vivi, Keyes...
e a noite seguinte foi pior, quando a hist�ria saiu nos jornais...
e come�aram a coment�-la no escrit�rio...
e no dia seguinte a aquele, quando voc� come�ou a se enfronhar no assunto.
Mantive minhas m�os nos bolsos porque achava que estavam tremendo.
Pus �culos escuros para que as pessoas n�o pudessem ver meus olhos.
Em seguida os tirei de novo para que n�o perguntassem por que os estava usando.
Tentei me controlar, mas...
eu podia sentir meus nervos me fazendo em peda�os.
- Ol�, Walter? - Ol�, Keyes.
Venha comigo. O chef�o quer falar conosco.
- O caso Dietrichson? - Deve ser.
- Algo errado? - Bem, o cara est� morto.
Fizemos o seguro dele e vai nos custar um bocado. Isto est� sempre errado.
- O que conseguiram at� agora? - O relat�rio da aut�psia.
Sem ataque card�aco, sem apoplexia, nenhuma causa m�dica de predisposi��o.
Morreu da quebra do pesco�o.
- Quando � o inqu�rito? - Foi esta manh�.
Sua esposa e filha fizeram a identifica��o.
O pessoal do trem e alguns passageiros contaram como chegou...
ao carro de observa��o.
Tudo aconteceu em 45 minutos. Veredicto? Morte acidental.
E o que a policia acha?
Que se confundiu com as muletas e caiu do trem.
Est�o satisfeitos.
N�o � o dinheiro deles. Vamos, Walter.
Tudo bem. Muito obrigado, cavalheiros.
Acredito que a posi��o legal agora esteja clara.
Por favor, aguardem. Posso precisar de voc�s.
Venha, Mr. Keyes. Voc�, tamb�m, Mr. Neff.
Est� achando o dia desconfortavelmente quente, Mr. Keyes?
Me desculpe, Mr. Norton, mas n�o sabia que esta era uma reuni�o formal.
- Sentem-se cavalheiros. - Obrigado.
Alguma novidade?
Acabei de falar interurbano com este Jackson, em Medford, Oregon.
Quem � Jackson?
O �ltimo homem que viu Dietrichson vivo.
Eles estavam juntos na plataforma de observa��o, conversando.
Dietrichson queria um charuto e a� Jackson voltou...
para pegar a caixa de charutos de Dietrichson.
Quando retornou � plataforma de observa��o, n�o encontrou Dietrichson.
Jackson n�o imaginou que houvesse algo de errado at� que...
um telegrama chega ao trem em Santa Barbara.
Encontraram o corpo de Dietrichson nos trilhos pr�ximo a Burbank.
Muito interessante esta caixa de charutos.
- Mais alguma coisa. - N�o, n�o muito.
A secret�ria de Dietrichson disse n�o saber nada sobre a ap�lice.
Existe uma filha, mas tudo de que se lembra � de Neff conversando com o pai dela...
numa noite, sobre um seguro de acidentes na sua casa .
A principio n�o consegui vender.
Mr. Dietrichson n�o quis. Disse que ia pensar.
Depois me encontrei com ele no campo de petr�leo e fechamos.
Ele assinou a proposta e me deu o cheque.
Bela venda, Mr. Neff.
Bem, n�o h� raz�o para reclamar de Neff.
Ele � o melhor vendedor do escrit�rio.
Ser� que seus vendedores devem saber que um cliente vai cair do trem.
Cair do trem? Estamos seguros que Dietrichson caiu do trem?
- N�o entendi. - N�o, Mr. Keyes?
Ent�o o que acha deste caso?
Esta ap�lice vai nos custar um bocado de dinheiro.
Como sabe, ela contem uma cl�usula de indeniza��o em dobro.
Qual �, exatamente, sua opini�o?
- Nenhuma opini�o. - Nem uma intui��o?
Uma daquelas intui��es interessantes suas?
N�o. Nem mesmo uma intui��o.
Estou surpreso, Mr. Keyes. Eu tenho uma opini�o bem formada.
Acho que sei. De fato, sei o que aconteceu a Dietrichson.
- Voc� sabe o qu�? - Eu sei que n�o foi um acidente.
- O que me diz disto? - Eu?
Bem, voc� est� com a bola. Vamos assistir voc� jogar.
Existe uma opini�o generalizada que s� porque um homem tem um grande escrit�rio...
Sim? Fa�a-a entrar, por favor.
H� um sentimento generalizado que...
s� porque um homem tem um grande escrit�rio, deve ser um idiota.
Vou receber uma visita, se n�o se importam.
N�o, n�o. Quero que fiquem e assistam eu administrar isto.
Mrs. Dietrichson.
Muito obrigado por ter vindo, Mrs. Dietrichson.
Eu realmente lhe agrade�o. Este � Mr. Keyes.
- Como vai. - Como vai.
- E Mr. Neff. - J� conhe�o Mr. Neff. Como vai?
Mrs. Dietrichson. Quer se sentar?
Nossas condol�ncias.
Eu hesitei antes de pedir que viesse aqui t�o depressa ap�s sua perda.
Mas agora que est� aqui, espero que n�o se incomode de tratar direto de neg�cios?
Voc� sabe a raz�o pela qual a chamamos, n�o?
N�o. Tudo que sei � que sua secret�ria fez parecer urgente.
Seu marido tinha uma ap�lice de acidentes com esta companhia.
Evidentemente voc� n�o sabe disso, Mrs. Dietrichson.
N�o. Me lembro de uma conversa na minha casa, mas ele n�o pareceu se interessar.
Seu marido adquiriu a ap�lice alguns dias depois, Mrs. Dietrichson.
Provavelmente encontrar� a ap�lice entre seus pertences.
O seu cofre de seguran�a ainda n�o foi aberto.
Parece que um perito judicial deve estar presente.
Por favor, Mrs. Dietrichson, N�o quero que pense...
que esteja sendo submetida a nenhum questionamento...
mas existem algumas coisas que gostar�amos de saber.
Que tipo de coisas?
Temos o relat�rio do inqu�rito policial.
Morte acidental. N�o estamos inteiramente satisfeitos.
Na realidade, n�o estamos nada satisfeitos.
Francamente, Mrs. Dietrichson, suspeitamos...
de suic�dio.
- Lamento. Quer um copo d'�gua. - Por favor.
Obrigada.
Seu marido andou deprimido ultimamente, Mrs. Dietrichson?
Teve problemas financeiros, por exemplo?
Ele estava perfeitamente bem e desconhe�o quaisquer problemas financeiros.
Vamos examinar este assim chamado acidente.
Primeiro, seu marido adquire esta ap�lice em segredo absoluto. Por qu�?
Porque n�o queria que sua fam�lia suspeitasse do que pretendia fazer.
- Fazer o qu�? - Em seguida, sai nesta viagem sozinho.
Ele tinha que estar s�. Ele se coloca na plataforma de observa��o.
Bastante improv�vel com sua perna engessada,
a menos que tivesse uma forte raz�o.
Uma vez l�, ele se d� conta que n�o est� s�. H� um homem l�.
- Como era o nome dele, Keyes? - Jackson. Provavelmente ainda �.
A� ele se livra deste Jackson com uma desculpa sobre charutos.
- A� ele fica s�. E a� ele faz. - Faz o qu�?
Ele pula. Se suicida. E neste caso, a companhia n�o tem responsabilidades.
Voc� sabe disso, � claro. Agora, n�s podemos ir para a Justi�a...
Eu n�o sei de nada. De fato, nem sei por que estou aqui.
Um momento. Eu disse que pod�amos ir para a Justi�a. Eu n�o disse que queremos ir.
O que quero propor � um acordo entre ambos os lados.
O estabelecimento de um certo valor, uma parte do valor da ap�lice.
N�o se preocupe, Mr. Norton. Quando cheguei n�o imaginava que me devesse dinheiro.
Voc� me disse que devia. Em seguida disse que n�o devia.
Agora me diz que quer pagar uma parte de quanto eu n�o sei.
Quer barganhar comigo num momento como este.
N�o gostei das suas insinua��es sobre meu marido, e n�o gosto dos seus m�todos.
De fato, eu n�o gostei de voc�, Mr. Norton. At� mais, cavalheiros.
Boa avan�ada, Mr. Norton. Voc� conduziu bem a bola.
S� se atrapalhou na linha de goal.
A� fez um passe ilegal para a frente e teve que recuar 40 jardas.
E agora nem pode se levantar porque n�o tem uma perna para se apoiar.
N�o tenho, hein? Ela pode ir � Justi�a e provaremos que foi suic�dio.
Oh, podemos?
Mr. Norton, a primeira coisa que me ocorreu foi suic�dio.
S� que, tr�s segundos depois, joguei na lata de lixo.
Sabe, voc� devia ter dado uma olhada nas estat�sticas de suic�dio, algum dia.
Teria aprendido um pouco sobre o neg�cio de seguros.
Mr. Keyes, eu cresci dentro do neg�cio de seguros.
Sim, no escrit�rio da frente.
Convenhamos, voc� nunca leu uma tabela atuarial na sua vida, leu?
Por qu�? Elas t�m 10 volumes s� sobre suic�dio.
Suic�dio por ra�a, por cor, por ocupa��o...
por sexo, por esta��o do ano, por hora do dia.
Como cometer suic�dio? Por venenos, armas de fogo, por afogamento, por saltos.
Suic�dio por venenos, subdividido por tipos de veneno...
tais como corrosivos, irritantes, sist�mico, gasoso, narc�tico...
alcal�ide, prote�na, e assim por diante.
Suic�dio por saltos, subdividido em saltos de lugares altos...
sob as rodas de trens, sob as rodas de caminh�es....
sob as patas de cavalos, de barcos a vapor. Mas, Mr. Norton...
de todos estes casos registrados n�o h� um s� caso de suic�dio por pular...
da traseira de um trem em movimento.
E sabe qual a velocidade que aquele trem estava...
no ponto em que o corpo foi encontrado? 25 Km/h.
Como algu�m poderia pular de um trem naquela velocidade...
com qualquer esperan�a de se matar?
N�o. Nada feito, Mr. Norton.
Vamos ter que pagar e voc� sabe disto.
Posso pegar isto?
Vamos, Walter.
Da pr�xima vez vou alugar um smoking.
Eu poderia t�-lo abra�ado, Keyes,
voc� e suas estat�sticas.
Voc� era o �nico de quem eu tinha medo...
e ao inv�s, voc� estava quase jogando no nosso time.
Naquela noite, quando voltei para casa, meus nervos tinham se acalmado.
Conseguia sentir de novo o ch�o sob meus p�s.
E tudo parecia que ia correr bem dali para frente.
Aqueles $100.000,00 pareciam t�o seguros para Phyllis e eu...
como se eu j� tivesse depositado o cheque no banco.
Al�? Oh, al�, baby. Claro, est� tudo bem.
Voc� esteve formid�vel no escrit�rio de Norton.
Eu me senti t�o alegre, que queria olhar para voc� o tempo todo.
Como acha que me senti, baby? Onde voc� est�?
Na drogaria. Apenas a uma quadra.
Posso subir? Ok. Mas tenha cuidado.
N�o deixe que ningu�m a veja.
Ol�, Keyes.
- O que tem em mente? - Aquela perna quebrada.
- O cara tinha uma perna quebrada. - Do que est� falando?
De Dietrichson. Ele tinha um seguro de acidentes, n�o tinha?
- Tinha. - E a� ele quebrou a perna, n�o foi?
- E ent�o? - Ele n�o reclamou nada.
- Por que ele n�o fez nenhuma reclama��o? - Por qu�? Onde voc� quer chegar?
Eu jantei h� duas horas atr�s e n�o consigo digerir.
Aquele seu homenzinho est� atuando de novo, hein?
Existe algo de errado com o caso Dietrichson.
Por qu�? Por que n�o fez uma reclama��o? Talvez n�o tenha tido tempo.
Talvez ele n�o soubesse que estava segurado.
N�o. N�o, isto n�o pode ter sido.
Voc� entregou a ap�lice a ele pessoalmente, n�o foi?
- Sim. - Voc� recebeu o cheque.
Claro que sim.
- Tem bicarbonato de s�dio? - N�o, n�o tenho.
Walter, tenho convivido com este homenzinho por 26 anos.
E ele nunca me falhou. Deve haver alguma coisa errada.
Talvez Norton estivesse certo. Talvez tenha sido suic�dio.
N�o. N�o foi suic�dio.
- Mas n�o foi acidente, tamb�m. - O que foi ent�o?
Veja s�, Walter.
O cara adquire uma ap�lice de acidentes no valor de $100.000,00...
se for morto em um trem.
Ai, duas semanas depois ele morre num trem.
E n�o num acidente de trem, mas caindo de um carro de observa��o idiota.
Sabe qual a probabilidade matem�tica disto acontecer?
Uma em n�o sei quantos bilh�es.
E acrescente a isto a perna quebrada. N�o, n�o pode ser como parece.
- Alguma coisa foi armada. - Tal como?
Assassinato?
Voc� n�o tem uma bala de hortel� ou coisa parecida?
- Lamento. Quer um pouco de �gua com g�s. - N�o, n�o, n�o?
Do que suspeita?
Talvez esteja querendo tornar as coisas mais f�ceis para mim.
Mas sempre tendo a suspeitar do benefici�rio.
- Quer dizer a esposa? - Sim.
Aquela senhora que disse que n�o sabia de nada sobre nada.
Voc� est� maluco, Keyes. Ela nem estava no trem.
Eu sei que n�o estava, Walter.
Eu n�o sei como funcionou, nem quem armou...
mas eu sei que aquilo foi preparado.
Eu preciso ir a uma drogaria.
Esta coisa parece um peda�o de concreto dentro de mim.
- Boa noite, Walter. - Boa noite, Keyes.
- Nos vemos no escrit�rio pela manh�. - Sim.
Eu gostaria de ir para cima dela agora, esta noite.
Se n�o fosse pelo Norton e sua id�ias sobre as pol�ticas da companhia...
eu teria posto a pol�cia atr�s dela t�o r�pido que ela iria ficar tonta.
Eles iriam esprem�-la...
e, amigo, as coisas que iriam tirar dela.
S� que voc� n�o tem nada para continuar, Keyes.
N�o muito. S� 26 anos de experi�ncia...
todas as percentagens a meu favor e este peda�o de concreto no meu est�mago.
Pode me arranjar fogo?
- Boa noite, Keyes. - At� mais, Walter.
- Quanto ele sabe? - Ele n�o sabe nada.
� uma das suas malditas suspeitas.
E ele n�o pode provar nada, pode?
N�o se formos cuidadosos. N�o se n�o nos vermos por algum tempo.
- Por quanto tempo. - At� que este assunto morra.
Voc� n�o conhece Keyes.
Quando ele prega os dentes em alguma coisa ele nunca larga.
Ele vai te investigar, mandar segui-la.
Ele vai te monitorar a cada minuto de agora em diante.
- Est� com medo, baby. - Sim, estou com medo.
Mas n�o de Keyes. Estou com medo de n�s. J� n�o somos mais os mesmos.
N�s fizemos para ficarmos juntos, mas em vez disto estamos nos afastando.
- N�o �, Walter. - De que est� falando?
E voc� realmente n�o se importa se nos vemos ou n�o.
Cale-se, baby.
Pacific All Risk. Boa Tarde.
Al�, Mr. Neff.
- Ol�. - Lola Dietrichson.
- N�o se lembra de mim? - Sim. Sim, � claro.
Poderia falar com voc� por alguns minutos?
Em algum lugar onde pudermos ficar a s�s?
Oh, sim. Venha ao meu escrit�rio.
Alguma coisa a respeito do acontecido?
Sim, Mr. Neff. � sobre a morte do meu pai.
Estou profundamente sentido, Miss Dietrichson.
Lou, se incomoda se eu usar o escrit�rio sozinho por alguns minutos?
N�o. � todo seu, Walter.
Olhe para mim, Mr. Neff.
Eu n�o estou maluca, N�o estou hist�rica. N�o estou nem chorando.
Mas tenho um sentimento desagrad�vel de que alguma coisa est� errada...
e tive este mesmo sentimento antes, quando minha m�e morreu.
Quando sua m�e morreu?
Est�vamos em Lake Arrowhead. Isto foi h� seis anos atr�s.
T�nhamos uma cabana l�.
Era Inverno e fazia muito frio. Minha m�e estava muito doente com pneumonia.
Ela tinha uma enfermeira com ela.
�ramos s� nos tr�s na cabana.
Uma noite eu me levantei e fui ao quarto da minha m�e.
Ela estava delirando com febre.
Todas as cobertas da cama estavam no ch�o e as janelas estavam abertas.
A enfermeira n�o estava no quarto.
Eu corri e cobri minha m�e t�o r�pido quanto pude.
A� ouvi a porta se abrir atr�s de mim.
A enfermeira estava l�.
Ela n�o disse uma palavra, mas havia um olhar em seus olhos...
que nunca esquecerei.
Dois dias depois, minha m�e morreu.
Sabe quem era a enfermeira?
- N�o. Quem? - Phyllis.
Tentei contar para meu pai, mas na �poca eu era uma crian�a.
Ele n�o me ouviria. Seis meses depois ela casou-se com ele...
e eu me convenci da id�ia de que ela n�o podia ter feito nada como aquilo.
Mas agora voltou tudo, agora aconteceu com meu pai.
N�o faz sentido, Miss Dietrichson. Seu pai caiu de um trem.
Sim, e dois dias antes de ele cair, o que Phyllis estava fazendo?
Ela estava no quarto dela em frente do espelho, com um chap�u preto...
prendendo um v�u preto nele.
Como se n�o pudesse esperar para ver como estaria no vel�rio.
Voc� deve ter ficado bem chocada, Miss Dietrichson.
Voc� n�o estaria apenas imaginando isto?
Eu vi os olhos dela no espelho.
Eles tinham aquele mesmo olhar que tinham antes da minha m�e morrer.
Aquele mesmo olhar.
Voc� n�o gosta da sua madrasta, n�o �?
N�o ser� s� porque ela � sua madrasta.
Eu detesto ela pelo que ela fez. Ela fez pelo dinheiro.
S� que voc�s n�o v�o pagar a ela, v�o, Mr. Neff?
Ela n�o vai receber desta vez, por que eu vou abrir a boca.
Eu vou contar tudo que sei.
- Tenha cuidado dizendo coisas como estas... - Eu n�o estou com medo. Voc� vai ver.
Me desculpe.
Eu n�o pretendia agir assim.
O que me disse, para quem mais j� contou?
Ningu�m.
- Que tal contar para sua madrasta. - Claro que n�o.
Eu me mudei.
N�o estou mais morando em casa.
E n�o contou para aquele namorado? Zachetti?
N�o estou mais com ele. N�s brigamos.
Onde est� morando agora?
Eu tenho um pequeno apartamento em Hollywood.
Quatro paredes. Voc� senta e fica olhando para elas?
Sim, Mr. Neff.
Assim, naquela noite, levei-a para jantar...
num restaurante mexicano na Rua Olivera onde ningu�m podia nos ver.
Eu queria agrad�-la.
O dia seguinte era Domingo e fomos dar um passeio na praia.
Ela havia se descontra�do um pouco chegou at� a rir.
Eu precisava estar certo que n�o contaria a hist�ria sobre Phyllis a ningu�m mais.
Era dinamite, fosse verdade ou n�o.
E eu n�o tinha chance de conversar com Phyllis
Voc� a estava vigiando como uma �guia, Keyes.
Eu n�o podia nem telefonar para ela porque temia que voc� a tivesse grampeado.
Segunda-Feira, pela manh�, havia um bilhete
na minha mesa que voc� queria me ver, Keyes.
Por um instante eu pensei se podia ser sobre Lola.
Era pior.
Do lado de fora da sua porta estava a �ltima pessoa que eu queria ver.
Entre. Entre, Walter.
- Ol�, Keyes. - Quero lhe perguntar uma coisa.
Depois de todos os anos que nos conhecemos...
se incomoda se eu fizer uma declara��o bastante direta.
- A respeito de qu�? - A respeito de mim.
- Walter, eu sou um g�nio. - Sim?
Este caso Dietrichson, foi um homic�dio...
e dos melhores.
Um homic�dio assim n�o � nada comum...
inteligente, ardiloso, quase perfeito, mas...
Acho que o Papai aqui j� entendeu tudo.
Entendido e enrolado em papel tecido com fitas cor de rosa.
- V� em frente. Estou escutando. - Sabe de uma coisa?
Aquele cara Dietrichson, nunca entrou naquele trem.
- N�o entrou? - N�o, ele n�o entrou.
Veja, Walter. Voc� n�o pode estar seguro de matar um homem...
jogando-o de um trem que est� andando a 25 Km/h.
A �nica maneira de estar seguro � mat�-lo antes...
e depois jogar seu corpo nos trilhos.
Agora, isto significa que teria que ser morto no trem...
ou, e aqui � onde as coisas realmente complicam, mat�-lo em outro lugar...
e por o corpo nos trilhos.
Duas possibilidades, e eu pessoalmente compro a segunda.
Voc� est� muito na minha frente, Keyes.
Veja, Walter. Foi assim.
Eles mataram o cara, a esposa e mais algu�m...
e este algu�m pegou as muletas e entrou no trem como Dietrichson...
a� este algu�m pulou fora...
e eles colocaram o corpo nos trilhos onde o trem havia passado.
Uma representa��o, entende? uma canja para fazer.
Por ser noite, havia pouca gente...
elas tinham as muletas para olhar...
elas, realmente, nunca viram o homem.
Como imagina��o, tudo bem, Keyes, mas talvez um pouco fantasioso.
Acha? Eu lhe digo que tudo se ajusta como num rel�gio.
Agora vamos ver o que temos como prova.
O �nico cara que realmente deu uma olhada no suposto Dietrichson...
est� sentado a� fora do meu escrit�rio.
Tive o trabalho de traz�-lo do Oregon.
- Venha c�, Mr. Jackson. - Sim, Mr. Keyes.
Bons charutos estes que voc� fuma.
Dois por 25 cents. Foi o que eu disse.
Estudou aquelas fotografias?
Sim, claro. Eu as estudei cuidadosamente.
- Muito cuidadosamente. - Concluiu alguma coisa?
Mr. Keyes, sou um homem de Medford. Medford, Oregon.
Em Medford usamos nosso tempo para decidir.
Bem, n�o estamos em Medford agora. Temos pressa. Vamos decidir.
Estas fotografias s�o do falecido Mr. Dietrichson?
Sim.
- Ent�o, minha resposta � n�o. - O que quer dizer com n�o.
Quero dizer, que este n�o era o homem que estava no trem.
Voc� juraria isto?
Mr. Keyes, sou um homem de Medford. Medford, Oregon.
O que eu falo � o que quero dizer. Se eu quero dizer, � claro que juro.
A� est�, Walter. A� est� sua prova.
Este � Mr. Neff, um de nossos vendedores.
Prazer em conhec�-lo, Mr. Neff. Muito prazer, mesmo.
- Como vai? - Muito bem, obrigado.
- Nunca estive melhor. - Sente-se, Mr. Jackson.
Como poderia descrever o homem que viu na plataforma de observa��o?
Bem, estou bem seguro que era um homem mais jovem...
de 15 a 20 anos mais novo que o homem nestas fotografias.
Dietrichson tinha mais ou menos 50, n�o �, Walter?
Cinq�enta e um de acordo com a ap�lice.
O homem que eu vi n�o parecia ter 51 anos de idade.
Claro, estava muito escuro naquela plataforma.
Pensando bem, ele procurou manter as costas voltadas para mim.
- Mas estou seguro que n�o era ele. - Obrigado, Jackson.
Espero que compreenda que este assunto � estritamente confidencial.
Pode ser que precisemos de voc� aqui de novo, se o caso for para a Justi�a.
Quando precisarem de mim, estarei inteiramente � disposi��o, cavalheiros.
- Despesas pagas, � claro. - Oh, sim. Sim. � claro.
Me ligue com Lubin no escrit�rio de caixa.
Al�, Lubin. Aqui � Keyes.
Ou�a. Estou mandando para voc� um homem chamado Jackson com uma conta de despesas.
N�s o trouxemos de Medford, Oregon por conta do...
caso Dietrichson.
Bem, encarregue-se da conta dele no hotel.
J� esteve no Oregon, Mr. Neff?
Sim. Ele vai para a� agora.
N�o, nunca estive l�.
Um instante. Voc� pesca trutas?
- Talvez o tenha visto em Klamath Falls. - Acho que n�o. Eu n�o pesco.
Voc� n�o pesca, Mr. Neff. Neff. � o nome.
- Existe uma fam�lia de Neffs em Corvallis. - N�o � parente.
Deixe-me ver. Aquele homem � um representante de autom�veis em Corvallis.
- Um homem muito conceituado, me disseram. - Tudo bem, Mr. Jackson.
V� ao escrit�rio do caixa.
Sala 17 no 11o. andar.
Ele vai reembols�-lo das suas despesas e do t�quete para o trem hoje � noite.
Hoje � noite.
Amanh� de manh� seria muito melhor para mim.
Existe uma osteopata muito boa na cidade...
Eu gostaria de procur�-la antes de partir.
Osteopata?
Bem, s� n�o ponha na conta das despesas.
At� mais, cavalheiros.
- Foi um prazer. - At� mais.
Ai est�, Walter. Est� come�ando a se esclarecer.
Homic�dios nunca s�o perfeitos. Cedo ou tarde acabam se esclarecendo.
E quando duas pessoas est�o envolvidas, normalmente � mais cedo.
Agora, sabemos que a senhora Dietrichson est� envolvida junto com mais algu�m.
Breve saberemos quem � este algu�m.
Ele vai aparecer. Em algum momento, em algum lugar, eles v�o se encontrar.
Suas emo��es est�o aumentadas.
Seja amor ou �dio n�o importa. Eles n�o podem se manter afastados.
Pode ser que pensem que estejam duplamente seguros porque s�o dois.
Mas n�o est�o duplamente seguros.
Est�o 20 vezes mais em perigo. Eles cometeram um assassinato...
e n�o � como dar um passeio de bonde juntos...
quando eles podem saltar em qualquer ponto.
Eles est�o presos um ao outro e tem que fazer o passeio...
at� o fim da linha.
E � uma viagem sem volta, com a �ltima parada no cemit�rio.
Ela apresentou sua reclama��o.
Eu vou devolv�-la.
Deixe que ela nos processe se quiser.
Estarei pronto para ela e aquele algu�m.
Eles cavar�o seus pr�prios t�mulos.
Mrs. Dietrichson? Aqui � Jerry Market.
Acabamos de receber um carregamento daquele sab�o ingl�s que pediu.
- Voc� vir� hoje? - Obrigado, Mrs. Dietrichson.
- Ol�, Walter. - Venha at� aqui.
- Qual o problema? - Tudo � problema.
Keyes est� rejeitando sua solicita��o.
Ele est� sentado, esperando que voc� o processe com �gua na boca.
Ele quer que o processe, mas voc� n�o vai fazer isto.
- O que ele tem para me impedir? - Ele tem tudo.
Ele entendeu como foi feito.
Ele sabe que a pessoa do trem era outra...
e conseguiu uma testemunha que ele acha que pode provar.
Provar como? Se ele rejeitar a solicita��o eu tenho que process�-lo.
A� voc� estar� na Justi�a e uma por��o de outras coisas v�o aparecer.
Como, por exemplo, sobre voc� e a primeira Mrs. Dietrichson.
O que h� entre mim e a primeira Mrs. Dietrichson.?
A maneira como ela morreu.
E aquele chap�u preto que estava provando antes de precisar de um chap�u preto.
Lola andou te contando as suas hist�rias malucas.
- Ela tem visto voc�. - E eu a tenho visto, se quer saber.
Para impedi-la de falar sobre o que sabe.
Ela est� encenando para voc�, chorando no seu ombro, a menti...
Tire ela disto. O que estou lhe dizendo � que n�o vamos processar.
Porque voc� n�o quer mais o dinheiro...
mesmo se pudesse t�-lo porque ela...
fez, de repente voc� se sentir como um canalha?
N�o se trata mais do dinheiro. S�o nossos pesco�os. Estamos caindo fora, entende?
Por causa do que Keyes pode fazer? Voc� n�o me engana, Walter.
� por causa de Lola. O que voc� fez ao pai dela.
Voc� receia que um dia ela possa descobrir e voc� est� assustado, n�o �?
Eu disse, deixe ela fora disto.
Sou eu que estou falando.
- N�o quero ser passada para tr�s. - Pare de dizer isto.
Apenas as coisas n�o funcionaram como quer�amos.
- N�o podemos continuar. - Mas n�s j� fizemos.
O mais dif�cil j� est� feito.
Agora s� temos que ag�entar e n�o amolecer...
permanecermos juntos como come�amos.
Preste aten��o.
Eu te amava, Walter, e odiava a ele.
Mas eu n�o ia fazer nada, at� que o encontrei.
Voc� planejou tudo. Eu s� o queria morto.
E fui eu quem providenciou para que ele fosse morto.
- Isto � o que est� me dizendo? - E ningu�m vai dar para tr�s.
N�s come�amos juntos, e vamos continuar juntos at� o fim.
� at� o fim da linha, lembra?
Sim, eu lembrava.
Da mesma forma que me lembrava do que voc� havia me dito, Keyes...
a respeito do passeio de bonde...
e como n�o havia sa�da at� o fim da linha...
onde estava o cemit�rio.
A� comecei a pensar para que servem os cemit�rios.
Eles existem para abrigar pessoas mortas.
Acho que foi a primeira vez que pensei em Phyllis daquela maneira.
Morta, quero dizer.
E como seria se ela morresse.
Eu vi Lola, tr�s ou quatro vezes naquela semana.
Uma noite fomos at� �s colinas atr�s do Hollywood Bowl.
Pode parecer loucura, Keyes, mas era s� com ela que...
eu podia relaxar um pouco.
Por que est� chorando?
N�o vai me dizer, hein?
Claro que vou, Walter. Eu n�o poderia contar a ningu�m, a n�o ser voc�.
- � a respeito de Nino. - Zachetti? O que h� com ele?
Eles mataram meu pai juntos. Ele e Phyllis.
Ele a ajudou a fazer. Eu sei que ele fez.
O que faz voc� dizer isto?
Eu o tenho seguido. Ele tem ido � casa dela, noite ap�s noite.
Foram Phyllis e ele juntos.
Talvez sair comigo fosse um biombo. E na noite do crime...
Voc� prometeu que n�o iria mais falar nisto.
Ele devia me pegar depois de uma aula na UCLA.
Mas ele nunca apareceu. Disse que estava doente.
Doente!
Ele n�o podia aparecer, porque o trem estava saindo com meu pai nele.
Pode ser que eu esteja maluca. Pode ser que seja s� imagina��o.
Claro, � s� imagina��o.
Espero, Walter, por que ainda o amo.
Zachetti. Phyllis e Zachetti.
O que estaria ele fazendo na casa dela? Eu n�o conseguia entender.
Tentei entender mas n�o cheguei a lugar nenhum.
Mas a verdadeira surpresa veio no dia seguinte.
Voc� conversou comigo, Keyes, depois do escrit�rio quando me pegou...
na entrada do edif�cio.
Walter. Walter, um instante.
- Ol�, Keyes. - Pode me tirar o chap�u, Walter.
- Para qu�? - Oh, n�o muito.
Aquele caso Dietrichson acaba de se resolver.
- O que voc� quer dizer? - O cara apareceu.
- Que cara? - O cara que a ajudou a fazer.
O algu�m?
- N�o brinca? - Sim. Ela vai nos processar.
Est� �timo para mim.
Quando os pegarmos na Justi�a, vou despeda��-los, os dois.
- Vamos. Vou lhe pagar um mart�ni, Walter. - N�o, obrigado Keyes.
Com duas azeitonas.
N�o, preciso me barbear e dar um lustre nos sapatos. Tenho um encontro.
Margie. Continuo achando que ela bebe no gargalo.
Quando se compra charutos, eles te d�o f�sforos, sabia?
� s� pedir.
N�o gosto deles. Sempre explodem no meu bolso. At� mais, Walter.
Eu estava morrendo de medo, Keyes.
Talvez voc� estivesse brincando de gato e rato comigo.
Talvez voc� soubesse o tempo todo que eu era o algu�m.
Eu tinha de descobrir e sabia onde procurar. No seu escrit�rio.
Memo para Mr. Norton.
Confidencial. Arquivo Dietrichson.
Em rela��o � sua proposta de colocar Walter Neff em observa��o...
discordo completamente.
Investiguei os movimentos dele na noite do crime...
e ele, definitivamente, estava em seu apartamento de 19:15 em diante.
Al�m disto, conhe�o Neff intimamente h� 11 anos...
e pessoalmente garanto por ele sem reservas.
Al�m disto, n�o se estabeleceu nenhuma liga��o...
entre Walter Neff e Mrs. Dietrichson...
mas agora estou em condi��es de relatar que tal liga��o foi estabelecida...
entre ela e outro homem.
Este homem foi observado visitando Mrs. Dietrichson...
nas noites de 9, 10, 11, 12 e 13 de Julho.
Conseguimos identific�-lo como Nino Zachetti...
antigo estudante de medicina, 28 anos de idade...
morando no conjunto de apartamentos Lilac...
12281/2 na Avenida La Brea, Norte.
Verificamos os movimentos de Zachetti na noite do crime...
e descobrimos que ele n�o tem nenhum �libi.
Estou preparando um relat�rio mais detalhado para sua considera��o.
Acredito que j� temos evid�ncias suficientes contra Zachetti...
e Mrs. Dietrichson para justificar a a��o da pol�cia.
Recomendo enfaticamente que todo este assunto seja confiado ao escrit�rio...
do procurador do Distrito.
Respeitosamente, Barton Keyes.
Phyllis? � Walter. Preciso te ver esta noite.
Sim, tem que ser esta noite.
Que tal �s 11:00?
N�o se preocupe com Keyes.
S� deixe a porta da frente aberta e apague a luzes.
N�o, ningu�m est� vigiando a casa. N�o mais.
� s� por causa dos vizinhos. J� lhe disse para n�o se preocupar com Keyes.
Eu te vejo �s 11:00. Sim.
At� mais, baby.
Acho que n�o preciso lhe dizer...
o que pretendia fazer �s 11:00, Keyes.
Pela primeira vez, vi um jeito de me livrar de toda a confus�o em que estava...
e de Phyllis, tamb�m, tudo ao mesmo tempo.
Sim, era isto o que eu pensava.
O que eu n�o sabia � que ela tinha os planos dela.
Aqui, Walter.
Ol�, baby.
- Mais algu�m na casa? - Ningu�m. Por qu�?
- Que m�sica � esta? - Um r�dio na rua.
A mesma coisa de quando vim aqui pela primeira vez, n�o �?
Est�vamos conversando sobre seguros de autom�veis.
S� que voc� estava pensando em assassinato.
Eu estava pensando na tornozeleira.
E em que est� pensando agora?
Cansei de pensar, baby.
- Eu s� vim me despedir. - Despedir?
- Onde voc� vai? - Voc� � quem est� indo, baby, n�o eu.
Vou saltar do bonde bem nesta esquina.
Pare com o mist�rio. Vamos saber, n�o importa o que seja.
Tudo bem, vou lhe dizer. Um amigo meu tem uma teoria engra�ada.
Ele diz que quando duas pessoas cometem um assassinato,
� como se fizessem um passeio de bonde juntos.
Um n�o pode descer sem o outro.
Est�o presos um ao outro e t�m de prosseguir...
passeando juntos at� o fim da linha.
E a �ltima parada � o cemit�rio.
- Pode ser que ele tenha raz�o. - � claro que tem.
Duas pessoas v�o passear at� o fim da linha, tudo bem.
S� que n�o vou ser um deles. Arranjei outro cara para acabar meu passeio.
- De quem voc� est� falando? - De um conhecido seu.
Um Mr. Zachetti.
Convenhamos, baby, eu s� entrei nesta coisa...
porque conhecia um pouco sobre seguros, n�o �?
Eu era um trouxa.
Eu seria descartado t�o logo voc� pusesse a m�o no dinheiro.
- Ningu�m desejava descartar voc�. - Pare. Eu estou falando.
Voc� e aquele Zachetti estavam juntos desde o princ�pio, n�o?
Isto n�o � verdade.
N�o faz diferen�a se � verdade ou n�o?
O ponto �, Keyes acredita que Zachetti � a pessoa que estava procurando.
Ele vai coloc�-lo na c�mara de g�s antes que saiba o que aconteceu.
- E comigo o que acontecer�? - N�o seja boba, baby.
O que acha que vai acontecer com voc�? Voc� o ajudou no assassinato, n�o?
Isto � o que Keyes acha.
E o que est� bom para Keyes est� bom para mim.
Talvez n�o seja bom para mim, Walter. Talvez eu n�o concorde com a id�ia.
Talvez eu fale.
�s vezes as pessoas est�o onde n�o podem falar. Sob 6 p�s de terra.
E se voc� morrer, ir�o incriminar Zachetti, tamb�m, n�o?
Claro que sim, e isto � o que vai acontecer, baby.
Porque ele vai chegar aqui em 15 minutos.
Com a policia bem atr�s dele. Est� tudo preparado.
Isto tornaria tudo perfeito para voc�, n�o �?
Certo. E precisa ser feito antes que aquele seu processo v� a julgamento...
e Lola tenha uma chance de falar...
antes que ponham voc� no banco dos r�us, e voc� possa me incriminar.
Talvez eu tenha trazido Zachetti aqui para que
eles n�o tivessem a chance de me levar...
de modo a podermos pegar o dinheiro e ficar juntos.
- Isto � bonito. Diga de novo. - Ele veio aqui perguntar onde Lola estava.
Eu fiz que ele voltasse. Eu estava manipulando ele.
Ele � um cara meio maluco, destemperado.
Eu fiquei martelando nele que ela tinha outro homem...
De modo que quando estivesse num dos seus ataques de raiva eu diria onde ela estava.
E voc� sabe o que ele teria feito com ela, n�o �, Walter?
E por um momento acreditei em voc�, porque � podre o bastante.
N�s somos podres.
S� que voc� � um pouco mais.
Voc� me pegou para cuidar do seu marido para voc�...
e depois pegou Zachetti para cuidar de Lola, e talvez de mim tamb�m.
E a� algu�m viria para cuidar de Zachetti para voc�.
- � assim que voc� opera, n�o �, baby? - Digamos que sim.
E o que voc� preparou para hoje � noite � melhor?
Eu n�o gosto daquela m�sica. Se importa que eu feche a janela?
Voc� pode fazer melhor do que isto, n�o pode, baby?
Melhor tentar de novo.
Quem sabe, se eu chegar mais perto?
Que tal assim? Acha que consegue agora?
Por que n�o atira de novo, baby?
N�o me diga que � porque esteve apaixonada por mim o tempo todo.
N�o, eu nunca te amei, Walter, nem voc� nem ningu�m mais.
Eu sou podre de cora��o. Eu usei voc�, como voc� disse.
Foi tudo o que voc� significou para mim...
at� um minuto atr�s.
quando n�o pude disparar o segundo tiro.
Nunca pensei que isto pudesse acontecer comigo.
- Lamento, baby. Eu n�o vou acreditar. - Eu n�o estou pedindo que acredite.
Apenas me abrace apertado.
Adeus, baby.
Zachetti.
Venha c�.
Eu disse, venha c�.
- Meu nome � Neff. - E continuo n�o gostando dele.
O que voc� quer?
Veja, garoto.
Eu quero lhe dar um presente. Esta bela moeda.
- Qual � a piada? - Des�a de volta a colina...
v� � drogaria e d� um telefonema.
Fique com sua moeda e compre para voc� um sorvete.
O n�mero � Granite-0-3-8-6.
Chame por Miss Dietrichson. O primeiro nome � Lola.
Ela n�o vale um n�quel.
Se eu falar com ela, n�o vai ser por telefone.
Voc� � duro, hein?
Pegue a moeda e telefone para ela. Ela gosta de voc� tamb�m.
Ela n�o gosta de nenhuma parte minha.
Eu sei quem disse isto a voc�. N�o � verdade.
Lola est� apaixonada por voc�. Sempre esteve.
N�o me pergunte por qu�? N�o posso imaginar.
Aqui. Granite-0-3-8-6. Agora v� e telefone para ela.
V�. Por ali.
Agora s�o quase 4:30, Keyes.
Est� frio.
Eu me pergunto se ela ainda est� deitada sozinha naquela casa...
ou se j� a encontraram.
Eu me pergunto muitas coisas. Elas j� n�o t�m import�ncia.
Exceto um favor que quero que me fa�a, Keyes.
Eu quero que voc� conte a Lola, com gentileza, antes que seja noticiado.
E que tome conta dela e daquele cara Zachetti...
de modo que ele n�o seja solicitado demais.
Ol�, Keyes.
De p� bastante cedo, n�o �?
Eu sempre me perguntei a que horas chegava ao escrit�rio.
Ou aquele seu homenzinho te puxou para fora da cama?
O zelador se encarregou.
Parece que perdeu um pouco de sangue no caminho para c�.
�.
N�o seria surpresa.
Eu queria que voc� soubesse a verdade sobre aquele caso Dietrichson.
Estou vendo.
- H� quanto tempo estava ali? - Tempo suficiente.
Tipo da hist�ria maluca com um final maluco.
Um que voc� n�o podia adivinhar.
N�o se pode adivinhar tudo, Walter?
Isto mesmo. Aposto que neste n�o poderia.
Agora eu gostaria de um belo discurso...
um cheio de grandes palavras.
Vou t�-lo, Keyes?
Walter, voc� est� ensopado.
Obrigado, Keyes. De qualquer forma foi breve.
Vou chamar o m�dico.
Para qu�? Para que possam me remendar?
De modo que possam me tratar at� eu poder andar com meus p�s?
E possa caminhar para aquela c�mara de g�s em San Quentin?
� isto a�, Keyes?
Mais ou menos isto.
- Eu tenho uma id�ia diferente. - �?
Veja, Keyes.
Suponha voltar para a cama e n�o encontrar estes cilindros...
at� amanh� de manh�, quando o escrit�rio abre...
Depois disto voc� pode toc�-lo do jeito que quiser.
Voc� faria isto para mim, Keyes?
- Me d� uma boa raz�o. - Preciso de 4 horas para chegar aonde vou.
- Voc� n�o vai a lugar nenhum, Walter. - Aposte que vou.
- Vou atravessar a fronteira. - Voc� n�o tem chance, Walter.
Estou bom o bastante para tentar.
- Voc� nunca chegar� � fronteira. - Voc� � que pensa.
S� me olhe.
Voc� n�o chegar� nem ao elevador.
At� mais, Keyes.
Al�...
mandem uma ambul�ncia para o edif�cio Pacific na rua Olive.
�. � um caso de pol�cia.
- Como est� indo, Walter? - Bem.
S� que algu�m deslocou o elevador um par de milhas para l�.
Est�o a caminho.
Sabe porque voc� n�o podia entender este caso, Keyes?
Vou lhe contar.
Porque o cara que estava procurando estava muito pr�ximo.
Ele estava bem do outro lado da sua mesa.
Mais perto do que isto, Walter.
Eu te amo, tamb�m.
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