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Original subtitles

NETFLIX APRESENTA

Ah, droga.

ME ASSISTA

Merda.

Droga, não.

O quê?

Oi?

Ei, Aaron.

Dave, você está bem? Parece preocupado.

Desculpe. É que...

Escolha um lugar para sentar.

O que está havendo, cara?

Você se lembra das ligações que eu estava recebendo?

E daquele DVD que me mandaram?

Ah, não.

Está acontecendo de novo?

Está.

-Meu Deus. -Achei que tivesse acabado,

mas acabei de encontrar um pacote lá fora.

-Agora? -Sim. E tinha aquilo dentro.

Mandaram para você um lobinho de pelúcia?

-É, acho que sim... -Não faz sentido.

Também tem esse DVD, que estava dentro.

Como assim?

Dave, esta é a sua...

Esta é a sua casa.

-Dave! -Sim, eu sei.

Isto é sério!

Seja quem for, filmaram isso na noite passada.

Esse sou eu ontem à noite.

Bem, precisamos chamar a polícia.

Chame a polícia! Isso é sério!

Não.

Já chamei a polícia da última vez e nada aconteceu, certo?

Disseram que não iriam...

É inconcebível.

-Isso é inconcebível. -Nem mandaram uma viatura.

-Tem uma faca? -Nada aconteceu.

Onde está sua arma?

Está falando sério?

-Você precisa... -Não tenho uma arma.

-Você vai precisar de alguma coisa. -Não é necessário.

Você devia levar isso a sério.

Desculpe. Estou bem. Coloquei você em uma cilada...

-Está tudo certo, cara. -Não...

Quer uma cerveja?

-Adoraria. Obrigado. -É?

-É, acho que preciso de uma. Eu pego. -Certo.

Certo. Tudo bem.

Que loucura, Dave.

Está tudo certo. Tudo bem.

Oi, garotinho.

Olá.

Então, como você está?

Sério? Como eu estou?

Sim.

Nossa, você é maravilhoso.

Alguém está espreitando você, e mesmo nessa situação,

você se preocupa comigo e com meus sentimentos.

Eu te amo demais, cara.

-Saúde. -Saúde.

Isto é ótimo, não é?

-É. -Dois caras, relaxando.

Tomando umas geladas.

Queria não precisar dizer o que preciso dizer agora.

O que é?

Estou preocupado com a gente.

-Está? -Você não?

A gente? Estamos bem. Somos amigos.

Saímos às vezes, nós...

Por favor, Dave.

Nós dois sabemos que é muito mais que isso.

-Olha... -Nos encontrando no mesmo café,

na mesma manhã de terça-feira,

lendo exatamente a mesma edição de Graça Infinita.

Sério, se não foi o destino...

Se não era para sermos amigos, almas gêmeas,

ter começado tão intensamente,

e depois virar isso?

É decepcionante.

E não consigo deixar de pensar que...

se não vamos ser os melhores, talvez a gente devesse...

parar aqui.

Esta noite.

Não acho que seja necessário.

Dave, se eu perguntar uma coisa, você me fala a verdade?

Falo. Claro.

Você já percebeu que...

nos conhecemos na mesma época em que você recebeu o primeiro DVD?

Você acabou de perceber, não?

-Não percebi. -Dave, você acabou de perceber.

-Não, juro. -Dave, me escuta, está tudo bem.

Tudo que vai acontecer com você hoje

não é sua culpa.

Você me entende?

-Não entendo. -Então escute.

Tem uma câmera dentro desse lobo, certo?

Eu estive filmando você

de algum jeito desde que nos conhecemos.

Este é Baby Peach Fuzz. Diga "oi".

Eu queria gravar toda nossa amizade

para comemorar com um lindo filme de 80 minutos.

Você merece.

Você merece, porque...

é uma pessoa linda.

Eu queria muito dar isso para você.

Mas não posso.

Porque desde que fiz 40 anos...

Não sei o que está acontecendo comigo.

Perdi a inspiração.

Não vejo graça no trabalho.

Nem sei se posso continuar fazendo isso.

Merda.

O que está acontecendo comigo?

Amiga para conversar

Maquiagem masculina

Respostas eruditas

Amiga mulher

Procuro companhia

Oi, aqui é a Sara. Bem-vindos ao Encounters.

O programa em que investigo o estranho mundo dos anúncios on-line

para tentar revelar a alma humana.

-Oi. -Oi.

Sou a Sara.

Oi, Sara. Tudo bem?

Espero que você não se importe, eu trouxe minha câmera.

Se você não se importa, Marilyn Monroe já mora na parede.

Ah, é. Ali está ela.

Você estava falando sobre a sua cerâmica.

-Estava. -Estava me contando.

Quem são as pessoas que fazem esses anúncios?

Quais são suas histórias?

Este lugar tem uma energia fria.

A maioria das cápsulas de espíritos que construo

são para afastar a energia fria.

Este é meu Tubarão 2. É um tubarãozinho.

-É, que nem um tubarãozinho. -Um tubarãozinho.

Talvez sejamos todos mais estranhos do que admitimos.

Alguém procurando um amigo para conversar?

-Posso entrar? -Claro, entre.

O que estava procurando quando postou seu anúncio?

Só, você sabe...

-Você sabe, a vida é solitária. -É.

É bom conversar com alguém.

Seja minha mamãe Olá, sou um cara de 26 anos

Assinem e juntem-se a mim nessa jornada.

-Ei. -Oi. Bem-vinda.

Nunca se sabe quem estará no próximo...

-Está bom assim? -Está.

...Encounters.

ENCOUNTERS, EPISÓDIO 1 ENCOUNTERS, EPISÓDIO 2

Nana, neném

Que a cuca vem pegar

Não!

Papai foi para a roça

Nove visualizações.

Ótimo.

Mamãe foi trabalhar

Oi, aqui é a Sara. Bem-vindos ao Encounters.

A série on-line que ninguém curte.

Estou começando a perceber por que ninguém assiste.

Porque é uma porcaria!

Nana, neném

Acho que não tenho talento nenhum.

Ah, cara.

Achei que conseguiria mostrar

algo estranho, especial, proibido

e secreto nas pessoas.

Há uma tristeza que eu queria detectar,

com a qual eu simpatizo.

Eu... vejo isso de relance às vezes.

É tão animador.

Estou perto. Consigo sentir.

Mas nunca chego lá, do jeito certo.

Estou cansada de tentar.

Estou cansada de fracassar, é humilhante.

Nunca achei que fosse ganhar dinheiro com isso.

Mas achei que, pelo menos, conheceria outros estranhos,

e faria algo especial por eles.

Aqui é a Sara.

Bem-vindos ao Encounters, em seu encerramento.

Este é o episódio final da temporada.

Juntem-se a mim enquanto encontro meu fracasso.

Espero que gostem.

Ei, desculpem por ontem à noite, fui um pouco dramática,

mas agora estou melhor. Tomei meu café.

E encontrei isso.

Procuro cinegrafista US$ 1.000 por um dia

"Procuro cinegrafista.

Mil dólares pelo dia. Precisa ser honesto e corajoso.

Pontos extras para fãs de Entrevista com o Vampiro.

Vamos até o fundo. Juntos."

Interessante.

Estou interessada

Você se assusta facilmente?

Não

Qual é seu nome?

Que se foda.

Sara

É o nome da minha música preferida.

O quê?

Vamos nos encontrar.

Aqui estamos, na floresta.

Estou dirigindo há umas três horas.

É muito mais longe do que pensei.

Sete, quatro, cinco.

Certo.

Oi! Bem-vindos ao Encounters.

Aqui é a Sara. Este é o episódio dez de dez.

Normalmente, é aqui que eu digo que estou indo ver John,

um auxiliar administrativo do Walgreens.

E que vamos trabalhar seus problemas familiares

através de nado sincronizado ou algo assim.

Mas hoje não.

Sei muito pouco sobre este cara.

Ele não falou comigo desde que me mandou seu endereço.

Não sei em que vou me meter.

Normalmente, não me colocaria em uma situação assim.

Mas talvez seja por isso que o programa tem estado tão chato.

Vamos ver o que acontece.

Olá?

Oi, eu sou a Sara.

Desculpe.

-Oi. -Oi.

Suco verde?

Claro.

É muito saudável.

Couve, quatro morangos congelados, uma banana,

uma colher de iogurte grego light,

duas pitadas de espirulina e uma pitada de canela.

Obrigada.

-Saúde! -Saúde!

É bom.

Também é venenoso.

Estou brincando, claro.

-Sou o Aaron. -Sou a Sara.

Nossa, é seu nome mesmo.

É.

É, consigo notar.

Obrigado por isso.

De nada.

-Podemos começar com um abraço? -Podemos.

Gostei que você já chegou filmando.

Quero fazer valer seu dinheiro.

Sabe, as pessoas não acreditam nisso.

A câmera precisa ficar ligada para a mágica acontecer.

Não seria, sabe...

Tem algo entre a gente. Gosto disso.

É uma bela câmera, aliás. Você é cineasta de profissão?

Faço filmes de casamento para ganhar dinheiro.

Me matriculei na pós-graduação agora.

Estou tentando economizar.

-Não faz mais nada? -Não.

Legal.

E você? Qual é sua história?

Minha história...

Eu sou o que chamam de assassino em série.

Não gosto dessa nomenclatura.

Me considero apenas um homicida.

Mas pelos meus números,

agora sou classificado como assassino em série.

-Assassino em série? -Sim. Um assassino.

Já matei 39 pessoas.

Amo fazer isso. É o melhor trabalho do mundo.

Foi o que nasci para fazer.

Mas estou na casa dos 40,

pelos brancos na barba, muitas coisas mudando.

Estou meio que em crise,

surtando um pouco.

Acho que fiquei louco mesmo.

Não confio mais nos meus instintos

e sinto que perdi o que me tornava importante.

Antigamente, eu conhecia um cara em um bar,

o levava para fora e o deitava no chão,

colocava minha faca no peito dele e o abria inteiro,

abria até as entranhas,

e o universo se revelava para mim.

Era lindo.

Me sentia parte de tudo que já existiu, em todo tempo e lugar.

Era minha religião.

Mas agora,

é só um trabalho.

Me deixa triste demais.

Não quero ficar emotivo,

mas estou passando por um momento difícil.

Então...

eu li um artigo sobre o grande Francis Ford Coppola.

Ele disse uma coisa que me surpreendeu para caralho.

Disse: "Nunca mais fiz um filme original desde A Conversação , em 1974.

Não sei se sou capaz, mas quero continuar tentando."

Cara, aquilo me atingiu em cheio.

Eis um homem em plena decadência artística.

Ele está fugindo? Não, está aceitando isso.

Então pensei:

"Por que estou tentando fazer filmes do jeito antigo?

Por que não aceito o momento em que estou agora?

Por que não faço um documentário?"

É aqui que você entra.

Um documentário sobre o assassino em série mais prolífico do mundo

que ninguém conhece.

Um documentário que faremos juntos, hoje à noite.

Agora, veja bem.

Eu sei que é muita informação,

e você nem teve chance de terminar o suco verde.

Se quiser desistir, eu entendo.

Pegue seu dinheiro, sem ressentimentos. Entendo.

Mas se você ficar,

e espero muito que fique,

posso oferecer duas coisas.

Primeira: não matarei você nas próximas 24 horas.

Não seria produtivo.

E a segunda:

darei a você acesso pessoal ilimitado

à minha alma, como nunca imaginou.

Vou me abrir totalmente

e deixar você ver todo o meu eu.

Juntos, acredito, faremos mágica.

Mas você precisa acreditar.

Acredito.

Está dizendo que acredita só porque quer o trabalho?

Não. Eu ouvi o que disse

e acho que parece ótimo. Quero fazer isso.

Não ouço paixão em sua voz.

Aaron, quero fazer esse filme com você.

O que é isso?

Você verá.

Quem é este homem?

Meu amigo.

-É você? -Ah, Sara...

"Quem espera sempre alcança."

Pareço um grande lobo mau

Mas sou amistoso como um coelho

Merda.

Então...

O que você acha?

Interessante.

Você se assustou?

Queria que me assustasse?

Já volto.

Droga.

Que merda é essa?

Então...

Estava pensando lá em cima.

Homens no vestiário estalam toalhas nos genitais uns dos outros

sem inibições.

Quando mulheres provam roupas em lojas,

não existe barreira para a intimidade.

Mas com um homem e uma mulher há sempre uma barreira.

E essa barreira...

Me pergunto como você é nua.

E, sendo honesto,

estou sentindo isso.

Se vamos embarcar nessa jornada juntos,

precisamos quebrar essa barreira.

-Você concorda? -Concordo.

Como você se sente?

Estou bem. E você?

Só acho importante que,

se há uma barreira e uma divisão de gêneros,

essa é uma jornada espiritual e precisamos erradicar...

Concordo.

Certo. Estamos de acordo.

É a minha vez?

Como?

Pode ser a minha vez agora? Aqui.

-Pode sentar. -Sim. Certo.

-Acertou o enquadramento? -Sim.

Tudo certo?

Sim.

Certo.

Já volto.

Minha nossa.

Certo.

Certo.

Sara, todos os sinais de alerta estão aqui.

Ele é altamente imprevisível e potencialmente perigoso.

E não demorou dez minutos para ele mostrar o pau.

Sara, não demorou dez minutos para ele mostrar o pau.

Ele é o caso dos seus sonhos.

Você precisa ir até o fim.

-Vamos, Sara, a luz está acabando! -Estou indo.

Preciso fazer isso.

Tenho 99,9% de certeza de que ele não é um assassino.

Mas, no caso de ele ser, não sou uma idiota.

Faca.

Estou indo. Um minuto.

Oi, aqui é a Sara. Bem-vindos ao Encounters.

Aqui vamos nós, porra.

Pronto?

Não é fácil assustar você.

Não sei.

O que tem na sua barba?

-Como assim? -Bem aqui.

Isso? É só o padrão da minha barba.

Alguns homens têm falhas. É só uma das minhas falhas.

Certo, vamos.

-Estamos perdendo luz. -Certo.

-Aaron. Sem essa. -Mesmo?

Está certo. Uma hora eu consigo.

Veremos.

De onde você é?

Onde você cresceu?

O que acha da minha máscara?

Como passageira, não estou muito feliz.

Você consegue enxergar?

Ah, agora está assustada?

Você acredita em Deus?

Complicaria a sua profissão.

Você ainda não respondeu sobre a minha máscara.

Achei fofa.

Sério?

Claro. Você é um lobinho fofo.

E se eu dissesse que sou um lobo mau?

Acharia bem assustador, vindo de alguém como você.

Tudo bem.

E se eu dissesse que, no fim desta estrada,

vou cortar sua cabeça e foder com ela?

Você tinha amigos na infância?

Você tinha um melhor amigo?

Amiga.

-Conte-me sobre essa amizade. -Você faz muitas perguntas.

Desculpe, tenho o lugar bucólico perfeito para esta entrevista.

Podemos... Vamos aguardar, certo?

-Certo. -Certo.

Obrigado, Sara.

Você vai adorar!

Aqui é muito bonito.

Não!

Onde está a água?

-Onde está a porra da água? -Isso é água.

Não. Tinha um rio impetuoso aqui quando vim explorar.

Era... Eu tinha planejado toda a cena.

Eu ficaria aqui,

com água até o pescoço para a metáfora de Jesus.

E tem... a ponte!

Seria a cena final. Eu pularia da ponte

e cairia na água. Você cortaria para algo legal.

Esse seria o final da cena...

Não temos um final. Nem mesmo uma cena.

Isso não é...

Não é... Não!

Aaron?

Espere. Preciso pensar.

-Aaron. -O quê?

Coppola.

-Poppola? -Coppola.

Por que está dizendo "Coppola"?

Aaron.

Francis Ford Coppola.

O que ele faria?

Isso é genial.

Dezembro de 1978. Os últimos dias da música disco.

A Guerra Fria ficava mais quente a cada minuto.

Mas em uma casa comum, em uma cidade comum...

Desculpe, o que está fazendo com os braços?

Isto é... Enquanto estou aqui,

se os efeitos visuais da água estivessem aqui,

esse seria eu, flutuando...

com a água, entende?

-Acho que não... -Fica mais real.

O que você acha?

Acho que não precisa.

-Não precisa? -Não.

Desculpe, tem um pouco de protetor solar no meu olho.

Avião. Vamos esperar passar.

Que avião lento.

Como está o cabelo?

Lindo.

-É? Mesmo? -Sim.

Você se importa em vir aqui me arrumar, rapidinho?

Certo.

Não quero que molhe seus sapatos, mas quero que fique tudo certo.

-Certo. -Venha.

Aperte.

Não precisava fazer de novo...

Não tem problema.

Vamos fazer tudo de novo.

Dezembro de 1978. Os últimos dias da música disco.

A Guerra Fria estava esquentando.

Mas em uma cidade pequena...

Passarinho. Vamos esperar.

Dezembro de 197...

Só pode ser piada!

Ei!

Mais uma. Tente mais uma vez!

Faça isso! Quero que faça isso!

Ei! Chega! Não! É o meu filme!

Dezembro de 1978. Os últimos dias da música disco.

A Guerra Fria estava...

Aaron, tem muita sombra no seu rosto.

Você quer gravar de novo?

Aaron?

-Vou fazer um intervalo. -Certo.

Se puder me dar licença.

Aaron?

Parece que Aaron gosta de fazer drama.

Não sei se está acostumado com colaborações.

Aaron?

Que desperdício de dia.

Não estou pronta...

Aaron?

Aaron, é você?

Aaron?

Não vá embora.

Não irei.

Oi.

Aaron parou de falar.

Está quieto desde a crise no rio.

Não sei se conseguem ouvir,

mas ele está tocando a mesma merda de música dos anos 90

faz uma hora.

Está muito vulnerável.

Eu sei que o certo é deixá-lo um pouco sozinho.

Mas, ao mesmo tempo, seria tão fácil descer lá

e provocá-lo.

Conseguir o material que quero.

CRIANÇAS DEVEM TER SUPERVISÃO DE ADULTOS

É melhor você ir embora.

Por quê?

Porque eu quero.

Por quê?

Não quero mais que faça este documentário.

Pegue seu dinheiro e vá, por favor.

Qual é o problema?

Sara. Vá.

Aaron, não vou embora.

Desculpe?

Você disse que devíamos ir até o fim.

Não vou desistir.

Ligue a música de novo.

-Por quê? -Porque sim.

Me diga.

Porque é a minha música favorita,

eu preciso dela e eu a amo.

O que você ama nela?

Talvez porque consiga fazer mais com improvisação instrumental

do que qualquer poeta, com qualquer pena,

jamais fez em todos os tempos.

Eu nunca havia escutado.

Não teria como.

Quase ninguém escutou. A banda é desconhecida.

É de muito tempo atrás.

-Me conte sobre ela. -Sara, sei o que está tentando fazer.

Não vai dar certo.

Por que não me conta, Aaron?

Porque...

você acha que quer conhecer minha história,

mas posso garantir que você não quer.

-Eu quero. -Você quer?

Sério?

Sim.

Certo.

Eu tinha 15 anos, mas parecia ter 18,

porque era bem grande.

Eu podia ir para os bares e ver música ao vivo.

Uma banda obscura veio para a cidade.

Só tinha umas sete pessoas na plateia,

mas eu fiquei hipnotizado,

especialmente por uma música chamada "Sara adora suas frutas".

Foi transcendental.

Naquela noite, saí da cidade com a banda

e festejei com eles no hotel onde estavam.

Me senti acolhido pela primeira vez.

Mas, claro, no dia seguinte eles iriam para a próxima cidade.

Eu voltei andando para a cidade,

e um homem parou para me oferecer carona.

Ele tinha um semblante bom e amável.

Ele abriu a porta

e me disse uma coisa que nunca esquecerei:

"Meu Deus.

Esse vai ser um ótimo dia."

Ele não me levou para a cidade. Me levou para o meio da floresta

e me bateu até eu quase morrer.

Me deu uma pá e me forçou a cavar minha própria cova.

Amarrou minhas mãos e me informou

que me enterraria vivo nos próximos minutos.

Eu lembro que pensei:

"Eu deveria estar odiando este homem."

Mas ele era hipnotizante. Eu o amava.

Ele era inteligente, dominante,

maravilhoso de muitas formas.

Só tinha um defeito.

Não era muito bom em fazer nós.

Soltei minhas mãos, que ele tinha amarrado para trás,

e o estrangulei, pois era maior que ele.

Tirei a vida dele com minhas próprias mãos.

Pensei comigo mesmo:

"Este é meu destino.

'Sara adora suas frutas'

e Aaron adora matar."

Tirei as roupas dele.

Joguei seu corpo no buraco que eu tinha cavado.

Por instinto, tirei minhas próprias roupas

e deitei ali, em conexão com ele, a noite inteira, despido.

Uma coisa muito interessante aconteceu.

Sabe...

Eu menti antes.

Sobre o quê?

Sobre as falhas na minha barba.

Não é um padrão.

É uma doença rara chamada tricotilomania.

Quando pessoas arrancam seus próprios pelos,

até das sobrancelhas.

Minha primeira vítima tinha essa doença.

Quando me deitei com ele, nu,

meu espírito absorveu isso do espírito dele.

E se tornou meu ritual. Todas as minhas vítimas,

eu deito com elas, nu. E levo parte delas comigo.

Aqui estou agora.

Uma fusão estranha, mas fantástica,

de todos os 39 homens e mulheres que matei.

Foi a parte mais gloriosa da minha vida.

Foi a minha raison d'être.

E agora...

Acabou.

Por isso estou triste.

Não tenho mais razão para viver.

Por isso quero que vá embora, porque hoje

será uma péssima,

péssima noite.

Aaron.

Sara.

Fique onde está.

Feche os olhos.

-Não quero. -Feche.

Você se sente melhor?

-Um pouco. -Que bom.

Vou tomar um banho.

Oi, Sara. Sou eu.

Obrigado por...

fazer o que fez.

Você é mesmo...

especial.

Está inspirando sentimentos em mim

que eu achei que nunca mais fosse sentir.

Não sei o que fazer.

Meu Deus, você me pegou!

Como você se sente?

Como se...

Quarenta e sete.

Quarenta e oito.

Quarenta e nove.

Cinquenta!

Aqui vou eu!

Sara?

Aonde você foi?

Vou pegar você.

Tenho...

Achei você.

Sara?

Está sendo má?

Sara, onde está você?

Droga!

-Vou pegar você! -Você não me assusta!

-Está filmando, Sara? -Estou.

Aaron, se eu fizer uma pergunta, você me diz a verdade?

Claro. Sempre.

Quando você segura esse machado,

alguma parte sua quer enfiá-lo na minha cara?

Sabe, considerando seu passado?

Bem, claro.

Mas,

você sabe, não nos divertiríamos tanto.

É interessante.

Sempre achei que fosse morrer

antes de conseguir compartilhar meu trabalho.

Mas agora, tenho você.

Isso é bem legal.

Você se arrepende de ter matado aquelas pessoas?

Um pouco. Mas ao mesmo tempo,

acho que sou bem justo com minhas vítimas.

Eu tento avisar do que vai acontecer.

Por isso coloco no anúncio coisas como:

"Você é fã de Entrevista com o Vampiro?"

Quero que saibam que sou perigoso.

Sabe...

Na verdade, tem um...

Um dos meus últimos foi um docinho.

Eu chamei ele de "Buddy".

E...

Finquei o machado em um tronco em uma casa que aluguei.

Ele passou por ali e viu o machado.

Ele entrou mesmo assim e ficou comigo toda a noite.

É como se...

É como se quisessem morrer.

Você o matou com o machado?

Você vai me matar com o liquidificador?

Que ideia genial.

Nunca pensei nele como uma arma.

Infelizmente, Sara,

prometi que não iria matar você. E nunca minto.

Não é esse o nosso destino.

Bem...

Você disse que não me mataria nas próximas 24 horas.

Por que você lembraria isso?

Só vai ser pior para você.

-Oi. -Oi.

O que está fazendo?

Lavando a louça.

O que está fazendo com a minha câmera?

Você já passou um tempo na floresta?

Claro.

Você já...

observou um veado,

apenas sendo um veado?

Guarde isso. É o meu trabalho.

Certo.

Preciso do meu suquinho!

Onde está meu suquinho?

Estou com sede! Isso!

É bom que seja um vinho Coppola.

Obrigado, querida.

Que delícia. Obrigado.

Em que está pensando?

Em um livro muito legal que li uma vez

chamado O Jornalista e o Assassino.

-Já ouviu falar? -Não.

É ótimo. Você precisa ler.

Sobre o que é?

É sobre o dilema moral que os jornalistas encaram.

Sobre como às vezes precisam mentir

para agradar seus entrevistados.

Alguns elogios, algum flerte

para conseguir o material de que precisam.

E...

Pensei nisso enquanto estava

vendo um programa chamado Encounters.

Não sabia que eu sabia, não é?

Eu sei de tudo, Sara.

Tudo o quê?

Sei que você não faz vídeos de casamento.

Sei que você tem uma faca na sua bota.

-Do que está falando? -Tudo bem.

Não se preocupe. Olha...

Não acho que você esteja mentindo.

Acho que você

está apenas brincando com os fatos.

Mas todo mundo faz isso, não é?

Eu faço sempre.

É o meu ganha-pão.

Mas apesar de brincar com os fatos,

eu nunca minto.

Meus olhos, meu coração e minha alma sempre dizem a verdade.

É o mesmo tipo de verdade

que senti em você hoje.

Quero que saiba

que eu não estou bravo, certo?

-Certo. -Dito isso,

vou fazer uma pergunta e quero que me diga a verdade.

Você acredita que sou um assassino em série?

-Não. -Obrigado pela honestidade.

Por que não?

Bem...

As histórias que você conta são ridículas.

Certo.

E que história é essa de documentário?

Se você fosse um assassino, por que me convidaria para sua casa,

e me faria gravar suas confissões e os detalhes das mortes?

O que me impediria de levar isso para a polícia?

Justo.

Mas contestável.

Você não irá até a polícia amanhã.

Porque, amanhã, vou estar morto.

Porque você vai me matar hoje.

-Aaron... -Antes de dizer que não,

eu já pensei sobre isso. Estou bem animado.

Por que meu 40º filme seria sobre uma morte qualquer?

Eu já fiz 39 desses.

Por que faríamos um documentário pedante?

Já existem muitos.

Sabe do que precisamos?

Um filme de assassinato.

Em que o súdito destrona o rei.

É esse o filme que quero fazer.

Por que eu faria isso?

Porque sei que você faria qualquer coisa

por uma grande obra de arte.

E isso seria

o episódio mais inacreditável de Encounters

de todos os tempos.

Sei que é informação demais,

-mas tenho experiência. -Aaron, pare.

Vou convencer você. Que empolgante!

-Aaron... -Venha logo!

Largue essa câmera, garota!

O que está fazendo?

Já disse para largar a câmera, garota!

Que máscara é essa, Aaron?

Não se lembra? Este é Peach Fuzz, o lobinho.

Me dê a câmera.

Certo.

Venha comigo. Por aqui.

Você sabe usar um machado?

Nunca usei um.

É só segurar firme. É canhota ou destra?

-Destra. -Certo.

Quer saber, não importa. Apenas sinta.

Como estou de máscara,

não precisa me olhar nos olhos quando me matar.

É um pouco difícil.

Imagine que é um desenho animado, um barulho engraçado.

Aliás, afiei o machado, deve passar direto pela minha garganta.

São poucos ossos. Vamos lá!

Certo, só para esclarecer.

Você quer que eu pegue este machado e corte sua cabeça?

Sim, é isso mesmo! A câmera ouviu primeiro!

É como um suicídio assistido. Tudo certo.

Certo. Últimas palavras?

Não, já falei o bastante por dez vidas.

Espere!

Certo. Vamos lá.

Quando você quiser.

Coloque para trás e balance.

O que foi?

-Está filmando, Sara? -Sim.

-Conseguiu o enquadramento? -Sim.

Beleza.

Certo. Essa ideia é bem melhor.

Devia ter pensado nisso antes.

Desse jeito será tudo muito passivo.

Eu vou pular daqui.

A não ser que você me salve, vou morrer.

O que torna você cúmplice em homicídio.

Não é legal?

Quer dizer, com o machado é mais legal.

Mas, como você é novata, pode ser assim.

Pronta, Sara?

Sinceramente, acho que não...

Meu Deus!

Se puxe para cima.

Para cima!

Consegue respirar?

Aaron?

Aaron!

Sara?

Sara? Está aqui?

Oi? Onde você foi?

Tenho uma ótima ideia

Estou empolgado

Aí está você.

Antes do nascer do sol, coloque a câmera acima de nós.

Eu toco para você "Sara adora suas frutas"...

O que está fazendo?

Está indo embora?

Meu Deus.

Sara, assustei você

-com a corda? -Saia daqui.

O quê?

Eu disse para sair daqui.

Desculpe.

Por favor, fique. Por favor.

Você percebe o quanto aquilo foi estúpido?

Desculpe. Eu...

Não acredito que fez aquilo comigo.

Você pode deixar eu me explicar?

Qual é o seu problema?

-Espere. Só um segundo... -Qual é o seu problema?

Um segundo.

Prometa que vai ficar. Um segundo!

Por favor.

Que porra é essa?

É um arreio.

Estava usando isso debaixo da camiseta

quando me enforquei.

Conectei um cabo ao arreio e fiquei pendurado pelo peito.

Não ia me enforcar de verdade.

Olhe.

Desculpe por ter assustado você.

Não sei no que estava pensando...

Não sou bom nisso,

mas vou dizer de uma vez.

Eu gosto muito de você.

E...

estava tentando criar uma conexão.

Não deu muito certo.

Eu sei que você não quer se conectar comigo.

Então pensei...

que poderia dar a você...

o melhor episódio de Encounters.

Quero dar isso a você.

Posso ser um cara maluco e mostrar

tudo que você sempre quis como artista.

Olhe.

Eu sou um assassino?

Não.

É claro que não sou um assassino.

Eu sou

um mentiroso patológico, um sociopata

totalmente desconectado do mundo e de todos?

Sim.

Mas será que estou me conectando com você

e me divertindo muito hoje?

Porque

eu posso mentir e ser estranho, como gosto de fazer?

Sim!

Eu gosto muito de você!

Acho você incrível.

Obrigada.

De nada.

Será uma cena ótima.

Não é mesmo?

Desculpe ter apavorado você.

-Me apavorou mesmo. -Desculpe.

-O que vamos fazer? -Vamos jogar um jogo.

Que tipo de jogo?

O jogo se chama:

duas mentiras e uma verdade.

Você jogava isso no seu castelo?

-Sim. -Ótimo.

Duas mentiras e uma verdade é contar três histórias

e uma delas será verdade.

-E nada dessas besteiras de... -Entendi.

-Só fatos tecnicamente corretos. -Certo.

-Duas mentiras, uma verdade. -E eu adivinho

-qual é a verdade. -Certo.

Nasci prematuro de seis meses.

Nunca dormi com uma mulher.

Consigo prender a respiração por dois minutos e meio.

Certo.

Acho que é...

a da respiração.

É a número dois.

Você quer sinceridade? É a dois.

-Está de brincadeira. -Quem me dera.

Pareceu brincadeira quando você chegou perto de mim na banheira?

Parecia que eu sabia o que estava fazendo?

Foi uma série de eventos muito estranha.

Não tive uma infância normal.

Comecei a notar algo errado no início da adolescência

e tive meu primeiro surto com 14 anos.

Fiquei internado até os 19 anos.

Eles não sabiam como me medicar naquela época.

Quando saí, tive que me afastar da minha família.

Trabalhei como segurança com gente mais velha

e nunca convivi com pessoas da minha idade,

então perdi minha chance.

Apenas perdi.

Você teve uma namorada?

Não.

Eu...

Você já viu Nunca Fui Beijada ?

Já.

Eu deveria ter escrito e dirigido esse filme.

-Que constrangedor. -Não, não é constrangedor.

-É muito constrangedor. -É estranho.

Mas não é constrangedor.

Não sei.

Você quer dar seu primeiro beijo?

-Pare com isso. -Não precisa ser nada demais.

-Mesmo? -Sim.

-Você me beijaria? -Sim.

-Certo. -Certo.

Quem começa?

Foi legal.

Sabe, estou bem animado com essa ideia que tive

para o clímax do episódio.

Aonde está me levando?

É surpresa.

Cuidado com a cabeça.

"Quem espera sempre alcança", querida.

Por aqui.

Certo.

Certo. Antes da gente começar, tenho uma surpresa.

Mas precisa fechar os olhos.

Por que eu faria isso? De jeito nenhum.

Estou no meio do nada, de noite, com você.

Justo, mas vai valer a pena.

-Confie em mim. -Certo.

Tudo bem.

Abra.

O que é isso?

Um símbolo da minha afeição por você

e por esse dia maravilhoso que passamos juntos.

Desculpe, tem uma foto minha com outro cara aí dentro.

Não consegui fazer um especialmente para você.

Você me pegou de surpresa.

-Posso? -Claro.

Legal.

Certo. Hora da parte dois.

-Pronta? -Pronta.

Não entendi.

Merda.

Quando você cavou isso?

Antes de você chegar aqui.

Não sabia se seria para mim ou para você.

Mas agora eu sei.

Certo.

Surpresa!

Não. É a sua.

Tirei da sua bota quando caí em cima de você.

Achei que fosse notar.

Está pronta para o grand finale do episódio?

-Estou. -Certo.

Legal, não é?

Nos esfaqueamos e nos arrastamos para cova,

morremos juntos, que nem Romeu e Julieta.

Alguém irá achar as fitas e lançá-las.

Faremos história juntos.

Você está com medo! Não fique. Não vou esfaquear você.

Eu te amo demais. Pegue a faca.

Agora é você.

Vamos.

Faça!

Vamos.

Sara. Espere!

Sara!

Sara!

Sara!

Sara.

Sara?

Você está no meio do nada!

Vamos, Sara!

Estou com a chave. Você não tem para onde ir.

Sara.

Você precisa terminar o episódio.

-Merda! -Droga!

Bem...

Não acho que vou morrer hoje.

Me sinto mal,

porque foi ideia minha, antes de mais nada.

Mas, Sara,

você conseguiu.

Você fez

um ótimo episódio.

Deveria ficar orgulhosa.

Pena que você não estará aqui para assisti-lo.

É meio irônico, porque nunca pensei que...

Não quero matar de novo.

Era real, mas então, você chegou.

Minha musa.

Você me inspirou.

Minha Coppola.

Senhoras e senhores, este é

o trem A para o Brooklyn. Próxima parada, 34th Street.

Liberem as portas, por favor.

Legendas: Tanize Ferreira

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