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Original subtitles

A �nica lembran�a viva que tenho...

� ter estado no jardim, do lado de fora do Alexandra Palace...

ao amanhecer...

Creio que os meus sentidos provavelmente estavam um pouco elevados...

Mas lembro de ver aquela multid�o saindo do hall e pensar...

� isso. Ganhamos. Acabou. Estamos no comando agora. Isso � enorme.

Claro que era uma fantasia, mas esse era o sentimento.

Era um sentimento geral, realmente grande.

Era todo uma especie de loucura volunt�ria... e experimental!

Lembro que era incr�vel ser jovem, elegante e tocar m�sica.

De alguma forma foi como um orgasmo de 14 horas.

Foi uma segunda reuni�o depois da poesia no Albert Hall em 1965.

O Technicolor Dream durou 14 horas. Foi, sem d�vida, um ponto culminante..

Diria que foi o maior evento underground que se gerou.

Isso foi tudo. Teve dois anos de vida antes de se tornar muito comercial.

Nos tempos Vitorianos havia uma Grande Exibi��o no grande Pal�cio de Cristal.

Foi algo parecido.

O Technicolor Dream foi lend�rio, para alguns foi o destaque da d�cada de 60.

E em particular pro underground daquela d�cada.

A apresenta��o principal daquela noite era a banda considerada mais importante,

Pink Floyd,

Liderada por um talento at�pico chamado Syd Barrett.

Naqueles tempos Syd deslizava pelas cordas da guitarra seu Zippo.

Imagino que muita gente se sentiu impactada ao ver-nos nesse cen�rio.

Atr�s de n�s eram projetadas algumas coisas, mas n�o tenho nenhuma lembran�a clara.

Havia uma esp�cie de feira de atra��es l�. Muita desordem,

que seguramente deu um sentimento fant�stico para a ocasi�o.

Para mim sempre ser� algo colorido porque est�vamos passando por uma fragmenta��o,

Ent�o tenho uma vis�o muito incerta sobre aquilo.

Era o fim do underground como uma esp�cie de esfor�o audaz e valente.

Era claramente o come�o de uma enorme empresa comercial.

Posteriormente o Floyd come�ou a desmoronar.

N�o acho que tenha acontecido naquela noite, mas foi a simbologia do que estava por vir,

Syd consumindo �cido...

e tudo tornando-se ca�tico.

As outras pessoas que n�o tomaram �cido,

os outros membros da banda se perguntavam o que diabos acontecia.

O Pink Floyd no Technicolor Dream foi um dos melhores momentos de 1967.

Mas desse evento se formou os sucessos mais ic�nicos da d�cada.

As marchas da CND no come�o dos anos 60,

A leitura de poesia no Albert Hall em 1965,

a 'Free School' de Londres,

o Club UFO

e o International Times.

Esses foram os pontos de refer�ncia do movimento underground

E uma figura influente em todos esses pontos de refer�ncia foi John Hopkins,

mais conhecido como "Hoppy".

Creio que a palavra underground era realmente uma importa��o americana.

Por exemplo, John Wilcock, que iniciou a 'Voz do Povo'

usava a palavra Underground no come�o dos anos 60,

e foi uma das pessoas que inspirou nossa pr�pria cultura,

que tamb�m chamamos de Underground.

Minha conex�o com o underground come�ou quando...

Cheguei a Londres em 1964 como gerente de de turn� junto com Muddy Waters.

Melody Maker...

enviou um fot�grafo para tirar... fotos.

Seu nome era John Hopkins.

O underground em Londres era formado por algumas centenas de pessoas,

mas no centro havia, n�o sei, uma dezena de ativistas.

Muitos deles ficavam no departamento de Hoppy.

Muitas das pessoas que viviam al� faziam todo tipo de coisas,

para evitar a Francis quando a Inglaterra mudou.

Costum�vamos ficar por l�, acho que ele ainda mora por ali.

Ele era uma daquelas pessoas que todo mundo gostava e respeitava.

Sem Hoppy nunca haveria existido o underground.

Estava cheio de ideias e iniciativas. Se prop�s fazer algo

E na tarde seguinte j� estava fazendo.

Acho que marcou uma grande diferen�a em um per�odo muito fugaz.

Ele tornou-se o foco e introduziu outras pessoas para o ativismo.

Todas as pessoas da cena eram muito unidas,

e Hoppy tinha uma lista de prioridades e coisas para fazer,

Se fosse publicar em uma revista, era preciso encontrar o meio mais econ�mico,

Se encarregar da impress�o e do translado. No dia seguinte ele j� teria feito isso,

porque ningu�m mais poderia t�-lo feito,

s� Hoppy.

Enquanto os anos 60 progrediam,

vimos que cada vez havia mais gente que parecia estar em busca do mesmo.

Era como um equivalente psicod�lico de um movimento massivo.

Havia outros movimentos massivos, como o CND, Campanha pelo Desarme Nuclear,

No qual cada p�scoa, passeatas organizadas para Aldermaston,

Onde as armas foram criadas para o Trafalgar Square.

Em 1962,

12 mil ativistas do CND se apresentaram no Trafalgar Square.

No protesto de 1963 no Hyde Park os n�meros haviam passado os 30 mil,

e 90% dos membros do CND...

eram menores de 21.

Era o come�o da insatisfa��o, acho que, com o estado,

Houve a consci�ncia de que a policia brit�nica n�o era t�o maravilhosa,

e de que n�o tinhamos a melhor imprensa do mundo,

E muitos outros mitos que nos haviam ensinado.

N�o funcionou.

Quero dizer que ao fim dos anos 50 e inicio dos anos 60,

As marchas do CND eram massivas e n�o fazia diferen�a nenhuma.

Acho que foi uma daquelas coisas que empurrou tudo com a politica individual.

Precis�vamos mudar o mundo,

E o movimento de jovens que passaram pela CND se interessava em outras coisas.

A CND que come�ou nos anos 50, e pela qual sempre senti simpatia...

Pelos simples motivo de que queria seguir com vida,

Levou todo tipo de coisas, anarquistas velhos, intelectuais velhos...

E os jovens se deram conta de que havia uma amea�a para sua vida agrad�vel.

Era tudo um pouco severo depois da guerra,

Mas foi melhorando e deu-se in�cio a a um monte de coisas bonitas.

Provavelmente foi o melhor padr�o de vida em meados dos anos 60.

Foram bons tempos.

Realmente era a primeira vez que a juventude tinha um pouco de dinheiro.

N�o o suficiente para comprar uma casa ou um carro, mas para discos,livros e roupas.

E tamb�m para comprar drogas e sair para ouvir m�sica em clubes noturnos.

Minha gera��o tinha o luxo de poder passar um tempo longe de seus pais,

un lugar para se rebelarem.

Mas quando come�ou a haver dinheiro e as coisas se tornaram mais pr�speras,

Os jovens come�aram a ter a oportunidade de fazer o que quer�am.

Nos anos 40 e 50, a juventude tentava ser adulta.

Desde os anos 60 que os adultos tentam ver-se jovens.

Isso foi muito importante, come�ou a marcar um estilo de vida.

Tamb�m come�ou a haver uma grande insatisfa��o quanto...

ao rumo que as coisas estavam tomando.

O estilo de vida brit�nico em meados dos anos 60 era...

Os empres�rios estavam andando com cartolas e guarda-s�is.

Londres no p�s-guerra era um lugar feio, sujo e obscuro,

e ir �s cafeterias era o mais alto na escala de conquistas sociais.

Sab�amos que poderia ser melhor. A vida poderia ser mais excitante.

O que era incr�vel era que pela primeira vez na hist�ria,

Havia uma gera��o de jovens...

Lutando e dizendo:

"N�o queremos guerras e comida ruim."

E "N�o queremos toda essa porcaria."

Havia um sentimento de unifica��o, de gente se reunindo,

As pessoas dessa gera��o reclamavam por melhorias...

"Por que temos que seguir estas regras?" E as bandas eram como a ��cola��.

Bandas como Soft Machine e Pink Floyd...

eram como a banda sonora. Eles davam o ritmo... e a energia.

Mas logo as pessoas que queriam ser criativas come�aram a pensar:

"Vamos arriscar".

E sim, realmente pens�vamos que �amos mudar o mundo, pens�vamos que...

com toda essa energia, poder e evolu��o do que estava acontecendo,

�amos terminar em um lugar diferente.

Vou ser m�sico, vou ser escritor, vou ser poeta.

Os anos 60 romperam com a heran�a Vitoriana.

Foda-se Vitoria.

Uma das maiores inspira��es do movimento underground nos anos 60...

era a gera��o Beat americana.

Assim como o epicentro da literatura beat em Londres...

era Better Books na rua Charring Cross.

No in�cio de 1965 eu cuidei de Bill Butler que havia se mudado para Brighton,

e me tornei gerente da loja.

Meu interesse era um pouco diferente que o de Bill.

Ainda estava interessado em poesia, um dos fortes de Better Books.

Estava interessado pelo que acontecia nos Estados Unidos,

particularmente com a gera��o Beat.

Era simplesmente algo grandioso para os jovens ingleses...

ou jovenzinhas.

B�sicamente nos fez rever nosso estilo de vida...

e nosso ensino.

Nos pergunt�vamos o porque das coisas,

E nunca ningu�m havia feito isso na Inglaterra.

Por isso que...

era surpreendente para n�s todo este assunto.

Na verdade muito disso tudo era gerenciado por Miles,

porque era ele quem se encarregava de importar a literatura beat.

Burroughs, Ginsberg, Kerouac, Ferlinghetti... essa classe de autores.

Muito antes de que algu�m os conhecessem.

Meu interesse particular era o Beat, assim que...

em julho ou junho quando Allen Ginsberg veio a Londres,

imediatamente o coloquei como uma leitura em destaque.

Nem tivemos que que colocar um letreiro.

O lugar ficava cheio e n�o era poss�vel entrar.

Logo Allen Ginsberg comentou que...

Lawrence Ferlinghetti estava em Paris a caminho da Inglaterra.

Tamb�m aconteceu que...

Gregory Corso estava na It�lia a caminho da Inglaterra,

e assim tivemos muito da Gera��o Beat naquele ver�o.

Um dia est�vamos falando que todos os beats estariam em Londres,

E Allen tinha uma esp�cie de noiva chamada Barbara Rubin...

Que perguntou qual era o maior lugar em Londres,

E minha esposa respondeu que era o Albert Hall.

Barbara literalmente foi � recep��o,

pegou o telefone e reservou o Albert Hall para dali a 10 dias.

Assim que foi reservado, surgiu a d�vida de como vender 7 mil lugares.

Aqui � onde Hoppy aparece a organizar a imprensa e as sess�es de fotos,

E armando truques em diferentes jornais para chamar aten��o,

para que n�o somente se vendesse todos os lugares, mas para que tamb�m tivesse gente do lado de fora.

Eu estava muito c�tico de que algo assim poderia lotar o Albert Hall,

mas n�o s� lotou. Quando chegamos, s� era poss�vel ficar espremido...

na galeria.

O esp�rito aventureiro, o esp�rito do descobrimento que...

crescia em Londres naqueles tempos,

Encontrou uma express�o no Albert Hall.

O fato de que o Albert Hall ficou completamente lotado,

Foi de grande apoio para a contra-cultura daquela �poca,

porque pod�amos ver que n�o est�vamos sozinhos.

Sim, foi muito cansativo... chegar a tanta gente.

Foi certamente um marco na minha carreira.

E se converteu em algo po�tico...

Na realidade a leitura em si n�o foi grande coisa.

Haviam 17 poetas, muitos deles bastante med�ocres.

Mas o importante foi que no Albert Hall houve uma festa,

As pessoas levavam comida, garrafas de vinho e fumavam maconha.

Foi um evento extraordin�rio. Realmente foi um sucesso.

Foi como uma orgia de poesia ou algo do tipo.

E ent�o apareceu Ernst Jandl

com um poema sonoro baseado na abertura de um gospel em alem�o sobre San Juan:

Im Anfang war das Wort.

Come�ou a declam�-lo e se transformou em um conjunto de ru�dos ensurdecedor.

Simplesmente incr�vel.

O poeta Harry Fainlight,

que parecia ter tomado anfetamina,

Tentava ler um profundo poema sobre a experi�ncia com LSD.

Lembro muito bem de Harry Fainlight,

Porque ele tinha muita vontade de ler seu poema,

e Allen Ginsberg dizia: "Desejo ler seu poema".

Mas ele havia tomado muita anfetamina, e sua boca ficava...

...todo o tempo. Estava muito irritante por causa disso.

Desertos frescos,

ressuscitados da mat�ria, concreto na beira da pista.

Para mim, isso se destaca do resto porque temos este louco,

de p� na frente de milhares de pessoas,

de alguma maneira revelando e expondo

E dizendo todas essas loucuras que passavam em sua cabe�a.

Eu estava muito assustado com isso.

Fiquei surpreso que as pessoas quiseram cal�-lo.

Simon Vinkenoog na verdade era holand�s.

Ele era um poeta holand�s, e era muito popular na cena poeta Beat.

Ele estava al� e havia feito uma leitura antes,

e tinha tomado mescalina.

Estava abrindo seu cora��o e sua leitura foi muito bem recebida.

Quando Harry estava recitando,

Simon de repente explodiu Com o "amor, amor, amor".

De fato n�o ajudou Harry, estranhamente eu pensei que ajudaria.

Estava dizendo amor. Tudo isto que est�vamos organizando era amor.

Alexander Trocki teve que tir�-lo do palco pois ele foi vaiado.

Por alguma raz�o o p�blico se levantou contra Harry.

E no final ele simplesmente caiu nos bra�os de Allen Ginsberg.

Foi muito triste, e acho que Harry n�o conseguiu se recuperar de tal rejei��o.

Havia uma grande quantidade de alc�ol no ambiente dos poetas.

E havia uma grande quantidade de bares ali, e os poetas bebiam muito.

Ginsberg bebeu muito e fez uma p�ssima leitura.

Na verdade, sei que Allen estava muito arrependido,

Sentiu que havia perdido uma grande oportunidade

e que poderia ter feito melhor,

Foi bastante diferente de outros poetas brit�nicos,

como Adrian Mitchell, que teve um grande �xito.

A leitura no Albert Hall foi o catalizador da cena underground.

Foi realmente a primera vez que a comunidade se viu unida,

E se reconheceram mutuamente uns com os outros como o que eram.

Pensamos que toda essa energia era t�o fant�stica que quer�amos us�-la.

Um dos canais para a energia que emergiu no outono de 1965,

depois da leitura no Albert Hall,

foi a London Free School em Notting Hill.

A London Free School era uma ideia.

Era habitado por uma variedade de pessoas,

de Michael X por uma parte, at� Pete Jenner e Andrew King por outra.

A London Free School era pra mudar a sociedade, mudar o mundo.

Se havia uma ideologia por tr�s era o que eu chamaria de pol�ticas de informa��o.

Havia muita gente dando voltas com diferentes talentos,

E tamb�m haviam muitas pessoas, no bairro de Notting Hill,

Que se tivessem esses talentos, seriam capazes de viver melhor.

Era uma simples proposta.

Tinham propiedades em Notting Hill, que Michael X usava como um cassino ilegal.

E como ele j� n�o usava, acabou virando um quartel.

Era uma express�o de algumas pessoas que sabiam a sorte e o privil�gio

de poder ajudar a comunidade.

Foi uma tentativa da classe m�dia de ajudar a classe trabalhadora.

Eu costumava pensar que era a London School da Liberdade.

Davam aulas sobre existencialismo e todo tipo de filosofias estranhas, e ovnis.

A partir dal� tudo decolou.

Acho que uma das coisas que aconteceram foi que

As pessoas locais que lidavam com o governo para coisas como

benef�cios e direitos de todo tipo,

Incentivou-os a lutar por seus direitos e mostrou-lhes como faz�-lo,

como lutar contra eles na C�mara Municipal.

�s sextas durante a noite i�mos por a� pedindo flores dos jardins das pessoas.

Mont�vamos buqu�s e deix�vamos na �gua a noite toda.

No dia seguinte eu comprava flautas indianas e, por volta das 10 pras 3 da tarde,

Quando a prociss�o estava pra come�ar,

Juntava umas dez crian�as pra que tocassem as flautas no desfile.

At� que a prociss�o come�asse as 3, com m�sicos marchando por Portobello Road.

E �s 3 em ponto, uma menina aparecia repartindo as flores e serpentinas.

E durante a prociss�o, as pessoas jogavam as serpentinas. Era lindo!

E isso durava o ver�o todo.

Esta ideia da prociss�o pode ter influenciado outros em uma escala ainda maior.

As prociss�es da Free School est�o conectadas com o Carnaval de Notting Hill.

Uma coisa levou a outra...

A London Free School era basicamente...

era como uma ideia que parecia capturar a imagina��o de muita gente.

Foi a vers�o moderna do carnaval, ent�o chegou o carnaval de Notting Hill.

O evento principal que surgiu da London Free School foi quando

Decidiram reviver a feira de Notting Hill depois de mais de cem anos.

Esta foi uma maneira de unir a comunidade em Notting Hill,

Tentando superar o preconceito racial, depois de motins raciais em Notting Hill.

Ent�o a ideia come�ou em um festival,

que foi crescendo e hoje � o festival de Notting Hill, o maior da Europa.

N�o acredito que o que falamos hoje sobre o underground de Londres em 1966 e 1967,

houvesse sido poss�vel sem a London Free School.

O International Times come�ou ali,

O que era �bvio... come�ou como um boletim mimeografado

de not�cias da London Free School.

Apesar de n�o ter trainado as pessoas locais para serem

cineastas, ou o que seja...

Teve muitos outros efeitos, que foram concretos e muito reais.

N�s come�amos o UFO. O UFO abriu para juntar fundos para a London Free School,

e de toda essa ideia surgiu a ideia da m�sica underground.

Por alguma raz�o meu nome apareceu no timbrado como o secret�rio dele...

e era eu quem deveria pagar as contas.

Rapidamente fiquei sem dinheiro.

Como filho de um vigarista, sabia que a maneira de fazer dinheiro era fazer sociais.

Tinhamos no in�cio do UFO O All Saints Hall na Paris Square,

era um bem social para arrecadar fundos para a par�quia da London Free School.

Era uma esp�cie de Vig�rio de Dibley nos anos 60, por�m com muita droga.

E a banda que elegeram para a coleta da Free School foi o Pink Floyd.

Pete Jenner, gerente eventual, havia visto o Floyd no in�cio de 1966,

em um ato espont�neo underground no The Marquee.

Quando cheguei l� haviam luzes dando voltas.

N�o tantas como hoje em dia, mas pareciam ser muitas e acho que haviam garotas rodopiando na gelatina.

E em seguida estava a banda tocando.

N�o conseguia me dar conta de quem estava tocando o que.

Lembro de caminhar ao redor do ambiente, tentando saber de onde sa�a o som.

E o som que chamou minha aten��o foi o de Syd e Rick tocando com...

...improvisando m�sicas,

com grandes quantidades de reverb, muitas repeti��es de eco,

muitas notas sustenidas, parecia ter muito feedback.

Tudo isso me soava bastante avant-garde.

A primera vez que escutei o Floyd foi no in�cio de 1966 no Marque� Club

na tarde de um domingo.

Um homem chamado Steve Stoleman montou esse evento chamando-o de Underground Espont�neo.

Lembro de entrar caminhando pela primera vez

e ver essas luzes coloridas piscando. N�o era um show de luzes, e sim algo anterior.

Tinha essa m�sica que parecia uma parede de som. Haviam m�sicos improvisando ali, improvisavam em cima de uma m�sica.

A m�sicaa gradualmente aparecia, acho que era Interstellar Overdrive

ou uma dessas zapadas improvisadas.

No primeiro evento da London Free School no hall da igreja n�o havia muita gente.

Na verdade havia pouqu�ssima, umas 17 ou algo assim.

Logo o Pink Floyd respondeu perguntas e tudo estava muito s�rio, m�sica e luzes pareciam misturar-se.

Em seguida, algu�m mais veio com eles, pessoas dos arredores.

Tinham um projetor com eles e faziam um show de luzes, outra coisa que jamais haviamos visto.

A explos�o acontecia enquanto o show de luzes era projetado sobre a banda,

isso era mais uma coisa que nunca t�nhamos visto ou escutado.

E logo essa situa��o come�ou a ficar mais popular a medida que,

depois de algumas semanas havia concorr�ncia e filas com frequ�ncia...

O Pink Floyd ficou conhecido como a banda principal da cena underground,

E seu vocalista e l�der, o brilhante Syd Barrett,

era um artista que se converteu em sin�nimo tanto de criatividade como de excesso dos anos 60.

A gest�o do Pink Floyd est� dividida em duas partes. Duas grandes conex�es.

A primera foi a conex�o em Cambridge,

que envolveu Roger, David Gilmour e Syd Barrett.

Syd viv�a perto de minha casa. Nossas m�es se conheciam,

Talvez tenhamos ido a mesma escola, mas n�o nos conhecemos porque

sou dois anos mais velho que ele.

Costum�vamos ir nas manh�s de s�bado a um lugar em Hills Road em Cambridge.

Mas n�o me lembro de nossa amizade at� que tiv�ssemos 13 ou 14 anos.

E come�amos a fingir que l�amos Ferlinghetti e Jack Kerouac.

Fing�amos tamb�m conhecer algu�m que queria se unir � n�s.

Por que tem que soar t�o alto, t�o amplificado?

Acho que n�o tem que soar assim, mas � a maneira como gostamos que seja.

Fizemos dois shows no cen�rio da m�sica pop, que � o que acho que somos,

Tocar em sal�es e clubes e esse tipo de lugar j� que � assim que funciona.

Tinha a fantasia de ser rico, ter mulheres e carros, e coisas do tipo.

E apesar de ter conseguido quase tudo, nunca deixei-o ir... meu sonho.

Todos a escutam. N�o � necess�rio que esteja muito alta pra que possamos ouv�-la.

Boa parte dela na verdade � muito tranquila.

Pessoalmente eu gosto tanta de m�sica suave quanto alta.

Minha m�e ainda tem fotos minhas com o Syd,

sentados na frente de casa fantasiando sobre a vida.

O extraordin�rio sobre as fantasias � que eventualmente se tornam realidade.

Bem, � isso,

acho que voc� deve ditar o seu veredicto assim como eu.

Meu veredicto � que h� um pouco de retrocesso � inf�ncia...

Mas afinal de contas, por que n�o?

Syd era um pouco mais jovem do que n�s, mas frequentava a mesma escola,

e ia pros mesmos lugares.

Ele era uma dessas pessoas solit�rias, criativas e inspiradas.

E possu�a essa estranha qualidade,

Uma aura esquisita que n�o sabia bem de onde vinha.

Havia algo encantador nele, e ele tinha um jeito especial de caminhar,

caminhava sempre sobre os dedos.

Todo mundo faz exatamente a mesma pintura sobre Syd.

Tinha um tipo de salto extraordin�rio em seus passos,

e sua maneira de caminhar refletia sua maneira de viver. Um constante... salto.

Era muito similar a Tigger (personagem de Walt Disney),

Obviamente ele era muito mais brilhante que Tigger, mas mesmo assim tinha esse salto.

Ele trouxe essa...

a vanguarda, n�o apenas suas composi��es mas tamb�m sua atitude em geral...

aos grupos pop e ao nosso em particular tamb�m.

Ele era o tipo de pessoa que sabia quem era o Love.

Love era uma banda da costa oeste, eu ainda n�o sei quem s�o.

N�o me importo, n�o estou interessado em m�sica.

Mas Syd estava, ele estava interessado no que estava acontecendo.

Era um grande estudioso, creio eu,

do rock and roll.

No ver�o de 1964, Syd Barrett se uniu aos outros membros em Londres.

Quando chegou se mudou para um c�modo na casa de Mike Leonard, que divid�amos

com Nick e Rick, e ia a Camberwell pintar por qualquer meio poss�vel.

Acho que a primeira impress�o foi de que era um tipo muito agrad�vel.

Magn�fico, carism�tico, divertido, criativo.

Ele se encarregava de todo o trabalho criativo. Compunha as m�sicas, gravava a guitarra.

Era f�cil trabalhar con ele, nunca existiu o sentimento de que Syd liderava a banda.

Ele fornecia as can��es e toc�vamos o que ach�vamos correto para os pulsos.

Syd era o cora��o criativo, Rick era quem o ajudava a articular a m�sica,

e Roger e Nick...

se divertiam.

Quero dizer, estavam em uma banda e faziam o que tinham que fazer,

Estavam l� e ajudaram a criar o ritmo,

Que provavelmente tinha a ver com explorar as limita��es.

O desenvolvimento da banda foram coisas que aconteceram no momento adequado.

O primeiro foi que hav�amos encontrado gerentes em Peter Jenner e Andrew King,

Que nos deu a oportunidade de focarmos mais seriamente no que est�vamos fazendo.

Quanto mais Syd escrevia mais desenvolv�amos essa ideia. Come�amos a extender as pe�as.

Definitivamente passou a fazer parte do set inteiro ter as luzes...

e uma vers�o diferente de um show de rock.

N�o era pra dan�ar e nem era um concerto. Era algo misto.

Ent�o, em Outubro de 1966,

Foi lan�ado o International Times, que foi criado por John Hopkins e Barry Miles,

Que estava envolvido em outra institui��o importante com o underground, que era o Indica.

Diario e Indica estavam relacionados e as ideias eram quase as mesmas.

Havia uma livraria e uma galeria do Indica.

John Dumbar estava mais envolvido com a galeria e Barry Miles com a livraria.

O Indica era dirigido por uma compania chamada M.A.D., Miles, Asher & Dumbar Ltd.

Eu era Miles...

Peter Asher, vinha de Peter & Gordon, a dupla de rock.

E o Dumbar, era John Dumbar, que era casado com Marie Ann Faithful.

Ela era nossa cr�tica e modelo.

A livraria est� no centro, � o ponto de coleta e disposi��o da informa��o.

� o centro de comunica��o.

Era combinar atividades de livraria nas quais estava envolvido, poesia,

pequenas e obscuras revistas liter�rias e coisas do tipo,

com a arte da vanguarda.

Todo o sistema est� aqu�.

Temos nossos editores, cineastas, nossos pr�prios teatros e clubes.

� uma sociedade completa.

O Indica era como um para�so onde encontr�vamos coisas que n�o existiam em outro lugar.

No in�cio, o Indica vendia discos, �lbuns do selo ESP imposs�veis de conseguir,

discos dos Fugs, de Albert Ayler e de jazz avant-garde;

E tamb�m publica��es novaiorquinas, do East Village. Livros esot�ricos in�ditos.

O mais importante � que no por�o come�ou a funcionar o International Times.

A raz�o do International Times era o vazio de informa��o da m�dia massiva.

Aconteciam muitas coisas que eles n�o cobriam.

O que vimos desde a leitura de poesia no Albert Hall em 1965,

E seus eventos subsequentes,

parecia haver muita gente que n�o fazia ideia da exist�ncia desses eventos.

Eu vejo em um n�vel de pol�tica e informa��o.

O International Times � um meio de comunica��o da cena alternativa.

N�o somos donos de uma r�dio ou de um canal de TV; somos apenas uma revista.

Usando de modelo publica��es alternativas da Alemanha e outros pa�ses, fundamos IT,

nossa pr�pria revista cultural, para cobrir �reas que a imprensa brit�nica n�o cobria.

E claro, cobr�amos a cena rock que ningu�m levava muito a s�rio.

Eu entrevistei Paul McCartney e Mick Jagger como nunca haviam entrevistado antes;

Reproduz� suas respostas literalmente, sem dilu�-las ou alivi�-las,

E sem incluir coment�rios editoriais que pudessem alterar suas declara��es.

E assim todo esse grupo do IT, do Indica e toda a cena,

o que tentamos fazer � tentar ver onde estamos agora.

Toda a literatura era crua, como a de William Burroughs, Ferlinghetti e esse tipo de pessoas.

Logo havia informa��o sobre drogas,

o pre�o delas nas ruas, a quantidade e a qualidade.

Estavam falando sobre coisas novas. Estavam Falando de coisas que ainda n�o sab�amos muito a respeito.

Ent�o tentam reduzir os clich�s de 'estranho', 'psicod�lico' e esse tipo de coisa.

Mas na realidade � o que est� acontecendo e eles tratam de olhar pra isso.

Pra mim foi um momento muito importante no ver�o de 1966,

Quando o International Times come�ou a mencionar-nos novamente, porque na certa havia sido dito a imprensa, imprensa publicada,

Vi pela primeira vez o Pink Floyd tocando no Marque� aos domingos.

Mas sua primeira grande exposi��o foi na festa de lan�amento do International Times no Round House,

Foi a primeira vez que o Round House foi utilizado para um show.

Entrava por uma pequena e triste porta,

subia por uns degraus inacess�veis que se encontravam a um lado,

e na verdade era um buraco sujo.

O Round House era uma... merda.

Um lixo.

Era um aterro.

Era muito, muito frio.

Era muito, muito sujo.

Lembro que n�o havia eletricidade no pr�dio. A eletricidade foi trazida de algum outro lugar com uma extens�o de 13 amperes.

Ent�o quando surgiram as luzes, alguns projetores e a banda tocando,

as luzes baixavam sua tens�o. A eletricidade ca�a.

A eletricidade foi cortada, os motociclistas n�o iam embora.

Foi ca�tico.

Mas de certa forma, foi uma esp�cie de evento em grande escala.

Tentamos subsidiar o jornal com a festa. Muitas coisas deram errado, mas muitas deram certo.

A ess�ncia do evento era n�o saber o que ia acontecer em seguida.

Apesar de nossos esfor�os no planejamento, foi assim que a noite acabou por ser.

Foi a primeira vez que tocaram para uma grande plateia,

e logo depois come�aram a tocar no UFO Club.

O lan�amento do IT foi em outubro de 1966 e o UFO Club come�ou em Dezembro do mesmo ano.

O lan�amento do IT foi em outubro de 1966 e o UFO Club come�ou em Dezembro do mesmo ano.

O UFO era como... era algo como...

E logo terminava.

Simplesmente se converteu em algo que fazia uma sexta-feira por noite.

Simplesmente pessoas chegando, lendo poesias em um canto.

Uma viagem, para dan�ar e mastigar a gordura psicod�lica.

"Oh Nigel, o barco est� balan�ando". Eu n�o sabia ao que se referiam.

� s�bado a noite no UFO, aqui � onde realmente est�o.

Hoppy focava todas as suas energias no International Times e na London Free School,

nenhum deles gerava dinheiro.

N�s nos pergunt�vamos o que fazer quanto � isso,

E decidimos come�ar um evento na outra semana.

Ao inv�s de obter um lugar para aquelas nobres organiza��es, ter�amos um beneficio para n�s mesmos.

Joe encontrou o Blarney Club na rua Tottenham Court, que era um sal�o de baile irland�s, no s�t�o.

Foi quando aconteceu o primeiro UFO.

Est�vamos entre dois nomes. �amos cham�-lo de...

Night Tripper...

ou UFO.

Ent�o colocamos ambos os nomes no primeiro volante.

Basicamente o UFO Club era o centro do underground.

Era novamente como a leitura de poesia no Albert Hall, s� que todas as sextas durante a noite.

Era um s�t�o, com um teto baixo...

Um amigo de Hoppy tinha um show de luzes,

montado em um canto.

N�o importava que banda estivesse tocando, sempre havia um show de luzes.

Conforme as pessoas se mexiam, suas m�os eram projetadas, coisas assim.

A noite no UFO,

foi diferente de qualquer outro show que hav�amos feito antes.

Um dos motivos era que �amos l� pra nos divertir.

Estava um pouco alto, e de repente me dava conta:

"Deus, temos que tocar".

Ent�o faz�amos o set e fic�vamos ali pra nos divertir.

N�o era como fazer um show, sendo que era parte da noite. Era uma experi�ncia muito diferente.

Yoko Ono veio e nos deu eventos de diversos tipos,

tinhamos grupos de jazz avant-garde, m�sica oriental...

N�o �amos embora at� que surgisse o sol, era como ser um vampiro.

A primeira coisa que v�amos era a luz do d�a...

Voc� tinha uma hora pra chegar em casa antes que a comunidade come�asse o dia,

e era bastante dif�cil estar na esta��o Charing Cross...

rodeado de pessoas de cartola, quando ainda estava saindo de uma viagem com �cido.

B�sicamente come�ava as 10:30pm e durava a noite toda at� que o metr� come�asse a funcionar.

E uma vez que o sol estivesse no alto do c�u e o metr� funcionando, nos fech�vamos pro mundo e �amos pra casa.

O UFO era muito elitista.

O assunto psicod�lico n�o havia chegado ao p�blico em geral.

Era uma multid�o de estranhos...

que estavam assustados de que haviam tantos outros, e todos estavam felizes de ver todos os demais.

No mesmo programa poderia ter o Floyd, ou poderia ter algu�m como eu fazendo poesia e jazz.

O Pink Floyd foi chamado de orquestra caseira do underground.

�s sextas a noite, eles e outros grupos tocavam no UFO -Objeto Voador N�o Identificado-

um ambiente noturno com filmes, proje��es e m�sica, que faziam do clube underground um ambiente de grande entretenimento.

Tinha o show de luzes que foi criado por Mark Boil. Era muito, muito bom.

Um amigo meu, Joe Gannon, foi um dos pioneiros em show de luzes.

Ele experimentava todas as mesclas...

�leos, aquarelas, corantes, tintas e etc.

Aplicava calor � elas e come�avam a mover-se por todo canto.

Tenho que dizer que ficavam incr�veis no ambiente.

Era algo fant�stico o modo como funcionavam esaas coisas:

Colocava-se os slides entre duas placas de vidro duplo

E em seguida as aquecia com um isqueiro.

Vidro e isqueiro, n�o era uma combina��o muito boa...

De vez em quando se escutava um grito vindo da torre de luz...

Essas coisas eram projetadas sobre o Pink Floyd,

tanto que as vezes a banda at� desaparecia.

A banda...

virtualmente desaparecia em um show de luzes.

O Pink Floyd n�o era uma banda que mostrava o rosto.

Eles eram an�nimos...

criadores de som.

Tocavam o cl�ssico repert�rio de Blues dessa �poca, m�sicas como �Dusting my Blues�. 'Oh, por Deus, outra vez Dusting my Blues!'

Parecia que s� existiam 30 can��es e todo mundo tocava essas 30 can��es.

Ao inv�s de ter guitarras se lamentando,

o Floyd tinha um som muito raro.

Tocavam as can��es em 5 ou 7 minutos ao inv�s de 3.

Eles tocavam... a m�sica durava um ou dois minutos que logo viravam minutos de improvisa��o.

E isso � que era interessante, que o fazia �nico... as improvisa��es.

Creio que a lembran�a de Interstellar Overdrive era o riff de Syd,

era muito simples mas...

Na verdade � mais simples que uma escala 12 porque � basicamente um riff crom�tico.

Faz isso duas vezes e n�o muda de acordes por uns dez minutos. A� faz o que quiser durante esses 10 minutos.

� uma esp�cie de forma livre sobre um acorde menor praticamente �nico de uns dez, quinze minutos, ou pelo tempo que quiser.

E ent�o pensa: terminamos?

Muito bem, vamos novamente.

Ent�o toca o riff outras duas vezes e termina.

Assim reduzia a forma da m�sica ao mais simples poss�vel.

N�o ficamos ali por muito tempo, mas durante a �poca do UFO,

Era basicamente isso, tocar um acorde menor por um longo tempo.

A t�cnica de tocar a guitarra de Syd n�o foi t�o adotada do jazz, mas de AMM,

e seu guitarrista Keith Row, que anteriormente havia estado na banda de Mike Westbook.

Foi ele que come�ou a deslizar as coisas pelo bra�o da guitarra el�trica.

A banda AMM era muito livre, improvisavam muito.

E Syd se viu no meio disso e come�ou a utilizar essas t�cnicas, o deslizamento, e at� a desafina��o.

� �poca final de seu colapso mental iria subir ao palco e desafinaria suas cordas at� que elas estourassem por completo e n�o poderia mais tocar.

As sacudiria e permaneceria olhando fixo para o p�blico.

Syd Barrett era incr�vel. Me refiro a compositores e coisas do estilo, Syd Barrett era fant�stico,

Amou tudo que fez. Ele era m�gico, exceto quando ficava completamente fora de s�.

Ele era um verdadeiro esp�rito.

Syd era uma estranha mescla de duas coisas.

Ele era um m�sico de improvisa��o de vanguarda,

e por outro lado tamb�m se sentia atra�do � ideia de Deus do rock and roll dos anos 60,

Com apertadas cal�as de veludo e camisas com babados, e ter groupies, o que sem d�vida alguma ele conseguiu.

Para mim, as m�sicas de Syd eram incr�veis, muito originais. Muito inglesas, muito mais que o blues.

A escritura de Syd estava influenciada tanto por Edward Lear, como pelo blues.

A tradi��o brit�nica de Louis Cowell e Lear estavam presentes em v�rios de seus escritos,

com uma visi�o quase infantil do mundo.

Era s� Syd quem...

Tinha a mesma sensibilidade que o resto do underground.

Acho que os demais membros da banda n�o compartilhavam desses valores em particular.

Eram mais de classe m�dia.

Durante um tempo isso foi o que projetamos neles. Era isso que eles eram, a banda da casa.

Sim, �ramos a banda da casa porque t�nhamos uns empres�rios que nos promoviam.

Peter e Andrew Blackhill com Joe Boyd.

T�nhamos o melhor do underground de Londres nos promovendo.

�stavamos no UFO, foi o lan�amento do IT. Est�vamos ali dispon�veis e sendo empurrados nessa dire��o.

N�o tenho nenhuma lembran�a do underground.

Quando a gente fala disso, eu n�o entendo a que se referem.

Daquela �poca lembro de falarem da London Free School,

ou da London Free... eu nunca vi evid�ncia de nenhuma escola...

Havia alguns panfletos sobre consumo de drogas, creio que Hoppy foi preso por isso.

Mas n�o me lembro de nada realmente revolucion�rio em nenhum sentido.

Acho...

N�o � para desprestigiar ningu�m, s� que eu n�o vi nada.

N�o vi nada acontecer...

talvez porque estava muito ocupado, igual ao resto do grupo,

saltando daqui pra l� com todos os privil�gios... colocando acess�rios nas minhas roupas, etc.

Ou olhando a vitrine da boutique "Granny Takes A Trip", simulando que t�nhamos dinheiro para comprar aquelas roupas de paet� horr�veis.

N�o sei muito bem se fomos "A banda residente do Underground".

Talvez f�ssemos, mas, como disse antes, nunca soube realmente o que era o Underground.

Com o sucesso no UFO,

o pr�ximo passo l�gico para o Floyd era produzir um single.

O primeiro contato que tivemos, foi obviamente com Joe porque o conhec�amos e ele era parte do grupo.

Com a ajuda de Van Morrison gravamos o primeiro single, provavelmente ao final de 1966.

E foi Arnold Layne.

Joe definitivamente viu o potencial. Acho que ele nos foi apresentado atrav�s de Peter e Andrew.

Houve uma boa conex�o e gravamos no Sound Techniques, em Chelsea.

Foi uma experi�ncia bastante simples.

E a EMI foi quem o lan�ou, licenciou e comprou a grava��o a Morrison. Eles lan�aram o primeiro single.

Eu produz� Arnold Layne, que foi o primeiro single.

E acabou sendo censurado pela BBC por ser inapropriado.

Mas foi um �xito. N�o foi um grande �xito, mas entrou pro Top 20

e nos colocou no mapa.

Quando a grava��o foi proibida ficamos surpresos,

est�vamos realmente at�nitos, pensando,

"Oh sim, suponho que foi porque... h� uma maneira um pouco estranha de interpretar a m�sica".

Quando saiu "Arnold Layne", produziu um certo impacto.

E acho que em boa parte foi a passagem instrumental de "Candy And A Currant Bun" que me chamou a aten��o, porque era diferente do resto.

Porque "Arnold Layne" era algo que... n�o sei, talvez o The Who poderia ser capaz de fazer isso, ou os Kinks.

Mas eles (Pink Floyd) haviam dado um passo adiante.

Havia passagens instrumentais nas m�sicas que n�o tinham ocorrido a ningu�m antes.

Em 9 de mar�o de 1967, as oficinas do IT foram interrompidas devido a uma acusa��o de obscenidade,

deixando o pessoal do IT com urg�ncia em arrecadar fundos.

A forma em que trabalha a sociedade � perseguir e tentar manchar aquilo que � considerado perigoso por aqueles que tem poder.

E quando algo como a imprensa underground come�a a crecer e expandir, � algo que sem d�vidas traz amea�as.

A desmontagem do IT era basicamente sob o pretexto de obscenidade.

A policia chegou ao Indica um dia com uma ordem e levaram tudo.

Foi um cl�ssico evento de intimida��o policial,

provavelmente fecharam outros jornais,

Mas o nosso n�o era qualquer um. N�o o faz�amos por gan�ncia, ningu�m estava ganhando dinheiro.

N�s, a equipe editorial, decidimos que dev�amos... era como apostar o dobro ou desistir.

Ter�amos um evento enorme para juntar fundos.

Me lembro de dizer ao Hoppy:

"Tem que ser cuidadoso porque pode acabar perdendo dinheiro ao inv�s de ganh�-lo".

Eu estava um pouco c�tico.

E depois de nos frustrarmos com a ideia de um grande caso no tribunal e muitas garantias ilegais,

Hoppy se retirou por um tempo do jornal e dedicou seu tempo completo para organizar o Technicolor Dream.

No passado, quando ele era fot�grafo de Jazz, Assistiu a todo tipo de festa no Alexandra Palace.

Assim mesclou tudo para criar, basicamente, uma vers�o extendida do UFO Club.

O Technicolor Dream foi a celebra��o da maioria da gera��o p�s guerra.

O Technicolor Dream foi uma clara manifesta��o de que era diferente.

E muita gente ficou de p� por horas e horas em um tipo de transe, escutando...

Havia todo tipo de coisa acontecendo naquela �poca.

Havia gente fazendo shows de luzes em clubes pequenos .

Me lembro de pensar...

"Agora est� acontecendo tudo. Isso realmente � algo grande"

Agora era diferente. Havia mudado, e n�o voltaria a ser o mesmo.

Lembro que tomamos a Northern de metr�, at� a esta��o Wood Green.

Sa�mos da esta��o e subimos na colina at� o Alexandra Palace e lembro bem do cheiro de incenso,

porque a gente levava alguns incensos, sinos e todo tipo de roupas alucinantes.

Vestidos largos, t�nicas e alguns dos primeiros kaftans, aqueles sacos afeg�os bordados.

Era um incr�vel carnaval de gente vestida com roupas delirantes e ex�ticas.

Me sentia em casa.

Era isso que eu buscava, mesmo quando n�o sabia.

Cheguei bem cedo, e lembro que assim que se abriram as portas,

havia um homem chamado Norman Pinkleton que se sentou na porta e parava todos que entravam,

come�ava a falar com eles e a lhes dar seu endere�o.

Nos meses seguintes havia cerca de 50 pessoas visitando-o, j� que tinham seu endere�o.

Eram completos desconhecidos, simplesmente iam passar um tempo com ele.

Quando cheguei ao lugar...

comecei a passear pelas escadas desse magn�fico edificio,

e foi como entrar em um templo com um grande vendaval manchado ao fundo,

E um grande �rg�o e toda aquela gente passeando vestida...

de uma maneira incr�vel.

Lembro que a primeira pessoa que vi ao chegar foi um homem chamado Nigel Weymouth

Que fazia parte do Hapshash e do The Coloured Coat, que dirigia Granny Takes a Trip, uma loja de moda na World's End,

Com quem j� tinha uma amizade. De repente me dei conta que ali era a minha casa naquela noite.

Qual seria pra voc� o prop�sito dessa noite, do Technicolor Dream?

Bom, acho que � um novo per�odo. Estamos come�ando uma nova era.

Acho que estou muito louco. Todos est�o loucos! � uma loucura. O que ganham com isso?

Todos esses vestidos largos e compridos. Metade das pessoas est� caminhando por aqui...

Havia dois palcos, um em cada ponto, um bem debaixo de onde estava o �rg�o, e o outro do outro lado.

Todas as pessoas estavam flutuando por a�, sentadas no ch�o, muita coisa estava acontecendo.

41 bandas ofereceram seus servi�os.

Nem todas eram bandas. Alguns eram atores e grupos de dan�a, etc.

Mas foi o suficiente, para conseguir juntar toda essa gente, que havia duas bandas simultaneamente, uma em cada canto do Alexandra Palace.

O som era espantoso, saltava por todos os lados, n�o dava pra ouvir nada.

Havia duas bandas tocando ao mesmo tempo, e assim ambos os sons se misturavam.

N�o houve nenhum tipo de intervalo, nem haviam repert�rios programados. A gente improvisava.

John Dumbar havia esquecido do evento e saiu pra tomar �cido com John Lennon no Weybridge.

O evento foi t�o massivo que repercutiu no notici�rio da BBC na TV, resultando que ter�am

os organizadores do primeiro grande evento psicod�lico do pa�s,

elegeram o in�cio do dia anterior ao come�o do m�s de maio para seu ritual que durava toda a noite em seu templo, o Alexandra Palace.

Ofereceram entrada gratuita � rainha e ao primeiro ministro e cobraram uma libra das outras 7.000 pessoas.

"Ah, voc� sabe", de repente se deram conta do que estavam perdendo, chamaram o chofer

e foram expulsos com esplendor do Alexandra Palace. � poss�vel ver pelas imagens da TV que estavam completamente fora do lugar.

Todas as outras coisas que lembro Foram muito boas.

Passei muito tempo com minha noiva Suzy Creamcheese.

Meu nome � Suzy Creamcheese.

O que voc� faz?

Bom, as vezes dan�o pra poder viver. As vezes opero os controles. E algumas vezes trabalho com crian�as doentes. Ou simplesmente vivo.

Lembro que Lennon entrou como muitas outras pessoas.

Foi uma bagun�a.

Tamb�m aconteceram eventos menores. Por exemplo, Yoko Ono fez um evento onde

as roupas de uma jovem mulher foram cortadas em diversos peda�os por pessoas com tesouras.

Elementos de viola��o e de feminismo.

As tesouras estavam amplificadas,

ent�o tinham um bom som.

Se John Lennon viu isso, n�o sei, mas acho que n�o se falaram, embora j� tivessem se visto antes.

Foi durante o momento em que estavam consertando o �rg�o da igreja, que pertencia a Ally Pally (Alexandra Palace).

Havia andaimes ao redor do �rg�o que chegavam at� o teto.

Assim que come�ou o evento, as pessoas come�aram a subir pelo andaime.

Por volta da meia noite vi o andaime balan�ando,

obviamente n�o era muito seguro.

Foi muito amador, e foi isso que deixou tudo t�o bonito e encantador.

Algumas pessoas completamente fora de s� subindo pelo andaime.

� incr�vel que ningu�m tenha ca�do ou quebrado alguma coisa.

Havia tanta coisa acontecendo,

todos �ramos amigos e ficamos ali olhando o teto, observando as coisas

fumando erva, e na verdade �ramos uma parte da cenograf�a do lugar.

fumando erva, e na verdade �ramos uma parte da cenografia do lugar.

Lembro que o Floyd chegou e come�ou a tocar muito tarde.

Come�aram a tocar justamente quando a luz do sol come�ava a entrar no edificio, o sol j� estava alto no c�u.

Lembro tamb�m que o lugar estava cheio de luzes

E o hall se enchia com um novo dia, um novo amanhecer, uma nova luz do dia.

Pelo menos foi o que senti.

A parte mais lend�ria do evento foi o Pink Floyd entrando como uma aurora por uma janela rosa.

Pete Jenner e Syd tinham tomado �cido.

Creio que Syd tocou muito mal naquela noite,

Mas o efeito do sol aparecendo, entrando pela janela, e refletindo na guitarra de Syd

que era prateada, gerava focos de luz por todos os lados, foi m�gico.

O palco era bem alto, tinha 2 ou 2,5 metros de altura.

Ent�o voc� tinha que olhar pra cima. Atr�s dele havia uma janela rosa. Foi muito emocionante.

Minha melhor lembran�a, que com certeza tem a ver com drogas,

era a luz crescente.

Era de noite e ent�o amanheceu, foi quando o Floyd tocou.

Isso foi crucial, literalmente uma experi�ncia muito psicod�lica.

O que tocaram naquela noite foi uma s�rie de improvisa��es bem longas.

Acho...

que fizemos dois shows naquela noite.

Tocamos na Holanda e logo voltamos � Inglaterra.

Mas posso estar errado sobre isso. Pode ter acontecido outra coisa.

N�o lembro como a banda tocou, e acho que nem eles lembram como conseguiram tocar.

Deve ter sido muito dif�cil. Ouvi por a� que Roger parecia um pesadelo e isso n�o me surpreende.

Lembro de Ally Pally. Lembro que havia um lugar enorme. Lembro que havia muita gente. E havia mais de um palco.

Lembro de girar o bot�o de uma coisa chamada BFO, um oscilador de frequ�ncia, que na verdade � apenas um gerador de tom.

E fazia: whoooooo...

E depois em outra dire��o: ooooooooooh.

Ou podia fazer whoo oooh whooo. Era um instrumento musical extraordin�rio e primitivo.

Tendo a ter uma vis�o infantil sobre aquilo que est�vamos vivendo...

Syd come�ava a se destruir e para n�s tudo come�ava a ficar maior.

Este era outro tipo de evento muito diferente ao que est�vamos acostumados... a como era o underground.

Quando fa�o uma retrospectiva me dou conta de que n�o era t�o maravilhoso.

Eu tava l� quando terminou, quando o sol estava alto no c�u. Era uma fant�stica manh� de primavera, era um dia maravilhoso.

Lembro de estar deitado no gramado fora do Ally Pally,

E ver a multid�o de pessoas descendo a colina,

e pensando que realmente era muita gente, e tamb�m que aquilo estava decolando.

Acho que foi um grande �xito porque as pessoas que foram l� se viram compenetradas com o que aconteceu,

e foram embora dizendo que foi lindo e que devia repertir-se.

Depois da festa no Alexandra Palace o pr�ximo grande passo para o Pink Floyd era gravar seu primeiro disco, The Piper at the Gates of Dawn.

Trataram de conseguir um contrato com a Polydor.

Mas antes do contrato ser assinado...

a ag�ncia que os representava...

disse: "N�o, podemos conseguir mais dinheiro com a EMl".

A� todo o acordo foi desfeito e a banda foi pra EMI, e eu acabei produzindo somente um disco

e o resto dos LPs foram produzidos internamente pela EMI, j� que essa � a pol�tica deles.

Peter e Andrew foram a Van Morrison, e Van Morrison virou nosso empres�rio e nos conseguiu todo esse trabalho que

de alguma maneira nos colocou na EMI.

A EMI n�o tinha inten��o alguma de colocar Joe como produtor, ent�o tivemos que colocar de lado.

The Piper foi gravado nos famosos est�dios de Abbey Road,

com o produtor da EMI, Norman Smith.

Ele havia sido o engenheiro de som dos Beatles, e esperava ser o pr�ximo George Martin estando conosco.

Ele teve bastante influ�ncia em grande parte da grava��o.

Ele estava muito surpreso, ao fazer esse primeiro alb�m, por causa das m�sicas de Syd.

Norman Smith disse que foi dif�cil trabalhar com Syd. Pessoalmente eu n�o lembro disso.

Fizemos as m�sicas em poucos dias, ao inv�s de levarmos meses, como acabou sendo anos depois.

O Floyd foi a primera banda a conseguir um contrato com uma grande gravadora.

Acho que a aud�cia de Norman Smith foi Assegurar-se de que a banda produziria v�rias m�sicas de tr�s minutos para seu primeiro �lbum,

mas n�s insistimos que houvesse uma m�sica longa, como as que faziam ao vivo.

E essa era Interstellar Overdrive.

� um tributo a Abbey Road e sua qualidade de engenharia, de algo que foi feito h� 40 anos.

N�o � algo t�o chato de escutar como esses velhos cilindros de cera.

� uma mistura de coisas. H� diversos elementos nela, que acho muito interessantes.

Chapter 24 � sobre o I Ching, todo o assunto filos�fico, religi�es e coisas do tipo.

M�sicas como Scarecrow e Bike s�o basicamente poesia inglesa...

E depois tem Interstellar Overdrive que � um rock and roll misturado a v�rias sess�es de inven��o.

E com quebras nos ritmos, que era algo desconhecido no rock and roll at� aquele momento.

Os anos 60, a carreira e o colapso de Syd Barrett desde o come�o de 67 em diante, se encontram inexoravelmente conectados...

...com o LSD e seus efeitos

Minha opini�o pessoal � que Syd ia pelo caminho da esquizofrenia, se afundava.

De todos jeito, � s� minha opini�o pessoal.

Minha conclus�o � que Syd tomou LSD em v�rias ocasi�es e frequentemente tinha badtrip.

Ouvi dizer que ele consumia muitas drogas, muito �cido.

Acho que isso o deixou com a mente perturbada.

Se voc� est� doente e toma �cido, ainda mais em grandes quantidades,

isso � o pior que voc� pode fazer,

porque agrava os sintomas de qualquer coisa que ande mal em seu c�rebro.

Havia uma conex�o com a filosof�a em que ele estava interessado naquela �poca.

Ambas as coisas em certo sentido foram um tipo de coquetel que n�o deu certo.

Mas ele tamb�m estava experimentando e sendo art�stico,

o �cido abria sua mente � novas formas de express�o.

Foi muito dif�cil, porque esper�vamos muito da parte de Syd.

Ele era o l�der criativo. Era o �nico que escrevia m�sicas.

Tamb�m era o guitarrista principal e vocalista,

Ent�o era uma pe�a fundamental do quebra-cabe�a.

�ramos muito conscientes de que as coisas come�avam a ir bem, por�m...

Eu ainda acho que neg�vamos...

Se Syd se comportava de um modo peculiar,

Supomos que era por causa do cansa�o e do stress e que simplesmente dev�amos tirar um dia livre e depois voltar ao trabalho.

Ele era um verdadeiro artista e via a si mesmo como tal, era amb�guo a respeito de toda a cena pop.

Ele decidiu que n�o era isso que queria fazer. Ele n�o queria estar em uma banda de rock and roll,

com todo o assunto comercial que isso implicava.

Era muito experimental, acho que n�o tinha interesse em ser um popstar.

Ele descobriu que ser uma estrela era muito perturbador, as pessoas se aproximavam para lhe perguntar o significado da vida.

O consenso geral da Inglaterra era bastante triste nos anos 50 e come�o dos 60.

N�o tinha muita cor. Era cinza e bege. Era um lugar muito triste.

Os que tomaram LSD, e em menores por��es a cannabis, perceberam que o mundo explode em cores prim�rias.

O que vemos na m�sica pop,

tanto nas letras como no som,

a moda, a arte, o desenho dos cartazes, a fotografia, e toda a arte que acontecia em Londres em meados dos anos 60,

era em grande parte produto das vis�es e experi�ncias com o LSD.

Virem-se... para eles... abrace-os

A primeira vez que tomei LSD foi com amigos, Ted Millson e creio que tamb�m Andrew King, que mais tarde foi um dos empres�rios do Floyd.

Falando sobre mim, s� consum� �cido duas vezes em minha vida.

A primeira vez foi uma experi�ncia incr�vel e profunda. As gera��es seguintes disseram:

"Oh, consumimos �cido, sa�mos e fizemos isso e aquilo".

Era diferente do nosso, era completamente puro,

uma gota na l�ngua era suficiente. N�o sairia por v�rios dias. Era muito, muito forte e estranho.

A primeira vez que voc� toma �cido, se estiver bem preparado para isso, e ainda bem que n�s est�vamos,

n�o sentimos medo por estar aos p�s das portas da percep��o e...

tinha uma especie de respeito com o que est�vamos fazendo, que n�o era apenas entretenimento.

Lembro de estar em um clube em Frankfurt depois de tomar �cido as duas da manh�,

desc� as escadas e lavei as m�os. Fui ao banheiro e lavei as m�os.

E ao abrir a torneira, come�ou a sair sangue.

Lavo o rosto, e ao me olhar no espelho estava todo ensanguentado... mesmo sabendo que n�o era sangue.

� genial, uma experi�ncia maravilhosa. Voc� olha suas m�os e elas s�o geniais...

Depois subia as escadas, sentava no bar e v� um alem�o, e ele est� pelado.

De repente, sua cabe�a come�a a queimar e voc� sabe que n�o � real, e mesmo assim � uma experi�ncia incr�vel.

Porque tem uma esp�cie de controlador. Se come�ar a ficar assustado, tente relaxar.

Nunca tive uma badtrip, sempre foi fant�stico.

N�o sinto absolutamente nenhum desejo de fazer isso de novo.

N�o que tenha sido uma experi�ncia terr�vel, s� que...

� como tentar viver outra vida. Coisa que n�o quero fazer.

Muito do que aconteceu a Syd foi depois de deixar de tocar regularmente no UFO e de deixar de de trabalhar com eles.

Uma noite me encontrei com ele. Na zona oeste. E sua noiva disse que ele tinha tomado �cido todos os dias durante uma semana.

Claramente estava passando dos limites.

Lembro de um show no UFO em que Syd tocou s� uma nota durante todo o show.

O Floyd voltou a tocar no UFO em junho, e ele simplesmente ficou parado al� no palco,

com seus bra�os cruzados, as vezes n�o cantava as m�sicas...

Obviamente, de alguma maneira estava profundamente mudado.

Ent�o come�amos a nos preocupar porque Syd estava um pouco estranho.

Mas, qual o problema? J� que est�vamos experimentando, �ramos psicod�licos,

expandia nossos horizontes, expandia nossas mentes. Explor�vamos nossa cabe�a, explor�vamos novos territ�rios.

Ent�o houve uma esp�cie de ambival�ncia em minha mente sobre este assunto.

Me refero a que posso falar de seu comportamiento e de todas as coisas raras.

Quando est�vamos fazendo o Top Of The Pops, acho que em 67, Syd ficou mal humorado

por ter que sair na TV, e no fim acabou saindo.

Tamb�m lembro dele dizer: 'John Lennon n�o tem que fazer isso'.

O que est� falando? O que tem a ver com a gente?

Isso � o que sempre sonhamos.

Logo ele come�ou a estar cada vez menos e menos apegado a nossa realidade, e tudo se desmoronou lentamente.

Finalmente nos demos conta, que realmente o enfrentamos, quando Syd j� n�o tocava conosco.

Ele j� n�o tocava de uma maneira real�stica. S� desafinava as cordas ou ficava parado... perdido...

E finalmente tivemos que enfrentar a situa��o.

N�o acho que foi a sua escolha, s� que literalmente estava incapaz de poder tocar.

De alguma forma ele procurou isso, atuar como um louco. Como ele fez na famosa Winterland...

que foi uma de nossas primeiras apresenta��es nos EUA junto ao Big Brother e Janis...

Todos conhecem essa hist�ria, ele come�ou a desafinar a guitarra

desde a corda Mi at� a La, Sol, Re, Si at� que elas ca�ssem,

e isso era tudo.

Era bastante Dad�,

e realmente irritante j� que o que fazia no resto do show n�o era t�o genial.

Todo mundo culpa o Pink Floyd por ter abandonado Syd Barret.

Mas ele n�o se mantinha em p� n�o podia manter-se firme.

Usou muitas drogas, e muito rapidamente.

E tamb�m tinha uma condi��o m�dica sobre a qual n�o sei nada.

Simplesmente se perdeu. Perdeu o controle.

Ele era brilhante, uma dessas estrelas que explode, como Hendrix.

Algu�m que parece que � muito brilhante para estar vivo.

O fim dos anos 60, Syd Barrett gradualmente Foi desaparecendo da cena musical,

e outra figura ic�nica do underground, Hoppy Hopkins,

tamb�m parecia se dar conta de que as coisas haviam mudado.

Quando ele se foi tudo desmoronou.

Foi extraordin�rio. Quando a policia o prendeu, foi porque estava se tornando muito influente, muito poderoso.

Sempre pensei que o levaram para cal�-lo.

Ele nunca voltou a ter o mesmo poder depois disso.

Se deu conta de que havia cruzado a linha e n�o queria voltar a esse maldito lugar outra vez.

Ent�o ele nunca voltou ao underground depois de cumprir a senten�a.

Tivemos o "Summer Of Love", tivemos a "Sgt. Pepper" em junho. Tivemos "Piper At The Gates Of Dawn" em agosto...

Mas depois Brian Jones foi preso pela segunda vez, a morte de Brian Epstein...

Os Rolling Stones lan�am um grande �lbum psicod�lico, e se torna uma esp�cie de inverno.

Me dei conta que as coisas estavam mudando no fim do ver�o de 67.

O esp�rito que havia durante 66 e a primavera de 67

come�ou a se corroer porque nos tornamos muito populares.

Quando algo fica massivo, e a Inglaterra � um pa�s que pode transformar qualquer coisa em moda,

e se transforma em uma moda pop no lugar de um movimento s�rio,

se torna inevit�vel.

Honestamente, no fim de 69 todos estavam cansados.

Ningu�m havia dormido o suficiente durante anos. Haviam tomado muitas drogas.

Estavam completamente esgotados.

N�o acho que tenha havido um evento em particular. No fim todos se cansaram e foram dormir.

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