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- Sofre de distúrbio bipolar tipo 1. - Sim, é verdade.
- E está a tomar medicação? - Sim. E voltei ao trabalho.
Matei a minha mulher. Estrangulei-a.
Aceitei um trabalho administrativo. Consigo cuidar da Liv e do Simon.
Talvez fita-cola.
De certeza que a estrangulou onde a encontrámos?
Foi na sala que aconteceu.
Deve ser uma filha. Encontra-a.
Tenho umas perguntas para si.
É uma viagem de intercâmbio. Acho que seria bom para nós.
- Está bem. - Quero gelado.
Achas que podemos dormir lá em breve?
TAMBÉM VOS QUERO CÁ. TEMOS DE CONVENCER O PAI.
No medo, há força.
Algo não está bem.
TeM de começar a contar-nos o que aconteceu à Mona.
Eu estrangulei-a.
QUAL É O MOTIVO DO HANS?
FITA-COLA NO CABELO?
- Olá! - Olá, sou eu.
- Podemos encontrar-nos? - Agora?
Sim.
- Olá! - Olá.
Obrigado por teres concordado em vir.
- Queres café? - Sim.
Aconteceu alguma coisa?
As crianças estão bem.
Ou, como de costume.
A Liv quer dormir em minha casa.
Sim e era por isso que queria falar contigo e...
É demasiado cedo.
Na verdade, não compreendo. Mudei-me.
Estou a tomar medicação. Comecei a trabalhar.
Fizeste tudo ao mesmo tempo.
Talvez devesses dar um passo de cada vez.
Como o teu trabalho. Talvez isso possa esperar um pouco.
Tomas... Tomas, só os quero ver.
Certo, mas isto não é só sobre ti.
Viste o Simon? Ele...
Ele é incapaz de entender o que aconteceu.
Ele está sempre a isolar-se.
Entendes? Isto afetou-nos a todos.
E não pode voltar a acontecer.
Não pode. Não é altura para voltarmos à normalidade.
Eu sei que estás a tentar. Mas leva tempo.
E tens de ser muito clara com as crianças
que isto é o melhor para ti. A responsabilidade não é só minha.
Queres mais?
Está atrasada. Desencontrou-se dele, já se foi embora.
Raios. Desculpe.
Não é a mim que tem de pedir desculpa.
Vai ser interessante conhecer o novo chefe, certo?
Ainda não recebemos nenhuma informação.
O Göran tinha as manias dele, mas ele preocupava-se mesmo.
Lembro-me de uma vez. Sou intolerante ao glúten
e ele tinha feito uns bolinhos.
Não tomei o pequeno-almoço. Vou almoçar mais cedo.
Certo.
A Mona deixou bastante dinheiro para uma fundação.
Era a cena dela, não sei nada sobre isso.
- Isto não é algo que reconheça? - Não.
Tem a certeza?
FUNDAÇÃO ARCENIS
Parece-me bem.
Desligaram o telefone
e a fundação está desregulamentada com a Administração Municipal.
Isto é algo que já sabia?
Viste a Veronika?
Sim, foi almoçar mais cedo.
CHINÊS E TAILANDÊS
- Olá. - O especial do dia, por favor.
- É para já. - Obrigado.
Obrigado.
Olá.
- Olá. - Posso sentar-me?
- Como é estar de volta? - Bem.
Um trabalho de escritório agrada-te?
- Aqui tem. - Obrigado.
É tão estranho, aquilo do Hans Larsson.
Entrar assim na esquadra.
- Conheces bem a Stigsunda? - É tipo Älvsbruk.
Vivem lá, trabalham cá e vice-versa.
Família e amigos. É como a maioria dos sítios desta zona.
Não é fácil perceber o que realmente aconteceu.
Ele confessou, essa parte está feita. Mas algo não está bem.
Vou ao médico-legista a seguir. Quero que venhas comigo.
Mas não posso.
Agradecia-te muito. Ninguém precisa de saber.
- Está bem. - Ótimo.
- Mas tenho de estar em casa às 16h. - Vais estar.
Tenho uma visita dos serviços sociais.
Nassir...
Há quanto tempo?
Esta é a Veronika. É o Petter.
- Olá. - Olá.
Ela morreu estrangulada. Mas não tem lesões defensivas.
Não.
Não tinha nada de útil sob as unhas e assim.
Vê-se claramente marcas de dedos.
No domingo à noite, entre as 18h e as 21h.
É consistente com o que o marido disse.
Estão com obras. Que barulheira.
Pode mostrar a tatuagem, por favor?
Sítio estranho para alguém como a Mona Larsson, certo?
No medo, há força, na obediência, há ordem.
É algo que reconheces?
- Tens a certeza? - Sim.
- Obrigado, Petter. Vamos andando. - Obrigado.
- Diz-me. - O quê?
- Diz-me. O que aconteceu lá dentro? - Nada.
- Tens a certeza? - Sim.
- Preciso da tua ajuda. - Agora?
Sim. O marido disse
que ela sofria daquilo a que ele chama nervos fracos.
Temos de verificar se há provas disso.
Parece que tinha ataques irracionais e teve um quando a estrangulou.
Enquanto estamos aqui, podes ir buscar o relatório da Mona Larsson.
Olá, Veronika Gren, da Polícia.
Estamos a fazer uma investigação preliminar
e preciso de ver o relatório da Mona Larsson.
- Deu entrada morta na segunda. - Vou só fazer uma chamada.
Podes substituir-me?
Desculpe, pode afastar-se?
Veronika? Está resolvido.
- Aqui está. - Obrigada.
LARSON, MONA APONTAMENTOS, URGÊNCIAS
Mas este só remonta a 2012.
É o tempo que guardamos os relatórios digitalmente.
- Desculpe, pode contactar... - Sim?
Veronika? Ainda bem que veio.
Ia chamar a Polícia. Está tudo bem.
Há um caso de envenenamento e os primeiros testes indicam fósforo.
Mas isso é muito estranho nos tempos modernos. Tenho de...
Está estável e vai levar um novo cateter.
A enfermeira vem buscá-la quando estiver pronta para falar.
Mas... Sim, claro.
Preciso de alguém para me substituir. Tenho uma consulta, preciso de...
Está bem, adeus. Olá. Posso entrar?
Sim, ela está calma e consciente. Mas está um pouco frágil.
- Como se chama? - Nathalie.
Olá, Nathalie. Chamo-me Veronika. Sou da Polícia.
Podes falar com a Veronika?
- Não fui envenenada. - Está bem.
Sinto-me tonta. Tomo muitos suplementos, vitaminas e assim.
Acho que fiz muitas misturas e tomei demasiado.
Que suplementos toma?
Remédios naturais,
ashwagandha e enxofre. Fósforo.
Porque toma fósforo?
Li na Internet
que faz bem ao metabolismo.
Obrigada. Não tenho mais perguntas.
As melhoras, Nathalie.
Encontrámos um bocado de fita-cola preso no cabelo da Mona.
Não encontrámos essa fita-cola em sua casa.
Como pode ter ido lá parar?
- Talvez no seu passeio noturno. - Ela foi dar um passeio noturno?
Disse que esteve em casa a noite toda.
Sim, mas antes de comermos...
Não sei bem. Não me lembro de tudo.
Estrangulei-a, como já lhe disse.
Pronto. É isso que procura. Encomenda especial para a loja.
A marca azul é do J.
Sim, esse mesmo. Ainda a tem?
Não, encomendei-a há cinco ou seis anos.
Mas tornou-se muito caro.
Não há forma de descobrir quem a comprou?
Não, era publicidade. Dávamo-la de graça. Desculpe.
Raios!
Sim. Eu compreendo. Mas é...
- Eu disse que ela estaria aqui. - Pois disse. Mas eu...
- Olá. - Olá, Veronika.
- Fiquei retida no trabalho. - Sim, eu compreendo.
Mas tenho de ir andando. Agradecia que me tivesse contactado.
Há outros na sua situação.
- Mas, por favor... - Podemos marcar outra visita.
Receio que demore umas semanas.
- Por favor. - Lamento.
Anda.
- Toma. - Obrigada.
Porque tens uma assistente social a rondar-te os calcanhares?
Porque o meu marido, ou o meu futuro ex-marido e eu
estamos a discutir o que é melhor para os nossos filhos.
Discordas, basicamente.
Sim.
Bem...
Tenho saudades dela.
Da tua tia.
Fazes-me lembrar a Ninni.
Ela também tinha algo de especial.
ESTE LIVRO PERTENCE À NINNI
O pai deu-me este diário quando cheguei a casa.
É tão bom estar de volta a casa.
Depois de tanto tempo, comecei a sentir-me estranha.
Como se algo não estivesse bem.
Ontem à noite, tive uns sonhos horríveis.
Não sei o que pensar.
Odeio estes sonhos e visões.
Tenho medo que voltem a ser reais.
Já passou um ano.
De volta a casa.
Aí vêm eles!
Ninni!
- Ann-Charlotte. - Tens de me contar tudo!
Como foi ver elefantes de verdade em África?
Prometo que te conto tudo depois.
- Bem-vinda a casa, Kristina. - Mãe...
Ann-Charlotte, podes pôr a mesa?
Como estás, Kristina? Está tudo bem?
Sim, mãe. Agora, está tudo como devia estar.
Ninni!
Podes ficar no nosso antigo quarto. Anda.
Ann-Charlotte, puseste a mesa?
Ela não tem emenda.
Levo as malas para cima.
O que se passa, Ninni?
Começou outra vez?
Ou talvez nunca tenha parado?
Não podes dizer nada à mãe. Prometes?
Prometo.
- Olá! - Bem-vindo. Olá.
- Tenho um encontro. - Sim. Venha.
- Sim. Olá. - Olá.
- Obrigado. - De nada.
- Desculpa o atraso. - Não, não há problema.
- Ainda bem que tiveste tempo. - Certo.
Há muitas atividades para fazer em Talin,
além de cantar.
Muitos restaurantes bons e ruas estreitas.
É perfeito. Nunca estive na Letónia.
Talin é a capital da Estónia.
Sim, é verdade.
Sei disso. Mas tenho...
Está bem.
Quando vim para a Suécia, primeiro morava em Öland.
Dei uma volta e visitei as muralhas. Foi um dia em cheio.
Quanto tempo planeamos estar fora?
Uma semana.
Uma semana inteira?
Pode ser?
Estou a divorciar-me e as coisas estão complicadas.
Sabes, com os miúdos e... Bem...
Não temos de falar disto, se não quiseres.
Está bem. Obrigado.
Não é que seja algo secreto, mas...
É bom não estar sempre a pensar nisso.
Ainda bem que fizemos isto esta noite.
Vais passar cá a noite?
Por quanto tempo disseste que alugaste isto?
É temporário. Porque perguntas?
Esse sofá condiz com a tua personalidade.
Engraçado.
Começo cedo amanhã, por isso, vou andando.
- Está bem? - Sim.
Hoje fui à igreja. É um mundo à parte comparado com a igreja da missão.
Ann-Charlotte! Anda.
Estou a ir.
Cumprimenta o Padre Aaron. Tem perguntado por ti.
- Saudações, Padre Aaron. - Que bom voltar a vê-la.
Espero que a viagem tenha corrido bem.
Não houve obstáculos. Está tudo como devia estar.
Maravilha!
Estou ansioso por longas conversas
sobre a construção da escola e a missão.
Podemos começar agora, Karin.
- Como está ela? - Desde que os pais morreram,
ela tem ajudado muito na paróquia. Estamos muito gratos.
O irmão dela, por outro lado, não é grande coisa.
Ele nunca foi à igreja, mas fica ali a olhar.
- Venham, meninas! - Bem-vindas.
Obrigado, Karin. Prazer em ver-te.
Ann-Charlotte...
Eu estava... Não te ouvi entrar.
Desculpa.
Divertiste-te muito?
Claro. Foi só uma coisa de trabalho.
Obrigado pela ajuda. A sério.
Não foi muito trabalho. Mal os vi.
O Simon tem jogado a noite toda.
- Não lhe arrancas duas palavras. - Não.
Não.
Provavelmente podiam ter ficado aqui sozinhos durante algumas horas.
Mas só quero que se sintam seguros depois de tudo o que aconteceu.
- Costuma ver a Veronika? - Sim, claro.
- Como está ela? - Bem.
Bom, tenho de ir para casa.
Mas se precisares de ajuda com as crianças, liga.
Estou sempre disponível para as crianças.
Sim. Obrigado. Adeus.
É simpático da sua parte ajudar, Ninni.
Apesar de saber que não tem escolha.
Não me importo. Gosto de estar aqui.
Olá.
- Então, estás aqui. - Viva!
Eu devia ter adivinhado.
Tem calma.
Achas que não percebo?
Tivemos de vender...
Ele não vai pisar o meu terreno. Só sobre o meu cadáver.
Está tudo bem? Há algo que lhe pesa? Entre.
Aconteceu uma vez, no ano passado, no Quénia.
Uma mulher tinha entrado para a nossa paróquia...
e vi-a no meu sonho.
Tinha feridas graves e sangue por todo o lado. Foi terrível.
Mas não foi um sonho.
Porque, uns dias depois, encontraram-na.
Espancada até à morte.
E agora está a ver algo semelhante na Karin.
Vou perguntar a Deus. Ele dar-lhe-á as respostas.
Porque dizia na porta da frente
que devias ligar a uma empresa de segurança.
Olá! Não a cumprimentei.
Chamo-me Klara Bazinski. Sou a sua nova chefe.
Olá. Veronika Gren.
Sim, certo. Ouvi falar muito de si.
Ótimo! Vemo-nos por aí.
A nova chefe da polícia, certo? Klara.
Então, o que acha? Quer dizer, ela é de Estocolmo.
Tal como o Nassir. Acha que se conhecem?
O quê? Quem?
Polícia, Lotta Lindblad.
Não, tudo bem.
- Preciso de falar contigo. - Está bem.
Acho que vi alguém que está em perigo.
- Quem? - Não sei.
- O que viste? - Era uma mulher.
Cabelo escuro comprido. Jovem.
Liga ao Fredde. Não sei onde estão as coisas dele.
Não, mas já...
Aonde vai?
Ao dentista.
Olá! Lamento aparecer sem avisar,
mas temos de voltar a falar com a Henrietta.
- Certo, Nasser? - Nassir.
Certo. É importante?
O pai dela matou a mãe.
Sim, é importante falarmos com ela.
Não faz bem tentar pressioná-la para obter respostas.
Ela está em choque.
Descalcem-se, por favor.
A Polícia está aqui outra vez. Está bem?
Olá, Henrietta.
Olá.
Sei que é difícil, Henrietta,
mas estamos a tentar descobrir o que aconteceu,
por isso, é importante que responda às nossas perguntas. Está bem?
Ótimo.
Passou por algo que não se atreveu a contar a ninguém?
Pense nisso.
Não.
- Nada? - Não!
Henrietta, tem de começar a falar connosco.
Estamos a tentar descobrir o que aconteceu à sua mãe.
Alguém contactou a sua mãe, o seu pai ou a si? Nada?
- Não. - Alguém ameaçou sua família?
Não sei.
Há alguma coisa que...
Posso falar consigo um instante?
Está tudo bem. Sim. Volto já. Pronto.
O que pretende com essas perguntas?
O que aconteceu é uma tragédia familiar.
É um homicídio e estamos a tentar descobrir o que aconteceu.
- Pelo menos para o bem da Henrietta. - Ótimo.
Façam o vosso trabalho. Entretanto, ela está segura aqui comigo.
Muito bem. O que se passou com ela?
Tenho dificuldade em lidar com a religião.
Guerra e genocídio em nome de um maldito deus.
Serve para controlar as pessoas.
Sempre serviu.
Ouve.
Os resultados do teste de ADN da Henrietta.
Como vão as coisas?
Há novidades sobre o estrangulamento da Stigsunda.
- Está bem, estou a ouvir. - Ainda temos muitas pontas soltas.
Nós temos de falar com muitas pessoas.
"Nós"? O que está a dizer?
Quer mais recursos no caso? Um colega? O quê?
- Ajudaria. - Está a pensar em alguém?
A Veronika Gren é boa.
- Foi transferida. - O quê?
Ela disse que eu ia trabalhar na investigação?
Não, eu é que disse.
Temos de o informar de algo, Hans.
Tirámos uma amostra de ADN da Henrietta
e os resultados mostram que não é o pai biológico dela.
Já sabia?
O que está a dizer?
A discussão foi por causa disso?
Sabe quem é o pai da Henrietta?
A Henrietta está em perigo?
Tradução: Carla Marques
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