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Malzone não será enganado uma segunda vez
enquanto se prepara para bater.
Prepara-se e lança...
ESPAÇO AÉREO INFERIOR
Credo!
O que se passa ali fora?
Boa tarde, alunos.
As aulas foram canceladas para o resto do dia.
Os alunos do 11.º e 12.º anos podem ir, mas o resto
tem de se dirigir ao auditório para uma assembleia escolar.
LICEU DE DERRY LAR DOS CAÇADORES DE PELES
Quem acham que teria o bebé mais feio?
A Tartaruga Bert e o Teddy Urina.
Então e a Lilly Bainbridge e o tal Matty?
Que nojo.
"Os meus pais..."
Onde estão os professores?
Silêncio, alunos. Silêncio.
Hoje temos algo especial feito para entreter e encantar.
Deixem que vos apresente
o incomparável Pennywise, o Palhaço Dançarino!
Olá, miúdos!
Quando fecho os olhos E sonho convosco
Vejo os vossos lindos rostos E como-os também
Mas como me apetece chorar
Cada vez que dizemos
Adeus!
Meninas...
Meninas...
DESAPARECIDO
Merda.
São os miúdos todos da escola.
Está a gozar connosco, não está? Não os pode ter levado todos.
-Só há uma forma de descobrir. -Vamos.
DESAPARECIDA
DESAPARECIDA
Quem é?
Não quero saber.
Desapareceram!
Toda a gente. Desapareceu toda a...
-Meu Deus! -É o Dunleavy.
Não, não, é o diretor Dunleavy. Porquê?
Esperem.
Como os pode ter levado a todos? Como?
Meninas...
DESAPARECIDO
Não. Não, não!
Levou o Will.
Levou-o para onde?
Provavelmente aonde aquilo vai dar.
-Então, o que fazemos? -Temos de seguir o rasto.
Podemos usar o punhal para nos protegermos.
Temos de tentar salvar o nosso amigo.
Quero matar aquele cabrão daquele palhaço.
Vamos.
Vai!
Parem de se mexer!
-Estou a cair. -Não estavas ao vir para cá.
Meninas, assim nunca os iremos apanhar.
Bem, tens uma ideia melhor?
Merda!
O leiteiro.
O que estás a fazer?
Não sabes conduzir.
Nem tu. Quer dizer, sabes?
Não, mas tu só tens um olho.
O meu tio Mike tem uma carrinha.
-E ele deixou-te conduzir? -Não.
Mas observei-o.
Anda lá, filho. Atende, por favor.
Atende o maldito telefone.
Atende, Will. Vá lá.
Merda.
Estou?
Will?
Will?
Quem fala?
O que assusta o homem sem medo?
-Tu. -Não.
Não, não, não.
Nós.
Onde estou? Olá?
-Está aí alguém? -Will.
Will, estou aqui, filho. Estou aqui!
-Estou? Por favor. Tenho medo. -Sim, tens.
Não tenhas medo, Will. Ouve, estou aqui.
Só tens de me dizer onde estás. Está bem, filho?
Diz-me...
Estou?
Will!
-Will! -O Willyzinho tem de voltar.
Tenho de o manter fresquinho.
-Ouve, por favor. -A carne escura é mais saborosa.
Não toques no meu filho!
Não toques no meu filho, ouviste?
Eu arranco-te o coração!
Não toques no meu...
Estou?
Will!
Deixa-me em paz.
Dick! Dick, abre!
Dick!
Dick!
Fá-lo, Dick!
Dick! Abre! Estou-te a ouvir!
-É a tua última oportunidade. -Junta-te a nós.
-Dick. -Fá-lo.
Vou entrar!
Não, não. Para. Para.
-Para. -O que raio se passa?
-O que estás a fazer, Dick? -Não aguento mais.
-Está bem, mas ouve-me, mano. -Eles não...
...se calam.
Calem-se.
Calem-se!
Calem-se vocês.
Calem-se.
Não temos tempo para isto, mano.
-Preciso de ti. -Afasta-te!
-Calma, mano. -Não.
-Calma. -Tu fizeste isto.
Foste tu.
-Desculpa? -Fodeste-me a cabeça toda.
Desculpa, só preciso que me ouças.
E agora não há outra forma, mano.
-Preciso que me ouças. -Não há outra forma.
Dick, por favor! Aquilo tem o Will!
Aquilo tem o Will!
Tem o meu filho e não sei onde.
Não sei onde ele está.
Por isso, peço-te...
Imploro-te.
Imploro-te que me ajudes a encontrá-lo.
E juro pela minha vida que farei tudo o que puder...
Farei tudo o que... Olha para mim!
Farei tudo o que puder para te ajudar.
Juro-te, serei eu próprio a disparar.
Apenas...
...ajuda-me a encontrar o meu bebé.
Ajuda-me a encontrar o meu bebé, por favor.
CIDADE DE DERRY INDIAN MARSH
Meu general, informaram-me que o major Hanlon fugiu.
-Forçou a passagem pelo portão. -Já não precisamos dele.
Não há nada que ele possa fazer para nos impedir.
Aparentemente, havia outro aviador no carro com ele. O Hallorann.
Anda lá, Dick. Anda lá.
-Está frio. -Eu sei. Vá.
Está demasiado frio, Lee.
-Anda lá. -Está demasiado frio.
O quê? O quê?
Disseste que estaríamos seguros aqui!
Disseste que estaríamos seguros.
-Disseste... -Desculpa.
-Mentiste-me, Leroy. És um mentiroso. -Eu sei. Vou buscá-lo...
Eu sei. Desculpa, mas ouve-me, Charlotte. Vou trazê-lo de volta.
-Já te ligo de volta, John. -Juro que vou trazer o Will de volta.
-O meu bebé. -Vou trazer o Will.
O Dick vai-nos ajudar.
Como é que vai ajudar? Como é que nos vais ajudar?
Ouve. Ouve-me. Ouve.
Ele disse que a ligação entre mãe e filho é a mais forte neste mundo.
A mais forte.
Se puderem ligar-se durante um segundo...
Não importa.
Desculpe?
Mesmo que ele localize o seu filho, você não terá hipóteses contra a criatura.
Percebe isso?
O que devemos fazer? Desistir assim do nosso filho?
Claro que não.
Mas se o Sr. Hallorann puder fazer por nós o que fez pelo vosso general,
talvez haja uma forma de deter esta coisa e salvar o vosso filho.
Como?
Usando a sua habilidade para encontrar um último artefacto.
O punhal.
Que punhal?
Então, se o punhal é feito da mesma rocha,
podemos usá-lo para substituir um pilar e trancar a jaula de novo?
Exato, salvando o vosso filho, esperemos.
Se o Sr. Hallorann o encontrar antes de a criatura chegar a este ponto.
Na margem sul do rio, há um grande pinheiro.
Uma árvore morta que já lá estava antes mesmo dos nossos antepassados.
É o ponto mais afastado
no qual a energia do punhal ainda consegue ligar-se aos outros pilares
-e restaurar a jaula. -Na margem sul.
A forma mais curta de cruzar o rio, onde a criatura deverá tentar atravessar.
Como ligamos a energia do punhal aos outros pilares?
A Terra é uma condutora.
O punhal tem de estar enterrado como os outros pilares estavam.
É a nossa única esperança.
Vocês são uns malditos tolos.
Mal me ouço a pensar.
E esperam que encontre o vosso punhalzinho?
Posso ajudá-lo a silenciar as vozes na sua cabeça, Sr. Hallorann.
Mas terá de confiar em mim.
Como?
Tem de se ligar à energia do punhal.
Isto é feito de raiz Maturin.
Irá ligá-lo a todas as coisas do mundo de onde este mal veio,
mas nem tudo lá é maligno.
Este chá irá calar estas vozes todas?
Quando uma porta da mente se abre, outra tem de se fechar.
-Quanto tempo irá demorar? -Não muito.
Lembre-se disto:
o que quer que faça, não vá...
Tens de conduzir mais rápido.
É uma carrinha do leite, vou tão rápido quanto posso.
-Acelera, sim? -Estou a tentar!
-Temos de o apanhar ou podemos... -Buraco!
Vocês estão bem?
Marge! Que raio?
Não foi por ter um olho, foi por causa do buraco.
O que se passa?
Céus, Lil, tens sangue na cara. Estás bem?
O punhal. Onde está?
Temos de o encontrar. Temos.
E iremos. Tem de estar algures.
Está ali!
Não! Não lhe toques!
Posso apanhá-lo sozinha.
-Porque estás a tratá-la... -Cala-te, Ronnie.
Para.
Não temos tempo. Temos de continuar.
Continue, Sr. Hallorann.
O punhal!
Estou a vê-lo.
Onde? Onde, Dick?
As amigas do Will.
-A Ronnie? -As meninas.
Elas é que o têm.
-A minha pequena Ronnie? -Estão a discutir por causa dele.
Elas vão atrás...
Elas vão atrás do Will.
Ele vai ajudar-nos a encontrá-lo, mas temos de ir.
Vamos.
Não vejo muito bem.
De certeza que é por aqui?
Estamo-nos a aproximar.
Não compreendo.
Se o poder do punhal é real,
porque é que a minha filha e as amigas não estão seguras?
O punhal é um fragmento perdido do cometa no qual essa coisa chegou,
tirado do sítio onde se despenhou sob a casa da Neibolt.
Como todas as coisas perdidas, só quer voltar para casa.
Quanto mais o afastar de onde pertence,
mais estragos faz à sua mente.
Fica maluco.
O punhal irá resistir.
Irá ripostar com uma força que não conseguem imaginar.
Aquela coisa tem algo de errado.
Porque olham para mim assim?
-Não estamos a olhar para ti... -Estão, sim.
Olham para mim como se eu estivesse louca.
Lilly, porque não nos dás o punhal? Só durante um pouquinho.
Nunca confiaram em mim, pois não?
Usaram-me.
Usaste-me para salvar o parvo do teu pai!
E tu usaste-me porque perdeste as parvas das tuas amigas!
Não!
Tenho de voltar!
Vou fazer com que nos matem a todas! Não percebem?
-A Ronnie tinha razão sobre mim! -Não, não tinha!
-Por favor! -Para!
Isto está a fazer-te pensar essas coisas!
Vou ser a vossa perdição, não veem?
-Vou! -Não, não vais!
Lilly! Isto não és tu!
Ouve-me, está bem? És um maldito barco salva-vidas!
Ron, Marge, eu...
Peço imensa desculpa.
Não peças. Não eras realmente tu.
Vamos levar esta coisa à vez, está bem?
Mas que ra...
Meninas?
Olhem.
Acham que o Will está ali?
Vamos descobrir.
-Credo! -O que se passa?
Aqueles miúdos todos a flutuar no gelo.
Gelo?
Os miúdos?
Meu Deus, já está no rio.
Não vamos conseguir.
Não vamos chegar aos miúdos a tempo. Não antes de passar pela árvore.
Estou a vê-lo. Consigo vê-lo.
O palhaço.
-Podemos abrandá-lo. -Como é que fazemos isso?
O Dick já entrou na cabeça dessa coisa antes.
No helicóptero.
Dick! Dick!
Consegues fazê-lo de novo? Podes tentar?
Dick!
Lá está ele! Will!
Will!
-Will! -Will!
Will, por favor!
-Will! -Will.
Tentem puxá-lo para baixo.
Vejam quem decidiu juntar-se ao circo!
A tola.
A anormal!
A falhada!
Mas qual é qual?
Não importa.
Há lugar para todas!
Onde é que ele está?
Onde é que ele está?
-Fica perto! -Aonde é que ela foi?
Sempre tive curiosidade em saber que sabor terias, Margaret Tozier.
Tozier?
Mas ainda não.
Ainda não te chamas Tozier.
Primeiro vem o amor, depois vem o casamento,
depois vem o Richie num carrinho de bebé.
A não ser...
A não ser que ele morra contigo.
Não sei do que estás a falar.
DESAPARECIDO
O teu filho.
Não reconheces o teu filhinho?
A semente das tuas entranhas fedorentas
e os seus amigos imundos trazem-me a minha morte.
Ou será nascimento?
Fico confuso.
Amanhã? Ontem?
É tudo a mesma coisa para o pequeno Pennywise.
Mas nem sempre é fácil, não.
Estar trancado num lugar, numa época.
Não me podem prender, eles não.
E não vocês.
Bip, bip, Margie.
Marge!
-O que aconteceu? -Não sei.
Will!
Will!
Estás vivo!
O que aconteceu?
Estás bem?
-Will? Filho. -Pai? Pai!
-Ronnie! -Filho, estás bem.
-Papá! -Estás bem.
-Estás bem? -Sim.
Está tudo bem. Vai ali ter com a tua mãe, sim? Vai, vai.
O palhaço ia comendo a Marge.
Calma, sim? Vamos para a carrinha. Anda.
-Onde está o punhal? -Está aqui.
Vamos. Para a margem norte. Vamos. Acordem.
-Para a margem norte. -Querido.
A árvore morta é por ali, sim?
Na margem sul.
A Rose disse que o punhal iria tentar resistir.
Vamos juntos.
-Não! -Pai!
-Pai! -Will!
Volta!
Ronnie! Ronnie! Ronnie!
Fica quieto. Taniel, olha para mim.
Fica quieto. Respira, respira.
Taniel. Taniel?
Taniel? Foda-se.
Pai! Pai!
Estou bem. Estou bem. Ouve, ouve.
-Pega neste punhal. Toma. -O quê?
Pega nele, esconde-te no nevoeiro e usa-o como cobertura.
Pega no punhal. Leva-o para aquela árvore e enterra-o fundo na base.
Detenham o major Hanlon.
E não deixem o Hallorann escapar.
E aquela coisa vai adormecer e isto tudo irá parar.
-Percebeste? -Não consigo.
-Consegues, sim. O que... -Não.
Porque não?
Tenho medo.
Não sou como tu.
Olha, não tens de ser. Percebes?
Não tens de ser como eu e não quero que sejas.
Sê apenas tu mesmo. Ouviste?
Adoro-te, filho.
Adoro-te a ti.
Vai, filho. Vai, vai, vai.
Andem. Vamos lá.
Vão buscar o Hallorann.
Bob?
Bob.
Bob?
Bob!
Estás bem, amigo?
Papá, papá. Estás bem.
Onde estou? O que é isto?
Tens de parar com as bebidas fortes, Robert.
Encontrámos-te lá fora numa valeta. Parece que deste uma valente queda.
Não sou o Bob Gray.
Então, quem é que poderias ser? O Pedrito Coelho?
-Não te atrevas a falar comigo assim. -Papá!
Sou um deus. Um devorador de mundos.
Deves ter batido com a cabeça com mais força do que pensavas, não, Bob?
Não, não, não.
Eles viram-nos?
-Não sei, mas onde raio estamos? -Não vejo nada.
Pensei que eles eram os bons. Porque matariam aquele homem?
Meninas, está tudo bem. Sim? Fiquem calmas.
Temos de vir do lado de lá da árvore, para que eles não nos vejam primeiro.
Quero saber o que raio faz aqui.
Para onde foram as crianças?
Responda-me, major!
Se não falar comigo, vai sofrer imenso.
Lá está ela. É aquela árvore.
Vamos.
-Não consigo fazer isto. -O quê?
Estás a falar de quê?
Ele não me deixa.
É o punhal.
-Não! Não, Will! Para! -Ele quer ir para casa.
-Tenho de o levar para casa. -Não o ouças.
-Tens de o largar. -Por favor, dá-nos isso!
-Dá-nos isso. -Deixa-nos ajudar-te, Will.
-Podemos acabar isto. -Podemos acabar isto juntos.
Ajudem-me a virá-lo.
Estes anos todos
a pensar se serias real ou apenas o pesadelo de um rapazito.
Olha para ti.
És ambas as coisas.
Não sei se me ouves aí dentro,
mas vamos resolver o que quer que o Hallorann te tenha feito.
Manhoso! Dicky manhoso!
Quem é o Dicky, Bob?
Eu não sou o...
...Bob!
Dicky manhoso, Dicky.
Não!
De joelhos!
Eu tentei, meu.
Tentei.
Está tudo bem.
Estás livre.
Estás livre para ir.
Eu conheço-te.
Nunca esqueço um odor.
Para.
O que estás a fazer?
-Agora vês! -Fica afastado!
Fica afastado! Ou juro que te dou uma lição.
Vejam como está o general.
Coronel, tem de deter aquela coisa.
Se passar aquela árvore, estamos fodidos!
Ouça-me! Por favor!
Este homem é um traidor. Ignorem-no, aviadores.
Larga-a!
Não tenham medo! Continuem!
Vocês.
Estão com problemas?
Se continuarem a puxar por essa coisa, ela pode explodir.
Adeus, falhados!
Lee!
Leroy!
Vai, Ronnie! Ronnie, tu és capaz!
O que vê?
O raio de um milagre.
-Will! -Continuem! Está a funcionar!
Ronnie! Ronnie!
Merda!
Merda. Merda.
Que público animado.
Pensei que eu... Will.
-Onde está o Will? -Ele está bem.
Ele está bem? Caramba.
Caramba. Ele está bem.
Desapareceu.
No final,
foi impressão minha
ou sentiram alguma coisa?
Como outro par de mãos.
O Rich.
Também o senti.
Também o senti.
Conseguimos.
Ronnie! Querida!
-Ronnie! -Papá!
-Will! -Mãe!
Will!
Vem cá, querido.
Olá a todos.
Só conheci o Rich durante cerca de um mês.
Sei o que estão a pensar.
"Como é que se pode conhecer bem alguém num mês?
Se não eram bons amigos, porque estás a discursar no funeral dele?"
Mas se calhar não há bons amigos ou maus amigos.
Se calhar, só há amigos.
Pessoas que ficam do nosso lado quando estamos magoados
e que nos ajudam a não nos sentirmos tão sós.
Se calhar, amigos como esses
fazem com que valha a pena sentir medo por eles,
sentir esperança por eles e viver por eles.
Se calhar,
vale a pena morrer por eles também.
Se isso tiver de ser.
O Rich também me ensinou isso.
Não há bons amigos, não há maus amigos,
apenas pessoas com quem queremos estar.
Com quem precisamos de estar.
Pessoas que habitam no nosso coração.
Obrigado por essas gentis palavras.
E obrigado a todos por virem homenagear a memória de Ricardo Santos.
E que Deus vos abençoe. Vão em paz.
A mão que sentem nos ombros...
O vosso filho está aqui.
Estará sempre.
Quem é o senhor?
Ainda estou a resolver isso.
Olá, pai.
Desculpa não ter vindo cá muito.
É que eu não sabia o que dizer.
Agora estou melhor.
Aconteceu tanta coisa.
Mas a boa notícia é que...
...fiz novos amigos.
Parece tão pacífica aqui de cima.
Quase como...
...se nada tivesse acontecido.
Sim.
Lil.
Aquilo falou comigo.
O palhaço.
Quando estávamos sozinhos no nevoeiro.
Como assim?
Ele disse que eu ia ter um filho.
E que ele e os amigos dele
iriam matá-lo no futuro.
O quê?
Por isso é que ele me queria matar.
Ele disse que, para ele, o passado, o presente e o futuro são tudo o mesmo,
e que a morte dele é na verdade o seu nascimento.
Se calhar, só disse isso tudo para te assustar.
Mas e se não foi para isso?
E se ele vê o tempo de forma diferente?
E se pode voltar para trás?
Queres dizer para o passado?
Sei que parece uma loucura,
mas e se ele tentar voltar e matar alguém
de um tempo antes de nós nascermos?
Como os nossos pais?
Acho que...
...será a luta de outra pessoa.
Acho que sim.
Will! Estou a olhar para as horas.
Disseste cinco minutos!
Já vou, mãe.
Obrigado, querida.
Major.
Só passei para dizer au revoir.
Como tens estado?
Dói tudo.
Mas o que quer que fosse aquela raiz, fogo...
Calou aquelas vozes completamente.
Esperemos que para sempre.
-Vais partir esta noite? -Sim.
Autocarro para Boston. Avião para Londres de manhã.
Um velho amigo meu lá é dono de um hotel
e quer que eu experimente cozinhar no restaurante.
Certo. Coisas chiques.
Bem, ouve, se tiveres algum problema por lá,
sabes a quem podes ligar.
Eu devo-te uma.
Acho que me safo.
Quer dizer, que problemas é que um hotel pode dar?
Mantém o contacto, sim?
Preciso de novidades do Will e da Char.
Achei que não te importavas.
Bem, não digas a ninguém.
Podes querer pôr a Mna. Natalie Wood atrás com a Mna. Grogan.
É uma longa viagem.
Quer dizer, pois é.
É a última? Muito bem.
Muito bem.
Sabes quem procurar quando atravessarem em St. Stephen.
Com os amigos da Rose, vai ser fácil.
Obrigado.
-Por tudo. -Tudo bem. Tudo bem.
-Aqui tem. -Obrigado.
Então, dispensa honrosa?
Mantenho o bico calado e eles deixam-me ir embora.
As forças armadas sempre foram a minha vida,
mas o que me aconteceu e à minha família...
Não tenho fé nelas.
Isso faz de si a pessoa perfeita para ficar de olho neles.
-Como assim? -O senhor e a Charlotte.
Gostaria que ambos se juntassem a nós.
Para garantir que os seus velhos amigos, ou outras pessoas,
nunca tentem reabrir aquela jaula.
Outros virão.
Isto não é o final da história.
E eu decidi vender a quinta, a casa. É que...
É demasiado sem o Taniel, sabem?
Sei que é pedir muito,
mas vocês poderiam fazer coisas boas aqui.
Para além disso, aquela coisa só irá acordar daqui a 27 anos.
Ouça, Rose.
É uma honra, mas acho que para mim e para a minha família,
já chega de Derry.
Não é?
Sim.
Eu compreendo.
A sério.
Eu podia jurar que tinhas atirado aquela bomba de mau cheiro
-porque cheiravas tão mal. -Já te disse, era poeira estelar.
Sabes o que dizem sobre Derry.
Quando partimos, esquecemo-nos.
Isso é bom, não é?
É isso que queres?
Esquecer?
Não.
Há partes deste ano que não me importava de esquecer.
Não tu, claro.
Mas acho que se é assim que funciona, é assim que funciona.
Por isso, se calhar, de alguma forma, é algo...
Vou-me lembrar disso.
Miúdos.
Muito bem.
Vamos.
Char. O que se passa?
Eu só... Estou a pensar na oferta da Rose.
A sério?
Quer dizer, foi assim que nos metemos nesta confusão.
Tu nas tuas cruzadas e eu nas minhas.
Achei que isso tinha acabado. Basta de missões idiotas.
Sim.
Mas se calhar a próxima missão idiota tem de ser cumprida juntos.
Will.
O que acharias se ficássemos por cá?
Preciso de uma caneta.
Mais importante,
-ajudas-me com as ovelhas? -Não me meto com ovelhas.
Não toco em ovelhas.
Tu cresceste numa quinta, sabes o que fazer.
-Podemos estar a assentar. -Deixa-me em paz, Sr. Hanlon.
Querida Ronnie. Partimos e esquecemos, não é?
Bem, parece que vou ficar. Por isso, se calhar não preciso.
E talvez se eu te escrever com frequência, tu também não terás.
OBRIGADO POR VISITAR DERRY, MAINE
VOLTE EM BREVE!
LUGAR DE NASCIMENTO DE PAUL BUNYAN
Ajudem-me! Ajudem-me, por favor. Ajudem-me!
Onde estou? Os lobos.
Onde estou? Os lobos. Estão a olhar para mim.
Estão a olhar para mim. Não os deixem olhar para mim, por favor.
-Sra. Kersh, por favor. -Por favor. Não me ignorem.
Ouçam-me!
Eles mataram o meu pai. Eu sei que o mataram.
Eu vi o lenço. Por favor!
Por favor.
O meu pai
gostava de cantar.
Obrigada, senhor.
OUTUBRO DE 1988
26 ANOS DEPOIS
Ajudem-na!
Alguém a ajude!
Não!
Sim. Nome?
Elfrida Marsh. Desta vez, ela está mesmo morta.
Querida, não fiques triste.
Sabes o que dizem sobre Derry.
Quem morre aqui, nunca morre realmente.
Tradução: Teresa da Silva
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