All language subtitles for The Family McMullen 2025 1080p AMZN WEB-DL DD 5 1 H 264-playWEB

af Afrikaans
ak Akan
sq Albanian
am Amharic
ar Arabic
hy Armenian
az Azerbaijani
eu Basque
be Belarusian
bem Bemba
bn Bengali
bh Bihari
bs Bosnian
br Breton
bg Bulgarian
km Cambodian
ca Catalan
ceb Cebuano
chr Cherokee
ny Chichewa
zh-CN Chinese (Simplified)
zh-TW Chinese (Traditional) Download
co Corsican
hr Croatian
cs Czech
da Danish
en English
eo Esperanto
et Estonian
ee Ewe
fo Faroese
tl Filipino
fi Finnish
fr French Download
fy Frisian
gaa Ga
gl Galician
ka Georgian
de German
el Greek
gn Guarani
gu Gujarati
ht Haitian Creole
ha Hausa
haw Hawaiian
iw Hebrew Download
hi Hindi
hmn Hmong
hu Hungarian
is Icelandic
ig Igbo
id Indonesian
ia Interlingua
ga Irish
it Italian
ja Japanese
jw Javanese
kn Kannada
kk Kazakh
rw Kinyarwanda
rn Kirundi
kg Kongo
ko Korean
kri Krio (Sierra Leone)
ku Kurdish
ckb Kurdish (Soranî)
ky Kyrgyz
lo Laothian
la Latin
lv Latvian
ln Lingala
lt Lithuanian
loz Lozi
lg Luganda
ach Luo
lb Luxembourgish
mk Macedonian
mg Malagasy
ms Malay
ml Malayalam
mt Maltese
mi Maori
mr Marathi
mfe Mauritian Creole
mo Moldavian
mn Mongolian
my Myanmar (Burmese)
sr-ME Montenegrin
ne Nepali
pcm Nigerian Pidgin
nso Northern Sotho
no Norwegian
nn Norwegian (Nynorsk)
oc Occitan
or Oriya
om Oromo
ps Pashto
fa Persian
pl Polish
pt-BR Portuguese (Brazil)
pt Portuguese (Portugal) Download
pa Punjabi
qu Quechua
ro Romanian Download
rm Romansh
nyn Runyakitara
ru Russian
sm Samoan
gd Scots Gaelic
sr Serbian
sh Serbo-Croatian
st Sesotho
tn Setswana
crs Seychellois Creole
sn Shona
sd Sindhi
si Sinhalese
sk Slovak
sl Slovenian Download
so Somali
es Spanish
es-419 Spanish (Latin American) Download
su Sundanese
sw Swahili
sv Swedish
tg Tajik
ta Tamil
tt Tatar
te Telugu
th Thai
ti Tigrinya
to Tonga
lua Tshiluba
tum Tumbuka
tr Turkish
tk Turkmen
tw Twi
ug Uighur
uk Ukrainian
ur Urdu
uz Uzbek
vi Vietnamese
cy Welsh
wo Wolof
xh Xhosa
yi Yiddish
yo Yoruba
zu Zulu

Original subtitles

A FAMÍLIA McMULLEN

PRODUÇÃO

ARGUMENTO E REALIZAÇÃO

Então! Estão a gozar? Digam lá se não é um belo de um peru.

Boa! O que achamos do namorado da Patty?

- Não sabia que ele vinha. - Nem eu.

Para que conste, não estou contente com isso.

Eis o que não entendo. Que faz a minha filha com aquele tipo?

Porque dirias tal coisa? Parece um bom rapaz.

Há algo nele que me faz desconfiar. E vejo-o no seu olhar.

- No seu olhar? - É muito betinho.

Muito aprumadinho. Não gosto.

- O problema é ser aprumadinho? - E há mais. Não é uma beldade.

Lembrei-me de algo. Quem é que ele te lembra?

Este tipo aqui.

Ha-ha. Que engraçadinho! É um bom rapaz aprumadinho.

E deve ir à missa todos os domingos.

- Menos um ponto. - Vê-se porque não gostam dele.

Por falar na missa, a Leslie? Ela e os miúdos vêm? Que se passa?

Pois... Sim. Não.

Sim, os rapazes estão com as suas caras-metades,

e eu e a Leslie... Bem, ela decidiu ir para Fairfield.

- Cerveja! Quem quer uma gelada? - Ela sempre adorou Fairfield.

- Tommy, mesmo na hora certa! - Olá, Tommy.

- Prova as nossas cervejas novas. - Combinado.

Pai, sabes que a Patty quer trazer o aspirante a sangue azul?

- Sim, estávamos a falar disso. - Não estamos nada contentes.

Vocês são impossíveis! Podem dar uma oportunidade ao miúdo?

É Dia de Ação de Graças.

- Olá! Chegámos! - Caraças!

- Fala-se no Diabo... - Patty, estamos na cozinha!

- Olá. - Olá.

- Feliz Dia de Ação de Graças! - Olá.

Desculpem o atraso. Tentámos fazer uma tarte de nozes-pecãs.

- É a terceira tentativa. - À terceira é de vez. Adoro.

- Olá. - Olá.

- Olá. - Então, TJ?

Feliz Dia de Ação de Graças! Vai uma cerveja?

Pai, por favor. Já falámos disto. Trata-o pelo nome. Terrence Joseph.

Eu sei, mas é tão longo. Nunca te deram uma alcunha?

Terrence Joseph, não ligues ao meu irmão.

Todos nesta casa terão todo o gosto em tratar-te pelo teu nome cristão.

Obrigado. E, sim, uma cerveja seria ótima.

Toma, jeitoso. Uma das melhores McMullen.

Posso só dizer algo? Tens aí uma camisola do caraças, TJ.

- É um gosto ver-te, amigo. - Obrigado.

Barry, posso só dizer uma coisa?

Queria agradecer-lhe, a si em especial, pelo convite

e por me deixarem juntar à família tão em cima da hora.

Ou prefere ser tratado por Finbar?

Parece que temos aqui um espertalhão. Foi ideia tua chamar-me Finbar?

- Não, pai. É o teu nome, ou não? - Lá isso é verdade,

mas só havia uma pessoa no mundo com autorização para me tratar assim.

A minha mãe.

- Barry, trato-te por Finbar. - Também eu.

Pronto, havia três pessoas no planeta que me podiam tratar por Finbar.

No entanto, bem-vindo à nossa casa!

Pendurem os casacos e já nos sentamos à mesa, sim?

Sim. Obrigado. Parece-me bem. Obrigado, Barry.

- Vou andando. - A sério?

Finbar, ótimo trabalho!

- Terrence Joseph, bem-vindo. - Obrigado.

Antes de comermos este belo manjar, adoraria dizer umas palavras.

Gostava que brindássemos ao significado deste dia: dar graças.

Casei com alguém do clã McMullen.

E fui sempre eternamente grata por poder fazer parte desta família.

Depois de o Jack morrer,

Barry, tu e o Patrick puseram-me debaixo da vossa alçada.

Sempre me fizeram sentir em casa.

Claro que, Thomas e Patricia, olho para vocês como se fossem meus.

E estimo esta família, mesmo.

Portanto, dou graças por hoje estar sentada a esta mesa convosco.

- Feliz Dia de Ação de Graças! - Feliz Dia de Ação de Graças!

E por falar em dar graças e sentir gratidão,

tenho algo a anunciar.

Eu e o Terrence Joseph estamos noivos.

Céus! Que estás para aí a dizer?

- Estão noivos? - Há quanto tempo planearam isto?

Bem, já andamos há algum tempo a falar sobre o assunto.

Portanto, não foi surpresa quando me fez o pedido ontem à noite.

Mas para mim foi. Devo admitir que me parte o coração.

Não por não ficar feliz por ti, mas porque aqui o TJ

não teve a decência de me vir pedir a tua mão antes.

Pai, é Terrence Joseph. Já to tinha dito.

Tudo bem, Terrence Joseph. Dá graças por não ser tradicional.

Senão estaríamos agora os dois no jardim com luvas de boxe.

Pai, se quiseres, posso ir buscar as luvas de boxe.

Infelizmente, não estão a brincar.

Bem, estou um tanto chocada.

Pensei que falássemos sobre isto. Talvez pudéssemos tê-lo discutido.

- Queríamos que fosse surpresa. - Missão cumprida.

- Há quanto tempo namoram mesmo? - Desde a faculdade.

E soubemos desde o primeiro dia. Estávamos em sintonia.

Refere-se aos objetivos de vida. Certos marcos que querem alcançar.

- Cenas maradas do género. - Odeio ser uma desmancha-prazeres,

mas casar não é uma tarefa a ser riscada da lista.

Uma decisão precipitada pode afetar toda a vossa vida.

Já para não dizer que são demasiado novos.

Olha para o pai. Casou demasiado novo das duas vezes.

Deus me livre acabares como eu!

- Não me parece ter a ver com a idade. - Obrigada, tia Molly.

É mais a falta de experiência. Foi o meu mal e o do vosso tio Jack.

Sobretudo porque nunca tínhamos ido para a cama com alguém antes.

- Isso acabou por nos tramar. - Posso perguntar em que aspeto?

- Já fala. - Boa pergunta, Terrence Joseph.

O irmão dos dois, o Jack, traiu-me. Perdoei-lhe, mas nunca esqueci.

Ou então esqueci e nunca perdoei. Seja como for, após o caso,

cobrei a minha vingança e tive também eu um caso.

- Não! - Sim. Na verdade, dois.

Sabem que mais? Foi assim que vi que o nosso casamento foi um erro.

Acho escusado estarmos a reviver isso tudo, Molly.

Já eu não quero que os fracassos de outros casamentos

manchem a chegada deste.

Se me permitirem, quero propor um brinde aos noivos.

Sim, por favor, tio Pat!

Que celebremos verdadeiramente esta ocasião

que assinala hoje o começo do vosso compromisso para a vida.

- Para a vida. Assimilem lá. - Pai, diz-lhe para se calar.

Acho que ele e a tua tia têm imensa razão.

Quando duas pessoas abrem o seu coração uma à outra,

como ambos fizeram claramente,

esse amor e confiança nunca devem ser um dado adquirido.

Às vezes, é o que acontece.

Só quero que o amor dos dois cresça.

E que a alegria cresça, em vez de morrer e apodrecer

porque não previram a desgraça.

Não a pude prever.

Patty, se precisares, tira um momento.

Não, estou bem. Eu... Quero terminar o meu brinde.

Vou terminar o meu brinde à Patty e ao Terrence Joseph.

Neste dia, damos graças, não é? Em especial...

... pela família.

Pela família.

O que se passa contigo para perderes assim a compostura?

Já nem és capaz de fazer um brinde sem fazeres uma cena?

Patrick, o que se passa? Estás bem?

Uma pergunta. Quando foste lá a casa na Páscoa,

viste alguma fricção entre mim e a Leslie?

Não, só a habitual.

Talvez fosse mais fácil de ignorar com os miúdos em casa.

Escuta, tenho de ser sincero.

Ela não parece a mesma desde que se mudaram da Califórnia.

Isso foi há 15 anos.

Ela pediu-me para sair de casa.

Como os miúdos saíram de casa, quer começar um novo capítulo.

Pelos vistos, esse capítulo não me inclui.

Lamento.

- Quer dizer que vais sair de casa? - É o que parece.

Pensei que talvez pudesse ficar uns tempos contigo.

Aqui? Comigo?

Estou com um péssimo pressentimento de que não é só uma noite.

- Umas semanas. Um mês no máximo. - Estás a gozar? Um mês?!

"Dá a quem te pedir e não te desvies de quem pede emprestado."

- Mateus 5:42. - Põe-te a citar o raio da Bíblia

e não ficas nem um minuto, quanto mais um mês.

Raios partam!

Perdoai-lhe, Senhor. Ele não sabe o que faz.

A tua tia Molly tem uma imagem muito negativa do casamento.

Até parece ser impossível.

Destinado ao fracasso, acabará sempre em infidelidade e desgosto.

Sim, mas lá por o meu tio Jack ter sido um cretino que a traiu,

não quer dizer que todos os homens sejam mentirosos e traidores.

Mas foi convincente com o argumento quanto às pessoas com quem dormimos.

Nenhum de nós tem muita experiência. Tu ainda menos que eu.

E isso não me incomoda porque foi uma escolha minha.

Pois. Não te importas de ter ido só para a cama comigo?

Não tens curiosidade em saber como será estar com outro?

Não, mas estás a assustar-me, fica já sabendo, porque é o que se passa.

Sabes, também eu estou assustado. Na verdade, estou aterrorizado.

E culpo a tua tia, mas... Não sei. Talvez ela tenha razão.

Talvez precises de mais experiências antes de te casares.

Estás a falar de mim em específico ou no geral?

Os dois. E só sugiro isto para não acabarmos como os teus tios

a ter casos e divórcios por não termos experienciado tudo.

- E o que sugeres então? - Acho que devíamos dar um tempo.

Lamento, achava estar pronto, mas não estou.

Talvez possamos ter uns encontros e sair com outras pessoas.

Assim saberemos se estamos prontos para isto.

Não preciso de mais experiências. Estou pronta.

Não te irrites. Apenas um mês. Uma separação à experiência.

Se é para ser, saberemos. Se não...

... poupamo-nos toda a dor e azedume que a tua família parece ter.

Tu própria disseste que a tua tia é como uma segunda mãe.

Que tal darmos-lhe ouvidos? Pode ser que saiba o que diz.

Não há meias-medidas no amor, Terrence Joseph.

E não faço separações à experiência.

Patty, então? Escuta, isto vai ser bom. Para nós os dois.

O que raio foi isto?

Ele acabou o nosso noivado para se enrolar com outras?

Sim, tudo bem. Não estava à espera disto.

Não estava nadinha à espera.

Mas vais recompor-te, Patty. Não vais chorar no meio da rua.

Se é para chorar, será num lugar a sós.

Obrigada.

- Espera. Molly McMullen? És tu? - Meu Deus! Walter! Há quanto tempo!

- Como tens estado? - Bem. E tu?

Bem. Acabo de chegar. Passei o dia com as minhas filhas.

Estou a falar com uma delas. Espera. Querida, já te ligo, sim?

Sim, encontrei uma velha amiga. Está bem. Logo falamos, sim. Adeus.

Desculpa. Elas só queriam saber se o velhote chegou bem a casa.

Há quanto tempo não te vejo a ti e à Cheryl?

- Céus! - Pois, ainda não deves saber.

- A Cheryl faleceu há dois anos. - Caraças... Sinto muito.

Pois, o cancro é uma treta. Como tu bem sabes.

Se sei.

Deves ter passado o dia com o Barry e a famelga.

Não há como fugir aos McMullens.

E o que tens feito? Ainda dás aulas?

Não, comecei a vender imóveis depois de... tu sabes.

Precisava de um começo novo com as miúdas fora de casa.

Que curioso! Tenho andado à procura de um agente imobiliário.

Acho que chegou finalmente a hora de vender a antiga casa em Long Island.

A que eu e o Jack partilhámos.

Se não a mandaste avaliar, podíamos marcar um encontro.

- Se é que... - Seria ótimo, mesmo.

- Tudo bem. Queres pôr o teu número? - Pode ser.

Ótimo.

- Toma. - Muito bem.

- Foi bom ver-te. - E a ti.

- Vamos falando. - Está bem.

- Feliz Dia de Ação de Graças! - Sim, para ti também.

Perdão, pode ser outra...? Tudo bem.

Olá.

Deixa-me adivinhar. Acabas de vir do Wisconsin?

Falaram-te bem de Brooklyn, mas agora vives num T1 foleiro

com três colegas em Bushwick

e perguntas-te o que raio fazes aqui no Dia de Ação de Graças.

Não, lamento desiludir-te, mas eu sou daqui.

- Desculpe. - A sério?

Desculpa, achava-te uma hipster e não uma nova-iorquina.

- De onde és? - Carroll Gardens via Coney Island.

Não me digas! Uma nativa de Brooklyn?

Já não há muitos de nós. Também nasci e cresci aqui.

Aqui mesmo, em Windsor Terrace, a dois quarteirões daqui.

- Pode ser outra rodada, por favor? - Aquele é teu namorado?

- Já não. - Isso explica as lágrimas.

Foi esperto acabares em público.

- Já imaginaste o estado dele... - Aqui tem.

- ... só com os dois sozinhos em casa? - Obrigada. Mesmo a tempo.

Já agora, sou o Tommy.

- Karen. - Bem...

Foi um prazer, Karen!

- Sem sorte de novo? - A noite ainda é uma criança.

Tome, Sr. McMullen. Tommy. Feliz Dia de Ação de Graças aos dois!

- Obrigado, Bryan. - Para ti também.

A uma vida longa e feliz!

- A uma morte rápida e fácil! - A uma miúda gira e sincera!

A uma cerveja gelada e a mais uma!

A avó ficaria muito orgulhosa de ti, que Deus a tenha!

Sabes, pai, estive a pensar.

Estar em casa no fim de semana fez-me ver as saudades que tenho de Brooklyn.

Já não estou a gostar do rumo disto.

Achava adorar trabalhar em tecnologia, mas não estou criativamente satisfeito.

Acho que finalmente seguirei o meu sonho.

Um favor. Antes de continuares, despediste-te?

- Não te posso emprestar mais dinheiro. - Pai, quero ser ator.

Ator? Que raio percebes tu de representação?

- Foste a alguma aula? - Não preciso de canudo para isso.

Ou se tem jeito ou não. Foi como disseste da escrita.

O talento não se ensina.

E quem foi que te disse que tens algum talento?

Não disseste sempre para acharmos algo que adoramos?

- Assim não trabalho nem mais um dia. - Eu era jovem e idealista.

Desde então, emendei essa regra.

Agora é: "Se procurarem algo que adoram fazer,

"têm uma vida de desilusões garantida

em que acabam falidos ao seguirem o sonho."

Porém, é bem melhor do que um emprego das nove às cinco.

Qual é o plano? O que vais fazer para ganhar a vida

enquanto lutas pelo sonho? - Trabalhar com o tio Pat.

Na cervejaria, sim.

Ajudo com o marketing e as redes sociais, coisas assim e...

... também pensei que, para poupar dinheiro,

não seria mal pensado eu voltar para casa.

Para casa?

Com a tua mãe em Miami, naquela bela casa enorme

e aquela piscina enorme? Mas que grande ideia!

Não, pai. Refiro-me a Brooklyn.

- Contigo. - Para Brooklyn, comigo?

Avisa-me se te estou a distrair.

Não era uma conversa séria sobre voltares para casa?

Escuta, o que queres que diga?

É Dia de Ação de Graças. Como iria recusar o meu filho?

- É um dia de dádivas. - Disse ao teu tio que também pode vir.

- Portanto, bem-vindo a casa, filho! - A sério?

Obrigado, pai.

Já não vai haver casamento.

Só porque a tia Molly enfiou na cabeça do Terrence Joseph

que precisamos de mais experiências antes de casar.

Céus! Lamento, miúda.

Mas não posso dizer que fique de coração partido

porque, como a tua tia, tinha os meus receios.

Mas eu fiquei, portanto, agradeço alguma empatia

e não comentários sarcásticos.

Patty, devo-te um pedido de desculpa.

Imagino que a minha história não tenha ajudado.

Sim, foi um cenário assustador, um homem chorar assim à mesa de jantar.

Também eu ficaria assustado. Mas tenho uma pergunta, Patricia.

Olhando às malas, posso deduzir que, tal como o teu irmão,

também não tencionas voltar para a casa da tua mãe na Florida?

- Como assim, como o meu irmão? - Despedi-me, logo, fico uns tempos.

E eu que achava que não podia piorar.

Não deves querer ouvir isto agora, mas acho que é melhor assim.

- Porque dirias isso? - Porque é o único tipo com quem...

... tiveste uma relação. E acho que isso seria uma pena.

Como sabes isso?

O TJ pode ter-se descaído quando bebeu demais.

E espero que lhe tenhas dado uma sova por falar assim da tua irmã.

Não há nada de mal nisso, Patty. Como católico, dou-te os parabéns.

E como teu irmão, sinto pena.

E eu quero saber porque acham que esta é uma conversa

para terem diante de mim. Faz-me um favor.

O resto da noite, só quero ouvir de ti... nada.

Escuta, não me importa o que pensas.

Acredito no poder do amor e no casamento.

Ao contrário de ti, da tia Molly e do pai, desculpa,

não tenho problemas em ser fiel. - Assim mesmo, Patty.

E o Senhor sorri àqueles que fazem o sacrifício.

- E desaprova quem não o faz. - Porque me metes ao barulho?

Só traí a minha primeira mulher. Se não a tivesse traído,

não teria conhecido a vossa mãe e não teria estes belos filhos.

Neste caso, trair até pode ter sido bom.

Isto é a tua ideia de educação?

É uma lógica distorcida, mas faz sentido.

Voltemos ao assunto. Posso ficar aqui?

Escuta, quando eu e a vossa mãe nos divorciámos,

comprei esta casa na esperança de criar um segundo lar para todos.

Olhando a esta noite, diria que consegui.

- Estou confusa. Isso é um sim? - Claro. Mas tenho regras.

Não vou cozinhar nem arrumar. E não vou lavar a vossa roupa.

Se querem essas coisas, peçam ao Patrick.

- Que também veio de mãos a abanar. - Terei todo o gosto.

- Obrigado. - E esta?

Tenho os meus bebés de novo em casa. Um favorzinho, levantem os copos.

À Patty, a perfeita, e ao Tommy, o terrível!

Bem-vindos a casa, meninos.

- Tens um minuto? - Muito cuidado com o que dirás agora.

Por quem me tomas?

Posso ser um sabichão, um palhaço e um totó,

mas nunca gozaria neste momento. - E o que queres?

Só te queria dizer que lamento por ti.

- Sei o quanto o amavas. - Só isso?

Nenhuma piadinha, comentário sobre o nome ou observação parva?

Não, sei ser sério quando é preciso.

Porém, há algo que te quero pedir.

- Está bem. Deve ser bom. - Nada daí além, mas...

Se vamos viver aqui juntos, devíamos tentar não...

Devíamos tentar dar-nos bem, não?

Esperava que pudesses ser menos preconceituosa comigo.

Não sou preconceituosa.

Temo que a tua impulsividade e decisões precipitadas

te levem por um caminho de desilusão, amargura e infelicidade.

E, por fim, fracasso.

Bem, não custou tentar. Mas sabes do que me apercebi?

Não é preconceito, pois não? É inveja.

- Inveja de ti? Nem tu acreditas nisso. - E entendo. Sou divertido e tu não.

Sou a alma da festa e tu a esquisita ao canto com quem ninguém quer falar.

Também eu teria inveja.

Já pensaste que é por a minha autoestima

não estar ligada à constante necessidade de atenção?

Quando muito, são as tuas inseguranças que te deixam com inveja de mim.

- Sempre tiveste inveja de mim. - De que parte da tua vida?

Sei lá. A minha ética de trabalho, a minha estabilidade,

a minha relação carinhosa.

Sabes o que estou a captar em ti? Desilusão. Amargura, infelicidade.

E qual era a última? Ah, sim, fracasso.

- Sai! - Nem acredito nas saudades que tinha!

Parecem ter começado bem.

O som da rivalidade entre irmãos. Até comove, não é?

- Lembras-te de mim? - Não, não me lembro.

Lembras, sim, do Farrell's, no Dia de Ação de Graças.

Puseste um coitado a chorar para a cerveja.

- É verdade, o Sr. Nascido e Crescido. - Exatamente.

Estava a comer uma piza e vi-te passar.

Pensei em dizer-te olá e ver que tal estás.

- Que tal estás? - Muito aborrecida.

Por minha causa?

Desculpa, não quis chatear. Só quis dizer olá.

- Já disse, portanto, fica bem. - Não, desculpa. Não é por tua causa.

Fiquei de ir almoçar com os meus amigos

e disseram-me que o meu ex está lá.

O chorão é que te aborreceu e não eu. Folgo em saber.

Tenho uma ideia. Ocorreu-me agora.

Que tal dares com os pés aos amigos e ires almoçar comigo?

Porque não?

Se entrares, sabes que o encontro com o tipo será constrangedor.

E vais perguntar-te: "E se tivesse almoçado com o Tommy Mac?

E se foi a minha oportunidade para algo extraordinário e a deixei escapar?"

Isso pode assombrar-te para sempre.

Estás a insinuar que tu és essa coisa extraordinária que me pode escapar?

Não! Somos nós.

Que dizes? É só um almoço. Uma cerveja e um hambúrguer.

- Talvez até uma risota? - Hambúrguer?

A piza não te chega?

- Que piza? - Grande lançamento.

- Sabes que mais, porque não? - Sim?

- Vem daí, miúda. - Tudo bem.

E quanto tempo namoraram?

Quase quatro meses. De longe, a minha relação mais longa.

- Mas pareceu bem mais longa, não? - Sim, como uma pena perpétua.

- E estavas apaixonada por ele? - Credo! Não.

- Que foi? - O quê?!

Não, nunca estive apaixonada.

- Nunca ninguém me fez sentir isso. - A quem o dizes!

Ainda tenho de sentir aquele sentimento especial de que todos falam.

Não conseguir deixar de pensar nela,

a miúda dos sonhos, o amor à primeira vista...

- É treta. Nunca senti isso. - As minhas amigas beijam um tipo,

dão um mero beijo, e sentem-se arrepiadas,

com formigueiro e borboletas na barriga.

Sabem logo que é o tal.

E eu penso: "Borboletas? Estão a gozar?"

Arrepios e formigueiros? Deixem-se de tretas!

Não sei. Talvez não funcione assim.

- Desculpa. - Ora essa! Não tens de pedir desculpa.

Aos insensíveis!

Que nunca caiamos na falácia do amor verdadeiro!

- Para não falar nas borboletas. - Que se lixem as borboletas!

Que se lixem as borboletas!

Que caraças?

Céus! Não!

Céus! Não!

Pai!

Só podem estar a gozar. Pai!

Está tudo bem?

Credo! O que se passa aqui? O que foi?

É uma torneira. Esteve a tarde toda a pingar e a acordar-me.

Tentei arranjá-la, mas rebentou-me na cara e não para.

Sabes o que me preocupa mais do que a torneira?

Estamos a meio da tarde e continuas na cama.

- Não vais trabalhar? - Não, disse que continuo doente.

- Ainda não consigo enfrentar o mundo. - Ainda por causa do Terrence Joseph?

- Sim, obviamente. - Já se passaram quase duas semanas.

- Ainda não esqueceste o tipo? - Pronto, não ajudas. Vou deitar-me.

Pats, Pats, desculpa. É o seguinte: tu arranjas melhor do que aquele tipo.

Está bem? Para começar, ele não é propriamente uma beldade.

Tem olhos muito desleais.

Segundo, ele teve a ousadia de me tratar por Finbar.

Terceiro, pior que tudo, é um irlandês a fingir ser um anglo-saxónico influente.

Por favor!

Obrigada por me acompanhares a casa.

Não era mesmo preciso, mas agradeço o gesto.

Foi um prazer.

Posso não acreditar no amor, mas acredito no cavalheirismo.

Quero ser muito sincero

e dizer-te que me diverti à brava hoje.

Pronto, tudo bem. Também eu. Foi uma surpresa muito agradável.

- Além disso, quero acrescentar... - É redundante, mas diz.

... que ainda bem que aproveitámos esta experiência extraordinária

que ambos começámos a partilhar. - Extraordinária? Não.

Acho que ainda não chegámos a essa parte.

E... também não vamos chegar hoje.

Pois, que chatice! Mas manda-me uma mensagem.

- Estou livre no fim de semana. - Sim?

Sim.

- Muito bem. - Muito bem.

- Vou ficar à espera. - Sim?

Sim.

- A aproximar-se... de extraordinário. - Tudo bem.

Mas que raio?

Não são borboletas que estás a sentir.

Estás é com fome. Tens de ir comer.

Espera lá. Já comeste piza e um hambúrguer.

Merda! Merda!

Não, não, não.

Não és esse tipo de homem. Escusas de preocupar-te.

Viva! Quem quer uns dónutes?

Lamento, pai. O tio está a fazer o pequeno-almoço.

Mas que contribuidor para um lar feliz!

Não sei se sabem,

mas faz hoje duas semanas e dois dias que o vosso tio está connosco.

- Não é maravilhoso? - Se sou um fardo,

basta dizeres e faço-me à vida sem problemas.

Não, o tio Pat não vai a lado nenhum. Fez panquecas, algo que nunca fizeste.

Porque faço dónutes. É a minha cena desde que são miúdos.

Garanto-vos que os meus dónutes são melhores que as panquecas.

Não sei. Estas panquecas são brutais.

Também lavei a roupa. E, Finbar, de futuro,

podes não atirar as toalhas molhadas pelas escadas?

Não é por acaso que há um cesto no patamar.

Estão a ouvir um zumbido na cozinha? Ando a ouvi-lo há duas semanas e meia.

Parece um mosquitinho ao ouvido. Queixa-se e resmunga.

- Não ouvem? - Bloqueia, tio Pat.

- Fizemo-lo a vida inteira. - Sim, não lhe ligues.

Continua o que ias dizer da tia Molly

antes de o Barry Caixa de Dónutes te ter interrompido.

Acho maravilhoso darem-se tão bem com ela.

Ela foi mais mãe para nós do que a nossa própria mãe.

Nem seria preciso muito.

E já me esquecia da beldade que ela é.

Ela tem um certo brilho, já repararam?

Ela entra num sítio e ilumina-o de imediato.

Um brilho? Não, eu cá nunca reparei num maldito brilho.

Nem tu devias. Queres saber porquê?

- Ela é tua cunhada. - Tecnicamente, acho que já não é.

Não posso dizer que ela ilumina uma sala?

Não enquanto vives na minha casa.

Mas quando arranjares casa, como um adulto, grita do telhado.

És um maluco do caraças.

Thomas, não aprovo a linguagem, mas aprovo a mensagem.

Se alguém precisa de psicólogo, és tu.

Esperem, quem aqui anda no psicólogo?

A tia Molly deu ao tio Pat o nome do seu antigo terapeuta.

Ela fez o quê?

Desde quando é que ela anda no psicólogo?

- E acima de tudo, porquê? - Estás a gozar?

O teu irmão mais velho, o marido dela, traiu-a e morreu.

- Se alguém precisa de um, é ela. - E qual é a tua desculpa, Patrick?

Pai, a tia Leslie deixou-o e expulsou-o de casa.

Pai, não fiques todo esquisito.

A mãe mandou-nos a um terapeuta quando se divorciaram e foi ótimo.

- Ajudou-nos imenso. - Ela fez o quê?

- E porque só sei disto agora? - Talvez pela tua reação agora.

Tio Pat, já foste à tua primeira consulta?

Não e, tal como o vosso pai, estou de pé atrás.

Mas após este ano tumultuoso, olho para o mundo com outros olhos.

Outros olhos? Pode ser por isso que vejas a viúva do teu falecido irmão

de repente com um brilho. - Céus! Lá vamos nós de novo.

Barry, sempre tiveste medo de mudar, mas a tua filha tem razão.

Já não estamos nos anos 90.

Começo a achar que és má influência para os meus filhos,

virando as minhas crias contra mim.

Recorda-me uma teoria minha.

- Uma família é como uma fruteira. - Céus!

E se a fruteira tiver um fruto podre, pode ser uma maçã podre,

que faz isso a toda a...? - Não teve piada da primeira vez.

Mas olha que teve. Achei muita piada.

- E teve piada. - Vês? O teu irmão tem razão.

- É esperto. - Mais uma vez, os anos 90 já eram.

Está na hora de crescer, amigo. Está na hora de crescer.

Pois, a casa precisa de obras.

- Sim, a cozinha podia ser modernizada. - Achas mesmo?

O tijolo de imitação não envelheceu bem?

Acho que saiu de moda algures em meados dos anos 80.

De cada vez que cá venho, sinto-me inundada de lembranças.

- Acredito. - Vim para aqui em miudinha.

Foi após a minha noite de núpcias.

- O tempo passa a correr, não é? - Sim, 30 anos.

- Como é possível? - A quem o dizes.

Ainda me sinto o mesmo homem que era na casa dos 20.

- Mas depois olho-me ao espelho... - Que se lixe isso!

Tentei viver aqui depois de o Jack morrer.

Sentia-me demasiado sozinha. Era doloroso e triste.

Foi há mais de 20 anos. Porque mantiveste a casa tanto tempo?

Barry e Patrick.

Não estavam prontos para ficarem sem a sua casa de infância.

Tenho-a arrendado. Tem sido bastante lucrativa.

E o que acham de a venderes agora?

Não falámos sobre isso.

Vai haver lágrimas. Sobretudo do Patrick.

Só quero começar por dizer que este é um grande passo para mim, Dr. Sabatino.

Por favor, trate-me por Sal.

Sal? Não sei se me sinto à vontade com isso.

É demasiado informal,

demasiado descontraído para a forma como vou comunicar aqui.

- E como vai comunicar aqui? - Para um médico, não um Sal qualquer.

Se prefere tratar-me por Dr. Sabatino, podemos tentar isso.

Mas porque haveria de sentir-se pouco à vontade ao tratar-me por Sal?

Bem, seria o equivalente a tratar o Padre Dollen ou o Padre McGavin

por Joe ou Mike, é algo que não se faz, por respeito.

- Portanto, é um católico praticante? - E de que maneira.

Cuja esposa pediu o divórcio.

Obviamente, é um pecado grave.

- A sua esposa também é católica? - Não é praticante.

Tem problemas com algumas posições que a Igreja tem sobre as mulheres.

Como um antigo católico, entendo perfeitamente.

E isso recorda-me uma piada que ouvi há pouco, que é capaz de gostar.

Qual a posição mais alta que a mulher pode alcançar na Igreja Católica?

Freira (nun). Entende? Nenhuma (none)? Zero?

Perdão. Foi de mau gosto.

Então, diga-me, Patrick. Como acha que o posso ajudar?

Infelizmente, Sal, acho que não pode.

Agradeço a disponibilidade.

Não pode ser!

Piadas sobre freiras? É a isto que este tipo acha piada?

Imagina as pessoas que se riem de algo assim.

É uma forma de ir parar ao Inferno, amigo.

Patrick? Patrick!

Patrick McMullen! Meu Deus! Bem me parecia que eras tu.

Susan? Não acredito! Passaram-se mais de 30 anos.

- Estás igualzinha. - Também tu.

Passaste por mim no consultório do Sal e soube logo que só podias ser tu.

O Dr. Sabatino. Também é teu terapeuta?

Bem, expressei-me mal.

Foi a minha primeira e última consulta com o Dr. Sal.

Parece que doravante terei de suportar as confissões com o Padre McGavin.

Pois. Bem, é bom ver que não mudaste muito.

Então e tu? Agora vives em Brooklyn?

Sim, quando os miúdos nasceram, deixámos o Upper West Side.

O papá nunca me perdoou por isso.

Mudei-me para aqui, um pouco mais acima.

Agora estou divorciada, os miúdos cresceram e o papá morreu há muito.

Por isso, estou por minha conta.

Bem, foi uma razão para eu ter ido falar com o médico.

Em breve, também eu estarei divorciado.

Sinto muito ouvir, mas com o tempo fica mais fácil.

E com sorte, até fica divertido.

Escuta, adoraria falar o dia todo, mas tenho de voltar à minha sessão.

Podíamos combinar um almoço ou ir tomar um copo.

Um passeio? Tanto faz. Liga-me para o escritório.

Ainda temos o mesmo número. Dá para acreditar?

Sabes o que é de loucos? Não me lembro do que almocei ontem,

mas tenho aqui gravados todos os números daquela época.

Ótimo! Então dá uma apitadela. Se quiseres.

Se não quiseres, foi incrível ver-te.

Nunca te perguntas porque é que a tia Molly não voltou a casar

após a morte do tio Jack?

Não perdi um minuto a pensar nisso. Não quero saber.

Sabes, não me lembro de ela ter um namorado por muito tempo.

E aquela conversa de eu precisar de mais experiências

e parceiros sexuais?

Talvez seja viciada em sexo.

Ter uma vida sexual saudável e não querer casar

não torna alguém viciado em sexo.

A tua educação católica põe-te a julgar desejos e impulsos normalíssimos.

Mas não achas estranho não ter tido filhos?

Não, esteve demasiado ocupada a ajudar o pai connosco.

Não é o mesmo. Já agora, porque será que o pai não voltou a casar?

Bem, porque ele já falhou duas vezes.

- À terceira pode ser de vez. - Não me parece.

- Acho que é muito feliz solteiro. - O pai não é feliz solteiro.

Porque achas que aceitou tão bem que voltássemos cá para casa?

Sente-se sozinho.

O pai sozinho? Nem pensar. Vive no bem-bom. Foi sempre assim.

Não acredito no que estou a ver.

A Perfeita e o Terrível a conviverem?

Nem imaginam como fico feliz por estarem cá em casa.

A casa começa a parecer um lar, o que deixa o vosso cota comovido.

- O que foi que te disse? - Mas queria perguntar-vos uma coisa.

Não se importam de estar aqui, mesmo com o tio Pat na cave?

Basta dizerem e tiro-o daqui com todo o gosto.

- Na boa, pai. - Bem...

Se estiverem em casa esta noite, que tal um jantar em família?

- Só os três? - Desculpa, pai.

Tenho um encontro escaldante.

- Ainda bem. - Obrigado.

Pats, presumo que não tenhas um encontro escaldante hoje.

Nesse caso, que tal começarmos a decorar a árvore?

Sim, cá estarei a afundar-me em autocomiseração,

a lamentar a vida que devia ter tido e a embebedar-me.

A lamentar o "e se" e a apanhar a piela.

- Quem te lembra isso? - A avó.

Exatamente. Mais uma vez, isso deixa o vosso cota comovido.

És capaz de ter razão.

Se está animado por ficares para o jantar,

sente-se mesmo sozinho.

Para que é isto ao certo?

É melhor largares isso.

Que nojo!

Nunca mais casaste após o Jack morrer?

Sinceramente, nunca estive interessada.

Da primeira vez já foi bastante duro.

Lembro-me de ouvir que andavam com problemas.

Só um problema. Ele traiu-me.

- É um grande problema. - Pois.

E tu? O que se passa?

- Voltaste a namorar ou...? - Tentei e fracassei horrivelmente.

O quê?!

Bem, para começar, foi a minha namorada do liceu.

Dá para acreditar? Reencontrámo-nos no Facebook.

A sério? As pessoas agora fazem mesmo essas coisas.

Que tal foi isso? Quantos anos passaram?

Quarenta.

- Quarenta?! - Quarenta anos.

Ela era um pesadelo antes e continua um pesadelo.

Espero que não leves a mal, mas tens um sorriso muito giro ao rir.

- Obrigada. - É do que mais me lembro em ti.

Quando trabalhávamos juntos. Tinhas um sorriso bonito.

- Walter, estás a fazer-te ao piso? - O quê? Não.

Tens um sorriso bonito, só isso.

Obrigada.

E obrigada pela boleia.

E vemo-nos para a semana por causa do contrato.

Muito bem. Mas que surpresa agradável!

Ele é simpático.

Mas será demasiado? Céus! Sabes como podem ser os bonzinhos.

Primeiro, ficam piegas. Depois, ficam apegados.

Não te dás bem com eles apegados.

Estás a precipitar-te. Nem sabes se ele está interessado.

Se estivesse interessado, ter-te-ia convidado para sair.

Ou não teria?

Eu acho que sim.

- Estou? - Olá, sou eu, o Walter.

Continuo na rua, sentado no carro, de onde acabaste de sair.

Continuo aqui, não de forma sinistra,

a pensar que talvez nós os dois...

- Devíamos sair um dia? - Sim. Exatamente.

Também eu.

Boa. Conheço um ótimo restaurante italiano.

- Que tal sábado? - Pode ser. Ou posso cozinhar algo.

- Melhor ainda. - Ótimo.

- Vemo-nos sábado. - Tudo bem. Adeus.

Adeus.

Walter.

BÊNÇÃO IRLANDESA

Não é incrível?

Sempre disse que a cidade parece uma aldeia.

Sobretudo em Brooklyn.

E como vai ser, rapazão? Vais ligar-lhe ou não?

Tens de ligar-lhe, tio Pat. Devem ter imenso de que falar.

E olha só. Acabei de pesquisá-la. Parece ser um nome de peso na moda.

- CEO da sua própria empresa. - Era a empresa do pai.

Faziam as suéteres mais feias de sempre.

Já não. São tão famosos como a Donna Karen.

Meu Deus! Olha só o apartamento dela!

Patrick, parece-me que ela tem um quarto extra neste lugar.

Deve ser um nadinha melhor que dormir na minha cave. Que dizes?

Se não sou bem-vindo, diz e ponho-me a andar.

Prometes?

Credo! Nem vais acreditar em quem está a ligar.

O tipo que quer outra queca. Desligo?

- O que faço? - Não atendas.

- Atende. - Vou atender.

Por que raio dirias para ela atender?

- Ando a tentar livrar-me dele. - Ela gosta dele.

- Estou? - Olá. Queria saber como estás.

- Sinceramente, nada bem. - A sério?

Eu também não. Tenho tido tantas saudades tuas.

Meu Deus! Que alívio ouvir isso!

Calculo que então não tenhas tido experiências novas.

O quê? Não. Não propriamente. E tu?

Não, claro que não.

- Nem sequer um encontro? - Não. Porquê?

- Porquê? Tu tiveste um? - Sim, obviamente.

Mas odiei. Elas não eram como tu.

Nada parecidas.

Que querido por dizeres isso!

Sim, eram foleiras. Só umas tipas que conheci no Bumble.

A sério? Quer dizer que foi mais do que uma?

Foi um encontro com várias ou algumas mereceram um segundo?

Estás chateada? Não foi isso que acordámos?

Não, tu sugeriste e eu disse não estar interessada.

Portanto, não houve um acordo.

Mas, só por curiosidade,

como foi...

... dormir com outra? Deves ter ido para a cama com elas.

Não! Não com todas.

Só com uma.

Só com uma.

Pai, ele é um parvalhão!

O que foi? Não correu bem?

Não, não correu bem. Ele é um filho da mãe!

Meu Deus! Estava com medo que dissesse que afinal iam casar.

- Ótima notícia! - A tua filha está perturbada.

- E é esta a tua reação? - Sim, porque como já te disse,

não gosto do puto e só fico feliz com ele fora de cena.

Sabes como podias ajudar? Podias rezar por isso.

Melhor ainda, na missa, acende uma vela.

Só acenderia uma vela na igreja para salvar a tua alma.

Também to agradeceria.

Não, o meu pai é fantástico. Somos muito próximos,

mas mudou-se para a Califórnia há imensos anos e voltou a casar.

E a tua mãe?

Não, não voltou a casar e mal saiu com outros homens

desde que se separou do meu pai.

Acho que ela pensa que nenhum homem está à altura dela.

- Já agora, nem à minha altura. - Fica registado.

Pronto, sou filha única. Consegue ser demasiado protetora.

- E tu? Irmãos? Irmãs? - Sim, uma irmã mais nova.

Patty, a Perfeita. Nada perfeita. Longe disso.

Não podíamos ser mais diferentes. Andámos a vida toda à bulha.

Por norma, acabava comigo a levar com um soco dela.

Espera, lutavam mesmo? Com os punhos?

Sim, no verão, quando ficávamos com o nosso pai,

tínhamos uma tradição de família.

Tocava uma sineta sempre que ouvia um de nós a gritar com o outro.

Pegávamos numas luvas de boxe e íamos lutar para o jardim.

Já agora, só um grande homem admitiria que levava uma abada da irmã.

Portanto, és mais de amar do que de lutar. É a tua desculpa?

Bem, não é propriamente uma desculpa. É mais um motivo de orgulho.

- A sério? - Sim.

Já vamos ver.

- Mãe Santíssima! - Podes crer.

- O que raio foi isto? - Não sei.

Já sentiste algo assim?

Nem eu.

Pronto, vou dizê-lo já. Não ando à procura de namorado.

E eu não procuro namorada.

Longe disso. Tenho de preocupar-me com a carreira.

Acabei de me mudar para cá para seguir o meu sonho.

Não posso ficar preso a mais... paixões.

Então estamos em sintonia. Isto não será nada sério.

- É só diversão. - Tudo bem. Fixe. É um alívio.

Mas só para ter a certeza, também o sentiste, certo?

- Porra! - Porra!

Sabes, talvez o amor nem seja um conceito tão marado.

Todos falam tão bem dele. Porque não tentas? Tenta lá!

Aproveita e diverte-te.

Não, espera, o que estás a dizer?

O que estás a dizer? Podes estar apaixonado por ela?

Não. Não, não, não.

Vamos lá com calma. Não é o que estou a dizer.

- Pai, estás em casa? - Sim, na sala com o teu tio.

Ontem à noite, tive o melhor encontro da minha vida.

- Pois, tens a camisola do avesso. - E ao contrário.

Nunca senti nada assim.

E devo admitir que é um pouco inquietante.

- É território desconhecido para mim. - Conta-nos tudo.

Oxalá pudesse. Nem sei por onde começar.

Quer dizer, como já disse antes, não acredito no fado ou no destino,

nem no amor verdadeiro ou essas parvoíces.

Mas isto... Quer dizer, isto foi intenso.

Até fico com vergonha só de falar disso.

- Jesus! E com razão. Já te ouviste? - Eu sei. Porra!

Malta, atenção à linguagem. Barry, não uses o nome do Senhor em vão.

Desculpa, esqueci-me que agora vivemos com o beato.

Patrick, tentarei ao máximo ter tento na língua enquanto cá estás.

Juro por Deus, raios me... partam!

Não tem piada, nenhuma.

- Pois não. - Sabes quem mais não se ri?

- Quem? - Deus.

Thomas, não dês ouvidos ao cínico do teu pai desbocado.

Não há motivos para te envergonhares.

Ficar perdido de amores é uma maleita de que muitos McMullens sofreram,

como este que te fala e, já agora, esta personagem.

Fico feliz por ver que herdaste isso. Outro romântico a manter o sonho vivo.

Esperem, é... É ela!

- Estou. - Olá, como vai isso?

Ótimo. Estava agora a falar de ti ao meu pai e tio.

Não acredito. Também estava a falar de ti à minha mãe.

E ela acha que podes ser da família de um tipo com quem ela namorou.

- Não namorámos. - O teu pai chama-se Barry?

Infelizmente, sim.

- Pai, namoraste com a mãe dela. - A sério? Como se chama ela?

- Como se chama ela? - Nina Martin.

Nina Martin.

Nina Martin? Estás a gozar? A sério?

- Ele vem aí. - Faz-me um favor.

- Manda cumprimentos. - Ele diz olá.

- Ele diz olá. - Olá, Barry.

E ela está a ficar corada e sem jeito, e estou a adorar.

Não, para.

Espero que isso não mude o que sentes por mim.

Não, nada. Acho imensa piada.

Também eu. Está bem. Fixe. Ainda nos vemos sábado à noite?

Sim, claro. Até sábado.

Ótimo. Até lá. Está bem. Adeus.

- Incrível. Qual era a probabilidade? - Que caraças!

- O que são um ao outro? - Éramos amigos no liceu.

Está bem. Porreiro.

- Depois, de novo na faculdade. - A sério?

- Namoraram? - Não.

- Quanto tempo? - Não namorámos.

- E duas vezes na casa dos 20. - Duas vezes?

O que andavam a fazer? A pinar nos anos 90?

Por quem me tomas?

- E depois de ela se divorciar... - Duas vezes... Céus!

- Após o divórcio com a tua mãe. - Oh, não! Eram amigos coloridos?

- Meu Deus! Éramos amigos. - Eram amigos?

- Éramos amigos. - Amigos que se despiam juntos e...

Porque haverias de dizer isso? Éramos amigos.

- Fiquemos por aqui. - Está bem.

- Vou embora. - Mãe!

- Vou embora. - Quero saber das tuas aventuras.

Devo temer que isto se torne estranho entre vocês?

Nada disso. Foi há muito tempo.

- Está bem? Descansa. - Tudo bem.

É que gosto mesmo desta miúda. Portanto, comporta-te, por favor.

Está bem?

Por quem me tomas? Então?

Dá para acreditar? Nina Martin!

- Ótimas notícias! - Sei o que estás a pensar.

E és um indivíduo doentio e demente.

Ouviste o que ele disse. Ele gosta mesmo da miúda.

- Não arruínes isso. - Arruinar?

Quanto mais tempo tens de ficar cá?

- Cá está ele! Como estás, Sam? - Olá, Sr. McMullen.

Peço desculpa. Queria ter vindo na semana passada.

- As minhas irmãs não dão descanso. - Ora essa! É um favor que me fazes.

- Vá, entra. - É lá em cima?

Sim.

Por aqui, rapaz.

- Está cá alguém? - Está aberta.

Desculpa chatear, mas trouxe o canalizador.

Ele veio arranjar o lavatório. Ainda vais demorar?

Já não.

Sam, Patty. Patty, Sam. Chama-me se precisares de mim.

Obrigado, Sr. McMullen.

Desculpa, já saio daqui.

Não sei se ouviste o teu pai. Sou o Sam.

O Sam Dukakis.

Credo, Patty. Até me partes o coração. Não te lembras de mim?

Vivia ao fundo da rua. Brincávamos quando vinham no verão.

É verdade. Olá.

- Já lá vai um tempo. - Temo que sim.

Já curtimos, não foi? No jardim da Sra. Warren?

A brincar ao Jogo da Garrafa. No verão antes do Secundário?

Pois. O momento alto do meu verão.

Mas acho que foi mais um beijo e não tanto uma curte.

Há quem lhe chame chocho. Lembras-te? Não estavas muito bem.

Estavas mal da barriga ou algo assim.

Belas memórias.

Já me lembro. Vou deixar-te trabalhar.

É o lavatório, mas já sabias.

Muito bem.

Pai?

Temos um problema. Sabes quem é aquele tipo?

- Sim, fui eu que o chamei. - É o Sam Dukakis, do cimo da rua.

Brincávamos juntos em miúdos.

Não sabias?

É o rapaz muito bem-parecido, simpático e charmoso

que vivia no quarteirão com as três irmãs malucas?

Sim, diz-me alguma coisa.

Nem acredito que é ele.

Não entendes. Tinha uma grande paixoneta por ele.

Todos os verões, quando ficávamos contigo,

convivíamos no quarteirão com ele e todos os seus amigos.

Todos me ignoravam porque eu era uma pateta.

- Menos ele. - E qual é o problema?

- É o primeiro rapaz que beijei. - De novo, qual é o problema?

- Vomitei para cima dele. - É um problema.

Qual foi o mal? Beija mal? Mau hálito?

Não, foi no Jogo da Garrafa. Alguém levou cerveja.

Nunca jogara ao jogo e nunca bebera cerveja.

Olhando para trás, devia ter bebido após o beijo.

E eu devia ter prestado mais atenção ao que faziam quando cá estavam.

E o que vais fazer? Que tal subires e conversarem?

- Porque faria isso? - Disseste que tiveste uma paixoneta.

- E estás solteira. - Isso foi há 15 anos.

E não estou solteira. Demos um tempo.

Que estará o Terrence Joseph a fazer? Estará a definhar por ti

ou estará a planear a sua próxima experiência?

É melhor eu subir.

Pats, antes de ires, que tal pegares num café?

- Vai parecer menos óbvio. - Boa ideia.

Muito bem. Para variar, o teu pai tem razão.

O Terrence Joseph deve estar neste momento a ter...

... outra experiência. Sabes que mais?

Ele que se lixe!

- Olá. - O meu pai fez café.

- Queres? - Sim, obrigado.

- Vieste na hora certa. Acabei. - Ótimo.

- Queres experimentar? - Sim, claro. Toma.

- Obrigado. - De nada.

Está como nova.

Então, sei que já vem tarde,

mas queria pedir desculpa por aquela noite em que vomitei.

Não te preocupes.

Deste-me uma ótima história de primeiro beijo.

- Era garantido nunca te esquecer. - A sério?

Também foi o teu primeiro beijo? Porque, bem, também foi o meu.

Mas não foi propriamente um beijo.

Não, acho que não. Terminou ainda antes de começar.

Noto que estás abalada com isso. Portanto, se me quiseres compensar...

... sai comigo. - Um encontro?

Sim, um encontro. É um pedido descabido?

- Não gostas de canalizadores? - Não, é só que...

É complicado porque...

Sabes que mais? Adoraria.

Adoraria sair contigo.

Está bem. Ótimo.

- Está combinado. - Está combinado.

- Porreiro. - Patty e Sam, já devem ter acabado.

Já vou, pai! Vou andando.

Sim, vemo-nos...

Ovelia, sábado, às oito.

- Está bem? - Sim.

- Perfeito. - Vemo-nos lá.

- Adeus. - Adeus.

Fala-me mais de ti e da Leslie.

Juntámo-nos mal tu e eu acabámos.

- Fomos até à Califórnia... - Sim, eu sei disso tudo.

Não querias trabalhar para o meu pai e odiavas as suéteres.

Fugiste para a Califórnia. Sei disso tudo.

Diz-me quando achas que ela deixou de te amar.

Isto está a tornar-se profundo.

Achava que ia ter uma conversa leve e comer um bolinho.

Passas imenso tempo com o Dr. Sal, não?

Não, para ser sincero...

... há 15 anos.

Ela queria ficar na Califórnia.

Voltámos porque achei que os miúdos deviam conhecer a família.

E como te sentes agora que esse capítulo da tua vida acabou?

Os miúdos saíram de casa e estás solteiro.

Pela primeira vez em quase 30 anos. Há quem se sinta livre. Eu cá senti.

Livre? Não.

Sinto-me assustado e sozinho.

Sinto-me confuso.

Mas, acima de tudo, sinto-me triste.

Pareço um caso emocional perdido.

Caramba!

Tia Molly, este é ainda pior.

Meu Deus! Saíste-me cá uma puritana! Ainda bem que tens esse encontro.

- Não sei se consigo. - Consegues. Vais ficar fantástica.

- Mas tira esses mocassins. - Não me refiro ao vestido.

Se é que posso chamar vestido a isto.

- Tudo isto. - Tudo isto o quê?

Vais jantar fora, mais nada.

Se não queres fazer mais nada, voltas para casa.

Mas não lhe podes dar com os pés. Sobretudo se for bom rapaz.

Sim, é, um ótimo rapaz.

Boa! Adoramos bons rapazes.

Mas não demasiado bons. Como o Terrence Joseph.

- Não ao ponto de enjoar. - Como assim?

Basta olhar para ele. É um Sheldon.

Não sei se estou a entender.

"Dá-me, Sheldon. És um animal, Sheldon. Monta-me, grande Sheldon."

- Verdade ou mentira? - Não sei do que estás a falar.

A sério? "Um Amor Inevitável"?

Não?

Meu Deus! Sinto-me tão velha.

Deixa-me perguntar-te isto.

O sexo com o Terrence Joseph era péssimo, não era?

Não.

Não?

Pronto, vou dizer-te outra coisa que não sabes,

sem ser uma cena clássica de um filme clássico.

As paredes no meu apartamento são muito finas.

No fim de semana que lá dormiram,

obtive uma informação pertinente que irá refutar a tua alegação.

- Como assim? Estavas a ouvir? - Não, mas bem tentei.

E não ouvi nada.

Já pensaste que fomos silenciosos para não te acordarmos?

Não acredito. Nem pensar.

O sexo é ruidoso quando é bom.

Pelo menos, iria ouvir-vos a reprimir os sons da vossa paixão.

Não ouvi nada.

Daí estar ainda mais animada por ires a este encontro.

E daí saber que tens de pinar.

- O quê? Não! - Tem de ser.

Não, estava noiva há um mês.

Como hei de saltar para a cama com outra pessoa?

Isso não impediu o Terrence Joseph.

Puto, tenho uma cerveja e uma pergunta. Tens um minuto?

- Sim, para ti, claro. - Lindo.

Só queria falar contigo e ver como vão as coisas com a tua miúda nova.

Sim? Com a Karen? As coisas vão muito bem.

Temos um encontro hoje. Vai dançar comigo.

- Dançar? Tu vais dançar? - Sim, eu vou dançar.

Ela tem aulas de danças de salão com uns velhotes da igreja.

Esta noite é a festa de Natal.

Sabes que não somos famosos pelos nossos passos de dança.

Se gostas mesmo da miúda, talvez queiras repensar o plano.

- Estás a perceber? - Não te preocupes comigo, pai.

Sei alguns passos.

E era mesmo sobre isso que querias mesmo falar comigo?

Para saberes como vão as coisas entre mim e a Karen?

Mais ou menos. É o seguinte...

Estava aqui a pensar se, por acaso,

não terás o número da mãe da Karen.

Pois.

Não, não tenho o número da mãe dela. E mesmo se tivesse, não to daria.

Para quê essa hostilidade? É uma velha amiga. Não posso dizer olá?

Pai, ficas já avisado que não te vais aproximar da mãe dela.

Não vais recomeçar essa porcaria.

E que queres que faça se ela me contactar?

- É uma possibilidade. Não sei. - Ignora-a.

Ignoro-a? Queres que seja rude e a evite?

Pode ser rude para ela, mas respeitoso para comigo.

Portanto, por favor, pai, toma a decisão certa.

Céus!

Se ela me ligar, posso ter de ligar de volta.

Estou só a dizer.

Sabes do que é que a Molly quer falar connosco, hoje?

É sempre bom vê-la, não achas?

E caso não tenhas reparado,

estou a fazer uma tarte de maçã.

A receita especial da mãe.

E pedi ao Tommy para ir comprar um dos teus vinhos preferidos.

Sabes, é muito mal-educado estares ao telemóvel

e fazeres de conta que não me ouves.

Desculpa, mas da nossa experiência juntos,

dos nossos 22 anos a partilhar um quarto

e mais de 50 anos como irmãos e agora um mês de ti a viver aqui,

o que te leva a pensar que me preocupo se estou a ser mal-educado contigo?

Tudo bem.

Então talvez ponha só a mesa para dois e tu amanhas-te sozinho.

Faz-me um favor e faz o que queres porque tenho de ir andando.

Nem acreditas com quem falei por SMS. Com a Nina Martin.

Ela diz para ir a casa dela agora mesmo e para não me atrasar.

Barry, por favor! Tive todo este trabalho.

Liga-lhe a dizer que vais amanhã. Considera-o um presente para mim.

Um presente para ti?

Deixo-te viver na minha cave e ainda queres mais uma prenda?

Já agora, muito obrigado pelo vinho. Sim, é mesmo o meu preferido.

Seria má educação ir lá de mãos a abanar.

- Seria má educação com ela? - Sim. Seria mesmo.

Faz-me um favor. Não esperes por mim.

Nunca se sabe. Posso não voltar esta noite.

Não é correto tratar as pessoas assim.

Sobretudo a família.

Talvez não esteja cá quando voltares, Romeu!

Já vou!

Muito bem.

Olá.

Posso só dizer que o tempo tem sido bondoso?

Porra, continuas incrível!

Bela linguagem, Barry, mas obrigada. Obrigada. Isso é...?

- Muito bem. - Não podia vir de mãos a abanar.

Está bem, segue-me. Fecha a porta.

Decerto que sabes o motivo por que queria encontrar-me contigo.

Sim, sei.

E só quero que saibas que estou solteiro e muito interessado.

Tudo bem. Não mudaste mesmo nada.

- Porque haveria de mudar? - Não, eu...

Queria falar da situação em que nos encontramos.

Parece-me que... O que...?

- Como estás? - Muito bem, e tu?

- O que estás a fazer? - A pôr-me à vontade.

- Barry. - Como antigamente.

Sim. Podes sentar-te ali?

- Vai sentar-te ali. - Está bem.

Estarei aqui se precisares de mim.

Só quero começar por dizer

que não sou a favor deste namoro e espero que também não sejas.

Escuta, não me parece que interessa o que nós os dois pensamos

porque eles estão a marimbar-se.

São adultos e vão fazer o que querem.

Quanto mais protestares, mais achas lanças para a fogueira.

Não acredito nisso nem por um segundo.

A sério. A Karen importa-se imenso com a minha opinião.

Não sei. O Tommy diz que estão loucos um pelo outro.

E acho que isso é algo que deveríamos celebrar.

- Quer dizer que aprovas? - Não me cabe a mim aprovar ou não.

No que toca aos meus filhos e à sua vida amorosa,

com exceção da minha filha, não me meto.

Não te metes? Não. É o oposto da minha filosofia parental.

Meto-me para garantir que eu consigo o que quero.

Mas não entendo. Porque estás tão contra?

A não ser, claro, que possa ser constrangedor dado o nosso passado.

Sim, quer dizer, é essa a questão.

Deus nos livre! Por favor. Barry, se...

Se isto se tornar sério, teremos de ver-nos constantemente.

Sim, estive a pensar nisso e devo admitir que acho empolgante.

Mas no que toca aos miúdos, podemos estar a precipitar-nos.

- Só tiveram uns encontros. - Ouvi a forma como ela fala dele.

Não é bom, Barry.

Não diria ao Tommy com quem pode ou não namorar,

como também não te diria no que tenho pensado desde que entrei.

- Sei bem no que tens pensado. - Acho que considerarias lisonjeador.

- A sério? - Se quiseres, posso voltar para aí.

- E sussurrar-to ao ouvido. - Queres voltar para aqui?

- Acho que seria uma boa ideia. - Acho que devias ficar aí.

Olá.

- Desculpem o atraso. - Na boa.

E peço desculpa pelo Barry, pois sei que ele não se lembraria.

- Ele fez outros planos. - Somos só nós?

Sim, a não ser que um dos miúdos chegue cedo.

Não posso ficar muito tempo, mas tenciono voltar para ver a Patty,

pois quero um relatório completo dela.

Pois, por essa altura, já não devo estar aqui.

- Então? Tens um encontro escaldante? - Vou mudar-me.

Não aguento mais tempo debaixo do mesmo teto que o Barry.

Céus!

E isso leva-me a outra coisa de que te queria falar.

Eu...

Estou pensar em ficar na nossa casa antiga entretanto.

Se não te importares. Disseste não ter agora um inquilino.

Bem, hoje ia falar-vos sobre isso mesmo

porque acho que quero vender a casa.

Vender a casa?! Porque... Porque haverias de vendê-la?

Bem, já não vivo lá. Sabes que não vivo lá há 20 anos.

Mas é a nossa casa de família. Está cheia de memórias de família.

- Se venderes a casa, isso tudo vai-se. - Eu sei.

Mas tenho de ser sincera. Para mim...

... com a infidelidade do Jack e a sua luta contra o cancro,

simplesmente... não são boas memórias.

- O Barry não sabe disto? - Não, ia contar hoje aos dois.

Ele não se vai importar. O homem não tem coração.

Escuta, que tal comprar-te a casa?

- Que tal comprares a casa? - Isso! Problema resolvido.

Mas espera lá. Então, tu e Leslie acabaram de vez?

- Não vão mesmo fazer as pazes? - Não, já era. É melhor assim.

Francamente, oxalá o tivesse visto mais cedo.

Há anos que estava à vista de todos.

"Não te amo mais." Em letras maiúsculas.

Desculpe.

Olá.

- Olá. - Olá.

- Cá está ela. Como estás? - Bem.

Isto serve?

- Sim, é perfeito. - Eu pego no casaco.

Obrigada.

Devo dizer que ficas incrível nesse vestido.

A minha tia emprestou-mo. Pessoalmente, acho exagerado,

mas ela insistiu que o usasse. - Não, ela está certíssima.

- Então, como estás? - Fantástico, a sério. Quer dizer...

Estou contigo num encontro. O que podia ser melhor?

- Então e tu? - Estou bem, mas...

Mas...

Tenho de te contar uma coisa antes que isto vá mais longe.

Podes achar-me péssima pessoa, mas acho melhor ser sincera.

É de todos os anos no colégio católico.

Escuta, entendo. Passei 12 anos num colégio católico.

- Entendo a tua dor. - Boa.

- Vou desembuch... - Querem beber algo para começar?

- Pode ser um copo de Cabernet. - Dois.

- Obrigada. - Obrigado.

Desculpa, o que ias dizer?

Não te posso ver depois de hoje.

Dei cabo disto num instantinho. Porque não?

Bem, estou noiva. Aliás, estava.

Depois, o meu noivo quis dar um tempo, uma separação à experiência,

por um mês ou quê, e esse mês chega amanhã ao fim.

Espera, vais voltar para o teu ex-noivo?

- Amanhã? - Sim. É esse o plano.

Patty, o que...?

Porque saíste comigo, então?

Essa é uma história longa e complicada.

Basicamente, ele queria ir com outras para a cama.

E foi. Agora que já lhe passou a cisma, ele percebeu o quanto me ama.

Agora que já lhe passou a cisma...

Não sei se tens noção disso, mas o teu ex é um cretino.

Pois, foi o que senti quando ele planeou tudo.

- Mesmo na hora certa. - Obrigado.

Espera, não te safas assim tão facilmente.

Responde à pergunta.

O que fazes num encontro comigo, nesse vestido,

quando amanhã vais voltar para o teu ex?

Bem, o acordo era

ambos termos uma experiência.

Sou eu?

Temo que sim.

Não me vais ajudar com isto, pois não?

Lamento, mas não alinho no plano porque... se os miúdos romperem,

é bem provável nunca mais te ver e...

Essa ideia não me agrada.

Pois, é essa a ideia, inteligência rara!

- É o que estamos a fazer. - Enfim, se não for mais nada,

este reencontrozinho após tanto tempo foi mesmo bom.

Sim, foi mesmo.

- Gostei de ver-te. - Gostei. E eu a ti.

Por favor!

Leio-te os pensamentos, Barry!

Mais uma vez, sim. E não. A resposta é não.

Mas pareces esquecer que também sempre li os teus pensamentos.

E neste momento, sei exatamente o que estás a pensar.

Céus!

- Pronto, que se lixe! - Que se lixe!

Pronto, sabes que mais? Isto é de loucos. É uma loucura.

- Os nossos filhos! - Eu sei, tens razão.

- Tenho uma pergunta. - Diz.

- O quarto é lá em cima? - Sim, o quarto é lá em cima.

Porque tinha a ideia romântica de carregar-te até lá como antes,

mas ando lixado das costas.

- Magoei-me no basquete e temo... - Está bem. Certo.

- Estou lixada da anca. - Isso equilibra a coisa.

- Estamos empatados. - O que achas?

Sobe antes que mude de ideias.

- Vamos. - Vai, vou atrás de ti.

A sério, acho que me farás chorar. Estou prestes a passar-me.

- Chorar? Porquê? Foi lindo. - Eu sei, mas...

Os rapazes não devem ser giros, engraçados e charmosos como tu.

E não devem conseguir dançar assim.

Então e tu?

Nunca conheci alguém tão doce e dura, e linda, e desagradável.

E com queira passar cada segundo.

Que raio? Não falámos sobre isto? Nada de pieguices.

Desculpa, não consigo evitar.

Fazes-me dizer o que achava que nunca diria.

Eu sei, é horrível. Espera, que tipo de coisas?

Não me obrigues a dizê-lo. Estou tão apaixonado por ti que o digo.

Acabaste de dizer-me que estás apaixonado por mim?

- Queres que repita? - Não.

Mas gostaria de aproveitar para te dizer...

... que também te amo. - A sério?

Sou tão louco por ti que to queria dizer desde que te conheci.

- Eu sei. Senti o mesmo. - E sabes o que é pior?

- O quê? - Senti borboletas.

Não! Estamos mesmo lixados!

Espero que isto sirva. Desculpa, não tenho mais nada.

- Obrigada. - Toma.

- Obrigada. - Um brinde a...

Um brinde a uma experiência?

- À nossa! - À nossa!

Não te importas mesmo? Não sentes que só te estou a usar?

Sim, não me importo. E, sim, sinto. Estás a usar-me.

Mas por ti estou disposto a fazer o sacrifício.

- Pronto. - O que foi?

Tens a certeza de que queres isto?

- Pareces... - Nervosa?

- Sim, e sem jeito. - Estou um pouco enferrujada.

- E aterrorizada. - Não vais vomitar de novo, pois não?

- É melhor ir buscar um balde? - Que engraçadinho! Não.

Eu... é que não estou habituada a isto.

Está bem.

Mas o problema é que...

A minha tia Molly, no Dia de Ação de Graças,

disse algo ao Terrence Joseph sobre enrolar-se com outras miúdas.

Ele achou boa ideia e eu disse que não.

Mas aqui estou eu e parece-me uma boa ideia.

- Mas é esquisito. Portanto... - Patty. Patty!

Não temos de fazer nada que não queiras fazer, está bem?

Escuta.

Gosto de ti desde o sétimo ano.

Podemos só sentar-nos aqui, falar e conviver.

Só fico feliz por estares aqui.

Que querido!

Mas não, vamos fazê-lo. Tira a camisola.

- A minha camisola? - Sim.

- Sim. - Está bem.

Isso ajuda.

Vou levar-te para o quarto.

Posso perguntar se tu e o Jack se conheciam bem?

- Quando trabalhávamos juntos? - Não muito.

Ele era treinador de futebol. Eu era treinador de ténis.

- Pois. - Não há muito em comum.

- Pois não. - E algum preconceito, se me recordo.

E para ser sincero, acho que ele não me achava muito fixe.

Isto só mostra o que ele sabia.

- Nada. - Nada. Estás a ver?

Sempre foi um maldito preconceituoso.

Quando ele teve o caso, obviamente, fiquei chateada com ele.

Mas ao longo dos anos, fiquei chateada comigo.

Porque foi que o perdoei e deixei ficar?

Para uns miúdos católicos como nós, o divórcio era um pecado.

Não há emenda para essa lei.

"O divórcio é aceitável, a menos que o teu marido te traia."

Pensando bem, foi nessa altura que devia ter deixado a Igreja.

Aí não teria tido problemas em atirar o traidor pela porta fora.

- Eu entendo bem isso. - Obrigada.

- Posso fazer uma confissão? - Céus!

- Não, não, não. - Lá vamos nós!

Sempre achei, antigamente, antes de tu e o Jack namorarem...

Quando chegaste à escola, sempre achei que podia haver algo entre nós.

Ai sim?

- Sim. - Eu também.

- E estragaste tudo. - Estraguei? Como assim?

Achava que havia ali um flirte entre nós.

Lembro-me do dia em que treinara a equipa de futebol.

Ia a caminho da estação de comboios e tu encostaste o carro.

Deste-me boleia e levaste-me para casa.

- Como no outro dia. - Lembro-me de estarmos no meu carro.

Falámos durante quase uma hora. Mas como é que estraguei tudo?

Dei-te tantos sinais, pus-me a flirtar

e dei a entender para avançares...

Fiz tudo o que sabia fazer, mas nada.

- Não tentaste beijar-me nem nada. - Acredita que eu bem queria.

- Querias? - Sim.

Não sabia dar o primeiro passo.

- Não era tão sedutor nessa altura. - Estou a ver.

- E agora? - Se sou sedutor ou se te quero beijar?

Sabemos que não és sedutor, portanto...

- A miúda não tem papas na língua. - Deixa-me facilitar-te a vida.

E esta vista do caraças?

Outro motivo por que prefiro viver deste lado do rio.

Tens demasiado orgulho nas tuas raízes em Brooklyn.

Não se pode ter orgulho a mais.

Sabes o que eu e os meus amigos dizíamos?

- Não, o quê? - Acordávamos a dar graças por ser daqui.

Sabes por que dei graças esta manhã?

Não! Já falámos sobre isto.

- Bem... - Vais dizer algo piegas, não vais?

- Apesar do nosso acordo. - Dei graças por te ter conhecido.

Tommy Mac, não é justo. Estávamos de acordo.

Se vais jogar sujo, posso fazer o mesmo.

Força, rebelde!

Lembras-te de ter dito que não queria namorado

e de tu teres aberto as comportas a toda esta conversa sobre amor?

- Eu vou ainda mais longe. - Sim?

Vou cometer uma loucura.

Aguentas uma loucura?

Se for contigo, posso ser o mais loco possível.

É louco o suficiente para ti?

Eu bem te incentivei.

Thomas Tanneli McKenna McMullen,

nunca quis um namorado, muito menos um marido,

mas nunca senti nada assim por ninguém na minha vida.

Portanto, que se lixe! Queres casar comigo?

Claro que sim.

Que tal tentares o dedo mindinho?

Pareço um mafioso antigo. Sinto-me o Henry Hill!

"Karen, porque foste fazer isso?

Karen, era todo o nosso dinheiro!"

- "Porque fizeste isso?" - "Desculpa, Henry!"

"Iam encontrá-lo de qualquer forma, Henry!"

- "Karen!" - "Desculpa, desculpa!"

- És engraçada. - Engraçada como?

Como um palhaço?

- Agora estamos em apuros. - Acho que estamos mesmo, amigo.

Escuta, desde que deixei de fumar, um geladinho após o sexo... Perfeição.

Não me ouvirás a queixar-me.

Deixa-me fumar depois e será a minha melhor noite em anos.

- És um homem fácil de agradar. - Ao contrário de ti.

O quê?

- Eu... Não demorei assim tanto. - Não me refiro a isso.

Não entendo uma coisa.

Como é que uma miúda linda e bem-sucedida como tu

vive sozinha neste belo casarão?

- Talvez seja uma escolha. - Será?

Sim, estou muito feliz com a minha vida.

Mesmo. Só não resolvi ainda outras cenas da vida.

- Que cenas? - Relações, casamentos... Isso.

Bem, também não sou pessoa para falar nessas áreas.

Mas e a tua filha? Está visto que fizeste um bom trabalho.

A miúda tem de ser muito esperta

para reconhecer o grande partido que é o meu filho.

Pois, foi a única coisa que fiz bem e estou muito orgulhosa dela.

E é por isso que, por mais agradável que isto tenha sido,

e isto foi... - Fantástico.

Foi fantástico. Não sei, acho que não sou fã da relação deles.

Acho que não temos de nos preocupar. Foram só uns encontros.

- É verdade. - O que é que pode acontecer?

Meu Deus! É a Karen.

Não queres bater à porta? Ela passa-se com isto.

- Olá, mamã. - Olá.

Toca à campainha como uma pessoa normal.

Se tocasse a esta hora, provavelmente, não a abririas, não é?

Mas se eu assobiar, sabes que sou eu.

Agora que sei que és tu, o que queres, querida?

- Temos novidades. - Que novidades?

Grandes novidades.

Umas que me obriguem a descer e abrir-vos a porta,

ou que possa ouvir daqui? - Não sei. Depende.

Achas que estarmos noivos é uma grande novidade?

- O que foram fazer?! - "Karen, porque fizeste isso?!"

- "Desculpa!" - "Porque fizeste isso, Karen?"

- De "Tudo Bons Rapazes". - Porque estão noivos?

- Porque estamos apaixonados. - Não é razão para um noivado.

- O que raio disseste? - Deixa-te estar aí e cala-te.

- Mãe, o que se passa? - Foi o gato.

Espera, o que se passa aí? Estás com alguém?

- Não. - Sim.

- Não. - Meu Deus! Estás mesmo.

- Quem é? - Para de mudar de assunto, querida.

- Quero falar contigo. - Sim, senhora.

- Tens a tua chave? - Sim.

Então porque assobiaste? Entra.

- Adeus. - Adeus.

- Estás bêbeda. Entra! - Pois estou!

Meu Deus! Que desgraça! O que havemos de fazer?

Não vejo qual é o problema.

Estão noivos, porra!

Se não estiveres capaz de lidar com eles, agora,

posso descer e falar com eles se quiseres.

- Afinal de contas, é o meu filho. - Não, deixa-te ficar aí caladinho.

Só para esclarecer, queres que fique aqui até eles irem embora?

Meu Deus! Deixa-te de brincadeiras. A sério!

Foi bom?

Tens a certeza?

Sim.

Devo admitir...

... que não fazia ideia que podia ser assim.

Sim, foi mesmo... espetacular, não?

Devo ir ouvir boquinhas dos vizinhos do outro lado da rua.

- Porquê? Fiz muito barulho? - Sim. Para.

Quanto barulho?

- Nem me apercebi. - Escusas de ficar com vergonha.

Mas não fiques admirada se amanhã te olharem de lado na Flatbush Avenue.

Sabes, eu...

Nunca tinha feito nada assim.

Por mais maravilhoso que tenha sido, não sei bem qual é o protocolo para...

- Acho que é melhor eu ir. - O quê? Não, não.

Não, Pa... Patty, não tens de ir.

Eu acho que devia.

Sabes, estou a sentir imensas coisas, principalmente, confusão

e uma dose saudável de culpa católica.

Devia resolver tudo isto.

Tudo bem. Bem...

Se acordares amanhã e decidires que o teu noivo é demasiado cretino

para lhe prometeres o resto da tua vida...

... liga-me porque adoraria voltar a sair contigo.

A sério?

- Tenho de ir. - Aí é a cozinha.

Pat...

Ainda aí estás.

Vou pelas escadas. Tenha uma boa noite!

Até te desejava o mesmo, mas, pelo que ouvi, já tiveste.

Nem fazes ideia.

Provaram ser irresponsáveis e impetuosos.

- E incríveis. - E irresistíveis.

E claramente imaturos. Qual é o vosso plano?

Não há um plano, ainda,

mas sabemos que queremos estar juntos para sempre.

Sabes, podiam ter feito um acordo ou uma promessa.

- Viver juntos. Não ficar noivos. - Lamento, mas é a minha vida.

- E estamos apaixonados. - Está bem.

Decerto que é um choque para a Nina, mas também é para nós os dois.

Nenhum de nós queria uma relação,

mas ambos levámos com o sentimento mais incrível

ao mesmo tempo e, depois disso, nós...

... olhámos um para o outro e soubemos que era algo extraordinário.

- Malta, sabem que nome se dá a isso? - Qual?

Orgasmo simultâneo.

E só significa que sentem tesão um pelo outro.

São dois jovens bem-parecidos

que, obviamente, passaram um bom bocado na cama.

Tenho uma novidade! Isso vai passar.

Acima de tudo, lá porque vocês, jovens,

fizeram sexo incrível, isso não significa que se casem!

Por amor da Santa!

Cresçam.

- Bela camisola, mãe. - Obrigada.

Pareces um presente de Natal.

Podemos esperar que ela aceite,

mas ver as coisas pelos olhos de outra pessoa,

nomeadamente pelos meus, não é propriamente o forte dela.

Espera lá.

Conheço este vinho.

O que raio acabaste de fazer?

Sim, foi divertido. E abriu-me os olhos.

Não, mas isso não és tu. Não és... esse tipo de rapariga.

É a paga por dares ouvidos à tua tia louca por sexo.

Patty, és tu?

- Vou deitar-me. - Espera lá.

Fiquei à tua espera. Conta-me tudo.

Meu Deus! Olha para ti! O vestido e os sapatos.

- Eu sabia. - Sim?

Também sabias que estragarias o plano para a minha vida

quando disseste ao Terrence Joseph que precisava de mais experiências sexuais?

Também sabias que o teu conselho de me enrolar com outro

iria confundir-me toda,

pois acabei de ter uma das melhores experiências que alguma vez tive?

E amanhã devo voltar para o Terrence Joseph?

- Também sabias isso tudo? - Espera.

Volta à parte do meio, da experiência incrível. Conta-me.

Não! Nunca mais te conto nada.

Não quero mais conselhos, mais vestidos, nada.

Só quero que as coisas voltem a ser como eram.

Desculpa, Patty, querida.

Vais agradecer-me um dia. Confia em mim.

Mas que bênção!

De volta ao antigo bairro, ao antigo quarteirão.

À tua casa de infância.

Há quem diga que isto é andar para trás,

mas acho que vai ser o começo de um grande capítulo.

Quem diz que não se pode voltar para casa?

- Pai, estás aqui em cima? - Sim, no quarto.

- És um grande cretino, sabias? - O quê?

- Um grande cretino. - O que se passa? O que fiz agora?

A sério? Enrolaste-te com a mãe da Karen, ontem à noite.

Não o negues porque ela tinha o mesmo vinho que o tio me pediu para trazer.

Isso não prova nada. Talvez goste das mesmas coisas.

- Ela sempre teve bom gosto. - Ela contou à Karen esta manhã.

- Contou-lhe tudo. - Credo, a sério?

Pronto, sou culpado, mas não sei qual é o mal.

Conheci-a muito antes de conheceres a Karen.

Mas que conversa é esta? Estamos no quinto ano?

O que queres que diga? Há atração entre nós. Sempre houve.

Imaginar-te no quarto dela quando fomos lá ontem

é tão doentio e demente que nem consigo fazê-lo.

Amigo, para minha defesa, foi antes do vosso noivado, está bem?

Se soubesse que é tão sério para ti, nunca o teria feito.

Que dizes? Sabias que era sério. Foste tu que me perguntaste.

- E disse-te para ficares longe dela. - Espera, quem está noivo?

- Ele. - Estás noivo?

- Céus! - Quando foi isso?

Ontem à noite, está bem? Mas foi ela que me pediu.

Essa é boa. O tipo que nunca teve uma relação,

não acredita no amor e fala sempre mal do casamento

é quem está noivo.

Continuas a dizer que não tens inveja de mim?

Desculpa, o que tem o meu noivado que ver contigo?

Tudo. E só prova de que tens de ser sempre o centro das atenções.

Não suportaste que o meu casamento ocupasse a família o resto do ano.

Desculpa, mas de que casamento estás a falar ao certo?

Se bem me lembro, tu e o Sr. Sem Compromisso,

o Sr. Quero Outra Queca, acabou contigo há semanas.

Boa.

Isso foi muito feio e fico triste por ter assistido.

Vais ter de pedir desculpa à tua irmã.

E eu tenho de pedir desculpa a ti.

Peço imensa desculpa, Tommy.

Prometo que te dou a minha palavra de que nunca mais a verei.

Dito isso, tenho de ir lá agora porque me esqueci da minha carteira.

- Deixaste a tua carteira lá? - Acontece.

Bem, pai, saíste-me cá uma peça. Só vou dizer uma coisa.

Quero recordar-te de algo que o tio Pat gosta de dizer.

Deus põe-nos sempre à prova. E tu, pai, estás a falhar.

E de que maneira.

Descobriste a religião, foi?

Inacreditável!

Deixas o Patrick ficar um mês aqui e o que faz ele?

Transforma-te o filho num beato.

Como é a expressão? Nenhuma boa ação fica impune.

Talvez tenhas de assumir parte da culpa.

Gostas mesmo da Nina, não é? Sempre gostaste.

Até pensaste que poderia ser a tal, mas... se o miúdo está contra,

tens de afastar-te, não é?

É isso que vais fazer. Vai lá dizer que está tudo acabado.

"Barry, saí de casa. Agradeço a tua hospitalidade,

"embora seria negligente chamar-lhe isso.

"Vês o que acontece quando te focas sempre em ti?

"Acabas novamente a lavar a tua própria roupa.

Manda beijinhos aos miúdos."

A noite passada abriu-me os olhos.

Não, não. Não estou a falar de nós. Estou a falar da Karen.

- Acho que tens razão. - Pois tenho.

Não me posso meter. É a vida dela.

- É a vida dela. - Eu sei.

A dada altura, temos de abdicar do controlo e deixá-los ir.

Eu sei, mas não gosto. É de partir o coração quando crescem.

- Não é? - Pois, porque é:

"Quem somos nós, se já não somos pais?"

Sinceramente, nem sei o que fazer comigo.

Se não cuido da Karen, o que é que faço?

Pois, mas eu ainda não estou nessa fase.

- Os meus voltaram para casa. - Estou com inveja de ti.

Oxalá a Karen quisesse viver comigo, mas estou aqui sozinha.

Estou nesta casa enorme... só eu.

Sozinha neste casarão vazio.

- Tive uma ideia. - Não.

Oxalá houvesse algo que pudesse fazer para te facilitar isso.

Não fazemos isso de novo. Foi coisa de uma vez.

Na verdade, para ser precisa, foi uma despedida em grande.

Bem, foi boa. E vais ficar admirada por concordar contigo.

Estive a pensar.

Para bem dos miúdos, temos de acabar com as nossas brincadeiras.

Devias ter ouvido como o Tommy estava fulo comigo esta manhã.

Não quero arriscar.

Se a coisa entre os dois der certo, nós os dois vamos ver-nos muito mais.

- E temos de controlar-nos. - Certo.

Não fico chateada.

- Será preciso muita disciplina minha. - Estou num vestido tigresa.

Estás a dar cabo de mim.

Escuta, vou ser direto. Temos de cancelar isto.

É demasiado em tão pouco tempo. E é uma loucura.

- E há a cena dos nossos pais. - É demasiado complicado.

- Graças a Deus! Sinto o mesmo. - A sério?

Mas que grande alívio!

- Seria demasiado pedir o meu anel? - Não, claro.

Obrigada.

Estás triste?

Não. Para ser sincero, estou sobretudo aliviado.

- Também eu. - Sim?

Mas ainda podemos namorar ou estar juntos, certo?

Não temos de estar noivos para isso. Podemos ser um casal menos sério.

Não, claro.

Primeiro, nem está na nossa natureza. Não é a nossa cena, ter algo sério.

Segundo, gosto imenso de ti.

Quer dizer, eu amo-te.

Mas não estou pronto para a parte de "até que a morte nos separe".

Sem dúvida. Completamente.

O que se passa? Não está cá ninguém?

- Estou aqui! - Pats, o que estás a fazer?

Vamos a meio do dia. Que fazes de pijama?

Estou deprimida. É o que faço quando estou assim.

Deixa-me em paz. Não fizeste já que chegue?

Não entendo. Porque tenho culpa de tudo o que acontece aqui?

- Talvez porque tenhas. - Pronto, eu deixo-te em paz.

Inacreditável.

Estou? Em que posso ser útil, jovem?

Sim, sim. A sério?

Tudo bem. Sim, o teu segredo está seguro comigo.

Prometo que não lhe direi uma única palavra.

- Quem era? - Não vais acreditar.

- Era o nosso rapaz TJ. - O que disse ele?

As notícias não são boas. Ligou-me a pedir a minha bênção.

- Quer fazer outro pedido. - Foi isso que disseste que não dirias?

Achei que quererias ter essa informação, dado o mês que tiveste.

Odiaria ver-te apanhada de surpresa.

Pois, tens razão. E ele disse quando o faria?

Sim, ele disse que está a chegar.

Está a chegar...

- Sim, diria que isto é ele. - Pois. Nem tomei um duche.

Já vou!

Pats, escuta. Não tens de dizer sim.

Ligou-me a pedir a bênção, mas não lha dei.

- Podes ter isso em conta? - Já chega!

- Que fazes aqui? - Estava no trabalho

e percebi o que quero do meu futuro, do nosso futuro.

E é por isso que tinha de te ver.

Oh, não!

- Levanta-te. - Não, não faz mal.

- Por favor, levanta-te. - O que foi?

Não sei se devíamos voltar já ao noivado.

É por ter dormido com aquela rapariga, não é?

- Não devia ter-te dito. - Mais ou menos.

Mas não só. Sabes, também dormi com alguém.

E isso deixou-me muito confusa.

Acho que ambos iríamos beneficiar de mais tempo afastados.

Pronto, espera lá.

- Foste para a cama com alguém? - Sim.

Porquê? Porquê?

- Não achei que quisesses. - Parece que também estava curiosa.

Credo!

Não estava à espera disso, mas era isso mesmo que devias fazer.

- São notícias boas. - São?

Sim, precisávamos duma oportunidade de vivermos as loucuras.

É como a tia Molly disse. Era disto que precisávamos.

Pois, mas o problema é que, aberta a porta, como é que a fechamos?

É como o génio na lâmpada.

Não dá para voltar atrás. Não dá para desfazer isso.

Não sei se estou a entender.

Bem, ambos tivemos uma amostra do que existe por aí.

Talvez, por isso mesmo, os nossos gostos possam mudar.

Espera, estás a dizer que gostas do tipo com quem dormiste?

Não sei. Talvez.

Mas sei que ainda não estou pronta para dizer sim para sempre.

Porra!

- Sou um grande otário. - De certa forma.

Desculpa.

Sei que, na teoria, és ótimo para mim

e que tens o currículo perfeito para a vida que sempre imaginei, mas...

... acho que está na hora de viver com o coração e não com a cabeça.

Na verdade, nem é o meu coração que tenho de escutar.

É um outro... impulso.

Tenho de ir.

Aonde? Patty, então?

Patty!

Olá, o Sam está?

Vejam só quem ela é.

A miúda de sonho que uiva para a lua.

- É bom voltar a ver-te. - Então é esta?

- É por esta que ele anda doido? - Sininhos, deixa-me perguntar-te algo.

- Achas bem usar o nosso irmão assim? - Não sabias do que ele sentia?

Não sabias que ele tem um fraquinho por ti?

- Um fraquinho? - Um fraquinho.

Há 15 anos que tem esse fraquinho. 15 anos e ela vai e usa-o para sexo.

Como se fosse um naco de carne.

- Calma. Olá. - Olá.

- O que fazes aqui? - Esperava que pudéssemos falar.

Sim. Sim, claro.

Eis as estarolas, as minhas irmãs. Cathy, Carla, Christine.

- Meninas, é a Patty McMullen. - Sim, já nos conhecemos.

Eras tu, não eras?

Obrigado.

Vamos falar lá para fora.

Vamos falar lá para fora, bem longe daqui.

- Digam adeus. - Adeus.

São um pouco protetoras e um tanto maradas.

- Pois. - Então, o que se passa?

Acabei o meu noivado. Ou não voltei a ficar noiva.

Seja como for, acabámos. Acabou-se. E é um grande passo para mim

porque, pela primeira vez, não sei o que farei a seguir.

Não sabes isto sobre mim, mas gosto de planear.

Tinha a vida toda planeada desde miudinha.

Muitos objetivos e muitas listas de tarefas,

coisas a fazer até uma certa idade, mas decidi não fazer mais isso.

Decidi viver a minha vida e mandar a prudência às urtigas.

E deixar-me levar por ela...

E neste momento ela leva-me até ti.

Nem imaginas como isso me deixa feliz.

- Já te posso beijar? - Vem cá.

UM ANO DEPOIS

Posso só dizer que estou feliz por já não organizar o Dia de Ação de Graças?

Patrick, é uma ótima tradição nova.

Podemos todos vir a casa a Long Island e tu cozinhas para todos.

Apoio isso porque é um prazer para mim.

Quero dizer uma oração antes de comermos.

Não exageremos, Patrick.

Lembra-te que o Dia de Ação de Graças não é um feriado religioso.

E estamos a morrer à fome.

Jesus morreu crucificado por ti, Barry. Sobretudo por ti.

- Achas que lhe podes dar 30 segundos? - Não lhe ligues, tio Pat.

- Demora o tempo que precisares. - Obrigado.

Esta era a bênção preferida da nossa mãe.

- Podemos dar todos as mãos? - É mesmo necessário?

- Eu dou. - Tem de ser.

- Eu dou. - Obrigado, Molly.

Que o amor e o riso iluminem os vossos dias

e aqueçam o vosso coração e lar,

que tenham amigos bons e fiéis, aonde quer que a vida vos possa levar;

que a paz e a abundância abençoem o vosso mundo

com uma alegria duradoura, e que todas as estações

vos tragam o melhor a vocês e aos vossos. Ámen.

- Ámen. - Foi lindo.

Posso só dizer que a minha mãe, a tua avó, costumava dizer

que a gratidão não é apenas as bênçãos que temos.

- Mas o que fazemos com elas. - Exatamente.

- E eu diria que isto é uma bênção. - Sim.

- Em condições. - Muito bem.

Malta, então? Deixem espaço para Jesus.

Mais alguém tem um brinde ou uma bênção da sua mãe?

A minha avó costumava dizer que ter um sítio para voltar é um lar,

que ter alguém para amar é família e que ter as duas coisas é uma bênção.

Ela dizia-o em ídiche, portanto, soava melhor.

Vá, Walter. Todo o sangue novo está a fazer um brinde.

- Vejamos do que és capaz. - Está bem.

Seguindo a temática das bênçãos e gratidão,

posso só dizer que quando Deus nos dá uma segunda oportunidade,

devemos dar-lhe valor, e eu dou.

Adoraria falar, se não se importar, Sr. McMullen.

Sr. McMullen! Adoro este miúdo. Força, Sam!

Que traduzido é: "Um homem nunca pode brilhar

sem a sua família à mesa."

Pronto, gostaria de fazer um brinde.

Queria desejar um feliz Dia de Ação de Graças.

- Feliz Dia de Ação de Graças. - Sou grata por todos a esta mesa.

Em segundo lugar, sabem, as famílias não são perfeitas.

E esta não é uma exceção.

Mas acho que estamos a fazer um bom trabalho.

Por favor, ergam os copos à família McMullen!

- À família McMullen! - Saúde! Lindo!

À nossa, pessoal!

- L'chaim! - À nossa!

Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.