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Legendado por Cabine de Projeção
Quando a guerra começou em 7 de outubro,
eu viajava pelo mundo
apresentando meu último filme,
que é sobre uma guerra que vivi
na minha adolescência no Irã.
Quanto mais o tempo passava, mais a imagem das vítimas palestinas
se tornava insuportável para mim.
Decidi ir ao Cairo para cruzar por Rafah,
mas não consegui.
Todas as estradas para Gaza estavam bloqueadas.
E não consegui entrar.
Então, decidi filmar refugiados palestinos vindos de Gaza.
Um deles me apresentou a Fatem.
Conhecê-la foi como ver meu próprio reflexo..
Percebi o quanto nossas duas vidas
foram afetadas por muros e guerras.
Tentamos enviar pedaços de som e pixels
pelas ondas de um oceano de desconexão.
Cada conversa poderia ser a última.
Já que as bombas israelenses
caem por toda Gaza, o tempo todo.
Então, cada vez que nos conectamos e consigo ver seu rosto,
é como um milagre.
14 DE ABRIL DE 2024
É sua filha?
Não, é minha amiga.
Espere, vou virar a câmera.
Oi, qual é o seu nome?
Olá, minha querida.
- Tudo bem? - Sou Sahar, a colorida.
Eu sou Sepideh.
- Sepideh? - Sim.
Ainda consigo vê-la. Habibti...
Tudo bem, tudo bem.
- Eu sou a Fatem. - Sim, eu sei.
Ahmad me falou de você.
Sou uma cineasta independente.
De documentário e ficção.
Diferentes tipos de filmes, e eu...
Eu sou...
Sou iraniana e moro na França.
Vim ao Cairo para
encontrar Ahmad e sua família.
E outros palestinos que chegaram ao Cairo.
Eu queria ir para Rafah, mas é impossível passar.
Estamos presos aqui.
- Meu inglês não é ótimo... - Está muito bom.
- Onde você está? - No norte de Gaza.
Você vive sozinha ou com sua família?
Com minha família. Somos dez pessoas.
Vivemos em um cômodo.
E dormimos em um cômodo.
A casa de vocês foi destruída?
Não, mas está...
Está parcialmente destruída, não totalmente.
Mas vocês saíram por causa do perigo?
Tivemos que sair de casa porque não era seguro.
Mas onde vocês estão agora é mais seguro?
- O quê? - Onde vocês estão, é melhor?
Um pouco melhor, mas nenhum lugar em Gaza é seguro.
E estou aqui, na casa da minha amiga para...
Para ter uma boa conexão de internet.
Porque em nossa casa não há sinal nenhum!
Nós acordamos cedo.
E ficamos esperando a água chegar.
Porque aqui não há água. Em lugar nenhum!
Não há eletricidade em casa, nem...
O que vocês comem?
- A comida... - Ah, o que comemos?
Até um mês atrás,
basicamente, só comíamos
ração para animais.
Não havia farinha.
Nem pão, nem legumes, nem frutas.
Nem chocolate.
Sei que chocolate é um luxo.
Mas ainda assim é importante.
Eu estava perguntando... os ataques, as bombas israelenses,
são o tempo todo?
Ou há momentos de calmaria?
Ontem, em Beit Lahia,
bombardearam o dia inteiro, e as bombas causaram
explosões enormes. Uma explosão...
aconteceu bem na minha frente. E eu vejo aquele lugar
e todo o chão...
Como se diz?
Tremeu... diante dos meus olhos.
Eu vi aquilo, e o ar estava todo...
Foi uma explosão imensa.
O que significa ser palestino em Gaza, hoje?
- Tenho orgulho. - Orgulho?
Tenho orgulho. Me sinto especial.
Porque somos fortes e corajosos
e somos um povo importante no mundo.
Estamos acostumados a ser
assim desde a infância.
Não importa o que sofremos, nem se eles nos destroem,
ou mesmo se nos matam, nós vamos...
rir e viver nossa vida, quer eles queiram ou não.
Eles não podem nos derrotar.
- Você acredita nisso? - Sim, claro!
- A coisa mais forte, sabe... - O quê?
É que não temos nada a perder!
- Nada? - Não temos nada a perder.
Então, todo dia eu digo a mim mesma...
Esta é a sua vida, Fatem. Viva!
Você já viajou para fora de Gaza?
Ah... é o meu sonho, minha fantasia.
Nunca saí da minha Gaza.
Mas eu sonho...
em poder sair.
E uma das cidades que quero visitar é Teerã.
- O quê? - Eu não posso voltar ao Irã.
- E por quê? - Por razões políticas.
Porque se eu for, serei presa.
Mas espero... que um dia você possa ir a Teerã.
Isso me faz...
Tenho fé e acredito
com certeza...
que tudo está nas mãos de Deus.
Acha que este sofrimento tem um propósito?
Este sofrimento?
- Sim, Alá tem... - Por quê?
Leish? Por quê?
Alá nos diz no Alcorão,
que tudo o que acontece nesta terra
tem um propósito, uma razão de ser.
Nada acontece sem motivo.
Eu gostaria de concordar com você. Mas não concordo.
Eu tenho uma...
Eu tenho experiência com isso.
- Quantos anos você tem? - 24 anos.
24... Você é muito jovem!
Como minha filha. Ela tem sua idade.
- Ela tem 24 anos. - Você é como minha mãe!
- Eu sou fotógrafa. - Sim, eu vi seus registros.
Vou te mostrar uma foto que tirei há uma hora.
- Só um momento. - Sim.
Está muito claro.
Só um momento.
Há um mês, ou talvez três semanas,
saí pelas ruas
e comecei a andar.
Nos lugares que foram destruídos,
e fiquei...
muito chocada e...
impactada com o que vi.
E depois percebi
que os sons que eu tinha ouvido
nos últimos seis meses...
Eram isso! Esta destruição.
Eram estes prédios
que tinham sido bombardeados
pela ocupação israelense.
E percebi tudo o que tinha ouvido.
E também tenho uma gravação
de um bombardeio
que posso compartilhar com você.
GUARDE O CORAÇÃO NA PALMA DA MÃO E CAMINHE
Espere...
Oh, olá...
Como vai? Que bom te ver!
- Diga-me... - Minha conexão está...
- Minha conexão funciona? - Bem...
Estou no 6º andar e...
Este é o meu bairro.
Consegue ver? É uma destruição terrível.
Sim, eu vejo os prédios destruídos.
Este é o meu bairro.
- É Al-Tuffah. - Ah, Al-Tuffah, sim...
Sim, no nordeste de Gaza.
- O quê? - O mesmo bairro do Ahmad?
Ah sim, o Ahmad mora lá.
Disse que bombardearam a casa do seu vizinho ontem?
Sim, e duas...
duas pessoas foram mortas.
- Horrível! - É normal.
Sabe, o normal... Essa questão da normalidade...
É estranho para mim. Estou de volta a Paris.
E quando falo com você...
o que é normal para você é tão não normal.
É anormal... é terrível.
Me sinto estranha quando você fala isso com sorrindo.
Eu te entendo, porque quando você
vive a situação que eu vivo...
Espero que nunca viva isso.
Se você passar por tudo o que passamos...
A gente se acostuma, mas nunca se conforma.
Não nos acostumamos a massacres,
a bombas e a este sofrimento.
Nós sabemos como continuar vivendo.
- Consegue me entender? - Sim.
Nos acostumamos, mas nunca nos conformamos.
- Entende? - Acho que entendi...
Que vocês não se conformam, mas tentam viver.
- Mesmo durante a guerra. - Sim, é isso.
É isso que eu queria dizer.
Não consigo descrever o que passamos.
Vivemos uma vida muito simples.
E até isso eles querem nos tirar. Por quê?
Eu tenho 24 anos.
E não posso viver nada.
E não tenho nada do que eu gostaria de ter.
Porque toda vez que você atinge seu objetivo...
há um muro. Eles colocam um muro
na sua frente. Então você chega, sem nunca chegar.
Você o alcança, sem nunca atingir seu objetivo.
Por causa das fronteiras e...
por causa desta ocupação.
Tudo bem... Continue, estou te esperando.
Você vai sofrer comigo agora.
- Por causa da internet. Mas tudo bem. - Sim, tudo bem.
Eu falava sobre o fato de termos uma vida tão simples.
E que eles nos tiram até mesmo esta vida...
A conexão aqui é muito ruim, e eu preciso
voltar para casa, porque está tarde.
Conversamos amanhã, se você tiver tempo.
Fico muito feliz em te ver de novo!
Testemunhas filmaram a explosão de uma bomba num bairro residencial.
Segundo o governo, houve pelo menos 48 mortos em Gaza desde ontem.
Isso eleva o número total de vítimas a mais de 34.000 pessoas.
Incluindo mais de 14.500 crianças.
01 DE MAIO DE 2024
- Como vai você? - Estou bem. E você?
Eu também. Feliz em te ver de novo.
- Ahlan, minha amiga. - Ahlan, minha querida.
- Que horas são? 15:30? - Sim, 15:30.
- Estamos no mesmo fuso. - Uma hora de diferença.
Estou na casa da minha amiga.
Para ter uma boa conexão e falar com você.
Como você consegue recarregar...
seu celular e seu computador? Você disse que não tem luz em casa.
Eu os carrego aqui. Está vendo?
Até dois meses atrás, não podíamos sair de casa
ou fazer longas caminhadas.
Porque havia "ghannas". Um momento...
- Porque havia "sneepers". - Snipers...
Por toda parte!
Ficávamos em casa.
E não podíamos sair.
Porque se eles nos vissem, nos matariam.
E você não tem medo?
- Medo de quê? - Bem...
Da guerra, dos massacres...
Nada me assusta.
Você pode mostrar a câmera lá fora, para eu ver?
Só um instante.
Esta é a casa do primo da minha amiga.
Eles a bombardearam há um mês.
Mataram a família inteira. A família inteira!
Sim, está vendo pela janela? É a casa bem em frente.
Você perdeu alguém na guerra?
- Da sua família? - Sim, 11, não, 13.
Você perdeu 13 pessoas?
Sim, pessoas muito queridas.
Minha avó, meu tio
e meu... são muitos...
- Pessoas muito queridas para mim. - Sinto muito mesmo.
- Não tem problema. - Claro que tem!
Quem mais você perdeu? Pode me dizer os nomes deles?
Meu tio Saadi.
Sua filha Sojoud, e seu filho Zeid.
Sua esposa Bassima.
E minha avó, que também se chama Fatma.
E seus netos.
Doa'a, Basseema... e Bassma.
Depois Mohammed e Saadi.
E Hassan. Ele tinha acabado de fazer um ano.
Apenas um ano!
Eu acho que...
se esta ocupação acabar, todos os conflitos no mundo cessarão.
Não só na Palestina. Tenho certeza...
que se a guerra acabar na Palestina,
a guerra acabará em todo lugar.
Não tenho certeza disso, mas quero acreditar em você.
- Quero acreditar em você! - Tente...
Estou tentando...
- Você reza às vezes? - Sim!
- Sério? - Sou muçulmana.
- E pelo que você reza? - Eu rezo pela paz.
E para que esta guerra acabe, e...
E esta ocupação também.
Sou bastante cética, sabe...
Eu não acredito, mas...
É interessante, suponho que torna
as coisas mais fáceis para você, acreditar em algo.
Se apegar a isso.
Eu perguntaria a Deus por que Ele permitiu esta guerra para vocês.
Se eu fosse você, eu perguntaria.
Eu sinto e entendo essas palavras.
Espere, preciso abrir a porta para o meu gato.
- Só um instante. - Ok.
Adoro gatos.
Senhorita Narenj! Entre...
Venha...
Você disse que ia ler um de seus poemas...
Ah, sim...
- Tem algum aí com você? - Espere.
"O homem que carregava seus olhos"
Não tenho um currículo
para decifrar dois olhos misteriosos e crer.
Não tenho uma história única, clara
em que um estranho acreditaria, e a faria sua.
Não tenho traços físicos perfeitos
para me arrancar desta gravidade.
E eu creio.
Talvez eu comece minha morte agora mesmo,
antes que o homem à minha frente afie seu fuzil cortante.
E que ele termine... E que eu termine.
Silêncio.
Você é um peixe?
Não respondi quando o mar me interrogou.
E não soube de onde vieram estes corvos
que caíram sobre minha carne.
Teria sido razoável, se eu tivesse dito sim,
que estes corvos, apesar de tudo, atacassem um peixe?
Eu atravessei sem atravessar.
Minha morte me atravessou, a bala do atirador me atravessou,
e me tornei um anjo.
Aos olhos de uma cidade:
imenso, maior que meus sonhos,
maior que esta cidade.
Tornei-me um poeta santo.
Para uma floresta.
Um eremita
tomando um cipreste por oferenda.
Um inferno laranja para um fuzil,
e outro universo, eu era
e fui transformada.
E me tornei, do ponto de vista de Deus,
Mas, no fim, sou um peixe.
Foi assim que o atirador me viu.
E era o que eu procurava
no rosto do homem que carregava meus olhos.
E o que não encontrei
ao apalpar minhas guelras.
E confesso: eu menti
quando disse que a morte era feia.
A morte é deliciosa,
O Hamas recebeu o acordo há 4 dias.
E esperávamos sua resposta ontem.
Mas agora, a resposta pode levar mais um ou dois dias para chegar.
Parece que Yahya Sinwar, o líder do Hamas,
questiona alguns pontos do acordo e pode propor mudanças.
Não está claro no momento. Mas o que sabemos
é que as exigências de cada parte são diretamente opostas.
O Hamas disse que não há cessar-fogo sem o fim da violência,
ou seja, o fim da guerra.
Ponto não negociável.
E o primeiro-ministro israelense diz que não haverá fim para a guerra.
E que invadirão Rafah de qualquer forma.
Então parece que as exigências das duas partes
são quase impossíveis de conciliar.
7 DE MAIO DE 2024
- Oi. - Oi, querida. Você parece bem!
- Como vai? - Tudo bem. Estou com você.
Sabe, são 6 horas a menos no Canadá.
Não, 7 horas.
- Você está na França ou no Canadá? - Estou no Canadá.
Mostrei meu filme ontem, e tem outra sessão hoje à noite.
Foi muito bom. Eu falei sobre...
Durante a apresentação, eu falei sobre...
os artistas iranianos e as pessoas que lutam no Irã.
Daquele que foi condenado à morte.
E também falei da Palestina, e o público ficou muito comovido.
- Isso não ajuda vocês, mas... - É muito gentil da sua parte.
É a primeira vez que vejo seus olhos. Porque você não está de óculos.
São castanhos, não é?
- São verdes. - Ah, verdes! Então é isso.
Quem é? Estou vendo alguém ali.
- É meu irmão. - Olá...
- Ele é muito tímido. - Como ele se chama?
- Muhannad. - Muhannad? Ok.
Como vai?
Vou bem, obrigado.
Ele tem vinte anos.
Os aviões já foram?
Não os ouço mais.
O som está mais distante, mas eles ainda estão aqui.
Eles não foram embora.
Estão aqui 24 horas por dia, 7 dias por semana.
Sobre o cessar-fogo, foi realmente...
É uma situação desesperadora.
Eu também acreditei. Todos estavam tão animados.
Nós também. Estávamos nos telhados para celebrar.
A cidade inteira estava celebrando. Todos estavam gritando!
- Estávamos tão felizes! - Sim.
E também essa coisa em Rafah, eles jogaram panfletos de aviões.
Dizendo às pessoas em Rafah para saírem e irem para Khan Younes.
- Eles fizeram isso? - Chama-se "manasheer",
que significa "papel".
Para nos ordenar que deixemos nossas casas.
Para depois bombardeá-las. É muito...
É realmente idiota!
Este prédio... É de...
- Consegue ver? - Sim.
Foi atingido no térreo.
Então, isso vai cair.
Ninguém mora aqui, nem aqui, nem ali.
Não há ninguém.
Só há duas famílias além da nossa.
É um...
- O quê? - A moça...
- Estou falando! - Quero vê-la.
O quê?
O quê? O que ele quer?
É a primeira vez que ele vê uma mulher como você.
Uma mulher estrangeira.
Diga a ele que sou uma amiga.
Sou sua amiga.
Minha internet...
Minha conexão está muito fraca.
O problema de conexão, temos o mesmo no Irã.
A internet. Não consigo falar com minha mãe.
Porque não há conexão. O regime faz a mesma coisa.
Eles cortam a internet no Irã.
Os iranianos de fora e de dentro, como minha mãe e eu,
não nos falamos.
Só podemos enviar SMS. É a mesma coisa.
Você não consegue falar com ela ou ouvir sua voz?
É muito complicado, se você não tiver um VPN.
Não funciona. E minha mãe não tem.
Não te ouvi. A ligação cortou.
Eu disse que sonhava
em estudar fora de Gaza. Fotografia e iluminação.
Porque sinto que não consigo alcançar o mundo fora de Gaza.
Mas tenho certeza de que ele está lá.
O mundo fora de Gaza. Porque estamos numa caixa.
Só vemos esta caixa!
Mas não podemos saber o que acontece no resto do mundo.
Ou mesmo em outros lugares, fora de Gaza.
Sim, eu sei... O que dizer...
Esta guerra tem que acabar, e vamos te tirar de Gaza.
Escute... tome cuidado. E me envie as imagens quando puder.
E nos falamos amanhã, quando puder...
- Eu farei isso. - Ânimo!
O exército está entrando em Rafah.
Eles estão
atravessando Rafah.
Não sei como
vamos continuar a viver.
O que está acontecendo é muito duro. Muito duro.
Não sei se isso vai acabar um dia.
Nem quando...
...tudo isso vai passar.
Estou tão cansada.
Por causa de tudo o que acontece,
Me sinto muito...
vazia e eu...
sinto a tragédia...
"hashouaia" ya'ni. É um círculo vicioso.
Não tenho certeza se é o termo certo.
Eu esperava que o cessar-fogo
fosse durar, por algumas horas.
Mas não deu certo.
Deu errado ontem.
Eles nos disseram que não tinha funcionado.
Mas eu espero que Israel
responda a nós ou ao Hamas,
e aceite o cessar-fogo.
Se tudo está bem? Não sei. Nada está bem.
A minha amiga que...
Aquele que eu vou para a casa dela
me conectar à internet...
O vizinho dela foi bombardeado esta manhã.
Às 5 da manhã...
E eles foram mortos, ele, seu filho e sua filha.
Eu... acho que a guerra recomeçou.
Israel ameaça continuar esta operação em Rafah...
...se os reféns não forem libertados.
Após um otimismo inicial, ainda não há acordo.
A delegação israelense está no Cairo para negociar.
Segundo o Hamas, é a última chance de libertar os reféns.
Na Sorbonne, a polícia encerrou uma ocupação...
9 DE MAIO DE 2024
Olá a vocês.
É o meu pai.
- Muito prazer. - Ele pergunta a você...
quando esta guerra vai acabar?
O quê? Quando esta guerra vai acabar?
Todo mundo pergunta isso.
Estamos lidando com loucos.
Eles são "majnoun"!
Eu não sei. Acho que acabará se...
se os americanos finalmente decidirem
não apoiar Israel. Eu acho. Não sei.
- É meu irmão. - Oi.
- Como vai? - Bem, obrigado.
Que idade ele tem?
Ele tem... quinze anos.
- O que ele faz durante o dia? - Ele...
Ele busca água e cata lenha.
Para fazermos fogo e cozinhar, para sobreviver.
E seu irmão mais velho, o segundo, quero dizer...
- Ele faz o mesmo. - Eles fazem a mesma coisa?
Vi em algumas imagens que estão lançando bombas de fósforo.
Gaza está coberta de fósforo.
Você já foi exposta a uma bomba de fósforo?
Eu vi o fósforo quando era...
Eu era bem mais jovem na época. Quando bombardearam Jabaliya.
Quando eles...
quando o lançaram sobre Jabaliya, e eu vi
com meus próprios olhos. Eu não vou...
Eu nunca esquecerei isso.
Sair de Gaza... Você não quer sair de Gaza?
Não, eu não quero. Eu...
Quero viajar pelo mundo, mas...
no fim, voltar para Gaza.
Sim...
- Entende o que quero dizer? - Sim.
Sim, eu entendo. Estou pensando nas suas palavras.
Em um certo momento...
Há quarenta anos. Faz muito tempo.
Decidi deixar meu país.
Quando tomei essa decisão, eu tinha 18 anos.
Não podia estudar, nem fazer mais nada. E decidi partir.
E agora, quando olho para trás, lembro de ter pensado
que voltaria para casa em seis meses ou um ano.
Mas não foi assim. Quando você parte...
sua vida muda.
- Nada é como antes. - Sim, porque você sente...
Não ouvi, "você sente..." O que você disse?
Repita...
Esqueci o que estava dizendo.
Está muito caótico na sua cabeça agora?
Sim... sim.
- Preocupações? - Eu sinto...
que minha cabeça está cheia de...
ideias, palavras e... murmúrios.
Sonhei com meu avô
e com meu tio que foram mortos.
Sonhei com eles.
Eles me esperavam na frente da minha escola.
Peguei a mão da minha avó e ela...
segurou a minha.
Nós caminhamos.
Nos últimos dias antes de sua morte,
ela estava...
Ela me ligava sem parar e dizia
para eu não ir embora. Não vá, Fatem. Fique comigo.
E duas semanas depois,
eles a mataram.
Não pude vê-la antes que fosse enterrada.
Sinto muito.
- Desculpe. - A culpa é minha com essas perguntas.
- Desculpe, minha querida! - Não, tudo bem.
Éramos próximas... muito próximas.
Fui até a casa que foi destruída pelo bombardeio.
Vou te mandar fotos.
Não conseguimos encontrar nada.
A não ser as coisas que foram arremessadas.
Encontramos a...
Minha tia... encontramos a cabeça dela, uma rua adiante.
Só encontramos a cabeça dela.
Que foi separada do corpo.
Nós a encontramos em outra rua.
Então... é algo muito difícil.
Nem sei se ela foi enterrada ou não.
Não pudemos nos despedir dela.
Eles se foram sem um adeus.
Simplesmente assim.
Sua avó, ela...
Ela cantava canções de ninar para você? Sabe o que é isso?
- O que é uma canção de ninar? - É como um "lalayee"...
- Assim. - Não, não conheço isso.
As cantigas que cantamos para as crianças.
Ela fazia este gesto nas minhas costas.
- Para me fazer dormir. - Entendi.
Em algumas horas, vou viajar. Primeiro um voo para Paris.
Depois, amanhã ao meio-dia, pego o avião para o Marrocos.
- Para o Magrebe. - Oh, que fantástico!
Eu quero a mesma vida! Você viaja para todos os lugares.
Israel não permitirá que o Hamas recupere o controle de Gaza.
Não permitiremos que retomem suas forças militares para nos destruir.
Não aceitaramos nenhum plano que seja uma ameaça à segurança e ao futuro.
Portanto, ordenei à nossa delegação no Cairo
que continue a defender nossas exigências
para garantir nossa segurança.
E continuamos nossa guerra contra o Hamas.
Nossa entrada em Rafah é muito importante.
Nosso exército está a caminho de destruir o resto de suas capacidades.
E pedimos aos agentes de fronteira de ambos os lados que saiam.
As ONGs alertaram que a interrupção da entrada de ajuda
bloqueará esta resposta humanitária crucial
em toda a Faixa de Gaza.
Israel também atingiu Rafah com ataques aéreos
ontem à noite e também esta manhã, deixando pelo menos 23 vítimas.
É importante notar que Rafah está sob ataques aéreos há semanas,
causando centenas de vítimas. Muitas pessoas tiveram que evacuar.
10 DE JUNHO DE 2024
Olá... Tudo bem?
- Tudo bem. E você? - Bem. Feliz em te ver de novo!
- Já faz alguns dias... - Sim.
- Como você está? - Um momento, vou aumentar o som.
Espero que funcione desta vez. Sim...
Sempre esqueço de fazer isso antes.
Ah, um lenço branco!
Muda bastante o seu rosto.
É cinza.
Como estão as coisas? Me conte...
É um caos, não é?
Sim, é uma situação muito caótica.
O exército israelense está...
no bairro que fica bem ao lado.
Eles estão se movendo.
Brincando de destruir prédios e quebrar tudo!
- Está me acompanhando? - Não, está cortando o tempo todo.
Não tenho certeza se entendi bem.
Eu disse que, se não fizermos...
o que estamos fazendo agora, então quando faremos?
Quando vamos fotografar
esta guerra e enviar as imagens para fora?
Ou documentar este sofrimento.
E quem fará isso?
- Você vai sair? - Eu gostaria, mas...
Mas minha Gaza precisa de mim.
Neste momento...
É uma decisão muito difícil.
- O quê? - Nada.
Só estou te olhando...
Hoje, tirei fotos do hospital Al Andonisi.
Estava todo queimado.
O 2º e o 3º andares estavam totalmente queimados.
Era como se estivesse em um filme.
Meu gato está aqui. Vou abrir a porta e já volto.
Só um instante.
Narenj, estou indo. Narenj...
Oh, espere...
Estou indo. Vocês dois, então...
Entre... te chamei várias vezes. Mas você se esconde!
E você? O que me conta?
Meu macaquinho! Vamos lá.
Vamos, venha!
Pishi, espere...
Só um instante.
Olhe...
Que fofo!
Muito fofo.
Na noite de 6 de outubro...
Eu estava em um café, peguei uma nota de shekel.
E olhei para ela.
Só vi a mulher
cujo rosto está na nota.
E me perguntei
por que uso dinheiro israelense?
Por que eles querem...
até o nosso dinheiro?
E nossa...
nossa tradição, nossa nação. Tudo o que é nosso.
Porque acho que eles querem nos tomar tudo.
Das pequenas às grandes coisas.
Como o dinheiro...
os pratos, a confeitaria... Tudo!
Eles nos roubaram o falafel e o homus, e disseram ao mundo
que era da tradição deles.
Mas vem da nossa! É um prato palestino.
- Você bebe café? - Sim, café árabe.
Compramos no mercado e fazemos em casa.
É a única coisa que você pode...
beber pensando que a vida tem sentido.
Quando falamos de café, me lembra Mahmoud Darwish, claro!
- Você conecta o café a Darwish? - Sim.
Com o devido respeito pelas normas internacionais reconhecidas,
e os princípios dos Direitos Humanos e o respeito à lei.
Fim de citação. O tribunal lembra que, baseando sua opinião
nos direitos do povo palestino, reconhecidos nos Acordos de Oslo,
está incluído o direito à autodeterminação.
O tribunal observa que, ao interpretar os Acordos de Oslo,
é necessário levar em conta também o artigo 47
da 4ª Convenção de Genebra, que diz que a população protegida
não deve ser privada dos benefícios da convenção,
e cito "por nenhum acordo concluído entre as autoridades
nos territórios ocupados e as forças de ocupação". Fim de citação.
De acordo com suas obrigações pelas leis internacionais.
Em particular, o tribunal analisa e examina, em última instância,
a questão da ocupação prolongada,
a política de assentamentos de Israel.
E a anexação dos territórios palestinos ocupados desde 1967.
E de sua adoção...
de legislações e medidas que são, de fato, discriminatórias.
14 DE JUNHO DE 2024
provocando uma guerra generalizada, causando mais sofrimento.
Só um instante, vou fechar a porta.
Fechei a porta por causa do vento.
Diga como foi. Descreva para mim...
No dia 7 de outubro, o que estava fazendo?
E como tudo começou?
- Você se lembra bem? - Sim, eu lembro...
Então, às 7h da manhã, eu acordei
de um sono profundo.
Abro minha janela e vejo muitas...
linhas brancas no céu.
No início, não entendi o que estava acontecendo.
Apenas pensei que era algo
como todas as outras guerras.
Mas desta vez foi diferente.
Eu me perguntava quem havia começado a guerra.
Você não sabia quem tinha começado a guerra?
Não, não sabíamos quem a tinha começado.
Agora, olhando para trás, 8 ou 9 meses depois...
Qual é a sua sensação? Porque imagino que seja ambivalente.
Seria muito melhor se eu dissesse em árabe.
Ok, vou tentar dizer em inglês.
Não posso... dizer com precisão
o que sinto sobre 7 de outubro.
Ou se eu...
Ouve este som? É de um Apache.
- O som de quê? - O som do Apache.
O Apache... Ah, o helicóptero?
- Ok. - Sim.
Então, quando...
- O que eles fazem? - Eles nos matam!
- Eles atiram com os Apaches? - Sim.
Quando olho para trás e...
penso no que aconteceu em 7 de outubro...
Mostramos ao mundo que...
mesmo sem armas e bombas,
nem equipamento militar suficiente, podemos lutar
pela nossa pátria, e podemos resistir.
Não quero falar sobre isso, porque quando penso nisso...
leva um minuto, e eu fico deprimida!
Sobre a comida, desde ontem à noite, você está usando pela primeira vez
a palavra "fome".
Aqui você pode morrer por causa de uma bomba.
De medo, ou de fome.
Existem diferentes opções para morrer, aqui em Gaza.
Acho que a fome realmente nos afeta.
É muito difícil para nós. Não temos nada para comer.
Quando seu irmão pergunta à sua mãe: o que vamos comer hoje?
E ela responde: nada. Porque não há nada para comer!
Não pensávamos que viveríamos isso, nem em sonho!
Mas está acontecendo. Estamos com fome.
Eu estava sentada com uma menina de oito anos.
E perguntei a ela: o que você quer na vida?
Ela responde: eu quero morrer.
Pessoas estão morrendo. Isso é um fato.
Estamos falando de vidas humanas.
Milhares se reuniram em frente ao escritório da Unicef em Tel Aviv.
Eles querem que a ONU pressione pela libertação das crianças reféns.
São 35 crianças, incluindo um bebê que nasceu no cativeiro.
São nossas crianças, é nosso sangue.
Somos todos uma grande família e defendemos uns aos outros.
Pode haver um acordo próximo para libertar dezenas de reféns.
Há alguma chance de um acordo sobre os reféns?
"Acho que sim. Não vou comentar". - Mas o senhor acha que sim?
Sim!
28 DE JUNHO DE 2024
Sinto que estou...
tipo separada das coisas.
Espere um instante, vou só
fechar a janela, um momento...
- Como? - Um segundo.
Estamos na Itália.
Estou na Itália, em Florença.
Um dos meus sonhos...
Um dos meus sonhos é ir a Roma.
- Ah... - Para visitar o Vaticano.
Se você vier...
Vou te mandar para a casa de amigos em Roma.
Sim... quero visitar museus.
O que há de errado com seu lenço? Você não para de ajeitá-lo.
- Está muito mal colocado. - Não, está bom.
Quer arrumá-lo?
- O quê? - Quer arrumá-lo?
Está bom.
Nunca vi seu cabelo, sabe...
Sim, porque você está me filmando.
Sim, eu sei.
Então, não posso...
Quando estivermos a sós, eu te mostrarei.
- Ok. - Eu te mostrarei.
Com que idade você começou a usar o véu?
- Treze. - Aos 13 anos?
Porque você quis, ou porque a sociedade impôs?
Não, por causa da nossa religião. E também porque eu era...
alta e parecia mais velha para minha idade.
Então minha mãe me disse que era melhor assim.
Que era para mim.
Para estar mais protegida.
Mas há garotas que não usam véu na Palestina?
- Eu não vejo nenhuma. - Sim, há muitas.
Há muitas garotas que não o usam.
A maioria que vejo nas fotos
ou nos filmes, usa o véu. Por isso perguntei.
Muda de uma pessoa para outra, e de uma família para outra.
Você perdeu peso por causa da comida?
Sim, claro.
Claro. Agora, eu...
sabe, minha mente está muito...
caótica e não consigo me concentrar,
porque não tenho comida saudável, nem mesmo comida boa.
Às vezes sinto que não consigo
nem mesmo me levantar.
Sabe... e que não consigo nem falar.
Todos os dias, digo à minha mãe:
"eu quero um frango".
Só queria que comêssemos um frango!
Porque não comemos
há nove meses.
Nos conhecemos há 2 meses, quando a guerra já durava 7
e você me disse que só tinha comido frango uma vez.
Eu estava vendo as filmagens.
Agora, é minha maior fantasia!
Ter um frango e chocolate!
Sim, eu disse à minha amiga no Sul...
Me mande chocolate. Só uma barra!
Sinto falta de tudo. Minha vida de antes...
Sinto falta da comida que minha mãe fazia.
Do chocolate, do Nescafé e do café. Tudo...
Ouço os drones voando.
- Os drones? - Sim, as máquinas que voam.
- Os drones, sim. - O quê?
- Não, drones... - Sim, e...?
Nada. Estou ouvindo eles.
Por que começaram a atacar Al-Shujayieh de repente?
- O quê? - Por que Al-Shujayieh de repente?
Não sabemos.
Nunca há um motivo para o que eles fazem.
Sim, eles fazem de tudo para destruir nossa cidade.
e...
e apagar seu rastro de nossa mente.
Al-Shujaiya está na minha frente.
Daqui até ali.
Vê o incêndio? Os lugares que estão queimando...
- Não sei se consegue ver. - Sim, vejo a fumaça.
Sim, a fumaça, lá.
É lá que está o exército.
Segundo as Nações Unidas,
hospitais e centros médicos foram alvejados mais de 600 vezes.
Escolas, mais de 200 vezes.
Centenas de locais de culto, destruídos.
E 169 dos centros da ONU, atacados.
Mas isso não consta no relatório.
Mas eles dizem que a lei não deve ser invocada
porque Israel está investigando.
A fome ameaça os palestinos
Ministério da Saúde em Gaza:
pelo menos 37.396 palestinos mortos
e 85.523 feridos em ataques israelenses desde 7 de outubro
01 DE JULHO DE 2024
- Oi. - Oi.
Olhe para você...
Preciso me vestir.
Onde você está? O que aconteceu?
Estou esperando. Esperando você se vestir.
Me desculpe, mas nos últimos tempos...
Nestes últimos dias...
- Sem problemas. - Me desculpe, mas...
Mas...
Onde você está agora? No seu abrigo?
Onde está? No abrigo?
Onde você está agora?
Está me ouvindo?
Está me ouvindo?
Estou no meu abrigo.
As notícias são ruins. Como vai?
O que está acontecendo em Jabaliya? Estão atacando lá, certo?
A conexão está péssima. Eu dizia... estão atacando perto de você, não?
- Não te ouço. - Está me vendo agora?
Este é o nosso quarto.
Quem está aí com você? Sua família? Todos?
É a Fatem.
Ela está bem?
- Estávamos muito preocupados. - É aqui que dormimos.
- Aqui estão minhas coisas. - Ok.
É tudo o que tenho.
Está uma bagunça. Uma grande bagunça...
Não importa... Mas onde estão os outros? Sua família? Onde estão?
Você está sozinha?
Ah, bem melhor!
Não, nem tanto!
Como crianças
Sonhando com balanços
Como crianças
Sonhando com balanços
Eles me ouviram cantar
E cantaram a brisa
Eles me ouviram cantar
E cantaram a brisa
Oh, querida brisa
Meu coração está doente, e Deus sabe
Oh, querida brisa
Meu coração está doente, e Deus sabe
E meu coração e meus olhos
Viram muito e, no entanto, tão pouco
E meu coração e meus olhos
Viram muito e, no entanto, tão pouco
Oh, querida brisa
Meu coração está doente, e Deus sabe
Se ainda há um pouco de espaço no coração
Guarde-o
Se ainda há um pouco...
3 DE JULHO DE 2024
Onde você está? Reconheço a casa da sua amiga.
O muro, atrás de você...
- É quase o pôr do sol, não é? - Sim.
- A bela luz... - Sim, a hora...
- Eu chamo de "golden hour". - Sim, a hora mágica.
É ótima para fotos, se você pudesse sair.
Uma luz muito bonita!
Fica linda no seu rosto, quando você pega o sol.
Afaste-se um pouco. Sim, isso.
Parece uma pintura.
Parece uma pintura em seu rosto.
A música que você me enviou... É muito bonita.
- Você ouviu? - Sim, claro. Gostei muito.
Eu a cantei há dois anos.
- Eu tinha um violão, mas o comprei. - Você quer dizer que o vendeu?
- Para o quê? - Pelo meu notebook.
Para comprar um computador.
Mas você gosta de cantar?
É algo sério para você?
Não, eu canto só para mim, meus amigos e meus parentes.
- Continua sendo um hobby? - Sim.
Então, o que é sério? A fotografia e...
A fotografia, porque...
É a minha praia. Eu me encontro nela.
Antes da guerra, eu tirava fotos lindas,
de pessoas bonitas, de lugares bonitos.
Agora, você pode ver esta foto.
Ela contém...
apenas escuridão, tristeza e destruição.
Mas tento encontrar vida
neste mundo, em meio a estes mortos.
Eles bombardearam a noite toda.
Ontem à noite, eles bombardearam perto da nossa casa. A noite toda.
- Mísseis ou bombas? - Mísseis.
Sim, e também F-16.
- F-16? Eles bombardeiam também? - Sim.
Há algum hospital funcionando ainda?
Li que o Al-Aqsa não pode mais funcionar.
Ainda há um hospital, o Al Mamadani.
É o único hospital aqui.
- Terrível, né? - Isso é tão...
- É a sobrinha da minha amiga. - Sahar! Sim, é a Sahar.
- Eu a conheço. A vi no primeiro dia. - Oi.
- Ahlan Sahar... habibti... - Eu te amo.
Como você está? Sim, eu também... te amo!
Ela tem quatro anos, certo?
Ela estava aqui na primeira vez que conversamos.
Este é o Hossam!
Vou tomá-lo como marido para minha filha!
- Que gracinha... - Eu os adoro.
Claro!
Você distribuiu comida hoje?
- Ah, sim. - Você fez isso?
Fizemos arroz.
E o distribuímos
às famílias refugiadas nas escolas.
Quantas pessoas vocês alimentaram?
- Mil refeições. - Uau...
Isso é bastante!
E você mesma, comeu?
- Comer? Não... - Não?
Não... mas minha amiga,
me preparou macarrão instantâneo, do tipo IndoMie.
E é a primeira vez.
Ok, vou te deixar comer. Você precisa comer também!
Comida e remédios para 10.000 crianças.
Tínhamos todos os papéis necessários.
Íamos para a Cidade de Gaza, de Deir al Balah e daqui,
é um trajeto de 40 km, ida e volta.
Levamos 13 horas, das quais 8 foram perdidas nos postos de controle.
Olham papéis, tipo de veículo... Depois, "se isso", "se aquilo", e...
no final, o comboio foi mandado de volta.
Então, elas não receberam a ajuda. A Unicef vai voltar.
Mas não é tão simples voltar no dia seguinte!
É um lugar muito perigoso, como ponto de operações.
Israel, como força ocupante, deveria facilitar o envio de ajuda.
E até nos fornecer carros blindados,
porque a Unicef também faz o saneamento da água e...
9 DE JULHO DE 2024
- Você está bem? - Sim, mas me sinto cansada.
- Não sei por quê. - Provavelmente pela falta de comida.
- Sinto muito. Espero que descanse. - Acho que sim. Vou dormir.
Tente manter a esperança...
- Oi, Sepideh. - Oi, minha querida...
Onde você está?
Em casa.
Na sua casa?
Não... Sim?
Quando vocês voltaram? Esta manhã?
Ontem.
Hoje... Não, ontem. Na mesma hora.
Sinto muito, minha querida...
Sim...
Os bombardeios continuam ou já pararam?
Sim, ainda há muitos.
- Minha amiga Mona. Você a conhece. - Sim, claro.
O exército está no bairro dela.
Ela está presa em casa e...
não pode fazer nada. Nem mesmo sair de casa!
Eles nos disseram para evacuar para o Oeste. Nós fizemos isso.
- E nos bombardearam. - Quem? Como disseram para evacuar?
- Com panfletos? - Sim, mas também com ligações.
Eu só vi todo mundo evacuando. Correndo ou andando.
Então, nós também fomos para o Oeste. Para Al Sana'a.
Saímos de Al-Tuffah anteontem.
Evacuamos Al-Sana'a ontem às 4h da manhã.
- Mas as bombas continuam? - Sim.
- Consegue ouvir? - Sim, eu ouvi.
Estão negociando no Cairo e continuam a bombardear.
Não vejo a lógica!
É desesperador. É terrível! Eu...
Não consigo nem pensar que vivi isso.
Os tanques estavam atrás de nós.
Os tanques estavam seguindo vocês? Não entendi!
Não.
Eles tinham parado em...
No início da... No começo da rua.
E nós continuávamos a andar.
Deixamos tudo lá.
Nossas roupas, a comida, nosso carro. Tudo!
- Não temos nada para comer! - Ah, minha amiga...
Você leva sua câmera com você quando se desloca?
Sim.
Você está na praia?
Não, não na praia. Numa casa perto do mar.
Fomos ao mar esta manhã, mas...
- Que ótimo. - Queria que você estivesse aqui...
É meio... estranho, porque...
Penso em você e sei pelo que está passando.
E, ao mesmo tempo, a vida continua aqui. É estranho.
Eu... eu te entendo.
Posso imaginar esse sentimento.
Além disso, a questão é que...
sei que não posso fazer nada. E isso é o pior.
Parece ridículo te mandar mensagens, porque não posso fazer nada.
Você está aqui, ao meu lado, e isso é o suficiente.
Estou aqui. Estou aqui.
Eles sentiram que as forças israelenses tentam...
esvaziar toda a Faixa de Gaza, perdão, toda a Cidade de Gaza.
E Gaza é uma zona de perigo. Mas os palestinos decidiram ficar.
Deixe-me dizer que estes palestinos decidiram ficar
desde o 1º dia, desde a primeira semana da guerra.
Que já suportaram grandes privações,
bombardeios intensos e a invasão terrestre.
E também, os ataques aéreos de Israel.
Estes palestinos que escolheram ficar na Cidade de Gaza...
18 DE JULHO DE 2024
Como estão as coisas? Como estão todos?
Estou cansada, mas bem.
Sim... É o 3º dia.
- Nada... Estou bem. - Ouço os aviões mais uma vez.
E a água? Dizem que a água está contaminada.
- A água não está limpa. - Como vocês conseguem água potável?
- Compramos. - Onde você arranja dinheiro?
Agora, o preço de um cigarro
é quase 50 dólares.
- 50 dólares? Não! - Sério... 50 dólares.
- O que está acontecendo? - Novo ataque.
- É uma bomba. - Nossa...
- Foi bem assustador. - Está muito perto...
- Foi muito forte. - Sim.
- Está muito perto. Você viu? - Sim, eu vi.
Olhe... Não sei onde caiu.
É uma destruição imensa.
Bombardeio enorme!
Vou tirar uma foto. Só um instante.
Estou tremendo.
Foi o seu prédio que tremeu? Porque...
- Sim. - Ah...
- Você pode ver... - Estou sempre pensando em você.
Porque os bombardeios são estupidamente aleatórios...
Acho que haverá...
- Mas vai ficar tudo bem. - O que você faz nesses casos?
Prefere ficar em cima ou descer? O que você...
- Eu desço. - Você desce?
Não podemos ficar em cima.
Porque em momentos como este...
Nos sentimos um pouco...
Queria muito te ligar,
mas parece...
que você perdeu...
a conexão.
Se você ouvir minha voz, vai ouvir os aviões.
Eles estão sobre nós e
o céu está cheio de aviões.
Há cinco minutos, eles bombardearam um prédio,
ou uma casa, talvez...
A cada minuto que você anda na rua,
você guarda o coração na palma da mão e caminha.
Oi, Sepideh. Quero te falar da Mahasen.
Ela era minha amiga. Uma amiga muito querida.
Ela tinha 31 anos.
Ela foi morta em Tal Al-Zaatar,
pelas forças israelenses, e...
Isso me deixa muito triste.
O resto de sua família foi ferido.
E foram transferidos para Al Shate.
De Jabaliya...
Mahasen era...
uma artista muito talentosa.
Ela queria que o mundo a conhecesse, e também a sua arte.
Ela conseguiu... Mas depois de sua morte, infelizmente.
E é isso.
As tropas ordenaram aos moradores que evacuassem o prédio..
Um confronto armado eclodiu entre Israel e grupos palestinos,
na cidade de Al Bereh, nas ocupações da Cisjordânia.
Soldados israelenses também atacaram Hebron, Jenin, Nablus e Belém.
Assim como várias outras aldeias.
Segundo o exército israelense, um soldado foi morto e outro ferido...
03 DE SETEMBRO DE 2024
Nossa... está muito escuro. Espere...
Não vejo seu rosto! Como você está?
- Senti tanto a sua falta! - Eu também.
Liguei várias vezes, sem sucesso.
Está muito escuro. Não há luz.
Espere... vou tentar aumentar o brilho do telefone.
Não sei o que fez, mas funcionou.
Abri uma página.
Diga-me uma coisa... O que as pessoas pensam de Sinwar?
A nomeação de Yahya Sinwar para liderar o Hamas. O que acha?
Eu disse aos meus amigos: merecemos um líder como ele?
Porque eu acho que é uma piada!
Muitas pessoas aqui não gostaram disso.
Não gostaram desta nomeação. Então, eles rejeitam Sinwar.
Escolheram uma pessoa que nunca vimos...
desde 7 de outubro.
- É uma coisa muito estranha. - Então, ele não é popular?
- Ele não é popular? - Sim, é isso.
Porque Sinwar... está muito alinhado com os iranianos,
com o governo... com o regime.
Porque eles não querem a paz.
Eles querem a guerra, como Netanyahu. Eles querem a mesma coisa.
De maneiras diferentes, mas...
Sim, mas acho que eles querem provar que somos fortes.
E que temos um líder que sabe nos defender.
Quando eu era criança, éramos contra o Xá, sabe...
Aí veio a revolução e acreditamos que seria algo bom.
E ficou pior, e continua assim há mais de 45 anos.
E continua a ter consequências.
Toda vez que pensamos que algo bom vai acontecer, piora.
Então, os iranianos também dizem a mesma coisa.
Eles continuam a perder a esperança...
Pensando que não adianta lutar.
Estamos na 3ª ou 4ª geração que perde seus entes queridos.
- Pessoas cujos parentes são mortos. - Esse é o problema.
Esse é o problema.
Há uma cena em um filme chamado...
Um Sonho de Liberdade. Conhece?
Não.
Ah, você precisa ver. Sério...
Há uma cena neste filme
que fala sobre a esperança.
Há um prisioneiro que diz...
Ele diz que a esperança é muito perigosa.
É verdade... mas também é necessária para viver.
Ontem, eles bombardearam uma escola.
Ela tinha sido transformada em abrigo.
De madrugada, sabe... enquanto as pessoas faziam a oração da manhã.
Eles os bombardearam.
Nesses momentos, eu só preciso ir lá para registrar tudo.
e para publicar depois.
Claro que tenho medo...
Que ataquem de novo o mesmo lugar...
- Sabe? - Sim, entendo.
Eu me faço essa pergunta...
mas é preciso também documentar a guerra.
É sempre nessas situações de guerra que a gente se...
É difícil saber o que fotografar.
- Você pensa nisso? - Sim, mas é preciso publicá-las...
Acho que quando estou...
em momentos como este...
Acho que há uma voz na minha cabeça
que me diz: Fatem, tire a foto!
Aproveite estes momentos.
Depois você vê se a guarda ou se a apaga.
Claro, não podemos publicar tudo.
Mas tento publicar fotos que vão tocar as pessoas.
Para verem a realidade.
A realidade da guerra, sabe...
- Sim, eu... - Ainda está aí?
E nas províncias ocidentais de Ilam e Khuzistão.
Teerã anuncia que dois militares foram mortos,
mas que os danos foram limitados.
As autoridades israelenses dizem
que foi uma resposta aos mísseis iranianos lançados no início do mês.
A defesa israelense cumpriu sua missão.
Se o regime iraniano cometer o erro de iniciar um novo ciclo de escalada,
seremos forçados a responder. Nossa mensagem é clara.
Todos que ameaçaram o estado de Israel
e que tentam empurrar a região para a guer...
27 DE OUTUBRO DE 2024
Disparos de foguetes contra Israel
no que é descrito como a primeira fase das represálias
em resposta ao assassinato de Fuad Shukr,
um oficial de alto escalão do Hezbollah, no mês passado em Beirute.
Mais cedo, Israel realizou o que chama de ataques preventivos
sobre as posições do Hezbollah no sul do Líbano.
Os militares dizem que interceptaram milhares de foguetes
lançados contra Israel.
Feliz em te ver!
- Eu também. - Então, como estão as coisas?
Bem.
Há quinze minutos...
lançaram uma bomba perto daqui.
Poxa! Quando você diz "bem", penso que tem boas notícias!
Ah, meu Deus!
Eu estava ouvindo uma das primeiras conversas que tivemos.
E há algo que você disse:
"Quando saímos na rua,
pomos a alma nas mão e andamos".
- Sim... - E eu estava pensando nisso
Foi quando eu ainda saía
da minha casa e andava pelas ruas,
e tirava fotos.
Faz tempo!
- Qual é a situação da comida? - Sem comida, legumes, frutas.
- Apenas enlatados. - Ah, enlatados...
Porque no outro dia, quando você me enviou a foto,
com batatas fritas e chocolates...
- A caixa... - Sim, tenho um.
- Vou te mostrar. - Mostre, por favor.
Tenho isto!
Há 10 meses não como batata frita.
Nenhuma batata de verdade. E hoje, vou comer isto!
Vou comer isto. É a primeira vez.
Bom apetite! Que ótimo.
- Preciso da chave da porta. - Por quê?
- Qual chave? - Vamos brincar lá dentro.
Quem é essa?
- Maha... - Só um instante...
- Repita o que você disse? - Você está cansada, hein?
Eu disse, você ainda prefere ficar em sua casa, em vez de sair?
Sim, porque não temos para onde ir.
Nenhum outro lugar, por enquanto.
Temos apenas nossa casa e nossa vida
aqui... e nossa casa pode...
nos conter e nos acolher. As outras casas não podem!
Estou com "despressão", então...
É por isso que demoro a entender.
- Entende? - Você disse que sofre de quê?
- De "despressão". - Depressão?
Despressão... Estou distraída.
Você está distraída? Ok.
É recente? Desde a guerra?
- O quê? - Começou quando?
- Quero dizer, essa distração... - Há um mês.
Há um mês, mas está aumentando.
Comparado a quando eu estava no meu período normal,
sinto que estou fora de mim.
Olho para tudo, sem ter nenhuma reação.
Não há nada que eu queira fazer.
Só quero olhar as coisas e não dizer nada.
É muito cansativo.
- Não te ouço. - Você falou com alguém sobre isso?
Da sua depressão?
Não tenho ninguém com quem falar...
Porque não temos especialistas para isso.
Alguém que pudesse resolver esse problema.
E acho que não vai passar enquanto houver a guerra.
Quando a guerra acabar, vai passar.
Sinto que você não está mais "aqui" como antes.
Sinto isso quando conversamos.
Sinto que estou te perdendo. Não sei como dizer...
Às vezes, sinto que você está menos presente.
O que te faz feliz? Pense nisso.
- O que me faz feliz? - O que te faria feliz.
Quero sair desta cidade!
Ah... ok!
Quero deixar tudo isso! Estou tão cansada.
Desta cidade e desta destruição!
Ao meu redor, o tempo todo!
Só quero estar em um lugar normal.
Na natureza, um lugar calmo.
E respirar ar fresco.
Sentir-me em paz.
E sentir que sou uma pessoa normal.
Sinto-me em uma prisão. Em uma prisão de verdade!
Não posso fazer nada.
- Por que não se sente normal? - Por causa de tudo!
Você é normal! A situação é que não é.
Não como normalmente. Não faço coisas normais, nem...
Não ando em ruas normais, nem...
não faço nada como pessoas normais.
Durante a covid, a corona...
Essa sensação de estar presa estava lá como agora?
Claro que não! Durante a covid foi...
Eu me lembro... eu era uma pessoa feliz.
Eu estava no meu quarto. Tinha internet e meu computador.
Lembro-me que até aprendi código Morse.
- Sabe... - Ah...
Eu comecei a aprender código Morse quando estava na prisão.
Precisávamos nos comunicar com a cela ao lado.
Então usávamos isso, e...
Você ainda fica no seu quarto?
- Não, não... - Por quê?
Porque não dormimos aqui. Dormimos em um abrigo.
Esta é a chave do meu quarto.
Bacana... Você tranca a porta?
- Sim. - Bem, é o seu espaço.
- É importante. - Claro.
Não gosto que os outros entrem no meu quarto.
- Para fazer coisas. - Claro, eu entendo.
Ninguém deve entrar sem mim.
Sabe... há um livro chamado "Um Teto Todo Seu".
É um livro muito famoso de Virginia Woolf.
Já ouvi falar de Virginia Woolf.
Ela escreveu este livro, que se tornou muito importante.
Sobre a ideia de ter seu próprio espaço.
Um teto todo seu.
- Sobre essa noção... - Vou tentar ler.
Sempre nos dizíamos: isto vai passar.
O que significa que este período vai passar.
Eu acredito nisso. E acho que tudo isso vai passar.
Faça um pedido e nos despedimos!
Um pedido? Eu quero ir para...
Eu gostaria de ir à cidade da...
à cidade da... distração. Ao parque de diversões!
Ah, é? Qual deles?
- O que fica perto de Paris? - Qualquer um.
- Qualquer lugar. - Ok.
Quando a guerra acabar, faremos isso juntas.
Espero... poder fazer isso.
Desejo que seja em breve.
Tudo bem, Sepideh, tudo bem. Você está aqui e isso é o suficiente.
Está tudo bem...
É o suficiente que você me escute e...
compartilhe meus sentimentos, e eu os seus.
Estou tão feliz por estar aqui.
Estou tão feliz por ter você ao meu lado.
Espero que tudo isso acabe e...
espero te ver em outro lugar deste mundo.
Ou em Gaza... espero que você venha para que...
eu te leve para minha casa, e então...
vamos sair juntas e caminhar pelas ruas de Gaza.
Não estou triste, é o que nos acontece...
que me deixa triste.
Isso não me deixa triste, me aborrece profundamente.
Esperar. Estamos esperando há muito tempo.
E continuamos a ter esperança. E morremos, infelizmente.
Estou no telhado da minha casa, no 6º andar.
Os aviões voam sobre mim, e minha cabeça dói.
Por causa deste barulho. Ouvimos isso o tempo todo.
Ouvimos isso praticamente o tempo todo.
É muito difícil!
Mas... embora eu tenha muito pouca esperança
de viver a vida que eu quero...
Tenho consciência de que...
preciso continuar documentando tudo.
Fazer parte desta história. Ser eu mesma!
Para poder contar aos meus filhos,
o que eu vivi, ao que eu sobrevivi!
16 DE ABRIL DE 2025 A ÚLTIMA CONVERSA
- Estou bem, e você? - Incrível!
Deixe-me te ver!
Eu te conheço há um ano!
Sim, sim. Eu queria te dizer que...
- Você está bem sentada? - Sim.
O filme foi selecionado para um grande festival.
Sim, em Cannes. Você conhece esse festival?
- O quê? - Cannes, um grande festival.
Sim, sim. Eu conheço!
Foi aceito em Cannes.
Isso é incrível!
- Você quer vir? - É claro!
Se eu puder ir com Moataz.
Seria perfeito! Isso é tão incrível!
Sim, é mesmo. Estou preocupada, já que
será exibido publicamente.
Eu me perguntava se você ainda ficaria lá,
ou mudaria para outro lugar?
Como você se sente sobre isso?
Não acho que consiga sair de Gaza.
Mesmo que tudo esteja destruído,
eu não conseguiria sair daqui porque
toda a minha família, todas as minhas memórias estão aqui.
Minhas coisas, meus amigos... Tudo o que eu tenho!
Só temos Gaza!
Não temos outra terra além de Gaza.
É a nossa pátria. Foi aqui que nascemos.
Podemos reconstruir Gaza.
Refazer nossas casas e todos os lugares.
Não sei quando, mas sei que vai acabar.
É tão bom poder falar com você de novo!
Sinto o mesmo. Senti tanto a sua falta!
Você virá para o festival.
- Espero... muito. - Mas sim...
Mas sim, eu... Você me enviou...
- Seu passaporte? - Enviei.
Vamos nos falar em breve!
Até breve. Tchau!
Em 16 de abril de 2025, à 1h da manhã,
Fatma Hassona (Fatem) e outros seis membros de sua família,
foram mortos enquanto dormiam, por um ataque israelense à sua casa.
Em 2 de maio de 2025,
o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH)
nos territórios palestinos ocupados, confirmou
"o assassinato de 211 jornalistas em Gaza desde 7 de outubro de 2023,
incluindo 28 mulheres jornalistas."
Legendado por Cabine de Projeção
GUARDE O CORAÇÃO NA PALMA DA MÃO E CAMINHE
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