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Original subtitles

Não me disseste que ias comprar um piano?

Vou começar a dar aula, tenho de fazer qualquer coisa.

E tu sabes que eu me tinha saudades de tocar.

E tu, a quando é que estás a pensar a voltar à escola?

Já passou quase um mês, vai -te fazer bem. Pensei que nos íamos mudar para

Lisboa.

Sair daqui.

Esta é a nossa casa.

É a casa dele.

Confesso.

Tu nunca gostaste daquilo que estava.

Pedro, diz -me o que é que queres que eu faça então, porque sinceramente eu já

não sei.

Não é para hoje a cá não estar, podes reescrever a história.

A verdade é que ele te prendeu hoje.

Não fales assim.

Teu pai era um homem bom.

Então tu não o conhecias.

Não conhecias a pessoa com quem estavas casado.

Ele morreu, já não volto.

Isabel, liga a televisão.

Foi encontrado hoje o corpo da jovem alentejana Patrícia Santos.

A vítima estava desaparecida desde novembro passado.

A polícia judiciária ainda não confirmou se este caso está relacionado com

outros desaparecimentos na região.

Mais de 200 pessoas manifestaram -se esta tarde em frente à Assembleia da

República. Estão contra a aprovação, no mês passado, da polémica Landa Clonagem.

Isabel, para!

Para com a música clássica.

Não ouviste a campainha?

Já vou.

Desculpe, estava a arrumar umas coisas.

Não tem problema.

Eu também não sabia se estava cá alguém.

Entre, entre.

Poderia.

Não esperava ainda hoje. Pensei que só havia até amanhã.

Tive uma aberta e decidi vir tratar do seu piano.

Já o experimentou?

Está a precisar de uma afinação.

Permite -me.

Com certeza.

Vamos então ver esta menina.

Pedro, tens de fazer isso agora.

Podes ir para o teu quarto, por favor?

Experimente, por favor.

Tem de levar algumas cordas novas.

Mas sabe como é.

Já tem alguns anos e com a viagem... E quanto é que isso lhe vai custar? Não se

preocupe. O problema vai ser encontrar cordas para este modelo.

Talvez tenha de as mandar vir da Alemanha e isso vai demorar algumas

Desculpe. A culpa não é sua, então.

Muito obrigada.

Diga -me, por favor, quanto é que eu lhe devo hoje?

Fazemos contas mais tarde.

Fazemos mesmo, eu não me esqueço.

Sempre vai começar a dar aulas?

Ainda não sei.

Aqui na vila não lhe vão faltar alunos.

Se quiser, eu posso divulgar na loja.

Isso é uma ótima ideia.

Eu faço uns panfletos com os meus contactos.

Muito obrigada, Emo.

Eu não sei como lhe agradecer por tudo.

Não tem de agradecer.

Sabe que eu tenho imenso prazer em ouvi -la tocar.

Contribuir para que o faça é o suficiente para ficar feliz.

Ainda me lembro deste concerto no São Luís.

É uma pena ter deixado tocar.

Quando vierem as cordas eu ligo -lhe e marcamos o dia para vir terminar o

trabalho. Combinado.

Muito obrigado.

Obrigada.

Isabel, pedi -te uma sugestão para o jantar.

Pretende carne, peixe ou vegan?

Vegan.

Proponho almôndegas de cenoura.

Deseja ver a receita?

Sim.

Isabel, toca... As Lyric Pieces do Grieg, interpretado ao piano.

Novo e -mail de A New Life.

Quer que o leia?

Sim.

Mensagem de Maria Paiva, at anewlife .pt, título Lamentamos a sua recente

Mensagem em vídeo.

Deseja ver?

Sim.

Ana, o meu nome é Maria Paiva.

Eu sei que esta mensagem vai parecer estranha, especialmente neste momento

doloroso. Antes de falecer, o seu marido adquiriu um dos nossos serviços de

criogenia. No entanto, e tendo em conta a dramática morte, não nos será possível

satisfazer o seu último desejo.

Mas temos boas notícias para si.

Gostaria de lhe propor, em alternativa, o nosso novo serviço de clonagem.

Não gostaria que o Jorge tivesse uma nova vida?

Que tudo voltasse ao normal?

Para,

Isabel, por favor.

Mãe?

Pensei que não ias atender.

Desculpa, tenho andado com a cabeça em mil.

Como é que tu estás?

Estás bem?

A Sofia ligou -me.

Diz que tu também não lhe atendes as chamadas. Eu tentei ligar -lhe de volta,

mas imagino que esteja ocupada com os gêmeos.

Liga -lhe. Ia fazer -te bem.

Eu volto a tentar amanhã.

Sabes que se ela pudesse hesitar -te, passaria uns dias contigo.

Se eu pudesse, também ia. Mas sabes como é que é?

Agora não é boa altura para sair de Lisboa.

Estou bem, mãe. Não te preocupes.

Olha, falamos amanhã com mais calma, está bem?

Boa noite.

Diga -me se precisas de alguma coisa.

Ana.

Olá, bom dia. Ana Torres?

O meu nome é Maria Paiva e sou gestora de clientes na New Life.

Na semana passada enviei -lhe uma mensagem... Deixe -me em paz. Não me

contactar.

Eu já lhe disse para me deixar em paz. Peço desculpa. Se calhar foi engano.

Eu queria falar com a mãe do Pedro Torres. É o diretor da escola. Peça -me

desculpa.

Peça -me essa desculpa.

Eu pensei que era outra pessoa.

Sim. É a Ana, mãe do Pedro. O que é que se passa?

Já viu o estado onde está o meu filho?

Eu espero que lhe dê outra chance.

A morte do meu marido afetou bastante.

O Pedro está a sofrer muito.

Acredita, não é assim.

Deixe -me descansar.

Vou falar com os pais do colega.

Muito bem.

Agradeço que faça tudo o que puder.

Muito obrigada.

Vamos?

Tu conheces -me?

Sabes que não fui eu que me sei.

Pode -se mais tragar, por favor?

Mãe, tem cuidado, por favor!

Não sei o que é que tu queres, não é que andas com a cabeça.

Mas é bom que também te alides de uma poida. Nós não vamos voltar para Lisboa,

ouviste?

Por isso tens de me ajudar a fazer com que isto resolva -te.

É isso que tu queres, não é?

É isso que dá prazer, não é?

E aí E aí

I used to move in shadows Gonna dance my fears away I'm stepping moving forward

With the sun above my head I used to move in darkness The quiet

used to haunt me Now the silence fades away

Obrigado.

Não esperava aqui a esta hora.

As cordas novas já chegaram.

Desculpe não ter ligado, mas fiquei tão entusiasmado que me esqueci.

Dê -me só uns segundos, eu já voltei consigo.

Claro.

O piano está no mesmo sítio, fique à vontade.

Sim, vou adiantando o serviço.

Eu vou fazer um chá para mim, quer?

Não se incomode.

O que é que o gajo ficar desta vez?

Chegaram as cordas para o piano. É que há de terminar o arranjo.

Estão de medo.

A beneficação deve.

Então a gente pode ir a tua sorte.

Não ter responsabilidades, acordar à hora que quer.

Sabes, é... Está a ficar difícil.

Viver aqui, sem ele, é... É estranho.

Sinto -me estranho.

Vou fazer um chá, queres?

Desculpe. Já está pronto.

Venha experimentar. Eu acho que ele quer qualquer coisa contigo.

Estas patas. Tenho cuidado.

Olha, faz -me o chá.

Vê -lo.

Agora sim.

Está aqui um piano digno das suas mãos. Vás com o menos.

Muito obrigada.

Está como novo.

Já toquei em pianos que sobam bem pior.

Quanto é que eu devo?

Deixe -me fazer contas e depois falamos. Pode ser?

Falamos mesmo.

Claro.

Ana, não me leva mal.

Eu não sei se sabe que a Orquestra Gulbenkia, no final deste mês, vem dar

concerto aqui ao Teatro Municipal.

A Câmara enviou -me uns convites para a primeira fila.

Se não tiver com quem ir, eu gostava muito de te poder convidar.

Pode levar o seu filho, se quiser.

Quem me dera, mas o Pedro odeia música, sai ao pai.

Vamos fazer assim, ainda faltam alguns dias, falamos para a semana.

Claro que sim, claro que sim.

Eu acompanho lá a porta. Não, deixe -me estar e fique a tocar.

Sei que estava ansiosa.

Tenha um resto de um bom dia.

Bom dia para si.

Voltaste a tocar?

Sempre gostei de te ouvir.

Toca para mim.

Mais tarde.

Bom... Estou precisando tomar um banho.

A caldeira está ligada.

Olha aí que horas é o jantar.

Estou com uma fome terrível.

Não sei o que é que se passa comigo.

Foda -se!

Vou pôr um bocadinho de álcool, hein? Vai arder.

Um, dois... Chega.

Desculpa.

Tira, tira.

Cuidado. Cuidado tu.

Porquê é que não usas o descaixador que eu te ofereci? Olha que não lembrei.

Para a próxima fase tu fica melhor.

Espera aí.

Segura aqui.

Aqui. Aqui.

Devíamos ir ao posto.

Não é preciso, é um pouco pequeno. Eu não sei, isto era melhor ser visto por

médico.

Já está, estou vindo.

Mas o que é esta merda?

O que é que tu fizeste?

Ei, então, tu não fazes assim com a tua mãe.

O que é que é isto?

O que é que se passa contigo? Pede já desculpa à tua mãe!

O

que

é que se passa com ele?

Nada, eu vou lá.

Pedro?

Pedro?

Filhos, vá lá e não faças isto. Nós temos de falar.

Eu não vou sair daqui enquanto não ouvirem da porta.

Eu sei que é estranho.

Isto tudo é muito estranho, mas... Eu não estou a conseguir viver sem ele.

Eu preciso que me empreendas.

Ou pelo menos que tentes.

Prometes que vai ficar tudo bem?

Prometo.

Dá -me tempo.

Isto ainda é tudo muito difícil.

O que é que aconteceu, amor?

É só um golpe de dito, nada de grave.

Não te preocupes.

Para de brincar com a comida.

Não vais comer isso?

O Pedro está sem apetite, não o viste?

Para de o defender.

Eu tenho de fazer um homem.

Ele não quer comer, não come.

Problema dele.

Maravilhoso.

Bom,

vou pôr uma música.

Eu não te ouvia tocar há tanto tempo.

Eu não sei porque é que deixaste.

Ana Pedro.

Aprenda alguma coisa com o teu velho.

As mulheres adoram o homem que sabe dançar.

Música Música Música

Hoje foi um bom dia, não foi?

Foi um bom dia.

Devíamos fazer isto mais, parece.

Estive a pensar...

Há quanto tempo é que não tiramos mais férias?

Férias mesmo?

Sei, há uns anos.

Será um lindinho isto de controlar.

Podíamos tirar uns dias de férias. Uma semana, o que é que é isso?

Pedro vai voltar na segunda -feira às aulas.

Diz -te que ia dar a tua mãe para ficar com ele.

Acho que ela detesta vir para cá.

Ele já tem idade para ficar sozinho.

Acho que até ia preferir. Sozinho nesta casa?

Estás doido?

Ainda o vês como uma criança, Ana.

Apesar de que ele já é um homenzinho.

Podíamos ir até a França.

Ou a Paris.

Sempre gostaste de Paris.

Isso não vale.

Sabes que eu não consigo resistir a Paris.

Peçam -te o gospeiro.

Obrigada.

O que estão a fazer?

Não querias que voltasse tudo ao normal?

Vou preparar o que é no almoço.

Bom dia.

Bom dia.

Gostaríamos de conversar com a Ana Torres.

Qual é o assunto?

Temos minutos?

Bem, tenho aqui muito o que fazer, mas digam.

Este aqui é o agente Gouveia. Não se preocupe, não vamos demorar.

A Ana conhece uma empresa chamada New Life, especializada em serviços de

criogenia.

Por lei, eles são obrigados a partilhar a sua base de dados.

E o seu marido era cliente.

O meu marido morreu recentemente num acidente trágico.

Os meus pésamos.

Sabe quem é?

Não. Não?

Não lê jornais? Não vê notícias?

É uma daquelas miúdas que estão desaparecidas. Patrícia Santos.

Foi encontrada aos quilómetros daqui.

Na altura recolhemos uma amostra de semana encontrada no corpo da jovem, mas

conseguimos uma correspondência.

E? E?

Com base nos dados que nos enviaram do seu marido, o nosso sistema identificou

uma correlação com o ADN encontrado no corpo da vítima.

Parcial. Quando o corpo foi encontrado já tinham passado alguns dias desde a

morte, portanto os resultados são inconclusivos.

Ana, queremos pedir -lhe para exumar o corpo do seu marido.

Não quer ficar com a certeza que ele é inocente?

O meu marido era incapaz de fazer uma coisa dessas.

Eu agradeço que se retirem.

Por favor.

Olhe.

Caso decida fazer o que está correto.

Como mãe pensa nos pais da miúda, não é?

Pelo menos é a tua justiça.

Mãe! Mãe!

Anda vir o que eu apanhei!

Vou já!

Então? Correu bem?

Fui eu que os apanhei.

Aos dois.

A verdade, eu estava lá e confirmo. Já temos jantar suficiente para os próximos

dias. Então olha, eu devo ter que te ensinar a arranjar peixe.

Eu agora não posso. A tua mãe não te estava a pedir.

Eu não consigo.

As entranhas do peixe fazem -me sementar. Deixa de coisas, já não és uma

criança. Deixa estar, eu trato disso. Não há nada contigo.

Pega na faca, faz -te um homem.

Eu não consigo.

Eu não consigo.

Deixa estar humilde. Eu trato, não faz.

Veja o que me obrigaste a fazer.

Agora as petas na barriga.

E atos.

E tiras de dentro.

Não me vais vomitar em cima do peixe.

O que está aqui a fazer?

Ficou muito calor, de repente vinha.

Vim a buscar os insufláveis.

Aqueles que comprámos em Lisboa.

Os insufláveis estão estragados.

Deita -os fora.

Vá.

Agora anda.

O jantar está pronto.

Bom dia.

O que é que aconteceu?

Caí.

Nas escadas.

Não sei onde é que tinha a cabeça.

Já te disse.

Espero que recupere rápido.

Mais duas semanas e... Se quiser, seu conselho, tenho aqui dois posters.

Eu também tenho uns panfletos.

Para publicitar as minhas aulas de piano, como falámos.

Não se importa?

Se houver problema, diga e eu posso colocá -los noutro local.

No auditório, na biblioteca. Não, claro que não.

Aqui os panfletos.

E já tem a minha conta?

Não se preocupe, não está esquecida.

Eu agora tenho uma consulta, mas depois envia -me isso, está bem?

As melhoras.

Quer que vá fixar isso na montra?

Deixe claro.

Não é, Torres?

Bom dia, Ana.

Bom dia.

Obrigada.

Vem faltar às consultas.

Sabe como é com a morte do meu marido e o Pedro, com problemas na escola?

Não tenho tido tempo.

Não, não sei como é. A última vez que falámos foi logo a seguir ao acidente e

Ana nunca mais acabou tudo.

A Erika tinha pedido à minha assistente para me ligar para ver se estava tudo

bem consigo.

Está? Sim.

Sim, está bem. Enfim, entre os possíveis.

Olha, eu posso alterar a próxima consulta. Não fique sentada. Não.

Não, desculpe. Hoje é impossível.

Mas eu garanto que marco consulta para a semana.

Vim cá porque os comprimidos que me receitou acabaram. E na farmácia não me

estão a vender sem receita.

Eu prometo que o Marco consulta assim que sair daqui.

Mas agora precisava mesmo da receita.

Está bem, então eu vou dizer à minha assistente para lhe enviar por mensagem.

Obrigada.

Ana.

Eu quero mesmo vê -la.

Estávamos a evoluir e não vamos agora perder todo o trabalho que fizemos, pois

não? E claro que não.

Ligue -me se precisar de alguma coisa.

Em César, para falar?

Tem o meu número.

Obrigada.

Estou com a impressão de que ela está a esconder algo.

Estás a esconder?

A reação dela no outro dia?

Não sei.

Toma, meu.

E a gandeia de shot, mano.

Bora lá, bora lá.

Pedro!

Mãe, não podes entrar assim.

O que é que aconteceu ao meu piano?

Eu é que sei.

Alguém cortou as cordas.

Mas quem é que era capaz de fazer uma coisa dessas?

Não sei. Isso é que te estou a perguntar.

Achas que fui eu? É isso?

Não.

Não. Claro que não é isso, mas... Mas eu não percebo, ainda ontem estive a

tocar. É uma relíquia.

Tem ótimo som.

Já não se fazem pianos assim.

Por alguma razão.

O que é isso?

É uma faca, mãe.

O que é que está aqui a fazer? Esta faca é do teu pai.

Era.

Ele já não precisa dela.

Eu não desci no piano.

Já te digo que gosto muito de ouvir tocar.

Agora posso voltar ao jogo.

Estamos a ganhar.

Desculpem lá, pessoal.

Então, puto.

Sei lá, cenas da minha mãe.

Hoje temos coelho para jantar.

Sabes que eu não pude um coelho.

Então, mas eu faço aquela receita minha especial com vinho do Porto. Tu

acostumavas a gostar.

Mexeste no meu piano.

Quem, eu?

Nem sei tocar.

Por que é que perguntas?

Está com as cordas cortadas.

Tens a certeza?

Quem é que ia fazer uma coisa dessas?

Eu quero que tu saias daqui.

Já.

Ele é visto contigo e não se quer voltar a ver.

Já!

Estou sem sono, vou ficar a ler.

Bom dia.

Bom dia. Precisa de ajuda?

Estas mangas estão maduras, não estão? Estão muito docinhas.

Que bom.

Então vou levar mais duas.

Bom dia.

Bom dia.

Mais alguma coisa?

Um pimento, por favor, vermelho.

Eu sei que não tínhamos mais nada para conversar.

Eu queria pedir -lhe desculpa pelo outro dia.

Pelo meu colega.

Não precisa.

Aqui está.

Algo mais?

Duas crujetes, por favor.

Carolina Silva.

O corpo foi encontrado ontem.

Mas muito longe daqui.

Era uma das miúdas desaparecidas.

Estamos convencidos de que foi a mesma pessoa.

Então... Então é tudo.

É tudo por hoje, sim. Obrigada. Então pode -me acompanhar.

Meu colega já pediu às vezes para fazer a exumação do

corpo do seu marido.

Sabem que não precisamos da sua autorização, não sabem?

Então por que é que está aqui?

Para que Ana possa fazer aquilo que está certo.

É tudo?

Tenha a continuação de um bom dia.

Um bom dia para si também.

8h30, por favor.

Olá, bom dia.

Dia.

O Sr. Lopes não está?

Foi a Lisboa.

Diga -me uma coisa, os meus repostes não deviam estar ali na montra?

E os panfletos, onde é que estão os panfletos?

Há assim tanta gente interessada?

É melhor falar com o Sr. Lopes.

Muito bem.

Então, para ele regressar, diga -lhe que eu estive cá.

Ainda estou à espera da conta. Não se preocupe.

Um resto e um bom dia para ti.

São Nuno.

O que é que estás a fazer?

Estou -me a vestir.

Um minuto, já te disse.

Podes entrar.

O que é que estavas a fazer?

Nada.

Vais viajar?

A avó ligou, diz que está com saudades tuas.

A avó?

Deve estar a sentir -te saudinha, sabes como é.

Diz que ias lá passar uns dias.

Mas espera, porquê?

Porque eu sou tua mãe e estou a dizer que vais passar uns dias com a tua avó a

Lisboa. Oh mãe, mas isto...

E a escola?

Eu falo com o diretor.

Tem autocarro às três.

Espera, hoje?

Mas qual é que é a urgência?

Para de fazer perguntas, despacha -te.

Mestre, faz qualquer coisa. Eu não gosto destas t -shirtes.

Está uma mala, eu faço -a, sozinho.

Saímos às duas e meia.

Eu levo -te à parada.

Ok.

Já estás pronto?

Preciso mais uns minutos, mãe.

Eu vou preparar alguma coisa para comeres no caminho.

Vê lá se não dás trabalho à avó.

Ou não lhe peças dinheiro para as tuas malequeiras. Ok.

Promete que não vais pedir dinheiro à avó. Prometo, mãe.

Tu vais chegar, mãe?

Aqui, sozinha?

Sim.

Prometo.

Vai, vem.

Mãe. Olá.

O que é que queres? És uma menina? Ok, mas não vais fazer uma cena aqui, ok?

Claro que não.

Liga -me quando chegares.

Amém.

O jantar está pronto.

Onde é que está o Pedro?

Foi passar uns dias com a minha mãe em Lisboa.

Assim de repente?

Não disseste nada.

Ela vai dar uma festa este fim de semana e precisava de ajuda, sabes como é.

Alentejo? Pode ser.

Vai bem com carne de burmalha.

O que é que se deve a este jantar?

Nada de especial.

Depois de jantar... Tocas para mim?

Claro.

Bom aroma.

Olha só.

E brindamos aqui?

A nós dois, aqui, sozinhos.

Está muito bom.

Obrigada.

Olha, é verdade.

Tenho esquecido de perguntar.

Como é que está aquela coisa das aulas de piano?

Já tens alunos?

Não.

Passei hoje em frente à loja de música.

Não vi os cartazes que andaste a fazer.

Era, mas esta é uma má altura.

Com as férias aí a chegar.

Vou dizer que tinha mais sorte em setembro.

É pena.

Ah, ia fazer bem.

Encontrei isto no escritório.

O meu antigo telemóvel.

Não funciona?

Funciona.

Muito cheira.

Quem é?

Não sei.

E esta?

Também não sei. Não conheço.

Quem é?

Para que é que me estás a mostrar essas fotografias?

Eu nem sei como é que elas aí foram parar.

Estás -me a fazer uma cena de ciúmes. Já não tens idade para isso.

Achas que eu andei metido com estas miúdas?

Sou umas crianças, porra.

Para com isso, Ana.

Para com isso.

Bate -se esta. A polícia esteve aqui.

Vão exumar o teu cadáver.

Boa sorte.

Vão fazer um puzzle com os restos todos que estão naquela caixão e provar que

foste tu que mataste a Patrícia, a Carolina e sabes lá quantas miúdas mais.

Eu?

Eu vou autorizar.

Eu era incapaz de fazer uma coisa dessa.

Tens que acreditar em mim, Ana.

Não as conheço de lado nenhum.

Já cá tinham estado, não tinham?

Já era suspeito mesmo antes de morreres.

Aquela história do ADN foi toda uma treta, não foi?

Tu mataste aquelas meninas.

Dá pra ver, né?

Nunca te menti, Ana.

Não fui eu, tu sabes disso.

Descreve.

Descreve onde é que escondeste as outras miúdas.

Para com isso.

Para com isso. O que estás a fazer?

Ana! Ana! Não fui eu, Ana! Para com isso! A polícia esteve aqui, é verdade,

verdade. Eles quiseram falar comigo, sim.

Dias antes do meu acidente.

Vieram falar comigo, mas era sobre o Pedro.

Está na altura de aceitar a verdade.

E no fundo, tu sempre soubeste disso.

O que foi que encontrou aqui?

Voltaste.

Não te podia deixar sozinha.

Faz -te ter saudades disto.

E tu?

Não sei.

Acabei por uma feita lá.

Pegavam -me conta que tu sempre foste uma menina da cidade.

Eu não percebo.

Para ti.

O meu filho já é um homem. Oh mãe!

Senhora, está tudo pronto.

Acho que está seguro.

Mas não vá com muita pressa.

Muito obrigada. Nada. Tem que precisar.

Bora!

Encontraste o pela móvel velho do banho?

O que é que tem aquela móvel?

Lembras -te de quando o nosso partiu?

Esteve ao hotel durante umas semanas.

Tinha algumas coisas guardadas, mas... Não a encontrei.

Desculpa, eu hoje é que estava estragada e deitei -me fora.

Será alguma coisa importante?

Ideias de bar.

Amém.

. . .

I'm dancing into the night

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