All language subtitles for What Happened_ Brittany Murphy T01 E01 - Part 1.pt-PT

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Original subtitles

Pode provocar convulsões a quem tenha epilepsia fotossensível.

Não aconselhado a todos.

HOLLYWOOD 20 DE DEZEMBRO DE 2009

Identificação 8917. Qual é a morada da emergência?

1895 de Rising Glen Road.

- Diga-me exatamente o que aconteceu. - A minha filha desmaiou!

- Por favor, venham depressa. - Está bem. Estamos a ir.

Consegue sentir ou ouvi-la a respirar?

- Ouves alguma coisa, Simon? - Sim ou não?

- Sim ou não? - Não.

- Não! - Muito bem, ouça com atenção.

Vou dizer-lhe como fazer as compressões, sim?

Ponha a parte de trás da mão sobre o osso do peito.

- Ele está a fazê-lo. - No centro do peito dela.

Pressione o peito com força e rápido, pelo menos duas vezes por segundo.

- Tem de ser a este ritmo. Um, dois... - Um, dois, três, quatro...

Cinco, seis, sete, oito, nove. Continue a esse ritmo.

- Oito, nove... - Isso é muito lento.

É demasiado lento.

Demasiado lento. Alguém viu o que aconteceu?

Ela estava tonta, não andava bem.

Estava engripada. Brittany, por favor, volta!

Minha senhora? Minha senhora?

CENTRO MÉDICO DE CEDARS-SINAI

Esta sala é das minhas preferidas.

Tudo o que aqui está é original, preservado no tempo.

- Terá companhia muito distinta. - Aposto que sim.

Alguns dos primeiros hóspedes do Riverview

foram numerosas celebridades

e estrelas de cinema. - Como quem?

Não posso divulgar os seus nomes.

Mas garanto que os nomes a impressionariam.

De certeza que sim.

- Obrigada pela aula de história. - De nada.

A atriz Brittany Murphy,

que começou a carreira no início da década de 1990,

e ficou conhecida pelos papéis em "Vida Interrompida",

"As Meninas de Beverly Hills" e "8 Mile", morreu aos 32 anos.

A morte foi declarada no Centro Médico Cedars-Sinai

pouco depois das 10h00.

QUE ACONTECEU, BRITTANY MURPHY?

Take três. Marca.

Obrigada.

Está bom? Muito bem.

Vou dizer uma coisa, porque quero garantir que fica.

Sei que as pessoas dizem sempre que não querem ser lembradas

por aquilo que lhes aconteceu,

mas acho que todos concordamos que uma das coisas mais dolorosas disto,

além de se ter perdido uma vida demasiado cedo

e por motivos tão errados

é que a Brittany era maravilhosa.

Não havia mais ninguém como ela.

Ela não era uma miúda de Hollywood.

O filme da vida dela é do género...

Quem entra num espaço e quase todos os que lá estão

ficam empolgados por lá estar?

E sabe que, quando sair desse espaço e for para casa,

continua a ser a mesma pessoa no filme da sua vida?

É estranho, porque acontecem coisas e não reparamos enquanto acontecem.

A vida está como que a passar.

3 HORAS DEPOIS DA MORTE DEZEMBRO DE 2009

A imprensa e os paparazzi rodearam a casa de Brittany Murphy,

em Hollywood Hills, onde vivia com o marido de há quase três anos,

o argumentista britânico Simon Monjack.

O mundo está estupefacto com a perda desta jovem atriz,

aparentemente saudável.

Recebi um telefonema do meu editor: "A Brittany Murphy morreu.

Vai já para a casa dela. Consegue pormenores."

Quando lá cheguei, lembro-me que mal consegui estacionar o carro,

porque havia imensos jornalistas e paparazzi junto à entrada dela,

talvez à espera que o marido dela saísse.

Nunca tinha ouvido falar nele antes de se casar com a Brittany

e até depois de se casar com a Brittany.

Não eram um casal de Hollywood que fosse fotografado em jantares.

Nunca saíam.

Ele era misterioso, no sentido de: "Quem és tu?"

Mas não sabíamos o que acontecera.

Só sabíamos que esta jovem estrela de Hollywood, de 32 anos,

morrera subitamente.

Apareceu no meu feed de notícias. "Brittany Murphy morre aos 32 anos."

E eu disse: "O quê?"

Hoje, vou falar-vos sobre uma verdadeira história criminal que me interessa muito

assim como maquilhar-me.

Se a morte da Brittany Murphy podia ter sido evitada? Sem dúvida!

Ela tinha transtornos alimentares.

Toda a gente pensou: "Sofreu uma overdose?"

Aquele empresário manhoso com quem Brittany se casou...

Aconteceu algo estranho.

Pode significar que ela estava a ser envenenada.

O FBI estava a vigiá-los.

A casa está amaldiçoada?

Eu disse. Sabia que ela fora assassinada.

Brittany Murphy... Que poderá ter acontecido?

A especulação aumenta em torno da morte súbita da atriz Brittany Murphy.

Ed Winter é o assistente de médico-legista.

Estamos a investigar a morte de Brittany Murphy.

Chamo-me Ed Winter.

Supervisionei as mortes de celebridades de grande destaque,

incluindo a de Brittany Murphy.

Fomos à casa dela, onde estavam os familiares mais próximos,

o marido, Simon, e a mãe de Brittany, Sharon.

Sharon estava sentada no sofá. Chorava um pouco, parava,

falava com Simon ou dizia algo e recomeçava a chorar.

Simon parecia estar sob a influência de algo.

Andava de um lado para o outro e talvez não fosse muito coerente.

Havia vários pequenos indicadores que não pareciam corretos.

Sentimos os pelos da nuca a eriçar-se e pensamos: "O quê?"

Disseram que tinham ficado acordados até tarde.

Ela tinha sintomas gripais.

Tinham estado em Porto Rico duas semanas antes.

E, enquanto lá estavam, ela adoeceu.

De manhã, Brittany foi à casa de banho e, pouco tempo depois,

Sharon encontrou-a sem reação no chão da casa de banho.

Levaram-na para o duche e ligaram a água fria,

para ver se a conseguiam reanimar.

Houve um atraso no início da reanimação.

Que está a acontecer? Porque chegou assim tão longe?

E, se ela estava doente, porque não ligaram ou trataram das coisas?

Vá lá! Há algo que não bate certo.

Vamos efetuar uma autópsia.

Os resultados finais dependerão da toxicologia e de mais exames.

A conversa entre nós era de overdose.

Parecia a única coisa lógica para alguém assim tão novo, em Hollywood.

Brittany mudara, fisicamente. Era visível.

Estava muito mais magra. Pensámos que tinha ido demasiado longe.

Fiz asneira.

Boa tarde, pessoal. Chamo-me Ryk Schoonhiem

e aqui estamos nós na 27. Feira Anual de Metuchen Country.

É o "Metuchen no Ar".

- Quer a perspetiva de uma criança? - Desculpa?

Sim, quero a perspetiva de uma criança.

- Ótimo. - Como te chamas?

- Brittany. - Brittany. Como estás?

- Ótima. E você? - Muito bem.

- Queres apresentar um programa? - Claro.

- Porque não entrevistas estas pessoas? - Está bem, claro.

- Olá! Estás a gostar da feira, hoje? - Sim.

- Como te chamas? - Carissa.

- De onde és? - Edison.

És de Edison. Meu Deus! Que idade tens?

- 11. - Porque estás na feira, hoje?

- Porque é divertido. - Gostei de falar contigo.

Viva!

Diz-nos como te chamas e em que escola andas.

Olá! Chamo-me Brittany Murphy e ando na Preparatória Herbert Hoover.

Obrigada.

Vamos ser amigas.

Está bem?

Os adultos nunca ficam amigos das crianças.

Não vejo aqui nenhum adulto.

- Criou-a sendo mãe solteira? - Sim.

- Que aconteceu ao pai dela? - Nunca esteve presente.

- Éramos só nós. - Não teve pai, ao crescer?

- Não, de todo. - Sempre quis ir para o espetáculo?

Sim. Começou numa escola de dança e teve aulas de comédia musical

quando era pequena, porque sempre teve muita energia

e já nasceu como uma pessoa do espetáculo.

Chamo-me Really Rosie!

Sou a Really Rosie!

Tenho uma série de fotografias da nossa produção de "Really Rosie".

Ela foi espetacular nesta peça.

Chamo-me John Menter e fui o primeiro treinador de representação/encenador

da Brittany Murphy.

Fizemos uma audição.

Entraram a Sharon e a pequena Brittany Murphy.

Chegaram uma hora atrasadas, talvez até mais.

Quando ela chegou... "Chamo-me Brittany Murphy".

E entregou-nos a fotografia.

E disseram: "Ainda podemos fazer a audição?"

E nós dissemos: "Sim. Façam lá a audição."

Ela cantou a sua canção e foi aquele olhar para os outros,

do género: "Temos aqui alguém muito raro."

E o resto é história.

- Que idade tens? - Tenho dez anos.

- Aonde é que isto vai dar? - À Broadway ou a Hollywood.

A ambos. Primeiro, quero entrar para a Broadway e, depois, Hollywood.

E, depois, quero fazer uma série de coisas.

Isto é uma fotografia muito gira da Britt.

Está a acenar-me.

Eu sou a Kelley Faulkner e conheci a Brittany

quando tinha 11 anos, e fizemos uma peça juntas, em Nova Jérsia.

E eu sou a mãe da Kelley, Marti Faulkner,

e eu e a Sharon ficámos muito amigas.

Pessoas adoráveis. Vou chorar.

Porque a Brittany nunca disse nada desagradável sobre ninguém, nunca.

Ela era muito engraçada. Realmente engraçada.

Fazia-me rir muito.

Adorávamo-nos. Ferozmente.

Tinha uma personalidade naturalmente brilhante e efervescente

e era totalmente genuína.

Uma noite, chegou ao segundo verso, teve uma branca e esqueceu-se da letra.

Lançou-se num interregno de dança completamente improvisado,

com pontapés muito altos e piruetas e, depois, terminou a canção.

Isso resumiu exatamente quem ela era, como artista,

que era destemida e no momento.

Muita gente diz: "Aposto que foi a mãe a empurrá-la para o espetáculo."

E eu diria: "Nem pensar."

Senti realmente que era algo que a Brittany queria fazer.

A Brittany chegou ao limite em Nova Jérsia.

E a Sharon perguntou a Brittany: "Queres mesmo seguir isto?"

A Brittany disse que sim e a Sharon disse: "Está bem,

"vou deixar o meu trabalho aqui em Nova Jérsia

e vamos para a Califórnia."

3 DIAS DEPOIS DA MORTE DEZEMBRO DE 2009

A família e os amigos da atriz Brittany Murphy

chegaram a um cemitério de Los Angeles para um funeral privado.

Um amigo que elogiou a atriz disse que Murphy adorava o Natal

e ressalvou a ironia de o enterro dela ser na véspera de Natal.

Marcámos o funeral para uma determinada hora,

para que terminasse e as pessoas não andassem por ali no escuro.

Mas as luzes de Burbank começaram a cintilar levemente

e o dia deu lugar à noite. Houve uma beleza nisso.

Sou a Sara Hammel e estava a trabalhar na sucursal da revista "People"

em Los Angeles quando a Brittany Murphy morreu.

O meu trabalho consistia em descobrir o que ela andara a fazer

nos últimos dias, falar com quem a conhecia.

Que teria corrido mal? O que acontecera? Ouviam-se diferentes histórias.

Mas a única que permanecia consistente era que Simon Monjack era mau para ela.

Ela conheceu-o em 2006.

Ele era conhecido como argumentista.

Ele estava sempre em pano de fundo e estávamos sempre interessados nela,

mas depois de se casarem, estavam sempre fechados naquela casa.

Foi muito interessante quando o Simon Monjack entrou em cena,

porque ninguém sabia nada dele, até saberem dele, certo?

- Brittany, está aqui um miúdo... - Não.

Ele parecia muito mais velho do que ela. Não quero usar a expressão de Svengali,

mas parecia mais uma questão de controlo.

- O último, pessoal. - Está bem.

Já chega.

Era um casamento entre uma estrela e um argumentista desconhecido.

- Ela casara-se recentemente. - Casara-se há três anos.

Sim, Simon Monjack.

Mas aquilo que é muito estranho

é que ele disse que não queria uma autópsia.

Simon pediu mesmo que não se fizesse uma autópsia.

E, por vezes, isso é indicador de que alguém não quer que descubramos

aquilo que tinham no sistema.

E eu expliquei-lhe que haveria uma autópsia

e que tínhamos de descobrir por que razão ela falecera.

Estávamos à espera da autópsia e começamos a pensar:

"Pronto, quem lucrou com a morte dela?"

E ele ainda vive naquela casa com a mãe de Brittany.

Saíram uma fotografias,

tiradas por um fotógrafo meu amigo, do Simon Monjack com a Sharon Murphy.

Pareciam uns pais de luto, por oposição a um marido e à sua sogra.

Mas era aterrador.

Ele e a Sharon continuaram a viver juntos naquela casa.

Portanto, suspeitava-se que Simon pudesse ter estado envolvido

na morte de Brittany.

Uma mulher de 32 anos morre subitamente e não quer que lhe façam uma autópsia?

Que é que se passa?

4 DIAS DEPOIS DA MORTE DEZEMBRO DE 2009

A quantidade de jornalistas e paparazzi diminuiu e nós ficámos.

Disseram-nos que ficássemos.

Passei a noite no meu carro. Era quase ininterrupto.

E depois... Nunca me esquecerei disto, porque foi no dia de Natal

e recebi um telefonema de manhã, do meu chefe, que me disse:

"Vai comprar flores e leva-as à casa da Brittany."

Comprei flores, toquei à campainha, o Simon respondeu e eu disse:

"Feliz Natal! Lamento muito pela Brittany."

E disse: "Tem aí o meu cartão, se quiser falar, mas sem pressão."

E fui-me embora.

Não passou sequer uma hora.

Recebi um telefonema de um desconhecido, mas atendi e era o Simon.

E eu pensei: "O quê? Porque me está a ligar?"

Fiquei como que em choque.

Eu disse: "Olá!" E ele disse: "É a Amber, certo?"

Eu disse que sim e ele disse: "Obrigado, recebi as flores."

Ficou em silêncio um instante e disse: "Foi a única a quem eu liguei."

E eu disse: "Oh."

"E decidi que é a única com quem eu quero falar."

Agora, tinha acesso a ele.

Muita gente em Hollywood está absolutamente chocada

com a morte de Murphy.

Começou a sua carreira quando ainda era muito nova,

começando com pequenos papéis em anúncios e sitcoms.

Brittany teve sucesso imediatamente, fazendo piloto atrás de piloto.

Eu nem conseguia acreditar na quantidade de trabalho que a miúda recebia.

Chamo-me Lisa Rieffel e era amiga da Brittany Murphy.

Ambas fomos atrizes na infância, ambas adorávamos cantar

e gostávamos dos mesmos rapazes, às vezes.

E conseguimos muitos trabalhos juntas.

Isto foi de uma festa de comemoração por ambas termos conseguido pilotos.

Chamo-me Chris Snyder, sou empresário

e fui o primeiro agente da Brittany Murphy em Los Angeles.

A Brittany tinha 14 anos quando entrou nos escritórios.

A televisão era engraçado,

mas a Brittany queria muito ser uma estrela de cinema.

Ela queria aparecer em filmes.

Mas lembra-te, Dorothy: já não estás no Kansas.

Chamo-me Amy Heckerling.

Escrevi e realizei "As Meninas de Beverly Hills",

que foi o primeiro filme em que Brittany Murphy participou.

Vimos muitas pessoas para o papel de Tai.

E senti que estavam todas a atuar, por oposição a sentir.

E quando a Brittany chegou, ela foi genuína.

Parecia uma miúda doce, que não se enquadrava com as outras

e que estava a tentar ser simpática, mas que estava perdida neste mundo.

E era exatamente isso que eu procurava.

E ao fundo!

Em "As Meninas de Beverly Hills",

a Brittany tinha 17 anos. Portanto, era uma miúda.

Era um grupo de pessoas maravilhosas.

E todas começaram a desenvolver amizades.

E ela era mais nova do que todos e havia uma espécie de qualidade doce,

infantil e perdida que ela tinha, que nos parte o coração.

Quando ela conseguiu aquele papel, foi como se se ouvisse um Aleluia.

E ficamos sempre felizes por dar essa notícia às pessoas,

porque sabemos que isso vai mudar toda a vida delas.

- Tens aí um belo alto. - Sim.

Sim? Estás pronta para voltar para ali?

- Sim, estou. - Está bem. De certeza?

Consegues fazer isto? Dançando com os amigos...

- Dançando com os amigos... - Sim, vamos a isso. Estás pronta.

Ponham-no no The Criterion Collection, no Hall of Fame.

É um dos grandes filmes já feitos. E eu luto com quem quer que discorde.

Não se pode ser adolescente e não adorar este filme.

Não se pode ser adolescente e não adorar a Brittany nele.

Ela fica com todas as falas queridas e com todos os momentos queridos.

És uma virgem que não sabe conduzir.

Uma das melhores falas já escritas,

uma das melhores interpretações de sempre.

Isso foi muito duro, Tai.

"És uma virgem que não sabe conduzir."

A forma como ela o diz dá-nos arrepios.

É do género... Ena! Adorei a atuação dela.

Deixou que a sua doçura transparecesse.

Portanto, pudemos ver quem ela era e amá-la, o que era importante.

Por vezes, ouvimos falar das outras raparigas que consideraram

para o papel de Cher.

Nunca ouvi falar de ninguém que pudesse ter feito de Tai, além dela.

Foi o lançamento da carreira dela.

E, se não gostam deste filme, devem ser más pessoas com mau gosto.

Só quando o vi, no cinema. Pensei: "Ela vai ser uma estrela.

Vai ser uma enorme estrela."

Brittany Murphy!

Voltando às gravações do filme. Ela ainda andava na escola?

Acho que ela não andava na escola. Podia ter-se emancipado.

Ela não tinha de ir à escola, como os miúdos normais.

Eles davam-lhe os livros.

Podia passar semanas sem lá ir e apenas entregar os trabalhos.

A maior parte da aprendizagem acontece em estúdio, com um tutor.

Quando se está sempre a trabalhar e não se está muito perto de crianças

e os nossos únicos amigos são outros atores,

perde-se muitas coisas.

Não ganhamos tanta consciência das pessoas e do que elas são capazes

e das coisas más de que as pessoas são capazes ou das mentiras.

Tudo aquilo que se trabalha no preparatório e no secundário.

Portanto, são apanhados neste vazio de não saber quem é boa pessoa

e quem é má pessoa.

32 DIAS DEPOIS DA MORTE JANEIRO DE 2010

- Como está a lidar? - Não se lida.

Vivemos apenas uma vida surreal e esperamos que, um dia, faça sentido.

- Vou para casa. - Pronto, muito obrigado. Obrigado.

Sou o Roger Neal, o publicitário do Simon Monjack e da Sharon Murphy,

depois da morte da Brittany.

Cerca de um mês depois da morte de Brittany,

recebi um telefonema do Simon Monjack.

Precisavam de um publicitário, porque havia muito falatório, boatos.

Quando me ligaram para me encontrar com eles,

fui à Internet e pesquisei.

Esta fotografia... Eu não os teria posto nesta posição.

Para mim, não é uma pose típica de genro e sogra numa fotografia.

Estamos a falar de alimento para os tabloides.

Tinham dado algumas entrevistas,

porque o Larry King é a única entrevista que o mundo vê.

Mas, ao ver aquele programa, não foi mesmo nada bom para eles.

- Ao início, não queria uma autópsia? - Não, não queria.

Era uma mulher que perdeu uma filha. Foi um grande choque.

Aquele corpo prístino, com curvas nos sítios certos...

- Não foi um acidente de carro. - Com pele como seda.

Como é que eu posso dizer, à frente da mãe dela: "Cortem-na"?

Quando o vejo, é do género: "Não!"

Faz-nos estremecer, ver partes daquilo. E ela parecia um pouco descontrolada.

- Vivia na casa? - A Sharon sempre viveu connosco.

- Sim, eu... - Viviam os três juntos?

Eu sempre lá estive. Sempre vivi com a minha filha.

- E que aconteceu? - Éramos os três.

É por isso que estes boatos são tão ridículos.

Vi mesmo uma parte e tinha uma pergunta na cabeça:

"Isto é a sério ou é treta?"

Fui contactado pelo motorista que os conduziu, naquela noite,

que era um agente da Polícia de Los Angeles,

que tinha um part-time como motorista e ele disse:

"Chegaram ao estúdio, deram aquela entrevista cheia de lágrimas,

à frente do Larry King..."

- Larry, agarrámo-nos um ao outro. - Passaram semanas.

Choramos dia após dia.

Deito-me e olho para o teto.

A minha sogra chega com neuropatia, a tremer, a precisar de um abraço.

O motorista disse que, assim que saíram,

parecia que toda a entrevista tinha sido uma fraude.

Vou dizer isto, porque sei que não consegues.

Ela disse: "Mãe, estou a morrer. Amo-te."

"Mãe, estou a morrer. Amo-te"? Ela sabia que estava a morrer?

- Foi cerca de uma hora antes, mas... - Não, querida, foi...

- Esqueceste-te do tempo. - Querido...

O que eu retirei daquela entrevista foi que a Sharon cedeu ao Simon.

E quando os encontrei pessoalmente, ele estava basicamente ao controlo.

E lembrem-se de que fora a Sharon e a Brittany

durante toda a vida de Brittany, antes do Simon.

Tenho uma ideia. Vamos fazer uma transformação.

Não, não...

Vá lá, vamos!

Muito bem. Chamo-me Bruce Bibby.

Escrevia com o pseudónimo Ted Casablanca.

Acho que ela sabia que tinha algo diferente,

aquela irreverência de Jérsia.

Eu adorava isso nela.

Mas ela não era uma típica menina bonita.

E há muitas jovens em Hollywood que são muito pressionadas

para parecerem a típica mulher bonita.

Esta é a Brittany Murphy em 2000, na revista "Interview".

"Uma pessoa muito importante em Hollywood

"disse que eu não era boa para comer.

"Que era boa para abraçar, mas não para comer.

Portanto, pus estas extensões no cabelo e isso fez uma grande diferença."

Pois, bem-vinda a Hollywood.

Saiu um comentário de que ela era gira, mas não era de se comer.

E ela não percebeu essa parte.

E, pouco tempo depois disso, vi-a numa estreia.

E ela tinha perdido muito peso e vestia-se de forma muito diferente.

ELA PASSA DE ESTÚPIDA A FIXE.

No meu filme, a personagem que Brittany interpretava

sobre uma transformação.

E eu fiquei com a sensação de que havia aí um paralelo.

Tinham decidido: "É isto que Hollywood aceita.

Por isso, vais fazer uma transformação à Hollywood."

A Brittany Murphy era supergira.

Mas, em Hollywood, é preciso ser a Gwyneth Paltrow.

Costumas ver as superestrelas?

Sabes qual é a cena delas? O cabelo.

Para seres uma estrela, tens de saber arranjar o cabelo.

Eu também tinha medo de ser loura.

Mas sonhava com isso, o que parece muito superficial, mas...

Estava sempre a voltar a isso, nos meus sonhos,

portanto achei que tinha de concretizá-lo na vida real.

É evidente que ela estava a tentar tornar-se alguém que não era.

As pessoas dela dizem-lhe isso, assim como os executivos.

Ela viveu num tempo e trabalhou num tempo

que tinha uma perspetiva muito malvada e dura

do aspeto que as pessoas deviam ter.

Objetificava-se o corpo das mulheres e comentava-se.

E pode ser uma carnificina junto destas jovens atrizes.

Estão a forçar o visual. Ela é sensual, tem o cabelo louro,

um corpo anorético que tem imenso estilo.

Pronto, aqui está a Brittany a dizer, do nada:

"Não tenho um distúrbio alimentar."

É como se ela soubesse que andava por ali com uma letra escarlate no corpo

que significava anorexia, como tantas mulheres em Hollywood.

Toda a gente sabia, toda a gente falava disso.

Um dia, estávamos a gravar na Fox e eu disse: "Estás bem, querida?

"Acho que o louro te fica lindamente, mas foi ideia tua?

O teu lindo corpo está a diminuir."

E ela disse: "Foi o que me disseram.

"Que se quisesse ser considerada para protagonista,

tinha de perder muito peso."

E soltem-me!

Como uma verdadeira estrela.

39 DIAS APÓS A MORTE

Depois do telefonema inicial, no Natal,

o Simon sugeriu que nos encontrássemos pessoalmente.

Portanto, encontrámo-nos para jantar no Chateau Marmont.

Foi a primeira vez que o vi.

Falara com amigos na indústria

que me tinham dito umas coisas sobre o Simon que não eram agradáveis.

Mas o meu trabalho era ficar amiga dele.

Quando o encontrei, ele estava nervoso, a transpirar.

Foi mesmo muito estranho estar perto dele

e a forma como ele falava sobre ela.

Ele gostava de assumir o crédito pela carreira dela.

"Neste filme, ela não estava fantástica? Porque lhe disse que usasse isto."

Ou: "Disse-lhes que mudassem isto no guarda-roupa."

Ele fez de si mesmo o chefe daquela família.

Disse: "Sei como as pessoas me veem.

"Acham que sou controlador, que sou isto e aquilo.

"A verdade é que éramos almas gémeas.

"Era uma grande história de amor ao jeito de Hollywood

e ninguém o queria ver assim."

Lembro-me que, depois de ter jantado com ele,

alguns colegas ligaram-me e disseram: "Meu Deus! Foste jantar com o Simon?"

Porque já havia comentários

no sentido de o Simon poder ter tido algo que ver com isto.

Mas eu não pensava: "Estou aqui com um assassino?

Poderá ele ter matado a mulher? Matou a mulher?"

A imprensa, por causa das celebridades, persegue-nos.

Dizíamos o que podíamos, mas não divulgávamos a causa da morte

até se fazer a autópsia e termos o resultado da toxicologia e dos exames.

No caso de uma investigação de morte, não precisamos de mandados de busca.

Podemos entrar.

Quando um investigador está numa casa, vê o armário dos medicamentos.

Verificámos as mesas-de-cabeceira.

Na mesa-de-cabeceira de Simon,

encontrámos aproximadamente 90 frascos de comprimidos

com vários nomes diferentes, o que é extremamente invulgar.

Também encontrámos frascos de comprimidos em nome de Brittany

e de Lola Manilow, que possivelmente seria um pseudónimo.

Receia que a toxicologia possa revelar uma overdose de medicamentos?

- Não. - É possível?

- Não. - Não.

Durante a investigação, emiti mandados de busca

a várias das farmácias de onde muitos dos medicamentos vieram.

Havia várias receitas, de vários médicos.

Se parecem que têm demasiadas receitas de vários médicos,

criam pseudónimos e pedem aos médicos que passem as receitas,

para que possam continuar ou aumentar a sua dependência.

Dá-me só o maldito Valium.

Não sabiam se ele a controlava e lhe dava drogas.

Simon tinha realmente um problema com comprimidos.

A mãe de Brittany também parecia estar a tomar algo.

Esta é a Brittany! Adoro a Brittany! Adoro a Brittany!

É a minha boa amiga! Adoro a minha amiga.

Deixem-me beijá-la!

Não vais para casa, vais?

Está a obrigar-me a ir para casa e eu quero ficar.

Kiki, vais já para casa? Vais para casa?

A Kiki vai para casa e eu...

Vou para casa daqui a pouco, com o Joel.

Vamos fazer uma introdução.

Diga-me quem é e o que faz e qual é a ligação com a Brittany.

Não sei quem eu sou. Está a falar do meu nome!

- Chris Hanley. - Eu sou a Roberta Hanley.

Conhecemos a Brittany quando gravámos o filme "Autoestrada do Inferno".

Também acho que a Brittany ficou amiga de algumas das atrizes.

- Da Kirsten Dunst, sem dúvida. - Da Kirsten Dunst.

Era como que um grupinho de raparigas que estavam a surgir.

E todas se tornaram amigas.

A Brittany estava numa das cenas na prisão que nós tínhamos e...

Ela ficou com o papel mais duro do filme porque interpretava insanidade.

Esperava que pudesses mostrar a oficina à Vanessa, mais tarde.

Não posso.

É que estou limitada.

Depois, no "Vida Interrompida", esse tipo de filmes...

Ela normalmente ficava com os papéis dramáticos

devido à sua perspetiva muito particular sobre como abordar o drama,

que nunca era como nenhuma outra atriz.

Sai ou chamo a Valerie! Valerie!

Sim, porque não chamas a Valerie?

Vamos chamar a Valerie e pedir-lhe um laxante,

tal como a Suzie Q tem na maldita mão! - Não tomo Valium.

Quando ela fez o "Vida Interrompida", pensámos: "C'um caraças!"

Achei que ela devia ter recebido um Oscar.

Nunca tinha visto nada assim.

A Brittany era um nervo bruto, exposto ao ar,

como quando se lasca um dente.

Cerca de uma semana antes das gravações, chamei-a

e a Brittany fez algo interessante, tornando a cena íntima e silenciosa.

- Não quero ouvi-lo. - Eles só querem...

Só querem um número. Um número com sete dígitos.

Tu queres o que eles querem.

E quando gravámos a cena do teste de ecrã, no dia das gravações,

tornou-se uma versão muito mais volátil e explosiva daquela cena.

- Queres o que eles querem. - Sabem que sabes o número

e vão matar a minha menina, se não mo disseres.

- Para! - Qual é?

Sabia que a Brittany percebera, no contexto, na música do filme,

tinha de ser aquilo, naquele momento.

Quando ela fez o "Spun-Viagem Radical", teve de enfrentar o Mickey Rourke.

Maldição! Não comeces com as tuas tretas psicológicas por aqui, sim?

Queres voltar para Las Vegas com aqueles cabrões que usam Gucci?

- Queres que eu vá para Las Vegas? - Por mim, até podes ir para a Florida.

Não passa um dia em que não me passe pela cabeça.

A rapariga está a gritar com ele. E ele aceita-o e diz: "Sou um falhado."

Preferia estar em qualquer sítio, em qualquer sítio do mundo, agora,

a estar neste maldito quarto à espera que tu expludas o maldito sítio!

Vai-te lixar! Vai-te lixar! Vai-te lixar, cabrão!

Ela derrota o mandachuva e destrói-o emocionalmente.

Conheci a Brittany Murphy nas gravações do "8 Mile".

Foi a nossa primeira ligação.

Apareci e na minha roulotte estava um envelope selado

a dizer "Taryn".

Foi a carta mais bonita que já me escreveram, regozijando-se:

"Estou muito feliz que aqui estejas. Acho-te fantástica.

"Ainda bem que cá está outra rapariga.

Estou orgulhosa de ti por teres conseguido."

Ela é como uma borboleta que não se consegue apanhar.

É do género: "Brittany!" Ali à volta por todo o lado.

E é uma excelente atriz, mas foi muito querida comigo, ali.

- Estás a perceber? - Ouvi que és um bom rapper.

- Pode ser o outro. - Gosto disso.

Então, ouvi dizer que és um rapper muito bom.

Ela estava nervosa. Era um grande papel para ela,

a trabalhar com um enorme artista.

Isso pode começar a pressionar-nos, ao ponto até de nos vergar.

Gostei muito da primeira vez que eles curtiram na fábrica.

Ela esforçou-se muito. Ela tinha muita coragem.

Ao grito de "ação", todas as suas inibições desapareciam.

- Houve romance fora do ecrã? - Sim, claro.

- Como é que isso correu? - Correu. Veio e foi.

É fascinante saber que a química no ecrã também existe fora do ecrã.

E eu talvez tenha tido alguns ciúmes disso.

Do género: "É... Maldição!" O Marshall é fantástico, mas...

Não, estou a brincar. Mas houve especulação.

Depois do "8 Mile", ela tornou-se a miúda do momento

e eu pensava: "Isto é material de sonho."

Ela estava lá em cima.

Vais ser fantástico.

53 DIAS APÓS A MORTE FEVEREIRO DE 2010

Bem-vindos à minha casa.

Para entrar em casa, temos de pôr aqui o polegar.

E depois...

Abre-se.

Ele disse mesmo: "Queres vir à casa?"

E eu disse: "Sim. Sim!"

E ele até disse: "Terias acesso exclusivo."

Foi espantoso. Mas pareceu estranho que este marido em luto dissesse:

"Vamos mostrar ao mundo onde a Brittany morreu."

São fotografias que tirei à Brittany. Esta foi mesmo usada no funeral.

Achei que era uma fotografia perfeita e teatral

de alguém que está a fazer a vénia final.

A casa deles... Havia tanta segurança que uma pessoa pensa: "Espera. Porquê?"

Ele fez uma certa alusão a: "Fomos visados."

Quase como um teorista da conspiração faria.

Que havia pessoas no governo a observá-los.

Imenso Louis Vuitton e imenso Chanel. Gucci.

É um casaco de cabedal muito bonito. Nunca a vi usá-lo. Não é giro?

Mas é tanta coisa!

Fiquei um pouco surpreendida, porque não era o que eu esperava.

Quando se pensa em Hollywood e em gente com dinheiro,

pensa-se numa casa grande, limpa e moderna.

Acabámos por subir até ao quarto principal,

onde ficava a casa de banho onde ela fora encontrada.

Esta é, obviamente, a famosa casa de banho,

onde ainda ninguém conseguiu entrar e limpar.

Este é o pequeno sofá de cão para onde ela caiu.

Caiu para cima da chaise longue da Clara.

Pusemo-la de lado aqui, ao lado da chaise longue.

E quando os paramédicos chegaram, tiraram-na por aqui,

passando por um dos closets,

para o quarto principal.

Sim, são as primeiras pessoas a ver a famosa casa de banho.

E é a primeira vez que eu aqui entro, na verdade.

- Já não usa esta casa de banho? - Não, não a uso, de todo.

Sim, é chocante.

Foi a primeira vez que vi a Sharon.

Ela agiu como se ele estivesse ao controlo.

Ela agiu de forma submissiva com ele, o que eu reparei e isso fez-me pensar:

"Que acontece quando não está cá ninguém?

Como é que eles agem, quando não está cá ninguém?"

Porque lembro-me de entrar na casa e a cama do quarto principal

estar toda enrugada e uma confusão dos dois lados.

E pensei: "Isto é estranho, porque a Brittany morreu."

E, de certa forma, dava para ver que duas pessoas tinham estado na cama,

recentemente. E eu disse-lhe algo.

E ele disse: "Eu e a Sharon... A Sharon vem para aqui, às vezes,

e choramos."

E uma pessoa pensa: "Isso é estranho." É mesmo estranho.

Ela disse ao médico-legista que ela e Simon têm partilhado a cama

para se confortarem mutuamente após a morte de Brittany.

Não, diabos! Isso é muito...

É aterrador e nojento!

Encontrei uma mulher que estava assustada, agitada, destroçada,

que não fizera realmente o luto pela sua filha.

Mas era absurdo, completamente absurdo, pensar sequer que Sharon e o genro

eram mais do que sogra e genro. Ela amava-o como a um filho.

Não havia nada como o que se especulara.

Outra coisa estranha foi que Brittany deixou tudo à mãe, em testamento.

Foi a beneficiária de todos os bens. Eram bens consideráveis?

- Ainda nem começámos a avaliá-los. - Não faço ideia.

- Estou só a perguntar. - E eu estou só a dizer.

Não estamos a fazer contas.

Estamos a comer, a viver, eu estou a pagar as contas.

Ainda nem vimos os bens da Brittany.

Ele não estava a trabalhar.

Não estava a produzir nem a escrever nada.

Mas está numa posição financeira em que não tem controlo

sobre o dinheiro dela. A Sharon é que tem todo o dinheiro.

O trabalho dele era a Brittany Murphy.

Portanto, ele tinha de pensar em maneiras de fazer dinheiro.

Para onde vão, a partir daqui? Vai para leste?

Eu vou aonde...

- Estamos colados. - Temos um trabalho a fazer.

Chama-se a Fundação Brittany Murphy. Para jovens.

Para a educação, para coisas como o que está a acontecer no Haiti.

Nas semanas que se seguiram à morte dela, não o consegui processar.

Portanto, passados uns dias, acho que contactei a família ou eles...

Esqueci-me de como foi. É tudo uma mancha.

Mas lembro-me de ter dito:

"Vou fazer um vídeo de compilação, um vídeo de recordação."

Lembro-me que estava a meio da edição desse vídeo de recordação

e chegou um e-mail com um convite.

E falava sobre uma contribuição para a Fundação Brittany Murphy,

uma quantia em dinheiro que era pedida, de vários milhares de dólares ou assim

e eu só pensava: "Porque fariam isso?"

Simon surge e diz ao mundo que criou uma fundação

e que vai cobrar aos amigos e familiares para irem a esse memorial.

Foi visto como uma grande falta de gosto e uma caça ao dinheiro.

Lembro-me de ter uma reação muito negativa a isso.

E liguei a algumas pessoas e elas estavam de acordo.

E acho que passadas apenas horas, a imprensa já o detetara.

E houve uma grande reação.

E, sem grande surpresa, passados poucos dias tudo se evaporou.

E nunca houve um memorial.

O mundo conseguia ver que este homem estava agora a tentar lucrar

com a morte da mulher de uma forma muito bizarra.

Ele era uma espécie de vigarista. Tinha muitos esquemas.

Passa do Ashton Kutcher para o Simon Monjack

e há aí algumas questões.

Ambas gostámos do mesmo rapaz, a dada altura. Mas ela ficou com ele.

Havia um certo namorico e depois eu apareci numa festa

e ele diz: "Sim, é a minha nova namorada, a Brittany."

E é do género: "Fixe!"

Na altura, para as mulheres, não havia muitas oportunidades.

Podia haver comédias românticas concentradas num público feminino,

uma romance espantoso que tem umas partes engraçadas

e começos estranhos ou assim. Não sei qual é o padrão.

Tentaram enfiá-la nisso, por uns tempos.

E ela e o Ashton faziam um casalinho querido.

Quando se está em primeiro ou em segundo lugar na lista de chamadas,

isso acarreta grandes expectativas.

Éramos todos muito jovens e isso era novidade, para nós.

E este era um novo nível de oportunidade.

Costuma haver dois tipos de atores:

há atores que planeiam a forma como farão a cena

e há outros atores que estão comprometidos de momento em momento.

E a Brittany está certamente no segundo grupo.

A forma como a Brittany fazia um take

não ser necessariamente a maneira como seria o próximo take.

Portanto, isso obrigava realmente

a uma autenticidade de momento em momento,

que era como a Brittany era.

O Ashton e a Brittany, desde muito cedo,

mesmo antes da ligação romântica, havia uma química entre eles.

Ele era enorme e ela era minúscula.

E havia uma espécie de sinergia perfeita entre eles.

Em termos de comédia, fisicamente e no ecrã.

E o facto de isso passar para fora do ecrã

contribuiu para uma narrativa que não fez mal ao filme.

De certa forma, "Casados de Fresco" é o auge dela como estrela de cinema.

Rende acima dos cem mil dólares

e ela namora Ashton Kutcher na altura da sua promoção.

Isso é ela a ser uma rapariga do momento.

- A estrela de "Casados de Fresco". - Com Brittany Murphy.

- Que é a nova namorada. - Sim.

"As Meninas de Beverly Hills" foi um êxito, mas era a feia.

Era uma miúda feia e gorda. E transformou-se.

De que estás a falar?

Não quero ser duro com a tua namorada, mas parece ser rodada.

Acho que ela teve uns três namorados, até agora.

A sério? É melhor usar preservativo. Ela esteve com o Eminem.

Para! Que estás a dizer?

Não sabemos o que ele andou a fazer.

Quando viste o filme, achaste que a ias comer?

Sim, mas sabes o que fazem sempre com a miúda feia do filme?

É sempre uma miúda bonita, que eles diminuem.

É verdade.

Mas ela era uma miúda gorda e feia.

Ela não era gorda. Howard...

De que estás a falar?

Aquelas pessoas são cúmplices. Quem escreveu e falou sobre ela

e fez títulos sobre esta deslumbrante e linda...

Ela nem sequer era gorda, pelos padrões da sociedade!

Tinha um tamanho perfeito.

E, depois, ela diz "Está bem" e perde peso

e não sabemos se foi saudável ou não e continuam atrás dela.

Deixem as mulheres em paz! Deixem-na trabalhar!

Não fazemos isto aos homens.

Brittany!

Eu leio tudo o que se escreve sobre mim.

Todas as coisas más que se dizem e as críticas más.

Não sou e nunca fui anorética nem bulímica.

Além disso, o Ashton não acabou comigo. Foi mútuo.

Há um preço a pagar por se ser uma celebridade.

Quando se quer ser artista e se descobre que se é uma celebridade,

nem sempre é o que pensamos que será. Pode ter impacto em tudo.

Pode ter consequências na nossa saúde e nas nossas relações.

Lembra-se de quando ela acabou com o Ashton?

De eles namorarem?

Não quero falar sobre isso.

Que é que isso importa? Foi só uma separação.

Sei que houve situações que a deixaram destroçada.

Ela devia andar à procura de algo que não chegava

ou não era realista no universo de Hollywood.

TÓQUIO ABRIL DE 2006

Acho que, como seres humanos, duvidamos de nós mesmos.

Perguntamo-nos e também nos habituamos a hábitos

e de depender de certas pessoas que podem não fazer bem à nossa vida

e que não percebemos, mas que, ao libertarmo-nos

percebemos que há um universo

e sentimo-nos uma pessoa completamente nova.

Brittany Murphy namorara de forma normal

para alguém na casa dos 20 anos.

Ashton Kutcher disse que nunca conhecera que quisesse tanto casar-se.

Ela estava pronta para assentar. Ficou noiva de um homem mais velho.

Isso não resultou.

Namorou alguém que trabalhava na produção.

Era uma brasa, mais nova, que tinha mais ou menos a mesma idade dela.

E também ficaram noivos.

Ela acabou com ele pouco antes de deixar de trabalhar

no "Sozinha em Tóquio", em Tóquio.

Achei que era muito corajoso vir para Tóquio,

mas estou um farrapo.

Estou tão sozinha!

Ela voltou para L. A. e estava sozinha.

E tinha uma reunião marcada com Simon Monjack,

que era conhecido como argumentista e também como realizador.

Portanto, foi a essa reunião.

A partir desse dia, tornaram-se quase inseparáveis.

Ela estava pronta.

O Simon Monjack também parecia querer assentar

e acho que chegaram a essa conclusão, estando ambos a falar a sério.

Portanto, era aí que Brittany estava, quando conheceu Simon.

Para de viver a tua vida como se estivesses num filme.

- Desculpa? - Para de tentar escolher

o verdadeiro amor, em vez de o conheceres.

O amor nem sempre é um relâmpago.

O verdadeiro amor pode ser decidir arriscar com alguém.

Talvez o amor não seja uma coisa que te acontece.

Talvez seja uma coisa que tu tenhas de escolher.

- Então, que é que eu faço? - Podes começar por pôr

essas fantasias do amor verdadeiro no lugar delas: numa obra de ficção.

Acho que ela não tinha um bom registo de homens que se importassem com ela.

E ela era uma romântica.

Queria realmente encontrar um tipo que a amasse

e pergunto-me realmente se ela pensava que tinha encontrado isso no Simon.

Pessoalmente, espero que sim, para ter tido essa paz.

Penso que é evidente que o Simon estava interessado no Simon

e não na Brittany.

Ela queria casar-se com ele e eu disse:

"Ainda não há tempo suficiente."

Acho que todos dissemos a mesma coisa.

Exceto a Sharon. Acho que a Sharon era a favor do casamento.

Sharon criou Brittany como mãe solteira. E o Simon tornou-se o homem da casa.

Sharon e Brittany tinham uma fé cega.

Se o Simon dissesse: "Temos de fazer isto",

não havia qualquer questão. Elas faziam-no.

O pai dela foi-se embora quando ela era muito pequena

e havia mesmo uma questão, aí.

Ela procurava uma figura paterna, alguém que tomasse conta dela e da mãe.

Simon deu-lhe muita atenção e disse que era multimilionário.

A transição que Brittany fez foi paralela à transição que Sharon fez.

De uma mãe muito focada, amorosa e forte para alguém que parecia hipnotizada.

Todos ficámos assustados e aterrados.

Quem era aquele tipo? E que estava a acontecer?

55 DIAS APÓS A MORTE FEVEREIRO DE 2010

O médico-legista diz que a autópsia de Murphy está pronta

e que os resultados da toxicologia e dos exames aos tecidos

ajudarão a determinar a causa oficial da morte.

Sou a Dra. Lisa Scheinin, vice-médica-legista,

também conhecida como patologista forense.

E fiz a autópsia a Brittany Murphy.

Adoro quebra-cabeças. Faço quebra-cabeças todos os dias.

E, para mim, uma autópsia é só mais um quebra-cabeças.

Uma das coisas que fiz foi um hemograma.

A hemoglobina é o composto no interior dos glóbulos vermelhos

que transporta o oxigénio.

A hemoglobina dela era de 3,0.

O normal é de 12 a 15,5.

Portanto, tudo isso nos diz que é uma pessoa muito anémica.

Se ela tivesse feito este exame uma semana ou duas antes de morrer

e tivessem um resultado assim,

qualquer médico decente a internaria nas urgências

e faria uma transfusão o mais depressa possível.

Porque é uma situação que coloca a vida em risco.

Fazemos um teste muito rápido e fácil,

para ver se os pulmões flutuam em água ou não.

Devem flutuar na água, pois devem estar cheios de ar.

Portanto, enche-se um balde com água, pega-se numa secção do pulmão,

mergulha-se na água e vemos se flutua.

Tirámos uma secção de todos os lobos do pulmão.

Três deles foram ao fundo.

Isso diz-nos que estamos perante uma grave pneumonia.

Não foi uma coisa que ela tenha apanhado um ou dois dias antes.

Já andava com isto havia algum tempo.

A terceira coisa foi o exame toxicológico.

Ela não tinha vestígios de álcool nem de consumo abusivo de drogas

no sistema.

Tinha apenas medicação prescrita e legal.

A anemia em si teria sido fatal, mesmo sem a pneumonia.

A pneumonia foi fatal. E, depois, juntamos isto à equação.

Pode ser esta a gota de água.

No final, atribuí a principal causa de morte à pneumonia

e como factos associados coloquei a deficiência de ferro, a anemia.

Provavelmente, tinha as defesas mais fracas, devido à anemia grave.

Depois, aparece esta pneumonia e isso desequilibra tudo.

Se ela tivesse chegado a um hospital suficientemente cedo,

pode-se detetar uma pneumonia num raio-X ao tórax.

É muito fácil de fazer.

Podiam ter iniciado o tratamento. Mas ela teria tido uma hipótese.

Uma pessoa jovem e saudável não morre de pneumonia.

Não compreendo.

Aquela resposta não me deixou realmente satisfeita.

Normalmente, quando uma autópsia sai e alguém morre, o médico-legista diz:

"Foi assim que esta pessoa morreu." E esse é o fim da história.

Neste caso específico, não foi o fim da história.

Havia mais perguntas sem resposta depois da divulgação da autópsia

do que perguntas com respostas.

Diz que a causa da morte dela foi pneumonia.

Pneumonia. Pneumonia?

Ela era uma celebridade. Era muito influente.

Tinha dinheiro. Tinha meios.

Mais uma vez, eu teria levado a minha mulher ao hospital.

Sabia que ela estava doente havia bastante tempo.

Porque não a levou ao médico?

Houve algo fora do normal com ela nos dias, semanas ou meses

antes da morte dela? Sharon, alguma coisa?

Não. Ela...

Todos tivemos uma gripe,

porque viajámos.

- Foi quem teve menos, dos três. - Tinha uma laringite.

- Laringite, sim. - Era a única coisa e ela...

Tirando isso, estava perfeitamente saudável e bem.

Algo a deixou doente e eu fiquei com a sensação de que ele sabia.

Acho que o Simon percebeu que eu não era estúpido.

Fez o seu melhor para não dar nas vistas.

Pensou-se que ele contribuiu para a morte dela de alguma maneira.

Portanto, começamos a andar para trás. Começamos pela Brittany.

E dizemos: "Pronto, aconteceu aqui algo horrível.

Quem é este tipo?"

Nunca direi.

Uma mulher saudável de 32 anos não morre assim.

Nunca direi.

Eu ia descobrir as mentiras dele e as coisas que ele andava a fazer,

a sua história passada.

Nunca direi.

Quem era este tipo e que estava a acontecer?

Nunca direi.

A nenhum de vocês.

A nenhum de vocês.

A nenhum de vocês.

Depois de saírem notícias sobre este documentário,

a mãe e o irmão de Simon Monjack contactaram os cineastas.

É a primeira entrevista conjunta que dão sobre Simon e Brittany.

Podem dizer-me quem era o Simon Monjack?

Tradução e Legendagem - Ana Varela SANTA CLAUS AUDIOVISUAL

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