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Vai, vai, vai.
Vem.
Bora, pô.
Tá bom o quê?
Mas sei lá, eu queria ter energia ainda, entendeu?
Pra brincar com os pivetes aí, pegar onda, jogar bola, sei lá, qualquer
Mas com uns 30, uns 35, tu vai ser jovem ainda, mano.
E tu vai ser o padrinho do primeiro, viu?
Tio e padrinho.
Padrinho à distância, é?
Será que dá certo?
Quem sabe um sobrinho aí não te convence a ficar.
Jorge disse que tu quer trocar o mar pelo concreto, trabalhar no oficino.
Fota de juízo é essa, hein? Só pra começar.
Depois eu quero me organizar pra ter a minha.
E tu, Jorge, como é que fica?
A gente não nasceu pregado.
Vou ficar.
Senta todo mundo aqui.
Senta, senta.
Sai fora.
Senta aqui.
Faz as honras aí, ó.
Sende a merda, né?
Porra, bambino.
Vem cá, gente. Vem cá.
Quer se mandar?
Se manda.
Só que a gente vai ter que acertar umas pontas, né, filhote?
Entendeu? Posso ir atrás de uns correios aqui, e aí lá de São Paulo eu vou te
mandando a grana que eu te dei.
Não é assim que funciona não, cabrinho.
Ó, o tal do francês, o Maxime, me deve uma grana alta.
Mas não sai na rua sem um segurança, 24 horas.
É serviço pra dois.
Vai com Jorge e depois a gente fala sobre o teu futuro.
Tudo bem?
Como é teu nome mesmo?
Geraldo, parece que não me dizem isso importante.
. . .
dizendo que não pode fumar aqui dentro.
Tem mesmo.
Vamos tomar banho?
Pois é.
Alô? Oi, bom dia.
Aqui é do quarto 4.
É o seguinte, eu tava com a moça aqui, aí eu acredito que ela saiu e me deixou
trancado. Porque eu procurei a chave em todo canto aqui no Ashley.
Você pode vir aqui me ajudar?
Obrigado.
Por quanto?
Sabe qual é o som?
Cinco e quarenta.
Pode abrir a porta aqui pra gente conversar?
Não, de jeito nenhum.
Eu não sabia que eu tava pegando uma bandida.
Entendeu? Agora eu tenho um dinheiro em casa.
Eu posso trazer a dona... Diana.
Isso, dona Diana.
Eu tô atrasado, eu tenho um compromisso, entendeu?
Eu não tenho esse tempo a perder, não.
Eu posso passar mais tarde e posso resolver isso aí. Eu trago o dinheiro.
Ou então eu deixo um documento meu contigo. O RG serve?
RG.
Resolve ser o gerente.
Infelizmente eu não posso te ajudar.
Tá?
Então... Eu posso quebrar teu pescoço em 30 segundos, entendeu?
Ele é fino que nem o do a galinha.
Então quebra.
Quebra!
Vai! Tá com medo, é?
Da porra desse RG!
Vai!
Celular também.
Celular eu não tenho.
Rafael! Como é que você tem coragem de aparecer aqui, seu desgraçado de merda?
Rafael! Seu traíra! Ele te esperou até o último minuto, porra! Ele morreu por
tua causa! Caputo lesado! O Jorge era meu irmão, porra!
Rafael! Acorda! Pega ele!
Pega ele, Rafael!
Ei, ei, ei!
Abaixa a arma, Heraldo! Abaixa a arma! Ele era meu irmão! E ele era meu macho!
Jorge era meu irmão! A bobina vai ser tua boca de terra!
Cala a boca!
Vou ter que ficar um tempo longe daqui, mas eu dou um jeito de comunicar.
Vocês vão estar por aí. Qualquer coisa, você fala pra ele.
E o Heraldo?
O que é que tem, Heraldo?
A ciência, Carol.
Tem gente minha por toda a cidade atrás dele.
É uma questão de tempo.
Hoje não.
Eu deixei meu RG aqui.
Trouxe o dinheiro?
Eu posso ficar aqui.
Tá esperando alguém, é?
Olha, voltou rápido.
Só preciso de um lugar pra ficar.
Posso passar a noite aqui?
Tá, vai.
Ai, denguinho, denguinho, denguinho, tu sai com caramba.
Quer dizer que isso daqui agora virou guarida de bandidinha.
Bandido não.
Ele veio ontem aqui no motel, esqueceu os documentos.
Aí, por um acaso, disse que estava só de passagem, que precisava de um lugar pra
ficar.
Quer dizer, ficou com modinha, daí botou o pivete dentro de um quarto.
Quarto desativado.
É dato?
Dá pro gasto.
Quer pagar agora?
A dona Diana falou que vocês estão prestando de uma pessoa.
Que tipo de serviço você faz?
Serviços gerais, faz tudo.
Tem um curso de eletricista e mecânico.
Esse quarto fechado, sem ar -condicionado, vira uma ação.
Posso olhar o ar.
Esquece. O técnico veio aqui e disse que era marizinha.
Só comprando outra.
Às vezes é só poeira.
Posso dar uma olhada ali no ar amanhã.
Pois não?
Aí,
Elias.
Pode ligar lá, já.
Eu tenho certeza, Geraldo.
Qual que é o teu nome, moleque?
Heraldo.
Você sabe fazer de tudo.
Opa!
Oi. Eu queria um copo d 'água.
Eu dei o cozinhar.
Se quiser comer uma fruta aí pra ainda não dar fome.
Tá bom?
Falei pra você me ajudar, viu?
É provisório. É só o tempo de eu me organizar e ir pra São Paulo.
Eu soube que teve uma troca de tiro aí ontem, assaltaram uma loja no centro.
Ficou sabendo de alguma coisa? Parece que era algo do tráfico.
Não, não fiquei sabendo de nada.
Pelo menos, o CPF do bandido foi cancelado, né? O delinquente a menos.
Tomou é um monte de cura no peito.
Eita! Caralho!
Bota isso aqui.
É de lado, hein?
Angel Adan.
Por isso que não acabou sendo isso, né?
Gosta de ficar espiando?
Tô brincando.
Como é que tá tua mão?
Tá de boa.
Olha se a tua cerca elétrica aí tá magoada, né?
Posso dar um jeito, se tu quiser.
Se a vida fosse só isso...
Tem
um cajueiro aqui, ó.
Uma mangueira.
E os bichos?
Ali é o Eduardo.
E aquele ali é o Carlos.
Ele ali é o quartinho que eu te falei.
Tá bagunçado aqui, mas...
O que tu carrega nessa mochila aí?
Parece tão levinha.
Só roupa. Só roupa que tem aí.
Nunca fui de ter muita coisa, não.
Tinha uma estralha aí, só que eu vendi. E o resto tá na casa daquele primo lá.
É?
Vou trabalhar e ter tudo novo.
Bom, é isso. É simples, mas é sossegado.
Você pode armar essa rede aqui dentro. Ou até melhor, aqui fora.
É mais fresco.
O pagamento a gente faz final de semana e se você for ficar mais, a gente tenta
entender melhor como faz.
Tá novo.
Vai ser bom tu ficar aqui, juntar um dinheirinho, né? São Paulo é caro.
Oi, moquinho.
Ih, você sonhava já?
Não.
Esse é o Moco, ele dá plantão aqui.
Graças a ele eu vou conseguir dormir hoje.
Fuleiragem, Dayana.
Vai lá pra recepção.
Eu. Você vai querer sua via?
Não.
Obrigado muito.
Olha, o Patricinho esqueceu aqui.
Primeira coisa que tem que fazer é fechar essa porta.
Recolhe as coisas da cama, por favor.
Verifica se tá gozada.
Geralmente o pessoal vem da praia.
Aí enche o quarto todo de areia, viu?
Mais nada se comparar a segunda.
Peguei cada quarto no estado de misericórdia.
Você viu o pessoal que tem grana?
Consumiu um dia 800 reais só de bebida.
Essa mesma galera esqueceu aqui um pau deste tamanho, de borracha.
Quem aguentou aquilo ali era uma pessoa guerreira.
Viu tudo?
Telefona pra recepção.
Pronto, Alias.
Pode liberar. Quarto e três.
Olha esse despediço.
Dá lá, crente.
Aqui também, né?
Obrigado.
Pode gritar.
Tá bom.
Até amanhã.
Obrigado.
Estica bem.
E vai socando.
Vai metendo.
Isso, Araújo.
Tá tão
calado.
Me parece aquela pessoa que queria quebrar meu pescoço em dia desse.
Eita, essa postura.
Vai se machucar, assim.
Esse é o pauzinho.
Trinta e cinco reais. Uma pichincha, né?
Esse aqui é o anelzinho.
Pra dar aquela segurada.
Você já brigou com Deus, né?
O que é isso aqui?
Pauzão, que assusto.
Tem hora que você dá aquela fraquejada.
Você sai brincando com isso daqui, vai vendo o tempo, vai fazendo um clima. Tem
que ser criativo, cara.
Né?
Senta aí.
Tá há
quantos
anos?
Vou fazer 21.
Boa.
Moleque.
Eu aqui te apresentando, falando de consolo, de embaixado.
Então,
nem te falei, mas pode trazer quem você quiser.
Aquele quartinho lá é teu.
Vai que você fica numa seca e sai comendo o cu das minhas galinhas.
Não quero isso não, hein? Não quero isso não.
Pode deixar.
Foi muito mais difícil você ver o homem gemido, cara.
Está usando nossos brinquedos.
Vou ter que voltar lá para o quarto para terminar de agitar.
Meu irmão Louco sabe disso.
Só para você saber, eu confesso que eu tenho.
O que é
isso?
O nome dessa cobra?
Trau.
Eu já falei com os clientes, pedi desculpa.
E eles entenderam. Eu ofereci três pernoites no nosso melhor suíte.
Você acha que alguém vai voltar aqui depois de ser atacado por uma cobra?
Uma vez foi num gambá e você viu a putaria que foi.
Hein?
Já falei pra você que não é pra deixar aquela porta aberta, Dayana.
Porra.
Não, foi eu, né?
Pode ter sido o Moco.
Ou você.
Eu?
Eu? Tu esquece até teu nome.
Deve ser a idade, né?
Normal.
Eu tô ficando com meu saco cheio sem paciência. Eu não sou palhaço. Elias,
Elias.
Elias, Elias.
Calma. O que que é?
Foi mal, não.
Eu fui eu que deixei a porta aberta.
A dona Diana aí até me avisou, mas eu esqueci.
Não pode deixar essa porta aberta. Bota tua cabeça pra funcionar.
Não vai acontecer de novo.
Eu resolvi já.
terra, crema, se você quiser.
Vamos embora que o movimento vai aumentar.
Boa noite.
Tem
gente que
vem aqui, parece que vai ser esquartejado.
E o Elias, cadê?
Foi pra apartar mesmo.
Foi pra produtos eróticos.
Aquele quadro que tem lá no quarto 12, você sabe de quem é, né?
Da Bambina.
É uma pintora daqui de Pontal. Feliz que gosta.
Ela sumiu do mapa.
Parece que estava envolvida aí com um assalto.
Uma loja no centro, loja do francês.
Preciso me mandar daqui.
Sabe que tu tá protegida aqui, né?
Ninguém vai te achar aqui dentro do motel.
Eu acho que nem ele nem tu estão a me proteger daqui.
Muito bonito.
Muito bonito.
Muito bonito.
Ah!
Ah!
Desen... Desen... Desen... Desen... Desen... Desen... Desen... Desen...
Desen... Desen... Desen... Desen... Desen... Desen... Desen... Desen...
Desen...
Pega a bebida agora.
Eu ainda quero fazer mais uns quartos.
Uma cama vibradora, colchão d 'água.
Que nem as motéis que eu frequentava lá no Rio. Vai custar caro, mas vai valer a
pena.
Que foda ver esse gourmet.
Pega um carrinho lá.
Pega a bebida.
Bom dia.
Bom trabalho.
Olha o bicho que inventou de se apodar aqui.
Ei! Cadê o que acontece nesse motel, viu?
O Elias foi pra missa, né?
Ele foi entrar naquele domingo.
Isso, não?
Essa cama aqui é boa, hein?
Gostou, foi?
Uhum.
É a melhor que tem nos quartos, né?
É, sim.
Ó.
Parece uma nuvem, mano.
Tu tirou a sorte grande com teu bêbado, hein, Dayana?
Me poupe.
É, tem que dividir a cama com ele, né?
Então... E se eu te dividisse comigo?
Ah... Vou pensar.
Dança aí.
Vou fazer um striptease pra ti.
Eita, com mudança.
Tem talento.
Obrigada.
O mal te machucou, foi?
Ai, gostoso, foi.
Parece que nunca ouviu peito.
Isso é perigoso demais, se ele descobre.
O perigo é bom, ajeita as coisas.
É?
Deixa que eu vou.
Pois não?
Escova de dentes?
Notas?
Ok. Quarto doce.
Eu fui nua atender o interfone. Nem toquei.
Ainda bem que o Moco tá na recepção.
Ele nunca quis ter filho, não?
Que ele?
Eu que não quero pegar bucho.
Já basta eu ter que cuidar dele, né?
Eu tomo pílula escondida.
Se ele descobre, me mata.
Tá meio chá já.
O que foi?
Esse negócio de ficar escondida aqui tá foda.
Eu não posso te obrigar a ficar aqui.
Eu sei tão pouco de ti.
Queria saber o que é que tu tá pensando.
Tipo, agora.
O que é que se passa pra tua cabeça?
Foi, hein?
Hoje era pra ser aniversário do meu irmão, Jorge.
Quantos anos?
Vinte e cinco.
Se você for de privé, ajuda a aprender com ele.
Mas ele sempre teve essa coisa de... Querer proteger a gente.
Eu e a mãe.
A mãe teve um namorado, meu.
Infeliz condenado.
Batia na gente.
E o Jorge era o que mais apanhava, porque o Jorge sempre teve essa coisa de
ficar calado.
Tô vendo. Meu irmão não baixava a cabeça pra ninguém, Dayana.
Em vez dele apanhar, ele foi desmaiado na calçada.
E a minha mãe gritando assim, tu matou meu filho, seu maldito. Tu matou meu
filho.
Ela sempre deixava ele voltar.
Até que teve um dia que ele chegou e ela não estava em casa.
Estavam só eu e o Jorge.
E ele passou assim, atravessou.
Doidão, já batendo os dentes.
Atrás de um dinheiro que ele inventou na cabeça dele que tinha deixado lá, mano.
O Jorge só falou assim pra ele, hein, mano?
Nós não precisamos pegar nada teu, não.
Foi o suficiente pra ele partir pra cima do Jorge. Aí começou tudo de novo.
Pancada, chute, murro.
Eu fui tentar ajudar meu irmão e ele veio pra cima de mim também. Eu só
de ver a cara dele assim, mano. Com muita raiva, muita raiva, muito ódio,
A pessura.
Quando eu vi o Jorge tava atrás dele com a faca.
Uma faca dessa assim, ó, de cozinha. Aí o Jorge enfiava, mano.
Ele pegou e caiu no chão. Aí o Jorge pegou e caiu mais ainda, mais ainda,
ainda nele.
Sei lá mais quantas vezes.
A gente enterrou ele no quintal.
O Jorge olhava pra minha cara, olhava no fundo do meu olho e dizia assim, ó.
Eu que fiz isso aqui.
Você não sabe de nada.
Você não viu nada.
Eu que fiz.
Era ele ou nós.
Amém.
Obrigado.
Bora, galera, vamos ver esse negócio.
Bora, cabeça escada.
Bora, galera.
Minha vagabunda fugindo.
Aí, dei, volta.
Ei, Dayana, o que eu faço com você?
Hein?
Hein, meu amor?
Onde é que você tava que você não viu isso?
Agora a culpa é minha, de tudo, né?
Tinha que ajeitar essa cerca elétrica, eu avisei, né?
Tava certo.
Vai, Dayana, vai.
Vai, deixa eu pensar no que eu vou fazer.
Deixa eu pensar.
Me ajuda aqui.
Bota isso aí.
Bora, Araldo.
O que foi?
Preciso me mandar daqui.
Fala de coisa.
O viado deixou o cu de Viagra e infartou aqui.
Acontece. Foi a porra desse francês que matou meu irmão.
Será que isso é francês?
Eu vou me enrolar essa porra pelada mesmo aqui nessa rede.
Só tem pessoal do 4 e 6?
Não, tem do 6, o 12 e o 13.
Porra.
Essa porta.
Seguinte, deixa eu fechar o motel.
Esperar anoitecer e se livrar desse corpo aí.
Vamos colocar o corpo dentro dessa reja.
Tenho certeza.
Daniel, se a polícia vier aqui, eu tô fundido.
Vai ser um belo horrível pra esse lugar.
Você tá com a gente.
Para de rir, caralho.
Tira esse pedacinho da cama.
Tá caindo aí, ó.
Tá indo o quê, cara?
Você é foda?
O
Elias,
a gente tá indo pra onde?
Oi?
Abro os dedos.
Isso aí precisa da gente dar uma relaxada, que a gente tá precisando.
Se divertir, sabe? Fazer uma baguncinha, assim.
Aí queria te convidar.
Demora não, vida!
Pega o Guanabara e vem!
Roda!
Vem se juntar com o seu...
Pega o Guanabara e vem Cuida de mim Eu cuido de ti também Safadão
Pega o Guanabara e vem Pega o Guanabara e vem Pensa em juntar
Você Pega o Guanabara e vem
que nem o Heraldo.
O Moco ia ficar com ciúme, viu?
Se ele soubesse, porque ele nunca foi convidado pra uma farinha assim.
Aliás, a Dayana fala que o Moco tem uma quedinha por mim.
Foi dentro.
Abra a boca.
Assume a churrasqueira lá pra mim.
Vou dar uma mijada.
Fiquei gozando dessa piscina.
Eu tô sem som, Elisa.
Se tiver com vergonhinha, eu pego um calção pra você.
Não, acho melhor não.
Vai.
Finalmente o PR.
Eu vou.
Aqui não fecha, não.
Deve ter ido no banheiro, sei lá.
O
que
está acontecendo?
Será que o Heraldo errou o caminho? Não é possível.
Eu vou lá.
Não, deixa que eu vou. Está todo molhado. Oh, Deus!
Boa tarde.
Que demora foi essa, mulher?
Me dê a chave do bar, mas me conta.
Documento, por favor.
Crite logo.
Obrigado.
O nome dele é Rafael, ele trabalha para a Bambina, ele veio aqui atrás de mim.
Ele veio só trepar.
Relaxa, vem.
Vamos lá para a suíte.
Calma, eu vou ficar aqui na recepção, o banco está perto de chegar.
Fora disso.
Bora entrar?
Nossa,
não morre mais a minha Lady By.
Estava comentando aqui com o Geraldo.
Que dia que você arrebenta no polinésico. Você ficou de ponta c...
você faz coisas extraordinárias. Você dá aula, Dayana? Dou.
Né? O cara tá me carregando.
Não tô embriagado, nada.
Geraldo, faz o seguinte.
Pega um uísque lá pra gente.
Que a Dayana vai dançar pra gente.
Já molhou foi tudo, né? Saquei.
Saquei. Pega um uísque lá pra mim que eu... Eu tiro minha sonda.
Acho melhor passar um café, né, Nuno?
Café. Parece uma velha.
Vem cá,
vem cá.
Vem cá, Dayana, vem cá.
Ficar no quentinho aqui comigo, hein?
Dayana, aquele casal do 49 lá.
Saiu já. Já.
Eu aposto. Peraí, você tá cansado. Que cansado, cara?
Nenhum novo desse aguenta qualquer rojão.
Eu aposto que você já viu os mamilos da Diana.
O que é isso, Luiz?
Vai. Vai, Nego. Tira ele. Não, faz.
Tira, Nego. Tira. Eu quero ver a cara do Heraldo. Ah, Nego.
Peraí.
Tira. Mostra pra ele. Eu quero ver a cara dele.
Vai. Tira. Eu não vou mostrar meu peito de graça secretivo.
Ai, Elia.
Que exagero.
Caralho, Elias. Tá cheio.
Toleragem.
Eu vou pegar um café, né? Daí era... Caralho! Que café,
cara?
Whisky? É!
Whisky é teu rabo de whisky. Então, vai logo!
Porque é o seguinte, a gente vai começar a faixinha sem você, se isso demorar.
Gosta assim, é?
Gosta assim, é?
Tu gosta por cima, é?
E aí?
Que susto.
Tem café?
Tem. Novo, de hoje.
Tá com o pescoço?
Precisando de uma massagem.
Sai, deixa a recepção sozinha. Vai, ó.
Doido.
Obrigado.
Eu gosto demais de foder.
É?
Se tu quisesse mesmo, tu ia comigo.
Ia embora de verdade.
Sem dinheiro.
Não dá nem pra ir na esquina.
Tu não disse que metade disso aqui é teu?
É. Mas não é tão simples assim.
Já tentei terminar.
Eu fui pra casa de uma amiga lá em Mossoró.
Pois tu acredita que ele foi bater lá?
Não sei como foi que ele descobriu.
Deve ser os contatos que ele tem na polícia.
Aí eu voltei.
Aí... Logo assim ele surtou, sabe?
Apontou a arma pra minha cabeça.
E aí, quando ele se acalmou, eu comecei a arrumar minhas coisas pra ir embora.
Ele entrou no quarto com querosene e jogou querosene pelo quarto inteiro.
Me banhou de querosene, jogou querosene nele e ficou com isqueiro, dizendo que
só saía dali as minhas cintas.
Ele fez eu prometer que...
que eu não queria terminar com ele.
É? Eu só quero ir embora contigo, Sol.
Não, quer ir embora comigo.
Já pensou em... o dinheiro daqui?
Pra gente mudar de vida, Geraldo.
Confia em mim.
Tu sabe mexer em carro, né?
Tu já pensou.
Se falta o freio no carro dele... Vai aparecer um acidente.
Apareceu.
É sério.
Tu é doida, Dayana.
Eu sou doida por ti.
Bora, manda ele.
Por que tu tá aí?
Tô com dor de cabeça.
Eu achei que ele disse que era falsinho.
Tão cheirosinha.
Ai,
Lias. Para.
Peraí, Daniela. Peraí.
Tão linda.
Aí, saca.
Vai, meu louco. Já te liberei, cara. Vai descansar.
Tentando ajudar aqui as câmeras, mas... Não tem problema.
O que foi, meu louco?
Nada.
Até mais tarde.
Qual é a recepção pra mim?
Eu não terminei ainda não.
Eu tô com dor de cabeça.
Quero deitar.
Tá bom.
Vai.
Acho que deixaram cair alguma coisa no vaso.
Tive que tirar o aparelho, ainda não consegui desentupir.
Eu dei uma olhada lá na cerca elétrica também, lá no filme.
Vai dar pra aproveitar a maioria.
Mas depois eu faço uma listazinha melhor e... Certo, Elisa?
Oi.
Tava falando da cerca elétrica.
A gente sai agora, passa na loja e compra o que tiver faltando.
Mas tu não disse que tava com dor de cabeça e que queria...
Moco!
Eu vi as imagens.
Foi tu, né?
Claro que sim.
Assume logo que tu tá encantado pelo Heraldo também.
E pelo Elias. Tu é gulosa mesmo, né?
Tu tá querendo me matar, né, Moco?
Tu foi lá colocar uma câmera no quarto do Heraldo, filho da puta?
Bora, vaza daqui, vai.
Pega o beco, sai, sai.
Agora não tem mais velhinha, nem arado, nem bola nenhuma.
Cala a seca, sai daqui.
Viagem pão com ovo.
Uma língua estudativa.
Como é que tua mãe morreu?
Câncer de mama.
Não tinha tratamento, maluco?
Tinha, mas já era tarde.
E o teu pai?
O que é que quer saber do meu pai?
Ele era pescador, mano.
Dizer que ele morreu no mar, mas minha mãe nunca acreditou, não.
Ele sabia nadar desde criança.
O conhecido disse que viu uma pessoa muito parecida com ele em São Paulo.
Vendendo breguete na 25 de março.
Que destino teu, hein?
Vivendo sozinho, sem pai nem mãe.
Como é que você se virou esse tempo todo?
Roubava?
Vendia droga?
Quem cuidava de você, menino?
Hã?
Te preocupa não.
Você não tá mais sozinho.
Viu?
Desde quando tu tá comendo a minha mulher?
Desde quando cês tão rindo de mim pelas minhas costas?
Eu deveria te capar aqui agora mesmo. Filho da puta.
É isso.
Pra gente como você.
Se você aparecer na minha frente mais uma vez, vou te encher de bala.
Cadê o Aral?
Tem cliente.
Vai lá no banheiro terminar o serviço que aquele moleque começou.
O que é que tu fez com ele? Vai, Diana!
Eu vou fechar um motel.
Não veio.
Eu não sou tua empregada não, viu?
Também estou dando isso aqui.
Meu irmão estaria a enfiar a tua cara dentro dessa privada.
Elia.
Desculpa.
Amém.
Pera aí, não deixa eu fazer a massagem ainda. Sai.
Ai,
faz isso.
Pera aí.
A gente quer fazer a massagem ainda?
Não. Agora quero beijar. Não, tá machucando.
E aí, você tá com saudade?
Hein?
Levanta os braços.
Levanta os braços!
A gente vai embora, tá ouvindo, Diana?
E tu não se mexe não, seu trouxa!
Seu trouxa!
Que cara de idiota que tu tem!
Bora, Diana!
Você tá maluco? Eu já poupo tua mama pra minha cara, hein?
Tá maluco, cara?
Você tá maluco?
Calma aí, Luiz. Eu não vou arrebentar tua cara aqui, não.
Esse aqui vai dar um trabalho da porra pra limpar.
Calma, Elia.
Elia.
Calma, caralho.
Vai pra lá. Vai pra lá.
Vou pegar meu cigarro.
Fala da conta.
Vem! Vem!
Pode ir devagarinho.
Deixa eu ver esse cheiro de carne podre.
Aqui.
Para aí.
Para aí.
Para aí.
Esse cheiro é o cheiro da carne de vocês.
Calma.
Que eu e o Araldo a gente teve não foi nada.
Você é falsa.
Mandei você parar de cavar.
Tu não vai matar?
Depois mata logo.
Vai, atira.
Sua lombriga.
Vem aqui.
É assim que você gosta de comer ela?
É assim?
Larga ela, seu merda.
Larga ela.
Tu fica bancando macho. Eu só queria te dizer uma coisa. Quando eu estourar tua
cabeça, eu vou comer teu cu.
Os dois aqui, bora. Vai.
Bora,
me acompanha.
Tem alguma coisa aí para cobrir eles, por favor?
Obrigada.
Foi o
que
aconteceu?
Eu nasci pronto.
E aí a minha vida foi fugir da morte.
Hoje foi só mais um desse dia aí que eu temi a desafiar o destino.
Só sabia que até a minha própria cova o cavei hoje.
O Elis me tratava que nem uma coisa, que nem um bicho.
Nem os bichos que ele criava, sabe?
Sempre tive vontade de matar ele.
Aí veio o cavalo.
E acabou com ele.
Cavalo tão lindo, né?
Esse verme aí queria me matar.
Mas ele não é o primeiro não e nem vai ser o último.
Já já aparece outro.
E eu nem sei se eu vou conseguir escapar da morte assim.
Parece que eu tenho um alvo no peito.
Eu tenho que ficar esquivando toda vez.
Cansa, sabia?
Cansa.
Dá raiva.
Muita raiva.
Oi, Rafa.
Pessoal tá perguntando quando é que tu volta. Tá cheio de turista em Pontal.
Tissurada atrás de balas, de pó, de maconha, de ladrão, tudinho.
Parece que a barra tá limpa agora.
Parece?
É o que estão dizendo.
Porra, Pambino, tá a cara do heraldo, viu?
Tem gente que não sai da nossa mente.
Fica ali.
Gravado.
Oi, Diana.
Noite passada eu sonhei contigo, sabia?
A gente tava no corredor do motel.
Eu numa ponta e tu em outra.
Só que cada vez que a gente andava pra frente pra se encontrar, a distância
aumentava.
Como se o corredor aumentasse também.
Até no sonho eu não consigo chegar perto de ti.
Mas o destino é uma coisa louca.
O caminho pra São Paulo...
Eu conheci um senhor chamado Esperdito.
Ele me disse que tinha uma fábrica de gelo no Espírito Santo e me chamou para
trabalhar com ele.
Por um tempo, eu até achei que o frio fosse me fazer esquecer o calor do
Só que eu não esqueço, Dayane.
Nem quando ele gelar espinha.
Os ossos.
E faz até o coração bater mais devagar.
Dayane.
Tô cada dia mais convencido de que foi o destino que me aproximou de ti.
Precisei ir embora pra domar esse destino.
Mas eu tenho fé que a gente vai se reencontrar.
Seja num bar qualquer.
Numa praia.
ou em outra vida.
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