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A BELA DA TARDE
Adaptação para Pt-Br: mawricio58
Posso te contar um segredo, Séverine?
- Cada vez te amo mais. - Eu também, Pierre.
Só tenho você no mundo.
- Mas... - "Mas" o quê?
Também gostaria que tudo fosse perfeito.
- Que sua frieza desaparecesse. - Não quero falar nisso.
Não fique zangada.
Tenho tanta ternura por você.
Para que serve a sua ternura?
É muito cruel comigo, quando quer.
Perdoe-me, Pierre.
Pare.
- Desça. - Por quê? O que aconteceu?
- Disse para descer. - Mas, por quê?
- Ande, venha. - Deixe-me.
- Ande, venha. - Deixe-me.
Venha.
Deixe-me!
Façam o que eu mandei.
Como se atrevem?
Soltem-me!
Brutos!
Deixem-me!
Não tenho culpa.
Tem razão. Vou te explicar tudo.
Vá, não tenham medo dessa vagabunda! Rápido!
Pierre, a culpa também é sua.
Eu explico tudo. Juro.
Cale-se, minha senhora, ou arrebento sua cara.
Pare!
Pare, peça que me soltem.
Socorro!
Cale-se, sua puta!
Ande, vamos.
Puxe.
Não grite, se gritar te mato.
Pierre, eu imploro. Peço perdão.
De todo o coração.
Pierre.
Pelo amor de Deus, não deixe que façam isso.
Já chega. Ela é sua agora.
- Pierre, eu te amo. - Vá.
Pierre!
Em quê está pensando?
Sobre o quê está pensando?
Pensava em você.
Em nós dois.
Estávamos em uma carruagem.
Outra vez a carruagem?
Quero te dar um beijo.
- Levante cedo amanhã. - Por quê?
- Para fazer as malas. - Vamos viajar?
- Sim. - Para onde?
Surpresa para o nosso aniversário de casamento,
visto que nossa felicidade já dura um ano,
e que o sol de antigamente...
E o hospital?
Quero esquecê-lo por uns dias,
e só pensar em você.
- Contente? - Sim, sempre que está comigo.
Queria poder vê-lo todos os minutos.
Não, por favor.
Durma.
Boa noite.
Pierre?
Sim?
Perdoe-me.
Você é tão bom, tão compreensivo, mas eu...
Não faz mal. Durma.
Vai à festa do Grande Hotel?
Não sei. Husson dorme cedo.
Deixe-o dormir e venha. Anunciaram neve para hoje à noite.
Preferia ver o mágico.
Dizem que faz milagres.
Duvido que me faça dormir.
Um mágico não é um hipnotizador.
Ele faz mágica.
O hipnotizador nos faz descer à sepultura.
Bom, vou deixá-los. Até logo.
- Adeus. - Adeus.
Que horas são?
Cinco. Se está aborrecido, vá embora.
Nunca me aborreço num bar.
Não é como nas igrejas, onde ficamos a sós com nossa alma.
Vou dizer algo agradável.
Eu te amo.
Obrigada.
Esquece muito depressa.
Não enche!
Não, está com o Husson.
Agora já nos viram.
O que tem contra ele? É interessante.
Acha? Não gosto do olhar dele.
Vamos.
- Olá. - Boa tarde.
Eu os vi passar de mãos dadas.
Dava gosto vê-los. Pareciam recém-casados.
Era ridículo, com certeza.
Pelo contrário, tranquilizador.
Como algo que vemos todos os dias.
Mas você, confunde-me, Pierre.
Me causa problemas de consciência.
Somos tão diferentes.
Homens assim, são raros.
Falo francamente.
Obrigado.
Tantos castigos perdidos, meu Deus!
- Porquê? Você as conhece? - Não.
Só se interessa por isso?
Tudo o mais é inútil, perda de tempo.
Devia contar suas obsessões a um especialista.
É rico e ocioso. São suas principais doenças.
E caça a cavalo.
Além disso, gosto dos pobres e dos operários.
Penso neles quando neva. Sem agasalho, sem esperança.
Você é muito atraente, Séverine.
Você é muito sutil, cale-se.
Pede o impossível.
Vou sair, estou aqui há 3 horas,
e sinto que vou ter enxaqueca. Está frio?
- Não. - Vou tomar ar antes que anoiteça.
- Até logo, Renée. - Até logo.
Bom passeio.
Gosto dele. É divertido.
É esquisito.
É pior que isso.
Como vai Husson?
Vai bem.
- Continua a vê-lo? - Nem me fale.
- Lembra-se da Henriette? - Sim, claro.
Parece que...
Parece que se prostitui.
- Como? - Sim, frequenta um bordel.
Parece que vai lá várias vezes por semana.
Acredita? A Henriette!
Mas você é tão diferente.
Não, mas...
Pode imaginar, Séverine? Uma mulher como nós.
Vê-la com qualquer um?
Mas ela não têm escolha. É assim.
Velho, novo, feio, bonito.
Até com o homem que amamos, às vezes é ruim.
Com desconhecidos deve ser horrível.
Mas isso ainda existe?
Peço desculpas, minha senhora,
mas existir, existe. Posso garantir.
Não são como os bordéis de antes da guerra.
Não tem mais luzes vermelhas.
Mas acreditem,
lugares assim não faltam. Posso mostrar-Ihes vários.
É devido à minha profissão.
Há vinte anos que sou taxista, já vi de tudo.
Até fui assaltado duas vezes.
E ainda estou vivo.
O que você tem?
Chegamos.
Trouxeram estas flores.
Muito bem.
- Quem mandou? - O Sr. Husson.
Por que você pôs aqui?
Vou buscar um pano.
Não mancha. Era água limpa.
O que há comigo hoje?
Séverine, venha rápido!
Então, Séverine, vem ou não?
- Falta muito ainda? - Estou quase acabando.
Posso fazer uma pergunta idiota?
Fique à vontade.
Antes de me conhecer,
ia muitas vezes... a essas casas?
"Essas casas"?
Não muito. Por quê? Está interessada?
Tudo o que você fez me interessa.
Pensei que tinham sido fechadas.
São clandestinas, agora.
Não consigo imaginar como é.
- Eu tenho que trabalhar. - Por favor.
Você entra. As mulheres estão lá. Você escolhe uma.
Passa meia hora com ela.
Quando sai, fica triste o dia todo.
O que quer?
Reter sêmen é prejudicial.
Cale-se.
E não fale mais disso.
O que há com você?
Nunca te vi assim.
- O que foi? - Nada. Estou cansada, nervosa.
Vá descansar.
Tem razão.
Boa noite.
- Eu posso ir com você? - Não.
Sim. Quero que fique comigo até que eu durma.
Será que nunca vai crescer?
Não acerto uma bola. Tome meu lugar.
- Vai embora? - Não. Espero por você lá dentro.
- Olá, tudo bem? - Sim, tudo bem.
- Você vem pouco aqui. - Pois é.
Até logo.
A misteriosa Henriette.
A mulher de duas caras.
A vida dupla. Muito interessante.
- A Renée Ihe contou? - Sim.
- Mas por quê? - Por dinheiro, pura e simplesmente.
A maioria das mulheres que se vendem, faz isto por dinheiro.
É bom ver você hoje.
Não consigo entendê-las.
É a profissão mais velha do mundo. Agora é por telefone,
mas as mulheres dessas casas são mais raras.
Casas que você conhece?
Sim. Antes, era um frequentador assíduo.
Um perfume especial, mulheres totalmente submissas.
Lembro-me de uma perto da Ópera.
Madame Anais.
11, Cité Jean de Saumur. Guardei ótimas recordações.
- O que está fazendo? - Nada.
"Cute compulsion", como dizem os Ingleses.
Impulsos insignificantes.
Gostaria de vê-la um dia desses, sem seu marido.
Gosto dele mas dispenso a sua presença.
"Chez Madame Anais", 11, Cité Jean de Saumur.
Corpus Domini nostri.
Jesus Christi custodiat animam meam in vitam aeternam, amém.
Corpus Domini nostri.
Jesus Christi custodiat animam meam in vitam aeternam, amém.
Amém.
Séverine, Séverine!
O que você tem?
O que é?
- Queria falar com você. - Entre.
Boa tarde.
Boa tarde.
É a senhora que cuida de...
Sou a Sra. Anais.
Eu vim para ver se...
Entre. Conversaremos mais à vontade.
Sente-se.
- Quer beber algo? - Não, obrigada.
- Cigarro? - Obrigada, não fumo.
Não tenha medo. É como se estivesse em casa.
Estou disposta a ajudá-la. Sente-se.
É meiga e jovem. É o estilo da casa.
Sei que é difícil no início, mas...
Quem nunca precisou de dinheiro?
Metade para você, metade para mim.
Tenho minhas despesas.
Agradeço muito, mas tenho que ir embora.
Tudo bem. Está um pouco envergonhada.
Aposto que é a primeira vez que trabalha.
Não é tão ruim assim.
É cedo. Suas colegas ainda não chegaram.
Você vai perder um botão.
- Quando quer começar? - Não sei.
- Hoje? - Talvez.
Mas só à tarde.
Às 17:00, tenho que ir embora. Tenho mesmo que ir.
Das 14 às 17, é bom.
Exijo pontualidade. Sem isso, não vai dar.
Às 17:00 estará livre, prometo.
- Adeus. Desculpe. - Espero você hoje às 14:00.
O que foi? Algo errado?
Não, vim fazer compras no bairro.
De repente, tive vontade de vê-lo.
Achei que não gostava de hospitais.
Não, não gosto.
Mas não quero ficar sozinha. Almoce comigo.
Não posso. Eu almoço com o patrão.
- Falei para você de manhã. - Sim, mas...
Desculpe.
Hoje sairemos com os Févrets.
Sim, claro.
- Desculpe se o incomodei. - Incomodar-me?
Até logo. Vou tentar chegar o mais cedo possível.
Pierre...
Já não contava com você.
Despediu-se tão bruscamente esta manhã.
Pensei que tinha te assustado. Entre.
Ponha suas coisas aqui.
Vai conhecer suas colegas. São duas.
Mathilde e Charlotte.
Muito simpáticas, as duas.
Só quero aqui gente bem-educada.
E sobretudo bem disposta.
Gosto de trabalhar num ambiente bom.
Tive que mandar Maitê embora.
E era uma linda moça.
Mas era muito grosseira. Uma pena.
Sente-se.
Qual o seu nome?
Não quero...
Não quero seu nome verdadeiro.
Ou pensa que meu nome é Anais?
Vamos beber para festejar sua chegada.
- Não, obrigada. - Vamos, tome.
Um aguardente de cereja.
Tem que arranjar um nome simples, gracioso,
fácil de lembrar.
Se quiser, inventamos juntas.
É o Sr. Adolphe, um de nossos melhores clientes.
Você verá, é muito divertido.
Tive uma idéia.
- Vamos chamá-la de "Bela da Tarde". - "Bela da Tarde?"
- Porque só vem á tarde. - Como quiser.
Você parece nervosa.
Relaxe.
Sairá às cinco. Não se preocupe.
Tem alguém à sua espera?
Um namorado?
Um marido?
Não quero ser intrometida.
Me dê um beijo.
As meninas estão com sede.
Espere aqui, já volto.
Então, Anais?
Uma nova menina! E você a esconde?
Traga-me aqui, depressa. Senão vou buscá-la.
Bela?
Você verá, é divertido.
Ele vende doces. Tem fábricas em Bordeaux.
É podre de rico, venha.
Se eu fracassar uma noite, não consigo dormir.
Outro dia em Bruxelas, peguei uma negrinha.
Meninas, que farra!
- Apresento-Ihes a Bela da Tarde. - Olá.
- Olá. - Olá.
Já mandei fechar a cortina.
Bela da Tarde, meus cumprimentos das 14:45.
Beba um champanhe conosco.
Anais, outra garrafa, depressa.
Isso será bom. Uma novidade, é para festejar.
Parece que ele cheirou champanhe.
Vou deixá-los se conhecerem.
Pallas?
Vejam como é linda.
Não se desperdiça nada.
Esqueça, ela é decente demais.
Por isso mesmo.
Que sujeito!
Nunca se cansa, é extraordinário!
Bonita roupa.
Tem que pôr um vestido fácil de tirar.
- Não é, Sr. Adolphe? - Não, nem pensar.
Gosto de vê-la com esse vestido.
Tem muita classe. Tudo que eu gosto.
Você me prometeu um presente.
- Queria um vestido assim. - Não sou milionário, boneca.
Que pena.
Tem um belíssimo corte!
Viu o acabamento? Fabuloso.
Com dinheiro, é fácil vestir-se bem.
Mas a classe não se compra.
- Aqui está o champanhe. - Bravo!
Maravilha. Já estava seco.
Deixe comigo. É serviço de homem.
Sou o campeão mundial em abrir garrafas!
É um artista. Que experiência.
Aqui está!
O que quer? Está quente.
Abaixo de 8 graus, o champanhe parece chá.
Se soubesse, tinha colocado mais gelo.
Você sabia que eu vinha.
Mas não contava com a Bela da Tarde.
À saúde da pessoa que eu mais gosto, a minha.
E à da Bela da Tarde.
É bom mas está morno.
Mathilde, a propósito.
Tenho um presente para você, ia me esquecendo.
- Tome. - O que é?
Abra.
Obrigada.
Ele é engraçado. Sempre traz coisas novas.
E viva a alegria.
Sou assim. Gosto da vida. Gosto de me divertir.
Então?
Então, Bela da Tarde?
Está chateada?
O que há com você?
Vai ver.
Nós dois seremos felizes. Prometo.
- O que ela tem? - Vou falar com ela.
Não deve forçá-la. É sua primeira vez.
- Diz isso... - Sim, sim. Juro.
Quem ela pensa que é?
Ela é nova.
Muito bem. Mal chegou, foi logo escolhida.
O Sr. Adolphe é um homem simples. Não se preocupe.
Faça o que ele quer, é tudo o que ele pede.
- Quero ir embora. - O quê?
Você pensa que isto é um jogo?
Onde acha que está? Vamos!
Eu vou, madame. Eu vou.
Vocês duas, vão embora.
É preciso ser autoritária com você, não?
Vá.
Olá.
Feche a porta.
Venha.
Mandei as outras embora. Será mais íntimo.
Então.
Parece que é... a primeira vez?
Tenha cuidado.
Olhe que eu sinto essas coisas. Não invente histórias.
Veja, se for verdade, não tem que ter vergonha.
Mas não me diga que na sua idade ainda é virgem.
Nós descobriremos logo.
Então?
Tem medo de mim?
Não gostou da minha cara?
Vá se acostumando, queridinha.
Isso não! Não escapará assim!
Quem pensa que é, sua putinha!
Me excita e me deixa na mão?
Já aguentei bastante, mas agora estou farto.
Isso.
Assim mesmo.
Prefiro assim.
Prefere que seja à força?
- Valete de paus. - A minha carta de gim.
O Sr. Adolphe está demorando.
É normal.
Gim.
O meu jogo!
Séverine, onde você está?
Está pronta?
Aí está.
O que houve? Não se sente bem?
Está doente?
Não parece ter febre.
- Quer que chame alguém? - Não é nada.
Só adormeci. Tive dor de cabeça, não sei porquê.
Uma aspirina, um banho e estarei boa amanhã.
- Que horas são? - É tarde.
Avisarei aos Févrets que não nos esperem.
- Vá você. - Claro que não.
Prefiro ficar aqui. Tenho trabalho a fazer.
Descanse. Boa noite.
Prove a sopa.
Está gelada e não consigo esquentá-la.
Dão nomes aos touros, como dão aos gatos?
Claro. A maioria daqueles ali, se chama Remorso.
Menos o último, que se chama Expiação.
- Que horas são? - Entre as 14 e 17.
Mas não passa das 17.
- Sua mulher, vai bem? - Bem, obrigado.
- Onde ela está? - Ali ao lado.
- Quer cumprimentá-la? - Com prazer.
Como está, sua porca?
Está bem, vagabunda?
- Puta velha! - Monte de estrume!
- Rampeira! - Monte de esterco!
Prostituta!
Piranha!
Vaca!
Pierre! Pierre, por favor, pare. Eu te amo, Pierre.
O que deseja?
Eu... eu queria...
Retomar o seu lugar?
Para depois desaparecer sem mais nem menos?
- Desculpe... - Aqui não é lugar para amadoras.
- Elas ficam na rua. - Por favor.
Tem sorte em lidar comigo.
Se fosse outra, eu teria jogado na rua sem explicações.
Mas eu sou boa demais.
Mas se voltar é para se comportar como deve ser.
Sim.
Posso contar com você todos os dias?
Sim, mas só até às cinco.
Vamos, então.
Olá, senhora. É um prazer revê-la.
- Boa tarde. - Boa tarde.
- Bela da Tarde, como vai? - Bem, obrigada.
- Fugiu de nós? - Não pôde vir antes?
Não, não pude.
- Me dê seu casaco. - Obrigada.
É muito bonito.
Vou pedir um pequeno favor.
Me empresta no domingo? Devolvo na segunda.
Escute, eu odeio dizer não, mas domingo seria difícil.
Não posso...
Deixe, vi um igual numa loja.
Carducci! Você sabe de tudo.
Quem é você?
- Foi difícil voltar? - Não.
Faço isso por causa do meu noivo.
Sofreu um acidente e não pode trabalhar.
Ele sabe que venho aqui. Mesmo assim, gosto dele.
Eu podia ganhar a vida em outro lugar.
- E ganharia quanto? - É verdade.
O professor pode chegar a qualquer momento.
Vou apresentá-lo a você. Você é o tipo dele.
Quem é?
Um ginecologista. Uma celebridade, dizem.
Tem uma clientela internacional.
Há 2 meses foi a Copenhague fazer uma operação.
Aí vem ele.
- Explique como ele gosta. - Sim, senhora.
Para começar, precisamos de luz.
Não é complicado. Se todos fossem como ele...
Tenho uma novidade.
Vai gostar muito dela. Um pouco tímida talvez...
- Uma verdadeira aristocrata. - Sério?
- Então, doutor? - Bom, mande-a para mim.
Entre, por favor.
- O que está fazendo? - Eu ia...
Não Ihe disseram? Vista-se!
Entre.
- A Marquesa me chamou? - Sim.
A Marquesa não está satisfeita comigo?
Não. Não realmente.
Não.
- Madame Anais? - Sim, pois não.
Seu lugar é na cozinha.
Ela não presta. Chame a Charlotte.
Sim.
Venha comigo.
Charlotte?
Sim?
Vá ver o professor.
Só um segundo. Estou me preparando.
Entre aí. Não é tão difícil.
Fique aqui.
Veja como Charlotte faz. E não faça barulho.
Entre.
- A Marquesa me chamou? - Sim, Victor.
A Marquesa não está contente comigo?
Você só faz bobagem.
Sim, é verdade. Uma grande verdade. Admito.
Mas a Marquesa é tão boa, tão atenciosa, tão bela!
Insolente!
Olhe!
Você é cego? Veja isto.
Está cheio de poeira.
Lá, ali e lá!
Quebrei um vaso.
Um vaso? Estou farta. Desta vez, vou despedi-lo.
Não, eu imploro Marquesa, não me mande embora!
Vou prestar mais atenção.
Eu serei cuidadoso. Terei cuidado. Juro.
Ainda não, Charlotte. Dê-me isso.
Perdão.
A Marquesa pode me castigar.
Pode me bater, mas não me despeça.
O que está fazendo? Velho nojento!
Nada. Nada, não estou fazendo nada.
Eu conheço meu lugar.
Eu não devia dizer isso. É um segredo, Marquesa.
Eu te amo.
Como?
Eu te amo.
Mas já que eu disse...
Mas já que eu disse que te amo...
Pise em mim.
Cuspa e pise no meu rosto.
Sem vergonha! Velho asqueroso. Eu vou ensiná-lo.
Mas, Marquesa, eu amo você.
Marquesa...
Bata com mais força.
Venha. Temos clientes.
Então, reparou bem?
O que achou?
Como alguém se rebaixa tanto?
Deve estar acostumada, mas eu estou enojada.
Não, obrigada. Eu não.
E esta?
Essa serve?
O que é isso?
"Cartão de crédito. Geisha Clube. "
Não, não. Não aceitamos isso. Dinheiro.
Certo. Vá em frente.
Não. Não medo. Não medo.
- Estudou direito? - Sim, mamãe.
- Você se comportou? - Sim.
Dê um beijo em sua madrinha. Mostre suas notas.
Olá, Cathy.
- Olá, madrinha. - Como vai?
Mostre-me seu boletim.
- Não vai me dizer nada? - Boa tarde, Mathilde.
Boa tarde.
- Quer ir à feira domingo? - Sim.
- Está contente? - Sim.
7 em História, 9 em Linguagem. Ótimo.
Madame Anais!
- Madame Anais! - O que é?
Agora o professor quer um tinteiro.
- Quer o quê? - Ele quer um tinteiro.
"Um tinteiro"?
Não tenho tinteiros.
Vá fazer suas tarefas.
Sim, mamãe.
Eu também teria medo de um homem assim.
Às vezes deve ser muito desagradável.
O que sabe disso, Pallas?
- Com licença, senhorita? - Por favor.
Obrigado.
- Senhorita ou Senhora? - Senhorita.
Ótimo.
- Como se chama? - Bela da Tarde.
Que encantador.
Minha gata se chamava "Bela da Sombra".
Vem sempre aqui?
Em pensamento, todos os dias.
Uma manhã agradável, não acha?
Sim, é verdade.
Nada me alegra tanto como o sol de Outono.
O sol negro.
"O sol negro"?
Você é muito elegante.
Obrigada.
Gosta de dinheiro?
Sim.
Pagaria muito dinheiro se viesse a minha casa.
- "A sua casa"? - Não se preocupe.
Trata-se de uma cerimônia religiosa.
Muito comovente e muito importante para mim.
Sou um homem de outra época.
Uma época onde havia respeito pela morte.
Se você viesse, faria de mim um homem feliz.
É exatamente o tipo de jovem que procuro.
Moro a uma hora de Paris.
Aqui está meu cartão.
Irei buscá-la na estação.
Pegue, vista isto, por favor.
Do que se trata?
Não tenha medo.
Todas as suas predecessoras gostariam de voltar.
Mas o Sr. Duque é muito rigoroso nesse aspecto.
Siga-me por favor.
Por aqui.
Por aqui.
Trouxe lírios.
Gostava tanto.
Você é tão bonita.
Sua pele é ainda mais branca.
Os cabelos ainda mais macios.
Minha filha amada.
Seu rosto está frio.
Lembra-se, ainda ontem brincávamos juntos.
Rimos, cantamos.
Agora está aqui. Não diz nada. Já não se mexe.
Espero que tenha me perdoado.
A culpa não foi minha. Eu a amava.
Senhor Duque? Deixo entrar os gatos?
Ao diabo com os gatos!
Estamos sós.
As portas estão fechadas.
Agora,
seus olhos nunca mais se abrirão.
Seus membros estão rígidos.
Os vermes corroem seu coração.
E este cheiro embriagante de flores mortas.
E este cheiro embriagante de flores mortas.
Ainda não foi embora?
Mas está chovendo.
E daí?
Vá embora daqui. Vamos, rua!
Ainda não acabou?
Estou indo!
Quer que fique com você?
Lamento que não faça isso mais vezes.
Paciência, Pierre. Me dê tempo.
Sinto como se estivesse pressionando você.
Não. Não pense isso.
Cada vez mais quero ficar com você.
Já não tenho mais medo.
Tenho a impressão que te entendo melhor,
que ficamos mais íntimos.
Cada dia que passa, eu te amo mais.
- Bom dia. - Bom dia.
Sua patroa está?
- Quem deseja vê-la? - Sr. Husson.
O Sr. Husson quer vê-la, senhora.
Diga que não estou.
Até logo. Obrigado.
É muito atraente, Séverine.
Queria Ihe escrever uma carta.
Gostaria muito.
Aceitaria?
- Há muita gente aqui. - Ainda bem.
Mas você aceitaria?
Com certeza.
- Com isso? - Sim.
O que estão fazendo?
Nada. Divertindo-se. Dê uma olhada.
Não. Conte-me.
- Ele está dando a ela um envelope. - E depois?
Tem algumas sementes de lírio.
Já sei o que é.
Herald Tribune.
New York Herald Tribune.
- Qual andar? - Quarto, por favor.
Com licença.
Mas o que está fazendo?
Socorro! Socorro!
Socorro!
Nada de besteiras. Em pé.
Vá depressa! Rápido.
Hippolyte! Que surpresa.
Oi, Anais. Podemos entrar?
Com certeza.
Por ali.
É Hippolyte.
- O latino? - Sim.
Pensei que não voltaria.
São dois. Não conheço o outro.
- Quem é este Hippolyte? - Ninguém sabe. É esquisito.
Quando tem dinheiro, gasta tudo.
Quando não tem, quer de graça.
Venham, meninas. As três.
- Sua filha está boa? - Sim, senhor.
- Já posso beijá-la? - Não sei.
- Ela ainda estuda. - Formidável.
Não se queixe.
- Boa tarde. - Boa tarde.
- Boa tarde, Sr. Hippolyte. - Boa tarde, Hippolyte.
O que significa isso?
- Tudo bem? - Tudo bem. E você?
Trabalhando.
Há meses que não o víamos.
- Sentimos sua falta. - Mesmo?
Onde estava?
Viajando, em Nova lorque.
Negócios.
Ponha três garrafas para gelar. Das boas!
Da melhor.
No exterior, o que faz mais falta é o champanhe.
Eu trouxe alguém, um amigo.
Quero que o tratem bem.
Claro, Sr. Hippolyte.
Quando estivermos a sós,
contarei uma história. Vai gostar.
- Já não aguento nada, boneca. - Pior para você.
Vá embora. Você é pesada.
O que é isso?
Pare de arranhar. Vá embora também.
Você, a nova. Venha cá.
Então?
Deixe-a para mim.
Fique com ela, se quiser. Divirta-se, é da sua idade.
Obrigado.
Por menos que isso, mataria meu pai.
Mas a amizade vem primeiro.
Não vamos brigar por uma puta.
Diga-me. Seu amigo parece tímido.
Tímido não é bem a palavra.
O champanhe está pronto. Não está com sede?
- Como se chama? - Bela da Tarde.
O que mais?
Só isso.
Não confia em mim?
Quero saber seu nome.
Bela da Tarde.
Por que? Você sai às 5? O que faz depois?
Que botas lindas.
Seus dentes. O que aconteceu?
Arrancados de uma só vez.
- Isso te incomoda? - Não.
Então vamos. Estou com pressa.
- Quantos anos tem? - 23
Alguém a protege?
Como assim?
- Você é livre ou não? - Não.
Ganha bastante? Está bem aqui?
- Sim, mas... - Não minta
É muito feio.
Não. Não tire as meias.
Uma garota tentou me estrangular uma vez.
Coitada dela.
Se quiser, não te cobro nada.
É normal.
Muitas gostariam de estar em seu lugar.
Não vai dizer seu nome?
Seja como for, você fala pouco.
Ainda bem. Tenho nojo das que falam muito.
Nada mal.
É pena que só tenha dois.
Mostre.
Vire-se.
Que mancha é essa?
É de nascença.
Merda. Não gosto disso.
Vista-se!
Não está fresca, como de costume.
- Lê em Inglês, agora? - Eu? Nem pensar.
- Então? - Que diferença faz?
"Abberfan Inquiry accused... "
Chega!
Leve isso para o quarto. Eu já vou.
A outra é para o Marcel.
Quem é o seu amigo?
Salvou minha vida ano passado. Gosto dele como um filho.
Senão, acha que eu Ihe deixaria a loira?
- De onde ela vem? - Bela da Tarde?
Sim. É muito requisitada?
O tempo todo.
Ela tem classe e...
E o quê?
- É uma pérola. - "Uma pérola?"
- Uma pérola. - Sim.
Pensei que quisesse ir embora.
Estou feliz por ter ficado.
Posso dizer, você me agrada.
Olhe para a minha mão.
Ainda treme.
O que é isto?
- Uma cicatriz. - Uma facada?
Talvez.
Por que vem aqui?
Não me pergunte nada.
Ficaria com você até à noite, mas não posso.
Você também me agrada, Marcel.
- Você voltará? - Talvez.
- Se não tiver dinheiro... - "Dinheiro?"
Não é isso que me falta.
Você me assusta.
Você está entediada.
Não, não estou.
Quero voltar para Paris. É diferente.
Pode me contar tudo. Tudo mesmo.
Está me escondendo algo.
Se me contasse o que é,
podia ajudá-la.
Contar o quê?
Que gosta de alguém.
- Outra pessoa? - Sim.
Sabe que é impossível.
Eu te propus estas férias,
para saber se algo a prendia em Paris.
Não me enganei, você quer voltar.
Mais do que nunca... você está distante.
Nunca a senti perto de mim.
Me perdoe.
Deve ser culpa minha.
Acha que apesar disso não te amo?
Acho, sim.
Não sei como explicar.
Há tantas coisas que eu queria entender.
Coisas que me dizem respeito.
O que sinto por você vai além do prazer.
Muito além disso.
Não espero que acredite...
mas nunca me senti tão perto de você.
Quer voltar a Paris?
Repito que não me chateio com você.
Se quiser ficamos mais uma semana.
Não. Partimos amanhã. Tenho que voltar.
Até logo.
Algo errado, Marcel?
Apaixonados, já vi muitos. Mas como você, nunca.
Cale-se, sim?
Está agindo como um idiota, não como homem.
Como vai?
Esperamos vocês na quinta-feira.
Então?
Da próxima vez não esperaremos.
Por pouco não viemos hoje.
Mesmo?
Já estamos cheios.
Você e esse canalha nos enojam.
Com ele não, é um covarde.
Senhores, se querem brigar, vão pra rua.
Cale a boca.
Me dê a grana. Sabemos que tem a cocaína.
Podem ir embora.
Nos veremos.
Como quiser.
Garçom! Outro!
Aonde vai?
- Telefonar. - Outra vez?
Que saco, essas mulheres.
Isso é verdade.
Ele está apaixonado?
Já Ihe custou muito caro,
mas sempre foi assim. Não posso fazer nada.
Alô, Anais. É Marcel.
Alguma novidade?
Há quanto tempo?
Sério?
Estou indo.
"Sustentou o pai" com 4 letras.
A segunda é um N.
"Enéias. " Com um esse no fim.
Certo. É muito comum nas palavras cruzadas.
Bela, é ele. Está esperando.
Oi, tudo bem?
Onde estava? Por que foi embora?
Tive que deixar Paris por uns dias.
- Depois eu explico. - Eu também vou explicar.
Vou deixar minha assinatura.
Não bata no meu rosto.
Não me toque...
Se fizer vou embora e nunca me verá.
Chega por enquanto.
Senti saudades de você.
Não devia dizer, mas esperei por você.
Quero vê-la mais vezes.
À noite também.
Não basta me ver todos os dias?
Não.
- Não sou livre. - Não quero saber.
Não entendo.
Parece que gosta de ficar comigo.
Muito.
Mas não é o suficiente.
Gosta de outro.
Então por que vem aqui?
Não sei. São coisas diferentes.
Estou com fome. Onde vamos?
Não sei. Pensaremos em algo.
Não demoro. Volto às 15:00.
Muito bem.
Você mudou. Eu não a reconheço.
Adoro te ver sorrir.
Sinto-me bem melhor.
Nunca a vi assim.
- Se pelo menos... - O quê?
Nada. Se me desse uma grande notícia.
- Do que está falando? - Sabe muito bem.
Aquilo que mais quero. Um filho.
- O que está olhando? - Nada.
Fiquei intrigado. Não sei porquê, é estranho.
- Não há nada de estranho. - É verdade. Tem razão.
Venham, meninas. Chegou um velho amigo.
Vamos! Vamos, mexam-se.
Você continua linda.
Está me lisonjeando.
Não. Lembro-me bem de você.
Às vezes até sonho com o senhor.
Isso me agrada muito.
- Não. - Sim, faço questão.
Obrigada.
Sentem-se, senhoras.
Muito obrigada.
Essas são Mathilde, Charlotte e a Bela da Tarde.
"Bela da Tarde?" É original.
Quer tomar algo?
Mais tarde, mais tarde.
Nada mudou aqui.
Sempre o mesmo acolhimento caloroso.
As mesmas cortinas.
Onde está a domadora?
Não sei. Não deu notícias.
O aquecimento está no máximo?
O senhor também não mudou.
Olhe, a poltrona.
Nevava...
O mesmo perfume, tão especial.
Sempre jasmim.
Vai ficar algum tempo, não?
Toda minha vida. Tenho muito tempo livre.
Bem.
Quero ficar a sós com a Bela da Tarde.
Não. Não, não quero.
Onde estão seus modos? Você ficará.
Ela é muito amável.
Mas às vezes um pouco nervosa.
Está satisfeito?
Isto não é coincidência. Sabia que eu estava aqui.
Está enganada.
A culpa é sua. Você me deu este endereço.
- Está enganada. - Se aproximar-se eu grito.
Pedirei socorro. Me jogo pela janela.
É sua cama?
Você me enoja, sabe muito bem.
Sim, é minha cama! O que mais quer saber?
Gosta de ser humilhada? Eu não.
Não diga nada ao Pierre.
Pierre? Eu o admiro cada vez mais.
Não diga nada, por favor.
Faça um esforço para me entender.
Estou perdida.
Tudo acontece sem eu querer.
Não posso fazer nada. Não consigo resistir.
Sei que um dia terei que pagar por isso.
Mas sem isso, não poderia viver.
Não importa! Faça o que quiser comigo.
Agora não.
O que me atraía em você, era a sua virtude.
Era a mulher de um escoteiro.
Como vê, isso mudou.
Tenho princípios, não sou como você.
Mas não direi nada ao Pierre, claro.
Tenho amigos que adorariam saber que você está aqui.
Desculpe a franqueza. Não estou interessado.
Outro dia, talvez. Quem sabe?
Não quero fazê-la perder tempo.
Compre alguns chocolates para Pierre.
Adeus.
Pronto? Vamos!
Preparar.
Disparar!
- Já foi embora? - Sim.
Posso falar com você?
Saia.
Tenho que ir embora.
- Quando? - Agora.
- Mas voltará? - Não.
Como assim?
Devia ter avisado antes.
Não está bem aqui?
Sim, sim. Muito bem. Só que...
Eu entendo.
Marcel.
Veio aqui há pouco, furioso.
Quase entrou em seu quarto.
Algo não dá certo.
Ficou exigente?
Diz que você é só dele. Dia e noite?
Sim.
Os homens são todos iguais.
Vá embora. Você tem razão.
Antes que fique pior.
Vou sentir sua falta.
Mulheres assim...
A gente se dava bem.
Sim. É verdade.
Me dê notícias.
Telefone de vez em quando.
Ficaria muito contente.
- Não tem um lugar discreto? - Não.
Paciência. O que vou Ihe dizer?
Tem um senhor que deseja vê-la.
- Eu? - Sim, madame.
Quem é?
Não sei. Mas disse que era urgente.
Boa tarde.
- Trouxe o catálogo? - Sim.
Muito, bem. Sente-se. Obrigada, Maria.
Nada mal, essa do catálogo.
Gosto da sua casa..
O que faz aqui? Está louco? Vá embora!
Como não te vejo na casa de Anais,
resolvi fazer-Ihe uma visita.
"Saber como está. "
- Como me encontrou? - Foi fácil.
É seu marido?
É bonito. Simpático.
Muito melhor que eu.
- Por favor, vá embora. - Calma.
Não quero criar problemas.
Só queria saber porque foi embora.
- Está ouvindo? - Cale-se! A empregada pode ouvir.
Vá embora. Ele chega logo.
Acabei de chegar e quer que eu vá embora?
- O que quer? - Vê-la de novo.
Isso é impossível. Nunca mais volto lá.
Dou-Ihe três dias.
Arranje um pretexto qualquer.
Espero por você no Hotel du Bois, Rue Fromantin.
Vai passar a noite comigo.
É impossível.
Muito bem. Esperarei por ele.
Tenho tantas coisas para dizer.
- Não. Não vai fazer isso. - Sim.
Não queria chegar a isso, mas você me obrigou.
Talvez seja melhor assim.
Também tentei contar-Ihe tudo.
- Sério? - Acabaria descobrindo.
Um de nossos amigos me viu lá.
Preciso de me libertar deste peso.
Então vamos esperá-lo.
Juntos, Ihe explicaremos.
Não me incomoda.
Por favor, vá embora! Ele está chegando.
Não tenha medo.
Eu vou embora.
Não acreditava, agora entendo.
Ele é o obstáculo.
Até logo mais, Séverine.
- Você a viu? - Sim. Preciso do carro.
- Para quê? - Preciso dele.
Saia do carro e suma!
O que está tramando?
Pedi que sumisse.
É o bastante por agora.
Onde acha que vai?
Novidades?
O assassino morreu e a polícia não sabe quem é.
Ou errou de alvo ou era louco.
- Foi identificado? - É do submundo.
- Não foi a primeira vez. - É estranho.
- E o Sérizy? - Ainda não sabemos.
Sua mulher está na sala de espera.
Como ele está?
Ainda não sei, mas viverá. Acalme-se.
Posso vê-lo?
Não. Ainda está em coma. Talvez amanhã.
Vá para casa e tente descansar.
Darei notícias de hora em hora. Prometo.
Obrigada.
Não se preocupe.
Venha, vou com você.
Maria vai trazer o jornal.
Lerei as notícias para você.
Maria é gentil, trabalhadora. Gosta muito de você.
Todos perguntam por você.
Você está melhorando.
Os médicos estão otimistas.
Não percebe, mas fez muito progresso.
Especialmente seus olhos.
É curioso, desde que...
desde seu acidente, parei de sonhar.
Está na hora do remédio.
O Sr. Husson, madame. Quer ver seu marido.
Estou indo.
Olá, Séverine. Desculpe incomodá-la.
Quer ver Pierre?
Só um instante.
Ele ainda não fala. Está...
Sim, eu sei.
Queria ter vindo antes.
Gosto muito do Pierre, mas estava fora.
Seu vestido é bonito.
Parece uma colegial precoce.
- O que quer falar com Pierre? - Tudo o que sei de você.
O quê?
Calma!
Ele está paralítico, dependente de você.
Ele tem vergonha do trabalho que dá à sua esposa "pura".
É por isso que quero falar. Contar tudo.
Vou magoá-lo, mas é um favor que Ihe faço.
Quem vai me acusar de crueldade depois disso?
Me leve até ele, por favor.
Está ali.
Quer ouvir nossa conversa?
Olá, Pierre.
Pierre?
Em que está pensando?
Em você, Pierre.
Estou com sede.
- Quer gelo? - Não vale a pena.
Posso tirar 15 dias de férias em fevereiro.
- Podemos ir para as montanhas? - Se você quiser.
Está ouvindo?
Adaptação: Mafalda Riobom-Thierrée Legendagem: Télétota
Adaptação para Pt-Br: mawricio58
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