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UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
Podemos ter imenso dinheiro.
E imenso poder.
Mas a vida...
A vida é tão frágil... Aí mesmo.
Desaparece num piscar de olhos.
Veja a situação do meu filho.
Enviei-o para a melhor universidade.
Dei-lhe tudo.
Mesmo sabendo como ele é. Sempre foi um relaxado, como a mãe.
Ambos relaxados.
Ia dar-lhe trabalho na minha empresa.
Algo simbólico, claro. Sei que ele é um inútil.
Aí mesmo.
Desculpe, Eduardo. Vou buscar mais óleo.
Vá lá, querida.
Como estava a dizer, além da asneirada do meu filho,
estou muito zangado e desiludido com o sistema em que vivemos.
Não se pode destruir uma família de bem por um acidente de viação fortuito.
As leis deviam punir os criminosos, a escumalha.
Os inúteis, os marginais.
Não famílias de bem como a nossa.
Sim. Aí mesmo, querida.
Estou ansioso que termine o pesadelo de ter o meu filho preso.
É um pesadelo saber que tenho um filho na prisão
com aqueles montes de merda.
Devem estar a pensar: "Quem é esta tipa?"
Chamo-me Estela Morales.
A nova inspetora de San Onofre.
Sou a responsável pela gestão da prisão.
Vim implementar novos métodos
para restaurar a ordem nesta prisão.
Vamos realizar buscas.
Todos os dias.
E o horário de visitas será reduzido.
Assim como as visitas conjugais.
Só os reclusos bem-comportados as terão.
O horário da carpintaria será cumprido rigorosamente.
As festas estão suspensas.
Os aniversários.
Os velórios.
E os alegres carnavais!
Espere!
Os carnavais, não!
Estão aqui para cumprir uma pena.
Não para se divertirem!
Entendido?
Vamos, Capece.
Abram alas, senhores.
Cabra chata!
Façam uma revista minuciosa.
Que tal estive, Capece?
- Fantástica, minha senhora. - Ótimo. Obrigada.
Diga ao Ramos que preciso de falar com ele. É urgente.
Não o vi.
Deixe-se de merdas!
Espero por ele no gabinete. Chame-o!
Se não está cá, onde raio está?
Abram o rabo, cabrões! Mostrem o rabo ao papá!
Revista!
Destruam as barracas! Fodam tudo!
Quero todos alinhados!
- Alinhem! - Vá!
Tu também! Quem porra achas que és?
Está demasiado solto, Gabi. Toca a trabalhar. Vá.
Vamos, rapazes. Vamos desmontar isto.
Vamos lá.
Esta noite, pago pizas e cervejas fresquinhas...
E já que estou a ser simpático, se se portarem bem,
dou uma linha a cada um.
Mario, o que aconteceu com o meu primo?
Temos de tratar disto primeiro.
Não quero que a nova chefe nos tope.
Agora que temos o dinheiro para sair,
não quero estragar tudo.
Aquele cretino não parece que se vai embora.
Parece estar a cumprir uma pena de prisão perpétua.
Estou enganado?
Sabes quando vão?
Ainda não. Mas em breve.
Espero que não nos esqueças quando estiveres livre.
Nunca.
O que quiseres, Mario. Estou aqui para ti.
- Podes contar comigo. - Comigo também, chefe.
Eu sei, gonorreia!
De que raio se riem, cretinos?
Estão a falar de mim?
Se têm algo a dizer, digam-mo na cara!
Ninguém está a falar de ti.
Colombiano traidor. Cala-te.
De que estão a falar?
- Que raio? - O que é?
Para, exaltado!
Quem achas que és? O maioral de San Onofre?
Para de snifar coca!
- Deixa-te paranoico! - Chupa-ma, Marito!
Seu cabrão!
Parem de gozar comigo!
Acham que não reparo?
Falam de mim! Riem-se de mim!
Cretinos! Vão-se foder!
Aplica-te nisso, cabrão.
Aplica-te.
Eu trato dele. Pode ir. Feche a porta, obrigada.
- Pensava que a nossa sessão era amanhã. - Senta-te.
Chamei-te cá porque tenho de te dizer uma coisa.
O quê?
O teu pai faleceu.
Ainda não sabemos pormenores.
Sabemos que foi assassinado.
O caso está a ser investigado.
Porquê?
Mataram o Pardo? Que está a dizer?
Por agora, só sei isso. Queria saber se sabe algo mais.
Talvez tenha encomendado a morte a pessoas lá fora...
A morte? Eu?
Matava a galinha dos ovos de ouro? Está doido?
- Talvez porque já não tinha serventia. - Mas não fui eu.
- Juro. - Não importa.
O pagamento foi feito.
Aguardamos a ordem judicial
para a sua libertação e a do seu irmão.
Talvez amanhã.
Então, a morte do Pardo não altera o nosso acordo?
Ele já tinha feito o pagamento.
O restante foi pago com o silicone.
O sistema judicial está muito satisfeito consigo.
Sobretudo o Lunati. Sabe?
Ninguém achava que conseguiria. E cá estamos.
E aquela inspetora?
Ela não tem escolha.
Tem de obedecer à ordem judicial.
Tem a certeza?
Borges, amanhã será um homem livre.
Com direitos e deveres.
Direitos...
Quem diria?
Veio cá para medir pilas.
E agora concretizou isto, como um cavalheiro.
Tenho uma confissão a fazer.
A minha pila não é assim tão grande.
Mas também não é assim tão limpa.
Por isso sou um dos maiores advogados do país.
Obrigado.
Obrigado.
- Foi um gosto. - Igualmente.
Quando voltar a fazer asneiras, ligo-lhe. Sem intermediários.
- Planeia fazer muitas? - Aborreço-me facilmente.
Não sei o que dizer.
Talvez falar te faça bem.
Não sei.
Não percebo nada.
Nem quem o matou nem porquê.
Tivemos uma discussão feia na última visita dele.
Vou falar com o meu pai e ele continuará a ajudar-te.
Vai correr bem.
- Vai ficar tudo bem. - Não.
- Sim, vai. - Não.
Não mereço a tua ajuda.
Porque dizes isso?
Porque sou um merdas! Percebes?
Não és nada. Tu sabes que não.
- És um bom rapaz. - Não.
- Tens a tua mãe. - Ela nunca me veio visitar.
Tens-me a mim.
Até quando, Luna?
Olha para esta pocilga. Não mereces ter de vir cá.
Não é o melhor sítio do mundo...
... mas, pelo menos, podemos estar sozinhos.
Acho muito bem que trabalhem.
Que façam algo pela pátria.
As pessoas honestas trabalham para pagar impostos.
Sustentamos-vos com esses impostos, suas sanguessugas.
O que se passa com esse tipo?
Tinha uma naifa, crack e um telemóvel.
Os traficantes e os agarrados vão para o isolamento!
- Não resta muito espaço. - Faça o que lhe digo!
Se não houver mais espaço, criamos mais celas!
Faz isso, meu!
Vá, meu! Dá-lhe, Pedro!
Máximo! Remata!
Golo!
Vá, defende!
Está fora!
Golo!
Vá lá, meu!
Máximo!
- Máximo! - Aqui!
- Que raio? - Para!
- O que se passa? - Não ouviram a chefe?
Não há mais diversão.
Não chegou destruírem-nos as barracas?
Cala-te ou vais para o isolamento.
Nós cumprimos ordens da diretora.
A diretora!
Seu lambe-botas.
Repete lá isso, filho da puta!
- Levem essa merda. - Ele vai levar a piscina!
A piscina, não!
A piscina, não!
Este calor é insuportável!
Enfia gelo no cu.
Eu estou a falar delicadamente.
Para quê gerar ódio?
Ouça. Quando menos esperar,
as coisas podem mudar.
As coisas já estão a mudar, Bruni. Sai.
Colabora. Vamos.
Vamos! Todos!
Filhos da puta!
- Cabrões! - Vamos!
Vá! Vamos!
Vamos fazer barulho, cabrões! Vá!
Estes cabrões do pátio...
Puta que os pariu.
Desliga-lhe o aspirador ou teremos outro velório em breve.
A sério. Para de snifar essa porcaria.
- Vem brindar connosco. - Vai-te foder.
Come alguma coisa! Às coisas boas!
- Sim. - Às coisas boas!
- Saúde! - Essa foi boa, Mario.
Vem cá, Ranho.
Senta-te aqui comigo. Não te juntes à escumalha.
Olha. Preparei umas linhas para ti.
Vá. Snifa.
Que raio? Agora estás limpo?
Mataram o meu pai.
Como assim? Que raio estás a dizer?
Quem o matou?
Não sei.
- Quem te disse? - A Emma.
Sacanas. Montes de merda.
Calma, Ranho.
Calma.
Vai ficar tudo bem.
Está tudo bem.
Calma, Ranho.
Os nossos pêsames, rapaz.
Que desperdício.
Quem pode ter sido, Mario?
Agora que o teu pai morreu,
quem pagará ao gangue para te proteger?
Que raio, Mario? Isso não importa agora.
Importa, sim.
Se a banca fechar, não há dinheiro.
Mas o meu pai já vos pagou.
O teu velhote pagou para eu e o meu irmão cuidarmos de ti até sairmos.
O combinado era ele continuar a pagar ao gangue para cuidarem de ti.
Onde vais arranjar dinheiro para o Barny,
para o colombiano, para o Morcilla e para o Cramp?
O que queres? Proteção grátis?
Vai aquecendo o cu para mim.
Cala-te, seu badocha maricas.
Não sei. Posso pedir dinheiro à minha família.
Mas nem consigo pensar nisso agora.
Calma. Descontrai, Ranho.
Não penses nisso.
Vamos anular o contrato. Certo?
Vamos mas é estrear-lhe o cu, Mario.
É outra possibilidade, mas...
Vocês riem-se,
mas quando um negócio corre mal, o que se pode fazer?
- Nada. - Que raio estás a dizer?
Que raio? O que se passa contigo?
Quando eu e o Marito sairmos, têm de cuidar do Ranho. Ele é meu amigo.
Deixaste o gangue. Não queres estar com a escumalha.
O que tu dizes não importa nada.
Sabes que mais, Borges? És um canalha.
Fiz-te enriquecer e agora vais deixar-me assim?
Ouve, idiota. Sabes com quem estás a falar?
Fui como um pai para ti aqui e nunca me agradeceste.
Vai para a puta que te pariu.
- A minha mãe é sagrada. - A minha também.
Somos do mesmo pavilhão!
Que te importa? Ele é meu amigo.
O Ranho é meu amigo. Ninguém lhe toca!
E tu também.
Tens de decidir se ficas com o traidor ou comigo.
Todos terão de decidir. Tu também, Barny.
- Chupa-ma. - Chupa-ma tu, traidor.
Tens razão, sabes?
Queres defender este monte de merda?
Acho fantástico. Leva as tuas coisas para o pátio
para ficarmos mais à vontade.
És um gordo de merda.
Sabes que mais? Vou para o pátio.
Com o meu amigo. Ele é o único que vale alguma coisa.
Vocês são todos umas cobras.
Malditas cobras. Anda, Ranho.
Larga-me, Mario!
- Vem cá. - Diosito!
- Diosito, por favor! - Calma.
- Por favor! - Calma.
- Calma. - Vem cá, idiota.
Não podes ir para o pátio.
Já pagámos, Diosito.
Aguardamos a chamada para fazer as malas e sair.
Vem cá. Eu explico.
Vou explicar-te umas coisas básicas.
Quieto. Calma.
Maldita escumalha. Quem diria?
Tiramos-lhes a diversão, pomo-los a trabalhar e eles revoltam-se.
Filhos da puta!
A senhora manda.
Temos de os reprimir em força!
As máfias têm de ser eliminadas.
Sabia que o Pardo foi morto? O empresário?
- Foi morto? - Foi!
E a ordem veio de cá. É o que estes cretinos fazem.
Pressionam os familiares.
Controlem o pátio.
É para já.
Capece!
Onde está o Ramos?
Não o vi.
Já não precisamos do Pardo nem do rapaz.
Ouve.
Sabes o que são estes números?
Sabes o que significam?
Temos esta massa toda à nossa espera lá fora.
Mais de três milhões.
Sim.
Filho da puta.
E é toda nossa.
Minha e tua.
É tanto dinheiro, que podemos coçar os tomates até sangrarem.
- Calma. - Larguem-me!
- Larguem-me! - Calma.
Podemos criar uma empresa.
Algo em que não tenhamos de trabalhar.
Não percebo, Marito.
Quando ganhámos este dinheiro todo?
Tudo começou quando matámos o Sapo Quiroga.
Calma!
Calma, cretino.
Não!
- Diosito! - O laboratório...
O negócio europeu com as mamas.
Isso correu muito melhor do que esperava.
Sei que não estamos bem,
mas somos milionários.
Esquece a porra do rapaz.
Vá, mano.
Milionários.
Diosito!
Diosito!
Vamos! Para!
Para. Calma. Vamos.
Senta-te, meu.
Aqui, para descontrair.
Porreiro.
Vá, Ranho. Vamos.
- Tanto trabalho por este cabrão? - Parem! Morci, por favor.
- Tens de ir. - Aguenta-te.
Estou a cumprir ordens.
- Vá. - Sai.
Por que esperam?
Venham, cabrões!
Que raio se passa?
Que se passa, merdosos?
Venham cá!
- Voltem para as barracas! - Cheira-me a porco!
Vamos!
- Filhos da puta! - Cabrões!
Vamos apanhar-te, filho da puta!
Monte de merda!
Cabrões!
Porta!
Vamos, cabrões!
Vamos!
EDUARDO PARDO ASSASSINADO
- Com licença. Posso? - Entre.
Voltei a discutir com o meu irmão. Voltou a descambar.
O Kalina está cá logo, se quiser falar com ele.
Não quero falar com ele. Preciso de outra coisa.
Talvez me possa ajudar.
Talvez ainda tenha alguns...
... dos comprimidos que me deu. Lembra-se?
Eu disse. Foi uma exceção. Não lhe posso dar nada.
Foi uma emergência e isto também é.
- Não me vai ajudar? - Vou.
- Se quiser, podemos falar. - Não quero falar, cabra!
Quero os comprimidos!
Tenho de lhe pedir que saia.
Não me fale assim, sua cabra.
Onde estão os comprimidos? Devem estar aqui.
- Onde estão? - Não mexa nas minhas coisas!
- Diga-me ou tiro-lhas! - Calma!
- Onde estão? - O que está a fazer? Calma!
Onde estão? Não me toque!
- Pare! Acalme-se! - Largue-a! Não toque na doutora!
Os reclusos não podem ameaçar os funcionários!
Não a estava a ameaçar.
Estava a pedir-lhe uns comprimidos que ela costuma tomar.
Se voltar a vê-lo a atacar um funcionário,
mando-o para o isolamento, todo nu!
Saia daqui!
Vá.
O que aconteceu? Magoou-se?
- Não, estou bem. - Emma...
Não posso ter uma agarrada aqui.
Eu percebo, mas ele mentiu.
Assim que lhe pus a vista em cima, percebi que tinha um problema.
Talvez o Antín não se importasse, mas eu importo-me.
Se não está capaz de tratar os reclusos,
saia-me da frente, não a quero cá.
Meritíssimo, como está?
Como está, Dr. Lunati?
Antín, preciso que me faça um favor amanhã.
Tem de deixar sair os Borges pela rua lateral de San Onofre.
Será difícil.
A Dra. Estela Morales dispensou-me.
A prisão foi tomada.
Que surpresa. Bem sei, Antín.
- Mas é um favor especial. - Desculpe,
como espera que faça o que pede
se já não sou o diretor?
Teria de pedir isso à Estela Morales.
Quanto menos ela souber, melhor.
Além disso, devo esclarecer que a libertação não foi assinada.
Não posso falar com ela porque nenhum juiz assinou.
Então, porque quer que saiam?
Tenho uma pequena operação em curso
amanhã com alguns polícias.
Quando os cretinos saírem pelo portão lateral,
serão abatidos por tentativa de fuga.
Preciso que o Antín e um guarda da sua confiança
deixem os irmãos sair discretamente.
Percebido?
Vai matá-los?
Quer matá-los para não deixar pontas soltas?
Faça-me este favor e um juiz federal fica a dever-lhe
e resolverá o seu problema com a inspetora.
Conte comigo, Meritíssimo.
Filhos da puta!
Eles atiraram-nos tudo. Pedras deste tamanho.
Tivemos de recuar.
Os guardas não querem ir para ao hospital.
A assistência médica é uma merda.
Cambada de cobardolas.
O que pensarão as chefias? Que me acobardei? Arranje outra solução!
O que é isto?
Se não acabarmos com isto, pode ser perigoso.
Sei do que falo.
- Vou-me embora daqui. - Aonde vai?
Vou apanhar ar fresco!
Vai abandonar o barco?
Como podia abandonar o barco? Cretino!
Sergio Antín.
- Morales! - A última pessoa que esperava ver.
Igualmente. Sente-se.
O que faz aqui?
Está suspenso, lembra-se?
Sim, suspenso na prisão.
Traz-me uma água? Obrigada.
Acordei cedo. Senti-me sozinho.
Vim dar uma volta a ver se encontrava algum conhecido.
Porque sentimos a falta daquilo.
Habituamo-nos a interagir com os reclusos.
Acordei e pensei em vir dar uma volta,
ver se precisava de ajuda.
Só lhe peço que,
se falar com a imprensa,
não me queime. A minha mulher não sabe.
- Ela mata-me se descobrir. - Calma.
Não tenciono falar com a imprensa.
Está tudo sob controlo.
- Não tenho a certeza. - Porquê? Tem informadores?
Informadores? Ouvem-se os tumultos aqui.
Sim, algumas pessoas discordam dos meus pedidos.
Sim. Sentem a falta do Antín.
Não é isso.
Exagerou com o pulso firme.
Foi violenta de mais. Eles não suportam isso.
O que faria no meu lugar?
Com a política prisional em geral?
Estudou o mesmo que eu. Poupo-a a conceitos gerais.
Mas se se refere a algo específico...
O Carnaval está a chegar.
Vai autorizá-lo ou bani-lo?
Vai autorizá-lo com limites? Os reclusos gostam de o festejar
porque lá fora também o festejam.
Se o celebrarem, sentem-se livres, como todos.
Por isso se pintam, dançam, cantam, embebedam,
drogam-se, tomam comprimidos...
É algo cultural. Acontece.
Vou-me embora.
- Obrigado pela companhia. - Obrigada eu.
- Até breve. - O Antín paga.
- Capece. - Sim, chefe.
Acabei de falar com a Estela Morales.
Convenci-a a permitir o Carnaval. Se ela me ouvir, está feito.
De que precisa?
Abre os portões do pátio
para os reclusos andarem livremente pela prisão.
Será o caos total, chefe.
É o que quero. Caos.
Então? Vais obedecer-me?
Ou vais ouvir aquela cabra velha?
Como gesto de boa vontade,
decidi autorizar os festejos de Carnaval
durante as próximas 12 horas.
Sei que é importante para vocês.
Mas cuidado. Não façam merda.
Não se descontrolem.
Não se preocupe. Não haverá problemas.
Espero que não. Festejem!
Vá! Dispersem!
Dispersem!
Todos para as barracas! Vá!
- Vamos! - Para as barracas!
Vá!
Dá-me lume.
Dia difícil?
Soube do Eduardo Pardo?
- Eduardo Pardo? - Sim.
- Eduardo Pardo... - O pai do Cristian. O recluso jovem.
Sim. Ele morreu.
- Sim. - Isso incomoda-me.
Parece que alguém o ajudou a morrer. É o boato no pátio.
O que mais dizem?
Parece que foi uma encomenda de San Onofre.
Não sei. Rumores.
Eles dizem tanta coisa.
Todos contam histórias.
Mas não sei.
Pode ajudar-me a descobrir o que aconteceu?
Posso ser louco, mas não sou idiota.
Sei que os bufos não são populares.
Não estou a pedir que denuncie ninguém.
Só que me ajude a descobrir mais.
O miúdo está mal. Mataram-lhe o pai. Ele merece saber o que aconteceu.
Prometo que fica entre nós. Ninguém vai descobrir.
Por favor, ajude-me.
Olha.
Que porra fazes aqui, cabrão?
Não és bem-vindo.
Porquê? Não fiz nada.
Porque não vais chupar o Diosito e o Marito Borges?
Preciso de algo para fumar.
Fuma isto, maricas. Acende-a!
Tenho dinheiro.
Ele tem dinheiro.
Vejamos. Passa-o para cá.
Passa-o para cá, cabrão.
- Obrigado. Agora, pira-te. - Não, mas eu...
Cala a boca, monte de merda!
Pira-te!
Já não tenho nada que ver com os Borges. Para mim, morreram.
Não tens nada que ver com eles?
E o que me fizeram aos dedos?
Queres acabar assim? Queres que te foda?
Queres que te foda, cabrão?
Foi o colombiano. Não te zangues comigo.
- Cabrão! - Pira-te.
Por favor, Deto. Tira-o daqui. Não o suporto.
Põe-te a andar. Vá.
Põe-te a andar, porra.
- Pira-te! - Está bem.
Maldito traidor!
Põe-te a andar!
O que queres?
Assim, não duro muito.
Preciso da tua ajuda, Bruni.
Minha?
Porque te ajudaria?
Porque tenho dinheiro.
Mataram o meu pai. Vou herdar.
Mas preciso de proteção.
Então, mataram o teu pai.
É o que acontece por te meteres com os Borges.
É como cair na sarjeta.
Nunca sais de lá limpo.
Aposto os meus tomates em como foram eles.
Não sei quem foi.
Mas não poderei fazer nada se for morto ou violado aqui.
O que acham?
O que fazemos ao rapaz que enterrou o Marquitos?
Ele cuspiu-lhe depois de o Pantera o espancar.
Eu não fiz nada ao teu sobrinho. Ele esfaqueou-me.
Não sei porquê. Ele tinha algo contra mim.
Para de tremer.
Fica connosco. Ficarás bem.
Vamos dar significado à morte do Marquitos.
Com o dinheiro dele e a minha mente, mandaremos em San Onofre.
Grandalhão, mete-o na linha.
Vamos, rapaz.
Chegou o Carnaval.
Sem carne.
Os preparativos antes da Ressurreição.
Não alimentes o corpo. Não...
Devias alimentar o espírito.
Aqueles tambores são para ti, panterinha.
Estás a ouvir?
Parece o teu coração.
Cada vez mais rápido.
Isso significa que estás a chegar ao fim.
A questão é...
Estás preparado?
És um sacana matreiro.
O que queres?
Aposto que estás farto de comer ratazanas.
Vem comigo. Arranjei-te uma barraca no pátio.
No pátio?
Queres voltar a ser o braço-direito do Senhor?
Estou prestes a tornar-me o Senhor de San Onofre.
Está na hora de ajustar contas.
Olá.
Olá.
- Então? Alguma coisa? - Alguma.
Só rumores do pátio.
Sabe quem o matou?
O Bruni. É o que dizem.
- O Bruni? - Sim.
Não percebo. O Bruni encomendou a morte?
Como ele não pode sair daqui, é provável que sim.
Mandou alguém tratar disso.
- Mas porquê? Não entendo. - Não sei.
Chega de perguntas.
Pronto. Esqueça.
Eles que resolvam isso. São como animais.
Não se meta.
Tenha cuidado, sim?
Terei. Prometo. Obrigada.
Ortiz?
Sim?
Não me conheces, mas eu conheço-te.
Não pelo futebol, que é um desporto de merda.
Vinte e dois imbecis atrás de uma bola para a chutarem
e a enfiarem numa rede presa em três postes. Tem explicação?
Não sei, mas é um êxito há bastante tempo.
Também não percebo.
- Mais alguma coisa? - Sim.
Chamo-me Juan Carlos Rodríguez.
Afasta-te da Emma Molinari. Entendido?
- Porquê? - Porque sim.
Estou interessado nela há muito tempo.
Muito antes da tua chegada cá.
És o Tubo de Ensaio, certo?
O que dá comprimidos à médica.
Que tens tu com isso?
Se eu descobrir que lhe deste mais comprimidos,
empurro-te esses olhos de toupeira com estes dois polegares
até à garganta.
E arranco-tos pela boca. Ou pelas orelhas.
Não sei que orifícios escolher.
Mas olho para ti e os meus dedos titilam de ansiedade.
Já agora, chamam-me El Loco Ortiz.
Muito gosto.
Já estou bonito?
Quero ir jantar fora com a minha Gladys.
Não posso parecer mal.
Já está, Borges. Estás bem.
Ouve. Chega-te cá.
Chega-te cá.
O que aconteceu no pavilhão foi uma asneira.
Uma asneirada do caraças.
Eu gostava muito...
Gostava muito da Ginna. O que estou a dizer? Tu sabes.
- Sim. - Certo.
A Fabiola e as outras que não se zanguem com os rapazes. Somos amigos.
Diz-lhes que nos protejam.
Não te preocupes.
Eles cuidarão bem de vocês.
E sentirei a tua falta.
E eu a tua.
- Dá um beijo meu às raparigas. - Está bem.
Obrigado.
Então?
Que tal estou?
Pareces um adolescente.
Mentirosos de merda! E devia eu confiar em vocês.
Puta que vos pariu. Venham cá.
Venham cá!
Estes cartões telefónicos são para as raparigas do pavilhão.
- Tomem. - Obrigado.
Estaremos em contacto.
Colômbia.
Ficas com as minhas roupas. São pequenas para ele.
Está bem?
Certo.
Sabem onde estão as correias.
E as zarabatanas?
Vou sentir a tua falta, maldito colombiano.
E eu a tua.
- Estou muito feliz por ti, sabes? - Sei.
Eu sei.
Sim.
Claro!
- Certo. - Cuida-te.
Poderemos celebrar lá fora.
Agora, mandas tu.
O Morcilla trata do pátio.
Fica de olho naquele badocha. Sabes que ele é incerto.
Prometo que tratarei de vos libertar quando estiver lá fora.
Com paciência e lábia. Sabem como é.
- Sim. - Obrigado, Mario.
Vamos, Borges.
Não te vais despedir, cretino?
Destas cobras?
Que se foda. Nunca mais os vejo.
Felizmente.
- Cretino. - Vamos. Mexe-te.
Calma, meu.
- Adeus, idiotas. Vemo-nos em Cancún. - Adeus, Cramp.
Dá-me um beijinho, maricas!
Ele levou a porra dos lençóis.
- Vais para casa. - Nem pensar.
Vou ficar em casa de um amigo.
Não sejas cretino.
A Gladys está a preparar tudo. Vais fazer-lhe essa desfeita?
- Ela está à nossa espera. - Lamento pela Gladys.
Mas não quero nada contigo.
Dá-me a minha parte e pronto.
Que parte?
O meu quinhão. O dinheiro que ganhámos juntos.
- Juntos? - Sim.
Eu planeei tudo.
Tu só fizeste asneiras.
Além disso, algum do dinheiro é para o gangue.
E, pelo que sei, tu querias sair.
- Não me fodas, Marito. - Ou fazes o quê?
Deixem-se de merdas ou levo-vos para o isolamento.
Toca a mexer!
Olá, Osvaldito.
Estás bem?
Sim. Tudo bem. Onde estás?
Desculpa não ter podido ajudar, querido.
Vim buscar os miúdos ao infantário.
Esquece. Tenho tudo sob controlo.
Despacha-te a chegar a casa. Há uma festa à espera.
Está bem. Diz ao Borges para não beber o uísque todo.
- Direi. - Polícia!
Mana, é a Polícia!
O cretino do juiz fodeu-nos!
Polícia! No chão, já!
Está preso por tráfico de droga,
segundo a Lei 23.737.
Algemem-no.
Vamos limpar esta merda. Podemos usá-la no caso.
Cabrão azarento!
Sim, muito azar. Sobretudo para ti.
Estás mesmo fodido, como o teu cunhado.
Levem este cretino.
Limpem esta merda.
Não te apresses. Não queremos ir-nos embora.
O que se passa?
Estás a mijar-te de excitação?
Só se for por não te voltar a ver, lambe-botas.
Espera. O Antín está a ligar.
- Onde estão? - Na porta, prestes a sair.
Não! Diz ao Capece para fechar a porta! Não saiam!
Que raio se passa?
Não sei. Ouve. Não saiam.
Atende, Mario!
- Estás a brincar? - Não! É a verdade!
Não sei que raio se passa, mas o acordo com o Lunati foi-se!
Não me fodas. Estou quase lá fora.
- O que se passa, Marito? - Ouve.
Se saíres, enfiam-te uma bala na cabeça.
Não sejas idiota. Não saias.
Soubeste este tempo todo?
Porque não disseste nada?
Não importa. Estou a salvar-te o couro.
E a arriscar o meu por te avisar.
Mas prefiro ter-te vivo.
- Mario, o que se passa? - Sarilhos.
- Com quem, Marito? - Espera.
- Sim. - Ouve. Eles foderam-nos.
O Lunati entrou na funerária com a Polícia. Levaram o Osvaldo.
Também nos querem foder.
- Foge, querida. - Mas, Mario...
Mas nada. Não hesites. Vai.
Vai.
AGÊNCIA FUNERÁRIA
Acabem com eles.
- Abre. - O que se passa?
Abre-a, cretino.
Marito, que raio se passa?
- Mario! - É uma armadilha.
Está um carro com tipos armados do outro lado da rua.
Vamos ver. Abre, Capece.
Porra!
Anda cá.
Anda para dentro.
- Vou pirar-me daqui. - Queres levar um tiro?
- Entra! - Não me toques!
Traidor.
Não vou ficar aqui.
Está bem. Vai.
Sai, cretino! Vá.
Eu fico a ver-te morrer! Cretino!
Anda, idiota. Entra.
Fecha a porta!
- Porra! - Puta que pariu!
Há novidades sobre o Cristian?
Parece que foi mandado para o pátio.
- Para o pátio? - Sim.
- Vamos. - Aonde?
Porta.
Porta.
Lunati, filho de mil putas!
Aquele sacana fodeu-nos.
Ele vai pagar. Juro.
E com juros. Filho da puta.
E agora temos de lidar com estes bandalhos e as máscaras de merda.
Maldito Carnaval!
- Respira fundo, badocha! - Soltem o meu irmão!
Vai-te foder!
Larga-me, filho da puta!
Cabrões!
Bem-vindos ao pátio, Borges.
O MARGINAL É UMA SÉRIE FICTÍCIA.
QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS REAIS, PERSONAGENS, NOMES
E/OU CIRCUNSTÂNCIAS É PURA COINCIDÊNCIA.
Legendas: Lígia Teixeira
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