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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

Este caixão de madeira agrada-me.

É triste, não é?

Trabalhamos muito, pagamos impostos, aturamos políticos de merda,

compramos uma casa, um carro

e acabamos enterrados num caixão barato de madeira.

Barato ou caro, seremos comidos pelos vermes.

Sabes uma coisa?

Que se lixem os vermes.

Quero ser cremado.

E que as minhas cinzas sejam espalhadas no pátio de San Onofre,

enquanto os reclusos cantam o hino nacional.

Que culpa têm os reclusos? Vais envenená-los.

Sabes que mais? Tenho uma fantasia.

Ser cremado e que as minhas cinzas sejam misturadas com coca e champanhe,

levadas para o cimo da Torre Eiffel

e espalhadas sobre Paris.

Montparnasse, Montmartre, Sacré-Coeur, Notre-Dame.

Saint-Denis, a rua das putas. Já estiveste em Paris?

Só comprava baguetes.

Cheira-te a droga?

Só me cheira a serrim queimado.

Não. Cheira-me a droga.

Que porcaria de chá!

Vais estranhar quando eu não estiver cá.

Sobre isso. Como estão a correr as exportações?

Muito bem.

Faltam-me dois carregamentos

para ter o dinheiro para o pai do rapaz nos tirar daqui.

Falando em dinheiro.

Quanto custará a vossa liberdade?

Que te importa isso? Ou tencionas ser preso?

Importa-me porque te apresentei ao Pardo. Facilitei o acordo.

Dei-te esta oportunidade.

Mereço um bónus.

Eu dou-te o bónus.

- A sério? - Um puzzle enorme

para não sentires a minha falta... - Combinado.

Quando estiver naquela rua... Como se chama?

Vendido!

- A rua das putas. Como se chama? - Saint-Denis.

Saint-Denis. Estarei lá.

E tu aqui, com o teu puzzle...

O que foi?

O Pantera destruiu o laboratório.

Tenho de ir.

- Os rapazes precisam de mim. - Também vou.

Que confusão! Filho da mãe!

Faca, trata disto.

Inacreditável. Nem acredito que este cabrão pode fazer tanta merda.

Disse-vos para terem cuidado, idiotas!

A culpa é tua, pirralho de merda.

Minha? Cretino!

Que raio foste fazer à prisão antiga?

Querias ir a algum lado?

Sim, Marito! Apanhar o assassino da Mecha!

Se eles não me tivessem impedido, tinha-o apanhado.

Estarias morto.

O Pantera quase te matou.

- Isso queria ele. - Queres ir-te embora?

Então, trabalha!

Ajuda-me! Resolve esta merda!

Temos de manter a calma! E não fazer merda!

Usa o cérebro, para variar!

Sabes uma coisa?

Toma lá! Cabrão!

Mete-os no cu!

Chupa-pilas!

Vai-te foder, Mario! Vamos, Ranho.

Ofendi-te?

- Cretino! - Vai-te foder!

É um pirralho. Um monte de merda.

Com o Tubo sem trabalhar, não podemos acabar isto.

Porra!

Pantera, seu filho da puta!

O que fazemos, Mario?

Nada.

Nada.

Terei de falar com o teu primo

para lhe explicar a situação e pedir mais tempo.

Ele não vai gostar.

Sabes que ele tem mau feitio.

Bem,

terá de aceitar.

Borges.

Sim.

Para...

... lhe dizer que tivemos um problema.

Teremos de adiar a entrega. Percebe?

O Mario Borges não cumpre sempre?

Então, cumpra!

Eu sei. Estava a correr bem, mas tivemos problemas.

Então, resolva-os.

Quero as mamas a tempo ou haverá duras represálias.

Entendido?

Olá.

Olá.

Olá.

Desculpa. Estou um pouco atrasada.

Não faz mal.

Como estás?

Vou vivendo.

Bem ou mal?

Não sei. Era mais fácil lá fora.

Por isso fazia tantas asneiras.

Aqui é diferente.

Estou sempre focado no que tenho de fazer para não ser morto

ou não me lixarem a cabeça.

Quem ta anda a lixar?

Os meus pensamentos.

Coisas na minha cabeça.

Tento fechar os olhos para o tempo passar, mas...

Vejo coisas piores com os olhos fechados do que com eles abertos.

Gosto da forma como falas, como um artista.

Não o sou.

Toco guitarra e um pouco de percussão. Mas artista?

Não sabia.

Lembrei-me de algo.

Foi um recluso que ma deu.

Antes de se ir embora.

Mas ele não sabia que não percebo nada de música.

Pode ajudar-te a passar o tempo.

Não me parece, mas tudo bem.

Obrigado.

Se queres mudar, tens de tentar algo novo.

Eu sou péssima. Ou tentava eu.

É boa.

Achei que ele me ia matar.

Mas o mais assustador foi pensar

que ia encontrar no Inferno a minha mulher, a mãe e a irmã dela.

À espera para me chatearem para toda a eternidade.

Até me arrepio só de pensar. Vejam.

O teu ajudante ficou pior.

Sim. Pobre Rambo.

Ele era bom rapaz. Trabalhador.

Não me posso queixar. Estou vivo e tratam-me bem aqui.

Ótimo. Apraz-me sabê-lo.

Mas precisamos de ti no laboratório.

Podes continuar a trabalhar?

Mario.

Eu quero, mas não me consigo mexer.

Tenho uma costela fraturada, quatro dedos partidos

e um ombro deslocado.

Queres que cozinhe com os dentes?

Querem examinar-me noutra prisão.

Noutra prisão? Não.

Não digas isso. Por favor.

E se for eu a fazer?

Basta dizeres e eu faço, Mario.

Mas tu estudaste?

Percebes de química?

Um pouco.

E com a ajuda do Tubo de Ensaio,

eu consigo.

- Não. - Quem não arrisca, não petisca.

Como dizem na minha terra.

O que achas?

Chega-me o caderno que está debaixo da almofada.

Cuidado, cabrão...

Na página nove.

Tem todo o processo.

Se fizeres exatamente o que está aí

ou o que te disser, pode resultar.

Para prevenir, tem um extintor por perto.

Não o percas. É a Bíblia.

- Obrigado, Tubo. - Puta que pariu...

As mãos. Mais altas.

Isso. Mexe-te. Vá.

Bruni.

Tens um minuto? Tenho notícias importantes.

Continuamos depois.

O que foi?

O Pedrito ouviu o Borges a falar com o Antín.

Eles vão sair sem cumprir a pena.

Ele e o Diosito.

O quê?

Tu ouviste.

Tem um acordo com o pai do Ranho.

Vão deixá-lo sair antes.

Tens a certeza?

Absoluta.

Por isso protegem o rapaz.

Aqueles cabrões têm um acordo.

Aquele filho da puta não pode sair.

Vai pagar pelo que fez ao meu sobrinho. Com sangue.

Bem,

mas parece que vão escapar.

A menos que façamos algo.

Estávamos a pensar matar o rapaz.

Vamos apanhá-lo. Mas ainda não.

Teremos de matar o pai.

Assim, não há acordo.

Com o pai morto,

o rapaz não terá dinheiro...

Será um fardo para os Borges

e causará conflitos internos.

E eles nunca perceberão que foi algo planeado aqui.

No pátio.

Que inteligente.

Não podemos deixar esses filhos da puta saírem de San Onofre.

Temos de agir já!

Já!

Não, Pantera, por favor! Não me mates!

Não me mates, Pantera! Por favor!

Não!

Não!

Não!

Está bem?

Sim.

García, traz reforços à enfermaria.

Agora.

Vá, rapazes.

Cuidado. Bom trabalho.

Com calma. Muda isso.

Cuidado. Isso é muito valioso.

Aprendi muito!

Isso. Muito bem. Com força.

Faz isso bem.

Muito bem, rapazes.

Vamos lá. Está a correr bem.

Bom ritmo.

Filho da puta!

Eu disse para teres cuidado, idiota!

Queres mandar-nos pelos ares?

Concentra-te, Pancho!

O que se passou?

Que fumo é este?

Nada. Um pequeno erro.

- Nada de grave. - Nada de grave?

O tanas! Acordem, porra!

Temos de acabar isto!

Encham as mamas como se fossem de uma diva.

Vá!

Tu também! Mexe-te!

Ouve, Colômbia. Diz-me que vamos conseguir.

O meu cérebro vai implodir.

- Estamos a dar tudo, Mario. - Então, deem mais.

Senão, o teu primo mata-me.

Acaba isto o quanto antes. Não importa como.

Outra vez com as matrículas?

- Sim. - Não devias. Tens de aprender.

- Apanharam-me. - Que tal, Ortiz? Queres jogar?

Não, não quero.

- Olha. Não sejas cobarde. - Porque não jogas tu? Deixem-no jogar.

Não jogamos com qualquer um.

- Tu jogas? - Queres um confronto?

Sempre. Em que posição?

- Avançado. E tu? - Defesa.

- Vens? Falta-nos um. - Sim.

- Vamos. - Sim.

Vamos.

Futebol de elite!

Vai!

Vá, meu. Mexe-te!

Vai!

Golo!

- Estes cabrões são péssimos. - Não são maus.

Golo!

Imagino que te custe vê-los jogar.

Não.

Seria como o Baryshnikov vir ver-me dançar.

Não.

A sério. Queria dizer-te que te admiro muito.

Obrigado por tudo. Como jogador.

- A sério. És o maior. - Obrigado.

- Obrigado. - Um génio do futebol.

- Nem por isso. - Sim, mas não te deram valor.

Nunca te deram o devido reconhecimento.

Certo.

Se querem ser cretinos, serão.

Claro.

- São teimosos. Julgam-te. - Sim.

Como no teu caso, pela cocaína.

E depois, zás.

Merda. Deixam-te de lado.

Não é?

Golo!

Bem, quem nunca pecou que atire a primeira pedra.

Pois. Que se lixe.

E não é uma questão de educação ou de estatuto social.

Estamos todos fodidos.

- Certo? - Golo!

Pensa nisso. De um lado, estes cabrões do pátio.

E a assistente social do outro. São a mesma merda, todos agarrados.

- A Emma? Não. - Claro.

Tem cara de santa, mas é uma agarrada.

Não acredito.

- Toma um monte de comprimidos. - Tens a certeza?

Como não? Agarrada de merda.

Sabes quem lhos fornece? O Tubo de Ensaio.

Um génio que cozinha metanfetaminas para nós.

O droguista e a drogada.

- É a vida. - Sim, é.

Não podemos fugir ao destino.

Quem nasce agarrado, morre agarrado.

- Não é bem assim. - Sim, é.

Então, se nasces cretino, morres cretino.

É assim.

- Ainda podes recuperar. - É assim.

Passa na minha barraca quando quiseres snifar.

- Tenho muita. - Não preciso de muita.

- Vou jogar! - Lá vai ele!

- Vamos! - Vai!

Corram, seus funcionários públicos!

Isso! Vá!

Dá-lhe, cabrão!

A baliza é ali, cretino!

- Estás bem? O que aconteceu? - Sim.

Nada. Estou bem.

Obrigado por teres vindo.

Ainda bem que me chamaste. Também te queria ver.

Divertimo-nos sempre juntos, não é?

Ouve, Kari.

És boa rapariga.

E...

Não te quero mentir. Não...

Não te quero iludir.

O que se passa?

Não te chamei...

... pelo que imaginas.

Chamei-te para me contares tudo sobre a morte da Mecha.

Não sei nada.

Vá. Não me mintas.

Diz-me ou haverá problemas! Desembucha! Vá!

- Isso é uma ameaça? - Não, mas diz-me.

Estás a ameaçar-me! Que raio se passa contigo?

Não eras assim.

Sempre foste um patife, mas ameaçar uma mulher? A sério?

A prisão transformou-te num cretino.

Está bem. Desculpa.

Desculpa, mas não sei o que fazer.

Sabes como é estar aqui?

Com todos a mentirem-te?

Sem ninguém a dizer a verdade?

Vá, Kari. Diz-me a verdade.

Não sei mesmo nada, Diosito.

Deves saber mais do que eu. Vá, diz-me. Pensa.

Há rumores no bairro.

As pessoas dizem coisas, só isso.

O que dizem?

Que a morte da Mecha não foi só um assalto.

Dizem que os mandachuvas a queriam morta.

Não sei porquê.

Mas são rumores parvos. Não lhes dês crédito.

Diz-me a verdade.

O meu irmão esteve envolvido?

Nunca tinha estado com uma professora.

Uma professora de arte.

Bem,

é a tua primeira vez em todos os sentidos.

O quê?

- Já te estás a gabar? Tontinha. - Não.

- Estás a gabar-te. - Não.

Se não o fizer, não chego para ti.

Tu? Não chegas?

Como se fosse possível. Olha para ti.

Pequenina.

Pequenina.

Alguma vez tinhas estado

com um homem como eu?

Um homem que é... Não sei...

Bem abonado.

- Bem abonado. - Bem abonado?

- O quê? Achas que não? - Achas-te inteligente?

Inteligente?

- Bem abonado? - Sim. E então?

Não.

Nunca tinha estado com um homem tão...

Tão viril.

Tão bem abonado.

- E com uma pila tão grande. - Que ordinária.

- Mario Borges. - Que ordinária.

Maldita sejas. Deixas-me cheio de tesão.

Ouve. Onde está o Mario?

- Não sei. - Não sabes?

Não, não sei.

Não sabes onde ele está? Não me mintas.

Sabes pois, larilas.

- Mas se não... - Onde está?

- Onde? Cabrão! - Não sei! A sério!

Já sei onde estão aqueles cabrões.

Porta!

- Abre a porra da porta! - Não posso.

- Ordem do Borges. Ninguém pode entrar. - Eu também sou Borges. Abre.

Explicas-lhe tu.

Deixas-me louco. Vira-te, querida.

Vira-te.

- Vamos lá ver. - Mario.

O que fazes aqui, cretino?

- Mataste-a? - Cabrão!

- De que estás a falar? - Da Mecha, cabrão. Mataste-a?

Mataste-a, seu traidor? Maldito!

Mataste-a? Diz-me!

Larga!

Que barulho é este?

Ginna.

Ginna!

O que lhe fizeste?

Ginna.

Ginna.

Ginna.

Está mesmo um guarda lá fora?

Sim.

O Malla está lá. O que se passa? Tem medo?

Gostava de ser mais corajoso.

Ou de me conseguir defender,

mas sempre fui melhor a usar a cabeça.

É melhor usar a cabeça do que a força, certo?

Acha mesmo?

Sim.

Quer contar-me o que aconteceu? Quem lhe fez isto?

Não importa.

Aqui as coisas descontrolam-se sempre.

É de estarmos presos.

Isso enlouquece qualquer um.

Mas eu já não me importo.

Graças à sova que levei, veio cá ver-me.

Estou muito contente por ter vindo.

Se não a vir, mesmo só por um dia, sinto a sua falta.

Tenho uma prenda para si. Uma surpresa.

Cuidado.

Ali debaixo.

Tem um guardanapo.

- Isto? - Sim. Abra.

- Mas já não consumo. - O quê?

- Deitei fora tudo o que tinha. Obrigada. - Ainda melhor.

Guarde-os. Eu sei como são estas coisas.

Não pode parar de um dia para o outro.

De certeza que me virá pedir mais daqui a uns dias.

Está bem. Mas é a última vez.

A decisão é sua.

Estávamos muito bêbadas.

E a Ginna fingiu ser modelo.

Calçou uns saltos altos e fingiu que estava na passarela.

Tropeçou e bateu com a cabeça na cama.

Algo cheira a esturro.

Ninguém a empurrou?

Não.

- Sozinha? - Tentei agarrá-la, mas não consegui.

Estou a perguntar se alguém lhe tocou ou a empurrou.

Não, ninguém.

O que estavam a fazer aqui os dois?

Vim aparar o bigode.

Pedias-lhe isso?

Sim, de vez em quando.

Ela estava bêbada e pediste-lhe para te aparar o bigode?

Não sabia que ela estava bêbada. Quando cheguei...

Eu não sabia.

E tu?

Diosito?

O que aconteceu, Diosito?

Está em morte cerebral.

É bastante claro.

Esta é uma morte suspeita.

- Não é, Ramito? - Sim.

Capece?

Parece que sim, chefe.

Teremos de abrir uma investigação

e informar o tribunal correspondente.

Para que conste,

os Borges tentaram reanimá-la. Fizeram manobras.

Certo?

Sim.

Vamos, Capece. Trata disto, Ramito.

Raios!

Pode dar-me um chá, por favor?

Recebi um telefonema

da ala dos transexuais a dizer que houve um acidente.

Uma rapariga morta.

Obrigada.

- Está a ouvir-me? - Não foi um acidente.

O que aconteceu exatamente?

Não sei.

Mas não foi um acidente. Os Borges estão envolvidos.

- O Antín está a encobri-los. - Que merda.

San Onofre

já é uma terra de ninguém. Sabe?

O Capece. Continuamos depois.

Bom dia, Sra. Morales.

- Como está, Capece? - Ramos, tenta não te atrasar.

Chiqui, pago o café amanhã.

- E o de ontem? - Depois de amanhã.

Lembro-me da noite em que fizemos o espetáculo no pátio.

Dançámos como loucos.

De repente, o palco desabou e caímos ao chão.

Levantaste-te e continuaste a dançar.

Tu eras assim.

Forte como tudo.

Vou sentir a tua falta, minha amiga.

Espero que,

estejas onde estiveres,

encontres paz,

cuides de nós...

... e recebas o carinho que mereces.

Até breve, meu amor.

Querida.

Fofinha.

Minha Ginna.

Querida.

Adoro-te, Ginna.

Continua a olhar-me assim e mato-te, puta.

Como está a mais bela superintendente do mundo?

Está a brincar? Isto é um inferno!

Morreu uma reclusa.

- Uma rapariga da ala dos transexuais. - Sim, eu sei.

Sabe os problemas que vamos ter?

Que pergunta!

Claro que sei. Sou o diretor!

Sou o principal implicado.

Eu é que pergunto.

Que tenho eu que ver com uma transexual, travesti, seja lá o que for,

que se embebeda, droga, fode,

anda em cima das camas, que cai e morre?

Ouça, Antín. Eu acordo e maquilho-me porque gosto,

não porque tenho cara de parva!

- Acalme-se. - Está um recluso na enfermaria

com os dedos destruídos

e outro foi espancado.

- Mataram-no. - Mas eu não sou Deus.

Não controlo a vida de todos os reclusos.

É responsável por estes acidentes.

- São demasiados. - Não. Há uma sazonalidade.

Nalgumas épocas há mais incidentes do que noutras.

- É sistémico. - Espere.

- O que foi? - É a rapariga morta?

Estão a velá-la?

- Sim. - Que brincadeira é esta? A sério?

Não é uma brincadeira, Estela. É um velório.

É muito importante para eles.

Já era assim antes da minha chegada.

Quando morre alguém importante,

alguém de quem gostam, pedem para fazer um velório no pátio.

Para demonstrarem o carinho antes de o corpo ir para a morgue.

É um velório.

O velório da reclusa viola mais de 50 protocolos.

E o Antín sabe.

Se isto chegar aos recursos humanos,

seremos responsabilizados por encobrir o possível homicídio de uma transexual.

- Seu idiota! - Não.

Chega!

- Está bem? Acabou! - O que acabou?

- O quê? - Ter o título de diretor!

Acabou!

Está a despedir-me?

- Morales, sou eu! - Sim.

Está a cometer um erro.

Sabe que sou dedicado, capaz e determinado. Sou incorruptível.

Não se zangue. Se não tem nada a esconder, tenha calma.

Estou calmo. Não estou nervoso.

- Mas sabe uma coisa? Ofendeu-me. - A sério?

Resta-me pensar que é uma retaliação pessoal

por algo que não aconteceu entre nós.

- O quê? - Porque não a fodi.

Filho da puta!

Vais dizer-me porque estás tão abalado com a morte da Ginna?

Eu gostava dela.

Era boa rapariga.

Inteligente. Simpática.

Simpática.

Tanto que arriscarias o Pantera apanhar-te no pátio?

O mundo precisa de mais raparigas como ela, Colômbia.

E nós temos de ter mais cuidado.

Aqui somos alvos fáceis.

Os Sub-21.

A malta do Bruni.

- Aquele cabrão do Pantera à solta. - Pela Ginna!

Saúde.

Estou mais preocupado com os traidores do nosso lado do que com os inimigos.

Achas que a morte dela foi acidental?

Então, que raio aconteceu, Mario?

O Diosito tentou estrangular-me.

Ela morreu porque me tentou ajudar.

Nunca perdoarei o meu irmão por isto.

Nunca.

Ainda estás zangado?

Então?

O que queres?

Vais snifar isso sozinho?

Não. Vem cá.

Estás bem ou ainda estás zangado?

Não estou bem.

Matei uma pessoa.

Mas foi sem querer.

Houve outras vezes assim.

Mas, desta vez, nem dei conta.

A Ginna não merecia aquilo.

Matei-a.

A culpa é do Marito.

É daquele cabrão!

Por não me ter dito a verdade sobre a Mecha.

Tive de o pressionar e acontece isto.

Foi por isso.

Quantas vezes lhe perguntei e ele se fez de parvo?

Mas ele é um mentiroso e acha que somos todos iguais!

Percebes?

Não.

Ainda estás zangado com o teu irmão.

Que irmão?

Já não tenho irmão, Ranho.

Pronto. Acabou.

Agora, vou seguir o meu caminho.

E tu terás de escolher.

Terás de escolher. Eu ou o Marito.

"Dos suboficiais da Polícia Federal

com respeito e admiração para Sergio Antín."

Porque guardo esta merda?

Sim, entre.

Com licença.

Entra, Capece.

O que se passa? Vai mudar-se, chefe?

Não, vão mudar-me.

A Estela Morales vai tomar conta da prisão.

Ela suspendeu-me e vai obrigar-me a sair.

- É uma brincadeira? - Achas que sim?

Ela deve anunciar isto daqui a umas horas.

Chamei-te cá para te avisar.

Serás sujeito a um interrogatório minucioso.

Não se preocupe comigo. Sei o que dizer ou não.

Eu sei, mas ela é matreira,

a cabra.

Prepara o que tens de dizer.

Tem cuidado. Entendido?

Perfeitamente, chefe.

Mas talvez tenhamos de relembrar ao Ramos de que lado está.

O que se passa com ele?

Esta manhã, vi-o no bar aqui em frente

a falar com a Morales.

Quando me viram, fizeram-se de parvos. Mas isto nunca falha.

O Ramos.

Que filho da mãe.

Não podia ser pior.

Claro que ele esteve no local do "crime".

Não quero denegri-lo,

mas sempre soube que era um traidor.

Como todos da raça dele. Todos.

Vem cá, Capece.

Quero dizer-te algo do fundo do coração.

Admiro-te pelo teu trabalho e dedicação.

Quero que saibas que estou suspenso, não despedido.

Voltarei.

Vou recuar para ganhar impulso, porque voltarei como uma fénix.

Quero que garantas que todos os meus subordinados

sabem como lidar com bufos em San Onofre.

- Percebido? - Alto e bom som, chefe.

Boa sorte.

Fazes sempre o mesmo.

Toma. Acho que tem 40 pesos.

Ótimo.

Olá, Vasco.

Sou eu, o César.

Não. Quem me dera.

Ainda fico cá mais uns anos.

Como está a família?

Ótimo. Ouve. Não tenho muito tempo.

É por causa de um trabalho.

Não sabia. Está bem.

Ótimo. Passa-ma.

Estou?

Que tal?

Fala o César. É sobre um trabalho. Estás disponível?

Estive a falar disso com o teu pai.

Ótimo.

Excelente.

Depois digo-te como será.

Obrigado.

- O que disse ele? - Não o faz. Está reformado.

- A filha dele vai tratar disso. - A rapariga?

Sim.

Ela é mesmo tramada, não?

Não pode parar de um dia para o outro.

De certeza que me virá pedir mais daqui a uns dias.

- Olá. - Olá.

Obrigado por me ligares.

Senti a tua falta.

Tem sido...

... algo complicado.

As coisas em casa estão cada vez piores.

Agora, ela quer fazer terapia. Eu recusei.

Assim que puder, saio de lá.

Não voltes a dizer isso, por favor.

Vá.

Olha para mim.

Sei que é difícil para ti.

Mas imagina como é para mim.

Os meus filhos estão no meio.

Não sei porque me dizes isto.

Quero fazer-te sentir bem.

Dirias à tua mulher que não queres estar mais com ela?

Não.

A resposta é não.

Não digas isso.

Sim, claro que diria.

Sim.

Só preciso de tempo.

Vá.

Vá.

Tempo.

Vá.

Vá.

Vá.

Leste o livro de economia que te dei?

Não, pai. Não tenho tempo.

Porque não? O que fazes o dia todo?

Estás na prisão. O que fazes?

Não é como nos filmes. É mesmo tramado, sabes?

"Mesmo tramado"?

Não conheço a expressão. O que significa?

Tramado, lixado, perigoso.

É assim que falamos.

Não me posso distrair nem um segundo.

- Muito menos ler. - Aconteceu-te algo mau?

Fizeram-te alguma coisa? Tratam-te bem?

- Sim, pai. - A sério?

Não te preocupes. Estou bem.

Tenho aprendido muita coisa.

Quero ser o teu braço-direito quando sair daqui.

Sim. Vejo que estás a aprender muitas coisas.

Aprendeste a dar cabo da cabeça. Porque pintaste o cabelo?

Queres parecer aquele tipo?

Aquele teu amigo, o Borges mais novo? Aquele rufia?

Não.

Porque falas assim?

Finges ser um criminoso?

Um daqueles bandidos?

Sentes-te mais importante?

Imitá-los não te torna duro.

Porque não tens fé em mim?

Não sabes como é difícil estar aqui.

Porque não te pões no meu lugar?

Com todos a acharem-te um mimado de merda.

Não é fácil.

Sabes porque não estou na prisão? Porque não fiz borrada.

Por isso, não sei como é.

Só sei que tenho de pagar a tua proteção todos os meses.

E, agora,

só espero que não sejas um fardo para mim até eu morrer.

Sabes que mais? Para de pagar.

Esquece isso.

Não terás de continuar a tomar conta do teu filho.

Quem dera fosse assim tão fácil.

Um dia, aprenderás a importância da família.

E que ela nunca se abandona.

Já agora, a tua mãe manda cumprimentos.

Ainda não conseguiu vir por causa da vergonha.

Também para ela.

Então, meu?

Fizeste aquilo?

Está tudo combinado. Vão fazê-lo amanhã.

- São de confiança? - Sim.

Em oito anos, nunca falharam. Não te preocupes.

Qualquer um pode não falhar.

Mas ganhar por KO é diferente.

Mas eles mataram gente importante.

Tão importante como o Eduardo Pardo?

Tem calma. Está bem?

Vai correr tudo bem.

Ele morrerá em breve.

Confia em mim.

Vamos, rapazes.

Não percebes o significado de urgente?

Devias estar a brincar ao telemóvel com a tua mulher.

Não sou casado.

Não?

Percebo.

Mas pensei que eras porque estás sempre no telemóvel,

a enviar mensagens.

Tenho namorada.

Mas ela engravidou.

Boa.

Parabéns.

Deves estar contente por ires ser pai.

Agora que falas nisso...

Estava a pensar deixá-la.

Vais deixá-la com um filho?

Porque não? Eu não o queria.

Disse-lhe para ter cuidado. Ela fez o que queria.

Tens família?

Pais, irmãos, esse tipo de coisas?

Que é isto? Um interrogatório?

Nunca temos tempo para conversas de amigos.

Mas se não quiseres, não respondas.

A minha mãe morreu recentemente.

Nunca conheci o meu pai.

Sou filho único.

Então, ninguém sentirá a tua falta.

Isto é o que acontece aos bufos em San Onofre.

Isto é pelo diretor Antín.

E isto por deixares a tua namorada grávida.

Apodrece no Inferno, filho da puta.

Beijos doces e lânguidas carícias

Enquanto tremia, despi-me

Da bela forma

Da sua máscara!

Para sempre, foi-se o meu sonho de amor

Aquele momento fugiu

E morro desesperado!

Nunca

Amei tanto a vida!

Amei tanto a vida!

O MARGINAL É UMA SÉRIE FICTÍCIA.

QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS REAIS, PERSONAGENS, NOMES

E/OU CIRCUNSTÂNCIAS É PURA COINCIDÊNCIA.

Legendas: Lígia Teixeira

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