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Ele não pode ganhar!
Parem!
Quando o vão transferir deste sítio de merda?
Tens de lutar, Marquitos.
Como no ringue.
Podes ganhar por KO.
Ou por pontos.
Não desistas.
Marquitos.
Miúdo.
Ouve-me.
É como um combate pelo título.
Tens de esmurrar tudo o que tens à frente.
Sem parar.
Só tu.
Mais ninguém.
Como o campeão costumava dizer:
"Tiram-te o banquinho...
... e ficas lá sozinho."
Não baixes a guarda.
Eu estarei aqui.
À tua espera.
Como num combate pelo título.
Ranho.
Com licença.
Serve-te.
Ouve, Marito.
Sei que não me contaste da Mecha para me protegeres.
Sim.
Não queríamos que sofresses, mas...
... fizemos asneira.
Foi um erro.
Pois.
Pensei nisso e percebi que preciso de justiça.
Quero que me ajudes a encontrar o assassino da Mecha.
Para quê?
Para me vingar.
Estás louco.
Estou a pedir com jeito.
Sabes que números são estes?
Da lotaria?
São do quiosque que os espanhóis abriram na Europa.
Estás a ver a data?
O que significa a data?
É o Dia da Independência?
É o aniversário da Gladys, Diosito.
Pois. Isso também.
Se continuarmos assim, entrego-lhe a prenda em casa.
Vamos entregar-lhe a prenda em casa.
Com ar condicionado, bebidas, comida e o que quiseres.
Mas para de ter ideias loucas.
- "Ideias loucas"? - Sim.
Achas mesmo?
Vou explicar-te as coisas, Marito.
Alguém matou a Mecha e tem de pagar por isso. É só.
Não vou fazer nada para um otário como tu fazer merda
e estragar tudo pelo que lutei.
- Certo. Sou um otário? - Sim.
Certo.
Gostava de ver como reagirias se fosse ao contrário.
- O quê? - Se, em vez da Mecha,
matassem a Gladys, o que farias?
Não podes comparar a Gladys com aquela idiota, Diosito.
Não digas disparates.
Vai-te foder, Mario!
- Vai para a puta que te pariu! - Vai tu!
Continua a fazer merda e passarás o resto da vida aqui!
- Cabrão! Filho da puta! - Vai-te foder, cretino!
Badocha!
Cretino oxigenado!
Vai-te foder!
Tem de ter mais cuidado.
Não pode trazer isto para cá. Sobretudo se eu não pedir.
Compromete-me.
Só lhe queria dar algo.
Diga-me como está.
Na verdade, estou bem.
Um dia, acordei e apercebi-me de repente.
Tudo o que tive...
Tudo o que tive de passar
foi necessário.
Graças a isso, estou aqui. Certo?
Neste sítio.
Onde gosto de estar.
É estranho. Parece feliz.
E estou, Emma.
Muito feliz.
Lá fora, não tinha amigos. Não tinha nada.
Aqui, pelo contrário, pertenço.
Faço parte de um gangue.
Sinto-me útil.
Sinto-me importante.
As pessoas valorizam-me.
Não só aqui, mas lá fora também. Escrevem-me cartas.
Há algo mais que me queira dizer?
Sim.
Emma.
Não vê?
Não vê?
A Emma é a razão para me sentir tão bem aqui.
Emma.
Ilumina o buraco em que estou todos os dias.
Graças a si, superei o preconceito contra as mulheres. Bem,
não contra todas.
Tubo de Ensaio,
sabe que é um recluso, certo?
E que está aqui por um feminicídio triplo?
E eu sou uma profissional que trabalha em San Onofre. Certo?
Sim.
Olha para ti, uma professora.
Veremos se arranjo trabalho numa escola.
- Não sei. - Mas, querida, tu és...
- Bom dia. - ... adorável.
- Meninas, vejam quem aqui está. - Olá, bigodes.
Deves ter visto o que fizemos ao Diosito e ao rapaz
e queres o mesmo visual? - Nem pensar.
Não gosto de amarelo.
Não, vim... Aparar o bigode, pode ser?
- Sim, claro. - Aqui, tudo é permitido.
Ginna, tens um cliente!
- Estou a ir. - Luly, vamos buscar água para o chá.
- Vens, gorda? - Não me chames "gorda".
Já te disse que o lilás te faz parecer baixa.
Adeus, bigodes.
Adeus.
- Olá. - Como estás, lindo?
Já começas? Para.
Vá, mau feitio.
Senta-te.
Gosto que venhas cá logo de manhã.
Adoro.
Porquê tanto mel logo de manhã?
Achas que sou parva? Sei que me vens ver.
Certo, querido?
O que é isto?
Acabei o meu curso.
Sou professora de história da arte.
Que tal?
- Excelente! - Acabei o curso!
Parabéns.
Obrigada. Estou muito feliz.
Para que serve este papel?
Não é só um papel, cretino. Que raio?
Tu sabes...
Para ter um emprego decente, claro.
Posso dar aulas.
Sabes o que gostaria de fazer?
- Ensinar miúdos nos bairros. - Sim, claro.
Esses miúdos nem sabem somar e vais ensinar-lhes arte?
Vá.
Não me fales assim.
Esforcei-me muito e tu sabes.
Eu estava a brincar. Não te zangues.
Serás uma ótima professora.
Pois, sim.
Agora, estou ofendida. Muito.
Mas sabes uma coisa?
Quando eu viajar pela Europa, a visitar museus e isso,
vais ligar-me e dizer: "Ginna, volta, por favor."
Ouve.
- Nem vou olhar para ti, cretino. - Estou a brincar.
Como vais arranjar dinheiro para isso? Diz lá...
Vou poupar.
Quando sair daqui, terei uma vida decente, Borges.
Verás.
Queres jogar um torneio?
Diosito.
- Estou a falar contigo. - Não me toques!
Sou eu.
Desculpa, Ranho.
Desculpa.
Estava perdido em pensamentos.
Porquê? Por causa do teu irmão?
Nem me fales nesse cretino.
Acho que tenho de me vingar pela Mecha, sabes?
Há um cabrão à solta que a matou.
Eu estou aqui e ele está lá fora, na boa.
Estares sempre a pensar nisso não te vai ajudar.
O que te deu?
És como o Marito? Um cobardolas?
Não, mas não podes fazer muito aqui fechado.
É por isso que tenho de sair daqui.
Preciso de um plano...
Uma fuga. Sabes? Para encontrar aquele cabrão.
Mas era o Mario que tratava disso.
Era ele que engendrava tudo. Eu sou mais
de ação. Sabes?
Se quiseres, ajudo-te com o plano.
Obrigado, Ranho.
Quando chegaste, não dava nada por ti.
Mas olha para ti.
Tens mais tomates do que todos aqui.
Não, não tenho.
Mas uso a cabeça.
Sim.
- A cabeça. - Para com isso.
A cabeça de cima, porque a de baixo,
por agora, só serve para mijar.
Estou só a brincar.
O meu pai diz que é útil dar um passo atrás.
Para desanuviares a mente...
Sabes mesmo o que dizer.
Só para eu te arranjar uma gaja para foderes.
Não é isso. És bom tipo e quero ajudar-te.
Eu sei.
Com licença.
- Posso, doutor? - Claro.
- Bom dia. - Bom dia.
Sim...
Estou um pouco...
... confuso com a sua visita.
Não sei o que o seu irmão lhe disse,
mas ele não vem cá há algum tempo.
Não estou aqui por causa do Diosito.
O assunto é...
O assunto é...
Isto é privado, certo?
Passa-se o seguinte.
Um tipo do pavilhão, um amigo,
tem uma...
Uma relação com...
... um travesti.
Mas ele tem mulher lá fora. Em casa dele. Quer dizer...
Sim. E o que preocupa esse seu amigo?
Ele anda a foder alguém que mija em pé.
E não sabe se é...
Se é...
Ele gosta de mulheres.
Tenho a certeza. Ele ainda gosta de mulheres.
Mas esta relação deixa-o...
Confuso.
Excitado.
"Excitado".
- Deixa-o excitado. - Sim.
É interessante
esta questão que me traz.
Porque para ver
se o comportamento deste homem é...
... ou não...
... homossexual,
teríamos de saber como ele vê o parceiro.
Como assim?
Se ele vê o travesti como mulher, o comportamento dele será
heterossexual.
- Se ele... - Normal.
Uma pessoa normal, certo?
Sim, heterossexual.
Porque está ligado ao lado feminino.
Mas se o seu amigo
gosta de estar com outros homens... - Não.
Ele vê-a como mulher.
Ela tem um cu que enlouquece, disse ele.
Tem mesmo.
Muito bem.
Então, diria ao seu amigo
para descontrair e aproveitar.
Isto acontece a todos.
- Ele que avance. - Acha?
Sim.
Está bem. Ótimo.
Vou dizer-lhe. Ele ficará feliz por saber que não é maricas...
Claro. Não se preocupe.
Porque estás no psicólogo?
Acabou a conversa.
Vai já ao gabinete do Antín.
Diz-lhe que já vou.
Espero lá fora e vamos juntos.
Está bem.
Afinal, sabe mesmo o que dizer.
É sempre bem-vindo e o seu amigo também.
Vou dizer-lhe. Antes de ir ao gabinete do Antín.
Vou dizer-lhe. Obrigado.
Obrigado. Adeus.
Vamos, chato do caraças!
Com licença, chefe.
Nunca abras a porta antes de eu dizer: "Entre!"
- Eu disse-lhe. - Porra.
- Sabe onde ele estava? - Onde?
No psicólogo.
Vês? És um bufo do caraças.
Ele é um bufo e tu um recluso. Que interessa?
E eu sou o chefe.
Vai, Capece.
Nunca te verei a trabalhar, pois não?
Não!
Não faças isso ou corto-te os dedos como aquele rapaz do pátio!
Não estás velho para este disparate?
Não é um disparate.
É algo que entretém, desafia a mente
e, acima de tudo, evita a doença.
- Que doença? - De levar no cu.
Alzheimer, idiota! Essa doença!
A minha mãe tinha Alzheimer. É hereditária.
Pelo que vejo, já vais tarde.
Cala-te, cretino.
Sabes porque te chamei?
Não faço a mínima ideia.
Vais borrar-te todo.
Anda.
O que é aquilo?
- O isolamento. - Exato.
- E a porta? - Está aberta.
Aberta. E a câmara destruída.
- Onde está o Pantera? - Isso pergunto eu.
- Onde está o Pantera? - Não sei.
Pensei que o tinhas perdoado sem me dizer nada.
Porque perdoaria aquele cabrão, Antín?
Terás de ter cuidado.
Porque não mandas a tua gente atrás dele?
Não posso porque, se não está na prisão nova,
está na antiga.
Estando na antiga, teria de mandar muitos guardas
e a Estela desconfiaria.
Não me podes abandonar. O meu pessoal corre perigo!
Não te estou a abandonar!
Chamei-te para te avisar que o Pantera fugiu!
- E não farás mais nada? - Calma, Mario.
Está bem?
- Porra para isto! - Vá, cuidado.
- Só te queria avisar. Adeus. - Foda-se.
Cretino. Trabalho para ti?
Mostra-me as cartas, meu.
Olha para isso. Porra.
Boa!
Não sejas assim!
Jogaste bem hoje?
Picachu.
- Morcilla. - Que tal?
Fiorella.
O que sabes do Pantera?
Do Pantera?
Ele gosta de esmurrar cenas. O Sapo mandava nele.
Não te faças de parvo.
- Em relação a quê? - Onde está ele? Vá lá.
- Não sei. - Vá lá. Onde está?
Têm-no no isolamento, preso...
- Sabes onde está. Diz-nos. - Não sei... Tu sabes?
Não sabemos, Morcilla.
Onde está o Pantera?
Fala.
Onde? Achas que sou parvo?
Morcilla!
É fácil meteres-te com os novos, não é?
Como um cobarde.
Olha quem fala, Bruni.
Chamas-me cobarde? Tu és um falhado!
Ainda estás a tentar levantar-te.
Pronto!
Não viemos em paz?
Porque não consideramos isto uma reunião de negócios?
Não. Uma reunião de negócios, o tanas.
Parece que o Pantera fugiu
e estes cabrões acham que sabemos dele ou que o estamos a esconder.
Foram eles, Mario.
De certeza.
Cala a boca. Estou a falar com o Bruni.
Achas que se soubesse onde está o tipo que fodeu o meu sobrinho,
não daria cabo dele?
Procura-o, Bruni.
O Antín acha que está na prisão antiga.
Então, nunca o encontrarão.
A prisão antiga é como uma selva.
O pátio está tranquilo, Borges.
Não nos metas em problemas.
Há uma recompensa para quem tiver informações.
Se alguém o ajudar, matamo-lo.
Estão tramados.
Foram avisados, certo?
Preparei-te um quarto VIP, Ranho!
Não é como os bares merdosos aonde vais.
Toma. Fumar faz-te bem.
E a Romi...
... é uma beldade. Prepara-te.
Verás.
Olá, querida!
Olá, lindo!
Como estás, querida? Entra, Ranho.
Só uma?
Ouve, meu. Os amigos partilham tudo.
Não me batas!
Não!
O rapaz é um rebelde.
Que tal, linda?
- Como estás? - Tudo bem?
- Senti a tua falta. - Eu também.
- Tenho uma surpresa para ti. - Sim?
Um amigo.
Ranho. Diz olá.
- Olá. - Diz olá à Romi.
Olá, lindo!
Faz isso bem. Beija-a.
Isso. Quebra o gelo.
Ranho.
Que bom. Certo, Romi?
Ainda bem que vieste.
Ranho!
Sabes que mais? Dei a primeira com a Romi.
É verdade.
Que cu tinhas, querida!
- Ainda tenho. - Sim. Ainda tens.
És tímido, não és?
Porque não descontrais um pouco?
Dança para ele como dançaste para o Pablo no Carnaval!
Inesquecível. Ele era louco! Rígido como um cadáver!
Ele tem cara de virgem...
- E os tomates? - Completamente virgem. Intocado.
Este atrevido enfia a língua.
Eu também te enfio a língua, Romi, mas no rabo.
Por que esperas?
Se é o que queres,
não posso recusar. Certo, Ranho!
Como está a Romi?
Vou tirar-te esta saia.
Faz-lhe o que quiseres, Ranho.
Ouve. Vou cuidar dele.
- Está bem? - De certeza?
- Fazes isso sozinha? - Sim.
Ótimo.
Vem comigo.
Assim, querido.
- Estás relaxado? - Um pouco.
- Sim? - Dá-lhe, Ranho.
Um brinde, Ranho!
Um brinde, Ranho!
Deves estar a sentir-te bem, certo?
Cala-te.
Sabes que mais? Parece que me está a chupar a mim.
- Não sei porquê. - Por favor, cala-te.
- Larga! - Não!
Olá, Sofi. Fala a Emma.
Estou em casa.
Vá, depressa.
Preparado? Sim?
Sim!
Vá!
Isso, Ranho. Esvazia os tomates.
- Esvazia-os. - Sim!
Não queres que te leve ao hospital?
Não.
Tens de ser vista por um médico.
Já estou melhor.
Obrigada por teres vindo. A sério.
Ligaste-me.
Mas vim assim que pude.
Fiquei preocupada.
Pelo menos, diz-me o que se passa.
Não estou bem. Só isso.
Obrigada. A sério.
Sabes que podes contar comigo.
Muito bem, Ranho.
Primeira vez, feito.
- Um brinde. - Sim.
Boa. Eu bati uma a olhar para vocês.
Seu cabrão cheio de tesão.
Viemo-nos juntos. Não é fácil.
Ouve.
Lembra-te sempre deste momento.
Lembra-te, meu.
Não te esqueças que te ajudei.
É a tua vez?
Não.
Para, Romi.
Tenho de falar com o meu amigo sobre a primeira vez dele. É importante.
Não.
- É assim. Com licença. - Só um minuto.
Quer dizer,
é para verificar se correu tudo bem.
- Boa, Ranho. - Vou só dar-te beijos.
- Faz o que quiseres. Diverte-te.
Boa, Ranho. É bom ver que estás a gostar.
Fico muito contente por ti.
Porque estamos aqui presos.
O que podemos fazer?
Se não pudermos relaxar um pouco...
Eu estou a gostar deste broche.
Tu acabaste de a foder.
É a vida, meu.
Romi. Raios.
O Marito costuma dizer:
"Podes comer,
beber e ficar pedrado.
Mas nada te fará sentir melhor do que uma mulher."
Romi. Raios.
Não percebo. Ele diz isso, mas fode a Ginna.
Que estranho.
O que estás a dizer?
Porque dizes isso?
Não disse nada.
- O Marito é 100 % fiel à Gladys. - Sim.
Então, que estás a dizer? Disseste que ele fode a Ginna.
- Onde ouviste isso? - Não sei.
Vá, Ranho. Fala. Sou todo ouvidos.
- Eu não disse nada. - Disseste! Espera lá.
Eu ouvi! Vá, repete!
Estou bêbado e tal, mas não sou parvo.
Onde ouviste isso?
Um chá, por favor.
- Quer alguma coisa? - Não.
Outra manhã de merda?
Está nervoso?
Não gosto que nos encontremos aqui.
É uma extensão de San Onofre, sabe?
Pois, mas eu não tenho tempo para ir a muitos sítios.
Eles fazem merda e eu é que tenho de me esconder?
Eles é que me deviam temer.
Sim. Mas é a chefe.
Ninguém lhe dirá nada, mas eu sou um mero guarda.
Se o Antín souber disto, mata-me.
Está bem. Vá, fale.
Há novidades?
Aqui tem.
Obrigada.
Há um recluso à solta.
Fugiu?
Não. Quer dizer, sim. Mas dentro da prisão.
Não percebo.
Se está na prisão, não fugiu. Está preso.
Fugiu do isolamento.
Era prisioneiro dos reclusos.
Foi dado como morto no Motim das Pombas.
Mas não morreu. Estava acorrentado.
- Cabrões. - Pois.
Diga-me, o Antín sabe?
É um filho da puta.
- Com licença. - Adeus.
- Despachem-se. Acabou o tempo. - O quê?
- Vá lá... - Mexam-se! Vá!
Expulsam-nos como se fôssemos um monte de merda.
Podes vir.
Cinco minutos, Borges.
Cinco minutos? Nem consigo lavar a pila em cinco minutos.
Cabrão!
O que fazes aí? Monte de merda!
Filho de mil putas!
Achas que me assustas, filho da puta?
Seu monte de merda! Ninguém assusta o Borges!
Seu filho de mil putas!
O que se passa, Borges? Está tudo bem?
Que te importa?
Vai para a puta que te pariu!
Senhores.
Isto é grave.
Que os reclusos tenham prisioneiros!
O que significa isso?
Que há reclusos que acham que mandam em San Onofre!
Vocês têm um papel crucial.
Têm de ter tomates.
Têm de conseguir controlar estes filhos da puta!
Não hesitem em usar a força!
É a única forma de manter a ordem!
- Estela... - Para aprenderem!
Estela, garanto-lhe que os farei cumprir tudo o que pede.
Eu também!
Vou realizar agora buscas em cada pavilhão!
Ninguém descansa até encontrarmos o recluso!
Ponto final.
Cavalheiros...
- Ordem e coragem! - Em defesa da Nação!
Podem ir.
Ouça.
Se eu não estiver a ver, não faz nada?
Estela, por favor. Acabei de saber.
Quem lhe disse?
Eu sei tudo.
Os seus guardas são uma merda.
Sabe uma coisa?
Vou trazer-lhe mulheres guardas.
São mais corajosas do que os homens.
Muito mais.
Fantástico, meu!
Penso nisso e volto a ficar duro!
Quando é que ela volta?
- Não sei. - Aonde vais?
- Não é da tua conta. - Vá, meu. Diz-me!
Ouve. A festa de ontem foi excelente.
Ela veio, fodeste pela primeira vez,
divertimo-nos, fantástico.
O conselho do teu velhote. Pronto. Acabou.
Não posso continuar aqui sem fazer nada. Percebes?
Mas como vais sair se o teu irmão não deixa?
Que importa o meu irmão?
Aquele badocha? Um maricas que fode travestis.
Vou-me embora na mesma.
Dizem que há um buraco na prisão antiga. Não sei.
Talvez consiga sair. Ou talvez seja um mito. Não sei.
Mas se houver um buraco, não teriam fugido todos?
Não sei, Ranho.
Tenho de verificar e fazer o que puder.
Pela Mecha. Ela merece.
E se te deparares com o Pantera?
Ainda melhor.
Tenho assuntos pendentes com ele.
- Vamos lá. - Aonde vais? Que raio?
Estás louco?
Tu ficas aqui. Queres que o teu pai me mate?
Por favor, meu. Cuidas de mim como um irmão.
Arranjaste-me a minha primeira mulher. É o mínimo que posso fazer.
Tu ficas. Tenho de ir sozinho.
É uma questão de honra. Percebes?
Tenho de ir sozinho.
- Tu ficas aqui. - Vá, deixa-me ir!
- Aonde vais, meu? - Saiam-me da frente.
O que deu à tua ama-seca?
Fala, Ranho.
Se ele fizer merda, o Mario ficará furioso contigo.
Conta-nos, já.
Passa, meu! Vá!
- Vá, Máximo! - Revista!
Vai! Depressa!
Deitados no chão!
No chão!
- No chão! Vá! - Vá!
Vamos! Vá!
Deitados no chão! Vá!
Aqui!
Deitados no chão!
- No chão! - Deitados!
Não, no chão!
Cá fora, no chão!
Ouçam, cabrões!
Onde raio está o Pantera?
Falem!
Não se façam de parvos. Sabem onde ele está.
Falem.
Já dissemos ao Borges. Ele não está cá.
O teu chefe não te disse?
O que disseste?
O teu chefe, a tua namorada, seja lá o que ele for.
Gostas de pisar o risco, cabrão?
Já dissemos que não sabemos nada.
Vai procurá-lo noutro sítio.
Bruni, ainda encobres o Pantera?
Mesmo depois do que fez ao teu sobrinho?
Ele está em estado vegetativo.
Pobre rapaz.
Nem se alimenta pela boca. Tem de ser alimentado pelo cu.
Talvez ele goste disso.
Lava a boca antes de falares do Marquitos,
seu monte de merda.
Não te metas comigo.
Capece.
Ele não está cá.
Eu disse-te, Capece.
Gostas de trabalhar em vão.
Isto não é trabalho, merdoso.
Gosto de destruir as vossas coisas.
Fico cheio de tesão.
Vamos!
Vai-te foder, careca de merda.
Filho da puta.
Estás bem?
Está tudo bem?
Vá, vamos continuar! Dá-me a bola!
Pronto! Vá!
Vai buscá-la, maricas.
Por que raio falaste?
Nem me dizes olá?
"Querida"? "Sinto a tua falta"? Qualquer coisa. Que bem disposto.
O que esperas?
Porque lhe disseste que ela morreu?
- Que te deu? - Eu sei. Não lhe queria dizer.
Mas o Diosito estava desesperado. Parecia que já sabia.
E aquele segredo era um fardo pesado.
É melhor assim.
Não és tu que o aturas. Ele está insuportável.
E se descobrir a verdade... Por favor, querida.
Eu sei.
- O tanas. Promete. - Prometo, Mario.
Não. Promete pela vida do teu irmão.
- Prometo pela vida do Osvaldo, está bem? - Ótimo.
Porque é que aquele travesti me está a olhar assim?
- Não sei. - Deves-lhe alguma coisa?
O que raio lhe deveria?
- Diz-me. - Não me agrada.
Porque estás a olhar para mim, travesti?
- Para. - Algum problema, querido?
- Então? - Para. Não arranjes confusão.
Dás-me cabo da cabeça.
Raios! Só causas problemas!
Gladys...
- O que foi? - Temos um problema.
- O que se passa? - O Diosito foi para a prisão antiga.
Pensa que pode fugir.
- Puta que pariu. - Foi por lá.
A culpa é tua.
Cabra estúpida.
Encontrem-no antes do Pantera.
- Tens a certeza? - Sim.
- Aonde vais? - Quero ajudar.
- Não digas disparates. Senta-te. - Vá, Mario.
Fica aqui. Senta-te.
Ficas aqui até terminar a visita.
- Cristian Pardo. - Lady Borges.
Muito gosto.
Deve achar-me louco.
Mas eu vejo-me como um vinho.
E o Diabo está a beber-me num copo,
aos golinhos.
Bebe um golo, um braço.
Outro gole, uma perna.
E acabará por beber tudo de um trago.
A menos que eu faça algo bom e... Não sei.
Seria um milagre
eu transformar-me num vinho santo.
Então, ele não me poderia beber. Nesse caso,
vomitava-me.
Estou a aborrecê-la?
Desculpe. Fale-me de si.
Conte-me algo. Está bem?
Sim. Tive uma noite má, só isso.
Pois.
Nota-se.
Deitou fora aquilo que lhe dei, certo?
Não deitou.
Certo.
Reconheci esse olhar vazio. Os seus olhos.
Tem o vazio causado pelo desespero de uma noite sem dormir.
Os seus olhos estão aqui, mas o olhar não.
O seu olhar está fixado em si.
A julgá-la duramente.
- Um viciado reconhece outro. - Não sou viciada.
Será a última a descobrir.
O limite é muito difuso...
Nunca se sabe. Não importa.
Se quer algo radical,
vá de férias com a sua mãe
ou entre na jaula dos leões. É quase o mesmo.
Não consuma a porcaria que estes cabrões tomam.
O seu corpo é um templo. Não o profane.
Pareço um religioso a falar, certo?
Não estou bem.
Tem razão. Aprendi a lição.
Sim.
Uma viagem má.
Bem-vinda ao meu reino.
Vou-me embora. Deixo-a em paz.
- Vá lá. - Vou.
Obrigado.
A noite está excelente.
Com um vento perfeito para beber um chá.
Com os pés na água.
Como no apartamento. Lembras-te?
Eras pequeno.
Pediste um chá cheio de açúcar.
Uma porcaria.
Mas bebeste-o quase todo.
Lembras-te?
É verdade que me ouves?
Acredito que sim.
E, se acreditares, acontece.
Como nos sonhos.
Enquanto sonhamos, é tudo verdade.
Isto é quase a mesma coisa.
Podes ir aonde quiseres.
Imagina-te a lutar pelo título mundial em Las Vegas.
O estádio a abarrotar.
As câmaras, as luzes.
E eu, a dar-te indicações no canto.
Golpeia.
Não baixes a guarda.
Terceiro assalto.
Tu ganhas por KO.
A multidão está ao rubro.
E tu recebes...
... o cinturão de campeão.
Dás uma volta pelo ringue,
a mostrar-te ao público.
As pessoas aplaudem-te.
Tiram-te fotos. Filmam-te.
Querem tocar-te, abraçar-te. Conseguiste.
És o novo campeão.
Fizeste história, Marquitos!
Nós abraçamo-nos.
No meio do ringue.
Choramos de alegria como dois idiotas.
Consegues imaginar?
Esse é um sonho bom.
Quem está aí?
És tu, Pantera?
Não tenho medo de ti, cabrão!
Porque não apareces para conversarmos?
Vá, cabrão!
Finalmente apareces.
Raios...
- Filho da puta! - Dá cabo dele, Barny!
Estás bem?
Porque se intrometeram?
Eu ia dar cabo dele.
Tubo de Ensaio.
Tubo de Ensaio!
Mario.
Está tudo bem?
Sim, tudo bem.
A este ritmo, cumpriremos os prazos.
Ótimo. Se vires algo estranho, avisa-me.
O Pantera fugiu.
Ninguém sabe onde está e sinto que anda atrás de mim.
Calma, Mario. Toma um destes a cada oito horas...
Não quero as tuas merdas.
Não quero. Tenho de estar atento.
Fica atento.
Tu também.
Tenham cuidado. Se virem algo, avisem-me.
Sim, Mario. Não te preocupes.
- Sim, Sr. Mario Borges. - Sim, chefe.
- Sim, Sr. Mario Borges! - Sim, Sr. Mario Borges.
Filho da mãe!
O que se passa?
Como está o Marquitos?
Acabou.
Agora vou focar-me numa coisa para o resto da vida.
Destruir os Borges.
Isso é muito difícil.
Tens de me ajudar.
Após tratarmos deles,
poderás fazer o que quiseres com a prisão.
Não me interessa o poder.
Mas tenho uma condição.
O Borges é meu.
Combinado.
Doravante,
o pátio não é teu nem meu.
Somos uma equipa.
Está bem?
Vá, seu cabrão!
Vem cá, filho da puta!
Vem cá!
Vem cá, filho da puta!
Não, por favor!
Não, por favor!
O MARGINAL É UMA SÉRIE FICTÍCIA.
QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS REAIS, PERSONAGENS, NOMES
E/OU CIRCUNSTÂNCIAS É PURA COINCIDÊNCIA.
Legendas: Lígia Teixeira
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