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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

- Quando tenho fome, não me concentro. - É a vez de quem?

- Quem perder lava a louça. - Não. O idiota lava a louça.

- Sim! - Como é hábito.

Então? Onde está a comida?

- Trouxeste o pão? - Não.

O que fazes aí parado?

- Vai buscar o pão, por favor. - Com um aventalzinho.

- O janota tem um avental. - Pareces chateado. Que se passa?

Já não suporto aquela cara de vítima.

- Maldito idiota! - Acreditam?

Despacha-te! Porra! Merda!

És um inútil!

Despacha-te, monte de merda!

Aonde vais, idiota?

Vou deitar-me. Não me sinto bem.

- "Vou deitar-me. Não me sinto bem." - Ele está doente.

Coitadinho.

Traz a comida! Dormes depois.

- Primeiro traz a comida. - Vá.

Para de olhar assim para a minha mãe e vai fazer o jantar!

Vamos comer.

Despacha-te, monte de merda!

Odeio-te! Porque não morres?

Lava-te bem, Ranho. Mijaste-te todo ontem à noite.

Não quero!

Não quero, por favor!

- Corta-lhe os dedos, Ranho! - Não!

Verás como te mordem. Corta-lhe os dedos!

Ranho. Estou a falar contigo.

Ranho! Estou a falar contigo!

Deixa-o em paz.

Ele cagou-se todo ontem.

Está mais leve.

Diz aos teus amigos do pátio que, se roubarem os Borges,

cortamos-lhes os dedos.

Cortamos-lhes os dedos...

Ranho!

Ele faz-me rir. Olhem para ele.

Vá lá. Em que estás a pensar?

O rapaz está traumatizado. Deixa-o em paz.

Está bem, Marito.

Disseste-me para lhe mostrar o lado duro.

Agora, lida com isso.

Vá, despacha-te. Não te podemos deixar aqui sozinho.

Vamos. Acorda.

Vamos, Ranho!

Borges, seu monte de merda!

Temos de os foder já.

Devíamos pegar-lhes fogo. Olha.

Podia ser qualquer um de nós.

Quem vão foder?

Eles têm o Antín e a Polícia no bolso.

Vejam o que me fizeram.

Chibaste-te?

Não, meu. Sou um ladrão.

Não sou um bufo.

Está bem.

Meteram-se com um do gangue.

Vão pagar.

- Certo? - Certo, meu.

Claro.

Borges, seu cretino.

O peixe é demasiado pequeno.

E há muitas bocas para alimentar.

Temos pouco guito?

Estou metido em apuros.

Demasiadas obrigações.

O advogado,

o juiz, o procurador.

O primo do colombiano.

E a massa que a porra do Antín recebe.

- E se fugirmos? - Fala mais baixo.

Usamos os caixões e não temos de pagar a ninguém.

- Acho que é uma estupidez. - Porquê?

Se não escapámos na ida ao cemitério, achas que escaparemos agora?

És idiota?

Além disso, não entro num caixão. Nem com a Sophia Loren.

Outra vez esse pesadelo?

Não é um pesadelo, idiota. É uma fobia

e é mais comum do que pensas.

Sabes quantas pessoas temem ser enterradas vivas?

Eu que o diga.

Fiquei aterrorizado quando caí naquele túmulo.

Já te disse 20 vezes que não devíamos viver aqui.

Quero reformar-me, Diosito.

E achas que quero ser um fugitivo para o resto da vida?

Eu sei, Mario. Não sejas tão pessimista.

Não me chateies.

Passa-me isso.

Passa-mo.

Este é para uma criança, certo?

Pequena. Coitadinha.

Com um fundo falso, podíamos contrabandear muita coca.

Vês, cabrão? Gostaste da minha ideia.

Vês?

Não sei o que faço aqui fechado.

Com tantas ideias, devia gerir uma empresa.

Porque não cuidas do rapaz?

Olha para aquela cara.

Não queremos que ele se enforque com os atacadores.

Mario, não lhe dês ideias.

Um autógrafo.

Que chatice. Há presenças como na escola?

Ranho.

Que tens? Só fazemos caixões. Não morreu ninguém.

Não faças essa cara de freira sem sexo. Vamos.

Toma.

Assina tu, gordo. Já sabes como é.

Eu sei o que se passa. Estás assustado por causa de ontem.

Calma. Vais ficar bem.

O teu pai paga-nos para cuidarmos de ti.

Não faças essa cara. Vamos divertir-nos.

Vamos jogar e beber um copo. Anda.

Não me apetece.

Ranho, que atitude de merda.

Se não fôssemos nós, já andavas a levar no cu.

Serias a Cinderela de San Onofre.

Porque não te vais foder, cretino?

Não me fales assim, idiota!

Não me fales assim. Queres mais?

Queres que te foda, cretino?

Sou teu amigo.

Estou a proteger-te. Não me fales assim.

Toma outra!

Agora ficas de castigo na nossa ala até me apetecer!

Não me falas assim. Sai.

Sim, mete isso no cu.

Pirralho atrevido.

Está apaixonado por mim?

Vem cá mais do que a minha mulher quando quer dinheiro.

Ela não o fará sair daqui.

Conseguiu a quantia de que falámos?

Certo. Veio pressionar-me.

As férias judiciais vão começar. Teremos de ajustar os juros.

Qual é a pressa? Andam a penhorar-lhe os iates?

Borges, tenho de resolver as coisas com muita gente.

Se não tiver o dinheiro, isto não avançará.

Certo...

Se esta operação falhar,

posso fazer alguém ficar pelo caminho.

Isso é uma ameaça?

Não. Pensei que tinha vindo medir pilas.

O pénis. O pirilau.

Isto não é nenhuma brincadeira.

Não se trata de órgãos.

Trata-se da sua liberdade.

Se não tiver o dinheiro para as despesas,

teremos de adiar a operação.

Empresta-me o seu telemóvel? O meu não tem bateria.

Quer ser pago?

- Quem fala? - Sou eu, querida.

Mudança de planos.

O advogado vai receber o dinheiro do primo do James.

Estás louco? Queres que nos matem?

Faz o que te digo. Eu trato do colombiano.

Um dos capangas vem cobrar a parte dele.

- O que lhe digo? - Menina dos meus olhos,

diz-lhe para vir falar com o Mario Borges.

Vou mandar-te o advogado.

Eu trato do resto.

Um beijo, querida.

Quer um uísque?

Obrigado, mas não bebo.

Não? E coca?

Temos alguma.

- É o Ramos, certo? - Talvez.

- Eu sou o Cristian. - Eu sei quem és. O que queres?

Preciso de lhe pedir um favor.

Não te posso deixar sair.

Tenho ordens do Antín e do Borges.

Está bem? Vai dar uma curva.

Não quero sair.

Quero que me vá buscar as pedras que os tipos dos Sub-21 me deram.

Que raio te deu?

Achas que sou traficante?

Isso é muito difícil de conseguir.

Muito difícil.

Vá lá. Aqui, todos estão pedrados.

De certeza que me arranja algo.

Porque não pedes aos teus amiguinhos?

Pede à tua ama-seca que não te larga.

Eles querem-me limpo.

Mas eles não vão descobrir.

Além disso, eu posso pagar.

Tenho dinheiro.

És atrevido, miúdo.

"Dinheiro. Tenho dinheiro."

Os ricos como tu acham que o dinheiro resolve tudo.

Vá lá, Ramos. O que mais quer?

Que cara. O que se passa?

- Queres um copo de água? - Tem algo mais forte?

Não, só água.

É um espaço privado. Podes falar.

Tem que ver com a minha família.

Com a minha irmã.

O que tem ela?

Ela anda a foder alguém nesta prisão.

E qual é o problema?

Ela não o faz porque quer.

Está a ser forçada.

Andam a chantageá-la.

Dizem-lhe que me matam se ela não os ouvir.

Sabe como é aqui dentro.

Aqueles tipos do pátio não valem nada.

- Quem está a forçar a tua irmã? - Não posso dizer.

- Confia em mim. - Não posso.

Se não me disseres, não te posso ajudar.

Quem é?

Excelente chá.

Quente como um peido de chili.

Temos a melhor erva para o chefe.

Parece que o chefe gosta de ser mimado.

Espera. Tens três mãos?

- Sabes que sim. Gostas? - Vem cá.

Eu gosto de mulheres. Percebido?

Sim.

- De mulheres a sério. - Está bem.

Todos os homens dizem o mesmo. Assim que lhes mostramos as mamas,

transformam-se em orangotangos com o cio.

- Eu que o diga. - E com essas mamas, miúda...

Aqueles dois balões são meus. Fiz o contacto para a Gina.

Sabes que mais, Borges?

Arranjei mamas de silicone para 90 % das raparigas dos bairros de lata.

É verdade, querido, olha as minhas.

Queres ver como são?

- Não, deixa estar. - A sério? São duras.

Pois. Não sabia.

- Que boa comissão! - Não sejas tão maldoso.

Beneficia a comunidade. Mamas baratas e de alta qualidade.

E eu ajudo. Por isso faço bom dinheiro.

Não sou como as idiotas que se injetam com qualquer coisa. Até com óleo.

É verdade. Fazem o que quiserem connosco. O corpo é nosso, não deles.

- A pintar o cabelo, Borges? - Não.

Não, é só um retoque. E estou a socializar.

Gostas de socializar aqui?

Despacha-te. Vais socializar com o juiz no tribunal.

Mesmo a tempo.

Mas isso é para a semana.

Não sei. Ele deve ter saudades tuas.

A limusina espera-te.

- Adeus, meninas. Tiraste o champô? - Estás prontinho.

- Ficamos à tua espera. - Sim. Volto noutro dia.

Gosto tanto daquele bigode.

Cheira-me a esturro.

Temos juízes diferentes.

Quais são as probabilidades de irmos juntos a tribunal?

É verdade, mas não há problema. É só paranoia, Mario.

Não é paranoia.

Ouve o que te digo.

Isto não me agrada nada.

- Traga-me o Morcilla. - Com certeza.

Todo o excesso é mau. Cuidado com isto.

Vai lixar-te o cérebro. Tem cuidado.

Não mijes aqui, merdoso. Sai, porra! Vá!

- Não exageres. - Morci, a doutora quer falar contigo.

Vá, idiota.

Espera. Que se passa contigo, seu cretino careca?

Tem respeito. Quem achas que és?

Doutora,

passou muito tempo. O que se passa?

Ainda tem medo de andar no pátio?

Só queria saber como está.

Há muito tempo que não vai ao meu consultório.

Eu? Estou ótimo.

- Mais alguma coisa? - Sim.

Pare de foder as famílias dos reclusos.

Doutora, parece que ainda está a viver no passado.

Eu não obrigo ninguém a fazer coisas por dinheiro.

Sou outro homem. Não vê?

Certo. Pagou-lhes para se prostituírem e agora chantageia-as. Estou enganada?

Por mim, pagava-lhes.

Mas tenho pouco pessoal desde que me deu cabo do negócio.

Não estou a pedir um favor.

- Estou a dizer-lhe para parar... - Ou o quê?

Eu é que a aviso.

Pare de se meter no negócio dos outros ou dou cabo de si.

Percebeu? Tenho informações. Sei que tem visto muito o Tubo de Ensaio.

Não sei a que se refere.

Ou anda a fodê-lo

ou, de repente, adora pó mágico.

Na verdade,

acho que aquele cretino já não o consegue levantar.

Não sei de que fala.

A doutora respeitável!

Acabou por se tornar uma grande drogada.

Quer um docinho?

Ouça, doutora. Sejamos claros.

Não se meta com o meu bordel.

Entendido?

- Não tenho medo de si, Morcilla. - Não?

Então, terá.

Se isto se souber, a sua carreira acabou, puta.

Acalme-se ou mando uns amigos a sua casa

para lhe calarem a boca de uma vez por todas.

Talvez lhe façam um favor e até goste.

Vá. Dê-me um beijo!

Para onde olhas, guarda da treta?

Cretino careca!

Queres saber porque me chamam Morcilla? Anda cá.

Muito bem. Resta um!

Para de beber essa merda. Vai dar-te cabo do cérebro.

A cerveja custa 50 pesos.

Se não tiverem dinheiro, pagam com o rabo e dou-vos uma grade.

Bem-vindo, Borges.

- Que se passa, parceiro? - Não se passa nada.

Avança.

Toca a andar.

Vamos!

Vamos.

Meritíssimo.

Borges, meu amigo.

Não pensei que tinha de o chamar assim.

Não tão depressa.

Atrasei-me num pagamento. Resolvo isso nuns dias.

Fale a sério.

É uma promessa de Borges.

Este monte de merda responsabilizou-se por si e fez merda.

Mas somos família. Se ele é meu irmão, somos família. Certo?

Primo, se o Borges diz que vai pagar, paga mesmo.

Cala-te, primo. Não estou a falar contigo.

Por amor de Deus, Borges.

Fiz um acordo consigo porque pensava que era diferente.

As pessoas são merdosas.

- Vá! - Larga-me, seu cretino!

Onde está o meu dinheiro?

Dou-lho daqui a uns dias. Com juros, colombiano.

Não volto a perguntar.

Gastei-o.

Gastei-o na minha liberdade, mas resolvo isso numas horas.

Malcolm, espera. Pensa um pouco.

Se o matares, não há dinheiro. Quem te vai pagar?

Ouça-o. Ele tem razão.

Se me matar, pronto. Fui. Mas quem lhe pagará?

O que vai cobrar? Onde está o dinheiro?

O dinheiro está...

Nas mamas. Nas mamas das mulheres. Lá dentro.

- De que está a falar? - Tenho um negócio.

Para mandar coca para a Europa. É isso.

Tenho um fornecedor de silicone. As mamas das mulheres...

Vai no silicone. Não é treta.

Diz-lhe que não é treta, por favor!

Ouve-o, parceiro.

É um grande negócio.

- Baixem as armas! - Cala-te!

Porque não me disse antes? Não me queria metido nisso?

Porque não quereria? É família.

Mas não sou idiota. Tinha de pensar bem antes de lhe dizer.

Pronto. Já disse.

Diga-me uma coisa...

Como tenciona meter a coca dentro do silicone sem a Polícia perceber?

Eu nunca fiz algo assim.

Há uma primeira vez para tudo.

Isto não é como fazer um bolo.

Estás a acobardar-te?

- Agora? - Não. Mas metanfetaminas é uma coisa.

Tu estás a falar de dissolver cocaína,

injetá-la num implante mamário e, depois, através de um processo químico,

ainda por decifrar,

fazê-la voltar ao estado sólido. - Ouve, Tubo.

Não te estou a perguntar se o queres fazer ou se tens tempo para isso.

Estou a dizer-te para arranjares uma forma de o fazeres. Percebido?

- Está bem. Percebido. - Boa.

Mas há muita coisa a ter em conta.

O quê?

Primeiro, preciso de material, Mario.

Eu trato disso.

Segundo, se correr mal,

o produto pode perder algumas propriedades no processo químico.

Não pode correr mal.

Não pode correr mal. Certo.

Terceiro.

As condições de trabalho. Isto não é apropriado.

É perigoso. Se algo arder, vamos pelo ar.

- Não podemos trabalhar assim. - Quarto.

Não me fodas! Incineraste meia árvore genealógica

e agora preocupas-te com um fogo na frigideira!

- Não é uma frigideira. - Tive um dia de merda, não me fodas.

Faz a lista e assunto encerrado!

Está bem. Eu faço a lista, tu trazes o material

e eu tiro cinco dias para estudar o processo.

Estou a falar chinês?

Estás surdo?

Tens 48 horas para me dar a primeira amostra.

- Quarenta e oito? - Não me interrompas!

Tens 48 horas para me dar a amostra.

Entendido?

Põe estes dois cretinos a trabalhar! Tentativa e erro!

Porra para isto!

- O patrão manda. - Cala-te. Não gosto de lambe-botas.

Isto tem de correr bem.

É algo em grande.

Trouxeste preservativos?

Não. Não pensei que íamos foder.

Pensaste que vinhas beber um chá?

Traz sempre preservativos.

Não fodes no primeiro encontro?

Vá lá! Tens história com o Diosito, certo?

Sim, mas não o vejo há séculos.

Queria falar com ele e ver como corria.

Não sei. Quando conheceu a Mecha, deixou de me falar.

E tu gostavas dele. Já ouvi isso um milhão de vezes!

Esta é a tua oportunidade.

- Sim, eu sei. - Ouve.

Não fales da Mecha.

Ele não sabe que ela morreu. Está bem?

- Ele não sabe? - Não. Queres lixar-lhe a cabeça?

Nem pensar.

Está bem.

Se lhe lixava a cabeça, é porque ainda pensa naquela cabra.

Céus! Tu não ouves?

Por que raio achas que te trouxe?

Está bem. Eu percebo, Gladys.

- Ele não saberá por mim. - Nem por ti nem por ninguém. Certo?

Estou a falar a sério.

Ou estás tramada connosco.

Percebido?

Sim.

Vá, sai do carro.

- Que raio? - Não te zangues.

Os larilas a jogarem bridge!

Sai daqui, badocha.

Temos de lixar aquele badocha!

Calma, meu.

Eu trato dele. Não vai durar muito.

Calma, Máximo! Continua a jogar.

Eu tenho aquele filho da puta na mira.

Porquê, meu?

Ele anda a foder a minha irmã.

Anda a foder a Popi?

Sabes que mais? Eu também a fodia. Ela é toda boa.

- Para. É a irmã dele. - És idiota?

- És idiota? Não sejas cretino. - Senta-te.

Que se passa contigo?

Desculpa, meu.

Ela não o fode porque quer.

Ele ameaça-a.

Disse-lhe que, se ela não o foder,

ele me mata e a toda a família.

Aquele cretino não mata ninguém.

Para, Máximo. Não o enerves.

Não sei o que fazer, César.

Temos de foder o badocha.

Por favor, deixa-me dar-lhe.

Parem, rapazes.

Temos de acalmar o nosso amigo.

Ele diz que sabe onde vivo.

A Popi não tem escolha.

- Tem de foder aquele bandalho. - Deixa-me dar-lhe.

Máximo, calma. Não é a altura certa. Vá.

Se quiserem, eu mato-o.

Quem és tu? Quem te mandou cá?

Sim. Quem falou contigo?

Não é a tua irmã. Não te metas.

- Sai daqui. Vai-te embora. - Sai.

Fora daqui.

Preciso de cachimbos, crack, o que tiveres para o rapaz dos Borges.

O quê? Não lhe deem nada.

Foi ele que feriu o Fiorito.

Ele tem razão, meu.

Vocês são idiotas?

Quem raio são?

Não veem que o plano está a resultar?

Será mais fácil atraí-lo se o Borges o quiser limpo.

Exato.

Exato.

Meu.

O plano está a resultar, rapazes.

Entendido?

- O que fazes aqui? - "Olá, Gladys! Olá, Kari!"

Não sejas tão rude.

A Kari veio ver-te. Não a trates assim.

Olá, Diosito.

Porque não te sentas?

Olá, Kari.

Vieste mesmo ver-me?

Sim. Queria ver-te antes, mas não consegui.

Fiz mal?

Ela está linda, não está?

Tudo bem. Não há problema.

Mas não me surpreendeste.

Ficarás surpreso agora. Dá-lhe a prenda.

Para mim?

Tarte! O idiota do Capece ficou com a outra metade.

- De marmelo. - Claro.

A batata-doce é para cretinos.

- Obrigado. - Porque não vão para o quarto?

Podem comer e pôr a conversa em dia. Não se veem há muito tempo.

Está bem? Vão lá.

Sim, vamos.

Leve-os para se divertirem.

- Anda, Kari. - É a minha primeira vez aqui.

- Sem se tocarem. - Certo, meu.

O que é isto tudo?

O material para o Tubo de Ensaio

passar a coca de sólida a líquida e vice-versa.

Achas que vou comprar isto tudo?

Eu posso ir ao supermercado. Não há problema.

Deixe-me sair e eu digo-lhes para entregarem tudo aqui. Sem problema.

Se te der o meu cartão,

compras uísque importado. - Não é má ideia.

Não sejas cretino.

Como raio planeias fazer entrar isto em segredo?

Pensarás em alguma coisa.

Quanto mais depressa metermos a coca nas mamas falsas,

mais depressa recebemos.

Sai daqui. Mamas falsas.

Sorri. Poderás construir um terraço em tua casa.

Sai daqui. Mamas falsas.

Vou chupar uma mama falsa.

Estás com bom ar.

Mais ou menos.

A sério.

Pensei que te ia encontrar mal.

Mas estás barbeado.

Estás bonita.

Não te via há muito tempo.

Sim, desde que me ignoraste.

Mas não foi por ser cretino.

A Mecha tornou-se minha namorada.

Não gosto de trair.

Ouvi dizer que já não estão juntos.

Não, há muito tempo.

Ela deixou-me por carta. Acreditas?

Nunca me tinha escrito antes.

Nem sabia que ela escrevia.

Tenho de superar a perda e isso tudo.

Eu ajudo-te a esquecê-la, Diosito.

A Mecha foi-se.

Para.

O que foi? Não gostas de mim?

Não é isso.

Não, Kari. Tu és muito sensual. É só que...

Apanhaste-me desprevenido.

Não achei que íamos foder.

Só isso.

Está bem. Se quiseres, podemos falar.

Claro.

Claro, podemos falar. Posso chupar-te as mamas. Avançamos devagar.

Está bem. Avançamos devagar.

Gostaste da tarte que te trouxe?

Estava ótima.

Fui eu que a fiz.

Ando a vendê-las no bairro.

Sempre fizeste boas tartes.

Posso trazer-te mais um dia destes.

Como estás?

O quê?

Aqui em San Onofre.

O que foi? Não queres falar?

Não estou a ter um dia bom.

Porquê? O que aconteceu?

Queres dizer-me alguma coisa?

Não.

Então, porque é um dia mau?

Não sei.

Cristian, estas entrevistas servem para desabafares.

É impossível ajudar-te se estiveres assim.

Sim, é impossível.

Está bem.

Queres dizer-me mais alguma coisa?

Desculpe, doutora. Tenho de levar o Pardo comigo.

Leve-o.

- Até para a semana. - Sim.

Com licença.

Doutora, tenho de falar consigo. É urgente.

Não aguento.

Não consigo dormir.

Não consegue dormir?

Nos últimos três dias, só dormi uma hora por dia. Estou a enlouquecer.

- Certo. Está a tomar alguma coisa? - Não, mas não consigo dormir.

E porque acha que não consegue dormir?

Eu durmo como um bebé.

Saia. Por favor.

Marito.

- Que tal? - Tudo bem.

A Gladys disse-me que estavas com aquela rapariga, a...

- Karina. - Sim, a Kari.

Tive uma visita conjugal.

Foi fantástica.

No início, estava um pouco mole. Juro.

Mas ela foi muito porreira.

Esperou até a minha pila parecer a de um touro.

- Porreiro. Contas-me mais depois. - Sim.

Espera. O que te disse o juiz?

Digo-te depois.

Qual é a pressa, meu?

Estás de caganeira?

O que se passa? O colombiano está igual.

Em que raio se meteram?

Tenho o que fazer, Diosito.

Não me vais dizer?

Agora não.

Entre.

Com licença. Antín, está aqui o recluso que queria ver.

- O Morcilla? - Sim.

- Mande-o entrar. - Sr. Morcilla, entre.

Entre, Morcilla.

- Como está? - Como está, chefe?

Estou bem. E você?

Bem. Tudo bem.

É a primeira vez que cá vem, não é?

- Sim, é a primeira vez. - Se bem me lembro.

Sente-se.

Quer beber alguma coisa?

O que quiser.

Nada disso. Quer café?

- Ou um uísque? - Assim é mais fácil.

Um uísque.

Nacional ou importado? Qual prefere?

Importado, se puder ser.

- Veja. - Sim.

Johnny Globetrotter.

"Globetrotter."

- Aqui tem. - Muito obrigado.

Ainda bem que tudo corre bem. Saúde.

É excelente!

- De categoria. - Sim!

Nota-se.

Já que estamos a ter um momento tão agradável,

quero aproveitar para lhe perguntar algo

e quero uma resposta sincera. - Claro.

- Pode ser sincero? - Sim, claro!

Sinceridade é o meu nome do meio.

Vejamos se o honra.

Veja.

O que é aquilo?

É você. E a Emma.

Lembra-se disto?

Estávamos a conversar.

Não parece uma simples conversa.

Parece que a está a pressionar.

Não, para ser sincero,

tive de a repreender.

Ela parece um anjinho, mas é uma agarrada do caraças.

- A Emma? Uma agarrada? - Compra comprimidos ao Tubo de Ensaio.

Além disso, é uma maldita informadora.

Ainda assim, porque a pressionou?

Apenas sugeri que não se metesse no meu negócio.

Ouve, cabrão! Filho da puta!

Nunca toques no meu pessoal!

- Ouviste? - Sim!

- Responde! - Sim!

Felix!

Leva este filho da puta daqui.

Levanta-te! Fora daqui!

Mexe-te, monte de merda!

Toma.

Eis o que me pediste.

Ótimo. Quanto lhe devo?

Nada.

É uma prenda dos teus amigos do Sub-21.

Ladrão!

Deixa-os em paz, meu!

Cuidado!

Ajudem!

Lamento! Lamento...

Lamento.

Ajuda-me...

- Cá vamos nós. - Cretino.

- Corta-lhe os dedos, Ranho! - Não!

Corta!

Por favor, não quero!

Não quero!

Lamento.

Por favor!

Isto não te vai salvar, cabrão!

Não te vais safar!

Parem!

Eu e o Deto vimos o Fiorito.

Os comprimidos já não fazem efeito. Está pior do que nunca.

Marado.

Temos de nos vingar daqueles cabrões, seja como for. Entendido?

Certo. Temos de os foder.

Calma. Sais em breve.

Temos de fazer alguma coisa.

Hoje foi o Fiorito.

Mas amanhã será a cabeça do Arnold ou de qualquer outro.

Vamos aguentar até quando?

O Marquitos tem razão.

Eu também quero lixá-los.

Mas estou com o Bruni nisto. Temos de pensar.

Temos de ser inteligentes e encontrar o momento certo.

Se nos apressarmos, estamos tramados.

Dra. Molinari, queria falar consigo.

Há algum problema?

Todos dizem o mesmo.

Digo-lhes que quero falar com eles. "Bom dia. Há algum problema?"

Talvez porque há sempre problemas aqui.

Sim, claro, mas resolvemo-los.

Já agora, tenho uma solução, não um problema.

Não percebo.

Para o seu problema com o Morcilla.

Falei com ele e expliquei. Ele percebeu.

Que problema?

Que problema? Ele pressionou-a.

Vi isso nas imagens de vigilância.

E também sei dos rumores de que se droga.

Não te metas com os nossos.

Com os nossos, não, Morcilla.

Não acredito nesses rumores.

E posso protegê-la do Morcilla.

Mas se esses rumores chegarem à Estela Morales,

as coisas podem complicar-se.

Ela é uma mulher exigente e impiedosa.

Sugiro que formemos uma frente unida. Percebe?

- Sim. - Não se preocupe.

O problema do Morcilla foi resolvido.

Se precisar de alguma coisa, diga.

Corta, Colômbia!

Outra vez, Colômbia!

Corta!

Fala Eduardo Pardo.

Não posso atender a sua chamada. Por favor, deixe mensagem.

Pai, sou eu. Aqueles que me protegem, os Borges,

são completamente loucos.

- Que raio fizeste, agarrado? - Calma, Mario!

Primeiro, levaram-me para assaltar um restaurante.

A seguir, obrigaram-me a cortar os dedos a um recluso.

E, por fim, fecharam-me numa ala horrível que cheira a merda.

O meu guarda-costas está sempre a dar-me palmadas.

Cala a boca. Cala-te, porra!

Não sei o que fazer. Ajuda-me, pai.

Sou teu filho. Pelo menos, atende o telefone. Faz algo.

A sua mensagem foi gravada.

Para voltar a ouvir a mensagem, prima um.

Para apagar, prima dois.

Pai, sou eu.

Tens de me tirar daqui.

Aqueles que me protegem, os Borges,

são completamente loucos.

Primeiro...

A sua mensagem foi apagada.

Para gravar outra mensagem, prima...

- Estou? - Olá, Luna.

Fala o Cristian.

Olá. Ainda bem que ligaste.

- Queria ouvir a tua voz. - Estás bem?

Estou. E tu? O que andas a fazer?

Acabei de sair da terapia.

Foi incrível, muito divertido.

E agora vou estudar. Aborrecido para caraças.

Adoraria aborrecer-me contigo.

Pois, eu também.

Sinto a tua falta.

Quando me vens visitar novamente?

Acabaram-se as gomas.

- Quanto pesa? - Quinze gramas.

Certo. Vamos dissolvê-la depois de esmagada.

- O que usamos para a dissolver? - Água, claro.

Agora entramos no processo de decantação.

Hidróxido de amónia.

Não, espera! Que estás a pôr?

Isto é nitrato de prata, idiota!

Porquê a pressa?

Faz o que te mando, não o que te apetece. Não percebes nada!

Agora vamos fazer a precipitação.

Usa uma gota de hidróxido de amónia.

O que se passa? Não percebo.

Não, espera.

- Raios. - Olha o que aqueles cabrões te fizeram.

Sei que dói.

Mas tenho de desinfetar essa pele de bebé.

O que aconteceu?

Nada. Não importa.

Nada? Diz-me o que aconteceu.

Um disparate. Um ajuste de contas.

Olha para mim.

Aqui não há segredos.

Fodi a irmã do Arnold e meti-me em sarilhos.

O quê?

Fodeste a irmã do Arnold?

- Calma. - Desde quando gostas de mulheres?

- Calma, Fiorella. - Calma, o tanas!

- Estás doido? - Traíste-me com uma gaja?

Sabes uma coisa? És um maricas em negação.

Não me chames maricas.

Aqui, o único maricas és tu.

Entendido?

Vês?

És o maior maricas em negação.

Achas que isto é fácil para mim?

Achei que, nesta fase da vida, já teria assentado.

Não que seria o mandachuva de San Onofre.

E todos me tratam como um cabrão.

Calma. Já passou.

Perdoa-me.

Dá-me...

Dá-me a mão.

Sai.

- Sai. - Dói-te aqui?

Não me toques.

Sei como te livrar das dores.

Cocaína pura.

Cocaína líquida.

- Isso é cocaína? - Exato.

E isto é cocaína de volta ao seu estado natural.

- Pronta para consumir? - Exato.

Podemos perder entre 5 % e 7 % na conversão.

Não podemos perder menos?

- Eu disse que ele fazia magia. - Não é magia. É química.

Depois, usamos o processo de dessalinização para precipitar...

- O processo quê? - De dessalinização.

Usamos hidróxido de amónia para recuperar...

Não te armes em enciclopédia. Não vou aprender nada.

Para. Ele é um génio.

Terá de continuar a fazê-lo. Eu não o farei.

- Não me lixem. - Parabéns.

- Obrigado. - Estamos conversados.

- Pode sair. - Com licença.

Chinao! Não. Deixe isso aqui para nós...

- Temos de analisar isso. - Controlo de qualidade.

Chinao! Vá lá.

Disse-te que era um grande negócio

meter a cocaína líquida nas mamas falsas.

- Que grande combinação! - Qual?

Mamas e cocaína.

Snifar uma linha em cima de um mamilo.

Que sacana.

Que grande sacana.

- Então? - É boa.

Não há molho para isto? Está mais seco do que o deserto.

Agrada-me a melhoria do Marquitos.

Devia levantar mais as mãos.

- Ouviste? Já te disse umas 300 vezes. - Estou a ouvir.

- Meu. Há tangerinas? - Não, acabaram.

- Ouve, Picachu. - O que foi?

- Dá-me a tua tangerina! - O quê? Deixa-me!

Que se passa, cretino? Qual é o teu problema?

Pare! Eu não fiz nada!

- Vamos! - Maricas!

- O que se passa com ele? - Estás sempre a causar problemas! Vamos!

Vou bater assim na tua irmã para não foder o Morcilla.

Se ela voltar a visitar-te, mato-vos aos dois.

- Quem vais matar, cabrão? - Fodo-te todo!

- Quem vais foder? - Cabrão.

Ouve. É perigoso. Fica aqui.

- É boa? - Não, é fantástica.

Eu disse-te que era boa ideia.

Tenho algo a dizer.

Impecável.

Ranho!

Ranho! James, o Ranho!

- Às tuas ideias. - Sim.

Mijo de gato.

Que raio?

Puta que pariu.

O rapaz.

Ranho, estás bem? O que aconteceu?

Calma, Ranho! Enfermeira!

Enfermeira!

O MARGINAL É UMA SÉRIE FICTÍCIA.

QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS REAIS, PERSONAGENS, NOMES

E/OU CIRCUNSTÂNCIAS É PURA COINCIDÊNCIA.

Legendas: Lígia Teixeira

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